18 agosto, 2018

FOTO MÍSTICA #12 - QUINZINHO [1995 ou 1996].


O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com .


Época: 1995/1996
Local: impossível de confirmar
Data: 1995 ou 1996
Resultado: impossível de confirmar
Aparecem na fotografia: Quinzinho

Às vezes é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma, dizia um personagem d’O Leopardo, filme maior do mestre do cinema italiano Luchino Visconti.

Aos 88 minutos da primeira jornada do campeonato 2017/2018, diante do Chaves, lembrei-me disso mesmo quando Marius Mouandilmadji, avançado nascido no Chade, se estreou a marcar de azul-e-branco, dirigindo-se imediatamente à bandeirola de canto para celebrar o golo. O resultado sentenciava a partida nuns conclusivos 5x0 e os portistas sorriam. Desde logo porque é sempre bom começar a ganhar, mas também porque os avançados africanos têm um je ne sais quoi: eles trazem magia, imprevisibilidade, alegria, magia negra ao jogo. Ver Marius a correr para a bandeirola de canto e inventar um passo de dança traz à memória outros avançados africanos. A nível internacional podemos recordar Roger Milla no Mundial 90; a nível interno um nome ecoa no coração dos portistas: Quinzinho.

Quinzinho (de seu nome Joaquim Alberto da Silva) foi um avançado que se notabilizou ao serviço do FC Porto na década de 90, não tanto pelos golos marcados – que foram poucos (apenas 8 distribuídos por duas temporadas de azul e branco) – mas pela alegria que transmitia às bancadas. Era o chamado rebuçado dos adeptos.

Sir Bobby Robson mandava Quizinho aquecer atrás do banco de suplentes das Antas e como que as bancadas se agitavam. Rapidamente a turba se esquecia do jogo e pedia a Robson, alto e bom som, que fizesse entrar o angolano Quinzinho. A relação entre os dois era digna de figurar nos compêndios: de um lado estava um apaixonado pelo jogo, um homem que respirava futebol de ataque e que adorava o futebol sem “rodriguinhos”, ao primeiro toque. Tudo em Robson inspirava vertigem, tabelas, triangulações, futebol simples, rápido e com a baliza na mira. Um futebol de alta-voltagem, electrizante.

Só que Quinzinho era o ponta-de-lança africano celebrizado por Jorge Bem, o tal Umbabarauma. O seu mundo era outro. Quizinho adorava fintar, torcer os rins aos adversários, jingar no relvado, correr campo fora sem grandes preocupações tácticas ou defensivas. E, quando facturava, apressava-se a mostrar os seus dotes de dançarino de kuduro/kizomba. Sir Robson, no banco, exasperava-se com tais façanhas. Era um Sir, odiava esse tipo de festejos, não gostava de os ver, desesperava-se, tapava a cara, virava-se para a bancada e de costas para o jogo, protestava com Quinzinho. Era também, no fundo, uma encenação de Robson, que percebia como poucos o conceito cénico e artístico do jogo, o futebol como espectáculo de massas.

Óbvio que, perante um treinador britânico, um avançado africano teria sempre dificuldades em impôr-se. Quizinho nunca foi uma opção real para Robson, que o utilizava mais para responder aos caprichos da bancada do que para resolver reais problemas que o jogo trazia.

Quinzinho foi, sem dúvida, um personagem mítico dos anos 90 portistas. A sua áurea inspirava alegria, ânimo, imaginação. Os dragões sempre gostaram de jogadores objectivos e de toque simples, para a baliza. Mas Quizinho era a excepção que confirma a regra: a Quinzinho tudo era permitido, desde toques de calcanhar falhados, fintas em zona proibida, invenções que não lembravam ao diabo, toques habilidosos, a Quizinho tudo o adepto perdoava. Fossem Capucho ou Chainho a arriscar tais artes e seriam imediatamente vaiados e intimados a não repetir a proeza. Quizinho foi pois, de facto, um epifenóneno que ninguém é capaz de explicar. Já era assíduo das Antas na altura e, confesso, também eu pedia a plenos pulmões a entrada do Quinzinho. Aquela corrida desenfreada, aquela fome de bola, o sorriso rasgado quando estava quase a entrar, aquela magia sempre prestes a explodir, aquela imprevisibilidade e potência física, parecia que Quinzinho tinha sido ali colocado para apimentar o jogo e o espectáculo.

