10 setembro, 2016

PORTO INTENSO.


FC PORTO-VITÓRIA GUIMARÃES, 3-0

Um Porto intenso, solidário, lutador, incansável, com espírito de grupo e de entreajuda. Foi este o Porto que vimos esta noite no regresso da Liga NOS. Nuno Espírito Santo está a construir, claramente, uma equipa na verdadeira acepção da palavra. As diferenças deste FC Porto para o FC Porto da época passada são abismais.

Esta noite, o FC Porto entrou num anfiteatro do Dragão com uma disposição táctica diferente. O treinador portista parece querer impor na equipa dois sistemas tácticos para encarar a época e os adversários. Ao 4x3x3 com que temos sido habitualmente presenteados, Nuno Espírito Santo dispôs a equipa em 4x4x2.

Com o quarteto defensivo do último jogo em Alvalade, o treinador dos Dragões apostou num meio-campo em losango: Danilo no vértice mais recuado, Otávio e A. André descaídos ligeiramente paras as alas e Óliver Torres no vértice ofensivo do meio-campo no apoio à dupla de avançados André Silva e Depoitre.


Neste sistema, os laterais portistas têm uma tarefa mais exigente: fazer todo o corredor sem o apoio dos extremos. Cabe aos médios interiores do losango, Otávio e A. André, apoiar as descidas à área contrária dos laterais, A. Telles e Layún (que pulmão!!!).

Ora, antes de prosseguir, quero deixar aqui apenas uma nota sobre a utilidade e a qualidade do belga Depoitre. Para toda a gente, um desconhecido de 27 anos que jogava no modesto Gent, foi logo apelidado e catalogado por muita gente de tosco, pinheiro e de vir a ser uma opção sem sucesso. Do que se viu esta noite, Depoitre poderá ser bastante útil principalmente no Dragão contra equipas fechadas, ou seja, quase todas as equipas que se apresentam no nosso estádio. Esteve na assistência do primeiro golo, segurou os centrais e permitiu a André Silva tornar-se um jogador mais móvel na frente de ataque portista.

Nuno Espírito Santo abdicou de Herrera que ficou na bancada e Corona que começou no banco de suplentes. Começa a ver-se trabalho feito e bem feito. O FC Porto mostra ter soluções para dois sistemas tácticos que, bem trabalhados e com os jogadores certos, poderão ser bastante interessantes ao longo da época. Foi com estes dois sistemas que, por exemplo, José Mourinho encarou a época 2003-04.

Era importante entrar bem neste jogo, com uma vitória para fazer esquecer a injusta derrota de Alvalade e para encarar, com optimismo, a estreia na 25ª edição da Liga dos Campeões na próxima Quarta-feira.


O jogo iniciou-se com um V. Guimarães pressionante, na tentativa de não deixar o FC Porto sair na construção do seu jogo. Aos 2 minutos, Hurtado atirou para Casillas fazer uma defesa apertada.

Na resposta, Depoitre proporcionou a Douglas uma grande defesa e André Silva, de cabeça, com tudo para fazer o golo, rematou ao lado da baliza vimaranense.

Aos 19 minutos, surge o primeiro caso do jogo. Na conversão de um pontapé de canto cobrado por A. Telles, André Silva aborda o lance com um defesa contrário a fazer pressão, a bola bate no braço do avançado portista que está junto ao corpo e, de seguida, o jovem ponta-de-lança remata de pé esquerdo para o fundo das malhas. Golo prontamente anulado pelo árbitro fraquinho Jorge Sousa. Em Alvalade é permitido o andebol de 11, mas no Dragão não há o mesmo critério.

No entanto, neste mesmo lance, antes da bola bater no braço de André Silva, fica por castigar uma falta clara de um jogador vitoriano sobre Danilo em plena grande área. Jorge Sousa, para o lance de André Silva, teve olho de lince mas para a falta sobre Danilo usou palas. Clap, Clap, Clap. Bravo!

O Dragão continuou na procura incessante do golo, com a mesma intensidade contra um V. Guimarães que, paulatinamente, recuava e descia de produção atacante. Aos 38 minutos, num canto cobrado na direita por Layún, Depoitre, de cabeça, assiste Marcano que, junto ao segundo poste, tocou para dentro da baliza. Estava alcançada a vantagem no jogo que já era merecida há bastante tempo.


