Mostrar mensagens com a etiqueta o dragão da madragoa por pedro marques lopes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o dragão da madragoa por pedro marques lopes. Mostrar todas as mensagens

16 setembro, 2013

Obrigado, meus irmãos

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

“Agora eu vou-me embora, embora a dor não queira ir já embora, agora eu vou-me embora e parto sem dor”. Sempre que me despeço dum projecto, duma actividade, canto baixinho esta música do Sérgio Godinho. Resume, mais uma vez bem, o meu sentimento neste momento: parto para um projecto que me entusiasma e, confesso, me desafia e que me impede de partilhar neste espaço o que vou pensando sobre o nosso amado clube.

Parto com dor mas não vos deixo. Também não vou deixar que vocês, irmãos em sangue portista, se esqueçam de mim. Vou continuar por aí a defender a nossa paixão da única forma que conheço: amando-o mesmo quando o critico, adorando-o mesmo quando me sinto ofendido, venerando-o mesmo quando vejo coisas que me desagradam profundamente. Como não sou de ficar calado e penso mais com o coração do que com a cabeça parece que estou a atacar o Porto. Vocês sabem que não é verdade e que nunca será: amo demais o FC Porto para não o criticar quando acho que ele merece. E só os deuses sabem o que me custa fazê-lo.

Em breve saberão a razão de não poder aqui escrever. Deixo-vos um pedido: critiquem-me, insultem-me, cuspam-me, mas nunca ponham em causa o meu amor pelo nosso clube. Isso nunca.

Obrigado por tudo. Estamos juntos sob o brasão abençoado.

15 julho, 2013

Os patetas

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

É muito difícil para um sócio do FC Porto discorrer sobre a pré-época. Esta é a altura do ano em que os nossos adversários anunciam retumbantes vitórias no campeonato, marcam finais de taças europeias nos seus calendários e os jogadores que adquirem são uma espécie de Messis e Maradonas mas em melhor. Para nós ficam uns perna de pau, é anunciado o fim das nossas vitórias e é praticamente garantido que baixaremos de divisão.

Esta pré-época tem sido ainda mais delirante que as outras. Ficamos a saber pelo treinador Jesus que o clube que treina é hegemónico no futebol português. Tem razão o cavalheiro. Não há pré-epoca que o seu clube não ganhe mesmo não ganhando. Confusos? É simples. Como na pré-época os resultados não contam as vitórias são apenas declarativas, ou seja, se dissermos que ganhamos ganhamos mesmo. É de génio. Infelizmente, o mocinho está a falar da pré-época, se estivesse a falar da época regular dava-se a circunstância de estarmos perante um caso de loucura completa com negação da realidade. Provavelmente teríamos o treinador Jorge de camisa de forças a cavalo no Carlos Martins, com fotografias do Emerson e do Roberto coladas na testa e com os bigodes do Vieira a servir de chicote.

Já a malta da Vila Miséria está em grande. Não têm onze jogadores e os poucos que têm parece que saíram todos de sorteios da Farinha do Amparo. Temos o caso dum rapaz que era do Seattle, essa potência do futebol mundial, mas como esse clube tem demasiadas estrelas teve que ser emprestado a um clube mexicano de segunda categoria. Escusado será dizer que o inefável Bruno Carvalho, conhecido empresário do sector do coisa e tal, não tem dúvidas sobre a genialidade do rapaz.

O presidente do Sporting, ex-dirigente da Fundação Aragão Pinto, instituição que se dedica a ninguém faz puto ideia, está a lutar pelo título mais desejado da paróquia: o do que mais mal diz do Porto. Como todos sabemos não é coisa fácil, ele há muitos concorrentes.

O rapaz Carvalho, conhecido por ter ganho dinheiro no negócio do isso agora não interessa nada, para enganar os anjinhos dos seus consócios dedicou-se com afinco à tarefa de ganhar o tal título: não consegue comprar jogadores com duas pernas? A culpa é do Porto. Imagine-se que o Ghillas preferiu ir para o Porto em vez de ir para o Sporting. Obviamente, houve marosca das grandes: quem, no seu juízo perfeito, troca essa potência futebolística que não ganha um título há anos e anos e que fica em sétimo lugar no campeonato pelo FC Porto? Malandragem.

E o Bruma? Hummmm, como é possível querer sair do colosso de Alvalade? Os dirigentes nem acharam necessário assinar com o miúdo. Porque é que ele quereria ganhar 150.000 euros por mês num clube qualquer quando pode ganhar 3.000 no Sporting? Alto, pára tudo. Há aqui jogada: são os bandidos do Porto.

O Porto dá muito jeito a estes tristes todos. Nada como inventar um inimigo externo para justificar os fracassos miseráveis internos. Taditos. Deus lhes dê longas vidas para que nos possamos divertir por muito tempo com tanta estupidez.

Falando de coisas sérias. Estamos a construir uma equipa que vai ser um caso sério. Um caso muito sério. Cá para mim só falta mais um extremo de categoria e talvez um lateral, mas de resto ai nossa senhora. Aquilo é qualidade que até chateia. Três ou quatro centrais com lugar em qualquer equipa do mundo; laterais extraordinários, sobretudo o Alex que não tem rival por essa Europa. Um meio campo com soluções para tudo e mais alguma coisa. Dois pontas de lança de primeira. Extremos óptimos, o Kelvin fez um jogo do outro mundo contra os caceteiros do Marselha. Estou com tanta fé nesta equipa que até tenho medo de falar. Fica para a próxima.

Entretanto, venha a Supertaça.

22 maio, 2013

22 abril, 2013

Semear ventos

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

Escrevo antes do jogo da segunda circular. Ainda pensei esperar pelo fim do jogo, confesso, mas não vale a pena. Por muitas razões, a primeira, e muito importante, é não querer pensar em futebol durante e depois desse jogo, já me chega a histeria, duns ou doutros, que vou ter de suportar. Depois, pode ser que me engane e rezo a todos os santinhos para que isso aconteça, porque só um milagre faria o sporting tirar um ponto que seja aos lampiões. Por último, o meu estado de espírito em relação ao meu mais que tudo, qualquer que seja o resultado desta noite, não se alteraria. E é o Porto que me alegra ou entristece, não um resultado doutro clube qualquer, muito menos dessas agremiações.

Esta época tem sido má demais. Demasiados pontos perdidos por falta de vontade dos jogadores (que é o que mais me custa), derrotas humilhante como a da Final da Taça da Liga (não me lixem com a história que é uma taça menor: se a jogamos é para ganhar) ou a de Málaga (a única coisa que melhorou em relação ao ano passado foi ter sido na fase a eliminar e não ter acontecido com um Appoel qualquer...), exibições capazes de adormecer um morto, desculpas patéticas do nosso treinador sempre misturadas com muita “posse” e controle de jogo. Tem sido uma tristeza pegada.

