26 maio, 2017

NEM OITO, NEM OITENTA!


A Época terminou e, como se esperava desde há umas semanas a esta parte, Nuno Espírito Santo abandonou o comando técnico do FC Porto. Se por norma não sou favorável a chicotadas psicológicas nem a trocas de Treinador todos os anos, sempre que os resultados Desportivos não são os esperados, no caso de NES acho que esta foi a melhor decisão.

Durante a Temporada o nosso Ex-Treinador nunca se mostrou à altura do cargo, tanto ao nível das opções tecnico-táticas como da Comunicação para o Exterior. É impensável um Treinador do FC Porto, ao ver o nosso clube ser espoliado de todas as formas e feitios, ter um discurso sempre tão macio e quase desculpabilizador para as Equipas de Arbitragem como aquele que NES nos foi presenteando, com a agravante de essa narrativa ir contra a política de Comunicação do Clube que, e bem, mudou por completo nesta Época.

Muito mais com certeza haveria a dizer, mas não me parece que seja oportuno estar a bater mais no ceguinho. Resta agora olhar para o Futuro. E se por um lado, tal como no fim da Época passada, temos bastante tempo para ponderar muito bem a escolha do novo Técnico, por outro, é proibido voltar a falhar.

Bem sei que a escolha nunca será consensual e que a pressão de ganhar o Campeonato estará presente desde o 1º Dia, mas a experiência de quem nos dirige há mais de três décadas tem de ser capaz de lidar com tudo isso e de saber o que é que neste momento é o melhor para o FC Porto.

Na minha opinião, há um ponto que tem de estar acima de tudo: Quem vier tem de se identificar com o Projeto que lhe for apresentado. O FC Porto, derivado dos compromissos financeiros aos quais não pode faltar, terá que emagrecer a folha salarial, bem como, a quantidade de jogadores sob contrato e é possível que um ou dois jogadores que foram pedras basilares durante esta Época sejam vendidos para podermos realizar bons encaixes financeiros. Associado a isto, a aposta na formação e em jogadores que militaram na nossa Equipa B, com o sucesso que todos reconhecemos, terá também que ser uma realidade. Portanto não há muito por onde fugir, ou o nosso futuro Treinador estará disponível para dirigir com estas condições, que não são necessariamente sinónimo de que iremos ter um Plantel pior, ou então não serve.

Quanto a nós adeptos, resta esperar com serenidade e não cometer o erro de começar a colocar tudo em causa ainda antes da Época se iniciar. É verdade que os erros têm sido imensos e que os últimos quatro anos não permitem que a confiança esteja nos píncaros, mas se há coisa que a última Temporada mostrou, independentemente de mais um fracasso Desportivo, é que as coisas aos poucos começaram a melhorar.

No entanto, apesar de ser necessário otimismo, que também ninguém espere milagres. Seria quase surreal alguém imaginar que o nosso Clube, após 4 anos sem ganhar e a concorrer com um adversário que, quer queiramos quer não, tem a experiência das vitórias e um sistema completamente controlado, fosse o principal candidato a vencer o próximo Campeonato Nacional.

Não podemos continuar na senda do oito e do oitenta que tem marcado, ano após ano e respetivamente, os finais e inícios das nossas Temporadas. Humildade e Confiança são dois aspetos bastante difíceis de conjugar, no entanto, sempre foram característica dos Portistas ao longo do tempo. Mais do que nunca, é decisivo voltar a reerguer esses valores.

Não poderia terminar o artigo desta Semana sem fazer menção à emocionante homenagem que esta Semana ocorreu na Freguesia de S.Domingos de benfica. É o país em que vivemos, onde qualquer ladrão é homenageado.

Um abraço Azul e Branco,

Pedro Ferreira

25 maio, 2017

O BIBÓ PORTO, CARAGO!!… FAZ 11 ANOS.


11 ANOS, sim, estamos cá há mais de uma década. A culpa é vossa, obrigado!

São milhares de horas de trabalho, mas acima de tudo, é muito prazer pelo que se faz.

Por isso, PARABÉNS para todos nós, mas também para todos aqueles que ao longo destes anos, ajudaram a tornar este "sonho"... numa bonita realidade!

Vamos para outros tantos. Continuamos a contar convosco para o resto desta viagem, com a certeza que também poderão continuar a contar connosco.

Fiquem para a festa, são os nossos convidados de honra.

OBRIGADO.

24 maio, 2017

CADA COISA A SEU TEMPO.


Quando se estão 4 anos sem ganhar, a ansiedade por novidades e alterações, a ânsia de arranjar culpados e encontrar novos caminhos, assume maior importância e dimensão. Queremos que tudo aconteça para ontem, queremos tudo ocorra à velocidade da luz e qualquer coisa que fuja do nosso guião é logo razão para apontar o dedo. Como "velhinho" que sou, tento ser um bocadinho mais paciente!

Estando mais ou menos óbvio que a saída de NES era inevitável, evidentemente que tal não poderia ter ocorrido um dia que fosse, antes da data em que ocorreu. Acabou o campeonato, e menos de 24 horas depois, o dossier estava encerrado. De elogiar o comportamento do nosso ex-treinador, sendo que todas as derivadas que o definiram apenas o futuro nos esclarecerá.
O passo seguinte, o da escolha do novo treinador, só poderia ocorrer após a saída de NES, pois o FC Porto não poderia correr o risco de estar a negociar ou até mesmo acertar a contratação de um novo treinador quando o anterior ainda cá estava. Ou seja, apenas segunda feira à tarde seria possível partir para a negociação com o novo homem do nosso banco. Mais uma vez, estamos dentro do timing óbvio e natural para a sequência de acontecimentos, até porque tudo aponta que o Homem será apresentado antes do final do mês.

Outro dos factores de ansiedade é o da definição do plantel, até pela exigência de cumprimento das medidas impostas pela UEFA ao nível financeiro. Muitos medos e muitos receios vão sendo relatados pois uma larga franja de portistas teme o enfraquecimento drástico do nosso plantel em virtude destas exigências.
Antes de mais, eu não sei quais serão as medidas objetivas que vão ser tomadas, mas parece-me claro que vão passar por 3 aspetos distintos e que naturalmente apenas lá para Agosto serão absolutamente visíveis:
  1. redução do número de jogadores com contrato;
  2. redução da folha salarial;
  3. venda de activos em cerca de 110 milhões de euros.
Relativamente às medidas em causa, há um fio condutor que as une que passa pela diminuição do número de jogadores emprestados (39 atualmente). Ao fazê-lo, contribui-mos para cada uma das três medidas. E se relativamente à redução do número de jogadores com contrato o tema parece pacífico, já quanto à redução da folha salarial, temos todos que perceber que podem estar em cima da mesa a saída de ativos como Casillas, Maxi ou Quintero (a renovação do colombiano deveria ser um caso de estudo). De qualquer forma, é importante que se compreenda que de nada vale a saída de ativos mensalmente dispendiosos se os substituirmos por outros de igual remuneração, pelo que a aquisição de novos ativos terá que ter em consideração o seu salário.

Por fim, os tais 110 milhões em vendas que tantos calafrios tem criado... julgo que francamente sem grande razão! Façamos contas rápidas ao valor que poderemos encaixar com as vendas de Martins Indi (10), Aboubakar (10), Diego Reyes (7), Marega (6), Suk (2), Abdoulaye (2), Josué (2), Quintero (6), Walter (2), Ghillas (2), Bueno (2), Adrian Lopez (4)... 55 milhões???? Algum dos valores aqui parece despropositado? E recordo que não coloquei aqui Ricardo Pereira!
Mas se fizermos estes 55 milhões, ficam a faltar outros 55 milhões para os tão famigerados 110 milhões. Vejamos: não conseguiremos vender, por exemplo, Herrera por 16 milhões ou Layun por 8 milhões? É que se assim for, ficariam a faltar 30 milhões, o que significaria que perderíamos uma única “joia da coroa”, um único jogador dos realmente fundamentais.
São portanto estas as contas que tanto sono têm tirado aos portistas?? Calma... cada coisa a seu tempo!

Um abraço,

PS – Mesmo estando na silly season e num tempo onde as redes sociais permitem que cada uma exprima no momento aquilo que sente, acho que as pessoas têm que ter maior responsabilidade com aquilo que dizem. Leio muita gente a deixar “recados no ar” para o nosso presidente no sentido de o mesmo não se deixar influenciar por este ou por aquele na hora de decidir o novo treinador. Se há tema onde ele fez, faz e continua a fazer o que quer é no caso do treinador. Portanto, não se intoxique mais aquilo que já está intoxicado, não se junte mais lenha a esta fogueira, porque quem anda nisto sabe perfeitamente que se Antero Henrique tivesse escolhido treinador Marco Silva já cá estaria há muito, ou se como maldosamente outros querem transparecer, fosse Alexandre Pinto da Costa a opinar era Jorge Jesus que há muito cá estava.

23 maio, 2017

ANÁLISE À ÉPOCA – OBJETIVOS, SAD E TREINADOR.


Como é habitual, deixo-vos a minha opinião sobre a época que agora finda, nomeadamente os objetivos em cada uma das competições e o desempenho dos responsáveis técnicos e SAD. Foi assim a época do FC Porto:

CAMPEONATO NACIONAL – Pelo quarto ano consecutivo, o título fugiu ao FC Porto. Paralelamente ao que tinha ocorrido no 1º ano de Lopetegui, a verdade é que o FC Porto andou perto do objetivo inicial mas mais uma vez falhou nos momentos decisivos. Feitas as contas, a verdade é que o FC Porto de NES somou apenas mais 3 pontos que o FC Porto da época passada, o tal que segundo o Presidente “bateu no fundo”. É pouco, muito pouco, insuficiente direi mesmo, numa liga com tanta mediocridade do 5º/6º lugar para baixo, apenas fazer 76 pontos. Ao longo da época fui aqui explicando os fatores que conduziram ao insucesso final, sendo que agora apenas muito sinteticamente relembro o mais relevante:
  • Não é normal num campeonato haver 14/15 penalties não assinalados (unânimes para os 3 jornais desportivos) a favor de uma só equipa. Para além de outras barbaridades, como golos mal anulados, defesas a jogarem andebol ou sarrafadas que colocaram jogadores no estaleiro apenas valerem amarelos. Uma escandalosa e gritante dualidade de critérios sempre mas sempre com um único sentido: contra o FC Porto! Confesso e repito, nunca na minha vida vi um campeonato tão vergonhosa e intencionalmente inquinado para um lado. Foi demais!

