27 julho, 2017

JOGAR COM A PRATA DA CASA.


Conforme dito no regresso da pausa futebolística, a fruta acabou, Francisco J. Marques e companhia voltaram a nivelar o terreno do futebol português. O fim do Apito Dourado/Apito Final agora nos tribunais desportivos, depois de todas as implaváveis derrotas do Ministério Público nos tribunais civis, significou também a machadada final na fruta. Com a anulação pela justiça desportiva da retirada de 6 pontos ao FC Porto, passados muitos e longos anos, anos esses em que o Benfique aproveitou para tomar o controlo total e cabal de todas as estruturas e clubes do futebol português, o Porto e as suas gentes voltam a poder exigir que não brinquem com o seu nome, com o seu emblema, com a sua história e com os seus adeptos. Olhos nos olhos, de cabeça bem levantada e sem medo de ninguém. O Presidente Pinto da Costa afinal sempre tinha razão: largos dias têm cem anos. A justiça tarda, mas chega.

Depois da última e decisiva absolvição, depois do “que passou-se?”, do “sabes que sempre estive do vosso lado”, do “eu só quero ser o vosso menino querido”, do “aconteça o que acontecer, a classificação final tem que ser esta”, do “ponha a carne toda no assador, conforme eu ponho todos os dias”, do “temos os padres que queremos nas missas que celebramos”, do “só temos que rezar e cantar bem”, do “200 é a noite toda, a 3 é 400”, sabemos bem quem tem que meter a cabecinha entre as pernas e respirar baixinho para não ser notado.

Posto isto, penso que o nosso clube, fruto também das circunstâncias financeiras, está a tomar a atitude correcta neste defeso. Devo dizer, por exemplo, que me agradou o design da pré-temporada, com o torneio no México e com um estágio dentro de portas, com adversários nacionais, vários treinos ao longo das semanas, tudo numa lógica de poupança de custos e sem manias de novo-rico. Gostei, aplaudo, prefiro ver os jogadores no Algarve do que na Bélgica ou na Suiça. Chamem-me provinciano ou o que quiserem.

Não se pode pois usar dois pesos e duas medidas quando se julgam as acções do clube. Se quando se contrata demasiado, é costume dizer-se que estamos fartos de camionetas de jogadores e de estrangeiros sem cultura Porto, temos que estar moderadamente confiantes no que aí vem. Uma equipa rotinada e um balneário unido são a meu ver muito mais importantes que a chegada de 2 ou 3 reforços, que demoram sempre pelo menos 3 a 4 meses a adaptar-se ao futebol português, ao clube e à cidade. O tempo das vacas gordas já lá vai (Ismael Diaz que o diga!), as finanças da SAD, é sabido, não vão de vento em popa, pelo que, não havendo dinheiro para contratar um crackalhão do estilo de Lucho Gonzalez ou João Moutinho, que chegue e pegue de estaca como titular sem vacilos, mais vale estar quieto e ser prudente.

Com efeito, a meu ver, as quatro maiores contratações do FC Porto, ainda sujeitas a confirmação, são as permanências de Iker, Felipe, Marcano e Danilo, não necessariamente por esta ordem. Um eixo defensivo central rotinado e feito de homens de barba rija é meio caminho andado para o sucesso. Se além disso somarmos a manutenção dos laterais Maxi e Telles, temos aquilo que não víamos há muitos anos no FC Porto: uma defesa titular a manter-se de uma época para a outra.

A defesa é, até agora, o sector onde o FC Porto se reforçou melhor (e de graça): chegaram Ricardo Pereira, Diego Reyes e Martins Indi. Começando pelo fim, dizer que acredito que apenas um dos centrais regressados se manterá no plantel. Tenho a certeza que qualquer um deles está mais que pronto para lutar pela titularidade com Felipe ou Marcano, embora comecem claramente um passo atrás. Se me fosse pedida a opinião, diria que o mexicano tem mais potencial de crescimento e de se tornar um central à Porto do que o holandês. Mas reitero a confiança total nos dois.

Quanto a Ricardo Pereira, merece um parágrafo próprio. Quem me conhece sabe que sempre fui contra a sua dispensa. Ricardo nunca foi um jovem qualquer: mesmo quando ingressou no FC Porto já era internacional pelas camadas jovens e já havia marcado um golo vitorioso numa Final da Taça de Portugal, tendo rotação tanto a lateral, como a extremo-direito. Era claro que estaria ali um Bosingwa 2.0. No FC Porto foi vítima de forte concorrência e de alguns erros de Lopetegui na sua utilização. Ainda assim, os dois anos (!) em Nice trouxeram coisas positivas: rodagem tanto a lateral direito como esquerdo, minutos nas pernas e exposição internacional. A exposição foi tanta que ainda não é certo que Ricardo fique no FC Porto, pois há muitos e bons interessados nos seus serviços (Tottenham à cabeça). No entanto não posso negar que sonho com uma asa direita a fazer lembrar os tempos de João Pinto e Sérgio Conceição ou de Sérgio Conceição e Capucho. Se Maxi ficar, o agora treinador do FC Porto, pode não ter outra opção a não ser construir a banda direita com Maxi atrás a conferir segurança e a libertar o carrillero Ricardo para partir tudo ora pelo meio ora pela linha.

