06 outubro, 2008

O primeiro capítulo da redenção de uma equipa...

05 de Outubro de 2008
Liga Sagres 2008/2009

Estádio do Dragão, no Porto
assistência: --- espectadores


árbitros: Lucílio Baptista (Setúbal), Venâncio Tomé e Mário Dionísio; Bruno Paixão.

Sporting CP: Rui Patrício; Abel, Tonel, Polga e Grimi; Miguel Veloso, Rochemback, João Moutinho «cap.» e Djaló; Derlei e Hélder Postiga.
Substituições: Grimi por Pereirinha (46m), Abel por Romagnoli (66m) e Hélder Postiga por Liedson (66m).
Não utilizados: Tiago, Daniel Carriço, Pedro Silva e Adrien.
Treinador: Paulo Bento.

FC Porto: Nuno; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves e Fucile; Fernando, Lucho González «cap», Raul Meireles e Tomás Costa; Lisandro Lopez e Cristian Rodriguez.
Substituições: Tomás Costa por Mariano Gonzalez (58m), Cristian Rodriguez por Hulk (73m) e Lucho González por Guarin (83m).
Não utilizados: Ventura, Pedro Emanuel, Lino e Pelé.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Disciplina: Cartão amarelo a Lucho González (22m), Abel (32m), Pereirinha (51m), Tomás Costa (55m), Derlei (59m), Sapunaru (59m), Liedson (80m) e Lisandro Lopez (89m).

Golos: Lisandro Lopez (18m), João Moutinho (28m, g.p.) e Bruno Alves (31m).


O reencontro com a nossa besta negra. O nosso cabo das Tormentas. Alvalade. 19:45. Bem antes do apito inicial do árbitro, tenho esperanças. E muitas. Eu, ateu convicto, agarro-me a uma fé inexplicável. Tenho crenças arreigadas naquelas camisolas, que envergam orgulhosas o emblema do Dragão.

E os sinais, para quem acreditar neles, são-nos claramente antagónicos. Exibição decepcionante na noite tenebrosa de Londres, reavivando fantasmas enterrados, fazendo-nos descer do pedestal de equipa incontestada onde julgávamos pertencer. Causticados por uma imensa torrente de críticas, com o futebol portistas a ser discutido de forma acalorada e apaixonada na blogosfera, os pupilos de Jesualdo enfrentam um nova e decisivo desafio, no regresso às lides domésticas.

A utilização do “decisivo” pode parecer abusiva. Até concordo que seja. Mesmo em caso de derrota, o Porto ficará “apenas” a 4 pontos, a 25 jogos do fim desta maratona competitiva. 4 pontos, depois de já ter defrontados os pretensos rivais no seu próprio reduto. Em termos desportivos, com tudo o que nova e decepcionante derrota possa acarretar, não será uma diferença pontual abissal e de recuperação quase impossível. Muito pelo contrário. Mas…

É decisivo. Não pelos 3 pontos em disputa. Mas para aferir o carácter de uma equipa ferida. Para verificar o poderio, ou a inexistência dele, nestes tempos de trevas, onde alguns profetas preferem apontar o dedo à SAD, culpada de todos os males [aposto que ainda alguém vai encontrar a relação entre a nossa política de contratações e a crise económica mundial] e ao perfil ganancioso dos seus dirigentes. Deixando esses pretensos arrivistas, detentores da verdade suprema, divagarem sozinhos, ou acompanhados pelo seu séquito de ressabiados, importa limpar a imagem deixada em Londres. Porque nova derrota faria aumentar a pressão sobre Jesualdo a um nível próximo da ebulição. As ondas de choque poderiam criar fracturas impossíveis de conter, com sequelas profundas no que resta da temporada.

Na abordagem ao clássico, já dissecado ao mais ínfimo pormenor pela sapiência do Bruno Rocha, não são de esperar mudanças tácticas visíveis na equipa.

