17 janeiro, 2018

ESTORIL: TODA A VERDADE.


Estive lá. Estive lá com muitos amigos e, por isso, penso que posso falar com conhecimento de causa. Perante a contra-informação que por aí grassa, convém colocar os pontos nos iis e deixar bem claro a todos os portistas o que se passou na noite de 15 de Janeiro no Estádio Manuel Coimbra da Mota, no Estoril. Para que se perceba cabalmente o que sucedeu.

Antes de mais, dizer que o jogo começou, como sempre começa quando o FC Porto joga fora de portas: com centenas de portistas com bilhete, cá fora, à espera, a aguardar que as forças de seguranças lhes dessem autorização para entrar no recinto desportivo e terem acesso àquilo pelo qual pagaram: um jogo de futebol.

Este tipo de cenário acontece quase sempre que o FC Porto joga fora de portas. O objectivo só pode ser um: desmoralizar a massa adepta do nosso clube, impedi-la de irem aos estádios, desmotivá-los e querer que deixem de se deslocar país fora com a equipa. Ou se chega com 1 ou 2h de antecedência ou então, se tudo correr bem, perdemos certamente os primeiros 15 a 20 minutos da partida. Pede-se uma tomada de posição firme da nossa Direcção no sentido de que esta “brincadeira” acabe de uma vez por todas.

Mas vamos ao sucedido propriamente dito. Durante o intervalo, como é normal, vários adeptos portistas deslocaram-se às casas de banho, situadas no piso térreo da bancada dos visitantes. Ao verem a parede a rachar abruptamente à sua frente e com o abaixamento de um dos pilares de sustentação, os adeptos viram-se no meio de um filme de terror, entraram em pânico e precipitaram-se para a saída, sendo impedidos pelas forças policiais de o fazerem. Perante o pânico estampado na cara dos adeptos, a polícia prontamente abriu as grades e deixou os vários adeptos sair do estádio.

Quem estava na bancada, apercebendo-se do ruído lá fora e um certo abaixamento da bancada, começou a estabelecer diálogo com os que fugiam. E foi aí que a esmagadora maioria das pessoas se aperceberam do que se passava. Palavra passa a palavra, a ordem foi clara: “a bancada está a cair, fujam, fujam”. Colocado por escrito parece fácil, mas no momento viveram-se momentos terríveis.

Mas sair? Sair por onde se as pessoas dos lugares mais acima vinham a descer abruptamente degraus e cadeiras por aí abaixo? Para alguns imediatamente se viu que seria impossível sair pelo interior da bancada, pelo que restava uma solução: sair para o relvado.

Por momentos lembrei-me de Hillsborough, do Heysel. De início as forças de segurança tentaram impedir a invasão de campo, sendo que depois finalmente se aperceberam da gravidade da situação. É bom que se diga que os adeptos do FC Porto geriram a saída do estádio sozinhos, sem colaboração propriamente dita das forças de segurança, que apenas se limitaram a recolher pessoas de mobilidade reduzida da bancada para o relvado. Foi dada prioridade a mulheres e crianças, pediu-se contenção para que não se empurrasse atrás e, aos poucos, com a entre-ajuda dos vários portistas, lá se conseguiu evacuar a bancada em poucos minutos e sem problemas de maior.

Depois veio ao de cima o melhor que já vimos no futebol nacional, com milhares de portistas concentrados em metade do relvado a festejar o facto de nada de grave ter sucedido e a aproveitar para entoar cânticos de apoio ao clube, numa manifestação pura e espontânea de amor clubístico, tudo dentro da normalidade e com respeito por todos os adeptos do Estoril. Reuni-me no relvado com amigos de longa data, colegas de trabalho, deu para ver caras conhecidas, distribuir abraços, fazer a festa. Enfim, um dia que tão cedo não esqueceremos!

Foi talvez o único jogo das nossas vidas em que podemos dar graças a Deus pelo facto do FC Porto não ter marcado um golo. Se o tivesse feito, os nossos festejos poderiam ter sido fatais. Se a bancada tivesse de facto ruído, além de Entre-os-Rios e Pedrógão, teríamos hoje um novo palco de lágrimas e flores: Amoreira. Por sorte, as coisas correram bem e é certo que não veremos Marcelo Rebelo de Sousa a distribuir beijinhos pelos adeptos portistas. Já sabemos que em Portugal só se tomam decisões quando há tragédias e mortes por contabilizar; quando não há mortes nem choros, passa-se por cima e em breve tudo isto não passará de uma memória difusa.

É pena que assim seja, porque há aqui factos que convinha esclarecer. Primeiro, foi o anterior Vereador do Desporto da CM de Cascais (João Sande e Castro) a questionar, num post de facebook, como foi possível edificar ali uma grande bancada, visto que não tinha sido possível construir anteriormente uma piscina, pois o local situava-se em leito de cheia e de reserva agrícola, onde passa uma ribeira. Além disso, refere o mesmo ex-veredador que em 12 anos foi necessário reparar por 3 vezes os campos sintéticos contíguos devido a abatimentos no solo.

Referiu ainda posteriormente que a instabilidade daquele terreno era conhecida pela CM de Cascais e pelo próprio Estoril-Praia. A CM de Cascais já se demarcou da confusão, dizendo que a obra foi analisada por vários técnicos e alvo de vistorias da própria Liga de Clubes.

Pouco depois, começaram as desculpabilizações: sugeriu-se que o terramoto de Arraiolos, que não fez cair um copo de nenhum prateleira de todo o Alentejo, tinha sido responsável pelo aluimento no Estoril. O jornal A Bola, verdadeiros criminosos encartados, ainda arriscaram afirmar que os Super Dragões, que se portaram como verdadeiros senhores, teriam furtado coisas que ninguém viu ou ouviu falar.

No meio disto tudo ninguém diz o óbvio: houve um total desrespeito por cerca de 2.500 vidas humanas na passada segunda-feira e só não ocorreu uma tragédia de dimensões colossais naquela fria noite de Janeiro de 2018 por mero acaso divino. No meio de tudo isto, o Estoril-Praia e a Liga de Clubes ainda têm a lata de solicitar que a segunda parte se realize, quando podíamos estar a falar de um encerramento compulsivo da actividade deste clube por não cumprir com o mínimo de regras de segurança. E logo o Estoril-Praia, preocupado com estes 3 pontos, quando no campo tem perdido quase todos eles.

Portugal é um país de impunidade, da política aos negócios. Não sabíamos que a impunidade havia passado agora para o perigoso e pantanoso terreno da construção civil, onde podem suceder tragédias.

Uma coisa podemos perguntar e deixar no ar: se o Estoril tem um estádio mais seguro e mais amplo no Algarve, porque não propôs atendendo à enchente que se avizinhava, – sim, meus caros, habituem-se à ideia de que o FC Porto enche estádios por esse país fora, mesmo na região de Lisboa, onde o portismo está de facto implantado e veio para ficar – que o jogo se realizasse no seu outro estádio? Porque se desrespeitou a vida destes milhares de adeptos portistas? Porque é que se colocou cimento fresco à pressa nos dias anteriores ao jogo? Afinal as autoridades e os responsáveis estorilistas sabiam ou não sabiam do risco em que corriam se a bancada enchesse? Em que é que ficamos?

Para a história ficará este dia em que os portistas pela primeira vez ficaram felizes pelo facto do FC Porto não marcar um golo. Se o tivesse marcado, seria provavelmente o golo mais terrível da sua história.

Assim sendo, resta apenas finalizar desta forma: ganhem vergonha na cara, meus senhores! Num país normal, o Estoril, a Liga e a CM de Cascais assumiam as culpas, pediam desculpas de joelhos e davam por terminado o jogo com derrota por 0x3 para os homens da casa. Outra solução que não esta será um atentado aos adeptos e aos espectadores do desporto-rei, que viram as suas vidas em risco durante 45 minutos. Repito: TENHAM VERGONHA!

Rodrigo de Almada Martins

15 janeiro, 2018

TRAGÉDIA IMINENTE.


ESTORIL-FC PORTO, 1-0 (suspenso ao intervalo)

O jogo da noite desta segunda-feira foi marcado por contornos de polémica. Desta vez fora dos relvados. Nesta crónica vou centrar-me no que se passou extra-jogo porque é importante denunciar várias situações.

Poderíamos ter assistido a uma tragédia no campo da Amoreira. Na bancada norte destinada ao sector visitante, no fim da 1ª parte soou o alarme quando se sentiu um ruído e uma tentativa de chamar as pessoas para o perigo de ruína dessa bancada.

Tal não aconteceu porque o pânico instalado foi, de certa forma, relativo e controlado por quem comandou os cerca de 3000 portistas presentes naquele sector. Nisso, o líder dos Super Dragões tem que ser citado porque teve um grande papel e uma grande responsabilidade digna de registo.


