28 agosto, 2016

futebol, 18:00, sporttv1 – sporting Vs. FC PORTO

COMEÇAR BEM, ARBITRAR MAL E ACABAR PIOR
O Dragão, com a moral em alta, entrou no jogo desta tarde à semelhança do jogo em Roma. E até marcou muito cedo. Estavam lançados os dados para mais um jogo e mais uma etapa de evolução da equipa liderada por Nuno Espírito Santo. Mas o que parecia muito bom, depressa se desfez. Por culpa própria e por culpa do homem do apito.
Após o golo madrugador de Felipe (apanhou-lhe o gosto) aos 8 minutos, o campo começou a inclinar. Aos 14 minutos surgem três situações que atestam o que estou a dizer:
Primeiro, Coates dá uma cotovelada em André Silva e o árbitro de frente para o lance, nada assinala;
Na sequência, Slimani simula uma falta à entrada da área, com um salto para a piscina. O árbitro assinala a falta inexistente.
Do lance, resulta o golo irregular do empate da equipa de Alvalade. Bruno César remata ao poste e na recarga, Gelson controla o esférico com o braço antes de atirar contra Casillas. A bola fica a saltitar em cima da linha de baliza, onde aparece Slimani a estabelecer o empate.
De uma forma estrondosamente irregular e, no espaço de um minuto, o árbitro, que me recuso a dizer o nome, comete três erros crassos. Continuem, pois, a nomear árbitros destes para estes jogos e a promovê-los a árbitros internacionais. Parabéns à CA.
Apesar disso, o FC Porto continuou melhor, com o meio-campo verde a ser controlado pelos Dragões. O trio do meio-campo portista tomava conta das operações mas aos 26 minutos nova palhaçada do juizinho. Bryan Ruiz beneficia de mais uma irregularidade para servir Gelson que rematou para o fundo das malhas de Casillas. A bola cortada por Felipe vai à mão do jogador leonino que tira partido do lance e o Sporting passa para a frente do marcador.
Depois do 2º golo do Sporting, o FC Porto teve ainda uma oportunidade soberana com uma bola ao poste de A. André mas a sorte não esteve com o caxineiro. Depois disso, o Dragão desapareceu e o Sporting dominou e controlou o jogo quase como quis.
No entanto, os jogadores leoninos, com entradas a destempo e com mais cotovelada ou menos cotovelada, passaram incólumes em termos disciplinares. Adrien Silva, William e Slimani escaparam a expulsões e assim se somam mais 3 pontos.
Apesar de tudo, o FC Porto tem de dar a mão à palmatória pois não conseguiu reagir à adversidade. O FC Porto tentou jogar em profundidade, sempre à procura das costas da defesa contrária. Mas os portistas pouco ou nada conseguiam de concreto.
Ao intervalo, o resultado era injusto. Óliver Torres, de regresso à invicta, entrou para o lugar de Corona, algo tocado. Apesar do FC Porto ter tentado remar contra a maré, foi visível uma supremacia da equipa adversária, uma equipa mais madura, com melhor gestão do tempo e do jogo. E foi isso que Nuno Espírito Santo salientou no final do jogo.

O treinador portista, apesar de apontar erros claros à arbitragem, embora sem se alongar muito, registou o facto dos seus pupilos não terem sabido gerir a vantagem e terem falhado o último passe. Houve algumas jogadas de perigo, sem que houvesse oportunidades claras de golo, mas não passaram de ameaças.
Com Óliver a deixar a ala e a passar para o meio e com a entrada do belga Depoitre, o FC Porto teve uma meia-oportunidade aos 90 minutos.
Layún é desmarcado na meia-direita mas controla mal a bola, com tudo para ir para a baliza. Cruzou para a área onde André Silva e Depoitre atrapalharam-se e o lance acabou por se perder na defensiva leonina.
Pouco depois o jogo terminou com a primeira derrota da época. Nem tudo está mal no reino do Dragão, mas nem tudo está bem. Há muito trabalho pela frente e o FC Porto tem de continuar a trabalhar, no sentido de evoluir e de procurar tirar melhor partido nos próximos jogos. A equipa tem margem de progressão e tem condições para crescer.
Espera-se que até Quinta-feira, o plantel fique bem definido e se trabalhe bem e com tranquilidade.
Hoje as minhas notas finais são apenas para colocar uma questão para reflectir. Quem quiser que interprete como entender.
O Presidente Pinto da Costa passou pela zona mista no fim do jogo em Roma. Teria o presidente estado na zona mista do Estádio Olímpico de Roma se o FC Porto tivesse sido eliminado na última Terça-feira?
No fim do jogo com o Sporting, parece-me ter visto muitos mais motivos para o Presidente passar pela zona mista de Alvalade do que em Roma. Mas se calhar, sou eu que estou errado.
No entanto, em cerca de 30 anos, vi o Presidente do meu clube aparecer nas horas menos boas ou nas horas más, como quiserem, sempre a dar a cara e a chamar a si toda a responsabilidade do que de bom e de mau acontecia. E na grande maioria, surgia quando realmente havia necessidade de se tomar posições de força contra actuações como por exemplo a que se passou neste fim de tarde no Alvalade XXI.
“Enquanto fomos bons rapazes…”

27 agosto, 2016

ABAFÁMOS O OLÍMPICO!


Viagem de uma vida a quem teve oportunidade de lá de deslocar, vitória histórica e uma entrada na fase de grupos que ficará para sempre na nossa memória. Ganhar o jogo e passar a eliminatória era algo que poucos contavam, ganhar 0-3 foi escrever uma nova página de ouro na história do nosso clube.

Começo por aqueles que para mim são os heróis desta passagem. Domingo à noite, quase 48 horas antes do jogo, arranca um autocarro da Invicta em direcção a Roma. Com cerca de 60 ultras a bordo, chegaram a Roma terça-feira à hora do almoço. Um espírito incrível de companheirismo, amizade e amor ao FC Porto. Uma vivência inédita, milhares de quilómetros sobra rodas em dezenas de horas. Deixando tudo para trás, tudo por uma causa.

À chegada a Roma, juntaram-se a eles mais 40 ultras que viajaram nessa manhã de avião e mais alguns emigrantes de núcleos das nossas claques do centro da Europa. Cerca de 200 portistas passearam pelas ruas de Roma durante a tarde.

Aproximava-se a hora do jogo, cortejo até ao estádio e entrada no sector visitante. Super Dragões e Colectivo com as faixas bem erguidas e os habituais estandartes e bandeiras. Estávamos bem representados. Como é habitual nas deslocações na europa, o Colectivo contou com a presença da Fieri Fossatto, claque da Sampdória com quem tem uma enorme amizade.