Se esta for a solução, até podemos poupar uns trocos e não ir ao mercado em busca do tal terceiro extremo: Ricardo juntar-se-ia a Brahimi e Corona com o objectivo de municiar os avançados. Já a Hernâni, atendendo às recentes prestações, só um golpe de sorte o tirará da lista de dispensados, o que me entristece particularmente, pois vejo nele virtudes indiscutíveis no 1x1 e na capacidade de esticar o jogo.

É certo que ainda há interrogações no lado esquerdo. Telles tem o lugar praticamente assegurado e o polivalente Layun terá o seu destino dependente do futuro de Maxi Pereira. Também por isso é prematuro tecer considerações sobre quais os papéis de Rafa e de Dalot no FC Porto 2017/18. A defesa do FC Porto é como um xadrez que, mexida uma peça, poderá levar a movimentações noutras posições.

No meio-campo, Danilo será rei e senhor e sou da opinião que Mikel não tem qualidade nem estaleca para se afirmar como jogador do nosso clube. Sobram Oliver – que terá um papel de relevo nas transições rápidas e condução de bola dos ataques da equipa – , André André (um jogador da classe média da equipa, que será bastante útil ao longo do ano), Herrera (eu sou daqueles poucos que ainda espera coisas boas do mexicano e penso que está vários passos à frente do português), João Carlos Teixeira (que, creio, devido à sua reduzida intensidade de jogo, não terá grandes oportunidades ao longo da época e pode estar em vias de ser dispensado), Sérgio Oliveira (o mesmo relativamente a JCT) e Otávio, com lugar cativo nos eleitos de Sérgio Conceição, que pretende usá-lo mais adiantado para aproveitar a qualidade do seu último passe. Daí que, no actual panorama, veja com muita dificuldade a contratação de Wendel, mesmo que me pareça um jogador de qualidade e com margem de progressão para dar e vender. Reforço: no actual panorama.

É na frente, confesso, que vejo mais necessidade de atacar o mercado. Se no ano passado, usando um esquema de 4x3x3 com apenas um homem fixo na área, tínhamos 4 avançados disponíveis (André Silva, Soares, Depoítre e Rui Pedro), esta temporada em que o 4x4x2 parece ter vindo para ficar, não podemos começar apenas com Soares, Aboubakar e Rui Pedro. É urgente procurar nos mercados um ponta-de-lança experiente, que garanta golos, mas que ao mesmo tempo não seja um Jackson ou um Jardel, isto é, que não seja um eucalipto que seque tudo à sua volta. Porque se se tratar de um eucalipto, voltaremos rapidamente à lógica do 4x3x3 que se tem mostrado algo esgotado e limitado face às defesas fechadas que o nosso clube enfrenta todas as jornadas.

Rui Pedro poderá ser uma arma secreta de alto quilate, desde que não seja lançado como no ano passado, sempre em desespero de causa. O rapaz tem faro de golo, tem alma felina na área e, ao contrário de André Silva, não se sente tão à vontade fora dela. É mais um rato de área e, por isso, poderá ser muito útil. Já Marega, creio, não terá lugar nestas contas e seria interessante aproveitar a sua valorização em Guimarães para conseguir um encaixe razoável com a venda definitiva.

Uma coisa parece certa: o FC Porto está a arrumar casa. E esperemos que assim continue. Abdoulaye, por exemplo, que já vai no enésimo empréstimo, é um daquelas casos que merecem reflexão: se todos sabemos que não serve nem nunca servirá para a nossa defesa, porque é que se mantém o vínculo com este jogador? Esperemos, por isso, ver mais vendas definitivas até ao início da temporada.

PS - O FC Porto passa a contar com uma Equipa de Apoio ao Sócio, conforme indicado pelo clube no seu site oficial. Saúda-se esta novidade. Já há largos anos que vimos chamando a atenção para o cada vez maior afastamento entre clube e sócios, entre jogadores e adeptos, entre a estrutura do FC Porto e o comum associado. No entanto, esta notícia, a juntar à realização do Dia do Clube - organizado por sócios - dentro da nossa casa, o Estádio do Dragão, assim como a apresentação dos equipamentos em plena Ribeira do Porto, local espiritual e emblemático para os portuenses, só nos pode deixar felizes e esperançados num futuro melhor. Sendo certo que o clube ainda tem que trilhar um longo caminho no sentido de se aproximar dos seus sócios de forma mais efectiva e calorosa, de forma a corrigir o comportamento que vinha tendo até muito recentemente. Saúdo e aplaudo estas recentes decisões, mas mantenho que é preciso mais acção por parte dos responsáveis azuis e brancos no sentido de unir todos os portistas.

Rodrigo de Almada Martins

26 julho, 2017

OS FORTES E PUJANTES.


