Mostrar mensagens com a etiqueta liga 2008-09. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta liga 2008-09. Mostrar todas as mensagens

23 janeiro, 2010

Haverá liberdade sem igualdade?

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Benfica-FC Porto de 2008 teve incidentes no túnel

O Benfica-FC Porto da época passada teve incidentes entre elementos dos dois clubes, à semelhança do jogo de Dezembro que resultou na suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru, dos quais a Liga diz não ter conhecimento apesar das imagens o documentarem.

Os incidentes desta época também ficaram registados estando as gravações na posse do Benfica e da Liga dos Clubes, que não as tornaram públicas.

Nas imagens do jogo da segunda jornada da época passada, disputado a 30 de Agosto de 2008, logo após o final do jogo vê-se um elemento ligado ao Benfica a agredir a pontapé o team-manager do FC Porto, Acácio Valentim, gerando-se logo a seguir uma enorme confusão junto à entrada para o balneário do FC Porto, com praticamente toda a equipa dos dragões a sair do balneário e a envolver-se, no mínimo, numa enorme discussão com elementos aparentemente da segurança do Benfica.

Nas imagens, que não têm som, percebe-se a exaltação, mas não se vê qualquer agressão, até porque o foco da discussão está fora do alcance das câmaras.

Este episódio foi presenciado por pelo menos três agentes da polícia, que são visíveis nas imagens, pelo delegado da Liga Esmeraldo Augusto e por diversos elementos dos dois clubes, entre os quais Rui Costa, do Benfica, ou Reinaldo Teles, do FC Porto.

Apesar dos incidentes a Liga não abriu qualquer procedimento disciplinar, tendo fonte do organismo dito à Lusa que não tomou conhecimento de quaisquer incidentes.

Nas mesmas imagens a que a Lusa teve acesso, captadas na tarde de 30 de Agosto de 2008, horas antes do início da partida, vêem-se elementos do Benfica a levantarem o ângulo de uma das câmaras.

Acácio Valentim, funcionário do FC Porto, é agredido com um pontapé nas costas por um elemento aparentemente da segurança do Benfica, que é imediatamente afastado, como se percebe pelas imagens captadas por uma outra câmara colocada a alguns metros de distância.

O jogo Benfica-FC Porto da época 2008/09 disputou-se a 30 de Agosto de 2008, a contar para a segunda jornada da Liga e terminou empatado a um golo, numa partida que ficou assinalada pela agressão de um adepto do Benfica ao árbitro assistente.

No jogo desta época, disputado a 20 de Dezembro, João Ferreira, a desempenhar as funções de quarto árbitro, deu ordem de expulsão a Hulk e Sapunaru por alegadamente terem agredido “stewards” em serviço no jogo.

A Comissão Disciplinar da Liga, depois de receber os relatórios do árbitro, dos delegados e da polícia, suspendeu preventivamente os dois atletas, que aguardam o fim do processo disciplinar a que estão sujeitos.

Fonte da Comissão Nacional de Protecção de Dados e juristas contactados pela Agência Lusa, a propósito da divulgação de imagens sistemas de videovigilância, disseram que as imagens captadas neste âmbito só podem ser usadas nos termos da lei penal”. Mas que “a responsabilidade do tratamento dos dados dessas imagens é do responsável pelo sistema de captação”.

fonte: desporto.sapo.pt [22.01.2010]





REACÇÕES



Acácio Valentim: «Foi tudo preparado e orquestrado»
FUNCIONÁRIO DO FC PORTO SEGURO DE PREMEDITAÇÃO


Acácio Valentim, o funcionário do FC Porto agredido no túnel do Estádio da Luz no final do clássico da época 2008/09, não tem dúvidas de que o incidente foi premeditado. O objetivo seria gerar uma reação por parte dos jogadores portistas.

"Foi tudo preparado e orquestrado para que houvesse uma reação dos nossos jogadores. Felizmente, conseguimos detê-los à porta do balneário. A agressão de que fui vítima aconteceu depois do jogo, quando me dirigia para o balneário depois de ter ido verificar a 'flash-interview, que é uma das minhas obrigações. Comecei a ser empurrado por elementos do Benfica que nem podiam lá estar e depois levei um pontapé, tipo karaté", afirmou Acácio Valentim à agência Lusa. "Fui imediatamente queixar-me ao Rui Costa, que estava a poucos metros e presenciou tudo. Gera-se uma discussão e é nessa altura que os nossos jogadores vêm em meu auxílio. A pessoa que me deu o pontapé é a mesma que deu um estalo no aeroporto de Lisboa quando foi aquela história do Moreto", acrescentou o funcionário portista.

O Benfica-FC Porto da época passada teve incidentes entre elementos dos dois clubes, à semelhança do jogo de dezembro último, que resultou na suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru, dos quais a Liga de Clubes diz não ter conhecimento apesar das imagens o documentarem.

Os incidentes desta época também ficaram registados estando as gravações na posse do Benfica e da Liga dos Clubes, que não as tornaram públicas.



Delegado não viu agressões na Luz
ESMERALDO AUGUISTO E O BENFICA-FC PORTO DE 30 DE AGOSTO DE 2008


O delegado da Liga ao jogo Benfica-FC Porto 30 de Agosto de 2008 afirmou hoje ... Agência Lusa não ter detectado qualquer agressão na zona dos balneários do Estádio da Luz.

"Eu fiz o relatório das ocorrências do jogo e, no túnel, não verifiquei nada. Tudo o que foi presenciado pelo delegado da Liga foi descrito no relatório. Se eu tivesse assistido a alguma agressão, tinha-a descrito no meu relatório. Todas as ocorrências que são visíveis, eu não perdoo", disse à Lusa Esmeraldo Augusto.

Este representante da Liga naquele encontro da época 2008/09 adiantou ainda que era o único delegado da partida junto ao relvado e nos balneários, uma vez que o outro delegado destacado para a partida presenciou o jogo na zona dos camarotes.

"Não sei, sinceramente já nem me recordo. Só se foi alguma coisa já posterior à saída da equipa de arbitragem. Nesse jogo houve controlo antidoping e eu saí com os árbitros porque tinha de obter imediatamente os cartões dos jogadores sorteados para os controlos", afirmou Esmeraldo Augusto.



Incidente na Luz em 2008: PSP enviou relatório à Liga
FONTE POLICIAL DIZ QUE NÃO FOI NECESSÁRIO RECORRER ÀS IMAGENS


A Polícia de Segurança Pública (PSP) elaborou um relatório, que enviou para a Liga de Clubes, sobre os incidentes registados no túnel do Estádio da Luz no jogo entre Benfica e FC Porto, disputado a 30 de agosto de 2008.

"Efetivamente foi elaborado relatório e enviado à Liga Portuguesa de Futebol. A PSP apenas acalmou os ânimos e não houve necessidade de ter acesso às imagens", confirmou à agência Lusa uma fonte da direção Nacional da PSP.

O Benfica-FC Porto da época passada teve incidentes entre elementos dos dois clubes, à semelhança do jogo de dezembro de 2009, que resultou na suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru. Os incidentes desta época também ficaram registados, estando as gravações na posse do Benfica e da Liga dos Clubes, que não as tornaram públicas.



Liga de Clubes desconhece confusão de 2008
LPFP DIZ NÃO TER RECEBIDO PARTICIPAÇÃO OU QUEIXA


A Liga de Clubes não se pronuncia sobre os incidentes do Benfica-FC Porto da época 2008/09 porque, como afirmou à agência Lusa uma fonte do organismo, "não faz comentários a factos que não conhece". A LPFP acrescenta que até à data não lhe chegou qualquer facto sobre esse jogo.

A mesma fonte da Liga de Clubes também indicou se os relatórios dos delegados ou da polícia fizeram menção aos incidentes.

"Não chegou à Liga desde tal jogo qualquer participação ou queixa que implicasse averiguar factos para além dos que foram analisados e sancionados aquando do jogo Benfica-FC Porto da época 2008/09", revelou, ainda, a fonte da Liga de Clubes.



Dragões apontam dedo à Liga
ACUSAM COMISSÃO DISCIPLINAR DE SER PARCIAL


O FC Porto diz que nunca se queixou dos incidentes no jogo de Agosto de 2008 com o Benfica por causa da "parcialidade" da Comissão Disciplinar da Liga e que este género de acontecimentos "são habituais".

"O que tem acontecido no túnel da Luz é habitual e não tem sido só com o FC Porto. Mas com esta Comissão Disciplinar fazer o quê?", disse à Lusa fonte oficial do clube.

Ainda segundo a mesma fonte, em mais nenhum estádio da Liga estão presentes seguranças privados como no Estádio da Luz, com o objectivo de "pressionarem e intimidarem" os adversários.

A Lusa tentou uma reacção do Benfica, que não quis comentar.

O Benfica-FC Porto da época passada teve incidentes entre elementos dos dois clubes, à semelhança do jogo de Dezembro que resultou na suspensão preventiva de Hulk e Sapunaru, dos quais a Liga diz não ter conhecimento apesar das imagens o documentarem.

Os incidentes desta época também ficaram registados estando as gravações na posse do Benfica e da Liga dos Clubes, que não as tornaram públicas.

15 julho, 2009

O tetra, jornada a jornada - fim

26ª jornada
[porto, 2 – setúbal, 0]

Agora que as luzes se foram
Só o tango ficou
Desenhado no chão.
E a gardénia esquecida
repete, em surdina, o último verso.

Relembrava-se Gardel, em homenagem ao seu compatriota Lisandro, incontinente fazedor de golos. Mais um degrau ultrapassado, na ascensão rumo ao tetra, num jogo de cariz especial. Não pelo adversário, inócuo e lutando desesperadamente contra o espectro da descida. Mas pelo simbolismo que o mesmo acarretou, realizado poucos dias após o desaparecimento de um dos grandes vultos portistas. Virgílio Mendes, cognome de “o leão de Génova”, tinha a bravura de um indomável soldado de campanha, tenaz defensor do emblema que lhe decorava o peito.

Os golos de Lisandro, o “man of the match”, foram o corolário lógico de um conjunto que, nesta fase, sobrepunha as fileiras cerradas ao deslumbramento estético. Não se jogava bem, no Dragão, mas somavam-se pontos vorazmente.

Nota de destaque, em toda a blogosfera azul e branca, o nascimento de mais um projecto, acompanhado a par e passo, com evidente nervosismo, quase como se de um filho se tratasse. As amadoras tinham a sua casa pronta. Finalmente. O “Dragãozinho” abriu portas, cativando os felizardos presentes na inauguração. Um clube eclético tinha que ter um espaço assim. E lá vigora também a máxima do clube. A vencer, desde 1893…

27ª jornada
[marítimo, 0 – porto, 3]

Maio. Mês de todas as decisões. 4 jogos para o final, numa altura em que a imprensa abanava o fantasma da possível não renovação de Jesualdo. Cirurgicamente, na altura crucial da temporada, os mesmos de sempre procuravam lançar o descrédito, a confusão, o caos. O Jogo titulava que este seria o “mês da verdade”. E ela, tal como o algodão, não enganava. Enquanto a Europa abria a boca de espanto, descobrindo um defesa-esquerdo raçudo, sem cáries, o título era praticamente oferecido, numa bandeja de prata, aos comandados de Jesualdo. O empate leonino em Coimbra, aliado a uma contundente derrota encarnada na Madeira, no feudo do Nacional, faziam os portistas acariciarem o Tetra. Igualmente na pérola do Atlântico, o Porto vencia o Marítimo, sobrevivendo de forma esplendorosa às lesões nucleares de Lucho e Hulk. Com Meireles e Fernando em plano de destaque, soberbos pilares do meio-campo, os adeptos portistas preparavam o arraial, programado para dali a uma semana. Um ano intenso, de lutas e perseguições, de jogadas de bastidores e ódios acumulados, aprestava-se a chegar ao fim. Uma semana. Uma mísera semana para coroar a melhor equipa lusa, aquém e alem fronteiras.

