Nápoles-FC Porto, 2-2
Liga Europa 2013/14, oitavos, 2.ª mão
20 de Março de 2014
Estádio: San Paolo, Nápoles
Assistência: -
Árbitro: Martin Atkinson (Inglaterra)
Assistentes: Stephen Child e Darren England; Anthony Taylor e Craig Pawson.
4º Árbitro: Stuart Burt.
NÁPOLES: Reina, Henrique, Fernández, Raúl Albiol, Ghoulam, Inler, Behrami, Pandev, Mertens, Higuaín, Insigne.
Substituições: Hamšík por Pandev (68m), Zapata por Higuaín (78m), Callejón por Mertens (83m).
Não utilizados: Colombo, Réveillère, Britos, Dzemaili.
Treinador: Rafael Benitez.
FC PORTO: Fabiano, Danilo, Reyes, Mangala, Ricardo, Fernando, Defour, Carlos Eduardo, Varela, Jackson Martínez, Quaresma.
Substituições: Josué por Carlos Eduardo (63m), Ghilas por Varela (66m), Licá por Quaresma (81m).
Não utilizados: Kadú, Quintero, Herrera, Mikel.
Treinador: Luis Castro.
Ao intervalo: 1-0.
Marcadores: Pandev (21m), Ghilas (69m), Quaresma (76m), Zapata (90+2m).
Cartões amarelos: Henrique (52m), Behrami (75m), Fernando (90m).

O FC Porto parece sair, definitivamente, do marasmo que assolou a equipa durante grande parte da época. A mudança de treinador foi o toque que faltava para transfigurar o FC Porto 2013-14. É certo que esta mudança não resolve os problemas todos mas tornou-se um importante factor de motivação com melhoria na equipa.
É certo que, desde que Paulo Fonseca saiu e entrou Luís Castro (será que está encontrado o treinador da próxima época?), os Dragões respiram melhor, os jogadores animicamente estão também melhores mas é também certo que a sorte tem aparecido com mais frequência e os deuses do futebol têm estado com a equipa, embora em Alvalade os ferros, a fortuna e o árbitro tenham impedido um resultado positivo. O mais importante é que a equipa parece regressar, em definitivo, à normalidade e tem mais é que crescer até ao fim da época.
O tricampeão nacional eliminou, esta noite, o Nápoles da Liga Europa, com um empate no Estádio de San Paolo. Na segunda mão dos oitavos-de-final, os Dragões foram expostos a um teste de fogo, estiveram encostados às cordas, tremeram durante os primeiros 30 minutos de jogo mas despertaram na 2ª parte quando Luís Castro lançou as mudanças na equipa, ajudando-a a libertar-se do sufoco imposto pelo adversário.
Não foi surpresa para ninguém ver o Nápoles meter a sexta velocidade logo nos primeiros minutos de jogo. A correr atrás do prejuízo, a equipa napolitana tinha que assumir as despesas do jogo. Com Insigne de um lado e Mertens do outro, havia rapidez nas alas, diagonais constantes e muitas trocas de posições, especialmente com Higuaín a confundir as marcações dos centrais. O FC Porto com uma defesa que, mais pareceu uma manta de retalhos, viu-se aos papéis para evitar males maiores.
Com Alex Sandro a cumprir castigo, Maicon lesionado e Abdoulaye impedido de jogar na prova por já ter representado o V. Guimarães, Luís Castro, sem soluções, lançou o jovem Ricardo no lugar do defesa brasileiro e o Mexicano Reyes no lugar de defesa central. Entregou uma missão hercúlea aos dois estreantes. O ímpeto inicial dos italianos dava pouco tempo ao FC Porto para sair em ataque organizado, até porque Defour e Carlos Eduardo estavam mais ocupados a fechar espaços do que propriamente a criar linhas de passe na primeira fase de construção. O FC Porto, na 1ª parte criou apenas um lance de registo mas sem grande perigo. Quase ao fechar a primeira metade, Jackson, após cobrança de um pontapé de canto, cabeceou ao lado do poste de Reina.

O Nápoles mostrava ao que vinha. Jogando com linhas muito baixas e dando a iniciativa de jogo aos portistas, os italianos aproveitavam os erros dos Dragões e em três/quatro passes chegavam à área da equipa portuguesa, pasme-se, em superioridade numérica. Em lances seguidos, os portistas ficaram completamente em sobressalto e atarantados perante a avalanche napolitana. Os Dragões não conseguiam controlar o jogo e a posse de bola e o Nápoles, fazendo pressão à saída do seu meio-campo, roubava bolas aos portistas e jogavam no erro do adversário.
Mertens, aos 15 minutos, amorteceu de cabeça para um remate cruzado de Henrique ao lado do poste. Aos 16 minutos, Insigne surgiu sozinho nas costas da defesa mas atirou para as mãos de Fabiano. Aos 17 minutos, Higuaín desmarcou-se na área mas falhou o controlo da bola.
O Nápoles sufocava, o FC Porto sobrevivia. Até que numa das muitas perdas de bola a meio-campo, aos 21 minutos, O FC Porto permitiu uma saída rápida dos italianos para o ataque. Higuaín galgou terreno, fez um compasso de espera à entrada da área, Pandev desmarcou-se nas costas de Reyes e Mangala e Higuaín endossou-lhe a bola. Instintivo, o jogador macedónio, passou a bola por cima de Fabiano. Ricardo, o jovem jogador lançado às feras, não foi lesto a colocar o jogador napolitano em fora de jogo. A eliminatória estava empatada e o receio e a insegurança instalaram-se no Dragão.
Quem viu a primeira parte do jogo no Estádio do Dragão terá ficado com a sensação de estar a assistir a um duelo totalmente diferente no San Paolo. As coisas não ficaram por aqui. O Nápoles continuava a carregar e o FC Porto a tentar sacudir como podia. Fabiano bem contribuiu com um punhado de defesas a evitar males maiores. Primeiro com uma defesa oportuna à recarga de Mertens após um livre directo de Insigne, aos 31 minutos e no segundo tempo com uma mancha, saindo corajosamente, a um cabeceamento do extremo italiano.
Os Dragões, porém, estavam reservados para a segunda parte, ainda que, após o intervalo, o Nápoles tenha voltado a pegar o FC Porto pelos colarinhos. Até aos 60 minutos, o Nápoles continuava a fazer do FC Porto saco de pancada. Aos 59 minutos, a defesa do FC Porto foi apanhada desprevenida, Higuaín recebeu e atirou para grande defesa de Fabiano.