Durante o jogo o apoio foi fortíssimo. Em vários momentos da partida só se ouviam os nossos adeptos naquele mítico estádio e perante milhares e milhares de romanos. Um orgulho enorme e o meu agradecimento a quem lá foi.

Com a nossa cavalgada no jogo e no marcador, o sector visitante explodiu de alegria, os cânticos aumentaram de tom e a festa foi total no final. Os jogadores e equipa técnica agradeceram e voltaram nessa mesma noite para o metro, dormindo em casa. Os que foram de avião, foram dormir para o chão do aeroporto, uma imagem já repetida mil vezes nas nossas deslocações.

E os heróis deste jogo, arrancaram no autocarro na viagem de regresso para o Porto. Mais umas dezenas de horas de viagem e chegaram à Invicta na quinta-feira de manhã!!!! Estes também deviam ter tido gente à espera a bater-lhes palmas pelo feito.

E por falar em aventuras europeias, o sorteio já saiu, Leicester, Brugge e Copenhaga, venham as próximas transfertas por favor.

Por cá, e não menos estrangeiro, invasão à mouraria no Domingo!

Um abraço ultra.

26 agosto, 2016

A TAL DA OMELETE.



A fome – conhecida como a sensação fisiológica pela qual o nosso corpo sente que necessita de alimento para manter as actividades inerentes à vida – assiste-nos, impele-nos… Pelo simples motivo de não comermos suficiente e decentemente há mais de 3 anos, todos esses milhares de dias e incontáveis horas em subnutrição, em miséria completa, suprema agonia.
O estômago está colado às costas e já não ronca, nem horas dá. Dói.

Presentemente, o único e ardente desejo, a avidez, consiste em satisfazer esse enorme buraco negro dentro da imensa galáxia de nós e a sofreguidão faz-nos inclinar a abocanhar desvairadamente tudo o que nos aparece pela frente, sem olharmos a meios e a necessidades específicas, quando tudo o que queremos e precisamos é mesmo de sustento, chichinha, nourishment.

Mas queremos também e a todo o custo evitar velhos erros de palmatória, de ingestão, de casting; consensualmente, desde que o nosso sofisticado e concorrido restaurante de várias estrelas Michelin deu mostras de poder fechar a qualquer momento por falta de resultados, de boa gestão, competente gerência e de um razoável, enquadrado, actualizado chef. Paramos, pois, para pensar.

Conhecendo a actual conjuntura da casa, aconselhados pelos contabilistas a respeitar religiosamente o estafermo do fair-play financeiro, há que aquilatar a dimensão da fome, avaliar o que temos no frigorífico. Na despensa depauperada. Ver se os produtos existentes ainda estão dentro do prazo de validade, ir buscar outros antes prescindíveis à prateleira e contar os tostões todos – sim, porque o gordinho do porquinho-mealheiro passou à história! – para sabermos se podemos ir ao supermercado comprar o que nos faz falta. Isso se ainda estiver aberto**. Só depois poderemos comer, matar a nossa fome, descolar e reconfortar o estômago e, pelo caminho, cimentar uma boa equipa, consolidar o novo e promissor chef, elaborar deliciosos pratos, melhorar os índices de gestão, atrair clientela e começar a facturar.

Optamos realisticamente por fazer uma simples omelete, que o orçamento não estica para algo mais gourmet ou apelativo aos sentidos. Temos em casa a mãe de todas as pimentas, a mais fina flor de sal, salsinha fresca e viçosa, o melhor peru… e vamos juntando tudo na taça, já a salivar, antecipando a alegria sensorial que nos espera.

Vamos ao frigorífico e… só temos um ovo. Bonitinho, redondinho, amarelinho, nutritivo, mas… um só. Pequenino. Ai, e a vontade de chorar. Espernear já em birra e impotência no chão. Vencida a desolação, o pessimismo quanto ao êxito do prato que temos em mente, banho de realidade tomado, há que arregaçar as mangas, avançar, fazer-nos ao caminho e usar os ingredientes que temos e podemos usar. Nem que inventemos, nem que inovemos, nem que se criem novas tendências, ou se enverede por outro caminho. Mais puro, mais vegan.

Misturar tudo na taça, com desvelo. Minuciosamente, laboriosa, dedicada e exaustivamente. Bater tudo até que os braços nos doam. Envolver. Pôr ao lume. Baixá-lo. Alteá-lo. Dobrar cuidadosamente. Aliando a fome com a vontade de comer, a fé enorme e a alma imensa, sabendo que a nossa será a mais apetitosa das omeletes.

NOTA: A omelete estava a ser preparada antes do jogo no Estádio Olímpico de Roma, frente ao adversário que conhecemos. Batêmo-la durante 90 e imensos minutos e, mesmo que sem ovos, ficou no ponto, com um maravilhoso cheirinho que nos fez salivar, inebriar, ao mesmo tempo que nos trouxe lágrimas de alegria e nostalgia aos olhos, pela saudade toda que tínhamos acumulada. Hoje, horas decorridas, temos já dinheiro para mais alguns ovos, caseiros e tudo e, se quisermos mesmo caprichar, para uma mão-cheia de cogumelos e um ou outro camarão. Parabéns ao Chef.


Monumento, estátua já a Szymon Marciniak, esse árbitro corajoso, comovente em toda a sua isenção, totalmente nos antípodas daquilo que é ser árbitro profissional ou meramente biscateiro neste país de brandos e centralizados costumes.


** As lojas de conveniência – que as há! -- são demasiado caras para a nossa bolsa.

Ingredientes para uma omelete deliciosa

· 4 ovos (pois…)
· 2 fatias de fiambre de peru
· 4 fatias de queijo flamengo
· sal e pimenta preta q.b.
· salsa fresca q.b.
· 1 fio de óleo

1. Bata os ovos e tempere-os de sal, pimenta e salsa finamente picada.
2. Aqueça óleo numa frigideira anti-aderente e, quando estiver quente, deite os ovos batidos. Baixe o lume e deixe cozinhar lentamente até a parte de cima da omelete se apresentar quase"cozida". Junte o queijo e depois o fiambre. Dobre a omelete cuidadosamente e deixe cozinhar mais uns minutos em lume muito brando, até o queijo derreter.

3. Retire a omelete da frigideira e sirva de imediato.

25 agosto, 2016

LIGA CAMPEÕES 2016/2017 - SORTEIO FASE GRUPOS.



LEICESTER, CLUB BRUGGE E COPENHAGA SÃO ADVERSÁRIOS NA CHAMPIONS

O sorteio da fase de grupos da edição 2016/17 ​da Liga dos Campeões, realizado esta quinta-feira, no Forum Grimaldi, no Mónaco, colocou no caminho do FC Porto os ingleses do Leicester, os belgas do Club Brugge e os dinamarqueses do Copenhaga. As quatro equipas integram o grupo G da mais prestigiada competição de clubes do mundo, na qual os Dragões são recordistas de presenças (21), ao lado de Barcelona e Real Madrid.

