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23 maio, 2019

LEVANTEM A CABEÇA E DEVOLVAM-NOS O PORTO!


Uma Supertaça. Duas Finais de Taça, possibilidade de ainda vencer uma. Quartos de Final da Champions. Encaixe financeiro recorde na Champions. Espetacular! Segundo lugar no campeonato, desilusão, dureza. 85 pontos no campeonato, bem bom, já deu muitas vezes para ser campeão. Perda de vantagem de 7 pontos para o rival, péssimo. Perda dessa vantagem no Dragão em confronto direto, trágico. Pá, chover no molhado não. Vamos lá a algumas notas do que se passou, antevendo já o futuro. Sim, porque o foco deste clube tem sempre de ser… a próxima vitória!

Sobre “Os Padres”
Primeiro fomos no engodo daquela história da treta de que levávamos 10 pontos de avanço graças a erros de arbitragem. O campeonato entrou entretanto na fase das decisões, o nosso adversário tinha 4 saídas – Moreirense, Feirense, Braga e Rio Ave. Vejamos o que aconteceu: golo mal anulado ao Moreirense (aquele onde até chegaram a inventar a rábula de que a bola não entrou) e um golo mal validado ao Benfica, por fora de jogo. Tudo quando estava 0-0. Na Feira, temos aquele golo altamente duvidoso anulado ao Feirense, que seria o tal 2-0. Depois, aquele penalty digno dos melhores números do Circo Cardinali. De 2-0, o jogo passa para 1-1. Em Braga, seria diferente? Bem, já nem vou falar dos lances polémicos de Ruben Dias ou Odysseas. Mas aquele penalty sobre Félix…. E aquela expulsão perdoada…. E pronto, sabemos todos o que aconteceu, como aconteceu. Mas o pior estaria mesmo para vir. Vila do Conde. Onde toda a vergonha se perdeu. Hugo Miguel não só não vê o penalty de Florentino, como não vê sequer a falta (admitindo que é fora da área). Na sequência, golo mal validado a Félix. O chavalo nem festejou, tal era o espanto por ninguém ter levantado a bandeirola. Era óbvio que o VAR anularia o golo, pois o fora-de-jogo não deixara dúvidas, e muito provavelmente assinalaria mesmo penalty a favor dos vila-condenses. Só que não, o golo foi mesmo validado. Não fosse a coisa correr mal. Sejamos sérios, é só mesmo porque temos mau perder? São 4, 4 jogos seguidos repletos de lances duvidosos, no mínimo, todos, absolutamente todos, decididos para o mesmo lado. Uns erros que ninguém será capaz de desmentir, outros erros que muitos tentarão montar teorias alternativas, e outros que serão objeto de discussão ou dúvida para sempre. Mas todos, absolutamente todos, na mesma direção.
Foi só por isso? Não! Perdemos a vantagem que tínhamos por culpa própria, ponto final. E foi exatamente a partir do momento em que deixámos de depender de nós que ficámos sujeitos a este regabofe. Lembram-se do “Em condições anormais, também vamos ser campeões?” Pois, não há mesmo outra forma de combater isto neste momento, a não ser darmos tudo para voltarmos a ser muito melhores! Ser “só” melhor não deverá chegar.

Sobre “O Mister”
Não sei o que o treinador vai decidir depois do Jamor. Não faço mesmo a mais pequena ideia se ele vai continuar ou não. Estou eternamente grato por tudo o que ele fez, sobretudo por ter devolvido a mística e a cultura Porto numa altura desesperante e preocupante. Este ano voltou a andar lá em cima, esteve nas decisões todas, e dá-nos a clara sensação de que…com ele, o Porto vai andar sempre na luta. Foi perfeito? Não, longe disso. Não podemos perder uma vantagem de 7 pontos para o rival. E acima de tudo, não podemos recebê-los no Dragão com +1 ponto, com oportunidade de os “matar”, e perder. Mais ainda depois de lá ter perdido na 1ª volta. Sim, não é por isso que as vergonhas que descrevo em cima são menos más, mas se há momento em que temos de conquistar moral para falarmos de tudo, é nos mano-a-mano. Perdemos, foi ali que lhes demos a possibilidade de tudo o que aconteceu depois. Lembrem-se, aconteceu-nos ali (felizmente de forma menos melodramática) o que lhes tinha acontecido nos jogos do Kelvin e do Herrera. Bem, tenho quase a certeza que Sérgio Conceição sabe isso muito melhor do que eu.
Gostava que ele continuasse, porque ele já provou no ano passado que “é capaz de construir equipas de raiz”, porque ele gosta de ganhar tanto como nós, porque já provou que o sabe, e por muitas outras razões que não importa agora explanar. Mas também gostava de ver a equipa jogar outro futebol, a abusar menos da profundidade, dos duelos e do choque. A controlar melhor o jogo,  a demonstrar maior variabilidade de soluções em ataque posicional, a mostrar maior solidez coletiva nas transições defensivas, e por aí fora. Esta avalanche de saídas que se prevê será também uma oportunidade para isso, e para percebermos se o estilo até agora demonstrado é o possível e aquele que melhor potencia o que tem, ou se é também o estilo em que o treinador mais se revê, independentemente dos jogadores que tem à disposição. Queria tanto, tanto acreditar na primeira. Conseguem imaginar uma equipa com melhores princípios e qualidade jogo, com a alma e a raça que Sérgio incute?

Sobre “A Equipa”
Obrigado a todos os que suaram a nossa camisola, em especial aos que lhe adicionaram qualidade e ambição em cada jogo. Analisando o que o plantel deu, é mais ou menos óbvio reconhecer que temos um grupo muito curto de jogadores “prontos para jogar qualquer jogo”. Ficará ainda muito mais curto nos próximos dias. Certo que virão outros. Não sabendo quem, é a maior incógnita que temos neste momento. E é também essa mesma incógnita que se calhar justifica o tamanho do parágrafo de cima.         
Sobre “A Estrutura”
Tem a palavra o Presidente, a SAD. Sim, não se enganem. Vai ser preciso reforçar a equipa a sério. Menos Jankos, mais Militões. Vai também ser preciso apostar de vez e a sério na Formação. Apostar é metê-los a jogar a sério, ver o que valem verdadeiramente, deixá-los crescer. Parece-me que esse complemento Reforços + Formação é inevitável se quisermos voltar a ter uma equipa para ser campeã. Ah, faltam os “retornados”. Galeno? Sérgio Oliveira? Há mais algum em condições de voltar?

Sobre “A Final do Jamor”
Os últimos dias têm sido duros, difíceis, sofríveis, pesados. A vitória no Jamor daria um novo alento, e ajudaria a limpar de certeza absoluta. Dito isto, deem tudo. Os que vão embora, mais ainda! É a última e derradeira oportunidade de gritarem alto e a bom som: uma vez Porto, Porto para sempre! Preparem o jogo o melhor que puderem, concentrem-se, e entrem para “matar”…
 LEVANTEM A CABEÇA E DEVOLVAM-NOS O PORTO!

PS: Um muito obrigado ao BiBó PoRtO, carago! Esta é a última vez que aqui escrevo, neste blogue de referência do universo azul e branco. Foi um prazer, muito agradeço a quem me deu essa possibilidade. De dragão para dragões, what else?  Parabéns pelo projeto e até um dia destes malta. PORTO, PORTO, PORTO!

10 maio, 2019

CARTA A IKER CASILLAS.


Caro Iker,

Tu, que já ganhaste tudo o que havia para ganhar, que és um dos guarda-redes mais emblemáticos e históricos do futebol, que já foste campeão do mundo, que foste campeão europeu mais do que uma vez, és hoje atleta, embaixador, cidadão e adepto do Porto. Da cidade e do clube. És um dos nossos, dragão.

Vieste sem grandes vedetismos, caprichos, manias. Tiveste várias contribuições e defesas decisivas, grandes exibições, e só é pena teres começado com planteis e equipas menos vitoriosas. Vieste para um clube ganhador numa das suas fases menos vitoriosas e mais difíceis dos últimos trinta anos. E mesmo assim persististe, continuaste, demonstraste sempre gratidão, vontade, orgulho. Mantiveste sempre uma relação saudável e exemplar com o clube e a cidade, e tornaste-te um dos maiores e melhores embaixadores que já tivemos por cá. Além disso, continuas a demonstrar algo que me fascina, algo em que a maior parte de nós se revê: odeias perder, fazes tudo para vencer, ages como se estivesses no inicio da carreira, como se tivesses ainda muito a provar. És um campeão, no campo e na vida. E és também um senhor, dentro e fora e dele. Desenganem-se todos aqueles que acham que isso é só um pormenor.

Porém, há uns dias levámos todos um grande susto. Tu e os teus mais próximos, acredito, ainda mais. Acredito que todos, mesmo todos, tu, família, amigos, adeptos, Nação Portista, e até comunidade do desporto em geral, percebemos que há vitórias muito mais importantes do que aquelas que se jogam dentro das quatro linhas. Sempre houve. É pena é que tenha de ser um susto destes a lembrar-nos disto, mas ao menos louvemos o facto de existirem valores superiores que permanecem. Em todo o lado, sublinhe-se.

Enfarte do miocárdio. Hein? Num atleta como tu, desportista, saudável, regularmente seguido e vigiado, em plena atividade? Pois, pode mesmo acontecer a qualquer um. Por menos sentido que isso faça. Valha-nos o desfecho do episódio: a boa notícia de que poderás ter uma vida (leia-se, junto dos teus mais próximos pelo menos) normal. Mereces, mereces muito poder também desfrutar de todo o teu percurso até aqui, e de tudo aquilo que quiseres mais – da cidade (do Porto, e de Madrid se quiseres muito), e do clube (do nosso Futebol Clube do Porto, e do teu de sempre Real Madrid, vá que não somos tão invejosos assim), e de tudo o que fizer mais sentido na vida.