O nosso treinador tem cometido erros, sem dúvida. Há opções difíceis de perceber e contra todas as evidências, há erros de leitura, sente-se um medo nele não condizente com o cargo de treinador do Porto. Será tudo verdade, mas estou longe de o considerar o principal culpado nesta época até aqui desastrosa.

Não gosto de fazer análises época a época. As equipas como as pessoas têm ciclos, fases de investimento, de colheita. Não podemos deixar de analisar esta época juntando-a à anterior. E, claro está, não é por pensar que os ciclos são de dois em dois anos, muito longe disso.

O facto é que uma temporada como aquela, em que ganhamos tudo inclusive uma taça europeia, é sempre especial. Uma conquista europeia inflaciona o preço dos jogadores, outras receitas extraordinárias, faz entrar muito dinheiro. Além disso muda a cabeça dos jogadores, nem vale a pena discutir isso. Uma época de conquista europeia fecha um ciclo.

Imagino que se tivesse pensado em repetir 2003/2004. Pode ser. Mas no momento em que se perdeu o treinador, e em menor medida, Falcao, todos percebemos que a história não se ia repetir, nem por lá perto. Em vez de aproveitarmos as patéticas fortunas que nos ofereciam por alguns jogadores e que nos permitiam ir buscar outros com a ambição e a vontade que os que ficaram já não tinham reconstruindo o plantel, optou-se por manter jogadores que queriam sair. Nem valeria a pena citar nomes, mas casos gritantes como Guarin, Álvaro Pereira, Rolando, Belushi são casos gritantes e houve outros.

Acabamos por vender jogadores por metade do dinheiro que podíamos ter arrecadado, outros que ainda temos de pagar ordenado e que ficaram ninguém sabe porquê, outros que se arrastaram. Ganhou-se muito dinheiro com o Falcao (depois gasto duma maneira que depois falaremos, ai os 18 milhões do Danilo e os 5 do Iturbe...), mas até por aí se devia ter percebido que tinha que se reformular o plantel em alta. Quis-se dar tudo a Vítor Pereira e provar qualquer coisa que a minha inteligência não atinge.

Agora vamos ter de reconstruir um plantel duma forma muito mais difícil: com pouco dinheiro, ou pelo menos, com muito menos dinheiro do que poderíamos ter há dois anos e com a pressão que, graças aos deuses, temos sempre mas que será maior.

Dir-me-ão: fomos campeões. É verdade e isso é que interessa, sem dúvida. Mas que preço teremos pago por esse campeonato?

P.S. - o nosso Presidente fez 31 anos como nosso líder. É o maior gestor desportivo português de todos os tempos e está entre os dois, três, mundiais. Este país de invejosos não merece Pinto da Costa: é grande demais. Obrigado Presidente.

17 janeiro, 2013

O nosso destino

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/

Vou ver o Porto ao estádio da luz desde que me conheço. Parte das minhas memórias apesar de vividas são contadas. Cada vez que se fala do Cubillas cá em casa, o meu pai recorda-me dos seus feitos e de como eu festejava os golos e as fintas do grande peruano que fazia sempre grandes exibições cá por Lisboa. Eu até sou capaz de descrever muitos dos lances, mas não sei dizer se de facto me lembro deles ou se foi o meu pai que mos plantou na memória.

Lembro-me, porém, perfeitamente do dia em que percebi que alguma coisa tinha mudado nas nossas vindas ao local referido (confesso que me custa escrever o nome do campo). Foi em Janeiro de 1979. Já era um rapaz espigadote. Apanhei a maior molha da minha vida, levei uns tabefes no autocarro, mas cheguei com um sorriso a casa que dava para alumiar o meu bairro.

O resultado não foi grande coisa: empatamos. O slb marcou de penalty para os lampiões e o grande, o enorme Duda, o dragão de S. Siro, marcou para nós a passe do Costa. O Toni partiu a perna ao Marco Aurélio e o Frasquinho encheu de merecida porrada o Alves.

O Porto já tinha acabado com a malapata no ano anterior mas só naquele jogo senti que as coisas tinham mudado duma vez por todas. Foi a arrogância com que entramos em campo, o grande Rodolfo a estender o dedo à lampionagem, o Pedroto a rir dos insultos. Já não havia medo, nem respeito, nem nada. Havia um jogo para ganhar e tanto dava para os nossos jogadores terem pela frente umas camisolas vermelhas, verdes ou ás riscas, estar naquele ou noutro estádio qualquer. Depois desse jogo tive no dito sítio uns desgostozitos (há um jogo em 87 que ainda me está entalado ), uns jogos que me enfureceram por falta de garra, mas nunca mais senti que os meus tivessem medo (e deus sabe que sou suficientemente velho para ter visto isso).

Esta gigante introdução para falar do jogo de passado domingo de que não vou falar. Durante o almoço desse dia deu-me para falar aos meus filhos de jogos de antigamente, do algum receio que eu sentia quando era novito quando via o FC Porto cá em Lisboa e do tal jogo de 1979. Depois lá lhes fui dizendo que não achava que a nossa equipa estivesse a jogar grande coisa e que talvez as coisas não corressem bem.

Apesar de nesta casa ainda haver respeito, fui brindado com uns impropérios e umas larachas do género: “oh pai, tu és do tempo das chuteiras de travessas” ou “para estes tristes até tu chegavas”. O pior, corrijo, o melhor foi ver a cara de espanto dos rapazes e da rapariga, como se não estivessem a perceber bem o que eu estava a dizer. Para eles é tão evidente que somos melhores que eles, a confiança deles nas nossas camisolas é tal, que pura e simplesmente não percebem receios ou inseguranças.

Saíram de casa, foram ter com a nossa rapaziada à Pontinha, mas antes de sair o meu filho do meio veio-me dar um beijo e com a minha camisola do Porto de 87 vestida mostrou-me o brasão e disse-me: “o que conta é isto, até podiam ser mil contra um. Vamos ganhar”.

Sentado na merda do camarote, longe dos meus que saltavam dentro da jaula para onde fizeram questão de ir, vendo a naturalidade com que os nossos jogadores comiam vivos os adversários e lembrando o que o meu rapaz me tinha dito fiquei com a certeza que a nossa história ainda está a começar. Aquela camisola é mesmo mágica e os nossos filhos sabem isso melhor que nós. E eles vão viver mais alegrias que nós. É mesmo o nosso destino.

