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segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

"Não há forma física"

Publicada por Vasco Mota Pereira Categoria: , ,

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

FC Porto 3-2 SC Braga

Liga 2011/12, 11ª jornada
27 de Novembro de 2011.
Estádio do Dragão, no Porto.


Árbitro: Artur Soares Dias (Porto).
Assistentes: Rui Licínio e João Silva.
Quarto árbitro: Cosme Machado.

FC PORTO: Helton «cap»; Maicon, Rolando, Otamendi e Alvaro; Fernando, João Moutinho e Defour; Djalma, Hulk e James.
Substituições: Djalma por Rodríguez (64m), Defour por Souza (64m) e James por Kléber (80m).
Não utilizados: Bracali, Belluschi, Fucile e Varela.
Treinador: Vítor Pereira.

SC BRAGA: Quim; Salino, Douglão, Ewerton e Paulo Vinícius; Djamal, Hugo Viana e Fran Mérida; Alan, Lima e Paulo César.
Substituições: Fran Mérida por Mossoró (60m), Paulo César por Hélder Barbosa (70m) e Djamal por Nuno Gomes (76m).
Não utilizados: Berni, Rodrigo Galo, Vinicius e Rivera.
Treinador: Leonardo Jardim.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores: Hulk (37m e 78m), Kléber (82m) e Lima (88m, g.p. e 90m+2).

Disciplina: cartão amarelo a Alvaro (11m), Maicon (55m), Salino (73m) e Hulk (88m).

Dou início a este artigo parafraseando um antigo treinador do FC Porto, alguém que, entretanto, foi coleccionado uma ou outra mão-cheia de títulos. Dizia esse líder que não entendia a forma física isoladamente, mas sim num contexto que integrava a forma física, técnica, táctica e psicológica. Se me debruço sobre este antes da análise do jogo propriamente dita, é pelo simples facto de muitos de nós terem colocado em causa desde há vários meses os métodos e resultados da preparação física ministrada pela equipa técnica. Aparentemente, o desgaste físico é irrisório mesmo quando se faz uma longa viagem de regresso e se joga um encontro importante para o campeonato - desde que se ganhe, claro está.

Aproveitando o embalo da partida de Donetsk, Vítor Pereira optou por manter exactamente o mesmo onze, incluindo Maicon a lateral-direito, mas desta feita com uma diferença: em vez de jogar a par de Fernando, como na Ucrânia, Moutinho jogava no seu lugar habitual, mais próximo de Defour. Por seu turno, o Sporting de Braga parecia querer mostrar desde logo que ia ao Dragão disputar o jogo olhos nos olhos, com Mérida atrás de Lima, com Alan e Paulo César nas alas.

Os primeiros minutos da partida confirmaram que a estratégia de Donetsk não tinha sido um caso isolado. Com efeito, o treinador portista parece ter aprendido a lição e a pressão alta - estouvada e aleatória - parece definitivamente afastada. Pelo contrário, os dragões jogavam num bloco mais baixo, preferindo aproveitar as costas do meio-campo bracarense. Com os seus movimentos interiores, Djalma e James causavam uma superioridade numérica no centro do terreno, uma vez que tanto Alan como Paulo César se mostravam renitentes em acompanharem os seus adversários directos. Com isso e com um Defour particularmente dinâmico na abertura de linhas de passe e movimentações sem bola, as alas ofensivas abriam-se repetidamente (em especial para Álvaro Pereira, como seria de esperar), fornecendo bons indícios.

O Sporting de Braga tentou opor a esta atitude portista um veneno semelhante, com Hugo Viana e particularmente Quim a não terem receio de dirigirem passes longos para Lima, com tendência para descair para as alas. No entanto, com a equipa menos subida, o timing da pressão azul e branca foi incomparavelmente melhor do que os últimos jogos e a defesa raramente foi apanhada em contrapé, uma vez que os médios estavam sempre mais próximos - Fernando, como sempre, foi inultrapassável.

Graças em boa parte a essa segurança defensiva, as transições ofensivas mostravam-se muito mais perigosas, uma vez que a equipa não corria o risco de se partir. Com Hulk no meio, notavam-se ainda algumas lacunas no brasileiro, resultantes da falta de rotina da posição, nomeadamente em lances de contra-ataque, em que o apoio frontal é tão fundamental como saber o momento certo para libertar a bola.

À medida que os minutos iam passando, a equipa minhota foi começando a perder alguma compostura defensiva, perdendo os momentos para introduzir a transição, dada a maior certeza no momento defensivo. Assim, ainda que não havendo grandes lances de perigo a demonstrá-lo, o FC Porto mantinha-se sempre por cima do encontro e foi sem surpresa que chegou ao primeiro golo - um belo movimento ofensivo, com Defour a arrancar para trás e a confundir marcações com a sua penetração, libertando para James para este cruzar para a cabeça de Hulk a régua e esquadro. Corria o minuto 36.

A segunda parte trouxe um dragão mais cauteloso e um Sporting de Braga algo perdido em relação ao que pretendia do jogo, proporcionando uma fase mais incaracterística até aos 63', altura em que Djalma e Defour deram lugar a Cristián Rodríguez e Souza, respectivamente. O público nas bancadas pareceu não gostar da intenção de Vítor Pereira de fechar o castelo a sete chaves e os minutos seguintes pareceram comprovar que os jogadores também não. Com a saída de Defour, os portistas dispuseram-se num 4x2x3x1, com Moutinho nas costas de Hulk, o que, na modesta opinião deste cronista, poderia ter sido um erro mais complicado do que acabou por vir a ser - Souza é consideravelmente mais lento do que Moutinho na pressão sobre a bola e na ocupação de espaços e Moutinho nunca será um 10. Dessa forma, a equipa não só passou a ter mais dificuldades a defender, como não conseguia encontrar a saída de pressão que Defour oferecia até então.

Pouco depois, o Braga demonstrava querer o empate, pelo menos. Hugo Viana viu o seu perigoso remate prensado aos 68' (depois de uma má transição ofensiva) e Alan permitiu uma bela defesa a Helton com um grande remate. Adivinhavam.se momentos enervantes, com as bancadas já inquietas. Contudo, Leonardo Jardim cometeu o pecado de retirar o equilibrador Djamal, deixando Hugo Viana sozinho na zona do meio-campo. Ora, foi precisamente essa área que viria a ser fundamental para o segundo golo portista, no minuto imediatamente a seguir. Na única vez que Moutinho conseguiu abrir espaços mais à frente, tabelou com Hulk, que beneficiou da ausência de pressão de Djamal (Viana ainda vinha em recuperação), flectiu para o meio e marcou um grande golo.

O jogo parecia resolvido quando Kléber, que tinha entrado para o lugar de James, encostou para o terceiro, depois de mais uma arrancada de Hulk pela direita. A equipa visitante estava absolutamente partida e o terceiro golo permitiu que a equipa entrasse em descompressão, aparentemente mais interessada em comungar da festa com o público. Assim, o penalty cometido por Hulk aos 87' parecia nada mais do que um fait-divers, mas a apatia colectiva permitiu ainda o bis de Lima aos 91', proporcionando dois minutos finais de algum nervosismo - sem necessidade alguma, note-se.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Exceptuando os últimos cinco minutos...
"Fizemos um bom jogo quase até ao fim. Só não gostei dos últimos cinco minutos. Apesar de termos feito um jogo desgastante a meio da semana e com uma viagem que durou toda a noite, fomos equipa, fomos solidários e jogámos como quero que esta equipa jogue."

Onze repetido
"Repeti o onze, porque o onze na Ucrânia fez um bom jogo em condições extremamente difíceis e hoje conseguiu um belíssimo jogo. Exceptuando, repito, os últimos minutos, em que se deslumbrou e foi à procura do quarto golo e se desequilibrou."

Confiança
"Os resultados trazem confiança, cumplicidade e eu quero ver um Porto solidário, de entreajuda e de espírito de equipa. Isso agrada-me. Sinto este Porto mais próximo daquilo que pretendemos."

Golos e produção de Hulk
"Fiquei satisfeito com o Hulk. Não só com os golos que marcou, mas também com a produção e com aquilo que deu à equipa."



RESUMO DO JOGO

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quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

O pontapé (na crise) que faltava?

Publicada por Vasco Mota Pereira Categoria: , ,

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Shakhtar Donetsk 0-2 FC Porto

UEFA Champions League, Grupo G, 5ª jornada
23 de Novembro de 2011
Donbass Arena, em Donetsk.
Assistência: 3275 espectadores.


Árbitro: Craig Thomson (Escócia).
Assistentes: Alasdair Ross e Derek Rose.
Assistentes adicionais: Steven McLean e Stephen O'Reilly.

SHAKHTAR DONETSK: Rybka, Kobin, Kusher, Rakitskiy e Rat; Hubschman e Fernandinho; Eduardo, Mkhitaryan e Willian; Luiz Adriano.
Substituições: Eduardo da Silva por Jadson (59m), Willian por Alex Teixeira (69m), Kobin por Douglas Costa (87m).
Não utilizados: Tetenko, Gai e Chyzhov.
Treinador: Mircea Lucescu.

FC PORTO: Helton; Maicon, Otamendi, Rolando e Alvaro Pereira; Fernando, Defour e João Moutinho; Djalma, Hulk e James Rodríguez.
Substituições: Djalma por Cristian Rodriguez (73m), James por Varela (81m), Defour por Souza (88m).
Não utilizados: Bracali, Fucile e Kléber.
Treinador: Vítor Pereira.

Ao intervalo: 0-0

Marcadores: Hulk 79m; Rat 90m (pb).

Disciplina: James Rodriguez 35m, Eduardo da Silva 50m; Jadson 65m; Kobin 75m.