  • Não é normal que o treinador dessa equipa, por sinal em crescimento, com jogadores jovens e após um ano anterior horrível, assobie para o ar durante toda a época, desculpando bondosamente os erros dos srs. do apito. Perante repetidas poucas-vergonhas, o discurso foi sempre o mesmo: envergonhado, tímido, branqueando e desvalorizando situações graves e repetidas contra a sua própria equipa e o seu próprio trabalho. Não percebo… ou se calhar até percebo bem o porquê desta atitude!

  • É verdade que NES desenhou uma equipa de facto bem organizada defensivamente, que em muitos momentos até apresentou bom futebol mas quando era preciso reagir forte aos momentos fundamentais baqueou. Continuo a acreditar que o FC Porto perdeu este campeonato quando não ganhou no Dragão perante os “porquinhos do couceiro” (quem não respeita o desporto, também não merece ser respeitado), um jogo que lhe poderia dar a liderança. Um adversário ordinário que pediu mais de 10 vezes a entrada da equipa medica, fez anti-jogo do mais nojento possível, mas um adversário que tinha de ser derrotado, pelo pouco futebol que tinha. Na 1ª parte desse jogo, o FC Porto falhou várias e escandalosas oportunidades de golo, provavelmente escreveu a sua própria “sentença de morte”. E para não variar valeu tudo na área do setúbal para impedir os jogadores do FC Porto de chegarem à bola, tudo perante a cândida complacência do sr. do apito e o bocejar tranquilo do sr. Espírito Santo. Foi aí que tudo podia mudar, que o rumo do campeonato podia seguir um caminho totalmente diferente...
CHAMPIONS LEAGUE (CL) – A única competição onde o FC Porto cumpriu o objetivo mínimo. Depois de ultrapassar, com mérito e competência, o playoff de acesso à fase de grupos, o FC Porto baqueou nos oitavos-final frente à Juventus, onde curiosamente apenas contra 10, os italianos marcaram golos. Ainda assim, quer financeiramente, quer desportivamente, não foi pela CL que época correu mal, longe disso até. Curiosamente, em 4 anos maus a nível interno onde apenas se ganhou uma supertaça e nada mais, o FC Porto em termos europeus tem mantido um bom desempenho, na CL quartos-final em 14/15 e oitavos-final em 16/17, na Liga Europa quartos-final em 13/14, derrotados pelo Sevilha que felizmente iria vencer a competição.

TAÇA DE PORTUGAL – Eliminação na 2ª eliminatória frente ao chaves num jogo que espelha bem a época. Vários penalties por assinalar, sendo que um deles me ficou na retina pelo choque que me causou. Perto do final do jogo, aquando de um livre direto, um jogador do chaves de braços no ar (ou seja, completamente fora da posição normal) coloca as mãos à bola impedindo o remate e o sr. do apito nada. Para além disso, a sensação de que se podia ter arriscado mais e saído de um número de equipa organizadinha, mas sem arriscar nada. Derrota dura e cruel nos penalties, onde o FC Porto continua repetidamente a falhar, o que lhe tem custado taças de Portugal (a final do ano passado foi mesmo perdida aí). Neste capítulo, como em muitos outros, total culpa própria e sinal da desorientação em que se tem vivido. Não se admite uma equipa profissional em situações de desempate, repetidamente falhar mais penalties do que aqueles que marca, mas enfim.

TAÇA SENHOR LUCILIO BATISTA (s.l.b.) – Último lugar de um grupo que incluía moreirense, belenenses e feirense. Não seria melhor nas próximas competições colocar o mínimo de jogadores seniores permitidos e os restantes serem juniores e jovens da equipa b?!?!?! É que assim, não era tão mau para o nome de um clube que nos últimos 30 anos foi duas vezes campeão europeu.

NUNO ESPÍRITO SANTO – Se no final da época anterior todos nós fizéssemos um exercício relativo à escolha do novo treinador do FC Porto, provavelmente ninguém lá colocaria NES como hipótese (nenhum órgão de comunicação social lançou esse nome!). Friamente, se fizermos um ranking com o top-10 de treinadores portugueses, NES não faria sequer parte desse ranking. Resumindo e concluindo, PdC “inventou” mais uma vez, quis fugir dos nomes mais lógicos e na altura disponíveis no mercado e os resultados estão à vista. É verdade que NES não fez tudo mal, houve coisas boas, momentos de qualidade mas o saldo final é insuficiente. Em termos técnicos e táticos, é verdade que não foi dos piores que já tivemos, porque em muitos momentos houve um jogo contínuo e agradável, mas em termos comunicacionais (e hoje em dia isto conta e muito!), NES foi um desastre do início ao fim da época. É impossível não nos lembrarmos da forma arrogante e decidida como Mourinho irritava os rivais com as suas conferencias de imprensa, da forma arrasadora com que AVB colocava no “cantinho” os nossos rivais ou até da forma galharda e corajosa com que Jesualdo, praticamente sozinho diga-se, defendia o clube nos difíceis anos pós-apito dourado. O discurso e a forma de comunicar de NES assemelhou-se a de um padre em plena missa de domingo, complacente, misericordioso e apaziguador. Há que meter uma coisa na cabeça: um treinador do FC Porto tem de ser odiado pelos rivais, isso sim é um bom sinal. Tem de ser feio, porco e mau!!! Gajos porreiros e nobéis da paz no futebol português?!?!?! Basta lembrar os 19 anos sem títulos do FC Porto para concluirmos o que ser um clube porreiro, com gente porreira nos levou nessas décadas de hegemonia do sul!

SAD – A principal responsável por mais uma época de insucesso desportivo a todos os níveis. Porque foi o Presidente da SAD que escolheu NES, porque é a SAD que define a política de contratações, vendas e construção do plantel. Demasiados erros na construção de um plantel desequilibrado, em que as principais lacunas não foram devidamente colmatadas. Será um erro pensar que despedir NES, elimina todos os problemas... Como não resolveu com o despedimento de Paulo Fonseca... Como não resolveu com o despedimento de Lopetegui... Como não resolveu com o despedimento de Peseiro. É tempo de uma vez por todas de escolher alguém para um projeto a curto e médio prazo, porque ter um treinador por época não augura nada de bom. Em janeiro de 2016 após o despedimento de Lopetegui, deixei bem claro quais seriam os treinadores portugueses com capacidade para assumir com êxito o comando técnico do clube, um deles acabou de ser campeão no Mónaco, o outro goza os milhões do milionário campeonato chinês e o outro deverá acabar num clube da Premier League, um campeonato onde verdadeiramente se joga futebol sem as manhas e nojices da Liga Portuguesa. De pouco vale a minha opinião, mas fica aqui registado que não concordo com a manutenção do perfil de treinador que se contratou nos últimos anos, ou seja, jovem, português, sem títulos e sem experiência em clubes de alto nível. Acho que o perfil devia ser outro, experiente, com títulos e fora da realidade mesquinha do futebol português, com um bom adjunto conhecedor da "realidade específica" do campeonato português com tudo o que isso significa (as manhas, as nojices, as cascas de banana). Mas como a minha opinião não serve de nada, os responsáveis do clube, profissionais muito bem pagos, que escolham e escolham bem.

ANÁLISE FINAL: Mais um treinador despedido. Mais uma escolha que se revelou errada. Estou muito preocupado com o futuro porque as coisas não se afiguram fáceis. É aflitivo constatar que a estratégia de há 4 anos a esta parte, é um treinador por época, erros e mais erros na aquisição de jogadores, erros e mais erros na construção de plantéis desequilibrados, um silêncio ensurdecedor em relação às arbitragens (que finalmente foi quebrado este ano por Francisco J. Marques), enfim, uma tristeza! Há muito por fazer, mas confesso estou triste e desanimado, com a sensação de que o novo filme será igual ao anterior, que por sua vez já tinha sido igual ao anterior, que por sua vez já tinha sido igual ao anterior e por aí adiante...

PS: A estação pública de televisão devia ter vergonha do jornalismo ordinário, sem isenção e nenhum tipo de respeito por todo o público (e que através dos seus impostos, lhe paga as despesas) que tem feito. Primeiro colocar imagens do Dragão numa reportagem de um processo de corrupção que nada tem a ver com o FC Porto, depois lançar a bonita, mas totalmente falsa, imagem de que rui vitória foi o melhor bicampeão da história do futebol português. Nem sequer vou mais atrás, mas recuando apenas ao bicampeonato de VP, em 11/12 e 12/13 o campeonato tinha 30 jornadas (e não 34), VP fez 75 pontos em 11/12 e 78 pontos em 12/13, ou seja, 153 pontos em 180 pontos (85% de aproveitamento). Em dois anos, rui vitória obteve 88 pontos no 1º ano e 82 pontos este ano em campeonatos com 34 jornadas, ou seja, 170 pontos em 204 possíveis (83%). Conclusão, VP foi melhor bicampeão que rui vitória pois conseguiu melhor aproveitamento de pontos, é lógico se em dois anos vitória dispôs de mais 8 jornadas, era normal que fizesse mais pontos. A isto se chama prostituição jornalística...

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



JOGO DA SEMANA

A escolha que tinha para jogo da semana era a performance da equipa de ANDEBOL, onde pretendia abordar a época em jeito de balanço, mas como ainda não terminou o campeonato, vou esperar por esse momento para o fazer.

Assim, a escolha recai sobre a equipa de HÓQUEI EM PATINS e a receção ao sporting. Na fase em que a época entrou, qualquer escorregadela é fatal para a decisão final da atribuição do título de campeão, pelo que a nossa equipa encarou mais esta partida com a determinação necessária para chegar ao título.

Aos 6 minutos, a nossa equipa chegou à liderança no marcador por intermédio do capitão. Os liderados pelo antigo comentador do PortoCanal não desistiam e aos 13min tinham direito a um livre direto, que Pedro Gil não conseguiu concretizar. A 6 minutos do intervalo, chegavam ao empate e colocavam a dúvida no marcador num momento complicado. Felizmente, antes do intervalo, Vitor Hugo voltava a colocar-nos na liderança e com esse resultado chegou o intervalo.

No regresso, a nossa equipa conseguia estar mais próxima do alargar da vantagem. Um momento que podia ter sido fulcral foi o penalti que Gonçalo Alves desperdiçou e que podia ter tirado confiança à equipa, mas que não afetou Helder Nunes quando chamado a converter o livre direto que penalizava a 10ª falta do sporting, e o transformou em 3-1 a nosso favor. Mas os de lisboa não desarmavam e chegavam ao 3-2 pelo provocador joão pinto. Nunca vi um atleta formado na nossa casa e que em todos os jogos contra nós demonstra sempre tão pouco desportivismo e sempre muito ressabianço. Agora que chegou a capitão da equipa, um dia, ainda vou ver o Paulinho a capitão da equipa de futebol do sporting.