Aquele minuto 1 do jogo em casa com o Aves em que o estádio se levanta a gritar por ti é emocionante. É emocionante porque ali ninguém estava preocupado na vertente desportiva da coisa, mas na tua vida e naquilo que ela representa para o clube e para este desporto em geral. Ali, existia algo acima do futebol, da rivalidade, do fanatismo. Foi uma espécie de celebração da vida, de confirmação de que estamos todos contigo, e de gratidão por teres escolhido a maravilhosa cidade do Porto e o mágico clube do Porto para prosseguir a tua carreira, e de celebração também por continuares por perto.

Sim, eu acredito que vais continuar por perto. Não faço ideia se a tua carreira “acabou” naquele treino, mas não é isso que nos interessa nesta altura. Interessa-nos muito mais que continues bem, saudável e feliz, por perto. Nem que seja na bancada a ver o jogo e a meter umas stories no Instagram a gozares com o Oliver ou outro que o mereça.  E a torceres por nós, sempre.

Não deveria também ser preciso um susto deste tamanho para nos lembrarmos todos da dimensão do teu percurso, da tua figura. Aquele manancial de homenagens, palavras e votos, de clubes e seleções, treinadores e jogadores, presidentes e outros dirigentes, de ex-rivais, de ex-colegas, de adeptos, adolescentes, adultos e idosos, de atletas de outros desportos, de personalidades de outras indústrias, do “mundo em geral”, esmagou-nos. E deixou-nos também muito orgulho (desculpa o egoísmo, aqui), orgulho de seres um de nós!  

Força, Iker! Vemo-nos por aí, em qualquer lado, em qualquer estádio. Sim, porque mesmo que o mais sensato venha a ser terminares a carreira, não te livrarás de ir à baliza mais uma vez (nem que seja mesmo só mais uma)… para in loco comprovares a gratidão e o orgulho que todos temos por ti. Nem que dês uma daquelas casas com que também já nos brindaste. Olha, e já agora… se puderes pedir alguma coisa à malta do balneário, pede-lhes para te agradecerem em campo nos três jogos que faltam. Não com três vitórias, mas com três valentes demonstrações de personalidade, determinação e carácter. Se lhe somarmos qualidade, ainda melhor. Isso sempre nos levou a bom Porto…  

26 abril, 2019

TEM DE SER SEMPRE... MAR AZUL!


O percurso 2018/2019 do FCP na Champions foi excelente. Ultrapassámos a fase de grupos no primeiro posto, transpusemos também a “barreira psicológica” dos 1/8 e, enfim, caímos perante uma das 3 melhores equipas da atualidade. E o que fica desse confronto com o Liverpool? Fica o memorável momento (pura demonstração de Ser Porto) pós-segundo golo sofrido no Estádio do Dragão, fica a certeza de termos tido um encaixe financeiro fabuloso, fica um amargo pela injustiça das decisões de arbitragem em ambos os jogos, sobretudo no primeiro, e fica o banho de realidade de estarmos ainda distantes desse primeiro nível em que está o Liverpool.

Esta equipa do Klopp é um rolo compressor de simplicidade e eficácia. Em meia oportunidade metem a bola lá dentro, e nessa toada acabaram com o nosso sonho aos 30 minutos do jogo no Dragão. Até lá, estávamos a fazer um jogo espetacular, a encostar os ingleses às cordas, e a dar a clara sensação de que se marcássemos iríamos entrar verdadeiramente na disputa da eliminatória. Mas é também olhando para aqueles 30 minutos e para o que se passou depois que interpreto o nosso desnível para o primeiro nível em três capítulos. O primeiro ficou visível nas duas mãos, repito que muito mais na primeira, quando os árbitros apitavam sempre a favor dos reds. Na dúvida, sempre a favor deles. Mas eu prefiro olhar para os outros dois, até porque não podemos de maneira nenhuma dizer que foi por isso que não conseguimos passar. Bem, as duas coisas são as seguintes: faltam-nos mais jogadores de primeira água, com instinct killer, de preferência na frente. E falta-nos capacidade de controlar o jogo.

(In)capacidade de controlar o jogo é na minha humilde opinião o que mais nos deixa longe desse primeiro nível. A nossa equipa pura e simplesmente só sabe estar por cima do adversário, a carregar em cima dele, a explorar profundidade, a meter velocidade nos corredores, a atacar as bolas aéreas, a ganhar os duelos. Isso é bom? É, quando nos conseguimos superiorizar 1 a 1 aos adversários. Sempre que não o fazemos, seja por motivos físicos, anímicos ou técnicos, passamos mal, temos dificuldades, ficamos desconfortáveis, vamos abaixo. Pode parecer paradoxal, mas acredito que equipas semelhantes ou até ligeiramente inferiores à nossa sejam capazes de equilibrar mais com uma equipa tipo Liverpool. Porque conseguem disfarçar mais, enganar mais o adversário com a pausa, a especulação, o ritmo, a variabilidade, o posicionamento. Em suma, a nossa equipa esmaga quando a alma e as pernas assim o permitem, mas quando alguma delas falta em proporção às do adversário, ficamos mais pequeninos. Não, não sou do contra nem um grande entendido desta ciência, mas palavra de honra de que tenho a sensação de que seríamos muito mais fortes melhorando algumas destas nuances. Perdoem-me, mas eu sou daqueles que acredita que um dia acabaremos por voltar aos lugares de 1987 ou 2004.

Bem, de volta à realidade. Temos agora cinco finais pela frente, que nos podem valer dois títulos. Que não nos faltem a alma e as pernas que tanto precisamos para esmagar os adversários. Nenhum de nós pode pedir os dois títulos, mas pode e deve pedir cinco vitórias. E como diz o outro, no fim é fazer as contas.

Até lá, tem de ser sempre… Mar Azul!

13 abril, 2019

SUDDENLY, AS DECISÕES ESTÃO AÍ.


Suddenly
I'm not half the man I used to be
There's a shadow hanging over me

Oh, yesterday
Came suddenly
Poderá até parecer um exagero usar a canção dos Beatles para descrever a 1ª mão jogada em Anfield, mas também não será algo muito longe disso, pois não?

O sonho durou 4 minutos… à primeira vez que eles foram à nossa baliza, golo! Espaço inacreditável no meio entre Oliver e Danilo. Desconcentração? Se calhar, ou então nem por isso. Não terá sido a primeira vez que vimos disto, se calhar a diferença desta vez esteve na qualidade do adversário. A mesma coisa no segundo golo, em que dá a sensação de que fica tudo a filmar a chamada “jogada à Fifa”. Quem não sentiu alguma impotência durante o jogo? Quem não temeu o 3º golo? Não, não quero de forma alguma “bater” na nossa equipa, que fez um jogo de esforço, dedicação e competência. Só que pura e simplesmente foi incapaz de se transcender, de ser melhor do que foi até agora, e isso pura e simplesmente não chega para uma equipa do nível deste Liverpool. Respondam lá à seguinte pergunta, quantas equipas no Mundo são atualmente mais fortes que o Liverpool? Nenhuma, 1, 2, 3? A resposta estará algures aqui. Quem viu o jogo percebeu que eles são melhores, são mais fortes.

Bem, agora uma nota aos que não desistiram depois deste primeiro parágrafo de realidade: ainda estamos na luta pela eliminatória e há que acreditar. Porquê? Porque no Dragão Marega pode só precisar de 1 ou 2 oportunidades para fazer um golo. Desta vez teve quatro. Porque no Dragão o árbitro pode assinalar penalty em caso de existir 1 ou 2 lances duvidosos. Desta vez não assinalou nenhum. Porque Oliver pode encurtar o espaço para condicionar a tempo o remate de Keita à entrada da área. Desta vez não conseguiu. Porque a nossa defesa pode deixar Firmino em fora de jogo quando tiver de encostar para a baliza. Desta vez não deixou. Sim, saímos de Anfield com a nítida sensação de que o Liverpool é claramente mais forte do que nós. Mas também saímos de lá com a sensação de que uma pontinha de sorte, ou uma decisão de arbitragem mais justa, ou uma finalização com maior qualidade, podiam ter ajudado a um resultado mais nivelado. O que pretendo dizer é mais ou menos que é possível superiorizarmo-nos a uma equipa destas em 90 ou 120 minutos. Uma vez! Claro que sim. Se isto fosse um campeonato de 20 jogos entre Porto e Liverpool, não teríamos hipótese. Como é só um conjunto de dois jogos, tudo é possível. E é nisso que temos de acreditar. Se fizermos um jogo de competência máxima, se os astros estiverem connosco, nunca se sabe… há que lutar! Encher o estádio, ir sem medo, e tentar… depois logo se vê.

Para terminar, algumas notas rápidas para as melhores exibições do Porto na minha opinião. Marega, muito bem. Sim, revelou desacerto na hora de rematar à baliza. Mas também revelou capacidade física igual ou superior ao adversário, ombreou sem tremer nos 1-1, criou situações de golo pela sua velocidade. Deu a clara sensação de que seria bom ter, naquele jogo, dois Maregas na frente. Ah e tal, falta-lhe mais qualidade com bola. Pois, mas se a tivesse talvez estivesse já do outro lado a infernizar-nos a vida! Veja-se o caso de Militão. Secou Salah, mas já está de partida para Madrid na próxima época. Mas que regalo, que exibição tremenda. Quando é que ele perdeu uma situação dividida? Não dá para ficar mais um “bocadinho”? Finalmente, Corona. O único (talvez um pouco injusto para Otávio, mas aquele mau atraso apaga-o das minhas referências neste momento) capaz de sair com a bola jogável de uma situação de 1 para 1, o único que dominava a bola e aguentava uns segundos com ela sem “queimar”. Agora imaginem uma exibição de 11 a este nível. Não dá para ganhar ao Liverpool? Eu acredito que dá.

