Pois, cá estou eu com a difícil tarefa – e o difícil é um eufemismo - de substituir o Sr. António. Imaginam o que sentiram os avançados que vieram para o Porto na fase pós-Jardel? É exactamente “la memme chose”. O termo de comparação é sempre, quer queiramos ou não, com o antecessor. E quando ele é do calibre do Sr. António, um neófito como eu nestas andanças fica numa situação delicada.
Poderão muitos estar agora a entreolhar-se e a formular a pergunta que assola as mentes
“mas como raio é que este gajo cá veio parar?”. Sossego desde já os senhores da Procuradoria-geral da República. Não conheço pessoalmente o
Blue Boy, não existe nenhuma escuta em que ele apareça a dizer “
o Paulo Pereira…o Paulo Pereira pode ser” e tampouco me ofereceu um

bilhete para assistir ao Porto-Manchester. Isso que fique bem claro. E mesmo que ele me oferecesse o bilhete eu declinava-o, garanto-vos! A sério. Deixando-nos de preâmbulos, que não é para isso que me pagam (
eh eh, piadinha, Dª Mª José Morgado), vamos lá ao que interessa, que é a actualidade desse clube mágico, o nosso PORTO. E hoje, fica desde já prometido, que não falo do Apito Dourado (
dasse…mas alguém é corrompido com a m*rd* de um bilhete para o futebol?). Não, o assunto agora é a bola. Dentro das quatro linhas.
Acabado o pior período do ano para mim, que corresponde ao descanso dos guerreiros azuis e brancos, importa saber o que vale esta equipa portista? Bem, a pergunta, para além de retórica, não está bem formulada. Um clube bicampeão, seja em Espanha, Inglaterra ou Luxemburgo, tem sempre a acompanhá-lo esse rótulo de qualidade. Campeões. É disso que se trata, como um certificado de qualidade, que já agora, noutro aparte, bem que poderia ser obrigatório na Superliga, tão paupérrimos são alguns espectáculos. Assim, desde já, o Porto parte como favorito. Algo inato à equipa, algo já absorvido pelos seus adeptos, que sabem com o que contam. É um ponto assente. Candidatos a vencer tudo…a nível interno. Por isso, o que importa aferir é se os reforços contratados irão dar uma dimensão extra ao FCP, capaz de dotá-lo de armas para competir externamente, marchando por essa Europa fora como um exército conquistador, ávido de troféus. Vamos lá então destrinçar esta equipa, armados em entendidos da bola:
Na baliza, nada de novo. Helton dono e senhor do lugar, uma imensa saudade no lugar que foi de Baía, agora destinado a outras funções, e mais dois nomes para completar o ramalhete obrigatório, mais ou menos consensuais. Nuno, que sempre me transmitiu uma imagem de profissionalismo, ficando na ingrata posição de nº 2, e o jovem Ventura, numa oportunidade de trabalhar ao mais alto nível. Na defesa, conseguida a proeza de vender o Ricardo Costa, e logo num bilhete premiado por 4 milhões, continua lá a defesa de betão. Os imperiais Pepe e Bruno Alves, com a companhia de Pedro Emanuel. Se perderem um minutinho, verão quantos “ses” vos passam pelo pensamento. Não é caso para menos. “E se algum deles se lesiona?”, e “E se existem castigos em barda?” ou ainda “e se o cansaço imperar, com tantos jogos previstos?”. São 3 “ses”, mas podem ser dezenas, facilmente. Só 3 centrais? Não, responderão vocês. O João Paulo também conta. Será, riposto eu? Parece-me que a manta fica curta. O lado direito da defesa tem dono. O supersónico Bosingwa, capaz de arrancadas irresistíveis, já a ser alvo da investigação da zelosa morgadinha, pois ninguém, segundo ela, consegue correr assim num campo de futebol. Fucile está lá, para o que der e vier. Do lado esquerdo, mais do mesmo. Um “deja vu” de outras épocas, com o corredor a ser feito pelo periclitante Cech ou pela incógnita Lino. Venha o diabo e escolha!
ps - Aqui, alto e para o baile! Com o texto escrito atempadamente, gozava eu o merecido sossego, quando um telefonema em tom jocoso de um amigo benfiquista (sim, eu penitencio-me. Tenho alguns, não muitos, amigos com péssimo gosto clubista) me provoca o desassossego. Pepe vendido. Levei as mãos à cabeça e amaldiçoei a perda de mais uma estrela. A minha primeira reacção foi de profunda irritação. Por me terem estragado o artigo e pela venda de um central como há poucos a nível mundial. E agora? Não teço mais considerações, ainda dominado pela emoção, acerca da razoabilidade (ou falta dela) do negócio. Prefiro fazer uma análise posterior, mais racional, não cometendo agora nenhuma injustiça. O que salta, para já, à vista de qualquer leigo, é que o Porto terá, forçosamente, que arranjar um central. E dos bons! E, neste caso, que se abata grandemente o passivo, já que o dinheiro reunido neste defeso (grosso modo, cerca 70 milhões de euros) permitirá a sua redução substancial. Perde-se mais do que um atleta fantástico. Não veremos outra vez aquela comemoração de azul e branco vestido: O braço erguido, após o golo, a arma agarrada com uma das mãos, enquanto a outra puxa a culatra atrás, a pontaria feita de imediato e a águia abatida, sem piedade. Já estou com saudades!
No
meio campo, fez-se a vontade ao Professor.
“Queremos jogadores mais robustos do ponto de vista físico e mental”, confessava Jesualdo numa entrevista ao Jogo. Aí estão eles. Robustez é o apelido de Kazmierczak, imponente figura, a nível físico. Mentalmente, deve