As pessoas começaram a sair do estádio por baixo da bancada e outras fugiram para o relvado, invadindo toda a zona da grande área do topo norte. Mas o que se estava realmente a passar? A bancada começou a ceder. O chão cedeu e abriram-se fendas nas paredes desse sector. A partir daí todo o sector foi evacuado e a bancada esvaziou em alguns minutos. Cerca de 2000 pessoas ficaram no relvado e 1000 pessoas foram para a rua. Mas que vergonha é esta? Mas que irresponsabilidade é esta de permitirem um jogo num estádio sem condições?

Estávamos no intervalo de um jogo da Liga NOS com o Estoril a bater o FC Porto por 1-0. As forças de segurança e a protecção civil concluíram que não havia condições para o jogo ser retomado e ficaram 45 minutos de jogo por cumprir.

Agora vamos aos factos. Os regulamentos da Liga aprovados em Assembleia-Geral são muito claros. Em caso destes como o da noite de Segunda-feira na Amoreira dita o regulamento no artigo 94 que tem que haver penalizações para o clube promotor do evento. Tais penalizações passam por derrota no jogo e coimas.

Após vistoria da Liga e da peritagem, os resultados tornam-se inconclusivos. A segunda parte do jogo é adiada para dia 21 de Fevereiro e ficamos sem saber que consequências é que são imputadas ao Estoril. Teremos que aguardar mas da parte do FC Porto há a clara intenção de aplicar os regulamentos previstos nestas situações.

O certo é que ouvimos muitas versões estapafúrdias sobre o caso.

Uns defendiam a continuidade do jogo como se nada tivesse passado, que foi o caso da equipa da casa. Outros anormais eram a favor de que o jogo deveria prosseguir no dia seguinte, como se o estádio reunisse todas as condições com as fendas e os abatimentos visíveis naquele sector. Ou será que esperavam que os 3000 adeptos do FC Porto abdicassem de ver a etapa complementar?


Só em cabeças de atrasados mentais como ouvi ontem num programa em que o idiota-monólogo armado em isento e filósofo vomita asneiras e enormidades destas. Ou mesmo o minorca de Alvalade a escrever posts sobre tomadas de posição que o FC Porto em lado nenhum tomou.

Mas o mais grave disto tudo é ver em directo comentários nas tvs de um ordinário e sem escrúpulos de nome Pedro Henriques. Um ex-jogador frustrado que semana após semana destila ódio contra o FC Porto nos seus comentários que me recuso adjectivar. E o que dizer do rodapé da estação de Carnaxide aquando da invasão do relvado do campo do Estoril? Um nojo!

Gostaria que se tivessem pronunciado sobre o abatimento do piso, das fendas e do cimento fresco colocado para remendar. Mas nada. Não dizem rigorosamente nada.

E já agora quem ouviu o presidente do Estoril dizer umas bacamartadas, desmentir o comunicado do seu clube e chamar otários a todos os telespectadores? Enfim, sem comentários. Foram declarações dignas de um criminoso.

Se ouvissem e lessem mais opiniões de peritos como por exemplo de engenheiros, de arquitectos e, concretamente, do Bastonário da Ordem dos Engenheiros, não diriam tantas asneiras. E quem tivesse vergonha, desaparecia de vez do mapa.

Como o FC Porto não irá abdicar dos seus direitos e dos eventuais prejuízos que daí possam advir, está muito atento e vai aguardar com serenidade pelo desenrolar do inquérito e do processo e tomará as devidas decisões na altura adequada.

Ao contrário de muitos idiotas que estão sempre de faca afiada quando as coisas correm menos bem para o clube, o FC Porto tem a inteligência, e bem, de esperar que as instâncias analisem e tirem as suas conclusões.

Agora vamos analisar os prejuízos do FC Porto. Com este episódio e com a decisão de agendar uma data para concluir o jogo quem sai prejudicado? O FC Porto, claramente.


Primeiro, quem foi o promotor do evento? O Estoril.

Segundo, quem é responsável pelas instalações e pelas condições do estádio? O Estoril. Muito idiota da cartilha veio dizer que era a Câmara Municipal de Cascais. São tão ridículos e uns vendidos que saem-se com estas respostas que não lembra a ninguém. Revelam a ausência de seriedade de que padecem.

Terceiro, é diferente jogar 45 minutos contra uma equipa algo desgastada pela grande intensidade com que encarou a primeira parte do que enfrentar uma equipa fresca.

Quarto, também é diferente jogar contra o Estoril com quatro baixas no seu plantel ao invés de defrontar a equipa com o plantel quase na máxima força. Também dizem os arautos da verdade: o FC Porto vai poder contar com o Brahimi. Pois pode, mas quatro baixas é diferente de uma baixa. A questão é que estamos a analisar diferentes realidades e quem beneficia com elas em resultado desta vergonha.

Quinto, o FC Porto tem uma grande quantidade de jogos, ao fim-de-semana e a meio da semana ao longo dos próximos dois meses, ao contrário do Estoril que joga uma vez por semana. Das poucas semanas em que poderia ter algum descanso, foi marcada pela Liga a segunda parte deste jogo para meio da semana em que poderia ter uma pausa. Claramente penoso para uma equipa que ainda terá que fazer 600 kms a fim de cumprir os 45 minutos em falta, ao contrário do Estoril que só tem que esperar que os portistas se desloquem.

E, no meio disto tudo, o que vai acontecer ao Estoril? Sai impune? Vai beneficiar da frescura dos seus jogadores e das ausências de jogadores neste jogo? E vai poder usufruir do seu estádio cheio de fissuras?

Tivesse o FC Porto marcado um ou dois golos nas quatro oportunidades claras e a esta hora estaríamos, talvez, a falar em mortes e feridos. Conseguem imaginar o que seriam 3000 adeptos do FC Porto a festejar e a saltar na bancada? Não quero nem posso imaginar. Sem ter quaisquer conhecimentos sobre estruturas, não vou dizer o que aconteceria mas consultando quem domina o tema, dizem-me que poderia ter acontecido uma tragédia de proporções incalculáveis.


Sobre o jogo da 1ª parte, apraz-me dizer que o FC Porto entrou com um onze pouco condizente com as exigências do jogo apesar de estar pela frente o último classificado do campeonato. Muitas vezes encaram-se os adversários menos cotados com alguma sobranceria. E isso traz os seus dissabores.

O FC Porto não entrou bem no jogo e permitiu ao Estoril ter algum ascendente na partida. A equipa da linha saiu a jogar e sempre que pôde acercou-se da baliza de José Sá. Aos 18 minutos após uma falta de Reyes sobre um adversário entra a linha da grande área e a linha lateral, Eduardo rematou directamente para a baliza e em arco e inaugurou o marcador.

José Sá ficou pessimamente na fotografia com a má colocação entre postes. Com esta desvantagem, o FC Porto partiu atrás do prejuízo. Aboubakar, Layún e Marega desperdiçaram as suas oportunidades e a terminar a primeira parte Reyes e Aboubakar a meias enviaram uma boa à trave da baliza canarinha. A equipa da casa ainda teve uma oportunidade com um remate fortíssimo a sair junto ao poste da baliza dos Dragões.

Depois veio o intervalo com perspectiva de reacção portista mas o que se passou a seguir e que foi narrado no início desta crónica ditou a suspensão do jogo.

Nota de registo: O Estoril fez mais faltas neste jogo em 45 minutos do que em 90 minutos no Estádio da Luz. Tirem as conclusões que quiserem.

Há mais no dia 21 de Fevereiro para contar, se entretanto não forem tomadas outras decisões.

O FC Porto joga nesta Sexta-feira no Estádio do Dragão frente ao Tondela em jogo a contar para a 19ª Jornada da Liga NOS.




DECLARAÇÕES

COMUNICADO e COMUNICADO



RESUMO DO JOGO

CONCEIÇÃO MERECIA, MAS…


Depois de quatro anos de muitos desvarios financeiros, disparates atrás de disparates, tantos que um só post não dava para enumerar e classificar todos eles, eis que chegamos ao atual momento em que, muito provavelmente, não haverá capacidade de atacar o mercado como deve ser.

Mais do que qualquer outro treinador nos últimos 4 anos, Sérgio merecia um reforço do plantel e merecia-o pelo trabalho que realizou em apenas 6 meses e meio. Pela primeira vez em 4 anos, o FC Porto segue nas 4 competições com hipóteses reais de sucesso, sendo que à semelhança também do que aconteceu sobretudo no ano de NES, tem sido alvo de várias arbitragens inacreditáveis.

