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02 junho, 2015

R&C CONSOLIDADO 2014/15 (31/03/2015) DA FCP, FUTEBOL,SAD

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

R&C CONSOLIDADO 2014/15 (31/3/2015) DA FCP, FUTEBOL,SAD

Por muito estranho que possa parecer, é possível encontrar algumas semelhanças entre os R&C e o basquetebol. A ideia ocorreu-me agora com a divulgação no passado dia 30/05/2015, após o fecho da sessão de bolsa, dos resultados relativos à data de 31/03/2015, isto é, ao fim do 3º trimestre do exercício de 2014/15. Tal como no basquetebol existem 4 períodos de 10 minutos, nos R&C existem 4 períodos de 3 meses, sendo que cada período acumula aos anteriores, como todos sabemos. Por isso, quando ao fim do dia da passada sexta-feira vi em toda a comunicação social online a notícia de “SAD do FCP lucra 553 mil”, incluindo o próprio site do clube (ver AQUI) fiquei todo contente porque sabendo que vínhamos de um prejuízo de 8,3 M€ no 1º semestre (lucro de 13,5 M€ no 1º trimestre e prejuízo de 21,8 M€ no 2º trimestre), o que no basquetebol corresponde ao intervalo (fim do 2º período), pensava eu que tínhamos invertido de prejuízo para lucro, o que não seria de admirar tendo em vista a venda do passe do Danilo por 31,5 M€ e o prémio da passagem aos quartos da CL (3,9 M€) ocorridos no 3º trimestre.

Erro meu!

Erro meu, porque no dia seguinte quando vou analisar com detalhe o R&C, chego à conclusão que aquele lucro de 553 m€ é apenas referente ao 3º trimestre (1/1/2015 a 31/3/2015), e não ao período a que respeita o R&C, como seria de esperar, que vai de 1/7/2014 a 31/3/2015, isto é, 3 trimestres. Erro meu, porque o que este R&C revela é um prejuízo acumulado de 7,8 M€, ou seja, os 8,3 M€ de prejuízo transitado dos dois primeiros trimestres abatido dos 0,5 M€ de lucro no 3º trimestre. Erro meu? Eu só pergunto, se vos dissessem o resultado de um jogo de basquetebol no fim do 3º período, o que esperavam vocês? O resultado do 3º período ou o resultado ao fim do 3º período?

Fica aqui todo este arrazoado apenas e só para esclarecer algum incauto, como eu, e para dar conta do excelente trabalho do departamento de comunicação do FCP que consegue transformar um prejuízo de 7,8 M€ (ao fim do 3º trimestre) num lucro de 0,5 M€ (no 3º trimestre). Assim sejam eles tão bons onde mais é preciso, que é a área do futebol!

Outra semelhança que me ocorre é o MVP. Most Valuable Player no basquetebol, e Mais-Valias Potenciadas nas contas.

Os nossos MVP foram Mangala e Defour no 1º trimestre, cujos passes renderam 30.503.590 € e 6.000.000 €, a que corresponderam mais-valias de 22.806.942 € e 2.683.593 €, e Danilo no 3º trimestre (venda por 31.500.000 € e mais-valia de 23.101.403 €). Ou seja, nesta altura, vamos com 68 M€ de vendas de passes e 49 M€ de mais-valias, o que projectando uma eventual venda do passe de Jackson Martinez no último trimestre, será suficiente para cumprir o Orçamento e apresentar contas equilibradas no fim do exercício. Por isso, quando me perguntam se o actual modelo de negócio da SAD é sustentável, eu respondo sempre da mesma maneira: quem acreditar que é possível todos os anos efectuar vendas de passes de jogadores na ordem dos 100 M€, a que correspondam mais-valias de cerca de 60 M€, eu digo que sim; quem não acreditar...

Um ponto sempre muito sensível das contas, no meu ponto de vista, é o passivo financeiro (empréstimos bancários e obrigacionistas). Comparando a situação em 30/06/2014 e em 31/03/2015, vemos que este passivo financeiro subiu de 139.142 M€ para 149.173 M€. Subiu? A aritmética assim o indica, no entanto, as contas e a sua comparabilidade exige muito cuidado para não cairmos em erro. De facto, as contas em 30/06/14 não integravam a Euroantas (Estádio do Dragão) que só em 22 de Outubro de 2014, por força do aumento de capital passou a consolidar na SAD, e como a Euroantas, trazendo o estádio como activo, também trouxe passivo, no caso, passivo financeiro relativo ao project finance de 15.270 M€, se expurgássemos este valor das contas da SAD, então o passivo financeiro tinha diminuído cerca de 5 M€. O que significa que esta importante componente das contas, até ao momento, está relativamente bem controlada. O que não quer dizer que o peso dos custos e perdas financeiros associados (juros pagos) não sejam excessivos, são e não é pouco. Nestes primeiros nove meses do exercício de 2014/15, esses custos já vão em 13.623 M€ (9.680 M€ no período homólogo do ano anterior)

O grande problema é o fundo de maneio, isto é, a tesouraria, por outras palavras, a falta de liquidez. Mas este já é um problema crónico, já há muitos anos que a SAD se vem a debater com ele, e infelizmente não tem solução à vista. Bem pode o administrador financeiro dizer que diminuiu a exposição à banca nacional, que tem conseguido financiamento no estrangeiro (tudo bem que a diversificação é positiva), mas o cutelo da liquidez está sempre em cima dele. É uma situação muito perigosa porque a qualquer momento pode descambar ainda mais. Temos exemplos de muitas empresas rentáveis que por falta de apoio bancário tiveram que fechar. De certeza que na SAD se está muito atento a este aspecto.

Para terminar de forma mais ligeira, uma curiosidade a que nas SAD´s nunca se dá importância: os incobráveis, sim, no FCP também há crédito mal parado! São os chamados “clientes de cobrança duvidosa” cujo valor em 31/03/2015 ascendia a 4.659.548 €. Como em 30/06/2014 esse valor era de 3.189.596€, isso significa que nos últimos nove meses esta rubrica aumentou quase um milhão e meio de euros. Ainda é dinheiro. Bem que eu gostava de saber quem são estes caloteiros, mas o R&C não descrimina (nem tem que descriminar).


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

03 março, 2015

R&C CONSOLIDADO – 1º SEMESTRE 2014/15

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Resultados consolidados do 1º semestre de 2014/2015
Relatório e Contas Consolidado do 1º semestre de 2014/2015

Ao contrário dos comentários aos jogos, que são sempre (quase) imprevisíveis, comentar as demonstrações financeiras (as “contas”) duma sociedade como a FC Porto, Futebol, SAD acaba por ser algo repetitivo em função dos factores que condicionam a sua actividade financeira, e que são por demais conhecidos.

Desde logo, a realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores.

Senão, repare-se:

Nos 3 primeiros meses do exercício (Julho, Agosto e Setembro de 2014) correspondente ao 1º trimestre, houve mais-valias de 25.9 M€ (Mangala e Defour), daí que esse período tenha encerrado com um lucro de 13,5 M€. Nos 3 meses seguintes (2º trimestre) como não se realizaram mais-valias o resultado foi um prejuízo de 21,8 M€.

Somando algebricamente o lucro de 13.5 M€ do 1º trimestre com o prejuízo de 21.8 M€ do 2º trimestre obtém-se o resultado do 1º semestre, ou seja um prejuízo de 8.3 M€.

O que há que notar, e reflectir, é sobretudo o agravar do défice mensal sem transacções de passes de jogadores. De facto, este défice que em anos anteriores era de 4/5 M€/mês (daí a necessidade de realização de mais-valias de cerca de 50 M€/ano para equilibrar as contas), de repente sobe para 7 M€/mês neste 2º trimestre o que, mesmo considerando a sazonalidade da actividade, vai colocar uma pressão acrescida na realização de mais-valias no mês de Junho, pelo menos mais 40 M€ (a somar aos 25,9 M€ já conseguidos), isto se não se pretender fechar o exercício com mais um grande prejuízo.

Aqui chegados, a pergunta que se coloca é: qual o motivo para este agravar do défice mensal?

Como todos os que acompanham a vida do Clube pressentem, a explicação reside no substancial aumento dos custos salariais. Basta comparar os “custos com o pessoal” deste período com o período homólogo: 36.008 m€ este ano contra 24.676 m€ no ano anterior. Como estamos a analisar um período de 6 meses, esta diferença de quase 12 M€ representa um acréscimo de custos de 2 M€/mês.

Também a integração do Estádio do Dragão no perímetro de consolidação da FCP, Futebol, SAD, que ocorreu neste período, trouxe agregado o passivo da Euroantas, sociedade que assumiu o “project finance” do estádio, acarretando por essa via um substancial aumento dos custos e perdas financeiras:

8.560 m€ este ano contra 6.523 m€ no ano anterior. Ou seja, quase um milhão e meio de euros por mês de encargos financeiros (basicamente juros suportados), o que se traduz numa enorme drenagem de recursos da sociedade, que muita falta fazem, e que muitas dores de cabeça devem trazer ao administrador financeiro. Mas, são as consequências do excessivo endividamento que, pelo andar da carruagem, veio para ficar.

Ainda sobre a integração do Estádio do Dragão nas demonstrações financeiras da SAD, isso veio a traduzir-se numa alteração substancial da sua situação patrimonial com reflexos no activo, passivo e capitais próprios.

Assim, o activo total entre 31/12/2013 e 31/12/2014 passou de 191.143 m€ para 333.113 m€, o passivo total subiu de 212.752 m€ para 278.511 m€, e como resultado o capital próprio, que era negativo em 21.609 m€, passou a positivo no total de 54.602 m€. Por curiosidade, o valor líquido do Estádio do Dragão nesta altura é de 138,2 M€.

Uma última nota sobre o muito falado, pelos comentadores desportivos e não só, elevado investimento no plantel. Pois bem, se isso é verdade no que toca aos encargos salariais, basta ver o que foi escrito acima sobre o assunto, o mesmo não pode ser dito quanto à gestão de aquisições e vendas de passes de jogadores. De facto, quando se analisa esta matéria, deve ser tido em conta não apenas as compras (investimento), mas também as vendas (desinvestimento). E o que importa avaliar é o saldo entre estas duas rubricas, e isso pode ser analisado através das amortizações e perdas por imparidade com passes de jogadores. Ora, o que nos mostra o R&C, é que as amortizações e perdas por imparidade com passes de jogadores totalizaram um valor de 14.695 m€, em 31/12/2014 (6 meses) contra 14.424 m€ em 31/12/2013. Ou seja, um valor semelhante o que quer dizer que o investimento efectuado no período com as aquisições de passes de jogadores foi semelhante ao desinvestimento relacionado com as vendas dos passes.

Estes são, em traços gerais, os aspectos que me parecem mais relevantes, de resto toda a panóplia de outros gastos e rendimentos estão em linha com o que é habitual, salvo um ou outro caso derivado de alterações nos critérios de contabilização em resultado da integração do estádio nas contas da sociedade.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

29 novembro, 2014

SOL E SOMBRA.

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Depois de um record negativo traduzido no maior prejuízo de sempre da FCP-SAD (contas consolidadas de 2013/14) – 40,7 M € - eis agora que as contas consolidadas referentes ao 1º trimestre de 2014/15 revelam um lucro de 13,5 M €.

