14 outubro, 2008

O homem que deu o 1º troféu ao Presidente

Quando Pinto da Costa tomou posse em 1982, como Presidente do FC Porto, muitos desde logo anteveram uma transformação radical, a todos os níveis, no Clube azul e branco. Uma transformação que visava elevar o FC Porto ao lugar da hierarquia máxima no desporto Nacional (e não só no futebol) e a um dos lugares de topo do futebol Mundial.

Hoje penso ser indiscutível que se diga que o FC Porto é claramente o maior Clube Português, ganhador e de alguma forma hegemónico nas principais modalidades.

A partir de 1982, o FC Porto começou então a ganhar troféus de forma muito mais frequente mas, houve uma modalidade (das 4 principais) em que Pinto da Costa demorou 12 anos a conseguir ganhar um troféu. Estamos a falar do Andebol em que apenas em 1994 foi possível ao Presidente festejar um título - a Taça de Portugal 93/94 ganha pelo andebol Portista que na altura era treinado pelo jovem técnico Jorge Rodrigues.

Jorge Rodrigues esteve 3 anos no FC Porto como jogador (de 78 a 81) e 4 como treinador (de 93 a 97) tendo ganho 2 taças de Portugal como jogador (1979 e 80 com o Professor António Cunha a treinador), 1 taça de Portugal e 1 supertaça como treinador (1994). Enquanto jogador foi vice-campeão nessas 3 épocas e como treinador esteve perto do título na 1ª temporada que foi entretanto perdido para o Belenenses (como treinador do Porto conseguiu 3 terceiros e um quinto lugar).

A conquista da Taça em 1993/94 que quebrou o jejum de troféus do andebol do FC Porto (desde 1980), foi a sua maior vitória numa final-four que se disputou em Aveiro e em que o FC Porto venceu na meia final o Belenenses por 27-26 e na final o Benfica por 23-22 com um golo fabuloso de Jesper Degn no segundo final da partida. Na supertaça disputada no inicio da época seguinte (94/95), em Leiria, o FC Porto venceu na semi-final o Benfica por 23-18 e depois na final batemos o Belenenses por 24-23 com um golo de Carlos Resende a 7 segundos do fim (Resende, que foi nestas 4 partidas mencionadas sempre o nosso melhor marcador). Esta foi a 1ª supertaça ganha pelo andebol do FC Porto.

Estas duas conquistas assumem uma importância extraordinária na modalidade pois o FCPorto nessa altura estava a iniciar um processo de reconstrução da equipa após uma fase (ano de 1992) em que o fecho da secção esteve muito próximo de acontecer. Após esses 2 trofeus conquistados em 1994, o FC Porto conseguiu depois em 1999 o título Nacional após 31 anos de jejum, mas já com o treinador José Magalhães.

Voltando a 1994, devo dizer que o nome de Jorge Rodrigues ficou, assim, gravado a letras douradas na história do andebol do FC Porto e por isso é com orgulho e satisfação que apresentamos de seguida mais uma entrevista exclusiva do nosso blog.

ENTREVISTA EXCLUSIVA
Jorge Rodrigues, ex-treinador de andebol do FC Porto

1. Era treinador do FC Porto quando a equipa ganhou aquela Taça de Portugal em 1994 numa final em Aveiro diante do Benfica (as duas fotos do Jorge Rodrigues dizem respeito a este jogo). O FC Porto já não ganhava nenhum troféu no andebol desde 1980 e por isso esse emocionante jogo (o último golo do Porto, de Jesper Degn, foi obtido no último segundo) marcou a sua carreira de treinador. Foi assim?

Exactamente, por várias razões. Porque na época anterior, primeira como treinador nos Seniores tinha perdido a final ao serviço do Sp. Braga numa final com o ABC após prolongamento e que me tinha deixado muito triste pela forma injusta como fomos arredados da vitória. Depois pelos jogadores que acreditaram no projecto e que aceitaram ficar no FC Porto e os que vieram para ajudar, que trabalharam com muito afinco e dedicação para ultrapassarem o que de mau se tinha passado nos tempos recentes no clube e para o clube que finalmente ganhava algo no andebol após 14 anos da conquista precisamente do último trofeu. Motivou-me imenso para as épocas vindouras e que tinha valido a aposta na decisão de regressar àquela casa.

2. Logo na época seguinte (94/95), a equipa do FC Porto ganhou a supertaça ao campeão Belenenses (ver foto dos festejos com toda a equipa do FC Porto). O FC Porto tinha feito uma travessia no deserto reconstruindo a equipa desfeita em 1992. Quais os pontos fortes dessa equipa que o Jorge Rodrigues recolocou no caminho do êxito?

Acima de tudo a grande cumplicidade entre todos, pois formamos um grupo muito forte com jogadores jovens de enorme potencial e cheios de ambição e sede de vitórias e de afirmação na modalidade. Também se dedicaram imenso ao treino com grande parte do grupo bi-diáriamente, alguns com bastante sacrifício pois não eram profissionais. Todos evoluíram bastante individualmente tornando um colectivo bastante forte e praticando um andebol bastante agradável que fez crescer o interesse de todos em ver ao vivo ou colaborar no andebol portista.

3. Qual a importância dessas duas vitórias, sabendo-se que foram mesmo os 2 primeiros troféus do andebol ganhos pelo Presidente Pinto da Costa?

Foram um chamariz bastante importante para o trabalho que se fez a seguir nas acções de captação de jovens para o clube o que ajudou bastante na edificação da estrutura da secção do andebol. Era outra vez apetecível ingressar ou colaborar no andebol portista, desde os adeptos aos simpatizantes do andebol havia muita gente que ou queria trazer os seus filhos ou familiares para esta família com um ambiente espectacular. O clube tinha à medida da sua grandeza uma grande dinâmica e com todos os escalões na formação.

4. Como jogador, o Jorge Rodrigues representou o FC Porto em finais da década de 70. Conte-nos um pouco sobre cada uma dessas épocas e cada um dos troféus ganhos pelo FC Porto.

Eu joguei 3 épocas de 1978 a 1981 onde conquistei 2 Taças de Portugal e 3 vice-campeonatos, numa altura que era dificílimo contrariar o poder instalado na capital. Foram tempos maravilhosos em que praticávamos o melhor andebol em Portugal e que era BASTANTE APRECIADO E ELOGIADO também no estrangeiro quando aí nos deslocávamos. Tínhamos uma qualidade de jogo colectiva ímpar mercê do grande espírito solidário e de amizade que reinava na equipa e da carga de treino que nenhuma outra equipa em Portugal igualava.

5. Dos treinadores que teve no FC Porto (enquanto jogador), qual o que mais o marcou? E relativamente a jogadores, qual o melhor de sempre no FC Porto?

Mesmo que o Mestre António Cunha não me tenha escolhido para o seu sete ideal, talvez um lugarzito no banco me tenha reservado, pois passaram pelo clube grandes atletas e óptimos jogadores, presto-lhe a minha homenagem e não só porque me resgatou na altura ao Sporting para me trazer para a sua equipa. Era um treinador avançado uma década no tempo pois tentava proporcionar às suas equipas níveis de competição mais elevados através de constantes idas ao estrangeiro para aprender jogando contra melhores e fortes oponentes de molde a elevar os patamares de qualidade dos seus jogadores. Ele próprio frequentava os melhores eventos de formação de treinadores onde se actualizava e cujos ensinamentos depois, como pessoa de mente ampla e aberta, partilhava com os seus alunos e colegas, mesmo com os de cor diferente e que não tinham as possibilidades de acesso a estas acções, sendo isto ainda hoje raro, pois perdura o egoísmo.

Também uma referência para Manuel Jorge que se revelou um elo importante não só como adjunto mas como um colaborador e apoiante desportiva e socialmente das pessoas que faziam parte da secção e sendo um técnico com grande argúcia e capacidade analítica e um estratega exemplar.

No FCPorto quero salientar apenas dois porque passaram tantos e bons jogadores pelo clube que seria difícil escolher. Zoran um jugoslavo que era uma referencia para mim, pela elegância e fino recorte do seu jogo, pela qualidade com que jogava, fazia jogar e rematava e Leandro Massada, um jogador da mais fine estirpe com a qualidade e espectacularidade das suas acções, era dos que levavam público aos pavilhões e faziam gostar da modalidade, pena a sua curta carreira, foram os que mais me agradaram.