Sinceramente, acho que temos e devemos ser realistas, perceber o contexto em que estamos. E agarrarmos com unhas e dentes o que mais importa: o jogo de Sábado em Portimão. Depois lá virá a 4ª Feira, e pode ser que os astros se alinhem para uma sessão de Heavy Metal… azul e branca!

Até porque... SUDDENLY, AS DECISÕES ESTÃO AÍ.

29 março, 2019

CENTRALISMO: REFLEXOS, MEDOS & COMBATE.


O combate ao centralismo esteve sempre na base da nossa cultura de vitória e superação. Se não desde sempre, pelo menos desde os tempos de Pedroto. Por vezes, isso é mesmo levado ao extremo, quer pelo clube, quer pela região, sendo que nessas mesmas vezes corremos o risco de sermos algo tacanhos e pequenos. Isso acaba por condicionar-nos o crescimento, levando a que olhemos mais para os outros do que para nós próprios. Não acontece sempre, claro, mas acredito que essa reflexão é imprescindível, embora dolorosa. O nosso crescimento também passará por aí, acredito. Porém, às vezes fica muito difícil fazer de conta, ficar calado, ignorar. Enfim… reflexos e medos do centralismo. É preciso continuar a combater isso, por mais arroz do mesmo que possa parecer.

Sobre os reflexos do centralismo...

Mais um na semana que passou. A sério que a Seleção Nacional fez dois jogos seguidos no Estádio da Luz? A propósito de quê? O país é só Lisboa? Não há outra coisa? Algarve, Coimbra, Aveiro, Braga, Guimarães, Leiria? Porto? E mesmo em Lisboa e arredores, não há Alvalade, Jamor, Belém? A sério que esta é a estratégia para termos uma seleção que se pretende cada vez mais nacional e inclusiva? Ou queremos que seja a Seleção Nacional de Lisboa e Benfica? Percebam de uma vez por todas que o país, embora pequeno, é maior que Lisboa, e é muito maior que Carnide.

Sobre os medos do centralismo...

Esta semana, uma proposta dos Verdes foi aprovada em Estrasburgo (Parlamento Europeu) com 472 votos a favor. A proposta era basicamente sobre sanções para quem persegue denunciantes de corrupção, sendo que o relatório lembra revelações do Football Leaks e dos Panama Papers. Portugal, país de origem do hacker Rui Pinto, parece ser um dos países menos interessados nisso. Pior, inclusivamente parece existir a intenção contrária. Porque será? A quem é que isso incomoda? Porque é que é mais importante e relevante o “crime informático” do que o conteúdo descoberto nesse mesmo (suposto) “crime informático”? É mesmo medo, ou é só falta de transparência? É mesmo medo, ou é só uma situação muito mal explicada? É mesmo medo, ou é só mais uma pouca-vergonha?

Sobre o combate ao centralismo...

Amanhã, sábado à tarde, 15h30, sol, céu limpo, tempo de primavera. Mar azul na bancada. Jogo difícil, mais uma final. Estamos prontos? Sim, porque não nos enganemos: a melhor forma de combater a palhaçada anterior é dentro das quatro linhas. Até porque se assim não for, há quem aproveite para fazer de conta de que nada se passa.

Para cima deles!

14 março, 2019

SORRIR EM MAIO.


A época tem sido muito boa: meia-final da Taça está a correr muito bem, a Champions tem sido fantástica e estamos na luta taco-a-taco pelo campeonato. Para o que falta, partilho convosco três notas que julgo serem as mais importantes para o que nos resta: As nossas prioridades, Os nossos adversários, A nossa equipa. É tudo quanto mais interessa neste momento, na minha humilde opinião, de quem quer apenas nada mais nada menos que o mesmo que todo o universo azul e branco: chegar a Maio a sorrir.

As nossas prioridades
O mais importante é o Campeonato. É aí que devemos concentrar as energias, o foco, a maior atenção. É esse o único/principal (escolham) objetivo da época que ainda não está garantido. Tudo o resto está feito (Champions) ou bem encaminhado (Taça). Na Champions cumprimos e superámos as expectativas. O que vier agora é um extra, um add-on, um sonho. Na Taça, estamos a ganhar 3-0 no intervalo da eliminatória e o Jamor está ao virar da esquina, ou da Pedreira.

Os nossos adversários
Na Champions, ainda não sabemos quem nos calha na rifa. Mas sejamos realistas: o que mais interessa a partir de agora é jogarmos sem pressão. Libertarmos a equipa da tensão e acreditarmos que aquilo é 11 contra 11 e depois logo se vê. Se pintar, espetacular. Se não pintar, missão cumprida à mesma. Se nos calhar um Ajax, Tottenham ou Man United, todos ficaremos a sonhar que será possível chegarmos às meias. Se sair um dos outros tubarões, não será impossível claro, até porque este mágico clube já nos provou várias vezes que nada é, e será bonito vermos a nossa equipa sonhar connosco nas quatro linhas, mas será igualmente importante não nos esquecermos daquilo que é o nosso campeonato.
Na Taça, acredito que seriedade e competência, mesmo que com alguma gestão (ponderada) de recursos,  serão suficientes para nos permitir a passagem. Até porque jogaremos com eles duas vezes seguidas em Braga, e é essencial percebermos que um jogo é uma batalha, e o outro é a guerra.  
No Campeonato, a noite de segunda-feira provou que eles também falham, embora de facto estejam muito mais competentes do que estavam no início de Janeiro, por exemplo. Estou convencido de que se fizermos o nosso trabalho, será suficiente. Recomendaria, pois, foco total em nós próprios, porque eles vão acabar por perder pontos num dos nove jogos.  

A nossa equipa
A atitude e a vontade são absolutamente intocáveis nesta equipa. Se há coisa que podemos todos ter a certeza, é que esta equipa nunca cairá por falta de querer. E isso já diz muita coisa. Mas vamos ao futebol em si. Sobre aspetos defensivos, será óbvio reconhecer que do ponto de vista de posicionamento estamos algo distantes do ideal, dá a sensação de existir alguma falta de rigor. Na maioria dos casos, esse desalinhamento tem vindo a ser compensado pela mais valia individual (velocidade, capacidade no 1:1, reatividade, etc.), e isso explica o facto de sofrermos poucos golos e pode, mesmo que pareça controverso, explicar alguma displicência também. Olhemos para Pepe a título de exemplo: uma falha de posicionamento claro no auto golo de Felipe na Feira, mas recuperações incríveis a evitar o 2º golo do Feirense já depois dos 90´e na receção à Roma a tirar o golo (praticamente) certo a Dzeko no prolongamento. Quanto a aspetos ofensivos, dá a clara sensação que critério e elaboração ausentam-se muitas vezes, sobretudo quando fora das quatro linhas estão os melhores na decisão, como Oliver Torres. Isso parece ser essencial, pois a ansiedade e a pressa podem dificultar-nos a vida nos jogos que faltam. Boas notícias nas bolas paradas, onde parece que voltámos à boa forma (jogo na Feira é prova disso), não só pelas notáveis capacidades de Militão, Felipe, Pepe e Danilo, mas também pelo trabalho espetacular que tem sido feito no Olival (vejamos a diversidade de soluções e jogadas “inovadoras” de bola parada que vão surgindo de jogo para jogo). Para terminar, seria importante que a malta da frente aumentasse os índices de aproveitamento das muitas oportunidades de golo que temos vindo a criar. A margem de erro é muito diminuta, para não dizer zero. Exige-se, pois, concentração máxima nos 9 jogos de campeonato que faltam.

Em suma, foco no essencial! Porque o nosso objetivo é só um… sorrir em Maio.

01 março, 2019

SÁBADO ÀS 20H30, É PORTO ATÉ AO FIM!


É agora. Sem mais desculpas, explicações, teorias e teoremas. O coração já está a bater mais depressa, todos queremos ser campeões e todos sabemos a singularidade e significado do momento. Eu quero, nós queremos, muito mesmo, e sabemos todos que está ao nosso alcance. Sabemos todos também que vale muito a pena puxar por vós. Estaremos lá todos, a dar tudo, todos a tentar com a voz, com o cachecol, com os braços ou com a garganta, a tentar empurrar a bola lá para dentro.

Já todos sabemos que deixámos a distância de +7 transformar-se em algumas semanas em apenas +1, mas sabemos também quem ostenta no peito o escudo do campeão, quem vai na frente do campeonato, quem mais sucesso tem tido fora de portas. Sabemos também o que é preferível: Casillas, Manafá/Militão, Pepe, Felipe e Telles vs. Vlachodimos; A. Almeida, Ferro, R. Dias, Grimaldo; Danilo, Oliver, Herrera, Corona vs. Gabriel, Pizzi, Samaris/Florentino e Rafa; Brahimi e Marega/Soares vs. Félix e Seferovic/Jonas. Eles são todos a última coca-cola do deserto do Seixal nas capas do Record e os próximos diamantes por quem Real e Barça suspiram nos títulos d´A Bola, mas pensem lá com honestidade quantos são verdadeiramente melhores que os nossos. Sabemos também que o líder deles acabou de dizer que antevê mais um ciclo de hegemonia e mais não sei o quê e outro tanto. Sim, sim, mas nós somos o Futebol Clube do Porto. A jogar diante do seu Mar Azul, a encarar esta tourada (ainda está aqui entalada na garganta, lembram-se?) com a sua forma leal, mui nobre e invicta.  