Numa partida em que entrava obrigado a ganhar para tentar manter intactas as suas aspirações a continuar na prova rainha da UEFA, o FC Porto entrou com algumas alterações, nomeadamente Djalma e Defour, substituindo Kléber e Belluschi. Com isto, Vítor Pereira parecia admitir definitivamente que a sua estratégia de pressing constante não está a dar os frutos desejados e escalou um onze de maior contenção - em 4x2x3x1 -, com João Moutinho a par de Fernando, Djalma e James nas alas e Defour atrás de Hulk, que partia de uma posição mais central e avançada.

O encontro quase não poderia ter começado pior. Ainda o primeiro minuto não se tinha esgotado e já o Shakhtar criava uma situação de enorme perigo. Como habitualmente, a zona imediatamente à frente dos centrais permanecia desprotegida, com Fernando e Moutinho a não conseguirem cobrir atempadamente as movimentações. Por seu turno, a equipa ucraniana fazia a sua parte para criar e aprofundar esse buraco, com Luiz Adriano a arrastar sempre Otamendi e Rolando para fora das suas posições, permitindo a entrada de Mkhiratyan, o "10" do Shakhtar.

Os azuis e brancos responderam com um passe longo na diagonal de Álvaro Pereira para Hulk, tendo este criado bastante perigo para a baliza de Rybka. Aos 10', os ucranianos voltavam a deixar a nu as dificuldades de acompanhamento dos movimentos de Mkhiratyan e, aos 15', a bola chegou mesmo a embater no poste, depois de mais um exemplo da falta de rotinas de Maicon na posição de lateral-direito, deixando sempre imenso espaço entre si e o central do seu lado.

À medida que o jogo se foi desenrolando, os quatro jogadores da frente foram tentando dar provas de que pretendiam constituir um ataque fluído, ao passo que o meio-campo portista foi logrando acertar as marcações e, acima de tudo, os tempos de ataque às movimentações adversárias. Ainda assim, a notória falta de agressividade (confiança?) nas bolas paradas surgiu novamente, com mais uma ocasião a favor da equipa de Leste, aos 32'.

O segundo tempo trouxe consigo um jogo mais partido. Ao cansaço físico evidente dos ucranianos juntava-se uma patente ansiedade por parte dos dragões, que teimavam em fazer tudo demasiado rapidamente, com algumas más decisões em contra-atque, com evidentes repercussões na transição ataque-defesa. Com o receio de perder o jogo, os portistas viam frequentemente Hulk desapoiado na frente, tentando fazer tudo sozinho, mesmo quando tinha colegas a seu lado - ainda assim, pouco dinâmicos, aparentemente receosos e demasiado agarrados à condução da bola.

Foi assim sem grandes desenvolvimentos que chegámos ao minuto 70, em que Hulk criou mais uma boa oportunidade para marcar, a passe de Defour - um momento que viria a virar definitivamente o jogo. 2 minutos depois, o Shakhtar atirou uma bola ao poste (depois de duas enormíssimas defesas de Helton) e o FC Porto pareceu perceber de uma vez por todas que tinha condições para ir atrás do jogo. Com a entrada de Cristian Rodríguez para o lugar de James, a equipa pareceu ficar contagiada com a entrada do suplente e quis tirar todo o proveito do seu jogo e do empate entre Apoel e Zenit.

Dessa forma, e aproveitando a cada vez maior falta de frescura física e desposicionamento defensivo do seu oponente, Hulk fez o primeiro golo aos 79', no seguimento de um excelente passe de João Moutinho, parecendo dar a machadada final no jogo. Depois do golo, a equipa transfigurou-se, como que finalmente liberta das amarras que a vinham detendo de há algumas semanas a esta parte. O segundo golo surgiu mesmo ao cair do pano, depois de um remate extraviado de Maicon e uma tentativa falhada de Rat, o lateral-esquerdo do onze ucraniano, de aliviar a bola.

No final do jogo, foi perceptível o alívio no rosto dos jogadores, técnicos e dirigentes portistas, que, desta forma, asseguram desde já a presença na Liga Europa e acalentam a hipótese de discutir na última jornada o apuramento com o Zenit, no Dragão. Restará saber se as melhorias são circunstanciais (não nos esqueçamos da vitória no terreno da Académica numa situação igualmente periclitante) ou estruturantes.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira
“Foi, fundamentalmente, um Porto consistente, a saber exactamente aquilo que pretendia. Depois, o talento dos jogadores fez o resto. A qualidade e a capacidade de explosão do Hulk tanto dá para jogar nas alas como no meio, e nós sentimos que era estrategicamente importante termos um jogador rápido e explosivo entre os centrais adversários. Às vezes, é preciso bater no fundo para nos levantarmos, e as equipas e os homens vêem-se pela capacidade que têm de se levantar depois da queda. O jogo com a Académica é assunto enterrado, mas é para recordar e não repetir. Foi isso mesmo que os jogadores quiseram transmitir aqui. Continuamos dentro dos nossos objectivos e teremos a oportunidade de discutir o apuramento com o Zenit, em casa. Vamos agora preparar bem o jogo com o Braga, que também é fundamental para nós.”

Hulk
“Foi um jogo bastante complicado para todos os jogadores. Sabíamos que podíamos sair daqui com um resultado positivo, se entrássemos concentrados como entrámos. Os três pontos são consequência disso. Fomos guerreiros do princípio ao fim. O mister optou por este onze, mas sabia que também podia contar com quem estava no banco. Estamos a dar o máximo e esta é a nossa resposta. Agora só dependemos de nós para passarmos aos oitavos-de-final, mas não podemos esquecer de manter os pés no chão e a humildade, e conseguir os três pontos já frente ao Braga, para o campeonato, para depois podermos pensar na Liga dos Campeões e conseguirmos a vitória que falta para seguirmos em frente.”

Helton
“Graças a Deus, pude ajudar a equipa naquele lance, reagi rapidamente. Temos o hábito de encarar todos os jogos como sendo o mais importante. Se queremos estar na frente, os jogos são sempre finais para nós e, para termos êxito, temos que os encarar com a entrega que revelámos hoje.”



RESUMO DO JOGO

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sábado, 29 de Outubro de 2011

O despertar do gigante?

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FC Porto 3-0 FC Paços Ferreira

Liga 2011/12, 9ª jornada
28 de Outubro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 30.318 espectadores.


Árbitro: Hugo Miguel (Lisboa).
Assistentes: Nuno Roque e Hernâni Fernandes.
Quarto árbitro: José Quitério Almeida.

FC PORTO: Helton «cap.»; Sapunaru, Rolando, Mangala e Alvaro; Fernando, Belluschi e Defour; Hulk, Walter e Varela.
Substituições: Defour por João Moutinho (46m), Walter por Kléber (56m) e Hulk por James (59m).
Não utilizados: Bracalli, Maicon, Guarín e Djalma.
Treinador: Vítor Pereira.

PAÇOS DE FERREIRA: Cássio; Filipe Anunciação, Cohene, Eridson e Luisinho; André Leão, Luiz Carlos e Josué; Manuel José, William e Melgarejo.
Substituições: William por Michel (54m), Josué por Caetano (74m) e Manuel José por Vítor (83m).
Não utilizados: António Filipe, Fábio Faria, Lugo e Bacar.
Treinador: Luís Miguel.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores: Melgarejo (45m, auto-golo), Kléber (64m) e João Moutinho (84m).

Disciplina: cartão amarelo a Kléber (62m) e Josué (62m).

No jogo inaugural da presenta ronda da I Liga, Vítor Pereira optou por manter a aposta no onze que conquistara os três pontos e uma vitória por números expressivos na passada jornada, com Mangala, Defour, Belluschi e Walter a conservarem os respectivos lugares.

A primeira parte abriu com um lance que parecia demonstrar que os dragões vinham para o jogo com garra redobrada, com uma recuperação de bola em zona adiantada e um passe rápido de Hulk nas costas da defesa pacense a desmarcar Walter. Porém, esse primeiro cartucho provou ser de pólvora seca. Nuns 45 minutos iniciais de enorme sonolência, o FC Porto pouco fez para justificar a vantagem com que chegou ao intervalo, numa jogada de absoluta inépcia dos dois jogadores mais recuados do Paços de Ferreira. Na verdade, foi a equipa da Capital do Móvel a primeira a criar uma situação de perigo iminente, corria o quarto minuto, depois de mais uma descompensação do meio-campo azul e branco.

A manutenção de Varela no flanco esquerdo representou o apoio por que Álvaro Pereira há tanto ansiava, pois permite que o corredor fique aberto quando o extremo flecte para o meio e oferece uma possível tabela para libertar o flanco. Com efeito, tirando o lance do último minuto da primeira parte que deu origem ao golo, as poucas ocasiões de perigo criadas desenrolaram-se sempre pelo lado onde se encontrava Varela, uma vez que Hulk tinha entrado em campo com o complicador ligado e se perdia em lances individuais sem nexo aparente.

Ainda assim, houve algumas melhorias notórias, como, por exemplo, a pressão exercida no momento imediatamente após a perda de bola. Nesse seguimento, Belluschi causou aos 14 minutos um bruá de golo ao marcar um livre directo bem perto da baliza de Cássio. Aos 22', com a troca dos extremos, Varela instalou-se no flanco direito e, ao tentar cruzar para a cabeça de Walter, acertou na barra. Por outro lado, as torres da Invicta souberam sempre atacar melhor a bola nos cantos, lances em que a zona pacense era demasiado passiva e apresentava uma configuração algo duvidosa.

