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15 novembro, 2018

MOMENTO.


Primeiro lugar no campeonato. Liga dos Campeões bem encaminhada. Bem vivos nas outras competições.

Recorde de assistências no Dragão. Um treinador e uma equipa que dão confiança a todos os Portistas.

Rivais que têm treinadores a prazo ou acabados de chegar. Envoltos em processos, descrentes nos seus.

Significa que o caminho será fácil? Não, nunca é. No entanto dificilmente poderíamos pensar num melhor cenário há relativamente pouco tempo.

Em todas as frentes, em todas as modalidades, é tempo de manter a pressão. Nos campos, nos pavilhões, no dia-a-dia. O momento é nosso, temos de manter a concentração e a união.

Usufruamos do prazer de sermos Portistas. De estarmos na frente, de estarmos a servir fria a vingança de tantos anos de humilhação. Porque é disso que se trata, de vincar que somos a Invicta e que nos podem torcer mas nunca quebrar.

O FC Porto está bem vivo e recomenda-se, digam o que disserem. Vamos aproveitar o momento!

23 agosto, 2018

SPORT LISBOA E PAPAGAIOS INTERESSEIROS.


A minha memória é razoável mas já lhes perdi a conta...

Quais estrelas cadentes, os papagaios do Benfica são uma instituição. Desde Gaspar Ramos a José Marinho, passando por António Figueiredo, José Manuel Capristano, José Manuel Antunes, António Sala, João Malheiro, Luís Filipe Vieira (na sua versão pré-Presidente), José Veiga, João Gabriel ou Luís Bernardo, todos estes ex-dirigentes ou funcionários mostraram características comuns: inveja visceral do sucesso do FC Porto, necessidade de elucidar as massas de que esse sucesso era baseado em jogos de bastidores, comportamentos interesseiros e um discurso pejado de incoerências ao longo dos anos, travestido no entanto de uma tentativa constante em apresentá-lo de forma cativante e pretensamente moralista.

O último a saltar para a ribalta foi Varandas Fernandes, indivíduo que partilha uma característica interessante com alguns dos seus atuais correligionários de direção: começou por ser um crítico do Vieirismo que se converteu em devido tempo num dos seguidores do profeta vermelho.

O regime está podre e não se recomenda. O discurso está gasto, a mensagem é vazia e está desfeita para todos aqueles com um mínimo de capacidade para ir além da visão facciosa com lentes vermelhas.

Mas não nos iludamos. Enquanto houver microfones à frente destes sujeitos, jornalistas incapazes de os confrontar livremente e comentadores controlados por uma pouco secreta central de informação, dificilmente teremos a definitiva saída de cena destes indivíduos cuja sobrevivência e manutenção do estilo de vida está dependente destas aparições que deveriam fazer corar de vergonha qualquer um cuja vida se norteie por princípios de ética e coerência.

A luta continua, e desengane-se quem acha que o fim está próximo.

PS: Razão tinha o visionário Vieira... O que ele queria era tacho e quando o tivesse não passaria de um incompetente que serviria pessimamente o Benfica...


10 agosto, 2018

QUANDO O ZELO É IGUAL A ESTUPIDEZ.


Depois da polémica com o bombo do célebre Manolo no último Mundial, eis que a segurança contratada para a Supertaça em Aveiro decidiu seguir exemplos de pura estupidez e colocar entraves ao "nosso" António Lourenço, o mítico "Lourenço do Trompete".

É estúpido. É ridículo. É um ataque ao que de mais belo tem o futebol e os seus adeptos. É até uma questão de ingratidão por quem ao longo de décadas deu um colorido especial ao jogo.

Cresci a ouvir o Sr. Lourenço nas Antas e no Américo de Sá. No último dia da Piscina das Antas saltei para a água e nadei ao som do famoso trompete, num momento que guardo na memória com saudade e orgulho.

Não sei o que o FC Porto pode fazer para que isto não se repita. Nem sei se o excesso de zelo terá ligação ao facto do trompete ser azul. O que sei é que já é tempo de termos gente que verdadeiramente ama o desporto à frente das diferentes organizações, sejam federações ou clubes.

Porque é nestas pequenas coisas que se mata mais um pouco um jogo maravilhoso, popular e vibrante, que está gradualmente a ser transformado num negócio asséptico, com cada vez menos princípios e menos alma.

Entretanto um abraço especial ao Sr. Lourenço e que este contratempo não o iniba de continuar. Força!

20 julho, 2018

NOVA TEMPORADA, NOVOS DESAFIOS.


Campeões.

Uma palavra tão usada no FC Porto pós 1977, que quase se tornou banal. No Futebol, no Hóquei em Patins, no Andebol e até no Basquetebol (embora em menor escala) ou noutras modalidades como o Bilhar, Natação, Boxe, Ciclismo ou o Desporto Adaptado (não referindo também as entretanto extintas e não retomadas), o FC Porto tomou de assalto o desporto português e trouxe para o Norte uma imensidão de troféus que nos encheram de orgulho, ao mesmo tempo que fomos ficando um pouco insensíveis ao sucesso, de tão regular que ele foi.

Ganhar era obrigatório, a noção da dificuldade cada vez se tornou menos consciente. Até ao momento em que acabou mais uma geração de ouro no Hóquei, no Andebol fechou-se o melhor ciclo da história, no Basquetebol tivemos decisões que nos afastaram dos títulos importantes e no Futebol chegamos a uma encruzilhada histórica, com insucessos repetidos. Seria o fim do FC Porto dos mil e um troféus, como tantos sentenciaram?

Felizmente o funeral terá sido feito de forma prematura. Sem esquecer que passamos um ano muito difícil nas modalidades sinto que temos margem de manobra para pensar que poderemos voltar rapidamente ao sucesso nesse particular. No entanto no Futebol, que é necessariamente a força motriz do FC Porto, o ano foi de sucesso, mesmo com contratempos nas Taças e com uma noite de humilhação histórica no Dragão às mãos do Liverpool. O campeonato nacional voltou à Invicta, enchendo-nos de alegria e esperança no futuro.

O caminho está desbravado e os sucessos em catadupa estarão assim de volta de forma irresistível? Não necessariamente...

Externamente o polvo continua vivo e intocável apesar das buscas e da pressão num ou noutro peão do regime. O caminho de luta tem de continuar a ser trilhado sob pena do trabalho ficar a meio, custe a quem custar, por mais desagradável que a nossa postura possa ser para uma capital cansada do constante vasculhar na lama. É sujo e pouco agradável um clima de constante suspeição, sobretudo quando as suspeitas recaem sobre o venerável Clube do Regime? Claro que é, mas quem com ferros mata com ferros tem de morrer e quem se lembra do período 2004-2009 não pode sentir remorsos por travar esta guerra que como dano colateral torna o futebol português naturalmente irrespirável.

Internamente temos de estar atentos e unidos em prol dos interesses do FC Porto, não deixando que questões particulares se sobreponham às necessidades do Clube. Ter uma equipa recheada de campeões dá-nos outra segurança para a nova temporada em relação às anteriores mas também é regra no desporto que para uma equipa se manter competitiva e no top deverá ter uma injeção de talento e ambição de ano para ano. Paralelamente temos também de ser capazes de perceber que o plantel do ano passado foi espremido ao máximo e que a mesma estratégia nem sempre resulta da mesma forma, daí que entenda a preocupação tornada pública pelo Sérgio Conceição, mesmo que aqui a forma provavelmente se tenha sobreposto ao conteúdo, o que nem sempre resulta da melhor maneira.

O tempo é pois de muito trabalho e concentração nos desafios que o Clube enfrenta, cabendo a cada um dos decisores e atletas fazerem o melhor possível para atacarmos 2018/19 com o máximo de probabilidades de obtenção de sucessos.