Fénix renascida. Das cinzas. Exibição personalizada de uma equipa que readquiriu a sua personalidade. Combativa. Coesa. Indomável.

Foi o FC Porto esperado, de início. Sem invenções. O FC Porto do costume. Num 4-4-2, visto de forma simplista, transformando-se num 4-1-3-2, com dois aríetes na frente: Rodriguez e Lisandro. A ideia de Jesualdo era simples. Permitir que o adversário tivesse a posse de bola, mas mantendo sempre duas unidades móveis na frente, capazes de resolver o jogo num contra-ataque.

Com o flanco esquerdo possuindo novo dono, assistindo ao regresso de Fucile, El Comandante apareceu para reclamar o seu trono. Dono e senhor do meio-campo, estratega temível, Lucho foi a pedra que faltava para emperrar o habitual losango de Paulo Bento, hoje com Djálo como vértice mais ofensivo.

Foi sempre o FC Porto a dar o sinal maior de inconformismo. Como querendo provar algo. Tomas Costa, ganhando a batalha da titularidade para o lugar de médio direito, deu o primeiro sinal de que o Dragão iria honrar os seus pergaminhos. Raide estonteante pelo meio-campo leonino, finalizado com um remate por cima da baliza. Como se quisesse apenas dizer, alto e bom som, “nós estamos aqui. Somos os Campeões. E queremos ganhar”.

A equipa uniu fileiras. E, como prémio, o 1º golo apareceu. Forjado na raça. Mostrando os predicados que nos fazem vencer. De forma sôfrega. Tomas Costa, em esforço, recupera uma bola aparentemente perdida. Deixa para trás, incrédulo com o ar destemido do argentino, o adversário directo. O centro, cirúrgico, encontra Meireles. O remate deste, rechaçado por um defesa, cai nos pés de Lisandro. O argentino agradece a benesse, reconciliando-se com o golo.

O jogo era nosso. Perfeitamente controlado. Inócuo. Até que Lucilio resolveu mostrar o porquê da sua nomeação. Abro um pequenino parêntesis para dizer que, neste caso, o FC Porto tem culpa. Pela falta de pedagogia. Tomas Costa, nado e criado na Argentina, desconhece ainda as manhas e matreirices do futebol luso. E nunca foi apresentado à figura inefável de Lucílio. Até hoje. Bastou um toque. Um mísero toque. Suave. Incapaz de fazer balançar uma pequena flor. Mas Moutinho, um rapazola que almeja mais do que aquilo que tem, estatela-se com urros de dor, como se atingido por um camião TIR lançado a 200 à hora. O pretexto que Lucílio queria. Penalty. Golo do empate. Resultado adulterado.

Mas os campeões não se abatem, à primeira contrariedade. Londres pesava no subconsciente dos jogadores. E a raiva fervilhava no sangue de todos. Bruno Alves foi a voz da revolta. Míseros minutos depois teve uma falta. O defesa central azul e branco aprestou-se para a marcar. Naquele momento, quando ele acariciava a bola, antes da marcação, os fantasmas de outros exímios marcadores de lances de bola parada apareceram pela relva de Alvalade. Branco. Geraldão. Esquerdinha. Todos eles aconselharam Bruno Alves. Incentivaram-no, ao ouvido. Transmitiram-lhe o testemunho. E a bola partiu, cirúrgica. Linda. Descrevendo um arco perfeito. O momento da noite, sublime, anichou-se nas redes sportinguistas. É desta forma que se responde à injustiça. Com classe.

A segunda parte poderia ter uma história diferente. Depois da Supertaça, com Lucho a rematar ao poste, depois da Luz ver remate idêntico de Lisandro esbarrar no ferro, passando por Vila do Conde, onde duas bolas se estatelaram contra os suportes da baliza e em Londres, com Rodriguez a experimentar a solidez do ferro, novamente a sorte foi madrasta para o FC Porto. Quase um dejá-vu da primeira metade. Bruno Alves, em novo livre, remata com técnica. A barra da baliza impediu que a partida terminasse ali.