O reforço do plantel não consiste em ir buscar um “Vaná desta vida” só para fazer número (tenho o maior respeito pelo jogador em causa, mas alguém percebeu a sua contratação?!?!) mas sim consiste em ir buscar alguém que acrescente, que já tenha algumas provas dadas de preferência num bom campeonato (não um craque das Honduras ou da Estónia), no fundo um jogador que acrescente qualidade ao atual plantel. Não duvido que com lesões à mistura (Brahimi está fora do Estoril) e castigos em catadupa, a excitação dos senhores de preto já os faz expulsar jogadores do FC Porto com uma rapidez que não se vê nos jogos dos nossos rivais, seriam necessários reforços para atacar o que resta da época. Não duvido eu, e não duvida o Presidente ou qualquer outro elemento da SAD.

O problema? O problema reside numa coisa simples que se chama finanças. E que assola qualquer pessoa, instituição ou país quando são cometidos erros graves durante vários anos. Portugal ou a Grécia não estenderam a mão ao FMI por acaso, fizeram-no por se terem cometido muitos disparates durante muito tempo. Depois, teve que se apertar o cinto e pagaram sobretudo os que menos contribuíram para a situação difícil onde se chegou.

E o problema agora é que já não há os milhões, ou pelo menos quem os emprestava já não empresta, que houve para gastar em Imbulas e Adrians Lopez. Oxalá esteja enganado e a SAD consiga dar a Sérgio mais condições para lutar por títulos nesta época, mas sinceramente não acredito. Porque contratar para fazer número, mais vale então estarem quietos.

Este é sobretudo um post crítico de quem nos geriu durante estes 4 anos mas é uma critica construtiva de alerta a que não se repitam os mesmos erros que nos conduziram até aqui. Construir uma hegemonia demora décadas, para destruí-la bastam 2 ou 3 anos...

PS: Nos últimos 10 jogos oficiais, o clube encarnado do minho perdeu 9 jogos e empatou 1 frente ao clube encarnado da 2ª circular... o treinador do clube encarnado do minho, que há uns meses disse ter tido o prazer de trabalhar com Sérgio Conceição e que agora diz nem o conhecer pessoalmente, falou em “erros não forçados” e numa quantidade absurda de perdas de bola com erros não forçados. A verdade é que seria tão lógico pensar que o clube encarnado iria tirar pontos ao clube encarnado da 2ª circular como acreditar no Pai Natal, não me espantou por isso rigorosamente nada o resultado, apenas me surpreendeu não terem sido 5 ou 6. Resumidamente, terá de ser um FC Porto quase perfeito na 2ª volta para chegar ao título, direi que para além dos 2 jogos contra os rivais direto onde naturalmente tudo pode acontecer, a margem de erro do FC Porto resumir-se-á a mais 1 ou 2 jogos no máximo dos máximos. E não, não é por estarmos a falar da Premier League, nem dos nossos rivais serem equipas estratosféricas (nenhum deles se apurou para os oitavos da CL, um deles nem um mísero ponto fez) é por outros fatores que nós infelizmente todos conhecemos (e dos quais pelo menos o Ministério Público também suspeita)...

11 janeiro, 2018

OBJECTIVO CUMPRIDO.


MOREIRENSE-FC PORTO, 1-2

O FC Porto deslocou-se a Moreira de Cónegos para jogar o acesso às meias finais da Taça de Portugal. Esperava-se um jogo difícil porque por tradição, o FC Porto tem sérias dificuldades no reduto do Moreirense mas os jogadores de Sérgio Conceição entraram no jogo muito bem e em 20 minutos praticamente sentenciaram a partida.

Herrera e Layún foram os destaques da partida. Um golo cada e boas exibições, principalmente Layún que é cada vez mais um jogador importante no plantel pela sua polivalência. Desta vez, Layún jogou como homem mais avançado do meio-campo e não se deu nada mal.



Sérgio Conceição poupou vários jogadores na equipa portista. Uns por gestão, outros por precaução como é o caso de Marega que tinha saído com queixas do último jogo. José Sá, Ricardo, Aboubakar, Reyes, A. André, Marega e Óliver ficaram no banco e Corona nem sequer apareceu na lista de convocados.

Aos 8 minutos, Soares ganhou o duelo pouco depois do meio-campo, progrediu na direcção da grande área, viu Herrera passar-lhe pela frente e endossou-lhe a bola. O mexicano, com tudo para fazer o golo, picou a bola por cima do Guarda-redes contrário e fez o golo.

Marcar cedo facilita sempre o caminho para a vitória e, por outro lado, a equipa não fica sujeita a factores externos ao jogo. Por isso, o FC Porto sentia-se tranquilo a trocar a bola de pé para pé.

Aos 20 minutos, Layún ampliou o resultado para 2-0. Uma investida do FC Porto pela esquerda foi cortada de forma deficiente pela defesa do Moreirense. A bola sobrou para Layún à entrada da área e este colocou a bola no ângulo inferior da baliza contrária.


A partir daqui o FC Porto geriu o jogo como quis. Imprimiu a velocidade que entendeu ao jogo mas perto do intervalo Brahimi sentiu um alarme. Queixou-se da coxa e pediu para sair. Naturais preocupações de Sérgio Conceição foram visíveis na tv porque, com um plantel curto, com castigos que têm saído em catadupa, as lesões tornam o cenário muito mais complicado.

Após o intervalo, deu para perceber que o caso de Brahimi não será tão complicado como aparentava. O argelino estava tranquilo e com boa disposição no banco de suplentes. Por isso, o técnico portista e o departamento médico serão, com certeza, competentes para gerirem estas situações.

A etapa complementar foi muito pausada, sem grandes lances de registo. O FC Porto ameaçou com algum perigo a baliza do Moreirense, nomeadamente por Soares que desperdiçou duas oportunidades e o Moreirense tentou fazer pela vida.

O FC Porto estava mais preocupado em gerir o jogo e o esforço dos seus jogadores. A sequência e a exigência de jogos surgem a um ritmo alucinante e vão continuar.

Por outro lado, os Dragões sabem que, nos próximos dois meses, vai decidir-se muita coisa que será determinante para o que resta da época.


Aos 73 minutos, Edno, um ponta-lança desconhecido, um verdadeiro panzer, reduziu para 1-2 e pareceu lançar o jogo para o último quarto-de-hora com os comentadores da tv galvanizados com a possibilidade do FC Porto não ter garantido no momento a vitória no jogo. Como sempre, os servos do regime. Uns tristes!

Apesar de tudo, para tristeza e decepção desses sujeitinhos que abrem a boca para o microfone, a reação da equipa da casa não foi suficiente. Os Dragões nunca se sentiram ameaçados e, desta forma, o FC Porto segue para as meias-finais onde vai defrontar o Sporting em duas mãos para apurar o finalista da Taça de Portugal.

Os Dragões sabem que vão defrontar o Sporting por quatro vezes em três meses e em três provas: 1 para a taça CTT, duas para a Taça de Portugal e uma para a Liga NOS. Muitas decisões, muitos nervos, muita ansiedade para ser gerida.

Os Dragões deslocam-se à Amoreira na próxima Segunda-feira para defrontar o Estoril, jogo que abre a segunda volta da Liga NOS.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Não dou rebuçados a ninguém”

Baixa de ritmo após o 2-0
“Ao intervalo falei no balneário para retificarmos os últimos 20 minutos da primeira parte, de que não gostei, em que baixámos muito a intensidade do jogo e em que o Moreirense começou a ter mais bola. Fazemos os dois golos cedo e, inconscientemente, isso entrou na cabeça dos jogadores. Não fizemos aquilo que é habitual na intensidade, a condicionar ao máximo o adversário na posse e circulação de bola.”

A segunda parte e o futuro
“Regressámos ao relvado com uma predisposição muito mais forte. Tivemos várias situações para fazer o 3-0 e depois o Moreirense consegue fazer o 2-1, mas penso que não houve mais situações de perigo. Os jogos da Taça são sempre difíceis e este campo é difícil. Conseguimos o principal objetivo, que era passar para as meias-finais, e agora vamos pensar já no Campeonato e no jogo de segunda-feira, que é muito importante para nós.”

As alterações na equipa
“Não dou rebuçados a ninguém. Aquilo que achava melhor em termos estratégicos foi feito. O Hernâni acabou o último jogo com o Vitória, o Soares estava em campo, o Layún também. A dupla do meio-campo foi a mesma que jogou nos últimos tempos mais vezes. O setor defensivo, à exceção do Casillas e do Maxi, jogou muitas vezes. Também não olho muito a isso, mas para a estratégia que temos para o jogo e para aquele que acho o melhor onze para ganharmos.”


Layún no meio-campo
“Temos que gerir o plantel da melhor forma. Conheço todos os meus jogadores, sei que o Miguel é um jogador polivalente, com muita inteligência tática, independentemente do lugar que ocupar vai dar sempre uma resposta positiva. Ele sabe o que queremos onde quer que jogue. Contra o Feirense também entrou para a mesma posição, depois teve que recuar devido à expulsão do Felipe. Os jogadores estão identificados, não fazemos experiências, sabemos o que fazemos.”

