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21 novembro, 2015

ANÁLISE COMPARATIVA ÀS CONTAS DO FC PORTO E DOS RIVAIS LISBOETAS.

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A análise um pouco mais detalhada que vos tinha prometido às contas da nossa SAD, vai levar-nos a algumas comparações com os 2 principais rivais. A solidez das nossas contas é fundamental, mas não menos importante é a análise comparativa com os rivais, porque não podemos de um ano para o outro mudar toda a política desportiva que afeta indubitavelmente a situação económico-financeira.

Como não estamos perto de uma situação de insolvência, as mudanças estruturais que os meus primeiros textos neste espaço de referência da blogosfera sugeriam, deverão ser implementadas de forma gradual sem nunca colocarem em causa a capacidade competitiva como aconteceu com os viscondes nos últimos anos onde foram obrigados a apertar o cinto e a competir quase sempre com atletas oriundos da formação. Não significa esta última frase que não devemos apostar na formação. Devemos ter um modelo onde se aproveitem os valores da formação, mas apenas os que sejam verdadeiras mais-valias competitivas e quando já tenham maturidade competitiva para o serem.

Assim, irei pagar em algumas das notas deixadas nos 2 últimos textos e irei partir para a comparação com os rivais. Quando o nosso Resultado Operacional cresceu 3706,38% (ainda que fruto das transacções com passes de atletas), o dos lampiões decresceu 9,28% e o dos viscondes cresceu 450,39%. Quando do nosso lado se apresenta uma melhoria no resultado operacional, excluindo transações com passes de jogadores, os lampiões apresentam um agravamento deste deficit e os viscondes apresentam um superavit. Neste ponto, são os viscondes os que estão em melhor situação, no entanto, a capacidade competitiva deles tem vindo a ser muito degradada. A solidez da componente recorrente da atividade de uma SAD é fundamental, mas nunca deve ser este o objetivo de uma empresa como estas que analiso.

Ao nível do Balanço, a situação líquida aumentou 116.171 milhares de euros enquanto a dos lampiões melhorou 9.000 milhares de euros e a dos viscondes aumentou cerca de 125.000 milhares de euros. Aparentemente, os viscondes portaram-se melhor que nós neste item, mas é falso, uma vez que o ponto de partida deles era muito pior que o nosso e o diferencial de performance ao longo de 1 ano não nos coloca nem de perto nem de longe num patamar perto do deles. Neste momento, o nosso capital próprio é de 83M €, o dos lampiões 0,5M € e o dos viscondes é de 7M €. Aqui, a nossa solidez é claramente muito superior à dos outros rivais, mesmo que se juntassem como alguém já propôs.

Ao nível de alguns indicadores económico-financeiros, a situação é a seguinte:

O Grau de Liquidez dá-nos a relação entre os activos em dinheiro (ou facilmente convertíveis em dinheiro) com o montante que será exigível à empresa a curto prazo. Nenhuma das 3 empresas apresenta uma situação ideal, já que todos os clubes têm este valor inferior a 1, mas a nossa situação é claramente menos critica (quádrupulo do dos vermelhos e perto do dobro do dos viscondes).

O Grau de Liquidez reduzida, mede a liquidez de forma mais restrititiva, ou seja, usa uma fórmula exactamente igual, mas exclui os inventários do numerador. A sua utilização pode ser mais adequada nalguns sectores em que a liquidez dos inventários é menor. Neste caso, como os inventários não são valores significativos para nenhum dos 3 clubes, as conclusões são idênticas ao rácio anterior.

O Grau de Liquidez imediata, compara o valor de disponibilidades com o valor do passivo de curto prazo. A sua leitura é imediata: quanto é que o dinheiro que a empresa dispõe no momento representa no total das suas dívidas de curto prazo. Neste caso, a nossa situação mantém-se melhor que os rivais.

O rácio de Solvabilidade visa a capacidade que a empresa tem em pagar os seus compromissos a médio e longo prazo e deverá ser superior a 0,5. Um valor muito baixo de Solvabilidade, pode indicar uma grande fragilidade da empresa a nível económico-financeiro, levantando dúvidas sobre o futuro da empresa. Esta última situação é a dos vermelhos, ou seja, o empurrar dos problemas para o futuro, para a conquista de títulos a qualquer custo, tem aqui o contra-balanço.

O rácio de Autonomia Financeira, mede o nível de endividamento da empresa, e permite verificar em que percentagem é que o Activo de uma empresa está a ser financiado por Capitais Próprios. Deverá ser superior a 1/3, caso contrário a empresa encontra-se numa situação difícil, pois dependerá excessivamente de capitais alheios. Mais um rácio onde a nossa performance volta a ser melhor, sem no entanto ser ainda perfeita.

A Rentabilidade do Ativo divide o valor dos Resultados Operacionais (RO) pelo valor do Ativo Total (AT) e dá-nos a informação sobre qual a capacidade dos ativos da empresa em gerar resultados. Neste ponto, aparentemente os lagartos estão melhores que nós, mas a principal diferença prende-se com o maior valor do ativo que o nosso clube possui.

A Rentabilidade dos Capitais Próprios, prende-se com a capacidade e eficácia de remuneração dos capitais investidos pelos donos da empresa. É portanto um rácio que interessa particularmente aos donos. O ROE diz-nos qual a percentagem de lucro por cada euro investido. Na análise do ROE, podemos decompor a sua estrutura em três partes, Rentabilidade Líquida das Vendas (RLV), a Rotação do Activo (RA) e a alavancagem Financeira (AF). No entanto, como estamos perante empresas especiais em que as vendas não são parte importante da Demonstração de Resultados, esta análise perde um pouco de qualidade.

Concluindo, esta análise comparativa mostra que sem vivermos uma situação económico-financeira perfeita e sem ameaças, estamos em melhores condições de sermos competitivos e desportivamente dominadores do que os 2 principais rivais. No entanto, a nossa luta e o nosso caminho deverá ser para o equilíbrio ao nível da rubrica “Resultados Operacionais excluindo resultados com passes de jogadores”. Esta rubrica, actualmente, apresenta um deficit a rondar os 16M€/ano e existem 2 vias possíveis para este caminho. Por um lado, o aumento das receitas quer sejam, bilheteira, merchandising ou direitos televisivos entre outros. Por outro lado, temos a redução dos custos onde incluímos custos com pessoal, fornecimentos e serviços externos (FSE’s), entre outros. Este longo caminho para o equilíbrio dos “Resultados Operacionais excluindo resultados com passes de jogadores” deverá ser progressivo, mas nunca descurando a capacidade competitiva para não cortarmos tanto que os efeitos sejam perversos e outras variáveis sejam afetadas, como por exemplo, as mais valias com passes de atletas, uma vez que se desportivamente a performance for má, a valorização dos atletas não irá aparecer.

Até breve,
Delindro.

25 outubro, 2015

ALGUMAS EXPLICAÇÕES ÀS PRIMEIRAS IMPRESSÕES SOBRE AS CONTAS DA SAD.

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Tinha prometido no meu último texto uma análise mais profunda às contas anuais 2014/2015 da SAD do Futebol Clube do Porto mas, vicissitudes várias levaram a que a falta de tempo impedisse essa análise mais profunda. Assim, o que trago hoje é a explicação dos pontos que enunciei no último texto e fica desde já prometido a análise mais profunda para daqui a 2 semanas. Assim:
  • O Resultado Operacional cresceu 3706,38% fruto das transacções com passes de atletas. – Este valor inclui não só as vendas de passes de atletas feitas nesta época mas, inclui algumas vendas de atletas da época anterior que já foram feitas depois de 01 de Julho de 2014, sendo incluídas neste exercício económico.
  • Melhoria no resultado operacional, excluindo transações com passes de jogadores, ou seja, a componente recorrente da atividade da SAD apresenta um melhor comportamento na última época face a 2013/2014. Apesar desta melhoria, esta rubrica ainda apresenta um deficit. Esta melhoria acontece apesar de a despesa ter crescido. Assim, esta melhoria de comportamento deveu-se a um maior aumento da receita (28,89%) do que da despesa (15,93%). – Do lado da receita, a boa performance desportiva nas competições europeias gerou um acréscimo de cerca de 27M€ ao nível de prémios, de 1,8M€ ao nível de receitas de bilheteira bem como de 1,3M€ ao nível de receitas televisivas. Do lado da despesa, a rubrica que aumentou mais significativamente foi a de custos com pessoal nomeadamente nas de atletas/técnicos. Da parte da equipa técnica uma maior remuneração é inteiramente justa, já que Julen Lopetegui mostra ser mais capaz que a estrela de tv nascida no barreiro.
    Do lado dos atletas, o acréscimo de remuneração deveu-se à política de contratações com o recurso a atletas emprestados por clubes que por regra pagam salários largamente superiores aos do FC Porto. Este aumento do montante de remunerações levou também a um incremento de encargos sobre remunerações.
  • Do lado da receita de salientar também o decréscimo na rubrica Corporate Hospitality. - Acordo de Cooperação celebrado em Julho de 2003 com a PortoEstádio em que a Euroantas detém o direito exclusivo de comercializar os Camarotes e Business Seats.
  • Do lado dos custos operacionais de salientar o comportamento positivo da rubrica Fornecimentos e Serviços Externos que diminuiu 20,95%. – Esta diminuição de valor deve-se sobretudo à não existência da rúbrica “Corporate Hospitality” face à época de 2013/14 está relacionada com a inclusão, pela primeira vez, da Euroantas no perímetro de consolidação do Grupo.
  • Ao nível do Balanço a situação líquida aumento 116.171 milhares de euros. – Esta melhoria é fruto do aumento de capital aprovado em Assembleia Geral de 2 de Outubro de 2014.
  • O aumento das disponibilidades de 21,89% é um aspeto positivo que as notas ao balanço poderão explicar qual a sua origem. – Não nos é apresentada qualquer justificação.
  • Ao nível do Ativo o aumento das dívidas de clientes de 16,58%. – Fruto dos negócios com passes de atletas não se tendo verificado um aumento significativo de clientes de cobrança duvidosa.
  • Do lado do passivo os empréstimos bancários aumentaram 8,42%. Nesta rubrica de salientar o aumento do prazo destes sinalizado pela passagem de empréstimos bancários correntes para empréstimos bancários não correntes. – Apenas de salientar o montante a reembolsar dentro de 1 ano (41M€) que irá aparecer no próximo Relatório e Contas como Passivo Corrente se não for contraído antes um empréstimo para substituir este empréstimo com melhores condições nomeadamente ao nível de prazos de reembolso.
  • Do lado do passivo os empréstimos obrigacionistas o aumento cifrou-se em 30% com um aumento de prazos sinalizado pela passagem de empréstimos obrigacionistas correntes para empréstimos obrigacionistas não correntes. – Nesta rubrica salientar o facto de termos reembolsado os empréstimos vencidos e contrair novos empréstimos obrigacionistas, e em melhores condições, ou seja, com menores taxas de cupão.
  • Do lado do passivo o aumento das dívidas a fornecedores podem significar melhoria ao nível da capacidade de negociação de prazos ou dificuldades de tesouraria pontuais levando a incapacidades para pagar. – Aqui, por falta de tempo para melhor análise deste ponto, apenas salientar que nenhuma verba relacionada com a contratação de Adrian Lopez foi paga até ao momento ao Atlético de Madrid.
Até breve,
Delindro

10 outubro, 2015

PRIMEIRAS IMPRESSÕES SOBRE AS CONTAS 2014/15.