06 dezembro, 2012

Mais FC Porto, menos disparates

http://bibo-porto-carago.blogspot.pt/


Prometi a mim próprio que ia só escrever sobre os dois últimos jogos de futebol da nossa principal equipa de futebol. Vou faltar ao prometido. Os jogos com o Braga e com o PSG são pequeníssimos detalhes, episódios absolutamente insignificantes. O nosso treinador esteve bem em ambos os jogos, a nossa equipa esteve bem contra o Braga e mal com o PSG. Quando o Porto joga vejo camisolas, não compreendo a distinção entre titulares e suplentes. Também não sei que história é essa de jogos mais ou menos importantes: o Porto joga, é para ganhar.

Curiosamente, vi uma equipa contra o Braga com jogadores que jogam menos vezes a jogar melhor que os supostamente efectivos contra o PSG – fora o Kleber que precisa de ir rodar ou ir pregar para outra freguesia. Perdemos? Pois foi. Não gosto de perder, mas todas as derrotas fossem como essas. Em frente.

A nossa equipa está bem, o nosso clube está óptimo. Já sei que temos os nossos problemas, a nossa situação financeira podia ser melhor, há coisas a melhorar, mas, como todos os diabos, quem, por essa Europa fora, está melhor que nós? Poucos clubes, quase nenhuns.

Para ser franco incomoda-me muito mais o provincianismo que ainda subsiste em alguns dos nossos consócios. Uma coisa terrível que diminui o nosso clube, a nossa região e a nossa história.

A conversa dos nossos montes são os mais lindos, a nossa comida a melhor, os nossos conterrâneos os melhores do mundo, a nossa cidade uma metrópole e o resto de Portugal, para já não dizer o mundo, uma porcaria é absolutamente ridícula, patética mesmo. Há mesmo quem não perceba que o amor é irracional. Nós não amamos as melhores coisas do mundo, amamos porque amamos.

Não, a comida do norte não é a melhor do mundo, a nossa cidade não é a mais linda, o nosso vinho não é o melhor e, lamento informar, mas a percentagem de cretinos no sul é tão grande como a do norte.

Não, não vou puxar dos galões e explicar que não há nenhum dos que me estão a ler com tantas raízes nortenhas como eu. Não preciso de o fazer. Também não vou perder tempo a explicar que o FC Porto não é um clube do norte. Deixou de o ser há muito tempo. Nem sequer é um clube nacional, é muito mais que isso. Queria apenas lembrar os que têm um discurso bacoco, provinciano e ignorante sobre tudo o que não se circunscreve ao pedacinho de terra que conhecem que quando estão a insultar algarvios, alentejanos, lisboetas e todos os adeptos que não são do norte estão a apoucar a região em que nasceram e o clube que amam. Por outro lado queria perguntar a essa gente pequenita como é que acham que um adepto nascido e criado, por exemplo, na Mouraria, amante do nosso clube (conheço muitos, e que nunca saíram do bairro) se sente quando abre um blog, um jornal e é insultado de tudo por um consócio? Ou, já agora, que devo dizer aos meus filhos, nascidos e criados em Lisboa, quando os seus irmãos (poucos, repito) portistas lhes chamam tudo e mais alguma coisa?

Há muito mundo, muita comida, muitos montes, muitas cidades, muitos sacanas, muito boa gente. FC Porto só há um.

06 setembro, 2012

Deixe a camisola

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Andei a deitar foguetes antes da festa. Sexta-feira convenci-me que íamos ficar com o Hulk. Até à meia-noite achei que era impossível ficarmos com o rapaz. Como é que arranjávamos dinheiro para lhe pagar? Como era possível continuarmos a ter um dos melhores jogadores do mundo?

Sábado foi uma alegria. Convenci-me que o nosso plantel ia ser mesmo um dos melhores de sempre, e a minha única dúvida era se o nosso treinador teria unhas para tão fantástica guitarra. Ok, faltava fechar o mercado na Rússia, mas, por amor dos santinhos, o Hulk, um jogador capaz de chegar à Inglaterra e ser o melhor ia para um campeonato em que uma das maiores vedetas é o Danny? Não, não era possível. Enganei-me. Esqueço-me mais vezes do que a minha idade poderia prenunciar que o dinheiro é rei e que contra ele pouco ou nada se pode fazer.

Deixai-me fazer um enorme parênteses para que vos possa dizer que é nestas alturas que mais fico de pelo eriçado quando me chamam à atenção por de vez em quando criticar jogadores, treinadores e mesmo dirigentes. Ora badamerda, eu não conseguia, por muito rico que me fizessem, sofrer por outro clube, eu era incapaz de cobrar um tostão que fosse ao FC Porto, eu correria por esse país fora atrás do FC Porto se ele estivesse na terceira divisão, eu preferia lavar ruas a trabalhar para outro clube e há gente capaz de me chamar à atenção por criticar tipos que hoje estão aqui e amanhã, por um prato de lentilhas, estão noutro lado qualquer? Sábado, numa pequena discussão que tive no facebook escrevi que gosto demasiado do meu clube para não criticar quando as coisa não me agradam.

Bom, em frente que atrás vem gente. Lá se foi o Hulk. Sempre se portou bem, prestigiou a camisola que vestiu e mostrou ter merecido vesti-la. É passado.

Mas, tal como no ano passado, não fomos previdentes. O Falcao saiu e nós não tínhamos plano B e este ano é a mesma coisa (e dois anos atrás o treinador tal e coisa). Isto de vender jogadores em cima do gongo não é avisado nem nunca será a não ser que se tenham já prevenido as situações ou se as cláusulas forem batidas mesmo.

De toda a forma temos, de longe, o melhor plantel do campeonato, e digo-o sem qualquer tipo de reservas. Claro que uma equipa que fica sem o Hulk tem de reaprender muita coisa, tem de mudar o seu tipo de jogo. Jogadores como o Deco, o Falcao, o Jardel, marcam decisivamente uma equipa. O treinador vai ter um papel vital neste processo, mas que tem matéria para trabalhar lá isso tem. E, obviamente que sem o Hulk a pressão para a Champions diminui consideravelmente. Nem eu, que acho que o Porto tem sempre de ganhar, peço mais que a segunda fase, e, e...

Ouvi muitas coisas nestes últimos meses sobre a situação financeira do nosso clube. Como não sei de ciência certa não me vou alargar. Confesso apenas uma incompreensão e deixo um desejo. O Porto só nos dois últimos anos fez vendas de mais de cem milhões de euros. Como é possível estar a viver dificuldades? O meu desejo é que não se desbaratem estes 40 ou 50 milhões mais os do Guarin e do Pereira. Como podem perceber, não peço muito.

Vamos lá ao Tri. Até os comemos.

