http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/
Durante 11 anos em praticamente todos os meios de comunicação social, nomeadamente programas desportivos de tv, jornais desportivos e generalistas e programas de rádio debateu-se, seguramente durante milhares de horas, um megaprocesso judicial denominado “apito dourado”, que posteriormente deu origem a outro processo julgado pela justiça desportiva, o “apito final”. Durante anos e anos, foram análises e mais análises de todo e qualquer marreta, suposições baseadas em incertezas e dúvidas, pressupostos e mais pressupostos, julgamentos com base em opiniões pessoais sobre coisas que se suponha porque se tinha ouvido um conjunto de coisas divulgadas de forma completamente ilegal, à margem de princípios básicos de um Estado de Direito (no fundo, exatamente a mesma situação que agora muitos reclamam com o Football Leaks, uma ilegalidade completa!). Foram anos e anos disto.
Porque nunca é demais repetir, é bom relembrar que Pinto da Costa e o FC Porto foram ilibados na justiça civil por TODOS os tribunais (da Relação, Administrativos, etc) em relação ao megaprocesso “apito dourado”. Posteriormente, a própria justiça desportiva ilibou também Pinto da Costa arquivando o processo do “Apito Final”, decisão aliás que também teve como consequência o regresso do Boavista à 1ª liga de futebol (Boavista que também esteve implicado neste processo que parou na cidade de Leiria), após a decisão de anulação da decisão inicial. Em suma, dois processos transitados em julgado, dois processos em que Pinto da Costa e o FC Porto saíram ilesos do ponto de vista de condenações, multas ou qualquer outra punição judicial. Apesar disso, a máquina propagandística vermelha (encabeçada pelos “guerras” e “silvas” desta vida) continuou ao longo dos anos seguintes a essas absolvições, a sua cruzada anti-Portista, com argumentos tão sólidos como um castelo de areia. Importava, importa e continuará a importar no futuro divulgar a demagogia de relacionar o FC Porto com casos de corrupção, criando assim uma cortina de fumo que tem e continua a ter como consequências o pavor com que todo e qualquer árbitro apita o FC Porto nos últimos 11 anos.
Os acontecimentos que se sucederam em catadupa durante a semana que passou, apesar de terem caído como uma autêntica bomba no futebol português, não constituem para mim grande novidade, pois nos anos que já levo de participação neste blog já por várias vezes escrevi sobre aquilo a que denomino de “verdade desportiva à moda de Lisboa”. E quem me lê com regularidade sabe perfeitamente daquilo que estou a falar! (já pareço o outro LOL) Mas confesso que a amplitude dos acontecimentos, a forma como foram dados a conhecer e sobretudo a reação dos vários intervenientes no caso deixaram-me completamente boquiaberto.
Repartindo por fases um processo a que vou simbolicamente chamar de processo “vai um jantar?”, digamos que:
FASE 1 (A surpresa!): O presidente do SCP apresenta quase no final do programa Prolongamento da TVI um pack premium que seria oferecido aos 8 elementos das equipas de arbitragem nos jogos da equipa A e B disputados na luz e no seixal. O pack inclui uma camisola, convites para o museu Cosme Damião e um voucher para 4 pessoas com jantar incluído. Perante o sucedido, o representante do slb no programa, que geralmente se assume como sabedor de tudo e mais alguma coisa que se passa no futebol português, não se pronuncia sobre a veracidade ou não da “oferenda”, mostrando-se apenas muito ofendido com o facto do presidente do SCP, segundo ele, ofender a memoria de Eusébio pelo facto do dito pack premium vir muito bem embalado numa caixa com a cara de Eusébio estampada.
FASE 2 (Não é tão surpresa assim!): Logo após a “bomba”, a generalidade dos meios de comunicação naturalmente debruça-se sobre o assunto (os mesmos meios de comunicação que perderam milhares de horas no apito dourado, devem gostar de discutir coisas dessas!). Do principal visado, nem uma palavra sobre um assunto, nem um comunicado a negar, nem uma queixa à PGR por difamação, nada. Aos poucos, começam as reações de vice-Presidentes como Capristano ou José Manuel Antunes de que afinal oferecer coisas aos árbitros é prática normal nos clubes. Afinal parece que todos os outros clubes da 1ª liga dão apenas comida, água e, em casos especiais, uma camisola do jogo, nada portanto comparado a um pack premium. Começa aos poucos a não haver grandes dúvidas: um clube realmente com mais adeptos, mais sócios, mais receitas, mais campeonatos e mais ofertas aos árbitros em relação a todos os outros.