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Podia, hoje, abordar o programa de debate desportivo da passada segunda-feira na TVI 24, mas acho que o conhecido atleta do Damaiense que contou os pormenores do roubo de um camião que foi planeado por Luís Filipe Vieira na madrugada de 28 de março de 1984 e o presidente do sporting, não merecem tal publicidade.

O tema que trago hoje são as contas anuais da SAD que, apesar de ainda não terem sido apresentadas a totalidade das informações sobre as contas da FC Porto, Futebol SAD, com o comunicado de hoje e com os dados nele presente, já nos é possível tomar algumas notas.

Assim:
  • O Resultado Operacional cresceu 3706,38% fruto das transações com passes de atletas.

  • Melhoria no resultado operacional excluindo transações com passes de jogadores, ou seja, a componente recorrente da atividade da SAD apresenta um melhor comportamento na última época face a 2013/2014. Apesar desta melhoria esta rubrica ainda apresenta um deficit. Esta melhoria acontece apesar de a despesa ter crescido. Assim, esta melhoria de comportamento deveu-se a um maior aumento da receita (28,89%) do que da despesa (15,93%).

  • Do lado da receita a boa performance desportiva ao nível europeu levou a um aumento das receitas de provas da UEFA e dos direitos de transmissão televisiva mas neste ponto sem certezas já que não está descriminada esta rubrica. Este acréscimo cifrou-se em 109,66%.

  • Do lado da receita as receitas de salientar o aumento de 26,49% das receitas de bilheteira.

  • Do lado da receita de salientar também o decréscimo na rubrica Corporate Hospitality.

  • Do lado da despesa os negócios da época passada com recrutamento de atletas provenientes de clubes que tradicionalmente pagam mais impostos (ex. Atlético Madrid ou Barcelona) originou a que a rubrica Custos com Pessoal crescesse 43,19%.

  • Do lado dos custos operacionais de salientar o comportamento positivo da rubrica Fornecimentos e Serviços Externos que diminuiu 20,95%.

  • Ao nível do Balanço a situação líquida aumento 116.171 milhares de euros.

  • Esta melhoria deve-se á entrada do Estádio no ativo da SAD através da operação aprovada em Assembleia Geral do clube a 2 de Outubro de 2014.

  • O aumento das disponibilidades de 21,89% é um aspeto positivo que as notas ao balanço poderão explicar qual a sua origem.

  • Ao nível do Ativo o aumento das dívidas de clientes de 16,58%.

  • Do lado do passivo os empréstimos bancários aumentaram 8,42%. Nesta rubrica de salientar o aumento do prazo destes sinalizado pela passagem de empréstimos bancários correntes para empréstimos bancários não correntes.

  • Do lado do passivo os empréstimos obrigacionistas o aumento cifrou-se em 30% com um aumento de prazos sinalizado pela passagem de empréstimos obrigacionistas correntes para empréstimos obrigacionistas não correntes.

  • Do lado do passivo o aumento das dívidas a fornecedores podem significar melhoria ao nível da capacidade de negociação de prazos ou dificuldades de tesouraria pontuais levando a incapacidades para pagar.
Quando forem apresentados os dados completos do relatório e contas, venho apresentar alguns dados mais detalhados e uma análise mais profunda.

Até breve,
Delindro

02 junho, 2015

R&C CONSOLIDADO 2014/15 (31/03/2015) DA FCP, FUTEBOL,SAD

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R&C CONSOLIDADO 2014/15 (31/3/2015) DA FCP, FUTEBOL,SAD

Por muito estranho que possa parecer, é possível encontrar algumas semelhanças entre os R&C e o basquetebol. A ideia ocorreu-me agora com a divulgação no passado dia 30/05/2015, após o fecho da sessão de bolsa, dos resultados relativos à data de 31/03/2015, isto é, ao fim do 3º trimestre do exercício de 2014/15. Tal como no basquetebol existem 4 períodos de 10 minutos, nos R&C existem 4 períodos de 3 meses, sendo que cada período acumula aos anteriores, como todos sabemos. Por isso, quando ao fim do dia da passada sexta-feira vi em toda a comunicação social online a notícia de “SAD do FCP lucra 553 mil”, incluindo o próprio site do clube (ver AQUI) fiquei todo contente porque sabendo que vínhamos de um prejuízo de 8,3 M€ no 1º semestre (lucro de 13,5 M€ no 1º trimestre e prejuízo de 21,8 M€ no 2º trimestre), o que no basquetebol corresponde ao intervalo (fim do 2º período), pensava eu que tínhamos invertido de prejuízo para lucro, o que não seria de admirar tendo em vista a venda do passe do Danilo por 31,5 M€ e o prémio da passagem aos quartos da CL (3,9 M€) ocorridos no 3º trimestre.

Erro meu!

Erro meu, porque no dia seguinte quando vou analisar com detalhe o R&C, chego à conclusão que aquele lucro de 553 m€ é apenas referente ao 3º trimestre (1/1/2015 a 31/3/2015), e não ao período a que respeita o R&C, como seria de esperar, que vai de 1/7/2014 a 31/3/2015, isto é, 3 trimestres. Erro meu, porque o que este R&C revela é um prejuízo acumulado de 7,8 M€, ou seja, os 8,3 M€ de prejuízo transitado dos dois primeiros trimestres abatido dos 0,5 M€ de lucro no 3º trimestre. Erro meu? Eu só pergunto, se vos dissessem o resultado de um jogo de basquetebol no fim do 3º período, o que esperavam vocês? O resultado do 3º período ou o resultado ao fim do 3º período?

Fica aqui todo este arrazoado apenas e só para esclarecer algum incauto, como eu, e para dar conta do excelente trabalho do departamento de comunicação do FCP que consegue transformar um prejuízo de 7,8 M€ (ao fim do 3º trimestre) num lucro de 0,5 M€ (no 3º trimestre). Assim sejam eles tão bons onde mais é preciso, que é a área do futebol!

Outra semelhança que me ocorre é o MVP. Most Valuable Player no basquetebol, e Mais-Valias Potenciadas nas contas.

Os nossos MVP foram Mangala e Defour no 1º trimestre, cujos passes renderam 30.503.590 € e 6.000.000 €, a que corresponderam mais-valias de 22.806.942 € e 2.683.593 €, e Danilo no 3º trimestre (venda por 31.500.000 € e mais-valia de 23.101.403 €). Ou seja, nesta altura, vamos com 68 M€ de vendas de passes e 49 M€ de mais-valias, o que projectando uma eventual venda do passe de Jackson Martinez no último trimestre, será suficiente para cumprir o Orçamento e apresentar contas equilibradas no fim do exercício. Por isso, quando me perguntam se o actual modelo de negócio da SAD é sustentável, eu respondo sempre da mesma maneira: quem acreditar que é possível todos os anos efectuar vendas de passes de jogadores na ordem dos 100 M€, a que correspondam mais-valias de cerca de 60 M€, eu digo que sim; quem não acreditar...

Um ponto sempre muito sensível das contas, no meu ponto de vista, é o passivo financeiro (empréstimos bancários e obrigacionistas). Comparando a situação em 30/06/2014 e em 31/03/2015, vemos que este passivo financeiro subiu de 139.142 M€ para 149.173 M€. Subiu? A aritmética assim o indica, no entanto, as contas e a sua comparabilidade exige muito cuidado para não cairmos em erro. De facto, as contas em 30/06/14 não integravam a Euroantas (Estádio do Dragão) que só em 22 de Outubro de 2014, por força do aumento de capital passou a consolidar na SAD, e como a Euroantas, trazendo o estádio como activo, também trouxe passivo, no caso, passivo financeiro relativo ao project finance de 15.270 M€, se expurgássemos este valor das contas da SAD, então o passivo financeiro tinha diminuído cerca de 5 M€. O que significa que esta importante componente das contas, até ao momento, está relativamente bem controlada. O que não quer dizer que o peso dos custos e perdas financeiros associados (juros pagos) não sejam excessivos, são e não é pouco. Nestes primeiros nove meses do exercício de 2014/15, esses custos já vão em 13.623 M€ (9.680 M€ no período homólogo do ano anterior)

O grande problema é o fundo de maneio, isto é, a tesouraria, por outras palavras, a falta de liquidez. Mas este já é um problema crónico, já há muitos anos que a SAD se vem a debater com ele, e infelizmente não tem solução à vista. Bem pode o administrador financeiro dizer que diminuiu a exposição à banca nacional, que tem conseguido financiamento no estrangeiro (tudo bem que a diversificação é positiva), mas o cutelo da liquidez está sempre em cima dele. É uma situação muito perigosa porque a qualquer momento pode descambar ainda mais. Temos exemplos de muitas empresas rentáveis que por falta de apoio bancário tiveram que fechar. De certeza que na SAD se está muito atento a este aspecto.

Para terminar de forma mais ligeira, uma curiosidade a que nas SAD´s nunca se dá importância: os incobráveis, sim, no FCP também há crédito mal parado! São os chamados “clientes de cobrança duvidosa” cujo valor em 31/03/2015 ascendia a 4.659.548 €. Como em 30/06/2014 esse valor era de 3.189.596€, isso significa que nos últimos nove meses esta rubrica aumentou quase um milhão e meio de euros. Ainda é dinheiro. Bem que eu gostava de saber quem são estes caloteiros, mas o R&C não descrimina (nem tem que descriminar).


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

03 março, 2015

R&C CONSOLIDADO – 1º SEMESTRE 2014/15

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Resultados consolidados do 1º semestre de 2014/2015
Relatório e Contas Consolidado do 1º semestre de 2014/2015

Ao contrário dos comentários aos jogos, que são sempre (quase) imprevisíveis, comentar as demonstrações financeiras (as “contas”) duma sociedade como a FC Porto, Futebol, SAD acaba por ser algo repetitivo em função dos factores que condicionam a sua actividade financeira, e que são por demais conhecidos.

Desde logo, a realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores.

Senão, repare-se:

Nos 3 primeiros meses do exercício (Julho, Agosto e Setembro de 2014) correspondente ao 1º trimestre, houve mais-valias de 25.9 M€ (Mangala e Defour), daí que esse período tenha encerrado com um lucro de 13,5 M€. Nos 3 meses seguintes (2º trimestre) como não se realizaram mais-valias o resultado foi um prejuízo de 21,8 M€.

Somando algebricamente o lucro de 13.5 M€ do 1º trimestre com o prejuízo de 21.8 M€ do 2º trimestre obtém-se o resultado do 1º semestre, ou seja um prejuízo de 8.3 M€.