6. Já o cheguei a ver em jogos de andebol em Santo Tirso. Ainda está ligado à modalidade?

Sempre que posso e o jogo promete desloco-me. Agora vai ter que ser à Póvoa, mas sou cliente habitual do Sá Leite onde não só nos Seniores mas também nas camadas jovens me mantenho informado. Estou à espera de uma decisão sobre logística para poder abraçar um projecto em vista para a formação, e profissionalmente só com um projecto estável e sólido com gente séria e honesta.

7. Peço-lhe uma opinião sobre estas pessoas: Pinto da Costa, Júlio Marques, José Magalhães e Carlos Resende.

Pinto da Costa - Um homem e dirigente admiráveis e que tive a honra de conhecer e ao qual estou agradecido por ter avalizado a minha reentrada no clube como técnico. É das pessoas mais odiadas por ser desejada pelos mesmos para líder dos seus clubes, pela obra que conseguiu erguer num clube que colocou na elite mundial e é conhecido e respeitado em todo o lado.

Júlio Marques - Um dirigente com grande responsabilidade na melhoria do andebol portista com grande capacidade de com poucos recursos ter conseguido a aquisição e manutenção de grandes atletas. A classe e o fino trato são qualidades que enriquecem e prestigiam o clube a que se dedica desde a primeira direcção com o presidente Jorge Nuno que continua a contar com ele por ser certamente uma mais valia. A par de António Cunha e Manuel Jorge e respectivas famílias juntamente foram com a amizade para a vida as minhas melhores conquistas no clube.

José Magalhães - Uma pessoa importante no clube pois conseguiu parar o ostracismo de ser campeão e colocar o andebol portista com grande capacidade de formar equipas com elementos de valia internacional e com excelentes resultados. Sabe mexer-se nos meandros da modalidade conseguindo os seus intentos.

Carlos Resende - Grande companheiro, belíssimo jogador e melhor pessoa. Não lhe chamo filho porque ele já tem Pai biológico e pai adoptivo (Donner). Também gosto de brincar. Por alguma razão o Donner gostava de ter um filho assim, porque além de uma pessoa com uma educação e trato exemplares foi sempre um profissional a quem não era necessário fazer qualquer tipo de reparo por comportamento menos próprio. Cada vez mais escasseiam desportistas e seres humanos desta estirpe. Grande amigo.

8. Peço-lhe agora o seu sete ideal da história do clube.

Antes vou fazer o sete do meu tempo pois passaram tantos bons atletas pelo clube que seria injusto deixar alguns de fora, mesmo assim um sete é muito pouco.

guarda-redes: Jorge Amorim
ponta-esquerda: João Manuel
lateral-esquerdo: Jorge Rodrigues
central - Hernâni
lateral-direito: Areias
ponta-direita: Nuno Montenegro
pivot - Abílio Pinho.

Seria injusto não referenciar Monteiro (ponta-esquerda), Remelhe (central) e Zeca Rocha, jogadores tão ou mais utilizados que os referidos nos seus postos específicos e que foram bastante importantes nos anos que ali estiveram.

9. Esta temporada vai dar FC Porto, Benfica, ABC ou Sporting?

Ao que vi, quer ABC ou Porto podem retirar o título ao SLB. Isto com arbitragens sem azares de erros infelizes que possam ser decisivos no resultado, O SCP seja com ou sem Tomaz é sempre um competidor temível até porque tem um rico plantel com jogadores que podem exceder-se e complicar as contas. Quem subestimar o Belenenses poderá ter amargos de boca pois os pastéis têm uma equipa bastante competitiva que poderá derrotar qualquer candidato em dia menos concentrado. Gostava que alguns atletas que têm tido prestações menos conseguidas voltassem a exibir as suas melhores qualidades a fim de subir o nível do jogo desejado para a prova máxima.

10. Acha que aquela fabulosa equipa que o FC Porto conseguiu juntar em 2002/03 com Pokrajak a treinador, poderia ter ido longe na Europa se não existisse aquele extremar de posições entre o clube e a Federação?

Certamente que essa equipa tinha todas as condições para singrar a nível europeu mas quando se mistura desporto com política, a maior parte das vezes, para defender interesses pessoais e não as instituições que servem, quem mais perde é quem trabalha diariamente (atletas e técnicos) e vê deitado por terra esse esforço ao lhes cercearem o acesso a tais desideratos.

11. O que significou para si representar o FC Porto? O que sentiu em 1999 quando o Clube foi campeão de andebol, 31 anos depois?

Para mim foi uma grande honra representar este grandioso clube pois proporcionou-me uma vivência social e desportiva muito rica e lançou-me para o estrangeiro onde vivi 5 anos fantásticos. Criei amizades muito sólidas com muita gente e ainda hoje sinto bastante carinho de e pelas pessoas (desde funcionários ao Presidente) que vou encontrando quando visito as instalações portistas ou as encontro por aí.

Em 1999, senti uma grande alegria como se fosse campeão pois tinha muita gente na equipa que tinham ficado ou entrado comigo no clube e por quem sentia grande amizade e respeito reciproco. Pecou por tardio pois já como jogador o merecíamos e como treinador o poderia ter sido se a 2 jogos do final, nas Antas tivéssemos batido Belenenses (derrota por 1, resultado de 18-19 em 93/94) numa tarde de rendimento menos conseguido de alguns atletas e injusto para a temporada fantástica dessa jovem e valiosa equipa.

12. Uma palavra sobre o nosso blog e o acompanhamento que efectuamos sobre as modalidades do FC Porto.

Recomenda-se, sou cliente e bem hajam. Continuem a prestar este bom serviço que não é só dos portistas.

Um abraço,
Jorge Rodrigues.

Relativamente ao fim de semana desportivo, vou de forma resumida destacar os jogos Porto/Belenenses em andebol e Porto/Nortecoope em hóquei. No basquetebol, o nosso jogo em Coimbra é só amanhã às 21h e voltamos a jogar no sábado em casa (16h) diante do Sangalhos. No hóquei há jogo em França, no sábado, para a Liga Europeia (o jogo em Braga para o campeonato é dia 22) enquanto no andebol só voltamos a jogar dia 22 no recinto do Sporting.

Andebol: FC Porto empatou com pastéis encomendados
(1º Benfica-17 pts/6 jgs; 2º FC PORTO - 16 pts/6 jgs; 3º Belenenses - 11 pts/5 jgs)

  • crónica do FC Porto/Belenenses (32-32)

Há jogos que desde muito cedo se percebe estarem inclinados. Foi o que constatei ao vivo na Póvoa. A arbitragem da dupla Nicolau/Caçador «caçou» os pupilos de Resende de todas as formas e feitios. Além dos erros próprios da equipa houve muitas interferências de quem deveria ser isento. Sete metros por assinalar, exclusões só para um lado, jogo passivo, faltas ofensivas, tudo valia para tirarem a liderança ao Porto. Mas este ano a equipa está forte, com mais nervo e raça e mesmo com apenas 3 jogadores de campo (nos últimos minutos excluiram-nos 3) conseguiu empatar e até quase ganhar no último segundo. Eduardo Filipe foi o melhor marcador com 9 golos. Os pastéis de Belém festejaram o empate num jogo em que Adelino Caldeira esteve entre a assistência. Ao Porto resta corrigir os erros e ter menos «azar» com as arbitragens... Um único ponto separa-nos da liderança da prova nesta fase regular e muito há ainda por jogar.

Hóquei em patins: FC Porto volta a golear e segue na liderança
(1º FC PORTO - 6 pts/2 jgs; 2º Oliveirense-6 pts/2 jgs; 3º Viana - 4 pts/2 jgs)

  • crónica do FC Porto/Nortecoope (5-1)

Em Fânzeres onde esteve o Estilhaço (ver as suas fotos e vídeo) o FC Porto conseguiu mais uma vitória clara e indiscutível. Ao intervalo já estava 4-0 e o golo dos Maiatos foi obtido apenas no último minuto. Filipe Santos esteve em destaque bisando enquanto os outros golos foram de Caio, Emanuel Garcia e André Azevedo. Agora segue-se a deslocação a França no sábado para a 1ª jornada da liga europeia onde os Dragões defrontam o Quevert.