Fundado em 1884, o Leicester sagrou-se pela primeira vez campeão inglês em 2015/16, à custa de uma sensacional campanha de 38 jogos, 23 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas. Foi o primeiro grande troféu de um palmarés de um clube que faz a estreia absoluta na Champions, tendo já disputado oito jogos nas competições europeias (quatro na então Taça dos Vencedores das Taças e outros tantos na Taça UEFA). O experiente treinador italiano Claudio Ranieri conta com um plantel composto por jogadores de 15 nacionalidades diferentes, entre os quais se destacam o argelino Riyad Mahrez ou o nigeriano Ahmed Musa.

O Club Brugge foi fundado em 1891 e venceu a Liga belga pela 14.ª vez em 2015/16, contando ainda no currículo com 11 Taças e 11 Supertaças, a última das quais conquistada em julho passado frente ao Standard Liège. Tal como os dinamarqueses, regista duas presenças na fase de grupos, que disputou pela última vez em 2005/06. O antigo guarda-redes do Benfica, Michel Preud’homme, é o treinador de uma equipa que já disputou quatro jogos do campeonato (duas vitórias e duas derrotas) e que ocupa atualmente o 47.º lugar no ranking da UEFA.

O Copenhaga é o clube mais jovem do grupo, tendo sido fundado em 1992 e é o atual campeão dinamarquês e detentor da Taça. No palmarés conta com 11 campeonatos, sete Taças e uma Supertaça, e disputou por três vezes a fase de grupos da Liga dos Campeões, a última das quais em 2010/11, época em que atingiu pela única vez na história os oitavos de final da prova. É treinado pelo norueguês Stale Solbakken que orienta um plantel que conta nas suas fileiras com 19 atletas nascidos na Dinamarca.




Nuno: “Fosse qual fosse o grupo, seríamos candidatos aos oitavos”

O sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões colocou o FC Porto ao lado do Leicester (Inglaterra), do Copenhaga (Dinamarca) e do Club Brugge (Bélgica) no grupo G. Para Nuno Espírito Santo, o nome dos adversários não é relevante, porque os Dragões seriam sempre candidatos ao apuramento para a fase seguinte da prova.

"Fosse qual fosse o grupo, o FC Porto assumir-se-ia sempre como candidato aos oitavos de final. Sabemos que vamos defrontar três campeões dos respetivos países, mas os adversários seguramente que também estão cientes da nossa força e ambição”, observou o treinador dos azuis e brancos em declarações exclusivas ao www.fcporto.pt.

Nuno Espírito garante ainda que o FC Porto entrará na Champions “com ambição, contando com o compromisso e cooperação de todos”.

O CORAÇÃO RECOMEÇA A BATER.


Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Em dois dias, as gentes portistas passaram do estado depressivo ao estado eufórico. Depois do empate caseiro frente à AS Roma e gorada a transferência de Rafa em favor do maior rival, o universo portista caía em desânimo e a estrutura voltava a estar debaixo de fogo cerrado.

A expressiva vitória na Cidade Eterna, o empate dos lampiões, complicações na mudança de Rafa para Lisboa e a aterragem de Oliver no Porto, tiveram pois o condão de ressuscitar o portismo das trevas, culminando com uma recepção no aeroporto de grande nível aos heróis de Roma.

Mas calma. Muita calma. Nem antes éramos tão maus, nem agora somos tão bons. E, para nossa tristeza, grande parte dos problemas permanecem... e dentro de casa.

Por norma, as más notícias primeiro. Esta é a mesma estrutura que contratou Depóitre, o engenheiro civil que só se profissionalizou aos 24 anos e que não pôde contar com ele para uma eliminatória de acesso à Champions League. Nem com ele, nem com Aboubakar, nem com Gonçalo Paciência. O primeiro porque aguarda transferência; o segundo porque, pelos vistos, não conta para NES.

Esta é a mesma estrutura que dá instruções a NES para salvaguardar Brahimi de qualquer perigo ou lesão. E é a mesma estrutura (ou será NES?) que aposta cegamente em Alex Telles, deixando no banco um dos melhores jogadores portistas: Miguel Layun. É a mesma administração que mantém Ricardo Pereira em França, sendo ele já nos dias que correm provavelmente um dos laterais-direito de topo portugueses. E, por fim (tínhamos que chegar aqui), são os mesmos dirigentes que continuam a não conseguir um único negócio de jeito – nem que seja para amostra – com o Braga de António Salvador.

Não nos iludamos. O FC Porto teve mérito em chegar onde chegou, mas ninguém poderá esconder que teve sorte no conjunto da eliminatória, nomeadamente a partir daquele que foi para mim o momento decisivo: a expulsão de Vermaelen. Foi ela que roubou o enorme fulgor das tropas romanas que se apresentaram na Invicta. Em Roma, a história já foi diferente: o FC Porto já ganhava, parecia deter o controlo das operações e, mesmo 11 contra 11, dava sempre a sensação de uma Roma desinspirada diante de um FC Porto de indelével pedigree europeu. Mas, claro está, a cavalo dado não se olha o dente e que jeito deram as expulsões de De Rossi e Emerson!

Mas despejando para o papel as más notícias, é tempo de nos permitirmos alguma alegria e esperança. Ainda é muito cedo para tecer juízos de valor de qualquer espécie – e o BiBó PoRtO lembra-se certamente muito bem da euforia em redor de Paulo Fonseca até à 10ª Jornada – mas NES merece o nosso aval e o nosso aplauso até esta data. Com um plantel claramente limitado e a ter que trabalhar com atletas em claro fim de linha azul e branca e sem fácil colocação no mercado como Indi, Varela, Adrián ou Evandro, é possível apreciar uma dinâmica e uma máquina em construção. Faltam ainda muitas coisas (a quebra psicológica após as expulsões dos jogadores da Roma é disso exemplo), mas há notas muito positivas a registar.


Salta à vista que a dupla de centrais está estável e tranquila. Marcano, a meu ver, continua a não ter estaleca para titular de uma equipa com os pergaminhos do FC Porto, mas é em Felipe que começo a depositar esperanças numa liderança defensiva. O facto de ter recuperado de dois auto-golos a abrir a sua estreia europeia sinalizam que está ali um homem com quem se pode contar para o futuro. E, claro, um central a marcar golo e a festejar de cambalhota traz-nos boas memórias (saudades tuas, Couto!). Imperial como César no jogo aéreo, duro no desarme, atento durante os 90 minutos e a chutar para fora quando tem de ser: se for sempre assim, que fique muitos e bons anos!