Numa reportagem da RTP dos anos 90, perguntaram a Quizinho como festejaria um golo marcado mesmo no final da partida. A resposta saiu natural: “Ao meu jeito de festejar... dançando!”

Rodrigo de Almada Martins

16 agosto, 2018

5 GOLOS, 5 APONTAMENTOS "SEM PAPAR GRUPOS!".


O Campeão em título arrancou a defesa do cetro da melhor forma, com 5 golos sem resposta ao Desportivo de Chaves. Depois da vitória na Supertaça, o regresso ao Dragão com 5 Golos que dão confiança e sublinham superioridade. 5, um número redondo também para organizar ideias e tirar os principais apontamentos do que se passou nos últimos dias.

1. A Exibição do Futebol Clube do Porto

Categórica exibição. Futebol empolgante, quer do ponto de vista coletivo quer do ponto de vista individual. Com intensidade e agressividade sobre a bola que não deixaram o adversário respirar, e muito menos jogar. Viu-se também muita velocidade no pós-recuperação a potenciar a eficácia das transições ofensivas. E muita presença na área e nas suas imediações de jogadores azuis e brancos, oferendo múltiplas soluções e combinações de jogo. Para rematar com “Chave” de ouro há também que destacar as bolas sempre inteligentes, bolas com ideais, bolas com propósitos, bolas com intenções. Por outras palavras, sem muito pontapé para a frente ao estilo “Sobe equipa!”. Resultado: 5 golos de jogadas com sentido e uma esmagadora maioria de remates já dentro da grande área adversária. Mister, repita lá isso mais vezes por favor!
Nota de rodapé: Que o pontapé para as costas da defesa adversária seja apenas uma alternativa de entre várias, e nunca a solução principal. Nem que seja enquanto Marega está “encostado”. Ou enquanto a equipa revelar esta capacidade, no mínimo.

2. O que quis dizer Sérgio Conceição

O “Temos de fazer mais e melhor este ano” pode ser lido como uma mensagem de alerta e exigência ao plantel, mas também um aviso à navegação de que talvez seja preciso mais qualquer coisa. O “Vamos encontrar dificuldades e não chega fazer o mesmo que na época passada. Temos de fazer mais e melhor este ano para conseguirmos ganhar” acaba por confirmar isso mesmo. Sérgio está a querer subir os padrões, e isso é a maior garantia de que temos mesmo um grande treinador, alguém não só extremamente competente e apaixonado pelo que está a fazer, mas também perfeitamente consciente da realidade e das dificuldades que o esperam durante a época. Em suma, seria bom ter mais um ou outro reforço para melhorar a equipa. Porém, se não forem mesmo (verdadeiros) reforços, é melhor irmos à luta assim sem mexer mais!

3. O Mar Azul

Sintonia, empatia, alegria. Confiança e apoio forte. Sem ninguém desarmar, tudo a remar para o mesmo lado. Incondicionalmente, indefetivelmente. Constantemente a empurrar a equipa. É assim que tem de ser, é assim que se quer. Se der, é também isto que é necessário para o fim-de-semana no Jamor. É que temos feito maus resultados contra o Belenenses (a derrota do ano passado assustou muita gente), e portanto, temos já aqui uma oportunidade espetacular de começar a “fazer mais e melhor este ano”. Com tudo e todos, “Para cima deles!”

