18 janeiro, 2019

futebol, 19:00, sporttv2 – chaves Vs. FC PORTO

PASSEIO POR TRÁS-OS-MONTES

O FC Porto iniciou a segunda volta da Liga NOS com uma vitória concludente em Trás-os-Montes. A equipa de Sérgio Conceição jogou em Chaves, com o último classificado, e levou o desafio a sério, com grande concentração e empenho de todos os jogadores. O resultado foi expressivo, evidenciando claramente a diferença de qualidade entre as equipas, tal como já se tinha verificado na primeira volta. 

Sérgio Conceição apostou no habitual 4x4x2, com um quarteto defensivo já muito desejado, desde a chegada de Pepe. Militão ocupou a faixa direita e Felipe e Pepe formaram a dupla de centrais, com Telles na esquerda. No meio-campo, Óliver preencheu a vaga de Danilo (lesionado) e formou uma dupla com Herrera bastante dinâmica. Aliás, o médio espanhol fez uma exibição fantástica. De resto, jogaram os habituais do costume, com Brahimi e Corona nas alas e Soares e Marega na frente de ataque. 

O FC Porto pegou no jogo desde o minuto inicial, sem dar quaisquer hipóteses à equipa flaviense. No entanto, o Chaves chegou com perigo à baliza de Casillas, em transições ofensivas, quer antes, quer depois do primeiro golo portista.

Aos 24 minutos, Alex Telles cobrou um pontapé de canto na esquerda, Marega desviou de cabeça e Soares, oportuno, rematou para as malhas da baliza contrária. O Chaves esboçou uma reacção e Casillas teve que se aplicar para evitar um golo certo da equipa flaviense.

Depois de algum abrandamento, o FC Porto voltou a acercar-se da baliza do Desp. Chaves. A três minutos do intervalo, Corona desmarcou Marega na área e o maliano cruzou atrasado para entrada fulminante de Soares. O bis do avançado brasileiro fazia com que o FC Porto chegasse ao intervalo com uma boa vantagem.

Na etapa complementar, o FC Porto cumpriu o que Sérgio Conceição pretendia que os seus pupilos concretizassem no Estádio do Mar. Controlo absoluto da partida. Não o fez na plenitude, mas foi um controlo e gestão quase perfeitos do jogo. A zona do meio campo portista estava autenticamente sem utilização dado que os campeões nacionais dominavam o jogo e a bola no meio campo adversário.

Aos 68 minutos, Soares ampliou o resultado para 0-3, já depois de ter desperdiçado uma soberana oportunidade minutos antes. O Desp. Chaves rendia-se completamente mas oito minutos volvidos, a equipa da casa foi presenteada com uma grande penalidade cometida por Pepe que me deixa dúvidas. Bruno Gallo converteu o castigo máximo e reduziu o marcador para 1-3.

Sérgio Conceição começava a fazer a gestão dos seus activos. Retirou Felipe e fez entrar Mbemba, passando Militão para o centro da defesa e depois entrou Fernando para a vaga de Brahimi e, mais tarde, Adrián rendeu Corona.

Fernando desperdiçou uma bela oportunidade para fazer o quarto golo, mas redimiu-se bem perto do final quando isolado, antecipou-se a Nuno André Coelho, picou a bola sobre António Filipe e sobre a linha de baliza pressionou o central do Chaves a cortar a bola para o interior da própria baliza. O jogo terminou pouco depois com os Dragões a somarem mais três pontos. A Liga NOS regressa dentro de semana e meia com o FC Porto a receber o Belenenses. 

Entretanto, os campeões nacionais vão disputar a Final Four da Taça da Liga na próxima Terça-feira, no Estádio Municipal de Braga. Os azuis-e-brancos defrontam o Benfica e, em caso de vitória, vão disputar a final, no próximo Sábado, diante do vencedor da outra meia-final que vai ser disputada entre o Braga e o Sporting.

AGORA É QUE É.


Apertar o cinto, acelerar, não travar. É o que se espera dos próximos 10 embates. Uma sequência desafiante: Chaves (fora), Benfica (neutro), Final Taça da Liga? (neutro), Belenenses (casa), Vitória SC (fora), Moreirense (fora), Roma (fora), Vitória FC (casa), Tondela (fora), Benfica (casa).
Da série “Não há jogos fáceis”.

Acelerar… no rendimento da equipa. Devemos começar por reconhecer e agradecer a brilhante série de vitórias consecutivas que terminou em Alvalade. Mas quem quer discutir tudo para “ganhar tudo”, tem também de ter humildade, exigência e auto-conhecimento. Empatar em Alvalade não é, de todo, negativo, mas já não podemos dizer o mesmo da falta de soluções para magoar o Sporting em construção ofensiva. Da falta de ideias, do abuso das bolas longas, da profundidade, da falta de ligação e paciência no jogo. Em suma, do facto de termos sido a primeira equipa na Liga que não marcou ao Sporting de Keizer. Sim, é justo também dizer que foi a primeira vez que o Sporting de Keizer jogou a medo, abdicando de tentar verdadeiramente ganhar.

Seguiu-se outro jogo sofrido com o Leixões. Cansaço, relvado (ou será areado?), alterações na equipa e Capelices explicam parte do problema, mas não todo. A nossa equipa precisa de mais cérebro, de mais ideias, de maior ligação, de mais finesse. Não pode ser só músculo, vontade, sprint e rasgo. Sem querer ser demasiado injusto para com a equipa e o mister, que têm feito um percurso praticamente brilhante até aqui, é nítido que há arestas críticas a serem limadas rapidamente. Só assim sairemos vivos e vencedores desta autêntica montanha-russa de embates que vamos enfrentar. Tudo dito em relação ao que estamos a jogar, e ao que podemos ou precisamos de fazer.

Em relação ao plantel, destacar que estamos agora com um plantel mais completo. Mbemba parece ser uma alternativa realmente válida. Pepe é um reforço a sério. Fernando Andrade poderá também ser bastante útil se tiver uma boa adaptação. E depois há um Hernâni que vai sendo decisivo em momentos importantes, Adrian também tem vindo a mostrar mais. Não fossem as baixas de Danilo, Aboubakar e Otávio, e diria convictamente que não precisávamos de mais ninguém para atacar todas as frentes. Assim, não será fácil. Se quisermos usar a relatividade para sermos mais positivos, podemos afirmar que estamos mais fortes e completos hoje do que estávamos há precisamente um ano atrás. Ou pelo menos parecemos. A confirmar nos próximos jogos.

