17 novembro, 2017

futebol, 20:30, sporttv1 – FC PORTO Vs. portimonense

A FORÇA DO QUERER
A equipa do FC Porto teve um enorme obstáculo pela frente na 4ª Eliminatória da Taça de Portugal. O Portimonense já se sabia que é uma equipa com bastante qualidade, que joga o jogo pelo jogo e conta nas suas fileiras com algumas individualidades que emprestam à equipa um toque de classe.
É o caso de Nakajima, um japonês com uns pés de veludo. O avançado nipónico desequilibra o jogo dos algarvios na frente de ataque e é um perigo constante para a baliza contrária.
O FC Porto começou muito bem o jogo contra o Portimonense. Aos 4 minutos, o Dragão adiantava-se no marcador na cobrança de um pontapé de canto por Alex Telles a que Danilo deu sequência, empurrando a bola para o fundo da baliza.
Estavam todas as condições para se assistir a um festival de golos, semelhante ao jogo jogado para a Liga NOS há cerca de dois meses. Apesar de se ter assistido a cinco golos, desta vez quem esteve em maus lençois para lá dos 90 minutos foi o FC Porto.
Os azuis-e-brancos não deram boa réplica e depois dos 5 minutos o jogo passou a ser muito lento com os jogadores a acusarem falta de ideias e de iniciativas para ultrapassar a defesa algarvia.  A excepção foi Corona que numa bela jogada individual aos 25 minutos falhou o segundo golo que teria dado praticamente a sentença à partida.
Sérgio Conceição apostou num 4x3x3 com a maioria dos habituais titulares, fazendo regressar Casillas à baliza e Óliver no meio-campo. Hernâni foi a terceira novidade no lugar do cansado Brahimi.
Não marcou o FC Porto, empatou o Portimonense aos 30 minutos. Numa jogada de Nakajima, o japonês deu sequência a um canto, a bola sobrou para Wellington, que fez a bola a passar por baixo das pernas de Casillas.
Na segunda parte, os Dragões queriam marcar, mas não conseguiam traduzir o jogo em golos. O Portimonense disso se aproveitou e, num lance fortuito à passagem dos 68 minutos, chegou ao 2-1. Um grandessíssimo golo de Pedro Sá que, do meio da rua, rematou sem hipóteses para I. Casillas.
O FC Porto estava fora da Taça de Portugal. Sérgio Conceição já tinha operado a substituição de Hernâni (completamente a leste do jogo) por Brahimi e sem soluções no banco, lançou André Pereira da equipa B que viria a ser decisivo.
Os portistas não conseguiam reagir, mas aos 78 minutos, Danilo sofreu obstrução de Filipe Macedo. O jogador algarvio foi expulso por acumulação de amarelos. A partir daí viu-se um Portimonense completamente a abdicar do jogo, com perdas de tempo exageradas e simulação de lesões.
Dos 78 aos 90 minutos, não se viu futebol. Via-se, sim, muita gente a abandonar as bancadas do Dragão. Mas a equipa continuava com vontade de dar a volta ao jogo, nunca desistindo de nenhum lance. Havia sete minutos de compensação para cumprir, resultantes do anti-jogo de Vítor Oliveira. Foi nesse período que o Dragão deu a volta ao marcador.
Aos 91 minutos, Aboubakar surgiu isolado na cara de Carlos Henriques e empatou a partida. Era a loucura no Dragão com muitos pipoqueiros a regressarem às bancadas. Além disso, os jornais já se preparavam para lançar as manchetes do dia seguinte e os comentadores das tvs e rádios voltaram a guardar as canas.
Admitindo que o jogo teria prolongamento, o que seria mais penoso para o Portimonense por estar em inferioridade numérica, mas também prejudicial para o FC Porto por ter de jogar mais 30 minutos com um jogo exigente na próxima terça-feira em Istambul, André Pereira sacou um coelho da cartola.
O miúdo da equipa B recuperou a bola junto à linha lateral, desmarcou Aboubakar que falhou a intercepção. A bola sobrou para Brahimi, que vindo de trás, colocou a bola no fundo das redes. Estavam decorridos 95 minutos de jogo.
A reviravolta operada, a força do querer, da crença e a dinâmica da equipa de Sérgio Conceição faz-nos pensar que tudo é possível. Houve festejos exuberantes, alegria, pipocas, pipoqueiros, mas também vozes de enterro nas tvs e nas rádios.
A arbitragem teve erros. Desta vez, ficou por expulsar Alex Telles na primeira parte por entrada perigosa sobre um jogador algarvio. Quanto ao tempo de compensação e à expulsão do jogador do Portimonense, não há nada a dizer. Aqui não se doura a pílula, nem se faz o branqueamento de lances do jogo, com a certeza de que também não há missas nem padres como noutras paragens.
O objectivo no jogo da Taça está cumprido, as baterias voltam-se agora para Istambul onde aos Dragões espera um jogo quase decisivo que pode definir muito do que será a continuidade ou não do FC Porto na prova máxima da UEFA.