Quanto a nós, Sócios e Adeptos, cabe-nos o papel de mantermos a ambição bem lá no alto, cumprindo um papel de apoio naturalmente exigente para com quem faz parte do FC Porto. Sem dramatismos nem histerias, mas sempre com muita frieza e realismo, saibamos todos ter a noção do que terá de ser feito de modo a podermos acrescentar mais “páginas de glória ao livro da nossa História”.


13 abril, 2018

QUANDO A HORA CHEGA…


... sabemos que não podemos fugir dela!

E a hora chegou. Significa que é agora ou nunca, que se não formos campeões este ano nunca o seremos ou que o FC Porto passará a ser um figurante porque o rival igualará o nosso mítico Penta? Não, aconteça o que acontecer para o ano estaremos na luta e o FC Porto continuará a ser o que sempre foi: um grande Clube, amado por muitos, capaz de nos fazer sofrer e sonhar.

Mas este é um ano especial, um momento marcante ...

Significa que a vitória no domingo será fácil ou que o resto da temporada será um passeio? Não, nos dias que correm tudo é difícil para nós, seja pelas toupeiras ou pelo gosto pelo abismo que em momentos chave parecemos apresentar.

No entanto temos muito mais a nosso favor do que à partida possa parecer. Hoje sabemos, com provas, o que eles fazem há largos anos. Temos uma equipa unida, um treinador que não se encolhe, uma massa adepta unida e capaz de acompanhar o Clube para todo o lado com uma força impressionante. Vamos visitar um estádio onde já fizemos de tudo e onde raramente perdemos. E temos menos a perder do que eles, quer eles queiram admitir quer não.

Nós queremos muito este título e ansiamos por recuperar o que nos escapa há 4 anos, algo absolutamente inimaginável há pouco tempo atrás. Mas ao contrário deles não precisamos de um título para ocultar as trapaças públicas ou para salvar a face de um projeto de criminosos liderado por um indivíduo cuja vida profissional lesou e de que maneira os bolsos de todos nós (eles incluídos). Não estamos à beira de fazer história nem não somos nós que temos a obrigação de “carimbar” em casa a recuperação de 6 pontos em 1 mês. Nós queremos ganhar porque é essa a marca do FC Porto das últimas 4 décadas, não para procurar apagar demónios!

Sabemos que temos uma grande oportunidade de devolver com juros um passado recente de dificuldades e provocar um terramoto no local onde já fomos tão felizes. Sabemos que a hora chegou e que neste Clube estamos habituados a superar-nos nos momentos mais importantes da nossa história. E este é um deles!

Quando a hora chega temos de estar preparados, confiantes e dizer presente! Força rapazes, sejam felizes e façam justiça!

22 março, 2018

CONTRA TUDO E CONTRA TODOS.


Depois de umas semanas de ausência estou de volta ao blog, agora que entramos no período decisivo da temporada.

Como todos bem sabemos estas semanas tiveram muitos episódios, dentro e fora do campo. Mas mais do que toupeiras, vitórias importantes, arbitragens duvidosas e uma escorregadela inesperada o que me fica destes largos dias é uma certeza: nunca vi o Universo Portista tão unido e não tenho dúvidas que este é o campeonato mais desejado desde o Tri de 1997.

Hoje é óbvio que o nosso afastamento dos títulos deve-se a algo mais do que erros próprios e má fortuna. E nenhum Portista esquecerá isso, mesmo que em Maio estejamos, como esperamos, nos Aliados.

A luta é dura, será longa e não acabará com o título de Campeão. Mas seja como for temos mesmo de ser Campeões este ano.

Porque nós merecemos essa alegria, porque até ao momento a nossa equipa é a melhor de Portugal e porque é tempo de acabar com a maior fraude de sempre no futebol português: a pseudo hegemonia de um clube fora da lei, que construiu uma gigantesca teia que ultrapassa o mero universo desportivo.

Contra tudo e contra todos, não deixemos este campeonato escapar. Força Grande Porto!

18 janeiro, 2018

MAU DEMAIS.

5 de Maio de 1992: Tragédia de Furiani
A queda de uma arquibancada do Estádio Armand Cesari em Bastia matou 18 pessoas e deixou outros 2.300 adeptos feridos.
O jogo não está(va) a correr de feição. Recuperar de um 0-1 em 45 minutos passou assim a ser a nossa realidade, independentemente do que os regulamentos possam dizer, uma vez que não acredito em “golpes de teatro” no contexto actual. A ver vamos o que se poderá passar, mas o foco desportivo é que para já teremos um desafio completamente diferente pela frente, sendo que o sucesso poderá significar a recuperação ou não da liderança (veremos quais as contas nessa altura).

Mas mais do que qualquer tipo de análise mais profunda ao futuro e as consequências desportivas deste meio jogo o que quero relevar é mesmo o que de importantíssimo sucedeu na passada segunda-feira: um jogo de futebol foi interrompido e uma bancada evacuada de urgência porque 3.000 adeptos do FC Porto estavam numa estrutura em claro défice de segurança.

Como é que tal foi possível, mais a mais numa bancada com apenas 3 anos? Quem é o responsável por aprovar a utilização de estruturas que põe em risco adeptos que fazem centenas de quilómetros e pagam bilhete para assistir a um jogo do seu Clube? Quantos estádios em Portugal poderão estar em circunstâncias semelhantes?

O futebol é um desporto, um entretenimento que levamos mais a sério porque nos apaixonamos pelas nossas cores. No entanto não cabe na cabeça de ninguém que tal gosto e tal amor possa significar que colocamos a nossa vida em risco porque há falta de coragem de cumprir os regulamentos, decretar vistorias efetivas e eventualmente impedir alguns clubes de disputar os seus jogos em casa, como parece ter sido o caso.

Um desastre de proporções inimagináveis podia ter ocorrido em 2018 e destruído centenas de famílias. Num país onde infelizmente o planeamento e as condições de segurança são negligenciadas (a avaliar pelos casos de incêndios e da recente tragédia na associação recreativa de Vila Nova da Rainha) esperemos que não seja preciso um desastre para se começar a discutir o essencial em vez do acessório no que à segurança dos recintos desportivos diz respeito.

Na vida qualquer um de nós pode estar no sitio errado à hora errada. Mas tal não faz qualquer sentido numa bancada de um estádio de futebol ou num qualquer pavilhão, onde é suposto estarmos em comunhão a seguir as cores que tanto amamos.

27 dezembro, 2017

UM PORTO VINTAGE, O DESEJO PARA 2018.


Há uns dias tivemos oportunidade de ler aqui um texto fantástico do Rodrigo, cujas palavras subscrevo a 1000%.

Estamos a fechar 2017, ainda com jogos importantes a disputar, mas fica desde já um balanço de um ano com mais Porto. As conquistas não foram a base desse ano diferente (mesmo com boas vitórias pelo meio, como o titulo do Hóquei e a Taça Europeia de Bilhar) mas sim o advento de um FC Porto mais batalhador, sem medo de ir à guerra e com seguidores a encher estádios pelo País fora. Como o Rodrigo tão bem descreveu, foi um ano em que pudemos começar a saborear uma pequena vingança de tudo o que nos fizeram desde 2004 (para não puxar ainda mais o filme atrás).

Seguem-se agora 5 meses fundamentais, pois o Mar Azul tem de ser alimentado com títulos. Não que os campeonatos ou taças devam ser a base de um Clube (muito me insurgi ao longo dos anos com o estabelecimento de uma cultura baseada em frases do estilo “A Ganhar desde 1893”, como se o FC Porto não fosse bem mais do que isso), mas sim porque... merecemos!

Merecemos porque temos sido de longe a equipa de futebol mais entusiasmante e com melhores performances. Merecemos porque estamos de novo unidos e com a humildade necessária que tínhamos perdido no meio da hegemonia que tivemos. Merecemos porque só com o regresso às vitórias poderemos saborear em pleno a vingança sobre aqueles que quiseram arrastar o nome do FC Porto pela lama e que agora convenientemente se calam perante o escândalo de dimensões gigantescas que assola o clube da luz.