Aos 18 minutos, novo livre direto para a nossa equipa e o capitão de novo para a marca, mas desta vez não conseguiu converter em golo e dar novamente tranquilidade ao marcador. 3 minutos, depois Rafa voltou a colocar a diferença em 2 golos e a dar tranquilidade à equipa. No entanto, a 2 minuto do fim, Caio voltou a colocar a incerteza no marcador ao fazer o 4-3.

Dentro do último minuto, penalti para o Sporting que podia afastar-nos do título, não só pela perda de pontos, como pela quebra anímica. Caio foi chamado a converter e não conseguiu transformar em golo uma vez que para ser golo a bola tem que entrar na totalidade e em nenhuma imagem se consegue provar. Não vai adiantar nenhuma campanha para o tentarem provar, porque não o vão conseguir, ou alguém duvida que se a bola tivesse entrado, o FC Porto não teria sido desde já afastado da luta pelo título?!

O próximo jogo é a final de Oliveira de Azeméis, onde um resultado positivo nos deverá colocar na rota do título, uma vez que ultrapassaremos o obstáculo mais complicado desta fase.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de BASQUETEBOL iniciou mais uma eliminatória para o bicampeonato. 2 jogos na nossa fortaleza perante um Guimarães liderado por Fernando Sá, e os resultados esperados, 2 vitórias.

No sábado, um 1º período com 9 pts de vantagem, deixavam antever que o objetivo seria cumprido. Nos segundos 10 minutos, os visitantes recuperaram um ponto, mas o nosso caminho era sereno. Um 3º período demolidor levou a vantagem para 21 pts decorridos 75% dos minutos do jogo. Quando se chega a este ponto, e com novo jogo no dia seguinte, há que preservar a vitória, independentemente da vantagem. O resultado final de 80-69 garantia a preciosa vantagem inicial na eliminatória.

No domingo, novo jogo e um primeiro período semelhante ao de sábado, mas com uma liderança de apenas 3 pontos. Um 2º período desta vez favorável à nossa equipa, levava o jogo para o intervalo com vantagem de 15 pts. O 3º período foi o espelho do 2º período da véspera, e os visitantes ganharam-no por uma diferença curta. O último período voltou a ser favorável aos visitantes e a vantagem chegou a estar ameaçada, mas na parte final, conseguimos alcançar uma vantagem de 5pts.

O próximo jogo é em Guimarães, 6ª feira, pelas 21h00.

A equipa de ANDEBOL deslocou-se ao pavilhão do benfica e sair de lá com pontos, significaria um passo decisivo rumo à reconquista. Infelizmente, saímos com uma derrota e agora dependemos de uma derrota do sporting perante este mesmo adversário, para que em caso de vitória na receção ao Águas Santas, consigamos o título, receção essa no dia 31.



Abraco,
Delindro

21 maio, 2017

O ÚLTIMO DIA DO PADRE.


MOREIRENSE-FC PORTO, 3-1

Os próximos dias ou horas vão definir parte do futuro do FC Porto. Não concebo outra ideia senão a saída do actual treinador do FC Porto. Não propriamente pelo jogo de hoje e pela sua postura no banco mas pela sua conduta ao longo de toda a época. O FC Porto não quer nem pode ter um sujeito destes nos quadros.


Sobre este jogo pouco ou nada fica por dizer.

Vi uma arbitragem normal (porque não o haveria de ser agora que o campeonato está decidido?);

Vi uma equipa a querer vencer e fazer pela vida para se manter na Liga Salazar;

E vi um conjunto de jogadores a proporcionar ao público um treino descontraído, sem terem que se esforçar muito, orientados por uma espécie de treinador que esteve sentado 90 minutos no banco com a cabeça sabe-se lá aonde e com o olhar perdido e triste no horizonte.


E nem o facto do jogo contar muito pouco para as contas do totobola, impediram o Padre de apresentar uma equipa virada para a frente. Sempre com os seus receios e cautelas defensivas, o Padre armou uma equipa com o meio-campo com três homens de cariz mais defensivo (Danilo, Herrera e A. André). Colocou Otávio (um 10 puro) a jogar sobre a direita e Brahimi e Soares na frente.

Com uma estrutura algo deficitária, não foi com surpresa que o Moreirense chegou ao golo. No primeiro golo, os centrais ficaram a ver Boateng corresponder a um centro de Rebocho. Depois perto do intervalo, Felipe comete uma fífia de amador, a bola sobra para Boateng que lança Frederic Maciel em profundidade. À saída de José Sá (substituiu Casillas) picou a bola para a baliza e fez o 2-0.

Depois do caldo entornado, é que o Padre decidiu virar-se para a frente. Mas isto já não é defeito, é feitio. Foi assim toda a época! Primeiro defende, sofre e depois é que parte atrás do prejuízo.


Por isso, o Padre lançou Corona e André Silva no segundo tempo para os lugares de Herrera e de Otávio. Os Dragões tiveram algum ascendente e chegaram a colocar em perigo a continuidade do Moreirense na Liga Salazar.

Maxi Pereira reduziu num grande golo de costas para a baliza, mas antes Danilo e Brahimi tinham desperdiçado duas oportunidades de golo.

Só que num jogo em que se vê uma equipa a competir contra um naipe de jogadores em ritmo de treino de descompressão, o resultado só pode ser o que se verificou.

Num lance em profundidade, Boateng aproveitou nova fífia de Felipe e junto à linha final cruzou para a área onde apareceu Alex a rematar para o 3-1 final.


Uma derrota pesada de uma equipa que ainda há poucos anos dominava o futebol português e fazia magia na Europa por uma equipa que sofreu até à última jornada para garantir a manutenção.

Acabou a época, acabou mais um ano a seco, acabou mais um ano em que o futuro do clube está em discussão e com a necessidade de mais uma reflexão profunda.

Esta foi a minha última crónica de jogos desta época. Foram 49 crónicas de uma época longa, mas penosa em que muitas vezes tive que “conter a pena” para não escrever o que senti.

Mas isso deixarei para a próxima semana onde vou abordar toda uma época difícil e com mais um final triste e indesejado.



DECLARAÇÕES

Nuno admitiu “jogo mau” na despedida da época

Análise a um “mau jogo”
“Não foi um bom jogo da nossa parte. Era difícil de encontrar a concentração que o jogo necessitava. Apesar do domínio produzimos pouco e é um jogo que não é o reflexo da nossa equipa. Vamos esquecer rápido este jogo.”

O futuro no FC Porto
“É o momento de nos sentarmos, conversarmos e falarmos bem sobre o projeto. Foi-me encarregue uma missão. Tenho a convicção de que o FC Porto merece estar no expoente máximo do futebol português e isso requer muito trabalho. Não necessito de nada mais do que um contrato e de personalidade para fazer o meu trabalho.”

O balanço da época
“O balanço será feito oportunamente. Houve claramente coisas boas, a base da equipa está num processo de evolução. Os jogadores subiram bastante. O ano começou com uma eliminatória de Liga dos Campeões, que centrou o nosso trabalho e este ano já lá estamos.”



RESUMO DO JOGO

20 maio, 2017

CAMPEÃO? OS ULTRAS DO DRAGÃO!


Esta época ficará fortemente marcada pelos grandes apoios dados pelos nossos adeptos. Se já é normal as claques estarem junto da equipa nos bons e nos maus momentos, esta época houve verdadeiras demonstrações, não só dos ultras, como dos sócios e adeptos em geral. Em qualquer estádio onde o FC Porto entrou, as bancadas estavam de azul a receber a equipa. Em alguns lados mais do que outros, naturalmente, mas houve deslocações assombrosas efetivamente.

Setúbal como nunca tinha visto, teve de se abrir um sector ao lado do visitante porque já não cabia mais gente. Estoril a bancada atrás da baliza tremeu, completamente cheia e mais gente na central, Belém é já um local de forte apoio ao FC Porto, quando lá jogamos. No Minho, duas gigantescas deslocações, das melhores do ano. Braga foi uma bancada superior inteira de ponta a ponta!! Guimarães pela primeira vez enchemos os dois pisos da bancada Norte. Bessa ficará para a história também.

E já depois de uma deslocação à ilha em Outubro passado, para a visita ao Nacional, nova deslocação à pérola do Atlântico.

O campeonato já era uma miragem mas o despertador tocou às 6h da manhã de Sábado! Depois de uma semana de trabalho, Sábado ainda de madrugada há que levantar porque o mágico Porto joga na Madeira!


Um dia extremamente bem passado com os Dragões na ilha, um tempo tropical, sempre calor mas uma chuva de vez em quando. Almoço em grande no restaurante do costume e a tarde foi passada entre a Serra d’água, a marina, o centro do Funchal e o hotel da equipa já a poucas horas do jogo.

Onde houvesse poncha lá estávamos nós e à hora do apito inicial começava mais um espetáculo dos ultras Porto. Os que se deslocaram do Porto davam o mote e os restantes acompanhavam. Melhor apoio que na Choupana, a própria bancada é propícia a isso mesmo.

Enfrentámos mais um resultado negativo e tentámos afogar as mágoas na noite madeirense, em fim-de-semana de festa da flôr. Uma ilha apaixonante! Só mais uma direta pelo Clube e às 7h já estava a regressar à mais bela cidade do mundo, a cidade Invicta.


Já sem hipóteses matemáticas de chegar ao título o Dragão contou com cerca de 25 mil espectadores na recepção ao Paços de Ferreira. E eles lá estavam. Aqueles para quem não faz sentido ficar em casa e o Clube é para ser vivido desta forma. Reviravolta no marcador acabou em goleada. Jogo marcado pelo incidente com o Colectivo, já muito badalado.

Com foi possível verificar-se no final do jogo, a frase não era insultuosa nem intimidatória. Respeito todos os ultras do mágico Porto, estejam em que bancada estiverem. Aos meus amigos do Colectivo, que se mantenham firmes, sempre em prol dos interesses do FC Porto.

Juntos somos mais fortes.

Um abraço ultra.

19 maio, 2017

O REGIME NO SEU ESPLENDOR.


Depois de consumado o inédito Tetra do clube do Regime, tivemos aquilo que todos já esperávamos: Uma semana de propaganda vermelha ao mais alto nível.