ERA UMA VEZ UM PIRIQUITO QUE FALAVA COM UM RINOCERONTE.


O título pode levar a pensar que venho contar alguma Fábula, mas a minha publicação é apenas sobre mais um dos tentáculos do Polvo Vermelho que acabou por ser descoberto esta Semana.

Depois de Miguel Lucas Pires se ter demitido do seu cargo no Tribunal Arbitral do Desporto, após ter ficado comprovado que solicitou junto de Fernando Seara 5 bilhetes para assistir ao Regime-Marítimo da Temporada passada, eis que que Horácio Piriquito tomou a mesma atitude abandonando o Conselho Fiscal da FPF após também ter ficado comprovado que passou informações e documentos confidenciais a um famoso Ex-Atleta do Damaiense.

As práticas destes dois senhores são graves e justificam por completo ambas as demissões, no entanto, não deixa de ser inacreditável, principalmente no caso do Piriquito de nome mas Águia por dentro, o tom do seu comunicado nas redes sociais e a lata para ainda vir justificar o sucedido e achar-se de razão quando a sua atitude o devia fazer corar de vergonha e desaparecer dos holofotes da ribalta durante um período de tempo bastante alargado.

Mas mais uma vez, no meio desta pouca vergonha toda, lá anda o Ex Diretor de Conteúdos da BTV. Árbitros, Ex-Árbitros, Delegados da Liga, Membros da FPF, tudo passa pela rede de contactos desta triste personagem da nossa praça. Não há adjetivos para classificar tal aberração, as suas prestações à Segunda-Feira à noite falam por si, mas importa realçar que o Regime já percebeu que a descolagem a esse indivíduo é necessária e obrigatória, por isso não foi de espantar as declarações do Presidente daquela agremiação, onde humilhou e apelidou de Merceeiro o seu Ex Diretor de Conteúdos.

Estamos num momento onde tudo serve para afastar as atenções do que realmente interessa. Onde existir uma oportunidade para lançar uma cortina de fumo o regime Nacional-Benfiquista vai-se agarrar com os habituais meios de propaganda dignos de uma Coreia do Norte. É importante que continuemos a não deixar cair tudo isto em saco roto e, nesse aspeto, honra seja feita à Revista Sábado que tem tido a coragem de expor situações que a esmagadora maioria da Comunicação Social, leia-se Máquina de Propaganda do Regime Nacional-Benfiquista, teria todo o gosto em guardar numa gaveta muito bem guardada.

Para terminar, e na sequência do meu anterior artigo, não poderia deixar de fazer referência aos particulares que a Seleção Nacional disputou contra a Arábia Saudita e os Estados Unidos da América. Como seria de esperar o Sr. Engenheiro Fernando Santos colocou o Danilo Pereira como titular nas duas partidas, sendo que na passada Terça-Feira, quando o próximo jogo do FC Porto já se situava à distância de menos 72h, apenas o tirou aos 60 minutos. É lamentável que o Seleccionador Nacional tenha dois pesos e duas medidas no que diz respeito à gestão de esforço dos atletas nos jogos particulares, sendo que mais grave se torna a situação quando o próprio continua a ser das poucas pessoas que não percebe, ou então não lhe convém perceber, que o Danilo Pereira é bem melhor do que o jogador que ocupa o seu lugar na maioria dos jogos.