Não obstante essas melhorias, as dúvidas que me tinham assaltado na vitória do FC Porto sobre o Nacional não desapareceram, bem pelo contrário. A zona mais recuada permanece em constante sobressalto (o lance aos 32' em que nem Sapunaru nem Rolando conseguiram decidir em tempo útil qual deles atacava a bola numa jogada que não parecia oferecer perigo de maior é disso o maior exemplo), Fernando fica sempre desapoiado quando se desloca para o flanco em socorro da sua defesa e a organização ofensiva mantém-se lentíssima, quase sonolenta, sem ideias ou velocidade de circulação da bola.

A segunda parte trouxe consigo João Moutinho, por troca com Defour, e com ele teve início a transfiguração dos campeões nacionais. Com a sua dinâmica habitual (escondida nos jogos mais recentes), trouxe maior ligação entre sectores e uma maior ânsia de ter e recuperar a bola. Com efeito, aos 50', Álvaro Pereira fez mais um grande passe - depois de nova tabela com Varela - para Walter, com o avançado a falhar em frente a Cássio. O Paços respondeu aos 53', de bola parada, com Helton a mostrar-se à altura.

Pouco depois, as substituições que viriam terminar o que a entrada de Moutinho tinha começado. Kléber entrou para o lugar de Walter e James foi jogar para a posição do ineficaz Hulk, que demonstrou o seu desagrado ao sair directamente para os balneários. Com estas três trocas, os dragões revolucionaram a sua atitude e posicionamento, não sendo fácil compreender como podem existir diferenças tão vincadas entre uma parte e outra, parecendo que a equipa tinha (re)aprendido a defender, por exemplo, numas meras dezenas de minutos.

Com o adiantamento da equipa de Paços de Ferreira, uma circulação de bola muito mais rápida e uma maior pressão, o FC Porto mostrou-se mais alegre, mais dinâmico e muito mais efectivo. Foi como tal sem surpresa que Kléber chegou ao segundo golo, depois de uma bela iniciativa de Moutinho e consequente remate de James ao poste, com o avançado brasileiro a marcar na recarga. A partir desse momento, os jogadores mostraram-se ainda mais soltos e confiantes e foi possível ver lampejos da equipa do ano passado - pressionante na transição defensiva e mandona nas zonas mais recuadas. O terceiro golo, da autoria de João Moutinho, veio premiar um onze que não teve medo de assumir o jogo, de ter bola e sem nenhum jogador a querer agarrar-se à bola, como tem sido hábito nos últimos tempos.

Em jeito de conclusão, gostaria de elogiar Vítor Pereira, alvo de inúmeras críticas ao longo das mais recentes jornadas. Ao contrário do que tinha sido seu costume, o técnico portista teve uma óptima leitura de jogo e abriu mão dos jogadores certos a tempo e horas, sem medo de possíveis reacções do público ou de jogadores, como se pôde ver com a substituição do Hulk. James foi decisivo na criação de uma maior dinâmica, Álvaro Pereira mostrou-se a um nível muito mais próximo do seu potencial, mas gostaria de destacar Varela, um elemento que nem sempre é devidamente valorizado pelo que trabalha defensivamente e pelos espaços que abre com as incursões pelo meio e constante disponibilidade para tabelas com os seus colegas das alas.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Duas partes distintas
"Os nossos adeptos são exigentes. Nós também somos e gostamos de apresentar qualidade de jogo. Na primeira parte fizemos circulação de bola em ritmo baixo, o que permitia ajustamentos constantes do Paços de Ferreira, que é uma equipa bem organizada e posicionada, que sabe fechar os espaços e tem qualidade nas transições ofensivas. Com o decorrer do tempo precipitámo-nos um bocadinho na decisão de passe e perdemos algumas bolas pelas perdas de paciência. Acabámos por fazer um golo e, na segunda parte, entrámos com outra disposição, circulando a bola num ritmo mais alto, desposicionando o adversário e criando espaços e oportunidades. Poderíamos ter feito mais algum golo, mas penso que isso também não seria justo."

Gestão da equipa
"As substituições foram feitas em função do que o jogo pedia e do desgaste que um ou outro jogador apresentava. Treinar é gerir momentos. Pensámos no próximo jogo e tivemos que transmitir frescura neste, para aumentar a circulação de bola. Frente ao APOEL, teremos de estar na máxima força, porque é um jogo fundamental para nós."

Exigência dos adeptos
"A massa associativa é o que de mais puro e legítimo o futebol tem. Quando gosta aplaude, quando não gosta manifesta-se com assobios. Eles gostam do bom jogo e do clube. Aí, é a emoção a falar mais alto, a intranquilidade de não verem o seu clube a marcar. Como profissionais, temos de compreender isso. Se no próximo jogo fizermos uma boa exibição e apresentarmos qualidade, tenho a certeza de que os adeptos aplaudem."

A substituição de Hulk
"O Hulk sai fundamentalmente chateado consigo próprio, por não ter contribuído com a sua qualidade de jogo para ajudar a equipa. A sua relação com os colegas e a equipa técnica é a melhor possível. Numa manifestação de frustração, quis sair logo do terreno de jogo, quis estar só. Irá dar uma grande resposta no próximo jogo e aí os adeptos irão responder-lhe com aplausos e o agradecimento profundo que têm, por quem tanto lhes tem dado."



RESUMO DO JOGO

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segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Uma pedrada no charco

Publicada por Vasco Mota Pereira Categoria: , ,

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FC Porto 5-0 CD Nacional

Liga 2011/12, 8ª jornada
23 de Outubro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 23.135 espectadores.


Árbitro: Cosme Machado (AF Braga).
Assistentes: Alfredo Braga e José Gomes.
Quarto árbitro: Manuel Mota.

FC PORTO: Helton «cap»; Sapunaru, Rolando, Mangala e Alvaro Pereira; Fernando, Defour e Belluschi; Hulk, Walter e Varela.
Substituições: Defour por Guarín (72m), Belluschi por João Moutinho (72m) e Walter por Kléber (78m).
Não utilizados: Bracalli, James, Djalma e Otamendi.
Treinador: Vítor Pereira.

NACIONAL: Marcelo; Claudemir, Felipe Lopes «cap.», Neto e Danielson; Luís Alberto, Todorovic e Juliano; Mateus, Mário Rondon e Diego Barcellos.
Substituições: Luís Alberto por Elizeu (46m), Mateus por Candeias (73m) e Diego Barcellos por Edgar Costa (85m).
Não utilizados: Vladan, Nuno Pinto, Skolnik e Oliver.
Treinador: Ivo Vieira.

Ao intervalo: 2-0.

Marcadores: Defour (24m), Walter (40m), Sapunaru (67m), Kléber (90m) e Hulk (90m+2).

Disciplina: nada a assinalar.

Na esteira de um resultado negativo e de uma exibição confrangedora a meio da semana, a contar para a Liga dos Campeões, o FC Porto surgiu neste encontra da I Liga de cara lavada, com nada mais, nada menos do que 5 alterações - e logo João Moutinho, James, Guarín e Otamendi, para além de Kléber. Subsiste a dúvida se Vítor Pereira quis com isso castigar os subitamente suplentes, dar um prémio a quem está habituado a ver o jogo do banco de suplentes ou se havia sido um derradeiro sinal de desespero.

Com Defour e principalmente Belluschi no meio do terreno, os dragões surgiram mais pressionantes e com um timing de ataque da bola (em transição e/ou organização defensiva) muito mais apurado e consentâneo com os pergaminhos de um campeão nacional. Como se não bastasse, a circulação de bola fazia-se de forma mais expedita, ainda que não atingisse níveis de perfeição. Com Varela (bastante incisivo) no flanco esquerdo e os médios muitos mais próximos do que nos últimos encontros, Álvaro Pereira tinha finalmente o que lhe falta algum tempo: alguém para tabelar, abrir espaços e arrastar marcações. No entanto, ainda que providencial como pronto-socorro em duas ocasiões de contra-ataque, o Palito não foi particularmente feliz no capítulo ofensivo (parecendo por vezes esquecer-se do estado do campo).

A troca de Kléber por Walter trouxe à equipa algo de que esta se ressentia desde o início da época - o apoio frontal do ponta-de-lança, para a equipa poder subir com mais homens e a-propósito. Com efeito, os simples actos de recepção, passe e desmarcação de Walter foram abrindo brechas na defensiva madeirense, a que se juntava a criatividade de Belluschi, constantemente disponível para desenhar linhas de ruptura.

Enquanto isso, Mangala (no lugar de Otamendi) ia deixando boas indicações na defesa, revelando sentido de posicionamento e de timing, quer em acções ofensivas ou defensivas (nas transições defensivas a seguir a bolas paradas a favor da sua equipa, por exemplo). Ainda assim, o Nacional da Madeira não se mostrava um osso fácil de roer, pois Mateus, Rondon e Diego Barcellos estavam sempre à espreita do contra-ataque, tendo inclusivamente criado duas grandes situações de perigo em contra-ataque, aos 28' e 43' (esta última depois de um comportamento sonolento de Sapunaru), respectivamente.

A segunda parte teve início com dois lances de algum perigo junto de cada uma das balizas. Poderia pensar-se também por isso que a etapa complementar traria consigo uma reacção da equipa visitante ou uma consolidação dos anfitriões. Na verdade, o Nacional pareceu acusar o resultado e baixou os braços de forma ostensiva, não parecendo querer incomodar-se demasiado com o desfecho final. Por seu turno, os portistas davam-se por contentes com o resultado (que não era forçosamente um espelho fiel da exibição) e o jogo foi por isso arrastando-se.

Aos 71', Moutinho e Guarín entraram para os lugares de Belluschi e Defour, num aparente voto de confiança de Vítor Pereira aos dois suplentes no jogo de hoje, como que dando a entender que o problema não passava única e exclusivamente por eles. Com essas entradas, os dragões foram-se afoitando um pouco mais no ataque e, em particular, nas transições, tentando capitalizar os efeitos do resultado.