Tudo começou logo durante o jogo, com a presença do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças no Camarote Presidencial da Luz, ao lado de um condenado por roubo e de um dos maiores devedores que a Banca Portuguesa conhece. O clima era de natural satisfação e confraternização, pois quando se trata da vermelhada não há que ter pudor de nada e até porque, como dizia o falecido Jorge Perestrelo, “É disto que o meu Povo Gosta”.

E se nessa noite de 13 de Maio, o Festival EuroVisão e a brilhante participação de Salvador Sobral pareciam ser um bom refúgio à festa vermelha, eis que na Entrevista ao vencedor do Concurso o assalariado da Estação Pública de Televisão, cujo salário e estadia em Kiev são suportados pelo dinheiro de todos os contribuintes , decide meter o Clube do Regime ao barulho dizendo “Portugal está em festa, pelo benfica e por ti”. Reparem, na mente deste troglodita, a mouraria ainda consegue estar à frente do feito Histórico e absolutamente global do jovem cantor.

Este assalariado Público, cuja carreira em Televisão se resume a fazer concorrência às “Tardes da Júlia” e uns concursos de qualidade duvidosa, ainda voltou a insistir na mesma conversa sem que o verdadeiro protagonista lhe passasse bola e o deixasse a fazer a figura de Urso que o caracteriza na perfeição.

Mas na noite de 13 de Maio houve uma outra personagem que logo se apresentou a prestar vassalagem ao clube do regime, falo do Presidente da Liga de Clubes. Depois de tudo o que se passou neste Campeonato, com todas as escandaleiras de arbitragem, com os castigos que ficaram na gaveta aos jogadores do regime e com a opinião praticamente unânime, mesmo daqueles que não são propriamente conhecidos por gostarem do nosso clube, de que o FC Porto foi claramente prejudicado, a primeira coisa que esse individuo diz à Imprensa é que o clube dele foi Campeão com todo o mérito. É preciso um descaramento enorme e não ter um pingo de vergonha na cara para se dizer que o clube do Regime foi um justo vencedor do Campeonato que Domingo termina. Mas só quem anda aqui a dormir é que ainda se pode surpreender com esta postura de lampião escondido com rabo de fora.

De resto tivemos o habitual, a palhaçada do costume na ida à Câmara Municipal, as capas de Jornais habituais que não passam de autêntico sexo oral, as Entrevistas a Ex-Jogadores, “6 Milhões” aos pulos a festejar mais um Campeonato vergonhosamente conquistado e os cartilhados, mais ou menos assumidos, a passarem a mensagem oficial do Regime.

Para finalizar ficamos a saber ontem que para o jogo da Festa, sim porque garantidamente 95% dos adeptos que estarão presentes no Bessa serão do mesmo clube embora possam estar com cores diferentes, o Conselho de Arbitragem decidiu nomear o “Ferrari Vermelho" de Monte Gordo. Não sei se isso não poderá provocar algum desconforto junto dos outros 23 obreiros deste Campeonato Nacional, no entanto, penso que se trata de um justo prémio de carreira para quem, ano após ano, tem evoluído a passos largos na arte de desvirtuar premeditadamente resultados desportivos.

Quanto a nós, não faltará tempo para abordar a Época que termina este Fim-de-Semana, analisar o que faltou e perceber aquilo que devemos ou não mudar para que na próxima Época o regresso aos Títulos não se fique só pelas palavras e intenções, mas que se torne mesmo numa realidade.

E por falar em Títulos, uma palavra para a nossa Equipa B liderada pelo Folha que, inequivocamente, conquistou a Premier League International Cup com uma folgada vitória sobre o Sunderland. Se é verdade que o nome do Estádio e a cor do equipamento do adversário foram um tónico importante, também não é mentira que a Equipa esteve a um nível fantástico e merece os Parabéns e o reconhecimento de todos os Portistas.

Um abraço Azul e Branco,

Pedro Ferreira

18 maio, 2017

FALTOU UM BOCADINHO ASSIM – UM FC PORTO SUISSINHO.


[resenha sobre o FC Porto no campeonato 2016/2017]

O campeonato que fica para a história como a Liga Salazar, ou a Liga do Polvo, ou a Liga das Cartilhas – como quiserem – poderia ter sido o da interrupção do ciclo de vitórias encarnado. Não o foi devido à conjugação de factores externos poderosíssimos: arbitragens a empurrar o rival directo para a vitória; não amostragem de cartões ao Carnide, assumindo alguns jogadores a qualidade de inimputáveis; castigos pontuais e certeiros a jogadores influentes como Danilo e Brahimi; incapacidade de se assinalar um penalty a favor do FC Porto (não por coincidência, quando já não interessava, Artur Soares Dias marca 2 penalties a nosso favor). Mas também, assumamos, devido a factores internos (os chamados tiros no pé que nos últimos anos se vão acumulando): a não utilização de Brahimi no primeiro terço do campeonato; o afastamento de Miguel Layun; o “castigo” imposto a Herrera; a incapacidade em aproveitar as oportunidades para passar para a frente da tabela classificativa (Setúbal e Feirense como casos mais gritantes). Um FC Porto suissinho, a quem faltou um bocadinho assim. Assim se poderia resumir a temporada 2016/2017 para os azuis-e-brancos.


Tudo somado, o resultado não podia andar longe deste. Os números não costumam mentir: o clube rival acaba o campeonato com apenas 3 suspensões - para se ter uma leve noção, os clubes que mais se aproximam do benfique neste capítulo contam 7 suspensões, enquanto que o FC Porto conta o triplo das do benfique (9); Foi preciso esperarmos até ao final da temporada para vermos um árbitro atrever-se a marcar um penalty contra o Polvo; E já agora, a suprema ironia de verificar que a história dos chamados pequenos serem os mais prejudicados cair por terra quando analisamos a estatística acumulada dos campeonatos nacionais: o FC Porto lidera destacado a lista no capítulo dos cartões vermelhos (114), bem acima de um Braga ou de uma Académica, por exemplo; Outro número curioso é verificar também qual a equipa com mais auto-golos a favor: o Polvo, obviamente, com 115 auto-golos a favor (só esta época foram mais 4, contra apenas 1 do FC Porto).

Fica, apesar do acima dito, um sabor amargo na boca, o de um campeonato perdido de forma inglória. Porque mesmo assim era possível, era viável, estava ao alcance. O poder do Polvo é imenso, assustador e abrangente. Abarca várias áreas, desde as arbitragens, às classificações dos árbitros, passando pelo controlo e influência sobre grande parte dos clubes pequenos, através de empréstimos, prémios e assédio a jogadores adversários. Os tentáculos deste polvo das cartilhas chegam também a outros locais: à Liga (presidida desde logo pelo sócio do Polvo de há muitos anos chamado Pedro Proença), aos delegados ao jogo, Conselho de Justiça, Conselho de Arbitragem (com membros da categoria de um João pode ser Ferreira ou Lucílio Baptista) Conselho de Disciplina (cujo líder é José Manuel Meirim) e toda a estrutura da FPF (veja-se a não convocatória de Rui Pedro para os sub-20, por exemplo), etc. Um poder construído de forma consciente e sustentada, no seguimento do projecto/iniciativa criminal que foi o Apito Dourado. E no entando, quando se olha lá para dentro, vemos as fragilidades e a tremideira do benfique actual. Com um abanão mais forte, seria sem dúvida possível fazer desabar este edifício encarnado.

Degustando o suissinho, vemos que ao FC Porto não falta assim tanta coisa. Falta o tal bocadinho assim. Não foi pela defesa que as coisas correram mal. Os golos sofridos surgem mais pela clara opção de não atacar e recuar no terreno, pela incapacidade em reter e circular a bola (o tal descansar com bola, mantendo o controlo do jogo), do que pela ausência de qualidade dos homens lá de trás. Iker fez proavelmente a sua melhor época nos últimos 5 anos, com defesas fantásticas à altura dos seus inigualáveis pergaminhos. Os centrais jogaram praticamente a época toda e mesmo o criticado Boly, quando foi chamado, cumpriu com o seu papel de terceiro central. Felipe e Marcano cresceram muito juntos e pode-se dizer que estiveram à altura do historial de centrais portistas – e dizer isto não é dizer pouco.

Nas laterais parece ter faltado rotação. NES e a Direcção decidiram excluir Miguel Layun do lote dos utilizáveis, o que desencadeou um acréscimo de minutos nas pernas de Maxi e de Telles. O mexicano poderia, inclusivamente, ter sido aproveitado como médio interior ou como extremo, uma espécie de Défour 2.0. Não esquecendo que foi o homem com mais assistências no ano passado (15), a sua facilidade no cruzamento poderia ter sido capitalizada quando chegou Tiquinho Soares, mas as coisas são como são. Assumindo que o mexicano terá guia de marcha no final da temporada, Rafa e Ricardo Pereira (a menos que o FC Porto receba uma proposta irrecusável atendendo à grande época que fez no Nice) poderão fazer com Maxi e Telles (segundo jogador com mais assistências, 8, depois de Gelson) as melhores laterais do campeonato português.

Onde parece ter faltado algo foi ao meio-campo do FC Porto. A nível defensivo, Danilo impôs-se como o melhor trinco a jogar em Portugal e protagonizou o momento mais caricato da temporad futebolística mundial quando foi expulso por estar parado e um árbitro ter chocado, de costas, contra ele. Mas os 4 homens mais à frente desiludiram, por variadas razões, a saber:

Oliver não se assumiu como o patrão do meio-campo portista. A sua influência é ainda reduzida a pequenos espaços no terreno de jogo e acaba o campeonato com 3 golos e 3 assistências em 29 jogos, números manifestamente pobres (para se ter noção, Layun termina a temporada também com 3 assistências). Ainda não é nem um Moutinho (que tinha a capacidade de guardar a bola e definir os tempos do jogo) nem um Lucho Gonzalez (que defendia posicionalmente como poucos e era garantia de N golos e assistências todos os anos). Pode-se argumentar que o futebol de NES não o favorece, mas a sua função era também mudar esse futebol e torná-lo mais de pé para pé, unindo a equipa. Não atingiu os objectivos e esteve longe, muito longe, de justificar a sua contratação.