Alex Telles mostra desenvoltura e alma a subir no terreno, embora seja claro que é pior a defender que Layun. A lesão de Maxi vai garantir minutos de adaptação preciosos a Alex, mas num cenário normal parece ser o terceiro lateral do plantel, pese embora os sinais dados por NES neste início de ano. E verdade seja dita, Layun é titular do FC Porto no lugar que quiser, seja a lateral esquerdo, direito, seja a extremo, seja no meio-campo. Não desaproveitemos um jogador assim!

O meio-campo tem mostrado capacidade de choque e de saída rápida para o ataque. Danilo começa a subir uns furos nas suas prestações, mas é Herrera quem mais me tem agradado, ao diminuir drasticamente o número de passes que costumava falhar e a assumir-se de vez como o box-to-box que é, um fundista que defende e ataca com a mesma intensidade e força, uma espécie de cavalo de guerra para toda e qualquer batalha. Quem sai beneficiado com isso é o menino Otávio que, claro, tem ainda tudo a provar. Quem não se lembra dos primeiros jogos de Quintero? Chegar ao FC Porto e brilhar nos primeiros jogos é relativamente fácil. Pena, por exemplo, aguentou esse estado de graça durante quase uma época inteira. Otávio tem qualidades infinitas, parece não ser apenas mais um médio criativo de grande talento, aparenta ter genica, garra e ambição, mas tem que o provar numa equipa da dimensão do FC Porto, passado que está o seu período de trainee em Guimarães. André Silva e Otávio têm criado uma dupla interessante de se ver e oxalá assim continuem. Também Corona está apostado em fazer desta época o seu ano de afirmação. E que influente se torna o mexicano quando joga o que pode e sabe, com a bola colada ao pé, diagonais com e sem bola, repentismo, alegria e agitação ao jogo.

Há por isso muitas e boas notícias para alegrar o universo azul e branco. Mas não é tempo de embandeirar em arco e estranhei, por isso, o Presidente falar tantos minutos no final do jogo, nomeadamente referindo-se a MST. Nós precisamos do Presidente de antigamente, aquele que aparecia nos maus momentos e que se resguardava humildemente nos instantes de glória. E precisamos, mais que nunca, do Presidente que levanta a voz contra o verdadeiro inimigo, não contra os dizeres de um jornalista que, no passado, foi das poucas vozes que defendeu publicamente o FC Porto no processo Apito Dourado. Acredite, Presidente, vá por mim: todos os nossos problemas fossem o MST!

Tentemos, pois, ver todos estes acontecimentos recentes com algum distanciamento. Oliver vem trazer maior qualidade? Claro que sim, mas não esqueçamos que é um jovem que não conseguiu vingar no Atlético Madrid de Simeone. Um central de créditos firmados cairia como ouro sobre azul no plantel actual, assim como um extremo veloz e talentoso (Diogo Jota?). No entanto, esperemos que a SAD portista não se deslumbre com o brilho dos milhões uefeiros e comece a gastar o que tem e o que não tem. Lembrem-se que há talento dentro de portas que está desperdiçado e que, em último caso, pode dar muito jeito. Falo de Brahimi, Hernâni, G. Paciência, Ricardo Pereira, Aboubakar, assim como muita rapaziada da Equipa B.

Para terminar, duas notas finais:
  1. 1. Espero que não haja orgulhos feridos que nos façam voltar a Rafa. Pelo meu lado, nem dado. E, atendendo à peixeirada que se lê por aí, é caso para dizer que está bem nos dois lados: quer onde está, quer para onde vai.

  2. 2. Não se trata propriamente de uma crónica de regresso, pois de verdade nunca estive fora nem longe do BiBÓ PoRtO. Como sempre, o que podem esperar de mim em particular e do BiBó PoRtO em geral? Um portista que apoia o FC Porto seja onde for, atento e activo no que ao seu clube diz respeito, com total liberdade pessoal para escrever seja em que sentido for, para o bem e para o mal. Um princípio acima de todos a servir de Norte: a defesa intransigente dos interesses do FC Porto.
Imensamente feliz por estar de volta.

O coração recomeça a bater.

PORTO!

Rodrigo de Almada Martins

23 agosto, 2016

O REGRESSO DO DRAGÃO.


ROMA-FC PORTO, 0-3

O Dragão, afinal, está vivo e bem vivo. Nuno Espírito Santo insistiu bastante nesta expressão após a 1ª mão e na antevisão da 2ª e tinha motivos para dizer o que disse. O Dragão está vivo, parece querer regressar ao que nos habituou e mostra claros sinais de querer voltar à ribalta europeia.

No jogo mais importante da época até ao momento, o FC Porto não comprometeu como há uma semana atrás e carimbou o passaporte para a fase de grupos da Champions League pela 21ª vez em 25 edições. Os Dragões são recordistas de participações na prova a par dos dois colossos espanhóis Real Madrid e Barcelona e com mais uma participação do que o gigante inglês Manchester United.

Aliás, os Dragões das 4 vezes em que não participaram na prova, numa delas não teve acesso na única vez em que perdeu uma pré-eliminatória e em outras duas ocasiões em que não participou, acabou por vencer a Taça UEFA/Liga Europa.


Nuno Espírito Santo preparou uma equipa para defrontar a Roma sem fugir à sua identidade e aos seus processos e modelo de jogo. Muitas vezes altera-se e depois não resulta porque ao alterar passa-se uma mensagem de receio, falta de confiança e isso reflecte-se nos jogadores.

Nuno Espírito Santo apresentou o seu onze habitual e manteve o 4x3x3, ao contrário do apresentado no Dragão há uma semana. Passou o teste com distinção, montou bem a estratégia e anulou com eficácia os pontos fortes do adversário. E com isto, venceu o jogo e a eliminatória, fazendo entrar 14 milhões de euros nos cofres vazios do Dragão, carimbando o passaporte para a fase de grupos.

No estádio Olímpico de Roma, o Dragão foi soberbo. O jogo começou com o FC Porto muito personalizado e pressionante desde a saída de bola do adversário, não permitindo que a Roma saísse a jogar. Muita gente, eu incluído, não esperava que o FC Porto tivesse esta atitude desde o apito inicial mas o que a Roma fez no Dragão, respondeu o FC Porto no Olímpico.

No entanto, aos 2 minutos os romanos deixaram um aviso aos portistas com um grande remate de Nainggolan a que Casillas correspondeu com uma grande defesa para canto. A Roma pretendia encostar o FC Porto atrás mas os Dragões não permitiram e logo a seguir aos 8 minutos, a equipa portuguesa chegou ao golo.

Felipe foi à área contrária e de cabeça bateu o guarda-redes da Roma após cobrança de um livre de Otávio, Estava desfeita a desvantagem. Ou melhor, o FC Porto passou para a frente da eliminatória. Este golo revelou ser muito importante, na medida em que deu um novo élan aos Dragões e deixou a Roma sob brasas.


