06 abril, 2009

Rumo ao Tetra

A visita a Guimarães revestia-se de enorme importância e também de muita esperança para os nossos desesperados adversários que vão agonizando ao ver a caminhada triunfal e imparável do FC Porto rumo ao tetra.

Foi uma demonstração inequívoca e clara da nossa capacidade perante todas as equipas deste pobre campeonato português. A grande verdade é que somos muito, muito melhores que todos os outros. Além de que a capacidade competitiva e o espírito vencedor também não têm paralelo, na medida em que falamos de um FC Porto campeão europeu à 4 anos atrás e presença regular em fases mais adiantadas da Liga dos Campeões.

Foi, por isso, um FC Porto afirmativo e implacável o que se viu em Guimarães. Mas para além disso, há a salientar um nome: Hulk! Começam de facto a faltar os adjectivos para este brasileiro que se começa a destacar como um caso sério, não do futebol português, mas do futebol mundial. Uma técnica fora de comum, uma velocidade estonteante e uma força invulgar para um jovem de 22 anos. Mais uma vez, o FC Porto a descobrir um talento, tal como tantos outros nos últimos anos. Também na prospecção de talentos o FC Porto é melhor que os outros…

Posto isto, acho que todos percebemos que a vitória no campeonato é uma mera questão de tempo. Mais jornada, menos jornada estaremos novamente a festejar a vitória no campeonato. Meus amigos, a única nota negativa acaba por ser a falta de luta com que os nossos adversários nos presenteiam. È mediocridade a mais…Mas porque é que de uma vez por todas não se cria uma Superliga Europeia com as melhores equipas europeias e se acabam, com estes “campeonatos de meia tigela”, como o português, em que a desproporção de qualidade entre o FC Porto e os outros é tão grande que até desmotiva…

Como nota final, deixo aqui os meus votos para que o jogo de 3ª feira em Old Trafford seja de glória, felicidade e sucesso para o nosso clube. A diferença orçamental dos dois clubes seguramente que não se irá verificar em termos desportivos…

Não há duas, sem três...

A pedido de um dos nossos leitores (VIP) muito especial, Álvaro Costa, profissional da TV e rádio, tanto na Liga dos Últimos e Antena 3, respectivamente, publicamos com imenso prazer mais um «desabafo» que nos foi endereçado via e-mail e terminado de redigir quando batiam já as 3h35 da madrugada, deste último sábado, dia 04 Abril de 2009:
    (Não) era uma manha como as outras. Era Abril de 1984. Cimbalinos e bagaços aviados no bar da Faculdade de Letras, aulas ignoradas: "vamos até lá!", virei-me decidido para o meu amigo Leal, o feliz proprietário de uma 4L branca estimada e mais do que isso, muito útil para as actividades "extra curriculares" dos estudantes universitários da época... e "lá", era a aerogare de Pedras Rubras, o lendário apeadeiro internacional, aparentemente transformada, e segundo as notícias que corriam rápido, numa espécie de campanha dos céus, incapaz de suster o entusiasmo febril dos milhares de Portistas que a invadiam freneticamente

    Já não sei onde estacionamos a carripana, mas lembrei-me de Woodstock e dos hippies a caminhar na estrada, transformada em parque de estacionamento psicadélico, mas sei que, e como multidão enlouquecida, invadimos a pista da aerogare, como se os nossos ídolos e heróis pudessem conseguir mais um milagre: aterrar no nosso meio e acenar das janelas do Boeing "azul e branco" que, e segundo os bitaiteiros mais bem informados, estaria em todos os pontos possíveis e imaginários dos céus da Europa, menos onde deveria estar: próxima do espaço aéreo nacional!!!

    Em Setembro de 1983, o panorama era mais ou menos, o do costume. Evitar a eliminação à primeira ou segunda, e acreditar que tragédias gregas ao estilo das ocorridas contra o Anderlecht ou o Hamburgo não se repetissem, e os habituais juízes do leste europeu, temidos pela sua "simpatia" por marcos, dólares ou libras, ou então uns casacos de pele, uma meninas ou meninos conforme as preferências, um cenário Circo Chen, que os veteranos das campanhas europeias da época já conheciam de côr e salteado.

    Por 3 minutos, a maldição não se cumpriu, e somente por "protecção divina", não refracturei o braço que tinha ao peito: Gomes, ao estilo Muller das Antas, enfiava a bola no buraco dos então jugoslavos do Dynamo de Zagreb, após mais uma daquelas teias tecidas pelo "brujo" Frasco que deixou os matulões todos torcidos e fora da europa; com os mesmos resultados e drama semelhante, foi a vez dos poderosos Rangers de Glasgow fecharem a loja: Jacques no ruidoso Ibrox, fazia o 1-2, que, e após uma das noites made in Antas de mais sacrifício que algum dia terei visto, seria ultrapassado com mais uma preciosa bola a zero

    Lembro a data sem ajudas, porque a mesma marcou um dos grandes alicerces da minha carreira profissional: ainda hesitei e estive para não aceitar o convite, o primeiro da RTP, para participar como convidado no novo talk show da Ivone Ferreira que se estreava nessa noite de 07 de Março: tudo se devia à tal movida portuense dos anos 80, a uma reportagem de João Gobern no Jornal das 7 e ao empreendedorismo pop do outro convidado: João Loureiro, esse mesmo, então mais rock and roll e activista da viragem cultural do Porto dos anos 80. Entrei no estúdio, com 0-2, mas saí da porta do estúdio, que ainda hoje existe e onde se fazem os programas desportivos da RTP N, com 3-2, perante os coriáceos e "chatos" mineiros do Shaktior, resultado "perigoso", controlado na Ucrânia pela sagacidade do very british, Mike Walsh, e uma "daquelas" noites do saudoso Zé Beto...

    De todos os jogos internacionais que vi nas Antas (calculo que, exceptuando os 4-0 nas Antas contra o Manchester, que não vi por castigo paternal, deva ter visto quase todos até finais de 80). Destaco 5: os 4 a 1 à Lazio; os 2-1 (super injustos e cruéis) frente a uma das melhores equipas de todos os tempos, o Dymano de Kyev de Lobanovski, os 4-1 ao AEK, após 1-6 na Grécia, e ainda 0-1 ao intervalo, transformados em 4-1, que chegariam aos 6, se o jogo durasse mais uns 5 minutos, e ainda a portentosa e nem sempre lembrada exibição contra o Aberdeen, então cheia de internacionais como por exemplo, Strachan, detentora de troféus internacionais e por via do dinheiro petrolífero que começava a jorrar, a tornar-se num grande da Europa.

    Recordo-me claramente na forma como os escoceses e o seu jovem técnico, já se viam na final de Basileia e já citavam a vechia mas nem sempre impoluta signora, a Juventus, como o alvo a abater: parece que o baile das Antas, não chegou para os ensinar, e era ler nas entrelinhas, que a minha educação britânica aprendia facilmente, o excesso de confiança, e a ideia que agora a música do baile seria dominada pelas gaitas de foles.

