assistência: 18.110 espectadores.
árbitros: Jorge Sousa (AF Porto), José Ramalho e José Luís Melo; Rui Costa.
VITÓRIA DE GUIMARÃES: Nilson; Alex, Gustavo, Moreno e Andrezinho; Flávio Meireles, João Alves e Nuno Assis; Targino, Douglas e Desmarets.
Substituições: Flávio Meireles por Custódio (15m), João Alves por Roberto (72m) e Alex por Rui Miguel (78m).
Não utilizados: Sérginho, Jorge Gonçalves, Milhazes e Marquinho.
Treinador: Paulo Sérgio.
FC PORTO: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves e Alvaro Pereira; Fernando, Raul Meireles e Belluschi; Varela, Falcao e Rodríguez.
Substituições: Belluschi por Guarín (59m), Falcao por Hulk (59m) e Farías por Rodríguez (91m).
Não utilizados: Beto, Mariano, Maicon e Sapunaru.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
golos: Varela (12m), Falcao (31m), Andrezinho (45+1m), Bruno Alves (66m) e Rodríguez (87m).
disciplina: cartão amarelo a Raul Meireles (40m), Fernando (45m), Douglas (51m), Serginho (51m) e Nuno Assis (93m).
Já tínhamos saudades!
Finalmente. Já merecíamos uma noite assim. Confesso que, algo descrente nas últimas exibições portistas, duvidava. Vivia, como muitos, com aquela fé, irracional, numa melhoria significativa.
O confronto, marcado cirurgicamente para o início do fim-de-semana, era de enorme grau de dificuldade. Uma deslocação a território inimigo, povoado por estranhos seres que fazem, bastas vezes, da violência a arma primeira nos confrontos. Do outro lado, trajando o alvo uniforme dos vitorianos, uma equipa em estado de graça, radicalmente transformada, no ânimo, com a chegada do novo profeta.
O embate, como se vê, era titânico. Existia, virtualmente, uma linha traçada, espécie de derradeiro aviso aos portistas. Um percalço no Minho e, provavelmente, viveríamos em depressão até final da temporada. Era essa a ideia, provavelmente, que estava marcada, como espécie de ferrete, na mente da equipa. Um “mata-mata”. Jogo explosivo em perspectiva.
E o ambiente, feérico, do Afonso Henriques, não saiu defraudado da contenda. O campeão vigente apareceu. Com as mesmas roupagens. Aquela mistura agradável de cores. O azul e o banco, provocando frémitos de emoção a quem vive apaixonado pela flâmula do Dragão. Jesualdo, de forma algo subtil, tinha alertado. “Vamos ser uma equipa mais agressiva, potente e assertiva”. E, como num passe de mágica, eles foram isso mesmo. E muito mais.
Mas comecemos pelo início. No habitual 4-3-3 [pelo menos no plano teórico, dado que o mesmo teve várias ramificações e transformações, acompanhando os momentos cruciais da partida], Hulk ficou no banco, com Varela a assumir o seu lugar, ao lado de Rodriguez e Falcao. O novo voto de confiança ao colombiano resultou, parcialmente. Se a nível de combatividade nada há a apontar ao novo reforço portista, a efectividade do internacional sul-americano tem deixado muito a desejar, ultimamente.
Foi um Porto de combate, pressionante, como até aqui ainda não se tinha visto. Com Meireles na dupla função de ajudar nas despesas atacantes e de apoio a Fernando, nas acções defensivas, o dinamismo de Belluschi, aliado à energia e hiper-actividade de Varela e Rodriguez, tornaram a equipa de Jesualdo mais acutilante. Com as oportunidades a sucederem-se. Não foi, por isso, com estranheza que se assistiu a um domínio intenso, nos primeiros 45 minutos. A tão pedida pressão alta foi crucial, como o comprova o lance do 1º golo. Roubo de bola a Nuno Assis, com Varela a desequilibrar no movimento de transição. O Porto conseguia a proeza de criar mais lances de ataque, na 1ª parte, com passes de ruptura, do que em todos os jogos anteriores.
Seria uma primeira parte perfeita. Se. Parece que esta equipa é perseguida por uma teimosa e persistente nuvem negra, transportadora de maus augúrios. Bolas nos postes. Falhanços incríveis. Golos sofrido de forma fortuita. E hoje, já nos descontos para o intervalo, um ocasional livre premiou de forma imerecida os vimaranenses, relançando a emotividade. E provocando alguma apreensão nas hostes portistas.