Como é sabido, as explicações do administrador financeiro Dr. Fernando Gomes para tão elevado prejuízo em 2014 foram duas, a realização do Campeonato do Mundo de futebol no Brasil que adiou a realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores, e o não apuramento directo para a Liga dos Campeões o que inviabilizou a contabilização do respectivo prémio (8,6 M €). Explicações, aparentemente, muito lógicas, tão lógicas que não me apercebi que tenha havido qualquer contestação a tais argumentos. Mas, será mesmo assim, ou não haverá aqui um camuflar da realidade?

Vejamos, vamos revisitar as contas de 2010. O que aconteceu em 2010?

Tal como em 2014 foi ano de Campeonato do Mundo de futebol, então na África do Sul. E, tal como em 2014, o FCP não se apurou para a Liga dos Campeões por ter-se classificado em 3º lugar atrás do Braga. Com uma agravante: enquanto em 2014 ainda pode contabilizar o prémio (2,1 M €) de acesso ao play-off da LC, em 2010 nem isso, foi directo para a Liga Europa. Portanto, segundo a lógica do Dr. Fernando Gomes, 2010 também devia ter sido um ano de enorme prejuízo financeiro, certo?

Não, errado! O ano de 2010 terminou com um lucro, pequeno mas lucro (cerca de 80.000 euros).

Ou seja, o problema não é o Campeonato do Mundo ou da Europa porque a cada dois anos temos a realização de um deles. O problema, como não me tenho cansado de referir, está no modelo de negócio baseado numa estrutura de rendimentos/proveitos marcadamente desequilibrada, onde as mais-valias na venda de passes de jogadores andam próximo dos 50% do total de rendimentos. Por exemplo, o orçamento para 2015 prevê um total de proveitos de 155,7 M € dos quais 89,2 M € são proveitos operacionais a que se somam 66,5 M € de resultados de transacções de passes (isto é, 42,7% do total dos proveitos).

Tudo isto conduz a que o FCP fique numa situação fragilizada, dependente dos clubes compradores, e como o período fiscal/contabilístico (30 de Junho) não coincide com o período de transferências (31 de Agosto), enquanto esta estrutura de rendimentos não se alterar, este autêntico carrossel de prejuízos/lucros/prejuízos há-de continuar.

Mas vamos às contas do 1º trimestre de 2014/15, que é o que importa agora.

Começo logo por um aspecto muito positivo: embora o passivo total tenha subido 35,7 M €, o que vai ser muito salientado pelos adversários, isso não é preocupante porque é contrabalançado por um aumento do activo total em 49,2 M € (basicamente devido ao aumento do valor do plantel fruto das novas aquisições), mas boa notícia mesmo é, dentro deste passivo total, a diminuição do passivo remunerado (isto é, empréstimos bancários e obrigacionistas) em 14,5 M €, o que pode fazer baixar no futuro a factura dos juros a suportar. De facto, neste 1º trimestre os custos e perdas financeiras ascenderam a 4,6 M €, valor exageradíssimo, e que continuou a subir face a igual período do ano anterior quando tinham atingido o valor de 3,2 M €. Esperemos, portanto, que se consiga uma inversão da tendência nesta rubrica.

Pela negativa a sistemática, estrutural, e sem fim à vista, pressão sobre a tesouraria, resultado de um passivo corrente (inferior a 1 ano) de 208,9 M € apenas coberto por 113,8 M € de activo corrente. Significa isto que a extrema dependência do crédito vai continuar, o que traz consigo uma muito complexa gestão de tesouraria.

Fundamental para o modelo de negócio, o resultado com transacções de passes de jogadores neste 1º trimestre atingiram o montante de 27 M € (inclui as mais-valias das transferências de Mangala e Defour). Como para o equilíbrio das contas no fim do exercício o orçamento prevê um total de 66 M €, isso significa que até lá será necessário ainda realizar um conjunto de negócios que proporcione um resultado líquido de 39 M €, o que certamente vai exigir um mês de Junho muito movimentado nas vendas, sob pena de se encerrar o exercício com mais um prejuízo.

De notar que o total de aquisições de passes de jogadores neste 1º trimestre ascendeu a 43 M € nos quais estão incluídos 6 M € de encargos relacionados com essas aquisições. Curiosamente, ao contrário de anos anteriores, agora não é feita a imputação individualizada destes encargos a cada uma das aquisições, o que sendo deliberado, traduz a vontade da administração de esconder essa informação do público, na minha opinião muito bem, visto entender que este tipo de informação deve ser reservado, por ser do domínio do segredo do negócio e, portanto, não tem que ser publicitado, evitando-se assim que a concorrência disso tenha conhecimento, inclusive essa mesma concorrência também omite essa informação.

Por último, uma breve referência à conta de exploração, onde se verifica uma ligeira melhoria de 3,1 M € nos resultados operacionais na sequência do aumento dos proveitos operacionais em 9,1 M €, por via do crescimento da receita obtida pela participação nas provas da UEFA, por contraponto ao aumento em 6 M € dos custos operacionais devido ao forte investimento efectuado no plantel e correspondente acréscimo dos encargos salariais.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

22 outubro, 2014

DESTRUIÇÃO DE VALOR.

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Finalmente publicado o Relatório & Contas do exercício fiscal de 2013/14, temos agora a visão real daquilo que já se previa, ou seja, um enorme prejuízo contabilístico, o maior de sempre da história da SAD – 40,7M de euros. O desastre desportivo da época passada já era conhecido e dele nem vale a pena falar. Já era dose suficiente para pôr qualquer portista de cabelos em pé, mas a dose acaba por ser dupla com a apresentação destes resultados financeiros.

Dir-se-á que não vale a pena chorar sobre o leite derramado e que há que olhar para o futuro (“há que levantar a cabeça” diria um qualquer jogador após uma derrota pesada). Certo. Mas, não menos certo, é a obrigação de analisar o que correu mal, corrigir, e tomar medidas para que tal não se volte a repetir. Se isso já está a ser feito na área desportiva (quero acreditar que a eliminação da taça de Portugal foi só um mero percalço), como é bem visível, embora em desporto ninguém possa garantir o sucesso, na área financeira ainda estamos para ver o que irá ser feito, se é que alguma coisa se planeia fazer tal é a pressão de toda a gente para alcançar os resultados desportivos, que são como é evidente o verdadeiro “core business” do FC Porto.

Posto isto, e indo à parte das contas que é o que aqui me traz, usando a linguagem do “economês”, diria que assistimos a uma enorme destruição de valor. Para suprir este colapso nos capitais próprios já se conhece a solução encontrada: a passagem de 47% do Estádio do Dragão da esfera do Clube para a esfera da SAD que, de caminho, deu uma enorme ajuda para resolver o bicudo problema que o fair-play financeiro da UEFA veio criar ao não permitir que a média do somatório dos resultados dos três últimos anos não ultrapasse os 5M € de prejuízo. Assim, podemos dizer que de uma cajadada se resolveram dois graves problemas. Resolveram, quer dizer, resolveram no curto prazo, resta saber como tudo se irá comportar no médio/longo prazo, e, como sabemos, o que se passará no longo prazo muito vai depender das medidas que entretanto se vão tomando, concretamente, medidas de contenção de custos/aumento de proveitos para atingir o equilíbrio operacional, ou seja o tal princípio do “break-even” (equilíbrio entre gastos e rendimentos) imposto pela UEFA no fair-play financeiro.

Equilíbrio que está longe de ser atingido como o demonstra as presentes contas.

Assim, depois de um resultado líquido consolidado negativo (prejuízo) de 35.734M € em 2012, e um igual resultado positivo (lucro) de 20.356M € em 2013, temos agora em 2014 este prejuízo de 40.701M €. Ou seja, a média destes 3 anos é de (-35,734 +20,356 -40,701) /3 = -18,693M €, isto é bem acima do tal máximo de 5M € permitido no regulamento da UEFA (mesmo considerando a possibilidade de abater os gastos com a formação e infra-estruturas), média considerada na avaliação da UEFA para este ano. Quem quiser projectar desde já a avaliação para o próximo ano, basta excluir da equação o ano de 2012 e incluir o ano de 2015 (previsão), podendo, porém, adiantar-se que o corrente exercício terá obrigatoriamente que terminar com um lucro, sob pena de cairmos novamente sob a alçada da UEFA, e, lá está, fazer novo aumento de capital para compensar o desequilíbrio entre rendimentos obtidos e gastos incorridos.

Analisando agora as linhas gerais das contas deste ano, o que será mais de salientar, do meu ponto de vista, é o seguinte:
    a) A cada ano que passa, cada vez mais se nota a extrema dependência da realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores. Como este ano “apenas” se obteve nesta rubrica o montante de 23.907M €, o que representa uma diminuição de 52.538M € relativamente ao ano anterior, temos aqui a explicação para o descalabro das contas. Por isso falo em extrema dependência, porque uma coisa é depender 10% ou até 20% desta componente dos proveitos e que seria bem acomodada na estrutura dos proveitos, outra coisa totalmente diferente é quando se depende em 50%, ou mais, desta componente. Depender de mais-valias, sim, mas com limites. Infelizmente, no caso da SAD há muito que se ultrapassaram esses limites, e cada vez mais, como se constata este ano com os resultados que se conhecem. Este é um caminho que tem necessariamente de ser invertido, nunca devia ter chegado tão longe, sob pena de um dia destes já não haver salvação possível. E os responsáveis do clube sabem disso, portanto espero que esta loucura termine e as boas contas regressem. Sabemos, pelo que é dito publicamente (ainda muito recentemente pelo administrador financeiro) que intenções há (mas também havia no passado...), resta saber se serão, e como, levadas à prática.
    b) Os custos com o pessoal, naturalmente a principal rubrica dos gastos, diminuíram 5.180M € relativamente ao ano anterior, o que aparentemente é bom. Digo aparentemente porque, de facto, esta diminuição ficou a dever-se a maus motivos. Esses maus motivos referem-se à não atribuição de prémios em virtude da ausência de títulos. De resto, em termos remuneratórios, nada se alterou.
    c) Os custos e perdas financeiras, fundamentalmente juros pagos dos empréstimos bancários e obrigacionistas, estabilizaram perto dos 13M €/ano (12.734M € contra 12.893M € no ano anterior). É bom que o ciclo ascensional que se vinha verificando tenha terminado, mesmo assim continua a ser um valor demasiado elevado e bem revelador do excessivo grau de endividamento. Para se ter uma ideia da relatividade destes números, basta dizer que estes encargos representam cerca de 15% dos proveitos totais quando, idealmente, não deviam ir muito além dos 5%.
    d) Activo a descer 12% e passivo a subir 6% é sinal de alarme. Resultado: capitais próprios negativos e daí, também, toda a operação que se desenvolverá até final do ano para aumento do capital social. Resolverá o problema, mas não o resolverá de forma definitiva, para isso será necessário regressar aos lucros de forma consistente e sustentada. Dito doutra forma: é fundamental parar de destruir valor e passar a criar valor.
    e) As dificuldades de tesouraria e liquidez continuam e não dão sinais de abrandar, o que fica bem expresso no sistemático, ano após ano, fundo de maneio negativo. E não se vislumbram melhorias num futuro próximo.
Estes são, na minha opinião, os pontos mais relevantes e estruturantes das contas publicadas. O importante a reter e a monitorizar constantemente. Depois, há a análise mais minuciosa, rubrica a rubrica, proveito a proveito, custo a custo, e que já não cabe no âmbito do pretendido neste artigo.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

01 junho, 2014

AS CONTAS TRIMESTRAIS CONSOLIDADAS (SAD)

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Mais umas contas trimestrais (neste caso o 3º trimestre do exercício de 2013/2014, ou seja o acumulado de 1 de Julho de 2013 a 31 de Março de 2014), e mais do mesmo, isto é, um prejuízo colossal, desta vez 38.703 m€ correspondentes aos seguintes parciais:
  • 1º Trimestre - 12.430 m€
  • 2º Trimestre - 16.809 m€
  • 3º Trimestre - 9.464 m€
Nada de novo, tudo conforme o esperado: faltando as colossais mais-valias nas transferências de “passes”, aparecem bem evidentes os colossais prejuízos.