    Ainda hoje devem estar a pensar na magia criada por Vermelhinho; nas chicuelinas de Frasco; nas muralhas fernandinas criadas por Eurico, Lima Pereira, João Pinto e Inácio, enfim, numa espantosa, personalizada e imponente equipa, cujo ADN se começou a formar como me contou, nos momentos de "balneário" pós gravação da Liga dos Últimos, o encantador de histórias que se chama, Hernâni Gonçalves, no primeiro dia em que o Senhor José Maria Pedroto chegou ao departamento de futebol e iniciou a revolução que ainda hoje perdura.

    Mas, e acreditem para além do Leal e da sua 4L, da viagem para Pedras Rubras, da multidão em delírio, da chegada da equipa, 12 horas depois da hora prevista em autocarro fretado em Lisboa, das cores que brotavam em todos os cantos da (nossa) cidade sépia, dedico, e no momento em que escrevo esta singela crónica (3h21 da madrugada de 4 de Abril), estas palavras a 3 figuras:

    - à memoria do malogrado Zé beto, que acredito não mais ter recuperado integralmente das peripécias da final batoteira de Basileia, orquestrada pelo Adolfo (Prokop) e ganha pela Juventus do arauto da verdade, o Senhor Platini, que e tenho fé, seja obrigado a entregar-nos as medalhas em Roma;

    - à memoria do meu Pai, destroçado nessa noite, mas que ainda viveu o suficiente para celebrar Viena;

    - e finalmente, ao personagem que em grande parte, inspirou esta história. E quem é essa personagem? Tem um currículo rico, embora não tão "dourado" como os meios que sempre teve à sua disposição o exigiriam; tenta ser especialista em mind-games, mas um bom pique mental, pode chegar para o deixar para trás; esse mesmo, o que foi afastado pela equipa que comprava títulos no supermercado: Sir Alex Ferguson, o mesmo que há 25 anos, sentado no banco de um clube escocês chamado Aberdeen, seja por soberba, estilo, táctica psicológica, ou por acreditar mesmo no Pai Natal dos sorteios, pensou estar a comer um tenrinho cordeiro natalício antecipado.

    Como diz o povo, não há duas sem três: haja alguém que lhe lembre Abril de 1984 e Março de 2004: por agora, Sir Alex Ferguson 1-2 FC Porto!!!

    PS - “bamos” a eles que nem “tarzões”, como dizia o outro!

05 abril, 2009

Mais 3 "envelopes" para o título...

assistência: --- espectadores.

árbitros: Carlos Xistra (AF Castelo Branco), Luís Marcelino e Valter Oliveira; Rui Costa.

V. GUIMARÃES: Nilson; Lionn, Gregory, Moreno «cap.» e Milhazes; Custódio, João Alves, Desmarets e Nuno Assis; Marquinho e Roberto.
Substituições: Lionn por Andrezinho (7 m), Custódio por Fajardo (64 m), João Alves por Santana (77 m).
Não utilizados: Nuno Santos, Sereno, Carlitos e Wénio.
Treinador: Manuel Cajuda.

FC PORTO: Helton, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves «cap.» e Cissokho; Fernando, Tomás Costa e Raul Meireles; Mariano, Farías e Hulk.
Substituições: Tomás Costa por Lucho (66 m), Hulk por Rodríguez (83 m), Raul Meireles por Madrid (85 m).
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Tarik e Rabiola.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

disciplina: cartão amarelo a Custódio (31 min), João Alves (45 min), Roberto (58 min), Tomás Costa (62 min), Cissokho (78 min), Andrezinhho (82 min) e Raul Meireles (83 min).

golos: Roberto (19 min), Farias (52 min), Mariano (58 min) e Rolando (88 min).


Não gosto do Guimarães. Ponto. Detesto a cidade, demasiado descaracterizada. Odeio o servilismo pacóvio do clube, cedendo no orgulho aos clubes de Lisboa. Abomino o treinador, emproado e regularmente com um ar professoral, pose paternalista, como se dali saíssem ensinamentos técnicos ousados ou inovadores. E, por fim, mesmo que me acusem de radicalista, considero a massa associativa do clube da cidade-berço execrável. Violentos, insanos, confundindo paixão clubista com arruaça primária. O jogo de hoje, portanto, adquire um significado especial para mim.

Não terá as emoções palpáveis de um clássico, quando a vitória é o bem maior, mas é indubitavelmente um confronto de proporções apaixonantes. Para além da óbvia rivalidade, apimentada ad nauseum no último defeso com a rábula da disputa da Champions, os 3 pontos em disputa na cidade nortenha constituem um bem precioso.

Uma vitória azul e branca, nesta recta final, proporcionará um desafogo pontual que permitirá uma gestão prudente, nas finais a disputar. Será, ainda, um golpe tremendo nas esperanças dos eternos rivais sulistas, irmanados no desejo de desgraça portista.

São, por isso, 90 minutos de batidas cardíacas desordenadas, intensas, acompanhando cada investida dos nossos heróis, suspensos na sua sorte, desejando a bola a tocar nas redes. Sabia-se, de antemão, com o confronto que se espera épico em Old Trafford a aparecer no subconsciente de todos, que a equipa seria alvo de alterações.

Com Fucile KO, com a arreliadora lesão a impedir a sua normal titularidade, e Lisandro a contas com o castigo disciplinar [não só não foi despenalizado do amarelo, injusto, visto no confronto com a Naval, quando o imaginativo árbitro transformou uma grande penalidade numa virtual simulação, como ainda viu o castigo agravado, mercê das diatribes de uns doutos juízes repulsivos], os adeptos portistas suspiravam pela ausência de cansaço, nos internacionais do plantel, com os sul-americanos a serem causticados com viagens intercontinentais. Os dados eram estes, e Jesualdo não inventou…

O Porto entrou no seu formato tradicional, mais vezes adoptado esta temporada. Sapunaru e Cissokho nas laterais, ambos em bom momento de forma, acompanhando os imperiais Ronaldo e Bruno Alves. No meio-campo, um trio diferente. Meireles, status reforçado depois das boas exibições com a camisola das quinas ao peito, Tomas Costa, substituindo Lucho, um dos únicos (a par de Mascherano) a ser poupado pela imprensa argentina, depois do brutal desaire na Bolívia, ao serviço da Selecção das Pampas (um histórico 6-1, com o tento de honra a ser obra de El Comandante), e Fernando, o habitual pêndulo, médio mais defensivo.

Lá na frente, a ausência de Licha abriu espaço para a entrada de um compatriota. Farías, com características diferentes, dotado de menor mobilidade, mas dono de um letal instinto, dentro da área, Mariano, o eterno mal-amado, mas generoso na entrega e Hulk, um tormento para qualquer defesa.

A partida, iniciada com o beneplácito do sol, foi vivida num ambiente feérico, próprio dos grandes jogos. Os azuis e brancos entraram, como se costuma dizer, a todo o gás. Primeiro minuto da partida e falta dura de Gregory sobre Hulk, mostrando que a religião do “caceteirismo” está bem viva em terras vimaranenses.