Quem me acompanha sabe que não gosto de “tapar o sol com a peneira” ou branquear os nossos erros com desculpas externas ou teorias da conspiração. Acredito que temos que procurar a excelência interna acompanhando-a de um combate exterior sem tréguas. Uma sem a outra não faz sentido!
Os erros estratégicos cometidos internamente nos últimos anos são de todos conhecidos. Uma política desportiva que abdicou da formação, privilegiou os empréstimos às vendas, a compra em massa sem critério e sem rigor, a construção desequilibrada do plantel, etc.
Hoje estamos a pagar esses erros, felizmente com uma política desportiva diferente, mais virada para potenciar o que é nosso e muito menos virados para o negócio de circulação de capitais. Poder-se-á dizer que são medidas impostas pela UEFA, mas recordo que o que não falta são medidas para contornar o fair-play financeiro, como por exemplo, a chegada de jogadores emprestados. Ora, tendo isto como presente, levantar a voz para criticar o trabalho que está a ser feito, só por má-fé ou interesse pessoal.

Só que, infelizmente, ainda se vão lendo certas coisas que me deixam atónito.
Esta semana, mostraram-me um texto escrito por um suposto portista onde eram ditas aberrações inimagináveis com uma naturalidade e fluidez que as mesmas pareciam verdades indesmentíveis.
Entre outras asneiras, falava ele nas não renovações de Indi, Reyes, Marcano e Ricardo ou na manutenção de Maxi e Layun. Claro que apenas o inteligente sabe que os 3 centrais estão no último ano de contrato e claro que ninguém tentou renovar. Falava da clausula de rescisão de 25M do Ricardo... sabe lá ele do que fala. E estava muito incomodado com a manutenção de Maxi e Layun... pena é que não tenha trazido ele propostas por ambos os jogadores, e já agora, aproveitar para os convencer a sair. Falava em Quintero, não fazendo sequer ideia daquilo que já foi feito para o tentar vender... mas claro, apenas o individuo é perspicaz. No fim, ainda guardou a pérola de dizer que teremos que pagar 6M do próprio bolso ao Lorient. Épico!
Enfim, uma disenteria mental a que todos têm direito, não fosse ter sido pública e publicada e como tal, poder influenciar o pensamento de algumas pessoas.

Isto pode acontecer porque a intoxicação é constante e visa sempre o mesmo: diminuir o FC Porto por oposição à exaltação do clube do regime.
Na semana passada, li um artigo do maisfutebol escrito pelo seu inarrável editor, Sérgio Pereira, cujo título era “É melhor ser despedido do FC Porto do que de outro clube”.
Ignorando os cenários dantescos sobre o nosso clube que eram traçados nesse artigo, mas que não passavam de desejos formulados pelo “jornalista” em causa, a dado passo, o artista afirma que Sérgio Conceição deverá estar preocupado com o nosso estado enquanto vê o principal rival “forte e pujante”. Perante isto, vamos lá desmontar mais esta intoxicação.
Para começar, estamos a falar do clube com a segunda maior dívida da Europa! Pouca coisa dirão alguns, irrelevante dirão outros... mas esses, são os cartilhados!
Se assim fosse, porque razão andariam tão preocupados há quase um ano em vender Jimenez, ainda por cima num ano onde já facturaram 113M e estando perante um jogador que o caloteiro do BES e BPN disse que seria a maior venda de sempre do carnide? Muito estranho para quem está tão pujante...
Curioso que uma das coisas que mais se tem falado do FC Porto é o facto de ainda só ter contratado um jogador. E quantos já contratou o slb? Seferovic e Krovinovic! Parece que afinal o carnide não está assim tão diferente de nós, pois os restantes jogadores foram meros negócios para a equipa B, o tipo de movimentação que tanto criticamos ao longo dos últimos anos no nosso clube.
Mas depois há sempre os “Aguilares” e “Brás” desta vida que vêm branquear tudo isto e dizer que o 5lb é tetracampeão e como tal não precisa de se reforçar tanto como os outros. Como? Então o 5lb não vendeu 3 titulares (guarda-redes, defesa direito e defesa central) dos 5 da defesa? E não precisa de se reforçar? Então, nós, que perdemos um único jogador que na segunda fase da época não foi titular indiscutível, também não precisamos de muitos reforços, além dos já anunciados regressos! Ou será que falta dinheiro para ir ao mercado, mesmo tendo já encaixados 113M? Ou será que desse valor há uma parte muito significativa que não entra nos cofres encornados? É que convém não esquecer que dos 90M do ano passado, os quais deveriam gerar uma máximo de 9M de comissão a empresários, o 5lb pagou 30M de comissões... e isto, isto sim nunca foi investigado ou questionado. Ai se acontecesse no FC Porto...
E por falar em “Ai se acontecesse no FC Porto...”, agora imaginem um jogador que chegava ao Olival, o Porto Canal filmava os seus exames médicos com o nosso equipamento, o mesmo treinava durante uma semana, e depois disso voltava à precedência, qual Rushfeldt do Rosenborg nos tempos do Vale e Azevedo!!!! Deus nos livre... iriam dizer que estávamos falidos, que ninguém nos dava crédito, e quem nem para um guarda redes tínhamos dinheiro. Mas assim não, André Moreira não ficou no slb apenas por falta de acordo!