DRAGÃO DE OURO: Filipe Santos

O capitão dos nossos hoquistas heptacampeões esteve em destaque ao marcar 2 golos na nossa 2ª vitória, um dos quais de penalty mas, a sua garra, a sua mística são sempre outros factores que qualquer adepto muito aprecia. Quem também esteve bem foi o guarda redes Edo Bosch, quase insuperável e o andebolista Eduardo Filipe que marcou por 9 vezes no empate concedido diante do Belenenses.

Saudações Portistas,
Lucho.


# publicado em simultâneo no portal FC Porto Planeta Portugal

13 outubro, 2008

Longe da perfeição… em 1º lugar!

Muito se falou na derrota portista em Londres. Uma derrota pesada, em que a fraca qualidade de alguns jogadores veio ao de cima, em que o receio do nosso treinador neste tipo de jogos ficou bem patente, mas em que a diferença de orçamentos dos dois clubes também foi claramente evidenciada no resultado final.

Mais do que encontrar “bodes expiatórios” ou fazer críticas mesquinhas e cobardes, é tempo de reflectir muito seriamente sobre o que se tem passado neste início de época. Além disso, meus caros amigos portistas, é tempo de começar a fazer contas, contas muito simples, mas que também poderão ajudar a uma reflexão séria, ponderada e construtiva da actual situação do clube. Não vale a pena entrar pelo caminho do insulto fácil à SAD portista, na medida em que foi esta mesma SAD que contratou Lucho, Lisandro, Quaresma, e outros jogadores que tantas alegrias nos deram. Temos é de fazer uma análise séria e, acima de tudo, racional.

Este ano, o FC Porto gastou perto de 21 milhões de €, 7 dos quais gastos em Rodriguez e 5,5 dos quais em Hulk. No entanto, também vendeu Bosingwa por 20 milhões, Quaresma por 18 e Cech por 3 milhões. Feitas as contas, se o FC Porto arrecadou em vendas 41 milhões de €, e gastou em compras 21 milhões de €, quer dizer que arrecadou mais 20 milhões de € do que aquilo que gastou. Isto é, gastou muito menos do que aquilo que arrecadou. Nota-se, ainda, que o FC Porto é, de LONGE, o clube português com mais presenças na Liga dos Campeões e aquele que mais dinheiro tem encaixado com vendas de jogadores nos últimos anos (Deco, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Bosingwa, etc, etc…).

Analisando sectorialmente as mudanças no plantel do FC Porto chegamos a várias conclusões, algumas delas bem tristes:

  • O FC Porto vendeu Bosingwa. Para o seu lugar veio Sapunaru, um jogador vindo do Rapid Bucareste, jovem internacional romeno, mas ainda com muita margem de progressão, com muitos aspectos por melhorar. É um jogador esforçado, sim senhor, mas…não…não há a mínima comparação com Bosingwa, um dos melhores laterais direitos da Europa e do Mundo. Para a defesa foram também contratados Rolando e Benitez. Se é certo que Rolando tem dado boas indicações, agarrando até a titularidade, quanto ao segundo jogador, a minha opinião é tão negativa, que acho por bem não colocá-la neste texto. Há jogadores que pura e simplesmente, deveriam ter seguido outra profissão, onde seguramente seriam muito melhores profissionais… Por aqui me fico…
  • O FC Porto também perdeu Paulo Assunção. Para o meio-campo, onde já pontificava Bollati, uma aquisição falhada do ano anterior, foram contratados vários jogadores: Guarin, Tomas Costa e Fernando (este regressado de empréstimo). No início da época, disse que Fernando seria aquele que melhor interpretaria o papel de Assunção…Acho que as suas prestações me têm dado razão. De Tomas Costa e Guarin, tendo em conta as suas prestações, a minha humilde opinião (não sendo um especialista na matéria) é que são dois jogadores fraquinhos, que ainda não demonstraram merecer vestir aquela camisola. Oxalá me engane e daqui uns meses possa dizer que não percebo mesmo nada de futebol. Até lá, mantenho a opinião, não são “jogadores à Porto”.
  • No ataque, com a saída de Quaresma, o jogador que mais desequilibrava individualmente, o FC Porto conta com 7 jogadores. Na realidade, e do meu ponto de vista, conta com 5 jogadores, já que de Mariano e Farias faço minhas as palavras de Miguel Sousa Tavares sobre estas 2 “peças” do plantel portista, jogadores que fazem excelentes exibições…sentadinhos no banco de suplentes e nas bonitas bancadas do Dragão! Mas voltando ao que interessa, acho que até temos boa matéria-prima. Lisandro e Sektioui foram jogadores decisivos na época transacta e não vejo qualquer razão para não o serem na presente época. Hulk e Rodriguez parecem-me jogadores com grande margem de progressão e Candeias é um jovem com qualidade que, espero bem, possa ser aproveitado pelo Sr. Jesualdo Ferreira.

Em conclusão, o FC Porto não está tão forte individualmente como nos últimos anos, no entanto colectivamente tem todas as possibilidades para se tornar numa equipa forte não só a nível interno, como também a nível europeu.

ps - Segundo MST, personalidade que muito admiro, este é pior FC Porto dos últimos 10 anos. Discordo totalmente. O FC Porto mais fraco dos últimos anos foi sim, o da época de Octávio Machado. Uma época em que aliás, terminamos em 3º lugar, uma autêntica raridade nos últimos 25 anos.

Parceria com o portal "FC Porto Planeta Portugal"

A partir de hoje, estamos em condições de informar todos os nossos leitores que acabamos de concluir as negociações com o portal FC PORTO PLANETA PORTUGAL para a celebração da nossa primeira parceria estratégica/clubística, que admitimos, será num futuro muito próximo, repleta de sucessos para ambas as partes.

Esta parceria, por ora, irá centrar-se na disponibilização das crónicas semanais elaboradas pelo (nosso) Lucho no que às modalidades do FC Porto dizem respeito, mas também do (nosso) Bruno Rocha com as suas antevisões com muito «sumo e conteúdo». Os títulos dessas crónicas irão ali manter-se tal e qual como aqui no blog: "o livre de 7 metros do lucho" e "o tarot do bruno rocha".

Para que se possam ir familiarizando com os logótipos que vão acompanhar semanalmente os espaços destes nossos 2 colaboradores no portal, deixo-vos aqui essas imagens:

O portal FC PORTO PLANETA PORTUGAL será a breve prazo, quanto a mim, um dos espaços de referência no mundo dos portais alusivos ao FC Porto, onde nos últimos tempos, de um modo muito inteligente, objectivo, mas também imaginativo, conseguiu dar um enorme salto em termos qualitativos, o que se saúda e aplaude.

Para finalizar, resta-me desejar um enorme sucesso a ambas as partes envolvidas, esperando que a muito curto prazo, os propósitos iniciais desta parceria, tenham sido largamente ultrapassados, comprovando-se então a excelente aposta conjunta que agora se inicia!

12 outubro, 2008

De bestiais a bestas... de bestas a bestiais

Seja qual for a equipa de futebol, seja em que país for, seja em que língua for, existem sempre criticas construtivas, criticas destrutivas, insultos e elogios. Ninguém foge à regra. Um dia são bestiais, outro dia são bestas. Noutro dia são bestas e no dia a seguir, bestiais.

Porque somos assim? Porque não conseguimos ser coerentes quer quando estamos irritados quer quando estamos num êxtase de alegria?

Eu não fujo à regra. Sempre que vejo um jogo de futebol (ou oiço) mesmo apesar de achar que um jogador é excelente mas se naquele minuto ou naquele jogo não está a fazer nada, para mim passa a ser o pior jogador de todos os tempos!

É verdade que todos os jogadores têm momentos bons, momentos menos bons e momentos péssimos, mas também nós nos nossos trabalhos temos dias fantásticos e temos outros dias que mais valia nem ter saído de casa. Para os nossos patrões tão depressa somos os melhores funcionários do mundo, considerados muitas vezes como imprescindíveis, como de um momento para o outro não valemos nada, somos só mais um funcionário e podemos ser substituíveis.