No entanto, foi preciso esperar pelos minutos 90 e 92 para Moutinho (lançado pelo também recém-entrado Guarín, no primeiro golo) assistir Kléber e Hulk para os quarto e quinto golos, conferindo contornos de goleada a um jogo que não foi tão bem conseguido como poderá parecer à primeira vista.

Na verdade, se há que realçar diversos pontos positivos no jogo de hoje - tais como a entrega, a dedicação, melhorias na transição ofensiva, por exemplo -, também há que ter em atenção que alguns dos pecados originais persistem, sendo necessário compreender em que medida esta foi uma vitória no seguimento de um definitivo corte epistemológico, e não meramente psicológico.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Qualidade à prova de água
"Foi uma exibição conseguida, à Porto, debaixo de muita chuva, mas com qualidade, consistência e com comportamentos que me agradaram."

Em pé de igualdade
"A vitória serviu, fundamentalmente, para percebermos que os jogadores estão todos em pé de igualdade e que todos eles entram nos planos de equipa. Numa gestão física e emocional, apostámos naqueles que entendemos que poderiam estar em melhor forma para este jogo, e saio satisfeito com os desempenhos de todos eles, dos que entraram de início e dos que entraram depois."

Causa e consequência
"O FC Porto gosta de jogar bom futebol, de fazer golos. Hoje fizemos cinco, mas há outros jogos em que não somos tão felizes. O facto de sermos o melhor ataque da prova é a consequência do nosso estilo de jogo, porque jogamos para o golo e para o espectáculo."

Para os adeptos
"Aproveito para dedicar o triunfo aos adeptos, que ainda hoje, à chuva, nos apoiaram sempre. Por isso a vitória e os golos vão inteiramente para eles."



RESUMO DO JOGO

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quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

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FC Porto 1-1 Apoel FC

UEFA Champions League, Grupo G, 3ª jornada
19 de Outubro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 32.512 espectadores


Árbitro: Antony Gautier (França).
Assistentes: Michael Annonier e Frédéric Cano.
Quarto árbitro: Jean-Charles Cailleux.
Assistentes adicionais: Olivier Thual e Ruddy Buquet.

FC PORTO: Helton «cap.»; Sapunaru, Rolando, Otamendi e Alvaro; Fernando, Guarín e João Moutinho; Hulk, Kléber e James.
Substituições: Fernando por Belluschi (69m), James por Varela (69m) e João Moutinho por Defour (79m).
Não utilizados: Bracalli, Djalma, Mangala e Souza.
Treinador: Vítor Pereira.

APOEL: Chiotis; Poursaitides, Oliveira, Kaká e Boaventura; Nuno Morais e Hélio Pinto; Charalambides «cap.», Trickovski e Manduca; Aílton.
Substituições: Chiotis por Pardo (52m), Manduca por Jahic (72m), Trickovski por Adorno (90m+3).
Não utilizados: Solari, Belaid, Alexandrou e Solomou.
Treinador: Ivan Jovanovic.

Ao intervalo: 1-1

Marcadores: Hulk (13m) e Aílton (19m).

Disciplina: cartão amarelo a Hélio Pinto (28m), Otamendi (29m), Kléber (45m+2), Trickovski (47m), James (54m), Sapunaru (73m), Alvaro (78m), Kaká (84m), Guarín (84m) e Hulk (90m+3).

No seguimento da mais recente sequência de resultados positivos, o FC Porto surgiu em campo com aquele que poderá ser considerado como o seu onze mais forte, com Sapunaru no lugar de Fucile e um meio-campo composto por Fernando, João Moutinho e Guarín. Com efeito, os primeiros minutos pareceram dar razão aos defensores do pivô brasileiro, que, de volta aos índices a que nos foi habituando nas últimas épocas, se mostrou capaz de levar alguma calma a um sector que se tem revelado algo frágil.

Sem apresentar grandes argumentos para tal, os azuis e brancos chegaram ao golo num livre directo de Hulk a 30 metros da baliza, bem descaído para a direita, com a preciosa colaboração do guarda-redes contrário. Ainda que a exibição estivesse longe de deslumbrar, poder-se-ia pensar que o golo desbloquearia a mente dos jogadores portistas e os embalaria para uma maior acalmia. Puro engano. Passados uns meros seis minutos, o Apoel, armado num 4-2-3-1 (o que, na prática, significava que defendia com duas linhas de quatro jogadores), reestabeleceu a igualdade, pondo a nu as fragilidades defensivas dos campeões nacionais. Uma vez mais, a zona à frente dos defesas-centrais estava mal preenchida, com Fernando a marcar sistematicamente o jogador na sua zona e a tentar fechar outra linha de passe. Uma simples finta para um lado e um remate colocado devolvia a igualdade ao marcador.

Se a exibição se revelava pobre até à vantagem, mais pobre se tornou depois do golo dos cipriotas. Os dragões mostravam-se bastante lentos na transição ofensiva, com uma aparente falta de vontade de capitalizar o deficiente reposicionamento do adversário quando perdia a bola (levando Hulk a protestar por diversas vezes com os seus colegas) e, como já se vira em jogos anteriores, os centrocampistas pareciam sempre receosos de se juntarem às linhas mais avançadas, impedindo a superioridade numérica em qualquer uma das alas. A juntar a isso, a equipa de Chipre, com um duplo pivô luso, estancava quaisquer iniciativas pelo centro do terreno.

Como se não bastasse, a transição defensiva apresentou imensas lacunas, mais uma vez, dado que os médios estavam sempre afastados da zona da bola (Guarín esteve particularmente desastrado nesse capítulo, mas também no do passe) e chegavam permanentemente tarde à pressão sobre a bola, o que permitia que os dois jogadores mais adiantados rodassem e estendessem o jogo até às alas.

A segunda parte não trouxe grandes novidades. Com efeito, a equipa portista voltou a mostrar-se letárgica e falha de ideias, embora algo mais afoita na pressão. Não obstante, os problemas no posicionamento defensivo multiplicaram-se, como demonstram os inúmeros carrinhos e desarmes em desespero por parte dos quatro jogadores mais recuados, em particular, e o facto de todos esses jogadores terem sido amarelados no decorrer do jogo.

Vítor Pereira demonstrou novamente alguma dificuldade na leitura de jogo, ao promover as substituições de Fernando e James por Belluschi e Varela, respectivamente, criando um duplo pivô que andou largos minutos a discutir o seu posicionamento entre si e com o treinador. A entrada do extremo português tinha como objectivo emprestar alguma velocidade e agressividade ao sector, mas, por mais empenho que Varela tenha demonstrado, é impossível criar desequilíbrios quando os médios insistem em ficar a milhas da parte mais avançada da equipa ou não se conseguem fazer três passes seguidos com nexo. Como se não fosse suficiente, o treinador dos azuis e brancos deixou ficar em campo Guarín (verdadeiramente inacreditável o número de passes falhados e faltas cometidas), preferindo trocar Moutinho por Defour, que teve nos seus pés a grande oportunidade de o FC Porto chegar à vitória, aos 92, numa jogada que ficou a dever muito mais à insistência do que propriamente a uma noção de jogo colectivo. No minuto seguinte, Helton safou a equipa de males maiores ao efectuar uma grande defesa e redimir-se da falha no primeiro jogo.

Em suma, este jogo serviu para constatar que a vitória sobre a Académica (deixando aqui de parte a vitória sobre o Pêro Pinheiro) não mais foi do que uma reacção de coragem e vontade, mas sem melhorias estruturais e sistémicas. As falhas continuam a ser por demais evidentes, assim como a falta de confiança dos jogadores uns nos outros e a aparente total ausência de um pensar colectivo. Para já, sem querer de forma alguma colocar em questão o seu empenho e dedicação, os onze jogadores que representam o FC Porto em campo estão longe de representar uma equipa.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Análise da partida
"Contra uma equipa que defende com as linhas muito baixas, compacta, sem problemas em dar a iniciativa ao adversário para aproveitar as transições rápidas, não conseguimos encontrar a qualidade de circulação de bola que nos permitisse encontrar os espaços para penetrar de forma correcta. Precipitámo-nos muitas vezes e não fomos capazes de encontrar o antídoto para este APOEL."

O que falhou
"O APOEL fez aqui o que fez ao Zenit em casa e ao Shakhtar em Donetsk. Sabíamos o que íamos encontrar e que precisávamos de os atrair e de circular a bola com velocidade, mas em passe. Tivemos muita posse, mas inconsequente e previsível. Fizemos muitos remates exteriores, muitos cruzamentos, mas não actuamos da forma que era necessária para este jogo."

Resposta no domingo
"Trabalhamos para os adeptos. Aceito os assobios, eles querem ganhar, sentem o clube, vivem-no. Compreendo e acredito que vamos dar uma resposta frente ao Nacional, como eles e este clube merecem e esta equipa é capaz de dar."

Situação na Champions
"O grupo está muito equilibrado e o próximo jogo vai ser fundamental. Está tudo em aberto. Vamos ter de chegar a Chipre e vencer, rectificando este resultado menos positivo."



RESUMO DO JOGO

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terça-feira, 4 de Outubro de 2011

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A história fez do F.C Porto um clube ganhador. Um clube que persegue recordes e vem, consecutivamente, escrevendo páginas "douradas" no panorama do futebol nacional e internacional.

aMIGO, Muitos Parabéns!!!

São os votos de todos os colaboradores/as deste espaço de tertúlia.



Continuar a ler “Parabéns Oculto! mesmo que já atrasados ;)”...
quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

O gelo a quebrar

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Zenit S. Petersburg 3-1 FC Porto

Liga dos Campeões 2011/12, 2.ª jornada
28 de Setembro de 2011
Petrovski Stadion, em S. Petersburgo


Árbitro: Howard Webb (Inglaterra).
Assistentes: Darren Cann e Jake Collin.
Assistentes adicionais: Stuart Attwell e Mike Dean.
Quarto árbitro: Michael Jones.