O que há que notar, e reflectir, é sobretudo o agravar do défice mensal sem transacções de passes de jogadores. De facto, este défice que em anos anteriores era de 4/5 M€/mês (daí a necessidade de realização de mais-valias de cerca de 50 M€/ano para equilibrar as contas), de repente sobe para 7 M€/mês neste 2º trimestre o que, mesmo considerando a sazonalidade da actividade, vai colocar uma pressão acrescida na realização de mais-valias no mês de Junho, pelo menos mais 40 M€ (a somar aos 25,9 M€ já conseguidos), isto se não se pretender fechar o exercício com mais um grande prejuízo.

Aqui chegados, a pergunta que se coloca é: qual o motivo para este agravar do défice mensal?

Como todos os que acompanham a vida do Clube pressentem, a explicação reside no substancial aumento dos custos salariais. Basta comparar os “custos com o pessoal” deste período com o período homólogo: 36.008 m€ este ano contra 24.676 m€ no ano anterior. Como estamos a analisar um período de 6 meses, esta diferença de quase 12 M€ representa um acréscimo de custos de 2 M€/mês.

Também a integração do Estádio do Dragão no perímetro de consolidação da FCP, Futebol, SAD, que ocorreu neste período, trouxe agregado o passivo da Euroantas, sociedade que assumiu o “project finance” do estádio, acarretando por essa via um substancial aumento dos custos e perdas financeiras:

8.560 m€ este ano contra 6.523 m€ no ano anterior. Ou seja, quase um milhão e meio de euros por mês de encargos financeiros (basicamente juros suportados), o que se traduz numa enorme drenagem de recursos da sociedade, que muita falta fazem, e que muitas dores de cabeça devem trazer ao administrador financeiro. Mas, são as consequências do excessivo endividamento que, pelo andar da carruagem, veio para ficar.

Ainda sobre a integração do Estádio do Dragão nas demonstrações financeiras da SAD, isso veio a traduzir-se numa alteração substancial da sua situação patrimonial com reflexos no activo, passivo e capitais próprios.

Assim, o activo total entre 31/12/2013 e 31/12/2014 passou de 191.143 m€ para 333.113 m€, o passivo total subiu de 212.752 m€ para 278.511 m€, e como resultado o capital próprio, que era negativo em 21.609 m€, passou a positivo no total de 54.602 m€. Por curiosidade, o valor líquido do Estádio do Dragão nesta altura é de 138,2 M€.

Uma última nota sobre o muito falado, pelos comentadores desportivos e não só, elevado investimento no plantel. Pois bem, se isso é verdade no que toca aos encargos salariais, basta ver o que foi escrito acima sobre o assunto, o mesmo não pode ser dito quanto à gestão de aquisições e vendas de passes de jogadores. De facto, quando se analisa esta matéria, deve ser tido em conta não apenas as compras (investimento), mas também as vendas (desinvestimento). E o que importa avaliar é o saldo entre estas duas rubricas, e isso pode ser analisado através das amortizações e perdas por imparidade com passes de jogadores. Ora, o que nos mostra o R&C, é que as amortizações e perdas por imparidade com passes de jogadores totalizaram um valor de 14.695 m€, em 31/12/2014 (6 meses) contra 14.424 m€ em 31/12/2013. Ou seja, um valor semelhante o que quer dizer que o investimento efectuado no período com as aquisições de passes de jogadores foi semelhante ao desinvestimento relacionado com as vendas dos passes.

Estes são, em traços gerais, os aspectos que me parecem mais relevantes, de resto toda a panóplia de outros gastos e rendimentos estão em linha com o que é habitual, salvo um ou outro caso derivado de alterações nos critérios de contabilização em resultado da integração do estádio nas contas da sociedade.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

29 novembro, 2014

SOL E SOMBRA.

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Depois de um record negativo traduzido no maior prejuízo de sempre da FCP-SAD (contas consolidadas de 2013/14) – 40,7 M € - eis agora que as contas consolidadas referentes ao 1º trimestre de 2014/15 revelam um lucro de 13,5 M €.

Como é sabido, as explicações do administrador financeiro Dr. Fernando Gomes para tão elevado prejuízo em 2014 foram duas, a realização do Campeonato do Mundo de futebol no Brasil que adiou a realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores, e o não apuramento directo para a Liga dos Campeões o que inviabilizou a contabilização do respectivo prémio (8,6 M €). Explicações, aparentemente, muito lógicas, tão lógicas que não me apercebi que tenha havido qualquer contestação a tais argumentos. Mas, será mesmo assim, ou não haverá aqui um camuflar da realidade?

Vejamos, vamos revisitar as contas de 2010. O que aconteceu em 2010?

Tal como em 2014 foi ano de Campeonato do Mundo de futebol, então na África do Sul. E, tal como em 2014, o FCP não se apurou para a Liga dos Campeões por ter-se classificado em 3º lugar atrás do Braga. Com uma agravante: enquanto em 2014 ainda pode contabilizar o prémio (2,1 M €) de acesso ao play-off da LC, em 2010 nem isso, foi directo para a Liga Europa. Portanto, segundo a lógica do Dr. Fernando Gomes, 2010 também devia ter sido um ano de enorme prejuízo financeiro, certo?

Não, errado! O ano de 2010 terminou com um lucro, pequeno mas lucro (cerca de 80.000 euros).

Ou seja, o problema não é o Campeonato do Mundo ou da Europa porque a cada dois anos temos a realização de um deles. O problema, como não me tenho cansado de referir, está no modelo de negócio baseado numa estrutura de rendimentos/proveitos marcadamente desequilibrada, onde as mais-valias na venda de passes de jogadores andam próximo dos 50% do total de rendimentos. Por exemplo, o orçamento para 2015 prevê um total de proveitos de 155,7 M € dos quais 89,2 M € são proveitos operacionais a que se somam 66,5 M € de resultados de transacções de passes (isto é, 42,7% do total dos proveitos).

Tudo isto conduz a que o FCP fique numa situação fragilizada, dependente dos clubes compradores, e como o período fiscal/contabilístico (30 de Junho) não coincide com o período de transferências (31 de Agosto), enquanto esta estrutura de rendimentos não se alterar, este autêntico carrossel de prejuízos/lucros/prejuízos há-de continuar.

Mas vamos às contas do 1º trimestre de 2014/15, que é o que importa agora.

Começo logo por um aspecto muito positivo: embora o passivo total tenha subido 35,7 M €, o que vai ser muito salientado pelos adversários, isso não é preocupante porque é contrabalançado por um aumento do activo total em 49,2 M € (basicamente devido ao aumento do valor do plantel fruto das novas aquisições), mas boa notícia mesmo é, dentro deste passivo total, a diminuição do passivo remunerado (isto é, empréstimos bancários e obrigacionistas) em 14,5 M €, o que pode fazer baixar no futuro a factura dos juros a suportar. De facto, neste 1º trimestre os custos e perdas financeiras ascenderam a 4,6 M €, valor exageradíssimo, e que continuou a subir face a igual período do ano anterior quando tinham atingido o valor de 3,2 M €. Esperemos, portanto, que se consiga uma inversão da tendência nesta rubrica.

Pela negativa a sistemática, estrutural, e sem fim à vista, pressão sobre a tesouraria, resultado de um passivo corrente (inferior a 1 ano) de 208,9 M € apenas coberto por 113,8 M € de activo corrente. Significa isto que a extrema dependência do crédito vai continuar, o que traz consigo uma muito complexa gestão de tesouraria.

Fundamental para o modelo de negócio, o resultado com transacções de passes de jogadores neste 1º trimestre atingiram o montante de 27 M € (inclui as mais-valias das transferências de Mangala e Defour). Como para o equilíbrio das contas no fim do exercício o orçamento prevê um total de 66 M €, isso significa que até lá será necessário ainda realizar um conjunto de negócios que proporcione um resultado líquido de 39 M €, o que certamente vai exigir um mês de Junho muito movimentado nas vendas, sob pena de se encerrar o exercício com mais um prejuízo.

De notar que o total de aquisições de passes de jogadores neste 1º trimestre ascendeu a 43 M € nos quais estão incluídos 6 M € de encargos relacionados com essas aquisições. Curiosamente, ao contrário de anos anteriores, agora não é feita a imputação individualizada destes encargos a cada uma das aquisições, o que sendo deliberado, traduz a vontade da administração de esconder essa informação do público, na minha opinião muito bem, visto entender que este tipo de informação deve ser reservado, por ser do domínio do segredo do negócio e, portanto, não tem que ser publicitado, evitando-se assim que a concorrência disso tenha conhecimento, inclusive essa mesma concorrência também omite essa informação.

Por último, uma breve referência à conta de exploração, onde se verifica uma ligeira melhoria de 3,1 M € nos resultados operacionais na sequência do aumento dos proveitos operacionais em 9,1 M €, por via do crescimento da receita obtida pela participação nas provas da UEFA, por contraponto ao aumento em 6 M € dos custos operacionais devido ao forte investimento efectuado no plantel e correspondente acréscimo dos encargos salariais.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

22 outubro, 2014

DESTRUIÇÃO DE VALOR.

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Finalmente publicado o Relatório & Contas do exercício fiscal de 2013/14, temos agora a visão real daquilo que já se previa, ou seja, um enorme prejuízo contabilístico, o maior de sempre da história da SAD – 40,7M de euros. O desastre desportivo da época passada já era conhecido e dele nem vale a pena falar. Já era dose suficiente para pôr qualquer portista de cabelos em pé, mas a dose acaba por ser dupla com a apresentação destes resultados financeiros.

Dir-se-á que não vale a pena chorar sobre o leite derramado e que há que olhar para o futuro (“há que levantar a cabeça” diria um qualquer jogador após uma derrota pesada). Certo. Mas, não menos certo, é a obrigação de analisar o que correu mal, corrigir, e tomar medidas para que tal não se volte a repetir. Se isso já está a ser feito na área desportiva (quero acreditar que a eliminação da taça de Portugal foi só um mero percalço), como é bem visível, embora em desporto ninguém possa garantir o sucesso, na área financeira ainda estamos para ver o que irá ser feito, se é que alguma coisa se planeia fazer tal é a pressão de toda a gente para alcançar os resultados desportivos, que são como é evidente o verdadeiro “core business” do FC Porto.

Posto isto, e indo à parte das contas que é o que aqui me traz, usando a linguagem do “economês”, diria que assistimos a uma enorme destruição de valor. Para suprir este colapso nos capitais próprios já se conhece a solução encontrada: a passagem de 47% do Estádio do Dragão da esfera do Clube para a esfera da SAD que, de caminho, deu uma enorme ajuda para resolver o bicudo problema que o fair-play financeiro da UEFA veio criar ao não permitir que a média do somatório dos resultados dos três últimos anos não ultrapasse os 5M € de prejuízo. Assim, podemos dizer que de uma cajadada se resolveram dois graves problemas. Resolveram, quer dizer, resolveram no curto prazo, resta saber como tudo se irá comportar no médio/longo prazo, e, como sabemos, o que se passará no longo prazo muito vai depender das medidas que entretanto se vão tomando, concretamente, medidas de contenção de custos/aumento de proveitos para atingir o equilíbrio operacional, ou seja o tal princípio do “break-even” (equilíbrio entre gastos e rendimentos) imposto pela UEFA no fair-play financeiro.

Equilíbrio que está longe de ser atingido como o demonstra as presentes contas.