Concretizando, nestas contas estão apenas relevadas as mais-valias relativas às vendas dos “passes” de Atsu no 1º trimestre (venda por 3.000.000 € que gerou uma mais-valia de 1.991.667 €), Otamendi no 3º trimestre (venda por 12.000.000 € a que correspondeu uma mais-valia de 7.974.000 €), e Walter (venda de 25% dos direitos económicos por 2.125.000 € com uma mais-valia de 521.000 €, no 3º trimestre).

Quer dizer: se não entrássemos em linha de conta com as mais-valias, a SAD apresentaria um défice global médio mensal de cerca de cinco milhões de euros. Assustador.

Só não se instala o pânico porque se sabe que até ao fim do mês de Junho, quando termina este exercício económico, há boas perspectivas de obtenção de muito relevantes mais-valias, talvez perto de 50 milhões de euros (para isso será necessário realizar vendas na ordem dos 80 milhões de euros), caso contrário as contas encerrarão negativas, o que seria muito problemático face às exigências do fair play financeiro da UEFA.

Aqui a questão que se coloca é, até quando será possível manter este “modus operandi”?

Analisando agora outros aspectos destas contas, verifica-se que o passivo total baixou de 217.719 m€, em 31/03/2013, para 209.005 m€, em 31/03/2014. Esta descida seria positiva caso não tivesse sido obtida à custa de uma muito maior descida do activo total. Mas foi exactamente isso que aconteceu: 198.448 m€ contra 177.886 m€, nas mesmas datas. Ou seja, se o passivo baixou 8.714 m€ o activo baixou muito mais: 20.562 m€. Porquê? Exactamente porque se os valores a pagar a fornecedores baixaram (passivo), os valores a receber de clientes (activo) diminuíram ainda mais (adicionalmente os montantes em caixa e depósitos bancários também diminuíram).

Mas, mais relevante ainda, é a evolução da dívida financeira (aquela que gera juros suportados). E, o que verificamos, é que entre 31/03/2013 e 31/03/2014 essa dívida aumentou quase 10 milhões de euros: passou de 109.757.847 € (54.799.785 € não corrente mais 54.958.062 € corrente) para 119.559.382 € (75.815.838 € corrente mais 43.743.544 € não corrente). Esta separação entre corrente (vencimento até um ano) e não corrente (vencimento superior a um ano) é muito importante porque revela as necessidades de liquidez de curto prazo. Ora, o que se constata é que essas necessidades no espaço de um ano passaram de 54.958.062 € para 75.815.838 €. Mau.

Como resultado destas dificuldades de gestão de tesouraria, como vimos supridas pelo aumento do endividamento, vem acoplado o aumento dos custos e perdas financeiras (juros suportados). Não admira, assim, que estes tenham aumentado de 9.344.145 € (em 31/3/13) para 9.679.838 € (em 31/3/2014). Ou seja, só para juros, a conta já ultrapassa um milhão de euros por mês. Aqui está uma parte da explicação para o supra citado défice de 5 milhões de euros por mês (sem venda de direitos económicos de jogadores).

A outra parte da explicação para o défice resulta da crónica insuficiência dos proveitos operacionais para cobrir os custos operacionais, excluindo resultados com “passes”. Nestes nove meses da época 2013/14 estes proveitos operacionais totalizaram 56.180 m € (55.724 m € em 2012/13) contra 74.392 m € de custos operacionais (68.556 m € no período homólogo). Portanto, aqui temos resultados operacionais negativos de 18.212 m €, o que reflecte um agravamento de 5.380 m€ face ao período homólogo. O quadro fica mais claro juntando as amortizações e perdas de imparidade com “passes” de jogadores: 20.714 m€ este ano (9 meses, não esquecer) contra 19.423 m€ no ano anterior, um aumento de 1.291 m€, reflexo de aquisições de “passes” por valores cada vez maiores.

Naturalmente que perante esta panorâmica de resultados negativos, a situação patrimonial ressente-se, evidenciando capitais próprios negativos (activo inferior ao passivo). É importante sublinhar, no entanto, que estamos a analisar as contas da SAD, no caso do Clube a situação patrimonial é radicalmente diferente, revelando grande solidez com activos muito superiores ao passivo.

Resumindo, rezemos (quem for crente) e esperemos que o mês de Junho nos traga boas vendas, caso contrário vem aí borrasca.

P.S.- Relativamente ao meu último artigo sobre o FPF, para já parece que a montanha pariu um rato. As sanções da UEFA ficaram-se por ISTO.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

16 maio, 2014

AINDA O FAIR PLAY FINANCEIRO

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O assunto do fair play financeiro (FPF) da UEFA anda geralmente submerso no noticiário desportivo, apenas vindo à tona quando alguma notícia mais bombástica surge, como foi o caso no ano passado do então bem nosso conhecido Málaga, suspenso das competições europeias por três anos, ou agora dos famosos Paris SG e Manchester City supostamente (ainda não é oficial) multados em 60 milhões de euros cada pela UEFA, cujo presidente Michel Platini já veio prometer para este mês de Maio um novo desenvolvimento neste processo de avaliação do FPF, ressalvando, talvez para sossegar os espíritos que não ia “correr sangue”.

De facto, este assunto do FPF é muito pouco tratado pela comunicação social talvez pela sua complexidade técnica (o controlo é feito por revisores oficiais de contas com base nas demonstrações financeiras elaboradas de acordo com as normas internacionais de contabilidade), o que leva a que os adeptos do futebol pouco sensibilizados estejam para esta temática. No entanto, quase silenciosamente, o cerco da UEFA vai-se apertando, e não me admiraria que brevemente muito mais se vá ouvir falar deste tema.

Convém esclarecer que todos os clubes participantes nas competições europeias estão obrigados já desde a época de 2012/2013 a reportar trimestralmente à UEFA toda a informação financeira no âmbito do FPF. A 1ª avaliação oficial será realizada nesta época de 2013/2014 (daí Platini ter prometido notícias frescas para este mês de Maio), visto que todos os clubes ao abrigo dos regulamentos do FPF têm sido alvo de monitorização constante nos diferentes níveis de avaliação, seja em dívidas a clubes, atletas ou Estado, onde a UEFA já actuou e tem sido implacável (vide caso do Málaga), seja ao nível do equilíbrio das demonstrações financeiras onde aparentemente (a avaliar pelas notícias recentes sobre o PSG e o Manchester City) haverá novidades brevemente.

Resumindo, apenas os clubes que demonstrem que satisfazem os critérios desportivos, de infra-estruturas, de pessoal e financeiros exigidos pela UEFA estão em condições de obter a denominada “licença” que dá acesso às competições europeias. Os Regulamentos do FPF baseiam-se no princípio do “break-even”, ou seja o equilíbrio entre receitas geradas e as despesas incorridas. Os principais critérios promovidos no FPF são:
  • A inexistência de dívidas vencidas e não pagas a outros clubes no âmbito de transferências de direitos desportivos de jogadores, aos seus empregados (incluindo os jogadores), ao Fisco e à Segurança Social;

  • Os défices entre despesas e receitas consideradas relevantes pela UEFA (onde se prevê a dedução dos investimentos na Formação e infra-estruturas, entre outros) não podem ultrapassar um valor acumulado de 5 M € na média da época corrente e das duas épocas anteriores (admite-se a possibilidade desse défice ser coberto pelos accionistas mediante aumento de capital).
As sanções previstas no caso de não cumprimento das regras do FPF passam por quatro diferentes níveis de gravidade:
    a) Avisos/repreensões
    b) Multas,
    c) Retenção dos prémios ganhos,
    d) Proibição de participar nas competições organizadas pela UEFA.
Posto isto, sabendo-se que no caso dos três grandes de Portugal, neste momento, nenhum deles cumpre com o critério do break-even (embora em graus diferentes, sendo o caso dos viscondes de longe o mais grave), e que a nível europeu existem situações muito pouco claras no caso de clubes detidos por oligarcas (concretamente casos de contratos de publicidade/patrocínios que indiciam a existência de simulação na sua elaboração para contornar o controlo uefeiro, e outras possíveis engenharias financeiras), que esperar da actuação, que se prevê para muito breve, por parte da UEFA?

Tendo Platini afirmado que não “iria correr sangue”, isso dá a entender que a medida mais gravosa (exclusão da participação nas provas da UEFA) está afastada, pelo menos nesta primeira investida (primeira em termos do critério do break-even, porque quanto aos casos das dívidas já houve actuação e ao nível mais duro-caso do Málaga).

Ir-se-á ficar por simples avisos? E em caso afirmativo esses avisos serão públicos ou privados?

Avançará pela via das multas? E variarão estas em função da gravidade de cada caso concreto? E, nesse caso, serão explicados os critérios de fixação do valor das multas?

O certo é que a UEFA dispõe já dos mecanismos para actuar, e atendendo aos antecedentes e ao seu poder discricionário, a que acresce as suas próprias necessidades financeiras para manter aquela estrutura sumptuária, tudo indica que os clubes incumpridores vão passar um mau bocado.

Tenho a sensação que a grande maioria dos adeptos do futebol ou pouco/nada se preocupa com estes assuntos (de facto, que interessa esta chatice das finanças quando comparado com o futebol jogado no campo?), ou acha que tudo não passará de simples fumaça.

Estou firmemente convencido que esses adeptos estão muito enganados. E não vai ser preciso esperar muito (possivelmente o fim das competições europeias na próxima semana) para conhecermos os resultados desta 1ª avaliação geral, e consequentemente o grau de benevolência praticado nessa avaliação. E, de futuro, para além de tácticas de futebol e das regras do jogo os adeptos mais interessados vão ter talvez que perceber tanto de “break-even” como de “offsides”...


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

21 abril, 2014

AS RENÚNCIAS

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Consumou-se no passado dia 31 de Março a renúncia de Angelino Ferreira ao cargo de administrador da FC Porto-Futebol, SAD com o pelouro financeiro, e a sua substituição por Fernando Gomes (antigo presidente da Câmara Municipal do Porto). Curiosamente, Angelino Ferreira tinha sucedido a outro Fernando Gomes, o actual presidente da FPF, que igualmente tinha renunciado ao cargo. Ou seja, no espaço de quatro anos (a anterior substituição ocorrera em 2010) dois administradores financeiros da SAD renunciam, enquanto os restantes administradores executivos (Pinto da Costa, Adelino Caldeira e Reinaldo Teles) permanecem nos seus cargos para os quais todos foram eleitos pelos accionistas.

É caso para perguntar, qual a razão de tais renúncias? Pois bem, nem um nem outro deram explicações quer a accionistas, quer a sócios, que são os principais interessados pois foram eles que os elegeram directamente (accionistas) ou indirectamente (sócios). Esta ausência de explicações não deixa de ser bastante negativa porque presta-se a todo o tipo de teorias ou de especulações.