ZENIT: Malafeev; Anyukov, Criscito, Hubocan e Lombaerts; Shirokov, Denisov e Zyryanov; Fayzulin, Kerzhakov e Danny.
Substituições: Zyryanov por Huszti (86m), Kerzhakov por Bukharov (90m).
Não utilizados: Zhevnov, Lukovic, Rosina, Ionov e Lazovic.
Treinador: Luciano Spalletti.

FC PORTO: Helton «cap.»; Fucile, Rolando, Otamendi e Alvaro; Fernando, Belluschi e João Moutinho; Hulk, Kléber e James Rodriguez.
Substituições: Kléber por Varela (33m), James Rodriguez por Souza (46m) e Belluschi por Defour (73m).
Não utilizados: Bracalli, Maicon, Cristian Rodriguez e Djalma.
Treinador: Vítor Pereira.

Ao intervalo: 1-1.

Marcadores: James Rodriguez (10m), Shirokov (20m e 63m), Danny (72m).

Disciplina: cartão amarelo a Fucile (23m e 45+2m), Hubocan (61m), Otamendi (62m), Belluschi (69m).

No seguimento de dois empates nos dois últimos jogos de forma algo consentida, o FC Porto apresentou-se na Rússia com aquele que poderá ser rotulado do seu onze de gala, com Hulk, Kléber e James na frente, e com um meio-campo constituído por Fernando, Belluschi e João Moutinho. Com efeito, os portistas entraram pressionantes, como tem acontecido com regularidade neste início de época, mordendo os calcanhares aos médios do triângulo da equipa russa.

Com James sem uma posição fixa, o Zenit deu preferência ao lado esquerdo para atacar, nos primeiros minutos, aproveitando a superioridade numérica e o facto de um dos médios ter de se deslocar para compensar a ausência de James, deixando atrás de si um espaço vazio. No entanto, seriam os campeões nacionais os primeiros a marcar, por intermédio de James com assistência preciosa de Hulk, no seguimento de um rápido contra-ataque. Quando se esperava que os azuis e brancos controlassem o jogo e tirassem partido do forçoso adiantamento da equipa russa que se seguiria, foi já sem surpresa que assistimos a algo que começa já a ser tradicional na equipa de Vítor Pereira: um adormecimento colectivo, com afrouxamento notório das marcações (especialmente nas alas), que permitiu que o Zenit fosse crescendo cada vez mais.

Como tal, aos 19 minutos, o campeão russo chegou à igualdade, no seguimento de vários defeitos que se têm vindo a revelar esta época - um péssimo posicionamento defensivo do extremo (e consequente desposicionamento de toda a equipa) e uma saída a destempo de Helton, que deixou a bola à mercê de Shiriakhov, que não perdoou. Até ao fim da segunda parte, assistimos a uma ténue reacção do FC Porto, com Álvaro Pereira a desferir um grande remate para uma não menos fantástica defesa de Malafeev, e à cavalgada da equipa russa sobre a defesa dos portuenses. Já a terminar o primeiro tempo, o FC Porto voltou a mostrar uma reacção excessivamente demorada à perda da bola, permitindo mais um contra-ataque perigosíssimo do Zenit, dando a entender que estaria mais próximo o golo da equipa de leste.

Se a lesão de Kléber à passagem da meia-hora já havia sido um enorme contratempo para Vítor Pereira (levando à entrada de Varela e à passagem de Hulk para o centro do ataque), Fucile voltou a mostrar a sua pouca razoabilidade e foi expulso por mão na bola de forma infantil. Numa equipa que se debatia com grandes dificuldades para estancar as alas, a ausência de um lateral-direito entre os suplentes poderia revelar-se calamitosa.

A segunda parte foi basicamente o desfiar de inúmeras oportunidades de golo a favor da equipa russa, com início logo no segundo minuto, revelando mais uma vez uma gestão infeliz das opções durante o jogo. Para colmatar a ausência de Fucile, Vítor Pereira deslocou Fernando para a lateral direita e colocou Souza à frente da defesa, fazendo com isso que a equipa perdesse qualquer noção de pressão e intensidade. Com os jogadores distribuídos num 4x4x1, o FC Porto não mostrou qualquer noção de como defender em inferioridade numérica, muito menos de como atacar.

Como seria de esperar, a zona à frente dos defesas-centrais foi uma área em que se multiplicaram os passes de ruptura, por total falta de presença do meio-campo portista. Em desvantagem numérica, os azuis e brancos mostraram-se muito predispostos a ceder a bola de forma quase gratuita, expondo as suas costas, de onde surgiram os golos do Zenit aos 63' e aos 71', posto o que a equipa russa preferiu abrandar o jogo, não aumentando a expressividade dos números da sua vitória.

No cômputo geral, ficamos perante uma exibição que começou bem, mas que se revelou paupérrima com o desenrolar do jogo, deixando à vista desarmada aquilo que, na modesta opinião deste vosso cronista, parece ser obviamente uma falta de capacidade de Vítor Pereira de leitura de jogo a partir do banco, com opções muito discutíveis (a saída de James e o deslocamento de Fernando são dificilmente defensáveis), com resultados muito previsíveis, infelizmente.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

“Com um jogador a menos, as coisas ficaram muito complicadas. Tivemos ainda a lesão do Kléber e a necessidade de jogar com o Fernando como lateral, frente a uma equipa que manteve um ritmo de jogo altíssimo. Qualquer perda de bola transformava-se numa transição rápida para eles. Foi um jogo de muito sacrifício, mas não posso com sinceridade dizer que os jogadores não lutaram e trabalham para um resultado melhor.”

“O jogo com a Académica é para o campeonato, hoje jogámos para a Champions League. Temos de pensar na Académica a partir de amanhã. No campeonato estamos em primeiro e vamos lutar para continuar nessa posição. Na Champions foi só um jogo, independentemente do resultado do Shakhtar-APOEL estaremos sempre na luta. Está tudo em aberto, mas no próximo jogo teremos de rectificar.”

“Tinha dito que o Zenit e o Shakhtar, e mesmo o APOEL, são equipas de grande nível. O Zenit não é equipa qualquer e encontrou um contexto facilitador para fazer o seu jogo rápido. Se a bola do Álvaro na primeira parte tivesse sido golo seria diferente. O Zenit apanhou-se com um jogador a mais e a ganhar… Queríamos pressionar, mas não é possível quando temos um jogador a menos. Os espaços vão-se abrindo e o desgaste de um jogo em altíssimo nível vai-nos obrigando a cometer erros.”

Helton

“Conseguimos um início de primeira parte muito boa. Estivemos pressionantes, fizemos o golo, mas sabíamos que seria complicado. Infelizmente, ficámos com 10 jogadores, mas não apontamos a culpa: quando erramos, erramos todos juntos. Temos os mesmos pontos que o Zenit e temos de seguir em frente. Nestas horas é que se vê a personalidade do grupo. Fizemos uma época passada brilhante, é natural que todos queiram inibir a repetição. Vamos trabalhar para que não sejam cometidos os mesmos erros.”

Hulk

“Vamos levantar a cabeça. Não é fácil jogar aqui, ainda para mais com dez homens. Vamos olhar para o próximo jogo. Isto acontece, mas não estamos num mau momento. A partir de agora vamos ver onde estamos a errar, sabendo que o erro é colectivo. O objectivo é voltar às vitórias.”



RESUMO DO JOGO

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sábado, 24 de Setembro de 2011

E a vitória ali tão perto...

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FC Porto 2-2 SL Benfica

Liga 2011/12, 6ª jornada
23 de Setembro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 49.511 espectadores


Árbitro: Jorge Sousa (Porto).
Assistentes: Bertino Miranda e José Ramalho.
Quarto árbitro: Rui Costa.

FC PORTO: Helton «cap.»; Fucile, Rolando, Otamendi e Alvaro; Fernando, Guarín e João Moutinho; Hulk, Kléber e Varela.
Substituições: Guarín por Belluschi (77m), Kléber por Rodríguez (80m) e Varela por Walter (86m).
Não utilizados: Bracalli, Maicon, Souza e Defour.
Treinador: Vítor Pereira.

BENFICA: Artur; Maxi Pereira, Luisão «cap.», Garay e Emerson; Javi Garcia e Witsel; Nolito, Aimar e Gaitán; Cardozo.
Substituições: Nolito por Bruno César (69m), Aimar por Saviola (69m) e Cardozo por Matic (90+1m).
Não utilizados: Eduardo, Rúben Amorim, Rodrigo e Jardel.
Treinador: Jorge Jesus.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores: Kléber (37m), Cardozo (47m), Otamendi (51m), Saviola (82m).

Disciplina: cartão amarelo a Otamendi (9m), Luisão (40m), Javi Garcia (40m), Fucile (43m), Cardozo (43m), Alvaro (57m), Kléber (77m), Fernando (78m), Bruno César (89m) e João Moutinho (90+2m).

O primeiro clássico da época opôs os campeões nacionais àquele que será, muito provavelmente, o seu maior rival. No que aos onzes escalados pelos treinadores diz respeito, ressalve-se a presença de Guarín ao lado de João Moutinho, em detrimento de Defour e, em especial, Belluschi, revelando a preferência de Vítor Pereira por um meio-campo mais combativo. Do lado benfiquista, destaque para a ausência de surpresas de última hora, com a manutenção de Nolito numa das alas, relegando Ruben Amorim para o banco.