André André é o tipo de jogador que quando está numa fase de fulgor físico, dá um jeito do caraças, qual carraça ambulante que liga os sectores da equipa e ata as pontas soltas. Mas quando quebra fisicamente, o seu rendimento cai de forma assustadora. Falta-lhe golo, falta-lhe chegada à frente, falta-lhe imaginação no último terço, mas é um jogador útil para determinados jogos.
Herrera foi vítima daquela famoso lance nos minutos finais contra o benfique. Um lanc
e do qual não tem culpa nenhuma, a não ser o de ter abordado o momento com mais coração do que razão. Os portistas traçaram-lhe o destino e enviaram-no para o banco de suplentes. Um erro crasso das bancadas e de NES, que não soube avaliar a importância do mexicano: Herrera é muito mais jogador do que André André e merecia ter tido mais minutos.

E, por fim, Octávio. Dizia Oscar Wilde que “ninguém sobrevive ao facto de ter sido estimado acima do seu valor”. Os portistas depositaram esperanças de Deco em Octávio, que obviamente nunca iriam ser satisfeitas. Deco antes de ser Deco foi uma espécie de aprendiz de Zahovic e ainda fez desesperar muitos corações portistas nas Antas, de tanta finta mal parida e de tanto passe mal feito. Octávio manteve a veia da suprema arte de dar golos a marcar (5 este ano vs 8 no Vitória) e, com trabalho táctico e físico, tem tudo para ser idolatrado na cidade Invicta. Mas precisa de tempo, paciência e estabilidade, coisas que esperemos que o FC Porto tenha em 2017/18.

E finalmente chegamos à frente de ataque, que em Janeiro viu chegar Tiquinho para disfarçar vários problemas, fruto de uma capacidade de furar na zona interior (como fez ao Sporting) e de uma maior presença física na área. A chegada do brasileiro teve um enrome impacto na equipa, mas desde logo se notou um ofuscar de André Silva, que foi um fantasma de si mesmo até ao fim do ano. NES, como se diz na gíria, não fodeu nem saiu de cima: não o soube enquadrar no novo esquema, nem se decidiu a deixá-lo no banco. Esta não decisão levou a que André Silva passasse jogos e jogos imerso em complicações tácticas e psicológicas. Caiu num poço fundo e nunca mais voltou à superfície. Pensar no jogador que era André Silva naquela Final da Taça de Portugal frente ao Braga e comparar com este jogador é quase um exercício de saudosismo. Neste momento, nem André vai a caminho de se tornar um 9 de referência de área, nem mostrou perceber o que é um 4x4x2. Está a meio caminho de coisa nenhuma e, ainda assim, termina o campeonato como o jogador mais valioso do FC Porto, com influência directa em 201golos (16 golos + 5 assistências) – praticamente os mesmos números de Soares (19 + 1), embora este tenha feito metade da época em Guimarães.

Fica a ideia que este FC Porto, se tivesse recebido outro Tiquinho para a ala, um daqueles motociclistas que pudessem abrir e esticar o jogo para a frente permitindo que a equipa subisse em bloco com ele e ganhasse metros no terreno (Hernâni, por exemplo), poderia ter feito mais mossa. Brahimi (6 golos + 4 assistências) e Corona (3 + 5) são jogadores de fino recorte técnico, mas com mais floreados que músculos. Faltou alguém que assustasse do ponto de vista físico, um Hulk ou um Futre que deixassem a própria equipa respirar e que partissem os rins aos adversários, assumindo sozinhos as despesas do ataque. Jota, mesmo utilizado a espaços, termina com uma estatística apreciável (8+4), o que obriga o Porto pelo menos a equacionar em o assegurar por mais um ano.

Mas o pior de tudo foi mesmo a falta de evolução da equipa ao longo do ano, que termina o campeonato como começou: ausência de princípios de jogo, incapacidade de descansar com bola, aposta contínua no pontapé para a frente a partir das laterais, incapacidade de penetração na zona central, ausência de ideias e de imaginação na construção atacante, incapacidade em preencher a área adversária com jogadores capazes de fazer golos, o recuo após o golo marcado, os mesmos erros cometidos vezes sem conta e sem vestígios de correcção.

O FC Porto empatou 10 vezes este campeonato, quase 1/3 dos jogos disputados (e neste capítulo é apenas superado por 3 equipas). Embora tenha apenas 1 derrota (muito raro uma equipa com uma derrota não se sagrar campeã), a verdade é que a comparação com a primeira época de Lopetegui não é favorável, embora ande lá perto. Se o FC Porto ganhar os 2 jogos em falta terminará com 79 pontos, frente aos 82 de Lopetegui.

E com isto chegamos a NES. Desde logo, ninguém esperava, muito sinceramente, que fizesse melhor do que fez. Seria um milagre e esses só em Fátima. Acontece que o FC Porto precisa de melhor do que NES. Ninguém pensaria que o homem do famoso SOMOS PORTO seria tão frouxo e tão pacífico nas conferências de imprensa. Ainda se pensou, ao intervalo do jogo do Bessa, que o verdadeiro NES estivesse para aparecer, mas foi sol de pouca dura. As poucas críticas que levantou contra as arbitragens de que a sua equipa foi alvo, para além dos insólitos castigos a Brahimi (por proferir palavras em francês) e a Danilo, foram tímidas e envergonhadas. Nunca ousou fazer voz grossa e a prova cabal disso mesmo são os constantes elogios da imprensa lisboeta e dos rivais a NES, por oposição ao ódio que publicamente nutriam por Lopetegui. Os parabéns de NES ao rival no final do jogo frente ao Paços de Ferreira são a gota de água de um percurso de alguém que nunca percebeu o que é preciso para se ser treinador do FC Porto. É o homem do SOMOS PORTO, mas falta-lhe cultura Futebol Clube do Porto.

Sensivelmente a meio da temporada, quando o discurso oficial do FC Porto endureceu, através de Francisco J. Marques e Bernardino Barros no Porto Canal, notou-se que NES já não casava com esta estrutura. Não fazia sentido ter Luís Gonçalves a rosnar e a mostrar os dentes a jornalistas após o 1x1 em casa do rival e olhar para o diplomático e respeitador treinador do FC Porto. Já eram dois mundos com um oceano a separá-los. Não por acaso, nas conversas de café entre portistas, foi-se celebrizando a expressão padreco para o treinador portista, de tão pacífico e conciliador que foi ao longo da temporada. É provável que o seu verdadeiro patrão, Jorge Mendes, lhe encontre um bom campeonato para que prossiga a sua carreira. Mas a sua imagem está traçada: representa mais os interesses do seu empresário do que o clube que lhe paga o salário. Pode servir para muitos sítios, mas não serve para o FC Porto nem para o clube que precisamos para os próximos anos: um clube de guerrilha, que levante de novo as bandeiras do Norte e da luta contra o poder central lisboeta e que aponte a destruir o edifício encarnado. Um rumo mais próximo dos ensinamentos de Pedroto e dos anos 90, quando foi necessário defender o FC Porto contra os ataques da capital do império.

Só por isso – e isso é mais que bastante – NES não pode ficar no FC Porto. É verdade que terá a sua quota-parte na união do plantel, nas pazes feitas entre plantel e bancada, numa certa raça colocada durante quase todos os jogos. Sim, isso tudo não pode ser apesar de NES, mas também devido a NES. Mas manifestamente não chega. É verdade que superou as expectativas, pois ninguém imaginava que o FC Porto fosse capaz de discutir este título 2016/2017 quase até à última jornada, diante do Polvo e do sporting de Jorge Jesus. Mas os 5 empates registados nas últimas 7 decisivas partidas, onde tudo se decidia, acabaram por deixar o tal sentimento de suissinho: era possível, era viável, estava ao nosso alcance, mas faltou o bocadinho assim.

Para terminar, não deixa de ser concidência que, no dia em que o Polvo se preparava para festejar o seu treta-campeonato, Portugal se visse entre tolerâncias de ponte, Fátima e de olhos postos no Festival da Canção. Embora com outras vestes e roupagens, voltamos ao velho Portugal dos três F’s da Outra Senhora: Fado, Futebol e Fátima. Em jeito de brincadeira, na música de consagração, Salvador Sobral resumiu o que foi o campeonato 2016/2017: “Isto estava tudo comprado”.

Estava mesmo.

Rodrigo de Almada Martins

17 maio, 2017

OS IMBECIS DOS LIKES E PARABÉNS.


Conforme aqui referi na semana passada, a época já está fechada e exige-se um processo de reflexão interna que seja rápido e eficaz, com medidas concretas e imediatas. Muitas das vezes até podemos não saber por onde queremos ir, mas no mínimo temos que saber por onde não queremos ir. Ora, uma das coisas que seguramente temos que erradicar para a próxima época são imbecilidades! E como quem comete imbecilidades é imbecil, hoje vou aqui falar de dois imbecis que ainda estão no FC Porto mas seguramente não estarão na época desportiva 2017/2018: Nuno Espírito Santo e Diogo Jota.

Começando por aquele que desejo que seja o nosso futuro ex-treinador, já na semana passada aqui falei do seu comportamento manso e bonacheirão, com assertividade apenas a assumir o penalti em favor do slb na luz. Mas como um imbecil gosta de se afirmar pela dimensão da sua imbecilidade, no final do jogo do passado domingo frente ao Paços de Ferreira, NES voltou a ser assertivo. Pasme-se, ou talvez não, voltou a ser assertivo para dar os parabéns ao campeão.
Para além de ser uma traição a todo um grupo de trabalho que sentiu que o seu esforço diário não foi traduzido em títulos por via dos “caminhos alternativos” que conduziram à conquista do inédito tetra (nem nos tempos do regime tal havia acontecido!), o imbecil demonstrou uma completa desconexão com o discurso oficial do clube, bastando para isso ter visto o Universo Porto da Bancada de ontem à noite.
Imaginemos o que aconteceria ao responsável comercial de uma empresa que desse os parabéns pelos bons resultados comerciais da sua mais direta concorrente, sabendo ele que a mesma tinha usufruído de condições diferenciadoras face ao mercado? Este é NES no seu melhor...
Mas de facto há uma coisa de que não podemos acusar o imbecil que é de falta de coerência. Quem não se recorda do primeiro acto público após ter sido anunciada a sua contratação como nosso treinador? Presença no lançamento do livro de Carlos Daniel e respectiva foto com o lampião de Paredes e o chalado Manuel José! Premonitório...