Carinho pela Taça
“Tenho um carinho especial mas não por ter perdido a final quando era treinador de outra equipa. É um dia marcante na carreira de um jogador - já passei por muitos palcos e estádios, mas no Jamor a atmosfera é especial nesse dia. Tive oportunidade de ganhar a Taça como jogador e de estar numa final como treinador. Espero sinceramente poder estar este ano com a minha equipa no Jamor e vencer este troféu, que é na minha opinião especial.”

Luta em três frentes com o Sporting e mercado
“No Campeonato há uma luta a três e com o Braga também ali perto. O Benfica também é um candidato ao título, penso que vamos ter competição até ao final. Na Taça da Liga e de Portugal estamos em luta direta com o Sporting e a seu tempo falaremos desses jogos, agora a concentração está virada para o jogo de segunda-feira no Estoril, para o Campeonato, que é o nosso principal objetivo. Tenho jogadores que têm qualidade, se vier alguém tem de ser para dar mais do que o que tenho à disposição. Os treinadores querem sempre mais.”



RESUMO DO JOGO

O FUTEBOL DA PEQUENADA.


Não é de hoje, nem de ontem. É já de há uns anos a esta parte. Sim, já há algum tempo que nos vimos a aperceber que certos clubes pequenos dão tudo contra o Porto e, pelo contrário, parecem extremamente relaxados e conformados nos jogos contra o Benfica.

Podíamos, claro, começar por falar do Belenenses e do escandaloso caso de Miguel Rosa, que se repetiu sucessivamente épocas a fio sem que nenhuma autoridade federativa se pronunciasse. Podíamos ainda voltar a referir esse clube lisboeta cuja Benfica SAD está listada no seu PER, com uma dívida bastante elevada. Além disso, viemos a saber recentemente através de ficheiros divulgados online que o Benfica terá feito uma transferência avultada para o Belenenses, transferência essa que o Belenenses prontamente esclareceu como sendo referente à aquisição dos direitos desportivos de Dálcio Gomes. Sucede que, por azar, os documentos relativos a esse negócio foram também colocados na internet e revelam valores totalmente díspares, não batendo a bota com a perdigota.

Mas há demasiadas coisas estranhas a acontecerem no futebol português. Demasiadas. Podíamos falar das incríveis 8 faltas do Tondela frente ao SLB, quando comparadas com as 27 faltas contra o FC Porto, bem acima da média do Tondela no campeonato (em redor das 20).

Podíamos, além disso, descrever o goal-average do Tondela frente ao FC Porto e Benfica nos últimos 5 jogos entre ambos: 6-1 vs 19-2. Podíamos ainda elencar, sem necessidade de mais detalhes, os últimos treinadores do Tondela: Vítor Paneira, Rui Bento, Petit e Pepa.

Podíamos ir por aí, mas não vamos. Vamos é por exemplo pegar nas palavras de Sérgio Vieira, treinador do Moreirense que justificou assim a derrota da sua equipa: “Fomos pouco pressionantes no primeiro tempo, demos muito espaço ao SLB para criar, fomos pouco agressivos na pressão ao portador da bola, foi pena”.

Foi pena, certamente, mas não foi surpresa. Aliás, é o normal quanso se defronta o Benfica. Afinal de contas, se um treinador não prepara a sua equipa para fechar espaços e pressionar um grande do futebol português quando vai jogar a sua casa, é caso para perguntar: o que anda esse treinador a fazer durante a semana? Os dirigentes  e adeptos do Moreirense que esclareçam...

Podíamos recuperar aqui também a suavidade das declarações dos treinadores da pequenada quando defrontam o SLB. Invariavelmente sai o seguinte das suas bocas: “parabéns ao SLB, foram melhores, foram justos vencedores, a sua qualidade veio ao de cima, hoje não era o nosso dia, para a semana há mais”. No entanto, nos tempos mais recentes, vêm aprimorando a continência: quem não se lembra do treinador do Estoril a pugnar veementemente na conferênca de imprensa para que se discuta o jogo, recusando-se a avaliar se a sua equipa havia sido prejudicada por decisões do árbitro da partida?

Ainda assim, há coisas ainda mais estranhas a passar-se por aí. O tal G15 menos 2, esse movimento de clubes pequenos encabeçados por Salvador (o mais pequeno dos pequenos), deixou a careca a descoberto, dizendo que “o FC Porto e Sporting se deviam comportar como o Benfica”. Nem de propósito, Vieira e Salvador foram apanhados a conversar às escondidas num hotel bracarense, em vésperas de um importante Braga x Benfica. Coincidências, dirão alguns leitores. Mais uma, direi eu. E apetece perguntar: para que serve verdadeiramente este G15 e qual o seu objectivo?

Depois, há aqueles azares típicos de clube pequeno, que sucedem sempre com o SLB e nunca com o FC Porto: laterais a escorregar em lances decisivos; passes directamente para os pés de jogadores do SLB, laterais a esquecerem-se de jogadores nas suas costas, e por aí fora. Um longo rol de erros, lapsos, azares e azarinhos. Como ainda este fim-de-semana em Moreira de Cónegos.

Finalmente, começam a surgir aqui e ali boatos e vozes de que a PJ estará a investigar 5 jogos do SLB, onde existirá a suspeita de que determinados jogadores foram pagos para perder, através de supostos aliciamentos perpetrados por intermediários e empresários ligados ao SLB. As coisas começam a fazer sentido…

Todas estas notícias são boas para percebermos que não é da nossa cabeça, nem é do menor fulgor físico dos atletas do FC Porto. Como seria possível, aliás, que os centrais dos chamados pequenos mostrassem tanta dificuldade em parar um Jonas com 33 anos e que em Espanha foi conotado como o pior avançado da história do Valência e pelo contrário, mostrassem tanta frescura e boa forma na feroz marcação que fazem ao jovem Aboubakar, potente e explosivo camaronês que se impôs nos campeonatos francês e turco?

Podíamos ainda referir o Estoril Gate, aquele caso único a nível europeu no qual um clube da I Divisão que habitualmente joga no Estoril se decide mudar de armas e bagagens, numa jornada, para o Algarve, com a justificação de aumentar as suas receitas de bilheteira, optando assim por jogar em terreno neutro.

Podíamos ainda falar do grandioso Rio Ave, esse satélito mendesiano, que pelos vistos tem vários jogadores seus envolvidos em casos de corrupção, tais como Roderick e Marcelo (Roderick, esse grande central que curiosamente, mesmo depois de andar nas bocas do mundo devido a esta situação, é alvo do Braga de Salvador), que prontamente veio esclarecer que nada de estranho se passa nos Arcos e que tudo isto é uma cabala.

Há algo aqui que não bate certo há muitos anos, desde logo quando vemos a forma como o Feirense festeja de punhos cerrados cortes conseguidos em lances divididos com os nossos extremos. Sabemos que é normal querer ganhar a um grande, compreendemos que seja aceitável dar tudo por tudo para vencer uma equipa do gabarito europeu do FC Porto, aceitamos tudo isso de bom grado. Só temos dificuldade em perceber é a apatia, a falta de frescura e a opção pelo futebol positivo e de menores preocupações defensivas quando está em causa o SLB.

Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Rodrigo de Almada Martins

10 janeiro, 2018

2018 DE TODAS AS ESPERANÇAS.


Viragem de ano, viragem de volta, álibi perfeito para balanços e congeminações futebolísticas. Se quanto às provas em curso, tudo ainda há para falar num futuro que se espera a médio prazo, irei concentrar-me neste texto, no que foi o ano de 2017 para as nossas cores.

Estando na moda a escolha de uma palavra que defina o ano, a minha opção para o Futebol Clube do Porto recai em "Renascer".

Após três longos anos, marcados pelo insucesso e clivagens entre portistas, onde "pipoqueiros" e "verdadeiros portistas" entraram surpreendentemente no léxico do Dragão, a segunda metade do ano de 2017 foi marcada a letras garrafais por um nome: Sérgio Conceição!

Ainda nada está ganho, como o próprio faz - e bem - questão de sublinhar. No entanto, para o bem, ou para o mal, o nosso treinador deu-nos já algo porque suspirávamos há longos anos. Uma equipa com sede de vitória, de conquistas. Uma equipa em que a vantagem mínima é apenas uma etapa intermédia para a ampliar. Uma equipa onde o empate voltou a ser considerado como uma derrota seja contra quem for, como sempre o deveria ter sido em quem enverga o manto azul e branco.

Era injusto, da minha parte, se não reconhecesse uns pozinhos de mérito a Nuno Espírito Santo, pela forma como assentou a poeira do desastre que tinha sido a herança de Peseiro, e deixou ao seu sucessor a semente de uma equipa defensivamente bem estruturada. Mas a reinvenção do ataque demolidor, valorizado ainda mais por sê-lo com um punhado de "renegados", e não estrelas pagas a peso de ouro, tem a marca registada de Sérgio Conceição.

