19 julho, 2018

PROBLEMA CENTRAL.


Uma semana se passou sobre a minha última crónica, e igual marasmo continua pelo reino do Dragão. Entre avanços e recuos em contratações e renovações, é o jovem André Pereira que vai brilhando nos jogos-treino, estatisticamente seguido de... Adrian Lopez!

Neste período tão embrionário da época, dados destes valem o que valem, não sendo contudo despiciente que, mantendo este nível de eficácia, André Pereira possa agarrar o lugar de Gonçalo Paciência, entretanto exportado para a Bundesliga.

Sendo sempre benvindos reforços para a frente de ataque, de preferência tendo qualidade, neste momento que escrevo, essa não me parece ser a zona mais deficitária da equipa. Saiu o jovem Paciência, cuja intervenção na última época foi mais de reforço de portismo no banco, do que propriamente grandes feitos no relvado. Dos pesos-pesados propriamente ditos, para além dos boatos típicos do mês em questão, certo é que todos continuam de azul e branco vestidos.

Como tal, se na passada semana era já tarde para avançar na questão "centrais", hoje começa já a entrar em modo de alarme. Confesso que não acompanhei com a devida proximidade a época de Chidozie no Nantes contudo, a não ser que tenha duplicado a sua maturidade, do que lhe conhecemos por épocas passadas, é um central esforçado e rápido, mas com muitas lacunas a nível do posicionamento. Se juntarmos esta relativa inexperiência, a um jogador pujante como Felipe, mas por vezes emocionalmente instável, não nego algumas (muitas) reservas sobre a intransponibilidade do nosso último reduto. Ao momento, sublinho, são estes os nomes mais fortes para dupla central. Diogo Leite, precisa ainda de mais rodagem a um nível competitivo mais elevado, pelo que seria injusto para o jogador lançá-lo já às feras. De Osório, já nem sequer mora no Dragão.

Este desleixo no centro da defesa poderia, deveria, e tinha de ser tratado bem mais cedo. Quer com a renovação atempada de Marcano ou mesmo com o "desempregado" Reyes (?). Sendo esses valores proibitivos como se constou, deveria ter sido prioritária a aquisição de um jogador já na época passada, para ser trabalhado com tempo, e agora estar em condições de ser uma alternativa válida. É incompreensível que quem tem facilidade de gastar milhões em jogadores de duvidosa valia, negoceie com intransigência de tostões, jogadores com algumas provas dadas, como o são por exemplo, Militão ou Mbemba.

Num campeonato como o português, de fraca competitividade nos lugares cimeiros, qualquer perda de pontos pode ser fatal na renovação do título. A solidez defensiva tem sido invariavelmente uma imagem de marca dos vários "Portos" campeões. Colocar esta premissa em causa, é dar pontos de avanço ao nosso principal rival. 
 
Eu espero, vocês esperam, Sérgio Conceição espera, que a SAD acorde para esta realidade, e bem rápido. A conjugação quase "milagrosa" de factores que permitiu o título do ano passado, foi uma excepção, não a regra.

Cumprimentos Portistas

18 julho, 2018

A ÉPOCA DAS NOSSAS MODALIDADES - ANDEBOL.


Na sequência do ciclo de posts iniciado na semana passada, vou hoje debruçar-me sobre a época passada da equipa de...
  • ANDEBOL
A época iniciou-se com a dispensa de um treinador ainda com um jogo por disputar, uma vez que se aguardava o desfecho do processo que analisava a queixa do FC Porto sobre a arbitragem de um jogo. Essa queixa, totalmente provida de razão como o processo cashball veio demonstrar, mas a federação de andebol resolveu ser conivente com os crimes e com os criminosos, ignorando aquilo que toda a gente viu.

Em virtude desta decisão errada da Federação de Andebol de Portugal, a época iniciou-se com um jogo entre ABC e sporting, quando deveria ter sido o FC Porto a ter marcado presença.

No campeonato nacional, o calendário era tudo menos favorável a uma equipa em crescimento e ainda a consolidar a mensagem de um novo timoneiro, com a receção ao ABC e as deslocações ao alto dos moinhos e à Madeira, terreno muito difícil nas últimas épocas para a nossa equipa.