Um Abraço Azul e Branco,

Pedro Ferreira

16 novembro, 2017

O MOMENTO É AGORA!


1. Escrevi este texto, apropriadamente intitulado “Dados Viciados” em Janeiro de 2015, na sequência de um vergonhoso jogo em Braga.

Hoje, sabemos bem o que se cozinhava nos bastidores por aquelas alturas, algo que não era difícil de adivinhar pelo que se via semana após semana. O título 2014/15 foi-nos roubado, o “mal-amado” Lopetegui devia tê-lo no currículo, mas as coisas são o que são.

Felizmente à pergunta: “Tal como em 1976 heróis precisam-se dentro e fora do campo. Estaremos preparados?”, hoje temos melhores respostas. Dentro e fora do campo somos mais Porto. Chegará? Tem de chegar!

2. Permitam-me algo de muito pessoal. Para viver este momento ao máximo, em que se sente no ar uma espécie de vingança, é necessário ter vivido os duríssimos anos 90 e a brutal sequência que constituiu o ataque do Apito Dourado / Apito Final.

Não quero com isto dizer que os mais novos sintam menos o clube ou que não tenham consciência do que tudo isto significa... Simplesmente penso que só tendo passado pelas tentativas de humilhação do FC Porto nessas duas fases é que podemos usufruir ao máximo de cada email revelado ou de cada fuga para a frente dos vermelhos, do mesmo modo que mesmo tendo um orgulho enorme de Viena 1987 o facto de não ter vivido essa final não me permita ter a mesma emoção ao recordá-la ao invés de quem acompanhou na sua plenitude aqueles 90 minutos de ouro.

Mas há também um outro lado. O lado daqueles que suportaram o ataque sem tréguas ao FC Porto e que infelizmente já não estão entre nós para viver este momento de vingança.

A todos eles, estejam onde estiverem, não deixaremos de pensar em vocês... Com a emoção de quem queria tanto, tanto que estivessem aqui, para poderem também viver o que estamos a viver neste momento tão especial.

3. Por último, e como está na berra após a sua fabulosa entrevista, vou terminar citando Vieira, Luís Filipe (ou talvez um Galamba qualquer...). Não uma declaração recente, mas sim uma memória de Janeiro de 2009. Tal como o Primeiro Ministro dizia na altura, espero mesmo que nos deixem ganhar o campeonato dentro do campo, porque aí temos estado MUITO melhores do que qualquer rival...

14 novembro, 2017

AINDA LUÍS FILIPE VIEIRA.


Nestes dias em que a bola saltou do calor do campeonato, para o tépido universo das selecções, a nota de maior destaque aqui pela terrinha, foi a entrevista de Luís Filipe Vieira (LFV), na passada quinta-feira.

Talvez porque estamos em ano de centenário da participação portuguesa na Grande Guerra, a agremiação encarnada de Carnide decidiu fazer uma fiel reconstituição das tácticas utilizadas na altura. Bem atrás da linha de trincheiras, protegido pelo conforto dos seus de uma qualquer eventual bala perdida, LFV iniciou a barragem de artilharia, disparando cartuchos de pólvora seca para tudo que é sítio. Seguindo o plano de batalha pré-estabelecido, finalizado o engasgo dos canhões, verificou-se a carga da infantaria pela terra de ninguém, onde os soldados benfiquistas e seus aliados da comunicação social, bem que tentaram com capangas, ameaças imaginárias a árbitros, ao que se junta um timming de entrevista não inocente com a leitura da sentença da Operação Fenix, criar ruído, e acima de tudo descredibilizar o esforço que tem vindo a ser colocado pelo FC Porto, na divulgação da rede tentacular encarnada nos bastidores do futebol nacional.