10 minutos de jogo e três grandes oportunidades de golo, naquele habitual carrossel ofensivo que baralhava por completo uma parcimoniosa defensiva caseira. Valeu, neste período, o acerto de Nilson, felino a defender um remate com selo de golo de Farías (impressionante a estirada do brasileiro, desviando com uma palmada um remate portentoso de Tecla). Hulk também testou a elasticidade do guardião vimaranense, com um poderoso remate, a mais de 30 metros, sustido em desespero por Nilson. Era uma pressão sufocante, ameaçando asfixiar os homens de Cajuda.

Se há coisa que o futebol nos ensinou é que pode ser uma caixinha de injustiças. E das grandes. Quando se adivinhava o golo portista, mercê da belíssima entrada em campo, o Guimarães marca no primeiro remate que desferiu à baliza à guarda de Helton. Um cruzamento de Milhazes, com Roberto a rematar para o poste mais distante, inaugurando o marcador.

Os Dragões não acusaram o toque. Continuaram a dominar largamente a partida, beneficiando do irrequietismo de Hulk, criando desequilíbrios, mas sistematicamente travado em falta. As suas incursões valeram um livre perigoso (desperdiçado por Bruno Alves) e um amarelo a Custódio. Com o Guimarães acantonado na área, sabia a pouco, o resultado. Uma arbitrariedade do destino, que mofava com quem tanto porfiava na procura do golo redentor.

Mariano ainda colocou a bola, redondinha, à mercê de Farías. E este, com tudo para empatar a contenda, desperdiçou de forma inimaginável o ensejo. Chegou-se ao intervalo. E, com o apito para o descanso, aquela dolorosa sensação de revolta…

A segunda metade iniciou-se da mesma forma. O Porto balançado para um ataque maciço e a equipa da casa remetida para terrenos recuados. Meireles fez a primeira assistência de golo para Farías. Para desespero da enorme falange de apoio vinda da Invicta, o argentino esbanjou nova oportunidade.

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Os ditados populares costumam ter sempre um fundo de verdade. Não foi à 1ª, 2ª, 3ª ou 4ª tentativa, mas a perseverança foi recompensada. Tudo começou numa incursão de Cissokho (gosto da postura desinibida do lateral), que Meireles continuou com um cruzamento milimétrico para a redenção de Farías.

O Porto empatava e, qual combate de boxe, encostou o adversário às cordas. Foram 5 minutos alucinantes, com jogadas rápidas pelos flancos a redundarem em cruzamentos perigosos. O Guimarães abanava, perante o turbilhão ofensivo portista. Ironicamente, o golo da reviravolta resulta de um remate…falhado.

Um pontapé de ressaca de Tomas Costa, torto e desenquadrado da baliza, parecendo ir morrer inofensivamente na linha de fundo. Mas Mariano, lesto e imbuído de fé, materializou o pontapé vitorioso. Pela primeira vez na partida, os pupilos de Jesualdo colocavam-se em posição de vantagem. O Vitória alterou a forma passiva de jogar. O 4-2-3-1, mais audaz, procurava incutir maior agressividade nos flancos, com o recém-entrado Fajardo a ter o papel de catalisador do ataque vimaranense.

O jogo endureceu. Visivelmente. Os Dragões deram um passo atrás, procurando capitalizar o espaço dado pelo contendor. Sofreu-se. E muito, mormente naqueles minutos finais, terríveis, com o banal futebol caseiro, feito de sofreguidão, a descambar no “chuveirinho” para a área portista. Helton, intranquilo, ia provocando uma sincope colectiva, ao falhar a intercepção de um cruzamento.

O Porto vivia, em termos de ataque, das contínuas iniciativas de Hulk, imparável. Com este esgotado e moído de tanta pancada, o alívio chegou mesmo no ocaso da partida. Rolando, impulsão extraordinária, sentenciou o jogo.

Análise final: Não sendo uma vitória épica, foi um triunfo com as características de um vencedor. Capacidade de luta, sofrimento, espírito corporativo, uma fé inquebrantável, mesclada com a qualidade técnica acima da média. Como dizia a enorme faixa da claque portista, foram “mais 3 envelopes para o título”, glosando com as jogadas de bastidores e a imaginação delirante de uma turba aziada. As credenciais que fazem deste clube o detentor da hegemonia lusa estiveram patentes no relvado do Guimarães.

Jesualdo arriscou, ao deixar de fora Lucho e Rodriguez. Uma opção ponderada mas que, em caso de derrota, provocaria uma avalanche de críticas. Escrevendo com um estado de espírito diametralmente oposto ao que tinha ao intervalo, continuo coerente ao que pensava, na altura em que o sabor do fracasso ameaçava transtornar a noite. A substituição de duas pedras nucleares, pese o risco, foi acertada. Não só pelo jogo da Champions, importante, mas sobretudo pelo cansaço que o uruguaio e o argentino carregariam, depois das morosas viagens intercontinentais.

Melhor do Porto: Como sempre, em caso de vitória, muitos e merecidos destaques. Maior do que todos, Meireles, pulmão impressionante na luta do meio-campo, com tempo para auxiliar Fernando na recuperação de bolas, para colaborar na estanquicidade do flanco esquerdo, tampão às subidas constantes de Cissokho, e para participar activamente no ataque portista. Foi dos seus pés que saiu um cruzamento letal, para a finalização de Farías.

Hulk, criando enormes problemas à defensiva adversária, só parado com recurso à falta violenta. Saiu combalido, depois de ter deixado a sua marca bem impressa na memória de todos (magnífico o lance, aos 70 minutos, em que, mesmo escorregando, conseguiu recuperar um endosso de Meireles, ludibriar o marcador directo, e disparar com perigo às redes contrárias).

A dupla Rolando e Bruno Alves, imponentes e autoritários no centro da defesa, verdadeiros guerreiros dos tempos modernos, não permitindo qualquer veleidade aos adversários. Mariano, pese a sua intermitência na primeira metade, marcador de um golo importante, pela aproximação ao tetra que o mesmo constitui. Farías, lutador, enérgico, conseguindo abrir as comportas para um triunfo arrancado a ferros.

Arbitragem: Sem erros de monta, algo permissivo no capítulo disciplinar, incapaz de impor algum respeito à contundência com que era tratado Hulk. No entanto, para quem temia a reedição de uma exibição idêntica à praticada na meia-final da Taça da Liga, em que os seus juízos penalizaram sobremaneira os portistas, pode-se afirmar que hoje, em Guimarães, não houve xist[r]ema.

ps: Eles sonharam, meses a fio, com a Champions. E ela esteve quase a ceder aos seus caprichos. A pré-eliminatória, perdida de forma dolorosa e injusta, com o travo amargo a ser acentuado pela parcialidade arbitral, alvitrou-os. Depois de mendigarem por um lugarzinho entre a elite, foram expulsos da UEFA, caindo estrepitosamente num prolongamento, depois de uma épica reviravolta contra uns ingleses endinheirados. A via-sacra continuou, penalizando o seguidismo dos dirigentes do Vitória, numa temporada em que nada lhes sai bem, com nova incursão nas provas uefeiras a ser uma mera ilusão. O tenente do meu pelotão, em Mafra, excêntrico na abordagem psicológica, usava de dois chavões. 17 anos depois de ter feito a recruta, recordei-me de ambos. “Cada um tem o que merece”, afirmava peremptoriamente o Tenente Bastos, ao ouvir queixumes. “Cada um cria o seu próprio Destino”, proferia em tons apologéticos. O Guimarães criou o seu. E este, ao que se vê, é tenebroso e sombrio.