Meus caros, é a esta intoxicação constante que não podemos ceder.
Eles querem-nos dividir para reinar e usam os prostitutos da comunicação social para o fazer.
Que nenhum de nós ceda à tentação!

Um forte abraço, e até domingo no sítio do costume.

25 julho, 2017

PINCELADAS PLANTEL 2017/18.


Após cerca de 2 meses de fome de bola clubística, nesta semana fomos finalmente saciados com as primeiras aparições públicas azuis e brancas, na temporada de 2017/18. Camisolas novas, treinador semi-novo, jogadores velhos conhecidos. É como se da metrópole cosmopolita que tem sido o balneário do Dragão nos últimos anos, passássemos para uma aldeia perdida no alto da serra, de tão familiares que são as caras que vão transportar a nossa esperança até Maio próximo. Aliás, se pudéssemos dar um título cinematográfico a esta época, ele seria decerto o "Fuga para a vitória". O ambiente bélico, a prisão de 4 anos sem conquistas, e um regime bafiento e repressivo a querer sabotar a nossa sede de vencer. Só falta mesmo o Rei Pelé para ser igual!

Sem odes, ou exaltações, pode-se dizer que a primeira impressão que nos fica da presente versão do FC Porto é bastante positiva. Se assumirmos as primeiras partes como o afinar da estratégia real da temporada, e as 2as partes um laboratório de experimentalismos tácticos e de tentativas de redenção a jogadores, tem-se visto uma equipa alegre, autoritária, em crescendo e - sublinhe-se -, mesmo com menos de 1 mês de treinos e com jogadores a chegar a conta gotas, já mostra saber mais o que fazer com o esférico, do que o fez em toda a época passada. Indícios bem interessantes, que não podem deixar de agradar a todos os portistas.

Da equipa propriamente dita, penso que a ideia em vigor nos corredores da SAD seja a de dossier fechado. Acredito que compras, a existirem, serão mais por reacção a eventuais vendas, do que para reforço efectivo do plantel. Não sendo a situação ideal, também não é o fim do mundo. O Atlético de Madrid não deixará decerto de ser uma equipa competitiva, com aspirações domésticas e na Champions, por estar proibido de comprar. No nosso caso, também não. Quando se constrói uma EQUIPA, e não apenas um alinhamento de nomes de jogadores, os triunfos serão sempre mais simples.


Analisando o plantel por sectores, podemos chegar à seguintes conclusões nesta altura do defeso:

Guarda-Redes
Tendo nós um dos nomes mais consagrados das redes mundiais em actividade, titular absoluto, e possivelmente um sério candidato na hierarquia de capitães da equipa, é no mínimo surpreendente que a única contratação desta época fosse para a baliza. Se a finalidade for preparar o pós-Casillas, colocando Sá numa equipa onde possa jogar regularmente, e manter um jogador com alguma experiência para jogos de Taças, como é Vaná, talvez tenha sido uma boa decisão. Se verificarmos que ainda temos no plantel Fabiano (em convalescença), jogador experiente, do agrado de Sérgio Conceição, para não falarmos em João Costa, a contratação de Vaná torna-se mais obscura. O futuro será último juiz.

Centrais
Ou deveremos chamar antes a revolta dos patinhos feios? Exceptuando Felipe, qual imperador romano, que chegou, viu e venceu, todos os outros nomes do centro da nossa defesa já foram merecedores em determinada altura de um elevado nível de decibéis em impropérios. Por ironia do destino, com os contratos a aproximarem-se do fim, precisamos mais nós da boa fé deles, do que eles da nossa. Quer Marcano, Indi ou Reyes acabaram por se valorizar em tempos recentes, pelo que, quais abutres, existirão sempre equipas a torcer para que o contrato destes 3 jogadores caduque. Recorrendo à mais simples lógica, em equipa que vence, não se mexe! Pelo que a manutenção e renovação de Marcano é prioridade nº 1, 2 e 3. Entre Indi e Reyes, a pré-época diz-nos que o holandês leva alguma vantagem. Se somarmos a cobiça de emblemas espanhóis pelo mexicano, a sua saída torna-se mais óbvia. A surpresa da manutenção de ambos (e Marcano) no plantel, seria altamente nefasta. Ao contrário dos comentadores de Football Manager que abundam na internet, não me parece que manter 2 internacionais A no banco, tenha algo positivo para os próprios, ou para o grupo.