4. Arbitragem e tentativas de aproveitamento

Preferível sempre falar de futebol, da equipa, do que estamos a fazer bem e do que podemos fazer melhor. Foco em nós próprios, apenas. Mas esta campanha hipócrita, descarada e sem-vergonha de tentar associar a arbitragem do jogo a um benefício (absolutamente falso, diga-se) da nossa equipa é claramente uma tentativa de começar já a condicionar as coisas e a desviar atenções mais importantes. Vamos então ao essencial dos três lances polémicos:
Maxi devia ter visto cartão amarelo. A entrada é dura e arriscou em demasia. Maxi tem de ter mais cuidado, e o amarelo seria mais do que justo. Agora alto e paira o baile: a bola estava completamente jogável tanto para Maxi como para Luis Martins, pelo que pedir vermelho aqui só mesmo se se for da mesma cor. Pior do que isso é comparar esta entrada com a de João Teixeira (que levou a um justo cartão vermelho). Pé alto, pitons a ver-se, a deslizar de carrinho a 1 ou 2 metros de Sérgio Oliveira. Haja o mínimo de honestidade, ou então usemos o humor para responder. A comparação é que não dá mesmo para ser levada a sério.
Devia ter sido assinalado penalty sobre Otávio. O árbitro não viu, o VAR também não. No dia anterior, não aconteceu o mesmo mais a Sul. O penalty não teve influência nenhuma no resultado e no jogo, mas e se tivesse? Pois, que ninguém se distraia do essencial!
Brahimi tem também de se controlar mais. Não porque merecesse vermelho, até porque todos sabemos que a polémica nasce apenas de um aproveitamento conveniente e mafioso de um único frame em que Brahimi coloca a mão (erradamente) no pescoço a Niltinho, mas sobretudo porque situações destas vão expor sempre o jogador a situações de polémica, não existindo como se sabe absolutamente nada que previna desfechos mais prejudiciais. No fundo, Brahimi precisa de ter mais cuidado, e o Porto precisa de ridicularizar o avermelhado pedido de comparação (e tratamento) desta situação com a de Samaris. Fica uma sugestão: coloquem-se ambos os vídeos em imagem corrida. E uma música infantil a acompanhar. Haters vão dizer... (o quê?)

5. A Imprensa invertebrada

Comparem os “casos” Marega e Jonas lado a lado, bem como o respetivo tratamento que cada um teve pela imprensa. As capas de Jornal que se fizeram sobre cada situação e os especiais de informação nas Televisões. Para os mais distraídos, eis um resumo preguiçoso: Marega quer sair, recusa-se a treinar, o Porto não o quer deixar sair e a situação é já extremamente delicada, o jogador está desmotivado e o ambiente com o clube agudizou-se. Já o caso Jonas é “bem diferente”: O Pistolas adora o clube onde está, mas tem propostas irrecusáveis de fora. Por acaso, também não tem jogado, mas porque tem um problema nas costas apenas. Entretanto, tem uma proposta do seu clube para renovar que o enche de felicidade e na verdade as propostas de fora não eram assim tão irrecusáveis. Quer terminar a carreira no Benfica, e os crónicos problemas de costas também não são assim tão significativos. Blá, Blá, Blá… dá para levar tudo isto a sério?


A luta tem de continuar com respostas em campo como as que temos dado, com uma procura e vontade constantes em tentarmos melhorar, com um apoio cada vez mais forte, unido e assíduo, e com firme atenção e pronta reação a todas as tentativas cénicas de ludibriar os dados deste jogo. Como se diz à boa maneira Invicta, “Sem papar grupos!”.

15 agosto, 2018

A ÉPOCA DAS NOSSAS MODALIDADES - ANDEBOL / ADV. EUROPEUS.


Como prometido, vou agora começar a abordar um pouco sobre os futuros adversários europeus das nossas modalidades...
  • ANDEBOL
Será a primeira equipa em competição no Dragão a 2 de Setembro e a deslocação à Roménia a 8 Setembro.

A jovem equipa do Potaissa Turda, fundada em 2000 na cidade de Turda, participa na liga romena, uma liga com coeficiente similar à nossa.


Ao nível de troféus nacionais é uma equipa com um palmarés vazio, já que as melhores classificações são o 3º lugar alcançado em 2013/14, 2016/17 e 2017/18.