04 abril, 2009

Guimarães… Berço do Tetra!!!

Largos dias detiveram o rolar da bola no que à Liga Sagres diz respeito, Selecção a quanto obrigas!!!

Com Abril revolucionário à porta, o Dragão configura o seu futebol maior, para o dissipar das dúvidas quanto ao revalidar do título.

O D. Afonso Henriques será palco e berço do re-arranque competitivo para os Portistas, onde as 8 jornadas em falta, serão sinónimo do maior período consecutivo desta edição 08/09.

A deslocação a Guimarães pauta-se historicamente pela rivalidade, onde as idiotices costumeiras dos seguidistas, que teimam em perfilar-se como entidades abonatórias da verdade desportiva, mais não fizeram que provocar uma clivagem acentuada e concomitantemente desmesurada entre duas das mais fervorosas massas adeptas deste País.

Sob a égide de uma torrente de apoio Vimaranense, mergulhados num ambiente tradicionalmente hostil, são inúmeras as bases em que esta espécie de clássico dos novos tempos se pode lançar.

Prévia antecâmara de nova eliminatória da Champions, densidade competitiva e desgaste elevado dos seleccionáveis Azuis torna-se impossível dissociar esta argumentação de tudo o que pode ser a contenda em Guimarães.

Com a exibição da época transacta ainda bem presente, onde o que se pôde ver foi um hino a seriedade desportiva, mesmo com FC Porto a apresentar-se em versão económica, a época em curso acelera doravante para a fase de todas as decisões, não sendo por isso crível que Jesualdo alinhe pelo diapasão da rotatividade de cariz tão marcada então utilizada, ainda que estejam na calha algumas variantes da matriz de jogo que nos caracterizam este ano.

O adversário apesar da paragem, vive um dos momentos de maior elan, podendo em caso de vitória, obter um registo de três vitórias seguidas, coisa ainda não alcançada por Cajuda este ano. A vitória no ninho dos queridos amigos, para além de 3 saborosos pontos, reabriu a luta pelo objectivo Europa, o que enfatiza ainda mais a necessidade premente de ganhar e já alvitrada no discurso do técnico vimaranense “Jogar para ganhar é uma obrigação de qualquer profissional de futebol”.

Cajuda técnico da velha guarda, personalidade vincada, com argúcia e astúcia corroborada por uma infindável panóplia de jogos nas principais divisões do nosso futebol, luta por reavivar no ego dos seus pupilos um Vitória menos díspar exibicionalmente, quando equiparado com a versão da última época.

Este Guimarães que apostado em reeditar a época de sonho, perdeu parte da sua coluna vertebral, Nilson mantém a guarda das redes, elástico e felino, é obstáculo duro de transpor quando nas suas melhores noites. As laterais em comunhão com zona central da defensiva são talvez os sectores onde mais se sentiram as perdas provocadas pelo mercado mas também pela onde de lesões, ainda assim Sereno está de regresso, Moreno é um dos novos B’s da selecção e Gregory é um central com apetência pelo jogo aéreo nas bolas paradas.

Desta feita não haverá o carregador de piano e carroceiro de serviço Flávio Meireles, baixa de vulto no esquema de Cajuda, contudo existem unidades capazes de povoar a zona tampão, Desmarets, João Alves, Custódio, Wénio e outros menos conhecidos, todos juntos serão poucos para aniquilar as pretensões ofensivas do Dragão.

Ao contrário do imaginável por Jesualdo, estou pouco convicto num jogo “olho no olho”, ainda que pedras como Nuno Assis, Fajardo, Carlitos, Roberto ou Santana Carlos possam acicatar e agigantar-se proporcionando um duelo vibrante onde a emoção e incerteza do resultado possam alavancar um jogo menos dado ao catenaccio verificado aquando da visita ao Dragão na 1ª volta.

Encravados na ambiguidade entre o nefasto corte dos ritmos de trabalho e a utilidade do retemperar de algumas forças face densidade de jogos que se aproximam, por entre minas, armadilhas e novas teorias explicativas da Biomecânica, os Dragões contam para além da sua melhor qualidade individual e colectiva um factor motivador, na últimas 5 temporadas na cidade berço, os azuis e brancos só conhecem o sabor dos 3 pontos, assim como contam por vitórias os últimos 7 jogos extra muros.

Com Manchester no horizonte e apesar de todas as nuances e opiniões remakes de outras ocasiões, tenho para mim que a partida no D. Afonso Henriques despertará nos nossos jogadores adrenalina capaz e catalisadora das nossas melhores performances.

Num jogo que se antevê bravamente disputado, rijamente lutado não sobram muitos espaços para erros colectivos, como tal é amplamente aconselhável a manutenção dos característicos movimentos geométricos desenhados pelo trio da zona de influência central.

Se a intenção Vimaranense de jogar taco a taco for um flop, a estratégia azul tem obrigatoriamente de passar por alongar no relvado a zona pressing, atirar com estas dinâmicas de roubar bola para zonas onde a 1ª fase de construção de jogo adversária potencie erros, hipotecando à nascença a organização defensiva do reduto Vitoriano e consubstanciando a desorganização do normal e habitual bom posicionamento e ocupação de espaços dos princípios de jogo de Cajuda.

Com os flancos defensivos sobretudo os laterais a denotarem um processo evolutivo mais consentâneo com os pergaminhos dos Azuis e brancos, onde Sapunaru é um exemplo ainda pouco confiável, mas que premeia a maior profundidade das iniciativas ofensivas, nesta como em outras partidas o cerne vitorioso do desenlace tem sido alcandorado na capacidade de os nossos médios Lucho e Meireles atacarem com maior vigor e expressividade as zonas de finalização próximas da área, complementando graciosamente o volume de acções e mobilidade do trio mais ofensivo.

Com Lisandro subtraído à frente de ataque, Farias volta a ser hipótese condigna para a arte do golo, naturalmente que as suas características, amputam os Dragões dos movimentos diagonais, gizados com Licha, no entanto o seu faro pela baliza pode ser um elo e ancora de referencia entre os sectores meio campo/ataque, ganhando-se soluções de penetração nos flancos com Mariano, Hulk e/ou Rodriguez, descentralizando de alguma forma o normal afunilamento de jogo provocado pela apetência e derivação destes para zonas de finalização centrais a área adversária.

Sobrarão por certo motivos capazes de despoletar outras observâncias em torno do jogo deste sábado, certo mesmo é que salvo algum “Xistrema” comum, estou convicto que Guimarães será mesmo o berço que nos embalará para o TETRA.