Laterais
Para surpresa (ou não) de muitos de nós portistas que exigiam Rafa na equipa, Alex Telles não parece muito disposto a dar-lhe a mínima oportunidade. Pela amostra, o brasileiro parece disposto a fazer uma época ainda melhor do que a da estreia. Não será por isso de estranhar a muita parca e tímida utilização da nossa promessa esquerdina, arriscando mesmo o prognóstico que a manutenção dele no plantel depende exclusivamente da saída, ou não, de Layun. Do outro lado, para fortuna das nossas cores, apreciamos uma luta titânica entre Maxi e Ricardo Pereira. O português é mais tudo. Ganha na técnica, na velocidade, na resistência. Além da vantagem de poder oferecer diversas nuances tácticas. Maxi só não perde na raça. Com ele no plantel, Ricardo saberá que terá sempre uma carraça a época inteira. Pena o salário de Maxi ser tão burguês. Algures por aqui andará Layún. Um jogador que em tempos personificava a raça do Dragão mas, ironicamente, desde que o seu passe foi adquirido, nunca mais vislumbramos o mexicano a um nível acima do banal mediano. Curiosamente, no site do FC Porto, aparece ainda Diogo Dalot como parte integrante deste plantel. Pelo gigantesco futuro que se espera deste lateral, a inclusão na listagem é um prémio e uma motivação amplamente merecida.

Meio-campistas
Sendo Danilo, Óliver e Otávio as jóias da coroa, e André André o carregador de piano útil e incógnito, todos os outros nomes têm em cima de si o estigma do ponto de interrogação. Em primeiro lugar da linha, Herrera, o capitão. Um dos patinhos feios mais mal amados da história do FC Porto. Talvez ainda pior que Semedo, não tivesse este a vantagem de não existirem redes sociais no tempo dele. Pelo terceiro ano consecutivo, os dias passam, e Herrera vai-se mantendo no plantel. Mais grave ainda, ao contrário de muitos que se equipam de azul e branco, mas sonham acordados com outros emblemas, este gosta mesmo de jogar no Porto. Que tal uma proposta radical... já que não o conseguimos vencer, juntemo-nos a ele! Afinal, ele foi um dos grandes responsáveis pela nossa última vitória na Luz. Não? Ok... também não me parece muito convincente. Com a saída de Rúben Neves, Mikel parece ter ganho o bilhete para se manter no plantel. Ninguém como ele reúne as características necessárias para substituir Danilo. A jogar à roleta russa, estarão decerto JC Teixeira e Sérgio Oliveira (ou os 2 simultaneamente). Confessando-me um detractor nato do Sérgio, surpreendeu-me o empenho e qualidade que demonstrou em terras mexicanas, pelo que não me admiraria que ocupasse a pole position na manutenção no plantel. A JC Teixeira reconheço uma imensa técnica e aquela sensação de que é capaz de tirar um coelho da cartola quando menos esperamos. Infelizmente para ele (e para nós), a sua capacidade de decisão contra os mexicanos esteve pavorosa. Simplesmente não conseguiu definir uma única jogada.

Extremos
Pelo que vimos dos jogos até ao momento, Sérgio Conceição parece inclinar-se mais para um modelo próximo do 4-4-2, do que o 4-3-3 clássico. Obviamente, paira sempre no ar a dúvida se esta opção deve-se ao momento de forma deprimente de Brahimi e Corona, ou pela crença pessoal. Caso o sistema de 2 avançados vigore, não faz sentido sobrecarregarmos os nossos quadros com uma posição onde se tem dois dos melhores jogadores a actuar em terras lusitanas. Mais importante do que aquisições, é colocar ambos a render o que eles sabem e podem fazer. Como alternativa existe sempre Hernâni. Se estivermos a falar do jogador que alinhou em Guimarães na temporada passada, temos um activo de peso para colocar os radares de velocidade a apitar desenfreados. Se for aquela amostra que temos visto na pré-temporada, mais vale vendê-lo numa qualquer promoção leve 2 pague 1. O técnico saberá decerto se vale, ou não, a aposta. A correr por fora encontra-se Galeno. É irreverente, tem qualidade, mas ainda lhe falta o arcaboiço necessário para os defesas manhosos da nossa liga.

Avançados
Não fossem algumas diferenças de pormenor na fisionomia, diria que Aboubakar é o irmão gémeo de Paulo Portas. Do irrevogável não volto, às exibições pujantes e cheias de garra do camaronês, foi um pulinho muito curto. Esperemos que tal como o suposto gémeo, não se afunde algures no decorrer da época em indecifráveis problemas existênciais. É indesmentível que avançados com a sua qualidade não são baratos, pelo que mesmo assumindo o risco da sua não renovação, mais vale aproveitar enquanto podemos, do que estourar 6 milhões num pinheiro qualquer. De pedra e cal encontra-se Tiquinho. Seja qual for o sistema táctico, Soares é sinónimo de dores de cabeça para qualquer defesa. Só não o coloquem numa ala. Sem dúvida a nossa primeira escolha. No banco, Rui Pedro é um jovem de imensa qualidade. Poderá acrescentar sempre algo à equipa. Algures estará Marega... ou talvez não? Só o Treinador o saberá. Talvez este seja o sector que ofereça mais dúvidas. Se jogarmos em 4-4-2, ter apenas 3 avançados no plantel parece-me muito curto. Há castigos, há lesões, há baixas de formas... estamos a correr um grande risco num sector que nos tem custado vitórias (e títulos) nos últimos anos. Outorgar a responsabilidade de jogos encravados a Marega ou Rui Pedro parece-me optimismo exarcebado.