O mesmo se passa dentro das 4 linhas. Há dias em que a nossa equipa é perfeita, magnifica, espectacular, a melhor do mundo e há outros dias em que a nossa equipa parece que não vale nada e ainda questionamos o que os jogadores andam a fazer dentro de campo!

Será que as emoções humanas são tão contraditórias que não conseguimos passar um jogo sem insultar e elogiar ao mesmo tempo? Num minuto qualquer jogador é fantástico, faz uma excelente jogada é considerado magnifico, na jogada a seguir falha uma bola, falha um golo e é insultado.

Isto tudo a propósito do que se falou sobre Bruno Alves depois do jogo com os lagartos. Depois do jogo foi considerado o melhor jogador as criticas que se ouviram foram as melhores que alguma vez se podiam ouvir, mas o que irá acontecer a todos estes elogios num dia em que Bruno Alves falhar? Vamos insultá-lo? Vamos considerar que ele não vale nada? Ou simplesmente desculpamos por ter direito a um dia mau?

E como reagimos com outros jogadores que tiveram uma magnífica prestação na época passada e esta época ainda não fizeram nada de jeito? Falo por exemplo de Lisandro Lopez que no ano passado brilhou dentro das 4 linhas e este ano falha golos incríveis? Na época passada era bestial e agora é uma besta? Ou continua a ser bestial mas está a passar por uma fase difícil?

Coloco-me frequentemente estas questões porque quando estou a ver um jogo tenho contradições atrás de contradições, tão depressa elogio um jogador como o insulto. Tão depressa ele é o melhor jogador do mundo como é o pior jogador do mundo.

Porque será que somos assim contraditórios?

Saudações Azuis e Brancas
Sodani

11 outubro, 2008

Ser mais ou menos Portista...

Na semana passada, o site oficial do Futebol Clube do Porto, colocava para espanto da maioria dos adeptos (pelo menos para os que haviam assistido ao jogo de Londres), uma análise que nada tinha a ver com a realidade do jogo em questão.

O mesmo artigo terá despoletado sérias criticas, que não tendo na sua maioria passado de conversas mais ou menos animadas entre os adeptos Portistas, encontrou forte eco numa crónica assinada pelo Dr. Rui Moreira.

É natural esperar-se que quem publicamente critica, tem mais é que depois aceitar criticas por sua vez.

Não se pode atingir pessoas (estejam elas certas ou erradas), e esperar calmo da vida que a nossa opinião não seja também ela alvo de observações diferentes das nossas.

Na altura abstive-me de qualquer comentário, até porque até à data de hoje ainda me custa a crer que o Dr. Rui Moreira, que ocupando o cargo que ocupa e a quem esporádicamente vejo na televisão, escreva daquela maneira...

Adiante, que o meu objectivo não é uma critica pessoal a ninguém.

De volta ao que interessa.
Seremos mais ou menos Portistas por criticarmos ou sermos a favor?
Seremos mais ou menos Portistas por vermos o jogo de um camarote, no meio do público ou na televisão?
Seremos mais ou menos Portistas por desejarmos a derrota das nossas cores só para nos vermos livres de um treinador?
Seremos mais ou menos Portistas por vermos adeptos Portistas a trocarem insultos entre si só por terem ideias diferentes?

Eu não sou muito de criticar, tenho o tranquilo hábito de confiar naqueles que vestem a minha camisola, a maioria até já sabe que podemos estar a cinco minutos do fim com um resultado desfavorável que eu não desisto. Que o diga o meu irmão e o meu Pai...

Não deixo nunca de acreditar que aquele símbolo tem mais é que ganhar, quanto mais não seja porque é o meu.

Serei mais Portista por isso?
E os que criticam porque querem sempre o melhor para o FC Porto?
Serão menos?

A primeira vez que fui ao Estádio do Dragão (FC Porto vs Boavista FC), por convite fiquei num dos camarotes... sem querer ser de alguma forma indelicada para quem mo proporcionou, garanto-vos que nada tem a ver com o estar na nossa cadeirinha (nem que seja só por aqueles 90 minutinhos). É quase como estar em casa a assistir a um jogo... um tédio de morrer. Serei mais Portista por isso?

No que diz respeito ao terceiro ponto, só tenho a dizer que se alguma vez eu desejar a derrota do meu clube para me ver livre de alguém, acreditem que tal não terá passado de um momento, de um lapso mui insignificante de perda de clarividência.

E os adeptos que exaperados por maus desempenhos ou resultados o desejarem? Serão menos Portistas do que eu?

Todos temos direito à nossa opinião.
Enquanto adeptos de um clube, certamente uns serão mais conhecedores, outros menos.
Uns aproveitarão o domínio que têm do desporto para vincarem a sua opinião, e tentarem que a mesma prevaleça sobre os demais.

Pessoalmente, não tenho nem faço intenção de conhecer tácticas ou qualidades de jogadores/treinadores de outros clubes que não os meus. Prefiro de longe ser adepta do FC Porto à minha maneira. Adepta de coração... e não de razão!

Serei mais Portista que os adeptos tecnicistas/racionalistas ?

Não, certamente que não,
Heliantia.

10 outubro, 2008

Entrevista exclusiva com Alberto Babo

Jogador do FC Porto na década de 70 (na era de um tal de Dale Dover onde ganhamos alguns títulos heróicos), companheiro de equipa de Fernando Assunção e Fernando Gomes (actuais dirigentes da SAD do basquetebol do FC Porto), passou depois a adjunto, durante muitos anos, do Prof. Jorge Araújo tendo ambos sido decisivos (entre outros títulos) no quebrar do jejum de 13 anos sem ganhar o campeonato (1996).

Passou então a técnico principal do FCPorto e conquistou o campeonato de 1998/99. Venceu também o título pelo Queluz e regressou ao FC Porto para ganhar a Taça de Portugal e a Taça da Liga em duas épocas onde a «milionária» Ovarense só venceu na negra os 2 campeonatos ao FC Porto (2006/07 e 2007/08).

Esta temporada está fora do activo, momentaneamente, e também por isso, com mais tempo disponível, acedeu em dar-nos uma grande entrevista, a sua segunda neste blog (a primeira pode ver aqui). Ao Professor Alberto Babo, fica o nosso agradecimento pela sua extrema simpatia e o desejo de o vermos muito em breve nos pavilhões Portugueses.

Já no final da época referimos que pareceu de todo injusta a não renovação do seu vínculo que o impede, por exemplo, de estar ao leme da equipa na inauguração do Dragão Caixa, prevista para Abril de 2009. Os trofeus conquistados, a dedicação ao clube e até a luta brava e heróica que travou com uma «hiper-favorita» Ovarense nestes 2 últimos anos mereciam outra atenção. Porque os grandes homens colocam sempre o clube acima de qualquer conflito este assunto não foi sequer explorado na entrevista e também não é por acaso que Alberto Babo ainda não falou publicamente sobre esse processo... Em todo o caso «a bola já foi lançada ao ar» e agora é Júlio Matos quem está ao leme do basquetebol do FC Porto e a quem o blog BiBó PoRtO também aproveita para desejar as maiores felicidades desportivas.

ENTREVISTA EXCLUSIVA
Alberto Babo, ex-treinador de basquetebol do FC Porto

1. Era adjunto de Jorge Araújo quando quebramos o jejum de títulos em 1996. Alberto Babo era dos mais eufóricos nesse dia no final do jogo que o FC Porto venceu no Pavilhão da Luz. O que sentiu no final desse jogo?

Falar da vitória obtida na época 1995/1996 onde quebramos um jejum de títulos frente a uma equipa que na altura dominava o basquetebol nacional foi para mim, como ajudante do Prof. Jorge Araújo, de uma alegria enorme. Esta alegria deveu-se a vários factores, e que naquela altura, a equipa técnica tinha como certo, que iríamos um dia destronar o Benfica.

