Conforme dito no regresso da pausa futebolística, “a fruta acabou”, Francisco J. Marques e companhia voltaram a nivelar o terreno do futebol português. O fim do Apito Dourado/Apito Final agora nos tribunais desportivos, depois de todas as implaváveis derrotas do Ministério Público nos tribunais civis, significou também a machadada final na fruta. Com a anulação pela justiça desportiva da retirada de 6 pontos ao FC Porto, passados muitos e longos anos, anos esses em que o Benfique aproveitou para tomar o controlo total e cabal de todas as estruturas e clubes do futebol português, o Porto e as suas gentes voltam a poder exigir que não brinquem com o seu nome, com o seu emblema, com a sua história e com os seus adeptos. Olhos nos olhos, de cabeça bem levantada e sem medo de ninguém. O Presidente Pinto da Costa afinal sempre tinha razão: largos dias têm cem anos. A justiça tarda, mas chega.
Depois da última e decisiva absolvição, depois do “que passou-se?”, do “sabes que sempre estive do vosso lado”, do “eu só quero ser o vosso menino querido”, do “aconteça o que acontecer, a classificação final tem que ser esta”, do “ponha a carne toda no assador, conforme eu ponho todos os dias”, do “temos os padres que queremos nas missas que celebramos”, do “só temos que rezar e cantar bem”, do “200 é a noite toda, a 3 é 400”, sabemos bem quem tem que meter a cabecinha entre as pernas e respirar baixinho para não ser notado.
Posto isto, penso que o nosso clube, fruto também das circunstâncias financeiras, está a tomar a atitude correcta neste defeso. Devo dizer, por exemplo, que me agradou o design da pré-temporada, com o torneio no México e com um estágio dentro de portas, com adversários nacionais, vários treinos ao longo das semanas, tudo numa lógica de poupança de custos e sem manias de novo-rico. Gostei, aplaudo, prefiro ver os jogadores no Algarve do que na Bélgica ou na Suiça. Chamem-me provinciano ou o que quiserem.
Não se pode pois usar dois pesos e duas medidas quando se julgam as acções do clube. Se quando se contrata demasiado, é costume dizer-se que estamos fartos de camionetas de jogadores e de estrangeiros sem cultura Porto, temos que estar moderadamente confiantes no que aí vem. Uma equipa rotinada e um balneário unido são a meu ver muito mais importantes que a chegada de 2 ou 3 reforços, que demoram sempre pelo menos 3 a 4 meses a adaptar-se ao futebol português, ao clube e à cidade. O tempo das vacas gordas já lá vai (Ismael Diaz que o diga!), as finanças da SAD, é sabido, não vão de vento em popa, pelo que, não havendo dinheiro para contratar um crackalhão do estilo de Lucho Gonzalez ou João Moutinho, que chegue e pegue de estaca como titular sem vacilos, mais vale estar quieto e ser prudente.
Não se pode pois usar dois pesos e duas medidas quando se julgam as acções do clube. Se quando se contrata demasiado, é costume dizer-se que estamos fartos de camionetas de jogadores e de estrangeiros sem cultura Porto, temos que estar moderadamente confiantes no que aí vem. Uma equipa rotinada e um balneário unido são a meu ver muito mais importantes que a chegada de 2 ou 3 reforços, que demoram sempre pelo menos 3 a 4 meses a adaptar-se ao futebol português, ao clube e à cidade. O tempo das vacas gordas já lá vai (Ismael Diaz que o diga!), as finanças da SAD, é sabido, não vão de vento em popa, pelo que, não havendo dinheiro para contratar um crackalhão do estilo de Lucho Gonzalez ou João Moutinho, que chegue e pegue de estaca como titular sem vacilos, mais vale estar quieto e ser prudente.