A segunda metade parecia ser de excruciante sofrimento. Um Porto abnegado, defensivamente, mas sem encontrar o antídoto para a libertação de uma pressão que chegou a ser sufocante. Depois de um calafrio, com o calcanhar de Moreno a errar o alvo, Jesualdo mexe na equipa. E bem. O aplauso pela decisão de agitar o grupo deve-se, sobretudo, à entrada de Guarin. Precioso, o colombiano ajudou a equilibrar a partida, com os seus movimentos de apoio a Meireles e Fernando a revelarem-se preciosos. Guarin foi, ainda, inestimável na capacidade de remate, com duas bombas a colocarem em pânico o ultimo reduto adversário.
Merecidamente, o ponto final foi colocado por quem enverga a mítica braçadeira de capitão. Bruno Alves, himself, em novo lance de bola parada [e logo eu que criticava a aparente anarquia na marcação dos mesmos, assisto com gáudio à marcação de 2 golos em lances estudados]. 3 pontos. E lá temos os encarnados a viverem o seu pesadelo privado. Já nos têm ao lado…
Análise final: Fantástica vitória, comprovando que a equipa tem vindo a subir, paulatinamente, os patamares exigíveis rumo à quase perfeição. Jogo de garra, para homens de barba rija, onde a atitude indomável e guerreira da equipa ajudou à recuperação anímica. No entanto, mais do que embandeirar erradamente em arco, deixando a euforia travar a fase ascendente, importa erradicar de vez os momentos menos bons. Que continuam a aparecer. Desde logo, numa primeira análise, a equipa tem que controlar, forçosamente, a posse de bola. A 2ª parte, com o periclitante 2-1 no marcador, chegou a ser de aterradora ansiedade. O meio-campo, sufocado pela vaga atacante do Guimarães, vivia submerso num trabalho de sapa, efectuado de forma corporativa mas pouco inteligente. O acantonamento, nas imediações da área de Helton, permitiu um crescimento desmesurado do adversário, com o espectro do empate a pairar sobre todos que assistiam ao jogo. E depois, para exasperação total, a ausência de uma finalização adequada ao enorme volume de oportunidades perdidas. O Porto poderia, nos últimos 15 minutos, ter construído um resultado humilhante [e que vontade eu tinha que isso acontecesse, naquela estádio], desperdiçando de forma infantil lances de superioridade numérica.
O melhor do Porto: Elejo um tridente, que conseguiu colocar em prática o plano táctico engendrado por Jesualdo [e sim, nunca é demais, depois de tanto causticar o homem com críticas, colocar-lhe nos ombros uma grossa fatia do êxito alcançado]. Varela, repentino e explosivo, capaz de dinamitar a defesa contrária. O futebol gingão do ex-amadorense, imprevisível nas acções, ajudou a alavancar a agressividade do conjunto. E aquele momento, perante Gustavo Lazaretti, finalizando com contundência, foi o momento chave da partida: o abanar do infortúnio que, até aí, parecia ir perseguir os azuis e brancos.
Rodriguez, regressado à titularidade e às exibições personalizadas. Gosto particularmente do uruguaio. Pela atitude. Pela personalidade. Pela adopção do lema do “antes quebrar que torcer”. Capaz de aportar efectividade ao lado esquerdo, ora esticando o jogo até à linha de fundo, ou refreando os ímpetos, juntando-se ao tridente do meio-campo como 4º elemento, o “Cebola” foi fulcral no período de maior domínio portista, numa primeira metade praticamente imaculada. Mereceu amplamente o prémio do golo alcançado, num remate indefensável.
Belluschi, brilhante na assunção do papel de criativo, felino nas transições ofensivas, mexendo com os cordelinhos da partida. O esplendor fica, no entanto, algo maculado, com a perda, numa dessas transições, da bola, resultando daí a falta de Fernando e o posterior golo de livre, que relançou momentaneamente a partida. E, aqui, abro um pequenino parêntesis para a dica da semana [obra e graça do génio táctico do Bruno Rocha]. O 10, personificado no corpo franzino de Belluschi, nunca deveria jogar tão junto do pivot defensivo, assumindo as despesas do 1º passe. Notas elevadas, igualmente, para Meireles [que belo jogo do louro tatuado] e de Bruno Alves, sentenciando a partida, de forma oportuna.