A 1ª vitória só iria aparecer na 4ª jornada na receção ao S. Bernardo, o que marcaria o início de um ciclo de 10 vitórias consecutivas, apenas interrompida pelos jogos do play-off da EHF onde nos calhou em sorte o Fuchse Berlin, clube que viria a vencer a competição.

No que a competições nacionais diz respeito, a série vitoriosa saldou-se por 19 jogos.

A entrada para a 2ª fase deu-se com uma diferença pontual de 2 pontos para o sporting, e qualquer passo em falso significaria comprometer as aspirações de resgatar o título nacional. Arranque com deslocação a Avanca, e nada fazia antever um empate, o que colocou logo uma pressão nos comandados de Lars Walther sendo a 2ª jornada uma deslocação à Madeira onde, surpreendentemente, face aos resultados dos últimos anos, conseguimos uma vitória tranquila por 29-18.


Se as nuvens do empate em Avanca pareciam querer dissipar-se com a vitória na Madeira na 3ª jornada, na receção ao ABC, novo empate, o que deixava logo antever que a época seria coroada de insucesso, com 3 derrotas consecutivas na deslocação ao alto dos moinhos e nas receções ao sporting e ao Avanca, o que significou desde logo o adeus ao título - as duas últimas derrotas, já com Carlos Martingo ao leme da equipa. A partir desse jogo, 4 vitórias que não foram suficientes para passar do 3º lugar.

A Final 4 da Taça de Portugal proporcionou novo embate e derrota com o sporting, o que significou desde logo terminar a época sem um título pelo 3º ano consecutivo, época essa que poderemos classificar de desastrosa.

A nova época 2018/2019, vai-se iniciar com a 1ª eliminatória da Taça EHF, podendo a 1ª jornada vir a ser jogada por meados da 1ª semana de Setembro.

Nova época que vai ter um novo timoneiro, Magnus Andersson (CV: link1, link2 e link3).

Relativamente ao plantel à disposição do timoneiro, perde Cuni Morales e Jose Carrillo, ganhando um lateral direito com experiência da Liga Alemã, Djibril M'Bengue, e ainda o rumor Fábio Magalhães para reforçar a posição de central. Faltará um ponte esquerdo para competir com Branquinho.

Pelo curriculum do novo treinador, espera-se uma nova época positiva, no entanto, os adversários partirão claramente à nossa frente.

PS - O sorteio de ontem da Taça EHF ditou que na 1ª eliminatória o adversário seja AHC Potaissa Turda com jogos a 1 e 8 de Setembro e a 2ª eliminatória irá significar um embate com o SKA Minsk com jogos a 6 e 13 de Outubro. Num dos próximos textos irei analisar um pouco estes adversários e o que nos poderá trazer a competição. O sorteio pode ser AQUI revisto.

Abraço,
Delindro.

17 julho, 2018

A IMPORTÂNCIA DO SCOUTING.


Pelo que se vai lendo e ouvindo, por entre as dezenas de notícias (ou invenções!) que vão saindo nestas semanas de defeso em que a matéria a noticiar é escassa mas as necessidades de dar noticias são as mesmas, dois dos alvos do FC Porto seguiram já para outras paragens pela razão do costume: dinheiro.

Não é de facto fácil concorrer com os milhões quase infinitos dos clubes chineses, nem com as receitas estratosféricas dos clubes ingleses, a única forma de um clube como o FC Porto, quer pela sua dimensão económica, quer pela região/país onde está inserido, sobreviver na Europa do futebol dos milhões de € é sobretudo através de uma enorme competência no scouting, compensando a falta de recursos comparativamente a clubes com outras realidades.

A questão que aqui me preocupa e que assume maior relevância não é o facto de um jogador que nunca tinha ouvido falar, um tal de Róger Guedes ter preferido os milhões de um clube chinês ou o facto de Bissouma ter preferido a endinheirada Premier League, aquilo que preocupa são os sinais pouco animadores que nos últimos anos têm sido dados pelo FC Porto em matéria de mercado de transferências, algo que não tem só a ver com dinheiro ou falta dele, mas sim com uma capacidade de recrutamento que em tempos já foi bem melhor do que aquela que atualmente existe.

