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25 maio, 2019

CRUELDADE A RODOS.


sporting-FC PORTO, 2-2 (5-4 após GP)

Na minha última crónica, neste espaço, não vou narrar as peripécias do jogo, como faço habitualmente. Para isso, há jornais, sites e outros espaços para ler sobre esses momentos. Ou então, vão à box e revejam o jogo. Sendo a minha derradeira vez que escrevo aqui, interessa-me debruçar sobre a época com epílogo no Jamor.

A presente época, que, este Sábado, terminou, trouxe um grande amargo de boca ao FC Porto. Com uma carreira bastante interessante em todas as competições, apenas faltaram os títulos. Salvou-se a Supertaça conquistada em Agosto, altura em que na equipa via-se muita esperança e previa-se uma época recheada de sucessos. O certo é que tal não aconteceu. Ficou-se tudo pelo “quase”, o que foi de uma crueldade terrível para uma equipa e para um técnico que não mereciam nada disto.

A época, como já disse, iniciou com a conquista de um troféu. O campeonato, apesar de não ter começado da melhor forma nas primeiras sete jornadas, viria a revelar um FC Porto dominador, destacado na tabela classificativa ao fim de dezassete jornadas com cinco pontos de vantagem para o seu perseguidor. Tal vantagem chegou a ser de sete pontos, o que previa algum conforto na prova. A primeira volta terminou com a equipa de Sérgio Conceição a perder 8 pontos contra 13 do seu rival directo.


Ao mesmo tempo, o Dragão dava uma imagem fantástica na fase de grupos da Champions League com a conquista de 16 em 18 pontos possíveis. Os azuis-e-brancos revelaram ser a melhor equipa, nesta fase, em termos europeus. Nas taças internas (Liga e FPF), Sérgio Conceição atingiu as duas finais com alguma facilidade.

Mas a partir de Dezembro/Janeiro, o panorama futebolístico voltou a sofrer profundas mudanças fora de campo. Vivia-se um período de muita tensão para os lados de Carnide com processos judiciais a decorrer nos tribunais comuns. Com a decisão tomada pela juíza de que cerca de três dezenas de supostos crimes cometidos por aquela agremiação não iriam ser julgados em tribunal, absolvendo SAD e clube, o regresso em força do estado lampiânico verificou-se em fins de Janeiro.

O sentimento de impunidade que se vive para aqueles lados, permitiram ao seu “chefão” proferir declarações em tons de ameaça, criando efeitos imediatos. O benfiquistão começou a revelar-se em toda a linha. A segunda volta da Liga NOS decorre com um manancial de erros crassos e inadmissíveis, com o foco a incidir nas decisões inacreditáveis tomadas pela inovadora tecnologia do VAR.

O FC Porto, entretanto, perdia, de forma bizarra e cruel, a final da Taça da Liga nas grandes penalidades frente ao Sporting e, no campeonato, cedeu mais quatro pontos fora do seu reduto e mais três, em casa, frente aos DDT (donos disto tudo). No final, fez a segunda volta da prova com nove pontos desperdiçados.

Entretanto, essa agremiação de Carnide passa para a frente da classificação e, pasme-se, realizam uma volta completa com apenas dois pontos perdidos, em contraste com os treze pontos cedidos na primeira volta. As decisões das equipas de arbitragem de campo e da cidade do futebol passam a ter grande preponderância nas decisões ocorridas em campo, os adversários apresentam-se de forma bastante distinta com o FC Porto e com a equipa de Carnide. Com os outros até se dão ao luxo e ao descaramento de poupar jogadores e/ou dar o jogo como perdido.


Por outro lado, os golos em catadupa e a facilidade com que essa agremiação vence os jogos é de tal forma incrível que chegamos ao ponto de concluir que não estamos, nem de perto, nem de longe, a lutar com as mesmas armas. Entretanto, a performance dessa falsa potência do futebol, claudica na Champions League e na Liga Europa faz duas eliminatórias sofridas e cai aos pés da “potência” alemã Eintracht de Frankfurt. Que discrepância!

Depois vem a parte final da prova, últimas seis jornadas com as equipas empatadas no topo da tabela. A agremiação começa a passar dificuldades nas primeiras partes dos jogos fora de casa. Refiro-me aos desafios ocorridos em Santa Maria da Feira, em Braga e em Vila do Conde. Com os acontecimentos a correrem em nada a seu favor, os DDT tratam de as inverter, de forma escandalosa e inacreditável. São tomadas decisões de arbitragem escandalosas e vemos jogadores cometerem erros de palmatória que, nem as crianças dos sub-10 cometem nos seus jogos, nos clubes onde praticam a modalidade.

Ao mesmo tempo, o FC Porto disputa os jogos todos sob grande pressão, com decisões de arbitragem sempre contra, com a “faca nos dentes” e perante adversários com posturas de equipa de Champions League. Por falar na prova europeia, a equipa portista termina a sua participação na Liga dos Campeões, nos quartos-de-final, caindo aos pés do super-candidato Liverpool.

Até que chega a deslocação dos Dragões a Vila do Conde. O FC Porto chega facilmente ao 2-0 e, de certa forma, descansa à sombra desse resultado. Depois vieram as decisões de arbitragem polémicas e erros próprios. O FC Porto colocou-se a jeito e o campeonato, praticamente, decide-se aí com os azuis-e-brancos a deixarem dois pontos.

Com três jornadas por realizar, os DDT tinham uma almofada de dois pontos para gerir e fizeram essa gestão com uma preciosa e escandalosa ajuda quando, quinze dias depois, visitaram Vila do Conde e saíram de lá com uma vitória tangencial, com três golos oferecidos pela arbitragem e pelo adversário e uma grande penalidade perdoada pelo “artista de circo”.


Assim se fez o vencedor da Liga NOS 2018/19, numa liga mentirosa, a chamada liga da vergonha que ficará registada, nos anais do futebol português, como a liga mais escandalosa da história do futebol em Portugal.

Para terminar a época, o FC Porto disputou o derradeiro jogo, novamente, frente ao Sporting, na prova rainha do futebol português. Com um ambiente fantástico, uma atmosfera bonita e um dia de sol a convidar à prática da modalidade, apesar do sempre relvado seco e duro do Jamor, o jogo assistido constituiu, para os Dragões, o expoente máximo da crueldade.

Num jogo que teve os primeiros 25 minutos de algum equilíbrio, com duas oportunidades para cada lado, traduziu-se, posteriormente, num massacre de futebol jogado em azul sobre o verde, em que a sorte ou a falta dela determinou mais uma vez o vencedor da prova.

À semelhança do que tinha acontecido na taça da Liga, o FC Porto foi tão superior ao seu adversário que nos leva a interrogar como é que o futebol pode ser tão cruel. Com tantas oportunidades perdidas, com duas bolas nos postes, com um canto verde contra catorze azuis-e-brancos e com uma subserviência leonina perante um Dragão dominador em toda a linha, interrogo-me porque é que a equipa de Sérgio Conceição não venceu este jogo e respectiva competição.

Sim, houve erros cometidos da parte dos jogadores portistas quer a defender, quer na fase de finalização. Sim, é verdade, mas não ao ponto de perder o jogo e o troféu que, pelo desenrolar dos acontecimentos, indicava que estava a caminho do museu azul-e-branco.


Aos 120 minutos, no fim do prolongamento, fazia-se alguma justiça no marcador com o empate do FC Porto na partida, levando a decisão para as dramáticas grandes penalidades. E, neste capítulo, lá tivemos que assistir a mais uma cruel e revoltante derrota que nos impediu de vencer um troféu que, tal como na Taça da Liga, seria nosso, indiscutivelmente e com todo o mérito.

Assim, termina a época do Dragão. Uma época muito boa em termos de performance, mas muito dramática e terrível em títulos. Porque “morrer” na praia, depois do longo caminho percorrido nas diferentes provas é de levar tudo e todos às lágrimas, tal como pudemos assistir esta tarde no vale do Jamor onde a revolta e a incredulidade dominaram os sentimentos de todos os portistas.

Espero que o FC Porto aproveite toda esta panóplia de acontecimentos para aprender e para se precaver a partir da próxima época. Vai ser preciso jogar tanto ou mais do que jogou na presente temporada e será necessário que a má sorte se afaste do Dragão e rume a outras paragens. Por outro lado, urge uma maior participação e acção efectivas dos dirigentes do FC Porto para combater os poderes instalados no futebol português que desvirtuam, permanentemente, toda a verdade e toda a essência da modalidade.

Obrigado e até sempre!

VIVA O FC PORTO!




