Vitória de Setúbal 1-3 FC Porto
Liga 2013/14, 1.ª jornada
18 de Agosto de 2013.
Estádio do Bonfim, em Setúbal.
Árbitro: João Capela (Lisboa).
Assistentes: José Lima e Bruno Trindade.
VITÓRIA DE SETÚBAL: Kieszek; Pedro Queirós, Rúben Vezo, Cohene e Nélson Pedroso; Dani, Paulo Tavares e Tiago Terroso; Bruno Sabino, Ramón Cardozo e Rafael Martins.
Substituições: Adilson por Bruno Sabino (52m); Jorginho por Rafael Martins (68m); Miguel Pedro por Paulo Tavares (78m).
Não utilizados: Pedro Tiba, Ney Santos, François e Bruninho.
Treinador: José Mota.
FC PORTO: Helton (cap.); Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, Defour e Lucho (cap.); Josué, Jackson Martínez e Licá.
Substituições: Quintero por Defour (60m); Herrera por Lucho (82m); Ricardo por Licá (90m+5).
Não utilizados: Fabiano, Abdoulaye, Carlos Eduardo e Ghilas.
Treinador: Paulo Fonseca.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Rafael Martins (13m), Josué (49m, pen.), Quintero (61m), Jackson Martínez (88m).
Disciplina: Cartão amarelo a Bruno Sabino (24m), Ramón Cardozo (37m), Fernando (37m), Dani (48m); Josué (50m), Nélson Pedroso (80m), Alex Sandro (84m); Cartão vermelho directo a Kieszek (49m).
O FC Porto fez a estreia na Liga ZonSagres 2013/14 no Bonfim, terreno tradicionalmente acessível para a equipa azul e branca. A comunicação social fez referência a esse facto mas a tradição vale o que vale e o jogo foi tudo menos acessível. A ansiedade tomou conta dos tricampeões nacionais e o jogo não foi tão fluído como seria de esperar.
Perante uma moldura humana de realçar mas um relvado péssimo para a prática do futebol, assemelhando-se mais a um autêntico batatal, o FC Porto entrou muito bem. Logo aos 3 minutos, Jackson teve uma oportunidade clamorosa frente ao guarda-redes Kieszek. Mas em cima da linha um defesa setubalense salvou o que teria sido o primeiro golo da partida. Continuando a atacar e a mandar no jogo, o FC Porto teve nova oportunidade por Defour num centro remate que o guarda-redes contrário sacudiu para canto.

No entanto, contra todas as previsões e contra a corrente do jogo, o FC Porto foi apanhado em contrapé e o avançado setubalense Rafael Martins aparece no coração da área portista entre dois defesas azuis e brancos com tempo para receber a bola e rematar duas vezes. Rematou, primeiro, para a defesa de Helton e na recarga, perante alguma passividade da defesa do FC Porto, inaugurou o marcador. Estavam decorridos 13 minutos.
O FC Porto sentiu, de certa forma, esta contrariedade e a equipa desconcentrou-se um pouco nos minutos imediatamente a seguir. No entanto, a equipa procurou reagir ao golo contrário e Lucho, Licá e Jackson tiveram boas oportunidades para repor a justiça no marcador mas na baliza estava um guarda-redes inspirado que foi adiando o golo da turma portista.
O V. Setúbal ainda criou mais uma ou outra situação de calafrio para a baliza portista, aproveitando algum desnorte defensivo dos Dragões.
O árbitro João Capela, ainda na primeira parte, fez vista grossa a uma pretensa grande penalidade a castigar uma falta sobre Licá, uma clara obstrução ao avançado azul e branco.
Na segunda parte, o FC Porto chegou ao empate logo no reinício da partida através de uma grande penalidade apontada por Josué aos 48 minutos a castigar um derrube claro sobre Jackson Martínez. Na sequência do golo, o jovem médio apressou-se a ir buscar a bola ao fundo das redes e o guarda-redes Kieszek, além de agarrar na bola, deu uma cabeçada em Josué e foi expulso.
Alguns minutos depois, Quintero entrou para o lugar de Defour para imprimir maior velocidade e criar espaços e situações de ruptura. Defour estava em bom plano mas notava-se que a equipa precisava de alguém para assumir as despesas do jogo, para criar situações em busca do golo da vitória. Quintero, pois claro, entrou e na primeira vez que tocou na bola, teve um lance de génio. Tirou um adversário do caminho e fez um golo de bandeira com um remate colocadíssimo aos 61 minutos.