Mas, mais do que merecer, há que continuar a luta no dia a dia e conquistar o que temos para conquistar!

Feliz passagem de ano a todos e uma saudação especial a todos os Atletas do Futebol Clube do Porto que continuarão a dar o seu melhor em 2018 por esse país fora, na certeza que terão sempre o nosso apoio rumo ao sucesso!

13 dezembro, 2017

AINDA VALE A PENA?


No último FC Porto – Benfica, e após mais um lance duvidoso assinalado a favor da turma do polvo, dizia atrás de mim um companheiro de cadeira:

“Isto não vale a pena, entreguem-lhes de uma vez as p**as das faixas.
Para que é que estamos aqui a sofrer se isto está tudo minado?”
Confesso que naquele momento, após “levar” com o lance do Luisão mesmo no enfiamento da jogada e de ter visto as imagens do pseudo fora-de-jogo no telemóvel, fui tentado a considerar que este desabafo era pleno de razão. Afinal que podemos nós fazer quando mesmo com a introdução do VAR a falta de vergonha continua e a máquina de futebol que faz o pleno de derrotas na Champions continua a apenas 3 pontos de distância de um FC Porto que se tem exibido a um belíssimo nível?

No entanto, agora a frio, tenho para mim que o caminho é outro e mais do que nunca o nosso espírito e a nossa luta têm de ser inquebrantáveis. Todo este percurso de meses a desmascarar o polvo e as recentes divulgações de inúmeros emails demonstram que a perda de hegemonia do FC Porto e a recente cavalgada de títulos encarnados não foi resultado de uma construção legítima de melhores equipas e da escolha de melhores treinadores mas sim o corolário de um processo de anos a urdir uma teia que lhes permite um domínio global dos poderes do futebol português, alicerçado numa estrutura de jornalistas e opinion makers capazes de oferecer o necessário branqueamento de todas estas acções.

Em abono da verdade diga-se que o trabalho foi bem feito e que os resultados ainda são bem visíveis, não obstante muitos tentáculos já terem sido postos a nu. Se dúvidas houvesse bastava ver a maneira como foram arbitrados e analisados os jogos Aves – FC Porto, FC Porto – Benfica, Benfica – Estoril e Vitória Setúbal – FC Porto para percebemos que o caminho ainda nem a meio vai. Por outro lado, e para percebermos a força do jornalismo panfletário, imaginem o que seria se fosse o FC Porto a somar 6 derrotas na Liga dos Campeões e comparem com a aparente normalidade com que este pecúlio humilhante foi enquadrado por muitos dos comentadores da nossa praça.

O tempo é assim de forte necessidade de unir fileiras e seguir neste caminho de não ceder um milímetro, sobretudo perante os fortes ataques dos moralistas de sargeta. Onde andavam os Pepas, os Ivos Vieira, os Sérgios Pereiras e demais jornalistas e agentes desportivos defensores da serenidade quando o FC Porto estava debaixo de fogo e equipas multicampeãs nacionais e capazes de estarem regularmente entre as 16 melhores da Europa eram atacadas semanalmente nas televisões, jornais ou blogues, acompanhados pelas divulgações de escutas cirúrgicas “à la carte” em canais anónimos do youtube?

Nada nos pode fazer recuar e nenhum pormenor pode ser descurado neste momento. A batalha será longa e exigirá firmeza mas de uma coisa podemos estar certos neste momento: o Futebol Clube do Porto e os seus sócios e adeptos estão bem vivos e unidos, imbuídos de novo numa certeza que era a pedra de toque dos anos 80 e 90 mas que infelizmente tinha caído em desuso no século XXI por força de um domínio avassalador: a nós ninguém nos dá nada, todas as nossas vitórias tem de ser objecto de uma luta muito mais dura do que qualquer conquista dos clubes da capital e que para termos um FC Porto vencedor teremos sempre de cumprir uma divisa que fez escola nas Antas: tem de ser sempre contra tudo e contra todos!

29 novembro, 2017

HÁ FRAMES QUE NÃO SE APAGAM…


A evolução tecnológica faz com que hoje se possa criar quase tudo, sendo que já nem é preciso ser um expert para o fazer.

Podemos criar imagens que “provam” a nossa visita a locais que nunca vimos, podemos emagrecer-nos, engordar-nos ou melhorar o nosso aspeto, enfim, uma panóplia de coisas que há uns anos pareciam apenas ao alcance dos grandes estúdios de Hollywood.

Graças ao Nacional Benfiquismo podemos verificar que agora também há a possibilidade de contaminar a opinião pública graças a um mero frame “gamado” a um vídeo que comprova o penalty inequívoco que nos foi sonegado nas Aves.

Mas independentemente disso tudo, e infelizmente para eles, há frames que estão na história e são impossíveis de apagar:


Que estes frames de orgulho e alegria sejam o mote para o clássico de sexta-feira, para mim o jogo mais importante dos últimos anos.

Todos juntos, todos na luta, VAMOS PORTO!

16 novembro, 2017

O MOMENTO É AGORA!


1. Escrevi este texto, apropriadamente intitulado “Dados Viciados” em Janeiro de 2015, na sequência de um vergonhoso jogo em Braga.

Hoje, sabemos bem o que se cozinhava nos bastidores por aquelas alturas, algo que não era difícil de adivinhar pelo que se via semana após semana. O título 2014/15 foi-nos roubado, o “mal-amado” Lopetegui devia tê-lo no currículo, mas as coisas são o que são.

Felizmente à pergunta: “Tal como em 1976 heróis precisam-se dentro e fora do campo. Estaremos preparados?”, hoje temos melhores respostas. Dentro e fora do campo somos mais Porto. Chegará? Tem de chegar!

2. Permitam-me algo de muito pessoal. Para viver este momento ao máximo, em que se sente no ar uma espécie de vingança, é necessário ter vivido os duríssimos anos 90 e a brutal sequência que constituiu o ataque do Apito Dourado / Apito Final.

Não quero com isto dizer que os mais novos sintam menos o clube ou que não tenham consciência do que tudo isto significa... Simplesmente penso que só tendo passado pelas tentativas de humilhação do FC Porto nessas duas fases é que podemos usufruir ao máximo de cada email revelado ou de cada fuga para a frente dos vermelhos, do mesmo modo que mesmo tendo um orgulho enorme de Viena 1987 o facto de não ter vivido essa final não me permita ter a mesma emoção ao recordá-la ao invés de quem acompanhou na sua plenitude aqueles 90 minutos de ouro.

Mas há também um outro lado. O lado daqueles que suportaram o ataque sem tréguas ao FC Porto e que infelizmente já não estão entre nós para viver este momento de vingança.

A todos eles, estejam onde estiverem, não deixaremos de pensar em vocês... Com a emoção de quem queria tanto, tanto que estivessem aqui, para poderem também viver o que estamos a viver neste momento tão especial.

3. Por último, e como está na berra após a sua fabulosa entrevista, vou terminar citando Vieira, Luís Filipe (ou talvez um Galamba qualquer...). Não uma declaração recente, mas sim uma memória de Janeiro de 2009. Tal como o Primeiro Ministro dizia na altura, espero mesmo que nos deixem ganhar o campeonato dentro do campo, porque aí temos estado MUITO melhores do que qualquer rival...

19 outubro, 2017

NÃO ESMORECER!


Se há umas semanas atrás dizia que tínhamos cada vez mais um FC Porto que dava gozo, mau era que 1 derrota e um mau jogo me fizesse imediatamente recuar nesse pensamento!