Não quero acreditar que por exemplo, a novela Mbemba, que já se arrasta há mais de um mês seguramente, sendo que o congolês até já foi dado como certo no aeroporto Francisco Sá Carneiro, irá ter o mesmo rumo que outros tristes episódios que todos nos relembramos nomeadamente, os meses e meses de namoro a Lucas Lima, o interminável assédio a Bernard ou a obsessão Rafa Silva. Para tudo na vida, tem de haver um plano A, mas depois tem de haver um B, C ou D. Mas claro tudo isto se faz com trabalho e competência.

Não foi assim há tantos anos que o FC Porto, que na altura já tinha forte concorrência dos tubarões ingleses e outros, dava-nos excelentes exemplos de scouting, adquirindo ora jogadores jovens com elevado potencial que depois de bem trabalhados no clube eram transferidos por somas bem superiores ao seu preço de aquisição ou de jogadores com algum cartel nos campeonatos brasileiros e argentino que naturalmente acrescentavam muita qualidade ao plantel azul e branco. Poderia falar aqui de tantos exemplos, James Rodriguez, Falcao, Lisandro López...

É verdade que os constrangimentos financeiros, consubstanciados na intervenção da UEFA, bem como os exemplos de péssimos avultados investimentos no passado recente (Imbula e Adrian Lopez = 30 milhões de €) aconselhem a que no presente haja um redobrado cuidado nos investimentos que se poderão fazer, mas uma boa política de scouting e posterior análise da qualidade potencial e real de cada um dos alvos definidos deverão ser um conforto a que por vezes aquele 1 ou 2M€ que nos separam de determinado alvo seja mais facilmente desembolsável.

16 julho, 2018

TODOS OS ANOS O MESMO.


Todos os anos o mesmo: um receio, um pânico generalizado de que o mercado nos roube os nossos craques e nos destrua o nosso plantel. Todos os Verões, qualquer portista se habituou a olhar a época como se fosse um começar do zero.

Este ano não vai, pois, ser excepção. Ricardo Pereira já se foi, Reyes, Marcano, Layun e Gonçalo Paciência idem. Sobram ainda uns quantos no Olival, mas os portistas acordam todos os dias com medo que o jornal os informe de que Telles, Herrera, Brahimi ou Marega já moram noutras paragens.
Vestir de azul-e-branco dá uma aura aos jogadores e à medida que eles se vão afirmando como titulares, parecem crescer no relvado e na importância que lhes damos no papel que representam no clube.

Olhemos para a lateral-esquerda, por exemplo. Façamos um exercício de recordações relativamente recente: qual era o portista que não temia a saída de Fernando Mendes e dos seus livres ao ângulo? Quem é que não receou pela saída de Esquerdinha, exímio na marcação? E aquele relógio suiço chamado Nuno Valente? E Cissokho? E Álvaro Pereira? E Alex Sandro? E hoje em dia, quem quer Telles fora do FC Porto?

Habituamo-nos aos jogadores, à sua forma de correr, de ganhar os lances, de evoluir nos relvados. Conhecemos-lhes as manhas, o estilo, sabemos se jogam de cabeça levantada ou olhar na relva, se são lentos ou rápidos, se a aceleração é forte, se ganha os duelos aéreos e se jogam bem de costas para a baliza. Passados os jogos da pré-época, já os distinguimos à distância como se tivéssemos andado com eles na escola. Captamos-lhes o estilo e a essência e gostávamos de contar com eles para sempre.

Prestes a iniciarmos a luta pelo bi-campeonato, as interrogações são mais que muitas e certezas há muito poucas. A saída de Telles implica uma quase total destruição da defesa campeã nacional, ficando apenas Iker e Felipe como patrões, ajudados por Maxi Pereira. No meio-campo, a lesão de Danilo garante a sua continuidade, lado a lado com Sérgio Oliveira. Oliver terá pouco mercado e por isso a sua continuidade deve estar assegurada. Já o capitão Herrera, depois do excelente Mundial, é presa apetecível do mercado. Corona deverá ainda ficar mais uma temporada, enquanto Brahimi parece ter técnica a mais para uma Europa de fantasistas a menos. Na frente, Soares e Aboubakar são duas interrogações, enquanto que a velocidade e o galope de Marega não passaram certamente despercebidos nas ilhas britânicas.

