06 julho, 2017

A VITÓRIA QUE FALTA(VA).


O FC Porto voltou aos treinos, no cenário habitual do futebol atual: muitas dúvidas e incertezas quanto a permanências e a entradas, estando esta questão ainda mais realçada pelo facto de termos de cumprir regras específicas da UEFA. Quanto a isso apenas uma nota: que os erros do passado recente não sejam repetidos e que consigamos fazer algo que curiosamente fizemos sempre melhor em tempo de “vacas magras” – formar e/ou comprar bem, valorizar, tirar rendimento e vender melhor.

Mesmo que seja ainda difícil tecer grandes considerações sobre a temporada que agora começou, é evidente que se trata de uma época importante, cujo sucesso se afigura como essencial a uma viragem de página que tem tardado no FC Porto. Cada ano que passa sem ganhar dificulta a tarefa de voltar ao ritmo de 1985-2013, daí que seja vital cortar este ciclo o mais cedo possível, custe o que custar.

Pegando no “custe o que custar”, sigo para o principal tópico destas linhas: neste ano de 2017, com particular ênfase nestes últimos meses, o FC Porto e a sua comunicação tem feito jus à expressão e não tem havido descanso para os lados de Carnide. Finalmente abandonamos a postura passiva e, cereja no topo do bolo, temo-lo feito com base em dados concretos, nunca desmentidos de forma categórica, virando assim um pouco um tabuleiro que tem estado claramente desequilibrado desde os dias do Apito Dourado / Apito Final.

Durante demasiados anos estivemos na mira de rivais e inimigos do FC Porto. Mesmo ganhando consecutivamente, com gerações de grandes jogadores a sucederem-se, houve sempre uma mascarra nas nossas vitórias, uma insinuação soez, uma desvalorização constante. Tudo se reduzia a árbitros e favores, a jogadas de bastidores que nos fortaleciam enquanto enfraqueciam outros, a um jogo de poderes e influências que todos jogariam sob pena de serem descartados.

Nada no sucesso do FC Porto era verdadeiro, exemplar e recomendável, assim nos diziam A Bola, o Record e os seus Jorges Schnitzers, os Gaspares Ramos, João Santos e os Donos da Bola. Dirigentes rivais sucederam-se, sempre com a cartilha do papão do Norte pronta e afinada. Ser Portista era uma verdadeira provocação, só ao alcance de quem tinha princípios éticos e morais pouco claros, gente que festejava vitórias sujas sem um mínimo de remorso.

Entretanto do mal-dizer passou-se à ação. Fora do campo foram formados autênticos “Dream Teams”, que foram para o terreno à procura das provas do que toda a Capital antecipadamente sabia: que nada no FC Porto era digno de admiração e respeito. E por aí acima vieram, de Gondomar para o Mundo (que curiosamente acabava em... Leiria) cumprindo os objectivos a que se propuseram.

Quando a primeira fase estagnou logo se forjou uma segunda, ainda mais bizarra. Ancorados nos “testemunhos” de uma ex-namorada caída em desgraça, recrudesceram os ataques e nem a incoerência ou o fracasso dos argumentos na barra dos tribunais os impediu de traçar a sentença: tal como diziam desde 1977, o FC Porto de Pedroto e Pinto da Costa era uma mera construção do demónio, uma conspiração para impedir o divino desígnio do domínio da Capital.

Onde andariam os ditos 6 milhões quando tudo isto acontecia e o FC Porto, esse clube regional de meia dúzia de adeptos, tudo controlava sem ninguém dar com provas cabais dos cambalachos? Estariam possivelmente distraídos e, azar dos azares, naqueles negros anos ninguém na Liga, Federação ou Conselho de Arbitragem era adepto do clube das águias ou dos seus vizinhos leões. Foram anos de muito azar e coincidências...

Será que todo este processo foi justo e equilibrado, atacando de forma clara e sem olhar a nomes as zonas cinzentas do futebol? Sabemos que não, mas de pouco valeu. As escutas lá foram sendo misteriosamente divulgadas pelos meios do costume (agora dotados de “modernices” como o YouTube) e o caldinho ficou para sempre feito: o FC Porto pode não ter sido condenado na justiça, mas nunca mais poderá falar seja do que for porque o seu presidente recebeu um árbitro em sua casa nas vésperas de um jogo e contratou prostitutas multicolores através de um empresário da sua confiança (que curiosamente passados alguns anos já trabalhava pela virginal Lisboa).