Mas não nos iludamos. O FC Porto é exigência constante, o “Mar Azul” tem de ser alimentado com resultados e com atitude e o jogo de Leipzig foi a antítese do que o FC Porto tem sido nesta temporada.

Algum excesso de confiança depois de refulgir no Mónaco e de uma boa prestação em Alvalade? Um adversário que mesmo sem ter grande pedigree é mais forte que muitos tubarões de nome? Um mau dia de muitos dos nossos jogadores? Talvez um pouco de tudo, mas chegar ao fim e ouvir o Capitão e demais jogadores a queixarem-se que entraram sem intensidade dá vontade de perguntar: “Mas porquê?”

Depois Casillas. Não me iludo, mesmo que confie que na maior parte das vezes o Sérgio Conceição seja sincero duvido que a “opção técnica” seja a razão para “sentar” o espanhol em favor do José Sá. Será uma reedição do Caso Baía de 2003, uma situação em que o treinador quer tomar o pulso ao balneário e a um dos seus craques? Será que o Casillas teve algum comportamento menos próprio e como tal foi punido com o banco na sua competição de eleição? Não sei, no entanto espero que as eventuais ondas de choque morram rapidamente e que não seja este episódio um momento de quebra. Sem querer alongar mais o assunto a verdade é que o FC Porto entrou mal e o 1º golo tem responsabilidades do Guarda-Redes que rendeu o espanhol, daí que espero que este caso não tenha sido a razão da desconcentração e menor concentração que a equipa demonstrou na terça-feira.

Sábado há mais, na competição que mais nos importa neste momento, por todos os motivos e mais alguns. A liderança isolada é para manter e se possível alargar e todos os Egos têm de ser postos de lado sob pena das nossas principais virtudes deste início de temporada sejam rapidamente anuladas.

30 agosto, 2017

UM FC PORTO QUE DÁ GOZO!


Neste meu regresso pós-férias às lides bloguísticas irei fazer um exercício um pouco diferente do habitual. Ao invés de pegar num tema, enquadrá-lo e desenvolvê-lo conforme normalmente faço nestes meus textos, vou simplesmente partilhar uns pensamentos soltos, uma vez que mesmo com a alma cada vez mais quente os motores ainda estão frios para exercícios mais elaborados. E então cá vamos:
  • Se já tinha essa expectativa desde a sua escolha o jogo de Braga trouxe-me um fortíssimo feeling que temos treinador. O Sérgio Conceição para já pode não ter feito mais do que um Paulo Fonseca em termos de resultados mas ter um timoneiro que sabe ler o que o jogo precisa, que mexe consoante as necessidades e não por dogmas, que no final fala dos jogos que todos vimos e não de uma qualquer realidade paralela que só aconteceu na sua cabeça e que não se deixa inebriar porque está a treinar o Casillas como o outro com o Lucho só pode querer dizer algo de bom. É muito cedo porque ainda nem tivemos um deslize para ver de que massa é feito? Claro que sim, mas este é o meu feeling e feelings não se discutem!

  • Provavelmente o mercado ainda terá reforços mas dá-me um enorme gozo em ver os mouros e companhia a ridicularizarem a falta de contratações no FC Porto. Coitados, ao fim destes anos todos ainda não perceberam que infelizmente para nós parece que quanto maior é a folga maiores as asneiras? Foi assim no pós Penta (Argeis, Alessandros e Rúbens Junior, entre outros craques com o dinheiro inicial da SAD…), foi assim na ressaca de Gelsenkirchen ou durante o tetra de 2006-2009, em que enchíamos o plantel de gente que não serviu para absolutamente nada. Não devíamos ter chegado ao ponto da UEFA ter alguma coisa a dizer sobre a forma como somos geridos? Não. Mas se é este o preço a pagar para voltarmos a ter alguma racionalidade no Clube sinceramente é para o lado que durmo melhor!

  • “Somos menos, com menos meios e temos telhados de vidro, não podemos contra-atacar com eficácia, eles desmontam-nos logo…” dizia-me alguém com algum peso no FC Porto há uns anos. Bullshit! Se há coisa que os últimos meses mostram é que não há um FC Porto a sério sem o espírito de luta, sejam quais forem os adversários ou os riscos que possamos correr. Acham que o “Mar Azul” surge apenas pelo que se passa nos relvados? Pela adoração à direcção do Clube? Pela confiança em jogadores e treinador? O tanas, tudo isto acontece desde o final de 2016 porque finalmente temos razões e gosto em ir à luta, já que deixamos de ver as cúpulas do Clube a terem uma postura de “mansos”, de quem tudo come e tudo cala. E afinal somos muitos mais do que alguns “estrategas” pensavam, já que pelo que temos visto até temos algum impacto neste Portugalzinho! E no meio de toda a surpresa e desabituação os lá em baixo até tremem, porque o que o Francisco J. Marques, o Universo Porto e todos nós estamos a fazer é aquilo que todos os Portistas são obrigados a fazer até ao final dos seus dias sob pena de nunca mais voltarmos a ganhar nada de jeito: não dar tréguas a ninguém, custe o que custar, porque enquanto vivermos neste país profundamente centralista e de provincianos emigrados deslumbrados na capital nada funcionará verdadeiramente bem nem no Futebol nem no resto da sociedade!

  • É tão bonito ver os novos projectos de defesa do Clube a brotar quase todos os meses, a juntarem-se aos que fizeram a tão penosa “travessia do deserto” pós Apito Dourado… Ver tanta gente a dar a cara nas redes sociais para expor o Polvo ao ridículo da sua existência e dos seus procedimentos supostamente invencíveis… E no meio disto tudo ainda se podem achar com sorte: se o nosso Presidente tivesse menos 20 anos então é que eles iam levar tantas que nem em 10 anos se levantariam!
E está partilhado o essencial, que é hora de ver se o “There will be blood” do Francisco J. Marques era a sério ou era só mesmo para os pôr a tremer umas horas…

Mas aconteça o que acontecer um coisa é certa: poucas coisas nos dão mais gozo do que ter deixado de ser o alvo fácil e ter passado ao ataque, seja no campo ou fora dele, como nos bons velhos tempos!

20 julho, 2017

LONGOS DIAS TÊM AS CARTILHAS...


Gosto frequentemente de visitar o passado, não só para recordar episódios mais ou menos felizes mas também para procurar lições que possam ser úteis para enfrentar o presente e preparar o futuro.

No desporto, tal como na vida, este exercício pode ser extremamente útil, principalmente para relativizar algumas situações e para nos dar força e motivação para continuar a luta, procurando “beber” nesse passado alguns ensinamentos para prosseguirmos com sucesso o nosso percurso.

Quando por vezes penso que o que fazem actualmente ao FC Porto é mau demais, que colocarem os Janelas, os Braz, Aguilares, Ribeiro Cristóvãos, Guerras e afins como personalidades isentas é um gozo inaudito, logo me lembro que tivemos de enfrentar semanalmente produtos tóxicos como os Donos da Bola, então promovido como espaço de debate e de grande reportagem, que tinha a mira sempre apontada ao mesmo lado.

O FC Porto ia a caminho do inédito Tri, estava numa fase de enorme domínio pela sua força e (há que admiti-lo…) pela fraqueza dos principais rivais e o que iam buscar para menorizar o nosso mérito e para nos achincalhar? Coisas como este episódio desenterrado dos tempos da Selecção Nacional orientada pelo nosso treinador Oliveira, com prostitutas e jogadores com passado ligado ao… FC Porto! Ou seja, o padrão de sempre, os diabos a Norte e os santinhos a Sul.


E seriam os tempos dos Donos da Bola e do ‘boom’ das televisões privadas o início da era em que os factos passaram a ser relatados da forma que mais interessavam aos mensageiros? Não, foi mesmo desde que começamos a ganhar que a máquina de propaganda começou a jogar nos seus tabuleiros, tentando impor a verdade que lhes mais interessa vender ao seu exército.