E agora parem de respirar, apertem o cinto, acelerem, não travem. A todo o lado eu vou… o Porto vai…. O Porto tem de ir…. para ganhar! Mesmo que para acelerar como queremos, seja preciso mais pausa, mais critério, mais ideias. Menos vertigem, menos pressa. Já vi esta equipa fazer e jogar assim, portanto não há como não acreditar que estaremos prontos. Tem de ser com tudo, para “matar”. Agora é que é!

17 janeiro, 2019

ODORES NATALÍCIOS.


Nesta primeira incursão bloguística de 2019, inflacionada por umas saborosas férias natalícias, tenho a declarar que a publicação de hoje será mais destinada a apreciadores de um Roquefort ou Gorgonzola, tal a quantidade de bolor e odor, que nela estará incluída.

Perdoem-me os detractores destas iguarias queijísticas - como eu - mas temas há, que não dá para olhar para o lado e esquecer.

O principal deles, a decisão da Juíza Ana Peres em não levar a SAD Benfiquista a julgamento, no que respeita ao processo E-Toupeira.
Numa época do ano, em que as atenções se concentram na azáfama de prendas, repastos e viagens, a atenção mediática e popular para esta decisão foi deveras ligeira, roçando o residual. Muito haveria a debater sobre ela, a começar pelo conveniente adiamento da decisão para esta data. Da própria decisão instrutória, bastaria a seguinte frase, e passo a citar "Os factos atribuídos a Paulo Gonçalves não podem ser imputados directamente à SAD do Benfica...[pois] não faz parte dos órgãos sociais da pessoa colectiva, nem representa a pessoa colectiva", para acusar a dita juíza de impreparação, ou incompetência, acreditando na boa fé e imparcialidade da Justiça. Pois é público e conhecido, que Paulo Gonçalves representava a SAD benfiquista nas reuniões da Liga de Clubes

Contudo, o mais chocante disto tudo, não é a incompetência, cobardia ou interesse da Juíza Ana Peres em não levar a SAD benfiquista a julgamento. Chocante mesmo, foi o ensurdecedor silêncio da SAD Azul e Branca, resumida a uns amorfos e insignificantes comentários de FJ Marques.

Que porra é esta? Onde está o homem capaz de marchar sobre a Capital do Império por causa de uma simples sanita? Onde está um administrador pago a peso de ouro, que em tempos até já foi Ministro da Administração Interna? Onde está alguém que há mais de 20, ou 30, anos parece estar no FCP apenas para assinar a declaração de rendimentos anual? Onde está o responsável jurídico da SAD?

Ninguém?


Outro interessante evento que ocorreu em período de paz e amor festivo, foi o jogo que opôs encarnados do sul a encarnados do norte, saldado por um 6-2 final.
Rejuvenescendo uns bons 30 anos, para um período de inocência e ingenuidade há muito perdido, vou acreditar que tudo correu magnificamente bem a sulistas, mesmo estando na altura mergulhados em severa crise exibicional e de finalização, e tudo correu mal a nortenhos, mesmo tendo na altura uma defesa quase inexpugnável.
Ao contrário do que podem ser levados a crer por esta insinuação, não me acredito que o slb tenha cometido qualquer irregularidade, ou acto de corrupção, para este jogo em concreto. A minha incredulidade e desconfiança na veracidade do resultado, deve-se à subserviência por parte de presidente, treinador e alguns atletas bracarenses, que não colocaram o empenho necessário - dentro e fora do campo - à importância do desafio em causa. É incompreensível ver, no final da partida, um treinador acomodado e resignado, por ter apanhado meia-dúzia e ser ultrapassado na tabela pelo adversário desse dia. Não há desculpas? Vergonha? Frustração? Se nos lembrarmos do mau estar deste mesmo treinador quando, por números mínimos, perde connosco, dá muito que pensar e perguntar...


Dos recentes jogos azuis e brancos, é notório que a chama tem vindo a esmorecer. Para o jogo do Estádio do Mar, Sérgio Conceição esteve bem em fazer descansar vários jogadores nucleares. Só assim poderemos recuperar algum fôlego físico e exibicional. Melhor esteve ainda, na atitude que incutiu para o início da contenda, com vontade de resolver o jogo cedo. Inadmissível foi o que se viu depois de atingido o golo. Uma equipa apática, errante, a deixar passar os minutos, atitude agravada pelo experimentalismo de pré-época que o treinador decidiu fazer na 2ª parte. Estando o resultado na margem mínima, correr este tipo de riscos num jogo a eliminar, é de uma loucura injustificável. Ontem acabou por correr bem, mas espera-se outro tipo de inteligência num treinador do FC Porto. Faço votos que Sérgio Conceição tenha aprendido a lição... e não a repita!


Para finalizar, não podia deixar de referir Pepe. Um excelente jogador, dos melhores centrais do mundo. Infelizmente, veio reforçar a zona do terreno que menos reforços necessitava. Não só Felipe e Militão têm constituído uma dupla que ombreia com as melhores da história portista, como até o próprio Mbemba parece ser uma alternativa bem credível. Com a sua qualidade e nome, Pepe não vem para ficar no banco. Provavelmente a fava recaíra em Maxi, com a mais do que provável adaptação de Militão ao flanco direito. Contudo, enquanto tentamos criar uma defesa de nível mundial, a nossa frente de ataque continua ao nível de uma equipa do meio da tabela. Se Hernâni tem vindo a crescer na época, e justificando ser uma boa alternativa de banco, André Pereira desperdiçou (mais) outra oportunidade e Fernando Andrade esteve longe de convencer como reforço. De Adrian já nem falo, mesmo estando na sua melhor época de azul e branco. Duvidando que o perdulário Aboubakar venha a conseguir atingir um mínimo de forma esta temporada, o nosso ataque resume-se a Tiquinho Soares e Marega. Avançados interessantes, com estilos diferentes, mas muito longe da qualidade exigível para uma equipa de topo. Para quando um reforço VÁLIDO para a frente de ataque? Sérgio Conceição e o FC Porto bem que agradeciam!

Cumprimentos Portistas.

15 janeiro, 2019

CAPELA A SURGIR E HERNÂNI A DECIDIR.