Fosse o administrador ou director do futebol a renunciar e não se falaria doutra coisa. Como se trata do administrador financeiro não se passa nada. Por alguma razão nas muitas entrevistas ao presidente Pinto da Costa não me recordo de alguma vez ter sido abordado o tema da situação financeira. Lá está, ninguém vai para a Avenida dos Aliados comemorar os vinte milhões de euros de lucro da época passada, e ninguém fica muito preocupado com os trinta milhões de prejuízo no primeiro semestre da corrente época.

Ninguém fica muito preocupado com os trinta milhões de prejuízo no primeiro semestre, não será bem o caso. Pelos vistos, e agora sou eu a teorizar, tão preocupado ficou Angelino Ferreira que renunciou ao cargo. E não foi certamente com ânimo leve porque não é qualquer um que renuncia a remunerações verdadeiramente principescas. Recordo que na época de 2012/2013 auferiu a bonita verba de 432.000 euros (240.000 de remuneração fixa mais 192.000 de gratificações), fora todas as outras mordomias inerentes ao cargo. Não posso, pois, deixar de prestar tributo ao Dr. Angelino Ferreira pelo desprendimento que revelou, tão pouco comum nos dias que correm, pondo os interesses do FCP acima dos seus (será que se pode dizer o mesmo dos restantes membros da estrutura?). Vénia para ele.

Mas afinal, não tendo sido invocadas razões pessoais (como acontece muitas vezes quando não se quer revelar as verdadeiras razões), por que renunciou Angelino Ferreira? Terá sido pelo tal enorme prejuízo de trinta milhões?

Não vou fazer um exercício de especulação, vou cingir-me aos factos. Para isso vou socorrer-me das afirmações do próprio Angelino Ferreira em extensa entrevista ao Diário Económico em 2 de Maio de 2013 onde refere o seguinte:

"Temos um plano de negócio a cinco anos onde está prevista a contenção. Temos de fazer a otimização e diminuição de encargos com recursos humanos e diretamente com o plantel, mas isso será a cinco anos, pois muitos contratos são plurianuais e há alguma rigidez", afirmou, antes ainda de falar na forma como o FC Porto estará no mercado nos próximos anos. "Existe uma curva que levará a ter custos menores com recursos humanos, não só nos custos com pessoal, mas nas próprias amortizações dos investimentos em novos jogadores. O downsizing tem de ser feito pelos clubes, pois caso não o façam alguém o fará por eles", e acrescentou: "Enquanto o mercado valer realização de mais-valias temos de aproveitar, mas é fundamental a viragem para um modelo de negócio mais sustentável com proveitos operacionais e não decorrentes da venda de direitos económicos dos jogadores".

Ou seja, Angelino Ferreira defendia a redução de custos e a diminuição da dependência da realização de mais-valias na venda de “passes”. Entretanto, o que é que se verificou?

Como se pode ver no meu último artigo sobre as contas semestrais (AQUI), os custos operacionais aumentaram 6%, os proveitos operacionais baixaram 1% e a dependência da realização de mais-valias aumentou. Isto é, tudo ao contrário do preconizado por Angelino Ferreira!

Aliás, já neste meu artigo de 8 de Setembro de 2013 (AQUI), eu alertava para estas incoerências quando escrevia: "Resta saber se no seio do conselho de administração o administrador financeiro tem a força suficiente para impor as suas ideias".

Dito de outra maneira, não posso estar mais de acordo com Angelino Ferreira. Mas, não sei porquê, ao ler esta declaração, vem-me à memória o célebre Frei Tomás e o ditado popular: "Que bem prega Frei Tomás! Façam o que ele diz!, Não olhem para o que ele faz!"...

Portanto, quem anda atento a estas matérias não estranhará esta renúncia do administrador financeiro.

Encerrado o capítulo Angelino Ferreira, segue-se Fernando Gomes. Que linhas orientadoras na área financeira serão de esperar? A mesma filosofia de Angelino Ferreira, que não vingou mas parece ser a correcta, ou a política de navegação à vista, a política do “vamos indo e vamos vendo, um dia de cada vez” que tem sido seguida, diga-se com bons resultados desportivos (a desastrosa época corrente não pode apagar tudo o que de bom foi conseguido anteriormente) mas que conduziram a SAD a uma situação financeira muito preocupante? E como vai lidar com a cada vez mais premente questão do fair-play financeiro da UEFA?

Que Angelino Ferreira, ao sair, não queira falar porque há assuntos que são para ficar dentro de portas, entendo. Que Fernando Gomes, ao entrar, não venha dar a sua opinião sobre a situação financeira, não venha publicamente esclarecer a família portista sobre o seu programa para as finanças do clube, já não entendo. Mesmo considerando o actual momento muito difícil que se vive no futebol, onde todas as atenções já estão viradas para a próxima época e respectivo corrupio de entradas e saídas de treinadores e jogadores, convinha não esquecer que esta vertente desportiva está fortemente condicionada pela vertente financeira (e vice-versa). Aguardemos, pois.


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09 março, 2014

Aspectos mais relevantes das contas consolidadas semestrais (2013/2014) da “F.C.P. - Futebol, S.A.D.”

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Depois de um prejuízo de 12,430 m€ no fim do 1º trimestre (1 de Julho a 30 de Setembro de 2013), e atendendo a que no 2º trimestre não se verificaram mais-valias com transacções de passes de jogadores, e sobretudo considerando a falhada passagem aos 8ºs de final da liga dos campeões e o correspondente prémio, mais do que previsível era garantido um resultado fortemente negativo no 1º semestre (1 de Julho a 31 de Dezembro de 2013) do exercício de 2013/14.

Pois bem, ele aí está: 29,239 m€ de prejuízo. Ou seja, o 2º trimestre encerrou com um prejuízo de 16,809 m€ que somado aos 12,430 m€ do primeiro trimestre dá os tais 29,239 m€ no final do semestre.

Aqui está o primeiro e enorme motivo de preocupação que as contas revelam: a absurda dependência da realização de mais-valias com transacções de passes de jogadores. Digo absurda porque uma coisa é estas mais-valias contribuírem com 10 ou 20% para o equilíbrio da conta de resultados, outra coisa totalmente distinta é quando esse equilíbrio depende em 50% (ou mais) dessas mais-valias. É um ponto que não me canso de salientar. Porque, enquanto não se alterar a actual estrutura de proveitos (e, já agora também a estrutura de custos), a SAD estará sempre a um pequeno passo do abismo. E os responsáveis sabem e estão conscientes disso mesmo, não estou a dar nenhuma novidade. É o chamado modelo de risco, só que há riscos e riscos… e por isso é que alguns não aguentam a pressão e saem (curiosamente, ou não, os administradores financeiros). Como eu os compreendo…

Portanto, estamos perante um relatório intercalar que dá pistas mas está longe de ser conclusivo porque se aguarda a realização das tais mais-valias. Enquanto Otamendi já saiu para contribuir para esse peditório, na fila de espera estão Mangala, Fernando, Jackson e outros para em Junho, mês dos santos populares, a SAD encher o mealheiro e pensar em renovar o “stock” dos chamados activos intangíveis (jogadores). Tem sido uma política de sucesso, note-se de grande sucesso desportivo que não de sucesso financeiro, resta saber até quando.

Posto isto, que para mim é o mais relevante das “contas”, e para quem não se deu ao trabalho de ler o R&C, aqui ficam outros aspectos que merecem atenção (deixando sempre a advertência para o carácter de sazonalidade que a actividade desportiva encerra – não esquecer que estamos a analisar um R&C semestral), e que de modo sintético passo a enumerar:
  1. Os resultados operacionais (isto é, proveitos operacionais menos custos operacionais, excluindo “passes” de jogadores) caíram 2.921 m€ relativamente ao período homólogo;

  2. Dentro dos proveitos operacionais (sem “passes”), com excepção das receitas das provas da UEFA que baixaram de 11.393 m€ para 6.318 m€, todas as outras receitas mais importantes subiram, o que não deixa de ser uma boa notícia: o “merchandising” aumentou de 1.740 m€ para 2.660 m€; a bilheteira aumentou de 3.327 m€ para 3.605 m€; os direitos de transmissão televisiva subiram de 5.659 m€ para 6.932 m€; a publicidade e sponsorização subiu de 6.694 m€ para 7.584 m€ e o “corporate hospitality” (camarotes de empresas) aumentou de 7.497 m€ para 7.584 m€;

  3. Resumindo, os proveitos operacionais no seu conjunto caíram apenas 1% fruto da grande quebra das receitas da UEFA;

  4. Pior estiveram os custos operacionais (também sem “passes”) que aumentaram 6%, fruto da subida dos “fornecimentos e serviços externos” de 18.904 m€ para 20.926 m€. Melhor, embora pelas piores razões (não contabilização de prémios a jogadores pela passagem da fase de grupos da liga dos campeões),estiveram os custos com o pessoal que diminuíram de 25.766 m€ para 24.676 m€ (apesar da integração pela 1ª vez dos custos salariais do Porto Canal);

  5. Considerando as rubricas relacionadas com “passes” de jogadores, destaque para as amortizações e perdas de imparidade que registaram um valor de 14.424 m€ o que representa um aumento de 1.819 m€, e espelha o aumento dos custos com as aquisições de jogadores;

  6. Os custos e perdas financeiras (basicamente juros suportados) agravaram-se em 733.131€ (6.522.822€ em 31/12/2013 contra 5.789.691€ em 31/12/2012) devido ao aumento dos empréstimos contraídos. Ou seja, a escalada dos juros pagos continua, e não se vê maneira disto parar;

  7. Quem viu na redução do passivo total em 7.473 m€ um aspecto interessante bem que se pode desenganar; sim, porque se essa descida se ficou a dever à diminuição dos valores a pagar a fornecedores (pelas compras de jogadores), o activo baixou muito mais (36.710 m€) devido à diminuição dos valores a receber de clientes (pelas vendas de jogadores) e ao valor em caixa, e daí que o capital próprio (diferença entre activo e passivo) que era positivo (7.628 m€ em 30/06/2013) passou a negativo em 21.609 m€ (em 31/12/2013);

  8. Deixo para o fim o aspecto mais relevante (para lá da necessidade de efectuar um elevado volume de mais-valias para se atingir um resultado positivo no fim do exercício): não obstante a diminuição do passivo total, a dívida financeira aumentou. E, pior ainda, aumentou a dívida financeira de curto prazo (inferior a um ano). Com efeito, considerando apenas os empréstimos bancários, esta dívida financeira de curto prazo que em 30/6/2013 era de 43,004 m€, em 31/12/2013 já atingia os 65,514 m€, ou seja no espaço de seis meses verifica-se um agravamento de 22,510 m€. Com consequências funestas, como é evidente, desde logo pelos juros pagos (ver ponto 6), juros que correspondem a uma taxa média anual dos empréstimos bancários de 7,51%, o que não deixa de ser uma taxa muito elevada, para além do perigo de se entrar numa espiral difícil de reverter, o que aliás tem vindo a acontecer nos últimos anos, nomeadamente como é o caso do sistemático fundo de maneio negativo (ou seja, passivo corrente superior ao activo corrente) pressionando fortemente a tesouraria, e levando à tal necessidade de empréstimos de curto prazo.
RESUMINDO:
    Positivo: bom comportamento, em período de crise, dos proveitos operacionais.
    Negativo: excessiva, pouco saudável e muito perigosa dependência da realização de mais-valias na transacção de “passes”; elevada dependência do crédito bancário para financiamento da actividade corrente, com grande impacto negativo nos resultados do exercício por via dos juros suportados.
CONCLUINDO:
    Gostava de deixar uma palavra de optimismo para o futuro financeiro do clube, contudo, face ao exposto, e que são factos e não meras opiniões, globalmente, não posso estar nada optimista. Muito bom seria se alguém me contrariasse e demonstrasse quanto errado eu estou (não vale comparar com os outros que estão ainda piores, não é por a situação do vizinho estar pior que a minha automaticamente melhora).
P.S. – Sobre a avaliação da gestão desportiva (igualmente parte integrante do R&C), e que como sempre digo é o objectivo primeiro, para já não quero pronunciar-me, abstenho-me, as contas fazem-se no fim da época, embora também nesta área os indicadores não sejam muito positivos.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

09 fevereiro, 2014

Movimento Associativo

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    "As colectividades vivem do auxílio moral e material dos seus associados. E o Futebol Clube do Porto não dispensa esse auxílio. Arranjai, portanto, novos sócios para a vossa gloriosa colectividade, contribuindo assim para a sua completa expansão e valorização".
Fui encontrar e retirar esta divisa em destaque (de tal forma que ocupa a totalidade da página 7) no Relatório e Contas da Direcção referente à época de 1943/44 (no auge da 2ª Guerra Mundial). Era tanto o carinho que se demonstrava pelos sócios, que logo na página 17 (esse R&C é constituído por 170 páginas), se manifestava pesar pelos sócios falecidos, sendo estes identificados pelo seu nome completo e nr. de sócio. Mais adiante (pág. 65), sob o título "Movimento Associativo", era feita a discriminação dos sócios por categorias, dos admitidos, demitidos, etc. Por curiosidade, refira-se que os sócios existentes no início do mandato em 15 de Julho de 1943, era de 2.322, e em 31 de Dezembro de 1944, já totalizavam 6.860.