Tal como aconteceu com a maior parte das movimentações militares naquele conflito, este raide benfiquista traduziu-se num rotundo fiasco:
  • Dos supostos "capangas", pelo que rezam as crónicas, não só são presença habitual em jogos dos locais, como também tinham convites do próprio Desportivo das Aves para o jogo que os opôs ao slb;

  • Das acusações de ameaças ao Sr. Hugo Miguel, por parte de Luís Gonçalves, nem o árbitro, nem o relatório por ele entregue no final do jogo, refere qualquer tipo de acontecimento anormal no túnel de acesso aos balneários. Como nota, convém referir que este Sr. Hugo Miguel será um dos maiores candidatos a suceder a Bruno Paixão, nos anticorpos que nutre pelo azul e branco, pelo que a sua palavra nesta situação estará acima de qualquer suspeição;

  • Da leitura do acordão da Operação Fenix, para grande desgosto da "jornalista" Tânia Laranjo, o resultado foi a absolvição do nosso Presidente (mais uma vez), como aliás era esperado.
Voltando ainda à entrevista de LFV, e acreditando no curso intensivo de "entrevistas para tótós" que António Galamba decerto deu ao líder dos encarnados, bem curiosa é esta sua intervenção:

"O Fábio Veríssimo não apita o Benfica porquê? O João Pinheiro, o Manuel Mota… "
Dos rankings da arbitragem nos últimos anos, o topo da tabela tem variado essencialmente entre Artur Soares Dias e Jorge Sousa. Se um líder de um clube viesse reclamar o porquê dos jogos da sua equipa não serem arbitrados pelos melhores árbitros, essa seria uma argumentação perfeitamente compreensível, válida e lícita. Aliás, até feita pelo FC Porto num passado recente.

Já o facto de vir à praça pública referir o nome de três árbitros que, além da qualidade muito duvidosa, nesta e noutras épocas, têm estado directamente associados a decisões polémicas (para ser simpático) sempre em favor da equipa que veste de vermelho, começa a entrar no campo do surrealismo. A falta de vergonha e sentimento de impunidade é tanta, que por aquelas bandas já nem se coíbem em pedir os meninos queridos pela TV. É preciso ter uma grande lata!

Se Gabigol, Seferovic ou Rafa não conseguem marcar golos, na cabeça de Luís Filipe Vieira já há um trio de atacantes prontos a substitui-los...

Cumprimentos Portistas.

13 novembro, 2017

O GRANDE MÉRITO DE FRANCISCO J. MARQUES.


Lembro-me bem da forma bem-disposta como a maior parte dos nossos rivais reagiu ao primeiro mail divulgado pelo Porto Canal, no universo Porto da Bancada, na altura uma troca de correspondência entre um ex-árbitro e funcionário da APAF de Braga e um comentador, por sinal diretor de conteúdos de um canal de clube, sobre “padres”, “missas” e árbitros muito promissores.

Não deixa de ser interessante como as coisas evoluíram ao longo dos 6 meses seguintes à divulgação desse primeiro mail… Já toda a gente percebeu que tudo isto não é apenas uma divertida troca de mails entre uns quantos personagens mas sim um caso muito sério que tem de ser investigado e levado até às ultimas consequências judiciais, sejam elas quais forem. Aquilo que se pede não é que ninguém seja condenado só porque sim ou por causa do clube A, B ou C, aquilo que se pretende é que toda a verdade seja apurada e que as respetivas consequências sejam devidamente direcionadas seja a quem for.

É indesmentível que o grande mérito de Francisco J. Marques foi efetivamente desencadear, através da divulgação de diverso material eletrónico, um processo que já atingiu uma dimensão bem superior àquilo que se poderia supor em junho, quando o primeiro mail foi divulgado.

Independentemente do resultado jurídico que tudo isso possa dar, julgo que já se obtiveram alguns resultados que, há alguns meses atrás, seriam impensáveis para qualquer pessoa minimamente atenta ao futebol português. O comunicado da Procuradoria-Geral da República foi bem claro:
  • SIM, foram emitidos mandatos de busca domiciliária e não domiciliária relativos a investigação em curso pelos crimes de corrupção passiva e ativa a vários elementos com ligação a um clube;

  • SIM, no inquérito investiga-se a prática, por parte de um suspeito, dos referidos crimes;

  • SIM, o assessor jurídico de um clube já foi constituído arguido;

  • SIM, a operação encontra-se em curso, contando com a presença de 4 magistrados do Ministério Público, 2 juízes de instrução e 28 elementos da PJ, incluindo Inspetores e Peritos Financeiros, contabilísticos e informáticos; e

  • SIM, o inquérito encontra-se em segredo de justiça!
Posto isto, com certeza não é por acaso que uma equipa de 34 elementos, por entre juízes e inspetores se encontra a investigar esse caso.