Arbitragem: Resumo a apreciação a um lance. O jogo caminhava, de forma nervosa, para o final. O placar assinalava um 3-1 que, longe de decidir a contenda, a mantinha viva, agitada, impaciente. Faltariam cerca de 10 minutos para o apito final. E o gesto, magnânimo, assinalando uma infracção a Rodriguez, junto da meia-lua, foi de uma frieza glacial. Um golo, naquele livre extremamente perigoso, relançaria o encontro para um final impróprio para cardíacos. A falta, está bom de ver, não existiu. É um daqueles lances que nos deixa com um sorriso de resignação no rosto, enquanto nos controlamos para suster a torrente de impropérios contra o homem do apito. Deliberadamente astuto, o juiz de campo. Finório. Habilidoso. Porque é assim, sem dar muito nas vistas, que “eles” gostam de desvirtuar partidas…
Nota de rodapé: Apeteceu-me parafrasear Maradona, ao assistir ao jogo pela Sport Tv. Deve ter sido batido mais um recorde qualquer, tantas foram as repetições dadas em lances na área portista, por mais inócuos que os mesmos fossem. A patética tentativa de esmiuçar, de forma obcecada, à procura do pretenso erro arbitral para justificar mais um triunfo dos Dragões, saiu obviamente furada. Azar. E, como diz o astro argentino, ma***...
árbitros: Jorge Sousa (AF Porto), José Ramalho e José Luís Melo; Rui Costa.
VITÓRIA DE GUIMARÃES: Nilson; Alex, Gustavo, Moreno e Andrezinho; Flávio Meireles, João Alves e Nuno Assis; Targino, Douglas e Desmarets.
Substituições: Flávio Meireles por Custódio (15m), João Alves por Roberto (72m) e Alex por Rui Miguel (78m).
Não utilizados: Sérginho, Jorge Gonçalves, Milhazes e Marquinho.
Treinador: Paulo Sérgio.
FC PORTO: Helton; Fucile, Rolando, Bruno Alves e Alvaro Pereira; Fernando, Raul Meireles e Belluschi; Varela, Falcao e Rodríguez.
Substituições: Belluschi por Guarín (59m), Falcao por Hulk (59m) e Farías por Rodríguez (91m).
Não utilizados: Beto, Mariano, Maicon e Sapunaru.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
golos: Varela (12m), Falcao (31m), Andrezinho (45+1m), Bruno Alves (66m) e Rodríguez (87m).
disciplina: cartão amarelo a Raul Meireles (40m), Fernando (45m), Douglas (51m), Serginho (51m) e Nuno Assis (93m).
Já tínhamos saudades!
Finalmente. Já merecíamos uma noite assim. Confesso que, algo descrente nas últimas exibições portistas, duvidava. Vivia, como muitos, com aquela fé, irracional, numa melhoria significativa.
O embate, como se vê, era titânico. Existia, virtualmente, uma linha traçada, espécie de derradeiro aviso aos portistas. Um percalço no Minho e, provavelmente, viveríamos em depressão até final da temporada. Era essa a ideia, provavelmente, que estava marcada, como espécie de ferrete, na mente da equipa. Um “mata-mata”. Jogo explosivo em perspectiva.
E o ambiente, feérico, do Afonso Henriques, não saiu defraudado da contenda. O campeão vigente apareceu. Com as mesmas roupagens. Aquela mistura agradável de cores. O azul e o banco, provocando frémitos de emoção a quem vive apaixonado pela flâmula do Dragão. Jesualdo, de forma algo subtil, tinha alertado. “Vamos ser uma equipa mais agressiva, potente e assertiva”. E, como num passe de mágica, eles foram isso mesmo. E muito mais.
Mas comecemos pelo início. No habitual 4-3-3 [pelo menos no plano teórico, dado que o mesmo teve várias ramificações e transformações, acompanhando os momentos cruciais da partida], Hulk ficou no banco, com Varela a assumir o seu lugar, ao lado de Rodriguez e Falcao. O novo voto de confiança ao colombiano resultou, parcialmente. Se a nível de combatividade nada há a apontar ao novo reforço portista, a efectividade do internacional sul-americano tem deixado muito a desejar, ultimamente.
Seria uma primeira parte perfeita. Se. Parece que esta equipa é perseguida por uma teimosa e persistente nuvem negra, transportadora de maus augúrios. Bolas nos postes. Falhanços incríveis. Golos sofrido de forma fortuita. E hoje, já nos descontos para o intervalo, um ocasional livre premiou de forma imerecida os vimaranenses, relançando a emotividade. E provocando alguma apreensão nas hostes portistas.