Os romanos reagiram e tentaram chegar com perigo à baliza mas Nainggolan era o único jogador perigoso. Quer a construir jogo, quer em remates perigosos, o jogador da Roma criava frisson de meia distância mas os azuis e brancos mantiveram a pressão e a estratégia até perto da meia hora de jogo.

Defensivamente o FC Porto esteve imperial. Felipe, que tenho vindo a insistir tratar-se de um jogador com um potencial enorme, foi um gigante, limpando tudo na área e Marcano não é o mesmo jogador da época passada. Não cometeu um erro e não fez uma única falta de registo.
Aos 37 minutos, Casillas esteve num momento que poderá ter sido decisivo para o desenrolar do jogo. Naingoolan abriu para Dzeko na área portista e este assistiu Sallah que, de primeira, rematou para defesa do guardião portista. Um golo que parecia certo.

Alguns minutos depois, acontece o que viria a ser quase decisivo para o desfecho do jogo e da eliminatória. Rossi, provavelmente com assuntos mal resolvidos no jogo da 1ª mão, perdeu a cabeça e teve uma entrada animalesca sobre Maxi e foi prontamente expulso pelo árbitro. O uruguaio sairia uns minutos depois em maca, muito mal tratado e não voltaria ao jogo. Para o seu lugar entrou Layún.

Com mais um elemento em campo, o FC Porto não se sentiu mais confortável. Pelo contrário, a Roma apertou mais e lançou-se no ataque por não ter nada a perder. Os portistas só tinham que defender bem, manter as suas linhas equilibradas e continuar a fazer o seu jogo, tentando o contra-ataque para resolver a eliminatória.

Com o intervalo a soar, o árbitro dá, escandalosamente, seis minutos de descontos. Ninguém percebeu e ninguém consegue aceitar os seis minutos porque não houve paragem tão prolongada que justificasse tanto tempo de compensação. No entanto, ao cair do pano da 1ª parte, Herrera teve nos pés a sentença da eliminatória mas o remate passou a rasar o poste da baliza romana.


A etapa complementar começou praticamente como acabou a etapa inicial. Os Dragões continuavam a jogar o seu futebol, com saídas rápidas para o ataque e, numa das investidas, nova entrada ordinária de um jogador romano (Emerson) às pernas de Corona. Ao contrário de Maxi, Corona continuou, por sorte, em campo mas Emerson foi expulso como o seu colega Rossi.

O FC Porto passava a jogar com mais dois elementos. Sentia-se que o apuramento estava cada vez mais próximo mas a vantagem mínima no resultado e com 40 minutos para jogar as coisas ainda não estavam decididas.

O FC Porto, estranhamente, perdeu algum controlo de jogo e permitiu que a Roma subisse no terreno. Com tanto espaço nas costas da Roma, o FC Porto mantinha as cautelas defensivas e num lance de ataque romano, Layún evitou o empate, desviando a bola para canto.

Até que aos 73 minutos, Herrera recuperou uma bola no seu meio-campo e lançou Layún em profundidade. O lateral mexicano, com uma auto-estrada pela frente, contornou Szczesny e rematou para as malhas. Respirou-se de alívio em Roma e os portistas puderam descansar finalmente. No entanto, o 3-0 chegaria logo a seguir aos 75 minutos, num lance individual de Corona que, partindo os rins ao defesa Manolas, bateu Szczesny pela terceira vez e carimbou a goleada no mítico Olímpico.

Até ao fim do jogo, o FC Porto voltou a controlar completamente o jogo, geriu a bola como quis e aproveitou para descansar com vista ao jogo do próximo Domingo frente ao Sporting em Alvalade.

Numa noite importante e memorável, o FC Porto deu um passo importante para a época que ainda há pouco começou. Com um plantel escasso, curto e com algumas lacunas evidentes, esperam todos os sócios que o FC Porto consiga agora colmatar essas brechas, de forma a encarar a época com tranquilidade, segurança e garantias.


Os 14 milhões de euros arrecadados com a qualificação e mais a perspectiva de vencer mais alguns milhões na fase de grupos permitirão, com certeza, aplicar bem esse dinheiro como deve ser em reforços que venham acrescentar mais-valias para a equipa de Nuno Espírito Santo.

Notas finais para as belas actuações dos dois defesas centrais a que já fiz referência, a excelente entrada de Miguel Layún (não se percebe porque não é titular), a boa dinâmica do meio-campo e o trabalho do trio atacante em prol do grupo.

Pelo lado menos positivo, registo a insistência na utilização de Sérgio Oliveira que não acrescenta nada à equipa e a opção de deixar de fora dos 18 escolhidos, um jogador como João Carlos Teixeira que com a chegada de Óliver Torres terá menos espaço e será provavelmente cedido por empréstimo. Apenas um palpite!

Pelo lado negro da noite, realço as entradas maldosas e inqualificáveis dos jogadores romanos que mostraram à Europa não merecer entrar na Champions League. “Respect” e “Fair Play” não fazem parte dos seus vocabulários.

Tempo ainda para registar o esgotamento dos stocks de rennie e kompensan nas farmácias. Eu sei que custa aceitar a qualificação do FC Porto mas ver os comentadores mais preocupados em tentar perceber o porquê das entradas maldosas dos jogadores italianos do que o estado de saúde do Maxi, é de pedir que continuem com as suas dores de cotovelo.

Sobre a imbecilidade do desejo e do prognóstico de um certo imbecil, não comento. Seria gastar teclas com lixo.

Vamos para Alvalade! 3 pontos é a palavra de ordem. Mas sem euforias.



DECLARAÇÕES


Nuno: “É este o Porto que nós queremos”

Depois da vitória no terreno da AS Roma (3-0)​ e consequente apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, Nuno Espírito Santo não teve dúvidas em dirigir as primeiras palavras elogiosas aos seus jogadores. Com uma exibição segura, os Dragões colocaram-se em vantagem na eliminatória logo nos primeiros minutos de um jogo que controlaram por completo e que, segundo o técnico portista, evidenciou uma enorme personalidade dos seus jogadores, que souberam impor a sua ideia de jogo num campo tradicionalmente muito difícil.

Triunfo da personalidade e da solidez
“Essencialmente vencemos pelo trabalho. Devo dar publicamente os meus parabéns aos meus jogadores. Fizerem um excelente trabalho frente a um adversário com muita qualidade. O equilíbrio foi determinante, depois foi acreditar numa filosofia, ser solidários e capazes de interpretar todos os momentos do jogo. Ter uma ideia clara, acreditar nela e pô-la em prática. Os jogadores é que fazem o jogo mais fácil ou difícil. Muitas vezes precisamos de estar juntos, unidos e saber defender, o que é muito importante, e saber sair a jogar com critério. Creio que nos primeiros 20 minutos isso aconteceu de uma forma muito boa. Valorizo muito a nossa entrada em campo. Soubemos retirar os pontos fortes de uma grande equipa, um grande clube como é a Roma. Fomos descomplexados. Jogámos um futebol muito positivo e em nenhum momento permitimos situações claros de golo.”