28ª jornada
[porto,1 - nacional, 0]

Com a defesa menos batida da Europa, o 24º titulo deixou de ser uma miragem, transformando-se numa doce realidade. O Primeiro de Janeiro, deliciosamente, colocava em letras garrafais: “Só faltam seis”. E é esse número redondinho que, a partir de agora, assombrará os sonhos dos Neandertais de vermelho. Mais seis anos. Mais seis títulos. E cairá por terra o mito do clube “mais grande” de Portugal. Já falta pouco.

Mas, para abrir as rolhas do precioso champanhe, foi necessário suar e sofrer, em doses industriais. O Nacional foi um adversário notável, provavelmente o mais perigoso a pisar o relvado do Dragão, na temporada finda.

Coube-me a mim o privilégio de escrever a crónica da partida decisiva. E, como sempre faço nas ocasiões históricas, aproveito os momentos que antecedem o inicio das hostilidades para uma revisão. Uma espécie de hibernação reflexiva. Saboreio os passos todos da caminhada, de forma introspectiva, desde as provações e noites de desespero, sustendo a frustração de resultados menos conseguidos, até aos momentos ímpares de felicidade e alegria.

Bastou um golo, para soltar a torrente de contentamento no vulcão humano em que se tinha transformado o Estádio. Todo ele imbuído de enorme carga emocional. Carimbado pelo transportador da mística draconiana, flamejante na sua estampa física, Adónis esculpido em ferro, resistindo indómito a tudo. Bruno Alves, o primeiro a dar a cara e a aconselhar calma, no naufrágio da Figueira, aquando da derrota frente à Naval. E nesse gesto simples, de apaziguamento do descontentamento dos fiéis seguidores portistas, estava encerrada a chave do triunfo. Foi ali, naquele momento, numa derrota, que se forjou o caminho do êxito.

E pronto. Soltou-se o ansiado grito. O “CAMPEÕES, CAMPEÕES, NÓS SOMOS CAMPEÕES”, ouviu-se por toda a Invicta, essa cidade perene, cantada por poetas. No Estádio, que me atrevo a designar pelo mais belo palco à face da terra, estavam 50.000. Mas no Mundo inteiro, transformado em hora e meia num anfiteatro de emoções, estavam milhões. Pessoas anónimas, de todos os credos, raças e religiões, com aquele ponto de ligação. A fé inquebrantável no Porto. A diáspora portista, independentemente do fuso horário, resplandecente de felicidade. O palmarés tinha agora mais um pontinho. O 24º!

29ª jornada
[trofense, 1 – porto, 4]

Do Tetra emergia uma figura, tornada consensual na hora da vitória. Jesualdo Ferreira conseguia, finalmente, o reconhecimento merecido. De postura “low-profile”, avesso a mediatismos bacocos, com a sisudez a ser a imagem de marca, o técnico português atingia um patamar apenas ao alcance dos eleitos. Reconstruindo sabiamente um plantel sempre sangrado por necessidades de tesouraria, o decano treinador atingiu um patamar de maturidade que o tornam a personagem principal de um filme ainda sem fim.

Comprovando que a semana de festa não tinha ensombrado a capacidade futebolística, os Dragões atingiram outra marca notável. A 11ª vitória consecutiva, fora de portas, praticamente condenando à descida de divisão o seu opositor. A equipa, mantendo a bitola da seriedade competitiva, dizimou literalmente o adversário, com golos a dobrar da dupla argentina, Farías e Lisandro, numa clara demonstração de classe e vontade contínua de vencer. Os campeões crónicos são assim. Profissionais até à medula. Sem relaxamentos.

30ª jornada
[porto, 1 – braga, 1]

Ainda não tinha terminado a temporada, e já se preparava cuidadosamente a próxima. Maicon, defesa-central brasileiro e titular do Nacional, era anunciado como o mais novo reforço do ataque…ao Penta. Antes do jogo final da Superliga, os adeptos portistas tiveram novo motivo de celebração. A Liga Intercalar foi vencida, com mérito, pelos jovens azuis e brancos, numa final nervosamente decidida na lotaria das grandes penalidades. Mais uma prova inequívoca de que, longe das luzes da ribalta, se trabalha denodadamente e com qualidade nas camadas jovens. O jogo final, de consagração, recebeu o Braga de Jesus, um treinador na altura em bolandas, com os média a fazerem eco do interesse de vários grandes (Porto incluído) na sua contratação. O resultado, o menos importante num dia de festa, não fez justiça ao melhor jogo azul e branco, com mais um golo do inevitável Farías, sôfrego aproveitador de todos os minutos concedidos para deixar a sua marca. O fecho da competição foi celebrado, com a devida pompa e circunstância, provando que os novos empossados campeões “never walk alone”. Caia o pano no Dragão, deixando logo um rasto de nostalgia, pelo período sabático que se seguiria, sem a bola a rolar.

A comemoração do título foi quase coincidente com a enxurrada de parabéns, provenientes de vários quadrantes, pelo aniversário do blogue. O terceiro, num mês de Maio pródigo em festejos. Cada vez mais imprescindível para quem acompanha o quotidiano do Dragão, o Bibó Porto Carago apagou as velas num clima de festa, rodeado de amigos. Para o ano há mais!



NOTA - finalizada hoje a viagem do TETRA, é hora de nos centrarmos definitivamente no trajecto a caminho do PENTA e esse, começa já daqui a pouco, pelas 21:15, no Estádio Municipal de Aveiro, onde o FC Porto irá defrontar o Leixões, no primeiro jogo de preparação mais a sério, onde a malta do BiBó PoRtO estará em peso e força... aos que não possam estar presentes, e porque as boas tradições devem ser mantidas, passem por cá a partir das 20h30 e deleitem-se a "VER" esse jogo em (mais uma) transmissão em directo.

09 julho, 2009

O tetra, jornada a jornada - parte IV

21ª jornada
[leixões, 1 – porto, 4]

10, 9, 8, 7... a contagem decrescente, rumo ao sonho, era feita pela massa associativa azul e branca, cada vez mais esperançada em novo feito histórico. Os jogos eram vividos numa montanha russa de emoções. Alegria e júbilo, abraçados umbilicalmente à decepção e frustração. Os 90 minutos, excruciantes, vividos isoladamente. Jogo a jogo. Como se fossem finais. E quando o apito do árbitro, correspondente ao epílogo de mais uma partida, soava tridente, a satisfação do dever cumprido tomava conta de todos. Mais um obstáculo ultrapassado. E o tetra a sorrir, lá no fundo do túnel. A 21ª ronda coincidiu com o elevar da contagem da diáspora portista. A abertura da 109ª cada do Porto, na localidade de Mira, foi devidamente esmiuçada aqui no blogue, como forma de agradecimento pelo concretizar de novo altar de devoção ao emblema do Dragão. Os pupilos de Jesualdo, na curta deslocação a Matosinhos, deram festival. 4 golos frente a um adversário incómodo, com o predador Lisandro a começar a partida numa posição pouco habitual: no banco. Um Porto que parecia um harmónio, pleno de afinação, obrigando as gargantas nas bancadas a saudarem com “olés” as jogadas de fino recorte, esteticamente perfeitas. Com Hulk, Meireles e Mariano Gonzalez “on fire”, os 3 pontos vieram no bornal portista, até à Invicta.

22ª jornada
[porto, 2 – naval, o]

Sem euforias, mas plenos de confiança nas suas faculdades. Era assim que se sentia o pulso a uma equipa que, pela primeira vez sob o reinado de Jesualdo, tinha atingido os quartos-de-final da Champions. Pese o empate, sem golos, frente ao colchoneros, as duas exibições portistas frente ao Atlético tinham aguçado o apetite dos observadores imparciais. Potencial enorme, capacidade de sofrimento e possibilidades reais de fazerem mossa, independentemente do nome do futuro adversário. Na Liga caseira, o Leixões cilindrado em casa pelo Porto tinha, de seguida, surpreendido a equipa de Quique, cada vez mais mal amado e já sem direito às habituais parangonas elogiosas no jornal do Delgado e do Serpa. Na Invicta, preparava-se com ansiedade a recepção à Naval, protagonista de grande surpresa, na 1ª volta, ao derrotar os Dragões. Tudo foi diferente, desta feita. Jogo de sentido único, com o já habitual cheirinho a terras argentinas, não fossem os autores dos golos compatriotas de Maradona e Cª. Mariano e Lucho, criadores dos tentos, faces mais visíveis de todo um trabalho de equipa, na ultrapassagem de novo opositor. Cheirava a tetra. Com intensidade. A vantagem pontual, para o Sporting, 2º classificado, era agora de 4 pontos. A exibição não teve mácula. Equipa concentrada, dominadora, rápida nas transições, sólida competitivamente, afastando de vez o espectro dos empates caseiros. Venha o próximo, gritava-se no Dragão…

23ª jornada
[Guimarães, 1 – porto, 3]

Enquanto as bravatas se sucediam, fruto do crescente desespero (Rui Costa era protagonista, diariamente, na página da Bola, fazendo manchete uma frase lapidar, na edição de 19/03, com o “comigo não há impossíveis” a demonstrar o distanciamento do dito cujo da realidade onde vivia], o Porto conhecia o seu adversário na mais elitista competição europeia. Os red devils, de boa e recente memória, seriam um opositor de respeito, num confronto que se esperava com alguma inquietação e desassossego. Sem grandes dificuldades, o Porto desembaraçava-se de uns exemplares profissionais do Estrela da Amadora, na 1ª mão da renovada Taça de Portugal. A exibição consistente, mais do que o resultado, colocava desde já os atletas portistas com pé e meio no Jamor. Enquanto uns exultavam de alegria por vencerem, de forma desonesta, a Taça da Liga, espécie de “liga dos campeões dos pequeninos, à maneira lusitana”, o blogue lançava uma campanha exclusiva, procurando que Eduardo Filipe, exemplo perseverante da mística portista, permanecesse mais um ano na equipa de andebol. No futebol, a deslocação à cidade-berço prometia ser escaldante. O encontro correspondeu, por inteiro, às expectativas. O Porto de então, exalando segurança por todos os poros, soube reagir à adversidade no marcador para, em grande estilo, conquistarem mais “3 envelopes para o título”. Essa tarja, de humor refinado, exibida orgulhosamente pelos Super Dragões, foi um dos momentos altos na noite em que o servilismo pacóvio dos vimaranenses, cedendo aos interesses das agremiações lisboetas, foi punido de forma exemplar. Nos 90 minutos de batidas cardíacas desordenadas e intensas, Meireles e Fernando foram enormes, pulmões do meio-campo sempre hiperactivos, motores de um Porto pujante.