LEIXÕES-FC PORTO, 1-2 (ap)

O FC Porto está nas meias-finais da Taça de Portugal mas não foi uma qualificação fácil. Não porque o adversário desta noite tenha criado grandes oportunidades, mas sim porque o FC Porto não sentenciou a partida em várias fases do jogo e também porque o regresso da capela tentou influenciar o desfecho da eliminatória. Há dois anos, o artista conseguiu em Chaves, hoje o campeão não permitiu em Matosinhos.

Não estou a dizer que o Leixões nada fez para justificar a difícil qualificação do FC Porto, mas não foi, com certeza, o principal adversário dos Dragões. A equipa leixonense apresentou-se bem defensivamente e tentou remar contra a maré. Fez três remates durante 120 minutos, no qual um deles deu um golo. Mas os grandes adversários dos campeões nacionais foram a própria equipa portista e o senhor que anda lá dentro a tomar decisões incompetentes e de intenção duvidosa.


Sérgio Conceição poupou sete unidades da equipa azul-e-branca em relação ao último jogo, em Alvalade. Mantiveram-se Felipe, Alex Telles, Herrera e Corona. Depois jogaram jogadores com poucos minutos e os dois reforços de inverno: Pepe e Fernando. Destaque para a exibição fantástica e segura de Pepe que, estou convicto, irá ser uma grande opção para a segunda metade da época. O luso-brasileiro apresenta-se numa forma física invejável e joga com uma autoridade ímpar na sua zona de jurisdição.

O primeiro tempo foi bastante positivo da parte do campeão nacional. A equipa portista pegou no jogo e procurou marcar cedo, de forma a resolver cedo a questão da eliminatória. Aos 11 minutos, desmarcação perfeita de Óliver Torres a isolar Herrera na área. O mexicano fez a recepção perfeita de pé direito e rematou colocadíssimo de pé esquerdo ao ângulo inferior esquerdo da baliza de Luís Ribeiro.

Logo a seguir, aos 18 minutos, os azuis-e-brancos podiam ter aumentado a vantagem. Numa jogada de entendimento, Fernando Andrade roda sobre si próprio na grande área e rematou de pé esquerdo às malhas laterais. O avançado ex-Santa Clara não se ficou por aqui. Cerca de vinte minutos depois, apareceu novamente na área, solto, a rematar ao lado quando tinha tudo para acertar na baliza.


A etapa inicial estava completamente controlada pelos Dragões. De regresso das cabines, os campeões nacionais baixaram um pouco a intensidade e permitiram ao Leixões pegar um pouco no jogo. No entanto, a equipa de Matosinhos, com muitos adeptos benfiq…, perdão, leixonenses nas bancadas, não conseguia chegar à baliza de Fabiano.

Foi o FC Porto a criar a primeira oportunidade de golo da etapa complementar. Com 70 minutos de jogo, Adrián isolou Corona na área, mas o extremo mexicano perdeu ângulo e rematou ao lado da baliza contrária. Não marcou o FC Porto, marcou o Leixões, num lance fortuito. Zé Paulo recebeu a bola na zona central do meio-campo portista e rematou com força ao canto da baliza de Fabiano. Um empate inesperado e que alterava os planos de Sérgio Conceição.

Militão tinha entrado minutos antes para o lugar de Corona, para apoiar Herrera no miolo, mas com o golo do empate, Sérgio Conceição teve que recorrer ao banco e meter a artilharia pesada para desfazer o empate. Primeiro Soares e depois Marega entraram para os lugares de André Pereira e Mbemba. O Dragão voltou a carregar no acelerador, mas Soares não foi feliz num cabeceamento.

Os leixonenses dispuseram de um remate de Zé Paulo para defesa atenta de Fabiano e depois só deu FC Porto. Os 90 minutos chegavam com um empate, mas que castigava um pouco da apatia da equipa na segunda parte e o desacerto na hora da finalização.


Depois veio o prolongamento e a oportunidade do artista do costume tentar meter “a mão na massa”. Aos 94 minutos, Fernando cabeceou uma bola e Dasse, deliberadamente, jogou a mesma com o braço. Grande penalidade que ficou por assinalar e, como não há VAR, nesta fase da prova, lá se foi uma oportunidade de corrigir a incompetência (ou não) do artista.

Aos 100 minutos, nova actuação da “equipa de circo” presente em Matosinhos. Alex Telles cobrou um livre na esquerda, Marega cabeceou, na área, para defesa sensacional de Luís Ribeiro e Soares, na recarga, introduziu a bola na baliza. Um golo limpo, prontamente, anulado pelo árbitro auxiliar que acompanhou a jogada. Mais uma decisão para o VAR que mais uma vez não existiu para ajudar a corrigir a incapacidade de ajuizar bem os lances capitais da partida.

O FC Porto continuou a fazer uma pressão altíssima e a reagir rapidamente à perda de bola. Hernâni entrou no FC Porto para o lugar de Fernando Andrade. A quarta substituição, permitida no prolongamento, foi a chave da eliminatória. Primeiro fez o ensaio quando, isolado por Adrián, rematou, incrivelmente, contra Luís Ribeiro. Depois, a dois minutos do fim do prolongamento, apareceu à boca da baliza a corresponder, com sucesso, a uma solicitação, novamente, de Adrián. Tal como no Bessa, Hernâni voltou a ser o abre-latas da equipa de Sérgio Conceição.


Os campeões nacionais avançam assim para as meias-finais da prova, cujo o adversário será o Sp. Braga, numa eliminatória a ser disputada a duas mãos.



DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "A Taça é um objetivo nosso"

Vitória num terreno difícil
“Nós analisámos a equipa do Leixões e hoje foi uma equipa verdadeiramente competitiva. Estamos num terreno difícil que torna o jogo tecnicamente mais fraco e onde por vezes é difícil aparecer algumas situações do processo ofensivo. Para quem ataca e vai à procura do resultado é mais difícil. Fizemos uma primeira parte, na segunda parte baixámos um bocadinho, também era normal uma reação do Leixões, que tem uma boa equipa. Deixámos de ter bola, quisemos esticar muitas vezes o jogo quando devíamos ficar em posse. Fez um bom golo numa das poucas situações que criou e depois no prolongamento era a nossa obrigação dar esta resposta e ganhar o jogo.”