Aquilo que se tentou desvalorizar e até ridicularizar no inicio de todo esse processo transformou-se num sério caso investigado por várias dezenas de profissionais do Ministério Publico, uma secção do Estado paga por todos nós, é bom que se diga. Não é conveniente, nem sequer suposto que esta equipa de 34 elementos esteja a brincar às investigações. Todo e qualquer português espera uma investigação seria, célere e conclusiva, doe a quem doer, tenha as consequências que tiver, sobre quem for.

PS: Da mesma forma que durante os últimos anos critiquei muito a passividade comunicacional do FC Porto, com várias consequências a nível desportivo, nomeadamente, o total desrespeito por parte dos árbitros que não raras vezes gozaram com a nossa cara, agora tenho de elogiar o trabalho comunicacional feito pelo FC Porto, personalizado pelo seu Diretor Francisco J. Marques, bem coadjuvado pelos seus colaboradores, nomeadamente, os comentadores e moderador do Universo Porto da Bancada. Deve elogiar-se com a mesma rapidez com que muitas vezes se critica. Seria bom que TODOS os funcionários do clube, jogadores e treinador incluídos, honrassem e seguissem o excelente trabalho realizado por Francisco J. Marques nos últimos tempos. Se assim for, podemos até não ganhar, mas seguramente estaremos muito mais próximos do sucesso!

10 novembro, 2017

O CRIME COMPENSA.


Fez-se história na justiça do nosso desporto. Sejam bem-vindos a Portugal, um país à beira-mar plantado e onde o estado lampiânico domina tudo e todos. Jogadores, dirigentes, adeptos, árbitros, empresários, comunicação social e agora até o IDPJ.

Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, vulgarmente conhecido por Macaco, foi interdito de entrar em recintos desportivos durante meio ano. Em causa o cântico aludindo à tragédia da Chapecoense num jogo de andebol entre o FC Porto e os encornados, em Abril passado.

Se duvidas ainda houvessem, está tudo demasiado claro neste momento. Uns são filhos, outros enteados. Abriu-se um precedente grave. Muito grave. Não vou fazer de advogado do Fernando Madureira, primeiro porque não o sou e depois porque certamente ele não necessita e se a justiça e os tribunais funcionarem terá de ser ilibado deste processo.

Vejo esta sentença claramente e sem sombra de dúvidas como um ataque ao FC Porto e não ao Fernando Madureira. Ele próprio já o disse e partilho dessa visão. Há vários erros neste processo. Pergunto-me quantos cidadãos ficaram interditos de entrar seja onde for por CANTAR um determinado cântico? Estamos a falar em CANTAR. Alguém agora pode ficar interdito por ter CANTADO? Mas onde chegámos?

Esta decisão ficará nos livros da história. No tempo em que se fala de claques ilegais, no tempo em que se sabe que um determinado clube apoia essas mesmas claques, dando-lhes tudo o que um clube dá às suas claques legais (sede própria, material, bilhetes, gasolina, portagem e pelos vistos uma gorjeta para as cervejas), num tempo onde fim-de-semana após fim-de-semana somos brindados com notícias que essas claques varrem tudo à sua passagem (farão o mesmo dia 1/12?!) batendo em mulheres, idosos e crianças por esses estádios fora, num tempo em que está na memória de todos ainda bem presente a morte do italiano adepto do sporting em Abril passado, Fernando Madureira é interdito meio ano… por cantar.

Andamos a brincar com coisas sérias. Não vou abordar se o cântico é bonito ou feio. Vou dizer que TODOS os grupos têm cânticos do género, dos grandes, aos médios e aos pequenos. Uns desejam a morte, ou festejam-na. Matam e vangloriam-se por isso. É revoltante tudo isto, espero sinceramente que nos locais próprios tudo possa ficar devidamente esclarecido.

Estava no Dragão Caixa nesse dia, como sempre, e é mais ridículo se pensar como tudo se passou, o cântico não foi puxado por ele em momento algum e acabou com todo o pavilhão a entoá-lo! Atrás das balizas e na central, até no camarote havia telemóveis a registar o momento.