O FC Porto, no entanto, não se desuniu. Passou por alguns momentos de aflição. Saiu Tomas Costa, roçando a expulsão, por troca com Mariano. O Porto recuou, talvez perigosamente, mas sendo capaz de cortar as diagonais, mantendo a atenção focada nas laterais, impedindo que os médios leoninos arranjassem espaços para alvejar a baliza de Nuno.

Derlei esteve perto de igualar. Rodriguez, antes da substituição, podia ter feito o terceiro. Era um jogo algo espartilhado. Um FC Porto adoptando uma postura de contenção, tapando os caminhos para a sua baliza, espreitando sempre a possibilidade de criar perigo.

Jesualdo mexeu na equipa. Novamente. E bem. Retirou um abnegado Cebola, colocando em campo uma locomotiva humana. Hulk é um diamante por lapidar. Possante, com técnica, fisicamente imparável, estendeu o jogo portista, até bem perto da área adversária. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Com capacidade de choque, apesar de alguma ingenuidade, deu um contributo excelente a Lisandro.

O Sporting tinha já resvalado para um perigoso abismo emocional. Bolas bombeadas para o último reduto portista, em forma de desespero, sentindo que os 3 pontos tinham fugido. Para Norte. E não se enganaram. Devem vir, neste momento, na A1, a caminho da Invicta.

O apito final apenas ajudou a sentenciar uma partida que se sentia ganha. Não foi um FC Porto brilhante. Longe disso. Mas foi o NOSSO PORTO. Lutador. De dentes cerrados. Não desistindo. Se uma imagem ajudasse a decorar esta crónica, seria a de um boxeur, à beira do KO, no ringue, levando 4 sopapos do opositor. Mas resistindo, sentindo o espírito indomável de gerações de campeões, erguendo-se ferido, mas novamente pronto a lutar. E a vencer. É este o FC Porto que amo. E ele está aí, ressuscitado. A vencer, desde 1893.

Melhor do FC Porto: Eis uma tarefa que não se afigura nada fácil. Detesto dar notas, pela subjectividade inerente a cada análise. Escolho, no entanto, Bruno Alves. Estóico, poderoso na defesa do último reduto portista, foi um pilar na equipa, evitando que a mesma soçobrasse nos períodos de maior assédio sportinguista. Aliou a essa capacidade natural de liderar, a arte exímia na marcação de bolas paradas. A primeira, a mais de trinta metros da baliza, respondendo com enorme classe ao penalty marcado contra o FC Porto. Remate indefensável, que mereceria figurar nos manuais de aprendizagem do método de bater livres. Perfeito. A segunda, logo no início da segunda metade, colocando a bola fora do alcance de Rui Patrício. Pena que o poste constituísse um adversário impossível de ultrapassar.

Menção honrosa para Lisandro. É um lugar-comum referir a capacidade, aparentemente inesgotável, do argentino lutar pela posse da bola. Até à exaustão. Licha correspondeu na perfeição aos anseios de Jesualdo. Foi um vagabundo na frente de ataque. Sem poiso certo, atormentando a paciência aos defesas leoninos. Dotado de enorme mobilidade, estava no local certo para finalizar a jogada do 1º tento. Mas ele fez ainda mais. Recuperou bolas, ajudou na defesa, porfiou no meio-campo, lançou contra-ataques, assistiu companheiros [notável passe para Rodriguez, a finalizar um venenoso ataque, na 2ª parte]. Ufaaa. Até cansa, só de ver…

Arbitragem: Sou coerente comigo mesmo. E cumpro promessas. Mesmo aquelas que faço a mim próprio. Recuso-me a pontuar, em qualquer situação, a arbitragem de Lucilio. Demasiados impropérios proferidos contra a figura do juiz, durante anos a fio, por roubos descarados contra equipas portistas. Considero que a propalada e defendida regeneração do futebol português será sempre uma utopia, enquanto homens do calibre de Lucilio continuarem a apitar, impunemente. Servilismo, parcialidade, anti-portismo primário, poderiam ser alguns dos mimos que serviriam para caracterizar o abutre do apito. Mas isso, confesso, era dar-lhe demasiada importância. Existirá um dia em que homens destes ficarão, para sempre, afastados de um campo de futebol. Mesmo que seja para cortar a relva.

