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Na tua opinião, qual o sector do plantel a necessitar de maior reforço para a época 2009/10?
baliza defesa meio-campo ataque   

Domingo, 17 de Agosto de 2008

Déja-vu

16 de Agosto de 2008
Supertaça Cândido de Oliveira 2008

Estádio do Algarve, em Faro
assistência: --- espectadores


árbitros: Carlos Xistra (AF Castelo Branco), José Braga e Mário Dionísio; André Gralha.

FC Porto: Helton; Sapunaru, Bruno Alves, Pedro Emanuel «cap.» e Benítez; Guarin (Candeias 70m), Raul Meireles e Lucho; Lisandro, Farias (Hulk 56m) e Rodriguez.
não utilizados: Nuno, Fucile, Rolando, Tomás Costa e Fernando.
treinador: Jesualdo Ferreira.

Sporting: Rui Patrício; Abel, Anderson Polga, Tonel e Caneira; João Moutinho «cap.», Rochemback, Romagnoli (Miguel Veloso 67m) e Izmailov; Yannick (Pereirinha 90m) e Derlei (Hélder Postiga 82m).
não utilizados: Tiago, Adrien, Grimi e Tiuí.
treinador: Paulo Bento.

disciplina: cartão amarelo para Anderson Polga (10 min), Benítez (29 min), Caneira (71 min), Lucho (90 min), Miguel Veloso (90 min) e Rodriguez (90 min).

golos: Yannick (45 e 58 min).

bLuE HOT: Lucho, Raul Meireles, Rodriguez e Candeias.
bLuE ICE: Sapunaru, Pedro Emanuel, Guarin e Farias.


E pronto. Começou a época, oficialmente. No tradicional jogo inaugural das “festividades”, a Supertaça foi passear para territórios sulistas, na turística zona algarvia. Aproveitando o “dolce faire niente” de grande parte da população portuguesa, os responsáveis federativos seguiram a fórmula da Taça da Liga, enchendo de um público entusiasta o recinto criado para o Euro-2004.

O Porto tinha contas a ajustar. Não era segredo para ninguém. O Sporting tornou-se, depois das conquistas da última Supertaça e da Taça de Portugal, uma espinha encravada na garganta. Sem sentimentos de vingança, que esses ficam a cargo de clubes de menor igualha, o que importava na noite de Sábado era só uma coisa. Vencer. E trazer a Taça. A pré-temporada prometia. Um Porto em crescendo, com reforços de qualidade, mostrando já alguns dos predicados que tornaram os azuis e brancos a equipa mais receada deste cantinho à beira mar plantado. Do outro lado, quase tudo permanecia imutável. Até mesmo o ridículo risco ao meio do treinador leonino. Um Sporting mais maduro, com um maior número de opções, depois das entradas do polivalente Caneira e do regressado Rochemback, e da deserção de Postiga, à procura da felicidade perdida. Um combate de titãs, entre as duas mais fortes equipas lusas, as únicas a merecer o privilégio de disputar a Liga dos Campeões.

No Porto apenas uma incógnita, depois do ensaio com a Lazio. Com o lugar do renegado Assunção entregue ao colombiano Guarín, e com o lado esquerdo da defesa a ficar com o sotaque das pampas, com Benitez a vencer a corrida pela titularidade, a interrogação que grassava na mente de todos era apenas uma. 4-3-3, apesar da gastroenterite de Mariano, ou o mais cauteloso 4-4-2? Se dependesse da minha opinião, o 4-3-3 é o esquema de eleição. Um esquema táctico já incorporado pela equipa, que parece uma máquina bem oleada, deslizando pelo relvado com movimentos fluidos, sincronizados e próximos da perfeição. Por isso, usei os meus dotes de telepatia. Durante 5 minutos, sentado no sofá, repeti mentalmente “4-3-3, 4-3-3, 4-3-3”.

Respirei aliviado, ao ver as camisolas azuis e brancas subirem ao relvado. O Porto não tinha hipotecado a sua identidade própria. Rodriguez, futebol feito de explosão e raça, encostado à esquerda. Lisandro, temível fazedor de golos, descaído para o flanco oposto, deixando lá na frente o compatriota Farías, à procura da “Tecla” certa para que a sinfonia soe perfeita. O árbitro apitou. As hostilidades estavam abertas. O espectáculo começou…

E começou ligado à corrente, com cada lance disputado em esforço, como se dele dependesse a salvação do Mundo. Um futebol eléctrico, jogado a 100 à hora, com os espaços vazios a serem uma miragem, num embate de contendores cujo fragor se fazia ouvir à distância.

Os 15 minutos iniciais mostraram, novamente, que o losango leonino é uma estratégia bem oleada, criando enormes dificuldades ao trio adversário. Meireles, Guarin e Lucho viviam em permanente sobressalto, com visíveis constrangimentos em controlarem aquela zona nevrálgica da batalha. Minutos agrestes, belicosos, com os defesas portistas a mostrarem alguma insegurança perante a mobilidade e velocidade de Derlei e Djálo. No meio-campo começava a impor-se Rochemback, qual general movimentando as suas tropas de forma estratégica. Ao futebol mais fluído do Sporting o Porto contrapunha uma dose extra de trabalho, com Lucho a assumir-se a voz de comando. Com direito a guarda-de-honra, El Comandante via Izmailov segui-lo em qualquer centímetro de terreno, qual sombra do argentino.