Olhando para 2017 do ponto de vista dos resultados, é curioso verificarmos que internamente só fomos derrotados duas vezes, e pelo mesmo adversário. Ironicamente, o mesmo do jogo de amanhã: o Moreirense. Uma para a taça CTT, com o contributo inestimável da visão traseira do Sr. Luís Godinho. Outra na derradeira jornada da temporada, com a ausência competitiva da equipa portista (excepto o eterno guerreiro Maxi).

Das 4 restantes derrotas, todas em contexto Champions, pouco haverá a dizer. Duas delas, ainda no reinado NES, contra a finalista Juventus, onde o 10 portista foi demasiado imaturo e insuficiente para tão credenciado adversário. As outras duas, já sobre a égide de Sérgio Conceição, contra Besiktas e RB Leipzig. Lições úteis, e felizmente sem consequências de maior, para o crescimento da equipa.

Olhando para as derrotas, e exceptuando o adeus a uma competição, resultante dos confrontos com a "Vecchia Signora", chegamos facilmente à conclusão que não foi pelos desaires que somamos outro ano amorfo no nosso historial. O grande réu de 2017 é mesmo o síndroma do “empate”. Desses destaco dois:

- O de NES no Dragão contra o Setúbal - com o contributo inestimável do Sr. Manuel Oliveira - onde o que seria uma estocada profunda nas aspirações encarnadas, com a ultrapassagem na classificação em jornada pré-clássico, acabou transformado num golpe mortal na nossa moral e motivação.

- O de Sérgio Conceição contra slb - com o contributo inestimável do Sr. Jorge Sousa - injusto pelo que se passou em campo, e que seria a cereja no topo do bolo para uma primeira volta (quase) perfeita.

Debruçando-me nas vitórias durante 2017, com NES, pouco há a referir para além do tímido 2-1 ao Sporting, e um anormal 7-0 ao Nacional. Já na atual temporada, apesar de na balança dos pesos pesados apenas podermos incluir as vitórias expressivas ao fragilizado Mónaco, no geral, as exibições e números têm sido deveras convincentes, colocando-nos as expectativas de conquistas nos píncaros.

Em período de vitórias tudo parece cor de rosa, e qual mancebo apaixonado, as virtudes valem muito mais do que os defeitos. Entre elas, a dinâmica ofensiva e de vitória que o treinador incutiu na equipa, ao que não é de somenos destacar a recuperação incrível de jogadores dados como perdidos, sendo expoentes máximos os nomes de Aboubakar e Marega, aos quais adicionaria surpresas tão díspares como Diego Reyes, Herrera e até mesmo o jogador fabuloso em que se tornou Brahimi. Contudo, também existe o reverso da medalha. Óliver, um dos melhores jogadores do plantel, passou mais de metade da primeira volta entre a bancada e o banco, vendo à sua frente um jogador que não lhe chega a meio do calcanhar, como é o caso de André André. Corona transformou-se num jogador banal de equipa do meio da tabela e Hernâni encarnou o espírito do Marega de 2016. Casillas, que sempre revelou um empenho e profissionalismo inatacáveis, foi afastado injustamente da titularidade com uma explicação no mínimo "manhosa", vendo a titular um miúdo que, apesar de não comprometer, também não acrescenta nenhuma mais valia ao que o próprio seria capaz de fazer.

Para finalizar, para além da esperança e orgulho que, até ao momento, nos trouxeram as exibições em campo do nosso Porto, nunca é demais elogiar e destacar o excelente trabalho feito na retaguarda pelo Francisco J. Marques que, sem chutar à baliza, conseguiu de uma vez por todas fazer engolir aos benfiquistas, a hipócrita supremacia moral que tanto se orgulhavam.

Uma última palavra para a equipa de Hóquei do FC Porto, pela brilhante época de superação e crença, que tão saborosas conquistas nos proporcionaram.


Entre dias de azar ou sorte, a bipolaridade de um árbitro como o Sr. Artur Soares Dias, tanto nos consegue dar dois penaltys como não ver outros dois.

Entre as brumas da Choupana, ou o verdejante tapete do Dragão, a coragem de um árbitro como o Sr. Jorge Sousa, tanto pode fraquejar ou favorecer perante o azul e branco vestido.

Mas quando numa partida de 90 e tal minutos, todos os erros, e por todos refiro-me a muitos mesmo, são sempre para um só lado, a minha opinião do Sr. Fábio Veríssimo está bem expressa no cartaz acima.

Bruno Paixão que se cuide. Com exibições como a do Feirense - FCP, o puto prodígio é bem capaz de o suplantar.

Cumprimentos Portistas.

09 janeiro, 2018

OS PATINHOS FEIOS TRANSFORMADOS EM CISNES.


Não foram poucas as vezes em que nos últimos quatro anos, li e ouvi um argumento com o qual não pude deixar de concordar na maior parte das vezes em que o mesmo foi utilizado. Uma das grandes falhas que se foi apontando aos treinadores que passaram no banco do Dragão foi a falta de aproveitamento da qualidade de muitos dos jogadores do plantel, ou seja, e por outras palavras, muitos jogadores parecerem bem piores do que aquilo que realmente eram.

É impossível não fazer um pequeno exercício de memória relativamente a vários dos jogadores que atualmente compõem o plantel do FC Porto e que tão boa conta do recado têm dado. E refletir, refletir muito sobre o que se passou, sobre o porquê de tanto insucesso nos últimos anos, que obviamente não pode ser só associado a fatores externos, pois teve uma componente de culpa própria significativa.

Lembro-me bem do papel secundário que 99% dos Portistas acreditava que José Sá iria ter no plantel do FC Porto quando foi contratado. Se alguém dissesse em janeiro de 2016 que Sá iria algum dia relegar Casillas para o banco de suplentes, talvez se acreditasse que seria mais fácil ganhar o euromilhões.

Lembro-me também de ver Ricardo Pereira no annus horribilis de 2013/2014 e das suas dificuldades em fazer um simples cruzamento. E da escorregadela de Marcano na final da taça de Portugal que deu origem ao 2º golo do adversário, numa final horrivelmente perdida nos penalties depois de fazer o mais difícil. Bem como, da sentença de morte ao espanhol no FC Porto feita por alguns respeitados comentadores Portistas.

Dos constantes empréstimos de Reyes, que andou de clube em clube até chegar ao ano final de contrato com o FC Porto e afinal se concluir que o mexicano não é tão inútil no plantel como se chegou a pensar.

De Herrera, o caso mais paradigmático de tudo isto. Sinceramente, neste caso nem consigo explicar bem como é possível depois de 4 anos de Herrera, curiosamente os 4 anos de seca Portista, se estar a ver o que se tem visto. É daqueles fenómenos inexplicáveis mas que têm de acabar inevitavelmente com uma conclusão, que mais lá para o fim do post vou explicar.

Das constantes críticas às exibições quadradas de André André e ao seu futebol pouco consequente e dinâmico.

De Marega nem vale a pena falar muito... Aí direi mesmo sem qualquer duvida que 100% dos Portistas devem em algum momento ter feito troça de Marega... Um jogador que até era alvo de chacota por parte dos adeptos com tarjas em estádios, etc, etc... Um bombo da festa transformado num dos melhores jogadores do campeonato.

Da instabilidade mental de Aboubakar no ano em que supostamente seria o substituto natural de Jackson Martinez e de tantos e tantos golos falhados de baliza aberta.

De Brahimi ter estado com um pé e meio fora do FC Porto no ano passado...

Conclusão, a verdade é que muitos jogadores do atual plantel parecem neste momento melhores do que aquilo que realmente são. Estão potenciados a um nível que nunca julguei ser possível. Não é muito difícil chegar a um nome inevitável no meio de tudo isto: Sérgio Conceição! E é a fazer de jogadores normais, jogadores muito bons que se distinguem os bons treinadores dos treinadores assim-assim!

PS: Nada disto quer dizer necessariamente que ganhemos alguma coisa no final da época. Se tudo correr bem em Moreira de Cónegos, a disputa da taça de Portugal e da Liga realizar-se-á frente ao Sporting, uma equipa naturalmente bem trabalhada que ainda não perdeu internamente este ano, ou seja, duas eliminatórias em aberto e repartidas. Mas há uma coisa que transparece de modo evidente este ano, o trabalho realizado até aqui é de qualidade, vê-se futebol, dinâmica, golos, vitórias... Teremos de continuar a ser quase perfeitos para ganhar este campeonato porque os obstáculos irão ser mais que muitos e de diversa ordem. Mas que se está a trabalhar bem, isto é inegável.

07 janeiro, 2018

VITÓRIA SOBRE O VAR.


