20 setembro, 2018

LUSA MESQUINHEZ.


Na passada sexta, levei pela primeira vez a minha filha ao Dragão. A beleza e grandiosidade do estádio, as bandeiras no relvado, a massa humana pintando orgulhosamente de azul as bancadas do nosso palco de sonhos ao som do hino... Ambiente bonito. O ideal para moldar as recordações de uma criança.

O jogo começa, pardacento, com fogachos azuis e brancos, insuficientes para aquecer a brisa fresca de uma noite de fim de verão. No relvado, a bola move-se, eventualmente, nos intervalos em que algum jogador vestido de cinzento não se encontra inerte no chão. Uma boa escolha de equipamento. Cinzento, como que envergonhado das suas cores originais. Cinzenta como a mentalidade desportiva que trouxeram. Mesquinha, tacanha, reles. Os minutos continuam a correr mais do que a bola. Alguém com uma camisola garrida não parece muito importado com isso. Nem com isso, nem com o cumprimento de simples regras deste desporto, como infrações em locais proibidos. Talvez o som ensurdecedor dos assobios que enchiam a noite, lhe afagasse a virilidade. Quem sabe. A equipa de azul e branco mostra-se agora mais afoita, desperta. Com mais coração do que arte, a tão desejada união é alcançada. A da bola com a rede. De energia renovada e maleitas curadas, a equipa cinzenta tem um assomo de coragem em olhar o adversário de frente. Talvez comovido, o deus da fortuna convence o parceiro deus da competência a fechar os olhos por breves instantes. Este, submisso, acata o pedido. Empate. Sem nada que o justificasse. Daí até ao final, uma feira medieval instalou-se dentro das quatro linhas, com a trupe cinzenta a evocar os picos das pestes do séc. XIV, tal era a facilidade com que a brisa nocturna fazia tombar fortes atletas. Um final épico ainda foi festejado, contudo não fazia parte do argumento.

Sim. Esta foi a estreia da minha filha no Dragão.
Um suposto espectáculo sabotado por duas das três equipas em campo

Pasmo-me quando vejo determinados agentes desportivos preocupados com a saúde do futebol nacional. Não são as investigações e denuncias de alegados crimes que matam o futebol. Veja-se o exemplo italiano. O papel da justiça é punir criminosos, seja no futebol, política ou outra área qualquer.

O que mata o futebol em Portugal, é esta atitude mesquinha, este subterfúgio de utilizar expedientes rascas, este total desrespeito por adversários e espectadores. Não me refiro à perda de tempo, quando a 5 minutos do fim, uma equipa vence outra pela margem mínima, numa final, ou num jogo decisivo. Essa ansiedade/medo é humana e compreensível. Contudo, não foi isso que vimos sexta-feira, ou em inúmeras vezes em Portugal. Por cá, os jogadores vêm incutidos do balneário para perder tempo de qualquer maneira. Para enervar o adversário. Para simular e mentir. Desde o primeiro minuto. Tudo isto a coberto dos energúmenos da nossa comunicação social que pactuam com este tipo de jogo sujo.

Dizer que os pobrezinhos dos pequeninos não têm outras armas, é pura falácia. Em todos os campeonatos, existem sempre equipas fracas. Contudo, seria inimaginável ver-se em Inglaterra, Alemanha, Espanha ou França o tipo de comportamento que vemos nos nossos relvados. É uma questão de atitude de alguns (demasiados) treinadores lusos, infelizmente baseada numa certa forma de ser de muitas franjas da população lusitana.

Sinceramente, tinha curiosidade de saber se Daniel Ramos se orgulharia que os seus filhos presenciassem a atitude rasca que o pai incutiu na sua equipa na passada sexta. Fica a questão!

Cumprimentos Portistas

PS. Por falar em equipamentos cinzentos, não sou nada fã do nosso terceiro equipamento. Haveriam opções bem melhores.

18 setembro, 2018

UM PONTO MUITO CURTO.


SCHALKE 04-FC PORTO, 1-1

O FC Porto regressou pela terceira vez ao estádio onde se sagrou campeão europeu. Os Dragões, em três duelos forasteiros com o Schalke 04, continuam sem vencer. E desta vez perderam uma oportunidade soberana de sair com os três pontos no bornal. Oportunidades não faltaram para isso e em jogo jogado os azuis-e-brancos produziram o mais que suficiente para ganhar a partida.

A etapa inicial do encontro começou com os alemães a tentarem assumir o jogo, mas o FC Porto respondia à altura e chegava com alguma facilidade à baliza contrária. Aos 12 minutos, os Dragões têm a primeira grande oportunidade de se colocar na frente do marcador.


Um lançamento lateral para a área, efectuado por Alex Telles, foi interrompido por Naldo com a mão esquerda. O árbitro assinalou de pronto o pontapé de penalty. Alex Telles converteu o castigo máximo com pouca convicção e o marcador manteve-se inalterável.

Depois deste lance o jogo mudou um pouco. O Schalke 04 cresceu na partida, tornou-se mais agressivo e foi superior ao FC Porto. Os portistas sentiram a oportunidade desperdiçada e permitiram a ascensão germânica. Os Dragões foram um pouco apertados e não foram tão lúcidos nas saídas para o ataque. A falta de clarividência e alguma lentidão do meio-campo portista emperraram o jogo azul-e-branco.