24ª jornada
[porto, 3 – e.amadora, 0]

Era tempo de sonhos. A mágica noite de Old Trafford, apenas atraiçoada por um Destino que foi cruel, permitia total liberdade aos anseios, aos sonhos de conquista de uma Europa. No “teatro dos sonhos” inglês, a soberba britânica foi calada pela raça indómita de quem nunca se verga. Relembrando noites históricas, a portentosa exibição colectiva frente aos “boys” de Ferguson acalentava os ânimos, crentes numa passagem às meias. Por cá, a recepção ao Estrela, adversário inócuo, não trouxe surpresas de maior. Resultado robusto, com o capitão Bruno Alves a abrir o caminho da goleada, fechada com um bis de Farías, verdadeiro predador junto da pequena área. O Porto desbravava mais um pouco do caminho até à coroação, em novo jogo de sentido único. O factor mais relevante aconteceu…fora das quatro linhas. Os briosos profissionais do Estrela, causticados por sucessivos meses de salários em atraso, tinham treinado afincadamente, antes da deslocação à Invicta. Até aqui, nada de estranho. Mas se compararmos com a semana antecedente quando, antes da recepção ao clube da águia, resolveram fazer greve, a suspeita fica no ar. Sete meses sem receberem salários. Sete. E apenas fazem greve antes da recepção à “locomotiva de transparência do futebol nacional”? Que forte cheiro a esturro…

25ª jornada
[académica, o – porto, 3]

Sem Lucho, lesionado (estávamos longe de saber que não mais o veríamos jogar, de Dragão ao peito), e digerindo ainda a derrota amarga frente ao Manchester, com um único pontapé feliz de um cromo com um ego do tamanho do universo a fazer a diferença, o Porto preparava a recta final da temporada. A questão que bailava em muitas mentes era até que ponto a equipa se ressentiria da eliminação europeia, com a dose cruel de injustiça a aguilhoar ainda mais o espírito. A resposta, possível, foi dada em Coimbra, frente a uma Académica que tinha como timoneiro uma antiga glória azul e branca. O triunfo, enganador e com números algo pesados, mostrou que os pupilos de Jesualdo, mesmo denotando alguns irritantes sintomas de depressão, não esqueceram de todo os seus deveres profissionais. Sabendo que só a vitória interessava, depois de o Sporting ter vencido, na véspera, em Guimarães, foi o delfim de Bruno Alves a abrir o caminho do triunfo. Rolando, imagem da discrição fora de campo, sereno e esbanjando classe dentro das quatro linhas, marcou um golo de suprema importância, retirando a pressão de cima da equipa. Depois, Lisandro e Mariano trataram de sossegar os corações mais inquietos, protegendo a vitória desejada.

finaliza na próxima semana...

02 julho, 2009

O tetra, jornada a jornada - parte III

16ª jornada
[belenenses, 1 – porto, 3]

Início da 2ª volta, novo jogo fora de portas e o aumento do número de vitórias consecutivas. Fazendo alarde de uma pressão alta, asfixiante, os azuis e brancos reduziram o opositor à vulgaridade, numa meia hora diabólica, com Hulk em grande a desbravar o território inimigo. Depois, perante a redução no marcador e a boa réplica dos atletas da cruz de Cristo, foi tempo de sofrimento, que o golo tardio de Lucho, aos 86 minutos, mitigou. Mais 3 pontos conquistados, mesmo perante uma arbitragem que “saiu prestigiada do Restelo”, nas palavras benevolentes de Coroado, mas onde se pode colocar o juiz de campo no banco dos réus, pela validação do golo irregular ao Belenenses. Na memória de todos a rábula, já nos descontos, do 2º amarelo a Fucile, numa manobra que comprova que no Dragão ninguém dormia em serviço. É nos pormenores que se vencem campeonatos.

Aqui no blogue agradecia-se a visita massiva de 500.000 internautas, número redondos e que fazem abrir a boca de espanto.

17ª jornada
[porto, 1 – Benfica, 1]

Já despachada a meia-final da Taça da Liga, com mais uma arbitragem debaixo de fogo, após a pesada derrota portistas em Alvalade [com dois penaltys a ampararem os leões na recuperação do tento inaugural portista], era chegada a vez do derby explosivo, nas palavras da imprensa. O Porto-Benfica que podia decidir muita coisa, na corrida ao título. Para mim, é uma espécie de luta secular, entre o Bem e o Mal, personificado naquelas camisolas de cor aberrantemente vermelha. E a partida não defraudou as expectativas nela depositada. Intensa, carregada de emoção, com os batimentos cardíacos acelerados a acompanhar as investidas das cores amadas, terminando num redutor empate, com o habitual cheirinho a polémica. Numa campanha de branqueamento que prima pela previsibilidade, os pasquins procuraram colocar a tónica do discurso na grande-penalidade, convertida com frieza por Lucho, que ofereceu o empate aos Dragões. Mas, na recorrente estratégia, foi esquecido o pormenor do derrube a Lucho, na 1ªmetade do encontro, com o teimoso 0-0 no marcador a acentuar a gravidade do erro arbitral. Nos homens da casa sobressaiu Rodriguez, no espírito combativo que é a sua imagem de marca, procurando galvanizar os companheiros amorfos.

18ª jornada
[porto, 3 – rio ave, 1]

Jogo em casa, na temporada que findou, era sinónimo de sofrimento acrescido. A recepção aos vizinhos vila-condenses não foi excepção. Ao golo inaugural, comemorado efusivamente nas bancadas repletas, seguiu-se o tradicional jogo confuso, que ameaçava a hegemonia portista na partida. Futebol confuso, pouco clarividente, passivo, deixando que a confiança tomasse conta dos visitantes. O balde de água fria, a uma mera vintena de minutos do fim, chegou pelos pés talentosos de Fábio Coentrão. Parecia inevitável nova perda de pontos, resultado que seria desastroso. A redenção, quando o desespero já tinha tomado conta do anfiteatro, chegou pelo “pistoleiro” Farías, marcando em duplicado nos últimos minutos do encontro. O Dragão penava, titubeante, mas conseguia com esforço manter o rumo certo.

Para juntar à imensa lista de erros, contra os portistas, a partida frente aos vila-condenses foi repleta de peripécias. Vencia o Porto por 1-0, quando Mariano introduz o esférico, de forma legal, na baliza de Paiva. O tento, se sancionado, daria a necessária tranquilidade a um grupo que vivia sobre brasas. Elmano Santos, chefe da banda, resolveu nada ver. Na dúvida, o Dragão era prejudicado.

Por estas alturas, tinha surgido novo fenómeno na internet. Uns textos, sem assinatura, intitulados Labaredas, eram o que de melhor o clube apresentava para defesa da honra casta. Não chegava. Uma tarefa que deveria ser efectuada com arreganho, de peito feito, sem temor nem receios espúrios, defendendo intransigentemente os ideais do clube e o grupo de trabalho, era feita de forma discreta, no sítio oficial do clube. O Labaredas não chamuscava ninguém…

19ª jornada
[paços, 0 – porto, 2]

Aproveitando o derby lisboeta, com as duas agremiações a degladiarem-se, os portistas visitaram a capital do Móvel, com várias interrogações à mistura, mercê do encontro que se avizinhava com o Atlético de Madrid. Por isso, não se estranhou que Sapunaru e Tomas Costa aparecessem nos eleitos do jogo, permitindo que Fucile e Lucho retemperassem forças. Os pupilos de Jesualdo entraram a todo o gás, procurando resolver a contenda o mais depressa possível. Hulk materializou esse desejo, num disparo fortíssimo, com Bruno Alves a sentenciar as hostilidades, num castigo máximo que permitiu a obtenção de crucial triunfo. É que a semana seguinte seria infernal: visita aos colchoneros e recepção, na liga tuga, ao Sporting, num jogo que poderia clarificar a questão do título. Para a posteridade, a azia incontrolável dos comentadores da RTP, numa emissão que roçou o patético,mostrando de forma patente que o código deontológico perde para a irracionalidade alimentada a ódio.

20ª jornada
[porto, 0 – Sporting, 0]

O segundo terço do campeonato chegava ao fim, com um inócuo empate. Pela 2ª vez consecutiva, os portistas foram incapazes de vencer um rival directo, jogando em casa. Depois da brilhante exibição na capital espanhola, esbanjando classe e personalidade, a palidez tomou novamente conta dos azuis e brancos, incapazes de derrotarem um adversário humilhado pelo colosso bávaro. O Sporting, espécie de grupo excursionista na Europa do futebol, tinha sofrido contundente revés nas suas aspirações europeias, mas foi capaz de travar as aspirações portistas. O medo de perder venceu claramente o desejo de ganhar. Numa partida eminentemente táctica, onde a ponderação, o calculismo e a moderação deram cartas, a conquista de um ponto foi um mal menor. A 10 jornadas no fim, multiplicavam-se as entrevistas com o “mago” que pagou 4 milhões por Balboa, com este a afirmar a convicção de um Benfica campeão. Com o Apito Dourado a definhar, moribundo, a sanha persecutória de quem apenas encontra motivo para viver no ódio que destila ao azul e branco virou-se para as transferências, com as investigações a fazerem manchete nas páginas dos pasquins lisboetas. Tanta azia…

continua na próxima semana...

25 junho, 2009

O tetra, jornada a jornada - parte II

11ª jornada
[setúbal, 0 – porto, 3]

“O FC Porto é diferente porque a dimensão do seu futebol começa na cabeça dos seus jogadores e numa cultura de exigência interna, muito especialmente dos seus adeptos. No dia em que o FC Porto perder essa cultura de exigência será igual, no resultado e na falta de afirmação, aos seus tristes parceiros nacionais”. Vitor Serpa dixit.

Com o Sado à vista, o Porto passeou literalmente em Setúbal. O carrossel ofensivo, que faria furor nos jogos fora do Dragão, dava um ar de sua graça. Com a surpresa Lino a titular, no lado esquerdo da defesa, o Porto foi dominador, não permitindo qualquer veleidade a um adversário que tinha empatado, na semana anterior, na Luz. Bruno Alves, imperial no jogo aéreo, inaugurou o marcador, a que se seguiram remates certeiros de Guarin, após uma bela assistência de Hulk e El Comandante. Os comandados de Jesualdo continuavam, na condição de visitantes, a coleccionar registos vitoriosos, numa saga que aparentava ser interminável.

9ª jornada (jogo em atraso)
[e.amadora, 2 – porto, 4]

Com o interlúdio da Champions a configurar a recuperação abismal dos Dragões, vencendo os “gunners” londrinos e, mercê disso, ganhando o grupo da elitista competição, o campeonato fervilhava de rumores, nesta altura. Dezembro, já avançado no calendário, era o mês alvo das especulações, com as equipas procurando corrigir os desequilíbrios do plantel, de forma a encararem a recta final da competição com outra competitividade. A blogosfera azul e branca não se manteve à margem do fenómeno. Uma posição, de entre todas, se destacava de forma unânime, como sendo imperiosa na necessidade de se reforçar: a lateral-esquerda, vilipendiada por adversários, que viam ali uma fraqueza a explorar.

Enquanto Suazo continuava a “pensar no título”, como publicava a toda a largura a capa da Bola de 17/12, os Dragões acertavam contas com o calendário, numa deslocação sempre problemática à Amadora. Num jogo de loucos, fazendo lembrar algumas trepidantes partidas da Liga Inglesa, o Porto entrou a todo o gás, mas sofrendo sempre uma réplica brava dos homens da casa. Com vários erros defensivos pouco habituais, o suspense quanto ao vencedor manteve-se, até aos 64 minutos. Aí, Hulk assinou uma obra-prima, num pontapé em arco que resgatou os portistas de novo desaire. Paulatinamente, o Porto aproximava-se do seu lugar de eleição: o 1º!