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Isto é cruel e injusto"

Mais finais no futuro
“Seria super merecida a nossa vitória. Tivemos mais oportunidades e fomos superiores. Isto é cruel para um grupo de trabalho que fez tudo para ganhar esta Taça, para acabar a época a vencer um troféu, que seria merecido. Sentimos muito o que é o nosso clube e a nossa profissão. Trabalhámos de forma incrível para podermos ganhar hoje e mais uma vez nos penáltis voltámos a perder. A vida é feita de derrotas assim mas esta derrota irá tornar-nos mais forte no futuro. Vão haver mais finais, mais momentos decisivos que nós vamos ganhar. Sou apaixonado pela vida, pela minha profissão, por aquilo que faço. Compreendo a frustração dos adeptos, porque nós temos o mesmo sentimento.”

Oportunidades para ganhar
“Tínhamos preparado o jogo para ganhar nos 90 minutos e criámos oportunidades para isso. O Sporting é competitivo, houver algum equilíbrio inicial mas a partir de determinado período fomos superiores em tudo. É cruel, os jogadores fizeram um trabalho fantástico, toda a gente estava comprometida neste último dia da época mas o trabalho não chegou. É cruel e injusto, mas a vida é isto, não há nada a fazer, temos de ser mais competentes.”

A emoção no final do jogo
“É o momento, é ver a minha família de sangue triste com este momento, é ver a nossa família portista, que também é extremamente difícil para eles. Há uma frustração grande. Fico muito tocado com isto porque perder desta forma custa ainda mais. É um momento difícil para nós. Sentimos muito esta derrota. Tivemos sempre uma alma e uma crença enorme durante a partida, sempre comprometidos e envolvidos no jogo. A nossa família portista merecia esta vitória, pelo apoio, pela determinação e pela paixão que sentem a cada momento deste clube, tal como sentimos, tal como eu sinto. Não tenho vergonha nenhuma de deixar cair uma lágrima. Sou um homem. Sinto, sofro e sou apaixonado por aquilo que faço, pela vida. O meu grupo é o reflexo disso, pelo jogo incrível que fizeram".



RESUMO DO JOGO

24 maio, 2019

NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE, NÃO HÁ BEM QUE NÃO SE ACABE.


Há cerca de 3 anos fiz um post de despedida, bastante distinto do presente, com o anúncio do término de atividade deste único e magnífico blogue. Na altura, não totalmente convencido com a tomada de decisão do nosso mentor (bLue bOy), senti que o projeto tinha pernas para continuar a sua vida a defender os superiores interesses do FC Porto.

Apesar de muita resistência e de muita convicção, o nosso mentor lá acabou por ceder às insistências e o blogue reabriu para mais três anos ininterruptos de atividade. Entretanto, entraram e saíram muitos colaboradores que enriqueceram este espaço de excelência.

Da minha parte, posso dizer que, ao longo de quase 8 anos, colaborei de uma forma entusiástica e criei laços de amizade através deste espaço que perduram e vão continuar a prevalecer ao longo dos tempos. No Estádio, no Dia do Clube, num encontro, na rua, numa celebração ou na TV.

Foi com grande tristeza que recebi a notícia de que o meu amigo autor do blogue iria dar por terminada a atividade deste espaço, anunciando que a decisão estava pensada, definitivamente tomada e deveras irreversível. É uma decisão que, naturalmente, respeito, que vou aceitar, mas também, ao mesmo tempo, devo dizer que é com grande orgulho, com vaidade e com sentimento de gratidão que termino a minha participação no BiBó PoRtO carago!!

Há, entretanto, projetos que estão em andamento e outros que irão surgir igualmente. Da minha parte, continuarei em atividade em defesa do nosso clube. A vida continua! A promoção, a divulgação e a defesa do clube estão asseguradas por todos nós e por todos os colaboradores e autor deste blogue. Se cada um der um bocadinho de si em prol do clube de que gostamos, vamos torná-lo mais forte a cada dia que passa, contribuindo para os seus feitos e conquistas.

O meu muito obrigado a todos os portistas, particularmente aos que seguiram as minhas crónicas ao longo destes anos. Um abraço especial para o nosso líder bLuE bOy, pois sem ele jamais poderia defender, promover e ajudar a divulgar o nosso clube quer no blogue, quer por outros meios.

Com esta minha última crónica, despeço-me com um até já! Vamos ver-nos por aí.

Abraços.

18 maio, 2019

CAMPEONATO DA VERGONHA.

FC PORTO-sporting, 2-1

À entrada para a última jornada do campeonato da vergonha, o FC Porto tinha ainda uma palavra a dizer em relação ao desfecho desta competição de mentiras e aldrabices. O futebol português mergulha cada vez mais num manto de suspeições e de falta de verdade desportiva, mas a comunicação social parece uma daquelas lavandarias multinacionais que não se cansa de trabalhar dia após dia.

Como apenas interessava vencer o seu jogo e esperar por um improvável trambolhão em casa do seu rival, o FC Porto fez o que lhe competia no seu estádio. Venceu o Sporting por 2-1, mas manteve-se e terminou no 2º lugar da prova. Sérgio Conceição escalonou um onze muito próximo daquele habitual onze-base. Apenas Brahimi ficou no banco, cedendo o lugar a Otávio. Na defesa, Militão regressou à ala, deixando a dupla de centrais formada por Pepe e Felipe.


Desde o minuto inicial que o FC Porto procurou o golo, mas sem precipitações. Os Dragões sabiam que tinham um oponente de valor e que iria vender cara a derrota na partida. Contudo, aos 17 minutos, Corona aproveitou muito bem uma desatenção defensiva leonina e na contra-ofensiva foi agarrado por Borja quando se isolava para a baliza de Renan. O árbitro, incompetente como quase sempre, mostrou a cartolina amarela, mas foi alertado pelo VAR para rever a decisão. Convidado a visualizar as imagens, reverteu a decisão, mostrando a competente cartolina vermelha ao jogador leonino, sem margens para dúvidas.

Já é hábito nos jogos do FC Porto a tomada de decisões permanentemente erradas e sempre contra o FC Porto. Quando vejo os jogos da equipa azul-e-branca, tenho evitado, por exemplo, festejar os golos antes de confirmados porque já sabemos que estes artistas são capazes de meter as mãos pelos pés e tomar as decisões mais absurdas que há no futebol. A tecnologia do VAR provou esta época que, em vez de vir para ajudar como seria suposto, veio para “aldravar”.

Depois da expulsão, os Dragões tiveram uma maior predominância no jogo como seria de esperar e criaram verdadeiros embaraços para a defensiva verde. O s ataques e tentativas à baliza de Renan sucederam-se minuto a minuto. Marega esteve perto do golo à passagem dos 25 minutos e dez minutos depois chegou mesmo a introduzir a bola na baliza contrária, mas o maliano estava em fora-de-jogo. A fechar o primeiro tempo, Alex Telles quase repetia o golo marcado na Madeira, na semana passada, mas Renan sacudiu a bola com a ponta dos dedos.


Sérgio Conceição foi para o intervalo com a clara sensação de que haveria que mudar algo na equipa, principalmente pelo facto de estar a jogar em superioridade numérica. Manafá e Brahimi entraram ao intervalo para os lugares de Pepe e de Otávio. Militão passou para o centro da defesa, fazendo parelha com Felipe. Apesar destas mudanças, a equipa portista não conseguiu asfixiar o seu adversário. A equipa do Sporting estava bem organizada no seu terreno e espreitava o contra-ataque, mas sem efeitos práticos.

No entanto, à passagem dos quinze minutos da etapa complementar, o Sporting, sem nada justificar, aproveitou da melhor forma um erro defensivo portista. Num passe disparatado de Corona, Diaby desmarcou Phelyppe e este colocou a bola na baliza de Vaná. Sentiu-se, no estádio, que o golo não iria ser entrave para o FC Porto virar o jogo, mas havia que ser mais assertivo e rigoroso a atacar.

A equipa portista começou a carregar fortemente sobre a equipa lisboeta. Danilo rematou à trave aos 72 minutos e cinco minutos depois na cobrança de um pontapé de canto cobrado por Corona, a bola foi ter à cabeça de Soares que a colocou, de imediato, à mercê do trinco português. O jogador portista, também de cabeça, empatava a partida.


Depois do empate restabelecido, assistiu-se a um verdadeiro sufoco à baliza de Renan. O lance que antecede o segundo golo portista é sintomático. Marega isolou-se pela direita, aos 86 minutos, colocou a bola para o remate de Aboubakar, entretanto entrado para o lugar de Telles. A bola foi defendida por Renan e sobrou para Herrera que também rematou dentro da área contra um defesa contrário. Acuña tentou sair a jogar, mas a bola foi interceptada por Corona. O mexicano cruzou para o cabeceamento de Soares para a baliza. Só que Mathieu salvou a bola em cima da linha de baliza, com um corte para cima das malhas.