FASE 3 (Afinal todas as pessoas que deviam saber, sabiam!): Aos poucos começa a perceber-se o inimaginável. Pedro Henriques assume ao jornal o Jogo e posteriormente em plena TVI24 que Vítor Pereira, o que não é treinador do Fenerbahce, e José Gomes, líder da APAF, tinham total conhecimento do sucedido. Citando Pedro Henriques: “Vítor Pereira e José Gomes sempre souberam das ofertas de cortesia do Benfica. Quando criou a Eusébio Cup, o Benfica começou a oferecer caixas com uma moldura do Eusébio. Essas caixas contêm uma camisola, bilhetes de entrada no museu do Benfica, um livro sobre o Eusébio e uns vouchers de refeição, que segundo me foi dito pelo José Gomes, nenhum árbitro utilizou, evitando assim outras interpretações”. Ou seja, não havia mal nenhum nas prendas, mas ninguém jantava de graça para não haver segundas interpretações. OK.
FASE 4 (Afinal parece que há um regulamento!): Parece que existe mesmo um regulamento disciplinar sobre ofertas a elementos de equipas de arbitragem e que até há um regulamento da UEFA em que as equipas de arbitragem não devem aceitar presentes dos clubes que ultrapassem o valor patrimonial de 200 francos suíços (183€ ao câmbio atual). No regulamento da FPF, está previsto no artigo 62º que "o clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial com o fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 500 UC e o máximo de 2000 UC". No último ponto, o 5, deste artigo 62.º, o Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional exclui desta equação "as simples ofertas de objetos meramente simbólicos".
FASE 5 (Afinal alguém devia ter enviado isto ao Ministério Público): Ou seja, todos sabiam disto, incluindo Presidente do Conselho de Arbitragem, APAF e Presidente da Liga, ele próprio deve ter tido uns “packzinhos” no seu tempo, mas ninguém fez rigorosamente nada. Após a denúncia do presidente do SCP, outrora um herói da luta contra a corrupção no Norte mas agora um “louco inventor” de mentiras sobre o SLB, lá a FPF envia todo o dossier para o MP. Paralelamente, o Conselho de Arbitragem (sim, aquele que já sabia de tudo) reúne informação para entregar no Conselho de Disciplina, que posteriormente abrirá um processo de averiguações, em que serão feitas as diligências necessárias para apurar todos os factos, bem como as consequências dos mesmos, sendo que para isso vai ouvir as testemunhas necessárias. Basicamente, sabiam de tudo, mas foi preciso o “louco inventor” de mentiras sobre o slb apresentar o pack premium para que se desse início ao processo de averiguações, ouvindo testemunhas e tudo. Julgo que perante tudo isto, não há muito mais a dizer. Não consigo compreender como toda a gente sabia disso, ou pelo menos toda a gente que deveria saber com cargos de poder no futebol português, e foi preciso a denuncia de um presidente de outro clube para que se enviasse ao MP e se iniciasse um processo de averiguação pelo Conselho de Disciplina da FPF. Não compreendo como a discussão de alguns se insere em questões do tipo “mas os jantares valiam 20 ou 30€”, “mas o voucher era para 2 ou 4 pessoas” ou “quanto vale uma camisola do centenária embalada numa caixa com a cara de Eusebio”. Estamos a falar de jantares oferecidos a árbitros, que contrariam todo e qualquer regulamento nacional e internacional sobre a temática.