O início de jogo trouxe um FC Porto pressionante, com o seu meio-campo instalado na metade adversária, como que mostrando não querer dar veleidades à equipa da Luz. Por seu turno, o Benfica tentava estancar o jogo dos portistas com a presença de Witsel declaradamente ao lado de Javi Garcia, pretendendo com isso opor-se às habituais diagonais de Hulk (a mais perigosa das quais terminou com uma grande defesa de Artur, aos 11 minutos). Talvez por isso, o Incrível revelou-se mais criterioso ao nível do drible, não cedendo à habitual tentação de forçar a finta.

À medida que o jogo se foi desenrolando, fomos vendo uma ala esquerda a carburar cada vez melhor, com Varela a flectir muitas vezes para o interior do terreno, deixando espaço a Álvaro Pereira para entrar nas costas do extremo contrário, por onde surgiu a ocasião mais perigosa antes do golo portista, defendida novamente pelo guardião encarnado. Pelo lado esquerdo, o futebol tendia a ser mais rendilhado, com a habitual presença de João Moutinho. Com o passar do tempo, os médios portistas foram-se aproximando do ataque da equipa, oferecendo mais linhas de passe e arrastando marcações - o melhor exemplo disso mesmo serão porventura as 4 faltas e o cartão amarelo de Javi Garcia na tentativa de apagar todos os fogos.

Numa altura em que a primeira parte caminhava paulatinamente para o seu fim, os portistas chegaram ao golo no seguimento de um livre cobrado por Guarín, a castigar mais uma falta no lado esquerdo (cometida por Maxi Pereira sobre Álvaro Pereira). Nesse lance, Kléber foi mais rápido do que toda a defesa benfiquista e, com uma grande rotação, foi capaz de colocar a bola fora do alcance de Artur Moraes.

A segunda parte demorou pouco a mostrar ao que vinha. Ao fim de dois minutos, Cardozo empatava a partida, após uma má saída de bola na zona defensiva por parte dos azuis e brancos, acrescida de uma falta de pressão sobre Nolito, que foi capaz de fazer um passe de morte para Cardozo contornar Helton. No entanto, os festejos benfiquistas pouco duraram, pois Otamendi marcou no seguimento de um canto curto que conseguiu desposicionar toda a defensiva encarnada.

Após o golo, os campeões nacionais tentaram adormecer um pouco o jogo, baixando inclusivamente as suas linhas e a intensidade da pressão no meio-campo adversário. Esse facto, aliado a um adiantamento de Witsel e a um maior envolvimento ofensivo por parte do Benfica, fez com que o FC Porto nunca desse a sensação de ter o jogo totalmente controlado, como se pôde ver numa má transição defensiva após um canto na área contrária. Embora não atacasse com a frequência habitual, o onze treinado por Jorge Jesus ia mantendo sempre a defensiva portista em alerta.

Com a troca de Guarín por Belluschi, aos 76 minutos, Vítor Pereira terá por certo tentado tirar partido de um previsível adiantamento do Benfica, colocando um jogador letal ao nível do último passe. Pelo contrário, a substituição teve o condão de tornar a equipa mais partida e ainda menos intensa na pressão que fazia ao portador da bola. Como tal, foi sem surpresa que a equipa da capital chegou ao segundo empate, depois de Cardozo ganhar mais uma bola dividida, sem que os centrais portistas tivessem à sua frente qualquer protecção. Com esse espaço, Saviola fez um passe a rasgar para Gaitán chegar ao golo.

Num jogo em que a comparação dos números de faltas sofridas, ataques e remates (entre outros) pende claramente para o lado do Dragão, poder-se-á dizer que os dragões poderiam ter resolvido a contenda mais cedo. Com efeito, tal como aconteceu no encontro contra o Shakthar, o FC Porto continua a mostrar alguma fragilidade na altura de "congelar" o jogo e aplicar a machadada final. Contudo, foram manifestas algumas melhorias, especialmente tendo em conta a exibição contra o Feirense.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira assumiu, em conferência de imprensa, a desilusão face ao empate obtido frente ao Benfica. Depois de uma primeira parte de grande nível, o FC Porto permitiu o empate do adversário, que "não traduziu o que se passou em campo". O técnico assumiu ainda críticas ao critério disciplinar de Jorge Sousa.

Desilusão pelo empate
"É uma desilusão, porque o FC Porto está habituado a ganhar e tudo o fez para o conseguir. Entrou para ganhar, fez uma primeira parte em que só houve uma equipa em campo. O Benfica tentou reagir ao nosso jogo, à nossa circulação de bola e pressão. Tentou fechar espaços, circular o jogo, mas o FC Porto esteve sempre por cima, a criar situações, a trocar bem a bola. Não foi possível materializar com uma vantagem maior a exibição da primeira parte. Na segunda parte sofremos o golo 'a frio', reagimos e fizemos o 2-1, e depois, incompreensivelmente, não saímos bem a jogar e a controlar. Entrámos num jogo de transições que se partiu, expusemo-nos a um tipo de jogo de que o adversário gosta, com saídas rápidas, e acabámos por sofrer o golo do empate, que não traduziu o que se passou em campo."

A entrada de Belluschi
"Quando fizemos as substituições, a equipa já não estava a chegar de forma apoiada à frente, estava a perder muitas bolas. O nosso meio campo teve um desgaste tremendo na primeira parte e decidi mexer num período em que a equipa já não estava coesa. Jogando com o Belluschi numa pressão mais alta, pretendíamos ter mais bola, no sentido de passarmos a jogar mais no meio campo do adversário."

Primeira parte de luxo
"Vi uma primeira parte de grande nível, de circulação de bola, de pressão altíssima. Temos é de evoluir para podermos jogar desta forma durante os 90 minutos, porque ainda não o fazemos. É para dar continuidade a comportamentos como os da primeira parte que trabalhámos."

A arbitragem
"Vi o árbitro transformar um vermelho directo em dois amarelos. Houve um amarelo para um jogador que sofreu agressão e é um jogador que devia estar na rua que faz o 1-1. O Jorge Sousa não esteve ao seu melhor nível, porque se o Cardozo tivesse sido expulso o jogo seria outro. Achei que houve dualidade de critérios na amostragem dos amarelos. Muito cedo ficámos condicionados com cartões amarelos do defesa central, do lateral, do pivô. São jogadores importantes que têm de estar bem em momentos de transição ofensiva. De seguida houve faltas do mesmo género, por trás, e a amostragem de amarelos não seguiu o mesmo critério, não foi tão rigorosa."

Campeonato vai no adro
"O FC Porto nunca se contenta com um empate, seja no Dragão ou na Luz, e com certeza vai à Luz para ganhar. Sinto que perdemos claramente dois pontos e não estou satisfeito. Há muito campeonato para jogar, ele não se define só nestes jogos. Qualquer equipa tem condições para retirar pontos às equipas grandes."

Aspectos positivos
"A reacção aos golos do adversário foi muito positiva, o que me deixa triste foi perder os dois pontos, mas fizemos tudo para ganhar. Assumimos comportamentos de equipa grande, não fomos uma equipa defensiva e de contra-ataques esporádicos. Foi pena não prolongarmos a primeira parte. A forma como sofremos o golo não nos permitiu uma capacidade resposta ao nível do que fizemos np primeiro tempo."



RESUMO DO JOGO

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segunda-feira, 19 de Setembro de 2011

A cabeça noutro lugar

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CD Feirense 0-0 FC Porto

Liga 2011/12, 5ª jornada
18 de Setembro de 2011
Estádio Municipal de Aveiro


Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal).
Assistentes: António Godinho e Mário Dionísio.
Quarto Árbitro: Jorge Tavares.

FEIRENSE: Paulo Lopes; Pedro Queirós, Henrique, Luciano «cap.» e Mika; Sténio e Varela; Miguel Pedro, Diogo Cunha e Fonseca; Rabiola.
Substituições: Sténio por Cris (57m), Miguel Pedro por Ludovic (66m) e Diogo Cunha por André Fontes (78m).
Não utilizados: Pajetat.
Treinador: Quim Machado.

FC PORTO: Helton «cap.»; Supunaru, Rolando, Mangala e Fucile; João Moutinho, Guarín e Belluschi; James, Klébler e Rodríguez.
Substituições: Kléber por Varela (46m), Rodríguez por Defour (70m) e Sapunaru por Djalma (81m).
Não utilizados: Bracalli, Walter, Fernando e Otamendi.
Treinador: Vítor Pereira.

Disciplina: cartão amarelo a Diogo Cunha (16m), Pedro Queirós (29m), Fucile (44m), Mangala (66m), Rolando (72m) e Rabiola (90m); cartão vermelho a James (90m).

Os principais destaques do início do jogo que opôs FC Porto e Feirense prenderam-se naturalmente com as ausências de Hulk e Álvaro Pereira, os principais motores ofensivos da equipa da Invicta. Talvez baseado na história recente segundo a qual os campeões nacionais se davam bem sem o avançado brasileiro, Vítor Pereira quis não só poupar ambos os jogadores, mas também fazer passar a mensagem de que o colectivo está acima das individualidades.

O onze titular do FC Porto contava, por isso, com Cristián Rodríguez na ala direita, Fucile no lado esquerdo da defesa e Mangala no lugar que costuma pertencer alternadamente a Maicon e Otamendi. O Feirense, respeitando a diferença de poderia que dividia as equipas, contentou-se em absorver a pressão exercida pelo adversário, mas carrilou todo o seu jogo ofensivo (quase em transições rápidas) precisamente pelo lado esquerdo, tentando aproveitar um eventual nervosismo do defesa-central e um natural desentendimento entre Fucile e Mangala.

Com um meio-campo constituído por Guarín, Moutinho e Belluschi, foi com alguma surpresa que vimos o médio português a ficar com a posição 6 na organização ofensiva, muito provavelmente para tirar o máximo proveito não só da potência física, mas também dos remates de longa distância do colombiano. Ao contrário das expectativas do treinador portista, a equipa ressentiu-se de alguma forma, até porque Belluschi estava algo inconstante, não conseguindo criar tantos espaços como acontece habitualmente.