Assim, depois de um resultado líquido consolidado negativo (prejuízo) de 35.734M € em 2012, e um igual resultado positivo (lucro) de 20.356M € em 2013, temos agora em 2014 este prejuízo de 40.701M €. Ou seja, a média destes 3 anos é de (-35,734 +20,356 -40,701) /3 = -18,693M €, isto é bem acima do tal máximo de 5M € permitido no regulamento da UEFA (mesmo considerando a possibilidade de abater os gastos com a formação e infra-estruturas), média considerada na avaliação da UEFA para este ano. Quem quiser projectar desde já a avaliação para o próximo ano, basta excluir da equação o ano de 2012 e incluir o ano de 2015 (previsão), podendo, porém, adiantar-se que o corrente exercício terá obrigatoriamente que terminar com um lucro, sob pena de cairmos novamente sob a alçada da UEFA, e, lá está, fazer novo aumento de capital para compensar o desequilíbrio entre rendimentos obtidos e gastos incorridos.

Analisando agora as linhas gerais das contas deste ano, o que será mais de salientar, do meu ponto de vista, é o seguinte:
    a) A cada ano que passa, cada vez mais se nota a extrema dependência da realização de mais-valias na transacção de passes de jogadores. Como este ano “apenas” se obteve nesta rubrica o montante de 23.907M €, o que representa uma diminuição de 52.538M € relativamente ao ano anterior, temos aqui a explicação para o descalabro das contas. Por isso falo em extrema dependência, porque uma coisa é depender 10% ou até 20% desta componente dos proveitos e que seria bem acomodada na estrutura dos proveitos, outra coisa totalmente diferente é quando se depende em 50%, ou mais, desta componente. Depender de mais-valias, sim, mas com limites. Infelizmente, no caso da SAD há muito que se ultrapassaram esses limites, e cada vez mais, como se constata este ano com os resultados que se conhecem. Este é um caminho que tem necessariamente de ser invertido, nunca devia ter chegado tão longe, sob pena de um dia destes já não haver salvação possível. E os responsáveis do clube sabem disso, portanto espero que esta loucura termine e as boas contas regressem. Sabemos, pelo que é dito publicamente (ainda muito recentemente pelo administrador financeiro) que intenções há (mas também havia no passado...), resta saber se serão, e como, levadas à prática.
    b) Os custos com o pessoal, naturalmente a principal rubrica dos gastos, diminuíram 5.180M € relativamente ao ano anterior, o que aparentemente é bom. Digo aparentemente porque, de facto, esta diminuição ficou a dever-se a maus motivos. Esses maus motivos referem-se à não atribuição de prémios em virtude da ausência de títulos. De resto, em termos remuneratórios, nada se alterou.
    c) Os custos e perdas financeiras, fundamentalmente juros pagos dos empréstimos bancários e obrigacionistas, estabilizaram perto dos 13M €/ano (12.734M € contra 12.893M € no ano anterior). É bom que o ciclo ascensional que se vinha verificando tenha terminado, mesmo assim continua a ser um valor demasiado elevado e bem revelador do excessivo grau de endividamento. Para se ter uma ideia da relatividade destes números, basta dizer que estes encargos representam cerca de 15% dos proveitos totais quando, idealmente, não deviam ir muito além dos 5%.
    d) Activo a descer 12% e passivo a subir 6% é sinal de alarme. Resultado: capitais próprios negativos e daí, também, toda a operação que se desenvolverá até final do ano para aumento do capital social. Resolverá o problema, mas não o resolverá de forma definitiva, para isso será necessário regressar aos lucros de forma consistente e sustentada. Dito doutra forma: é fundamental parar de destruir valor e passar a criar valor.
    e) As dificuldades de tesouraria e liquidez continuam e não dão sinais de abrandar, o que fica bem expresso no sistemático, ano após ano, fundo de maneio negativo. E não se vislumbram melhorias num futuro próximo.
Estes são, na minha opinião, os pontos mais relevantes e estruturantes das contas publicadas. O importante a reter e a monitorizar constantemente. Depois, há a análise mais minuciosa, rubrica a rubrica, proveito a proveito, custo a custo, e que já não cabe no âmbito do pretendido neste artigo.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

28 setembro, 2014

FAIR-PLAY FINANCEIRO, OU UMA CABALA DA "UEFA" PARA O "JUSTICEIRO" CARVALHO?

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O tema desta semana será o Fair-Play Financeiro. Porquê este tema nesta altura? Esta escolha resulta do processo de investigação formal instaurado pela UEFA a alguns clubes onde se inclui o desportivo do campo grande também conhecido como sporting de lisboa.

Em primeiro lugar, importa perceber o que significa o Fair-Play Financeiro. O Fair-Play Financeiro é um mecanismo que visa a melhoria do enquadramento financeiro do futebol europeu. Este mecanismo, permite que por cada período de 3 anos, as entidades apresentem resultados acumulados de -5M€. No entanto, este limite pode ser ultrapassado se for coberto pelos donos dos clubes. Os limites são de 45M€ para esta época e 30M€ para as próximas 3 épocas. As sanções para quem ultrapassar estes limites são progressivas indo desde apenas a advertência até à exclusão das competições ou a retirada de títulos.

Qual o impacto para o nosso clube e para os nossos rivais destes limites? À partida para esta época, o FC Porto apresentava resultados consolidados dos últimos 3 exercícios económicos de -15M€ enquanto os do campo grande apresentavam resultados agregados de -133M€. Os vizinhos do campo grande apresentavam resultados agregados de -29M€. Na sequência destes dados, não poderá surpreender ninguém a notícia da instauração da investigação formal aos do campo grande, apenas não tendo sido instaurado antes, uma vez que no ano anterior, resolveram afastar-se de livre vontade das competições europeias.

O que podemos esperar para a edição 2015/2016 das competições da UEFA? No nosso caso, qualquer prejuízo a rondar os 14M€ afastam qualquer cenário de investigação formal. Os nossos “amigos” do colégio militar podem apresentar um prejuízo de 8M€ para não serem alvo de qualquer investigação, prejuízo da SAD (entidade gestora do futebol e que interessa para estes temas) e não consolidado do clube fifica como a notícia abaixo nos pretende enganar.

Já as osgas do campo grande ou apresentam um lucro superior a 60M€ ou no próximo ano serão alvo de nova investigação pela UEFA isto, se não optarem por fazer como em 2013/2014 e ver as competições da UEFA em qualquer poltrona.

Apesar de parecer haver para nós uma folga, a ausência das grandes e habituais mais-valias de transferências entre 01/07/2013 e 30/03/2014 aliada aos resultados consolidados do 3º T (-38M€) podem colocar-nos perante um sinal de alerta.

Esta ausência de grandes vendas de passes de atletas derivada de uma época desportiva negativa é a ilustração perfeita dos problemas que já tinha enunciado do nosso actual modelo económico nos textos anteriores e onde defendia a mudança de paradigma para um cenário de equilíbrio antes das transacções com passes de atletas. Sendo isto a base do Fair-Play Financeiro, e como não pretendemos estar junto de clubes menores da lista dos “criminosos” para com as regras da UEFA, urge alterar o paradigma económico-financeiro.

Até Breve,
Delindro

13 setembro, 2014

FUNDOS DE INVESTIMENTO - O QUE LHES FAZER?.

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Numa altura em que existe uma crescente discussão sobre os Fundos de Investimento no futebol e onde alguns agentes resolveram tomar decisões precipitadas rasgando contratos e devolvendo apenas o capital inicial contrariando desde logo o conceito de valor temporal do dinheiro onde 1€ hoje vale mais que 1€ amanhã.Para se poder ter uma opinião devidamente fundamentada e não apenas um juízo de valor temos que perceber o papel dos fundos de investimento no futebol em geral, no futebol português em particular com principal relevo, para nós, no FC Porto.

O FC Porto inicia o recurso aos fundos de investimento quando a banca portuguesa decide reduzir-nos o financiamento e para viabilizarmos o nosso modelo de negócio tivemos necessidade de encontrar parceiros de negócio para que o modelo não parasse. Assim, surgem os fundos de investimento que partilham risco e retorno dos negócios dos atletas. Partilham risco porque quando se adquire uma percentagem do passe de um atleta se o negócio não for bem sucedido e não for possível recuperar o investimento inicial o fundo também irá incorrer em perda no montante do seu investimento inicial. Partilhamos o retorno quando após a, natural,valorização do atleta e consequente venda o fundo recebe a percentagem da venda que detinha do passe do atleta.

Se não tivessemos acesso a estes parceiros de negócio seríamos um clube semelhante a tantos outros de campeonatos como o holandês, belga ou da grécia onde teríamos acesso aos atletas formados no país e aos estrangeiros descobertos muito precocemente, antes de qualquer aparição internacional. A principal consequência seria a menor qualidade consistente dos resultados europeus. E com estes piores resultados internacionais também teríamos menos capacidade financeira e estaríamos destinados a ser mais um clube em vez de sermos o FC Porto vencedor que conhecemos.

O modelo adoptado por quem tem gerido, tão bem, o nosso clube ao longo dos últimos 30 anos implica fortes investimentos e não vivendo nós num mercado nem grande nem rico o suficiente para o merchandising, campo onde muito se evoluiu mas muito mais se pode melhorar como já mostrei em textos passados, ser capaz de financiar o modelo económico-financeiro, para termos sponsors fortes nacionais ou internacionais, para termos procura de bilhetes muito superior a 100% podendo praticar preços muito mais elevados, não havendo um pensamento conjunto e de entendimento para termos direitos televisivos elevadíssimos e negociados conjuntamente por uma liga capaz como os praticados em mercados como o inglês ou o alemão e não existindo um organizador de provas com boa capacidade económico financeiro, situação bem diferente da casa do pa...., perdão, sr. figueiredo capaz de proporcionar bons prémios de performance desportiva, somos forçados a ir em busca de parceiros económicos capazes de nos ajudar a alcançar os atletas de elevado valor que temos conseguido.

No entanto, não podemos achar que os fundos são a nossa salvação e como já defendi anteriormente temos de alcançar o equilíbrio antes das transacções com passes de atletas para não ficarmos em situação de estrangulamento nem sermos forçados a ir em aumentos de capital onde o clube não tenha capacidade de manter a sua quota-parte e por consequência vejamos investidores sedentos de lucro a absorver o poder da gestão da SAD e onde o clube deixasse de ter poder.

Os fundos deverão ser mais um dos intervenientes no mundo do futebol que devemos ser capazes de manter como aliados, assim como a generalidade dos outros agentes da modalidade porque temos muito mais a beneficiar jogando ao lado deles do que hostilizando-os e rasgando contratos, como alguns "justiceiros" que aparecem no futebol nacional mas que quando a poeira assenta fica provado que os actos de "justiça" são negativos para os clubes que gerem como já ficou provado com a guerra Vale e Azevedo/Olivedesportos.

A estratégia de não hostilização não significa que devemos privilegiar quem quer seja nalgum negócio porque existem relações pessoais ou porque gostamos mais do agente A ou B mas sim devemos privilegiar o melhor interesse do FC Porto porque só assim conseguiremos ter um clube mais forte e cada vez mais vencedor.