Aqui, neste pedaço de história com quase 30 anos, o FC Porto após ver-se ultrapassado à má fila na contratação de Ademir sentiu-se desobrigado de um suposto “Pacto de Cavalheiros” e retaliou contratando Rui Águas, o filho do lendário capitão das Taças dos Campeões vermelhas, bem como o central Dito. Algo natural e expectável face ao comportamento recorrentemente anti Porto de dirigentes como Gaspar Ramos e João Santos? Não, um escândalo nacional, já que para boa parte das “cabeças pensantes” da capital era impossível que uns “provincianos” conseguissem jogar o mesmo jogo que eles sempre jogaram. E daí até ao folclore de um tal de José Eduardo Moniz perguntar a Pinto da Costa coisas como qual o salário que pagaria aos dois “traidores” era um pulinho…


Ainda sobre jogos de poder e histórias contadas da forma que mais lhes interessa termino com a recordação da mítica final da Taça de Portugal 1982/83, jogada em Agosto de 1983 (ou seja no início da época 1983/84)!

Marcada desde o inicio da temporada para as Antas (num cenário que não era inusitado na passagem dos anos 70 para os anos 80 depois das finais de 1975/76 e 1976/77) esta final acabou mesmo por se realizar no nosso estádio após meses de polémica, terminando com uma amarga vitória dos encarnados.

A história completa poderão lê-la aqui, sendo que a mentira mil vezes repetida é que o FC Porto fez uma birra ao querer jogar no seu estádio e que a Pinto da Costa e a Pedroto saiu o tiro pela culatra depois de tentarem hostilizar o Benfica e de procurarem ganhar fora do campo uma vantagem injustificável.

Leram a descrição dos factos descrita pelo insuspeito Mais Futebol? Tiraram as vossas conclusões sobre quem tentou virar o tabuleiro a meio do jogo? Então agora vejam como a história é contada no seio deles, neste delicioso vídeo de 57 segundos:


Quando acharem que o presente é mau demais e que o nível de provocação que vemos diariamente é inédito não se deixem levar pelo desânimo e não tenham dúvidas que isto sempre foi assim. Nada do que se passa hoje é novidade, já que eles sempre usaram da mesma cartilha: megalómanos e egocêntricos, incapazes de verem para além da sua verdade mesmo quando ela é comprovadamente falsa e com instintos totalitários no controlo da imprensa e da opinião pública.

Significa isto que devemos aceitar de braços cruzados esta realidade, inevitável e da qual não podemos fugir? Não, temos de utilizar os nossos meios para combater sem tréguas este estado de coisas e oferecer-lhes concorrência dentro e fora do campo de forma a fazer tremer o “mundo perfeito”. Ou seja, e como vimos aqui, denunciar sem receio os comportamentos asquerosos dos Donos da Bola, retaliar e contar a nossa verdade não os deixando a papaguear sozinhos como fizemos no Caso Ademir e lutar pelos nossos direitos, sem medos nem receios, como o FC Porto fez em 1983.

Nunca ninguém nos deu nada e nunca ninguém nos dará nada. Mas se formos capazes de manter e reforçar o espírito dos últimos meses, cada vez mais semelhante à velha mística do Dragão das grandes conquistas, voltaremos com certeza a fazer aquilo que mais gostamos: GANHAR.

PS: Agradecimentos especiais ao Pedro Cardona, Basculação e a um tal de “Futebol 86” pelos vídeos aqui partilhados.

06 julho, 2017

A VITÓRIA QUE FALTA(VA).


O FC Porto voltou aos treinos, no cenário habitual do futebol atual: muitas dúvidas e incertezas quanto a permanências e a entradas, estando esta questão ainda mais realçada pelo facto de termos de cumprir regras específicas da UEFA. Quanto a isso apenas uma nota: que os erros do passado recente não sejam repetidos e que consigamos fazer algo que curiosamente fizemos sempre melhor em tempo de “vacas magras” – formar e/ou comprar bem, valorizar, tirar rendimento e vender melhor.

Mesmo que seja ainda difícil tecer grandes considerações sobre a temporada que agora começou, é evidente que se trata de uma época importante, cujo sucesso se afigura como essencial a uma viragem de página que tem tardado no FC Porto. Cada ano que passa sem ganhar dificulta a tarefa de voltar ao ritmo de 1985-2013, daí que seja vital cortar este ciclo o mais cedo possível, custe o que custar.

Pegando no “custe o que custar”, sigo para o principal tópico destas linhas: neste ano de 2017, com particular ênfase nestes últimos meses, o FC Porto e a sua comunicação tem feito jus à expressão e não tem havido descanso para os lados de Carnide. Finalmente abandonamos a postura passiva e, cereja no topo do bolo, temo-lo feito com base em dados concretos, nunca desmentidos de forma categórica, virando assim um pouco um tabuleiro que tem estado claramente desequilibrado desde os dias do Apito Dourado / Apito Final.

Durante demasiados anos estivemos na mira de rivais e inimigos do FC Porto. Mesmo ganhando consecutivamente, com gerações de grandes jogadores a sucederem-se, houve sempre uma mascarra nas nossas vitórias, uma insinuação soez, uma desvalorização constante. Tudo se reduzia a árbitros e favores, a jogadas de bastidores que nos fortaleciam enquanto enfraqueciam outros, a um jogo de poderes e influências que todos jogariam sob pena de serem descartados.

Nada no sucesso do FC Porto era verdadeiro, exemplar e recomendável, assim nos diziam A Bola, o Record e os seus Jorges Schnitzers, os Gaspares Ramos, João Santos e os Donos da Bola. Dirigentes rivais sucederam-se, sempre com a cartilha do papão do Norte pronta e afinada. Ser Portista era uma verdadeira provocação, só ao alcance de quem tinha princípios éticos e morais pouco claros, gente que festejava vitórias sujas sem um mínimo de remorso.

Entretanto do mal-dizer passou-se à ação. Fora do campo foram formados autênticos “Dream Teams”, que foram para o terreno à procura das provas do que toda a Capital antecipadamente sabia: que nada no FC Porto era digno de admiração e respeito. E por aí acima vieram, de Gondomar para o Mundo (que curiosamente acabava em... Leiria) cumprindo os objectivos a que se propuseram.

Quando a primeira fase estagnou logo se forjou uma segunda, ainda mais bizarra. Ancorados nos “testemunhos” de uma ex-namorada caída em desgraça, recrudesceram os ataques e nem a incoerência ou o fracasso dos argumentos na barra dos tribunais os impediu de traçar a sentença: tal como diziam desde 1977, o FC Porto de Pedroto e Pinto da Costa era uma mera construção do demónio, uma conspiração para impedir o divino desígnio do domínio da Capital.

Onde andariam os ditos 6 milhões quando tudo isto acontecia e o FC Porto, esse clube regional de meia dúzia de adeptos, tudo controlava sem ninguém dar com provas cabais dos cambalachos? Estariam possivelmente distraídos e, azar dos azares, naqueles negros anos ninguém na Liga, Federação ou Conselho de Arbitragem era adepto do clube das águias ou dos seus vizinhos leões. Foram anos de muito azar e coincidências...

Será que todo este processo foi justo e equilibrado, atacando de forma clara e sem olhar a nomes as zonas cinzentas do futebol? Sabemos que não, mas de pouco valeu. As escutas lá foram sendo misteriosamente divulgadas pelos meios do costume (agora dotados de “modernices” como o YouTube) e o caldinho ficou para sempre feito: o FC Porto pode não ter sido condenado na justiça, mas nunca mais poderá falar seja do que for porque o seu presidente recebeu um árbitro em sua casa nas vésperas de um jogo e contratou prostitutas multicolores através de um empresário da sua confiança (que curiosamente passados alguns anos já trabalhava pela virginal Lisboa).