No entanto, o Schalke 04, apesar de tentar o “assalto” à baliza de Casillas, não criou oportunidades dignas de registo. O intervalo ajudou a equipa portista a recuperar alguns índices de confiança para encarar a etapa complementar.


Numa jogada estudada, muito semelhante à que deu o golo ao FC Porto, na Turquia, na época passada, frente ao Besiktas, quase que abriu o marcador. Alex Telles simulou um livre para a grande área, colocou na direita, Otávio cruzou para entrada fulminante de Felipe. O remate do brasileiro bateu, casualmente e de uma forma extremamente feliz, na perna do Guarda-redes germânico. Segunda oportunidade de ouro para os homens de Sérgio Conceição se colocarem na liderança.

Os alemães procuraram responder, mas o FC Porto tinha o jogo relativamente controlado. Aos 63 minutos, o FC Porto beneficiou de um pontapé de canto, a bola foi aliviada pela defesa do Schalke 04, sobrou para Herrera que, de seguida, perdeu o esférico. Os alemães lançaram uma rápida transição ofensiva, apanhando em contrapé a equipa portista.

McKennie, lançado em profundidade, desmarcou Embolo na área e, perante Casillas, rematou para a baliza. Corona e Otávio em cima da linha não conseguiram reagir ao remate do jogador da equipa alemã.


Se o resultado era injusto até aqui, depois do golo germânico percebia-se que o FC Porto estava a ser demasiado castigado perante a sua ineficácia. Mas ainda havia muito jogo para se disputar. Os alemães, letais no contra-ataque, perante a equipa do FC Porto bastante subida no seu estilo de jogo, teriam agora ainda mais espaços para explorar.Mas aos jogadores de Sérgio Conceição não restava senão partir em busca do golo.

Alguma justiça chegou dez minutos volvidos. Marega, em disputa na grande área, ganhou a bola e foi tocado no tornozelo por um defesa contrário. Segunda grande penalidade prontamente assinalada pelo árbitro do jogo. Otávio chamou a si a responsabilidade de bater o lance. O médio brasileiro, muito bem, empatou o jogo colocando alguma justiça no marcador.

Oito minutos depois, o FC Porto teve novo lance de perigo na área da equipa de Gelsenkirchen. Canto batido por Alex Telles, bola rechaçada para a entrada da área e Otávio rematou para defesa aparatosa do Guarda-redes alemão. A equipa do Schalke 04 tinha a sorte pelo seu lado e tentou nos minutos finais apostar no jogo aéreo, mas sem resultados práticos.


Um empate muito pequenino na estreia da edição 2018-19 da UEFA Champions League é a sensação que fica entre todos os portistas. Apesar de tudo poderá ser um ponto importante para as contas finais da fase de grupos.

Destaques finais para o regresso de “Danilão”, essencial no meio campo azul-e-branco, e para a exibição segura e personalizada de Militão no centro da defesa portista.

O FC Porto vai preparar desde já o jogo com o V. Setúbal, no Bonfim, aprazado para a noite do próximo Sábado. A Champions League vai regressar nos inícios de Outubro com a recepção do FC Porto aos turcos do Galatasaray.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Não foi um jogo brilhante, mas consistente"

Aquele penálti...
“Antes de mais, temos consciência da prova em que estamos inseridos. Isto é a Liga dos Campeões e todos os jogos são difíceis, muito competitivos e frente a equipas com características diferentes daquelas a que estamos habituados em Portugal. Entrámos bem no jogo, tivemos uma grande oportunidade para marcar e, a partir dos 25 minutos, o Schalke apostou num jogo mais direto, mas estávamos precavidos. O Schalke marcou num lance em que há um ou outro erro individual. Não baixámos os braços e creio que fomos sempre superiores, mesmo não fazendo um jogo brilhante. Tivemos mais posse de bola, mais remates e ainda falhámos um penálti. Não foi um jogo brilhante, mas consistente. Foi pena não termos concretizado o penálti, pois acredito que até o jogo teria sido diferente.”

Danilo e o crescimento da equipa
“Preparamos os jogos sempre para ganhar. Não perder é positivo, mas ganhar era melhor. Procuramos sempre marcar posição quando entramos em campo, pois somos o FC Porto. Agora vamos pensar no Vitória de Setúbal, pois é o próximo adversário que temos. Somos uma equipa competitiva e é de louvar o regresso de um jogador importante para nós, o Danilo. Há coisas positivas e outras não tão boas, mas faz parte do crescimento da equipa. A haver um vencedor, na minha opinião, seria o FC Porto.”


O futuro próximo
“Tivemos o Éder Militão, que chegou há pouco tempo e que fez um belíssimo jogo na estreia na Liga dos Campeões, e o Danilo, que voltou agora após uma paragem de cinco meses e que fez um jogo fantástico. Há jogadores que ainda não estão na forma que quero e que sei que podem atingir, mas tudo vem com o trabalho. O futuro só depende de nós e daquilo que fazemos em campo. Estou muito otimista com o futuro próximo do FC Porto e tenho a certeza que voltaremos a ter o andamento da época passada. A forma como os jogadores interiorizam o trabalho é incrivél, e depois têm uma entrega ao jogo fantástica.”