Na sequência, o canto foi batido por Corona, Felipe interceptou de cabeça e Herrera, num pontapé de moinho, fez o resultado final, colocando os Dragões em vantagem. Com 2-1, o Sporting jamais conseguiu reagir. Apesar de tudo, tempo ainda para uma confusão entre jogadores de ambas as equipas que culminou com a expulsão de Corona.

Terminada a liga da vergonha, as atenções viram-se para a final da Taça de Portugal, no estádio de Oeiras onde o FC Porto volta a medir forças com o Sporting, no próximo Sábado. O vencedor desse jogo vai arrecadar o segundo troféu mais importante do futebol português. Esperemos todos que a falta de vergonha não se transfira para o Jamor.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Temos um título para conquistar no próximo fim de semana"

Um jogo num contexto difícil
“Sabíamos que, por tudo o que tem acontecido nas últimas semanas, seria muito difícil ganhar este campeonato. Tínhamos de fazer o nosso trabalho mas não entrámos com o entusiasmo que eu queria. Era um jogo num contexto difícil. Passámos muitas jornadas do campeonato no primeiro lugar, fizemos nestes dois anos 88 e 85 pontos, ultrapassámos os 170 pontos, é algo de realçar, mas infelizmente não chegou para sermos bicampeões. Temos um título para conquistar no próximo fim de semana e temos de dar o nosso melhor para o conquistar. Na segunda parte, já fomos mais iguais a nós próprios e fomos à procura da vitória. Independentemente do que se passasse no outro estádio, o importante aqui era ganharmos e ficarmos com os três pontos. Conseguimos uma vitória justa.”

A expulsão de Jesús Corona
“Só é pena esta parte final. Não vi nenhuma agressão por parte do Corona e ficámos sem um jogador importante para a final. Tenho ali o jogador totalmente destroçado, devido a uma situação em que ele não fez absolutamente nada. Houve ali muitos jogadores naquela escaramuça que tiveram intenção mas só o Corona foi expulso.”


Comentários prometidos para a próxima semana
“Depois de sábado falarei em relação a muitas coisas, neste momento é focar no trabalho e na disputa do título que temos pela frente.”

O agradecimento aos adeptos no final
“É por tudo o que foi esta época, por todo o que é esta paixão que existe neste clube, por tudo aquilo que é a relação entre a equipa e os adeptos. Têm sido dois anos maravilhosos, mas infelizmente não se podem vencer todos os títulos. Temos um título agora na próxima semana para lhes oferecer, porque eles merecem, o clube e os adeptos.”



RESUMO DO JOGO

12 maio, 2019

PASSEIO PELA MADEIRA.


NACIONAL-FC PORTO, 0-4

A viagem à Madeira foi para o FC Porto uma deslocação tranquila e sem sobressaltos. Os Dragões apresentaram-se com o claro objectivo de conquistar os três pontos e manterem a decisão do título até à última jornada. Sem realizarem uma grande exibição, os azuis-e-brancos dominaram e controlaram o jogo desde o início.

Sérgio Conceição, sem poder contar com Herrera e Brahimi e deixando Pepe no banco, apostou num meio-campo com Danilo e Óliver com o apoio de Otávio que descaía para as alas. O jogo iniciou-se com as devidas cautelas, até porque o Nacional jogava a derradeira oportunidade de se manter na primeira liga.


Não foi por acaso que aos 12 minutos o Nacional desperdiçou uma soberana oportunidade de golo. Militão cortou um lançamento longo de cabeça, mas de uma forma deficiente, Vaná saiu extemporaneamente da baliza, a bola sobrou para Marakis que, de baliza aberta, rematou às malhas laterais. O primeiro e único momento de grande susto para o FC Porto foi, de facto, a primeira situação de jogo.

Na resposta, o FC Porto chegou ao golo. Alex Telles foi chamado a cobrar um livre quase em zona frontal, após derrube a Otávio, e inaugurou o marcador com um golo de belo efeito. A partir daí o Nacional parece ter acusado o golo e o FC Porto baixou, de certa forma, a intensidade. O jogo perdeu alguma emoção e o ritmo baixou, de certa forma.

Perto da meia hora, Óliver Torres, em “slalom”, aproveitou o espaço para correr até à grande área do Nacional e rematou para a baliza contrária com sucesso. O jogo tornava-se um pouco à semelhança do que aconteceu há 15 dias atrás em Vila do Conde. Uma vantagem de dois golos que dava um certo conforto, mas jamais para descansar à sombra de tal "score".


Até ao intervalo, o Nacional ainda ameaçou a baliza de Vaná sem grande perigo e o FC Porto chegou com perigo à baliza de Daniel, num remate de meia distância de Marega para defesa apertada do guardião contrário.

O regresso das cabines pouco trouxe de novo. O FC Porto numa toada morna, a controlar o jogo e o resultado e o Nacional sem conseguir criar qualquer situação de golo junto da baliza de Vaná. Aos 55 minutos, no entanto, os Dragões concretizaram com sucesso o que desperdiçaram frente ao Rio Ave. Otávio desmarcou Marega, em profundidade e este cruzou para a área, onde Corona, à meia volta, fez o 3-0.

Com o resultado de três golos de diferença, o Nacional deitou, por completo, a toalha ao chão. O FC Porto aproveitou para levar mais perigo à baliza alvi-negra, mas Marega, isolado, desperdiçou o lance.


Tempo ainda para o “artista” do costume prevaricar contra o FC Porto. Riascos escapou-se para a baliza portista e, na grande área, simulou, autenticamente, um penalti. Carlos Xistra, a dois metros do lance, apontou para a marca de onze metros. O VAR, chamado a intervir, aconselhou o “artista” a visualizar o lance. Depois de rever, Xistra reverteu a decisão. Um lance claro como a água e visível a olho nu, mas já sabemos o que a casa gasta.

A dois minutos do fim, na conversão de uma grande penalidade (agora, sim, existente), Marega estabeleceu o resultado final, ampliando o resultado para 4-0. Com este resultado, o FC Porto adiou a decisão do campeão para a última ronda. O seu rival venceu também o seu jogo, com uma arbitragem escandalosa como não há memória.

Com o campeonato praticamente decidido a favor dos nossos rivais, ao FC Porto resta terminar a prova da melhor forma com uma vitória frente ao Sporting e preparar, da melhor forma, o jogo da final da Taça de Portugal frente ao mesmo adversário que pode valer um troféu, atenuando, assim, a perda do bicampeonato.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Tornámos o jogo mais fácil"

A vitória num jogo exigente
“A pressão faz parte do nosso dia a dia, no sentido em que somos muito exigentes no nosso trabalho. Era um jogo que se podia complicar, porque era uma final para o Nacional, num dia muito quente, e o Nacional tem boas individualidades. Tornámos o jogo mais fácil, muito focado no objetivo e no que foi planeado, com o intuito de explorar algumas das fragilidades defensivas do Nacional. Conseguimos muitas oportunidades e o resultado é um espelho do que se passou no campo.”

A disputa pelo título nacional
“Nós tínhamos de fazer o nosso trabalho. O compromisso deste grupo era sermos primeiros no fim deste jogo. Não dependemos de nós para sermos campeões. Queremos ganhar o nosso último jogo, no Dragão.”


Os nervos gerados por uma luta acesa
“Os nervos estão sempre presentes para quem vive isto com paixão. Quando não os há, nós arranjamos motivos para tê-los.”

Um grupo especial
"Desde que comecei a minha caminhada no FC Porto, a união tem estado sempre presente e tem sido um fator importante que nos permitiu ganhar o campeonato no ano passado, a Supertaça e ter a possibilidade de ganhar a Taça de Portugal. O espírito é bom e já o disse. Este é o melhor grupo que apanhei como treinador e jogador."



RESUMO DO JOGO

04 maio, 2019

VITÓRIA PARA IKER.


FC PORTO-AVES, 4-0

Este foi um jogo atípico e incaracterístico. O FC Porto vive um misto de emoções bastante invulgar, principalmente numa fase da época de grandes decisões. Depois de, na semana passada, ter “oferecido” o empate em Vila do Conde que poderá ter custado a revalidação do título nacional, alguns dias depois, Iker Casillas sofreu um enfarte e foi internado.

Com conhecimento do resultado do seu rival, os campeões nacionais entraram no jogo com o Desp. Aves a cinco pontos. Algo descontraídos, mas bem seguros daquilo que pretendiam na partida, o FC Porto quis oferecer a vitória ao seu keeper. Os avenses deram boa réplica desde o minuto inicial, no entanto nunca incomodaram a baliza de Vaná.