CONCLUSÃO: Espero que TODOS os adeptos do FC Porto, com nenhuma (como é o meu caso), pouca ou muita exposição mediática esmiúcem ao mais ínfimo pormenor todo este caso da mesma forma que durante anos o apito dourado foi martelado em tudo o que era programa de tv (e ainda continua a ser por alguns erros da genética em dias seguintes). Que falem disso SEMPRE e MUITAS VEZES. Que haja total pressão, e acho que aí o próprio FC Porto tem de meter-se ao barulho (ou não se lembram da tentativa de slb e Guimarães nos colocarem foram da Champions?) como forma de pressionar publicamente para que as investigações de todas as instituições de direito, quer civis, quer desportivas, despendam o esforço necessário para que tudo seja esclarecido da forma mais cabal e eficaz possível. E que no fim haja o reencaminhamento para quem tem a faculdade de decidir, ou seja, os tribunais.
Porque nunca é demais repetir, é bom relembrar que Pinto da Costa e o FC Porto foram ilibados na justiça civil por TODOS os tribunais (da Relação, Administrativos, etc) em relação ao megaprocesso “apito dourado”. Posteriormente, a própria justiça desportiva ilibou também Pinto da Costa arquivando o processo do “Apito Final”, decisão aliás que também teve como consequência o regresso do Boavista à 1ª liga de futebol (Boavista que também esteve implicado neste processo que parou na cidade de Leiria), após a decisão de anulação da decisão inicial. Em suma, dois processos transitados em julgado, dois processos em que Pinto da Costa e o FC Porto saíram ilesos do ponto de vista de condenações, multas ou qualquer outra punição judicial. Apesar disso, a máquina propagandística vermelha (encabeçada pelos “guerras” e “silvas” desta vida) continuou ao longo dos anos seguintes a essas absolvições, a sua cruzada anti-Portista, com argumentos tão sólidos como um castelo de areia. Importava, importa e continuará a importar no futuro divulgar a demagogia de relacionar o FC Porto com casos de corrupção, criando assim uma cortina de fumo que tem e continua a ter como consequências o pavor com que todo e qualquer árbitro apita o FC Porto nos últimos 11 anos.
Os acontecimentos que se sucederam em catadupa durante a semana que passou, apesar de terem caído como uma autêntica bomba no futebol português, não constituem para mim grande novidade, pois nos anos que já levo de participação neste blog já por várias vezes escrevi sobre aquilo a que denomino de “verdade desportiva à moda de Lisboa”. E quem me lê com regularidade sabe perfeitamente daquilo que estou a falar! (já pareço o outro LOL) Mas confesso que a amplitude dos acontecimentos, a forma como foram dados a conhecer e sobretudo a reação dos vários intervenientes no caso deixaram-me completamente boquiaberto.
Repartindo por fases um processo a que vou simbolicamente chamar de processo “vai um jantar?”, digamos que:
| Jornal Record em 07/10/2015 |
FASE 2 (Não é tão surpresa assim!): Logo após a “bomba”, a generalidade dos meios de comunicação naturalmente debruça-se sobre o assunto (os mesmos meios de comunicação que perderam milhares de horas no apito dourado, devem gostar de discutir coisas dessas!). Do principal visado, nem uma palavra sobre um assunto, nem um comunicado a negar, nem uma queixa à PGR por difamação, nada. Aos poucos, começam as reações de vice-Presidentes como Capristano ou José Manuel Antunes de que afinal oferecer coisas aos árbitros é prática normal nos clubes. Afinal parece que todos os outros clubes da 1ª liga dão apenas comida, água e, em casos especiais, uma camisola do jogo, nada portanto comparado a um pack premium. Começa aos poucos a não haver grandes dúvidas: um clube realmente com mais adeptos, mais sócios, mais receitas, mais campeonatos e mais ofertas aos árbitros em relação a todos os outros.
FASE 3 (Afinal todas as pessoas que deviam saber, sabiam!): Aos poucos começa a perceber-se o inimaginável. Pedro Henriques assume ao jornal o Jogo e posteriormente em plena TVI24 que Vítor Pereira, o que não é treinador do Fenerbahce, e José Gomes, líder da APAF, tinham total conhecimento do sucedido. Citando Pedro Henriques: “Vítor Pereira e José Gomes sempre souberam das ofertas de cortesia do Benfica. Quando criou a Eusébio Cup, o Benfica começou a oferecer caixas com uma moldura do Eusébio. Essas caixas contêm uma camisola, bilhetes de entrada no museu do Benfica, um livro sobre o Eusébio e uns vouchers de refeição, que segundo me foi dito pelo José Gomes, nenhum árbitro utilizou, evitando assim outras interpretações”. Ou seja, não havia mal nenhum nas prendas, mas ninguém jantava de graça para não haver segundas interpretações. OK.