09 agosto, 2012

O amor não mete férias

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Armado em comentador de futebol, mister para o qual não tenho talento nenhum, estive no Dragão para o jogo de apresentação do nosso mui amado Porto. A TSF pediu, e à melhor rádio do mundo não se pode dizer que não.

Do jogo, que não fugiu ao tipo joguito de pré-época, não desgostei. Temos ali uma belíssima equipa: o miúdo Atsu já é um jogador extraordinário, e se não começarem a brincar com o talento do rapaz vai ser do outro mundo; o Jackson é, sem um pingo de dúvida, um excelente ponta de lança e vai fazer-nos esquecer o Falcao. O resto da rapaziada está bem e recomenda-se. Aquela equipa com o Alex e o Danilo vai ser um caso muito sério.

Quanto ao Hulk e ao Álvaro, se ficassem no plantel éramos sérios candidatos a ir muito longe na Champions, mas as coisas são como são. Sairão e não da melhor forma. O mercado estragou-se, nada que tenha a ver com o futebol, todos o sabemos. Isso é flagrante no caso do Hulk, e ninguém se surpreenda se o virmos sair por uma verba muito abaixo do que todos esperávamos. Quanto ao Álvaro não custa nada admitir que os nossos dirigentes estiveram mal. Por uma teimosia não o vendemos por muito dinheiro quando toda a gente sabia que nunca mais iríamos ter esse tipo de oferta.

Houve coisas, porém, dentro e fora do campo que não me fizeram regressar ao sul na melhor das disposições. Nada de preocupante diga-se, mas, a bem da verdade, incomodaram-me. Então o Iturbe é uma aposta séria ou não? É que se é não se compreende que se ponha o rapaz em campo a dois minutos do fim e só porque o Sereno se lesionou. Dispensa-se o Addy (que é um bom jogador, disso ninguém tenha dúvida) e fica-se só com o Alex para a esquerda? Será que vamos regressar à sina de comprar a correr um tipo qualquer por uma fortuna por não termos solução? A ver vamos. Também não compreendo a situação do Bellushi, e essa acho inexplicável. Temos poucos jogadores para o meio-campo (nem me vou dar ao trabalho de explicar o óbvio desta afirmação) e dispensamos ou vendemos por meia dúzia de patacos um jogador da qualidade do argentino? Será que é para comprar um rapaz qualquer por 9 ou 10 milhões que depois percebemos que é pior dos que cá tínhamos? Para quem anda esquecido, o rapaz foi decisivo num campeonato e numa Liga Europa. Estou mesmo para ver quem vamos comprar para o meio campo...

Jurei a mim próprio que não ia falar do fim do basket com ninguém, mas encontrei muita gente que me veio falar do assunto e não fui capaz de assobiar para o lado. Não gostei, não gostei mesmo. Não é que seja fã do jogo (do praticado em Portugal) mas a coisa foi muito mal explicada e encerramento de secções é coisa típica dos nossos rivais, não nossa.

Também não gostei de ouvir rumores sobre dificuldades financeiras. Devem ser mesmo boatos. Não é possível que um clube que tem feito o dinheiro que tem feito esteja com problemas financeiros. Repito: não acredito. Mas, claro, o amor ao meu clube é demasiado grande para que estas coisas não me preocupem.

Bom, vamos mas é comê-los e papar já a primeira taça no Sábado. E depois há um campeonato e uma Champions para ganhar.

Ia desejar boas férias, mas o amor pelas nossas cores não mete férias.

12 julho, 2012

Maldita pré-época

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Para um tipo cuja profissão é dar opiniões não há nada pior do que ter de admitir que não tem assunto.

Um tipo pega nos jornais desportivos e, nesta altura do ano, já sabe o que encontra: os nossos rivais, ou já contrataram os melhores jogadores do mundo ou estão prestes a contratá-los; o presidente duma agremiação ali para os lados de Carnide garante que o campeonato, a liga dos campeões e o torneio inter-galáctico já estão no papo; os simpáticos de Alvalade, bom, continuam simpáticos e levam-nos ás lágrimas com umas bravatas e uns rapazes que se divertem a depositar dinheiro em contas alheias, mas que são muito sérios, muito nobres e muito honrados. Depois, olha para os mesmíssimos comentários de pré-época com as mesmas previsões de sempre e os mesmos desejos de insucessos para o nosso clube, para os imbecis que passam a vida a dizer mal do futebol português e se esquecem que é, provavelmente, a única actividade em que Portugal tem alguma coisa de significativo para mostrar.

Pois é, não tenho assunto. Ainda pensei em mostrar a minha irritação por ter quase a certeza de irmos começar a época sem um único jogador português na nossa equipa principal. Em, para ser do contra, lembrar que a nossa formação não nos põe um jogador na equipa titular há demasiado tempo. Mostrar a minha preocupação por estarmos quase a começar a época e ainda não termos, nem de perto nem de longe, o nosso plantel definido. Mas, que diabo, o nosso clube não tem sido gerido propriamente com os pés: o nosso Porto é o clube que melhor foi gerido, no mundo inteiro, nos últimos anos. Se nós não dermos o beneficio da dúvida, quem pode dar?

Li a crítica ao jogo contra o Servette e parece que o Atsu não engana. A mim nunca me enganou: está ali um grande jogador, mas cheira-me que vai ser emprestado ou coisa do género. Porra, mas também não me apetece chatear-me a falar de jogadores que são da nossa formação, que são muito melhores do que uns tipos com quem gastamos uns milhões, e que depois são desperdiçados no Chipre ou em clubes de terceira categoria. Também não estou mesmo com pachorra para pensar por que diabo temos oito guarda-redes sob contrato.

Estou mesmo sem assunto. Odeio pré-épocas, nunca ganhamos nada nesta altura. Deve ser disso.

22 maio, 2012

17 maio, 2012

No país que odeia vencedores

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Caros Amigos,

Escrevi este texto para a minha coluna do Diário de Noticias aquando das comemorações do trigésimo aniversário da presidência de Pinto da Costa. Queria deixá-lo também neste espaço que é onde, na minha opinião, deve estar.