LISTA DE CONVOCADOS
Guarda-redes: Helton e Nuno.
Defesas: Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Stepanov e Cissokho.
Médios: Fernando, Andrés Madrid, Raul Meireles, Lucho González, Tomás Costa Mariano, Rodríguez e Tarik.
Avançados: Farías, Hulk e Rabiola.

Quem estará com as orelhas e os bolsos a arder?!

Caso do envelope: Reunião e café com árbitro não provam corrupção
Ex-namorada de Pinto da Costa sem credibilidade, conclui juíza. Ministério Público recorre


Nem dez minutos tinham decorrido na leitura da sentença e Pinto da Costa já respirava de alívio: a juíza não dera como provada a entrega de qualquer envelope. Assim, foram todos absolvidos da acusação de corrupção.

Ao ouvir os pontos 21, 22, 23, 24 e 25 dos factos provados, o presidente do F. C. Porto ficou a saber que apenas ficou provada uma reunião com o árbitro Augusto Duarte, mediada pelo empresário António Araújo, a 16 de Abril de 2004, na sua casa na freguesia da Madalena, Gaia. E que Carolina Salgado serviu um café às visitas.

Nada sobre "notas" de 500 euros retiradas de cómodas e "envelope" entregue ao árbitro do jogo Beira Mar-F. C. Porto, disputado dois dias depois. Melhor: esses factos acabaram referidos mais tarde, mas na categoria dos "não provados".

Porquê? Essencialmente porque a juíza do Tribunal de Gaia Catarina Ribeiro de Almeida entendeu não conferir credibilidade ao testemunho da ex-namorada de Pinto da Costa.

A magistrada considera, por outro lado, que "apelidar Pinto da Costa como o 'engenheiro máximo', o 'número um', ou o 'gerente da caixa' - expressões usadas em escutas - não permite extrapolar que os intervenientes se estivessem a referir à existência de qualquer contrapartida monetária (ou outra) a entregar por este ao árbitro no encontro que se iria realizar".

Contra esta absolvição, o procurador do Ministério Público, José Augusto Sá, vai recorrer para o Tribunal da Relação do Porto, como decorre de ordens expressas do procurador-geral da República, aplicável aos casos em que juízes contrariem as teses defendidas pela equipa especial coordenada pela procuradora Maria José Morgado.

Pendente, aliás, está já um recurso pela não admissão do depoimento da gémea de Carolina. Se a Relação der provimento a qualquer dos recursos, a sentença será anulada.

Sobre o processo, depois de retirar Carolina, a juíza chega a mencionar que se chegou "ao ponto de partida que determinou o arquivamento inicial dos autos, por parte do Ministério Público de Vila Nova de Gaia".

Neste contexto, reconhece que o encontro na casa de Pinto da Costa "pode levantar suspeitas e revela-se, pelo menos, imprudente", por força das funções dos intervenientes e ser antevéspera do jogo Beira Mar-F. C. Porto. E que o quadro "é sugestivo". Porém, não retira conclusão de que tivesse sido oferecida contrapartida ou pedido qualquer benefício, até por não se poder dizer que a actuação do árbitro no jogo tenha sido tendenciosa.

Carolina "foi usada, desusada, abusada e no final inutilizada"

Mesmo absolvido, Pinto da Costa não quis falar à comunicação social. Porém, ao contrário das outras sessões do julgamento - em que entrou e saiu pela porta das traseiras do edifício, mais discreta e reservada a magistrados e arguidos detidos -, o presidente do F. C. Porto saiu do Tribunal de Gaia pela porta da frente.

À sua espera tinha dezenas de adeptos a gritar "vitória", "vitória!", e a insultar o principal rival, Luís Filipe Vieira. A reacção coube ao seu advogado, Gil Moreira dos Santos: "Há muita gente que parte da convicção prévia para a livre convicção, o que é uma coisa diferente", vincou. A ex-namorada de Pinto da Costa e principal testemunha da acusação, também foi visada. "Ela foi essencial para a estratégia montada até agora. Foi usada, desusada, abusada e no final de contas inutilizada", criticou. Marcelino Pires, advogado do árbitro Augusto Duarte, acusou o Ministério Público de ter cometido "terrorismo processual", devido à tentativa de incluir no processo declarações da gémea de Carolina. "Já depois de iniciada a audiência levam a Lisboa para ser ouvida uma testemunha e depois, passados dois dias, ouvem-na em Famalicão na sua residência. Isto revela que algo vai mal", criticou. Quanto ao julgamento, diz que "havia a sensação desde o início de que a acusação era extremamente frágil".

# fonte: JN on-line em 04Abr2009

03 abril, 2009

A dos homens já está! Falta agora a divina...

Pinto da Costa absolvido no "Caso do Envelope"
Foram tb absolvidos os outros dois arguidos: o árbitro Augusto Duarte e o empresário António Araújo.

14h22m (em actualização)

O Tribunal de Gaia absolveu Pinto da Costa no "Caso do Envelope". Não foram dados como provados os factos imputados pela acusação.

O Tribunal referiu discrepâncias no testemunho de Carolina Salgado. Considerando não ser credível, a magistrada excluiu o testemunho da ex-companheira de Pinto da Costa.

A Juíza Catarina Ribeiro Almeida prossegue ainda a leitura da sentença. Segundo o tribunal, não ficou provado que Pinto da Costa tenha pressionado árbitros e que o presidente do F. C. Porto tenha pago a Augusto Duarte.

De acordo com o Tribunal de Gaia, não foi igualmente provado que Augusto Duarte tenha beneficiado o F. C. Porto no jogo com o Beira-Mar (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.

O presidente do F .C. do Porto, Pinto da Costa, e António Araújo, um empresário de futebol, estavam pronunciados pelo crime de corrupção desportiva activa e ao árbitro Augusto Duarte era imputado o crime de corrupção desportiva passiva.

O processo é um apêndice do megaprocesso "Apito Dourado" e tem como génese casos de alegada corrupção e tráfico de influências no futebol profissional e na arbitragem portuguesa.

"Caso do envelope" - O que não ficou provado
15h43m

A juíza Catarina Ribeiro considerou esta sexta-feira não provados os seis principais pontos da acusação contra o presidente do FC Porto, o empresário António Araújo e o árbitro de futebol Augusto Duarte no chamado "caso do envelope" do Apito Dourado.

Pinto da Costa, presidente portista, António Araújo e Augusto Araújo eram arguidos no caso que reportava ao encontro Beira-Mar-FC Porto (0-0), da 31ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril de 2004.

Em causa estava um alegado suborno de 2.500 euros ao árbitro, num encontro que teria acontecido em casa do dirigente portista.

Apenas um ponto foi considerado provado, este relativo à arbitragem de Augusto Duarte, em que é considerado provado que o árbitro do encontro não cumpriu com todas as leis do jogo, em prejuízo para os dois lados.

O que não ficou provado no "caso do envelope":

- Não ficou provado que o FC Porto precisasse da interferência de Pinto da Costa para terminar aquele campeonato em primeiro lugar.