FC PORTO-GUIMARÃES, 4-2

O FC Porto terminou a 1ª volta da Liga NOS na liderança. Em 17 jogos obteve 14 vitórias. Não conseguiu mais porque os homens das decisões inclinaram descaradamente o relvado e isso custou pontos. Na Vila das Aves foi um desses palcos mas a partir daí, o FC Porto sabe que não pode facilitar sob pena de se colocar a jeito e perder os pontos necessários essenciais para a conquista do campeonato.

Com mais pontos, melhor ataque, melhor defesa e líder desde o início da prova,  o FC Porto teve que suar muito as estopinhas para levar de vencida um V. Guimarães que se apresentou muito bem no Dragão na 1ª parte do jogo.

Depois do jogo da última jornada, Sérgio Conceição apostou no mesmo onze com duas alterações: Reyes surgiu no lugar do castigado Felipe e Óliver apareceu na vaga de A. André. O espanhol entrou algo nervoso no jogo, bem como toda a equipa. Erraram muitos passes e mostraram-se muito sôfregos no ataque.


Ora os vimaranenses aproveitaram muito bem esta intranquilidade dos azuis-e-brancos e criaram algum perigo junto da baliza de José Sá. O FC Porto não conseguia chegar com perigo à baliza contrária e, nas vezes que ameaçou, o artista de serviço, fiel servil, fechou os olhos a faltas claras e grosseiras na área dos vitorianos.

Primeiro aos 10 minutos quando um defesa vimaranense não resistiu e decidiu testar a malha da camisola de Marega. Um puxão pelas costas que não arrancou a camisola mas quase que a despiu. Depois perto do final da primeira parte quando outro defesa da equipa forasteira agarrou e impediu que o maliano disputasse a bola dentro da grande área da equipa minhota.

Mas aos 20 minutos, quem se adiantou no marcador foi o V. Guimarães. Investida da equipa visitante na meia-direita do ataque e um cruzamento para a área portista onde surgiu Raphinha a antecipar-se ao "distraído" Ricardo Pereira e a bater José Sá.

Brahimi era o mais inconformado na equipa portista perante a desvantagem. Tentou remar contra a maré e o azar mas a equipa não correspondia. A equipa sentia-se atada, presa a uma teia e os jogadores não conseguiam encontrar o equilíbrio e o discernimento necessários para chegar à baliza contrária.

A terminar a primeira parte, o V. Guimarães tem razão de queixa de uma grande penalidade cometida por Corona mas o árbitro também nada assinalou. E eu pergunto: e o VAR? O que estava a fazer o artista do VAR? Três grandes penalidades na primeira parte e nem sequer uma intervenção para amostra. Para que serve este VAR? Para encher os bolsos de quem lá está a ver o jogo descansado e a comer fruta.


Ao intervalo, Sérgio Conceição foi fundamental na reacção da equipa na segunda parte. Manteve o mesmo onze, passou uma mensagem de tranquilidade e os jogadores pareceram transfigurados por completo. Logo aos cinco minutos da etapa complementar, Aboubakar deixou o aviso com um golpe de cabeça que obrigou o guarda-redes contrário à defesa da noite.

Sete minutos depois, Corona na direita fez um cruzamento com conta, peso e medida e Aboubakar no coração da área rematou para a baliza. Estava reposta um pouco da justiça no marcador. O Estádio entrou em ebulição e as bancadas entusiasmaram-se para o resto do jogo deixando de lado os menus e as pipocas dispensáveis.

Brahimi, depois de tanto trabalhar e batalhar na primeira parte, colocou o FC Porto na frente aos 62 minutos de jogo. A passe de Alex Telles, o argelino entrou na área, partiu os rins a um defesa contrário e bateu o guarda-redes veterano do V. Guimarães, picando-lhe a bola. Um golo só ao alcance de génios.

A partir daí, sentia-se que a vitória estava alcançada mas com estas coisas do VAR, nunca fiando. Por isso, o FC Porto continuou a carregar no acelerador. Hernâni, entrado para o lugar de Corona, teve uma das poucas investidas ao ataque e cruzou para a área contrária onde Marega cabeceou para a baliza dos visitantes. Estava decorridos 79 minutos de jogo. Quatro minutos volvidos, o maliano correspondeu muito bem a um cruzamento de Ricardo Pereira e estabeleceu o resultado em 4-1.


Marega, o patinho feio de outrora, foi substituído por Soares para os aplausos e M. Layún entraria, mais tarde, para a ala no lugar de Brahimi. Entretanto, surgiu o entusiasmo e a onda das bancadas com olés, pipocas e lanternas. O Dragão entrou na cantiga e na sequência de troca de bola na rectaguarda portista, um passe disparatado de Reyes fez com que Heldon entrasse na área e batesse José Sá pela segunda vez. Desnecessária esta desconcentração, promovida pelo adepto das vitórias e pelo adepto do assobio.

Antes de terminar, Soares, numa grande investida individual, isolou-se ainda antes do meio-campo e, quando chegou à área com dois companheiros desmarcados, atirou muito defeituoso contra Douglas. Na recarga, Aboubakar foi interceptado por um defesa contrário.

Nota final para mais uma miserável exibição da equipa da arbitragem, com a agravante de se tratar de um árbitro internacional e para um suposto VAR "cego" que continua a não ver os lances para que foi instituído. UMA VERGONHA! Vitória contra tudo, contra todos e contra o VAR!

Próxima paragem, em Moreira de Cónegos na Quinta-feira, para disputar o acesso às meias-finais da Taça de Portugal. A palavra de ordem é vencer e entrar com tudo desde o início para não estarmos sujeitos, desta vez não ao VAR mas à equipa de artistas que vai tomar decisões dentro de campo.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Não é fácil derrubar esta equipa”

Primeira parte/segunda parte
“A nossa primeira parte teve pouco do nosso ADN. Falhámos passes fáceis e no último terço faltou sempre clarividência para definir bem. Entrámos algo ansiosos e penso que em alguns momentos quisemos fazer as coisas demasiado rápido. Tive o intervalo mais fácil desde que sou o treinador do FC Porto. Corrigimos duas ou três coisas, mas, como já disse, tenho plena confiança nos meus jogadores. Não tive que dizer absolutamente nada, só que tenho mil por cento de confiança neles. Depois, a segunda parte, foi o que se viu. Fizemos quatro golos e podíamos ter feito mais.”

Estar em desvantagem não inibiu a equipa
“Acho que estar em desvantagem não condicionou o nosso jogo. Há dias em que as coisas acontecem assim, simplesmente não saem bem. Nós não pensamos muito no que os outros fazem. Temos consciência da equipa que temos e do coletivo que temos e sabíamos que, com o decorrer do jogo, as coisas iam acabar por surgir. Depois também há que contar com o adversário, que hoje se organizou bem. Foi uma vitória difícil, mas justa.”

Os ajustes ao intervalo
“O nosso início de construção de jogo não estava bem. Criávamos pouco jogo pelos corredores laterais e tínhamos muita gente dentro. O que mudámos na segunda parte foi que procurámos chegar mais vezes com vantagem ao último terço do campo, para aí criar dificuldades aos adversários.”


Já a olhar para a segunda volta
“Os pontos são sempre caros para nós. Temos consciência que queremos ter uma segunda volta ainda melhor do que a primeira. Temos 45 pontos, são muitos, mas isto ainda só vai a meio e temos que fazer mais e melhor. Mas não vai ser fácil derrubar esta equipa, porque é mesmo assim. Ainda hoje sofremos um golo que me parece em fora de jogo e temos um penálti não assinalado com o jogo em 0-0.”

O recado a Rui Vitória
“Nós somos um grupo verdadeiramente forte e não o digo só porque fica bem dizê-lo numa conferência. Eu digo o que sinto e não meto num dia o modo motivador e noutro dia o modo agressivo. Penso pela minha cabeça e não pela cabeça dos outros, pois já sou crescido, sou livre. Tudo que é o meu sentimento eu expresso, sem problema. Há pessoas que me fazem lembrar um boneco que o meu filho tem em casa, que não tem expressão e que assume formas de estar carregando-se num botão. Eu não sou assim.”

A motivação é o trabalho
“A nossa vitamina e a motivação é o trabalho. Não tem a ver com situações externas. O grito e a emoção são importantes, mas isso não chega, talvez chegue só para uma semana. O que nós temos feito é mais do que isso. Temos qualidade no trabalho...e falo de todos. Do departamento médico, à direção e, claro, dos jogadores.”



RESUMO DO JOGO

06 janeiro, 2018

FOTO MÍSTICA #9 - Jorge Costa [1996]

O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com .