Rodagem da equipa
“O André Pereira não jogava há algum tempo, tal como o Fernando. Mudei alguns jogadores, é normal que com este terreno que cansa que houvesse uma gestão inconsciente do esforço. Mas não deixámos correr o tempo. Sempre que pudemos, fomos à procura da baliza adversária. É verdade que também jogámos contra um adversário de valor que nos criou algumas dificuldades. É uma equipa aguerrida, determinada que esteve muito bem naquilo que foi a ocupação do espaço. Foi um bom espetáculo dentro do possível com todas as condicionantes que frisei. Não demos a volta porque os que jogaram têm menos qualidade do que os que entraram. Tem a ver com a frescura dos jogadores que entraram.”

Taça é objetivo claro
"Foi importante seguir para as meias-finais. A Taça é um objetivo nosso.”



RESUMO DO JOGO

12 janeiro, 2019

UM MAL MENOR.


SPORTING-FC PORTO, 0-0

O jogo desta tarde no Estádio de Alvalade foi, de certa forma, uma cópia fiel do jogo que os Dragões disputaram no Estádio da Luz. Mal jogado, com poucos motivos de interesse, com as equipas a anularem-se persistentemente e com o Sporting a jogar em casa, bastante receoso e com o bloco muito baixo. O FC Porto, à espera de um Sporting aberto e a explorar bem o ataque, sentiu-se defraudado e não conseguiu encontrar espaços para a baliza leonina.

Curiosamente, o jogo desta tarde e o jogo que os portistas fizeram com o Benfica têm outro ponto em comum. Em ambos, os azuis-e-brancos perderam pontos. Desta vez, o FC Porto ainda levou um ponto para casa, mas não deixa de sentir um sabor amargo porque percebeu que tem uma equipa superior aos verdes-e-brancos.

Por outro lado, os Dragões quebraram ao fim de 18 vitórias consecutivas. O recorde de jogos a vencer iguala o recorde nacional obtido pelo Benfica. Tinha sido, precisamente, com os vermelhos que os Dragões haviam perdido pontos pela última vez, no mês de Outubro.


A primeira parte foi muito fraca em termos de jogo exigido para um clássico. Nenhuma oportunidade de golo para a amostra, numa partida em que o Sporting jogou muito fechado e com pouca iniciativa. Por outro lado, o FC Porto, com mais posse de bola e iniciativa de jogo, não foi capaz de criar oportunidades e situações de golo. Diria que o FC Porto foi surpreendido pela postura receosa do Sporting e não foi capaz de tornear as dificuldades que a equipa de Alvalade colocou desde o início da partida. Ao mesmo tempo revelou-se incapaz de arranjar estratégias para furar a muralha defensiva leonina.

Percebo que o Sporting receou perder o jogo e o caminho do título. O facto de ver a possibilidade de ficar a 11 pontos do primeiro lugar, condicionou e de que maneira a actuação dos leoninos. Mas o empate comprometeu também em muito essas aspirações. Quiçá, o treinador Kaizel pensou primeiro em não perder e depois, em caso de não vencerem o jogo, sempre deixariam o segundo lugar à distância de uma vitória frente aos seus vizinhos.

Contudo, a segunda parte foi melhor. O Sporting entendeu arriscar um pouco mais e o FC Porto percebeu que teria mais espaços para jogar e explanar o seu futebol. Foi neste período que surgiram as poucas, mas boas oportunidades de golo do jogo.


A primeira foi para a equipa de Sérgio Conceição. Brahimi desmarcou, na direita, Herrera que combinou com Corona. O mexicano cruzou com conta, peso e medida para Soares que ficou com todas as condições para fazer o golo. O avançado brasileiro rematou contra a perna esquerda, a bola foi para a baliza mas sem a força desejada. Renan Ribeiro sacudiu a bola em cima da linha.

A segunda oportunidade também foi para os Dragões. Cruzamento da esquerda para a área e Marega apareceu a rematar com o pé esquerdo a rasar a esquina da trave. Os Dragões desperdiçavam duas oportunidades claras de se adiantar no marcador e de resolver o jogo a seu favor.

Depois, o Sporting teve dois lances de perigo. Sem conseguir chegar à baliza portista, os leões tentaram a sorte de longe. Primeiro, Bruno Fernandes rematou para defesa apertada de Casillas e depois o Guarda-redes espanhol fez a defesa da tarde com um desvio por cima da barra, numa “bomba” do meio da rua de Gudelj.

Depois disto, os treinadores fizeram algumas mexidas, mas em termos de efeitos práticos, não resultou em nada. O FC Porto ainda teve duas situações em que poderia ter definido melhor no último passe, mas o cansaço e o desgaste não permitiram tomar as melhores decisões.


No fundo, foi um clássico fraco em que a moldura humana, as condições climatéricas, a hora do jogo e o relvado mereceriam um jogo de muito melhor qualidade do que aquele a que foi possível assistir.

Notas finais para saudar mais uma vez o regresso às tardes de futebol, com casa cheia e famílias inteiras no estádio. Pelo lado negativo, destaco as lesões de Danilo e Maxi Pereira, num momento terrivelmente complicado, dado o ciclo de jogos alucinante que o FC Porto terá para cumprir.

O árbitro da partida foi mais do mesmo. Tendencioso e incompetente, perdoou o segundo amarelo a Bruno Fernandes e mostrou-se completamente desenquadrado do jogo. Um desastre!

Os Dragões regressam à competição já na Terça-feira, em Matosinhos, onde vão defrontar o Leixões para os quartos-de-final da Taça de Portugal. A Liga NOS virá logo a seguir, na Sexta-feira, com uma deslocação dos azuis-e-brancos a Chaves, jogo que marca o início da 2ª volta do campeonato.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "A haver um vencedor seríamos nós"

Melhorias no segundo tempo
“Nós queríamos vir aqui para ganhar o jogo, tínhamos preparado a equipa para isso, como fizemos nos últimos 18 jogos. Penso que foi um jogo não muito bem jogado, mas muito competitivo e com muitas faltas. Uma primeira parte equilibrada, praticamente sem ocasiões de golo para as duas equipas. O Sporting a dar-nos o incentivo de jogo, com receio de dar espaço nas costas da sua linha defensiva. Nós podíamos e devíamos ter tido mais paciência com a bola, mas foi uma primeira parte com as equipas muito encaixadas. A segunda parte foi diferente. Estivemos por cima do jogo, tivemos dois lances em que podíamos ter feito golo, o Sporting teve um ou outro remate de fora que causou pouco perigo. A haver um vencedor seríamos nós, não tenho a menor dúvida. Notava-se e sabia-se que o Sporting podia estar com um bocadinho mais de pressão do que nós para este jogo, podíamos ter aproveitado melhor, principalmente na primeira parte.”