Para concluir, o futebol é uma das indústrias que mais milhões movimenta no mundo e para consguirmos manter o nosso patamar, que em termos de ranking UEFA acho que tenderá a ir para a 1ª metade do pote 2 frutos dos milionário que compram clubes, devemos manter boas ligações com todos os agentes que intervêm na indústria ao invés de hostilizar quem quer que seja, fundos ou empresários, porque dada a nossa necessidade de ter acessos aos melhores atletas para os valorizar e vender atitudes hostis para com estes agentes levam a que os atletas passem a aterrar noutras paragens.

31 agosto, 2014

QUE TIPO DE ADEPTOS TEMOS?.

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Depois de 3 textos anteriores sob o manto da estratégia desde a análise da situação actual até à elaboração de uma estratégia onde se possa diminuir o deficit estrutural leia-se antes das transacções de passes de atletas hoje trago um texto mais leve mas com um tema muito pertinente os adeptos. Espero no fim deste texto responder a algumas questões como sejam que tipos de adeptos temos no Estádio do Dragão? Que comportamentos podemos esperar dos diversos tipos de adeptos? Qual o tipo de adeptos ideal?

Ao analisarmos os jogos do ponto de vista das bancadas todos ficamos com a certeza que são diversos os tipos de adeptos que “habitam” as nossas bancadas.

Se começarmos por olhar para a nossa principal claque ou os sectores que ela integra temos claramente 2 tipos de adeptos, os verdadeiros e os da moda. Os verdadeiros ou ultras ou supporters ou outro nome que se lhes queira dar são aqueles adeptos que estão presentes nos bons e nos maus momentos que apoiam a equipa 90 minutos com intensidade e com vontade independentemente do dia a que se realize o jogo fazendo para isso muitos sacrifícios. Destes adeptos podemos esperar que vivam o clube a 120% fazendo todos os sacrifícios e nunca virando a cara ao apoio ao clube. Coabitando o mesmo espaço destes adeptos temos os ultras da moda que são aqueles para quem é mais importante ter um adereço da claque, ser visto pelos amigos mas se o clube começar a jogar mal deixam de aparecer. Destes adeptos podemos esperar algum apoio mas acima de tudo muitas fotos nas redes sociais e a vontade de serem vistos. No entanto não são adeptos de assobio fácil, ou seja, não são um foco de preocupação quanto à desestabilização para a equipa.

Na superior Norte temos uma outra claque composta por adeptos como o 1º grupo que integra a principal claque. São incansáveis no apoio ao clube e com uma mentalidade fantástica.

No restante espaço das 2 bancadas superiores temos adeptos com mentalidade FC Porto incansáveis no apoio mas mais moderados que as claques. São adeptos com muitos jogos de FC Porto, na maioria, e também não devemos considera-los como propícios ao assobio e a desestabilizarem a equipa.

Passando para as bancadas centrais temos 3 tipos de adeptos.

Por um lado, adeptos verdadeiros com muitos anos de FC Porto, muitos jogos “nas pernas” e muita mentalidade. Não viram a cara ao apoio e muitas vezes são olhados de lado por outros “habitantes” dessas bancadas.

Coabitando com estes adeptos estão os que consideram o futebol uma moda e que vão para o estádio como se fossem para a ópera, não gostam de barulho, são incapazes de proferir um grito de incentivo ao clube e quando alguém nas redondezas o faz ou protesta com o adversário ou com o árbitro é logo olhado de lado. Estes adeptos sentem-se no “direito” de comer pipocas, e de assobiar a equipa se esta falha 2 ou 3 passes ou se não resolve o jogo cedo ou se não faz um conjunto de golos bonitos.

Finalmente temos um tipo de adeptos, que não tem lugar definido no estádio aparecendo antes em todo ele, e ainda mais estranho que os anteriores. Para estes é mais importante a prestação do atleta A, B ou C do que o clube. São adeptos que quando o seu “minino” querido não entra são capazes de assobiar o treinador e as suas opções como se viu na passada terça-feira. Este tipo de adeptos era positivo que deixasse de frequentar o nosso anfiteatro ou então que moderassem o seu comportamento porque temos um objectivo e uma missão principais para este ano que é o RESGATE do TÍTULO NACIONAL e sem estarmos todos a remar para o mesmo lado será muito mais complicado. Os adeptos que consideram o futebol uma moda se forem predispostos a não olhar de lado quem realmente sofre com a equipa e que está lá para apoiar e abdicarem dos seus assobios só porque pagaram bilhete e querem “ver ópera” podemos aceitá-los no nosso meio. Se por outro lado não conseguirem moderar os seus comportamentos negativos ao rendimento da equipa também lhes deixo o apelo que não compareçam porque tal como os adeptos anteriores são NEFASTOS à prestação da equipa e à prossecução dos nossos objectivos.

Para finalizar o apelo a todos os que vão ao Dragão vão com o simples propósito de apoiar a equipa e todos juntos lutarmos pelos mesmos objectivos e minimizem todos os comportamentos nefastos à performance da equipa.

Até breve,
Fernando Delindro

18 agosto, 2014

DA ANÁLISE À FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA - parte III

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A sustentabilidade do nosso FC Porto exige uma situação económico-financeira boa porque só estando fortes neste prisma poderemos continuar a vencer e a reforçar a nossa hegemonia. Tal como foi demonstrado no meu texto anterior vivemos uma situação de elevada dependência das mais-valias das transferências dos atletas que chegam jovens e pouco conhecidos, que são desenvolvidos e potenciados e depois vendidos a outros emblemas com maior poderio económico seja por serem detidos por multimilionários, seja por competirem em campeonatos que geram maior volume de receitas.

Esta elevada dependência das mais-valias tem sido uma estratégia bem sucedida mas pode ser atraiçoada se a substituição dos atletas for mais demorada, fruto da mais lenta evolução dos atletas que entram no clube não permitindo o sucesso desportivo no curto prazo e por conseguinte a menor potenciação dos mesmos e da sua disponibilidade para serem vendidos gerando mais-valias.

Para ser possível o equilíbrio ao nível da rubrica “Resultados operacionais excluindo resultados com passes de jogadores” que actualmente apresenta um deficit a rondar os 20M€/ano, existem 2 vias possíveis. Por um lado, o aumento das receitas quer sejam, bilheteira, merchandising ou direitos televisivos entre outros. Por outro lado, temos a redução dos custos onde incluímos custos com pessoal, Fornecimentos e serviços externos (FSE’s), entre outros. A via da redução dos custos é a que apresenta maior dificuldade de analisar estando fora da estrutura directiva mas se alguns custos com pessoal são inerentes ao plantel e quanto maior a qualidade dos atletas à entrada no plantel e maior concorrência à sua contratação maior terá de ser o salário a pagar-lhes, isto sem excluir os prémios desportivos onde estou certo que nenhum de nós se importaria de todos os anos pagar alguns milhões ao conjunto do plantel pela vitória na Liga dos Campeões. No entanto, alguns dos custos com pessoal relacionados com a remuneração da estrutura poderiam ser reformulados permitindo a manutenção da sua justa remuneração mas levando a uma redução do total despendido.

Outra das rubricas do lado dos custos onde há possibilidade de actuar são os FSE’s. No entanto, aqui, por vezes, há contratos de fornecimento de serviços que podem impedir a redução no curto prazo mas podemos exigir pelo menos o seu não aumento no momento da renegociação dos mesmos. A análise pelo aumento das receitas poderá ser mais fácil permitindo a construção de uma estratégia diferente conforme a análise de cada um.

Em primeiro lugar, a construção de uma estratégia implica a definição de alternativas estratégicas, ou seja, possíveis caminhos a tomar porque uma estratégia não deve ter apenas 1 caminho mas várias variantes que depois de analisadas com os seus prós e contras deverão ser ou não implementadas. Em conjunto com esta definição é fundamental balizá-las quanto ao momento de alcance curto / médio / longo prazo. Nesta minha proposta estratégica a mais curto prazo deverá ser o aumento da penetração da marca FC Porto no mercado nacional mas sem nunca perdermos a nossa matriz ideológica. No médio prazo a estratégia deverá passar pela crescente penetração em países com forte ligação com Portugal como são os países da CPLP. No longo prazo a estratégia passa pelo aumento da penetração em mercados em forte crescimento e com forte ligação aos símbolos do clube nomeadamente o Dragão e aqui falo claramente de países como a China e todos os vizinhos do Sudeste Asiático.

A seguir à definição das alternativas estratégicas é fundamental a definição de objectivos estratégicos. No caso das alternativas enunciadas anteriormente os objectivos têm que ser o aumento das vendas de merchandising e bilheteira (penetração) assim como o aumento do número de sócios. Esta definição de objectivos tem que ser ilustrada por acções a desenvolver e têm que ser definidas medidas de mensuração SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e balizadas temporalmente), porque não conseguimos gerir aquilo que não medimos.

As medidas que permitam atingir o objectivo estratégico de curto prazo são a disponibilização de maior diversidade de merchandising com preços ajustados à realidade nacional, implementação de política de comunicação agressiva capaz de gerar nos adeptos a vontade cada vez maior de possuírem os novos artigos de merchandising e a integração de atletas com qualidade inegável e que sejam portadores da mística do clube como acontece neste momento com o Rúben Neves.

Para se medir o sucesso desta alternativa estratégica, que deverá ser implementada no mais curto espaço de tempo, devemos elaborar um relatório mensal com a evolução do número de sócios por distrito, assim como, um relatório trimestral de vendas de bilheteira e merchandising elaborado por NUTS III.

Para o objectivo estratégico de médio prazo, crescente penetração em países com ligação a Portugal, as medidas a implementar deverão passar pelo recrutamento de jovens valores desses países para que se possam desenvolver e virem a ser símbolos nacionais presentes no nosso plantel, criação de lojas FC Porto nas principais cidades destes países, criação de um conceito de sócio específico para estes mercados e onde se possa como ponto de partida oferecer a inscrição de sócio a todos os que tenham como data de nascimento aquelas que coincidam com alguns feitos marcantes da nossa história. Por último a medida uma política de comunicação agressiva e direccionada própria.

As medidas de mensuração terão que passar por um relatório semestral do volume de vendas de merchandising neste mercados e com a importância de cada país, um relatório semestral com as audiências televisivas dos nossos jogos em cada um dos países, assim como, um relatório anual com a evolução do número de sócios por país.

Por fim para a exploração dos mercados com forte ligação aos símbolos do clube as acções a implementar passam pela realização de curtas digressões de fim de época, criação de um conceito de sócio específico, oferta da inscrição a todos os nascidos no último ano do Dragão (2012), criação de lojas FC Porto nas principais cidades, assim como, uma política de comunicação agressiva perfeitamente direccionada para o nosso público-alvo. As medidas de mensuração passam pela elaboração de um relatório anual com a evolução do volume de vendas e o peso de cada um dos países, relatório anual com a evolução das audiências televisivas dos nossos jogos por país, assim como, um relatório anual com a evolução do número de sócios por país.