12ª jornada
[porto, 0 – marítimo, 0]

A míseros 4 dias das festividades natalícias, a prenda que os portistas não queriam. Um retrocesso no ataque ao primeiro posto. Um travo amargo, numa altura de consumismo, com a mágica noite de 24 a funcionar como o pretexto para uma voragem de desejos. A ambição, qualidade que faz parte do código genético da maioria dos adeptos do FCP, faz com que tentemos sempre ser melhores. Em tudo. E o sensaborão empate, frente a uns madeirenses empedernidos, acicatou apenas o azedume. Com Lucho a voltar às exibições soturnas, longe do fulgor que constituía a sua imagem de marca, os azuis e brancos nunca conseguiram tornear as dificuldades colocadas pelos visitantes, num futebol desgarrado, vivendo apenas das já habituais incursões devastadoras de Hulk e do espírito batalhador e empreendedor de Rodriguez. Pouco. Muito pouco, numa altura em que a estabilidade parecia ter assentado arraiais na Invicta.

Mas o que a Madeira tira, a Madeira oferece. A onde de excitação que varreu a imprensa, pela perda dos dois pontos portistas, quando a máquina azul parecia embalada e imparável, conheceu o reverso da medalha. O Nacional repetia o resultado dos seus parceiros insulares, roubando dois pontos na Luz. Como diria o saudoso Fernando Pessa, “e esta, hein?”.

13ª jornada
[nacional, 2 – porto, 4]

A silly-season regressa sempre, naquele vasto interregno que premeia as equipas no período de festividades. Os discursos de alguns dos intervenientes no desporto-rei luso primaram pelo mesmo diapasão: atacar a arbitragem, com especial incidência na 2ª circular, onde o novel director-desportivo, vestindo as suas roupagens Armani, mas mantendo o habitual discurso trauliteiro, pressionava descaradamente os homens do apito. Era secundado pela nulidade endeusada como avançado de créditos firmado, um Nuno qualquer que sonegou o apelido a um dos maiores avançados de sempre do FCP. A dupla, ridícula e ultrapassada no tempo, arranjava o bode expiatório perfeito para camuflar a incompetência própria.

Mas como dos fracos não reza a história, o Porto entrou no novo Ano da melhor forma: recuperando a liderança, num triunfo que mesclou o épico e o sofrimento atroz. Num jogo impróprio para cardíacos, os golos do triunfo foram obtidos, quando o marcador assinalava um teimoso 2-2, em tempo de descontos. Lucho e Hulk vincaram a vontade indómita de vencer, numa exibição raçuda, que combinou as roupas de gala com o fato-macaco operário. A destacar um momento sublime, que merece figurar num qualquer anuário de 2009. Existem quadros belíssimos. Ou peças musicais esplendorosas. Sente-se que por ali, ao ver ou ouvir, o génio tocou o infinito, compondo pedaços brilhantes. Rodriguez assinou um desses momentos. Não precisou de pincel ou de qualquer outro artefacto. Apenas de um par de chuteiras de inspiração. O golo, num pontapé de bicicleta, é único. A dupla a que me tinha referido acima teve a resposta que merecia. Derrota comprometedora na Trofa.

14ª jornada
[porto, 0 – trofense, 0]

O Destino tem destas coisas. Uma semana depois de proferirmos comentários jocosos sobre a derrota encarnada na Trofa, eis que novo balde de água fria foi jorrado sobre o Estádio do Dragão. Segundo empate consecutivo em casa, comprovando que era na Invicta que a equipa mais dificuldades sentia para romper as amarras tácticas dos adversários. O Trofense, usando a densidade de jogadores no espaço defensivo como arma única para suster a equipa portista, conseguiu o impensável, face ao último lugar que ocupava, na classificação.

Já com a certeza de que Cissokho seria o lateral-esquerdo requerido por Jesualdo, a equipa azul e branca manteve um estranho duelo com a sorte, a ineficácia no momento do remate e as pouco ortodoxas decisões arbitrais. Pese a obrigatoriedade de vencer um adversário claramente inferior, na retina ficou mais um penalty sonegado aos portistas, aumentando o rol de queixas da temporada.

Mas nem só a nós o Destino colocava a nú as fragilidades. O presidente de uma agremiação lisboeta, reconhecido facilmente pelos apêndices auditivos do tamanho de um arranha-céus, proclamava no órgão oficioso, na enésima entrevista dada ao lacaio Delgado, que “esperava que deixassem o SLB vencer a Liga dentro do campo”. Pois. Num espírito corporativo inimaginável, começaram logo a fazer-lhe a vontade. O “mais belo golo a carreira de David Luiz”, falso como Judas, ajudou a derrotar o Braga, num confronto onde curiosamente o treinador dos arsenalistas, um tal de Jesus, bradou contra a costumeira roubalheira em casa da águia. Meu caro, nunca digas desta água não beberei…

15ª jornada
[braga, 0 - porto, 2]

Com a neve a pintalgar o País [notável uma foto da Heliantia colocada no blogue, com os flocos brancos a decorarem o Estádio do Dragão], o Porto deparou-se também com um adversário climático, na Taça da Liga, com o nevoeiro madeirense a ser o protagonista num jogo surreal. Na Liga principal, a curta vagem até Braga revelou um dado curioso: o Dragão só sabe vencer, de forma compulsiva, fora de casa. Frente a um adversário difícil, foi uma dupla sul-americana que resolveu a contenda. Rodriguez e Lisandro, num verdadeiro festival de contra-ataque, com Hulk a assumir-se como um poderoso aríete para derrubar as barreiras opostas. A capacidade extraordinária de vencer, fora de portas, ia mantendo os portistas na corrida pelo título. O final da primeira volta, cheia de percalços, com uma irregularidade enorme em termos exibicionais, espelhava bem as dificuldades da equipa técnica para suprir as saídas do plantel. Mas o Porto lutava, como sempre, mantendo-se em prova em todas as competições. Nesta altura, tinha já derrubado a muralha leixonense, na Taça, sendo o único grande em prova, congratulando-se igualmente com as meias-finais da Taça da Liga, prova toda ela jogada quase sempre com a equipa não-titular. Na Champions, já se sabia, o opositor seria o Atlético, sediado na capital espanhola.

continua na próxima semana...

18 junho, 2009

O tetra, jornada a jornada - parte I

1ª jornada

Estava-se no final de Agosto. O tempo quente, sufocante, convidava a banhos retemperadores na praia. Na Invicta, digeria-se ainda o desaire algarvio, na supertaça, quando as hostilidades de novo campeonato começaram. Os pupilos de Jesualdo iniciaram a temporada no palco sagrado do Dragão, numa recepção ao Belenenses, orientado por Casemiro Mior. Era importante começar bem. E os azuis e brancos não defraudaram essa expectativa. No habitual 4-3-3, com Lisandro a desempenhar o papel de aríete, relegando para os flancos Rodriguez e Mariano, o Porto venceu confortavelmente, por 2-0. Golos com sotaque. O primeiro, de Mariano, na resposta a uma defesa incompleta do guardião contrário [no lance, destaca-se a primorosa assistência de Tomas Costa a Lisandro, isolando este]. O segundo, com os toques de samba do Brasil, num nome que começava a querer impor-se. À bomba. Hulk. Remate indefensável, um míssil disparado a mais de 25 metros da baliza, sentenciando a partida. Os primeiros 3 pontos já moravam no pecúlio azul e branco.

2ª jornada

Uma semana depois da recepção ao antigo clube de Matateu, o primeiro clássico do campeonato. Com o Porto já conhecedor dos adversários que iria defrontar na Champions, o derby da Luz foi, como quase todos, repleto de peripécias. Jorge Sousa, designado para arbitrar a partida, viu com estupefacção a agressão sofrida pelo seu auxiliar, após uma invasão de campo complacentemente permitida pelas forças policiais. Numa postura claramente influenciada pelo opositor, o 4-3-3 foi mandado às malvas, surgindo um Porto algo transfigurado no tapete verde. Para melhor, dado que imprimiu uma dinâmica avassaladora na 1ª metade, controlando as operações, abrindo o marcador numa grande-penalidade convertida, com frieza, por Lucho. Começava ali, também, uma espécie de duelo que perdurou a temporada toda, entre os jogadores portistas e os postes que guarnecem as balizas adversárias. Lisandro fez estremecer a baliza de Quim, com a sentença do jogo a perder-se, de forma caprichosa. Cardozo ainda empatou [com Helton a ficar extremamente mal no filme], o grego caceteiro foi expulso e o Porto perdeu 2 pontos. Dois nomes sobressaíram, entre os demais. Rolando, felino, mostrando uma segurança enorme na guarda das redes portistas, e Rodriguez, num jogo pleno de raça, força e potência, reagindo com elevação ao ambiente de enorme hostilidade.

3ª jornada

Quaresma já tinha, oficialmente, saído, à procura do sonho de trivelar noutra Liga, onde o seu “imenso” talento fosse reconhecido, sem aquele incómodo de ser assobiado sempre que perdia uma bola, ou fazia um disparate. O resto da história, com a moral do costume, já todos a sabem…

Os tribunais, nesta fase, assoberbados pelos processos do Apito Dourado, iam encerrando, uma após outra, as infâmias com que nos atacaram. E assim, numa Superliga atípica, lá se ia passando o tempo, com a Selecção de Queiroz a fazer manchetes, pelos piores motivos. Finalmente, três semanas após o empate na Luz, o Dragão voltou ao terreno de jogo. Confiante, depois de ter despachado os turcos do Fenerbahce na 1ª ronda da elitista competição europeia, numa curta deslocação até Vila do Conde. Numa fase de experiências, com Jesualdo a procurar encontrar as soluções para as saídas de Quaresma, Bosingwa e Paulo Assunção, o Porto mostrou uma estanha incapacidade de romper as linhas defensivas vila-condenses, suportadas numa pressão bem sustentada, que impedia o normal funcionamento do meio-campo do campeão. A asfixia final do adversário, culminada numa mão-cheia de oportunidades, não trouxe o prémio procurado, com os pupilos de Jesualdo a perderem mais dois pontos, na caminhada rumo ao tetra. Para a história ficam mais duas bolas nos postes da baliza de Paiva, disparadas por Sapunaru e Bruno Alves. A 3ª jornada testemunhou igualmente o aparecimento de Pedro Proença e do habitual chorrilho de disparates. Um penalty clamoroso, aos 80 minutos, sonegou a hipótese de vitória ao Dragão.

4ª jornada

Segundo jogo caseiro na Liga, frente a um clube que, estávamos longe de saber na altura, seria o nosso opositor na final da Taça. Com o termo crise espalhado, sem qualquer pudor, nas páginas dos pasquins, sequiosos por transformá-la numa realidade no reino do Dragão, a partida teve apenas um sentido: o da baliza de Cássio, guarda-redes do Paços. Emergindo como figura de proa, Meireles, com um golo e uma assistência, finalizada por Hulk. O médio portista, qual general do meio-campo, empurrou a equipa para a frente, afastando fantasmas, exemplificando a forma que a equipa devia adoptar. O País assistiu à abertura da época da caça grossa. Hulk, nome de super-herói colado à epiderme, o alvo a abater. O Dragão assemelhou-se, por instantes, a um qualquer ringue da WWE, com golpes que fariam corar os profissionais de wrestling de inveja.