O rótulo colou e mesmo ganhando batalhas o FC Porto baixou a cabeça, ficou a remoer os golpes e o tabuleiro desequilibrou em definitivo. Apesar de continuarmos a ganhar no campo, fruto de grandes equipas e grandes trabalhos de líderes como Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas e Vítor Pereira, tornou-se óbvio que fora dele a cada ano a luta era mais desigual contra pontas-de-lança como Ricardo Costa, Hermínio Loureiro, Vítor Pereira (o outro), Mário Figueiredo, Ferreira Nunes e uma panóplia de árbitros e observadores escolhidos a dedo com uma cartilha bem definida: na dúvida (ou mesmo na certeza) nunca a favor do “clube da corrupção”.

Eis-nos chegados a 2013-2017. O processo por fim vingou na sua plenitude, o FC Porto perdeu finalmente qualidade dentro do terreno e nos gabinetes e tornou-se a presa fácil sonhada por alguns nos idos de 2004. O caminho estava definitivamente desbravado, os títulos sucederam-se e o futuro tornou-se de súbito brilhante para o futebol português.

A história acabou aqui? Não, felizmente para nós e para mágoa deles não acaba aqui! E se calhar ainda está a começar e o melhor ainda estará para vir, usando as palavras que nos dão alento, ao mesmo tempo que fazem tremer o inimigo! O FC Porto acordou, cerrou fileiras, muniu-se de melhores soldados, enfrentou os seus demónios e veio finalmente a jogo.

E cá estamos em Julho, que sucede a esse maravilhoso Junho, o mês do terramoto que virou tudo de pernas para o ar. O mês em que pudemos escutar as mais maravilhosas pérolas argumentativas, que tentaram de repente justificar que o preto afinal também pode ser branco desde que seja pintado a... vermelho! Confuso? Talvez, mas tempos complicados exigem espinhas dobráveis.

Bem que podem pintar a vergonha e a infâmia da cor que quiserem. Bem que podem achar que o FC Porto é sempre o réu, seja quando é suspeito de tráfico de influências e corrupção, seja quando é o denunciante desses mesmos comportamentos. Podem dar as voltas que quiserem, mas graças ao labor do FC Porto personificado no Francisco J. Marques, nunca mais nos tirarão esta vingança, depois de tudo o que esses hipócritas de pacotilha nos fizeram passar.

Será um exagero que depois de festejar em consciência 17 campeonatos, 1 Liga dos Campeões, 2 Taças UEFA, 1 Taça Intercontinental, entre (muitos) outros títulos no futebol e nas modalidades, agora diga que esta é a vitória que nos falta(va)? Alguns pensarão que sim, mas digo-vos uma coisa com toda a sinceridade: o prazer que me deu ver as vestes de anjo a evaporarem-se para sempre está praticamente ao nível de uma grande vitória festejada no campo!

Será pouco, consolação pífia depois de 4 anos de frustrações? Volto a afirmar que há quem possa dizer que sim e que até poderá ter razão, mas se Pedroto fosse vivo, provavelmente, diria que foi mais ou menos assim que tudo começou...

Haja crença, fé e coragem, o momento está aí para ser agarrado. Porque depois disto tudo, de certeza que não seremos mais o alvo fácil, aconteça o que acontecer!

11 maio, 2017

OMO LAVA MAIS BRANCO OU A MAGIA DO FUTEBOL DO 1-0.


Já não dá. Ou ainda não dá.

O futuro o dirá sobre qual das frases faz mais sentido, mas o facto é que, seja como for, o FC Porto não apresenta neste momento a consistência que o fazia quase infalível no passado recente.

Temos de ganhar? Ganhamos. Não podemos perder? Não perdemos. Acabamos de perder um campeonato? Mostramos a força no campeonato seguinte. Estas eram as premissas que entretanto abandonamos, por força de diferentes circunstâncias.

O tempo de refletir e pensar o futuro está aí à porta e ainda ontem o Norte aqui publicou um texto cuja mensagem subscrevo quase na totalidade. Se há coisa que nos tem distinguido dos nossos rivais é que na hora da derrota nunca deixamos de olhar para dentro e perceber onde erramos ou onde devemos melhorar. Somos assim porque sabemos que nunca nos deram nada e mesmo assim fomos capazes de ganhar anos a fio contra máquinas de ódio montadas pelos rivais, desde os tempos onde nem um diário desportivo havia e em que a internet era coisa de filmes de ficção cientifica.

Posto isto, e como sei que inúmeras análises ao que foi o percurso do FC Porto em 2016/2017 irão ser feitas nos próximos tempos, queria apenas deixar um alerta: Se gostamos do nosso clube e não nos queremos deixar pisar ou humilhar, não podemos embarcar na procissão do "OMO lava mais branco", nem ceder perante o desígnio nacional de exaltar os méritos do futebolzinho do 1-0!

Sejamos claros: este campeonato foi uma vergonha. Mau futebol quase generalizado, candidatos ao título com percursos intermitentes e um conjunto de arbitragens e decisões disciplinares com critérios absolutamente criminosos. É duro dizer isto, porque parece acima de tudo mau perder? É. Mas não deixa de ser verdade!

Chegou o momento de dourar a pílula e tentar à viva força que os Portistas se curvem perante o campeão, exigindo de nós um comportamento que nunca tiveram para connosco. Cada um sabe de si, mas parece-me um péssimo sinal enquanto Portistas que não tenhamos força para continuar unidos e capazes de prosseguir a luta que visa desmascarar o lodo em que se transformou o nosso futebol.

Se há coisa que não podemos repetir é o pós 2014/15. Destroçados pela derrota e pelo facto de termos entregue o título ao rival rapidamente deixamos que um campeonato ganho com um fortíssimo “manto protector” do Regime fosse quase ignorado, transformado o pós derrota num julgamento a jogadores e treinador (sobretudo), não cuidando sequer de precaver o nosso futuro. Não farei aqui uma longa retrospectiva porque todos estarão lembrados dos meses seguintes a essa derrota e como o ambiente criado foi o rastilho perfeito para a pior temporada de que há memória no FC Porto, deixo apenas esta nota porque não nos podemos dar ao luxo de repetir os tiros nos pés que então demos!

Como já tive oportunidade de escrever, acho sinceramente que finalmente caímos na real, finalmente percebemos que as coisas mudaram mesmo e que o FC Porto terá de lutar muito para ultrapassar este jejum. Mas para que isso aconteça o mais rapidamente possível, não podemos ser anjinhos: o tempo é para verdadeiros Dragões e não para posturas politicamente corretas ou para calculismos de circunstância.

O Futuro é Agora. Resistir é Preciso, Lutar é Obrigatório!

27 abril, 2017

TESTE A UMA GERAÇÃO DE PORTISTAS.


Não há volta a dar - neste momento o objectivo reconquista está mal encaminhado, após uma sequência de empates que pode ter deitado tudo a perder.

No futebol tudo pode acontecer e até se esgotarem todas as opções cabe-nos aguardar e desejar que os nossos jogadores não atirem a toalha ao chão nas 2 difíceis deslocações que se aproximam. Quanto ao resto, está quase tudo dissecado. As forças e fraquezas de treinador e plantel são sobejamente conhecidas por todos nós. A dimensão do polvo é evidente e tem sido finalmente exposta pelo Clube, nomeadamente no excelente Universo Porto – da Bancada. As dificuldades são portanto óbvias e o caminho é tudo menos simples.

Mas mais do que focar nestas questões imediatas gostaria de tentar alargar o foco. É incontornável que não vivemos um momento fácil enquanto Portistas. Após (mais um) tricampeonato em 2013, ninguém imaginaria que a quebra seria tão rápida e acentuada mas foi isto que nos aconteceu.