Combater estratégias do adversário
“Nós preparamos o jogo naquilo que foi este percurso deste novo treinador, mas depois chegámos aqui e deparámo-nos com uma situação completamente diferente. Isso faz parte da estratégia. Como uma equipa grande, como primeiro classificado e como campeões, temos de encontrar uma solução de forma de ultrapassar essas dificuldades. Na primeira parte, não o conseguimos fazer, ainda que sempre seguros defensivamente, mas na segunda parte conseguimos, criando oportunidades. Muitas das vezes, se tivéssemos definido melhor os lances, podíamos ter saído daqui vencedores.”


Empatar depois das 18 vitórias consecutivas
“Teve um sabor amargo, queríamos ganhar. Sentimos que somos mais fortes, mas às vezes não se consegue. Tivemos agora na parte final duas ou três oportunidades para definir melhor para uma situação de finalização e não conseguimos fazer. Há jogos assim, mas agora temos de pensar já no encontro da próxima terça-feira frente ao Leixões para a Taça de Portugal e recuperar ao máximo os jogadores, porque temos um acumular de jogos grande, e queremos continuar em todas as competições. Depois jogamos logo a seguir, na sexta-feira, frente ao Chaves para o campeonato, que será um jogo muito complicado também.”

Lesão de Danilo
“Tem o pé bastante inchado, sei que foi uma entorse. Vamos amanhã analisar melhor aquilo que ele tem.”



RESUMO DO JOGO

07 janeiro, 2019

O DRAGÃO SÓ SABE GANHAR.


FC PORTO-NACIONAL, 3-1

Aí está o Dragão de vento em popa. Há quase três meses que só conhece uma palavra: GANHAR. Seja qual for o adversário, seja qual for a prova, o FC Porto acaba os jogos com mais golos do que os seus oponentes. Não há volta a dar. A equipa de Sérgio Conceição é uma equipa terrivelmente poderosa e atinge os seus objectivos com maior ou menor dificuldade.

Depois de batidos o recorde da equipa de Artur Jorge da época de 1984-85 e do recorde da equipa do Sporting de Robert Kelly de 1946-47, os Dragões de Sérgio Conceição igualaram o recorde do Benfica de Jorge Jesus de 2010-11. Já lá vão 18 vitórias consecutivas que se traduzem no recorde nacional partilhado pelos dois clubes. Cabe ao FC Porto quebrar esse recorde já no próximo sábado, na visita a Alvalade.

Mas à equipa azul-e-branca não interessa quebrar recordes. Como diz Sérgio Conceição, os recordes não dão títulos. Interessa, sim, continuar a vencer os seus adversários e vencer o Sporting na próxima jornada terá um significado muito importante para as contas do título, manterá, pelo menos, boa parte da concorrência à distância e deixará os leoninos mais longe do primeiro lugar. Isto é que é importante.

Mas para lá chegar, o FC Porto teve que vencer esta noite o Nacional. Depois de conhecer os resultados dos seus concorrentes directos, a equipa de Sérgio Conceição, que alargou a vantagem nas últimas duas jornadas, entrou no relvado do Dragão com a consciência de que poderia aumentar essa vantagem para os seus perseguidores em três jornadas consecutivas.


Para isso, seria imperioso levar de vencida uma equipa do Nacional, muito bem orientada por Costinha que se apresentou no Dragão exclusivamente para jogar futebol. E fê-lo com muita qualidade e sapiência. A vitória do FC Porto teve bastante significado, atendendo à excelente réplica dada pela equipa madeirense.

Não foi nada fácil para o campeão nacional encontrar o caminho da vitória. Sérgio Conceição voltou a apostar no 4x4x2 utilizado na Vila das Aves, apenas com uma alteração de força maior. Felipe, castigado, cedeu o lugar a Mbemba. O defesa central portista revelou bons pormenores e mostrou bom jogo de pés, saindo a jogar com bastante qualidade. A defender, cumpriu sem comprometer.

Os insulares apresentaram-se bastante bem no relvado do Dragão, com a equipa a explanar bom futebol, não permitindo que os azuis-e-brancos sufocassem o seu adversário como é seu timbre, na maioria dos jogos. O equilíbrio foi a nota dominante na primeira meia hora de jogo.

No entanto, aos 7 minutos, Corona desmarcou Marega na área, mas o maliano permitiu a defesa de Daniel por instinto, quando estavam todas as condições para se assistir à inauguração do marcador. O Nacional correspondeu com dois lances de perigo. Primeiro num canto em que Rosic cabeceou a rasar o poste da baliza de Casillas e logo a seguir, Camacho, num remate de fora da área, obrigou o Guarda-Redes espanhol a uma estirada difícil.


O FC Porto passou então a ter maior predominância ofensiva, mas as oportunidades não surgiam como seria expectável. Até que aos 32 minutos, numa iniciativa atacante, Marega foi travado por Rosic, a bola ficou na posse de Maxi que, numa desmarcação perfeita, serviu Brahimi. O argelino não se fez rogado e abriu a contenda no Dragão.

O jogo abriu mais e foi então que o FC Porto aproveitou os espaços para alcançar o segundo golo da partida. Corona teve uma jogada magistral na direita, partindo os rins a Camacho, cruzou para o coração da área, onde Soares, num cabeceamento perfeito, atirou para a baliza defendida, desta vez, por Lucas França.

Quando tudo se encaminhava para uma vitória fácil e tranquila antes de terminado o primeiro tempo, o Nacional reagiu de pronto. Dois minutos depois, numa desatenção e desconcentração dos Dragões, a equipa madeirense bateu um livre rapidamente por Nuno Campos, a bola sobrou para Palocevic que, num ressalto, teve a sorte de colocar a bola em Róchez. O avançado insular, dentro da área, bateu Casillas e relançou o jogo.