5ª jornada

Já com o Outono a ameaçar transfigurar a paisagem, tornando-a mais melancólica, o Porto iniciou no mês de Outubro a sua via-sacra particular. Uma espécie de descida aos infernos, com todo o tipo de contrariedades a fustigar a equipa. O 1º dia de Outubro trouxe a noite mais negra da temporada. Na cosmopolita capital inglesa, a descaracterizada exibição azul e branca foi fortemente penalizada pelos comandados de Arsene Wenger, humilhando o Dragão com quatro tentos sem resposta. Já se sabe de cor, e Mourinho ajudou a celebrizá-la, que a máxima que vigora, nestas alturas, é “o próximo paga a factura”. E o adversário seguinte, numa luta titânica pela liderança, era o algoz portista da Supertaça, o Sporting de Paulo Bento. Os verdes-e-brancos tinham-se tornado numa espécie de besta negra, derrotando o Porto em consecutivas finais. O reencontro, no Alvalade XXI, serviu para ajustar contas antigas. Quem esperava um Dragão titubeante enganou-se redondamente. Foi um Porto à imagem e semelhança de tantos outros. Um Porto de carácter. Com personalidade vincada. Lisandro inaugurou o marcador, com um Porto novamente numa postura mais conservadora, em termos tácticos, num 4-4-2 simplista, que se transformava num 4-1-3-2, mantendo dois aríetes na frente: o argentino raçudo e o uruguaio Rodriguez. Com Lucho a dar um ar de sua graça, reclamando o trono de estratega-mor da equipa, o Porto inconformado quase foi atraiçoado pelo servilismo, parcialidade e anti-portismo primário de Lucílio Baptista. Os malabarismos circenses de Moutinho valeram um penalty e a igualdade no marcador. Habitualmente, o Porto responde de forma contundente às injustiças perpetradas. A noite de Lisboa assistiu a novo episódio. Aos 31 minutos, Portugal inteiro assistiu à forma irrepreensível como Bruno Alves assumiu a voz da revolta. Livre cobrado, de maneira magistral, num arco perfeito, sentenciando uma partida épica dos azuis e brancos. O nosso PORTO, aquele que sofre, de dentes cerrados. Estóico. O 1º lugar era nosso.

6ª jornada

Depois de nova paragem, para dar lugar à Taça, com os Dragões a despacharem o Sertanense, e com uma novidade no quotidiano portista, referente ao roncar do bólide com as cores do clube, pilotado por Gommendy, as trevas voltaram a abater-se sobre o reino de Jesualdo. A derrota caseira, na Champions, frente aos ucranianos do Dínamo, acentuou o caudal de críticas ao técnico, num vaivém constante entre o “bestial” e a “besta”. Foi, assim, nesse torvelinho de emoções que recebemos o Leixões. E a Lei de Murphy, fazendo-nos relembrar os caprichos da fortuna, voltou à ribalta. “Se algo pode correr mal, correrá mal…”.

À meia-hora, os Dragões perdiam por 2-0, com o Estádio a assemelhar-se a um vulcão em erupção. Os lenços brancos, sinal de insatisfação dos adeptos, eram mostrados às centenas. A equipa, num assomo de dignidade, ainda reagiu, empatando a contenda e devolvendo as esperanças, travadas logo de seguida por uma inexplicável substituição caseira e pelo 3º tento dos homens do Mar. O travo amargo da derrota abatia-se, outra vez, sob o Estádio do Dragão, prostrado numa depressão colectiva.

7ª jornada

Os velhos do Restelo lembravam ditados populares. “Não há duas sem três”. Esse foi também o título do rescaldo do jogo, aqui no blogue. A exibição, caindo perigosamente perto do ridículo, aumentou o caudal de invectivas à equipa técnica. Duas derrotas caseiras apimentadas, logo depois, por nova derrocada na deslocação à Figueira. Continuando ainda à procura da solução ideal na construção do onze base, Jesualdo colocou Benitez no lado esquerdo da defesa, preferindo o reforço do meio-campo com a entrada de Tomas Costa, permitindo que Lucho pisasse terrenos mais adiantados, no apoio a Lisandro e “Cebola” Rodriguez. O resultado prático desta inovação foi uma nulidade. Na exibição colectiva, com esta a arrastar-se num ritmo quase soporífero, e nas mostras individuais, com a inspiração a desaparecer do terreno da Naval. Duas dezenas de anos depois, os apaniguados azuis e brancos provavam de 3 derrotas seguidas. E desesperavam…

8ª jornada

A Fénix renasceu. Das cinzas. Depois de ter efectuado a sua travessia do deserto, o plantel portista emergiu das trevas, vivo e pujante, destinado a honrar os pergaminhos do clube. Vitória sofrida na fria Ucrânia, carimbada de forma dramática no último minuto, seguida de uma épica e apaixonante batalha frente a um adversário directo, num desfecho do jogo da Taça que o Alvalade XXI assistiu na lotaria das grandes-penalidades. Pese as contínuas capas dos jornais, propagandísticas ad nauseum, com Suazo e Quim a pedirem o título e afirmando ser os mais fortes, os Dragões ressuscitaram. E, quem sobrevive ao inferno vivido, num curto espaço de tempo, ressurgindo de forma apoteótica, está pronto para tudo. Na Liga, um adversário incómodo e de maus fígados. O Guimarães, clube ideal para ser espezinhado, depois da forma pouco edificante como lidou com a questão “Champions”, foi vencido ao som do tango. Gardel tinha imortalizado, através da sua voz melodiosa, o ritmo proveniente dos subúrbios de Buenos Aires. Lisandro e Farías foram os mentores de uma noite com cadência sul-americana. Dois golos sem resposta, no regresso do 4-3-3 puro, com Lisandro a destacar-se na oferenda de golos e Meireles emergindo como o mestre do labor do meio-campo. O Porto estava de regresso aos trilhos do tetra.

10ª jornada [a 9ª jornada, frente ao Estrela, foi adiada]

O País abriu a boca de espanto. Ciclicamente alertados, em tons histéricos, para as hordas vindas do Norte, caracterizadas pelos jornais como os novos bárbaros destes tempos modernos, os portugueses procuraram explicação para a prisão em massa dos rapazes sem nome, com a rusga policial a deter-se na principal claque encarnada. Tidos como meninos do coro, a quem faltaria apenas a auréola identificativa, como explicar autocarros incendiados e tráfico de droga? Pois. O jornalismo tuga é mesmo assim.

Indiferente a esse estado de coisas, o Porto continuava a sua recuperação. Na Liga dos Campeões, passeando classe no inferno de Istambul, relançando a luta pelo 1º lugar do grupo, e no Campeonato, onde a recepção à Briosa permitiu a recolha de mais 3 cruciais pontos. Rodriguez estreou-se a marcar, com Meireles a decidir a contenda, prémio merecido pela regularidade que o médio portista vinha evidenciando. O Porto tinha abandonado as roupagens de passeio, envergando as vestes de operário. Lutava por um destino melhor.

A destacar, nesta altura, várias capas jornalísticas: o Record titulava, a toda a largura, “a grande final”, por ocasião de um Sporting-Barça. Katsouranis afirmava, sem complexos, que “nunca tinha visto um treinador como Quique”. A esse coro de idolatria juntava-se a Bola, colocando numa parangona “serenata de Quique”, após um sucesso da Águia. Dias depois, o Olympiakos mimoseava os vermelhos com 5 golos. A justiça é assim. Tarda, mas não falha.

continua na próxima semana

11 junho, 2009

Os jogadores, um a um - conclusão

Depois de analisados os sectores defensivo e do meio-campo, baluartes da vitória no campeonato, chega agora a vez de colocar as luzes da ribalta sobre o sector atacante, merecdedor do seu quinhão de glória na conquista do ceptro nacional.

Avançados/extremos

Mariano Gonzalez – A história do patinho feio transformado em cisne, transposta para a realidade futebolística, ou um pequeno milagre, operado por Jesualdo? Ambas as hipóteses estarão certas parcialmente. Mariano provou, com algum atraso, as razões da sua contratação. Finalmente adaptado a uma nova realidade, foi uma espécie de Joker, jogado por Jesualdo em alturas que considerou acertadas. À direita, no seu lugar de eleição, ou no centro, onde se eclipsava com frequência, Mariano aportou doses de trabalho industriais, esforço em prol do grupo, conseguindo pintalgar algumas das suas acções com uma qualidade a que não estávamos habituados. Tal como o compatriota Tomas Costa, desempenha um papel fulcral, longe da ribalta, num grupo composto por estrelas, mágicos e operários. Garante de fiabilidade, continuará de Dragão ao peito, disposto a reivindicar uma maior participação na próxima época.

Hulk – A grande vitória do departamento de prospecção/detecção de talentos do Porto, numa história que encerra uma enorme lição de moral. Os fóruns e blogues de tendência azul e branca abriram, inicialmente, a boca de incredulidade. A propalada e prometida surpresa de Pinto da Costa tinha chegado. Só que, pelos vistos, ninguém o conhecia. Da surpresa inicial, à desconfiança foi um curto passo. Invectivas dirigidas à SAD, teorias da conspiração envolvendo comissões, de tudo se falou, num histerismo que teve como ponto fulcral a quantia gasta num brasileiro, com alcunha de super-herói e que jogava na 2ª divisão…japonesa. Os 5 milhões, por 50% do passe pareciam, aos adeptos do clube do Dragão, uma heresia só explicável por um acesso de loucura do presidente. Aos rivais, a contratação concedeu uns largos sorrisos de escárnio, gozando com o que parecia um acto de gestão com pouco senso. E Hulk não ajudou. Demasiado individualista, o brasileiro desperdiçava o pouco crédito que conseguia juntar, quando deixava o seu [enorme] talento desabrochar. Entrou em campo a dose suplementar de paciência [e sapiência] da equipa técnica, lapidando o diamante em bruto que tinha sido colocado à sua disposição. De forma pouco visível, mas com uma curva de aprendizagem sempre evoluindo favoravelmente, o egoísmo começou a transformar-se em generosidade. A ser decisivo. As críticas de não saber jogar em equipa esmoreceram, quando o possante avançado começou a distribuir assistências de forma contínua. O seu remate rapidamente começou a fazer vítimas. O poderio físico a romper as bem entrincheiradas defesas. O Porto tinha ganho mais uma arma, no ataque ao tetra. E esta era de destruição maciça. Depois da saída de Anderson, novo jackpot tinha calhado ao clube da Invicta. O frenesim mediático, em redor do jogador, augura uma futura transferência por valores obscenos. Resta-nos, para já, continuar a beneficiar das suas qualidades.

Tarik – Dava um belo título para um sumarento romance policial, a temporada do seguidor do Alcorão. “O estranho caso do marroquino desaparecido” contaria a história de um crente muçulmano, querido num mundo que professa maioritariamente a fé cristã, jogador que tem como principais predicados a velocidade, mesclada com uma técnica desconcertante. A primeira temporada de Dragão ao peito mostrou um jogador felino, rasgando avenidas nos extremos, puro-sangue capaz de chegar com sucesso à linha de fundo, de onde servia os avançados com cruzamentos teleguiados. Mas, tal como perdura na lembrança dos amantes do desporto-rei, depois de um slalom impressionante numa noite de Champions, coroado com um golo portentoso frente aos franceses do Marselha, também se eclipsou com uma facilidade espantosa. A forte concorrência no plantel, aliada à lesão sofrida por Tarik, foi a culpada da mala que o atleta já deve ter pronta, prenúncio da saída breve da Invicta. Deixará algumas saudades. Não tanto pelo que representa, a nível futebolístico, mas pelo profissionalismo exemplar, nunca dando a ouvir uma palavra de desagrado pela posição de suplente.