No R&C de 1948, mais sucinto ("apenas" 93 páginas), a página 31 é dedicada ao “movimento de associados”, por aí se podendo constatar que o nr. de sócios em 31 de Dezembro de 1948 já era de 8.057 (eram 6.672 em 31/12/1947), sendo igualmente feita a sua discriminação.

Saltando no tempo, no R&C de 1959, mantinha-se a tradição, sendo de destacar o enorme pulo no nr. de sócios – 23.964 em 31/12/1959 – apesar da descida em relação ao ano anterior (27.287 sócios em 31/12/1958).

Nas direcções de JN Pinto da Costa, manteve-se esta boa prática de anualmente nos R&C dar conta do movimento associativo, e como nos últimos 21 anos tenho acompanhado de forma sistemática e ininterrupta esta matéria, passo a apresentar a sua evolução para posteriormente retirar algumas conclusões:

Ao longo destes 21 anos, verifica-se que entraram 168.130 sócios e saíram 115.921, sendo que estas saídas ficaram a dever-se em cerca de 90% a falta de pagamento das quotas e cerca de 10% a falecimentos. Ou seja, globalmente, um saldo positivo de 52.209 sócios, o que não pode deixar de se considerar muito bom.

Olhando com um pouco mais de detalhe, penso que pode dizer-se que os anos com maiores saídas de sócios (1996/97 e 2006/7) correspondem às actualizações periódicas (renovação do cartão) estatutariamente previstas. No entanto, o que mais salta à vista, é o brutal e anormal número de entradas de sócios em 1995, nada mais, nada menos do que 42.524 sócios! O que se terá passado? Consultado o R&C desse ano, lá vem a resposta:
    “Outra das iniciativas mais marcantes da época foi a Campanha dos 100.000 sócios, que excedeu todas as expectativas ao atingirmos o sócio 115.518”.
Pois bem, era exactamente aqui que eu queria chegar. Passo a explicar.

Com a constituição da FCP-Futebol SAD em 1997, bem como posteriormente um conjunto de outras empresas do Grupo FCP, nomeadamente a Porto Comercial, parece que progressivamente se vem perdendo esta ligação histórica Clube/Sócio para, no seu lugar, à luz dos novos conceitos do marketing, se privilegiar a figura do "cliente". Repare-se:
    A) Desde aquela data (1995), já lá vão 19 anos, e, que me lembre, jamais se voltou a promover uma campanha de angariação de novos sócios;
    B) Na publicidade institucional do FCP no Porto Canal o que vemos? Promoções massivas (tão massivas que já cansam):
    i) ao livro “31 anos de Presidência 31 decisões”;
    ii) às camisolas oficiais;
    iii) ao lugar anual no estádio.
    Excluo aqui a publicidade ao Museu porque mais do que o objectivo comercial interessa o objectivo histórico/didáctico/afectivo.
Como já tive oportunidade de demonstrar há tempos – VER AQUI, a componente comercial, designadamente o lucro líquido das vendas das lojas azuis (ou "stores" na versão modernaça) é muito menor do que geralmente se pensa. Eu atrevo-me a dizer que um sócio vale por dez clientes. Porquê, então, esta obsessão pela parte comercial menorizando a parte associativa?

Eu não encontro explicação, mas acho um erro. Quantos mais sócios o Clube tiver, maior será a sua força social. Certamente que os títulos, o palmarés desportivo, é o principal objectivo, mas convém não esquecer que na retaguarda (os sócios) é que está a base desses êxitos e da sua continuidade. Gostava de ver no Porto Canal uma campanha de angariação de sócios, não numa vertente meramente comercial, antes apelando ao sentimento/identidade/orgulho de ser portista. Note-se que não há qualquer incompatibilidade entre os interesses comerciais e os interesses associativos, aquilo que eu reclamo é uma maior pró-actividade em favor da componente associativa. Por exemplo, protesta-se, e com razão, de alguma discriminação negativa por parte da comunicação social em relação ao FCP; agora eu pergunto: uma campanha de angariação de sócios que conduzisse a uma base de 150.00 ou mais sócios, mesmo nas condições actuais de crise, não seria uma forma de mostrar a força do Clube, e levar essa mesma comunicação social a ter mais respeito?

É claro que estas campanhas deviam ter sido feitas em tempos de maior desafogo económico e de maior sucesso desportivo. É claro, também, que há sempre (sempre houve e sempre haverá) alguma flutuabilidade do número de sócios em função dos resultados. Agora, o que para mim é igualmente claro, é que o pensamento daqueles antigos dirigentes de há 70 anos se mantém actual:
    “As colectividades vivem do auxílio moral e material dos seus associados. E o Futebol Clube do Porto não dispensa esse auxílio. Arranjai, portanto, novos sócios para a vossa gloriosa colectividade contribuindo assim para a sua completa expansão e valorização”.
P.S.- Como se pode VER AQUI, já em 17 de Novembro de 2013 eu escrevia o seguinte:
    “Ao contrário do que os papagaios do clube do regime há anos vêm debitando, que apenas eles apresentam contas consolidadas (na lógica leninista de que uma mentira mil vezes repetida se torna verdade), na verdade, o ÚNICO clube entre os 3 grandes que apresenta contas INTEGRALMENTE consolidadas é o FC Porto. De facto, e deixo aqui este esclarecimento, porque foram pouquíssimos os portistas que estiveram na última Assembleia Geral do Clube, e por isso, poucos saberão que pela primeira vez, o FC Porto (Clube, não confundir com FCP-SAD) preparou as suas demonstrações financeiras consolidadas (no caso, reportadas a 30/06/2013), aliás, no cumprimento da legislação comercial em vigor em Portugal (artigos 6º e 7º do Decreto-Lei nº 158/2009, de 13 de Julho), situação que, para já, não tem paralelo nos dois clubes de Lisboa. E reforço este ponto para que se saiba que, quer os viscondes falidos (veja-se o perdão bancário encapotado, via VMOC´s - valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis), quer o clube do regime (também tecnicamente falido - capitais próprios negativos), nas suas contas PARCIALMENTE consolidadas, não englobam as contas dos respectivos clubes, o que para além de violar o citado decreto-lei, dá um enorme jeito para esconder dos seus associados a real situação económico-financeira desses clubes (por isso, por exemplo, no caso do clube campeão da propaganda, ninguém se entende quanto à verdadeira dimensão do passivo: uns, os apoiantes da linha oficial, referem o mais baixo, 440M€ - valor do consolidado da SAD; outros, os anti-vieiristas, somam o passivo do clube e chegam aos 560M€ …).”
Ainda bem que muito recentemente em comunicado o FCP, embora em linguagem bem mais "soft" como é natural, tenha vindo esclarecer de forma irrefutável (levando os adversários a "meter a viola ao saco2) esta situação das tão discutidas "contas consolidadas".


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

12 janeiro, 2014

Os custos de financiamento do Grupo FC Porto

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Quando se fala em custos e na necessidade da sua redução, pensa-se imediatamente nos custos com o pessoal, nos salários excessivos (há quem defenda um tecto salarial e/ou diminuição de jogadores sob contrato), o que faz todo o sentido na medida em que este tipo de gastos representa geralmente cerca de 50% dos gastos globais (em números redondos, 50 M€ de despesas com o pessoal, em 100 M€ de custos totais).

No entanto, há uma parcela da conta de resultados por naturezas que vai tendo cada vez mais um peso muito significativo, isto porque não pára de subir o seu percentual, aproximadamente 15%, no conjunto das componentes negativas do resultado do exercício. Refiro-me concretamente aos gastos com juros e outras despesas financeiras suportadas.

Com a apresentação pela primeira vez no último ano das contas consolidadas do FCP (note-se do Clube, porque a SAD já consolida desde o seu início), é agora possível ter uma visão completa do panorama dos custos de financiamento do Clube no seu total (anteriormente, os juros suportados com o “project finance” do Estádio do Dragão não eram conhecidos porque estavam contabilizados na EUROANTAS, uma sociedade detida pelo Clube e cujas contas individuais não eram discriminadas). Note-se que me estou a referir aos custos de financiamento “normais”, isto é, aos suportados no tradicional mercado bancário (empréstimos bancários e obrigacionistas). Saliento este, aspecto porque existem outros custos de financiamento associados à aquisição de passes de jogadores, e que são de muito difícil quantificação, que se traduzem na celebração de contratos de associação de interesses económicos, com os vulgarmente chamados fundos de investimento de jogadores, sob o argumento de partilha de riscos, mas que na realidade, não passam de financiamento encapotado aos clubes sem liquidez. Com uma agravante: enquanto nos empréstimos bancários se prima pela transparência (são conhecidas as taxas de juro praticadas e os prazos), nos negócios com os fundos, pelo contrário, é tudo muito opaco (não são conhecidas as pessoas, nem as cláusulas contratuais), o que origina as mais variadas especulações, suspeições e, no limite, a difamação de pessoas ligadas ao clube (sobre fundos de investimento já escrevi o seguinte artigo: VER AQUI)

Posto isto, quais são, então, esses gastos e perdas de financiamento reconhecidos no decurso dos exercícios findos em 30 de Junho de 2013 e 2012 (para efeitos comparativos)?

Pois bem, são decompostos conforme se segue:

    (a) Respeita aos juros da diferença temporal entre a data da transacção de venda/compra dos direitos de inscrição desportiva de diversos jogadores e as datas de recebimento/pagamento acordadas contratualmente.
O que mais sobressai nesta apresentação, é o aumento de quase 2 M€ de 2012 para 2013 (subida de 15,4%), que se deve sobretudo ao encarecimento do crédito, porque o passivo financeiro remunerado se tem mantido estável (123.424.211 M€ em 2013, contra 120.844.373 M€ em 2012, ou seja, um pequeno aumento de 2,1%).