Nota: Ainda não inventaram uma Taça que faz falta, no futebol tuga. A dos malabarismos circenses. Aí, nessa competição, o Sporting e os seus jogadores não teriam rival. Constantes queixas, simulações e todo o tipo de truques desonestos, provando que a Academia de Alcochete, mesmo sem produzir campeões, produz técnicos especializados para a nobre arte do Circo.

05 outubro, 2008

Nunca é tarde... para ganhar em Alvalade!



Porque amanhã é Domingo,
Eu quero que o povo note,
A maneira como brilham,
As quinas de campeão,
Na camisola do Dragão.

Rui Veloso que me desculpe plagiar o seu “Fado do Ladrão Enamorado”, é que o Leão não é nenhum papão, mas tem por timbre dar golpe certeiro. O tempo é de exibição a preceito, vamos lá Jesualdo, aguce o seu jeito. É que há muitos a desconfiar de uma competente exibição, pois já se torna vulgar o senhor apresentar um Porto de imitação.

Romantismo à parte cumpre-me a espinhosa missão de alvitrar a antevisão de mais um clássico do futebol luso. E quando tudo está mal o que é que ainda pode ser pior???...

Alvalade e o indomável Leão de Paulo Bento, uma espécie de besta negra, pedra no sapato, areia a mais para a camioneta do Dragão. Reza o historial estatístico que os embates caseiros são amplamente favoráveis aos Viscondes, com 41 vitórias em 74 jogos, estes números foram em muito esbatidos durante as duas últimas décadas, ainda que sob a égide e batuta de Jesualdo, jogar com os leões é sinónimo de derrota anunciada.

A única premissa que altera o cariz de um resultado negativo é que para os Azuis marcar primeiro é quase sempre condição sine qua non para o garante da vitória. Depois do que ficou à vista em mais um desastre de competências além fronteiras, pouco mais sobra ao Dragão que não o reerguer-se e aprender com nova lição londrina, aliás seguindo a linha de raciocínio do técnico azul e branco que preferiu dissecar o rotundo desaire de forma pouco eloquente, se as derrotas têm o condão de ajudar ao crescimento da equipa então estou em dizer que pelo andar da carruagem a base de trabalho estará em breve atingir a maioridade.

Coabitam na comunidade azul e branca uma panóplia de sentimentos face a este clássico, logo a partida um feeling de que este clássico vale para os Dragões bem mais que três pontos, à quinta jornada os azuis jogam o reabilitar do seu futebol, o encontro com a identidade própria, o acertar de agulhas face aos esquemas tácticos em vista para o que resta da época.

Na véspera de defrontar o rival verde da 2ª circular, o cepticismo face às exibições débeis, confrangedora incapacidade física, sucessivos naufrágios defensivos bem como os inúmeros indicadores individuais a obviarem a ilações positivas, afinal de contas que Porto se espera no Alvalade XXI???

Do Sporting confesso não esperar grandes surpresas, sobram as dúvidas em virtudes de algumas peças importantes nos desenhos tácticos de Paulo Bento estarem a contas com lesões. Com Caneira e Polga sob vigilância médica a dupla de centrais pode passar por Tonel e Miguel Veloso, a verificar-se o cenário, mudam desde logo os intérpretes do famoso losango leonino que tantas alergias provocam ao professor Jesualdo.