Antes de saírem para o intervalo, tempo ainda para ver uma bola na quina da barra, quando na conversão de um livre directo, Layún rematou colocado e a bola ainda sofreu um pequeno desvio na barreira contrária. Ao intervalo, a vantagem do Dragão era escassa. Parafraseando a manchete do jornal da Travessa da Queimada deste Sábado: “(…) perto da goleada.”

O intervalo parecia bom conselheiro para o V. Guimarães, que vinha determinado a desfazer a vantagem portista, mas caiu por terra no início da etapa complementar.

Otávio rematou forte à baliza, na entrada da área e Óliver, acidentalmente, desviou a trajectória da bola que parou dentro da baliza de Douglas. Este lance decidiu praticamente o jogo. Apesar de ter sido um lance (in)feliz, veio fazer justiça ao que se tinha visto durante o primeiro tempo.

Dez minutos volvidos, o Dragão aumentou o score para 3-0. Num cruzamento tenso de Layún, João Aurélio desviou a bola, acidentalmente, para a baliza.

O Dragão mostrava uma frescura e uma disponibilidade física fantásticas. Continuava à procura de mais golos. Depoitre, assistido na direita, falhava a emenda à boca da baliza e perto do final, num contra-ataque do recém-entrado Corona, num slalom de 60 metros, o mexicano desperdiçou uma oportunidade soberana, fazendo levantar o estádio. Nota ainda para Casillas que, a remate de Raphinha, fez uma grande defesa para canto.


Registos finais para a intensidade de uma equipa que, ainda há poucos meses andava à deriva, a grande forma física de Miguel Layún (depois de 180 minutos pela selecção mexicana), a imposição de Marcano no eixo da defesa, a dinâmica do meio-campo (com o perfume do futebol de Óliver Torres) que funcionou em pleno, a boa solução Depoitre para a frente de ataque e a estreia de Diogo Jota.

Bons ventos sopram do Dragão a quatro dias da recepção ao Copenhaga a contar para a 1ª Jornada da Fase de Grupos da Champions League.



DECLARAÇÕES

Nuno: “Foi uma boa noite de futebol”

Nuno Espírito Santo destacou o segundo golo do FC Porto frente ao Vitória de Guimarães, este sábado, como o momento decisivo para o triunfo azul e branco, em partida da quarta jornada da Liga NOS. Porém, olhando para a globalidade do encontro, o treinador falou numa “boa noite de futebol” e sublinhou ainda o facto de o público do Dragão ter “saído satisfeito com a equipa”.

Inconformismo
“Acho que houve algum inconformismo da equipa após o intervalo. Fizemos uma boa primeira parte, dominadora, e depois tivemos um grande desejo de chegar ao segundo golo. Essa atitude é de realçar, pois é mesmo isto que nós pretendemos.”

O momento do jogo
“O momento do segundo golo é importante. É motivador, empolga e condicionou o adversário. Ganhar hoje era importante, depois do último jogo frente ao Sporting. Foi uma boa noite de futebol e foi importante o Dragão ter saído satisfeito com a equipa. Para os adeptos que estiveram cá, o meu muito obrigado. É isto que pretendemos, fazer do Dragão um estádio muito difícil para os adversários.”


Equipa a crescer
“Queremos fazer crescer os jogadores e fazer crescer a equipa, ser versáteis. É isso o crescimento da equipa. Temos um plantel que me dá garantias e que queremos potenciar ao máximo.”

A opção por dois avançados
“Procuramos sempre encontrar as melhores soluções para vencer o jogo. Olhando para todo o plantel, escolhemos o que achámos melhor, fomos a jogo e trabalhámos assim. Estamos sempre a procurar soluções e ser versáteis e capazes de produzir o suficiente para poder ganhar os jogos.”

O golo anulado a André Silva
“Acho que foi uma boa decisão, a má decisão foi há 15 dias [frente ao Sporting], em que o critério foi totalmente diferente.”

Os próximos jogos
“A melhor maneira de preparar o mês que temos pela frente é com jogos como este e vitórias. Vai ser um mês completo de jogos, uma carga tremenda para os jogadores. A mensagem é simples, temos de ir jogo a jogo, encarar todos da mesmo maneira. Somos uma equipa que quer competir e sabe que pode ganhar os jogos, mas necessita de muito trabalho.”



RESUMO DO JOGO

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