Havia um projecto que se tinha iniciado 5 anos antes. Este acreditar veio através de um trabalho feito de base. A base que o FC Porto se agarrou, direi, trabalhou, foi formar um conjunto de jovens juniores do clube que tinham qualidade, talento, humildade e que deveriam ser orientados para serem campeões (Paulo Pinto, Nuno Marçal, João Rocha, Nuno Quidiongo, Ricardo Santos, Bruno Santos, João Tiago), com uma orientação bem definida por parte da dupla Prof. Jorge Araújo e Alberto Babo para que pudessem vir a ser a base da equipa profissional. Objectivo conseguido mas que se estendeu também para a época 1996/1997 onde nos sagramos bi-campeões.

Nesta altura, os nossos jogadores tinham uma força psicológica muito forte, onde pontificavam jogadores como Rui Santos, Fernando Sá, Raul Santos e que faziam a ponte para a entrada dos novos elementos ao grupo.

2. Conte-nos um pouco sobre cada um dos títulos (campeonatos seniores) ganhos por Alberto Babo pelo FC Porto, dividindo em 3 partes: jogador, adjunto e treinador. Qual o mais saboroso?

Recordo sempre com muita saudade, o meu primeiro titulo nacional, na época 1971/1972 (ver foto em que Alberto Babo dos 6 jogadores que estão em pé, é o 4º a contar da sua esquerda), como jogador, na “era Dale Dover”. Titulo este que trouxe uma mobilização de adeptos do nosso clube ao basquetebol. Este titulo foi o principal responsável para o levantamento do nosso pavilhão gimnodesportivo Américo Sá.

Tenho sempre uma emoção bastante forte por todos os títulos conquistados, quer como adjunto, e também como treinador principal. Mas há aqueles que ficam gravados na memória, o meu primeiro campeonato como profissional de basquetebol – época 1998/1999. O mesmo direi quando orientei o C.A. Queluz, foi também para mim, um titulo gratificante pelo facto de, nesse ano, termos obtido um recorde de vitórias seguidas na liga profissional – 27 e uma participação na ULEB Cup muito meritória.

Todos os títulos são saborosos, mas o maior titulo e o que mais prezo é o de ter sempre a consciência tranquila do dever cumprido, com honestidade e profissionalismo. Direi por fim que ganhar um titulo é o corolário de um trabalho feito com sinceridade, com sofrimento, com solidariedade, com paixão, entregando-se de alma e coração ao objectivo que nos propusemos realizar em beneficio do clube que nos acolhe independentemente de sermos jogadores, treinadores ajudantes ou treinadores principais.

3. Qual o ambiente (pavilhão) mais temível que enfrentou como técnico (adjunto ou principal) do FC Porto?

No passado havia um pavilhão onde o ambiente era bastante hostil, o do Barreirense. Era muito complicado jogar lá. Pavilhão muito pequenino, as tabelas estavam a cerca de 1 metro dos espectadores, por vezes os jogadores eram confrontados por atitudes pouco convenientes dos assistentes. Sair de lá, com uma vitória, era um acto heróico. A rivalidade existente entre o FC Porto e Barreirense era muito grande. Sair do pavilhão era demasiado complicado. Enfim saudades destes tempos. O basquetebol era uma modalidade muito adorada e vivida com paixão.

4. Já ganhou além do título de 1999 pelo FC Porto, um campeonato pelo Queluz (2005), tendo também perdido um outro na final contra o Porto (2004). O que sentiu ao jogar contra o seu clube do coração?

De facto foi gratificante ganhar títulos: um pelo FC Porto, ganhar também pelo Queluz, sinal de que o trabalho foi bem feito, mas não posso esconder que foi muito complicado para mim quando sai do FC Porto em 2002/2003 ter que o defrontar. Na primeira ocasião que se proporcionou, torneio do CAB Madeira, onde vencemos o meu antigo clube e por consequência a conquista do referido torneio, foi um choque, a emoção tomou conta de mim, nunca tinha passado por semelhante coisa.

O mesmo sentimento se passou quando fui orientar o Queluz na primeira vez que visitamos o pavilhão de Matosinhos. Fiz questão de orientar o jogo sentado no banco, não me levantando nunca. Esta foi uma forma que encontrei para homenagear todos os Portistas que estavam a presenciar o jogo.

5. Quem foi para si o melhor jogador que viu jogar no FC Porto: Crawford, Dover, Miller ou outro? O que sentia ao jogar ao lado de Dover?

Falar do melhor jogador que vi e que jogou no clube não é uma tarefa fácil. Todos estes jogadores que está a apontar foram e serão sempre parte muito importante da história do basquetebol do FC Porto. Todos eles contribuíram com o seu profissionalismo, com a sua qualidade e com a sua capacidade de integração em pôr a sua marca pessoal ao serviço do colectivo. Analisando individualmente estes jogadores, direi que em cada momento do tempo eles mostraram características individuais acima da media:

Crawford, este jogador, fino na qualidade técnica, lançamento de longa distância de grande efectividade, como ressaltador, óptima pessoa. Este jogador teve uma estreia com o FC Gaia muito má – marcou zero pontos. O que se pensaria deste jogador após este jogo? Marcou 52 pontos contra o Sporting, foi o homem que nos ajudou a ganhar o campeonato Nacional em 1979.

Miller, jogador trabalhador, jogador de equipa, profissional do melhor que já passou em Portugal. Não teve uma entrada também auspiciosa junto da equipa no inicio da época, mas, paulatinamente foi mostrando a sua apetência pelas acções defensivas, um sentido único de ganhar ressaltos, sendo os ofensivos os mais mortíferos pelo sentido de posicionamento que alcançava na sua colocação entre os defesas e a tabela, sabia onde a bola iria cair. Teve uma melhoria ao longo das época na realização dos seus lançamentos de meia distancia alcançando percentagens muito boas. Em conversa com o Miller ele confessou que na Universidade só tinha um papel a desempenhar, defender e ganhar ressaltos. Com o trabalho realizado ele foi progredindo de qualidade e afinando também a outra faceta que ele tinha e que estava escondida o lançamento.

Por último, Dale Dover que disse um dia em entrevista que deu ao jornal Público "que dar espectáculo era uma característica de que gostava. Para atrair as pessoas ao pavilhão, é preciso fazer ‘show’, o basquetebol tem de ser uma forma de arte, como o ballet”. Esta forma de pensar foi muito importante para impulsionar o nosso clube e o basquetebol Português na época de 1971/1972. Lotações esgotadas para verem um verdadeiro show-man na altura.

Caracterizando a sua pessoa como jogador direi: homem de um drible ultra rápido com ambas as mãos, velocidade nas mudanças de direcção nunca vistas, impulsão vertical para a execução de lançamento impressionante (não tinha uma grande percentagem de lançamento longo) mas essa impulsão servia para converter cestos debaixo da tabela, com movimentos laterais de vasculação onde a passagem da bola de uma mão para a outra em pleno ar era uma imagem de marca. Um vencedor por natureza. Transmitiu isso ao grupo.

Lembro do dia em que chegou ao nosso pavilhão de treinos, com um ar de pessoa que nunca tinha jogado basquetebol. Foi uma desilusão à primeira vista. Vinha para ser treinador jogador. Nesse 1º treino e para conhecer o grupo que tinha ao dispôr, separou duas equipas e fizemos um jogo de 5x5. Que espanto, que coisa fenomenal! Iniciava uma jogada num cesto e acabava no outro. Ficamos de facto admirados da sua capacidade.

No aspecto intelectual, e isso também ajuda e muito, era um fenómeno, formado pela universidade de Harvard, em relações internacionais e línguas, falava com fluência Português, Francês, Dinamarquês, Hebraico, Chinês e Swahili (dialecto africano).

6. Já o cheguei a ver no andebol e no hóquei. O que significa para si o FC Porto?

Sendo Portista e sócio deste muito novo, fui habituado a ver e a sofrer com a vida do clube. O futebol em todos os escalões, o andebol, o hóquei em patins, hóquei em campo, ciclismo, natação e muitas outras modalidades. Estar nos pontos altos das nossas equipas, sempre que me foi possível, estive. Apoiar e incentivar é tarefa de quem aprendeu a gostar de um clube, de um emblema e de uma cidade que nos acolhe.