Rodriguez - O jogador que o Porto resgatou de um futuro negro, numa agremiação lisboeta, pode agora afirmar, alto e bom som, como o imperador Cesar: "Vene, Vidi, Vici". O ansiado título que o uruguaio pretendia, para enriquecer o seu palmarés, surge logo na 1ª temporada, com uma quota-parte de influencia de "Cebola". Extremo cheio de raça, fazendo da velocidade e entrega a base principal do seu futebol, foi sempre uma aposta consistente de Jesualdo, pese a sua adaptação ter demorado algumas semanas. O seu futebol intermitente, nos primórdios de azul e branco vestido, motivaram intempestivas reacções por parte dos mais impacientes. Revelou uma irritante tendência, nesta fase, para procurar os espaços interiores, mesmo na fase de construção de jogo, amputando a equipa daquilo que ela mais necessitava: largura no ataque. A tudo resistiu, de dentes cerrados, Rodriguez. Ultrapassada a fase menos positiva, rapidamente conseguiu alcandorar-se a um dos mais acarinhados jogadores portistas. Veloz, com um pé esquerdo temível, protagonizou um tridente atacante com Lisandro e Hulk que fez furor, quais demónios insaciáveis no ataque às balizas adversárias. Beneficiou, e muito, da chegada de Cissokho, com quem encetou uma parceria de enorme sucesso. A ala esquerda foi a responsável pela resolução de muitos jogos. Como pontos altos, o facto de ter feito sonhar milhões, ao marcar em Old Trafford, provando que o Dragão está ao nível do Campeão Europeu. É dele também o mais que provável melhor golo do campeonato, num perfeito pontapé de bicicleta, frente ao Nacional. Continuará a ser imprescindível, mesmo que as quatro assistências que efectuou tenham sabido a pouco.

Farías - Desconcertante, no mínimo, a avaliação efectuada ao avançado argentino. À primeira vista, irrita, e de que maneira. Estilo molengão, parecendo sistematicamente alheado da partida, é no entanto um dos mais profícuos marcadores de azul e branco. Felino no espaço em que se move, é detentor de pormenores técnicos belíssimos. Claramente prejudicado pela excelência da concorrência, tendo que lutar pela titularidade com nomes como Lisandro e Hulk, Ernesto "Tecla" cumpriu [quase] sempre que foi chamado, a mostrar serviço. Golos e mais golos, verdadeiro predador de área, fazendo os adeptos especular qual o pecúlio que teria atingido, se fosse titular desde a primeira hora. Com características únicas no plantel, é um jogador a manter, face à relação entre produtividade/tempo jogado.

Lisandro – O Licha é uma espécie de reencarnação do espírito do “ninja” Derlei. Combativo, nunca regateando esforços em prol do colectivo, Lisandro é sempre um garante de qualidade, mesmo quando passa uma grande fatia da temporada divorciado dos golos. Se necessário fosse aferir o seu valor, nesta equipa, através de argumentos factuais, bastaria dizer que ele foi o 3º Dragão mais utilizado, depois de Bruno Alves e “Cebola” Rodriguez. Descaído para os flancos, ou jogando no centro da área, Lisandro não defraudou ninguém. Um transportador da mística, dentro do campo, dando tudo pelo emblema, transfigurando-se num perfeito distribuidor de felicidade, como comprova os onze passes mortíferos que efectuou para companheiros. Vivendo numa espécie de guerra surda com a SAD, pela renovação do contrato, não permitiu que esse arrufo beliscasse o seu profissionalismo, mantendo a bitola exibicional dentro do expectável. É uma das grandes incógnitas para a próxima temporada. Ficará? Renovará o contrato? Ou sairá, procurando outro rumo para a sua carreira?

Outros jogadores

Diogo Viana e Rabiola - O futuro. Jovens, irreverentes, com uma enorme margem de progressão, os dois imberbes jogadores têm um futuro promissor, bem à sua frente.

O ex-sportinguista faz suspirar os mais saudosos, que vêm naquele magnífico pé esquerdo semelhanças enormes com o de Futre. Imparável no um-para-um, pés aveludados capazes de carícias sem fim ao esférico, é dos mais excitantes jogadores do plantel, capaz de galvanizar com as suas arrancadas em slalom. Poderá vir a ser um grande nome, no futuro, desde que o mediatismo exagerado não o faça deslumbrar.

O avançado proveniente de Guimarães não engana. Faltando-lhe alguma maturidade, é já um avançado eficaz, movimentando-se com classe no espaço junto da baliza opositora. Enérgico no jogo aéreo, condimenta o seu jogo com bons pormenores técnicos. Português, jovem, necessita de jogar com maior regularidade, como complemento a esse crescimento que se espera – e deseja – imparável. Já temos saudades de um ponta-de-lança luso, capaz de desempenhar o papel de mortífero destruidor de redes, à boa imagem de Gomes, na década de 80.

05 junho, 2009

Os jogadores, um a um - parte II

Numa temporada excelente, mercê não só de nova vitória no campeonato [objectivo prioritário], mas também pela conquista da 6ª dobradinha, juntando a 14ª Taça do clube ao título de campeão, continuemos a dissecar pormenorizadamente o contributo de cada um dos atletas que compuseram o plantel campeão.

Médios centros e/ou defensivos

Fernando – Lutou, a par de Hulk e Cissokho, pelo título de revelação da Liga. Jogador fundamental, cresceu desmesuradamente com a titularidade. A confiança posta nele pela equipa técnica revelou-se inteiramente acertada. Jesualdo encontrou ali, naquele atleta de ar permanentemente tímido e de corpo franzino a solução para o principal problema do inicio de temporada: a deserção de Paulo Assunção. Fernando, médio mais defensivo do plantel portista, nunca se limitou, perdida a inibição inicial dos grandes palcos, a ser um mero recuperador de bolas. Jogando com uma entrega total, com enorme disponibilidade física, foi o jogador que mais dilatou as suas capacidades, com o decorrer da temporada. Passes verticais, procurando o risco, por contraponto às lateralizações com que actuava, nos primeiros tempos. Fernando tornou-se um gigante, uma verdadeira pérola pescada nos territórios desse Brasil que continua a fabricar craques todos os dias. Será uma das figuras da equipa, em 2009/10.

Andres Madrid – Jogador fetiche de Jesualdo, que sempre manifestou a intenção de contar com ele no plantel, o trinco argentino chegou à Invicta… na altura errada. Jogador talentoso, de qualidades acima da média, poderia ter sido o sucessor natural de Paulo Assunção, tivesse a sua permanência no Dragão sido acertada uns meses antes. Pescado em Braga, por empréstimo, no mercado de Inverno, nunca conseguiu sair da sombra do jovem brasileiro acima referido. Mesmo assim, nas parcas vezes em que pisou os relvados, impante de orgulho na mais bela camisola que vestiu até hoje, provou que mantém intactos os atributos que o notabilizaram, pese a sua ausência de ritmo, motivada por uma lesão. Regressará à cidade dos Arcebispos, provavelmente para não voltar.

Lucho Gonzalez – El Comandante, jogador mais mediático de Dragão ao peito, perdeu alguma da influência adquirida na temporada transacta. O cerebral argentino, patrão do meio-campo, omnipresente na acção ofensiva da equipa, figura franzina, de longas melenas pretas, pensador do jogo no carrossel orquestrado por Jesualdo, viveu um ano atípico. A época, iniciada com o desastre da Supertaça, teve um lance quase premonitório do que seria a temporada do maestro argentino. O falhanço, na marcação de uma grande-penalidade, acção onde geralmente impera a destreza e frieza de Lucho, deu o mote para uma temporada vivida, quase sempre, no fio da navalha. Em longos momentos da época, o jogador da selecção alvi-celeste foi uma sombra do portentoso atleta de eleição que conhecemos. Em défice físico, nunca conseguiu a exuberância que é imagem de marca, ressentindo-se o pressing que o colectivo portista tão bem consegue realizar. No entanto, a sua maturidade táctica, diria que única no nosso Pais, permitiu-lhe sempre a manutenção da confiança do treinador, factor importante a nível motivacional. Foi já na 2ª metade da temporada que o argentino, num assomo de dignidade, produziu exibições mais consentâneas com o seu real valor, factor que esteve umbilicalmente ligado à melhoria do grupo. É uma das incógnitas para a próxima época, com o seu nome a ser regularmente alvo de cobiça por emblemas mais endinheirados.

Raul Meireles – O médio mais tatuado do Porto teve um protagonismo que, no inicio, não seria expectável. Fazendo parte do triângulo mágico do meio-campo, ajudante de Fernando nas tarefas defensivas, Meireles juntou à sua excelência táctica uma inteligência suprema na leitura do jogo, conseguindo travestir-se de El Comandante quando este soçobrou. Excelente na ocupação dos espaços, dotado de um poder de fogo que tornam os seus remates temidos pelos opositores, foi importante no restabelecimento dos equilíbrios, sempre que o adversário atacava. Emancipou-se, de forma definitiva, tornando-se um dos mais emblemáticos jogadores azuis e brancos, cada vez mais preponderante na manobra da equipa.

Tomas Costa – Pertencendo ao lote, já de número apreciável, de argentinos na Invicta, Tomas Costa faz parte do quinhão de jogadores úteis a qualquer plantel, uma espécie de operário que levaria ao delírio Octávio Machado e a sua conhecida imagem de marca. Trabalho, trabalho e trabalho. Polivalente, adaptando-se com relativa facilidade ao lado direito da defesa, usado no meio-campo, como tampão do lado direito ou, esporadicamente, no centro, o jogador das pampas não teve nada de particularmente distinguível, mas aportando sempre uma solidez exibicional que o tornaram bastante utilizado no esquema táctico de Jesualdo.

Guarin – Uma decepção, a temporada deste jogador proveniente dos “verdes” de França. Jogando no campeonato gaulês sem grandes espartilhos tácticos, o colombiano, aparentemente dotado de grande dinâmica atacante, mas tendo sempre presente a necessidade de participar nas tarefas defensivas, parecia ser a resposta às preces dos adeptos azuis e brancos, reforço que fortaleceria a zona nevrálgica do meio-campo. Revelando, contudo, alguma ingenuidade nas tarefas defensivas, rapidamente foi ultrapassado pela forte concorrência do sector, com a sua utilização a ser cada vez mais intermitente. Não convenceu, nesta época de estreia.

continua na próxima semana...

28 maio, 2009

Os jogadores, um a um - parte I

Numa temporada que, pese o facto de ainda não ter terminado, poder ser considerada como excelente, mercê não só de nova vitória no campeonato [objectivo prioritário], mas também pela presença na festa maior da final da Taça e por uma competente participação na principal competição europeia, importa dissecar pormenorizadamente o contributo de cada um dos atletas que compuseram o plantel campeão.

Guarda-redes

Helton – Titular indiscutível das redes portistas, manteve a bitola exibicional dos últimos anos. Maduro, decisivo em algumas partidas, é claramente o melhor guarda-redes dos azuis e brancos, e um dos melhores a actuar em solo luso. Merecendo o beneplácito de Jesualdo, correspondeu com a regularidade conhecida, apesar de ter atravessado um período algo comprometedor, coincidente com a pior fase da equipa, quando esta coleccionava derrotas.

Nuno – Será, provavelmente, o guardião no palco do Jamor, prémio justo e merecido a um profissional veterano, que faz do trabalho a sua principal arma. Comedido nas suas declarações públicas, preferindo o resguardo à mediatização, é louvado pelos seus técnicos, pelo companheirismo e espírito de corpo que imprime a um plantel onde se sente de corpo e alma. É sempre um garante de qualidade, harmonioso entre os postes, seguro na posição.

Ventura – Poderá ser a “next big thing” portista, uma espécie de Vítor Baia do século XXI. Jovem a quem auguram um futuro promissor, tem bebido a influência de treinar diariamente com colegas de sector mais experientes, recolhendo ensinamentos preciosos para o futuro. Poderá sair, na próxima época, como forma de afirmação, antes de um regresso que se pretende apoteótico. Jesualdo agraciou o seu empenho, conferindo-lhe minutos no jogo com o Trofense, permitindo que as faixas de campeão engalanem o peito do jogador.

