Realiza-se hoje, pelas 11 horas, em Nyon (Suíça), o sorteio dos quartos-de-final e das meias-finais da Liga dos Campeões 2008-09. Será um momento a seguir com enorme expectativa por todos os portistas, em que ficaremos a conhecer quem teremos de defrontar no caminho para Roma, a bela cidade que acolherá a grande final da competição. Ficarão estipulados não apenas os jogos dos 'quartos', como também os das 'meias', consoante as equipas que conseguirem seguir em frente. Como os possíveis adversários são, inevitavelmente, de peso, é tempo de nos concentrarmos, para já, nos quartos-de-final, tendo consciência que somos o único clube não pertencente aos principais colossos do Velho Continente, mas honrando sempre a nossa história, feita de capacidade de sonhar, empreender e realizar.
Manchester United, Liverpool, Chelsea, Arsenal, Barcelona, Villarreal ou Bayern Munique, é com um destes que mediremos forças, em dois jogos que se esperam empolgantes, a 7 ou 8 de Abril e 14 ou 15 do mesmo mês. Na última semana, esteve aqui no blog, à consideração dos nossos leitores, uma votação em que era escolhido o adversário preferido para nos calhar em sorte nos quartos-de-final. Foram registados ao todo 418 votos, cuja distribuição pelas sete alternativas foi a seguinte: 196 votos para o Villarreal (47%), 108 para o Bayern Munique (26%), 43 para o Arsenal (10%), 31 para o Manchester United (7%), 17 para o Barcelona (4%), 15 para o Chelsea (4%) e, por último, 8 para o Liverpool (2%). Tais resultados induzem uma preferência da generalidade dos portistas mediante o grau de dificuldade esperado que cada equipa acarretará, pelo menos no plano teórico; os oponentes são tanto mais desejados quanto menor parece ser a dificuldade teórica de os eliminar. Faz sentido.

Eu, pessoalmente, votei no Bayern Munique, que vem de inflingir ao Sporting a maior humilhação europeia da sua história. Olhando para os possíveis opositores, penso que Manchester United, Barcelona e Liverpool seriam os piores possíveis e Villarreal, Bayern Munique e Arsenal os que, porventura, nos permitiriam sonhar com mais altos voos, surgindo o Chelsea numa posição intermédia. Com a excepção do Chelsea, que aparece no lugar de segundo menos desejado, os restantes resultados da votação vão de encontro ao que é a minha ideia acerca dos obstáculos que cada equipa nos poderá colocar.
O Liverpool parece ser o adversário menos desejado e recolheu apenas 8 votos. A isto não será alheia a recente demonstração de poder dada pelos comandados de Rafael Benítez, nomeadamente os 5 golos sem resposta com que despachou o Real Madrid da Champions, e a goleada por 4-1 em Old Trafford para a Premier League. Os 'reds', não obstante demonstrarem ao longo dos anos, muitas dificuldades a nível interno, são uma equipa fortíssima em competições europeias, fazendo valer o seu modelo baseado na enorme capacidade defensiva, nas transições atacantes rápidas e no aproveitamento letal dos erros contrários. À imensa qualidade do treinador, acrescem jogadores da estirpe de Torres, Gerrard, Xabi Alonso ou Mascherano. Individualmente, não são a equipa mais forte, mas em termos colectivos mostram-se insuperáveis. Claramente a evitar, não só porque raramente nos damos bem com o futebol inglês, mas também porque a última experiência em Anfield Road foi muito negativa.
O Chelsea, com 15 votos, aparece logo a seguir nas equipas mais indesejadas, surpreendentemente à frente de United e Barça. Enquanto foi orientada por Luíz Felipe Scolari, a turma londrina nunca se encontrou, nem produziu o futebol que a qualidade do plantel exigiria. No entanto, desde a chegada de Guus Hiddink para o comando técnico, a nova equipa de Quaresma desatou a coleccionar triunfos, tendo inclusivé afastado a Juventus da Champions. A meu ver, não será dos adversários piores e sempre constituiria uma oportunidade de nos desforrarmos da eliminação de há duas temporadas. Mas quando estamos a falar de intérpretes da craveira de Lampard, Deco, Drogba, Terry, Ricardo Carvalho ou Essien, só um FC Porto ao melhor nível poderia fazer uma gracinha.
17 pessoas votaram no Barcelona. Na minha opinião, os catalães são os que nos deixam menos hipóteses para sonhar. A equipa de Guardiola é a que melhor futebol pratica na Europa. Inigualável na circulação de bola, sufoca o adversário com o seu característico futebol apoiado, jamais abdica de tentar marcar golos e joga a um ritmo altíssimo. Aviou o Lyon, uma equipa do nosso nível, por 5-2 na Cidade Condal. Conta nas suas fileiras, entre outros, com Daniel Alves, Yayá Touré, Xavi, Iniesta e o melhor tridente atacante do mundo, composto por Henry, Messi e Eto'o. Sejamos realistas, com o Barcelona teremos muito poucas hipóteses, por isso, espero que não nos toque a nós.