7. Peço-lhe uma opinião sobre estas pessoas: Pinto da Costa, Fernando Assunção, Fernando Gomes, Jorge Araújo e Matos Pacheco.

A minha opinião destas personalidades é a seguinte:

Pinto da Costa – um presidente que se dedica com alma e coração ao seu clube, o elevou ao mais alto padrão de qualidade, dinamizou, melhorou, transformou um clube na onda dos êxitos e que é respeitado mundialmente.

Matos Pacheco – o senhor do basquetebol do FC Porto, respeitado, conhecedor, amigo do seu amigo, sabia de basquetebol como poucos. Recordo com saudade as suas palavras, os seus conselhos e a sua visão do que era sempre o melhor para o clube.

Fernando Gomes – o homem forte do basquetebol, pegou na secção há cerca de 15 anos numa altura que esteve em causa a continuidade do basquetebol. Continua à frente dos destinos da secção. Este feito não pode ser esquecido, nunca.

Fernando Assunção – director do basquetebol também há cerca de 15 anos, braço direito de Fernando Gomes, gosta muito de basquetebol. Os êxitos alcançados pela secção de basquetebol são também seus.

Prof. Jorge Araújo – homem de personalidade forte, tem a capacidade de liderança acima da média, gestor de recursos humanos de grande eficácia, treinador/mestre, um vencedor. Não sendo um nativo da cidade do Porto, foi ao longo da sua vida tornando-se um cidadão do Porto.

8. O melhor jogador Estrangeiro e Português que viu actuar no FC Porto e o seu cinco ideal da história do clube.

Não gostaria de responder concretamente a esta pergunta. Já passaram, através dos tempos, muitos e bons jogadores, como por exemplo: Paulo Pinto, Nuno Marçal, Fernando Gomes, Rui Santos, Alfredo Leite, Tó Ferreira, etc.

Formaria este 5 inicial:

1º base: Rui Santos;
2º base: Tó Ferreira;
Extremo: Dale Dover;
Extremo/poste: Henry Crawford;
Poste: Jarred Miller.

9. Esta temporada vai dar FC Porto, Benfica ou Ovarense?

Tenho nesta altura pouco conhecimento da valia da maioria das equipas que compõem a LPB, mas mesmo à distância e vendo a composição de cada uma delas, direi, que as equipas da Ovarense, mesmo tendo perdido 2 jogadores nucleares, Elvis Évora e Cordell Henry, é uma equipa bastante forte. Depois, o FC Porto manteve 3 jogadores da época passada e fundamentais para manter a esperança de vitória do campeonato - Marçal, Cunha e Figueiredo, espinha dorsal do seu cinco inicial da época passada. Quanto ao Benfica, neste inicio de época foi refazendo a equipa com entrada de jogadores de grande valia, João Santos, Sérgio Ramos, Diogo Carreira, Miguel Barroca e claro o mais conhecido, Ben Reed.

Na minha opinião, este campeonato está mais nivelado. Não há grandes diferenças de qualidade de equipas. Perdeu-se 2 equipas que por norma eram complicadas de se vencer, Belenenses (ficou muito débil) e Lusitânia dos Açores que desistiu. Existem três equipas bem motivadas para fazerem um bom campeonato, Vagos, CAB Madeira e Guimarães, assim sendo, qualquer uma delas pode vencer.

10. Pedia-lhe 3 ou 4 nomes de técnicos (em actividade) com grandes potencialidades na sua opinião? E qual o melhor treinador Português da história do nosso basquetebol?

Existe um conjunto de treinadores que esta época estão bem posicionados para terem uma carreira de sucesso: Henrique Vieira – já vencedor de um campeonato; Sérgio Salvador – pelo trabalho até agora desenvolvido na sua equipa; Fernando Sá – vencedor da taça de Portugal no ano passado; e José Tavares – campeão da proliga com o Física.

Falo sobretudo destes porque foram aqueles que nos últimos tempos apresentaram um trabalho meritório. Outros mais novos nesta lida, e que orientam equipas de top, poderão despontar e mostrar o seu trabalho no final da época.

Em relação ao melhor treinador da história do nosso basquetebol, direi que nomes como José Curado, Mário Palma, Prof. Teotónio Lima estão num patamar bastante alto em termos de qualidade, mas para mim, de facto, e também pela vivência diária, é o Prof. Jorge Araújo.

11. Uma palavra sobre o nosso blog e o acompanhamento que efectuamos sobre as modalidades do FC Porto.

Por fim uma palavra de apreço pelo vosso blog pela forma como vive o clube, dando a todos os ex-jogadores, treinadores, dirigentes a oportunidade de dizerem algo sobre a história do FC Porto que acabou há pouca de completar 115 anos, dando sempre ênfase àqueles anónimos que fazem a grandeza de um clube: os sócios. Um bem haja.

Alberto Babo.

09 outubro, 2008

Puxada à Ás de trunfo, e soma 11 pontos

Não precisareis de recuar muito no tempo para recordar estas palavras:

"O Sporting demonstrou no sábado passado, e mais uma vez, que é uma boa equipa para assapar, para brilharetes pontuais de 90 minutos, um peso-pesadote em provas de sprint quais Francis Obikwelos, e como tal aguentam-se, desde que a prova seja de 100 ou 200 metros. Como consequência, lá conquistam umas medalhas de Prata de vez em quando. Agora, eu quero é vê-los a competir em provas de longa distância, de resistência física e mental, onde não desfazendo, se exige estofo de campeões. É nestas que o FC Porto se sente a vontade. Quais Rosas Motas ou Fernandas Ribeiros, não fazem a coisa por menos que a medalha de Ouro. E é com estes trunfos que cada equipa se apresenta para mais uma época. Ao Paulo Bento quando lhe sai em sortes um jogo contra Jesualdo, seja para uma bisca dos nove (leia-se Taça) ou uma sueca (campeonato), a impressão que temos é que ao Bento até pode sair a «bisca seca» mas matreiro e com jeito, passa a ser ele a dar cartas, mais uma pontinha de sorte, e acaba sempre ganhando o jogo...Impressionante ou não, Jesualdo vai ter que superar-se a sí e a equipa sabendo que nestes jogos não basta ser-se o Ás de trunfo. Convencer-se que noves-fora o clube perito em jogar com a bisca seca, há outro e de naipe vermelho que também quer ir a jogo nem que para isso tenha de mostrar suas habilidades em jogar à renuncia. O FC Porto tem decididamente de deixar de andar a fazer o papel de Joker do baralho, e esta questão é muito mais abrangente do que possa parecer lançada assim, qual trinta e um de boca."

A 21 de Agosto passado, era essa a convicção que expressava aqui num post e que me mantinha a confiança intacta para esta época após a derrota de mais uma super-Taça com «os do custume».

Ao Longo de mais alguns post´s, tenho feito "apelos", expresso convicções, sonhado com glórias antigas, passando por devaneios "suados" , mas, mesmo com 4 ovos estrelados à inglesa, estava convicto que esta malapata, tinha de ser quebrada. Comentei por aqui e alí que podiam fazer conta, o débito de Londres, teria de ser cobrado.

Bastava recordar - tenham lá paciência, façam o exercício nem que seja... assim, ao de leve - os 4 à 1 encaixados nas mesmas circunstâncias com o Liverpool, na Champions do ano passado. Humilhante! E quem pagou a factura logo a seguir? E este ano, mesmo sem Quaresmas para redemir a fúria do Dragão ferido em terras de sua majestade, a fazer golos daqueles ao SLB, lembras-te? E com mais um desaire à Jesualdo, eis-nos volvidos a casa, e os senhores que se seguem pintam-se de verde, os da malapata, e curiosamente desta feita não tinha muito por onde me preocupar. Tal como o ano passado, com o orgulho ferido na Champions, no campeonato contra um grande rival seria imperativo cobrar. Uma tirada excepcional de Tomás Costa acabou nos pés de Lisandro e abriu a caixa registadora do Patrício. Começavamos a facturar.

Durou pouco, joão Moutinho reclamou troco indevido , Lucílio, com uma precisão picuinha caracteristica de contabilistas, dá ordem para devolução, para uma nota de crédito criar.