estar avalizado, pois quem aguenta uma época com Jaime Pacheco, está apto para qualquer coisa. Temos ainda o fiável Raul Meireles, os novos Landro Lima, Luis Aguiar e Mario Bolatti.
Faço novo aparte aqui (sim, eu sei, ainda vou ficar conhecido pelo senhor dos apartes). Não sou o Luís Freitas Lobo, pretensamente conhecedor de qualquer jogador de futebol, jogue ele em Inglaterra, no Butão, ou numa província qualquer do Iemen. Eu não. Tenho conhecimentos bem mais reduzidos. Sou obrigado a socorrer-me da minha base de dados predilecta: o Football Manager. E o que diz o FM quanto a alguns dos reforços portistas: se depender dele, Leandro Lima, Luis Aguiar e Mario Bollati estão aprovados. Jesualdo Ferreira, já apelidado nestas paragens de Coração de Dragão, pode respirar aliviado. Vai ter qualidade técnica de sobra para desbaratar defesas adversárias. Mesmo com Jorginho…
E na frente, aquele lugar com que todos sonham, desde pequeninos? O momento imaginado e já cantado em verso, em que um avançado, vestido de azul e branco, se eleva por entre os centrais, para fazer explodir a multidão de alegria?

Temos Edgar, em quem deposito grandes esperanças. Alto, esguio, num jogo de cabeça que pode ser mortífero, com os centros teleguiados de Quaresma. Inexperiente? Sim, sem dúvida, mas também temos o mal amado Adriano, um dos principais responsáveis pelos dois últimos títulos, Postiga e Renteria. Bem…assim, vistas as coisas desta forma, parece-me francamente pouco. Renteria é uma nulidade. Ponto assente. Postiga anda a concorrer para tal, tamanha é a apatia que o invade, nos momentos menos aconselháveis. Falta um nome, poderoso, capaz de decidir jogos. Ah, e já agora, mais um extremo (
e não, Sektioui foi uma brincadeira de mau gosto de Adriaanse), pois se queremos ter pretensões a vencer a Champions (
e há algum portista que não sonhe com isso?) temos que nos reforçar com artilharia pesada. Uma espécie de Oscar Cardozo, o novo avançado dos ímpios. Se não acreditam, vejam só o relato da imprensa acerca da participação no jogo do paraguaio contra a Colômbia:
6’ – [Faz] falta sobre Vallejo
21’ – Remate contra a muralha colombiana
28’ – É o primeiro a abraçar Santa Cruz no 1-0
46’ – É (novamente) o primeiro a abraçar Santa Cruz, no 2-0
55’ – Perde um contra-ataque por esbarrar em Yepes
57’ – Aproveita um erro clamoroso de Yepes para atirar por cima
68’ – Substituído por Cabañas
Isto sim, é um ponta de lança. Gastaram 10 milhões mas ficam bem servidos. Destaco apenas dois momentos: os minutos 28 e 46. Formidável!
O plantel actual parece sólido, com alguns desequilíbrios, nos lugares já referidos, mas capaz de suportar as combinações em 4-3-3 ou num mais pragmático 4-4-2. Uma certeza, porém: QUEREMOS O TRI!
ps1 - Foi há pouco mais de 10 anos que se criou a Liga Profissional de Basquetebol. A modalidade, sempre geradora de inovações e primando pela antecipação, lançava os dados daquilo que se esperaria fosse o futuro da modalidade. Uma Liga pujante, com clubes bem organizados, alicerçados em sólidas estruturas. 2007/08 comprova precisamente o contrário. A modalidade mostra-se como veio ao Mundo. Dirigentes incapazes, projectos megalómanos que deixaram de existir, falta de dinheiro e a carolice como suporte da maioria dos emblemas. É pena. A Liga profissional, onde pontifica o Porto, corre agora sérios riscos de se tornar redutora. Apenas 8 clubes na casa de partida, numa prova minada pela chantagem de um clube do sul, incapaz de lidar com a realidade em que vive, preferindo tomar atitudes dignas de qualquer criança de 5 anos, mimada em excesso.
ps2 - Sr. António, a titularidade é sua. Sou apenas aquilo que no futebol se convencionou chamar "carregador de piano". As trivelas, passes de calcanhar, cruzamentos milimétricos e remates de letra não fazem parte do meu reportório. A magia é sua. Este lugar também. Quando e sempre que quiser!
ps3 - continua em construção o nosso [CoNtRa dOSsiEr] "o apito Bermelho"... se têm informações, elementos ou documentos que possam ser adicionados a este trabalho de fundo que estamos a realizar, e onde claramente identifiquem quem são os verdadeiros Jagunços & Gangsters desde nosso PORTOgal, não hesitem. Enviem-nos todo esse material para o email: blogdoblueboy@gmail.com, devidamente catalogado com a ORIGEM e DATA respectiva, para que depois de trabalhado, possa ser adicionado ao [CoNtRa dOSsiEr]. Porque pretendemos fazer a apresentação do mesmo por aqui muito em breve, também dependemos e muito da vossa colaboração, portanto, AJUDEM-NOS carago! No final, quem sabe, não possamos gratuitamente facultar toda esta documentação a uma (outra) VACA qualquer, e quiçá, até descobrir uma nova escritora literária com algum (outro) talento escondido que possa vir a causar espanto nuns tais 6 milhões de rídiculos?"