Ambição na Liga dos Campeões
“Somos livres para sonharmos o que quisermos e isso é importante. Trabalhamos para ganhar, mas temos consciência de que a Liga dos Campeões é uma competição difícil e que está reservada para um grupo de equipas que sabemos quais são. Os que têm maior potencial financeiro devem sonhar ainda mais do que nós. Temos uma vontade enorme de ganhar todos os jogos, mas quero é ver a equipa a crescer. No mínimo, queremos passar a fase de grupos.”



RESUMO DO JOGO

14 setembro, 2018

A MALAPATA DA TAÇA DA LIGA.


FC PORTO-CHAVES, 1-1

O FC Porto tem, de facto, uma estranha relação com a Taça da Liga. Desde a sua estreia no panorama desportivo nacional, os azuis-e-brancos não se dão bem com os ares desta competição. Ano após ano, os azuis-e-brancos têm grandes dificuldades em levar de vencida os seus adversários e em chegar ao derradeiro jogo de uma prova que nunca foi vista com simpatia pelo FC Porto. Sérgio Conceição, no entanto, desde que ingressou no clube, faz questão de mostrar que a Taça da Liga é um troféu para vencer e esta noite voltou a reforçar essa ideia.


Apesar de tudo, o resultado alcançado vai obrigar o FC Porto a fazer dois resultados convincentes nos próximos dois jogos: em casa com o Varzim e, no Jamor, com o Belenenses. Os Dragões empataram em casa com o Desp. Chaves, pela primeira vez na sua história, num jogo em que os flavienses estiveram mais preocupados em promover o anti-jogo do que em contribuir para o espectáculo dentro das quatro linhas.

Sérgio Conceição operou algumas mexidas na sua equipa, com destaque para as estreias de Vaná e de João Pedro. Os azuis-e-brancos entraram com intenção de marcar cedo e Felipe revelou-se o protagonista desta fase do jogo. Primeiro com um desvio de calcanhar para defesa do Guarda-redes contrário e depois, num cabeceamento à figura do mesmo.

O Desp. Chaves alimentava as perdas de tempo, a simulação de lesões e jogava completamente com o relógio. Depois dos 5-0 com que foram brindados na 1ª Jornada da Liga NOS, Daniel Ramos preparou a equipa para fazer este jogo miserabilista. Marega ainda tentou o golo aos 22 minutos, mas a sorte nada quis com o maliano.


O árbitro, complacente com a postura da equipa transmontana, deu dois miseráveis minutos de compensação, no final da primeira parte, o que levou à reacção enérgica e intempestiva de Sérgio Conceição. Com esta reacção do treinador portista, o homem do apito, provavelmente para mostrar algo a alguém, mandou, de imediato, o timoneiro portista para as cabines.

Na segunda metade, a parte inicial continuou com a mesma toada. O FC Porto com vontade de marcar e de chegar à baliza contrária e o Desp. Chaves a contar com a aprovação do juiz de campo para explanar o seu anti-futebol a toda a largura do campo.

Brahimi e Hernâni entraram para tentar resolver o jogo e com as suas presenças, o FC Porto aproximou-se perigosamente da baliza contrária. Até que aos 74 minutos, o argelino, a passe de Herrera, entrou na grande área, pela esquerda, cruzou, a bola sobrou para Hernâni que, num remate espontâneo, bateu António Filipe. Estava feito o mais difícil.


O anti-jogo flaviense, de repente, desapareceu do relvado do Dragão. O Chaves procurou, então, modificar alguma coisa e, numa jogada pela esquerda, a bola foi cruzada para a área portista onde Eustáquio surgiu no segundo poste a bater Vaná. Uma injustiça de todo o tamanho que viria, ainda, a ser acrescentada por uma grande penalidade sobre Aboubakar sonegada, escandalosamente, pelo árbitro da partida.

A terminar o jogo, Jefferson obrigou Vaná à defesa da noite e, logo a seguir, Aboubakar colocou a bola na baliza do Chaves com a mão. O árbitro assinalou o golo, mas depois a decisão foi revertida, e bem, pelo árbitro auxiliar.

É um ensaio pouco inspirador para a estreia na UEFA Champions League, mas não há jogos iguais. O FC Porto poupou algumas peças do seu onze habitual e, com certeza, que na próxima Terça-feira dará uma resposta cabal, na Alemanha quando defrontar o Schalke 04, num saudoso estádio, em Gelsenkirchen.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "O árbitro teve pouca mão no jogo"

Tempo útil de jogo muito curto
“Tivemos entre 12 a 15 minutos de tempo útil de jogo na primeira parte. Cada reposição de jogo do guarda-redes demorava 20, 30 ou 40 segundos, por isso é que me vim embora. Ao intervalo, disse que o tempo útil de jogo era muito curto, muito curto. Obviamente que não falei neste tom, falei num tom mais exaltado, mas foi isto que disse. Vi o árbitro com pouca confiança, com pouco caráter, com algum receio até durante o jogo, pareceu-me estar pouco seguro. A minha expulsão teve a ver com isso, com a forma de estar dele. Estavam lá 12, 15 pessoas que podem testemunhar isso. Não foi por algo mais, foi exatamente isto que se passou e com testemunhas.”