Fazendo as contas, o FC Porto deverá manter meia equipa, mais coisa menos coisa. Não é fácil estar todos os anos a reconstruir equipas e o FC Porto sabe isso melhor do que ninguém. Jesualdo Ferreira foi 3 vezes campeão nacional e teve que o fazer todos os anos, mas com uma grande diferença: o FC Porto viva o tempo das vacas gordas e comportava-se no mercado de forma mandona e imponente. Hoje os tempos mudaram. O mercado não sopra a favor do clube e gera-se a ideia de que chega sempre atrasado, dependente das vendas para fazer as compras. Ora, num mercado rápido e fulminante como este, não ter grande fundo de maneio é bastante prejudicial. Além do mais, este ano não há talento para fazer regressar, se fez com Ricardo Pereira, Reyes, Sérgio Oliveira, Marega e Aboubakar.

Resta pois confiar no trabalho do Mister e ter confiança que o FC Porto fez o seu trabalho de casa, isto é, tem muito bem identificados os alvos que quer atacar em caso de saída das jóias da coroa. Se assim for, o bi-campeonato estará ao nosso alcance.; se estivermos à espera de vender para depois termos que ir procurar quem pode ser a solução, aí as coisas ficarão tremidas. Confio no Treinador, no Director do Departamento de Futebol e no Presidente em como a temporada 2018/2019 foi preparado ao pormenor, com o detalhe e cuidado que se exigem. Que não se pense que o FC Porto parte à frente esta época, pois a situação financeira do clube é complicada e só com muito engenho, vontade e sacrifício poderemos voltar a levar de vencida o Polvo.

Assim sendo, resta-me voltar a cumprimentar todos os portistas e leitores do BibóPorto, que certamente nos irão seguir em mais uma longa e difícil temporada que aí vem. Porque ao FC Porto nada é dado. Tudo é, sim, conseguido com muito sangue, suor e lágrimas.

Força FC Porto!!

Rodrigo de Almada Martins

12 julho, 2018

DESDE 1987.


Em abril de 1987, nasceu mais um de nós. Faltava apenas um mês para aquele eterno calcanhar azul e branco que nos fez acreditar que era possível atingir o céu. Nessa mesma bendita noite, a do calcanhar de Madjer, essa criança nascida um mês antes chorava compulsivamente. Consta que os pais tentaram várias formas para a conter. Porém, como ainda hoje conta o seu pai, o bebé só parou de chorar quando, dentro do carro, chegou à baixa da cidade Invicta, onde naquela noite festejava-se a maior vitória de sempre até então do Futebol Clube do Porto. Poderá até nem ter sido literalmente assim, já que é comum acrescentar-se sal e pimenta nas histórias antigas, mas o que é facto é que esta versão da história faz muito sentido na minha cabeça e ajuda-me também a explicar a origem desta paixão imensa que tenho pelo clube de todos nós.

Sou um portista convicto e um portuense orgulhoso. Ou um portista orgulhoso e um portuense convicto. Sou as duas coisas ao mesmo tempo. E essas duas coisas têm sido veemente exacerbadas ao longo dos últimos cinco anos por força de estar agora a viver em Lisboa por motivos profissionais. Para agravar, estou (geograficamente, apenas e só, importante não confundir) verdadeiramente próximo de quem nos quer pior. Como conseguirão imaginar, os sentimentos e as emoções relacionadas com o nosso FCP são muitas vezes ainda mais potenciados.   

Espero, portanto, que esses sentimentos e emoções alimentem a minha vontade de contribuir para este espaço importante de partilha e opinião sobre o clube de todos nós que é o BiBó PoRtO. Liberdade e compromisso. Vontade e paixão. Ideias e convicções. É tudo quanto posso prometer durante os próximos tempos, honrando o convite que gostava muito de agradecer.