Ao nível internacional, a primeira participação ocorreu em 2014/15, com a presença na Taça EHF, onde após ultrapassarem os israelitas do Maccabi Tel Aviv e os italianos do Junior Fassano, caíram perante os crotas do RK Nexe. Após o interregno em 2015/16 os romenos voltaram em 2016/17 às competições europeias e logo com uma longa caminhada que só terminou na final onde foram derrotados pelo clube do Cashball.

A presença europeia em 2017/18 podia parecer destinada ao insucesso após este jovem clube ter chegado a uma final europeia, mas os romenos foram-se superando e não só chegaram à final, como venceram a competição ao derrotarem o AEK Atenas.

O plantel dos romenos é composto maioritariamente por jogadores locais com um pivot Sérvio, Nenad Savic, jogador com 37 anos com 1,87m e 106kg.

Estando a nossa equipa em período de assimilar as ideias do novo treinador, poderemos ter uma eliminatória bastante equilibrada, mas acredito que a experiência internacional do nosso treinador possa permitir que no fim o apuramento seja Azul e Branco.

Na próxima semana, trarei algumas informações sobre os russos do Nizhny Novgorod que visitarão o Dragão a 20 Setembro e nos receberão a 22 de Setembro.

Abraço,
Delindro.

14 agosto, 2018

“BOLAS”, “PADRES” E OUTRAS PARVOÍCES.


O canal que atualmente detém o direito exclusivo de transmissão da Liga Portuguesa (com a exceção dos jogos em casa de um clube) lançou um anúncio promocional em que os vários comentadores desse canal solicitam num café várias “bolas” correspondentes às competições por si transmitidas, terminando com a empregada do café a mostrar uma bandeja com um conjunto de "bolas de berlim".

Continuando em linguagem de pastelaria, pode dizer-se que esse canal ao longo dos últimos anos 5 anos perdeu num primeiro momento os direitos de transmissão dos jogos caseiros de um clube, bem como os direitos de transmissão da Premier League (entretanto recuperados) mas manteve o preço da "bola de berlim". Agora perdeu os direitos de transmissão da melhor competição de clubes a nível mundial a UEFA Champions League, da Liga Espanhola, Liga Francesa e Liga Belga e ainda assim manteve intacto o preço da "bola de berlim". Digamos que nos últimos anos, a "bola de berlim" oferecida, já não tem qualquer recheio e tem muito menos açúcar mas o preço mantém-se.

Falando numa linguagem mais séria, a ideia cada vez mais evidente aos olhos de alguém minimamente atento a estas negociatas do futebol é a seguinte: 75% do capital da Sporttv é detido pelas 3 operadoras mais relevantes do mercado português (25% Altice, 25% Nos e 25% Vodafone), sendo que duas delas, no caso a Nos e Altice, detêm a maioria dos direitos de transmissão dos clubes da 1ª liga para os próximos longos anos. Ou seja, estão concentrados no grupo de empresas Sporttv/Altice/Vodafone/Nos os direitos de transmissão daquela competição que obviamente todos querem ver: a liga portuguesa. Nada disso foi considerado errado pela Autoridade da Concorrência, uma entidade que, é sempre bom lembrar, tem por objetivo proteger os interesses dos consumidores de eventuais negociatas obscuras das empresas. A questão aqui será perceber se a Sporttv continuará a fazer uso da sua posição dominante no mercado de direitos de transmissão da Liga Portuguesa para fazer literalmente aquilo que quer e bem entende, ao arrepio das mais básicas regras do mercado livre. Poderemos perfeitamente chegar a um cenário em que a Sporttv perca os direitos de TODAS as competições que detém, mantendo apenas os direitos da Liga Portuguesa e mesmo assim mantenha inalterável o preço do "bola de berlim"...

Ainda na temática dos anúncios promocionais desse canal, foi engraçado ver a forma como foi anunciado o jogo de acesso aos playoffs da Champions League... Numa missa com um coro a cantar o hino da Champions League! "Vamos ter os padres que escolhemos e ordenamos, mas missas que celebramos, temos é de rezar e cantar bem". Muito bom!!