Mas para não julgarmos que a imbecilidade é um exclusivo do amigo do Mendes Lampião, aquele que nem nosso jogador é, e que dá pelo nome de Diogo Jota, fez o favor de mostrar o quanto é imbecil, mas também a falta de respeito que tem pelo nosso clube.
Que este imbecil é lampião, todos já sabíamos até porque já haviam registos de manifestações suas nas redes sociais. Agora, que a imbecilidade fosse de tal ordem ao ponto de registar um “like” numa página de nome “fans_de_sport_lisboa_e_benfica”, isso já é ultrapassar todos os limites da decência.
Por mim, nem sequer voltava a treinar no Olival e o seu regresso a Madrid era antecipado. Simultaneamente, espero ardentemente que caso alguém estivesse a equacionar um pedido de renovação de empréstimo (sim, porque julgo que ativar a clausula de 22M nunca foi sequer opção!), essa ideia tenha ficado definitivamente afastada.
Não queremos gente desta índole a envergar as nossas cores, gente que pior do que ter outra cor clubística que não a nossa, não sabe respeitar o clube, os seus adeptos, os seus dirigentes e os próprios colegas de clube. Rua com esta gente, chame-se ele Jota ou outra coisa qualquer!

Estes são alguns dos comportamentos imbecis que não poderemos ver repetidos nas próximas épocas se de facto almejamos títulos.
Temos que ter um grupo comprometido com o clube, com a sua estratégia, com o seu discurso, mística e identidade. Os nossos valores não podem ser levianamente atropelados!
Não podemos ter imbecis que se comportam como não estando envolvidos num projeto comum onde os interesses do clube estão acima dos seus gostos, preferências ou projetos pessoais.
O nosso caminho é derrotá-los mas só o podemos fazer caminhando lado a lado, com objetivos comuns e artilhados por todos, onde o “NÓS” se sobrepõe ao “EU” e onde o respeito pela instituição não é apenas uma questão de semântica.

Até domingo, no sítio do costume!

PS – Para fim de festa, espero que no próximo domingo o imbecil NES não se lembre de colocar em campo o imbecil Jota. Seria a cereja no topo do bolo da imbecilidade!

16 maio, 2017

TEM A PALAVRA, JORGE NUNO PINTO DA COSTA!!


E lá se consumou aquilo por que todos nós, de forma mais ou menos declarada, esperávamos desde a fatídica tarde de 19 de março, após um estúpido e fatal empate frente a um adversário que utilizou as armas mais nojentas a asquerosas que me lembro desde que vejo futebol. Um dos momentos fundamentais que explicam a época do FC Porto, um momento que tudo podia ter mudado, mas que se transformou num autêntico “murro no estômago”, de que o FC Porto tardou em se recompor, com as consequências nefastas que se conhecem.

Faz este mês 4 anos desde que o FC Porto foi campeão nacional pela última vez, sendo que neste quadriénio (2013-2017), o pecúlio de títulos do nosso clube ficou-se por apenas uma supertaça, conquistada no longínquo agosto de 2013. Durante 31 anos, o FC Porto ganhou muito, em Portugal e fora dele, ganhou o respeito da Europa, foi a par dos grandes tubarões europeus, uma das equipas que maior sucesso teve e mais troféus nacionais e internacionais arrecadou. É, obviamente, muito duro e estranho passar de um período de sucesso, quase ininterrupto, de 31 anos, para num ápice ficar 4 anos consecutivos em seca, com a agravante de ver o principal rival alcançar um inédito tetra e consequente hegemonia do futebol português.

Neste momento complexo, difícil e, volto a reforçar, extremamente duro para o universo Portista, tem a palavra Jorge Nuno Pinto da Costa. É muito fácil ser adepto na altura das vitórias, mas ser adepto nas alturas em que ficamos a ver os outros a festejar é duro, muito duro! Após o apito final no último jogo da época no Dragão, para além dos sentimentos de frustração, tristeza e enorme azia que me percorriam, aquilo pelo qual espero desde aí, ansiosamente, como forma desesperada de encontrar uma luz ao fundo de um “túnel cada vez mais escuro”, é de explicações para mais uma época sem títulos. E essas explicações só podem ser dadas pelo responsável máximo do clube, o maior responsável quando ganhávamos muito e o agora maior responsável por nada ganharmos.

A análise do que correu bem, e que tem de ser potenciado e aproveitado para a próxima época, o diagnóstico do que correu mal, e foram muitas coisas, tantas que contribuíram fortemente para mais um ano sem títulos e sobretudo o planeamento do que vai ser a próxima época em termos do que interessa, ou seja, treinador e plantel, tem de ser feito com a máxima seriedade e cuidado, sob pena de se voltarem a cometer erros que tornem as coisas ainda mais difíceis na próxima época.

É fundamental enquadrar o momento atual e projetar o futuro, percebendo o que nos fez chegar até aqui. O pior erro que se pode cometer é pensar novamente que mudar apenas uma peça do puzzle, mantendo tudo o resto igual, ou seja, cometendo os mesmos erros, irá resultar em algo diferente. Não! Não basta mudar uma peça do puzzle, é preciso parar de cometer erros e têm sido muitos nos últimos anos. No limite, entre mudar uma pessoa e manter tudo o resto igual ou mudar tudo o resto e manter uma pessoa, se calhar a segunda hipótese é a mais adequada.

Em 2013, a ideia, veiculada até pelo Presidente numa entrevista ao Porto Canal que me lembro como se fosse hoje, era de que o futebol de VP era enfadonho apesar de nos ter levado a um bicampeonato quase imaculado. Veio Paulo Fonseca e a sentença veio meses depois: saída de Paulo Fonseca. Depois de ter saído do FC Porto, Fonseca ganhou uma taça de Portugal pelo Braga frente ao FC Porto e acaba de se sagrar campeão ucraniano ao serviço do Shakhtar. Contra mim falo, que também disse cobras e lagartos de Fonseca, mas pergunto agora: seria Paulo Fonseca tão mau e o principal responsável pelo insucesso do FC Porto?!?!?!?!?!

Em 2014, a ideia era, segundo o Presidente, apostar num treinador proveniente da escola de futebol vencedora na Europa nos últimos anos, a conceituada escola espanhola. Depois de um ano em que apenas o basco lutou contra o "colinho" que várias vezes surgiu, a sentença veio meses depois: despedimento do espanhol, que atualmente treina a seleção espanhola e se prepara para conseguir o apuramento para o Mundial, num grupo que inclui a Itália. Seria Lopetegui tão mau e o principal responsável pelo insucesso do FC Porto?!?!?!?!

Não pretendo com isto, ilibar as naturais responsabilidades de Lopetegui e Fonseca enquanto estiveram no clube. A questão é a seguinte: ou se anda a escolher pessimamente treinadores ou então se anda erradamente a colocar sobre os ombros dos treinadores as responsabilidades pelos maus resultados, descurando-se a resolução de outros problemas, nomeadamente a construção de plantéis. Num ou noutro caso, é preciso refletir e talvez mudar o paradigma da escolha ou da divisão de responsabilidades.

Estamos em 2017 e a questão está inegavelmente em cima da mesa: manter NES por mais um ano ou escolher novo treinador, o 6º treinador em 4 anos?

Há coisas realmente imperdoáveis em NES, que dariam um post inteiro. Destaco por ter sido a última e o espelho do que foi a época toda, a forma angelical e porreira como NES endereçou os parabéns ao novo campeão nacional. Depois do departamento de comunicação ter andado a "malhar" o ano inteiro num campeonato com a classificação tremendamente aldrabada, com intromissão indevida de vários fatores externos, esta declaração de NES nem tem classificação possível, quer no timing, quer no conteúdo.

No meio de toda esta trapalhada, não sei de facto, o que fazer, nem como fazer, admito que estou confuso. Mas de uma coisa não tenho a menor dúvida, mudar apenas o treinador por outro (chame-se ele Marco, Joaquim ou Manuel), mantendo tudo o resto igual, cometendo os mesmos erros, irá ter um resultado certo: daqui a um ano estaremos a discutir nomes para o 7º treinador do FC Porto em 5 anos!

Não estará na altura de parar de "escavar o buraco" em que estamos?!?!?!

PS - Felizmente, as atuais operadoras de tv oferecem um alargado pacote de canais, das mais variadas temáticas. Foi um fim-de-semana em que futebol para mim se resumiu ao FC Porto vs Paços. Mas suponho que se tenha falado muito nos seguintes conceitos: Tetracampeão? Desde que nasci já fui duas vezes (1998 e 2009). Pentacampeão? Já fui uma vez (1999). Títulos internacionais? Duas vezes campeão europeu (1987 e 2004), duas Ligas Europa (2003 e 2011), duas vezes campeão do mundo de clubes, uma supertaça europeia. A conquista europeia de outro clube português que não o FC Porto, data de 1964, ou seja, há mais de 53 anos... Portanto, adeptos de outras cores, vocês ainda têm muito para caminhar até chegar às alegrias que eu enquanto Portista já vivi. Para não falar nos títulos com rega e luzes apagadas, 5/0 cá e lá, etc, etc.

14 maio, 2017

UMA EQUIPA TRISTE.


FC PORTO-PAÇOS FERREIRA, 4-1

A crónica serve para falar dos jogos, mas hoje haveria outras coisas que importa abordar. É necessário reflectir sobre vários aspectos que aconteceram esta época e também neste jogo. Mas isso deixarei para a próxima semana, altura em que escreverei a última crónica da época.

Cientes de que o campeonato já estava matematicamente decidido, o FC Porto entrou em campo para cumprir a sua obrigação. Vencer o jogo como lhe competia. Uma equipa triste e enfadonha foi o que se viu esta tarde a espaços no anfiteatro do Dragão. O P. Ferreira entrou no jogo também sem nada a perder e com a sua posição definida na classificação. O jogo não tinha qualquer interesse excepto os três pontos em disputa.


Os castores entraram bem no jogo, perante um FC Porto algo lento e previsível. NES apresentou um onze com um sistema que deveria ter sido utilizado ao longo da época e principalmente na fase decisiva da época: 4x3x3 com dois alas e um dez. Desta vez, nada tendo a perder, NES lançou o que toda a crítica sempre defendeu. Tivesse ele apostado mais vezes em alturas cruciais neste sistema e, se calhar a esta hora, estaríamos noutra posição.

O P. Ferreira deixou dois avisos no primeiro quarto-de-hora e depois chegou ao golo aos 30 minutos num lance feliz. Remate à entrada da área de Andrezinho, com a bola a bater nos pés de Ricardo Valente e a trair o guardião portista.

Mas a reacção dos Dragões não se fez esperar. Quatro minutos volvidos, os portistas chegaram ao empate. Jogada de Herrera que desmarcou Corona na direita, este fez um compasso de espera, cruzou para a área e Herrera, colocado na área, cabeceou para a baliza pacense.