Pretendo aqui escrever sobre momentos de orgulho e de saudosismo do nosso livro de honra de vitórias sem igual, mas também comentar o que vejo em termos de contexto atual e futuro do nosso clube. No fundo, estarei aqui para me queixar sempre dos Depoitres desta vida e me regozijar sempre (e espero que muito mais vezes) com os Falcões que atacam as áreas adversárias. Sempre com muita paixão. E razão também, espero.  

Agora é tempo de arregaçar as mangas que a luta vai recomeçar. Porque os campeões não se fazem só ao minuto 90 na Luz, mas também em Julho no Olival, no Algarve, no BiBó PoRtO, ou qualquer outro lugar. É no campo que temos de ganhar, embora exista quem insista em tentar vencer fora dele. Mas com calma lá iremos. Por agora, bola na frente que atrás vem gente e temos um título de Campeão Nacional para revalidar! Vemo-nos por aqui, ou em qualquer estádio, em qualquer lado…

Saudações Azuis e Brancas,


11 julho, 2018

NOVAS EMOÇÕES.


Eis-nos de volta a mais uma época repleta de emoções, alegrias, decerto algumas (poucas, esperamos...) tristezas, uma época em que teremos que lutar o dobro da passada, quer no campo, quer fora dele, mas sobretudo, uma época que queremos que acabe igual ou melhor do que a última, com o caneco levantado orgulhosamente no Dragão.

Em plena silly season, são ainda muito incipientes as certezas azuis e brancas. Entre o noivado sem happy end à vista por Mbemba, o flirt de Raul Silva ou os sonhos sado-maso de um Adrian Lopez versão 2.0, vulgo Jesé, a imprensa vai-se divertindo ao jogo do gato e rato. Entre as saídas, ao contrário da tradição típica da época, de colocar Brahimi por essa Europa fora, este ano os holofotes têm apontado incessantemente para os nossos ex-Patinhos feios. Para atletas que valiam um bilhete do Andante há 2 anos atrás, é fantástico vermos Barças e Reais interessados. O mundo dá mesmo muitas voltas. Tantas, que ainda parece que foi ontem que um capitão da equipa saiu sem um mísero cêntimo entrar nos nossos cofres, e outro se apresta a ficar em semelhante situação, com os responsáveis a ver a banda passar...

Novidade suprema para esta época, é a existência de caras novas no balneário. Se um não tem nome de craque, o outro vai ainda mais longe, ao transportar as nossas memórias para desengonçadas florestas austríacas. Contudo, o passado tem-nos dado excelentes surpresas com desconhecidos. Esperemos que João Pedro e Saidi Janko entrem nessa galeria. Importante nisto tudo, é a SAD lembrar-se que há vida para além da direita da defesa. A 1 mês do início da temporada oficial, no centro da defesa, entre o banco e titulares, temos como único nome credível Felipe. Para uma zona crítica da equipa, onde o entrosamento é imperativo, não me parece ser o melhor dos caminhos continuar a adiar decisões.

Ainda dentro do FCP, mas numa montra mais global como a do Campeonato do Mundo, não se pode dizer que este mundial tenha sido dos mais brilhantes para as nossas cores. Ineditamente, tivemos uma selecção portuguesa sem um único atleta dos quadros do clube. Independentemente das promiscuidades entre agentes, a FPF, e o próprio Fernando Santos, a verdade é que isso não explica tudo. A aposta incipiente na nossa formação, mais vocacionada para o empréstimo ou venda, do que verdadeiramente para o investimento na equipa principal, dá para estas aberrações. Que o digam, entre outros, Rafa Soares, Fernando Fonseca e muito possivelmente a nossa fornada de Diogos, para não falar dos exemplos mais escabrosos de Dalot ou André Silva. Muita tinta teria que se gastar nesta triste temática, demasiada para este post.