FASE 4 (Afinal parece que há um regulamento!): Parece que existe mesmo um regulamento disciplinar sobre ofertas a elementos de equipas de arbitragem e que até há um regulamento da UEFA em que as equipas de arbitragem não devem aceitar presentes dos clubes que ultrapassem o valor patrimonial de 200 francos suíços (183€ ao câmbio atual). No regulamento da FPF, está previsto no artigo 62º que "o clube que através da oferta de presentes, empréstimos, promessas de recompensa, ou de qualquer outra vantagem patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar a esses agentes, expressa ou tacitamente, uma actuação parcial e atentatória do desenvolvimento regular de jogos integrados nas competições desportivas, em especial com o fim de os jogos decorrerem em condições anormais, alterar ou falsear o resultado de jogos ou ser falseado o boletim de jogos, será punido com a sanção de descida de divisão e, acessoriamente, com a sanção de multa de montante a fixar entre o mínimo de 500 UC e o máximo de 2000 UC". No último ponto, o 5, deste artigo 62.º, o Regulamento Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional exclui desta equação "as simples ofertas de objetos meramente simbólicos".
FASE 5 (Afinal alguém devia ter enviado isto ao Ministério Público): Ou seja, todos sabiam disto, incluindo Presidente do Conselho de Arbitragem, APAF e Presidente da Liga, ele próprio deve ter tido uns “packzinhos” no seu tempo, mas ninguém fez rigorosamente nada. Após a denúncia do presidente do SCP, outrora um herói da luta contra a corrupção no Norte mas agora um “louco inventor” de mentiras sobre o SLB, lá a FPF envia todo o dossier para o MP. Paralelamente, o Conselho de Arbitragem (sim, aquele que já sabia de tudo) reúne informação para entregar no Conselho de Disciplina, que posteriormente abrirá um processo de averiguações, em que serão feitas as diligências necessárias para apurar todos os factos, bem como as consequências dos mesmos, sendo que para isso vai ouvir as testemunhas necessárias. Basicamente, sabiam de tudo, mas foi preciso o “louco inventor” de mentiras sobre o slb apresentar o pack premium para que se desse início ao processo de averiguações, ouvindo testemunhas e tudo. Julgo que perante tudo isto, não há muito mais a dizer. Não consigo compreender como toda a gente sabia disso, ou pelo menos toda a gente que deveria saber com cargos de poder no futebol português, e foi preciso a denuncia de um presidente de outro clube para que se enviasse ao MP e se iniciasse um processo de averiguação pelo Conselho de Disciplina da FPF. Não compreendo como a discussão de alguns se insere em questões do tipo “mas os jantares valiam 20 ou 30€”, “mas o voucher era para 2 ou 4 pessoas” ou “quanto vale uma camisola do centenária embalada numa caixa com a cara de Eusebio”. Estamos a falar de jantares oferecidos a árbitros, que contrariam todo e qualquer regulamento nacional e internacional sobre a temática.
CONCLUSÃO: Espero que TODOS os adeptos do FC Porto, com nenhuma (como é o meu caso), pouca ou muita exposição mediática esmiúcem ao mais ínfimo pormenor todo este caso da mesma forma que durante anos o apito dourado foi martelado em tudo o que era programa de tv (e ainda continua a ser por alguns erros da genética em dias seguintes). Que falem disso SEMPRE e MUITAS VEZES. Que haja total pressão, e acho que aí o próprio FC Porto tem de meter-se ao barulho (ou não se lembram da tentativa de slb e Guimarães nos colocarem foram da Champions?) como forma de pressionar publicamente para que as investigações de todas as instituições de direito, quer civis, quer desportivas, despendam o esforço necessário para que tudo seja esclarecido da forma mais cabal e eficaz possível. E que no fim haja o reencaminhamento para quem tem a faculdade de decidir, ou seja, os tribunais.