Faltou maior dinâmica e velocidade
“Houve alguma ineficácia da nossa parte. Sabemos que as equipas do Daniel Ramos, quando a equipa adversária joga com dois avançados, encaixam um médio defensivo junto aos centrais. Faltou-nos alguma dinâmica, alguma velocidade na circulação também. Penso que tivemos algumas ocasiões de golo e, não fazendo um jogo espetacular, merecíamos sem dúvida ganhar este jogo.”


Ambição intacta na Taça da Liga
“Queremos ir mais longe nesta competição e eu quero ganhá-la. Vamos fazer tudo para que isso aconteça. Mas temos de meter gente competente, gente que contribua para o espetáculo. Penso que a Liga deu lucro e hoje por exemplo, se tivéssemos aqui o VAR, teríamos conseguido um resultado melhor que o empate.”

Moldura humana bastante interessante
“Esteve uma moldura humana bastante interessante, esta empatia e este envolvimento que eles conseguem criar com a equipa é importante. Da nossa parte, devíamos ter feito um pouco mais, para além daquilo tudo que falei. Um adversário com constantes perdas de tempo, com constante antijogo, foi por isso que falei ao intervalo, porque o árbitro teve pouca mão no jogo.”



RESUMO DO JOGO

05 setembro, 2018

ENGRENAGENS EMPERRADAS.


Em época de reentrés, também eu faço aqui a minha, após um curto e merecido período de férias. Por limitação geográfica (e tecnológica), o reset nas incidências futebolísticas foi quase total, excepto no pontual retorno nostálgico ao velhinho relato para acompanhar as incidências dos jogos com Belenenses e Guimarães.

Como tal, não me vou alongar em acontecimentos de Agosto, debruçando-me essencialmente no que vi a partir deste fim de semana.

Não foi nada auspicioso o que vi.

Vi basicamente os mesmos nomes do ano passado, com uma atitude insegura que nos remete para a pavorosa época Lopetegui/Rui Barros/Peseiro.

Numa óptica optimista, poderá ser apenas um momento fugaz, facilmente ultrapassável se solidificado com vitórias nos próximos compromissos. É tradicionalmente sabido que o período de transferências tem um grande impacto psicológico nos jogadores, especialmente nas equipas vendedoras como o são as nacionais, o que se reflete forçosamente dentro das quatro linhas. A juntar a este foco de instabilidade, é sempre necessário tempo para a adaptação a novos métodos e rotinas de jogo nos jogadores que entram, por forma a que consigam substituir e acrescentar valor àqueles que saíram.

Isto poderá justificar o que se passou no Jamor e no Dragão com o Vitória. Depois de 2 jogos mal conseguidos, e pressionada com as vitórias dos rivais, é compreensível que a equipa se sinta em brasas, como se viu neste jogo com o Moreirense.

De um ponto de vista mais pragmático, existem diferenças no discurso de Sérgio Conceição, que podem inconscientemente estar a prejudicar a equipa. Ao contrário da época passada, onde o treinador passou sempre uma mensagem assertiva de confiança e crença absoluta no êxito, independentemente das rasteiras e contratempos colocados no seu caminho, a presente temporada trouxe um Sérgio menos humilde, quer com jogadores, quer com a direcção.

Não que a razão não lhe assista. Alguns jogadores eram efectivamente fracos demais para um clube como o FCP, e a SAD - mais uma vez - geriu o dossiêr de contratações, com a leveza de um elefante numa loja de cristais. Contudo, tais quezílias podem provocar fissuras na confiança da equipa. As recentes analogias entre a qualidade de jogo e enologia, ou os parabéns a um adversário, que praticamente marcou golo em todas as vezes que chutou à baliza, podem transformar a fissura, num pequeno buraco. Daí ao colapso...

Para bem de todos, e principalmente do FC Porto, esperemos que a silly season e o fim da janela de transferências, tenham trazido alguma paz de espírito à equipa, e ao seu treinador.

Independentemente das críticas que Sérgio Conceição possa merecer, ou não, é de um absurdo total, e de uma insultuosa ingratidão, o burburinho tímido de alguns portistas - se lhes podemos chamar assim - a pedir a cabeça do treinador. Haja decoro!


Lista A: Casillas, Vaná, Maxi Pereira, Éder Militão, Felipe, Alex Telles, Jorge, Óliver, Herrera, Danilo, Bazoer, Otávio, Sérgio Oliveira, Hernâni, Brahimi, Aboubakar, Marega, Corona, Adrián López e André Pereira

Lista B: Diogo Costa, Chidozie, Diogo Leite e Bruno Costa.

São estes os escolhidos para atingir os Oitavos da Champions.

Olhando para o grupo que nos calhou, e para um FC Porto de outros tempos, diria que era para fazermos o pleno de pontos. Para o Porto atual, apesar de termos obrigação de passar esta fase, ela estará longe de ser um mero passeio. Sendo, teoricamente, um grupo mais acessível do que o da temporada passada, não é menos verdade que, teoricamente, o nosso plantel também é mais fraco do que o da época passada.

Mais do que a surpresa de Adrián López, ou mesmo Hernâni, estarem entre os escolhidos, estranha-se que Bazoer, um recém-chegado, que vem de duas épocas medianas no Wolfsburgo (e por empréstimo...), seja preferido a João Pedro, que seria a alternativa lógica a Maxi. Assim, para substituto de Maxi, teremos Éder Militão, que por sua vez terá sair do eixo da defesa, cedendo o lugar a Diogo Leite. Se alguma lesão acontecer a um elemento da defesa, teremos que passar à fase do improviso. Confuso, no mínimo, para um sector onde rotinas e estabilidade é meio caminho andado para o sucesso.