Retomando o Mundial, se na equipa das quinas não existiram Dragões do presente a brilhar, a grande surpresa para mim vai, não para a abnegação e entrega do nosso capitão, cuja grande forma não era segredo para ninguém - excepto porventura para os alemães -, mas sim para Quintero, que além de ser o único "portista" a facturar no Mundial, conseguiu surpreendentemente ser o maestro dos "cafeteros", brilhando sempre mais alto do que o nosso bem conhecido, e vedeta colombiana, James Rodriguez. Incompreensível apenas, a falta de fé da nossa SAD no jogador, que depois de esbanjarem milhões na aquisição da totalidade do seu passe, deixaram-se enredar pelos pedidos do River Plate, sendo que estamos presos até Dezembro, quando podíamos, e devíamos, ter recuperado AGORA, o investimento feito no jogador. Para um leigo como eu, onde antigamente existia excelência na gestão de compras, vendas e empréstimos, agora parece existir um joelho, um guardanapo de papel e uma caneta BIC. Sinais dos tempos. Sinais da necessidade rápida de reforma para o grande mentor do FC Porto moderno.

Para finalizar, e já que falamos de silly season, não poderia faltar o supra-sumo da loucura nacional, Bruno de Carvalho. Que tenha feito um excelente trabalho a implodir a lagartagem, todos nós concordámos. Que se candidate, para derrubar as últimas pedras pelas bandas de Alvalade que ainda restem, só merece o nosso apoio e aplauso. Agora que envie o trabalho de meses de Francisco J. Marques para o simples cochicho, permitindo ao slb uma bolsa de ar quando o fim de Luis Filipe Vieira e restante gangue, era iminente, isso é que era escusado Bruninho. Como diriam nuestros hermanos, porque no te calas hombre?

E que a temporada comece, rápido!

Cumprimentos Portistas

10 julho, 2018

A ÉPOCA DAS NOSSAS MODALIDADES - HÓQUEI EM PATINS.


Não há como negar ou outra forma de transmitir por palavras a realidade das nossas modalidades em 2017/2018: DESASTRE. Então, e de seguida, na minha opinião, irei começar a analisar um pouco o que se passou para que a época das nossas modalidades fosse desastrosa.

  • HÓQUEI EM PATINS
Começando pela modalidade que me é mais querida, a época começou com poucas mexidas no elenco que se tinha sagrado campeão nacional em 2016/2017: saída de Vitor Hugo Pinto para o sporting e a entrada de Alvaro Morais que tinha estado emprestado ao OC Barcelos. Seria esta a troca ideal? Do meu ponto de vista, não! Os jogadores apresentavam características distintas, sendo o jogador que saía um jogador mais posicional e o que entrava um jogador mais móvel e mais fantasista. E sobre quem recairia a minha opção para substituir Vitor Hugo Pinto? Num jogador que já envergara as nossas cores até 2011: Emanuel Garcia.

Apesar de tudo, e à partida, as expectativas eram de troféus para a época que se avizinhava, apesar do reforço desmesurado de alguns dos rivais, nomeadamente do sporting.

A primeira competição em disputa era a Supertaça António Livramento diante do Sporting de Tomar e as expectativas foram cumpridas, com uma vitória por 7-3. Logo de seguida iniciava-se o campeonato nacional e a Liga Europeia num grupo que aparentava dificuldades, mas onde os bons resultados se foram sucedendo e o apuramento foi ficando próximo.

Foi na ressaca da vitória em Follonica, que na deslocação a Barcelos sofremos o primeiro percalço num jogo em que os 3 pontos deveriam ter sido nossos e que logo poderia ser visto como um jogo que poderia dificultar uma época onde os principais candidatos ao título têm perdido poucos pontos nos jogos em que defrontam adversários não candidatos ao título. A equipa recompôs-se deste percalço, e logo na jornada seguinte venceu o Paço D’Arcos.

Na semana seguinte, um jogo importante, e vendo que a equipa se tinha recomposto do percalço em Barcelos, os srs. da FPP resolveram nomear para o jogo a 30/12 na visita ao terreno do benfica, Joaquim Pinto e Luís Peixoto. Se o árbitro de Lisboa não se coíbe de ajudar as equipas da sua associação, o árbitro da AP Porto vangloria-se de ser mais portista que meio mundo, mas chegando aos momentos decisivos, permite tudo aos seus colegas, e por isso, tem ficado associado aos resultados mais desnivelados no pavilhão da luz que por norma registam arbitragens no mínimo estranhas.