Parece hoje claro que cometemos erros que facilitaram a vida aos nossos rivais. Dilacera-nos o coração recordar que tivemos a um passo de liquidar a era Vieira (provavelmente bastaria ter ganho em 2013/14) e lançar assim o clube vermelho em mais uma das suas derivas que fizeram escola nos anos 90 mas agora de pouco nos vale pensar no que poderia ter acontecido. Perdemos (para já) 3 campeonatos, e, mais do que isso, perdemos chama, crença, capacidade de luta e qualidade nas diferentes vertentes.

Mas nem tudo é mau, por mais paradoxal que possa parecer. A época 2015/16 fez-nos cair num fundo que parecia inimaginável, sendo que a presente temporada foi lançada em bases semelhantes, com a saída do Administrador para o Futebol, CEO e mais não sei quantos cargos a 1 de Setembro de 2016.

Os dados pareciam (mal) lançados mas o que é um facto é que estamos na luta até ao fim, envolvidos numa aura de apoio e espírito de missão que há muito que não se sentia no Universo FC Porto, com a honrosa excepção de 2010/11 (um ano atípico para fazer comparações, pela perfeição que representou essa temporada).

Durante 30 anos foi relativamente fácil ser Portista. Sendo já um número de anos apreciável, poderemos concluir que boa parte da massa associativa não está habituada a outra coisa que não às alegrias com o desporto. Os anos de derrotas foram poucos, espaçados entre vitórias, e mesmo durante os 3 anos de jejum no virar do século tivemos Taças de Portugal para nos salvar temporadas, aliadas ao gostinho especial de mesmo assim continuarmos a ver o grande rival pelo retrovisor. Infelizmente o tempo agora é outro e penso que estamos perante o primeiro grande teste que muitos de nós temos enquanto Portistas.

Este cenário menos feliz não simboliza contudo que o Clube tenha deixado de ser grande ou que nos devamos envergonhar com a situação actual, baixando a cabeça perante os rivais. O desporto é assim, feito de ciclos, e o que nos está a acontecer neste momento era já altamente provável há muito tempo, por mais que quiséssemos adiar este cenário.

Benfica e Sporting passaram por isto, em muito pior escala. Todos estamos recordados que de 1995 a 2013 o Benfica ganhou 2 campeonatos e que o Sporting ganhou 3 desde 1981 até aos dias de hoje. Deixaram de ter adeptos dedicados? Deixaram de ter dimensão e peso a nível nacional? Não. Diria até melhor – infelizmente não!

Pela Europa fora o mesmo cenário. Real Madrid, Barcelona, Manchester United ou mesmo o hegemónico Bayern Munique têm ou tiveram as suas quebras, sendo que até dominadores de países periféricos como o Anderlecht ou Celtic Glasgow têm os seus momentos de menor fulgor.

O importante é pois olhar para o futuro e não perder o foco e a paixão pelo FC Porto. Com toda a sinceridade sinto que neste momento estamos mais conscientes do que precisamos de fazer e mais capazes de nos reerguer do que me pareceu no final das temporadas transatas. Com uma ressalva: para que isto se confirme teremos de ser capazes de sair de cabeça erguida do campeonato, deixando uma boa imagem final que sirva de rampa de lançamento para 2017/18.

Estamos portanto num momento de teste a todos nós Portistas, quer sejamos mais ou menos velhos. Os mais velhos poderão pensar que relançar um clube com o número de troféus e de adeptos que temos hoje será muito mais fácil do que no início desta caminhada em 1976. Mesmo que tal possa ser verdade é bom que todos estejam cientes que, tal como outrora, ninguém nos dará nada e que o sonho de boa parte do país é que nos tornemos numa espécie de Liverpool: uma casa assombrada, eternamente à espera do dia em que tudo volte a ser como dantes, como que por milagre.

Pede-se ambição, exigência e inconformismo, mas também racionalidade e inteligência. O teste está aí. Vamos agarrá-lo?

30 março, 2017

NÓS ESTAMOS PREPARADOS. E VOCÊS?


Talvez não faça muito sentido escrever um texto ao jeito de uma carta aberta aos jogadores, até porque tenho a consciência de que é muito pouco provável que isto lhes chegue ao conhecimento. Mas neste momento é-me quase impossível escrever sem os ter como referência…

Não se trata de lhes dirigir nenhum recado. Tenho a certeza de que neste momento já todos eles saberão que os sócios e adeptos do FC Porto estão motivadíssimos e preparados para ir à luta, com toda a fé do Mundo nas suas capacidades. Todos nós acreditamos que no final da noite de sábado estaremos bem mais perto do sonho de recuperar o campeonato que nos tem fugido há demasiado tempo.

Noventa minutos os separam da possibilidade de nos encherem de alegria e de nos recompensarem por um amor imbatível e quase incondicional que tem sido o suporte para uma temporada em crescendo e cujo final pode ser apoteótico. Depois de uma derrapagem inesperada com o Vit. Setúbal este é o dia, este é o palco perfeito. GANHAR, mostrar que estamos melhores, mais fortes, com maior crença. Não ter medo de arriscar, ir à luta sem receio de agarrar a felicidade!

Nas bancadas estarão milhares para lutar até à exaustão em conjunto com os artistas que estarão no relvado. Fora delas largas centenas de milhar a sofrer, pelo jogo e pela merda de canal onde teremos de gramar o jogo. Infelizmente muitos de nós ficarão de fora, houvesse 30.000 bilhetes como nos anos 1980... Mas neste momento pouco importa. VENÇAM por nós, por todos, por quem vai e por quem fica, de coração apertado, à espera do regresso dos heróis que irão envergar o nosso Escudo naquele antro, dentro e fora das 4 linhas.

Começamos sem nenhum tipo de expectativas da parte de quem vende opinião em Portugal. Isto ia ser discutido a dois, pelos rivais da 2ª Circular, porque o FC Porto estava quase morto, afundado numa crise desportiva e servido por jogadores menores. Uns meses depois, e mesmo vergonhosamente prejudicados em diversas ocasiões, eis-nos na recta final a apenas 1 ponto do incontestável futuro tetra campeão. É a nossa oportunidade de virar o país do avesso, basta sermos fieis a 40 anos de FC Porto, basta sermos capazes de fazermos o que tão bem temos feito diversas vezes esta época: LUTAR contra tudo e contra todos e mesmo com as eventuais armadilhas e as sempre eternas armas desiguais inverter as probabilidades de modo a podermos escrever mais uma bonita página na história do nosso Clube.

Bem sei que para alguns deles a questão emocional pura estará um pouco à parte, afinal não são obrigados a sofrer pelo nosso Clube como nós que o amamos desde pequeninos. Não odiarão o rival como nós o fazemos, porque não os conhecem tão bem como nós, que lhes aturamos as filhadaputices todas, ano após ano. Mas por um lado isso até poderá ser uma vantagem, imagino que consigam manter a racionalidade e a concentração de uma forma mais eficaz do que se fossemos nós a ir lá para dentro. Contudo, é importante terem a consciência que somente entrarão para a história e serão verdadeiramente recordados caso sejam capazes de mostrar a verdadeira fibra de CAMPEÕES em dias assim.

No entanto também teremos lá dentro o outro lado, o emocional, com miúdos que são “um de nós”. Devidamente rodeados por graúdos como o Grande Capitão João Pinto que tudo sabem sobre o que significa este jogo, de certeza que saberão contagiar todos os outros a darem aquele bocadinho extra, a darem o que têm e o que não têm para nos fazerem felizes. Porque sabem o que isto significa para nós e para eles, para as suas carreiras, para o seu futuro.