Contratar 2 defesas laterais de raiz numa pré-época, e ter que se socorrer à pressa da renovação de um pré-reformado para garantir os mínimos de qualidade a um flanco, não é azar. É incompetência.

Cumprimentos Portistas

PS.- Surgiu já fora do alcance desta crónica, mas nunca é tarde para referir. Parece que nova bomba vai rebentar para os lados galináceos. Desta vez, não é Francisco J. Marques o protagonista principal. É o próprio Ministério Público. Algo me diz que o gabinete de crise vai ter que fazer horas extra :-)

02 setembro, 2018

REGRESSO ÀS VITÓRIAS.


FC PORTO-MOREIRENSE, 3-0

O FC Porto regressou, esta noite, às vitórias na Liga NOS depois de um terrível percalço na última jornada e que tirou a liderança da prova aos azuis-e-brancos. O jogo não foi famoso, nem mostrou a qualidade a que nos habituou o treinador Sérgio Conceição.

A equipa não está oleada nem de perto, nem de longe. Há muito trabalho pela frente e muitas afinações para fazer. Sérgio Conceição agradece esta paragem para compromissos de selecções. Primeiro para trabalhar um maior e melhor entrosamento dos novos jogadores e depois para delinear estratégias, de forma a preparar a equipa para o próximo ciclo de jogos com a Champions League pelo meio.


O jogo com o Moreirense foi uma partida em que o FC Porto teve uma entrada satisfatória, mas depois a etapa complementar deixou muito a desejar. A equipa responde bem na etapa inicial e tem uma quebra na segunda parte. Assim se verificou nos jogos com o Belenenses e com o V. Guimarães, com desfechos antagónicos. O Moreirense mostrou bons apontamentos e incomodou o FC Porto, de certa forma.

No onze inicial, destaque para a estreia de Éder Militão e para o regresso de Marega à titularidade para ocuparem as vagas de Diogo Leite e André Pereira, respectivamente.


Nos minutos iniciais, o FC Porto mostrou o habitual ascendente e chegou a beneficiar de uma grande penalidade sobre Aboubakar, revertida, à posteriori, e bem pelo VAR. Mas aos 15 minutos, após a cobrança de um pontapé de canto, Militão subiu ao segundo andar, desviou a bola para Herrera atirar para a baliza de Jhonathan. Estava feito o mais difícil. Os Dragões mantiveram o acelerador a fundo e o 2-0 chegou perto da meia hora, após bela jogada pela meia direita com Marega a rematar cruzado ao poste e Aboubakar a recargar para o fundo das malhas.

Sobre a primeira parte estamos conversados. Típica etapa inicial dos Dragões, idêntica à do jogo com o V. Guimarães. Na segunda parte, o marasmo regressou para atormentar a equipa azul-e-branca. Há atletas que estão fora de forma e outros que revelam a idade nas pernas, como é o caso de Maxi Pereira. Para além disso, os portistas não estão a gerir bem os ritmos e dinâmicas durante os jogos e isso tem colocado a própria equipa em sobressalto. Nota para a intervenção de Herrera aos 70 minutos quando tratou de reunir as tropas num momento de paragem instantânea no jogo.


O Moreirense dividiu a etapa complementar com o FC Porto, quer no domínio territorial, quer nas oportunidades de golo. Apesar de tudo, o jogo acabou por correr bem aos Dragões que, ao cair do pano, sentenciaram o jogo com um golo de Marega a concluir uma bela jogada de Otávio pela esquerda. Um resultado algo exagerado perante a produção de jogo das duas equipas em campo.

Valeu pelo resultado e pelo regresso de Danilo à competição, cinco meses após longa paragem por lesão. Um regresso muito aplaudido nas bancadas do Dragão. Notas finais para a estreia muito interessante de Militão e para a bela moldura humana que, mais uma vez, pintou o anfiteatro de azul e branco.

O FC Porto regressa à competição no fim-de-semana de 15-16 de Setembro com o Desp. Chaves, num jogo a contar para a Taça da Liga que antecede o jogo inaugural da Champions League. A Liga NOS só regressa no fim-de-semana de 22-23 com a deslocação dos Dragões ao Estádio do Bonfim.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Iremos voltar a ser tudo aquilo que fomos"

Entrada forte no jogo
“Foi uma entrada forte no jogo, em que conseguimos fazer dois golos contra uma equipa que veio aqui discutir o jogo, uma equipa chata, com qualidade. Hoje em dia, toda a gente trabalha bem, de forma organizada, e se baixarmos um pouco a intensidade, o nosso ritmo, não fica fácil. Mais de 50 por cento dos jogadores que entraram hoje em campo chegaram mais tarde, o Brahimi esteve sem treinar vários dias, o Marega esteve fora, ainda não tem ritmo de jogo, o Danilo esteve de fora e voltou, é de realçar, assim como o golo do Marega. O regresso do Danilo é extremamente importante para o grupo. É um jogador importante até pelo seu espírito.”