Tenho a perfeita noção que a penetração nestes novos mercados vai ser muito difícil, em especial nos países asiáticos, uma vez que, a competição é muito forte mas o crescimento económico que esses países vivem traz novos consumidores para estas actividades. Se todos estes objectivos estratégicos forem atingidos no médio/longo prazo penso que em 2020 a actual situação da rubrica “Resultados operacionais excluindo resultados com passes de jogadores” que apresenta constante deficit poderá ter sido invertida e podemos apresentar um equilíbrio, para não exigir desde já um superavit, o que permitira reduzir a dependência das mais-valias e permitir que uma substituição de um atleta fosse antecipada introduzindo no plantel o atleta substituto do que vai ser vendido com uma época de antecipação para se poder ambientar, assim como, acautelar um possível falhanço na substituição porque apesar da capacidade demonstrada pelos nossos lideres ninguém é infalível.

Para finalizar este conjunto de textos diria apenas que não pretendo subsituir-me a direcção do nosso clube composta por gente de valia incontestável como tem ficado patente nos últimos 30 anos mas apenas deixar algumas ideias que se puderem ser implementadas e puderem ajudar o clube a ser ainda mais dominador e vencedor dentro e fora de Portugal me deixariam imensamente feliz.

Até breve,
Fernando Delindro

05 agosto, 2014

DA ANÁLISE À FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA - parte II

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Tal como prometido no texto anterior este texto irá versar sobre a análise económico-financeira da FC Porto, Futebol SAD para que em conjunto com a análise estratégica anteriormente elaborada se possa apresentar uma nova formulação estratégica capaz de garantir as condições económico-financeiras necessárias ao sucesso desportivo mais estável, ou seja, sem a dependência das mais-valias das transferências dos passes dos atletas que por vezes se tornam de difícil substituição instantânea.

A título introdutório, numa análise económico-financeira devemos ser capazes de separar a actividade recorrente da actividade não recorrente. No FC Porto esta informação em termos de Demonstração de Resultados aparece separada e podemos ver que a actividade recorrente é deficitária. No entanto em muitos períodos desde 2005 as vendas líquidas de compras de passes de atletas tem permitido obter Resultados Líquidos positivos. Apesar destes resultados recorrentes negativos o valor total dos resultados operacionais desde a época 2004/2005 até à 2012/2013, última com dados conhecidos, ascende a 24,2M€.

É também importante perceber qual o comportamento dos resultados financeiros quando comparados com os resultados operacionais. No caso do FC Porto, os resultados financeiros têm levado à erosão dos Capitais Próprios.

A consequência do que apresentei até agora é um acumulado de Resultado Líquido bem negativo (21M€), que tem levado o nível de capitais próprios muito longe do desejável.

De seguida iremos partir para uma análise tripartida de Rentabilidade, Solvalibilidade e Crescimento.

Começando pela rentabilidade e como já vimos anteriormente apresentamos um valor negativo de Resultados Recorrentes. Uma vez que são estes os utilizados para o cálculo do Retorno do Capital Investido é de fácil antecipação que o Retorno do Capital Investido venha negativo na maioria dos períodos. Assim, a rentabilidade ao longo dos anos tem sido negativa. No entanto, devido ao efeito dos resultados não recorrentes a empresa ainda se apresenta com capital próprio positivo, à data deste último relatório anual. Podia aproveitar este ponto para a comparação com os rivais mas não o vou fazer porque com o mal dos outros podemos nós bem e o que nos interessa é sermos capazes de aumentar a nossa solidez ano após ano porque só assim conseguiremos manter o domínio desportivo que apresentamos nos últimos 30 anos.

Continuando a análise em termos de rentabilidade passando à Rentabilidade do Capital Próprio, ou seja, riqueza criada para o accionista e levando em consideração a totalidade dos gastos e rendimentos apresentamos um rácio ROE (Resultado Líquido/Capital Próprio) maioritariamente positivo e com valores em 2012 e 2013 muito acentuados (283% e 266%) devido aos baixos valores de Capital Próprio.

Assim, podemos ver que pelo prisma da rentabilidade há muitas decisões a tomar e é urgente minimizar o deficit de Resultados Operacionais Recorrentes para que no futuro aqui se obtenha uma fonte de criação de valor invertendo o ciclo actual.

Passando à óptica da Solvabilidade devemos confrontar o Fundo Maneio com as Necessidades em Fundo de Maneio. O Fundo de Maneio é o valor dos capitais permanentes que não é absorvido pelo financiamento do Activo Não Corrente e que é aplicado na cobertura das Necessidades de Fundo de Maneio do ciclo de exploração. Por outro lado, as Necessidades em Fundo de Maneio são o valor de Fundo de Maneio que a empresa necessita para funcionar normalmente de acordo com prazos e valores normais para a sua actividade. A confrontação destes 2 conceitos dá-nos a Tesouraria Líquida que é a diferença entre o Fundo de Maneio da empresa e o Fundo de Maneio normal de acordo com a actividade.

Pela análise anterior verificamos que o FC Porto se encontra até 2010 numa situação financeira de curto prazo complicada e que a partir dessa data passou a ter uma situação de tesouraria arriscada. Isto pode ser confirmado pelo aumento do prazo médio de pagamentos que passou de 176 dias em 2010 para 276 dias em 2013.

O Rácio de Liquidez Geral apresenta sistematicamente valores inferiores a 1 pelo que confirma as dificuldades de tesouraria que apenas não serão sentidas se a velocidade de rotação do Activo Corrente permitir fazer face às exigências de curto prazo.
A Autonomia Financeira, que determina a dependência face a capitais alheios e que deverá rondar os 35% apresenta valore muito inferiores o que demonstra a elevada dependência face a capitais alheio tal como o baixo montante de Capital Próprio deixava antever.

Partindo para o último ponto da análise, o crescimento e uma vez que a empresa apresenta sistematicamente valores de Economic Profit negativos a empresa destrói valor uma vez que não são levados em conta os resultados não recorrentes.

Olhando para as taxas de crescimento face às potenciais e como se incorpora os valores das transferências no ROE as taxas de crescimento potencial dão valores com pouco significado económico mas a principal ideia a reter é a necessidade de se atingir o equilíbrio ao nível dos resultados recorrentes quer seja pelo aumento da eficiência, ou seja, obter mais receitas com o actual nível de custos quer seja pela redução dos custos. Como sabemos que a redução de custos poderá afastar alguns dos maiores talentos jovens a solução deverá passar pelo incremento ao nível das receitas.

Como sei que isto já vai longo e é um tema maçador para alguns e como não vos quero afugentar deixo a dica que no próximo texto irei apresentar uma proposta estratégica que poderá ajudar ao aumento da eficiência.

Até Breve,
Fernando Delindro

19 julho, 2014

DA ANÁLISE À FORMULAÇÃO ESTRATÉGICA - parte I

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Nos próximos textos irei abordar um tema fundamental para a continuidade do sucesso do nosso clube, a sustentabilidade financeira. Antes de partir para a análise das contas de uma forma, que espero, simples e que seja perceptível pela generalidade dos leitores vou apresentar uma análise estratégica onde irei mostrar qual o actual “motor económico” e como poderá ser melhorado para evitar o “estrangulamento” constante onde a venda dos principais activos é a solução para a continuidade do modelo. Será ainda apresentada uma envolvente macro e micro partindo depois para uma análise interna. A síntese deste ponto será a matriz SWOT onde serão apresentadas as forças e fraquezas (internas) e as ameaças e oportunidades (externas).

O sucesso de um grupo que tem por base um clube desportivo terá que ser medido pelos títulos conquistados pelas diversas modalidades e escalões. Focando a análise no futebol do nosso FC Porto, torna-se claro que os títulos não têm o mesmo valor e existe uma clara hierarquização dos mesmos em termos da sua relevância para que um dado ano seja rotulado como de sucesso ou de insucesso. Neste caso, a hierarquização é fácil. Sendo o sucesso desportivo a medida última do sucesso do clube o motor económico deverá ser centrado num modelo de negócio sustentável que permita que este sucesso seja continuado no tempo. Neste momento o modelo de negócio assenta na compra de atletas jovens, potencialização do seu valor e venda por preços superiores.

No entanto, para garantir a sustentabilidade, a empresa deve ser capaz de reduzir a dependência das mais-valias necessárias ao financiamento do modelo de negócio ilustrado pelo défice estrutural ao nível da rubrica de “Resultados Operacionais Excluindo Resultados com Passes de Jogadores”.

Assim, para se garantir a sustentabilidade do sucesso desportivo, o paradigma do modelo de negócio deve passar a ser centrado, por um lado, na maximização de receitas e, por outro, na minimização de custos do seu core business (equipa de futebol e sua envolvente com exclusão das transacções de passes de jogadores). A empresa deverá ser, assim, capaz de garantir um equilíbrio ao nível dos Resultados operacionais excluindo resultados com passes de jogadores, contrariando a tendência dos últimos anos.

De seguida vou partir para a uma análise da envolvente macro, ou seja, para lá da indústria onde nos situamos, o futebol.

A análise PESTAL é um acrónimo de análise Política, Económica, Social, Tecnológica, Ambiental e Legal e consiste num enquadramento de factores macro ambientais usados como uma ferramenta na gestão estratégica de empresas.
  • Política – Portugal apresenta uma situação política estável onde o governo é suportado por uma maioria parlamentar que permite a aprovação de todas as propostas legislativas. A política fiscal tem vindo a ser agravada fruto da crise que envolve o país esperando-se, no entanto, um progressivo desagravamento fiscal com início em 2015. O direito do trabalho a nível dos futebolistas é gerido a nível global, no entanto, não se esperam grandes mudanças no curto prazo.

  • Económica – Portugal apresenta um problema de crescimento económico associado a uma crise económico-financeira que tem diminuído o poder de compra dos portugueses e, desse modo, o consumo de bens não essenciais sofreu uma forte redução. Pela informação pública, a queda nas taxas de juro não beneficiaram em muito a empresa porque os empréstimos obrigacionistas são a taxa fixa. No entanto, o último empréstimo foi emitido com uma taxa de cupão inferior.

  • Social – A queda do poder de compra dos portugueses alterou os padrões de consumo tendo sido as actividades de lazer, onde se incluem os jogos de futebol, as que sentiram maiores decréscimos. As assistências médias em jogos no Estádio do Dragão revelaram um decréscimo superior a 23% desde a época 2010/2011 que culminou com o início do programa de ajustamento económico-financeiro.

  • Tecnológica – Os gastos em I&D são negligenciáveis para o clube. Não se verificou nem se espera a introdução de alterações tecnológicas capazes de afectar de forma grave o funcionamento do futebol e, por conseguinte, do FC Porto.

  • Ambiental - A sustentabilidade ambiental é uma das preocupações tendo já implementado mudanças no sentido de alcançar boas práticas sectoriais. A implementação da norma ISO 14001 é exemplo disso. Esta preocupação foi já certificada quer nacional quer internacionalmente (1ª certificação 5 estrelas no mundo – UEFA (2007); certificação da Sociedade Ponto Verde (2009); prémio “Maior feito não desportivo” pelas boas práticas ambientais – ECA (2010). Esta preocupação já valeu a presença numa conferência internacional no Qatar, em 2011, para falar sobre o tema de construção de novos recintos desportivos e o desafio da sustentabilidade.