A etapa complementar prometia bom futebol e alguma incerteza no resultado. No entanto, nos minutos iniciais, num choque entre Rosic e Lucas França, o defesa madeirense apareceu estatelado no chão, perdendo os sentidos. O jogo esteve parado longos minutos e gerou-se alguma preocupação. Rosic teve que ser retirado de ambulância e, consequentemente, substituído.


Retomada a partida, o FC Porto voltava a ampliar o resultado. Brahimi correspondia a uma grande desmarcação de Corona e, frente a Lucas França, fazia o resultado do jogo. 3-1 aos 57 minutos traduziam a supremacia do Dragão e deixavam a equipa com mais folga para gerir o jogo.

Apesar disso, o Nacional procurou dignificar a modalidade até ao fim do encontro. Não se verificaram verdadeiras oportunidades, mas o golo andou perto quer numa, quer noutra baliza. Destaque para a estreia de Fernando Andrade que logrou rematar com algum perigo à baliza nacionalista após solicitação de Óliver Torres.

Com esta vitória, o FC Porto aumentou a sua vantagem para o 2º classificado (desta vez, o Sp. Braga) para seis pontos e aproveitou da melhor forma a derrota do Sporting em Tondela. Registos finais para a grande exibição de Jesús Corona, para a boa actuação de Mbemba e para a estreia de Fernando Andrade.

Os Dragões regressam à competição no próximo Sábado, com um jogo em Alvalade, diante do Sporting. Com este jogo, os portistas terminarão a primeira volta da presente edição da Liga NOS.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Temos um grupo muito competitivo"

Ganhar a um adversário confiante
“Sabíamos que o Nacional ia ser um adversário que gosta de jogar, foi assim em Alvalade, onde criou muitas dificuldades no início do jogo, mas estávamos prevenidos para isso. Fizemos o primeiro e o segundo golo mas entretanto fomos algo surpreendidos pela marcação de um livre de forma rápida que deu algum alento ao Nacional. Na segunda parte, entrámos para fazer o terceiro, o que acabou por acontecer. Não fizemos um jogo espetacular, mas acho que a vitória foi justíssima.”

A gestão de Brahimi
“Sabíamos da condição de Brahimi antes do jogo. Estava a 100 por cento para jogar, por isso é que jogou. Quando fizemos o 3-1, fizemos a gestão que era necessária, não a pensar no próximo jogo, mas sim para não agravar a sua situação, apenas isso.”


Vantagem não é suficiente
“Estamos atentos ao que se passa à nossa volta, mas, principalmente, damos valor ao que é o nosso trabalho, o nosso foco diário e damos uma resposta muito positiva na preparação para os jogos. As coisas têm corrido bem e é para continuar. Nem sempre se pode ganhar de uma forma espetacular, mas continuamos a ganhar. Esta vitória foi ainda mais valorizada graças ao bom jogo do nosso adversário.”

A estreia de Fernando
“Ainda há muitas coisas que tem de perceber, até porque pode jogar em mais do que uma posição. Tentámos nestes poucos dias passar a informação necessária para este jogo, mas vamos continuar a trabalhar e vai de certeza assimilar de uma forma diferente, num futuro próximo, aquilo que queremos para o jogo.”

Competitividade do plantel
“Temos um grupo muito competitivo, eles sabem disso. Essa competição que existe internamente é saudável e esse também tem sido um dos segredos deste FC Porto.”



RESUMO DO JOGO

SÉRGIO CONCEIÇÃO MERECE UM REFORÇO DO PLANTEL.


17 vitórias consecutivas é de facto, e sob todo e qualquer ponto de vista, notável para Sérgio Conceição e os seus jogadores. Depois do recorde de pontos do clube num campeonato com 34 equipas a 3 pontos, conquistado no ano passado, agora mais um recorde pulverizado, o de vitórias consecutivas em jogos oficiais.

Não, os recordes não dão troféus para o lindíssimo museu do clube, nem permitem propriamente que se vão fazer festas para os aliados, mas não resta qualquer dúvida que os vários recordes pulverizados desde o momento em que Sérgio assumiu o comando do FC Porto comprovam que o trabalho realizado pelo técnico português, que é sempre bom lembrar herdou um clube que não ganhava rigorosamente nada há 4 épocas consecutivas, tem sido de elevadíssimo nível.

No ano e meio que leva de trabalho no FC Porto, começam a faltar adjetivos para classificar aquilo que Sérgio tem feito pelo clube. Não falo só do saboroso e justíssimo título de campeão nacional e supertaça conquistados em apenas ano e meio, falo sobretudo do facto de ter devolvido ao clube a sua identidade, que nos 4 anos anteriores andou permanentemente pelas “ruas da amargura”. Depois também poderia falar na qualidade de jogo que o FC Porto de Conceição tem tido ao longo deste ano e meio, infinitamente melhor que em quase todo o período de seca (2013-2017).

Dito isto, vou ser claro e conciso no que vou dizer: Sérgio Conceição, mais do que ninguém, merecia um reforço efetivo do plantel neste mercado de inverno, não daqui a 5 meses nem daqui a 1 ano, mas já.

Sérgio Conceição merece efetivamente que o FC Porto faça um esforço para poder contar no seu plantel com um central de top como Pepe. Sim, é um central de top mesmo com 35 anos, ainda pode perfeitamente jogar ao mais alto nível mais 2/3 anos. Seria a uma distância larga o melhor central do campeonato português. Permitiria que outro enorme jogador, Éder Militão pudesse fazer a lateral direita, sendo uma alternativa a Maxi e Corona. Casillas na baliza, Militão na direita, Felipe e Pepe como centrais e Telles na esquerda é uma defesa de nível Champions League.

Sérgio Conceição merece efetivamente um reforço para o sector ofensivo da equipa, tentando equiparar este à qualidade que existe no sector defensivo. Acho que era preciso arriscar neste mercado de inverno e quando digo arriscar é se calhar transferir algum dos habituais titulares para tentar reforçar efetivamente o plantel. Porque não, tentar impedir que Herrera saia a custo zero no final da época, transferindo-o nesta janela de transferências e ir buscar um jogador que jorra qualidade dos pés à cabeça de seu nome Nakajima?!?!

Veremos como vai decorrer então este mercado de transferências, sendo que sinceramente não tenho grandes esperanças que haja um reforço efetivo do plantel. Se depois no final da época mesmo sem reforço do plantel e provavelmente com risco de mais saídas importantes a custo zero, as coisas correrem ainda melhor quer no campeonato, quer na Champions, é encomendar os moldes do corpo de Conceição para ir preparando uma estátua sua no museu do clube.