- Não ficou provado que António Araújo sabia que Pinto da Costa queria encontrar-se com Augusto Duarte para o pressionar a arbitrar favoravelmente no jogo contra o Beira-Mar.

- Não ficou provado que Pinto da Costa entregou um envelope a Augusto Duarte com 2.500 euros para que este favorecesse no jogo contra o Beira-Mar com actos contrários às leis do jogo e com benefício para o FC Porto.

- Não ficou provado que Augusto Duarte tenha favorecido o FC Porto no jogo.

- Não ficou provado que António Araújo tenha servido de intermediário.

- Não ficou provado que Augusto Duarte tenha proporcionado a vitória ao FC Porto.

O que ficou provado:

- Ficou provado que Augusto Duarte não cumpriu com todas as leis do jogo, em prejuízo para os dois lados.

# fonte: JN on-line em 03Abr2009

Falta de Público nos Estádios: Porquê?

Uma das componentes vitais para a existência do espectáculo-futebol e para a importância que ele adquiriu na sociedade mundial são os seus adeptos, as pessoas que vão ao estádio, que consomem o produto e alimentam aquilo que hoje já se pode chamar de indústria. Sem adeptos não há futebol! Foi nesse sentido que promovemos uma sondagem na semana que passou acerca desta temática incontornável. No passado dia 22 de Março, realizou-se a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal, pelas 20h45, no Estádio do Dragão, entre FC Porto e E.Amadora. Assistiram ao vivo a esta partida apenas 19 108 espectadores. Quisemos saber, neste como noutros casos, que factores estão na base desta pouca afluência aos estádios portugueses e quem são os principais culpados. Responderam ao repto 156 visitantes e os resultados foram os seguintes: 45 pessoas (29%) disseram que a culpa é das TV's, pois são elas que têm o poder nas mãos; outras 45 (29%) são da opinião que a Liga de Clubes é o principal responsável, porque não reduz o preço dos bilhetes; 40 votantes (26%) acham que a maior responsabilidade pertence aos clubes, já que aceitam este estado de coisas e calam; 15 (10%) responderam que a culpa é dos adeptos, porque não fazem greve ao futebol como forma de protesto; e 11 (7%) afirmaram que é das arbitragens, pois são incompetentes.

Enquanto problemática estrutural de um desporto tão mediatizado e, simultaneamente, um negócio que movimenta milhões e milhões de euros, ela reveste-se de grande complexidade e explicá-la com absoluta certeza será sempre uma tarefa quase impossível. Há uma diversidade enorme de razões para que o número médio de espectadores no futebol português seja reduzido quando comparado com outros países. Nunca será consensual discutir porquê e seriam necessários estudos aprofundados, que englobassem várias vertentes, para que chegássemos a conclusões minimamente credíveis. No entanto, como se pode inferir da nossa votação, há factores que saltam imediatamente à vista.

Concentremo-nos, para já, no exemplo concreto escolhido pelo blog. À partida, um jogo importante como uma meia-final da Taça de Portugal, realizado na casa de um clube como o FC Porto, onde a média de espectadores é muito superior aos cerca de 19 000 que estiveram presentes, era susceptível de despertar bastante mais interesse que aquele que se verificou. Se atentarmos bem nas opções de voto, podemos dizer, sem grande margem de erro, que todas contribuem para que os adeptos fiquem em casa em vez de se deslocarem aos estádios. Mas neste caso concreto, aquilo que penso mais ter pesado na fraca assistência foi o horário do jogo, razão pela qual votei em "TV's, porque têm o poder nas mãos". Não tenhamos dúvidas: com um domingo totalmente livre, marcar o jogo para as 20h45, sabendo que segunda-feira é dia de trabalho, é reduzir a assistência para cerca de metade daquela que poderia acontecer. Mesmo com espectáculos de fraca qualidade, bilhetes caros para a carteira dos portugueses, arbitragens incompetentes ou as constantes trapalhadas que se multiplicam cá no burgo, é inegável que se o encontro se tivesse realizado às 16, 17 ou mesmo 18 horas, os adeptos teriam afluído ao Dragão em número significativamente superior. Quem resolveu agendar o jogo para aquela hora, está literalmente a borrifar-se para os adeptos e não se preocupa nem em vender o seu produto, nem sequer em promovê-lo devidamente; está antes refém do poder económico das televisões e sujeita-se às suas directrizes, em nome da receita televisiva. Como é que um portista de Aveiro ou Braga, por exemplo, vai ter vontade de se deslocar ao Porto, sabendo que chegará a casa por volta da meia-noite e que no dia a seguir terá de se levantar cedo para trabalhar? E se houver alguns que estejam dispostos ao sacrifício, conseguirá convencer a mulher, a namorada, o pai, a mãe, os tios, os amigos? Dos filhos já nem falo, pois ao intervalo já é hora de estar a dormir...

Mais: fazer um sacrifício grande para quê? Para chegar ao estádio e ver um espectáculo, na sua grande maioria, de fraca qualidade, pago, muitas vezes, a preços exorbitantes, pouco condizentes com o nível de vida existente em Portugal? Pagar um balúrdio para sair do estádio defraudado com o que foi oferecido, alimentando um negócio cada vez menos credível, onde as arbitragens falseiam frequentemente os desfechos dos jogos? Onde as palhaçadas de bastidores acontecem todas as semanas? Onde se discute tudo e mais alguma coisa durante dias e dias, menos o futebol jogado pelos artistas? Onde a imprensa não desempenha o seu papel com isenção, fazendo as suas análises consoante as cores das camisolas e o desejo irresistível de vender a qualquer custo?

Olhemos para este nosso mundo da blogosfera, algo em que todos nós temos responsabilidade e capacidade para mudar e evoluir. São escritos mais posts sobre o CD da Liga ou sobre o Lisandro? São gastas mais linhas a falar do CA da Liga ou do Hulk? Pronuncia-se mais vezes o nome do Lucílio Baptista ou do Lucho González? Dá-se mais importância a um golo marcado com a mão ou a um marcado de pontapé de bicicleta? Discute-se mais tempo um erro de arbitragem ou um lance de génio? Isto vai desembarcar noutro problema estrutural do nosso futebol que, parecendo que não, afasta muito público dos recintos: há falta de cultura desportiva em Portugal! Aqui, gosta-se muito mais dos clubes do que de futebol. Não quer dizer que não devemos ser fiéis seguidores do nosso clube do coração. Devemos! E defendê-lo com unhas e dentes! No entanto, gostar mais de futebol faria bem a muitos adeptos. E entendê-lo melhor também.