Para finalizar as parvoíces do clube mais idiota de Portugal. Já não há adjetivos que classifiquem as idiotices e parvoíces do departamento comunicacional dessa agremiação (nem português correto sabem escrever...), um clube que está atolado em processos judiciais por corrupção, tráfico de influências e sabe-se lá mais o quê mas que tem a lata de abrir a boca por causa de uma multa a um treinador... Enfim.

11 agosto, 2018

ESTREIA DE GALA.


FC PORTO-CHAVES, 5-0

O FC Porto fez a estreia na presente edição da Liga NOS com uma retumbante vitória e uma exibição de gala.

Sérgio Conceição, apesar do resultado e da primeira amostra, disse querer muito mais do que viu no relvado. Deixou um claro aviso à navegação de que para vencer a liga, o FC Porto vai ter que produzir mais.

O treinador portista colocou o onze com que iniciou o jogo da Supertaça e deu-se muito bem com isso. A entrada dos Dragões, no jogo, foi terrível para o Desportivo de Chaves. Muita pressão sobre a saída de bola condicionou a equipa transmontana.

Aboubakar, aos nove minutos, desperdiçou uma clamorosa oportunidade de golo, após cruzamento de Sérgio Oliveira. Cinco minutos volvidos, o camaronês compensou a equipa. Junto à linha de fundo da área flaviense, Otávio pressionou Ghazaryan, ficou com a bola e cruzou para área. André Pereira deixou passar o esférico, Aboubakar recebeu e atirou para o fundo da baliza. Estava aberto o marcador, num estádio em ebulição.


O FC Porto mostrava-se insaciável. Os Dragões queriam mais e as oportunidades sucediam-se. Maxi apareceu desmarcado na direita, cruzou atrasado e André Pereira, com tudo para ampliar o resultado, rematou ao lado do poste esquerdo de Ricardo.

Aos 20 minutos, os azuis-e-brancos aumentaram o score. A equipa portista, completamente balanceada para o ataque, tocava violino para os sócios. Combinação perfeita entre Sérgio Oliveira e Otávio, com o brasileiro a cruzar na direita e a assistir Aboubakar, na perfeição.

O Chaves não conseguia respirar. Parecia uma equipa de jogadores saídos de um filme de terror. Remetidos na sua defensiva, os flavienses eram incapazes de fazer o seu jogo. 

Logo a seguir e, no espaço de quatro minutos, Brahimi, o melhor em campo, desperdiçou duas oportunidades flagrantes. Primeiro, num remate de pé esquerdo a corresponder a uma assistência de Felipe. E depois, numa combinação com André Pereira, com a bola a passar em cima da linha de baliza.


A fechar a etapa inicial, o argelino marcou o golo merecido. “Slalom” à entrada da área e remate colocado com o pé direito, definiram o resultado de 3-0 ao intervalo.

A etapa complementar recomeçou como terminou o primeiro tempo. Carrossel portista em grande velocidade e oportunidades desperdiçadas em catadupa. Aboubakar foi o perdulário da noite com três boas oportunidades. A primeira no minuto inicial, com um cabeceamento sobre a barra; a segunda, oito minutos depois, num remate desviado, em última instância, por um defesa flaviense; a última aos 68 minutos, num remate para a bancada.

No entanto, aos 70 minutos, Corona deu um pouco de lógica ao resultado. O mexicano, acabado de entrar, interceptou um passe a meio-campo, cavalgou em direcção à área pela zona central, driblou Marcão e rematou fortíssimo, sem hipóteses para Ricardo.


O Desportivo de Chaves, completamente perdido em campo, não se via em termos ofensivos. Impotente, incapaz e completamente alheada do jogo, a equipa flaviense desejava que o jogo terminasse para regressar a Trás-os-Montes.

Mas a dois minutos dos 90, os flavienses viram o cenário ficar mais negro. Maxi Pereira foi à linha e cruzou para o coração da área. Sérgio Oliveira, numa tentativa de remate, colocou a bola na cabeça de Marius que fez o 5-0.