Treinador
Sérgio Conceição não defraudou a imagem que dele se tem. Corajoso ao limite. Abdicou de umas férias tropicais num clube onde era bem pago, e idolatrado pelos adeptos, para aterrar no olho da tormenta, a ganhar muito menos, e com a certeza que caso tenha 2 ou 3 maus resultados consecutivos, passará das boas graças aos apupos. Estou à vontade para dizer que não seria a minha escolha inicial. À vontade também estou para assumir que até ao momento está a agradar-me o seu trabalho. Nomeadamente ao nível do grupo. De tantos jogadores com um pé fora do Dragão, ele tem-los convencido a suar a camisola nos treinos. A face mais visível deste esforço será Aboubakar. Numa coisa já ganhou o nosso apreço: É bom termos dispensado o sarcófago!

Entrando em óbvias comparações com o plantel da época passada, aparentemente estamos ligeiramente mais fracos. Se Ricardo Pereira vem dar competitividade ao lado direito, e pela sua frescura talvez possa acrescentar algo mais que as pernas de Maxi já não dão, a verdade é que na frente de ataque estamos mais fracos. Jota e André Silva foram responsáveis por 30 golos na época que acabou. Aboubakar numa boa época faz 20. Assim como Soares. A não acontecer nenhuma novidade, resta-nos esperar que Sérgio Conceição consiga que o resto da equipa aumente a sua veia goleadora... ou descortine-mos uma excelente solução de banco, como um dia Ernesto Farías o foi.

Por último, e não menos importante, o desejo de rápidas melhoras ao NOSSO Presidente.

Cumprimentos Portistas.

24 julho, 2017

OS DESAFIOS DE SÉRGIO.


NOTA INTRODUTÓRIA: Em primeiro lugar, os meus votos da mais rápida recuperação para o nosso Presidente após o percalço desta semana. Força e que regresse o mais rápido possível!

Desde logo, Sérgio Conceição terá pela frente o maior desafio que algum treinador jamais teve nos últimos 35 anos, ou seja, tentar resgatar o título de campeão nacional após 4 anos sem o ganhar. Jamais outro qualquer treinador enfrentou um período de seca semelhante no banco do Dragão.

Sérgio demonstrou efetivamente uma vontade férrea em assumir o comando técnico do FC Porto, algo que por si só nada quer dizer, mas que conjugado com outros fatores como competência, raça, conhecimento e experiência pode levar a um caminho de sucesso no FC Porto. Sérgio era um ídolo em Nantes, clube que levou da agonia do fundo da tabela até a um excelente 7º lugar, à beira do apuramento para a Liga Europa, para além de ser um dos técnicos mais bem pagos da Ligue 1, abdicando de sensivelmente metade do ordenado em relação ao que vai auferir no FC Porto. Eu sei, nada disso quer dizer algo por si só também, mas no atual momento do clube, de seca inédita no consulado de Pinto da Costa, todos estamos sedentos de profissionais competentes, mas também de profissionais comprometidos com o projeto FC Porto. E o comprometimento com um projeto é tão ou mais importante que ter competência técnica.

Depois como disse outro dia Domingos Paciência, Sérgio tem como missão ganhar algo com um plantel constituído maioritariamente por jogadores que nos últimos 4 anos não ganharam rigorosamente nada. É bom que não nos esqueçamos do que se dizia de Marcano após aquela escorregadela na final da taça perdida frente ao braga ou do que se dizia de Aboubakar no final da época 15/16. Os dois serão provavelmente titulares indiscutíveis desta equipa.

É também inegável que os vários erros que foram cometidos sobretudo nos últimos anos têm uma fatura clara no atual momento. Investimos até agora 1 milhão de euros em Vaná, os sinais indicam que até ao final do mercado de transferências não deverá entrar mais nenhum jogador (o que era necessário!), ou seja, um cenário de investimento inédito em muitos anos. Não sei de cor os valores do R&C da SAD mas não devo estar muito longo da verdade se disser que nos últimos 10 anos o investimento no plantel tem sido sempre à volta dos 30/40 milhões de euros. Ficam evidentes as diferenças para um ano em que até agora se investiu 1 milhão de € num GR que não deve passar do banco ou da bancada.