A segunda metade parecia ser de excruciante sofrimento. Um Porto abnegado, defensivamente, mas sem encontrar o antídoto para a libertação de uma pressão que chegou a ser sufocante. Depois de um calafrio, com o calcanhar de Moreno a errar o alvo, Jesualdo mexe na equipa. E bem. O aplauso pela decisão de agitar o grupo deve-se, sobretudo, à entrada de Guarin. Precioso, o colombiano ajudou a equilibrar a partida, com os seus movimentos de apoio a Meireles e Fernando a revelarem-se preciosos. Guarin foi, ainda, inestimável na capacidade de remate, com duas bombas a colocarem em pânico o ultimo reduto adversário.
Análise final: Fantástica vitória, comprovando que a equipa tem vindo a subir, paulatinamente, os patamares exigíveis rumo à quase perfeição. Jogo de garra, para homens de barba rija, onde a atitude indomável e guerreira da equipa ajudou à recuperação anímica. No entanto, mais do que embandeirar erradamente em arco, deixando a euforia travar a fase ascendente, importa erradicar de vez os momentos menos bons. Que continuam a aparecer. Desde logo, numa primeira análise, a equipa tem que controlar, forçosamente, a posse de bola. A 2ª parte, com o periclitante 2-1 no marcador, chegou a ser de aterradora ansiedade. O meio-campo, sufocado pela vaga atacante do Guimarães, vivia submerso num trabalho de sapa, efectuado de forma corporativa mas pouco inteligente. O acantonamento, nas imediações da área de Helton, permitiu um crescimento desmesurado do adversário, com o espectro do empate a pairar sobre todos que assistiam ao jogo. E depois, para exasperação total, a ausência de uma finalização adequada ao enorme volume de oportunidades perdidas. O Porto poderia, nos últimos 15 minutos, ter construído um resultado humilhante [e que vontade eu tinha que isso acontecesse, naquela estádio], desperdiçando de forma infantil lances de superioridade numérica.
O melhor do Porto: Elejo um tridente, que conseguiu colocar em prática o plano táctico engendrado por Jesualdo [e sim, nunca é demais, depois de tanto causticar o homem com críticas, colocar-lhe nos ombros uma grossa fatia do êxito alcançado]. Varela, repentino e explosivo, capaz de dinamitar a defesa contrária. O futebol gingão do ex-amadorense, imprevisível nas acções, ajudou a alavancar a agressividade do conjunto. E aquele momento, perante Gustavo Lazaretti, finalizando com contundência, foi o momento chave da partida: o abanar do infortúnio que, até aí, parecia ir perseguir os azuis e brancos.
Belluschi, brilhante na assunção do papel de criativo, felino nas transições ofensivas, mexendo com os cordelinhos da partida. O esplendor fica, no entanto, algo maculado, com a perda, numa dessas transições, da bola, resultando daí a falta de Fernando e o posterior golo de livre, que relançou momentaneamente a partida. E, aqui, abro um pequenino parêntesis para a dica da semana [obra e graça do génio táctico do Bruno Rocha]. O 10, personificado no corpo franzino de Belluschi, nunca deveria jogar tão junto do pivot defensivo, assumindo as despesas do 1º passe. Notas elevadas, igualmente, para Meireles [que belo jogo do louro tatuado] e de Bruno Alves, sentenciando a partida, de forma oportuna.
Arbitragem: Resumo a apreciação a um lance. O jogo caminhava, de forma nervosa, para o final. O placar assinalava um 3-1 que, longe de decidir a contenda, a mantinha viva, agitada, impaciente. Faltariam cerca de 10 minutos para o apito final. E o gesto, magnânimo, assinalando uma infracção a Rodriguez, junto da meia-lua, foi de uma frieza glacial. Um golo, naquele livre extremamente perigoso, relançaria o encontro para um final impróprio para cardíacos. A falta, está bom de ver, não existiu. É um daqueles lances que nos deixa com um sorriso de resignação no rosto, enquanto nos controlamos para suster a torrente de impropérios contra o homem do apito. Deliberadamente astuto, o juiz de campo. Finório. Habilidoso. Porque é assim, sem dar muito nas vistas, que “eles” gostam de desvirtuar partidas…
Nota de rodapé: Apeteceu-me parafrasear Maradona, ao assistir ao jogo pela Sport Tv. Deve ter sido batido mais um recorde qualquer, tantas foram as repetições dadas em lances na área portista, por mais inócuos que os mesmos fossem. A patética tentativa de esmiuçar, de forma obcecada, à procura do pretenso erro arbitral para justificar mais um triunfo dos Dragões, saiu obviamente furada. Azar. E, como diz o astro argentino, ma***...