Foi assim com relativa naturalidade que vimos um FC Porto a tentar trocar a bola rapidamente no meio-campo adversário, mas, sem os desequilíbrios de Hulk e com a renitência de Cristián Rodríguez em procurar a linha de fundo, o bom posicionamento defensivo do Feirense ia chegando para as encomendas. Com efeito, o primeiro remate que os campeões nacionais fizeram dentro da área durante a primeira parte aconteceu aos 35 minutos.

A segunda parte trouxe uma equipa diferente. Com a troca de Kléber por Varela, o onze parecia definitivamente mais apostado em inclinar o seu jogo para as alas, com o extremo português a mostrar que pode ser uma alternativa muito válida, de futuro. Com essa alteração, James ficaria a jogar como uma espécie de falso 9 e Rodríguez manteria o seu lugar na ala esquerda. Fruto dessa nova dinâmica, o onze portista começou a intensificar a pressão e a aumentar as dificuldades do Feirense. Assim, Cristián enviou uma bola à barra aos 54 minutos e Varela falhou uma emenda de forma inacreditável, depois de um grande trabalho de Guarín. Pouco depois, aos 73', foi a vez de Moutinho ver o seu remate desviado por um defesa feirense para a barra.

Contudo, por ser mais orientado para a equipa portista, este texto poderá dar a entender que a equipa da Feira se limitava a defender e a despejar a bola na frente. Pelo contrário, mostrou-se sempre uma equipa atrevida e com noção das suas limitações, mas também das suas forças. Aos 58', antes do falhanço de Varela, valeu um enormíssimo corte de Guarín a compensar uma péssima oposição de Belluschi a um contra-ataque do Feirense, com Helton já ultrapassado. Aos 79', foi a vez de Sapunaru ser ultrapassado de forma quase infantil por Rabiola (um avançado com movimentações extremamente interessantes), que morreu nas mãos seguras de Helton.

Com a entrada de Djalma para o lugar de Sapunaru, o FC Porto demonstrava inequivocamente que entrava na fase do desespero e, mais importante, que não conta com Walter nem para estes momentos. Na verdade, foi penoso ver a equipa constantemente à procura de uma referência de área, que não existia, pura e simplesmente. Embora seja de louvar o coração da equipa nos momentos finais, em que carregou de forma quase cega, é também relevante afirmar que muito se deveu à passividade da equipa durante largos momentos e que essa vontade deu frequentes vezes lugar a uma enorme desorganização colectiva. Com efeito, essa será porventura uma das conclusões mais importantes a retirar deste encontro.

Nos instantes finais, com o jogo já partido, James ia lançado para um possível contra-ataque perigoso e foi travado em falta por um desesperado Rabiola. O colombiano, claramente frustrado por um jogo em que não conseguiu criar nada do que habitualmente faz e por um árbitro que, ao contrário do habitual no campeonato português, não apitou de cada vez que os jogadores se faziam ao relvado. A expulsão do influente extremo-esquerdo significa que não estará disponível para o encontro contra o Benfica, na próxima sexta-feira, pelo menos.

Positivo:

Num encontro como de hoje, é bastante difícil encontrar um alvo de elogios. Guarín será porventura o principal destaque, dada a sua entrega, o corte fundamental que fez e as sucessivas iniciativas ofensivas.

Negativo:

Fucile e Kléber: o primeiro voltou a mostrar que a fiabilidade não é o seu forte, com mais um jogo altamente inconstante. O segundo revelou-se nervoso, falhando inúmeros passes e apoios frontais e fazendo com que os seus colegas hesitassem cada vez mais em dirigir-lhe o esférico, à medida que o tempo ia correndo.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

"Não estava nas nossas previsões perder pontos aqui. Uma primeira parte em que nos faltou vida, ser mais agressivos ofensivos e defensivamente.

Hulk faz falta a qualquer equipa do mundo, mas hoje não estava. Faltou-nos ritmo mais alto de jogo.

A segunda parte foi melhor, com oportunidades de golo, mas não conseguimos marcar. Expusemo-nos mais ao contra-ataque do Feirense, que teve muitas perdas de tempo, mas bateu-se bem e fez pela vida.

O jogo ficou partido e faltou-nos aquela pontinha de sorte para marcar. O Feirense também podia ter marcado em transição".

João Moutinho

"Faltou a bola entrar. Acho que criamos ocasiões de golo suficientes para marcar, mas não conseguimos. Pelo que fizemos merecíamos a vitória.

Hulk é um grande jogador, mas não estava, os outros jogadores substituíram-no bem, mas a bola não quis entrar".



RESUMO DO JOGO

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sábado, 10 de Setembro de 2011

Uma questão de nervos

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FC Porto 3-0 Vitória Setúbal

Liga 2011/12, 4ª jornada
9 de Setembro de 2011
Estádio do Dragão, no Porto.
Assistência: 36.511 espectadores.


Árbitro: Marco Ferreira (AF Madeira).
Assistentes: Sérgio Serrão e Cristóvão Moniz.
Quarto árbitro: Manuel Oliveira.

FC PORTO: Helton «cap.»; Fucile, Rolando, Maicon e Alvaro; Souza, Defour e Belluschi; James, Kléber e Cristian Rodríguez.
Substituições: Souza por João Moutinho (46m), Kléber por Hulk (71m) e Cristian Rodríguez por Djalma (81m).
Não utilizados: Bracali, Walter, Mangala e Fernando.
Treinador: Vítor Pereira.

V. SETÚBAL: Diego; Peter Suswam, Ricardo Silva, Anderson do Ó e Miguelito; Hugo Leal, Bruno Amaro, e Zé Pedro; Jorge Gonçalves, Cláudio Pitbull «cap.» e Neca.
Substituições: Hugo Leal por João Silva (59m) e Jorge Gonçalves por Rafael Lopes (71m).
Não utilizados: Ricardo, Tengarrinha, Igor, Michel e Bruno Severino.
Treinador: Bruno Ribeiro.

Ao intervalo: 0-0.

Marcadores: João Moutinho (53m), James (75) e Belluschi (88m).

Disciplina: cartão amarelo para Maicon (17m), Anderson do Ó (40m), Neca (44m), Cristian Rodríguez (52m) e Alvaro (54m).

Com uns meros três dias de intervalo entre o último jogo a contar para o campeonato, o FC Porto entrou com um onze retocado, sendo o meio-campo o sector com maior número de modificações, com Defour e Souza a entrarem para os lugares de João Moutinho e Fernando, respectivamente. Talvez por esse motivo, os dragões entraram algo lentos na circulação de bola, com dificuldades em ultrapassar um adversário que apostara em duas linhas de quatro jogadores, com Neca atrás de Pitbull, na frente.

Com Bruno Amaro a encostar em Belluschi e Hugo Leal em Defour, os azuis e brancos denotavam dificuldades em fazer chegar a bola aos extremos James e Cristian Rodríguez, ambos com tendência para flectir para o meio. Se, na esquerda, Álvaro Pereira ia assumindo algumas das despesas ofensivas, o mesmo não se podia dizer de Fucile do lado contrário, graças a uma relação tradicionalmente mais difícil com bola.

A partida foi decorrendo nestes moldes até ao minuto 21, altura em que Souza e Rolando enviaram a bola por duas vezes à trave, na sequência da mesma jogada. A partir desse momento, os campeões nacionais pareceram acordar definitivamente para o jogo, proporcionando mais velocidade à circulação da bola e maior dinâmica nas movimentações. Ao 28º minuto, Kléber fez tremer novamente a barra da baliza de Diego após excelente passe de James e, seis minutos depois, foi o próprio James que quase marcava num cruzamento-remate. O FC Porto chegava ao intervalo com oportunidades suficientes para se adiantar no marcador, mas com algumas dificuldades em descobrir espaços em jogadas de bola corrida.

A segunda parte trouxe João Moutinho e, com ele, uma equipa transfigurada. Com o antigo sportinguista no lugar de Souza, o futebol portista ganhou outra velocidade em posse e outra agressividade na recuperação da bola. Como tal, foi sem surpresa que o próprio João Moutinho assistiu Defour para uma grande defesa de Diego e, 9 minutos volvidos, se encarregou de abrir as portas da vitória com um remate colocado de fora de área, depois de mais uma acção de pressão na saída de bola setubalense.

Sucederam-se então uma mão-cheia de oportunidades de golo (falhadas pelos azuis e brancos ou defendidas pelo guardião do Vitória de Setúbal), que culminaram com duas assistências de golo de Hulk (que havia entrado aos 71' para o lugar de Kléber) para os golos de James e Belluschi, respectivamente.

Depois do primeiro golo, os forasteiros tentaram reagir, transformando-se num 4x3x3, com Helton a ter de fazer uma intervenção apertada aos 71', a remate de João Silva. Ainda assim, viu-se pouca intenção ofensiva por parte dos visitantes e uma aparente desorganização após o primeiro golo.

Em suma, uma vitória bem conseguida do FC Porto, que aproveitou o intervalo para definir ideias, tendo feito uma segunda parte de boa qualidade, tanto ao nível da pressão na recuperação de bola como da dinâmica que imprimiu na etapa complementar - atributos suficientes para vencer o adversário e poupar esforços para o próximo jogo, já na próxima terça-feira, a contar para a Liga dos Campeões.

Positivo: Defour. O médio belga é de facto quase um clone de Moutinho. Eficaz na pressão ao portador da bola, simples no passe e desmarcação, ainda que vá acusando alguma falta de entrosamento, como seria expectável.

Negativo: Souza. O pivot defensivo brasileiro continua sem conseguir convencer adeptos e treinador, não obstante as oportunidades concedidas. O seu posicionamento defensivo continua a deixar a equipa vulnerável e a saída de bola peca quase sempre por ser excessivamente complicativa.