Laterais

Sapunaru – O internacional romeno chegou ao Dragão numa conjuntura pouco favorável. Por cá, carpiam-se ainda mágoas pela saída de Bosingwa, dono e senhor da ala direita, posto mítico por onde já passaram vultos históricos. Inseguro, incapaz de lidar com uma pressão mediática desconhecida até então, Sapunaru ameaçou, desde cedo, redundar num fracasso difícil de explicar para quem vinha com o rótulo de melhor defesa-direito do leste europeu. Os mais pacientes, neste caso, relembraram que o período de adaptação de um jogador é sempre diferente, de caso para caso. E, na fase mais decisiva da temporada, quando Fucile padecia dos crónicos problemas físicos, o romeno soube dizer presente. A exibição personalizada em Madrid, frente a um Atlético ambicioso, deu o mote para um final de época em grande estilo, com os jogos de grau de dificuldade mais elevada a não provocarem pruridos nem inibições nos seus intentos.

Fucile – O internacional polivalente do Uruguai, capaz de colmatar as necessidades da equipa no lado direito e esquerdo viu as suas intervenções serem sistematicamente cerceadas por arreliadoras lesões. Pedra base no esquema de Jesualdo, foi um dos mais castigados jogadores portistas, com as sempre incómodas viagens intercontinentais, para servir as cores do seu País, a fazerem mossa física no corpo franzino. Intermitente, nas suas aparições a titular, é um garante de qualidade.

Benitez – Em linguagem cinematográfica, quando um filme de orçamento elevado e aspirações artísticas falha estrepitosamente, é apelidado de “flop”. E este argentino nunca conseguiu ultrapassar esse rótulo que lhe foi colocado, como uma segunda epiderme. Um fracasso, incapaz de corresponder ao que se pretende de um lateral moderno. A evitar, no futuro, a sua utilização. Deve ser um dos que ganhará uma carta de alforria, na temporada 2009/10. De preferência, para bem longe.

Cissokho – Pelo desconhecimento do grande público, a revelação do ano, de Dragão ao peito. O jovem francês, descoberto pelo Setúbal nos escalões inferiores francófonos, chegou à Invicta no mercado de Inverno, quando os responsáveis portistas ansiavam por um salvador, capaz de estancar as avenidas que se criavam no flanco-esquerdo, quando os opositores nos pressionavam. Os primeiros passos, com a bela camisola das listas verticais azuis e brancas, foram titubeantes, com alguns lapsos próprios de quem ainda andava à procura do seu ritmo. Aparentando alguma ingenuidade, um pouco inocente na forma como defendia a posição, foi sempre amparado pela sapiência do treinador, que viu ali um filão a explorar. E a explosão subsequente deu razão a Jesualdo. Poderoso fisicamente, municiador do ataque em doses massivas, par perfeito para Rodriguez, tornou-se um dos impulsionares do brilhante desemprenho portista, fora de portas. A Europa abriu a boca de espanto, perante o desplante do francês, capaz de chegara Old Trafford e tratar por tu as megas-estrelas de Ferguson. É um diamante em bruto, futebol feito de promessas, excitante de ver jogar. Para regalo de muitos, fica a imagem de apresentação, para guardar num cantinho da memória. A cavalgada épica, em Braga, galgando terreno, fintando sucessivos adversários, numa jogada que merecia ter redundado em golo.

Centrais

Bruno Alves – Poderia ser lacónico na apreciação do Bruno. Bastava escrever as palavras mágicas. Capitão. Aquela braçadeira mítica é usada apenas por um pequeno punhado de predestinados, que congregam em si as características únicas necessárias para serem seleccionados. Qualidade. Raça. Estoicismo. Mística. Bruno Alves foi isso. E muito mais. Foi uma das peças nucleares no xadrez de Jesualdo. Uma espécie de general, entre o seu exército, destacando-se pelos dentes cerrados, olhar concentrado, pronto para mais uma batalha. Sempre na linha da frente, onde o perigo espreita. Com uma invulgar capacidade de salto, fez dos céus um espaço restrito, onde ele era dono e senhor. Aprimorou a marcação de livres, conseguindo juntar alguns golos ao seu pecúlio. Como verdadeiro exemplo do que se pretende de um capitão azul e branco, reagiu com dignidade e brio ao seu pior momento na época: o atraso fatídico, no teatro dos sonhos de Manchester, que permitiu o golo de Rooney, foi ultrapassado à bomba, abrindo caminho com um golo de livre a mais uma vitória portista, no jogo seguinte da Superliga. A escolher um dos momentos, teria que ser aquele minuto 20, em Alvalade, na 1ª volta do campeonato. O Porto era um combatente encostado às cordas, sucessivamente esmurrado pela Naval, Leixões e Arsenal. Bruno resgatou o orgulho tripeiro, numa magistral cobrança de uma falta, a 30 metros da baliza de Rui Patrício. Deixará saudades, se sair no defeso que se avizinha.

Rolando – O delfim de Bruno Alves, alma-gémea na luta das trincheiras. Jogador multifacetado, defendendo com garra e classe, juntando a esses predicados uma apetência especial pelas balizas adversárias. Marcou no Funchal, ao Marítimo, em Coimbra e em Guimarães. Por uma estranha coincidência, os seus golos preciosos foram sempre obtidos longe do reduto do Dragão. Sólido e inexpugnável, beneficiou claramente da experiência obtida pela parceria com Bruno Alves. E, como o parceiro marcou na Champions [Arsenal], Rolando não quis ficar atrás. Em Kiev, num dos seus golpes de cabeça que se tornaram imagem de marca, colocou o Porto novamente nos trilhos da mais elitista competição de clubes. Maduro, de uma forma ainda precoce, será um dos pilares defensivos do ataque ao penta.

Stepanov – O sérvio passou ao lado da temporada, nunca conseguindo impor-se como opção ao duo de titulares. Jogando esporadicamente, nas competições e jogos menores, raramente mostrou predicados que mostrassem o porquê da sua contratação. Será, por certo, uma carta fora do baralho, na preparação da época que se avizinha.

Pedro Emanuel – Um jogador importante, pese a sua saída do lote dos imprescindíveis. Jogador abnegado, de personalidade forte e vincada, é uma voz reconhecida no balneário, desempenhando aí um papel fundamental, na coesão reconhecida do grupo de trabalho. Notoriamente em final de carreira, o veterano atleta nunca mostrou, publicamente, sinais de insatisfação, sendo visível o seu constante incentivo aos jogadores do onze titular. Opção, em algumas ocasiões, para postos onde se mostrou pouco rotinado, correspondendo na altura às necessidades da equipa, afectada por lesões, o ex-boavisteiro é claramente um atleta que incorporou a mística única que se vive [e sente] em quem veste aquela camisola sagrada.

continua na próxima semana...

27 maio, 2009

Intensamente



Para os mais distraídos poderia até ser mesmo S. João onde não faltou sequer um balão, azul e branco e adornado com Dragões, lançado da Praça da Liberdade.

Alguns juravam até que a anormal quantidade de polícia existente junto da General Humberto Delgado era apenas para facilitar o acesso ao Exmo. Sr. Presidente da Liga e ao Exmo. Sr. Presidente da Câmara aquando da abertura dos Paços do Concelho ao Clube que, contra quase tudo e contra muitos tolos, teima em demonstrar pelo mundo fora de que tipo de aço é forjado o Dragão.

Mas estavam enganados.
O primeiro preferiu rumar a sul, consciente da maior importância da entrega do troféu da Liga Vitalis.
O Bino é de diferente opinião. Que tal figura, meia calva e anafada, teve medo de ser novamente assobiado e deu de frosques.

Do segundo nem sinais.
Ou melhor, o Rato avistou-o pelas bandas da Alameda mas apenas em versão cartaz de campanha eleitoral.
Não tão anafado como o primeiro mas tb. meio calvo e de costas para o imponente Dragão.
Com os dois pés no Porto, pode-se ler...

Quanto aos Paços mais do mesmo.
Continuaram fechados a grilhetas ferrugentas e incompreensíveis.
Cegos, surdos e mudos para o Concelho.
Com os dois pés no Porto, claro...

Mas o Tone pouca se importa com essas coisas.
E enquanto tentava explicar, em inglês de praia, a um casal de estrangeiros a razão de tantas barracas no meio de uma avenida, olhava à sua volta e sorria.
Sorria porque aquilo que via era o verdadeiro FC Porto. Não apenas um FC Porto do Minho a Timor mas um FC Porto europeu e mundial.
Sorria porque estava rodeado de Portistas anónimos num local emblemático onde o Armani se junta, sem vergonha, à boutique do Zé Manco.
Sorria porque estava rodeado de Portistas anónimos que não hesitam em insultar aqueles que merecem ser insultados.
Sorria porque estava rodeado de Portistas anónimos que trocam o ve pelo be. Com orgulho e sem ponta de medo.
Sorria porque a noite era mágica e algo de especial pairava no ar. Algo que se sentia e não se podia explicar.
Sorria porque os Portistas anónimos sentiam-se livres e juntavam-se numa comemoração singular. Num espírito de festa e de alegria que raramente se vislumbra no duro quotidiano.
Sorria porque era uma festa que ninguém poderia entender.
Apenas sentir.
Intensamente.

25 maio, 2009

Que festa bonita, carago!

assistência: 50.019 espectadores.

árbitro: Pedro Proença (Lisboa), Tiago Trigo e Ricardo Santos; José Gomes.

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves «cap» e Cissokho; Mariano, Fernando, Raul Meireles; Lisandro, Farías e Rodríguez.
Substituições: Farías por Hulk (59m), Mariano por Tomás Costa (71m) e Rodríguez por Sektioui (82m).
Não utilizados: Nuno, Pedro Emanuel, Stepanov e Guarín.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

SC BRAGA: Eduardo; Filipe Oliveira, André Leone e Evaldo; Alan, Frechaut «cap», César Peixoto e Edimar; Rentería e Matheus.
Substituições: Edimar por Luís Aguiar (65m), Eduardo por Mário Felgueiras (79m) e Matheus por Zé Manel (87m).
Não utilizados: Dani, Aníbal, Januário e Nani.
Treinador: Jorge Jesus.

disciplina: cartão amarelo a Bruno Alves (15m), Edimar (20m), Evaldo (36m), Rentería (72m) e Hulk (84m).

golos: Farías (42m) e Edimar (56m).


The End. O jogo de hoje, no Dragão, deveria ter uma mensagem aos adeptos, impressa no bilhete. “Lamentamos pela interrupção, mas prometemos ser breves. O palco dos sonhos voltará, daqui a umas semanas, com os protagonistas do costume”.

É com um misto de nostalgia e orgulho que assisto ao baixar do pano, no encerramento de mais uma temporada. Época longa, feita de combates diários, agruras várias, pontuada por inúmeros momentos inolvidáveis, daqueles que ficam permanentemente gravados no córtex cerebral.

O golo de Lucho, na Luz, concretizando com frieza a grande penalidade. O remate certeiro de El Comandante, na fria Ucrânia, resgatando o Porto de 3 derrotas seguidas. O pontapé magistral, feito de uma raiva explosiva, de Bruno Alves, no Alvalade XXI, para o campeonato. Ou a cavalgada épica de Hulk, no mesmo palco, para o jogo da Taça. A esperança surgida quando Rodriguez desfeiteou Van der Sar, em Old Trafford. Momentos únicos. Singulares. Que nos fizeram a todos sorrir, festejar, celebrar, sentindo o coração a bater mais forte, ufano.