O técnico leonino tem ainda Vukcevic e Izmailov condicionados e fora dos eleitos para o Clássico e que torna ainda mais apetecível a luta táctica da zona central do campo, se me esquecer que estes que agora não entram nas contas foram tão só os responsáveis pelos golos apontados no embate da época transacta, será isso um bom presságio!!!!

O técnico portista useiro e vezeiro na configuração de sistemas tácticos alternativos sobretudo na programação do meio campo azul e branco, já tentou de tudo, ele foi 4x4x2 tradicional ou de triângulos invertidos, passando pelo 4x3x3 de a sumptuosa postura pragmática, a verdade é que seja qual for a roupagem do Dragão, as vestes acabam por sempre delinear uma incapacidade táctica nos confrontos com as cores leoninas, onde sobra o travo amargo do resultado e onde apesar do denodado esforço para contrariar as vicissitudes, sempre acaba a deixar-se engodado e armadilhado pela zona intermediaria verde.

Desta feita e olhando aos convocados até não custa perceber que vai haver mexidas no onze portista, Pelé é a novidade, Tarik continua esquecido e Candeias e Stepanov não entram nas escolhas. Se a não inclusão do Sérvio se percebe porque este é um jogo para ganhar, já a do jovem ala que tem tido direito a alguns minutos é de todo questionável ainda mais quando o Porto não se tem mostrado forte nesse capitulo de jogo.

Com a ideia clara de que o jogo com os lagartos é uma boa moeda de troca na hora da cobrança, os de Alvalade até estão acostumados a serem o divã do Dragão para a recuperação psicológica, habituados que estão a pagar a factura das ressacas europeias. Desta vez ninguém enjeitaria um desiderato que confinasse igual desígnio, para tal, Lucho prepara o seu regresso ao onze, não sendo que isso seja bastante para alterar as dinâmicas de jogo, pese embora o facto de o seu futebol linear, expedito e laborioso seja capaz de fazer a ofensiva portista somar ataques em vagas sucessivas e investidas constantes sobre a baliza de Rui Patrício, tais expectativas não atenuariam por certo as gritantes faltas de rotina do jogo que os Dragões apresentam.

Quem também luta por uma vaga e por um acerto táctico que permita a sua inclusão nos eleitos é Tomás Costa, voluntarioso e abnegado face a mais que previsível luta titânica de meio campo frente a Moutinho, Rochemback e seus pares, parece-me que a sua entrada é uma boa muleta e importante suporte a Sapunaru até porque e apesar deste último não fazer esquecer o antigo titular do posto de defesa direito, tarda em firmar créditos, o que somado ao seu posicionamento ameaça provocar rombos na defensiva azul.

Com morte anunciada está a asa esquerda portista, depois da hemorragia de golos na Champions parece óbvio que é preciso estancar essa debilidade, contudo Benitez não pode ser o bode expiatório, Jesualdo tem grande quota parte de culpa, sem mecanismos de compensação e de entre ajuda à faixa em questão, Guarin nunca foi um suporte fidedigno ao argentino, é certo que a pálida imagem que deixam transparecer as suas exibições encerram no plano táctico muito mais que um simples dizer, muito fraquinho para jogar de Dragão ao peito.

Como convêm, a culpa não deve morrer solteira e a quem podem ser assacadas culpas também pelo menor fulgor defensivo a esquerda é a Rodriguez, a cebola uruguaia é um flop no esquema ofensivo, completamente desfasado, não dá profundidade sendo preferível que seja adicionado como médio interior esquerdo do que como extremo puro, claro está que isso obriga a novo modelo concepcional da estrutura centro campista azul, com Meireles, e Fernando a pisarem metros quadrados distintos dado o seu raio de acção.