O ano de 2018 trouxe a equipa atrás do prejuízo, e tirando o jogo da 1ª mão no pavilhão da luz onde, apesar da derrota, o desfecho da eliminatória só seria decidido na 2ª mão no Dragão Caixa, a fase de todas as decisões da época aproximava-se e dependíamos apenas de nós para se atingir os nossos objetivos.

O primeiro grande objetivo a ser disputado era a Liga Europeia com a Final 4 no nosso pavilhão. A meia-final com o sporting permitiu a chegada ao jogo de todas as decisões com o carrasco de tantos momentos, o Barcelona. O jogo decisivo pendeu para o lado catalão, tendo a nossa equipa queixas da dupla italiana que não validou um golo onde a bola entrou na totalidade, e depois, no momento em que mais apertávamos, colocaram os catalães na marca de livre direto, terminando com qualquer esperança da nossa equipa quando o 4-2 foi alcançado nos minutos finais do jogo.

Na minha opinião, este jogo foi decisivo para o que restava da época. A equipa não se conseguiu levantar após mais uma desilusão europeia e a receção ao benfica na semana seguinte, foi a prova da fragilidade emocional em que a equipa se encontrava, porque em nenhum outro momento da época teríamos sofrido o 7-7. Este resultado, combinado com a vitória do sporting no pavilhão do benfica na 24ª jornada, obrigava a nossa equipa a vencer na penúltima jornada na deslocação ao pavilhão João Rocha, sendo que o empate fazia depender da visita do sporting a Oliveira de Azeméis e da nossa vitória na receção ao despromovido Infante de Sagres. É certo que a nossa equipa foi à procura da vitória no terreno do sporting, mas não foi capaz, pelo que os da casa sagraram-se campeões 30 anos depois da última conquista.

O último objetivo da época era a Taça de Portugal, onde no nosso caminho já tinham caído Oliveirense, sporting e benfica, respetivamente. Na Final 4 disputada em Tomar, os 2 últimos degraus que nos separavam da conquista foram o Riba D’Ave, e depois na final, o Valongo que derrotara a equipa local nas grandes penalidades, jogo onde Miguel Guilherme, um dos bons pontas de lança do benfica, demonstrou nada saber da modalidade.

A época terminou com 2 títulos, mas sem nenhum dos grandes objetivos alcançados.


O que poderemos esperar para 2018/2019?

O plantel vai sofrer mais alterações, e se a troca de Alvaro Morais por Giulio Cocco, internacional italiano de 22 anos, parece ser um passo no caminho de mais qualidade para a equipa, não porque Álvaro não tivesse, mas porque Giulio parece já mais experiente apesar de terem a mesma idade.

Outra troca é a saída de Ton Baliu para a entrada de Poka. Poka é um jogador que em 2017/18 esteve ao serviço do Valongo após a saída do sporting, quando os leões pretenderam reforçar-se efetivamente. Na minha opinião, é um claro retrocesso na qualidade do plantel, e Guillem Cabestany terá neste ponto muito a trabalhar.

A 3ª saída do plantel é a de Jorge Silva para a Oliveirense, mas para o qual ainda não há substituto. Para suprir esta vaga, na minha opinião, há 2 elementos que eu via como substituto ideal: Emanuel Garcia ou o espanhol Raul Marin, se bem que o argentino já se comprometeu com a Oliveirense treinada por Renato Garrido. A contratação de um jogador desta craveira poderia ajudar a minimizar o fosso para os 2 principais rivais que continuam a investir como se houvesse petróleo nos terrenos adjacentes aos seus pavilhões.

Em suma, 2018/19 será uma época muito difícil e o sucesso estará dependente do leque de principais figuras do clube estarem inspiradas ao longo de toda a época. Mas é certo que partiremos atrás de 3 equipas, onde Guillem Cabestany terá uma tarefa muito árdua.



Nas próximas semanas, irei analisar as épocas das outras duas modalidades (ANDEBOL e BASQUETEBOL) e tentar projetar também a nova época.

Abraço,
Delindro