Vinho tinto ou champanhe?
“Hoje foi um bocadinho das duas coisas. Tivemos convidados que vieram para participar na festa. É de louvar o trabalho que o Ivo Vieira tem feito no Moreirense. Como disse, acho que é uma equipa que vai conseguir vencer mais jogos fora que em casa.”

Satisfeito pelo resultado
“Era importante dar uma resposta, principalmente no resultado. Iremos voltar a ser tudo aquilo que fomos, de certeza.”


Sobre a paragem
“É importante esta paragem, neste momento. Temos alguns jogadores nas seleções, isso é positivo, há que trabalhar estes novos jogadores e inseri-los no contexto da equipa.”

A importância dos adeptos
“Somos todos um. Estamos todos aqui a lutar pelo mesmo, pelas vitórias. Espero que surjam muitas, porque eles merecem. Mesmo na segunda parte, em momentos em que estivemos menos bem, puxaram por nós.”

O abraço dos jogadores a Moreno
“O Moreno está com um problema familiar, vai ter de se ausentar, e somos todos importantes no clube. Há um respeito grande por toda a gente que trabalha, seja o roupeiro, seja o homem que trata da relva, merecem o mesmo respeito que as pessoas mais importantes do clube.”

Militão na seleção do Brasil
“Os meus parabéns ao Militão. Um jovem de 20 anos chegar à seleção do Brasil é de louvar. Parece-me uma pessoa equilibrada, não só no jogo como fora dele.”



RESUMO DO JOGO

31 agosto, 2018

A ÉPOCA DAS NOSSAS MODALIDADES - BASQUETEBOL / ADV. EUROPEUS.


Na sequência dos posts anteriores hoje irei-me debruçar sobre os adversários europeus da equipa de....
  • BASQUETEBOL
A nossa equipa de basquetebol inicia a época com a eliminatória perante o BC Nizhny Novgorod com jogos no Dragão Caixa a 20 de Setembro e a deslocação a Nizhny Novgorod a 22 de Setembro.

À semelhança do adversário europeu da equipa de andebol, também este adversário foi fundado no ano 2000. As semelhanças com o adversário do andebol não ficam pelo ano da fundação já que também esta equipa não tem títulos nacionais relevantes, sendo as melhores performances o título de campeão da 2ª divisão em 2010 e um 2º lugar na 1ª divisão russa em 2013/14. Na taça russa também a melhor performance é um vice-título em 2011 e 2018.

A nível internacional o ano de 2013/14 foi, ainda, o ano de melhor performance com a presença nas meias-finais.

Na época de 2017/18, o nosso adversário também esteve presente nesta fase da Liga dos Campeões onde defrontaram os Antwerp Giants e cujo desfecho foram 2 derrotas, tendo sido relegados para a FIBA Europe Cup onde jogaram no grupo H e se qualificaram em 1º lugar com um saldo de 5 vitórias e apenas 1 derrota. Na 2ª fase de grupos, disputaram o grupo I e apuraram-se em 2º lugar com um saldo de 3 vitórias e 3 derrotas.

Com esta classificação, nos 1/8 final defrontaram os cipriotas Keravnos Strovolou B.C. onde o desfecho foram 2 vitórias para os russos. Nos 1/4 final o adversário foi o S.S.P. Reyer Venezia Mestre onde uma derrota na 1ª mão em Itália e uma vitória no jogo na Rússia foi insuficiente para lograrem o apuramento. A equipa que eliminou o nosso adversário em 2017/18 acabou por vencer a competição o que dá ainda mais valor à campanhã europeia do nosso adversário.


A nossa presença em 2017/18 iniciou-se com a pré-eliminatória da FIBA Europe Cup perante os israelitas do Bnei Rav-Bariach Herzliya, onde no agregado vencemos por 151-150. Na fase de grupos ficamos classificados no Grupo C, onde a nossa performance se cifrou por 3 vitórias e 3 derrotas, que impediu o nosso apuramento. Um dos nossos adversários na 1ª fase de grupos, Kataja Basket Club, ficou no grupo I e no confronto com o Nizhny Novgorod teve 2 derrotas o que demonstra o valor da equipa que nos calhou em sorte na Liga dos Campeões de Basquetebol.

O plantel do nosso adversário sofreu uma reformulação face à época anterior o que não nos permite aferir a real valia deste plantel uma vez que as performances de 2017/18 foram-no com um plantel claramente diferente do que nos irá defrontar a 20 e 22 de Setembro.

Até à eliminatória com o FC Porto, o nosso adversário irá defrontar 3 equipas eslovenas (Sencur, Olimpija Ljubliana e Zlatorog), os turcos do Besiktas, os Montenegrinos do Buducnost e ainda 2 equipas sérvias (FMP Belgrad e Estrela Vermelha). Deste leque de adversários, podemos notar uma preparação muito forte com adversários de enorme valia, onde podemos dar especial destaque ao adversário Montenegrino que irá participar na Liga Europeia 2018/19.

Tendo o nosso plantel sofrido, como acontece anualmente, algumas mexidas importantes e sendo esta eliminatória numa fase muito precoce da temporada, acredito que será uma eliminatória muito complicada para as nossas cores e o desfecho mais real deverá ser a “despromoção” para a FIBA Europe Cup. No entanto, um pavilhão cheio e com grande apoio a 20 de Setembro, poderá ajudar a criar uma vantagem que permita sonhar no jogo em solo russo pelo que todo o apoio é fundamental no dia 20 de Setembro.