Golos precisam-se, e quem os evite também, Helton acometido por um torcicolo é outra das ausências notadas, ele que tem por costume abrir a capoeira nos grandes palcos, vai ceder a baliza ao por norma competente Nuno. Numa altura em que os mercados financeiros se debatem com a crise económica, a norte Lisandro vai desbaratando o crédito de golos, os adeptos começam a cobrar a inépcia ofensiva do artilheiro, tornando a conta excessivamente alta dado os juros subirem a cada jogo que passa em branco.

Alvalade encerra sempre dificuldades, as equipas perfilam-se para apesar das baixas, se apresentarem no máximo das suas capacidades, Jesualdo promete que vai a jogo com ambição de conquista pelos três pontos, a batalha será intensa, com organizações tácticas distintas nos conceitos de jogo não é menos verdade que ambas fazem da fiabilidade defensiva o ponto de partida para o que costuma ser regra de ouro, as equipas constroem-se de trás para a frente.

É certo que os Portistas encaixaram quatro golos sem resposta, mas cada jogo é um jogo e apesar das sequelas que sempre ficam no subconsciente dos jogadores, desenganem-se aqueles que pensam que o hábito faz o monge e que na hora de subir ao relvado, animicamente os jogadores já vão derrotados.

A margem de erro é ínfima e aperta-se a cada jogo dos azuis, é tempo de nos darem alegrias de voltarem a um passado recente, a registos de competência e elevada superioridade, estes confrontos são por hábito resolvidos nos detalhes, por isso Sr. Jesualdo em Alvalade, coisas como ambição, vontade, seriedade, orgulho e a raça de campeão, que nada fique pela metade, e que de intenções esta o inferno cheio.

Assim e ainda que com a dificuldade extrema de entrar na conjuntura inteligível de Jesualdo que torna sempre ainda mais difícil prever a equipa que defrontara os leões, atiro com os deste quadro:

Lista de convocados:

Guarda-redes: Nuno e Ventura.
Defesas: Sapunaru, Fucile, Bruno Alves, Rolando, Pedro Emanuel, Benítez e Lino.
Médios: Fernando, Pelé, Guarin, Raul Meireles, Lucho González e Tomás Costa.
Avançados: Hulk, Lisandro, Mariano e Rodriguez.

04 outubro, 2008

Fazer figas e agradecer a Jesus Cristo

“É preciso ter calma, não dar o corpo pela alma...”

Segue, aqui, a visão do Arsenal FC vs FC Porto nos mass-média Franceses.

Eis o que ouvi e o que li: vou tentar ser o mais fiel possível, para um melhor esclarecimento do debate actual no seio da família Portista.

1. imprensa radiofónica:

As rádios nada salientaram quanto ao jogo, limitando-se a comunicar o resultado e a classificação do grupo. Isto às 6h00 da manhã, hora de Paris. Só a France-Inter estendeu o comentário dizendo: “Derrota severa do FC Porto perante o Arsenal”. Comentário simpático, já que, implicitamente, o jornalista coloca o FC Porto e o Arsenal FC, graças ao adjectivo severo, no mesmo plano. Note-se que as emissões de rádio matinais são as mais ouvidas.

2. imprensa televisiva:

Nos canais (públicos) que vi o Arsenal FC vs FC Porto não foi citado.

3. imprensa on-line:

Existe o comentário do diário “L’Equipe”, on line, redigido, imediatamente, após o jogo. Ou seja, em data de 30 de Setembro de 2008.

Dá o seguinte: “Arsenal magistral. Os homens de Arsene Wenger deram uma lição de futebol ao Porto que se afundou à medida que o desafio decorria. Os Gunners ficam, assim, à frente do grupo e sossegam-se após o passo em falso do último jogo.”. O mesmo jornalista escrevia no final da primeira parte: ”Primeira parte agradável. Os Portugueses são perigosos no contra-ataque“.

Existe, igualmente, o comentário da revista “So Foot”, on line, em data de quarta-feira, 1 de Outubro. Outra visão.