O facto de se gostar mais dos clubes que de futebol é um problema cultural que explica muita da ausência de público nos estádios. Só se vai ver o nosso clube quando ele está na mó de cima e a obter bons resultados, caso contrário, não interessa. Ir ver futebol pelo simples facto de se gostar do jogo, é mentira (claro que se os espectáculos fossem de melhor qualidade, também ajudava...)! Em Espanha, o Real Madrid, o Barcelona ou o Atlético Madrid, mesmo quando estão longe do primeiro lugar, continuam com lotações esgotadas. Aqui, isso não acontece. Se FC Porto, Benfica ou Sporting estão mal, nota-se um decréscimo de público nos respectivos jogos. Em Inglaterra ou na Alemanha, equipas que estão para descer continuam a ter o estádio repleto. Aqui, nem vale a pena lembrar as assistências de clubes como o Belenenses ou o Paços de Ferreira. Não deixa de ser injusto comparar realidades tão díspares, países muito diferentes economicamente e com uma população completamente distinta. No entanto, estas diferenças não podem explicar tudo. Portugal sempre foi um país atrasado relativamente às potências europeias e há 20 anos atrás, os estádios nacionais estavam invariavelmente a rebentar. É urgente reflectir porque é que isso actualmente está muito longe de acontecer. Falta cultura desportiva, mas também qualidade no futebol praticado, credibilidade, profissionalismo a todos os níveis.

Acredito que a concentração exagerada de adeptos nos três grandes é outro dos factores que mais contribui para que o nosso campeonato seja, no seu todo, desinteressante e haja um afastamento cada vez maior do público. Clubes com uma massa adepta assinalável e que gostam apenas do seu clube, como o Guimarães ou o Leixões, são raros no nosso país. Emblemas da estirpe, por exemplo, do Rio Ave, da Naval ou do Trofense, têm pouquíssima implantação popular. E mesmo os adeptos desses clubes, normalmente também torcem por um dos grandes. Isto retira força à generalidade dos clubes, fazendo com que as suas possibilidades de crescimento e afirmação esteja muito limitada. Que receitas é que um clube pequeno destes pode gerar nestas condições? Não admira, portanto, que haja clubes com vários meses de ordenados em atraso, como o E.Amadora (a própósito, os estrelistas já não recebem há vários meses, mas só agora, antes do jogo com o Benfica, decidiram fazer greve aos treinos, é curioso!) ou o Setúbal. Vivem muito tempo acima das próprias possibilidades, algum dia o balão tem de rebentar. E o problema é que, sem ajudas exteriores, não parece ser possível muitos destes clubes sobreviverem. Esta imagem de amadorismo e dificuldades financeiras na maioria dos clubes também empobrece e muito o futebol português. Descredibiliza. Faz perder adeptos, pessoas com vontade de seguir o fenómeno. Totalmente compreensível.

Resumindo: muito se pode fazer para que o futebol se torne mais apelativo e tenhamos mais público nas bancadas. Desde horários mais condizentes, preços mais acessíveis, marketing mais positivo, virado para o futebol jogado, menos confusões de bastidores, mais credibilidade, etc, etc, etc. No entanto, há condições estruturais de natureza económica, social e cultural que dificilmente se conseguirão mudar, tenderão até a agravar-se. Podemos fazer a nossa parte aqui na blogosfera, tentando discutir o futebol pelo lado positivo. De resto, quem tem o poder de mudar alguma coisa, que o faça.

passatempo 2008/09

# até às 19h30 de 07Abr, prazo limite para refazer a tua equipa para a 1ª mão dos 1/4 final da Champions League #

# até às 17h15 de 09Abr, prazo limite para refazer a tua equipa para a 1ª mão dos 1/4 final da UEFA Cup #

# clica na imagem; até às 18h00 de 03Abr, prazo limite para refazer a tua equipa para a 23ª jornada da liga SAGRES #

02 abril, 2009

No dia das mentiras, pela verdade desportiva!

Da impunidade, à usurpação das regras escritas, tudo continua a ser válido na tentativa de ofuscar o brilho da Estrela do Norte Português.
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Tal como a designada por Estrela Polar norteia os navegadores ao longo dos séculos e ofusca as demais estrelas componentes da constelação denominada por Ursa Menor, assim se dá com o brilho irradiado pela equipa azul e branca em relação à generalidade das equipas da "constelação" do futebol Português.

Os índices de superioridade atingidos e praticados pelo FC Porto são por demais embaraçosos para um país completamente desnorteado e centralizado, que faz tábua rasa e se nivela por baixo, cujo povo e governantes demonstram, não raras vezes, sofrer de flagrantes complexos de inferioridade em relação aos vizinhos europeus.

Por isso lhes faz tanta confusão que uma equipa de futebol se sobressaia entre os níveis consumados da mediocridade. Que trate "por tu", que defronte olhos nos olhos, que tenha por habitat natural, um lugar entre os colossos do futebol europeu, como na próxima semana voltarão a ver.

Longe de conseguirem acompanhar o alto ritmo praticado pelo FC Porto, seus demais consórcios e agentes reguladores, demonstram nítida preocupação em encetarem num quebrar de pernas ao TRI, brevemente TETRA, campeão Português. É sabido que o mínimo "hipotético deslize" do clube do norte, será aproveitado como arma de arremesso em prol da pseudo e já mais que identificada, "verdade desportiva".

Foi ontem conhecida a decisão inédita da Comissão Disciplinar da LPFP em sancionar um jogador por "simulação evidente" de grande penalidade. Adivinhem de que clube é o tal jogador sorteado? E adivinhem já agora, qual o clube entendido por prejudicado? Coincidências...

Referente ao último FC Porto vs SL Benfica, atendendo ao que por aí vinha sendo pedido, a CD da Liga consegue andar a escrutinar imagens televisivas e o regulamento disciplinar, para punir Lisandro Lopes com um jogo de suspensão e 750,00€ de multa, sentenciando-o de simulação num penalty assinalado prontamente, sem tempo sequer de qualquer reacção portista, e a escassos metros da jogada, pelo árbitro Pedro Proença.

No estilo "cirúrgico" a que nos vem habituando a Comissão Disciplinar presidida e pavoneada por Ricardo Costa, debita-se no acórdão do processo disciplinar, mais uma vez, a douta forma de fazer justiça, à "apito finalizado". Vale a pena dar uma vista de olhos.

Entretanto, verdadeiras simulações - essas sim sem margem para dúvidas a olho nu - e até festejadas exuberantemente por outros quando conseguidas, como é o caso de Di Maria qual criança que ganha um chupa-chupa na roubalheira que foi o SL Benfica vs SC Braga da primeira volta do campeonato, flagrante e mais antigo por sinal, para não citar um rol enorme de outros em que até o leão é rei, não são dignos de assinalar por tão doutos justiceiros da CD. Ficamos curiosos para conhecer a exemplar punição que será atribuída agora aos episódios da final da taça da cerveja no Algarve, só por curiosidade.

Dia 1 de Abril, querem dia mais propício para se escrever outra das muitas mentiras dessa tal verdade desportiva? Ao menos, foram algo coerentes, não deixaram de assinalar a data. Propunha que se fizesse um upgrade à conotação atribuída ao dia 1 de Abril, para que se elevasse ao Dia Nacional da Verdade Desportiva...

Entretanto, que vão tentando, que nós vamos caminhando...

Campeões do Norte...

... e com presença assegurada na Finalíssima!