03 janeiro, 2019

LIDERANÇA REFORÇADA.


AVES-FC PORTO, 0-1

O jogo desta noite na Vila das Aves revelou-se de extrema importância para a equipa de Sérgio Conceição. Não que os outros jogos não sejam de igual importância, mas uma vitória esta noite significaria cimentar ainda mais a liderança num campeonato que apresenta até à data quatro sérios candidatos ao título.

Há duas jornadas atrás, o FC Porto apresentava uma vantagem de dois pontos para o 2º classificado (Sporting). Na jornada transacta, a equipa azul-e-branca passou a dispor do conforto de quatro pontos de diferença para o 2º lugar (Benfica). À hora do jogo na Vila das Aves, os Dragões tinham a oportunidade de reforçar a liderança para o 2º da tabela classificativa (Sporting), aumentando a distância para cinco pontos e não se fizeram rogados.


Isto quer dizer que, nos últimos jogos, o campeão nacional ganhou pontos aos seus eternos rivais, bem como ao quarto candidato, o Sp. Braga que, em muitas jornadas apenas baqueou estrondosamente frente ao Benfica. Assim se vai construindo o caminho rumo ao bicampeonato.

Sérgio Conceição repetiu o onze habitual que muitas vezes tem utilizado nos jogos. Um 4x4x2 completamente virado para o ataque. E, desde o início, os azuis-e-brancos encostaram o Desp. Aves atrás, não permitindo que os pupilos de José Mota saíssem em contra-golpe como é habitual. Apesar de tudo, a equipa da casa estava bem organizada defensivamente e não era fácil entrar no seu último reduto.

A partir dos 15 minutos, os Dragões começaram a ameaçar o golo. Soares, por duas vezes, de cabeça e Marega mostraram ao que vinham e só um Guarda-redes inspirado e o poste impediram que o FC Porto se adiantasse no marcador. Na outra baliza, Casillas tinha que fazer alguma coisa para não congelar numa noite bastante gélida.


Soares viu um golo bem anulado aos 23 minutos após cruzamento de Marega, mas dois minutos depois o FC Porto inaugurou mesmo o marcador. Depois de jogadas de insistência após a cobrança de um canto na baliza do Desp. Aves, Brahimi lançou a bola para a área e Militão, sem marcação, bateu Beunardeau sem qualquer dificuldade.

O jogo ganhou emoção. O Aves tentou reagir, mas o FC Porto fazia forte oposição e procurava o segundo golo. Aos 38 minutos, a bola entrou novamente na baliza de Beunardeau, mas o golo foi anulado pelo VAR. Na cobrança de um livre, Alex Telles colocou o esférico na área, mas Danilo cabeceou em fora-de-jogo. Lance bem ajuizado.

Na segunda metade, assistimos a um jogo completamente diferente. Foi preciso um FC Porto de ferro, com nervos de aço e bastante concentrado para levar de vencida este obstáculo. O Desp. Aves apostou tudo no ataque e conseguiu levar o jogo até às imediações da área portista. É certo que Casillas nunca viu a sua baliza verdadeiramente ameaçada, excepto no último lance da partida. Mas também é certo que o FC Porto baixou muito na sua produção ofensiva.


A equipa de Sérgio Conceição não conseguiu fazer o seu jogo e só numa ocasião levou perigo à baliza de Beunardeau. Alex Telles bateu um livre na direita e Danilo cabeceou a rasar o poste da baliza contrária. A terminar, Nildo Petrolina dispôs de um livre perto da área portista e rematou estrondosamente à trave. O jogo terminou logo de seguida.

Notas finais dignas de registo para ambas as equipas. Primeiro para a equipa do Desp. Aves que, nos últimos cinco jogos, apenas fez um ponto, mas deu um imenso trabalho ao FC Porto. E depois para a equipa azul-e-branca que aumentou o seu recorde de vitórias consecutivas, encontrando-se a apenas uma vitória de igualar o recorde nacional.

A bela moldura humana e o apoio incansável dos apoiantes portistas numa noite bastante fria são de enaltecer, visto que a meteorologia convidava ao conforto do lar junto dos aquecedores e lareiras. O FC Porto não tem descanso e prepara desde já o jogo da próxima jornada da Liga NOS com a recepção ao Nacional, na próxima Segunda-feira.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Resultado inteiramente justo num jogo difícil"

Primeira parte de grande nível
“Foi um jogo difícil, como tínhamos previsto. Fizemos uma primeira parte de grande nível, muito compactos. Criámos três ou quatro ocasiões para fazer golo, conseguimos marcar um. O resultado mais justo ao intervalo seria pelo menos mais um golo a nosso favor. Na segunda parte controlámos, fomos resolvendo os problemas. Podíamos ter saído com um pouco mais de critério, mas o resultado é inteiramente justo num jogo difícil, contra uma equipa que tem bons valores individuais.”


Fazer o que o jogo estava a pedir
“Provávamos algumas situações sabendo o que é o processo defensivo do Aves. Na segunda parte, senti que devíamos ter mais um médio em campo, meti também um extremo para defender mais na largura do que fazemos habitualmente. Fomos fazendo o que o jogo estava a pedir, sabendo que o adversário, com o jogo direto, numa ou outra bola parada, podia causar problemas. Estivemos muito concentrados e muito rigorosos nesse aspeto. Resumindo, foi uma vitória justa num campo difícil.”

O mais importante é o FC Porto
“Estamos atentos aos adversários mas o foco está sempre no que temos e devemos fazer. É sempre importante olhar para os adversário, mas mais importante que isso é olhar para a nossa equipa.”



RESUMO DO JOGO

02 janeiro, 2019

LEVEI O MEU SOBRINHO ÀS ANTAS!


Levei-te às Antas, tinhas acabado de fazer 5 anos. Comprei-te os bilhetes com antecedência, pois sabia que a probabilidade dos mesmos esgotarem era grande. Sabes que, em 2018, jogos às 15:00 da tarde não são frequentes. Normalmente joga-se às 20:00 ou às 21:00 e é por isso que nunca te levei antes ao futebol, porque a essa hora estás invariavelmente a dormir.