    "Jorge Nuno Pinto da Costa completou na última terça feira trinta anos como presidente da mais bem sucedida instituição portuguesa da nossa história recente: o Futebol Clube do Porto. 
    Em nenhum sector de actividade uma organização conseguiu sequer aproximar-se do desempenho nacional e internacional do clube nortenho. Até o mais distraído dos cidadãos não ignora as sistemáticas vitórias do Futebol Clube do Porto no plano interno em todos os desportos profissionais ou semi-profissionais e os êxitos retumbantes a nível internacional. Desde 1964, o único clube de futebol português a ganhar provas europeias e mundiais foi o FC Porto. Ganhou sete, batendo-se de igual para igual com clubes representativos de cidades e países com muitíssimas mais capacidades financeiras e com uma capacidade de recrutamento de jogadores e treinadores quase ilimitada – não vale a pena perder tempo referindo os campeonatos e taças dentro de fronteiras, o espaço nesta página é demasiado pequeno.
    A pergunta impõe-se: que empresa portuguesa, que instituição, foi a melhor da Europa, no seu ramo de actividade, por duas vezes ou, pelo menos, chegou perto disso nos últimos trinta anos? Pois...
    Os sócios e adeptos do FC Porto, o desporto português e a comunidade portuguesa devem todos esses feitos a uma pessoa: Pinto da Costa. Claro que nenhum homem sozinho seria capaz de tão espantosa obra, mas foi, de facto, ele o grande motor, o grande líder duma das mais extraordinárias histórias de sucesso duma organização portuguesa.
    Pinto da Costa é, sem sombra de dúvida, o mais brilhante gestor português e, no seu sector, um dos melhores do mundo se não o melhor (é o presidente dum clube, no mundo inteiro, com mais títulos ganhos). Em qualquer país que não estivesse minado pela inveja, que não vivesse obcecado pela intriga e não odiasse vencedores, o Presidente do FC do Porto seria um autentico herói nacional. O exemplo de alguém que com parcos recursos, liderando uma organização originária duma região pobre da Europa, conseguiu, à custa de trabalho, capacidade de organização e uma dedicação sem limites transformar um clube como muitos outros num dos maiores do mundo seria estudado, promovido, glorificado. Não é em vão que por esse mundo fora o FC Porto e o seu presidente são homenageados e vistos como autênticos fenómenos. Mas, em Portugal, quanto maior for o sucesso, maior será o ódio, maior será o desprezo, e, claro está, Pinto da Costa é o alvo de toda a desconsideração, de toda a infâmia, de toda a calúnia." 

Desenganem-se os que acreditam que a razão para tanta falta de respeito pela obra realizada se deve exclusivamente à paixão que rodeia as coisas do futebol, ao facto dum clube com menos adeptos que os seus rivais lhes ganhar sistematicamente, ás tomadas de posição muitas vezes duras do presidente ou ao discurso exageradamente regionalista. Terão essas razões algum peso, mas estão longe de ser as fundamentais. Pinto da Costa é invejado e odiado porque ganha. E ganha porque sabe mais do seu ofício, porque trabalha mais, porque sabe organizar melhor a sua empresa. Mas isso no nosso país pouco conta. Toda a gente sabe que se alguém é rico é porque roubou, se alguém tem um bom contrato é porque tem cunhas. Porque seria diferente com Pinto da Costa?

O sucesso em Portugal nunca serve de exemplo, nunca leva as pessoas a quererem fazer melhor, a trabalharem mais, a serem mais empenhadas.

Como dizia um meu bom amigo benfiquista, em Portugal só no futebol se fazem declarações de interesses. Sou sócio do FC Porto. Estarei eternamente agradecido a quem me proporcionou tantas alegrias e me fez quase arrebentar de orgulho por ser portista e português. Mas isso, para o tema, pouco importa. É quase patético ter de anunciar a minha condição de adepto dum clube apenas porque se reconhece a obra de alguém ímpar na nossa comunidade, de alguém que honrou o nome da cidade do Porto e de Portugal.

Muito obrigado Sr. Pinto da Costa.

22 março, 2012

Prioridade? Prioridade é a árvore sem v

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Vamos lá ver se a gente se entende, não há taças de segunda nem de primeira, não há cá prioridades nem meias prioridades. Quando o Porto entra em campo é para ganhar, seja a taça dos cantoneiros de Almoçageme ou a Liga dos Campeões. Não há coisa que me faça eriçar mais os pêlos do meu redondo rabo que a converseta de taças maiores ou mais pequenas, de objectivos disto ou daquilo. Quero lá saber se entra o António ou o Francisco, quem entra em campo não são nomes são as camisolas, aquelas azuis e brancas com o mais sagrado estandarte ao peito. E quem as veste entra para as deixar a pingar de suor e de sangue, se preciso for. Não admito, não admito mesmo, que se diga que uma competição é secundária, mesmo que isso seja estratégia de comunicação ou tenha um objectivo qualquer. Podemos perder, é futebol, mas encolher os ombros e logo se vê não. Mil vezes não.

Como dizia o outro, vocês sabem do que estou a falar. Não posso conceber esse tipo de discurso vergonhoso, mas vamos imaginar que me dava um ataque de moleza, que uma bruxa me rogasse uma praga e eu acordasse com uma costela adepta do Oriental ou do Forno de Algodres FC, desse um suspirinho e pensasse cá para os meus botões “eh pá, estamos na Liga dos Campeões, temos a meia final da taça de Portugal, o campeonato está difícil, os jogadores vão para a selecção, que se lixe a Taça da Liga”. Bom, nesse caso não deixava entrar em campo. Mas, estando mesmo transviado dos carrapetos admitia mesmo perder um jogo. Pronto, todos temos uma fraqueza. Agora, não estar em mais nenhuma competição que não seja o campeonato, ver a patética figura que a nossa equipa fez com a Académica e depois dizer que um jogo não é importante é gozar com a nossa cara.

Não há bela sem senão, porém. Já mandei fazer a T-shirt comemorativa da vitória neste campeonato. Seria impensável passar a vergonha de sair de todas as competições nesta altura da época para nos focarmos na “prioridade” e depois não a conseguir. É que não faltava mesmo mais nada.

24 fevereiro, 2012

Badamerda

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/


O Almirante Pinheiro de Azevedo passou à história não só por ter sido Primeiro-Ministro de Portugal numa época especialmente conturbada, mas também por ser autor de algumas expressões que ficaram para o léxico cá do burgo. Uma delas terá sido, numa altura em que ficou preso na residência oficial em São Bento, a célebre “não gosto que me sequestrem, sei lá, é uma coisa que me chateia”.

Quando ouvi o nosso treinador dizer que tínhamos feito um grande jogo em Manchester pensei “não gosto que gozem comigo, sei lá, é uma coisa que me chateia”. Confesso também que soltei uma das expressões favoritas do grande Almirante “olha pá, badamerda”.