Perdoem-me, mas o momento não permite grandes considerações, descrições e recurso lexical. Agora é para começarmos a entrar no ambiente e irmos, todos, com tudo. Sem medo, mas com juízo, com estratégia, com critério, com vontade, todos para cima deles.  Para deixarmos bem claro que somos superiores, e para vencermos. Não há outro caminho.

Se o chuveiro vier com água fria, paciência. Não passa nada. Porque vamos continuar todos a ser do Porto, a sofrer pelo Porto, aconteça o que acontecer. A luta vai continuar, o orgulho vai permanecer por cá. Ninguém vai pegar nas suas coisas e mudar de clube, ninguém vai fazer fitas e pedir outro treinador, outros jogadores, outro presidente, outro clube. A única coisa que todos queremos é que sejam iguais ao de sempre, na vontade, no querer, na motivação. O resto vai aparecer. Lembrem-se, vamos todos a jogo. Porque nós já nascemos assim… Sábado às 20h30, é Porto até ao Fim!


18 fevereiro, 2019

À GUERRA, DRAGÕES!


Chegou o momento. O das decisões, o momento que ditará muito do que vai ser da nossa época. Porto-Setúbal e Tondela-Porto para o campeonato. E depois: receções consecutivas a Braga (Taça), Benfica (Campeonato) e Roma (Champions). Não há como fugir: temos de ganhar os próximos dois jogos, recuperar o mais possível anímica e fisicamente, e depois jogar tudo em três finais seguidas.

Se ganharmos os cinco jogos, estaremos relançados para uma época espetacular! É nisso que temos de focar. A altura é delicada, não atravessamos o melhor momento em termos físicos, anímicos e exibicionais, temos algumas baixas muito importantes, mas estamos longe de estar “em crise”. Entender os momentos mais delicados, digerir, interpretar o que não correu tão bem e reagir de forma assertiva fazem parte do caminho para o sucesso. 

Não são os outros que vão em primeiro lugar, não são os outros que estão a um só golo da passagem aos 1/4 de final da Champions. Não são os outros que ganharam 3-1 na recente meia final da Taça da Liga. Não nos deixemos enganar. Ele é Super Wings, ele é Geração de Ouro, ele é Jogamos em qualquer estádio, ele é O Ferrari a chegar no Retrovisor. Ele é basicamente mais do mesmo, como vimos em tantas outras vezes. Pois bem, que seja Herrera aos 90, que seja Kelvin aos 92, que seja 5 No Dragão, ou que seja 1-0 com golo do Adrián L. ou 4-3 com auto-golo, que seja qualquer coisa que os coloque no lugar. Sim, temos mesmo de vencer os próximos 3 jogos da Liga! Se o fizermos, recolocaremos a ordem nas coisas e devolveremos lucidez, tranquilidade e noção às mentes mais inebriadas. Além disso, será o boost perfeito de confiança para nos atirarmos aos romanos rumo aos 1/4. Pelo meio, existirá ainda a receção perigosa e difícil à excelente e “raivosa” (quando dá jeito, diga-se, if you know what I mean) equipa do Braga. Please… take your seats (no Dragão, de preferência) and fasten your seat belts… que agora é que são elas!

Estou confiante na nossa equipa. Não duvido do compromisso, da atitude, da faca nos dentes. Mas já não consigo dizer que tenho total confiança na calma, na segurança, no critério, na pausa, na definição, na decisão. A ver, espero que seja só mesmo "nervoso miudinho". Acredito muito que isso será fundamental para contornarmos os próximos obstáculos, e sei que o nosso treinador sabe muito bem que não se vence só no grito.  

Os nervos estão à flor da pele, o coração começa a bater… e não há outra forma de nos atirarmos à glória: confiar neles, jogadores e mister, e lançar o Mar Azul para os empurrar… até ao fim!

No final, e só no final, contaremos as cabeças. À guerra, Dragões!

08 fevereiro, 2019

A GANHAR OU A PERDER... TEMOS DE SER MELHORES


Ponto prévio, e pela enésima vez: revejo-me muito na mística que tem vindo a ser devolvida ao nosso mágico clube pelo Mister Sérgio Conceição. Revejo-me ainda mais na sua competência, na sua qualidade, na sua humildade, na sua vontade de querer sempre mais e de nunca estar satisfeito. Sim, era tudo o que precisávamos para recuperar a nossa força e a nossa posição. Podemos até, por vezes, discordar do estilo atlético e de força que impõe em detrimento, por vezes também, de maior critério e outras ideias, mas inegáveis e louváveis são o sucesso e a liderança que ele tem demonstrado em colocar-nos de novo na posição de maior potência futebolística nacional.

Na Final da Taça da Liga, todos sabemos que o desfecho merecido seria outro. Todos sabemos que o adversário quis jogar mais uma vez como uma equipa pequena, a tentar empurrar o jogo para os penalties, onde de facto têm demonstrado maior competência que a nossa equipa em tantas outras ocasiões. Aquela derrota foi algo que não estava, de todo, no guião, nem tão pouco espelhou o que se passou na competição e mais concretamente ainda na final da mesma.

As palavras do nosso mister na conferência de antevisão do jogo contra o Belenenses são também quase todas elas justificáveis e reflexo do sentimento de todos nós. De facto, ele não foi contratado para ficar “na boa” quando perde. Não é disso que se trata. Também não é da reação irrefletida e condenável, ainda que a quente e a reagir a insultos e provocações, de Diamantino Figueiredo. Não é disso que se trata, de todo. Trata-se, isso sim, de alguma angústia por termos recolhido aos balneários sem esperar que os vencedores levantassem a taça. Dir-me-ão alguns que o fair-play é uma treta. Sim, é. Neste país, e ainda mais neste desporto.

Aos que gostam também de ténis, relembro o discurso de campeão de Rafael Nadal após a sua derrota no Open de Austrália, logo no day after do episódio de que me estou a queixar.

Acham que Nadal gosta de perder? Não é ele um campeão à escala planetária? Pois bem, era de uma coisa parecida a esta que eu estava à espera do meu clube, uma reação melhor e diferente daquela que têm todos os outros. Não quero ver desculpas da treta do que fazem os vermelhos, os verdes, os laranjas, os brancos, os xadrezes, e todos os outros que tais, em momentos semelhantes. Existiria reação mais nobre, leal, invicta, do que termos ficado no relvado? Mesmo que isso tivesse custado horrores, pois que depois certamente Sérgio Conceição saberia catapultar à mesma a reação desejada nos seus comandados. (que se viu no jogo com o Belenenses, diga-se)

Por favor, não sejamos iguais aos outros. Somos de longe o clube português mais galardoado internacionalmente, o único que tem, em época de democracia, colocado em causa o domínio dos tubarões do dinheiro que habitam no velho continente. O único verdadeiramente internacional, grande nessa escala. Quantos exemplos precisam mais? Lembrem-se, por exemplo, do festival que os nossos adeptos deram em Anfield Road na época passada, logo depois de termos aviado -5 em nossa casa. Eles agora até adaptaram a nossa música. É isso que nos torna maiores que os outros, verdadeiramente grandes. Ou acham que teria sido melhor irmos lá partir aquilo tudo, porque zangados e revoltados com a derrota da 1ª mão?

Sim, eu também fico fodido, revoltado e a dormir mal quando perco assim. E ninguém quer ver outra coisa diferente nos nossos dirigentes, treinadores e atletas. Mas o escudo que eles levam ao peito, esse, merece outra dignidade, outra elevação, outra humildade. Só isso sublinhará de forma justa a nossa superioridade. Da próxima vez que acontecer algo parecido, reajam de forma diferente, melhor, superior. Se lideramos no campo, porque não liderar no resto também, e fazer deste desporto algo maior? E ensinar aos de cá do burgo como devem ser as coisas, também. Não sejamos iguais a todos os outros. Os maiores não são assim, não podem ser.

... a ganhar ou a perder. Temos de ser melhores.

18 janeiro, 2019

AGORA É QUE É.


Apertar o cinto, acelerar, não travar. É o que se espera dos próximos 10 embates. Uma sequência desafiante: Chaves (fora), Benfica (neutro), Final Taça da Liga? (neutro), Belenenses (casa), Vitória SC (fora), Moreirense (fora), Roma (fora), Vitória FC (casa), Tondela (fora), Benfica (casa).
Da série “Não há jogos fáceis”.

Acelerar… no rendimento da equipa. Devemos começar por reconhecer e agradecer a brilhante série de vitórias consecutivas que terminou em Alvalade. Mas quem quer discutir tudo para “ganhar tudo”, tem também de ter humildade, exigência e auto-conhecimento. Empatar em Alvalade não é, de todo, negativo, mas já não podemos dizer o mesmo da falta de soluções para magoar o Sporting em construção ofensiva. Da falta de ideias, do abuso das bolas longas, da profundidade, da falta de ligação e paciência no jogo. Em suma, do facto de termos sido a primeira equipa na Liga que não marcou ao Sporting de Keizer. Sim, é justo também dizer que foi a primeira vez que o Sporting de Keizer jogou a medo, abdicando de tentar verdadeiramente ganhar.

Seguiu-se outro jogo sofrido com o Leixões. Cansaço, relvado (ou será areado?), alterações na equipa e Capelices explicam parte do problema, mas não todo. A nossa equipa precisa de mais cérebro, de mais ideias, de maior ligação, de mais finesse. Não pode ser só músculo, vontade, sprint e rasgo. Sem querer ser demasiado injusto para com a equipa e o mister, que têm feito um percurso praticamente brilhante até aqui, é nítido que há arestas críticas a serem limadas rapidamente. Só assim sairemos vivos e vencedores desta autêntica montanha-russa de embates que vamos enfrentar. Tudo dito em relação ao que estamos a jogar, e ao que podemos ou precisamos de fazer.