Por curiosidade, fui consultar ao relatório e contas consolidadas da SAD do clube do regime os dados equivalentes de gastos e perdas financeiras, sendo os seguintes os elementos aí constantes (há que ressalvar que estes números não são totalmente comparáveis, porque enquanto eles não consolidam com o clube e a SGPS, no caso do FC Porto, a consolidação abrange todo o seu universo, o que significa que no caso deles, os números totais serão ainda um pouco superiores):

Comparando com o FC Porto, constata-se que o cada vez mais clube do regime tem um encargo anual de 8 M€ superior, o que é deveras penalizante para eles. Por outro lado, a sua dívida financeira remunerada continua a subir: 278.424.678 M€ em 2013, contra 268.628.999 M € em 2012, e a tendência é continuar a subir.

Contraditoriamente, não obstante esta subida da dívida, os seus encargos financeiros mantiveram-se constantes, o que quer dizer que a sua taxa média de financiamento deve ter baixado ligeiramente. E este é um ponto a seu favor, que devia merecer a atenção redobrada do administrador financeiro do FC Porto, e de que é um bom exemplo o último empréstimo obrigacionista público que ambos contraíram: enquanto o FC Porto fez a sua colocação a uma taxa de juro de 8,25%, eles obtiveram uma taxa de juro muito mais favorável, no caso 7,25%. Para os mais desatentos ou menos informados, este facto pode parecer despiciendo. Mas não é. Primeiro, porque uma diferença de 1% na taxa de juro num empréstimo de 30 M€ (caso do FC Porto), significa 300.000 € anuais a mais que se está a pagar. É dinheiro. Segundo, porque sendo um empréstimo público, a taxa de juro reflecte a percepção que o mercado tem do risco do devedor (maior o risco, maior a taxa de juro). Ora, concretamente neste caso, o que o mercado está a dizer é que é mais arriscado investir no FC Porto do que no regime. O que, olhando para a situação financeira de ambos (e também para a sua situação desportiva, porque é interdependente da situação financeira e vice-versa), parece-me um erro.

Resumindo e concluindo, e não querendo ser injusto, acho que o administrador financeiro do FC Porto, Angelino Ferreira, tem muito trabalho de casa para fazer nesta área.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

15 dezembro, 2013

As Contas Consolidadas do 1º Trimestre 2013/14 da FCP – Futebol, SAD

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Estranha coincidência: no mesmo exacto momento em que a equipa jogava e perdia em Coimbra, a administração da SAD comunicava à CMVM, no limite do prazo, o relatório & contas consolidadas do 1º trimestre de 2013/14 (1 de Julho a 30 de Setembro). Em ambos os casos, com resultados desastrosos. Por um lado, resultado inesperado no caso da equipa de futebol (digo eu, porque outros estariam menos optimistas face ao já visto no passado recente), por outro lado, resultado negativo (prejuízo de 12,4 M€), não inesperado o prejuízo, mas num montante superior ao esperado (na minha opinião, que acompanho com minúcia a actividade económico-financeira da SAD desde a sua constituição em 1997).

O enorme barulho e agitação que se seguiu à derrota com a Académica, fez esquecer a performance financeira, no entanto, convém lembrar que tal como na estória do ovo e da galinha, também no futebol os títulos e as finanças são indissociáveis: as boas finanças geram os títulos, ou serão os títulos que geram as boas finanças?

Colocando de lado a parte desportiva, que já foi, é e será analisada por quem melhor percebe do assunto, concentremo-nos então nos resultados financeiros. Como atrás disse, esperado o prejuízo, inesperado o seu valor. Porquê?

De acordo com o exposto no meu último artigo, as finanças da SAD (contas individuais ou consolidadas) estão fortemente (e perigosamente) condicionadas pela realização de mais-valias na transacção de “passes” de jogadores. Para equilibrar as contas, a administração da SAD prevê para este exercício de 2013/14, a realização de mais-valias no montante de 41 M€, ou seja cerca de 10 M€ por trimestre. Pois bem, como neste 1º trimestre dessas mais-valias apenas se concretizaram 2 M€ (mais exactamente, 1.991.667 € na venda por 3 M€ de Atsu ao Chelsea) seria expectável um prejuízo de aproximadamente 8 M€ (10-2). Saiu um prejuízo de 12,4 M€ ou seja, 50% acima do previsto. Algo correu mal.

Detalhando, e alertando para a grande sazonalidade de diversos custos e proveitos, os resultados operacionais (excluindo “passes” de jogadores) até tiveram uma significativa melhoria de 2.575 M€ (passando de um prejuízo de 7.596 M€ para um prejuízo de 5.021 M€),relativamente ao período homólogo do ano anterior, graças ao aumento dos proveitos operacionais em 3.218 M€ (subiram de 14.290 M€ para 17.508 M€) devido sobretudo ao aumento das receitas televisivas e dos jogos de pré-época.

O que correu pior, foi a parte dos custos operacionais (excluindo “passes” de jogadores) que cresceram 2,9% (aumentaram de 21.886 M€ para 22.528 M€), não obstante se ter verificado uma diminuição dos custos com o pessoal (baixaram de 11.796 M€ para 10.967 M€), motivada pela saída de jogadores com uma folha salarial muito grande.

Como sempre, a afectar muito negativamente as contas, estão os custos e perdas financeiras (no essencial juros pagos), que aumentaram novamente. Passaram de 2.929 M€ para 3.180 M€, um milhão de euros por mês para juros é obra!

Como resultado de tudo isto, novamente o capital próprio negativo (falência técnica). Menos mal o passivo que estabilizou.

A má notícia é que os resultados semestrais (período de 1 de Julho a 31 de Dezembro de 2013) vão ser muito piores: como neste intervalo não vão ocorrer mais-valias adicionais, o resultado semestral vai seguramente ultrapassar os 20 M€ de prejuízo.

A boa notícia (“wishful thinking”) é que no 2º semestre (período de 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2014) as vendas nas janelas de transferências de Janeiro e Junho vão ser muito relevantes, deverão no mínimo atingir os 80 M€ de modo a obter mais-valias na ordem dos 45 M€ e, assim, poder equilibrar as contas no fim do exercício.

Para terminar, e como vem a propósito, deve-se esclarecer que esta enorme discrepância entre valor das vendas e mais-valias contabilísticas respectivas, resulta do facto de ao valor declarado das vendas se ter de deduzir (quando existam):
    1) custos com serviços de intermediação;
    2) das proporções no valor de venda do passe detidas por outras entidades;
    3) do valor líquido contabilístico do passe à data da venda;
    4) da anulação de prémios de fidelidade;
    5) do efeito de actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas pela venda;
    6) de responsabilidades com o mecanismo de solidariedade (a).
    (a) Este mecanismo corresponde a uma compensação devida, aquando da transferência de um jogador para outro clube, antes do término do respectivo contrato, aos clubes anteriores, nos quais esse jogador esteve inscrito desde o seu 12º e até ao 23º aniversário, e corresponde a 5% do valor da transferência, a distribuir proporcionalmente entre esses clubes, 0,25% do 12º ao 15º aniversário e 0,5% do 16º ao 23º aniversário.
P.S.- Ainda a propósito de mais-valias, e tal como havia previsto há 6 meses neste artigo, a transferência de João Moutinho ainda havia de dar muita celeuma. Meu dito, meu feito, como se pode ver aqui, aí estão os calimeros a chorar. Acredito que vão ter azar.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

17 novembro, 2013

As Perspectivas Financeiras Futuras da FCP-Futebol, SAD

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Arrumadas as contas de 2013, e bem arrumadas com lucro muito significativo (para além dos títulos, que são sempre o mais importante), há que perspectivar o que pode acontecer em 2014, e para isso, nada melhor do que analisar o Orçamento de Exploração que anualmente o conselho de administração da FCP - Futebol, SAD, elabora e apresenta para aprovação na Assembleia Geral de Accionistas (a ocorrer no próximo dia 21 de Novembro). Como sabemos, um orçamento não passa disso mesmo, isto é, um documento de intenções que pode a vir a revelar-se mais ou menos acertado, no entanto, é sempre um documento muito importante por ser revelador das políticas e metas da administração da sociedade.

Mas, antes disso, e porque em matéria de contas grassa uma generalizada confusão (incluindo a própria comunicação social), onde o disparate campeia, importa primeiro saber de que contas se está a falar. Ora, no universo Futebol Clube do Porto existem actualmente quatro tipos de “relatórios e contas”, todos diferentes entre si, em função dos diferentes perímetros de englobamento, a saber:

- Futebol Clube do Porto, contas individuais;
- Futebol Clube do Porto, contas consolidadas; (*)
- Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD, contas individuais;
- Futebol Clube do Porto -Futebol, SAD, contas consolidadas;

    (*) Ao contrário do que os papagaios do clube do regime há anos vêm debitando, que apenas eles apresentam contas consolidadas (na lógica leninista de que uma mentira mil vezes repetida se torna verdade), na verdade, o ÚNICO clube entre os 3 grandes que apresenta contas INTEGRALMENTE consolidadas é o FC Porto. De facto, e deixo aqui este esclarecimento, porque foram pouquíssimos os portistas que estiveram na última Assembleia Geral do Clube, e por isso, poucos saberão que pela primeira vez, o FC Porto (Clube, não confundir com FCP-SAD) preparou as suas demonstrações financeiras consolidadas (no caso, reportadas a 30/06/2013), aliás, no cumprimento da legislação comercial em vigor em Portugal (artigos 6º e 7º do Decreto-Lei nº 158/2009, de 13 de Julho), situação que, para já, não tem paralelo nos dois clubes de Lisboa. E reforço este ponto para que se saiba que, quer os viscondes falidos (veja-se o perdão bancário encapotado, via VMOC´s - valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis), quer o clube do regime (também tecnicamente falido - capitais próprios negativos), nas suas contas PARCIALMENTE consolidadas, não englobam as contas dos respectivos clubes, o que para além de violar o citado decreto-lei, dá um enorme jeito para esconder dos seus associados a real situação económico-financeira desses clubes (por isso, por exemplo, no caso do clube campeão da propaganda, ninguém se entende quanto à verdadeira dimensão do passivo: uns, os apoiantes da linha oficial, referem o mais baixo, 440M€ - valor do consolidado da SAD; outros, os anti-vieiristas, somam o passivo do clube e chegam aos 560M€ …).
Posto isto, vamos então ver o que a administração da SAD espera do corrente exercício de 2013/2014. Para isso, são consideradas as contas individuais da FCP - Futebol, SAD, e para melhor compreensão, vou introduzir o comparativo com o realizado em 2012/2013, seleccionando e sintetizando apenas os indicadores mais significativos:

Perante estes números, cada um poderá tirar as suas conclusões. Pela minha, parte suscitam-me os seguintes comentários:

1) A estimativa de descida acentuada nas mais-valias na venda de passes é não só natural, face ao elevado valor de vendas em 2012/13 (HulK, Álvaro Pereira, João Moutinho e James Rodriguez), como desejável no sentido em que diminui a excessiva dependência do orçamento desta rubrica, o que fica bem traduzido no facto de que embora diminuindo esta rubrica 45,8%, o total de proveitos operacionais só reduz 27,3%. Em todo o caso, certo é que a administração prevê vender 2/3 dos mais valiosos jogadores para poder facturar 70 a 80 milhões de euros e assim alcançar cerca de 40 milhões de mais-valias.

2) Positiva a previsão de diminuição de gastos com o pessoal em 3,8M€, a que não será estranha a venda de alguns dos passes dos jogadores (os atrás citados) que mais pesavam na folha salarial.