Mas há sempre uma seguinda via neste gênero de documentos, e tá a emitir nova factura, com o numero de ordem a ser o dois. Era na camisola do emissor, era na caixa registadora do receptor. Foi vê-la cair. Dois - um, tá a pagar! Buno Alves bem podia comemorar. No fim era ver o Jesualdo a esticar o braço para o recibo carimbar! TOMA! Obrigado, e voltem sempre, pensava eu, e que fossem lá paro Fisco reclamar, choramingar...
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Jesualdo teria mesmo de se superar, dizia eu a 21 de agosto. Mal ou bem (que aquilo foi sofrer até ao fim) para já as contas internas estão saldadas, mas do que dizia no tal 21 aqui atrasado, persisto em manter que "...Impressionante ou não, Jesualdo vai ter que superar-se a sí e a equipa sabendo que nestes jogos não basta ser-se o Ás de trunfo. "O FC Porto tem decididamente de deixar de andar a fazer o papel de Joker do baralho" .

É que a chatice é que continuamos a faze-lo na Champions. Como é Mister Jesualdo?

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PS: Não sei o que é que se passou com o Helton, a bem da saúde do rapaz, espero que mais não seja que um pouco de bluff , quando muito, uma leve caganeira. Seja como for, e fazendo votos que não seja nada de grave, que essas caganeiras durem mais algum tempo, Deus me perdoe, mas as nossas redes agradecem.

E estando numa de agradecimentos, tenho aqui de retribuir o gesto do ilustre amigo e antigo visitante pelo que sei desta casa, o Dragão Azul, que numa nova temática do seu blogue, cometeu doideira de me fazer e publicar uma entrevista. Portanto, e como tenho sido parco em apresentações, assim é mais fácil. Ide ver!

Triabraços, à campeão!

08 outubro, 2008

Há tempo para tudo...

Não terá sido cedo nem tarde.

Ao final da tarde de Domingo morreu o FC Porto da semana passada.
Para uns foi uma semana longa, marcada por uma dura derrota em terras de Sua Majestade e querelas aguerridas. Para outros, recentemente promovidos à Liga dos Campeões, foi apenas uma curtíssima semana de festa, embalada pelas cores (a)berrantes e títulos garrafais dos media de serviço.
Foi sol de pouca dura, diria o Tone.

Assim e à quinta jornada da Liga tudo volta à mais calma e selecta normalidade.
A classificação coloca-se na sua ordem natural e o FC Porto, já fruto das deslocações aos redutos dos seus mais directos adversários, assume finalmente o favoritismo. Sim, já sei que a bola é redonda e a procissão nem sequer chegou ao adro mas como adepto já habituado ao passado, estou atento no presente e acredito que, no futuro que já não é o que era, a habitual consistência nos irá levar, uma vez mais, ao título e à entrada directa na Champions.
Até porque as vitórias em Alvalade, em Vale de Cambra, na Madeira e em Ílhavo não me colheram de surpresa.

É que há tempos difíceis... e tempo para tudo também.

ps - vem com umas semanas de atraso mas é de saudar o regresso do Salgueiral às lides do futebol sénior. Do tempo das bancadas de madeira tem agora um 08 a mais no nome mas a ALMA será, de certeza absoluta, a mesma.

De Londres a Alvalade, do pesadelo à ilusão

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

Este é o pior FC Porto dos últimos dez anos.

1. Qual é a verdadeira face do FC Porto, a da noite vergonhosa de Londres ou a da noite de salvação em Alvalade? Eu temo que seja a de Londres, mas tudo depende da perspectiva: para consumo interno e para quem se contente com isso, o FC Porto que venceu em Alvalade com toda a naturalidade, pode chegar; para quem não se quer desabituar de ver o FC Porto no, digamos, segundo patamar europeu (ou seja, entre as 25 melhores equipas da Europa), esta equipa de 2008/09 não chega para a encomenda e isso ficou cristalinamente claro em Londres.

Num primeiro momento, talvez ainda atordoado pelos 4-0, Jesualdo Ferreira deu mostras de não ter percebido bem a tragédia que acabava de viver no Emirates Stadium. Aquelas infelizes declarações de que só se tinham perdido três pontos e que tanto dava perder por um como por quatro, foram gasolina no fogo. Os portistas, que tinham acabado de ver a sua equipa ser esmagada e positivamente gozada, ficaram estarrecidos. Seria possível que só o treinador não se tivesse dado conta de que pior, mil vezes pior, do que o resultado, foi o ar de quase amadorismo, de total impotência, de provincianismo competitivo, de que dera mostras um clube que ainda há quatro anos foi campeão da Europa e do Mundo? Seria possível que só o treinador não percebesse que estamos cansados de um guarda-redes que, quando chega aos jogos importantes, ou oferece golos directamente, ou os sofre com um ar de absoluta banalidade, como sucedeu com o segundo e terceiro golos do Arsenal (no primeiro deles nem chegou a levantar os pés do chão para tentar chegar a uma bola que sobrevoou, fraquinha, o seu 1,92 metros…). Seria possível que só o treinador não tenha percebido o desastre que foi montar uma ala esquerda defensiva com o Benítez e o Guarín — dois jogadores que ainda hoje devem estar a beliscar-se para perceber como é que conseguiram chegar a titulares do FC Porto, e logo num jogo da Liga dos Campeões, em casa do Arsenal? Seria possível que só ele não tenha percebido que, após tantas trocas e baldrocas, só tem dois médios de qualidade, que são o Lucho e, vá lá, o Raúl Meireles, e que só tem dois avançados a sério, que são o Hulk e o Lisandro, e um que mostra potencial, que é o Candeias (mas que Jesualdo Ferreira despreza, como tem desprezado todos os jovens com potencial que aparecem, como o Ibson, o Vieirinha, o Leandro Lima, o Hélder Barbosa, o Bruno Morais, etc.)?

Aconteceu, depois, que, de regresso ao Porto, alguém terá contado a Jesualdo Ferreira que o estado de espírito e de revolta latente dos adeptos portistas não era propriamente adequado àquele tipo de discurso, e ele mudou de tom e passou a falar na vitória em Alvalade. Era o mínimo que se impunha: a mudança de discurso, o fim das experiências com jogadores de ocasião, a vitória em Alvalade.

Em Alvalade, como era exigível, Jesualdo deixou no banco Benítez, Guarín e Mariano (é verdade que depois fez entrar os dois últimos, porque Lucho deu o berro e Tomás Costa tinha de sair antes que os adeptos do Sporting, com a sempre prestimosa colaboração de Lucílio Baptista, o conseguissem expulsar, e olhando para aquele desolador «banco», que já fez a inveja dos rivais, o que ele lá tem é aquilo). Mas, de facto, independentemente das apregoadas intenções, o FC Porto começou a ganhar o jogo quando alguém deixou o Helton em corrente de ar e ele apanhou um torcicolo que o impediu de jogar em Alvalade: com o Helton na baliza, não tenho a menor dúvida de que não teríamos ganho — como nunca ganhámos até hoje nenhum jogo que tenha dependido da sua actuação. Estou muito curioso de ver qual o pretexto de que Jesualdo Ferreira se servirá para devolver a baliza a Helton… e pensar eu que Co Adriaanse acabou com a carreira de um jogador da categoria do Baía só por causa de um «frango» na Amadora!