Reduzido à combatividade de Rodriguez e Lisandro, o Porto não existiu ofensivamente, na primeira metade. Abúlico, Farías movimentava-se na frente de ataque de forma descoordenada, lenta e pouco eficaz, sendo uma presa fácil para o último reduto da equipa de Paulo Bento.

Sem paragens no ritmo frenético, mercê da qualidade de passe de Lucho, o equilíbrio chegou ao Algarve. Atrasado, é certo, mas a tempo de permitir algum desafogo no colete-de-forças montado de forma subtil para emperrar a máquina de Jesualdo. A felicidade, no futebol, pode ser medida, ao contrário da vida real. Centímetros. Muitas vezes é isso que faz a diferença entre a euforia da vitória ou a frustração da derrota. No ano passado fomos abatidos por uma bomba de sotaque russo. Este ano, em zona similar do terreno, Lucho tentou a sua sorte. A bola, como se teleguiada pelo desejo de milhões de fiéis apaniguados, levava o selo de golo. Numa cruel partida do destino, esbarrou caprichosamente no poste, cerceando os intentos de comemoração que se formavam nas gargantas…

Destino que se encarregou, mesmo à beira do intervalo, de pregar nova e contundente partida. Ataque rápido verde-e-branco, um ressalto a retirar Bruno Alves do caminho do esférico, e Djálo a facturar, para gáudio da turba nas bancadas.

O intervalo, interregno de tempo propício à meditação, foi um convite ao desespero e exasperação. Pouco Porto, muito pouco, para uma pré-temporada que tinha prometido tanto. Uma defesa insegura, com Sapunaru a ser uma presa fácil para a velocidade e técnica de Izmailov, Benitez pouco afoito no apoio ao ataque e erros pouco habituais na marcação dos centrais. Suspirava-se por mais, mas Jesualdo optou pelo conservadorismo de sempre, sem proceder a qualquer alteração no onze inicial.

Os erros da 1ª parte transformaram-se em verdadeiros disparates, na segunda metade. Bruno Alves oferece o 2º golo a Djaló, que declina a oferta. Lucho procura, mais uma vez, remar contra a maré. Numa prodigiosa assistência, coloca a bola açucarada nos pés de Lisandro. O empate, à distância de um mísero pontapé, esbarra nas mãos de Rui Patrício. E depois, como se a lembrança de Bosingwa a cada minuto que passava não fosse já castigo suficiente, o lateral romeno que o substituiu resolve acabar com o jogo. Literalmente. Numa caldeirada de erros monumentais, travestiu-se de Pai Natal numa prenda antecipada, liquidando as aspirações azuis e brancas. E a partir daí um monumental deserto de ideais. Individualismo à solta, a emoção a toldar o normal racionalismo de uma equipa crente nas suas potencialidades e muita garra. Foi pouco.

Jesualdo tentou alterar o rumo dos acontecimentos, metendo Hulk e Candeias, mas foi tarde. Demasiado tarde. O Porto jogava não apenas contra um opositor de qualidade, mas também contra os Deuses da Fortuna, indispostos com o emblema do Dragão.

Aos 72 minutos, a derradeira oportunidade de recuperação. Bela incursão de Candeias, sempre muito activo e influente, com Caneira a cometer grande penalidade. Suprema ironia. O melhor jogador do Porto no pior momento da equipa. Lucho disparou, Rui Patrício defendeu. Acabou ali, na ponta das luvas do imberbe guarda-redes, qualquer veleidade de vitória. Déja-vu. O Professor levou mais uma lição de táctica. Um justo vencedor, num pesadelo que ameaça tornar-se crónico…

Arbitragem: os receios manifestados antes do início do encontro revelaram-se infundados. Irrepreensível tecnicamente, Xistra conduziu o jogo sem grandes protagonismos, concedendo alguma permissividade inicial no capítulo disciplinar, mas sabendo aplacar os ânimos mais belicosos com as admoestações da praxe. Bem no lance da grande penalidade, apagou os poucos fogos gerados pela frustração da derrota.

Melhor do Porto: Lucho. Penalizado pelo azar, foi o único a jogar perto do seu nível. Generoso na entrega, foi clarividente na procura dos espaços para lançar o contra-ataque. Conduziu as investidas atacantes, nunca se escondendo da partida. Poderia ter sido decisivo. Um pontapé magnífico esbarrou no poste, na 1ª metade. Falhou a hipótese de redenção, ao permitir a defesa na grande penalidade. Mesmo assim, claramente uns furos acima dos seus companheiros…

ps: Para a próxima, deixo os meus dotes de telepatia de lado. Com a 3ª final perdida, no espaço de 1 ano, para as mesmas cores, mais vale esquecermos o 4-3-3 ou o 4-4-2. Para a próxima, tentemos o velhinho “tudo ao molho…”

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