Com cerca de meia hora para jogar e em superioridade numérica, o FC Porto não exerceu um domínio avassalador. Desengane-se que o jogo ficava fácil para os Dragões, após expulsão do guarda-redes sadino. Pelo contrário, a equipa tricampeã nacional entrou numa crise de ansiedade inexplicável e a defesa mostrou-se intranquila.
No entanto, várias oportunidades surgiram para acabar com a incerteza do resultado mas Jackson Martínez e Danilo não aproveitaram as oportunidades.
Até que aos 88 minutos, Jackson Martínez marcou o golo da tranquilidade após uma jogada ensaiada pelo lado esquerdo, conduzida por Josué. O esquerdino colocou a bola no ponta de lança colombiano na grande área e este com o pé esquerdo efectuou um remate forte e colocado.
Apesar de ter sido uma vitória justa, o FC Porto teve um jogo bastante difícil, pouco inspirado, num relvado paupérrimo, impraticável contra uma equipa que dificultou bastante a tarefa da equipa portista. Três pontos importantes foram, no entanto, alcançados neste início da caminhada para o tetra.
Notas muito positivas para Josué e para Quintero com exibições de encher o olho. Os dois jovens jogadores levaram a equipa à vitória e deram passos importantes para se impor no onze. Quanto às notas negativas, destaco a defesa do FC Porto, incluindo Helton. Criaram-se alguns calafrios desnecessários que poderiam ter originado dissabores maiores. Também Lucho esteve em noite não, errando passes atrás de passes. Jackson esteve igualmente apagado.
O FC Porto recebe o Marítimo, na próxima jornada, no Estádio do Dragão.

DECLARAÇÕES
Paulo Fonseca:
“Antevíamos que ia ser uma partida complicada, visto o V. Setúbal ter uma boa equipa. É verdade que poderíamos ter resolvido o jogo muito cedo, pois entrámos muito bem no jogo mas, na primeira vez que o adversário foi à nossa baliza, acabou por marcar. Isso dificultou a nossa reacção porque o V. Setúbal baixou as linhas e começou a apostar no contra-ataque. Não foi um jogo fácil, mas acreditámos sempre, mostrámos uma determinação muito grande. Sabemos que não fizemos aqui uma exibição perfeita, mas o mais importante de tudo era começarmos a vencer e ainda poderíamos ter feito mais golos e, por isso, penso que é um resultado justo”.
“Estamos no início da Liga e era importante vencer o nosso jogo, algo que fizemos de forma meritória, não nos tendo de preocupar com o que os adversários fazem. Estamos satisfeitos e esperamos conseguir muitas mais vitórias para anexar às 1500 vitórias a que chegamos hoje. É sempre um feito histórico e espero que venham muitas mais”.
Quintero:
“Quando entrei a equipa estava intranquila, marquei um bonito golo, virámos o resultado e foi nesse momento que ficámos mais tranquilos. Acredito que no primeiro tempo estávamos confusos, mas no segundo tempo aproveitamos as oportunidades para ganhar o desafio. Era fundamental ganhar, principalmente por ter sido um jogo muito duro. Creio que esta partida nos vai tornar uma equipa mais tranquila e vamos trabalhar esta semana para conseguirmos fazer um bom trabalho no próximo jogo. Só vamos conseguir ganhar se exibirmos o que mostrámos hoje: entrega e vontade de ganhar”.
RESUMO DO JOGO