Concentrem-se ao máximo. Estudem tudo o que tem para estudar. Comuniquem uns com os outros, percebam o que o colega precisa para ser capaz de cumprir o seu papel, ajudem-se mutuamente porque nestes dias os egos têm de ficar de lado. Olhem para as bancadas e percebam que quem está ali merece a vossa última gota de suor. Pensem nos milhares que vos têm acompanhado e que ali não poderão estar, em toda essa massa adepta que vos tem dado tudo para serem capazes de cumprir o vosso sonho de jogar num grande Clube nas melhores condições possíveis. Sim, porque ao contrário de outros anos esta temporada vocês só podem ter elogios para o que fizemos para vos ajudar, nas bancadas e um pouco por todo o lado, a defender diariamente o FC Porto de todos os ataques.

90 minutos, uma oportunidade. Sejam felizes rapazes! Façam-nos orgulhosos! Conquistem a imortalidade! O vosso sucesso será a nossa felicidade! Vamos PORTO!

17 março, 2017

MAIS AZUL.


Poucas coisas me terão dado mais prazer nos últimos anos de FC Porto do que viver as últimas semanas.

Todos os Portistas sabem perfeitamente do que falo, o ambiente é mesmo especial. Ora vejamos:
  • Pela primeira vez em alguns anos temos visto a nossa gente na sua globalidade a apoiar incondicionalmente a equipa. Os assobios rareiam e o eventual mau futebol não é punido sumariamente pela massa associativa, que nos dias que correm sabe esperar e empurrar a equipa quando ela necessita. E para além disso consegue produzir espectáculos como o de Turim, que, dito por quem lá esteve e que acompanha o FC Porto em muitas batalhas, foi das maiores exibições europeias da história dos adeptos Portistas.

  • Deixamos de dar a outra face e voltamos a utilizar o factor casa para pressionar as arbitragens. Hoje não é possível um árbitro vir ao Dragão e esperar que a dinâmica “em caso de dúvida contra o FC Porto” seja recebida com indiferença dentro e fora do relvado.

  • Os jogadores parecem estar com a cabeça a 100% nos objectivos imediatos do Clube, dando o seu melhor quando são chamados e com uma quase total ausência de momentos de “prima donnas”. Visto de fora parece claro que temos um bom balneário, que os jogadores confiam na liderança da equipa técnica e sente-se também um respeito pelo Clube ao nível dos bons dias do FC Porto, até com um upgrade: pela primeira vez desde que me lembro os finais dos jogos não são pontuados pelo breve aplauso do círculo central seguido de correrias para os balneários.

  • Pequenos pormenores foram trabalhados de modo a alavancar ainda mais esta sensação de um retomar da identidade FC Porto. A começar pelo equipamento principal que retomou a tradição das riscas desenhadas com o formato que dominou o nosso traje durante 50 anos até à recuperação da velhinha “Marcha do FC Porto” que podemos ouvir antes dos jogos, existe neste momento a crença de que o Clube está mais atento aos detalhes que fazem parte da nossa génese e do nosso ADN.

  • A comunicação parece fazer mais e melhor, servindo de forma muito mais eficaz os interesses do Clube e dos seus adeptos. Começando pelo Porto Canal, verificamos que hoje temos conteúdos mais completos com as entrevistas a actuais e antigos jogadores e o excelente Universo Porto – da Bancada (um programa obrigatório, que já fazia falta há muitos anos). Por outro lado, a capacidade de fazer passar a mensagem parece mais apurada, com o JN e O Jogo a voltarem a dar mais peso ao FC Porto nos seus conteúdos.

  • A estrutura parece mais sólida e empenhada, sendo que estes pontos anteriores serão também decorrentes de uma postura mais incisiva das cúpulas do nosso Clube. Sem querer entrar nas discussões sobre a responsabilidade ou não do anterior Administrador e Director Geral Antero Henriques (até porque me falta conhecimento para tal), é inegável que as alterações trouxeram provavelmente um nível de ambição e sangue novo que nos colocam nesta fase com uma sensação diferente daquela que tínhamos em anos anteriores. Obviamente que tudo o que estava mal não passou a estar bem como que por artes mágicas (quanto a isso, no momento certo voltaremos a ter a oportunidade de perceber se as promessas da última AG estão ou não a ser cumpridas), no entanto parece consensual que as alterações fizeram bem ao ambiente interno no Clube.
Outros pontos poderiam ser referidos, mas não quero tornar este texto demasiado exaustivo e, como disse em cima, todos nós Portistas sabemos bem o que tem representado o momento actual.

Fica o forte desejo de que nesta recta final possamos conquistar os títulos que validem este rumo que temos seguido, já que o percurso tem sido bem mais consentâneo com aquilo que deve ser o FC Porto. De qualquer modo não percamos a perspectiva: este é o caminho que temos que trilhar aconteça o que acontecer, saibamos pois prolongar este momento bem mais Azul!

02 março, 2017

LIÇÕES.


Há uns dias lia um texto curioso sobre um interessante episódio da história do Real Madrid. A época era a de 1991/92 e o Real Madrid lutava por reconquistar o título que lhe tinha fugido na temporada anterior para o Barcelona de Johann Cruijff, após um Penta Campeonato conquistado entre 1986 e 1990.

Nesse ano, embora estivesse na liderança da Liga e ainda vivo nas restantes competições, o treinador Radomir Antic viu-se surpreendentemente despedido após uma… vitória! As alegadas fragilidades exibicionais e a crítica feroz de uma massa adepta habituada a ganhar despoletaram o despedimento no final de Janeiro, num cenário muito pouco habitual.

A época continuou com Leo Beenhakker ao leme (um dos técnicos do Penta), mas os resultados foram absolutamente desastrosos. Com um balneário que não aceitou a decisão da direcção, o holandês não evitou o declínio da formação merengue, numa temporada que culminou com a eliminação da Taça UEFA às mãos do Torino de Walter Casagrande, a derrota na final da Taça do Rei com o Atl. Madrid de Paulo Futre e com a estrondosa derrota em Tenerife que entregou de bandeja o bicampeonato ao Barcelona na última jornada do campeonato.

Uma decisão estranha, tomada para acalmar uma massa associativa “mal-habituada” e demasiado exigente, foi portanto um erro colossal. Sendo fácil colocar as culpas no então presidente Ramón Mendoza a verdade é que a mesma surge num contexto de excesso de ambição de adeptos a quem não bastava ganhar, também exigia que o fizesse com um futebol de filigrana.

Esta temporada marcou o início de um período marcado por uma enorme instabilidade no clube, que vive sobretudo de projectos de curto prazo com resultados pouco consentâneos com os anteriores pergaminhos: nas 24 temporadas seguintes o Real Madrid “apenas” ganhou 7 títulos, mesmo tendo do seu lado uma máquina mediática e um poderio financeiro que dificilmente encontra par no mundo do futebol.

Recordei aqui esta história pelo paralelismo que senti ao lê-la e compará-la com os últimos anos no FC Porto. Onde antes existiu um sentido prático e uma fome quase insaciável de sucesso passamos a observar um comportamento algo burguês, com exigências estéticas e até comportamentais que noutras ocasiões pareceriam impossíveis.

Mesmo descontando que também tivemos alguns percalços no passado (a “perseguição” a Ivic numa época quase perfeita em 1987/88…) e que o sucesso traz necessariamente uma subida dos padrões normais de exigência, não é no entanto recomendável que treinadores campeões sejam ridicularizados ou que equipas na liderança do campeonato sejam enxovalhadas em casa, sob pena que a reconquista de troféus se torne numa quimera quase inalcançável.

Após um período de alguns anos onde nos deixamos adormecer os sinais passaram a ser outros, como ainda ontem o Norte aqui abordou. Isso por si só garantirá a reconquista dos troféus que nos tem fugido? É evidente que não, no entanto ter o universo Portista focado no essencial e a remar para o mesmo lado é sinónimo de que estamos paulatinamente a voltar a ser o que fomos durante os últimos 30 anos – um clube guerreiro, formado por gente apaixonada e com um único foco: ganhar tudo o que houver para ganhar.