Mas, não tenhamos grandes esperanças, para depois não sofrer grandes desilusões. Eu disse-o, depois do descalabro de Londres: apesar de tudo, acreditava que o FC Porto podia vencer tranquilamente o Sporting, porque não está a jogar menos que o Sporting e ainda lhe resta, ao menos para consumo interno, uma marca daquela atitude que fez dele o alvo a abater aqui, nos últimos dez anos e mais. Mas, pessoalmente, a minha opinião é clara: este é o pior FC Porto dos últimos dez anos. Jogador por jogador e olhando para o núcleo duro dos 18/20 jogadores que fazem, de facto, uma época. Depois de conscientemente desbaratada a equipa nos últimos anos, restam três jogadores de categoria europeia: o Lucho, o Lisandro e o Bruno Alves. Mas o primeiro, de quem depende quase tudo, dá mostras de um cansaço estranho e preocupante; e os outros estão longe da forma que exibiram na época passada (com excepção para a grande exibição do Bruno Alves em Alvalade). O resto são jogadores simplesmente regulares, banais ou francamente maus. Eis o resultado da política de administração da SAD, de vender todos os anéis, um a um, para poder continuar a gastar à tripa-forra, sem nenhuma sombra de controle do Conselho Fiscal. Eis o resultado de uma gestão feita com «yes men», Carolinas Salgado e «empresários» mixerucos. Mais tarde ou mais cedo tinha de dar nisto. Não sei se Pinto da Costa ainda se preocupa em escutar outras opiniões que não as da sua corte, mas, caso assim seja, deve saber que há uma corrente que sustenta que quem fez, de facto, do FC Porto a potência futebolística que chegou ao topo da Europa, não foi ele, mas, sim, Jorge Mendes e José Mourinho. Não é o meu caso: sei que houve nisso muito mérito, antes de mais, de Pinto da Costa. Detesto ingratidões e faltas de memória e não ignoro que o dito «Apito Dourado» (hoje, isto é cristalinamente claro para mim) foi uma operação montada ao pormenor para tentar afastar Pinto da Costa — justamente visto pelo rival da Luz como o principal obstáculo às suas ambições de mando e comando. Mas também não acho que a eternidade do poder traga alguma coisa de bom aos homens e às instituições. Quem não sabe sair a tempo pela porta grande acaba por sair a destempo pela porta das traseiras. Porém, mais do que a figura do presidente portista, o que eu acho que está em causa é essa corte de bajuladores que vivem e vegetam à sombra dele, gastando fortunas que ninguém consegue explicar ou justificar em termos de gestão. No espaço de pouco mais de um ano, conseguiram desfazer-se do Pepe, do Anderson, do Paulo Assunção, do Bosingwa e do Quaresma — trocados por «craques» como o Benítez, o Stepanov, o Guarín, o Bolatti ou o Mariano González. E, estranhamente, parece que o clube ainda está em pior situação financeira…

2. Uma mini-série de vitórias seguidas, a primeira eliminatória da Taça UEFA ultrapassada e é quanto baste para que a imprensa embandeire em arco com o «novo» Benfica. Parangonas, títulos bombásticos, a sugestão de que quase que nem valia a pena disputar o resto do campeonato. Sem tirar mérito ao que teve mérito, convém lembrar que o primeiro golo contra o Nápoles nasceu de uma falta claríssima não assinalada e o primeiro golo contra o Leixões também pareceu sofrer do mesmo pecado original. Não impede, talvez… mas lá que ajuda, ajuda. Assim como o Lucílio Baptista a arbitrar o jogo do Porto em Alvalade (o árbitro que decidiu que uma mão pousada nas costas é penalty, é, por estranho que pareça, o mesmo que achou que a entrada por trás do Karagounis a partir a perna ao Anderson, romper-lhe os ligamentos e arrumar com ele seis meses, nem falta foi).

3. Tiveram muito azar, tiveram. Mas o que fica para a história é isto: o Vitória de Guimarães, que tanto se empenhou em tentar entrar na Champions pela porta de serviço, roubando ao FC Porto o lugar conquistado com todo o mérito e clareza em campo, quando foi preciso passar do terreno da esperteza jurídica para o da verdade futebolística não conseguiu nem ir à Champions nem ultrapassar a primeira eliminatória da Taça UEFA. Eu não sou crente, mas às vezes também acho que Deus não dorme.

n'A BOLA de 07Outubro2008
fonte: "All Dragons fórum"

07 outubro, 2008

Um fim de semana perfeito

Depois do pesadelo de 3ª feira passada, as nossas almas suspiravam pela redenção absoluta. E ela surgiu na noite de domingo (em Lisboa) com um golo sublime do nosso Bruno Alves. Mas já na noite de sábado quem olhasse o céu podia desde logo antever que a boa nova estava próxima.

Nesse sábado, três equipas do FC Porto jogaram quase todas elas ao mesmo tempo. E todas elas ganharam, para minha satisfação, e de alguns Portistas que não se limitam ao futebol. Porque mesmo que perdessemos em Alvalade, este fim de semana para mim tinha sido positivo.

Funchal, Vale de Cambra e Ilhavo ouviram os gritos de guerra e de conquista do dragão sedento de glória em todas as frentes. Um fim de semana perfeito, com vitórias no futebol, andebol, basket e hóquei. É verdade que muitos outros têm acontecido «nestas circunstâncias», mas a nossa missão aqui é divulgar estes feitos porque são branqueados pela imprensa na maior parte dos casos. O FC Porto merece tudo isto. Merece o nosso aplauso, a nossa admiração, o nosso orgulho, a nossa dedicação.

Andebol: FC Porto imparável triunfa no Funchal
(1º FC PORTO - 14 pts/5 jgs; 2º Benfica - 14 pts/5 jgs; 3º Belenenses - 9 pts/4 jgs)

crónica do Madeira SAD/FC Porto (23-31)

Há locais onde a vitória raramente acontece. O Funchal é um desses locais onde o andebol do FC Porto não se costuma dar muito bem. Mas desta feita, a raça, o querer e a chama deste Dragão viraram as coisas ao contrário. E a vitória foi-se consolidando com os golos de Ricardo Moreira (12), Eduardo Filipe (6) e Inácio Carmo (5) além das monumentais defesas de Hugo Laurentino. Este FC Porto de Carlos Resende está confiante, destemido, eficaz, sereno e por isso a esperança no sucesso está em alta. Amanhã às 21h, vou estar na Póvoa de Varzim a ver ao vivo o FC Porto-Belenenses.

Basquetebol: FC Porto inicia prova com vitória em Ilhavo
(1º Benfica - 2 pts/1 jg; 2º Vitória - 2 pts/1 jg: 7º FC PORTO-2 pts/1 jg)

crónica do Illiabum/FC Porto (78-88)

Em Ilhavo, o basquetebol do FC Porto iniciou o campeonato com 4 baixas importantes: Marçal, Cunha, Figueiredo e o 3º americano. Mas o espírito do Dragão esteve lá, com força, coragem, entre-ajuda e dois americanos (Burns, 21 pts e Martin, 22 pts) on-fire. A equipa treinada por Júlio Matos alcançou um clara vitória com o jogo praticamente decidido no 3º período. O nosso blog esteve lá muito bem representado pelo Paulo Pereira. Uma palavra também para o base Daniel Monteiro muito bem na pontuação (17 pts) e na condução do jogo. Domingo, o FC Porto desloca-se a Coimbra (18h Sporttv, horário e transmissão a confirmar).

Hóquei em patins: FC Porto já lidera rumo ao «octo»
(1º FC PORTO - 3 pts/1 jg; 2º Viana - 3 pts/1 jg; 3º Gulpilhares - 3 pts/1 jg)

crónica do HA Cambra/FC Porto (1-5)

Em Vale de Cambra, o FC Porto iniciou o campeonato com uma goleada frente a um sempre aguerrido adversário. Os dragões ainda sem Ventura mas já com Moreira, não deram qualquer hipótese ao conjunto de José Fernandes neste seu 1º capítulo rumo ao octocampeonato. Caio com 2 golos destacou-se enquanto os outros foram de J.Silva, R.Figueira e E.Garcia.

Sábado, o FC Porto de Franklim Pais recebe a Nortecoop Maia (16h com entrada gratuita). Nesta 1ª ronda, o Benfica espalhou-se logo ao comprido perdendo com a Oliveirense por 3-2 com 2 golos do quarentão Tó Neves. Por falar em Benfica, este fim de semana a bomba rebentou no rugby; o Belenenses foi ganhar à Luz por 50-0!!!

DRAGÃO DE OURO: Ricardo Moreira

Quem mais mereceria este destaque? C.Burns e K.Martin do basket ou até Caio no hóquei mas a verdade é que a exibição do andebolista Ricardo Moreira no Funchal foi absolutamente fantástica com 12 golos em 15 remates. O ponta direita do FC Porto está a demonstrar que este FC Porto sabe formar grandes jogadores para esta posição. Nos últimos anos recordo só, Ricardo Costa e David Tavares por exemplo...

Saudações Portistas,
Lucho.