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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

O dia de Natal, os bitaites do senador...

e um Pai Natal com sentido de humor...

O dia de Natal [perdoem-me os mais tradicionalistas] é uma seca. Das grandes. Desde o despertar madrugador, com os petizes ansiosos por destruírem desenfreadamente o embrulho que esconde a surpresa sonhada, passando pela ausência de um café, digno desse nome, aberto em nome da utilidade pública. Até culminar nos enfadonhos diálogos com familiares que vemos de tempos a tempos. Vale-nos [a todos aqueles incapazes de funcionarem normalmente sem a cafeína no corpo e um jornal diário nas mãos] o JN. E isto não é publicidade gratuita. Podem pensar em relançar os e-books, mas não há nada que substitua o prazer de virar, folha a folha, um jornal, os dedos pintalgados de tinta, as notícias atropelando-se umas às outras.

No JN [e não "A' BOLA"] de 25 de Dezembro, foi a excepção à regra. E lá, no meio das suas quase intermináveis páginas, o espaço dedicado à opinião dos “senadores” lá do sítio. Na defesa do Porto, o inefável Rui Moreira.

Franzi o sobrolho. Nem no dia de Natal me via livre de tal personagem. E, no meio da banalidade costumeira, a frase escrita peremptoriamente. “Como portista sinto vergonha pelo que se passa no túnel do Dragão”. Lapidar. Abanei a cabeça em sinal de concordância. Também sinto vergonha. E muita. Por ver, sistematicamente, o Porto tão mal defendido na imprensa escrita. Por assistir a oportunidades flagrantes de defender a honra do clube, desperdiçadas quase sempre de forma inglória.

Rui Moreira podia ter falado da vergonha que sentia pela coacção invariável e habitual encetada por Rui Costa, pressionando despudoradamente os árbitros de encontros com resultados adversos aos encarnados. Prática comum, reiterada e calada por todos com responsabilidades no futebol luso. Mas não. Inflectindo ao sabor da opinião pública, o “nobre” defensor azul e branco voltou a calçar as luvas de pelica, colocando a epiderme de cavalheiro. Aplicou as luzes da ribalta numa altercação – infeliz sim, mas resultante de um acto isolado – entre um funcionário do Porto e um assalariado da Liga, sem que da mesma tenha resultado qualquer forma de coerção sobre os elementos da equipa de arbitragem.

E assim, vivendo obcecado pelo politicamente correcto, naquele afã patético de se mostrar independente face a opiniões veiculadas oficialmente pelo Porto, Rui Moreira foi ele próprio. Qual duende travestido de Pai Natal, o “senador” preferiu afagar as costas dos detractores da causa do Dragão. Compreende-se. Nunca se sabe de onde pode vir o próximo “tacho”

6000. 6000 em números redondo. Arrostando com a chuva. O frio quase glacial. Mas com um fervor enorme. O 1º dia do ano foi também dedicado à profissão de fé. À religião. No anfiteatro da Invicta, o treino com moldura. Humana e condizente. Com palmas a marcar o ritmo, com risos extravasando a alegria. De estar ali. De ver, após umas horas de saudade, as camisolas míticas. E o mesmo formigueiro de sempre, ao ver as listas azuis e brancas entrando no relvado, esvoaçando ao vento. A causa portista faz-se disto. De devoção. De crença. Mais do que um clube. Uma paixão. Para sempre.

A prenda de Natal para os adeptos portistas veio atrasada. Mas veio. Não foi necessário embrulhá-la num daqueles pacotes vistosos. O Pai Natal já sabe os nossos gostos. Primeiro, como bonacheirão que é, bon vivant, apimentou a questão. Deu-lhes trela. E eles, ingénuos, morderam o isco. O ano começou, pomposamente, com uma entrevista encomendada. No órgão oficioso dos encarnados, o untuoso Delgado fez as honras da casa ao presidente com os maiores apêndices auditivos do País. Uma espécie de discurso à Nação. Bem, neste caso, apenas a uma parte dela. Aqueles com problemas cognitivos.

Depois, o Pai Natal permitiu-lhes sonhar. E muito. O Porto perdia na Madeira. E eles devaneavam, imaginando-se com 5 pontos de avanço. Quanto tudo parecia ruir, o velhinho de barbas brancas animou-os, com o golo do empate do Nacional, à beira do fim. Os sorrisos voltaram em força. As palmadinhas nas costas, de uns a outros, numa espécie de ritual corporativo, ressoaram estrondosas. Mas o Pai Natal é um confesso adepto do suspense, à boa maneira do mestre Hitchcok. Desferiu-lhes o golpe na altura precisa. Em tempo de descontos. Esmoreceram os risos, calaram-se os gritos de júbilo nas gargantas. Mas o início de 2009, estava escrito nas estrelas, seria de pesadelo para os pupilos do Special One com forte pronúncia espanhola. Jogavam fora, mas perante o inofensivo Trofense.

Com titularidade garantida aos Reis Magos lá do sítio. O “mágico” Aimar, o “galáctico” Suazo. E mais uns pares de cromos. O Pai Natal, sabido, resolveu punir a arrogância. A jactância. E sodomizou-os. Duas vezes. Depois, juro, ouvi bem alto a sua voz poderosa, gritando a plenos pulmões: “FELIZ NATAL, PORTISTAS!”

Ainda há quem não acredite na existência daquela figura rubicunda, rechonchuda, de barbas brancas e rosto bondoso? Eu, por via das dúvidas, agradeci em nome do blogue. E, bem vistas as coisas, mesmo atrasada foi a minha melhor prenda de Natal. Excepto as meias que a minha tia Hermínia me deu…

    Nunca, nos últimos 15 anos, me tinha apercebido da relevância desportiva do título de campeão de Inverno. Outras possibilidades, como o campeão de Carnaval, da Páscoa ou dos Santos Populares, permitirão certamente alargar a riqueza etnográfica do campeonato português de futebol e consolidar o registo desportivo de alguns clubes cá do burgo. Pelo menos, enquanto não existe uma Taça UEFA de Verão.

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