O jogo não foi nenhum espectáculo vistoso, mas também não foi aborrecido. Foi um jogo aberto, bem disputado e que, com maior ou menor dificuldade, a equipa azul-e-branca levou de vencida, de uma forma folgada, a equipa da Vila das Aves. Vaná, substituto natural de Casillas, teve uma noite de descanso. Durante o jogo só teve uma defesa apertada no início da segunda parte.

Aos 18 minutos, o FC Porto abriu o marcador. Cruzamento de Alex Telles na esquerda para o coração da área, onde Corona apareceu a cabecear e a colocar a bola no fundo das malhas. A partir daí, os azuis-e-brancos controlaram e geriram melhor o jogo, chegando e sobrando para a tentativa de transições da equipa forasteira.

À meia hora de jogo, o FC Porto chegou ao 2-0. Novamente, num cruzamento para a área, Corona tentou interceptar o esférico, mas Jorge Fellipe cortou o lance. O VAR interveio e detectou o corte com o braço esquerdo. O árbitro, chamado a rever o lance, ordenou pontapé de penalti que Soares converteu com sucesso, rematando para o meio da baliza.


Com 2-0, a equipa de Sérgio Conceição sentiu-se ainda mais tranquila no jogo e capaz de gerir a partida, sem nunca se esquecer do que se tinha passado na última jornada.

Após o intervalo, a equipa do Desp. Aves procurou, nos primeiros minutos, chegar ao golo e foi nesse período que a equipa de Augusto Inácio teve um momento de perigo junto da baliza de Vaná. Derley, no primeiro minuto da etapa complementar, obrigou o guarda-redes portista a defesa de recurso.

Depois o jogo foi algo desinteressante. A equipa portista baixou o ritmo e assistimos a um jogo com pouco interesse. Foi preciso chegar o minuto 68 para vermos alguma agitação no estádio. Numa investida pela direita do ataque, a bola sobrou para Manafá dentro da área que rematou de primeira, obtendo um golo de belo efeito. Com o 3-0, o vencedor da partida estava mais do que definido.


Mas, os Dragões não se ficaram por aqui. Dois minutos volvidos, numa recuperação a meio campo, Marega levou o perigo à baliza contrária, Corona tentou o remate mas saiu defeituoso. A bola sobrou para Brahimi, que num toque de calcanhar, deixou para Soares bisar na partida.

Até ao fim da partida, nada de interessante se passou digno de registo. Notas finais para o regresso de Aboubakar à competição e para um episódio infeliz entre treinador, jogadores e claques ocorrido depois do fim do jogo que só prejudica o FC PORTO. Não gostei de ver o que vi. Fiquei triste. Iker terá assistido e não merecia este triste espectáculo.

Os campeões nacionais continuam a dois pontos do rival. Restam duas jornadas para vencer e esperar por um resultado mau, muito pouco provável do líder da classificação. A equipa de Sérgio Conceição desloca-se à Madeira, no próximo fim-de-semana, para defrontar o Nacional, quase despromovido à 2ª Liga.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Há seis pontos em disputa e queremos ganhá-los"

Vitória convincente
“É sempre um jogo difícil. A partir do momento em que o Inácio pegou na equipa, o Aves melhorou muito. É uma equipa que põe muita gente atrás da linha de bola e se não houver dinâmica e entusiasmo é muito complicado. Trabalhámos bem o jogo, houve comprometimento dos jogadores. Estivemos bem. Foi uma semana difícil por causa do que aconteceu ao Iker e aproveito para lhe mandar um abraço.”

Susto com Casillas
“Sentimos muito o que aconteceu ao Iker. Ele é um grande campeão, mas nestas alturas temos de olhar para a pessoa, para o ser humano. Ele está a recuperar bem e terá sempre o nosso apoio.”


Aboubakar
“Estamos muito contentes por ele, a melhor forma dele há-de chegar, mas por agora já é muito bom ter entrado hoje. Foi o nosso melhor marcador no ano passado e é um jogador com quem contamos.”

Luta pelo título
“Temos de fazer o nosso trabalho. Há seis pontos em disputa e queremos ganhá-los. Temos de dar uma resposta positiva e olhar para esses dois jogos com foco total.”



RESUMO DO JOGO

26 abril, 2019

INCONCEBÍVEL.


RIO AVE-FC PORTO, 2-2

Um filme já visto várias vezes ao longo da história do FC Porto, mas não deixa de ser um filme inconcebível. Vem-me à memória outros tempos como por exemplo o V. Setúbal-FC Porto 93-94 ou o Nacional-FC Porto 2004-05, mas estamos a falar de jogos que, na altura, não decidiam nada no imediato. São igualmente inconcebíveis, mas com um peso muito menor do que o jogo desta noite em Vila do Conde.

Não se compreende, nem se aceita que jogadores, pagos a peso de ouro, possam passar por episódios destes, numa altura crucial do campeonato. Todos sabiam que qualquer escorregadela seria a “morte do artista” e os jogadores sabem perfeitamente disso. A esta equipa não serviu de emenda a derrota em casa com o V. Guimarães, no início da época depois de estarem a vencer ao intervalo por 2-0.


A vencer, também agora, por 0-2 ao fim de 20 minutos, os Dragões perderam várias situações para fazer o 0-3, principalmente, a escandalosa perdida de Brahimi no início da segunda parte, deixam os cabelos em pé de qualquer adepto. Os jogadores convenceram-se de que estarem a vencer por duas bolas de diferença, a vitória estava garantida e resolveram jogar à malha. Venha o próximo, que este já está no papo!

Mas esqueceram-se completamente de que um jogo tem 90 minutos e que o resultado de 0-2 é um dos resultados mais ingratos no futebol. É uma boa vantagem, mas deve ser gerida com competência, com postura, com raça, com atitude e com humildade. E os jogadores do FC Porto não fizeram nada disso. Realizaram uma primeira parte de bom nível e regressaram das cabines a dormir e a contar com o relógio. Só que lhes correu mal. Nem os avisos iniciais da etapa complementar os alertou para os perigos iminentes. O que dizer da cabeçada de Bruno Moreira logo a abrir o segundo tempo, com tudo para reduzir o marcador? Ou da perdida de Dala, três minutos depois? E do estrondo da bola na trave de Casillas?


Alguma arrogância e crença de que estavam a jogar com uma equipa incompetente foi, claramente, o que passou pela cabeça dos jogadores portistas. E depois a pouca atitude e a falta de vontade para fazer mais e melhor para “matar” de vez o jogo, colocou a equipa em maus lençóis. Aos golos de Brahimi (18´) e de Marega (22´), respondeu o Rio Ave com crença e com muita vontade como, se calhar, não se tinha visto esta época, depois de uma desvantagem de dois golos.

O que dizer da grande frustração de Tarantini depois de ser substituído, arremessando contra o solo uma garrafa de água? Porquê tanta irritação de Daniel Ramos durante o jogo? O que motivou a grande festa dos jogadores vilacondenses no final do jogo? Quero ver que atitudes e reacções veremos nesta colectividade daqui por duas jornadas.

Voltando à partida… Como a bola não entrava e como tudo o que chegava à baliza de Casillas não abanava as redes, há que complicar ainda mais a tarefa. Cinco minutos para o final e os jogadores portistas resolvem preparar as almofadas para um sono longo e profundo. Bola colocada por Casillas no meio-campo, recuperação do Rio Ave, Nuno Santos isola-se, a equipa portista a dormir e golo dos vilacondenses. Caldo entornado, alarmes ligados e perigo iminente!


Não contentes com isto, a equipa de Sérgio Conceição, completamente perdida em campo e com o complexo de jogar feio e de pontapé para a frente, resolve tentar sair a jogar perto da sua grande área quando estava a ser altamente apertada. Danilo perde a bola, de forma infantil em vez de dar um “chutão” para o meio-campo contrário, sobra para Ronan que, de uma forma muito feliz, remata contra Alex Telles e o esférico engana Casillas. 2-2 aos 90 minutos. Em terríveis cinco minutos, o FC Porto perdia dois preciosos pontos.

Incrédulos, jogadores e técnicos, não sabiam o que estava a acontecer. Pois não! Esqueceram-se que o resultado de 2-0 e a incompetência do Rio Ave não durava para sempre. A esta hora, digo que seria preferível que o lance de Bruno Moreira tivesse entrado. Teria sido o mote para uma segunda parte bem diferente, encarada com outra atitude e humildade.

Com este empate, o FC Porto pode ter comprometido de vez as aspirações à renovação do título. Enquanto a matemática o permitir, os Dragões terão que dar tudo por tudo, do primeiro ao último minuto do jogo. As contas fazem-se no final.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Temos de assumir as nossas responsabilidades"

Desfecho ingrato para o FC Porto
“É ingrato isto que aconteceu hoje, mas os culpados somos nós, a começar por mim. A ganhar por 2-0, a poder ficar 3-0 ou 4-0, acabámos por oferecer um golo. Aquele primeiro golo já não se usa no futebol. Depois o segundo foi um ressalto, uma sorte. É algo inexplicável da nossa parte, há que assumir as responsabilidades e eu sou o primeiro a assumi-las. Estamos frustrados. Não merecíamos isto até aos 75 minutos de jogo, mas depois merecemos o que nos aconteceu. Agora temos de assumir e pronto.”