A diferença é que aqui, como estamos legalizados, acontece isto. Quando 500 membros de uma claque ilegal partem tudo em Braga no futsal no Sábado e no dia seguinte partem tudo em Guimarães, o IDPJ devia estar a tirar a sesta. IDJP apoia a ilegalidade e está ao serviço do regime.

Não nos vão calar.

Um abraço ultra.

08 novembro, 2017

O QUE SERÁ PRECISO MAIS ACONTECER?


Por estes dias, voltamos a concordar com o Presidente da FPF, Dr. Fernando Gomes de seu nome, e afirmamos alto e bom som que o ambiente no futebol português está irrespirável. Com efeito, há tanta coisa a acontecer, tanta coisa a discernir e a escalpelizar que nos parece que a realidade é mais rápida que a nossa capacidade de encaixe e de raciocínio. Não obstante, tentaremos sempre fazê-lo.

O caso dos e-mails já não é uma brincadeira  de F. J. Marques, todos o sabem. É algo sério, contundente, com provas factuais, assente em interacções promíscuas entre altos responsáveis do luso-futebol. Todos sabem, todos leram, ninguém pode dizer que não sabia ou que não viu nada. Todos vão encolhendo os ombros e tentando negar até que seja definitivamente impossível esconder o elefante que está no meio da sala. Todos sabem o que se passa, todos mentem uns aos outros para não admitir o que está à vista de todos: uma competição e um negócio desportivo completamente manietado e controlado pelo Benfiquistão, quer no plano puramente desportivo, quer no plano económico-negocial.

Não se pense, porém, que o poder encarnado está a diminuir decorrente das revelações que se têm vindo a suceder. Pelo contrário e honra lhes seja feita: eles têm uma estratégia e uma visão a longo prazo. Basta ver a impressionante entourage que rodeia Duarte Gomes e o seu projecto Kick-Off. O FC Porto, fazendo jus aos últimos anos, parece estar a dormir à sombra da bananeira. Duarte Gomes tem-se multiplicado em intervenções nos mais diversos formatos, seja facebook, seja página web, seja rádio, jornais ou televisões. Está em todo o lado e a todas as horas. Ora, tudo isto tem que ser necessariamente financiado, apoiado e arquitectado. Por quem? Para quê? A quem interessa promover desta forma Duarte Gomes?

Uma vez mais, repito: não digam que não avisamos.
O futebol português está podre, podre, podre. Comecemos pelas claques:

A vergonha continua, desta feita em Guimarães. Na praceta em redor do estádio D. Afonso Henriques, vários elementos casuals das claques do SLB terão arremessado bolas de golfe para o interior da bancada topo sul, causando o pânico e fuga generalizados dos adeptos vitorianos para o relvado onde já se disputava a partida. Artur Soares Dias foi obrigado a interromper o jogo, todos viram o que se passou, mas continuam a assobiar para o lado. Semana após semana, depois do assassínio de um adepto italiano sportinguista, as claques do SLB continuam a espalhar o terror nos estádios nacionais. Até quando?

Falando em Minho, uma palavra para o Sporting x Braga, com arbitragem e VAR absolutamente escandalosos, ao nível de uma distrital. Um penalty por marcar a favor do Braga, um golo mal anulado por fora-de-jogo aos minhotos, com o VAR a ser chamado a intervir mas inacreditavelmente a não se decidir pela validação do golo. É caso para perguntar o que é que têm ganho os clubes minhotos com as alianças ao Benfiquistão nos últimos anos. Um caso de estudo, realmente.

Ainda relativamente às claques, que país é este que proíbe o Lusitano de Évora, em plena festa da taça, de exibir uma tarja por não ter uma claque organizada registada e continua a fechar os olhos, semana após semana, aos desacatos provocados pelas claques oficiais do SLB? A dualidade de critérios é tão, mas tão escandalosa que só pode fazer corar de vergonha a FPF, o IDPJ e o Governo.