Eu não sei que clube o Vítor Pereira pensa que treina, mas eu informo-o: é o F.C Porto, e um treinador do Porto, depois de levar quatro, não diz que fez um grande jogo. Que o treinador do Marrazes numa visita ao Dragão leve um cabaz e diga que fez um grande jogo, é compreensível, que o líder do F.C. Porto, um clube que já ganhou 7 provas europeias e 26 campeonatos nacionais, se alegre com o facto de sair humilhado dum campo dum clube que ganhou uma taça europeia, que até já nem existe, não se entende. Ou melhor, entende-se: fica claro que ou teve umas frases infelizes e portanto devia pedir desculpas pelas ter dito, ou, pura e simplesmente, não tem dimensão para ser treinador dum dos maiores clubes do mundo. E, atenção, um acidente pode acontecer. Sabe Deus que não é o primeiro, mas não tenho memória dum treinador do Porto papar quatro ou cinco e dizer que a equipa fez um grande jogo.

Alguém de direito devia dizer também ao Vítor Pereira que no futebol ganha quem marca golos, quem gosta de notas artísticas vê patinagem sobre o gelo ou mergulhos para a piscina.

Eu sei que não se pode ganhar todos os anos, eu sei que não se pode fazer sempre grandes exibições, sei perfeitamente que esta época não é a pior, longe disso, a que já assisti, mais, o campeonato está em aberto, e eu como eterno crente acredito que ainda vamos ser campeões. Mas, porra, estou farto de humilhações: três secos em Coimbra, eliminação ás mãos do poderoso Appoel e agora levar 6 a 1 do Manchester City. Já chega.

Já sei, é verdade, estou irritado. Pior, estou triste. Mas eu sou Porto até à raiz dos cabelos que não tenho, não admito que me digam depois de ser humilhado que os meus jogaram bem. Badamerda.

26 janeiro, 2012

Ainda falta muito

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/


Não há nada como uma boa exibição do nosso clube para nos pôr bem dispostos. Esquecemos tristezas anteriores, os maus jogos passam a ser uma recordação distante mesmo que tenham sido uns dias antes, o futuro parece logo risonho e adivinham-se logo grandes vitórias.

Para quem faz o que eu faço, escrever e falar sobre um tema tão pouco interessante como a política, estes momentos de entusiasmo são muito parecidos coma as declarações que me pedem para fazer “a quente”, quando não tenho tempo para pensar no que está por trás do fenómeno sobre o qual me pedem opinião, quando analiso o acto em si e não o processo, as implicações, as causas ou as consequências. Falo o melhor que posso, tentando naqueles minutos ser frio e objectivo, mas, sabe Deus, o que por vezes me arrependo de dizer o que disse.

Com a escrita é diferente. Olho para a folha em branco e vou alinhando os meus argumentos, pensando nos porquês. Não poucas vezes começo a escrever julgando que vou defender isto ou aquilo e depois dumas linhas percebo que estou errado ou que devo ir por outro lado. Costumo dizer que as minhas opiniões mais fundamentadas, mais ponderadas, são as escritas, e por uma razão muito simples: tive tempo (bom, algumas vezes também não, mas isso é outra história) para pensar e porque os meus dedos pensam melhor que a minha boca.

Antes que os meus amigos me mandem para aquela parte por vos estar a fazer perder tempo com os meus dramas pessoais, vem isto a propósito do último jogo com o Guimarães. Foi porreiro, melhor jogo da época e tal. Pois, também achei essas coisas todas, mas, com todos os diabos, mal estamos quando fazemos a melhor exibição da época no primeiro jogo da segunda volta e, convém não esquecer, a liga dos campeões e a taça já lá vão. Ou seja, esta exibição foi a excepção e não a regra.

De toda a forma, fizemos um bom jogo. Convém, porém, não esquecer que o nosso lado direito foi inexistente e que o nosso ponta de lança (já não foi mau termos jogado com um) vai ser um excelente jogador mas ainda não é homem para jogar de inicio num clube de top mundial como é o FC Porto. Também não será despiciente recordar que o Álvaro a fazer piscinas daquela maneira um dia destes arrebenta, que o Maicon é muito bom defesa mas não é com um defesa direito que não vai uma vez que seja à linha que ganharemos a equipas mais fortes que o Guimarães.

Os copos celebratórios de depois do jogo não me caíram bem quando me recordei do miserável jogo que fizemos contra o Sporting e sobretudo de me lembrar da falta de ambição e vontade com que o encaramos.

A verdade é que temos de fazer muito mais, muito melhor e sermos muitíssimo mais consistentes para pensarmos em beber o champagne em Maio.

O que fez de nós o que somos foi sermos exigentes com os nossos e não embandeirarmos em arco com uma exibição qualquer ou por um jogador chegar ao nosso clube por muito bom que seja. A minha fé no Porto, treinado por este ou aquele, tendo os jogadores sicrano ou beltrano, é inquebrável. Eu grito, sofro, choro, pelas nossas camisolas, pelo nosso estandarte eterno, e como sou o mais fiel dos amantes ao meu grande amor exijo-lhe o mesmo. Mas no amor não pode haver ilusões e eu não deixo que o amor me cegue. O que até agora vi não chega, longe disso.

29 dezembro, 2011

Balanços

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Balanços, não há nada que eu goste menos de fazer. É maçador reviver o passado, confrontarmo-nos de novo com assuntos que já arrumamos. Algumas vezes o passado alegra-nos, outras entristece-nos, mas a verdade verdadeira é que já não o conseguimos mudar e isso, quando somos exigentes com nós próprios, deixa-nos sempre um, por pequeno que seja, gostinho amargo na boca. E, no entanto, não se podem deixar de alinhar os números, os factos, aquilo que correu bem e aquilo que correu mal.

São precisos para tudo os sacanas dos balanços, mas a sua principal utilidade é construir memória. E a memória é a mais importante coisa da nossa vida. Sem ela não somos rigorosamente nada. Nós somos aquilo que recordamos.

Toda esta conversa para falar do ano futebolístico que passou. Bom, não só. As saudades de escrever neste espaço que tanto estimo, que partilho com os meus irmãos portistas já era muita, e entre a alegria de voltar a falar-vos e a necessária contenção para não vos enfiar um texto de quatrocentas páginas sobre a minha irritação com a primeira parte da época de 2012, decidi refrear-me com umas bocas iniciais sobre balanços e memória para que eu próprio tenha noção de que 3 meses de andorinhas não fazem cento e tal verões de dragões.

Claro está: não vou tentar que puxem do cigarrinho comemorativo e enfiar-vos uma estucha de factos sobre o que foi 2011. Está tudo dito: foi fantástico, maravilhoso, lindo, 5 a 0, taças, campeonatos e tal e coisa. Correu tudo bem. Ficamos todos contentes, orgulhosos, talvez o melhor ano de sempre da história do Porto. Já foi.

Bola ao centro.