Não sendo os últimos 90 minutos da época, este jogo com o Braga representou a despedida de um palco mítico. Fechou com chave de ouro. Com festa. Com celebração. Porque, é bom dizê-lo, os campeões que vestem de azul e branco “never walk alone”. Por tudo o que fazem, pela forma briosa como defendem um emblema lendário, merecem ser parabenizados. Sem grandes solenidades, mas com imensa alegria. Eles são os nossos heróis. E daqui, sentindo sempre aquele arrepio único na espinha, sinal de enorme sentimentalismo, sai um OBRIGADO em letras garrafais.

Com as luzes da ribalta viradas para os jogadores do plantel portista, com um público ávido de emoções nas bancadas, era de esperar que o futebol saísse algo prejudicado. Assim foi. Este Porto-Braga teve momentos quase intragáveis, tamanha foi a descompressão sentida em ambos os lados da barricada. Um jogo a feijões. Um encontro em que interessava apenas o apito final do árbitro, ponto de partida para a efusiva comemoração.

Os pupilos de Jesualdo apresentaram-se na máxima força. Com os prováveis titulares de hoje a serem também potenciais candidatos a pisarem a relva do Jamor, daqui a uma semana. Sem qualquer surpresa táctica, com Mariano a desempenhar o papel habitualmente a cargo do lesionado Lucho, a partida iniciou-se em toada morna, com o perigo a escassear, junto de qualquer área.

Alguns fogachos do trio mais ofensivo portista, todo ele com sotaque sul-americano, mas sem provocarem qualquer mossa na bem estruturada defensiva bracarense. A partida tornou-se quezilenta, com a benevolência habitual de Pedro Proença a permitir a rudeza excessiva da equipa comandada pelo “génio da táctica”.

Foi pois com alguma surpresa que o placard sofreu alterações. Jogada de insistência de Lisandro, no lado esquerdo, culminada com um cruzamento a que acorreu Farías. O argentino, bafejado pela sorte, viu a bola embater no seu corpo e anichar-se caprichosamente nas redes de Eduardo. O intervalo, cirúrgico, chegou logo de seguida.

A 2ª metade ameaçava ser mais do mesmo. Sensaborona. Até que Alan, numa assistência primorosa, permitiu que o empate surgisse. Estava dado o mote para o campeão se insurgir contra o rumo dos acontecimentos. Jesualdo lançou Hulk. E, coincidência ou não, a entrada do brasileiro catapultou os Dragões para um patamar exibicional mais consentâneo com os seus pergaminhos. Futebol fluido, jogado em velocidade, passes verticais, de risco, procurando as entradas dos médios, empurrando o opositor para as proximidades da sua baliza. O golo da vitória esteve perto. Várias vezes. Algumas, por inépcia e sofreguidão, falhado na hora H. Outras, como num remate admirável de Hulk com defesa correspondente de Eduardo, por mérito adversário.

Foram 20 minutos finais que mostraram a raça do campeão. O que deixa no ar a pergunta: onde é que o vigente titular do ceptro nacional esteve, nos 70 minutos anteriores?

É uma questão retórica. Todos sabem [e desculpam] alguma negligência e desleixo profissional, quando o ambiente em redor da equipa tolda o lado racional. Hoje, dia de festa, percebe-se que a concentração competitiva tenha cedido a outros prazeres. Afinal, o CAMPEÃO fez por merecer, anteriormente, esta espécie de greve de zelo. Para o ano há mais. A caminho do penta…

Melhor do Porto: Difícil a eleição, pelos motivos acima indicados. Jogo na segurança, evitando injustiças na última crónica de um jogo, na temporada 2008/09. Helton, Bruno Alves e Rolando, seguros como sempre, não descurando em nenhum momento a guarda das redes portistas. Fernando, estereótipo da formiga incansável, junta-se a este trio, procurando a bola, pressionando os adversários, tentando sair com o esférico de forma jogável. A finalizar, a referencia ao Incrível. Continua o mesmo. E isso transmite tudo. Debelada a lesão, o fulgor, a explosividade, a capacidade quase sobrenatural de rematar de forma violenta, continuam intactas. Ainda bem. Temos uma Taça pra conquistar.

Arbitragem: Irritante, como é apanágio do juiz em questão. Uma série de erros de interpretação, culminando no patético amarelo mostrado a Hulk, quando este foi [novamente] carregado em falta. Pedro Proença é um juiz mediano, com um ego sobredimensionado. Só ele é que ainda não o percebeu.

24 maio, 2009

Domingo de festa

Já são 4 anos seguidos a fazer a festa!!! E se ainda noutro dia me disseram que era mau serem sempre os mesmos a dar os parabéns, eu cá não acho que haja grandes problemas em que sejam sempre os mesmos a receber as felicitações.

E neste jogo aquilo que mais interessa é a festa do futebol. É a festa do TETRAcampeão. Claro que interessa ganhar, porque afinal de contas, só há festa porque ganhamos muitas mais vezes que os outros. Mas a atmosfera que envolve jogos como este, é sempre fantástica. Jogos em que vai a família toda ao estádio. O convívio começa bastante mais cedo e acaba muito mais tarde.

Nunca ninguém sabe como vai ser a festa. Nunca se sabe que tipo de pirotecnia vão usar, se os jogadores vão pintar a cara, qual a coreografia preparada para o jogo em questão, quais as surpresas e também nunca se sabe se infelizmente não é a ultima vez que alguns jogadores pisam o relvado do Dragão como nossos jogadores.

Nunca mais me hei-de esquecer do meu primeiro “domingo de festa”. Foi na época de 98/99 e foi contra o Estrela do Fernando Santos. Era o ano do Tetra e ganhámos 2-0. Do jogo em si pouco me lembro, mas lembro-me bem de ver o Estádio das Antas cheio e de no final haver foguetes e de se lançar o balãozinho de S. João. Antes, já tinha ido ver bastantes jogos e para várias competições, mas dias de festa como esse, uma pessoa nunca esquece, tal como há pouco tempo atrás contra o Aves, em que o título foi conquistado nesse mesmo dia.

Quanto ao jogo em si, penso que temos tudo ao nosso alcance para vencer. Não vamos facilitar e vamos mostrar o porquê de sermos os TETRAcampeões, mostrando que para nós, não existem jogos a feijões.

Um grande abraço,
Tiago Teixeira

LISTA DE CONVOCADOS
Guarda-redes: Helton e Nuno.
Defesas: Bruno Alves, Cissokho, Pedro Emanuel, Rolando, Sapunaru e Stepanov.
Médios: Fernando, Guarín, Raul Meireles, Mariano e Tomás Costa.
Avançados: Farías, Hulk, Lisandro, Rodríguez e Tarik Sektioui.

17 maio, 2009

11ª vitória consecutiva para o Tetracampeão

assistência: ---- espectadores.

árbitro: Duarte Gomes (AF Lisboa), Bertino Miranda e José Lima; Nuno Miguel Roque.

CD TROFENSE: Marco; Varela, Valdomiro, Miguel Ângelo e Zamorano; Milton do Ó «cap.», Mércio, Pinheiro e Hugo Leal; Hélder Barbosa e Reguila.
Substituições: Pinheiro por Charles Chad (46 min), Hélder Barbosa por Lipatin (62 min) e Reguila por David Caiado (66 min).
Não utilizados: Paulo Lopes, Paulinho, Delfim e Edu Souza.
Treinador: Tulipa.

FC PORTO: Nuno; Sapunaru, Stepanov, Bruno Alves «cap.» e Benitez; Madrid, Tomás Costa e Mariano; Lisandro, Farias e Rodríguez.
Substituições: Rodriguez por Hulk (58 min), Nuno por Ventura (68 min) e Madrid por Guarin (75 min).
Não utilizados: Pedro Emanuel, Rolando, Fernando e Rabiola.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: Milton do Ó (27 min), Pinheiro (44 min) e Benitez (46 min).

golos: Farias (29 e 79 min), Lisandro (43 e 62 min) e Hugo Leal (83 min).


Este fim-de-semana, este jogo, já no pós-Tetra, não me foi possível acompanhar ao pormenor todos os momentos do jogo ao longo dos 90 minutos, ora porque a Dragona “pirralha” Jr colhia toda a atenção de excelência, ora porque tão simplesmente, a ressaca do Tetra conquistado na última semana, tinha-lhe retirado grande parte da adrenalina e stress emocional para os dois últimos jogos que ainda restavam da liga Sagres desta época desportiva, onde só agora a final no Estádio Municipal de Oeiras, voltará a repor os níveis de nervosismo habituais.

Os únicos e grandes pontos de interesse para esta partida, centravam-se na possibilidade da conquista da 11ª vitória consecutiva para o FC Porto e consequente igualar do recorde por parte do Prof. Jesualdo Ferreira, que era pertença do anterior técnico, António Oliveira.

Em face da convocatória anunciada na passada 5ª feira, previam-se mexidas no onze titular, que se confirmaram na entrada para o relvado do Estádio Municipal da Trofa, com as entradas de Nuno, Benitez, Stepanov [tornou-se também campeão neste jogo], Andrés Madrid e Farias para os lugares respectivamente de Hélton, Cissokho e Raúl Meireles (que ficaram ambos fora da lista de convocados), Rolando e Fernando, que ficaram no banco de suplentes. Em tudo o resto, o normal, com os mesmos índices de “vontade conquistadora”, própria e natural dos campeões.

Se dúvidas as havia, e admito, já tinha comentado várias vezes até que este jogo seria para quiçá “perder”, porque o relaxamento seria natural, e também com isso, até dar uma “mãozinha” ao Trofense, ajudando Tulipa, actual treinador e ex-jogador do FC Porto, no subir da classificação classificativa. Afinal, enganei-me redondamente. Um campeão em título, em honra, em raça e bravura, jamais facilita! Foi o que aconteceu, com a maior das naturalidades.

Com a colocação na zona central de Andrés Madrid e de Tomás Costa, deixando Mariano Gonzalez, Cristian Rodrigues e Lisandro, vagueando na zona de ataque, na ajuda ao ponta-de-lança, Farias, os da casa nunca se encontraram durante todo o jogo, deixando ao FC Porto as despesas do jogo, com uma rotatividade dos atacantes azuis-e-brancos por todas as zonas de ataque, que baralhavam por completo os da Trofa.

À passagem dos 30 minutos de jogo, o FC Porto colocou definitivamente o pé no acelerador… e nunca mais pararam. Coube a Farias inaugurar o marcador, fruto de uma boa jogada colectiva, que permitiu a Mariano Gonzalez o endosso da bola para o ponta-de-lança encostar a de couro nas redes adversárias. Já perto do intervalo, o mesmo Mariano, qual rei das assistências, assiste Lisandro no interior da área e eleva a contagem para 0-2 a favor dos Dragões. O intervalo chegou.

Já com a 2ª parte a decorrer, Cristian Rodrigues cede o seu lugar ao regresso do “poderoso” Hulk, depois de uma recuperação recorde que a todos surpreendeu, e com isso, ajuda a desbaratar por completo a defensiva dos da casa, colocando o jogo de uma forma definitiva, com um sentido único: a baliza de Marco.

As oportunidades para dilatar o resultado surgiam então de uma forma consecutiva, até que os mesmos autores da 1ª parte, aproveitam ambos para bisar na partida, primeiro por Lisandro que efectua um magnífico chapéu e depois por Farias, num mergulho de cabeça ao 2º poste.

Até ao final do jogo, tempo mais houve só para o tento de honra dos da casa, por intermédio de Hugo Leal, com um remate potente e colocado, já com o também campeão, Ventura, a ocupar o lugar na baliza por troca com Nuno

Os campeões, rectifico, os Tetracampeões, são assim… não sabem viver sem esta sede incontrolável de vitórias e conquistas!