Época: 1996/1997
Local: Estádio das Antas
Data: 20.11.1996
Resultado:  FC Porto 1 x 1 AC Milan
Aparecem na fotografia: Jorge Costa, António Oliveira

Foi uma das histórias que apaixonou o portismo nos anos 90: a cabeçada de George Weah a Jorge Costa, no túnel de acesso aos balneários do Estádio das Antas. O AC Milan era o carrasco daqueles tempos, que saía ano sim ano sim nas fases de grupo da Champions, a par do modesto mas sempre complicado Rosenborg. Falávamos então daquela que era provavelmente a melhor equipa do mundo da altura, com grandes senhores do futebol como Baresi, Maldini, Costacurta, Desailly, Davids, Simone, Baggio, Boban, Dugarry e o melhor jogador africano da altura: o liberiano George Weah.

O histório de confrontos entre as duas equipas não era favorável aos azuis-e-brancos. Na memória de muitos estará, por exemplo, aquela bomba de Jean-Pierre Papin a desfeitear Vítor Baía, após uma exibição memorável dos comandados de Carlos Alberto Silva frente à poderosíssima equipa de Fabio Capello (contava com Gullit e Rijkaard) que, todavia, não chegou para evitar a derrota caseira.

Mas em 96/97 era já tempo de exorcizar este fantasma italiano. Na jornada europeia anterior a que esta fotografia diz respeito, tinha-se dado a célebre reviravolta de San Siro – que será também um dia dissecada aqui no FOTO-MÍSTICA.

No jogo de Milão, que acabou com a vitória a favor do FC Porto (naquela que foi talvez a mais significativa vitória europeia do clube nos anos 90), Jorge Costa havia pisado Weah, num lance sem intenção, logo após este ter facturado de cabeça para o conjunto milanês. Sucede que, naquela altura, os jogadores estavam ainda autorizados a alinhar com brincos, colares e anéis, sendo que o liberiano jogava com um daqueles cachuchos que, ao ser pisado pelo alumínio dos pitons das botas do Bicho, lhe causou um traumatismo num dos dedos.

No jogo das Antas, Weah continuou a fazer a cabeça em água à defensiva portista, fruto da sua explosão e técnica apurada. Disse então o nosso Capitão que, nesse dia, não havia outra forma de parar Weah a não ser aumentando um pouco os níveis de agressividade na marcação, mas sempre dentro das regras do jogo. Não foi o único africano com quem Jorge Costa sentiu dificuldades na marcação, aliás. Quando um dia lhe perguntaram qual foi o avançado mais difícil de parar, a resposta saiu pronta: Didier Drogba, naquele difícil Marselha x FC Porto.

No final desse encontro, com o 1x1 a garantir o apuramento directo dos portistas em 1º lugar do grupo, os jogadores demoraram-se um pouco mais do que o habitual no tapete das Antas para celebrar o feito junto dos adeptos. Foi já dentro das cabines que, sem que nada o fizesse prever, Weah se aproximou de Jorge Costa e lhe desferiu uma violenta cabeçada, levando a que este se tivesse que sujeitar, dias mais tarde, a uma cirurgia de correcção da fractura da cana do nariz, que se traduziu num mês afastado da competição. Uma agressão premeditada e violentíssima, a frio, já bem depois do árbitro dar por terminada a partida.

Ainda nos balneários, a confusão foi enorme e sabe-se agora que o liberiano apenas conseguiu embarcar no avião de regresso a Milão porque forneceram uma informação errada a Jorge Costa, não tendo este apresentado a queixa-crime de forma imediata junto do órgão policial.

Na fotografia acima vemos o nosso Capitão ao lado do seu treinador, António Oliveira, na antiga sala de imprensa do Estádio das Antas. A conferência de imprensa teve aliás que ser interrompida, visto que Jorge Costa se sentiu com tonturas, sendo prontamente assistido no local pela equipa médica.

O que se passou depois entra na esfera kafkiana. De um lado, Jorge Costa sempre afirmou não abdicar de um pedido de desculpas; do outro houve menções a insultos racistas por parte do atleta que iniciou a sua carreira no FC Foz, algo que nunca foi corroborado pelos colegas de Weah no AC Milan.

George Weah estava nomeado para a Bola de Ouro relativa à época de 1995, tendo vindo receber a mesma numa cerimónia no Casino Estoril, em Dezembro de 1996. Foi proposto ao Bicho que se apresentasse no referido certame, cara a cara com Weah, tendo o primeiro rejeitado o convite na ausência de um pedido de desculpas público por parte do seu agressor. Jorge Costa confirmou ainda ter sido aliciado por altas instâncias do futebol internacional para, a troco de determinada quantia monetária, retirar a queixa que interpôs contra o jogador africano, o que terminantemente recusou. É bom que se diga que, na altura, a UEFA e a FIFA encetavam esforços no sentido de irradiar qualquer tipo de racismo no futebol e Weah, um jogador de primeira categoria, era a imagem ideal para fazer a ponte entre a Europa e a África, agregando as duas culturas e promovendo uma cultura de fair-play e no to racism. É a única razão que podemos encontrar para o facto de Weah ter sido ainda vencedor, de forma inacreditável, do prémio FIFA Fair-Play de 1996.

Passado um ano, Weah dirigiu uma carta ao português penitenciando-se pelo mal-entendido, justificando a sua atitude com supostos insultos racistas. Jorge Costa nunca aceitou a insinuação de racismo e, por isso, nunca respondeu ao hipócrita pedido de desculpas. A FIFA, no ano de 2000, através do seu porta-voz Keith Cooper, e face à recusa do capitão portista em retirar a queixa-crime, voltou a recuperar a questão, colocando Weah como vítima e Jorge Costa como agressor, numa tentativa de salvar a face do seu prémio Fair-Play.

O processo judicial em território nacional acabou por seguir os seus termos no 1º Juízo Criminal do Tribunal do Porto, que nunca encontrou maneira de notificar o cidadão liberiano para comparecer em audiência de julgamento. Talvez agora seja mais fácil notificar George Weah, eleito Presidente da República da Libéria no passado dia 10 de Dezembro. Basta para isso o envio de uma simples carta rogatória. O Ministério dos Negócios Estrangeiros terá agora a palavra.

Rodrigo de Almada Martins

03 janeiro, 2018

NOVO ANO, “VELHOS” PADRES.


FEIRENSE-FC PORTO, 1-2

A prática de roubo é punível por Lei. Mas há quem entenda que não e passe impune. Esta noite, vários jogos do outrora, passaram-me pela cabeça. Jogos arbitrados por Lucílios, Calabotes, Paixões, Trigos, “chineses”, etc, etc. E porquê?

Porque esta noite assistiu-se a uma tentativa de golpe descarado do padre de serviço, um daqueles padres que saiu da academia do Seixal com a 4ª classe mal feita mas promovido a árbitro internacional em tempo record.

Expulsões perdoadas a jogadores do Feirense, pacto com anti-jogo, sonegação de grandes penalidades ao FC Porto e invenção de uma falta, a favor do Feirense, no último minuto de jogo, perto da grande área dos Dragões que ninguém percebeu.


A Missa foi cumprida à risca mas o FC Porto com dentes cerrados, união, força, querer e sacrifício averbou a 13ª vitória em 16 jogos na Liga NOS. Foi arrancada a ferros, contra tudo e contra todos e por isso os jogadores sabem que terão que entrar em todos os jogos de igual modo, caso contrário o padreco decidirá o jogo em dois tempos.

Vergonha! Ordinarice! Vigarice! Desfaçatez! Que mais poderemos dizer sobre este meia-leca?

Jogo muito complicado num campo difícil e com um relvado fraco e inapropriado para a prática do futebol. Assim teve o FC Porto que encarar o cenário para levar de vencida a equipa do Feirense. Uma equipa que disputou cada lance como se fosse o último e cada corte, cada defesa e cada intervenção eram festejadas pelos seus jogadores como se de uma final da Champions League se tratasse.

Os Dragões saberiam que este jogo era para ganhar. Custe o que custasse! Saberia que vencendo, iriam ganhar pontos pelo menos a um dos adversários directos. E acabaram por ganhar dois pontos a cada um.

Os Dragões entraram muito fortes no jogo. Procuravam chegar à baliza contrária com grande intensidade para alcançar o golo cedo. Nos primeiros 20 minutos, vimos um FC Porto disposto no relvado em 4x4x2 com Brahimi e Corona a assessorar Danilo e A. André no meio-campo e a apoiar Aboubakar e Marega na frente. Felipe na defesa foi a única novidade no onze portista.

Brahimi começou a desequilibrar o jogo com boas incursões à área contrária. Foi derrubado por uma entrada violenta de um jogador contrário que merecia expulsão, serviu Aboubakar na área por duas vezes, bem como Marega e fez a assistência para o golo do camaronês à passagem dos 22 minutos de jogo. Teve ainda uma oportunidade soberana para bater o guarda-redes contrário mas este fez-lhe a mancha, impedindo que a bola entrasse na baliza.