“It is one thing to fear that a good system may not be able to maintain itself; it is quite another to lose faith in that system altogether”. A frase é dum historiador inglês recentemente falecido, Tony Judt. Ele escreve esta frase acerca da mudança de sistemas políticos e económicos, mas serve bem para o FC Porto de hoje. Pois, se calhar estou mais interessado em fazer o balanço destes últimos meses... Os meus caros amigos devem agora estar a pensar: “o animal do careca bem podia falar futebolês e deixar-se de se armar aos cucos”. Ok: em equipa que ganha não se mexe. Há uma explicação para não o ter feito: não é a mesma coisa.

O que o Judt queria dizer é que um sistema que já provou, que deu resultados, que se mostrou coerente merece sempre mais uma oportunidade antes de ser deitado fora. Pode ser que não se consiga manter, mas antes de ser mudado tem que se provar que já não é bom. As revoluções fazem-se quando já nada mais parece funcionar, não quando ainda funcionam em pleno. Até lá vai-se reformando.

Só quem não viu jogar o Porto é que não percebeu que se quis mudar tudo e mais alguma coisa. Como se o autor dessas mudanças tivesse medo da herança do passado, como se quisesse mostrar que também sabia esquemas tácticos diferentes, como se receasse que alguém dissesse que estava tudo igual. Isto tem nome: insegurança.

Pode ser que a equipa deste ano se transforme numa máquina de jogar à bola - nada me daria mais alegria – mas a merda da revolução já nos custou uma ida à segunda fase da Liga dos Campeões, e não foi contra o Real ou o Barcelona que jogamos, e uma Taça de Portugal de forma humilhante. Talvez tivesse acontecido se o sistema se tivesse mantido. Talvez. Mas só aí é que se devia ter feito a tal revolução, nunca antes.

Venha de lá esse campeonato, mas convém lembrar estes meses. Mudar por mudar sempre deu disparate. É um velho conservador que vos diz. Abraço.

03 novembro, 2011

É agora

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

O que se passou ontem não pode ser encarado como um acontecimento extraordinário. Quem tem visto o Porto jogar sabia, lá no fundo, que isto podia acontecer. E esse é que é o grande problema. Um jogo mau pode suceder a qualquer equipa, quando se joga sistematicamente mal corre-se um risco muitíssimo maior de perder.

O que temos visto é uma equipa sem liderança, sem ideias, sem táctica, sem ambição, sem rasgo e sem o mínimo de capacidade de reacção. Todos vemos isso. Bom, todos não. Ouvi o nosso treinador falar do jogo com o Appoel e percebi que esteve a acompanhar outra equipa qualquer, e, infelizmente, não é a primeira vez.

Neste momento a questão é muito simples: acreditarão os dirigentes do Porto que alguma coisa vai mudar? Se acreditarem estão sozinhos nessa convicção.

Já vi este filme, graças a Deus poucas vezes no Porto. O caminho é sempre a descer. Se uma equipa chega a este momento sem fio de jogo, desmotivada, descontrolada, não vai por artes mágicas dar um salto de qualidade. Se for para fazer alguma coisa, se há vontade de tentar ganhar o campeonato, vencer os dois jogos que faltam na Champions tem de se agir agora, já, amanhã.

Não se pode fingir que não se viu o jogo de ontem. É um jogo que tem de ficar na nossa memória, que não podemos esquecer. Sim, é a conclusão lógica do que tem sido o nosso futebol, mas é muito mais que isso. Olhar para os nossos jogadores e vê-los perdidos, a correr que nem baratas tontas, com medo do terrível Appoel foi demasiado humilhante, foi um soco na nossa auto-estima e, muito pior que isso, manchou-se a história do clube.

Tenho ouvido muito a história, e eu já a defendi não me importo de o admitir, que há jogadores aborrecidos porque não os deixaram sair, que é normal haver desmotivação depois duma época tão brilhante. Muito bem. Adivinhem os meus amigos quem tem de os pôr a correr, quem tem de os motivar, quem tem de os espicaçar, quem tem de lhes dar ambição?

Escrevo a quente, admito. Mas eu vi o jogo contra o Benfica, contra o Feirense, contra o Appoel, fui a San Petersburgo. Assisti ás goleadas contra o Nacional e contra o Paços e saí desconsolado. Repito, já vi este filme e o fim nunca muda.

Ou é agora ou vai ser um ano de muito, muito sofrimento. Odeio perder, mas odeio muito mais perder sem fazer tudo para ganhar.

06 outubro, 2011

Só uma historinha

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Um treinador de futebol estava a passar uns momentos difíceis. A equipa não estava a jogar ao nível a que tinha habituado os adeptos, os resultados não estavam a ser os melhores, e, claro, havia já quem pusesse em causa a capacidade do homem. Os sempre bem intencionados devotos do clube argumentavam que este ou aquele jogador devia ser titular, outros diziam que o outro não devia ser convocado; que a equipa devia jogar mais à defesa ou mais ao ataque; o sistema devia ser este ou aquele. Enfim, o costume.

O treinador, ainda não totalmente habituado a lidar com a pressão de treinar um grande clube, andava preocupado. Provavelmente por isso enganou-se aqui e ali.

O Presidente chamou-o para uma reunião. Estavam presentes o Presidente e mais seis responsáveis pelo clube. Lá se deram início aos trabalhos e a cada um dos presentes foi entregue uma folha. O Presidente pediu para que cada um escrevesse no papel qual devia ser a equipa ideal e a táctica que devia ser utilizada.

Recolhidas as folhas, foram entregues ao treinador. O homem olhou para as sete equipas e, cada vez mais confuso, desabafou: “mas ó Presidente, são todas diferentes!”. O Presidente tirou as folhas da mão do treinador e, lentamente, rasgou-as todas. “Pois são, Mister. É por isso que precisamos de si”.

Era só isto. Um grande abraço caros amigos e consócios.

22 setembro, 2011

Apenas um mau dia

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Não gostei do jogo do Porto contra o Feirense. Verdade seja dita, nunca gosto de jogos em que o Porto perde pontos, mas aquilo demasiado mau. Vi muitos burgueses em campo e poucos trabalhadores. Para o caso de andarmos esquecidos convém lembrar que os jogos ganham-se com muito trabalho e um bocadinho de inspiração. O problema é que não há inspiração sem trabalho.

Depois, incomodaram-me as invenções. Já vi em trinta e tal anos de consumo intensivo de futebol uma boa dúzia de jogos, mas nunca tinha visto um clube que luta para ganhar tudo jogar 45 minutos sem ponta de lança. Pois claro, futebol moderno. Futebol moderno uma porra. Ah pois, o Barcelona também joga sem ponta de lança. Está bem abelha. Poupo-me a explicações sobre ter ou não ter o Messi ou o Villa no plantel ou ter um meio campo com o Xavi e o Iniesta.