Objetivo “Champions” atingido
“Conseguimos um objetivo. Superar em agosto uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões é muito, muito complicado e nós conseguimos. Queremos continuar a crescer e continuar a trabalhar, porque este é o Porto que nós queremos. O FC Porto está onde merece estar, na Liga dos Campeões, entre os melhores da Europa. Não há euforias, há objetivos conseguidos e o nosso desejo é que noites como esta se repitam”.

Os três pilares do sucesso
“Tudo se constrói na base de três pilares fundamentais. Compromisso, cooperação e comunicação. E tudo isto hoje foi bem evidente em todos os momentos da equipa.”

Apoio do público foi determinante
“Na primeira mão o [Estádio do] Dragão conseguiu criar um espirito e um ambiente capaz de nos apoiar e empurrar contra as adversidades. E hoje, os que estiveram aqui e que se fizeram ouvir num estádio mítico e tão importante como é o Olímpico de Roma foram também fundamentais.”



RESUMO DO JOGO

"BATEMOS NO FUNDO"… COMO SAIR DO FUNDO?!



Em primeiro lugar, não posso deixar de saudar o regresso do blog, que a par de outros na blogosfera Portista, a título gratuito muitas vezes faz autêntico serviço público Portista, não esperando recompensa nenhuma que não seja apenas o sucesso do nosso FC Porto. Num mundo cada vez mais materialista e interesseiro, a existência e manutenção de espaços de debate sem nenhum tipo de agenda ou interesse subjacente, mas apenas e só com o objetivo de debater e refletir construtivamente sobre uma causa comum, neste caso o amor ao FC Porto, é sempre algo de salutar.

Pela minha parte, estou, tal como estive desde o primeiro momento em que me tornei colaborador deste blog (já lá vão uns anitos!), completamente de corpo e alma com este projeto, exatamente com a mesma atitude de sempre e que volto a reforçar: criticar negativa ou positivamente conforme a realidade assim o exija. Manter atitudes preconceituosas, criticar apenas por embirração ou elogiar apenas por seguidismo cego e irracional são tudo situações nas quais não entrarei. Ao longo dos anos bati-me sempre por uma reflexão conjunta, séria e construtiva sobre o FC Porto. E continuarei a fazê-lo, não tenham qualquer tipo de dúvida!

O tema do meu post de regresso prende-se com o diagnóstico da atual situação do clube, em todas as suas vertentes, treinador, plantel, SAD e atuação no mercado de transferências, sendo interessante aferir o que foi feito (ou não!) desde há 4 meses atrás, altura em que Pinto da Costa admitiu alto e bom som: “Batemos no fundo! Não podemos repetir os mesmos erros!”. Analisando por partes, direi que:

  • GUARDA-REDES - A principal alteração neste sector foi a saída de Helton e subida ao plantel principal de José Sá. Sobre Casillas, devo dizer o seguinte: há muitos anos (nem se sonhava que algum dia pudesse ser guarda-redes do FC Porto) que aprecio e considero as qualidades do espanhol como top mundial. Concordei e fiquei muito entusiasmado com a sua contratação. Mas, sinceramente, a verdade é que a 1º época de Casillas foi fraca (excetuando jogo no galinheiro), esperando assim que na época que agora começa o espanhol comprove tudo aquilo pelo qual os Portistas tão entusiasmados ficaram com a sua contratação. Tem de melhorar e muito, ser um guarda-redes que dê pontos e não intranquilidade ao sector defensivo, como por exemplo, a fífia dada com a Roma no Dragão.

  • DEFESA - Desde o início da pré-época que se percebeu claramente que os dispensados seriam Ángel, Lichnovsky, Martins Indi e Reyes. Os dois primeiros saíram por empréstimo para Espanha e irão ter o mesmo destino que tantos outros, empréstimos sucessivos até saírem a custo zero no final do contrato, a menos que o FC Porto consiga “enganar” alguém. Tanto se fala na gestão desastrosa dos últimos 3 anos, mas por vezes falta especificar do que se fala, e estes são dois belíssimos exemplos do desastre que tem sido a política de contratações nos últimos tempos - jogadores sem qualidade sequer para jogar no FC Porto B. Quanto aos outros dois, Indi e Reyes, nenhum desses casos ainda ficou resolvido. A situação ideal seria a sua colocação a título definitivo por alguns milhões de euros, mas, infelizmente, tenho um feeling que acabarão em empréstimos com opção de compra, o que para além da poupança de salários, pouco benefício económico imediato trará ao clube. A contratação de mais um central é uma necessidade não de hoje, mas sim de há 7 meses atrás, período ao longo do qual até uma criança de 5 anos já percebeu que o FC Porto necessitaria de contratar não um, mas dois centrais. A 10 dias do fecho do mercado, continuo a esperar sentado...

  • MEIO-CAMPO - Olhando para os atuais elementos do meio-campo do FC Porto, é evidente a falta de um elemento criativo. É outra das lacunas do plantel que ainda não está resolvida. Continuo sem perceber porque razão o FC Porto rejeitou propostas por Herrera à volta dos 20 M€. Julgo que o mexicano já mais do que confirmou que é um jogador irregular, capaz do melhor e do pior. Bem sei que o FC Porto detém 80% do passe do mexicano, mas caramba, vender Herrera por 20M€ já daria um encaixe de 16M€ que, se calhar, ajudaria no regresso de Óliver por exemplo.

  • ATAQUE - Neste preciso momento, temos 9 homens para a frente de ataque, sendo que 2 estão na porta da saída (Brahimi e Aboubakar) e outro parece pouco contar para NES (Bueno). Uma vez que já foi contratado Depoitre como alternativa a André Silva, sobram Varela, Adrian Lopez, Corona e Otávio. Parece-me mais ou menos claro que o reforço deste sector, sobretudo nas alas, depende em grande medida do encaixe que se conseguir fazer com vendas.
Em conclusão, parece-me óbvio que existem carências no plantel em vários sectores - um defesa-central com qualidade e de preferência já com algumas provas dadas, um médio criativo (algo que já nos falta há pelo menos 3 anos) e um avançado/extremo. Se é verdade que a atuação da SAD está sempre fortemente dependente de encaixes significativos com vendas para depois poder atacar o mercado, a grande questão é que todos os ativos potencialmente vendáveis (Indi, Brahimi e Aboubakar, por exemplo) continuam com a sua situação indefinida a poucos dias do fecho do mercado. Não tenho qualquer curso de gestão desportiva, mas parece-me evidente que a atuação da SAD neste defeso tem sido manifestamente insuficiente para o reforço adequado do plantel. Não pretendo ser pessimista, muito menos dizer mal apenas por dizer, mas reforço o seguinte: grande parte dos dossiers identificados desde a altura em que se "bateu no fundo" não foram resolvidos, quer ao nível dos jogadores que não contam para NES - alguns deles já dispensados desde julho, quer ao nível de entradas prioritárias para alguns setores.