Destaques finais para mais uma exibição soberba de Maxi, para o regresso de Aboubakar aos golos e para uma exibição de gala da equipa azul-e-branca. No entanto, Brahimi foi a estrela da noite. O argelino foi o pior pesadelo dos flavienses. Criou jogo, rasgou a defesa contrária, desperdiçou golos e terminou com uma ovação do estádio.

O FC Porto desloca-se, no próximo Domingo, ao Estádio do Jamor para cumprir o jogo da 2ª Jornada da Liga NOS, diante do Belenenses.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Temos de fazer mais e melhor este ano"

Entrada forte
“Foi a entrada que nós queríamos, um pouco à imagem do que foi na época passada: uma equipa muito pressionante, a reagir muito rápido à perda de bola, a deixar pouco espaço ao adversário, e depois com uma dinâmica muito interessante na zona ofensiva. Com um pouco mais de agressividade ofensiva, o resultado podia até ser mais volumoso. Com bola, fomos uma equipa com uma dinâmica muito forte, com os jogadores a interpretarem muito bem o que foi preparado para este jogo. Hoje foi um daqueles jogos onde a equipa esteve muito forte nos diferentes momentos do jogo, associando sempre a parte ofensiva à parte defensiva.”

Dificuldades pela frente​
“Vamos encontrar dificuldades e não chega fazer o mesmo que na época passada. Temos de fazer mais e melhor este ano para conseguirmos ganhar. A ambição, a paixão, a alegria com que jogamos continua a mesma. A exigência também é a mesma e os jogadores estão totalmente comprometidos com isso.”


Máxima exigência
“O grupo é forte. Temos gente que quer trabalhar, que dá uma resposta adequada à minha exigência, ao meu rigor. Eles já sabem como eu sou e como o clube é, é um clube com uma exigência muito grande. Os jogadores estão muito comprometidos, com uma ambição e uma paixão muito grandes. Não preciso dos jogos para me darem confiança, o trabalho diário é que me dá confiança. Em relação aos jogadores ausentes, não me pronuncio. O jogador mais importante do FC Porto é a equipa. Só dessa forma poderemos criar um grupo forte.”

O mesmo onze
“São escolhas que eu faço em função do que é o jogo, da resposta que os jogadores me dão e da estratégia. O Corona entrou muito bem mais uma vez, o Marius entrou bem, o Adrián entrou muito bem. Se ficou um dissabor da minha parte, foi pelo Adrián não ter conseguido fazer o golo na oportunidade que teve.”

Elogios para Adrián López
“Ele tem feito com que seja uma aposta, porque trabalha de uma forma muito séria. É um jogador que nos dá coisas diferentes em relação aos outros avançados. Fiquei triste por ele não ter feito o golo, porque merecia. É um jogador que conhecia por ter jogado em outros clubes e com certeza que da forma como está a trabalhar agora, tem lugar no plantel, sem dúvida nenhuma.”

Mar Azul
“É bom ver esta sintonia, esta empatia que existiu sempre durante a época passada, sentir esta confiança, este envolvimento por parte do público, é sinal que estão connosco e que se revêm na forma como trabalhamos. Todos juntos somos mais fortes.”



RESUMO DO JOGO

10 agosto, 2018

QUANDO O ZELO É IGUAL A ESTUPIDEZ.


Depois da polémica com o bombo do célebre Manolo no último Mundial, eis que a segurança contratada para a Supertaça em Aveiro decidiu seguir exemplos de pura estupidez e colocar entraves ao "nosso" António Lourenço, o mítico "Lourenço do Trompete".

É estúpido. É ridículo. É um ataque ao que de mais belo tem o futebol e os seus adeptos. É até uma questão de ingratidão por quem ao longo de décadas deu um colorido especial ao jogo.

Cresci a ouvir o Sr. Lourenço nas Antas e no Américo de Sá. No último dia da Piscina das Antas saltei para a água e nadei ao som do famoso trompete, num momento que guardo na memória com saudade e orgulho.

Não sei o que o FC Porto pode fazer para que isto não se repita. Nem sei se o excesso de zelo terá ligação ao facto do trompete ser azul. O que sei é que já é tempo de termos gente que verdadeiramente ama o desporto à frente das diferentes organizações, sejam federações ou clubes.