Em relação ao plantel, destacar que estamos agora com um plantel mais completo. Mbemba parece ser uma alternativa realmente válida. Pepe é um reforço a sério. Fernando Andrade poderá também ser bastante útil se tiver uma boa adaptação. E depois há um Hernâni que vai sendo decisivo em momentos importantes, Adrian também tem vindo a mostrar mais. Não fossem as baixas de Danilo, Aboubakar e Otávio, e diria convictamente que não precisávamos de mais ninguém para atacar todas as frentes. Assim, não será fácil. Se quisermos usar a relatividade para sermos mais positivos, podemos afirmar que estamos mais fortes e completos hoje do que estávamos há precisamente um ano atrás. Ou pelo menos parecemos. A confirmar nos próximos jogos.

E agora parem de respirar, apertem o cinto, acelerem, não travem. A todo o lado eu vou… o Porto vai…. O Porto tem de ir…. para ganhar! Mesmo que para acelerar como queremos, seja preciso mais pausa, mais critério, mais ideias. Menos vertigem, menos pressa. Já vi esta equipa fazer e jogar assim, portanto não há como não acreditar que estaremos prontos. Tem de ser com tudo, para “matar”. Agora é que é!

07 dezembro, 2018

OS LUSÍADAS DO BESSA.


As armas e os barões assinalados
Que, do jogo xadrez de canela e osso,
Por relvados nunca dantes jogados,
Passaram além do Hugo Miguel e do fosso,
Em perigos e vale-tudo esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre um jogo violento edificaram
Nova Vitória, que tanto sublimaram;

E também as memórias vitoriosas
Daqueles jogos difíceis que foram vencendo
De Dragão ao peito, era das mais saborosas
Vitórias que hoje na décima vão acontecendo;
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei do Polvo libertando:
Cantando espalharemos por toda a parte,
Dragão eu sou, se me ajudar o engenho e arte.

Cessem dos ressabiados Record e Bola
As manchetes grandes que fizeram;
Calem-se esses Guerras de pedir esmola
E a corada vergonha que tiveram;
Que eu canto Dragões desde a altura da escola,
A quem Conceição e Hernâni obedeceram.
Voz alta na curva azul e branca que canta,
Que um valor mais alto se alevanta.

Só os mais fortes sobrevivem.
Adaptação do Canto I d´Os Lusíadas em honra ao grande momento do passado Domingo. Um momento “Herrera aos 90”.

22 novembro, 2018

QUANDO VOLTAS, MÁGICO DECO?


“Que bonito é, que bonito, que bonito…! As bandeiras estão desfraldadas ao vento… Nós queremos agradecer aos Deuses do Futebol esta felicidade que nos enche a alma, que põe um país parado, um país emocionado! É golo do PORTO! Foi ele, balançou a rede, finalmente aparece o toque de génio e aparece o segundo do Porto!”
2004, na impronunciável Gelsenkirchen. Quem, de azul e branco, não sonha voltar a viver algo do género? Pois bem, hoje a crónica é para homenagear um dos que mais contribuíram para aquela glória tamanha. O número 10, que fintava com os dois pés, que era melhor que o Pelé. DECO!

Para os mais novos que não tiveram a divina oportunidade de ver jogar o Mágico: imaginem um Oliver, mas mais rápido, mais forte, com mais e melhor remate, mais incisivo, mais repentista. Mas sempre, mesmo sempre, pensador, criativo, inovador. Porque via à frente dos outros, porque fazia coisas que os outros só percebiam quando elas já estavam feitas. Polivalente, construtor, vagabundeando de uma área à outra. Deco era o cérebro da equipa, porque em cada movimento acrescentava-lhe uma ideia diferenciadora, uma iniciativa disruptiva, uma jogada fantástica, um drible fantasista, um remate espontâneo, um golo inesperado, uma assistência primorosa. Deco era o nosso Zidane, o nosso Maradona, o nosso Pelé. Era mais que isso, porque vestia de azul e branco. Deco é, pura e simplesmente, o mais brilhante jogador que tive oportunidade de acompanhar de azul e branco. Certamente um dos maiores da nossa história.

Aquele FC Porto 2004 – Barcelona 2006 em 2014 no Dragão foi a homenagem perfeita. As duas melhores equipas em que ele jogou a tentar recuperar a glória antiga, a honrar o seu legado. E aquele golo final é mesmo o melhor resumo daquilo que era a sua classe. Talvez nem sempre tenhamos sido inteiramente justos com os nossos maiores, mas com Deco creio que não podíamos ter feito a coisa de melhor forma. Não há melhor legado do que este deixado por Deco: não há um único dia em que eu não suspire por ver um “Novo Deco” a vestir de azul e branco. Alguém da tarimba dos melhores do mundo, que defenda as nossas cores e coloque quem ama este clube na sua verdadeira “cadeira de sonho”: o topo!  

Obrigado por tudo mágico Deco, aguardo ansiosamente, e esperançosamente também, pelo dia em que “voltes a jogar”.

É o número dez, finta com os dois pés, é melhor que o Pelé. É o Deco! Allez Allez
Quando voltas, Mágico?


09 novembro, 2018

COMPLACÊNCIA, NUNCA!


Por vezes é preciso um susto para acordar! Não quero com isto dizer que alguém estava a dormir até lá, mas é um facto de que a equipa do FC Porto deu um salto qualitativo enorme a partir do jogo na Luz. E, ironia das ironias, o adversário mais direto no campeonato tem tido o percurso diametralmente oposto.

Num grupo equilibrado e perigoso, com campeão Russo, com vice-campeão Alemão e com campeão Turco, 1 empate fora no (teoricamente) adversário mais difícil e 3 vitórias consecutivas. Liderança do grupo, vitórias com segurança, com golos, com justiça, com futebol. E o apuramento quase, quase garantido! (da versão Nunca festejar antes da hora).

A equipa tem estado muito competente. Tem jogado mais e melhor à bola, com mais ideias, mais rutura, mais propósito, mais solidez e mais eficácia. Menos pontapé para a frente e fé em deus. Revela ainda dores de crescimento neste novo approach, mas enquanto existir um Conceição destemido e a querer ganhar no banco como existiu na recente visita à Madeira, isso é perfeitamente resolúvel.    

O caminho é este, o treinador sabe-o, até porque foi ele que o escolheu. Os jogadores também e isso nota-se no que se vê em campo. Os adeptos também gostam mais assim. Mas calma que não passamos a ser os maiores, e há que continuar a ter a humildade para percebermos o que melhorar. Maxi tem de recuperar níveis anteriores, porventura Telles também. Só para dar dois exemplos. A transição defensiva tem de ser mais eficaz e não podemos conceder tantas oportunidades aos adversários. Reparem naquela bola do Éder que saiu tipo corte para fora da área. Quando lá estiver um Firmino qualquer, provavelmente sofreremos golo. Isto para antecipar desafios, perceber o que melhorar, numa lógica de subir o patamar competitivo da equipa.

Não podemos ser complacentes com o sucesso que temos tido nos últimos jogos. Temos qualidade, potencial, capacidade. Mas temos de maturar tudo isso, temos de nos tornar inconscientemente competentes em campo. Só o podemos fazer reconhecendo positivamente como e por onde crescer. O caminho é este.

No próximo sábado, temos já um importante desafio para mais uma vez provarmos a nossa não complacência. Vamos discutir a liderança com uma equipa que é coletivamente muito competente em todos os momentos do jogo, que joga com critério e organização. Uma equipa que aposta mais do que nunca em dar o salto competitivo que lhes tem faltado, gerida por um técnico inteligente e competente, que sabe como nos pode ferir, como nos pode limitar. Sim, somos melhores que eles e acho que o podemos provar de forma convincente, mas precisamos ao máximo de querer continuar a evoluir e crescer dentro do sucesso mais recente. Isso é matar a complacência, a mãe de muitos males… sobretudo quando o sucesso não é sustentado. É só olhar para baixo, atualmente, para o perceber! Mister, sei que mesmo sem ler isto, é exatamente isso que tem estado a fazer. Obrigado, obrigado, obrigado! Não se esqueça por favor: Complacência, nunca!

Seguimos juntos!

26 outubro, 2018

VALHA-NOS O QUE SE PASSA LÁ DENTRO... NAS QUATRO LINHAS!


Obrigado Mister, Obrigado Equipa.

Obrigado Mister, por ter escolhido o mal-amado Oliver em dois jogos seguidos. E por ter experimentado soluções diferentes das que tinha tentado até aqui. Por ter privilegiado o domínio, por ter privilegiado as ideias. Acho que a vitória começou aí: num maior domínio e controlo do jogo, numa organização ofensiva mais criativa, ponderada, e numa pressão mais alta, intensa, autoritária. Não me lembrava de um jogo tão controlado da nossa parte. Sim, o Casillas faz uma grande defesa no penalty que nos colocaria em desvantagem, o árbitro viu um penalty que cá em Portugal nunca nos marcariam (o que não quer dizer que não seja penalty, não vamos confundir as coisas) e que nos lançou na frente do marcador, e o árbitro anula ainda um 2-3 num fora de jogo milimétrico de Éder. Mas não há a mínima dúvida da justiça do resultado e da nossa superioridade. Há, contudo, coisas a melhorar e/ou evitar. Telles não pode nem deve cometer aquele penalty desnecessário, Felipe não pode fazer aqueles atrasos suicidas e Militão tem de estar acordado os 90 minutos. Tem sido recorrente este rol de erros ou precipitações sempre que jogamos na Liga dos Campeões, mas será muito injusto não dizer que a prestação tem sido geralmente bastante positiva. Além disso, é o nosso próprio treinador que reconhece e aponta os aspetos a melhorar. É tão bom ter um treinador que não é um mero papagaio, que é justo e honesto nas análises que faz, que se predispõe com abertura e frontalidade a procurar melhorar de jogo para jogo.  Enfim, 3 jogos, 2 deles fora, 7 pontos e liderança isolada.  É difícil pedir mais, não é?