Independentemente de concordarmos ou não com a escolha, de gostarmos mais ou menos do sistema tático, do posicionamento de alguns jogadores ou das escolhas para determinado modelo de jogo, há algo que considero terrível fazer nesta altura: depositar no treinador todas as culpas de um possível insucesso nos primeiros meses de competição. NES é quem terá menos responsabilidades caso as coisas correm mal por exemplo em Roma e Alvalade. Não existem milagres em futebol. Existe sim, trabalho, planeamento, organização e competência.

O teor do meu post não pretende desmotivar ou ser demasiado pessimista nesta altura, pretende apenas alertar para situações que idealmente já deveriam ter sido corrigidas. Ainda assim, quero acreditar que nos próximos 10 dias se vão resolver a maior parte dos problemas e lacunas atualmente existentes da forma mais eficaz possível.

Mas, atenção, com tudo o que escrevi acima, não quero dizer que temos o pior plantel do mundo e não temos hipóteses de lutar por qualquer objetivo esta época, longe disso. O plantel à data de hojebem orientado e potenciado - trabalho que cabe ao treinador, permitir-nos-á lutar pelos objetivos internos, mas obrigará a uma evidente revisão (em baixa) de objetivos externos. O plantel atual, com o correspondente reforço, tornará o cenário mais desanuviado e dará inevitavelmente mais "ovos" para o treinador fazer uma "omelete" de qualidade, interna e externamente.

22 agosto, 2016

EM ROMA, SÊ DRAGÃO.


Estamos a poucas horas de uma deslocação à cidade eterna: Roma! Para os ultras em geral, Itália é a “mãe” das claques organizadas e, se uma deslocação a Itália já é histórica, ao Olímpico de Roma apoiar o clube do coração é algo que certamente não será esquecido. À hora que escrevo esta primeira crónica da temporada, cerca de 50 ultras (30 Colectivo e mais 20 SD) arrancam para Roma de autocarro. Com chegada prevista para terça-feira de manhã e à Invicta na quinta-feira(!!), juntam-se a mais 40 que viajam do Porto no dia do jogo e a mais emigrantes do centro da Europa.

Juntos estarão no sector visitante do estádio que visitámos pela última vez em 2003, nas meias-finais da taça UEFA, na segunda-mão frente à Lazio. Um jogo que ficou celebre para os ultras Porto que lá se deslocaram, com a famosa frase de boas-vindas por parte da claque da Lazio. Tudo isto aumenta ainda mais a vontade de estar presente. Por motivos profissionais não poderei comparecer, mas desejo boa viagem e que consigam fazer-se ouvir e honrar as nossas cores!


A época ainda agora começou, mas os jogos ao vivo e as aventuras já são muitas. No mês de Julho, como habitualmente, decorreu a pré-época. Com a equipa a estagiar na Holanda e na Alemanha, os emigrantes portugueses daquela zona da Europa aproveitaram para apoiarem a sua equipa! Do Porto, dois ultras viajaram para a Holanda para se juntaram aos núcleos dos Super Dragões e do Colectivo lá residentes e apoiar o FC Porto no torneio FOX Sports, em Arnhem, casa do Vitesse.

Tanto no primeiro como no segundo jogo, os adeptos portistas abafaram por completo o estádio, onde mais parecia estarmos a jogar no Dragão e tratar-se de um jogo oficial. Desde fotos a filmagem com os elementos das nossas claques, foram dias muito bem passados na Holanda, mais concretamente em Eindhoven, Amesterdão e Arnhem.


Ainda na pré-época jogámos em Guimarães. Mais uma vez, uma verdadeira invasão, como se tratasse de um jogo do campeonato. Topo Norte completamente cheio de ultras/adeptos do FC Porto. Vitória no torneio cidade de Guimarães, dos jogadores e dos seus seguidores.

Uma semana depois, já em Agosto, casa cheia na recepção ao Villarreal e respectiva apresentação da nossa equipa. A equipa está cada mais mais afinada e nós também.

Início do campeonato é com o FC Porto a jogar a uma sexta-feira. Saída do trabalho directo para Vila do Conde. Uma mudança radical no espaço de três meses. Em Maio, nas últimas jornadas do último campeonato e já sem nada para ganhar, a não ser três pontos, passei no estádio dos Arcos um dos jogos mais incríveis que me lembro. Uma chuva torrencial e um frio de rachar durante 90 minutos, ao ponto de muita gente ter de se refugiar na zona dos bares, sem conseguir ver o jogo. Uma das deslocações mais fracas na altura, não estávamos mais de 200.


No último dia 12/8 éramos milhares, lotamos a bancada de uma ponta à outra e debaixo de um sol abrasador apoiámos a equipa! Na primeira e na segunda jornada, forte apoio vindo das bancadas e 6 pontos conquistados. Melhor era impossível.

Pelo meio, recebemos a AS Roma e empatámos 1-1. Na está hipotecado, embora a passagem seja difícil. Vamos com tudo ao Olímpico, queremos o FC Porto na Liga dos Campeões. Para terminar, uma nota negativa à deslocação dos romanos, poucos e nada ruidosos, esperava bem mais, sinceramente.

Um abraço ultra.

20 agosto, 2016

ASSIM TAMBÉM SE VENCEM CAMPEONATOS.


FC PORTO-ESTORIL, 1-0

Mês de Agosto intenso e de grande exigência para uma equipa do FC Porto em construção mas já muito solidária, unida e crente nas suas capacidades. Perante um calendário tão apertado e perante uma fase crucial que poderá definir muito do futuro do clube para a presente época, Nuno Espírito Santo tenta gerir o plantel como pode, sabendo de antemão que tem limitações e falta de recursos que é bem visível.


Faltam peças no puzzle para dar um toque de qualidade significativa que dê garantias nas diferentes provas que o Dragão vai enfrentar. Acredita-se que essas peças irão chegar para bem da nação portista mas neste momento o mais importante é conseguir os objectivos imediatos: vencer para manter a equipa na linha da frente.

E foi o que aconteceu esta noite no Estádio do Dragão. Num jogo frente a uma equipa que veio claramente para defender, os Dragões acreditaram até ao fim que poderiam vencer um adversário que instalou um autocarro de 2 andares em frente à baliza.