Assumir a responsabilidade e nada mais
“Não há nada para dizer. Pedido de desculpas aos adeptos? Eles querem lá saber de desculpas, eles querem é ganhar, tal como eu e como a equipa. Temos de assumir as nossas responsabilidades e ponto final, não há mais nada a dizer.”



As opções no decorrer do encontro
“O Brahimi saiu porque estava com alguma fadiga, o Corona porque, como sabem, anda a jogar algo limitado já há algum tempo, e depois o Bruno Costa para o lugar do Otávio, que também já estava com alguma fadiga, nos minutos finais. Foram as substituições que achei necessárias para conservar a vitória mas também para irmos à procura do terceiro golo.”

Fazer as contas no fim
“Estamos à frente, a um ponto do Benfica. Queríamos estar a três, mas nesta altura não vale a pena estar a dizer mais do que já disse aqui.”



RESUMO DO JOGO

20 abril, 2019

SANTA VITÓRIA.


FC PORTO-SANTA CLARA, 1-0

Na ressaca da eliminatória com o Liverpool, o FC Porto teve que se apresentar no relvado do Dragão menos de 72 horas depois do jogo com os ingleses ter terminado. Com outras datas para a realização do jogo com os açorianos, a Liga ordenou que o jogo fosse realizado num espaço curto de tempo quando o FC Porto tinha solicitado dois dias depois.

A falta de respeito da Liga e de quem decide para com o clube que dá mais pontos e prestígio internacional ao país é tão evidente que nos leva a pensar que por detrás estão outros interesses para com outro clube.


Ainda ontem ouvi um comentador, que em tempos se dizia isento mas que depois deixou de o ser, dizer que Sérgio Conceição esteve bem nesta questão do FC Porto ter de jogar com poucas horas de recuperação, mas que falou a mais ao dizer que o Benfica tinha tido mais tempo de descanso.

Continuou esse comentador dizendo que o seu clube não foi beneficiado porque tinha jogado para a Liga Europa numa Quinta-feira e Domingo voltou a jogar para a Liga NOS. O que esse comentador escamoteou foi que o seu clube jogou no Domingo porque na Quinta-feira seguinte teria novamente jogo para a Liga Europa, ainda por cima fora do país, situação que não se verificava com o FC Porto. Lá está a tendência de querer dar uma de moralidade para depois borrar a pintura com uma desonestidade intelectual.

Estamos cada vez mais habituados a esta dualidade de critérios nas decisões tomadas no futebol português, mas também não é menos verdade vermos o branqueamento das situações, semana após semana na comunicação social. Afinal de contas, trata-se do benfiquistão que controla e manieta tudo e todos neste país.


Em tempo de Páscoa, o FC Porto recebeu o Santa Clara, no Estádio do Dragão. Com o estádio quase lotado, o jogo não foi uma boa propaganda para o futebol porque um dos intervenientes no jogo estava a jogar quase com a língua de fora, fazendo tudo por tudo para se manter na luta pelo título. Depois, também uma equipa muito bem comandada por João Henriques dificultou bastante a tarefa dos campeões nacionais.

No entanto, os azuis-e-brancos acabaram por vencer a partida com grandes dificuldades. Os três pontos foram alcançados, mantendo a equipa bem viva e na luta pelas quatro finais que os pupilos de Sérgio Conceição têm pela frente. Foi uma santa vitória.

O jogo começou com a tentativa do FC Porto em chegar ao golo cedo para depois gerir melhor a partida. Apesar disso, a equipa azul-e-branca não imprimiu grande velocidade no jogo e a intensidade também não foi a melhor. Pudera!


O Santa Clara estava bem organizado e partia para o contra-ataque com algum perigo. Os Dragões sentiam que tinham que fazer um esforço redobrado. Procurar chegar ao golo cedo e evitar as transições ofensivas do adversário.

Todavia, o golo portista chegou relativamente cedo. Aos 18 minutos, Otávio conseguiu entrar na área pela esquerda, rematou para defesa incompleta de Marco e Marega só teve que empurrar a bola para as malhas. O mais difícil estava feito, mas o Santa Clara não desistiu.

Até ao fim da primeira parte, a equipa dos Açores introduziu a bola por duas vezes na baliza de Casillas em transições rápidas. Mas em ambos os lances, os jogadores açorianos foram apanhados em fora-de-jogo. Contudo, foi aos 24 minutos que a equipa de João Henriques construiu a melhor jogada do primeiro tempo com uma transição rápida. Zé Manuel colocou Rashid em posição de fazer golo, mas a bola saiu ao lado da baliza de Casillas, num remate cruzado.

A terminar a etapa inicial, Otávio combinou bem com Marega, demorou muito tempo a definir o lance e quando rematou, foi interceptado por um defesa contrário.


Na etapa complementar pressentia-se um jogo difícil e ainda mais penoso para os azuis-e-brancos. O FC Porto não conseguia imprimir o ritmo e o Santa Clara tentava aproximar-se da baliza de Casillas, sem nunca descurar a sua defensiva. É que os açorianos sabiam que o segundo golo portista arrumava com a questão do resultado.

Aos 58 minutos, Schettine teve a oportunidade ouro para o Santa Clara empatar a partida, após cruzamento da direita de Patrick. Casillas fez a defesa da noite para canto, com grandes dificuldades.

O FC Porto sabia que tinha a vitória em perigo e tentou de tudo para chegar ao golo da tranquilidade. Por duas vezes, esteve na iminência de conseguir os seus intentos mas Corona e Fernando Andrade desperdiçaram o ensejo. Primeiro foi o mexicano que, no coração da área e após amortecimento de Soares, rematou por cima da trave quando tinha tudo para fazer o golo. Depois, numa jogada fabulosa de Corona, a combinar com Manafá, o mexicano colocou o esférico à mercê de Fernando Andrade que rematou para defesa por instinto de Marco para canto.

O jogo terminou sem nenhuma oportunidade de registo nos últimos 15 minutos. O FC Porto acabou a partida com a língua de fora. Herrera é o melhor exemplo do estado de espírito da equipa quando, no fim do jogo, manifesta a um companheiro o extremo cansaço e desgaste sentidos, mas também o alívio pelo fim da contenda.


Três pontos importantíssimos que mantêm o FC Porto na luta intensa pela renovação do título. Destaques finais para as ausências de Pepe (bancada) e Corona (banco) no onze inicial. Sinais claros de que, nesta altura da época, o desgaste é tremendo com muitos jogos e muitas viagens. Manifesto o meu repúdio pela FPF e pela Liga que não protegem o FC Porto numa altura destas, ao contrário da Federação Holandesa que deu um belo exemplo ao mundo do futebol.

O FC Porto regressa à competição na próxima Sexta-feira, numa sempre difícil deslocação a Vila do Conde. A missão é sempre a mesma: vencer e conquistar os três pontos.



DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "É uma vitória importante"

Vitória importante
"Era um jogo com uma dificuldade acima da media, não só pelo último jogo na Liga dos Campeões e o pouco tempo que tivemos para recuperar, mas também pela mais valia do adversário. Uma equipa muito bem organizada que penso que nos últimos oito jogos só perdeu por 1-0 em Alvalade. Mas estávamos precavidos para esta equipa consistente que íamos defrontar, que veio dificultar o nosso jogo, sempre a querer sair em transições rápidas. Mas de qualquer maneira fizemos o golo, podíamos ter feito o 2-0 na primeira parte num lance do Otávio. Entramos com o controlo da posse de bola, e não do jogo, porque não conseguimos matar o jogo com o segundo golo, o que cria sempre alguma intranquilidade em certas alturas do jogo. O que fica é uma vitória importante, fica também uma boa imagem de uma equipa que tem feito um campeonato fantástico, não nos podemos esquecer que o Santa Clara subiu de divisão e consegue desta forma afirmar-se na nossa liga principal. No fundo quero dar os parabéns aos jogadores pela mentalidade forte que tiveram no jogo e agora é, descansar amanhã, e olhar para o próximo jogo, frente ao Rio Ave. Faltam quatro jogos para o final e estamos preparados para o que vem aí".