Com efeito, a meu ver, as quatro maiores contratações do FC Porto, ainda sujeitas a confirmação, são as permanências de Iker, Felipe, Marcano e Danilo, não necessariamente por esta ordem. Um eixo defensivo central rotinado e feito de homens de barba rija é meio caminho andado para o sucesso. Se além disso somarmos a manutenção dos laterais Maxi e Telles, temos aquilo que não víamos há muitos anos no FC Porto: uma defesa titular a manter-se de uma época para a outra.
A defesa é, até agora, o sector onde o FC Porto se reforçou melhor (e de graça): chegaram Ricardo Pereira, Diego Reyes e Martins Indi. Começando pelo fim, dizer que acredito que apenas um dos centrais regressados se manterá no plantel. Tenho a certeza que qualquer um deles está mais que pronto para lutar pela titularidade com Felipe ou Marcano, embora comecem claramente um passo atrás. Se me fosse pedida a opinião, diria que o mexicano tem mais potencial de crescimento e de se tornar um central à Porto do que o holandês. Mas reitero a confiança total nos dois.
Quanto a Ricardo Pereira, merece um parágrafo próprio. Quem me conhece sabe que sempre fui contra a sua dispensa. Ricardo nunca foi um jovem qualquer: mesmo quando ingressou no FC Porto já era internacional pelas camadas jovens e já havia marcado um golo vitorioso numa Final da Taça de Portugal, tendo rotação tanto a lateral, como a extremo-direito. Era claro que estaria ali um Bosingwa 2.0. No FC Porto foi vítima de forte concorrência e de alguns erros de Lopetegui na sua utilização. Ainda assim, os dois anos (!) em Nice trouxeram coisas positivas: rodagem tanto a lateral direito como esquerdo, minutos nas pernas e exposição internacional. A exposição foi tanta que ainda não é certo que Ricardo fique no FC Porto, pois há muitos e bons interessados nos seus serviços (Tottenham à cabeça). No entanto não posso negar que sonho com uma asa direita a fazer lembrar os tempos de João Pinto e Sérgio Conceição ou de Sérgio Conceição e Capucho. Se Maxi ficar, o agora treinador do FC Porto, pode não ter outra opção a não ser construir a banda direita com Maxi atrás a conferir segurança e a libertar o carrillero Ricardo para partir tudo ora pelo meio ora pela linha.
Se esta for a solução, até podemos poupar uns trocos e não ir ao mercado em busca do tal terceiro extremo: Ricardo juntar-se-ia a Brahimi e Corona com o objectivo de municiar os avançados. Já a Hernâni, atendendo às recentes prestações, só um golpe de sorte o tirará da lista de dispensados, o que me entristece particularmente, pois vejo nele virtudes indiscutíveis no 1x1 e na capacidade de esticar o jogo.
É certo que ainda há interrogações no lado esquerdo. Telles tem o lugar praticamente assegurado e o polivalente Layun terá o seu destino dependente do futuro de Maxi Pereira. Também por isso é prematuro tecer considerações sobre quais os papéis de Rafa e de Dalot no FC Porto 2017/18. A defesa do FC Porto é como um xadrez que, mexida uma peça, poderá levar a movimentações noutras posições.
No meio-campo, Danilo será rei e senhor e sou da opinião que Mikel não tem qualidade nem estaleca para se afirmar como jogador do nosso clube. Sobram Oliver – que terá um papel de relevo nas transições rápidas e condução de bola dos ataques da equipa – , André André (um jogador da classe média da equipa, que será bastante útil ao longo do ano), Herrera (eu sou daqueles poucos que ainda espera coisas boas do mexicano e penso que está vários passos à frente do português), João Carlos Teixeira (que, creio, devido à sua reduzida intensidade de jogo, não terá grandes oportunidades ao longo da época e pode estar em vias de ser dispensado), Sérgio Oliveira (o mesmo relativamente a JCT) e Otávio, com lugar cativo nos eleitos de Sérgio Conceição, que pretende usá-lo mais adiantado para aproveitar a qualidade do seu último passe. Daí que, no actual panorama, veja com muita dificuldade a contratação de Wendel, mesmo que me pareça um jogador de qualidade e com margem de progressão para dar e vender. Reforço: no actual panorama.