Dualidade de critérios

Não, não vou falar de árbitros. Vou apenas e só perguntar-vos duas coisas:
   
1 - Quem é que acredita que, daqui até ao final da época, existirá uma visita surpresa de controlo anti-doping no Seixal? Ao jeito daquela na semana passada no Olival.

2 - Quem é que não reparou naquela azia tremenda dos comentadores da TVI à vitória do Porto em Moscovo? Ena pá, de repente o Lokomotiv, campeão russo no mesmíssimo campeonato do gigantesco CSKA que venceu o SLB duas vezes o ano passado, é uma equipa fraquíssima. Já o Ajax é um tubarão do futebol Europeu. Um minuto de silêncio à equipa da TVI, e um Rennie!

Mister, dá para fazer mais 3 x 2,7 M€ nesta fase?

Se calhar, estamos a abusar de si e a pedir-lhe demasiado. Mas é só para ver se dá para renovarmos com o Herrera e com o Brahimi. Absolutamente incompreensível o que se está a passar, sobretudo depois do episódio Marcano e Reyes. Ah, e tal, pedem este mundo e o outro. Hum, eu dou a minha palavra de honra que estaria 100% com a Direção nesse posicionamento duro e inflexível perante tamanhos abusos das nossas finanças sagradas. Mas depois de ler, ouvir e constatar que tivemos um prejuízo superior a 50M€ numa época que seria supostamente de contenção, e onde não contratamos praticamente ninguém (antes que venham aí gritar o nome de Vaná), não consigo. Simplesmente não consigo. Das duas uma: ou não percebemos mesmo nada disto e temos mais é de nos focar no jogo em si e nada mais do que isso, ou então querem mesmo fazer-nos passar por parvos. Enfim, não me vou comprometer aqui, mas se alguém quiser e souber explicar…

Enfim, valha-nos o que se passa lá dentro… nas quatro linhas! (entenda-se)

10 outubro, 2018

PARA ONTEM MISTER, ANTES QUE SEJA TARDE!


Somos assim tão diferentes do ano passado? Nem por isso. Temos sido assim tão diferentes do ano passado? Acho que sim. Vejamos então porquê:

O que ganhámos em relação ao ano passado?

1:  Militão. Um central espetacular, alguém que dificilmente ficará por cá mais do que uma ou duas épocas, tal é a sua qualidade. E tem apenas 20 anos.

2: Hum, pois. Não sei o que dizer mais. Mandem daí sugestões.

O que perdemos em relação ao ano passado?

1: Ricardo, um lateral direito que nos dava praticamente a mesma qualidade ofensiva que temos do lado esquerdo. Maxi é competente e confiável, sobretudo defensivamente, mas sabemos todos que não é o vaivém de drible e progressão que era Ricardo. Como resultado, temos menos variabilidade de soluções, e sobretudo muito menos imprevisibilidade e desequilíbrio, sobretudo porque os recursos técnicos e físicos de Ricardo são de nível superior aos de Maxi.

2: Homem-golo! Cadê? Aboubakar, melhor marcador da passada época, esteve até agora numa forma lastimável. Para piorar, lesionou-se gravemente. Soares lesionou-se no primeiro jogo oficial da época e só agora está a voltar. Naturalmente, ainda em busca da melhor forma. Marega voltou também a ter números normalíssimos. Continua a ser um jogador muito útil e perigoso, sobretudo neste futebol que usa e abusa do choque e da profundidade, mas os seus números têm sido bem mais modestos e, sejamos honestos uns com os outros, “realistas”.

3: Brahimi e Herrera, jogadores absolutamente fulcrais, ainda não renovaram. Não faço a mínima ideia se existe relação entre esse facto e o rendimento de ambos em campo, mas parece-o mesmo. O argelino tem estado desinspirado e com pouco fôlego, embora continue a ser o único a acrescentar valor (e perigo) com a bola no pé. O mexicano, capitão, tem sido uma sombra de si próprio. Desacertado, desconcentrado, ausente. Aguardamos ansiosamente por provas em contrário.  

4: Danilo voltou, o que é uma notícia muito boa! Mas ainda está longe da sua forma física habitual. E, sem isso, torna-se um jogador bem inferior ao seu real valor. Que recupere rápido aquela força e pujança!

5: De uma forma geral, a maioria dos jogadores aparenta estar numa forma física inferior ao que vimos em grande parte da época passada. E isso numa fórmula que pede velocidade, que pede choque, que pede duelos, que pede luta, nota-se ainda mais. O modelo que conhecemos de Sérgio Conceição exige todos os jogadores a top! Consensual de que não têm estado assim. Ou então é só uma falsa aparência provocada por uma maior desorganização e uma menor proximidade.
Enfim, problemas há muitos e quem estiver atento percebe-os bem. Mas já há por aí muitos blogues pseudointelectuais que só procuram o “bota-abaixo”, quiçá, porém com outro tipo de interesses camuflados.

Foquemos então nas Soluções que temos para dar a volta ao momento e recuperarmos o nosso lugar:

1: Recuperar fisicamente e animicamente (se for preciso) os jogadores. Os jogadores têm de voltar a comer a relva, a ganhar os duelos no limite, a chegar à bola primeiro, a ganhar no “in extremis”. Se o modelo é físico, de choque, de correria, então há que garantir o power necessário. A ganhar no grito. Mas se até Sérgio Conceição reconheceu que não se ganha só no grito, estará claro de que esta não é a solução ideal. Pelo menos não será a solução completa.

2: Aumentar a variabilidade no nosso jogo. Não Mister, não é preciso abandonar a força nas bolas paradas, a procura da profundidade, a coragem nos duelos. É preciso, isso sim, que isso não seja a nossa única estratégia ofensiva. É preciso mais combinações, mais bola no pé, mais ideias, mais cérebro, mais tentativas de quebrar linhas a partir de jogo interior. Mais variabilidade, mais imprevisibilidade. E, porventura, intérpretes diferentes. Mister, já lhe falei do Oliver? Aqueles vinte minutos contra o Galatasaray não foram suficientes para se perceber a ideia?

Para terminar, o Mar Azul tem de continuar a acreditar e a fazer as grandes exibições do costume. Os "Baluartes", os "Portos Lúcidos", os "Batalhas", e todas as demais fortalezas azuis e brancas, também devem continuar a fazer o seu excelente trabalho. Mas lá dentro, as coisas também têm de começar a ser diferentes. Percebermos e reconhecermos isso sem medo é o primeiro passo para darmos a volta! Sérgio Conceição foi o principal responsável da nossa alegria no ano passado. É também com ele que contamos para inverter a situação. Para ontem Mister, antes que seja tarde!

Contigo até ao fim!

27 setembro, 2018

OLIVER, O FANTASMA DE CONCEIÇÃO.


Talvez por um (quase) inesgotável crédito que me merece Sérgio Conceição, tenho vindo a adiar falar de algo que me tem atormentado e angustiado como adepto de futebol, e mais ainda como adepto do Futebol Clube do Porto. Mas as últimas exibições, sobretudo a forma como tão mal temos tratado a redondinha, levam-me a que fale disso já. Antes que seja tarde, digo eu na minha remota e ínfima esperança de que Sérgio Conceição ouça algum sussurro com estas ideias nos próximos dias. Ideias que vêm única e exclusivamente demonstrar a minha total e absoluta discordância para com a ausência de Oliver Torres nas quatro linhas.

“Ah e tal, o mister gosta de quem chega rápido, de quem tem intensidade na recuperação, de quem é agressivo, de quem ganha no choque, de quem vai e vem com tudo.” Pois bem, o “chegar rápido”, a “intensidade na recuperação”, o “ser agressivo”, o “ganhar no choque”, o “ir e vir com tudo”, entre outros, são tudo comportamentos, atitudes ou formas de estar que funcionam como uma espécie de extra mile, não como a essência de tudo. Porque a essência, pelo menos deste desporto, nunca fugirá muito da bola, a redondinha, e do que se faz com ela. Há alguém a tratar a bola melhor que Oliver no meio-campo do FCP? Danilo, Herrera, Sérgio Oliveira? Num momento em que parecemos não saber o que fazer com a bola durante grandes períodos do jogo, não ganharíamos em ter alguém que a sabe tratar como ninguém naquele meio-campo?

“Tratar a bola bem” é decidir com critério, é passar a bola com qualidade, com ideias, é ligar as diferentes fases do jogo, os corredores, o eixo central, receber e dar entre linhas, organizar ideias ofensivamente, desenhar melhores caminhos para a equipa progredir, avaliar em que circunstâncias a equipa fica numa melhor posição perante o adversário, é colocar a bola no espaço que poucos repararam existir, é interpretar e processar o contexto para decidir e executar em conformidade. Escrito assim até parece complicado, mas é a coisa mais simples que há: “tratar a bola bem” num jogo é facilitar o mesmo, “tratar a bola bem” numa equipa é fazer com que ela jogue mais e melhor.  