Contas do campeonato
"Nós dependemos de nós para ganhar os nossos jogos e é isso que vamos fazer. Vamos fazer o nosso trabalho, lutar sempre pelos 3 pontos e depois chegar ao fim e fazer as contas. Estamos focados em cada jogo, em cada treino, em cada momento em que estamos juntos para preparar os jogos e ganhar. Este clube é um clube histórico, um clube que por si só tem esta forma de pensar e de agir. Da minha parte, tento incutir da melhor forma essa força e tranquilidade emocional que eles têm que ter nesta fase final do campeonato, para que possamos estar mais próximos da vitória em cada jogo".

Gestão da equipa
"O Pepe foi um dos jogadores que teve um problema muscular no último jogo, nada de especial, pensamos nós, mas não estava apto para este jogo. O Corona também debilitado fisicamente. Mas não estão estes, estão outros, é a vida das equipas".

Regresso de Aboubakar
"Ele é importante no grupo de trabalho, no FC Porto e teve a palavra no final porque foi um regresso depois de muitos meses de paragem. O grupo sentiu a presença deste elemento que tem dado um contributo importantíssimo para nós, e não é só nos golos, tem a ver com o nosso espírito no balneário e nisso nós somos fortíssimos".



RESUMO DO JOGO

17 abril, 2019

A UEFA DOS RICOS E A EUROPA DOS POBRES.


FC PORTO-LIVERPOOL, 1-4

Na semana passada teci fortes críticas ao VAR e à UEFA pela protecção que é dada aos clubes poderosos do Velho Continente. Essas críticas fizeram e continuam a fazer todo o sentido pois esta noite voltámos a ver uma arbitragem a mostrar gritante dualidade de critérios, deixando a ideia de que cada vez há menos hipóteses de clubes, como o FC Porto, lutarem por um lugar entres os melhores da Europa.

Se equipas como o FC Porto já lutam com grandes dificuldades com os poderosos da Europa, com o acrescento de arbitragens habilidosas e pouco isentas, as esperanças de fazer algo de notável ficam reduzidas a cinzas. É o futebol que temos, que defende os grandes interesses económicos e destroem a beleza do futebol no seu estado mais puro. Ganham sempre os mesmos, todos os anos a história repete-se.


Com isto, não estou a dizer que o Liverpool não foi superior ao FC Porto. Claro que foi superior, mas não havia necessidade de tantos erros clamorosos e tanta dualidade de critérios para fazer a balança pender para os “reds”. Como seria interessante para o futebol ver uma eliminatória renhida, vencida, na mesma, pelo Liverpool, mas menos desequilibrada e mais emotiva.

Se assim fosse, quem sairia beneficiado seria o futebol. Seria, sobretudo, uma bela propaganda para a promoção da modalidade, mas também o contributo para a diminuição da diferença entre as equipas grandes e as outras para um futebol mais competitivo e de maior qualidade.

Que interessa ter um futebol apenas com 4/5 grandes equipas de futebol e o resto a roçar o mediano? Nada. Devemos, sim, promover as equipas com potencial e dar-lhes igualdade de oportunidades para competir. Pelo menos, poderem ser tratadas com respeito e com uniformidade de critérios.

Infelizmente, isso não acontece. O hiato entre os grandes e poderosos e os outros cresce de ano para ano. Por isso, façam lá a vossa Liga Europeia e entretenham-se entre si. Este futebol não interessa a ninguém.

O FC Porto apresentou-se no Dragão com muita ambição e com muita determinação. Não desistiu da eliminatória e reclamou o direito de lutar para, pelo menos, tentar dar a volta à eliminatória. Sérgio Conceição apostou numa equipa em 4x4x2, com o seu onze habitual, excepto Soares que foi rendido por Otávio.


Desde o primeiro minuto, o FC Porto impôs um ritmo muito intenso e uma agressividade muito interessante. Ao longo dos primeiros 25 minutos, os Dragões remataram treze vezes à baliza contra zero do Liverpool. Nesse período, os azuis-e-brancos tiveram, pelo menos, quatro oportunidades claras de golo, mas a grande pecha do Dragão é mesmo essa: a finalização.

Corona abriu as hostilidades logo no minuto inicial. Numa iniciativa pela direita, o extremo portista rematou cruzado e fez a bola sair a poucos centímetros da barra.

O Liverpool procurava suster o ímpeto portista e nem sequer ousava o contra-ataque. A primeira opção de Jurgen Klopp foi aguentar o primeiro período da partida sem sofrer golos e também jogar com o relógio e com as perdas de tempo. Não raras foram as vezes em que o Guarda-redes da equipa inglesa demorou a colocar a bola em jogo sendo avisado, apenas, pelo homem do apito.

Marega, por duas vezes, e Brahimi tiveram as suas oportunidades, mas como já diz o ditado, quem não marca sofre, no Dragão voltou a acontecer mais do mesmo. Na primeira investida do Liverpool à baliza portista, a equipa inglesa marcou. E logo num lance muito polémico que mostra claramente, numa das câmaras, a ilegalidade do próprio lance. Mas o VAR e a UEFA contornam isso com linhas manhosas e com a ocultação do momento da saída da bola do pé de Salah para Mané.

O árbitro auxiliar assinalou, prontamente, fora-de-jogo, mas o VAR reverteu a decisão. Volto a repetir o que disse há uma semana. Com este tipo de VAR não vale a pena introduzir a tecnologia na modalidade. Errar desta forma, com esta tecnologia ao dispor, ainda se torna mais grave do que quando se erra em tempo real.


Com este golo, o FC Porto perdeu todas as esperanças de lutar pela eliminatória. Assim se destrói o futebol, assim se elimina qualquer hipótese de promoção do jogo e da competição. Os azuis-e-brancos podem-se queixar de si próprios, mas falhar golos é legítimo. O que não é aceitável é vermos erros grosseiros do VAR.

Não contentes com isto, a terminar a primeira parte um corte de braço claro do defesa da equipa inglesa dentro da grande área é sonegado, tanto pelo árbitro como pelo VAR. Mais uma mancha no trabalho da arbitragem, mais uma palhaçada da UEFA que pactua com estas vergonhas.

No segundo tempo, Sérgio Conceição fez sair Otávio e entrar Soares. O Liverpool retirou Origi e introduziu Firmino. A equipa inglesa atacou mais mas, nos primeiros quinze minutos, o FC Porto jogou o suficiente para empatar a partida.

No entanto, com o decorrer dos minutos e com o golo a não surgir para o FC Porto, a equipa de Jurgen Klopp passou a gerir o jogo e facilmente chegou ao 2-0 numa transição ofensiva, concluída por um jogador que jamais poderia ter jogado esta noite no Dragão. Lembram-se, na primeira mão, da entrada escandalosa sobre Danilo sem punição?

No momento do 2-0, os adeptos tiveram uma atitude indescritível. Em uníssono incentivaram a equipa a não baixar os braços.


Com 65 minutos jogados, a eliminatória estava mais do que decidida, mas três minutos volvidos, Éder Militão animou um pouco a plateia do Dragão quando correspondeu da melhor forma a um canto cobrado por Alex Telles, reduzindo para 1-2.

Mas depois, o desgaste físico e mental dos portistas foi determinante para o resto da partida. O Liverpool cresceu, passou a jogar mais perto da área portista e foi sem grande dificuldade que o resultado chegou ao 1-4 com golos de Firmino e de Van Dijk. Um resultado extremamente injusto, altamente exagerado e que não espelha minimamente o que se passou na eliminatória, tal como reconheceu Jurgen Klopp no final da partida.

Assim termina a carreira do FC Porto na presente edição da Champions League. A figurar entre as oito melhores equipas europeias, o Dragão só não teve melhor performance porque outros interesses assim o ditaram.

É hora de mudar o “chip” para encarar os últimos seis jogos da época, de forma a vencer as seis finais que poderão trazer títulos. Isto se não houver movimentações estranhas noutro sentido…



DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Temos dois títulos para disputar e queremos muito ganhá-los"

Eliminatória injusta e diferença demasiado pesada
“Hoje, tal como em Anfield, o resultado foi pesado para aquilo que fizemos. É de louvar o que os meus jogadores fizeram. A estratégia que delineámos foi para acontecer o que aconteceu na primeira parte, sobretudo na forma como pressionámos e condicionámos a construção do adversário. Na primeira vez em que chegou ao último terço, o Liverpool marcou. Antes disso, tivemos duas ou três oportunidades claras para marcar. Se tivéssemos marcado, tudo seria diferente. Tenho uma equipa com grande caráter e personalidade. Os jogadores foram fantásticos a perceber aquilo que queríamos para este jogo. Fizemos uma das melhores primeiras partes desde que sou treinador do FC Porto. A diferença de golos na eliminatória é muito injusta para nós.”