Fomos-te preparando para o grande dia durante a tua pausa no infantário para Natal. Tudo gerido com pinças, para que à última hora não começasses a chorar e dissesses que só ias ao futebol se os pais fossem também.

Chegado o grande dia, fomos almoçar a tua casa e, mesmo antes de sairmos, fui eu que te vesti: camisola – oferecida por mim quando fizeste 3 anos e que ainda te serve – e calções do Porto, como manda a lei, tal como o indispensável cachecol e uma bandeira de plástico que disseste ser para abanar durante o jogo.

Lá te colocamos no banco de trás, apertamos-te o cinto da cadeira dos pequenos e seguimos VCI fora rumo ao Dragão. Ias lá atrás, entretido com um dos nossos telemóveis, a cantar a tua preferida “O Porto é uma nação”, mas a despertar curiosidade, conforme te indiquei, para o Hino e a Marcha do FC Porto. Ao ver-te, recordei as tantas vezes em que me sentei no banco de trás do Renault 19 – de cor rara, azul à Porto, porque será? – dos meus Avós a caminho das Antas. Ao cabo de 25 anos, afinal de contas, o mundo mudou muito, mas talvez não tenha mudado tanto assim.

Como sempre, estaciono o carro em São Roque, no Jardim da Corujeira. Ao saíres do carro, provocas-me e dizes que o meu carro é do Sporting, por causa do leão da Peugeot à frente. Atravessamos o jardim e o futebol começa então a maravilhar-te. Atiras a primeira pergunta: “Oh Tio, estas pessoas todas são do Porto? Não acredito que sejam todos do Porto”. Parece incrível, sim, mas são. Todos eles, tal como tu, são portistas.

Defronte do antigo matadouro do Porto, um senhor de idade passa por ti e engraça contigo, ao ver-te todo vestido a rigor. Diz-te que espera que no final venhas a abanar o cachecol e faz-te uma festa. Não respondes e ficas a olhar para o senhor e, quando ele desaparece, explicas: “Não devemos falar com estranhos na rua, pois não?”. Explicamos que estás correcto, sim, mas que se estiveres com os teus pais, tios ou avós, podes falar sem problema.

Sobes com alguma dificuldade o caminho todo até ao Dragão, em especial aquelas escadas junto ao Museu onde há uns meses também te levei. É normal, as escadas são íngremes e as tuas pernas ainda são pequenas. Finalmente estamos na fila para entrar no estádio e constato que tens sorte na estreia: um dia de sol em pleno Dezembro, sem frio nem vento, estádio cheio de famílias felizes por poderem ver os craques a horas decentes.

Quando passas os torniquetes, parece-me, sofres o primeiro impacto. A tua Titi tem que ir para outra fila, para a revista exclusiva de mulheres, a multidão aglomera-se na entrada do estádio, a confusão aumenta, tens que te soltar da minha mão durante a revista e o segurança de serviço até te dá um pequeno empurrão para entrares no estádio. Não estás habituado a estas multidões e ficas com o olhar um pouco assustado, à procura da Titi, mas cedo te recompões e voltas ao estado de deslumbramento inicial.

Ao desceres pela primeira vez as escadas da bancada, vislumbras ao fundo o relvado, verde, brilhante, lindo como não há. Pego em ti ao colo para que possas ver melhor todo o esplendor daquele espectáculo pois afinal de contas nunca mais vais entrar pela primeira vez num estádio. Quando te sentas, apontas para uma das arquibancadas, com olhar maravilhado e perguntas se aqueles que estão lá em cima também são do Porto.

Os jogadores estão quase a entrar e tu segues as instruções do speaker, ora levantas as cartolinas, ora abanas a bandeira, ora esticas o cachecol. Não se pode dizer que estejas eufórico, antes estás algo entre o maravilhado e o assustado, incapaz de perceber bem o que fazem ali tantas pessoas juntas. De repente perguntas-me se o Iker Casillas vai jogar, respondo-te que sim e ficas como que mais descansado, como se percebesses a real importância do Iker na nossa equipa. Entretanto toca a tal música do Porto é Uma Nação e pego-te ao colo para que vejas todo estádio a cantar a mesma letra que tu cantas com os teus amigos no infantário.

O jogo começa e tu ora alternas entre o meu colo e o colo da Titi. Tentas seguir a partida, mas o espaço visual é demasiado grande para a tua idade e a tua natural falta de foco. Ora te concentras na bola, ora no jogador que cai, ora na mascote Draco, ora nas bancadas que se erguem como escarpas diante dos teus olhos.

Entretanto o Rio Ave marca e tu tentas acalmar-me: “Tio, nós sabemos que o que importa é participar, não é? Não tem mal não ganhar!”. Pese embora os olhares da tua Tia, tenho que te dar a primeira lição de portismo: Manel, ganhar é importante! Ainda antes do intervalo, o Porto dá a volta ao resultado e pego em ti ao colo nos dois golos do Porto, para que cantes e grites comigo o nome dos craques e as músicas de vitória. Ficas, uma vez mais, entre o maravilhado e o assustado com o barulho que sai do Covil do Dragão.

Chega o intervalo e já estás extenuado. Perguntas se já acabou o jogo e nota-se que os olhos já te pesam. Claramente emoções a mais para um dia só e para um coração tão pequeno. As pipocas ao intervalo ajudam-te a aguentar a segunda parte, entre milho e açúcar. O jogo termina e perguntas se o Porto ganhou. Claro que ganhou!

No trajecto de regresso ao carro, estás completamente derreado e já caminhas mais lento, mais pesado, com as pernas a darem de si. Ainda mal entraste no carro e já caíste de maduro, como se costuma dizer. A tua tia e eu fazemos a viagem com o rádio baixinho, devagar e a conversar em surdina, não vás tu acordar. Pegamos-te ao colo e vamos pôr-te de novo em casa, onde a tua Mãe, que carrega a tua irmã na barriga, te espera. Durante uns momentos não dizes nada e parece que vais voltar a adormecer, mas aos poucos lá vais recuperando e, antes de eu me ir embora, ainda me dizes que gostavas de voltar a ir ao Dragão.

Entretanto, sou eu que te tenho que agradecer, pois foi por tua causa que, ao final de mais de 8 anos, a tua Tia finalmente lá aceitou um convite meu para vir ao futebol. E apesar de não o confessar, tenho a certeza que gostou tanto como tu!

Obrigado, Manel!

Rodrigo de Almada Martins