Finalmente, o desafio que Sérgio terá de enfrentar em contraponto com o que tem acontecido nos últimos anos. O FC Porto perdeu a ultima vez com o slb em finais de 2014, isto é, há quase 3 anos, nos jogos com o outro rival da 2ª circular o equilíbrio tem sido a palavra de ordem. O FC Porto perde é demasiados pontos sobretudo nos jogos em casa e com equipas de menor dimensão. O ano passado por exemplo, os 4 pontos perdidos com Feirense e Setúbal foram fundamentais na decisão do título de campeão nacional. O que quero dizer com toda esta conversa? Pois bem, Sérgio terá de estar preparado para defrontar, sobretudo no Dragão, em 95% dos jogos equipas que pura e simplesmente não querem jogar futebol, mas apenas queimar tempo, inventar lesões e jogadores deitados no chão e colocar um autocarro de 5 andares à frente da sua baliza. É contra isto que a equipa tem de estar preparada, ou seja, te de ser uma equipa dinâmica desde o primeiro minuto, intensa, rápida e criativa. As dinâmicas defensivas são importantes mas a manobra ofensiva é o fator decisivo numa liga como a portuguesa. O importante não é perder poucos jogos (NES só perdeu 2 em 34 jogos!) mas sim ganhar muitos! Jogar apenas para manter a invencibilidade não é suficiente...


22 julho, 2017

UM ATENTADO AO FUTEBOL.


Desde sempre que a grande essência do Futebol são os Adeptos. Sem eles, nada faz sentido. No entanto, há muito que os Adeptos de Futebol em Portugal vêm sendo desrespeitados com a calendarização e definição de Horários das partidas.

Bem sei que esta minha introdução pode parecer demasiado romântica, que vivemos numa era onde as transmissões televisivas têm um peso enorme no que toca ao agendamento das partidas e que para aqueles que são Adeptos de Futebol na mesma, mas que por um ou outro motivo vêem jogos na Televisão, isto pouco ou nada interessa.

Mas a realidade é que não há nada mais deprimente no Futebol do que ver um Estádio sem público. Mesmo para os Atletas, quase todos eles preferem jogar em Estádios carregados de gente, mesmo que o ambiente seja adverso para a sua Equipa, porque voltando à ideia com que comecei: Isso é a Essência do Futebol.

É por isso de lamentar que a nova Época esteja prestes a começar mas a falta de respeito para quem gosta de ir aos Estádios continue. Pegando no exemplo dos jogos do nosso clube, embora esta questão seja absolutamente transversal a todos os clubes sem exceção, nas quatro primeiras jornadas o FC Porto joga numa Quarta às 19h, e em três Domingos, em casa às 18h e fora as duas vezes às 20h15.

Mas que sentido é que faz ter um jogo a um dia da semana, como tal um dia de trabalho para muito boa gente embora estejamos num mês onde tradicionalmente grande parte da população está de férias, a começar às 19h e dois jogos ao Domingo a começar depois das 20h? Como é que a um dia da semana alguém que habite nos mais diversos Concelhos do Distrito do Porto, onde existem imensos Portistas, pode vir ao Dragão com um jogo a começar às 19h? Como é que a um Domingo às 20h15, com o jogo a terminar já depois das 22h, alguém pode ir a Tondela sabendo de antemão que no dia a seguir é dia de trabalho e que depois do jogo terminar ainda há mais de cerca de 1h de viagem pela frente?

Isto são perguntas que, pelos vistos, quem define estes horários absolutamente pornográficos não faz. O que vai valendo, no caso do nosso clube, é termos uma massa adepta apaixonada e que não abandona o seu clube onde quer que ele jogue e em que horário jogue, daí ser cada vez maior o apoio ao FC Porto fora do Estádio do Dragão. Mas o mesmo não se passa com os ditos clubes mais pequenos, onde para além de muitas vezes o precário ser absolutamente desadequado (um outro problema que vai matando o Futebol), os Horários das Partidas também são um claro fator de afastamento das Pessoas dos Estádios.

Numa altura em que a nível Socio-Económico o nosso País vai recuperando aos poucos de anos de grande sacrifício e onde o Futebol poderia ser um dos grandes beneficiados dessa retoma, parece que quem dirige a Modalidade não está preocupado com isso e prefere manter como prato do dia jogos ao Domingo depois das 20h.

O que também não deixa de ser interessante é que num País onde programas sobre Futebol é coisa que abunda na nossa Televisão e especialistas na matéria então isso nem se fala, não há ninguém que seja capaz de trazer isto para o debate, com intuito de chamar à atenção os órgãos competentes mostrando que só estão a fazer mal à Modalidade e a quem a sustenta.

Não poderia terminar o artigo desta semana sem falar do nosso eterno Capitão de Andebol, Ricardo Moreira, que esta semana terminou a sua carreira de jogador para agora abraçar um novo desafio como Treinador com as cores do nosso clube. Ao Ricardo o meu profundo agradecimento por tudo o que fez pelo FC Porto e desejar-lhe as maiores felicidades nas suas novas funções.

Um abraço Azul e Branco,
Pedro Ferreira

21 julho, 2017

20 julho, 2017

LONGOS DIAS TÊM AS CARTILHAS...


Gosto frequentemente de visitar o passado, não só para recordar episódios mais ou menos felizes mas também para procurar lições que possam ser úteis para enfrentar o presente e preparar o futuro.