3) As amortizações de passes (isto é, o somatório dos preços de aquisição de cada atleta a dividir pelo nr. de anos do respectivo contrato) estão relativamente estáveis, nem é expectável que venham no futuro a diminuir, uma vez que para isso acontecer, seria necessário que os preços de aquisição dos atletas baixasse, o que sendo desejável, já deixaria de o ser se tal fosse obtido à custa de uma menor qualidade dessas aquisições.

4) Muito negativa é a contínua escalada das despesas financeiras. Aqui não há milagres: subindo as taxas de juro e não descendo significativamente o passivo financeiro, os juros pagos, claro, sobem.

5) O objectivo de redução de custos, desejo publicamente manifestado pelo administrador financeiro Angelino Ferreira, tem tradução expressa neste orçamento, prevendo-se uma redução de 16,1% no total de custos operacionais, o que será excelente (se for efectivamente alcançada...).

6) Mesmo assim, com esta redução nos gastos, o resultado operacional tem uma grande descida de 30 para 10 milhões de euros, fruto da referida diminuição nas mais-valias nas vendas de passes de jogadores.

7) Como corolário de tudo isto, o reflexo no resultado líquido final que se prevê baixe de 20 milhões em 2013 para apenas 629 mil euros em 2014.

8) Obviamente, um orçamento está sujeito a várias contingências, por exemplo a não passagem da fase de grupos da liga dos campeões pode colocar o resultado com saldo negativo, mas, por outro lado, vendas de passes superiores ao esperado podem mais do que compensar essa falha. Em qualquer caso, atendendo a que a soma dos resultados líquidos de 2012 e 2013 é bastante negativa (cerca de 15M€ de prejuízo), e considerando que estando já em vigor o Fair-Play Financeiro da UEFA (que obriga a um equilíbrio entre custos e proveitos, o chamado critério do “break-even”), a administração da SAD está bastante pressionada a apresentar neste exercício de 2014 resultados positivos (mesmo que marginais, como os orçamentados).

É este, pois, o panorama que de modo sintético se apresenta para o corrente exercício fiscal de 2013/2014 que encerra a 30/6.

P. S. – À data em que escrevo o presente artigo (14-Nov), ainda não são conhecidas as contas referentes ao 1º trimestre (Julho a Setembro), cujo prazo limite de comunicação à CMVM é 30-Nov, contudo, não será de estranhar que venham a ser significativamente negativas uma vez que estando dependentes da realização de 41M€ de mais-valias nas transacções de passes de jogadores (em termos anuais), neste primeiro trimestre, ainda não surgiram vendas de relevo (creio que, apenas, Atsu). Mais um motivo de pressão sobre a administração da SAD no mês de Junho de 2014 para a realização de mais-valias (caso não aconteça já na janela de transferências de Janeiro...).

JCHS

13 outubro, 2013

Os Meus Destaques do Relatório & Contas de 2013

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Tendo por base os dados preliminares enviados à CMVM, gostava de realçar os seguintes aspectos:

1- Para começar, o mais importante. Estamos perante um Relatório & Contas e não, como muitos dizem e escrevem, de um relatório de contas. Refiro isto para sublinhar que não se trata de uma só peça (as demonstrações financeiras a que vulgarmente chamam contas), mas sim de duas peças: a primeira é o Relatório de Gestão onde a administração da sociedade descreve a actividade desenvolvida no exercício e a sua evolução (aqui se integrando a actividade desportiva), e a segunda são as referidas Contas. Saliento este facto porque normalmente há a tendência para se discutirem as Contas do FCP-SAD como se tratasse de uma qualquer sociedade comercial cujo escopo principal é a obtenção de um lucro contabilístico. Ora, como bem sabemos, a FCP-SAD é uma sociedade desportiva que tem por objectivo maior a obtenção de títulos desportivos (no caso, o futebol) e onde o lucro financeiro é secundário (embora não despiciendo).

2- Assim sendo, o primeiro destaque vai para os resultados desportivos. Concretamente, o FCP-SAD alcançou o título de campeão nacional (aliás, tri-campeão), a Supertaça e passou a fase de grupos da Liga dos Campeões, tendo falhado a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Globalmente, o ano foi positivo, embora como é apanágio neste clube se espere sempre melhor – em especial fica “atravessada” a derrota na final da Taça da Liga e a eliminação aos pés do Málaga.

3- O resultado líquido do exercício cifrou-se em 20.356 m€, muito acima das expectativas visto que a administração tinha orçamentado um resultado líquido de 11.503 m€. Contudo, convém não esquecer que no ano anterior o prejuízo foi de 35.763 m€, razão porque na média dos dois últimos anos o saldo ainda é bastante negativo. Refiro este facto porque, para efeitos do fair-play financeiro da UEFA, concretamente o critério do “break-even”, são considerados os resultados dos últimos anos (média), motivo porque se impõe que no próximo ano se continue com resultados líquidos positivos.

4- Ainda mais relevante que a descida do passivo total em 3.160 m€ (montante pouco significativo), é a diminuição da dívida financeira líquida em 26.594 m€. Trata-se de uma redução muito importante porque é esta parte do passivo que gera os juros suportados, e que nos últimos anos têm vindo a subir consideravelmente. Para se ficar com uma ideia do problema, constata-se que a rubrica “resultados financeiros” (onde se incluem os juros pagos) afectou negativamente os resultados do exercício em 9.122 m€ quando no ano de 2012 esse valor tinha sido de 7.857 m€. Se disser que estes 9.122 m€ são o saldo (isto é, já abatidos dos juros recebidos, nomeadamente do FCP-Clube ao abrigo do protocolo existente), fácil será concluir que os juros pagos já ultrapassam os 10 milhões de euros/ano.

5- Os proveitos operacionais (sem resultados de transacções de passes) foram 78.441 m€. Como os resultados de transacções de passes foram 76.445 m€ conclui-se que esta rubrica de mais-valias na venda dos direitos económicos de jogadores representa quase 50 por cento da totalidade dos ganhos. Como referi em artigo anterior esta dependência excessiva da venda de passes pode vir, mais cedo ou mais tarde, a revelar-se um forte constrangimento na gestão da SAD.

6- Por outro lado, como os custos operacionais (também com exclusão de transacções de passes) foram 96.585 m€, confrontando com os 78.441 m€ de proveitos operacionais, as contas revelam um défice de 18.144 m€ (resultado operacional negativo). Como estamos a falar de proveitos e custos operacionais sem transacções de passes, estes 18.144 m€ de défice devem constituir um objectivo a eliminar no futuro, seja pela via da redução de custos, seja pela via do aumento de proveitos ou seja pelo efeito conjugado dos dois casos.

7- Uma nota final para os custos com o pessoal que subiram de 49.595 m€ em 2012 para 54.065 m€ em 2013. Este valor está mesmo no limite do valor recomendado pela UEFA (70%) no fair-play financeiro. Como os proveitos operacionais foram 78.441 m€, estes 54.065 m€ representam exactamente 68.9% (54.065/78.441), motivo porque a administração da SAD não se pode distrair muito nesta área…


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

08 setembro, 2013

A Estrutura de Proveitos da FCP-SAD

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Regresso de férias, regresso à dura realidade (dos números...).

Quem analisa com assiduidade e alguma profundidade os relatórios e contas da FCP-Futebol SAD, conhece bem os diversos componentes e respectiva importância no conjunto dos proveitos totais da sociedade. A generalidade dos adeptos tem conhecimento das diferentes fontes de rendimento (bilheteira, direitos televisivos, mais-valias na alienação de passes de jogadores, etc.), no entanto, penso que não têm uma noção exacta do peso relativo de cada rubrica.

Por exemplo, quanto representa em termos absolutos (valores) e em termos relativos (percentagem) a receita de bilheteira? Ou as receitas da UEFA? E por aí fora.

O objectivo do presente artigo é fazer esquematicamente essa apresentação, e sobretudo analisar/comentar a repartição dos proveitos da sociedade.

Para isso, e uma vez que as contas finais do exercício de 2013 só serão conhecidas no final do próximo mês de Outubro, vou socorrer-me dos elementos constantes do Orçamento de Exploração para o exercício de 2013 (findo em 30 de Junho passado), apresentado pelo conselho de administração e aprovado em Assembleia Geral de accionistas da SAD.

São estes os elementos (valores em Euros):

Feita a apresentação da estrutura de proveitos, importa agora o comentário.

Salta logo à primeira vista o enorme desequilíbrio desta estrutura.

Com efeito, uma só rubrica – resultados das transacções de passes de jogadores - representa mais de metade (mais exactamente 52,3%) do total de proveitos!

Quer dizer, a totalidade das outras rubricas, que constituem os chamados proveitos operacionais e que totalizam 53.777.352, apenas contribuem com 47,7% dos proveitos.

Como é evidente, toda a gente conhece o modelo de negócio do FCP: comprar bem, extrair o melhor rendimento desportivo e no fim do processo vender com significativas mais-valias financeiras. Sempre foi assim (últimos 25 anos), portanto, pergunta-se, onde está a surpresa?

Do meu ponto de vista, o problema reside na excessiva dependência deste tipo de rendimento.

De facto, se analisarmos esta estrutura ao longo dos anos verificamos que esta componente das contas tem um peso importante. Contudo, uma coisa é a sua representatividade ser de 10, 20 ou 30%, outra bem diferente é quando esses valores chegam aos 50%!
Então, qual o efeito prático disto?

Duma maneira simples e aproximada, quando se depende em 10% destas mais-valias, se elas falharem o prejuízo do ano é de 10 milhões de euros, mas se se depende em 50%, em caso de insucesso esse prejuízo é de 50 milhões de euros.

Isto é, um risco elevadíssimo. Por alguma razão, o povo na sua eterna sabedoria ensina que não se devem pôr os ovos todos no mesmo cesto.

Aliás, ainda no último ano (exercício de 2012) as contas encerraram com um prejuízo de quase 36 milhões de euros, após cinco anos consecutivos de resultados ligeiramente positivos, e porquê?

Pois, porque em grande medida as previsões de valores de vendas de passes falharam.

Por alguma razão, ainda recentemente (2 de Maio) em entrevistaao “Diário Económico”, o administrador financeiro Angelino Ferreira dizia que nos próximos tempos o FCP deverá ficar “menos dependente” das vendas de jogadores tendo em conta o contexto financeiro europeu. ”É fundamental a viragem para um modelo de negócio mais sustentável com proveitos operacionais e não decorrentes da venda de direitos económicos dos jogadores”, afirmou Angelino Ferreira.

Os números acima apresentados fundamentam bem esta afirmação. Resta saber se no seio do conselho de administração o administrador financeiro tem a força suficiente para impor as suas ideias.

Dito de outra maneira, não posso estar mais de acordo com Angelino Ferreira. Mas, não sei porquê, ao ler esta declaração, vem-me à memória o célebre Frei Tomás e o ditado popular: “Que bem prega Frei Tomás! Façam o que ele diz!, Não olhem para o que ele faz!”...

Evidentemente, quer se queira quer não, sempre existiu e sempre existirá, alguma incompatibilidade entre os interesses/ anseios da vertente desportiva (necessidade de obtenção de títulos), e os princípios da boa gestão financeira. Encontrar aqui um equilíbrio é fácil de dizer, difícil é realizá-lo...