Aos 39 minutos, Brahimi é carregado na área e o árbitro prontamente assinala grande penalidade. Penalty que o argelino converteu no 2-1. Estava operada a reviravolta no marcador.

A segunda parte foi de uma sonolência e de um desinteresse total que valeu apenas pelos golos que surgiram. Diogo Jota ainda prometeu uma etapa complementar de golos, com o 3-1 aos 47 minutos numa bela abertura de Herrera, mas depois o jogo entrou num marasmo que só foi interrompido aos 89 minutos quando o mesmo Diogo Jota foi carregado na grande área. Soares dias não hesitou e apontou para nova grande penalidade.


Que curioso! Agora nesta altura já se marcam penalties. Muitos mais penalties evidentes foram sonegados ao Dragão, ao longo da época. Porque será? Isto vou abordar na próxima semana.

André Silva estabeleceu o resultado final através do castigo máximo, fixando o score em 4-1. Os pacences ainda tiveram uma boa oportunidade aos 84 minutos, antes do quarto golo portista, num remate de fora da área a que Casillas correspondeu com uma defesa apertada.

Muito pouco para um jogo de 1ª Liga.

Próxima e última paragem: Moreira de Cónegos.



DECLARAÇÕES

Nuno: “Demonstração de orgulho e união por parte da equipa”

Bom jogo, boa vitória
“Sempre que o FC Porto joga, há muito em jogo, há responsabilidade e exigência. Apesar de já estar tudo decidido, houve uma grande demonstração de orgulho e de união por parte dos jogadores e o seu comportamento foi extraordinário. Foi um bom jogo e uma boa vitória. Este era um jogo importante para nós e apesar de não termos ganho o campeonato, fizemos coisas importantes, fizemos coisas boas e demos um passo importante para equipa que queremos ser no futuro.”


Agradecimento especial aos adeptos
“As minhas palavras são claras: desde o primeiro dia, o Dragão deu um apoio incondicional, esteve sempre com a equipa, nos bons e nos maus momentos, tivemos sempre apoio e hoje não foi exceção. Pessoalmente, só tenho palavras de agradecimento. Penso que os jogadores foram dignos desse apoio ao longo do ano, fizeram tudo o que estava ao seu alcance para serem merecedores dele. Acabámos juntos, sofremos juntos, festejámos juntos, que é o mais importante na filosofia do clube.”

O tempo de fazer o balanço
“É a realidade do futebol, são os resultados, continuaremos o nosso caminho. As análises devem ser feitas com frieza, houve muitas análises feitas durante o ano, mas agora sim é o momento de as fazer: primeiro encontrar o porquê, refletir sobre ele, ver que fizemos coisas boas, outras menos boas. Mas considero que crescemos como equipa, os jogadores melhoraram claramente o seu rendimento.”

O futuro
“Desde o primeiro dia que sabíamos que era importante voltar aos títulos e foi esse o objetivo do nosso trabalho. De uma forma unida, equipa técnica, jogadores, clube, todos estivemos unidos nesse propósito. E, sim, falhámos. Portanto, temos que ver o que de menos bom fizemos e não há necessidade nenhuma de manifestar nem em apoio nem noutra coisa qualquer, porque a grande confiança é um contrato que existe.”



RESUMO DO JOGO

12 maio, 2017

NÃO PODEMOS PERDER O NORTE.


O Campeonato está praticamente entregue, é um facto. Se com uma arbitragem um pouco menos tendenciosa, já nem peço imparcial porque isso não é possível, não há dúvidas que o Título seria nosso, também não é mentira que mesmo com todo o condicionamento dos senhores do apito a nossa Equipa poderia ter feito um pouco mais na luta pelo Título.

Mas, independentemente de virmos a perder este Campeonato, não podemos perder o que de bom conseguimos esta Época. Em primeiro lugar, conseguimos ter um Grupo bastante unido comparativamente com os que tivemos nas últimas Épocas de insucesso e mesmo em algumas em que fomos Campeões. É importante, mesmo com as eventuais saídas que inevitavelmente vão ter que acontecer devido aos compromissos financeiros, manter um Grupo com o espírito com que este encarou esta Temporada.

Mas claro, só isso não chega e a prova é que, muito provavelmente, vamos terminar mais uma Época de mãos a abanar. Também é preciso ter bons jogadores e ser muito certeiro nas idas ao Mercado, mas deixarei essa abordagem para outra altura porque, na minha opinião, há algo que deve ser ainda mais destacado.

E falo da gigantesca mudança comunicacional que sofremos, sensivelmente, desde o início do ano. Era praticamente unânime junto da massa adepta que um Porto amordaçado, submisso ao regime e sem qualquer voz não era um Porto à Porto. Pois bem, parece que o Porto que oferecia sempre a outra face aos poucos vai desaparecendo e isso é uma grande mais valia que não podemos desperdiçar.

Temos ainda um longo caminho a percorrer, naturalmente os resultados não vão ajudando, mas é por aqui que temos de continuar a seguir. Agora que fizemos inversão de marcha não podemos, de forma alguma, voltar para trás porque há um um Regime, que também é um Polvo, para derrubar.

Nem tudo é perfeito, por exemplo, não é admissível estarmos uma semana a cascar na péssima arbitragem de Carlos Xistra na Luz quando, mal terminou a partida, o Presidente e o Treinador elogiaram a arbitragem tendo o último até admitido que aquele mergulho de Jonas era Grande Penalidade.

No entanto, só continuando nesta direção podemos voltar a ser respeitados por quem anda a gozar com a nossa cara há uns anos a esta parte e, não tenham dúvidas, que também só assim podemos voltar a meter medo ao inimigo que este ano já andou com ele bem apertadinho durante grande parte da Época.

Claro, nada disto faz sentido se não tivermos uma Equipa, e principalmente um Treinador, que transpirem FC Porto dentro das 4 linhas. Mas, acreditem, quando o exemplo chega de cima é sempre muito mais fácil. É assim no FC Porto, como em qualquer outra organização. Quem dirige, faz isso mesmo, orienta esse conjunto de pessoas numa determinada direção.

Agora que vamos no rumo certo, não podemos mais perder o NORTE!

Um abraço azul e branco,
Pedro Ferreira

11 maio, 2017

OMO LAVA MAIS BRANCO OU A MAGIA DO FUTEBOL DO 1-0.


Já não dá. Ou ainda não dá.

O futuro o dirá sobre qual das frases faz mais sentido, mas o facto é que, seja como for, o FC Porto não apresenta neste momento a consistência que o fazia quase infalível no passado recente.

Temos de ganhar? Ganhamos. Não podemos perder? Não perdemos. Acabamos de perder um campeonato? Mostramos a força no campeonato seguinte. Estas eram as premissas que entretanto abandonamos, por força de diferentes circunstâncias.

O tempo de refletir e pensar o futuro está aí à porta e ainda ontem o Norte aqui publicou um texto cuja mensagem subscrevo quase na totalidade. Se há coisa que nos tem distinguido dos nossos rivais é que na hora da derrota nunca deixamos de olhar para dentro e perceber onde erramos ou onde devemos melhorar. Somos assim porque sabemos que nunca nos deram nada e mesmo assim fomos capazes de ganhar anos a fio contra máquinas de ódio montadas pelos rivais, desde os tempos onde nem um diário desportivo havia e em que a internet era coisa de filmes de ficção cientifica.

Posto isto, e como sei que inúmeras análises ao que foi o percurso do FC Porto em 2016/2017 irão ser feitas nos próximos tempos, queria apenas deixar um alerta: Se gostamos do nosso clube e não nos queremos deixar pisar ou humilhar, não podemos embarcar na procissão do "OMO lava mais branco", nem ceder perante o desígnio nacional de exaltar os méritos do futebolzinho do 1-0!

Sejamos claros: este campeonato foi uma vergonha. Mau futebol quase generalizado, candidatos ao título com percursos intermitentes e um conjunto de arbitragens e decisões disciplinares com critérios absolutamente criminosos. É duro dizer isto, porque parece acima de tudo mau perder? É. Mas não deixa de ser verdade!

Chegou o momento de dourar a pílula e tentar à viva força que os Portistas se curvem perante o campeão, exigindo de nós um comportamento que nunca tiveram para connosco. Cada um sabe de si, mas parece-me um péssimo sinal enquanto Portistas que não tenhamos força para continuar unidos e capazes de prosseguir a luta que visa desmascarar o lodo em que se transformou o nosso futebol.

Se há coisa que não podemos repetir é o pós 2014/15. Destroçados pela derrota e pelo facto de termos entregue o título ao rival rapidamente deixamos que um campeonato ganho com um fortíssimo “manto protector” do Regime fosse quase ignorado, transformado o pós derrota num julgamento a jogadores e treinador (sobretudo), não cuidando sequer de precaver o nosso futuro. Não farei aqui uma longa retrospectiva porque todos estarão lembrados dos meses seguintes a essa derrota e como o ambiente criado foi o rastilho perfeito para a pior temporada de que há memória no FC Porto, deixo apenas esta nota porque não nos podemos dar ao luxo de repetir os tiros nos pés que então demos!

Como já tive oportunidade de escrever, acho sinceramente que finalmente caímos na real, finalmente percebemos que as coisas mudaram mesmo e que o FC Porto terá de lutar muito para ultrapassar este jejum. Mas para que isso aconteça o mais rapidamente possível, não podemos ser anjinhos: o tempo é para verdadeiros Dragões e não para posturas politicamente corretas ou para calculismos de circunstância.

O Futuro é Agora. Resistir é Preciso, Lutar é Obrigatório!

NÃO QUEREMOS POLVO NO BASQUETEBOL.


Aquilo que assistimos no último no Domingo no Dragão Caixa não é novidade, porque quem segue atentamente a Modalidade sabe muito bem quem é o Sr. Carlos Santos e o seu historial a dirigir jogos do FC Porto, mas já lá vamos.

Uma curiosidade no meio disto é o critério da FPB nas nomeações para os 2 primeiros jogos dos Playoffs. Ora então vejamos:
  • FC Porto vs Ovarense Jogo 1- Árbitro Principal: Sérgio Silva (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Paulo Marques (AB Porto); Árbitro Auxiliar 2: Pedro Cunha (AB Setúbal)

  • FC Porto vs Ovarense Jogo 2- Árbitro Principal: Carlos Santos (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Pedro Coelho (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: Pedro Lourenço (AB Porto)

  • SL Benfica vs CAB Madeira Jogo 1- Árbitro Principal: Carlos Santos (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Sérgio Silva (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: José Gouveira (AB Lisboa)

  • SL Benfica vs CAB Madeira Jogo 2- Árbitro Principal: Sérgio Silva (AB Lisboa) (Terá dormido no Pavilhão?); Árbitro Auxiliar 1: Pedro Rodrigues (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: Bruno Maciel (AB Setúbal)
Não vou efetuar qualquer comentário às nomeações, apenas deixo aqui e quem quiser que tire as suas próprias conclusões.