No desporto, tal como na vida, este exercício pode ser extremamente útil, principalmente para relativizar algumas situações e para nos dar força e motivação para continuar a luta, procurando “beber” nesse passado alguns ensinamentos para prosseguirmos com sucesso o nosso percurso.

Quando por vezes penso que o que fazem actualmente ao FC Porto é mau demais, que colocarem os Janelas, os Braz, Aguilares, Ribeiro Cristóvãos, Guerras e afins como personalidades isentas é um gozo inaudito, logo me lembro que tivemos de enfrentar semanalmente produtos tóxicos como os Donos da Bola, então promovido como espaço de debate e de grande reportagem, que tinha a mira sempre apontada ao mesmo lado.

O FC Porto ia a caminho do inédito Tri, estava numa fase de enorme domínio pela sua força e (há que admiti-lo…) pela fraqueza dos principais rivais e o que iam buscar para menorizar o nosso mérito e para nos achincalhar? Coisas como este episódio desenterrado dos tempos da Selecção Nacional orientada pelo nosso treinador Oliveira, com prostitutas e jogadores com passado ligado ao… FC Porto! Ou seja, o padrão de sempre, os diabos a Norte e os santinhos a Sul.


E seriam os tempos dos Donos da Bola e do ‘boom’ das televisões privadas o início da era em que os factos passaram a ser relatados da forma que mais interessavam aos mensageiros? Não, foi mesmo desde que começamos a ganhar que a máquina de propaganda começou a jogar nos seus tabuleiros, tentando impor a verdade que lhes mais interessa vender ao seu exército.

Aqui, neste pedaço de história com quase 30 anos, o FC Porto após ver-se ultrapassado à má fila na contratação de Ademir sentiu-se desobrigado de um suposto “Pacto de Cavalheiros” e retaliou contratando Rui Águas, o filho do lendário capitão das Taças dos Campeões vermelhas, bem como o central Dito. Algo natural e expectável face ao comportamento recorrentemente anti Porto de dirigentes como Gaspar Ramos e João Santos? Não, um escândalo nacional, já que para boa parte das “cabeças pensantes” da capital era impossível que uns “provincianos” conseguissem jogar o mesmo jogo que eles sempre jogaram. E daí até ao folclore de um tal de José Eduardo Moniz perguntar a Pinto da Costa coisas como qual o salário que pagaria aos dois “traidores” era um pulinho…


Ainda sobre jogos de poder e histórias contadas da forma que mais lhes interessa termino com a recordação da mítica final da Taça de Portugal 1982/83, jogada em Agosto de 1983 (ou seja no início da época 1983/84)!

Marcada desde o inicio da temporada para as Antas (num cenário que não era inusitado na passagem dos anos 70 para os anos 80 depois das finais de 1975/76 e 1976/77) esta final acabou mesmo por se realizar no nosso estádio após meses de polémica, terminando com uma amarga vitória dos encarnados.

A história completa poderão lê-la aqui, sendo que a mentira mil vezes repetida é que o FC Porto fez uma birra ao querer jogar no seu estádio e que a Pinto da Costa e a Pedroto saiu o tiro pela culatra depois de tentarem hostilizar o Benfica e de procurarem ganhar fora do campo uma vantagem injustificável.

Leram a descrição dos factos descrita pelo insuspeito Mais Futebol? Tiraram as vossas conclusões sobre quem tentou virar o tabuleiro a meio do jogo? Então agora vejam como a história é contada no seio deles, neste delicioso vídeo de 57 segundos:


Quando acharem que o presente é mau demais e que o nível de provocação que vemos diariamente é inédito não se deixem levar pelo desânimo e não tenham dúvidas que isto sempre foi assim. Nada do que se passa hoje é novidade, já que eles sempre usaram da mesma cartilha: megalómanos e egocêntricos, incapazes de verem para além da sua verdade mesmo quando ela é comprovadamente falsa e com instintos totalitários no controlo da imprensa e da opinião pública.

Significa isto que devemos aceitar de braços cruzados esta realidade, inevitável e da qual não podemos fugir? Não, temos de utilizar os nossos meios para combater sem tréguas este estado de coisas e oferecer-lhes concorrência dentro e fora do campo de forma a fazer tremer o “mundo perfeito”. Ou seja, e como vimos aqui, denunciar sem receio os comportamentos asquerosos dos Donos da Bola, retaliar e contar a nossa verdade não os deixando a papaguear sozinhos como fizemos no Caso Ademir e lutar pelos nossos direitos, sem medos nem receios, como o FC Porto fez em 1983.

Nunca ninguém nos deu nada e nunca ninguém nos dará nada. Mas se formos capazes de manter e reforçar o espírito dos últimos meses, cada vez mais semelhante à velha mística do Dragão das grandes conquistas, voltaremos com certeza a fazer aquilo que mais gostamos: GANHAR.

PS: Agradecimentos especiais ao Pedro Cardona, Basculação e a um tal de “Futebol 86” pelos vídeos aqui partilhados.