Porque é nestas pequenas coisas que se mata mais um pouco um jogo maravilhoso, popular e vibrante, que está gradualmente a ser transformado num negócio asséptico, com cada vez menos princípios e menos alma.

Entretanto um abraço especial ao Sr. Lourenço e que este contratempo não o iniba de continuar. Força!

09 agosto, 2018

ADMIRÁVEL MUNDO VELHO.


A última semana foi um regresso nostálgico a um passado bem conhecido de todos nós portistas:
  • A sempre fiel e "isenta" Imprensa nacional, a tentar criar brechas na união portista, regando com gasolina e uns pacotes de acendalhas a situação do Marega;

  • A nomeação para uma final, de dois árbitros que reúniam todos os critérios para uma arbitragem tendenciosa, como o vieram a comprovar Luís Godinho e Bruno Esteves;

  • Mais uma Supertaça para o Museu, resposta que o FC Porto do passado sempre deu a estas situações.

Começando por Marega, a primeira ilação a tirar, é constatar que o que fez é comum a 99% dos jogadores de futebol com mais de 1 temporada no clube, em época de mercado de transferências abertas. Os restantes 1% são para coxos e estropiados sem colocação possível. Se a birra é mais, ou menos barulhenta, depende sempre da idade mental do jogador, e no exibicionismo do seu agente. O que sabemos, é que TODOS, desde o birrento Marega ao Capitão Herrera, têm um olho no Porto, outro noutra liga. A diferença, é que uns foram abençoados com neurónios, outros com centímetros a mais na língua, ou noutro sítio qualquer. Depois de uma época fantástica como a que fez, é compreensível que o Maliano visse uma oportunidade de ouro para dar o pulo para uma liga mais competitiva que a nossa. Aliás, não acredito que a própria SAD não visse (veja) com bons olhos uma mais-valia de 400% ou 500% em relação ao que custou o avançado. A questão aqui prende-se unicamente com Sérgio Conceição. Ou melhor, com a inexistência de alternativas válidas que o treinador continua a ter para a frente de ataque. Entrando no domínio da pura especulação, acredito numa conversa acalorada entre treinador e jogador. O que não acredito, até pela própria personalidade de Conceição, é que ela tenha resvalado para ultimatos ou braços de ferro. Se tal fosse o caso, Marega teria seguido de imediato para Londres ou para um baldio no parque da Cidade. O que conhecemos do nosso treinador, é que prefere jogar com um júnior, do que algum dia ficar preso a vontades de jogadores. Como tal, o futuro é muito simples. Se entrarem os milhões, porreiro. Se Marega ficar, decerto irá dar o máximo pela camisola, tal como outros o fizeram em idênticas situações no passado. Não nos cabe a nós, adeptos, sermos juízes de situações em que o encanto dos cifrões ultrapassa a nossa imaginação.


Quanto a questões de arbitragem, vamos fazer um pequeno histórico das nomeações para as últimas 5 edições da Supertaça:
  • 2013/14 FCP - Vitória Guimarães - Artur Soares Dias
  • 2014/15 slb - Rio Ave - Duarte Gomes
  • 2015/16 slb - Sporting - Jorge Sousa
  • 2016/17 slb - Braga - João Capela
  • 2017/18 slb - Vitória Guimarães - Artur Soares Dias
  • 2018/19 FCP - Aves - Luís Godinho
Olhando para os nomes, e considerando a edição de 16/17 um jogo de confraternização entre amigos (quem não se lembra dos falhanços de Rafa, poucos dias antes de trocar Braga pela Luz...), onde o nome de João Capela assenta como uma luva ao interesse de ambas as equipas, todos os restantes encontros tiveram um denominador comum na arbitragem: Experiência!

Comparando então a experiência do árbitro deste ano, com a dos seus antecessores, porque carga de água a escolha recaiu em Luís Godinho?!