Vai fazer muito bem à moral do Kleber – grande jogador e que nos vai dar muitas alegrias – ter sido retirado ao intervalo num jogo em que era obrigatório ganhar, optando o treinador por prescindir dum ponta de lança. Assim como dizer: “prefiro não ter um avançado a lá ter este gajo”. Quem também deve estar um bocadito confuso é o Walter. Se num jogo destes não se dá uma oportunidade ao rapaz, vai-se dar quando? Se contra o Feirense, com o Kleber a jogar mal, sem o Hulk e a precisarmos de marcar, o Bigorna não sai do banco, que diabo ficou a fazer o moço no plantel?

E a rotação? Só ouvir a palavra e fico logo com os nervos em franja. Rodar a equipa depois de seis ou sete jogos? Cada vez mais esta história da “rotação” me cheira a insegurança. Ás vezes fico com a sensação de que existe uma espécie de obrigatoriedade em colocar jogadores em campo apenas porque o seu estatuto não permite tê-los no banco ou na bancada.

Pronto, foi só um mau dia. Todos temos maus dias. Continuo a profundamente acreditar que o Vítor Pereira é um grande treinador, que o plantel é dos melhores que já tivemos e que o que se passou no último domingo não se repetirá. Mas se não formos exigentes com os nossos, vamos ser com quem?

Sexta-feira lá estarei e se não puderem ser cinco, três chegam perfeitamente.

14 julho, 2011

As vitórias são nossas, só nossas

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Eu de pré-épocas só falo no fim do campeonato. É uma mania minha, pronto. Não quero saber de vedetas de primeiras páginas de jornais, são-me absolutamente indiferentes os rapazes que chegam e dizem que são dos clubes desde pequeninos, dá-me comichão ler os relatos da esplêndida forma do jogador x e da fome de bola do y, desprezo os veranegios e os guadianas. Quero que se lixe. Quando começar o futebol a sério os jogadores do meu clube são excelentes até prova em contrário, o meu treinador é um génio até que disparate.

Não, não sou daqueles que se abstém de criticar os seus. Um rapaz que tenha a honra de vestir a mais sagrada camisola tem de ser o melhor, o mais honrado, o mais lutador. Não sou ceguinho, nem tenho por hábito dizer bem porque sim. Se não formos exigentes com os nossos, com quem seremos?

Mas criticar não é sinónimo de desrespeitar. Longe disso. O Mariano Gonzalez foi um dos maiores flops futebolísticos dos últimos tempos, mas saiu pela porta grande. Enquanto envergou o nosso jersey, honrou-o. Não foi capaz de melhor, pronto. Lutou, fez o melhor que podia mas, claramente, não tinha as capacidades físicas ou psicológicas para jogar pelo nosso clube. Por outro lado, um garoto que teve a sorte de treinar o nosso clube, tinha excelentes qualidades mas não respeitou a nossa casa. E no fim, quando se fazem as contas, fica na nossa memória quem nos amou e não quem nos desprezou.

Nenhum deles, porém, levou os campeonatos e as taças. Os títulos são nossos, não são de mais ninguém. Nas taças está o nome que também está escrito no nosso peito: Futebol Clube do Porto. Mais nenhum. Nem de jogadores, nem de treinadores, nem de dirigentes.

É na nossa casa que estão os troféus, ali entre a mesa de jantar e a escrivaninha. Somos nós os vencedores, somos nós os orgulhosos proprietários dos títulos. Choramos com as derrotas e cantamos com as vitórias, ninguém nos tira as nossas lágrimas e as nossas alegrias. São nossas, só nossas. Debaixo do nome do nosso clube está o nome do Lucho (o escriba), da Mafaldinha, do Domingos (o meu filho), do Sebastião, do bLuE bOy, do Antas, do Dragon Soul, do Rocha, do Tripeiro, do Saraiva, do Azul Forte e de tantos, tantos outros, que tiveram a sorte de ter nascido com o sangue duma só cor: azul e branco. Obrigadinho a quem nos serviu, mas não partilhamos as nossas vitórias com ninguém.

É por essas e por outras que eu e todos os portistas temos o direito e mesmo o dever de criticar. Ás vezes há quem não entenda que quando criticamos este ou aquele jogador, este ou aquele treinador estamos a fazer exactamente isso: a criticar um jogador ou um treinador. Nunca mas nunca a nossa mais profunda paixão. É verdade, o amor pode ser traiçoeiro. Tantas vezes somos encandeados por essa luz, mas não nos interpretem mal que nos ofendem. Seremos sempre os primeiros a dar a mão à palmatória se formos injustos.

Nós podemos falar do que é nosso, nós somos Porto. O resto não interessa.

ps - não vou maçar até dia 15 de Agosto. Nessa altura já teremos conversa para pôr em dia. Boas férias!

30 junho, 2011

Nós não estamos à venda

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

1. Esta é a parte do ano mais feliz para os nossos rivais. É agora que levamos humilhantes goleadas, que os nossos rivais se transformam em colossos do futebol mundial, que ficamos reduzidos à nossa imensa insignificância. É agora que o Vítor Serpa pára no peito, passa para o José Manuel Delgado que envia em profundidade para o Magalhães que faz uma triangulação com o Gomes da Silva e o António Pedro para um golo de cabeça da Leonor Pinhão.

É por esta altura que o Benfica e o Sporting contratam misturas de Maradona e Messi, que os seus treinadores são aclamados como deuses, que se passam cheques pré-datados com os proveitos dos ganhos futuros, que os Presidentes desses clubes anunciam décadas de hegemonia no futebol mundial.

Confesso, é divertidíssimo chegar ao café onde paro e ver os meus amigos a anunciar-me o fim iminente das vitórias do Porto, “este ano é que é Pedro, acabou-se a festa”. Todos os anos é a mesma coisa. Os jogadores e treinadores que até aqui há atrasado eram uma porcaria e que só ganhavam com os favores dos árbitros, da santa da Ladeira, das lentilhas com molho de gengibre, transformados em génios mal assinam por outro clube qualquer.

Coitados, divirtam-se muito, é que já só faltam meia dúzia de semanas para andarem de monco caído.

2. Ah, um tipo que se dizia portista fugiu para um clube sem um único título europeu e com dois ou três campeonatos que tem uns dirigentes convencidos que uma instituição se faz comprando tudo e todos. Não sabem que a alma, a vontade, a garra, o amor a um emblema não se vendem, nem compram. O que faz um grande clube somos nós e nós não estamos à venda. Mas eu para garotos inseguros e sem palavra não tenho tempo nem paciência. Só espero que jamais conspurque com a sua presença o nosso estádio.