  • Legal – A queda da taxa de desemprego que se espera que o país verifique pode devolver alguns consumidores aos jogos de futebol. A legalização das apostas desportivas online que se encontra em curso em Portugal poderá permitir à empresa a captação de novas receitas. O novo paradigma legislativo que pretende impor limites ao financiamento das transacções dos passes de atletas com o recurso a fundos de investimento pode colocar problemas ao modelo de negócio adoptado até ao presente.
De seguida irei passar à envolvente micro. O modelo das Cinco Forças de Porter destina-se à análise da competição entre empresas. Considera cinco factores, as "forças" competitivas, que devem ser estudados para que se possa desenvolver uma estratégia empresarial eficiente.
  • Poder dos Clientes – Sendo os clientes todos os clubes que aproveitam a potencialização e maturação dos atletas para os adquirirem conhecedores do modelo de negócio e, como tal, da necessidade da realização de mais-valias para a continuação do mesmo podem conseguir prolongar, até ao limite das janelas de transferência, regra geral da janela de transferências FIFA é mercado aberto entre 1 de Janeiro e 31 de Janeiro e 1 de Julho e 31 Agosto, os negócios baixando o preço dos mesmos. Este poder é menor quando o interesse real por um atleta envolve propostas de vários clubes em que protelar a decisão de compra pode significar a perda do atleta. Regra geral existe elevado poder da parte do cliente.

  • Poder dos Fornecedores – Por fornecedor entende-se todo o clube que está a montante na carreira do atleta e que, conhecendo o modelo de negócio e o seu sucesso recente, pretende salvaguardar a sua posição formadora até ao limite, exigindo muitas vezes um preço superior ou mesmo a manutenção de cláusulas que garantam a manutenção de percentagens dos passes ou a partilha do lucro de vendas futuras.

  • Ameaça de Novos Concorrentes – Com a entrada de alguns investidores no capital de clubes de menor dimensão e história, inicia-se um processo de aquisição de atletas de elevado potencial e com os maiores salários praticados constitui-se polo atractivo para alguns atletas. Assim, aparecem mais equipas a pretender adquirir os direitos dos atletas mais promissores, elevando o seu preço de compra.

  • Ameaça de substitutos – Sendo o futebol praticado por seres humanos, as regras não permitem qualquer substituição dos mesmos por outros agentes.

  • Rivalidade entre concorrentes – O número de concorrentes é limitado, uma vez que as equipas mais atractivas, as do principal escalão desportivo de cada país assim como as participantes nas Competições Internacionais, são em número limitado. Os produtos são diferenciados porque cada atleta tem características próprias, mas na base um vasto conjunto de atletas pode ser opção para um dado negócio, uma vez que são capazes de corresponder às exigências do comprador.
Partindo agora para a análise interna temos a seguinte situação.
  • Administração – A administração tem-se mantido estável na sua composição apenas com a mudança do administrador com a pasta financeira. Neste momento trata-se de Fernando Manuel Santos Gomes (antigo presidente da edilidade portuense) e é 3ª figura a aparecer como responsável pela vertente financeira desde 2010. Esta alteração numa pasta tão sensível pode não ser um bom indicador da condução da política financeira, nomeadamente na sua estabilidade. As transferências de poderes entre elementos da administração e outros (p.ex. crescente preponderância de agentes FIFA) sobre a responsabilidade das compras/vendas de passes de atletas poderá ser um factor de preocupação.

  • Marketing – Neste domínio a empresa apresenta algumas melhorias nos últimos tempos como sejam a disponibilização de maior variedade de produtos de merchandising ou o novo conceito de associado com parcerias e benefícios para estes. No entanto, muito há ainda a melhorar e o conceito de FC Porto Store deverá ser um dos casos, passando a ser uma loja que disponibilize, quase exclusivamente, produtos relacionados com o clube e eliminando os produtos do mesmo fornecedor de equipamentos mas de outros clubes. A capacidade de aumentar a penetração no mercado nacional assim como em mercados com forte crescimento e com ligações a Portugal (CPLP) ou ao clube e seus símbolos (China e sudeste asiático) deverá ser uma das prioridades que poderá trazer um elevado retorno.

  • Comunicação – Este sector tem vindo a sofrer alterações desde a entrada do actual Director de Comunicação, Rui Cerqueira, com um conjunto de iniciativas que colocaram o clube mais próximo dos seus adeptos. A entrada na estrutura accionista e na gestão do Porto Canal permitiu, ainda, uma maior proximidade, assim como, a crescente presença nas redes sociais. Apesar de todas as melhorias, há ainda caminho a percorrer como, por exemplo, a criação de um site mais amigável que inclua uma versão mobile completa e o tratamento dos sócios nessa mesma qualidade, deixando de os tratar como meros clientes.

  • Plantel – Um dos pontos de maior mudança nos tempos mais recentes. O modelo de negócio encontrado (compra, potencialização e venda dos passes dos atletas) não é compatível com a manutenção dos atletas largos períodos de tempo, o que quebra alguma da ligação sentimental, pois os adeptos deixam de ter as referências ao longo de um largo período de tempo. A não integração de atletas provenientes da formação quebra alguma da ligação, pois os adeptos sentem, por vezes, a falta da “mística” que foi a marca forte no crescimento do clube desde 1982.
A informação apresentada anteriormente pode ser sintetizada numa matriz Swot, ferramenta utilizada para fazer análise de cenário como base para gestão e planeamento estratégico.

Em jeito de conclusão, para que seja possível manter a sustentabilidade do sucesso desportivo as forças deverão ser bem exploradas e as fraquezas minimizadas. Na parte externa devemos aproveitar as oportunidades e evitar que as ameaças nos coloquem graves problemas.

Como isto já vai bastante longo e esperando que isto não seja demasiado duro no próximo texto irei partir para a análise das contas numa linguagem que espero simples.

Até breve,
Fernando Delindro

01 junho, 2014

AS CONTAS TRIMESTRAIS CONSOLIDADAS (SAD)

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Mais umas contas trimestrais (neste caso o 3º trimestre do exercício de 2013/2014, ou seja o acumulado de 1 de Julho de 2013 a 31 de Março de 2014), e mais do mesmo, isto é, um prejuízo colossal, desta vez 38.703 m€ correspondentes aos seguintes parciais:
  • 1º Trimestre - 12.430 m€
  • 2º Trimestre - 16.809 m€
  • 3º Trimestre - 9.464 m€
Nada de novo, tudo conforme o esperado: faltando as colossais mais-valias nas transferências de “passes”, aparecem bem evidentes os colossais prejuízos.

Concretizando, nestas contas estão apenas relevadas as mais-valias relativas às vendas dos “passes” de Atsu no 1º trimestre (venda por 3.000.000 € que gerou uma mais-valia de 1.991.667 €), Otamendi no 3º trimestre (venda por 12.000.000 € a que correspondeu uma mais-valia de 7.974.000 €), e Walter (venda de 25% dos direitos económicos por 2.125.000 € com uma mais-valia de 521.000 €, no 3º trimestre).

Quer dizer: se não entrássemos em linha de conta com as mais-valias, a SAD apresentaria um défice global médio mensal de cerca de cinco milhões de euros. Assustador.

Só não se instala o pânico porque se sabe que até ao fim do mês de Junho, quando termina este exercício económico, há boas perspectivas de obtenção de muito relevantes mais-valias, talvez perto de 50 milhões de euros (para isso será necessário realizar vendas na ordem dos 80 milhões de euros), caso contrário as contas encerrarão negativas, o que seria muito problemático face às exigências do fair play financeiro da UEFA.

Aqui a questão que se coloca é, até quando será possível manter este “modus operandi”?

Analisando agora outros aspectos destas contas, verifica-se que o passivo total baixou de 217.719 m€, em 31/03/2013, para 209.005 m€, em 31/03/2014. Esta descida seria positiva caso não tivesse sido obtida à custa de uma muito maior descida do activo total. Mas foi exactamente isso que aconteceu: 198.448 m€ contra 177.886 m€, nas mesmas datas. Ou seja, se o passivo baixou 8.714 m€ o activo baixou muito mais: 20.562 m€. Porquê? Exactamente porque se os valores a pagar a fornecedores baixaram (passivo), os valores a receber de clientes (activo) diminuíram ainda mais (adicionalmente os montantes em caixa e depósitos bancários também diminuíram).

Mas, mais relevante ainda, é a evolução da dívida financeira (aquela que gera juros suportados). E, o que verificamos, é que entre 31/03/2013 e 31/03/2014 essa dívida aumentou quase 10 milhões de euros: passou de 109.757.847 € (54.799.785 € não corrente mais 54.958.062 € corrente) para 119.559.382 € (75.815.838 € corrente mais 43.743.544 € não corrente). Esta separação entre corrente (vencimento até um ano) e não corrente (vencimento superior a um ano) é muito importante porque revela as necessidades de liquidez de curto prazo. Ora, o que se constata é que essas necessidades no espaço de um ano passaram de 54.958.062 € para 75.815.838 €. Mau.

Como resultado destas dificuldades de gestão de tesouraria, como vimos supridas pelo aumento do endividamento, vem acoplado o aumento dos custos e perdas financeiras (juros suportados). Não admira, assim, que estes tenham aumentado de 9.344.145 € (em 31/3/13) para 9.679.838 € (em 31/3/2014). Ou seja, só para juros, a conta já ultrapassa um milhão de euros por mês. Aqui está uma parte da explicação para o supra citado défice de 5 milhões de euros por mês (sem venda de direitos económicos de jogadores).

A outra parte da explicação para o défice resulta da crónica insuficiência dos proveitos operacionais para cobrir os custos operacionais, excluindo resultados com “passes”. Nestes nove meses da época 2013/14 estes proveitos operacionais totalizaram 56.180 m € (55.724 m € em 2012/13) contra 74.392 m € de custos operacionais (68.556 m € no período homólogo). Portanto, aqui temos resultados operacionais negativos de 18.212 m €, o que reflecte um agravamento de 5.380 m€ face ao período homólogo. O quadro fica mais claro juntando as amortizações e perdas de imparidade com “passes” de jogadores: 20.714 m€ este ano (9 meses, não esquecer) contra 19.423 m€ no ano anterior, um aumento de 1.291 m€, reflexo de aquisições de “passes” por valores cada vez maiores.

Naturalmente que perante esta panorâmica de resultados negativos, a situação patrimonial ressente-se, evidenciando capitais próprios negativos (activo inferior ao passivo). É importante sublinhar, no entanto, que estamos a analisar as contas da SAD, no caso do Clube a situação patrimonial é radicalmente diferente, revelando grande solidez com activos muito superiores ao passivo.

Resumindo, rezemos (quem for crente) e esperemos que o mês de Junho nos traga boas vendas, caso contrário vem aí borrasca.