Sim, eu não só acho que Oliver faz isso como já o vi fazer de azul e branco vestido. Para os haters desta minha ideia, fica um desafio: recuperem a primeira parte do Porto x Benfica de 2016. Vejam o que Oliver fez nesse jogo, como fez, e garanto-vos que compreenderão melhor o que estou a tentar dizer. Não sei também o que se passou naquele Porto x Besiktas do ano passado que arrumou de vez com Oliver do 11, não sei se o treinador teve sérias razões para o encostar, mas sei que é um tremendo desperdício ter um jogador assim no banco, quase sem minutos, quando a equipa vai suplicando por alguém com ideias claras, que as organize, que as pense.

Caro Mister, tem sido muito fácil estar consigo e com as suas decisões em praticamente tudo ao longo deste tempo, mas neste caso há um abismo a separar-nos. Dê lá uma ou duas oportunidades verdadeiras ao miúdo, nem que seja para demonstrar que a razão da decisão está mesmo do seu lado. Enquanto isso não acontecer, ficará sempre a ideia de que estamos a desperdiçar um recurso de ouro que poderia catapultar a equipa para um patamar exibicional diferente. Sexta-Feira lá estarei no lugar do costume, na esperança de ver uma ideia diferente. Ou, pelo menos, a tentativa de. Se assim não for, temo que volte o fantasma...  

29 agosto, 2018

HÁ DERROTAS QUE MATAM, OUTRAS QUE DESPERTAM!


A ideia de que há derrotas que matam, outras que despertam já tinha sido lançada há várias décadas pelo génio de Saint-Exupéry, porém o passado sábado fez questão de a recuperar na sua máxima essência. Sim, porque perder para o Campeonato no nosso Dragão não acontecia há mais de dois anos.

Está nas mãos (na verdade é mais nos pés até) do nosso plantel e do nosso treinador provarem que esta derrota servirá muito mais para despertar a equipa que foi campeã no ano passado do que propriamente para matar qualquer esperança de provar que a época anterior foi muito mais do que... o Herrera aos 90.

Eu prefiro acreditar que foi uma derrota para despertar, porque vi atributos à Campeão na reação ao que aconteceu. Por parte de adeptos, equipa, treinador, clube, universo azul e branco.   

Vi adeptos verdadeiros
Os verdadeiros apoiam sempre, não viram as costas ao primeiro embate, nem levantam o rabinho da cadeira rumo ao carro ou ao metro antes do jogo acabar só porque não estão a gostar do que estão a ver. A maioria apoiou e não abandonou a equipa à angústia já de si praticamente inevitável por via daquela derrota.

Vi reações inteligentes
Inteligentes e realistas, percebendo que nem somos os magos da bola porque demos 5-0 ao Chaves num grande jogo, nem somos tão fraquinhos que deixámos o VSC virar um 2-0 no nosso estádio para 2-3. Somos, isso sim, uma equipa de campeões, que está ainda à procura não só da melhor forma e dinâmica, mas também tentando reinventar-se por forma a disfarçar alguns problemas e limitações que tem. A boa notícia é que os rapazes podem muito mais do que mostraram até agora. A má notícia é que essas tais limitações são ainda mais visíveis no plantel do que na equipa-base propriamente dita. Quando o calendário apertar…. You know what I mean.

Vi coragem no treinador   
Todos sentimos que não merecemos mais do que a sorte que tivemos. O mais incrível foi vermos Sérgio Conceição assumi-lo, sem desculpas, com toda a frontalidade e honestidade do mundo. O mister disse o que todos sentíamos naquele momento, mas que raramente ou quase nunca ouvíramos em passados comparáveis. Aquela flash interview + conferência de imprensa foram, na minha humilde opinião, um dos momentos mais marcantes (na imprensa) do seu legado de um ano e poucos meses na cadeira de sonho. Porque é bom para o clube (e mais ainda para a equipa) admitir o que é responsabilidade nossa com coragem e sem truques, e porque isso é também salutar para o futebol de mais alto nível. Os grandes, os verdadeiros grandes, conseguem ser ainda maiores quando perdem.  Mesmo que seja a coisa que mais odeiam fazer nesta vida.

Vi reações honestas na hora em que fomos beneficiados  
Ninguém teve problema de, prontamente, admitir que aquele segundo golo devia ter sido invalidado por offside e só algo muito anormal podia justificar a sua validação. Dito assim até parece óbvio e quiçá de um bacoco regozijo, já que é uma questão de dignidade apenas. Mas eu lembro-me de um certo jogo no ano passado de um golo anulado ao Herrera (que estava em jogo assim por, pelo menos, um metro) onde se andaram a contar histórias da carochinha só para não admitir o que mais custava: que o FCP deveria ter vencido aquele jogo. E também posso lembrar o famoso jogo da Vila das Aves onde uma falha no sistema do VAR permitiu que o Benfica fosse beneficiado. Acusem-me de ser faccioso, mas a reação pública não foi mesmo a mesma, não foi sequer comparável.

E agora queria ver…. Resiliência
Resiliência... na equipa, nos adeptos, na estrutura, em todo o lado. Resistir à adversidade, adaptar-nos à diferente circunstância que nos trouxe tão inesperada derrota. Evoluirmos na aprendizagem, com os erros cometidos. Não repetir erros. Potenciar o que de bom temos feito. Enfim, o bê-á-bá de uma reação à Campeão. E para acabar, uma dica “provocatória”, reforçada nos últimos dois jogos. Oliver de início, Mister! Porque não? Eu sei que é um assunto polémico, mas eu sou um dos que quer combater a ideia de que no seu 11 só cabem os jogadores da passada larga, do choque, da corrida e da “intensidade”.   Sim, Oliver ainda remata à baliza como se estivesse nas escolinhas, mas nos pés dele a bola é mais redonda. Quantas bolas perde? Quantas vezes deixa a equipa numa melhor posição depois de soltar a bola? Quantas vezes vê o que mais ninguém viu? A sério que um jogador com estes pés não tem mais minutos? Das últimas vezes que vi Oliver entrar, fiquei sempre com a sensação (se calhar foi só mesmo sensação às tantas) de que a equipa ficou melhor, de que a equipa ganhou qualidade de jogo. Vá lá Mister, não queria começar a ser chato com este assunto. Só uma vez, num jogo a sério qualquer. E atenção que Domingo é para voltar a ganhar. Just saying….


16 agosto, 2018

5 GOLOS, 5 APONTAMENTOS "SEM PAPAR GRUPOS!".


O Campeão em título arrancou a defesa do cetro da melhor forma, com 5 golos sem resposta ao Desportivo de Chaves. Depois da vitória na Supertaça, o regresso ao Dragão com 5 Golos que dão confiança e sublinham superioridade. 5, um número redondo também para organizar ideias e tirar os principais apontamentos do que se passou nos últimos dias.

1. A Exibição do Futebol Clube do Porto

Categórica exibição. Futebol empolgante, quer do ponto de vista coletivo quer do ponto de vista individual. Com intensidade e agressividade sobre a bola que não deixaram o adversário respirar, e muito menos jogar. Viu-se também muita velocidade no pós-recuperação a potenciar a eficácia das transições ofensivas. E muita presença na área e nas suas imediações de jogadores azuis e brancos, oferendo múltiplas soluções e combinações de jogo. Para rematar com “Chave” de ouro há também que destacar as bolas sempre inteligentes, bolas com ideais, bolas com propósitos, bolas com intenções. Por outras palavras, sem muito pontapé para a frente ao estilo “Sobe equipa!”. Resultado: 5 golos de jogadas com sentido e uma esmagadora maioria de remates já dentro da grande área adversária. Mister, repita lá isso mais vezes por favor!
Nota de rodapé: Que o pontapé para as costas da defesa adversária seja apenas uma alternativa de entre várias, e nunca a solução principal. Nem que seja enquanto Marega está “encostado”. Ou enquanto a equipa revelar esta capacidade, no mínimo.

2. O que quis dizer Sérgio Conceição

O “Temos de fazer mais e melhor este ano” pode ser lido como uma mensagem de alerta e exigência ao plantel, mas também um aviso à navegação de que talvez seja preciso mais qualquer coisa. O “Vamos encontrar dificuldades e não chega fazer o mesmo que na época passada. Temos de fazer mais e melhor este ano para conseguirmos ganhar” acaba por confirmar isso mesmo. Sérgio está a querer subir os padrões, e isso é a maior garantia de que temos mesmo um grande treinador, alguém não só extremamente competente e apaixonado pelo que está a fazer, mas também perfeitamente consciente da realidade e das dificuldades que o esperam durante a época. Em suma, seria bom ter mais um ou outro reforço para melhorar a equipa. Porém, se não forem mesmo (verdadeiros) reforços, é melhor irmos à luta assim sem mexer mais!

3. O Mar Azul

Sintonia, empatia, alegria. Confiança e apoio forte. Sem ninguém desarmar, tudo a remar para o mesmo lado. Incondicionalmente, indefetivelmente. Constantemente a empurrar a equipa. É assim que tem de ser, é assim que se quer. Se der, é também isto que é necessário para o fim-de-semana no Jamor. É que temos feito maus resultados contra o Belenenses (a derrota do ano passado assustou muita gente), e portanto, temos já aqui uma oportunidade espetacular de começar a “fazer mais e melhor este ano”. Com tudo e todos, “Para cima deles!”