FC Porto 1-1 Paços de Ferreira (4-3 após gp)

Liga Intercalar 2008/09
01 de Abril de 2009
Meias-Finais (final a Norte)

Estádio Prof. Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia

FC Porto: Ventura; Ivo Pinto, Rafhael, Abdoulaye e Massari; Lucas, Josué e Ramon; Chula, Rabiola e Diogo Viana.
Substituições: Lucas por Dias (56m), Diogo Viana por Claro (76m) e Ramon por Vítor (84m).
Não utilizados: Ruca; Bosingwa, Roberto e Miguel Galeão.
Treinador: Rui Barros.

Paços de Ferreira: Coelho; Pedro Queirós, Kiko, Ozeia e Chico Silva; Fábio Pacheco, Prieto e Leal; Jorginho, Carlos Carneiro e Leandro Tatu.
Substituições: Chico Silva por Jorginho (46m), Prieto por Filipe Anunciação (76m) e Leandro Tatu por Marco Leal (83m).
Não utilizados: Bruno Conceição; Silvério, João Gouveia e Celso.
Treinador: Alberto Cabral.

disciplina: cartão amarelo para Lucas (54m), Jorginho (66m), Leandro Tatu (72m), Filipe Anunciação (80m) e Vítor (89m).

golos: Jorginho (45m) e Vítor (88m).

grandes penalidades: 1-0 (Josué); 1-1 (Pedro Queirós); 1-1 (Rafhael); 1-1 (Jorginho); 1-1 (Claro); 1-1 (Leal); 2-1 (Massari); 2-2 (Filipe Anunciação); 3-2 (Chula); 3-3 (Kiko); 4-3 (Ivo Pinto); 4-3 (Jorginho).


Vítor saiu do banco para fazer justiça ao que se vinha desenrolando no relvado e Ventura garantiu em definitivo a conquista do F.C. Porto, que não só se sagrou Campeão do Norte como logrou a presença na Finalíssima da Liga Intercalar.

Frente a um Paços de Ferreira mais experiente, composto por diversos jogadores da equipa principal, os jovens Dragões evidenciaram, como havia acontecido contra o Leixões, grande sentido de maturidade e provaram que a Formação azul e branca caminha na melhor direcção.

Após uma primeira parte mais repartida, que chegou ao fim com o golo do avançado Jorginho, num lance de alguma confusão, o conjunto orientado por Rui Barros e Patrick Greveraars assumiu por inteiro as despesas do encontro, acabando por só vir a lucrar com o investimento já muito perto dos 90 minutos, através de um remate colocado de Vítor.

O nº 15, lançado no desafio apenas quatro minutos antes, repôs assim a igualdade no marcador e, mais do que isso, trouxe conformidade ao resultado, até então nada revelador do que vinha sendo o desempenho das duas equipas dentro das quatro linhas.

Só nos segundos 45 minutos, o F.C. Porto dispôs de cerca de uma dezena de oportunidades para marcar, quase todas efeito de jogadas de belo entendimento, demonstrativas da excelência dos jogadores azuis e brancos.

Uma das mais deslumbrantes resultou de uma combinação entre Diogo Viana, Josué e Chula, que só não deu golo devido a uma boa intervenção do guarda-redes Coelho.

O trio acima referido foi dos mais activos no jogo, se bem que toda a equipa se apresentou ao seu melhor nível.

Rabiola, Ramon e até mesmo o lateral-direito Ivo Pinto podiam ter celebrado o golo, mas seria dos pés do recém-entrado Vítor que sairia a igualdade.

Nas grandes penalidades, Ventura revelou-se o elo mais forte, travando três remates do Paços de Ferreira. Um pormenor de elevada significância, que apenas veio confirmar a supremacia dos Dragões na partida.

Ganha a Final a Norte, o F.C. Porto aguarda agora por adversário para a Finalíssima, sendo que o encontro entre Mafra e Belenenses só se disputa a 14 de Abril.

fonte: fcporto.pt

Confira aqui o calendário desta nova competição no seu site oficial.

01 abril, 2009

Scolari no FC Porto

Depois de vários dias de especulação e segundo informação de um dos nossos mais fiéis bloguistas, bem relacionado com a Administração do nosso FC Porto, estamos em posição de avançar que o treinador brasileiro, Luis Felipe Scolari, vai ser oficialmente apresentado, este Domingo, como novo treinador do FC Porto.

O brasileiro, de 61 anos, vai orientar os Dragões nas próximas três temporadas e auferir um ordenado por objectivos que poderá rondar o milhão e meio de Euros por época.

A apresentação decorrerá no Estádio do Dragão e na companhia do nosso Presidente, Pinto da Costa, que terá assegurado que a contratação do técnico brasileiro, "dá todas as garantias para a continuação do projecto em curso".

Adiantou ainda que "não foi uma negociação fácil" e confidenciou que "somente após a demonstração do projecto do FC Porto, é que os dois ficaram em perfeita sintonia".

Já Luis Felipe Scolari descreveu o nosso Presidente como "um homem de espírito jovem e com muita ambição", adiantado ainda que "irá ser exigente, para defender os pergaminhos de uma equipa como o FC Porto" e que "está consciente do desafio para continuar a cumprir objectivos importantes, como é apanágio do FC Porto".

"Vamos ter ambição para conseguirmos o máximo", disse o brasileiro que demonstrou já o interesse em Deco e em Quaresma.

Mas o nosso Presidente negou dar por confirmada a aquisição dos dois antigos jogadores do FC Porto: "São jogadores que podem interessar, desde que interessem também ao nosso treinador. Até lá, não são jogadores do nosso clube".

Espera-se, a qualquer momento, uma comunicado no site oficial do Clube.
Aguardem, segundo conselho do Tône, sentados.

Gatos esfolados

    Chove? A culpa é do F.C. Porto; Está sol? Aponte-se o dedo aos Dragões; A sua equipa perde? Influência azul e branca; A sua equipa vence? Jorge Nuno Pinto da Costa distraiu-se. Bendita criatividade! Acordam e deitam-se a pensar no melhor clube português. É certo que o Tricampeão lhes inflama os cotovelos e o par de extremidades ao nível da testa, ainda assim não deixa de ser caricato. Dizem mal, mas também ganham a vida a escrever sobre o F.C. Porto.

    O Labaredas assume um pedido humilde: De futuro, digam em que parte é para achar piada. Tipo: «Rir à terceira palavra da quarta linha do segundo parágrafo». É mais fácil, poupam tempo a quem lê e sempre conseguem manter o estatuto de «humoristas». Ou de «uma espécie» de humoristas. Daqueles que se fixam apenas no «istas» e esquecem o «humor». No «istas» de anti-portistas.

    É evidente que as páginas de A Bola e Record vão continuar a ser ocupadas por estas anedotas. E até faz sentido. Significa que o F.C. Porto continua a ganhar e a doença não lhes passou. O Labaredas encolhe os ombros aos figurões que fazem. E não se importa de contribuir para que continuem fedorentos, portanto esta é de borla: Escrevam sobre a «labareda» de hoje nos próximos artigos. É um orgulho ajudar a pagar o personal trainer das vossas esposas.
fonte: fcporto.pt