O Manchester United aparece logo a seguir, com 31 votos. O que disse para o Barcelona, também assenta bem aos 'red devils'. Campeão europeu em título e dominador incontestado do futebol inglês, é uma verdadeira máquina de futebol ofensivo, bastante superior à equipa que eliminámos em 2004 no nosso trajecto glorioso rumo a Gelsenkirchen. Já aqui disse que o FC Porto não costuma dar-se bem com ingleses e com a intensidade avassaladora do futebol britânico, mormente quando joga fora de portas. Obviamente que defrontar o seu melhor representante não é uma boa ideia. Com jogadores como Cristiano Ronaldo, Rooney, Berbatov, Giggs, Scholes, Carrick ou Ferdinand ao melhor nível, as probabilidades de sucesso seriam diminutas.

Daqui em diante, surgem as três equipas com as quais, penso, teríamos mais hipóteses de discutir a eliminatória olhos nos olhos. No Arsenal votaram 43 visitantes do blog. São uma equipa muito forte, mas em comparação com as que já anteriormente abordei, perdem em qualidade. Possuem individualidades acima de qualquer suspeita, casos de Fabregas, Adebayor, Van Persie, Gallas ou Nasri, além de um treinador extremamente competente, Arsène Wenger. Todavia, e apesar do futebol bonito que praticam e do ritmo elevado que impõe às partidas, talvez tivéssemos boas hipóteses de passagem às meias-finais. O 4-0 humilhante com que nos derrotaram na fase de grupos só teria de funcionar como um estímulo extra e não como um 'handicap', até porque os vencedores do grupo fomos nós, não eles.
O Bayern Munique é o segundo na lista de preferências dos adeptos azuis e brancos, tendo somado 108 votos, um dos quais o meu. Sei que o Villarreal é teoricamente - e reforço o teoricamente, pois a prática, por vezes, é bem diferente - o mais acessível e talvez o único com o qual era possível repartir as probalidades de passagem ao meio ou até assumir algum favoritismo. Desejo, porém, os bávaros, por três razões: primeiro, porque temos umas contas a ajustar desde 2000 quando nos eliminaram da Champions de forma injusta e com o dedo arbitral de Hugh Dallas; segundo, porque, por uma questão de nacionalidade, talvez nos comparassem ao Sporting e esse monosprezo era capaz de funcionar a nosso favor; por fim, creio que, em termos meramente futebolísticos, nos poderíamos bater de igual para igual e sem receio de sermos felizes. Ribéry, Luca Toni, Schweinsteiger, Lahm ou Lúcio são grandes jogadores, mas nós também temos as nossas armas. Historicamente, quase sempre nos demos bem com germânicos...
Sem surpresa, os espanhóis do Villarreal receberam a maioria dos cliques nesta sondagem, um total de 186. Apesar de serem uma equipa forte, de seguirem no 4ª lugar da liga espanhola e terem afastado o Panathinaikos na ronda anterior, são, inequivocamente, a formação menos forte do lote das oito. Jogadores como Marcos Senna, Rossi, Cazorla, Ibagaza, Nihat, Robert Pires ou Matias Fernandéz são uma ameaça para qualquer equipa, mas em comparação com os nossos heróis ficam a perder. Mas isto de desejar o adversário teoricamente mais acessível é sempre perigoso, como se viu na temporada passada em relação ao Schalke 04, sendo esta mais uma razão para o meu preferido ser o carrasco leonino.
Resumindo e por ordem, os meus adversários preferidos para nos batermos pelas meias-finais da liga milionária são: Bayern, Villarreal, Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester e Barcelona. De qualquer forma, convém ter sempre presente que a prática nem sempre confirma a teoria. Caso nos saia o Villarreal, não quer dizer que sejam favas contadas, do mesmo modo que se nos calhar o Barcelona, não ficaremos derrotados à partida. Os 180 ou mais minutos de futebol jogado, com toda a Europa como testemunha, é que ditarão as quatro melhores equipas desta época. E se nos exibirmos ao nosso melhor nível, com o colectivo a carburar na plenitude, as individualidades inspiradas e os adeptos a tornarem o Dragão num autêntico inferno, como sucedeu defronte do Atlético Madrid, temos equipa para nos batermos com qualquer opositor e tudo pode acontecer. Há que ter, é evidente, consciência das diferenças existentes entre a realidade portuguesa e a inglesa, a espanhola ou a alemã, mas que se saiba, sonhar ainda não paga imposto.