Aos 60 minutos, o sentido do jogo mudou radicalmente. Luís Castro refrescou o meio-campo com a entrada de Josué para o lugar do apagadíssimo Carlos Eduardo e para o ataque entrou Ghilas e saiu Varela. Parece que o FC Porto sofreu um abanão que espevitou por completo a equipa. Josué conseguiu pegar no jogo, segurar a bola e coloca-la jogável. Os Dragões começaram a mostrar que estavam ali para discutir o jogo até ao fim e a equipa começou a ganhar metros. Aos 69 minutos, Jackson iniciou uma jogada no meio-campo onde foi ceifado por um adversário, o árbitro mandou seguir pois Fernando aproveitou para desmarcar Ghilas e o argelino, à entrada da área, atirou de pé esquerdo para o empate. Estava dado o golpe que os napolitanos tanto receavam.
O San Paolo gelava, o FC Porto tornava-se mais atrevido. Defour, de seguida, desmarcado, entrou na área pela esquerda e acertou no poste. Estavam decorridos 72 minutos mas quatro minutos depois Quaresma deu o xeque-mate, ao assinar o momento da noite. O extremo português (homem da risca ao meio, vais convocá-lo para o mundial?) recebeu na área, driblou entre dois adversários e atirou de pé esquerdo colocado e com potência, deixando Reina pregado ao relvado.
Os italianos sentiram-se derrotados. No entanto, ainda tentaram reagir mas já sem o ímpeto e a força da primeira parte. Mas aos 91 minutos, Zapata rematou já na pequena área, após centro da direita do ataque napolitano. O sonho do FC Porto de chegar a Turim está em aberto. Os Dragões ficam a conhecer às 12:00 desta Sexta-feira o adversário dos quartos-de-final que sairá do grupo dos seguintes adversários: Juventus, Valência, Sevilha, Ol. Lyon, AZ Alkmaar, Basileia e benfica.
Notas finais, pelo lado positivo, para as grandes actuações de Fabiano, Quaresma, Danilo e Ghilas. As boas notas de Reyes e Ricardo, apesar das falhas, e a boa entrada de Josué em jogo. Pelo lado negativo, os exageros de Fernando, provavelmente, a querer mostrar-se para os clubes endinheirados e as exibições apagadíssimas de Carlos Eduardo, Varela e Jackson Martínez.
O FC Porto regressa no Domingo à Liga Portuguesa para a recepção ao Belenenses no Estádio do Dragão. A Liga Europa regressa no dia 3 de Abril.

DECLARAÇÕES
LUIS CASTRO
O treinador do FC Porto elogiou a determinação e entrega dos tricampeões nacionais no empate a duas bolas em Nápoles, que garantiu a qualificação para os quartos-de-final da Liga Europa. Fabiano, Ghilas e Quaresma também exultaram pela continuidade em prova dos Dragões.
“Sabíamos que ia ser uma eliminatória apertada, para ambas as equipas. Eles estiveram por cima e nós também, mas no cômputo dos 180 minutos, merecemos a qualificação. Soubemos sofrer sempre que foi necessário e fizemos uma grande segunda parte, na qual fomos superiores. Os jogadores tiveram uma entrega muito grande, foram fantásticos, enormes. Estão de parabéns, tal como os adeptos que nos apoiaram. A nação portista está certamente orgulhosa desta equipa”, afirmou Luís Castro na flash-interview após o embate no Estádio San Paolo.
FABIANO
Fabiano, titular na baliza do FC Porto, manifestou a sua felicidade pela passagem aos quartos-de-final e dedicou-a a Helton. “Conseguimos a qualificação e estou feliz por ter ajudado a equipa a consegui-la. Preparámo-nos bem e soubemos reagir às incidências do jogo. Dedico esta vitória ao Helton, que é um grande amigo e companheiro”. Ghilas, autor do primeiro golo dos azuis e brancos neste encontro, destaca a justiça do agregado final da eliminatória. “Estou muito feliz por ter marcado e ajudado o FC Porto a seguir em frente. Defrontámos uma grande equipa, mas mostrámos o nosso valor e merecemos continuar em prova”.
QUARESMA
Ricardo Quaresma, que apontou o segundo golo dos azuis e brancos num magistral lance individual, voltou a sublinhar que, no FC Porto, a palavra medo não tem lugar no dicionário. “Foi um jogo difícil, como prevíamos. Mostrámos que somos uma grande equipa e que temos muita qualidade. Colectivamente, fizemos coisas bonitas. Temos de continuar a lutar pelos nossos sonhos. Venha quem vier, não tememos ninguém”.
RESUMO DO JOGO