Um árbitro proveta, de ascenção duvidosa, no centro de um dos momentos mais ridículos, e ridicularizados internacionalmente no futebol mundial, como o foi a expulsão de Danilo em Moreira de Cónegos, um árbitro fortemente contestado pelo FC Porto, mas aparentemente nas boas graças benfiquistas. Basta lembrarmo-nos do inenarrável Setúbal - slb da temporada passada numa altura em que os vermelhos ficaram em vantagem no campeonato... todos estes indícios desaconselhavam vivamente a escolha deste senhor.

Não tendo sido minimamente tomados em conta os indícios enunciados, a questão que mereceria uma resposta adequada, seria:

Quais as motivações do Sr. Fontelas Gomes para tão "criativa" escolha?

Ficamos à espera. Sentados.

Quanto ao resto, só quem não esteve atento ao passado deste Luís Godinho, é que poderá ficar surpreendido.

Por fim, de realçar que não há sensação melhor do que voltarmos a entrar em velocidade de cruzeiro nas conquistas. Continuemos nós com a nossa humildade, união e apoio, e o futuro próximo será risonho.

Continuando ainda a ser prematura uma análise final da (real) valia das equipas portuguesas, diria que neste momento temos um ligeiro favoritismo face aos restantes.

Mesmo tendo em conta o inestimável contributo que as vedetas da APAF têm no rendimento da equipa benfiquista, a confirmar-se a saída de Jonas, é inegável que o slb fica mais fraco. Jonas é, porventura, o jogador mais inteligente que passou por Portugal nos últimos anos. Jogador com técnica boa, sem contudo ter qualquer característica que o torne num fora de série, como o provam os fracos desempenhos perante equipas de superior valia, é no entanto, um atleta que sabe aproveitar como ninguém as benesses arbitrais com que o slb sempre foi favorecido, ao ponto de somar com facilidade mais de 30 golos por época. Não me parecem números ao alcance de Ferreyra, muito menos de Castillo ou outra qualquer coqueluche que inventem por aqueles lados. Quanto à restante análise táctica benfiquista, com um Rui Vitória como timoneiro, de esperar o bom e velho biqueiro para a frente e a fortuna, a momentânea inspiração ou o árbitro lá hão-de aparecer em seu favor.

Se atravessarmos a rua, e visitarmos os vizinhos esverdeados, apesar da sangria de BdC ter sido relativamente estancada, com o regresso de jogadores influentes como Bruno Fernandes ou Bas Dost, a verdade é que o treinador continua a ser José Peseiro. Como infelizmente bem conhecemos a sua capacidade, só por aí penso que o destino verde e branco estará traçado. Se somarmos o clima de divisão que por lá existe, a um maníaco disposto a tudo fazer para voltar ao poder, não será necessário comparar-me a Nostradamus para prever que Alvalade é um barril de pólvora prestes a explodir. Dois ou três maus resultados deverão ser combustível suficiente para Rio Ave, Guimarães ou Marítimo terem um adversário de peso nos seus campeonatos

Se internamente podemos estar, neste momento, uns furos ligeiramente acima dos rivais, no plano externo há que ter a noção que descemos vários degraus. Se as insuficiências internacionais eram gritantes na época passada, onde tivemos que jogar nos limites para arrecadar pontos a adversários de média valia europeia, como o eram Besiktas e Leipzig, para esta temporada a única boa notícia é a maior experiência de Sérgio Conceição. Aboubakar, o nosso abono Champions, continua na sua espiral depressiva, Marega de cabeça ausente, Soares lesionado... mesmo levando o optimismo ao extremo, se Brahimi e Corona (em dia sim) são jogadores capazes acrescentar qualidade à frente de ataque, acreditar na incógnita André Pereira, ou pior ainda, em Hêrnani ou Adrian Lopez para serem soluções, é abusar em demasia da sorte.


Mesmo com a boa notícia da chegada de Militão, não chega. Os senhores da SAD têm a última palavra. Se querem um FC Porto agarrado à âncora em queda livre que se está a tornar a Liga Portuguesa, ou ainda querem manter a dignidade que meritoriamente granjeamos no nosso passado europeu. Só com discursos de superação, não vamos lá.