Abraço,
Delindro.

30 agosto, 2018

LIGA CAMPEÕES 2018/2019 - SORTEIO FASE GRUPOS.


Lokomotiv, Schalke e Galatasaray no caminho europeu
FC Porto integra o Grupo D da Liga dos Campeões ao lado de russos, alemães e turcos

O sorteio da fase de grupos da edição 2018/19 da Liga dos Campeões realizado na tarde desta quinta-feira, no Mónaco, ditou que o FC Porto terá como adversários os russos do Lokomotiv Moscovo, os alemães do Schalke 04 e os turcos do Galatasaray. Os quatro clubes integram o Grupo D da mais prestigiada competição europeia de clubes, na qual os Dragões são recordistas de presenças (23) ao lado de Barcelona e Real Madrid.

O Lokomotiv é o atual campeão da Rússia e nunca defrontou o FC Porto nas competições europeias. O plantel orientado por Yuri Semin integra dois internacionais portugueses: o médio Manuel Fernandes e o avançado Éder, que apontou o golo que deu aos ferroviários o terceiro título de campeão do palmarés, no qual ainda juntam sete Taças da Rússia.

O Schalke 04 é o único dos três adversários que já defrontou os portistas em jogos oficiais, sendo que a última vez foi há precisamente dez anos, nos oitavos de final da Champions. É treinado pelo germano-italiano Domenico Tedesco, que conduziu os azuis reais ao segundo lugar da Bundesliga e joga no estádio onde, em 2004, o FC Porto se sagrou campeão europeu pela segunda vez na história, com uma vitória sobre o Mónaco por 3-0.

Os campeões da Turquia voltam a cruzar-se com os portistas pela segunda época consecutiva. Se em 2017/18 foi o Besiktas, desta vez é o Galatasaray comandado por Fatih Terim que, na sua quarta passagem pelo clube, o levou à conquista do 21.º título de campeão nacional. No plantel dos leões turcos alinham dois brasileiros bem conhecidos dos portistas, o central Maicon e o médio Fernando.



CALENDÁRIO DO GRUPO D

1.ª jornada (18/09/18)
Schalke 04-FC Porto (20h00)
Galatasaray-Lokomotiv Moscovo (20h00)

2.ª jornada (03/10/18)
FC Porto-Galatasaray (20h00)
Lokomotiv Moscovo-Schalke 04 (17h55)

3.ª jornada (24/10/18)
Lokomotiv Moscovo-FC Porto (20h00)
Galatasaray-Schalke 04 (20h00)

4.ª jornada (06/11/18)
FC Porto-Lokomotiv Moscovo (20h00)
Schalke 04-Galatasaray (20h00)

5.ª jornada (28/11/18)
FC Porto-Schalke 04 (20h00)
Lokomotiv Moscovo-Galatasaray (17h55)

6.ª jornada (11/12/18)
Galatasaray-FC Porto (17h55)
Schalke 04-Lokomotiv Moscovo (17h55)



FASE DE GRUPOS DA LIGA DOS CAMPEÕES 2018/19

Grupo D: Lokomotiv Moscovo (Rússia), FC PORTO (Portugal), Schalke 04 (Alemanha), Galatasaray (Turquia)

Grupo A: Atlético Madrid (Espanha), Borussia Dortmund (Alemanha), Mónaco (França), Club Brugge (Bélgica)

Grupo B: Barcelona (Espanha), Tottenham (Inglaterra), PSV Eindhoven (Holanda), Inter (Itália)

Grupo C: Paris Saint-Germain (França), Nápoles (Itália), Liverpool (Inglaterra), Estrela Vermelha (Sérvia)

Grupo E: Bayern (Alemanha), Benfica (Portugal), Ajax (Holanda), AEK Atenas (Grécia)

Grupo F: Manchester City (Inglaterra), Shakhtar Donetsk (Ucrânia), Lyon (França), Hoffenheim (Alemanha)

Grupo G: Real Madrid (Espanha), Roma (Itália), CSKA Moscovo (Rússia), Viktoria Plzen (República Checa)

Grupo H: Juventus (Itália), Manchester United (Inglaterra), Valência (Espanha), Young Boys (Suíça)

OS 5 PROBLEMAS QUE ESTÃO A AFECTAR O ARRANQUE DO FC PORTO.


1. Ausência de Marcano
Uns apontam as falhas de Maxi, outros lembram a displicência de Telles. Para mim, nem uma coisa nem outra. Maxi começou a época, aliás, a todo o gás, enquanto que Telles é somente um lateral de calibre selecção brasileira. O maior problema tem dois nomes: Ivan Marcano. Todos os grandes centrais do FC Porto – e eles foram ENORMES – afirmaram-se já depois dos 24 anos.
Estava nas Antas quando vi a estreia desastrosa de Ricardo Carvalho, com as nossas cores, oferencendo um golo de bandeja a um avançado adversário. Viria a ser o melhor defesa do mundo (o melhor de sempre na Premier League), mas naquele dia ainda não estava preparado. Jorge Costa andou por vários empréstimos antes de chegar ao FC Porto e, mesmo quando teve lugar no plantel, suportou ser uma segunda escolha, atrás de Aloísio, Couto e José Carlos. Pepe era fortemente assobiado nos inícios de Dragão e Bruno Alves, também ele, demorou bastante a afirmar-se de azul-e-branco. Dizendo isto, Diogo Leite tem todas as qualidades para ser um central à Porto, mas ainda tem que amadurecer.
Felipe é um grande central, mas vemos hoje que o líder da defesa era claramente Marcano, central rodado, experiente e que, sem necessitar de chamar a atenção, limpava a área com categoria e eficácia.