Na mesma entrevista Angelino, Ferreira também mencionou a componente “custos”, mas como o artigo de hoje é apenas sobre “proveitos” (e mais especificamente sobre transacções de passes de jogadores) deixo essa parte para o próximo artigo, exactamente sobre a estrutura dos custos.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

13 agosto, 2013

O Futebol Feminino no FC Porto

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Porque estamos no tempo das férias, sol e praia, logo época pouco aconselhável para pensar em assuntos tão áridos como passivos, activos, custos salariais, mais ou menos-valias, dívida financeira e juros, e porque decorreu entre 10 e 28 de Julho pp na Suécia a fase final do campeonato da Europa de futebol feminino de selecções seniores, lembrei-me de fazer uma versão mais ligeira das “contas à moda do Porto”, discorrendo sobre o futebol feminino no FCP.

Quanto ao campeonato da Europa, acentuando a sua hegemonia (ganhou em 1995, 1997, 2001,2005 e 2009), venceu a Alemanha derrotando na final a Noruega por 1-0 (a guarda-redes alemã Nadine Angerer defendeu duas grandes penalidades!), tornando-se hexa-campeã e justificando a velha máxima do inglês Gary Lineker que tendo sido pensada para a selecção masculina, pode agora também ser aplicada à selecção feminina, o futebol são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha.

No que respeita ao futebol feminino no FCP, chamou-me à atenção esta notícia no site oficial, com o Open Day a realizar-se em 01 de Julho passado.

De facto, fez-me sempre muita confusão que um clube que tem no seu nome Futebol, e não Basquetebol, Andebol, Hóquei ou qualquer outro desporto, nunca tenha proporcionado a prática do futebol às raparigas/mulheres. Note-se que nada tenho contra essas outras modalidades, como é evidente, bem pelo contrário sou favorável ao máximo ecletismo possível, o que me surpreende e desagrada é o ostracismo a que é votado o futebol feminino.

Bem sei que o FCP nasceu numa época em que falar de desporto, nomeadamente o futebol, tinha implícito o conceito de masculino. Bem sei também que essa mentalidade perdurou um longo tempo, digamos até ao fim da 2ª Grande Guerra Mundial. Mas, desde essa altura o papel da mulher no desporto não parou de aumentar, e hoje em dia pode-se afirmar que a igualdade de género é uma realidade.

Tanto assim é que seja nos Jogos Olímpicos, seja na UEFA (que é o que interessa ao caso porque se trata de futebol) cada modalidade é praticada no masculino e no feminino. Em Portugal, nesta área, como em muitas outras, infelizmente estamos na cauda da Europa.

Repare-se que a FIFA na atribuição anual de prémios não esquece as mulheres, e, por exemplo, este ano ao lado de Lionel Messi lá estava Abby Wambach, americana e jogadora do ano, e ao lado de Vicente del Bosque estava Pia Sundhage a treinadora do ano (sueca bicampeã olímpica em 2008 e 2012 ao comando da selecção feminina dos EUA). E, como se sabe, em 2014, a final da Liga dos Campeões feminina será no estádio do Restelo em Lisboa (visto que a final masculina está marcada para o nosso salão de festas). Quanto ao FCP, em que já houve tempo onde o lugar das mulheres era dentro do carro a tricotar enquanto os maridos “sofriam” nas Antas, verifica-se uma crescente e já muito significativa presença do elemento feminino no Dragão.

Por isso espero e desejo que a notícia acima referida seja o começo duma verdadeira implantação do futebol feminino no FCP e não um mero expediente para facturar mais umas mensalidades às raparigas. Se não veja-se o contra-senso: os rapazes do Dragon Force fazem a sua aprendizagem podendo depois evoluir para os Sub-15, Sub-17, etc.; já as raparigas se quiserem continuar a praticar o seu desporto favorito terão de mudar de clube !!! Faz isto algum sentido?

Claro que se pode e deve questionar por que razão não há futebol sénior feminino no FCP.

Por razões económicas não é certamente. De facto, contrariamente por exemplo ao futsal onde o nível salarial dos atletas das equipas de topo já é considerável, as futebolistas, a nível nacional, são verdadeiramente amadoras com custos insignificantes. Claro que a nível de topo internacional o caso muda de figura, as jogadoras são muito bem pagas, profissionais, e a concorrência é forte.

Por razões de logística também me parece que não haveria grande problema, uma vez que quer no Vitalis Park, quer no centro de treinos do Olival, ou no estádio de Pedroso, parece haver campos suficientes.

Por razões de visibilidade, talvez. Mas aqui, na minha opinião, o FCP devia tomar a iniciativa e não ser um seguidista. Veja-se o que se passou no futsal, também não tinha grande visibilidade até à entrada dos dois clubes da 2ª circular, agora o próprio canal público, às vezes em “prime time”, se dedica a esta modalidade. Até o futebol de praia merece honras televisivas (é o caso do “mundialito” que passou na rtp-1 no fim de semana de 27 e 28 de Julho). Por outro lado, esta questão da visibilidade está muito relacionada com os resultados, por exemplo nunca ninguém ligou muito ao judo, remo ou canoagem, mas a partir do momento em que se conseguiram resultados relevantes, quer as modalidades quer os atletas passaram a ser muito reconhecidos. É a velha estória da “pescadinha de rabo na boca”: não há resultados, logo não há investimento; não há investimento, logo não há resultados. Há, pois, que quebrar este círculo vicioso.

Há quem pense que os grandes clubes do futebol não se dedicam ao futebol feminino. Não é bem assim, por exemplo existem equipas femininas de clubes como o Arsenal, Lyon, Wolfburg e Frankfurt, e cito estes apenas porque são clubes que já venceram a Liga dos Campeões feminina (PSG e Bayern de Munique têm igualmente boas equipas). Além de que, quando o que está em jogo são princípios e não títulos, é tão digno jogar contra o Clube Atlético Ouriense (actual campeão nacional) como contra o Barcelona.

Portanto, sendo estas não mais do que reflexões pessoais, não sei se muito ou pouco generalizáveis aos restantes portistas, por todas as razões e mais uma (gostar de ver um FCP vanguardista e não seguidista), espero que o Dragon Force seja o embrião duma futura equipa feminina do FCP, porque não tenho dúvidas de que serão milhares as raparigas/mulheres que muito gostariam de representar o seu clube.

PS1- Assisti à final Alemanha-Noruega no Eurosport e devo dizer que me interessou mais que certos jogos da liga Zon/Sagres.

PS2- Só neste canal televisivo, o comentador referiu que tiveram três milhões de espectadores de audiência na meia-final Noruega-Dinamarca. No estádio em Solna, na final, estiveram 41.301 espectadores. Por aqui se pode avaliar a importância crescente do futebol feminino.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

07 julho, 2013

Os Fundos de Investimento de Jogadores

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Daniel Pereira, advogado do departamento jurídico da FCP-SAD, esteve recentemente no Brasil onde participou num congresso sobre Direito do Desporto, e em entrevista ao site “Lancenet”, a propósito dos impropriamente chamados “fundos de investimento de jogadores” (de facto, trata-se de “associação em participação económica”) e tendo como pano de fundo a intenção da UEFA de acabar com estes fundos de jogadores, manifestou o seu desacordo afirmando “o futebol hoje em dia é uma mistura de paixão e investimento; o futebol sustentar-se-ia (sem os investidores) mas somente sobreviveriam os clubes considerados ricos, ou seja os que possuem grande número de sócios e altos patrocínios”, prosseguindo com a afirmação que “clubes de diversos países deixarão de poder comprar atletas de qualidade, em especial na América do Sul, por não terem capacidade financeira para o fazer recorrendo apenas às suas finanças. Deste modo vão também deixar de os poder, posteriormente, transferir para clubes mais ricos como o Real Madrid ou Manchester United e conseguir, deste modo, arrecadar receitas extraordinárias. Tais clubes ficarão condenados a viver na sombra de conquistas alcançadas no passado”. Daniel Pereira considera mesmo que “o futebol ficaria menos interessante e quem sabe com um menor número de transferências”.

Também, recentemente em artigo de opinião (jornal Público, de 24/06/2013), o administrador financeiro da FCP-SAD, Angelino Ferreira, defende a partilha de direitos económicos com fundamento na redução do custo e risco de investimento e as dificuldades pontuais de tesouraria, afirmando “infelizmente, já não é possível recorrer ao financiamento bancário para suprir todas as necessidades financeiras para o desenvolvimento da actividade e a associação de participação económica com investidores é a alternativa para mantermos um modelo que nos tem assegurado um apreciável sucesso desportivo, sem nunca ter posto em causa a sobrevivência económica”. Mais afirma “de repente, parece que se tornou moda diabolizar a partilha de direitos económicos, servindo desta forma os interesses dos clubes das ligas financeiramente mais fortes. A verdade é que no FC Porto temos conseguido com recursos imensamente mais parcos ter mais sucesso desportivo que todos os clubes franceses ou ingleses e iremos continuar a lutar pela defesa de todas as formas de financiamento que nos permitam ser competitivos”, concluindo “os investidores têm ganho dinheiro connosco? Têm e esperemos que assim continue a ser, porque a marca FC Porto é uma garantia importante de bom investimento, mas convém não esquecer que a partilha de custos e riscos nem sempre corre bem, como se vê actualmente noutros clubes portugueses e não só”.

E qual é a posição da UEFA sobre esta matéria (a que dá a designação de “third-party ownership”)?

Frontalmente contra, tendo sempre presente a sua pro-actividade na implementação de princípios de boa governação para proteger o futuro do futebol a longo prazo (o mesmo princípio do “fair-play” financeiro). O seu secretário -geral, Gianni Infantino, apresenta quatro ordens de razões:

Em primeiro lugar levanta questões éticas e morais. É apropriado “terceiros” possuírem os direitos económicos de um ser humano e posteriormente transaccionarem esses direitos? Isso seria inaceitável na sociedade e não pode ter lugar no futebol porque os jogadores têm o direito de determinar o seu futuro.

Em segundo lugar porque se deve proteger a integridade da competição desportiva. O que acontece quando a mesma empresa ou fundo detém os direitos económicos de vários jogadores de diferentes equipas? Há um óbvio risco de conflito de interesses, nomeadamente de manipulação de resultados.

Em terceiro lugar o modelo de negócio baseado na co-propriedade dos passes implica uma mudança frequente de jogadores entre os clubes, pois mais transferências significa mais dinheiro para os proprietários, resultando em maior instabilidade contratual e perda de receita a longo prazo para o futebol.

Em quarto lugar esta prática é claramente incompatível com a filosofia económica e desportiva do fair play financeiro que consiste em garantir que os clubes vivem de acordo com as suas possibilidades financeiras.

O Conselho Estratégico para o Futebol Profissional e o Comité Executivo da UEFA são inequivocamente contra esta prática, exigindo a sua proibição por uma questão de princípio. No entanto, como este é um problema global e não apenas da Europa, é à FIFA que compete a introdução das medidas necessárias à sua proibição à escala mundial. Contudo, caso a FIFA não avance nesta matéria, a UEFA está pronta para implementar as regras adequadas para acabar com esta prática nas suas competições, estando ainda a considerar a introdução de um período transitório para adaptação às novas regras.

Vistas estas duas posições manifestamente antagónicas, não merece a pena analisar quem tem a razão. E não merece porque a UEFA acha-se detentora do direito consubstanciado no “Quero, Posso e Mando”. Nestes termos, nada mais resta ao FC Porto do que começar a pensar em novas estratégias, novos modelos, em suma antecipar os novos tempos que aí vêm.

Aliás, como sempre tem feito ao longo destes últimos trinta anos. Porque, como alguém disse, vence não quem é mais forte mas quem melhor se adapta às mudanças.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.