Sempre à procura do golo
“Sabíamos que estávamos a perder e que isso não era merecido. Mesmo com o segundo golo do Liverpool, não atirámos a toalha ao chão. O Liverpool fez quatro remates à baliza. O Casillas não fez uma única defesa e sofreu quatro golos. Podíamos ter dado um rumo diferente ao jogo se tivéssemos sido mais eficazes nas oportunidades que tivemos. Conseguimos limitar ao máximo os pontos fortes do Liverpool, sobretudo na primeira parte. Nisso, nos primeiros 45 minutos, fomos perfeitos. Sofrer um golo daquela forma e perceber que tínhamos de fazer quatro para passar não é fácil para ninguém. Mesmo a perder por 2-0 fomos sempre à procura do golo.”

Os adeptos e os títulos para conquistar
“Foi uma demonstração de grande dignidade, não só da equipa, mas também dos adeptos. O nosso público sabe o que pode esperar de nós: determinação, ambição, capacidade de trabalho e qualidade individual e coletiva. Os adeptos são sempre muito importantes para nós. A força vinda das bancadas fez-me arrepiar. Sinto uma paixão muito grande da parte deles pela equipa. Eles reveem-se na equipa e é por isso que existe esta sintonia, esta simbiose. Temos dois títulos para disputar e queremos muito ganhá-los.”



RESUMO DO JOGO

13 abril, 2019

O REGRESSO DO BOM MAREGA.


PORTIMONENSE-FC PORTO, 0-3

A visita do FC Porto a Portimão constituía-se como uma das deslocações mais complicadas que os Dragões teriam que cumprir até ao fim do campeonato. Primeiro, porque o jogo em causa foi disputado no meio de uma terrível e difícil eliminatória da Champions League e depois, porque a equipa de António Folha é uma equipa de muita qualidade que entra nos jogos a jogar olhos nos olhos e cria vários dissabores. Que o digam os rivais da segunda circular.

O desgaste sentido no jogo da primeira mão dos quartos-de-final da Champions League, frente ao Liverpool, era um dos factores que iria condicionar a actuação do FC Porto em Portimão. Por isso seria importante entrar forte de início e tentar o golo cedo.

Em relação ao jogo com o Liverpool, Sérgio Conceição efectuou quatro alterações. Manafá, Pepe, Herrera e Brahimi entraram no onze e, no meu ponto de vista, jogaram os melhores onze do momento. Disposto em campo, num 4x4x2, os Dragões tiveram uma etapa inicial da partida muito forte, apesar da boa réplica algarvia.


Até que aos 15 minutos, numa transição rápida, Corona lançou Marega em profundidade pela direita do ataque azul-e-branco. O maliano foi até à linha de fundo, cruzou atrasado para a entrada da área, onde apareceu Brahimi a rematar para a baliza, inaugurando o marcador. O regresso de Moussa aos bons tempos parece estar a acontecer e será fulcral a sua boa forma para encarar esta ponta final de decisões da época.

O Portimonense reagiu fortíssimo ao golo sofrido. Parecendo irritado com a contrariedade sofrida, os algarvios colocaram a equipa portista em sentido. Lucas Fernandes esteve em destaque com um livre para uma defesa bastante apertada de Casillas e depois, num pontapé de canto, obrigou Soares a desviar a bola para o poste da baliza azul-e-branca. Aylton também teve uma oportunidade, mas Casillas, muito atento, saiu da baliza e despachou o esférico para longe da sua baliza.

O jogo do FC Porto estava pouco acutilante e a falta de frescura física e mental eram evidentes. Os jogadores acusavam o cansaço e procuravam controlar o jogo, sem imprimir a velocidade e a agressividade necessárias. Até ao intervalo, o FC Porto teve uma oportunidade para ampliar para 2-0, mas Manafá, na área, em vez de rematar à baliza, preferiu o cruzamento e o lance perdeu-se na defensiva portimonense.


Ao intervalo, Sérgio Conceição deve ter alertado os seus pupilos para os perigos de continuar a jogar com esta atitude. Seria importante mudar o “chip”, sob pena de sofrer o empate e deitar por terra as aspirações de vencer o título nacional. Cada ponto perdido a partir de agora significa sentenciar a decisão do campeonato.

A segunda parte trouxe então um FC Porto mais intenso e com mais atitude. Os Dragões não deram veleidades ao seu opositor e perceberam a grande importância de, pelo menos, salvaguardar a vantagem no marcador.

Folha mexeu na sua equipa e tentou esticar o jogo para tentar chegar ao empate. Mas foi o FC Porto que aproveitou para ampliar o resultado para 2-0. Aos 73 minutos, Alex Telles lançou Marega pela meia esquerda e o avançado portista picou a bola à saída de Ricardo Ferreira, obtendo um golo importante e de belo efeito.


O Portimonense não desistiu. A dez minutos do fim, à entrada da área, Ruster rematou a rasar a trave de Casillas, dando a sensação de golo. A equipa algarvia pressionava a formação de Sérgio Conceição, mas sem efeitos práticos. Com o relógio a determinar o aproximar do fim do jogo, o Portimonense lá se rendeu e foi já em tempo de descontos que os Dragões aumentaram a vantagem para 3-0.

Bruno Costa cobrou um canto na direita do ataque portista, Militão cabeceou para uma defesa incompleta de Ricardo Ferreira e Herrera, na recarga, atirou para o fundo das malhas. Uma vitória justa, com um resultado algo exagerado, mas que vem motivar ainda mais os Dragões para os cinco jogos finais da prova.

Marega destacou-se com o regresso à sua boa forma e deu sinais de que o seu contributo poderá ser decisivo para o FC Porto vencer os jogos que vai ter pela frente. A equipa azul-e-branca volta a mudar o “chip” para o modo Champions League, onde na próxima Quarta-feira irá dar tudo por tudo para tentar uma noite mágica e perfeita.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Há um espírito fantástico no balneário"

Missão cumprida
“Ganhámos o jogo, somámos 3 pontos e estamos satisfeitos.”

Importância da organização
“Foi uma exibição dentro do que esperávamos. Ofensivamente, o Portimonense cria sempre muitos problemas a todas as equipas, já ganhou este ano ao Sporting e ao Benfica. Hoje não lhes permitimos explanar as virtudes deles no processo ofensivo. Há quem fale muito da raça e do grito. Claro que é preciso alma, mas uma boa organização, com uma boa ocupação dos espaços, é que é fundamental. Hoje, o Portimonense, numa ou noutra situação, causou-nos nos alguns problemas, muito por causa de um dos médios que variava o centro do jogo. Corrigimos esse aspeto na segunda parte, chegámos ao segundo golo e depois fizemos um final de jogo mais tranquilo. O resultado é justíssimo.”

Coletivo conta mais
“É importante que haja jogadores a fazer vários golos mas mais importante é que os golos se traduzam em vitórias. Damos sempre mais valor à exibição coletiva.”

Gestão de plantel?
“Não foi nenhuma gestão, apostei no melhor onze para ganhar o jogo. Houve jogadores que entraram hoje e não jogaram contra o Liverpool porque não estavam disponíveis para esse jogo. Pepe e Manafá são dois exemplos.”



Pressão sobre o Benfica
“Nós não pensamos no rival, pensamos nestes 3 pontos, temos o nosso caminho a percorrer, há um espírito fantástico no balneário e uma grande aceitação daquilo que é o trabalho diário. Vamos fazer o nosso trabalho e em maio fazem-se as contas.”

2.ª mão contra o Liverpool
“Acredito na reviravolta mas não é o momento para falar disso. A nossa Champions League é sermos campeões em Portugal mas obviamente que vamos fazer tudo para passar. Estamos confiantes para esse jogo. Precisamos de ser quase perfeitos para passar mas acredito que ainda temos uma palavra a dizer.”

Estreia de Bruno Costa na Liga
"Jogou hoje depois da boa exibição em Liverpool. É pelo valor dele e também pela necessidade da equipa."



RESUMO DO JOGO

09 abril, 2019

ACABEM COM O VAR.


LIVERPOOL-FC PORTO, 2-0

Estamos numa era em que cada vez mais as novas tecnologias têm um peso tremendo em todos os sectores da sociedade. O futebol não foge à regra. Com a introdução da tecnologia do VAR, acreditava-se, ou pelo menos, eu queria acreditar que os erros de arbitragem iriam diminuir substancialmente. Principalmente os erros clamorosos e flagrantes. Pura ilusão!

Ou sou um lírico e um optimista incurável ou sou muito ingénuo. Depois da pouca vergonha que temos visto na Liga NOS, eis que na UEFA, os erros escandalosos das arbitragens surgem em catadupa. A tecnologia do VAR, afinal, não veio para melhorar as condições dos árbitros e para defender a verdade desportiva. Ela veio, aparentemente, para essas situações, mas o certo é que os tubarões continuam a ser superprotegidos, enquanto os restantes clubes continuam a ser prejudicados ano após ano.