2. Falta Músculo a meio-campo
O Porto de Conceição é capaz de passar 80% dos jogos a atacar e a carregar nos adversários. No entanto, nenhuma equipa no mundo pode dispensar um verdadeiro carregador de piano. Isso ficou bastante claro desde aquela mítica saída de Makelelé do Real Madrid. O clube madrileno aprendeu isso e hoje em dia não dispensa Casemiro à frente da defesa. O Barcelona não admite vender Busquets. O City de Guardiola utiliza Fernandinho, o Bayern joga com Javi Martínez. O FC Porto, fruto da difícil lesão de Danilo, joga com dois médios box-to-box, mas que não apresentam, nenhum deles, as normais características de um trinco.
Mesmo a nível de cultura FC Porto, o chamado trinco que protege a zona defronte dos centrais assume já uma importância histórica. Vários nomes de eleição fizeram essa posição: Paulinho, Paredes, Costinha, Assunção, Fernando e agora Danilo.
Herrera e Sérgio Oliveira vinham dando conta do recado, mas, para um campeonato inteiro, a falta de um trinco na verdadeira acepção da palavra é dramática para qualquer equipa. A ausência do português tem até uma dupla consequência: além de não termos ninguém fadado para proteger a zona 6, temos Herrera mais preocupado em defender e incapaz de pressionar mais à frente. Assim, o regresso de Danilo poderá soltar Herrera para funções mais adiantadas, dando-lhe liberdade de pressionar e de iniciar a construção em terrenos mais próximos da baliza.

3. O Fantasma chamado Abou
No ano passado, Abou e Soares apareceram como a dupla de eleição do ataque de pré-época do FC Porto. Notava-se no camaronês uma enorme alegria em campo. Entretanto, Soares lesionou-se (tal como agora…) e Marega saltou para o 11. Nesse arranque demolidor, Abou fez quease a totalidade dos 30 tentos com que viria a acabar a época. Este Aboubakar é um jogador totalmente diferente: triste, acabrunhado, lento, de ombros caídos, sem chama, incapaz de surgir desmarcado para armar o remate. Nenhuma equipa grande resiste à ausência de um grande avançado.

4. As Lesões e a Menor Concorrência
Começar uma época sem Danilo não é fácil; ver um reforço como Mbemba chegar e lesionar-se no 1º treino muito menos; depois foi a vez de Soares, num filme já com demasiadas repetições; agora são as queixas musculares de Brahimi e Corona. Ou os jogadores estão a trabalhar pouco ou estão a trabalhar com cargas demasiado pesadas. A rever com atenção.
No ano passado, Iker teve em José Sá uma sombra. Ricardo Pereira nunca pôde descansar, pois Maxi é um profissional de corpo inteiro. Alex Telles tinha em Dalot uma alternativa mais do que viável. Felipe, Marcano e Reyes tinham todos estatuto de titulares. Danilo tinha Sérgio Oliveira a morder-lhe os calcanhares. Abou, Soares e Marega degladiavam-se por um lugar no 11. Hoje em dia, fruto de saídas importantes e de lesões, há jogadores em claro sub-rendimento e de alguma forma acomodados. Esperemos que João Pedro, Mbemba e Militão sejam opções credíveis e comecem a lutar por um lugar no 11, tal como Oliver já agora.

5. Incapacidade de controlar o jogo
Há uma diferença entre dominar um jogo e controlá-lo. Sérgio Conceição é especialista na primeira arte, mas ainda é um treinador tenro na segunda. Sou um dos maiores apreciadores do estilo de Conceição, pois veio trazer ao FC Porto aquilo que lhe faltava nos últimos 4 anos: capacidade de rasgar e dinamitar os autocarros adversários, fruto de uma maior capacidade de explosão no último terço do terreno, aliando a isso uma alma e um carácter à Porto.
Se no capítulo ofensivo, Sérgio Conceição só poderá ser comparado a Bobby Robson e a André Villas-Boas, tal é a velocidade e dinamismo que imprime no último terço do terreno, no capítulo de controlo do jogo já desde o ano passado que se notam lacunas evidentes. Este Porto só vê baliza e parece só saber divertir-se quando a ordem é atacar. Ora, uma das maiores qualidades da equipa de José Mourinho era essa mesma: ser mestre em baixar o ritmo, arrefecer os ânimos e dar o domínio do jogo ao adversário, mantendo ainda assim o controlo do mesmo. Com Mourinho a ganhar 2x0, os jogos entravam naquela toada morna, de faltas e faltinhas a meio-campo, com jogadores no chão a simular lesões, trocas de bola entre os centrais e o guarda-redes, e, de tanto sono que dava, os 90 minutos surgiam como um alívio para todos. Não era tão bonito como agora, mas era mais eficaz.

Rodrigo de Almada Martins