P.S.- Relativamente ao meu último artigo sobre o FPF, para já parece que a montanha pariu um rato. As sanções da UEFA ficaram-se por ISTO.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

16 maio, 2014

AINDA O FAIR PLAY FINANCEIRO

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O assunto do fair play financeiro (FPF) da UEFA anda geralmente submerso no noticiário desportivo, apenas vindo à tona quando alguma notícia mais bombástica surge, como foi o caso no ano passado do então bem nosso conhecido Málaga, suspenso das competições europeias por três anos, ou agora dos famosos Paris SG e Manchester City supostamente (ainda não é oficial) multados em 60 milhões de euros cada pela UEFA, cujo presidente Michel Platini já veio prometer para este mês de Maio um novo desenvolvimento neste processo de avaliação do FPF, ressalvando, talvez para sossegar os espíritos que não ia “correr sangue”.

De facto, este assunto do FPF é muito pouco tratado pela comunicação social talvez pela sua complexidade técnica (o controlo é feito por revisores oficiais de contas com base nas demonstrações financeiras elaboradas de acordo com as normas internacionais de contabilidade), o que leva a que os adeptos do futebol pouco sensibilizados estejam para esta temática. No entanto, quase silenciosamente, o cerco da UEFA vai-se apertando, e não me admiraria que brevemente muito mais se vá ouvir falar deste tema.

Convém esclarecer que todos os clubes participantes nas competições europeias estão obrigados já desde a época de 2012/2013 a reportar trimestralmente à UEFA toda a informação financeira no âmbito do FPF. A 1ª avaliação oficial será realizada nesta época de 2013/2014 (daí Platini ter prometido notícias frescas para este mês de Maio), visto que todos os clubes ao abrigo dos regulamentos do FPF têm sido alvo de monitorização constante nos diferentes níveis de avaliação, seja em dívidas a clubes, atletas ou Estado, onde a UEFA já actuou e tem sido implacável (vide caso do Málaga), seja ao nível do equilíbrio das demonstrações financeiras onde aparentemente (a avaliar pelas notícias recentes sobre o PSG e o Manchester City) haverá novidades brevemente.

Resumindo, apenas os clubes que demonstrem que satisfazem os critérios desportivos, de infra-estruturas, de pessoal e financeiros exigidos pela UEFA estão em condições de obter a denominada “licença” que dá acesso às competições europeias. Os Regulamentos do FPF baseiam-se no princípio do “break-even”, ou seja o equilíbrio entre receitas geradas e as despesas incorridas. Os principais critérios promovidos no FPF são:
  • A inexistência de dívidas vencidas e não pagas a outros clubes no âmbito de transferências de direitos desportivos de jogadores, aos seus empregados (incluindo os jogadores), ao Fisco e à Segurança Social;

  • Os défices entre despesas e receitas consideradas relevantes pela UEFA (onde se prevê a dedução dos investimentos na Formação e infra-estruturas, entre outros) não podem ultrapassar um valor acumulado de 5 M € na média da época corrente e das duas épocas anteriores (admite-se a possibilidade desse défice ser coberto pelos accionistas mediante aumento de capital).
As sanções previstas no caso de não cumprimento das regras do FPF passam por quatro diferentes níveis de gravidade:
    a) Avisos/repreensões
    b) Multas,
    c) Retenção dos prémios ganhos,
    d) Proibição de participar nas competições organizadas pela UEFA.
Posto isto, sabendo-se que no caso dos três grandes de Portugal, neste momento, nenhum deles cumpre com o critério do break-even (embora em graus diferentes, sendo o caso dos viscondes de longe o mais grave), e que a nível europeu existem situações muito pouco claras no caso de clubes detidos por oligarcas (concretamente casos de contratos de publicidade/patrocínios que indiciam a existência de simulação na sua elaboração para contornar o controlo uefeiro, e outras possíveis engenharias financeiras), que esperar da actuação, que se prevê para muito breve, por parte da UEFA?

Tendo Platini afirmado que não “iria correr sangue”, isso dá a entender que a medida mais gravosa (exclusão da participação nas provas da UEFA) está afastada, pelo menos nesta primeira investida (primeira em termos do critério do break-even, porque quanto aos casos das dívidas já houve actuação e ao nível mais duro-caso do Málaga).

Ir-se-á ficar por simples avisos? E em caso afirmativo esses avisos serão públicos ou privados?

Avançará pela via das multas? E variarão estas em função da gravidade de cada caso concreto? E, nesse caso, serão explicados os critérios de fixação do valor das multas?

O certo é que a UEFA dispõe já dos mecanismos para actuar, e atendendo aos antecedentes e ao seu poder discricionário, a que acresce as suas próprias necessidades financeiras para manter aquela estrutura sumptuária, tudo indica que os clubes incumpridores vão passar um mau bocado.

Tenho a sensação que a grande maioria dos adeptos do futebol ou pouco/nada se preocupa com estes assuntos (de facto, que interessa esta chatice das finanças quando comparado com o futebol jogado no campo?), ou acha que tudo não passará de simples fumaça.

Estou firmemente convencido que esses adeptos estão muito enganados. E não vai ser preciso esperar muito (possivelmente o fim das competições europeias na próxima semana) para conhecermos os resultados desta 1ª avaliação geral, e consequentemente o grau de benevolência praticado nessa avaliação. E, de futuro, para além de tácticas de futebol e das regras do jogo os adeptos mais interessados vão ter talvez que perceber tanto de “break-even” como de “offsides”...


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.

21 abril, 2014

AS RENÚNCIAS

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Consumou-se no passado dia 31 de Março a renúncia de Angelino Ferreira ao cargo de administrador da FC Porto-Futebol, SAD com o pelouro financeiro, e a sua substituição por Fernando Gomes (antigo presidente da Câmara Municipal do Porto). Curiosamente, Angelino Ferreira tinha sucedido a outro Fernando Gomes, o actual presidente da FPF, que igualmente tinha renunciado ao cargo. Ou seja, no espaço de quatro anos (a anterior substituição ocorrera em 2010) dois administradores financeiros da SAD renunciam, enquanto os restantes administradores executivos (Pinto da Costa, Adelino Caldeira e Reinaldo Teles) permanecem nos seus cargos para os quais todos foram eleitos pelos accionistas.

É caso para perguntar, qual a razão de tais renúncias? Pois bem, nem um nem outro deram explicações quer a accionistas, quer a sócios, que são os principais interessados pois foram eles que os elegeram directamente (accionistas) ou indirectamente (sócios). Esta ausência de explicações não deixa de ser bastante negativa porque presta-se a todo o tipo de teorias ou de especulações.

Fosse o administrador ou director do futebol a renunciar e não se falaria doutra coisa. Como se trata do administrador financeiro não se passa nada. Por alguma razão nas muitas entrevistas ao presidente Pinto da Costa não me recordo de alguma vez ter sido abordado o tema da situação financeira. Lá está, ninguém vai para a Avenida dos Aliados comemorar os vinte milhões de euros de lucro da época passada, e ninguém fica muito preocupado com os trinta milhões de prejuízo no primeiro semestre da corrente época.

Ninguém fica muito preocupado com os trinta milhões de prejuízo no primeiro semestre, não será bem o caso. Pelos vistos, e agora sou eu a teorizar, tão preocupado ficou Angelino Ferreira que renunciou ao cargo. E não foi certamente com ânimo leve porque não é qualquer um que renuncia a remunerações verdadeiramente principescas. Recordo que na época de 2012/2013 auferiu a bonita verba de 432.000 euros (240.000 de remuneração fixa mais 192.000 de gratificações), fora todas as outras mordomias inerentes ao cargo. Não posso, pois, deixar de prestar tributo ao Dr. Angelino Ferreira pelo desprendimento que revelou, tão pouco comum nos dias que correm, pondo os interesses do FCP acima dos seus (será que se pode dizer o mesmo dos restantes membros da estrutura?). Vénia para ele.

Mas afinal, não tendo sido invocadas razões pessoais (como acontece muitas vezes quando não se quer revelar as verdadeiras razões), por que renunciou Angelino Ferreira? Terá sido pelo tal enorme prejuízo de trinta milhões?

Não vou fazer um exercício de especulação, vou cingir-me aos factos. Para isso vou socorrer-me das afirmações do próprio Angelino Ferreira em extensa entrevista ao Diário Económico em 2 de Maio de 2013 onde refere o seguinte:

"Temos um plano de negócio a cinco anos onde está prevista a contenção. Temos de fazer a otimização e diminuição de encargos com recursos humanos e diretamente com o plantel, mas isso será a cinco anos, pois muitos contratos são plurianuais e há alguma rigidez", afirmou, antes ainda de falar na forma como o FC Porto estará no mercado nos próximos anos. "Existe uma curva que levará a ter custos menores com recursos humanos, não só nos custos com pessoal, mas nas próprias amortizações dos investimentos em novos jogadores. O downsizing tem de ser feito pelos clubes, pois caso não o façam alguém o fará por eles", e acrescentou: "Enquanto o mercado valer realização de mais-valias temos de aproveitar, mas é fundamental a viragem para um modelo de negócio mais sustentável com proveitos operacionais e não decorrentes da venda de direitos económicos dos jogadores".

Ou seja, Angelino Ferreira defendia a redução de custos e a diminuição da dependência da realização de mais-valias na venda de “passes”. Entretanto, o que é que se verificou?

Como se pode ver no meu último artigo sobre as contas semestrais (AQUI), os custos operacionais aumentaram 6%, os proveitos operacionais baixaram 1% e a dependência da realização de mais-valias aumentou. Isto é, tudo ao contrário do preconizado por Angelino Ferreira!

Aliás, já neste meu artigo de 8 de Setembro de 2013 (AQUI), eu alertava para estas incoerências quando escrevia: "Resta saber se no seio do conselho de administração o administrador financeiro tem a força suficiente para impor as suas ideias".

Dito de outra maneira, não posso estar mais de acordo com Angelino Ferreira. Mas, não sei porquê, ao ler esta declaração, vem-me à memória o célebre Frei Tomás e o ditado popular: "Que bem prega Frei Tomás! Façam o que ele diz!, Não olhem para o que ele faz!"...

Portanto, quem anda atento a estas matérias não estranhará esta renúncia do administrador financeiro.

Encerrado o capítulo Angelino Ferreira, segue-se Fernando Gomes. Que linhas orientadoras na área financeira serão de esperar? A mesma filosofia de Angelino Ferreira, que não vingou mas parece ser a correcta, ou a política de navegação à vista, a política do “vamos indo e vamos vendo, um dia de cada vez” que tem sido seguida, diga-se com bons resultados desportivos (a desastrosa época corrente não pode apagar tudo o que de bom foi conseguido anteriormente) mas que conduziram a SAD a uma situação financeira muito preocupante? E como vai lidar com a cada vez mais premente questão do fair-play financeiro da UEFA?

Que Angelino Ferreira, ao sair, não queira falar porque há assuntos que são para ficar dentro de portas, entendo. Que Fernando Gomes, ao entrar, não venha dar a sua opinião sobre a situação financeira, não venha publicamente esclarecer a família portista sobre o seu programa para as finanças do clube, já não entendo. Mesmo considerando o actual momento muito difícil que se vive no futebol, onde todas as atenções já estão viradas para a próxima época e respectivo corrupio de entradas e saídas de treinadores e jogadores, convinha não esquecer que esta vertente desportiva está fortemente condicionada pela vertente financeira (e vice-versa). Aguardemos, pois.


nota: o blog BPc agradece ao JCHS a elaboração deste artigo.