Quando o árbitro e o VAR recorrem à tecnologia para ver hipotéticos erros ou lances capitais do jogo e, perante as imagens visualizadas, tomam decisões estapafúrdias, contrárias às das que toda a gente viu, só podem estar a tomar-nos por parvos e idiotas ou então devem ser uns autênticos fenómenos da arbitragem. Como é possível ver penaltis flagrantes e entradas violentas não serem sancionadas pelo árbitro depois de recorrerem ao VAR? Expliquem-me porque eu devo ser mesmo ignorante.

Há pouco dias, um iluminado das televisões, que todas as terças-feiras debita teorias e discursos bonitos para o Zé Povinho engolir, afirmou que os últimos jogos da Liga NOS deveriam ser apitados por árbitros estrangeiros para defender a verdade desportiva. A esse senhor digo que se estivesse calado e não dissesse as asneiras que, por norma, diz, faria um favor a toda a gente. Venham os árbitros portugueses ou venham os árbitros estrangeiros, venha o VAR luso ou o VAR da UEFA, é tudo a mesma treta.

Enquanto não se mudarem mentalidades, enquanto o poder financeiro e certos interesses estiverem à frente dos superiores interesses do futebol e do desporto em geral, vamos continuar, ano após ano, a assistir a esta lama que “mata” o futebol.

Depois de, no passado Domingo, termos assistido a mais uma brilhante actuação (noutras funções) do Sr. Paixão que nos tem acompanhado ao longo dos últimos 20 anos com os seus brilharetes, foi a vez do Sr. Lahoz e o seu VAR a mostrar a toda a Europa como contornar o regulamento do próprio VAR e desvirtuar a verdade desportiva.


O FC Porto foi altamente prejudicado frente ao Liverpool e, deste modo, comprometeu as poucas hipóteses que tinha na eliminatória, mesmo antes de iniciar a partida de Anfield Road. Não está em causa a vitória da equipa inglesa no jogo. Foi superior aos Dragões, revelou ter mais argumentos para levar vantagem para a segunda mão, mas para os reais interesses económicos, os mesmos de sempre têm que estar nas finais e nas fases de decisão da prova. E o FC Porto não tem lugar nessas fases, por mais que lute meritoriamente por isso.

Por isso a UEFA que faça o que pretende fazer. Organize o campeonato dos poderosos e que se entretenham entre eles. Isto não é futebol. Isto é tudo menos modalidade desportiva. Isto é puro negócio.

A derrota por 2-0 frente aos ingleses compromete quase irremediavelmente as hipóteses dos portistas de, pelo menos, lutar para inverter a eliminatória no Estádio do Dragão.

Num palco terrivelmente complicado de jogar e de pontuar, o FC Porto procurou de tudo para minimizar as diferenças para o seu opositor. Além destas diferenças, o FC Porto apresentou-se com duas baixas de vulto (Pepe e Herrera) que tornaram a tarefa ainda mais complicada.


Sérgio Conceição apostou num 3x4x3. Três defesas em linha (Maxi, Felipe e Militão), dois laterais subidos (Corona e Telles) a acompanhar Danilo e Oliver no meio campo e depois três avançados (Otávio, Soares e Marega).

Os portistas entraram muito bem no jogo com um remate fortíssimo de Marega que saiu ao lado da baliza contrária. Mas aos 4 minutos, na primeira investida do Liverpool, a equipa inglesa marcou, com alguma sorte à mistura. Mané e Firmino combinaram e Keita rematou com a bola a tabelar em Óliver e a enganar Casillas.

Perante este cenário, qualquer equipa que sofresse um golo cedo desta forma poderia perder a calma. Otávio ainda deu sinais disso com um passe disparatado que isolou Salah, mas o egípcio, perante a saída de Casillas, atirou ao lado. Depois, o FC Porto acertou, manteve-se igual a si próprio. Suster a avalanche atacante dos ingleses e tentar o contra-ataque foi a estratégia de Sérgio Conceição.

No entanto, aos 26 minutos Henderson, com um passe de ruptura, lançou Alexander-Arnold que cruzou para Firmino, que só teve que encostar. O 2-0 deixou o FC Porto em alerta. Os azuis-e-brancos reagiram quatro minutos depois com Óliver a desmarcar Marega, mas a permitir que Alisson defendesse com o pé o remate do maliano.

Na sequência do lance, a bola voltou a área inglesa. Corona cruzou por alto, Allisson cortou, a bola foi jogada, autenticamente, pelo movimento de braço de Alexander-Arnold para a linha de fundo, mas o VAR, depois de analisar o lance, deu a sinalética ao árbitro para mandar jogar. Um roubo!!!


Na sequência deste lance polémico, Corona cobrou o canto, a bola foi aliviada, Otávio desmarcou Marega que, à meia volta, rematou fraco e à figura de Allison. O jogo prosseguiu com o FC Porto a tentar responder aos ataques dos “reds”. Firmino esteve perto do 3-0, mas Marega respondeu com um cabeceamento.

A etapa complementar trouxe um jogo diferente. Apesar de Mané ter feito um terceiro golo bem anulado por fora-de-jogo, logo a abrir o segundo tempo, o FC Porto aumentou a sua produção ofensiva e o Liverpool pareceu querer gerir a vantagem de dois golos.

Brahimi, Bruno Costa e Fernando Andrade entraram no jogo para tentar modificar alguma coisa, mas só o português mostrou algum bom futebol.

Aos 67 minutos, Corona bateu um canto na direita e Lovren jogou a bola com o braço. O VAR chamado a analisar o lance, repetiu a decisão do último lance revisto. Dois roubos!!!

Aos 70 minutos, Marega, lançado na meia direita por Otávio, rematou à figura de Allison. Na resposta, Mané rematou em arco a rasar o poste e oito minutos depois Marega, novamente, teve uma soberba oportunidade mas, com o pé esquerdo, rematou por cima da baliza inglesa.

A seis minutos do fim, jogada do FC Porto pela direita e Felipe, na área, foi carregado pelo braço de Alexander-Arnold. O árbitro mandou seguir. Três roubos!!!


A terminar, num lance à entrada da área portista, Danilo cortou a bola e Salah entrou, de uma forma impressionante, de pitões na perna do jogador portista. O árbitro, a um metro do lance, assinalou falta, mas as cartolinas ficaram no bolso. O VAR nem se pronunciou. Expulsão clara perdoada ao egípcio. Quatro roubos!!!

É este o futebol que pretendem? Eu não. Para isso, prefiro que o mesmo volte às origens. Sem dinheiro, mas com paixão pelo jogo e pela modalidade. Com uma pontinha de sorte e com os lances bem ajuizados, nesta altura estaríamos aqui a falar do FC Porto com possibilidades de lutar pelo apuramento para as meias finais. Assim, vamos apenas dignificar o nome do clube.

Este jogo fez-me lembrar a eliminatória com o Barcelona em 1985/86, onde um senhor de nome Langenhove ficou para a história dessa partida pelas piores razões. Contas de outros tempos.

Destaques finais para as grandes exibições de Militão, na sua posição natural, e de Corona, para a boa entrada de Bruno Costa e para o grande apoio de adeptos azuis-e-brancos.

O FC Porto regressa de imediato à Liga NOS onde, no próximo Sábado, desloca-se a Portimão para mais um jogo que vale três preciosos pontos.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Era justo termos marcado"

Estratégia certa
"É preciso jogar na próxima semana e vamos ver o que acontece. Tivemos ocasiões para marcar. Pela frente estava uma equipa muito forte a nível individual e coletivo, ofensiva e defensivamente. Preparámos uma equipa diferente porque sabíamos da profundidade do Liverpool, aspeto em que eles são muito fortes. O meio-campo deles também é muito forte mas a nossa equipa controlou bem os espaços. Estivemos bem a nível defensivo, tivemos duas ou três oportunidades de golo na primeira parte. Há ainda a questão do pénalti mas não vou falar de arbitragem."

Dupla Felipe-Militão
"Preparámos esta dupla em Portugal, eles fizeram um bom trabalho, e é bom ter várias opções no corredor central para combater a profundidade do Mané e do Salah. Tentámos travar o processo ofensivo do Liverpool e a este nível estivemos bem. Podíamos ter tido um pouco mais de bola."


Sorte e erros
"O Liverpool teve sorte no primeiro golo, no segundo houve erro nosso na abordagem individual. Na segunda parte, a equipa foi mais compacta e conseguiu chegar com mais perigo à frente. Era justo termos marcado."

Falta a segunda parte
"Estamos a meio da eliminatória. Passaram 90 minutos e na próxima semana há mais 90 no Dragão. Tudo faremos para encurtar a distância. Aguardamos com prazer o próximo jogo."



RESUMO DO JOGO