Quanto ao Sr. Carlos Santos, é um habitue nos prejuízos descarados ao FC Porto, como ainda bem recentemente havia acontecido no jogo em casa contra a Oliveirense. Curioso que depois disso, já dirigiu o FC Porto mais 2 vezes. Se nesse jogo contra a Oliveirense, para além de ter feito gestos provocatórios para a bancada, não teve a desfaçatez de expulsar Moncho López, consumando a ameaça bem audível que fez ao próprio, desta vez não se conteve e colocou o Treinador Campeão Nacional cá fora.


Pois bem, Moncho López apenas pediu que fosse assinalada uma falta num bloqueio de Caluico a André Bessa, uma falta bem mais descarada do que as que habitualmente são assinaladas a Sasa Borovnjak e Nick Washburn em lances idênticos (mas para esses dois jogadores já todos sabemos que os árbitros Portugueses andam de lupa dentro das 4 linhas), Pedro Coelho não hesitou em assinalar imediatamente a primeira falta técnica e, após o Treinador Portista dizer que já haviam sido 4 faltas iguais assinaladas contra os Dragões, o Sr. Carlos Santos, armado em justiceiro de meia tijela, tratou de assinalar a técnica que colocaria o nosso Treinador fora do jogo.

Curioso, que para o que é costume nestes dois árbitros, até estava a ser um jogo tranquilo e onde até os próprios estavam a conseguir passar despercebidos, no entanto, a expulsão de Moncho Lopéz ocorreu já depois de ter terminado o jogo no Pavilhão da Luz com a vitória do CAB Madeira. É apenas uma curiosidade.

Felizmente a nossa Equipa deu uma excelente resposta e conseguiu arrancar para uma vitória tranquila, no entanto, não nos podemos esquecer que a diferença entre as Equipas ainda é substancial e se este tipo de interferências externas, nesta primeira ronda pouca influência no desfecho final das partidas pode trazer, com certeza já não será assim lá mais para a frente.

Por isso, apela-se à FPB para que este tipo de situações terminem de forma a que possamos ter uma competição mais justa e que o Campeonato de Basquetebol, ao contrário do que acontece noutras Modalidades, não seja decisivamente marcado por decisões da arbitragem.

10 maio, 2017

REFLEXÃO INTERNA.


Desportivamente falando, a época está feita. O campeão do regime está encontrado, o desígnio nacional vai ser alcançado. Ninguém vai colocar em causa os méritos do vencedor, ninguém vai achar que existiu “mão divina” na atribuição do título, tudo será calmo e tranquilo, só faltando saber em quantas detenções e feridos se vai saldar o festejo sempre (pouco) pacífico no Marquês.

No que ao FC Porto diz respeito, a época foi absolutamente atípica... esta sim atípica, muito mais do que qualquer uma das três anteriores, mas que culminaram igualmente sem títulos. E tal assim aconteceu porque, ao contrário das anteriores, na época ainda em curso, tivemos alterações estruturais relevantes, com entradas e saídas no futebol, na formação, no scouting, na assessoria jurídica, etc. A questão é que todas essas alterações ocorreram “on job”, com a época preparada e planeada, pelo que todos aqueles que entraram foram apanhando o “comboio em andamento”.

Ao longo das últimas semanas, fui aqui alertando que, independentemente do desfecho da época, existiram coisas que foram recuperadas e que não mais podem ser perdidas.
A recuperação da relação com os adeptos, a existência de um discurso mais agressivo e mais fiel à nossa história, uma comunicação mais atenta a denunciar e combater os nossos inimigos, são ganhos que não podem ser ignorados. Não podemos seguir a política da “terra queimada” e de que nada há a aproveitar. Face à um ano atrás, estamos diferentes, com muito mais sinais de vida, sem aquele ar moribundo que nos denunciava.

Mas, queremos mais, muito mais!!!
Sabemos que, num campeonato normal, teríamos sido campeões. Os prejuízos foram mais do que muitos, os erros sucederam-se, os roubos de catedral uma constante. Também na área da disciplina, fomos perseguidos e prejudicados, com comportamentos díspares e desproporcionais consoante a cor das camisolas. Mas essa denúncia e esse combate, são parte dos ganhos dessa época e que temos que manter, não recuar um milímetro, não ceder um palmo de terreno, não oscilar em nada.
Mas se esse trabalho “de fora” tem de continuar, este é também o período de olhar para dentro e não “assobiarmos para o lado” fazendo de conta que está tudo bem.

Conforme já referi, existiram muitas mudanças com a época em curso. Essa limpeza interna não pode parar e tem que ganhar nova vida no próximo mês e meio. Há gente que continua a levar salário para casa e que tem que estar a receber do Estado. Não podemos manter aqueles que não são fieis aos nossos ideais, à nossa cultura, e que apenas se servem do clube para se projetarem e fazerem disto um bom emprego. A limpeza exige-se e não pode parar a muitos níveis. Tem a palavra quem lidera e quem tem obrigatoriamente que tomar estas decisões!

Especificamente no futebol, acredito que uma nova era está em crescimento, mas isto não vai lá só de crença... estou como S. Tomé, “é ver para crer”!
O treinador que temos é fraco e muito responsável por esta época, e, das duas uma: ou é substituído por alguém com credenciais, ou tem que definitivamente perceber que é funcionário de uma SAD!
Por um lado, é fundamental que quem lidere a equipa no próxima época, tenha “moral”, estatuto, estaleca e personalidade para corporizar e aguentar a pressão de quem não ganha há quatro anos e tem muita sede de vitórias. Tenho muitas dúvidas que NES tenha este perfil. O seu comportamento manso e bonacheirão, já não me inspiram confiança!
Mas, por outro lado, mudar por mudar, mudar para escolher um outro qualquer para ver no que dá, também não sou a favor. Para isso, prefiro que se mantenha o atual e que realmente seja reestruturada a linha de apoio e acompanhamento ao treinador. O mesmo tem que estar englobado e integrado a 100% no projeto, não podendo assumir comportamentos individuais e desviantes dos instituídos por quem manda. Não sei explicar o que falhou, mas sei que não podemos ter o funcionário do clube que mais vezes fala à comunicação social (pelo menos, três vezes por semana) a ter um discurso diferente da narrativa oficial do clube. Um discurso politicamente correto, sem ofender ou atacar ninguém, em que o momento de maior efetividade é tido na luz a dizer “é penalti” no lance entre Felipe e Jonas. Lamentável!

Também a escolha de jogadores tem definitivamente que obedecer a outros critérios. Partindo do pressuposto que o nome de quem faz o negócio deixou de ser o principal fator de escolha, há matérias que não podem ser ignoradas, em particular a personalidade do atleta. Dando de borla que qualquer jogador contratado tem qualidade, a forma como o mesmo se integra no grupo, a sua resiliência, a sua capacidade de reagir à pressão e de perceber a dinâmica do clube, são dados essenciais nas escolhas. E isto é de tal forma relevante este ponto: os mesmos jogadores que conseguiram uma importante sequência de vitórias no princípio do ano, são os mesmos que na fase decisiva da época empataram 5 jogos em 7, ou seja, não é uma questão de qualidade mas sim claramente de mentalidade!

Outros dois pontos que definitivamente têm que ser reflectidos, trabalhados e alterados são a formação e scouting. É um facto que os seus líderes já foram mudados e portanto, os frutos do seu trabalho terão que começar a surgir, mas é importante refletir internamente sobre isso.
No scouting, a rapidez de procedimento é essencial no negócio e temos que ter máxima confiança em quem analisa jogadores, pois a hesitação ou demora a atuar, pode significar a perda de um jogador. Temos que ter identificados 40/50 jogadores por posição, não podemos estar reféns de um jogador acerca do qual andamos em “novela mexicana” todo o defeso... é possível, muito bem, se não é, o scouting tem que imediatamente fornecer soluções. Mas, sublinho: a competência deste departamento tem que ser extrema, bem como a confiança nas suas indicações... se for caso disso, contratem-se mais elementos novos e dispensem-se aqueles que nada têm acrescentado.
Na formação, e ao contrário da maioria das opiniões que por aí reinam, não estou muito interessado na conquista de títulos. Aliás, sob esse ponto de vista, somos bicampeões de sub19 (o último patamar de formação), pelo que se fossemos a analisar apenas por aí, até podíamos estar satisfeitos ao dizer que a formação está em processo evolutivo e tem terminado com vitórias. Mas, há coisas que têm que mudar!
Não podemos ter escolas dragon force que deveriam preparar melhor os miúdos do que os nossos rivais para o primeiro patamar competitivo (sub15) e depois percebermos que estes estão aquém dos outros... não faz sentido! Nos sub15, com o trabalho que é feito de base no Dragon Force, nós tínhamos que ser muito mais fortes que os outros, e não é isso que temos visto.
Na fase seguinte, conseguiu-se, em parceria com o Padroense, fazer os sub16 para que quem termina os sub15 não passasse um ano sem jogar... ok, acho bem, independentemente de alguma afinação que me parece ser necessária, pois não se pode perder a cultura e a marca FC Porto. Só que, logo depois temos o problema quando sobem a juniores.
Nós não podemos ter os miúdos parados no primeiro ano de júnior. O que definitivamente temos que meter na cabeça é que se queremos que a formação dê cada vez mais jogadores à equipa principal, temos que os fazer crescer melhor... de que forma? Nos sub19 só jogam sub18, ou seja, os do primeiro ano de júnior. No segundo ano de júnior, quem tem valor sobe à equipa B e compete num nível muito mais exigente... quem não tem valor, paciência, perde-se! Na equipa B, não podemos jogar com 3, 4, 5 jogadores formados no clube, não! A base tem que ser sempre os melhores dos sub19, e se já lá jogarem com essa idade, aos 21 anos, os melhores estão mais do que prontos para o salto. Só assim poderemos ter miúdos maduros e preparados a aparecer.

As mudanças já foram muitas e ainda se exigem mais!
A 31-08-2017 cá farei a minha correta avaliação, pois nessa altura, as decisões já terão sido todas tomadas por quem lá está no momento.

Até domingo, no sítio do costume... porque eu AMO O PORTO!