4. Arbitragem e tentativas de aproveitamento

Preferível sempre falar de futebol, da equipa, do que estamos a fazer bem e do que podemos fazer melhor. Foco em nós próprios, apenas. Mas esta campanha hipócrita, descarada e sem-vergonha de tentar associar a arbitragem do jogo a um benefício (absolutamente falso, diga-se) da nossa equipa é claramente uma tentativa de começar já a condicionar as coisas e a desviar atenções mais importantes. Vamos então ao essencial dos três lances polémicos:
Maxi devia ter visto cartão amarelo. A entrada é dura e arriscou em demasia. Maxi tem de ter mais cuidado, e o amarelo seria mais do que justo. Agora alto e paira o baile: a bola estava completamente jogável tanto para Maxi como para Luis Martins, pelo que pedir vermelho aqui só mesmo se se for da mesma cor. Pior do que isso é comparar esta entrada com a de João Teixeira (que levou a um justo cartão vermelho). Pé alto, pitons a ver-se, a deslizar de carrinho a 1 ou 2 metros de Sérgio Oliveira. Haja o mínimo de honestidade, ou então usemos o humor para responder. A comparação é que não dá mesmo para ser levada a sério.
Devia ter sido assinalado penalty sobre Otávio. O árbitro não viu, o VAR também não. No dia anterior, não aconteceu o mesmo mais a Sul. O penalty não teve influência nenhuma no resultado e no jogo, mas e se tivesse? Pois, que ninguém se distraia do essencial!
Brahimi tem também de se controlar mais. Não porque merecesse vermelho, até porque todos sabemos que a polémica nasce apenas de um aproveitamento conveniente e mafioso de um único frame em que Brahimi coloca a mão (erradamente) no pescoço a Niltinho, mas sobretudo porque situações destas vão expor sempre o jogador a situações de polémica, não existindo como se sabe absolutamente nada que previna desfechos mais prejudiciais. No fundo, Brahimi precisa de ter mais cuidado, e o Porto precisa de ridicularizar o avermelhado pedido de comparação (e tratamento) desta situação com a de Samaris. Fica uma sugestão: coloquem-se ambos os vídeos em imagem corrida. E uma música infantil a acompanhar. Haters vão dizer... (o quê?)

5. A Imprensa invertebrada

Comparem os “casos” Marega e Jonas lado a lado, bem como o respetivo tratamento que cada um teve pela imprensa. As capas de Jornal que se fizeram sobre cada situação e os especiais de informação nas Televisões. Para os mais distraídos, eis um resumo preguiçoso: Marega quer sair, recusa-se a treinar, o Porto não o quer deixar sair e a situação é já extremamente delicada, o jogador está desmotivado e o ambiente com o clube agudizou-se. Já o caso Jonas é “bem diferente”: O Pistolas adora o clube onde está, mas tem propostas irrecusáveis de fora. Por acaso, também não tem jogado, mas porque tem um problema nas costas apenas. Entretanto, tem uma proposta do seu clube para renovar que o enche de felicidade e na verdade as propostas de fora não eram assim tão irrecusáveis. Quer terminar a carreira no Benfica, e os crónicos problemas de costas também não são assim tão significativos. Blá, Blá, Blá… dá para levar tudo isto a sério?


A luta tem de continuar com respostas em campo como as que temos dado, com uma procura e vontade constantes em tentarmos melhorar, com um apoio cada vez mais forte, unido e assíduo, e com firme atenção e pronta reação a todas as tentativas cénicas de ludibriar os dados deste jogo. Como se diz à boa maneira Invicta, “Sem papar grupos!”.

27 julho, 2018

SE NOS FALTAR APTIDÃO, QUE NOS SOBRE ATITUDE!


A competição está finalmente aí ao virar da esquina e convém imitar a época transata começando com tudo, mas mesmo com tudo. Com tudo o que temos, seja muito, seja pouco. É, pois, momento de fazer um curto balanço da pré-época até agora, perspetivando o horizonte no curto e médio prazo.

Comecemos por analisar de forma muito sumária o plantel atual. Na baliza, não teremos problemas e é apenas necessário dispensar pelo menos um guarda-redes para rodar, dado que quatro guarda-redes parece demasiado.

Nas laterais, é preciso um substituto para Telles para a esquerda, sendo que na direita a experiência de Maxi deverá permitir o crescimento e maturação do talento (inequívoco, a julgar pelo trato da bola e mais ainda pela velocidade no movimento e execução) de João Pedro.

No eixo central, poderá ser mais difícil. Há Felipe. E agora Mbemba. E pode haver muito em breve (quiçá ainda antes desta publicação, ou não) Militão. Há ainda Chidozie, que parece contar muito pouco a julgar pela pré-época. E há Diogo Leite, que tem grande chance de se vir a tornar o próximo grande central português. A maturidade que revela no posicionamento e a forma como orienta o corpo nos duelos fazem antever um grande central. E sem esquecer o pé esquerdo, característica para o tornar ainda mais distintivo. Porém, precisa ainda de solidificar e acabar de crescer, pelo que é imperativo garantir uma dupla de centrais que ofereça totais garantias no imediato. Quer isto dizer que é verdadeiramente importante que ou Mbemba ou Militão (para não exagerar a pedir os dois dado as nossas últimas aquisições) sejam um verdadeiro reforço para formarem uma dupla sólida com Felipe. No fundo, não nos podemos esquecer que a defesa foi um dos grandes pilares da nossa vitória do ano passado, sendo também o sector mais fustigado na silly season e, portanto, aquele que se perfila como fator crítico de sucesso para a época que agora vai começar.

Pois bem, no meio-campo creio que não teremos problemas: Danilo, Sérgio Oliveira, Herrera e Oliver. Mais Bruno Costa. Creio ser suficiente para 2 (muitas vezes) ou 3 (algumas vezes) lugares no onze. Ideal seria ter mais um elemento com características diferentes, mas creio que não será por aqui que as coisas poderão falhar. Questões que muito influenciarão a amplitude do sucesso: Sérgio Oliveira manterá o nível da época passada ou aquele jogo contra o Sporting no Dragão foi mesmo once in a lifetime? Oliver será capaz de se adaptar ao jogo da equipa, com mais movimento, mais vertigem e mais choque? Bruno Costa tem pedigree para começar a ser lançado já com mais frequência? Danilo e Herrera estão a salvo dos ímpetos de última hora do mercado?

Nas alas, Brahimi e Corona. Otávio também lá pode jogar. E Hernâni. Parece demasiado curto. Primeiro porque é aqui que deverão estar os abre-latas, que tanto jeito dão. E segundo porque Corona insiste em fazer jogos em que faz uma coisa excelente e duas péssimas, e terceiro porque Otávio é do mesmo género, e quarto porque Hernâni é única e exclusivamente (apenas e só, estão a ver a ideia?) rápido. Pois que um verdeiro reforço aqui não seria de descartar, até porque basta uma lesão de Brahimi e as coisas complicam-se muito. É verdade que Brahimi exagera em rotundas e formas semelhantes, soltando a bola demasiadas vezes depois do tempo, mas também não é mentira que atrai dois ou três adversários de cada vez, sendo na maioria das vezes o principal criador de lances com potencial de golo. Se tivéssemos outro a fazer coisas parecidas, a equipa subiria muitíssimo de nível. Não temos, pelo que ter pelo menos um já será bem bom.

No ataque, Aboubakar, Soares e Marega oferecem garantias. André Pereira poderá ser um bom quarto elemento, embora tenha algumas dúvidas sobre se não seria melhor ser emprestado para jogar mais. E Adrian L. (deixo o resto do comentário para vossa imaginação e gosto)

Em suma, o plantel não estará assim tão deficitário quanto se apregoa. Em comparação com o ano passado, esclarecimento imprescindível. E creio que será por aqui também que Sérgio Conceição fez aquelas declarações. Talvez não só por estar ainda sem reforços na defesa que substituíssem Ricardo, Dalot, Marcano e Reyes (Layun já estava fora), mas também por saber que a manta pode ser demasiado curta. Porque, pura e simplesmente, já o era no ano passado. Será prudente e inteligente da nossa parte percebermos que fomos campeões nos limites da vontade, da garra e da motivação, disfarçando de todas as formas e feitios todas as limitações que tínhamos. E acredito mesmo que é isso que o treinador também pensa e quer: depender menos das bolas paradas, do sucesso dos dribles do Brahimi e das cavalgadas de Marega a esticar o jogo.

Portanto, são precisos e bem-vindos reforços. Não contratações, mas reforços. Não Jankos, Ewertons, Paulinhos e Waris. Se foram dispensados, é porque o treinador achou que não tinham qualidade para a equipa, ou que no mínimo não lhe acrescentariam nada. Foram então contratações recomendadas por quem? Com o aval de quem? E quem ganhou com elas? E o que ganhou? E o que ganhou também a equipa? E o clube? Numa fase de assumidas dificuldades financeiras, é verdadeiramente difícil de explicar o fenómeno das últimas contratações. Agora é difícil de voltar atrás, pois que a melhor lição é não repetir! Uma curta nota para o caso de Ewerton e Paulinho também. Será demasiado cedo para tirar conclusões claras. O Portimonense retratou-se, mas não pediu desculpas pelos danos (de imagem, que não foram poucos) causados pelo tal presidente da SAD. E o Porto também ainda não o exigiu, pelo que na falta de esclarecimentos mais clarividentes, importantes e necessários, acho imprudente elaborar muito mais sobre o assunto.

Com mais ou menos asneiras de mercado, com mais ou menos necessidades na equipa e no plantel, está na hora de pôr o pé a fundo e começar a acelerar. Cerrar fileiras, encher o peito e ir à luta. Não são esperadas grandes facilidades, mas também já nem me lembro de quando as tivemos. E embora seja desejável e altamente recomendável mais qualidade, convém lembrar que o sucesso é mais atitude que aptidão. E a sagrada história deste clube diz-nos isso! Pois então que “Se nos faltar aptidão, que nos sobre atitude!”