O rótulo colou e mesmo ganhando batalhas o FC Porto baixou a cabeça, ficou a remoer os golpes e o tabuleiro desequilibrou em definitivo. Apesar de continuarmos a ganhar no campo, fruto de grandes equipas e grandes trabalhos de líderes como Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas e Vítor Pereira, tornou-se óbvio que fora dele a cada ano a luta era mais desigual contra pontas-de-lança como Ricardo Costa, Hermínio Loureiro, Vítor Pereira (o outro), Mário Figueiredo, Ferreira Nunes e uma panóplia de árbitros e observadores escolhidos a dedo com uma cartilha bem definida: na dúvida (ou mesmo na certeza) nunca a favor do “clube da corrupção”.

Eis-nos chegados a 2013-2017. O processo por fim vingou na sua plenitude, o FC Porto perdeu finalmente qualidade dentro do terreno e nos gabinetes e tornou-se a presa fácil sonhada por alguns nos idos de 2004. O caminho estava definitivamente desbravado, os títulos sucederam-se e o futuro tornou-se de súbito brilhante para o futebol português.

A história acabou aqui? Não, felizmente para nós e para mágoa deles não acaba aqui! E se calhar ainda está a começar e o melhor ainda estará para vir, usando as palavras que nos dão alento, ao mesmo tempo que fazem tremer o inimigo! O FC Porto acordou, cerrou fileiras, muniu-se de melhores soldados, enfrentou os seus demónios e veio finalmente a jogo.

E cá estamos em Julho, que sucede a esse maravilhoso Junho, o mês do terramoto que virou tudo de pernas para o ar. O mês em que pudemos escutar as mais maravilhosas pérolas argumentativas, que tentaram de repente justificar que o preto afinal também pode ser branco desde que seja pintado a... vermelho! Confuso? Talvez, mas tempos complicados exigem espinhas dobráveis.

Bem que podem pintar a vergonha e a infâmia da cor que quiserem. Bem que podem achar que o FC Porto é sempre o réu, seja quando é suspeito de tráfico de influências e corrupção, seja quando é o denunciante desses mesmos comportamentos. Podem dar as voltas que quiserem, mas graças ao labor do FC Porto personificado no Francisco J. Marques, nunca mais nos tirarão esta vingança, depois de tudo o que esses hipócritas de pacotilha nos fizeram passar.

Será um exagero que depois de festejar em consciência 17 campeonatos, 1 Liga dos Campeões, 2 Taças UEFA, 1 Taça Intercontinental, entre (muitos) outros títulos no futebol e nas modalidades, agora diga que esta é a vitória que nos falta(va)? Alguns pensarão que sim, mas digo-vos uma coisa com toda a sinceridade: o prazer que me deu ver as vestes de anjo a evaporarem-se para sempre está praticamente ao nível de uma grande vitória festejada no campo!

Será pouco, consolação pífia depois de 4 anos de frustrações? Volto a afirmar que há quem possa dizer que sim e que até poderá ter razão, mas se Pedroto fosse vivo, provavelmente, diria que foi mais ou menos assim que tudo começou...

Haja crença, fé e coragem, o momento está aí para ser agarrado. Porque depois disto tudo, de certeza que não seremos mais o alvo fácil, aconteça o que acontecer!

4 comentários:

  1. Muito bem! Tudo resumido! Prá frente é o caminho e, agora, vão MESMO levar connosco!
    Abraço!

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  2. Não há "ser manso" que sempre dure... "ser manso", coisa que, estranhamente, nos últimos anos, estávamos transformados.

    Hoje por hoje, estamos de volta à boa e velha maneira antiga, numa de, muito orgulhosos, "feios, porcos e maus".

    É certo que isso, por si só, não é certeza absoluta alguma de se ganhar, mas que ajuda e de que maneira a abreviar caminho e a ficar bem mais perto, ai não que não ajuda.

    "O momento está aí para ser agarrado"... está nas nossa mãos!

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  3. Estamos ai para ganhar força a F.C. PORTO.

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  4. Vamos à luta, temos que derrotar o polvo mafioso que tem engrossado os tentáculos, temos que denunciar a trafulhice que esses cartilheiros nos tem vendido. Vamos cortar os tentáculos ao polvo para que o próximo campeonato seja jogado em igualdade de circunstâncias por todas as equipas. Viva o FCP
    Abraço
    Manuel da Silva Moutinho

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