DECLARAÇÕES

Vítor Pereira

Colectivo e individualidades
“O FC Porto vive fundamentalmente de um colectivo forte e depois, dependendo da inspiração, sobressaem alguns jogadores. Temos muitos atletas com qualidade técnica e é natural que surjam lances e golos bem conseguidos.”

Ideias próprias
“Sou um adepto de um jogo de posse, bem jogado, de toque, que proporcione muitos golos. Essas ideias eram partilhadas pelo André [Villas-Boas] e por mim, na época passada. Para além disso, tenho ideias próprias, em termos de dinâmica e de questões defensivas. O FC Porto ainda vai crescer, mas, mais do que o trabalho do treinador, é importante dizer que temos um plantel com jogadores muitíssimo talentosos, que, quando têm liberdade para decidirem, exprimem a sua qualidade. Assim, surgem momentos de espectáculo que eu gosto de ver e os adeptos também.”

Substituição ao intervalo
“Numa primeira parte bem conseguida, faltou um golo para dar tranquilidade à posse de bola, que nos desse a paciência para esperar pelo momento certo para penetrar nos espaços. A substituição ao intervalo não tinha a ver com a exibição do Souza, mas com uma dinâmica diferente que o Moutinho proporciona, pelas características que tem. Este jogo pedia-nos outra coisa e, tendo em conta essa dinâmica, decidimos entrar desta forma na segunda parte e as coisas saíram como perspectivávamos.”

Equipa a crescer
“Esta equipa vai crescer naturalmente, para mais qualidade e agressividade. É uma questão de tempo. Os resultados que conseguimos até agora foram normais, nada do outro mundo, mas sim o que nos competia. Vamos crescer ainda para mais qualidade de jogo.”

O elogio de Hulk
“Todos os jogadores estão dentro dos objectivos colectivos e a qualquer momento podem ser chamados e têm de corresponder. Queria sublinhar uma coisa: o Hulk é um craque, mas da cabeça aos pés. Tem humildade, espírito de sacrifício e não tem problema nenhum em sentar-se no banco. Não é só craque pelo que produz, mas pelo que nos dá em termos de grupo. É um líder que tem essa liderança pelas acções e pela humildade. Estou agradecido pelo que nos dá e todos estamos agradecidos como grupo.”

Apelo aos adeptos
“Queria pedir à nossa grande massa associativa, que, com sentimento Porto, de orgulho, encha um estádio lindíssimo como o Dragão e dê à Europa um grande espectáculo, contra uma grande equipa europeia como o Shakhtar. Precisamos de uma casa cheia e de um calor enorme vindo de fora e estamos a contar com o apoio da massa associativa.”



RESUMO DO JOGO

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sábado, 20 de Agosto de 2011

Como endireitar o que torto nasce

Publicada por Vasco Mota Pereira Categoria: , ,

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

FC Porto 3-1 Gil Vicente FC

Liga 2011/12, 2.ª jornada
19 de Agosto de 2011
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 43.912 espectadores


Árbitro: Rui Silva (Vila Real).
Assistentes: José Lima e Álvaro Mesquita.
Quarto árbitro: Rui Costa.

FC PORTO: Helton «cap.»; Sapunaru, Rolando, Otamendi e Fucile; Souza, João Moutinho e Guarín; Hulk, Kleber e Varela.
Substituições: Guarín por Belluschi (72m), Varela por Djalma (72m) e Kleber por Walter (80m).
Não utilizados: Bracali, Maicon, Alvaro Pereira e Fernando.
Treinador: Vítor Pereira.

GIL VICENTE: Adriano; Eder, Sandro «cap.», Cláudio e Júnior Caiçara; João Vilela, Luís Manuel e André Cunha; Luís Carlos, Hugo Vieira e Laionel.
Substituições: Luís Manuel por Richard (52m), Luís Carlos por Pedro Moreira (66m) e João Vilela por Tó Barbosa (81m).
Não utilizados: Jorge Baptista, Daniel, Paulão e Mauro.
Treinador: Paulo Alves.

Ao intervalo: 2-1.

Marcadores: João Vilela (3m, g.p.), Hulk (10m, g.p., e 50m) e Sapunaru (16m).

Disciplina: cartão amarelo para Otamendi (2m), Eder (44m), Júnior Caiçara (45m+1) e Sandro (48m).

No primeiro jogo no Dragão a contar para o campeonato, o FC Porto defrontou o Gil Vicente. Com as duas equipas a apresentarem os mesmos onzes da primeira jornada, foi sem surpresa que se assistiu à repetição de alguns defeitos e virtudes. Com efeito, os dragões entraram algo nervosos, especialmente na circulação de bola entre defesas e Souza: Foi precisamente num desses momentos, logo aos 2 minutos, que o Gil Vicente pressionou um mau domínio de Sapunaru, conquistando um penalty, cometido por um Otamendi já em desespero de causa.

Se os azuis e brancos já estavam nervosos, o golo adversário não ajudou em nada. Souza continua a demonstrar algumas dificuldades na construção (é raro o passe ao primeiro ou segundo toque) e os de Barcelos traziam a lição bem estudada, jogando em bloco baixo e apostando não só nas transições rápidas, mas também na pressão bem exercida aos alvos azuis identificados como menos fortes em posse de bola.

Ainda assim, o querer atirou o FC Porto para a frente e foi graças a um penalty sobre Hulk - convertido sobre o mesmo - que chegou à igualdade, ao minuto 10. Com a igualdade, os dragões foram-se assenhorando do jogo, afastando os nervos, e foi no seguimento de um desses lances que chegaram ao segundo golo, por intermédio de Sapunaru (num canto bem batido por Hulk), que assim se redimia do lance menos feliz do golo dos gilistas.

Os campeões nacionais pareciam querer acalmar o jogo e exercer finalmente o seu domínio, mas a equipa de Barcelos não se mostrou interessada e continuou a mostrar que vinha para jogar, ainda que com as suas armas. Assim, tiveram uma oportunidade de golo clamorosa, aos 23', que João Vilela falhou perante Helton.

A segunda parte trouxe um FC Porto mais afoito tanto a defender como a atacar e, com isso, conseguiu aumentar a vantagem para dois golos logo ao terceiro minuto, numa verdadeira bomba de Hulk. 3 minutos depois, Kléber e Hulk construíram uma bela jogada para a nova referência de área azul e branca cabecear ao lado do poste esquerdo.

As substituições serviram para atiçar um pouco um dragão mais interessado em controlar o jogo, após a vantagem. Belluschi e Djalma entraram para os lugares de Guarín e Varela, respectivamente, e essas alterações trouxeram uma maior mobilidade, em particular a de Belluschi, sempre predisposto a fazer passes de ruptura e explorar os espaços.

Até final, assistimos a uma tentativa de reacção da turma de Barcelos, potenciada pela continuação de alguma falta de agressividade defensiva por parte do FC Porto. Apesar de tudo, não houve grandes sustos, mas fica a nota para o próximo jogo, contra um adversário incomparavelmente mais difícil.

Positivo:

- Resultado. Tal como aconteceu em Guimarães, o querer foi aqui mais importante do que o jogar bem. A equipa mostrou que quer começar bem o campeonato desde já, ainda que os processos estejam longe de consolidados.

- 2ª parte. A palestra de Vítor Pereira terá tido impacto nos jogadores, uma vez que a equipa apareceu mais dinâmica e mais subida em todas as linhas.

Negativo:

- Souza. Não obstante melhorias óbvias a todos os níveis na segunda parte, o médio brasileiro continua com inúmeras dificuldades ofensivas, emperrando muitas vezes a primeira zona de construção da equipa.

- Momento defensivo. A equipa parece estar ainda algo confusa sobre quando deve ou não fazer pressão. Como tal, criam-se involuntariamente autênticos buracos, partindo a equipa e expondo-a às transições.




DECLARAÇÕES

Vítor Pereira: "Valeu pelos três pontos"

Vítor Pereira não contornou a questão. Assumiu, abertamente, que o resultado foi melhor do que a exibição, lembrando, no entanto, que o FC Porto foi capaz de recuperar e reverter de um resultado desfavorável. Mantém plena confiança na equipa e garante que o próximo jogo revelará progressos.

Questão de fluidez
“O jogo valeu pelos três pontos. O adversário colocou-nos problemas e a fluidez de jogo não saiu com a qualidade que nós pretendemos. A confiança vem com resultados e, ganhando, podemos evoluir para um jogo de maior qualidade.”

Penalty intranquilizou
“O penalty, por ter sido prematura, intranquilizou um pouco a equipa, que demorou um pouco a encontrar-se, mas eu tenho total confiança nesta defesa.”

Confiança total
“Os jogadores saem e entram e o clube continua a ganhar. Isso é que é fundamental para nós. Num clube que vem de tantas conquistas, a saída de jogadores acaba por ser natural. Os que cá estão dão confiança total. Corrigiremos o que temos de corrigir e no próximo jogo daremos outro tipo de resposta.”

Kleber será referência
“Recordo-me que, na época passada, o Falcao esteve mais de um mês sem fazer um golo. O Kleber trabalha bem, vai evoluir e vai tornar-se, seguramente, um ponta-de-lança de referência.”

Jorge Jesus só olha para o seu umbigo
“Tenho a sensação - e já não é de agora - que o Jorge Jesus reclama o mérito sempre para ele, quase nunca é dos jogadores. Vem da personalidade egocentrista dele. Olha para o seu umbigo e quando assim é, torna-se difícil atribuir mérito aos jogadores e olhar com distanciamento para a arbitragem. Talvez por isso não tenha visto que o golo do Nolito é em fora de jogo.”



RESUMO DO JOGO

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