É na frente, confesso, que vejo mais necessidade de atacar o mercado. Se no ano passado, usando um esquema de 4x3x3 com apenas um homem fixo na área, tínhamos 4 avançados disponíveis (André Silva, Soares, Depoítre e Rui Pedro), esta temporada em que o 4x4x2 parece ter vindo para ficar, não podemos começar apenas com Soares, Aboubakar e Rui Pedro. É urgente procurar nos mercados um ponta-de-lança experiente, que garanta golos, mas que ao mesmo tempo não seja um Jackson ou um Jardel, isto é, que não seja um eucalipto que seque tudo à sua volta. Porque se se tratar de um eucalipto, voltaremos rapidamente à lógica do 4x3x3 que se tem mostrado algo esgotado e limitado face às defesas fechadas que o nosso clube enfrenta todas as jornadas.
Rui Pedro poderá ser uma arma secreta de alto quilate, desde que não seja lançado como no ano passado, sempre em desespero de causa. O rapaz tem faro de golo, tem alma felina na área e, ao contrário de André Silva, não se sente tão à vontade fora dela. É mais um rato de área e, por isso, poderá ser muito útil. Já Marega, creio, não terá lugar nestas contas e seria interessante aproveitar a sua valorização em Guimarães para conseguir um encaixe razoável com a venda definitiva.
Uma coisa parece certa: o FC Porto está a arrumar casa. E esperemos que assim continue. Abdoulaye, por exemplo, que já vai no enésimo empréstimo, é um daquelas casos que merecem reflexão: se todos sabemos que não serve nem nunca servirá para a nossa defesa, porque é que se mantém o vínculo com este jogador? Esperemos, por isso, ver mais vendas definitivas até ao início da temporada.
PS - O FC Porto passa a contar com uma Equipa de Apoio ao Sócio, conforme indicado pelo clube no seu site oficial. Saúda-se esta novidade. Já há largos anos que vimos chamando a atenção para o cada vez maior afastamento entre clube e sócios, entre jogadores e adeptos, entre a estrutura do FC Porto e o comum associado. No entanto, esta notícia, a juntar à realização do Dia do Clube - organizado por sócios - dentro da nossa casa, o Estádio do Dragão, assim como a apresentação dos equipamentos em plena Ribeira do Porto, local espiritual e emblemático para os portuenses, só nos pode deixar felizes e esperançados num futuro melhor. Sendo certo que o clube ainda tem que trilhar um longo caminho no sentido de se aproximar dos seus sócios de forma mais efectiva e calorosa, de forma a corrigir o comportamento que vinha tendo até muito recentemente. Saúdo e aplaudo estas recentes decisões, mas mantenho que é preciso mais acção por parte dos responsáveis azuis e brancos no sentido de unir todos os portistas.
PS - O FC Porto passa a contar com uma Equipa de Apoio ao Sócio, conforme indicado pelo clube no seu site oficial. Saúda-se esta novidade. Já há largos anos que vimos chamando a atenção para o cada vez maior afastamento entre clube e sócios, entre jogadores e adeptos, entre a estrutura do FC Porto e o comum associado. No entanto, esta notícia, a juntar à realização do Dia do Clube - organizado por sócios - dentro da nossa casa, o Estádio do Dragão, assim como a apresentação dos equipamentos em plena Ribeira do Porto, local espiritual e emblemático para os portuenses, só nos pode deixar felizes e esperançados num futuro melhor. Sendo certo que o clube ainda tem que trilhar um longo caminho no sentido de se aproximar dos seus sócios de forma mais efectiva e calorosa, de forma a corrigir o comportamento que vinha tendo até muito recentemente. Saúdo e aplaudo estas recentes decisões, mas mantenho que é preciso mais acção por parte dos responsáveis azuis e brancos no sentido de unir todos os portistas.
Rodrigo de Almada Martins



