Mas isto é como o Urban Beach: há muitos anos que aquela discoteca lisboeta era conhecida por ser palco de pancadaria e espancamentos por parte de seguranças privados, mas só quando filmaram os ditos cujos em acção é que a edilidade e o governo acordaram para o assunto e decidiram o encerramento do negócio. Portugal sempre foi assim: até que alguém filme e se torne viral e seja absolutamente escandaloso e indecoroso não fazer nada, continuaremos a assobiar para o lado fazendo jus ao tal país dos brandos costumes, assente numa comunicação social totalmente vendida e manietada aos interesses de quem manda e de quem paga. Bem podem ter aulas de deontologia profissional que no fim de contas os jornalistas da nossa praça sabem a quem bater continência.

Outro episódio a fazer corar de vergonha também o próprio FC Porto é o facto da SAD do Belenenses, na pessoa do Dragão de Ouro (pausa para respirar) Pedro Mota Soares, ter requerido a audição do VAR do mais recente Porto x Belenenses. Jorge Coroado poderia explicar-nos melhor, pois está por dentro de toda a situação, mas se dúvidas houvesse elas foram dissipadas: o Benfica B joga de facto na I Liga, equipa de azul e joga no Restelo. Daí que todos possamos compreender o porquê das ausências de Miguel Rosa e das goleadas que o Belenenses leva de cada vez que enfrente o poderoso SLB. Curioso que não vimos este senhor a pedir a audição do VAR quando Eliseu quase acabou com a carreira de Diogo Viana. Já dizia alguém: manda quem pode; obedece quem deve.

Tudo isto para dizer que, em minha opinião, o VAR não tem condições para continuar em actividade. A sua implementação foi mal preparada, os árbitros não têm formação para fazer uso do mesmo de forma transparente, as comunicações pelos vistos falham durante o decorrer dos 90 minutos, os fiscais de linha continuam a assinalar foras-de-jogo duvidosos não beneficiando – contrariando as regras FIFA – o atacante. Pelas mais diversas razões, o VAR deveria ser suspenso imediatemente, sob pena de algo mais grave ainda vir a acontecer. Da maneira que está, o VAR é apenas mais uma arma (e poderosa, ainda por cima!) ao serviço do Benfiquistão, assente nas transmissões manipuladas da BenficaTV e, também, da SportTV.

Curioso foi também o artigo de Rogério Azevedo no insuspeito Jornal A Bola, onde conclui, através de estudo estatístico, que o FC Porto joga de 10 em 10 jogos na Champions com 72h de intervalo; o Sporting de 20 em 20 e o Benfica de 100 em 100. Em percentagem a estatística é ainda mais esmagadora: o FC Porto joga 10,8% dos jogos com apenas 72h de intervalo; o Sporting 5%; e o todo-poderoso Benfica jogou apenas 1% com as mesmas 72h de descanso. Perante tais números, pouco há a acrescentar.

Outra nota interessante das últimas semanas é a atitude de subserviência de José Mourinho perante o Benfiquistão. Como é que um homem que há uns anos atrás era verdadeiramente indomável, com opinião própria, com ideias revolucionárias, que não prestava vassalagem a ninguém, muda tanto e em tão pouco tempo? Lemos e não acreditamos, mas para José Mourinho, Svilar é um dos grandes guarda-redes do futuro, o Benfica joga muito bem e causa imensos problemas ao Man Utd na Champions League, o futebol do Benfica obriga o United a empenhar-se ao máximo, etc, etc, todo um rol de lambe-botismo que faria corar de vergonha o jovem José Mourinho de vergonha. Nas fotografias da partida, de resto, é ver Mourinho aos beijos e abraços a Rui Costa e a Rui Vitória. Porque é que Mourinho coloca uma cara tão fechada quando joga com o FC Porto e é todo sorrisos e carinhos quando defronta o SLB?

O que mais será preciso acontecer para que as autoridades competentes (FPF, Liga de Clubes, Governo) abram os olhos e trabalhem em prol de uma maior credibilização e transparência no futebol português, limpando finalmente o lixo que Queirós já mencionava há muitos anos atrás? O que é preciso mais acontecer para algo seja feito?

Até lá, continuamos a aguardar. Até ao dia em que a corda rebente de vez.

Rodrigo de Almada Martins