O Feirense empatou minutos depois por Luís Rocha que aproveitou uma má abordagem da defensiva portista, na conversão de um livre a meio do meio-campo portista. Felipe ficou mal na fotografia, deixando-se ultrapassar infantilmente pelo jogador da equipa da casa.

Depois do empate, gradualmente, começou tudo o que não deve fazer parte de um jogo de futebol: as perdas de tempo da equipa da casa, a simulação de lesões, o retardar lento do jogo e o padre a mostrar toda a sua conivência com este tipo de situações.

Na etapa complementar, o FC Porto regressou com o mesmo onze mas por poucos minutos. No entanto, aos 52 minutos, Marcano antecipa-se na área contrária a um adversário e é pontapeado no calcanhar. Penalidade máxima negada pelo artista.

Óliver entrou para o lugar de A. André, aos 55 minutos e o jogo portista passou a ter mais circulação. O FC Porto expôs-se ao risco e tinha que o fazer. Era preciso marcar um golo. Por isso, Sérgio Conceição retirou Corona aos 67 minutos, algo desgastado, e colocou Soares.

O assalto á baliza contrária foi mais consistente. O Feirense era uma equipa tão curta que nem sequer passava do meio-campo. Até que aos 76 minutos de jogo, Alex Telles cobrou mais um dos muitos cantos da partida e Felipe de cabeça fez o resultado final, emendando o erro cometido na primeira parte.

Depois do golo, o padre proveta mudou o rumo natural dos acontecimentos. Aos 78 minutos, Soares é calcado na perna e no peito do pé e o árbitro exibe o cartão amarelo ao avançado portista por simulação de falta (?!?!?!). A cinco minutos do fim, Felipe corta uma bola elevando o pé à altura da cabeça do adversário mas não toca no jogador. Segundo amarelo e expulsão do central portista (?!?!?!).

O FC Porto e os seus jogadores, indignados com o artista, insurgem-se energicamente e arregaçam as mangas. O Feirense procurou, então, o jogo direto, mas nunca incomodou verdadeiramente José Sá.


Aos 90 minutos, sobe a placa do período de descontos. Seis minutos que foram oito. Layún tinha entrado para o lugar do fatigado Aboubakar e é no final deste período de descontos que surge o escândalo da noite.

O padreco não assinala uma cotovelada de um avançado da equipa da casa sobre Marcano num lance aéreo. O jogo prossegue e a defensiva do FC Porto alivia a bola para fora de campo. Marcano insurge-se, revoltado, contra o artista e é admoestado com cartolina amarela. De seguida, o palhaço em vez de ordenar o lançamento lateral, assinala, inacreditavelmente, livre à entrada da área portista. Mas o que é isto??? Que palhaçada é esta???

Expliquem-me isto que eu não consigo perceber. E já agora expliquem-me o porquê dos cerca de sete minutos de espera da equipa do FC Porto à boca do túnel para entrar em campo antes do jogo. Porque é que o jogo começou mais tarde? Isto terá de ser muito bem explicado.

O jogo terminou logo de seguida com uma onda de grande indignação nas hostes portistas perante uma arbitragem que fez corar de vergonha Calabotes e companhia.

Do lado portista, ninguém falou no fim do jogo sob pena de surgirem uma catrefada de castigos. É isso que esses palhaços querem! Que jogadores e técnico reajam às provocações!

Com este resultado, o FC Porto aproveitou a oportunidade para ganhar dois pontos aos seus perseguidores directos. Recebe o V. Guimarães no próximo Domingo a contar para a 17ª e última jornada da 1ª volta da Liga NOS.

Sem Otávio, lesionado, e sem Felipe e Herrera, castigados para Domingo, Sérgio Conceição vai mesmo precisar de reforços para o futuro porque, por este andar, expulsa-se qualquer jogador dos Dragões por dá cá aquela palha.




DECLARAÇÕES

Indignação com arbitragem provoca ausência de declarações

O treinador Sérgio Conceição e os jogadores do FC Porto não prestam declarações no final do Feirense-FC Porto (1-2) da noite desta quarta-feira, a contar para a 16.ª jornada da Liga NOS. A decisão deve-se à indignação sentida pelo trabalho da equipa de arbitragem e de forma a evitar qualquer tipo de castigo.



RESUMO DO JOGO













02 janeiro, 2018

DOIS MIL E DEZOITO.


Em primeiro lugar, deixo os meus votos de um excelente 2018, sobretudo com muita saúde, trabalho e felicidade, a todos os colaboradores e leitores deste blog.

Desportivamente, as minhas expetativas têm duas dimensões bem definidas: 2018 tem de ser um ano de rutura, no seguimento do que tem sido o excelente trabalho iniciado em 2017 por FJM, ou seja, tem de se continuar (e com cada vez mais intensidade!) o trabalho de denúncia e reflexão que tem sido feito, tem de haver uma rutura clara com o status-quo vigente e também com o silêncio, muitas vezes envergonhado, com que o FC Porto encarou grande parte do quadriénio 2013-2017. Para além disso, gostaria obviamente que 2018 fosse um ano de títulos, não títulos de jornais, nem do tesouro, mas sim títulos desportivos.

Não há como esconder, nem dourar a pílula, nas últimas 3 épocas desportivas estiveram em disputa 12 títulos internos e o FC Porto não ganhou um único desses 12 títulos. Recuando nas 4 épocas anteriores, o pecúlio do FC Porto resume-se à supertaça ganha em 2013. Estamos todos sedentos de títulos e de sucesso desportivo, bem em contraponto com as últimas 4 épocas, sedentos de competência dentro de campo.

O caminho percorrido até aqui é inegavelmente positivo. Mais do que o facto de ainda estarmos vivos nas 4 competições em disputa, aquilo que mais me agrada atualmente é o futebol com cabeça, tronco e membros que a equipa apresenta, uma equipa dinâmica, criativa e rápida no processo ofensivo, uma equipa organizada e competente no processo defensivo mas sobretudo uma equipa ligada entre si e ligada com os adeptos, com a SAD e com o treinador. A este propósito é também justo que se diga uma coisa, Sérgio Conceição beneficiou de uma herança bem melhor do que por exemplo NES ou Lopetegui. Este FC Porto é de Sérgio Conceição mas vem na sequencia de um FC Porto de NES que era uma equipa organizada no seu futebol (sobretudo na manobra defensiva) que foi competente em muitas ocasiões e que foi vítima das mais inacreditáveis arbitragens nos últimos 35 anos.

Infelizmente, a tabela classificativa não reflete a superioridade que o FC Porto tem demonstrado em campo, a liderança ex-aequo com o 2º e com apenas 3 pontos de vantagem sobre o 3º é manifestamente pouco para o que se tem produzido. O caminho a percorrer ainda é muito longo mas as bases que estão lançadas até aqui abrem boas perspectivas.

A terminar, deixo votos para que todas as instituições públicas responsáveis pelo respeito e cumprimento das leis trabalhem o melhor possível tendo em conta o apuramento da verdade, apenas e só a verdade. E que depois essa verdade tenha as devidas consequências legais, seja para quem for, independentemente do nome ou da dimensão. Obviamente falo de instituições como o Ministério Público, Polícia Judiciária, Unidade Nacional de Combate à Corrupção e Tribunais. E obviamente falo do processo judicial por um esquema de corrupção para favorecer um determinado clube, que o Ministério Publico neste momento investiga. Muito sinceramente, que se investigue tudo seriamente, sem medo, sem amarras e sem receio de se atingir A, B ou C. É isto que se pede num país civilizado, que pertence à União Europeia, o grupo de países mais desenvolvidos do planeta, não um qualquer país africano ou sul-americano onde a democracia e o estado de Direito são uma utopia.

PS: A RTP, não o Porto Canal, o site oficial do FC Porto ou o site de FJM, noticiou que a PJ está a investigar cinco jogos do Benfica da temporada 2015/2016 onde poderão ter havido eventuais aliciamentos a jogadores de equipas adversárias. Foi também referido que os telemóveis de alguns jogadores possuem fortes indícios de aliciamento. Mais uma vez, apenas espero muito sinceramente que se vá até onde se tem de ir, com justiça e sem medos.

PS2: João Correia, advogado do slb, admitiu relativamente ao famoso "caso dos emails" que "uma ou outra questão pode ser interpretada como tráfico de influências". Caro João, basta uma, uma questão apenas ser considerada tráfico de influências (mesmo que as outras 5 mil coisas sejam consideradas ZERO em termos jurídicos) para que as consequências de tal situação sejam simplesmente a descida de divisão, tal como os regulamentos da FPF preveem. A questão não está no número de crimes, basta cometer um para se ter de arcar com as devidas consequências jurídicas.

PS3: Como se vê pelos PS´s acima, o futebol português respira pureza e verdade desportiva. Bem ao contrário do período de 1982 a 2013, esse sim um período negro na historia do futebol português...