A vitória é extremamente escassa para a quantidade e qualidade de jogo produzido mas o desacerto com a baliza e o facto de se estar a jogar contra um adversário que abdicou de 70 metros de relvado, dificultou e de que maneira a vitória azul e branca.

O FC Porto tinha jogado 72 horas antes para o playoff da Champions League e voltará a fazê-lo a menos de 72 horas depois do jogo desta noite. Não é fácil fazer a gestão com este plantel actual e para dificultar mais a tarefa, ter de defrontar um dos principais clubes italianos no espaço de 7 dias.

Nuno Espírito Santo tem, forçosamente, de rodar as peças da equipa e, apesar de tudo, a equipa apresentou-se aos sócios frente ao Estoril com uma dinâmica muito boa, com alguns destaques importantes. Layún é, ofensivamente, um perigo com a colocação de bolas na área contrária; Corona não parece o mesmo jogador. Muito mais solto, o mexicano está a atravessar um bom momento de forma; André Silva continua a encantar a plateia azul e branca.


A opção menos feliz foi por Varela que continua desenquadrado com a equipa, erra muitos passes e não veio acrescentar nada ao jogo, sendo substituído ao intervalo por Adrián Lopez que também pouco ou nada produziu em campo.

Desde o primeiro minuto, o FC Porto colocou o acelerador no fundo. A praticar um futebol de grande qualidade, com trocas de bola rápidas e um grande sentido colectivo, acompanhado pelo apoio das bancadas, o Estoril sentia-se asfixiado dentro dos seus primeiros 30 metros.

Moreira, o Guarda-redes contrário, negou golos certos a André Silva, Corona, Otávio e Layún, para além de ter visto um companheiro de equipa enviar, com estrondo, uma bola à trave. O intervalo chegava com um nulo mas os portistas não mostraram qualquer inquietação. As únicas coisas que preocupavam eram a frescura física e psicológica e o receio do golo não aparecer cedo.

Na segunda parte, o FC Porto continuou a assaltar a baliza contrária mas o golo não aparecia. O que tinha tudo para ser uma noite recheada de golos, tornava-se num desespero ver a avalanche de jogo de uma equipa esbarrar constantemente num muro sem efeitos práticos.

O desgaste foi-se apoderando da equipa mas os jogadores nunca desistiram. Sem perder o norte e sem abdicar dos seus princípios de jogo, o FC Porto continuava incessantemente à procura do golo que lhe desse os 3 pontos.


As oportunidades de golo surgiam em catadupa por André Silva, Corona e Sérgio Oliveira, regressado dos Jogos Olímpicos. Até que a seis minutos do fim do jogo, numa das muitas investidas do FC Porto, Layún cruzou da esquerda de forma tensa e André Silva cabeceou na área, com um toque subtil, a desviar a bola, batendo Moreira. Um golo de belo efeito que tinha sido ensaiado minutos antes com Sérgio Oliveira como protagonista.

André Silva, o homem do momento! Não fez um jogo muito conseguido, tendo perdido alguns lances mas resolveu o jogo no momento certo quando tudo parecia complicar-se. O jovem avançado fez mais uma vez jus à sua qualidade de craque, no dia em que renovou contrato com o clube até 2021, com uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros.

O Estoril foi apenas o primeiro de vários adversários que vão passar no Dragão para jogar apenas nos primeiros 30 metros do relvado. Ao FC Porto cabe trabalhar para desmontar estes esquemas ultra-defensivos que não promovem em nada o futebol. Mas é assim o futebol que temos. No fim, a equipa da linha só teve o castigo que mereceu.

Próxima paragem: Roma, Terça-feira, 19:45 no Olímpico de Roma. Tudo é possível. Estão 14 milhões de euros e a entrada na fase de grupos da Champions League em jogo. Só um grande FC Porto poderá vencer esta eliminatória.

Boa sorte, Dragão!




DECLARAÇÕES

Nuno Espírito Santo: “Foi uma vitória boa e merecida”

Nuno Espírito Santo não poupou nos elogios à equipa no fim do jogo em que o FC Porto recebeu e derrotou o Estoril (1-0)​ na segunda jornada da Liga NOS. O treinador realçou a atitude “inexcedível” da equipa na procura do golo, que acabou por surgir apenas aos 84 minutos e com a ajuda do apoio do Estádio do Dragão, sublinhou. Foi “uma vitória justa e merecida” e que podia ter tido outros números, caso as muitas oportunidades criadas tivessem sido concretizadas, acrescentou ainda Nuno na conferência de imprensa após a partida deste sábado.

Em busca do golo do primeiro ao último minuto
“A equipa fez tudo o que estava ao alcance, foi inexcedível. Procurou intensamente o golo do primeiro ao último minuto, teve imensas ocasiões, pressionou, esteve alta, sempre à procura do golo. Fiquei muito satisfeito com a atitude dos jogadores e com o apoio do Estádio do Dragão, que mais uma vez respondeu à altura. A verdade é que estava difícil, mas o golo acabou chegar e dar uma vitória boa e merecida. Uma equipa para conseguir êxitos passa sobretudo pela sua fortaleza em casa e nós temos de ser muito fortes no Dragão.”

Vitória escassa
“A motivação está sempre presente no jogador do FC Porto, e ele sabe que é esse o espírito, o de nunca dar uma bola por perdida. Vencemos com lógica, mas era merecido que tivesse sido por outros números.”


A força é o coletivo
“O onze foi escolhido na perspetiva de procurar consolidar a equipa. Mantivemos o equilíbrio defensivo, o Estoril apenas chegou à nossa área, raramente rematou, porque nós recuperávamos a bola rapidamente. Houve um momento de jogo que isso se foi perdendo na segunda parte e a entrada dos dois médios, do Sérgio e do André André, foi no sentido de contrariar essa tendência. O André Silva é mais um, é jovem, está em crescimento e é importante para nós, assim como todos os outros. A força do FC Porto é a sua equipa.”

A eficácia e os remates
“Chegar ao golo é a tarefa mais difícil do futebol. Creio que sendo ela tão difícil tem que ser trabalhada e a equipa trabalhou, jogou por dentro por fora, rematou, fez 25 remates à baliza. Chegámos ao golo com toda a justiça, porque tivemos imensas oportunidades. A equipa continua no seu crescimento sustentado. A falta de eficácia é um motivo de análise, não de preocupação. Estaria preocupado, sim, se não tivéssemos produzido tanto. Mas exijo e desejo mais eficácia.”

A Champions na mira
“Continuo a dizer que o campeonato é a melhor maneira de preparar o play-off da Champions era conseguir uma vitória no campeonato. Agora sim, temos a segunda mão, é momento de recuperar jogadores, que nesta semana foram sujeitos a um esforço tremendo e estarmos preparados para o jogo, porque estamos vivos.”



RESUMO DO JOGO