Dá o seguinte: “Almunia é uma loura branqueada. Almunia é uma bomba latina, DJ... Manu teve o mérito de estar quando era preciso, ou seja, durante os primeiros vinte e oito minutos. Período durante o qual Cristian Rodriguez e Lisandro Lopez tiveram a oportunidade franca de ir ao cú dos artilheiros. Além de fazer figas e agradecer a Jesus Cristo durante estas investidas Portuguesas, o guarda-redes Espanhol assistiu, igualmente, aos golos de....”.

4. imprensa papel:

Dos inúmeros diários consultados, só não li o Oueste-France (esgotado nas bancas) e o “20 minutes” (diário gratuito do metropolitano Parisiense). Nenhum fala do jogo. Só o resultado é transcrito.

Pois: as coisas sérias só começarão nos oitavos de final! Bem tem razão a melhor revista Francesa de futebol, quanto a mim, "Les Cahiers du Football", de só comentarem após os oitavos. E aí já estaremos em directo. Nas qualificações directas.

Existe uma excepção para a edicão papel. O que é obrigatorio. É a do diário “L’Equipe”. Escreve Bruno Constant (página 4, a 1 de Outubro do ano em curso). Leiam com atenção:

“Após a sua derrota perante o Hull City (1-2), no último sábado, os jogadores de Arsene Wenger queriam absolver-se. Está feito. Deram uma lição ao Porto (4-0). Os Londrinos encabeçalham, assim, o primeiro lugar do grupo G , beneficiando do empate do Fenarbahçe e do Dínamo de Kiev (0-0). Ficaríamos tentados em pensar que o episódio Hull foi uma avaria. Mas tudo não foi assim tão simples como o poderia deixar pensar o placard. Se os artilheiros recuperaram a sua vontade ofensiva (sete cantos e dois golos ao intervalo), continuam a ter o mau hábito de deixar o adversário ser perigoso logo que, este, entra no seu meio campo. Os Portugueses criaram três oportunidades nítidas de golo antes que Van Persie inaugure o marcador. Foi preciso um pouco de sorte aquando do remate de cabeça do antigo parisiense, Cristian Rodriguez, que esbarrou na barra (13’), o talento de Almunia aquando o chuto de Lisandro (26’), e toda a vigilância de Clichy, na linha de golo, aquando uma nova tentativa de Lisandro (28’), para que o Arsenal não estivesse a perder. Perante tal ausência de realismo, os artilheiros não tiveram piedade (...)“.

5. síntese:

Como se pode observar, os artigos da imprensa Francesa não falam de humilhação. Quer a edição on-line do “So foot” quer o diário “L’Equipe” falam de pouca sorte ou de falta realismo.

Uma coisa parece certa para os jornalistas Franceses, citados: O FC Porto fez 30 minutos excelentes na primeira parte. Porque se vai abaixo em seguida? É algo que que não consigo entender. Tanto mais que não parece ser a primeira vez. Parece uma incógnita.

Deixo o debate em aberto !

E Viva o Porto !

03 outubro, 2008

Tempos Difíceis

Este é um momento difícil para a Nação portista. A copiosa e inaceitável derrota em Londres, perante uma equipa forte - neste momento mais forte que o FC Porto - mas que não assustava, aliada a uma exibição calamitosa, especialmente na segunda parte, fez as críticas dispararem em todas as direcções, com particular incidência, como era de esperar, no treinador Jesualdo 'Mal-Amado' Ferreira. Um clube tão grande e com um hábito de vitória tão enraízado como o FC Porto não pode, pura e simplesmente, fazer uma figura tão vergonhosa e dar uma ideia de tamanha fragilidade como a que se assistiu na terça-feira.

Os adeptos portistas, mal habituados ao longo dos anos a êxitos infindáveis, sempre foram exigentes ao máximo, por vezes, até irracionais, lidando portanto muito mal com os resultados menos bons. No entanto, uma derrota com esta dimensão, ao contrário do que disse Jesualdo Ferreira no final da partida, não pode nunca, por motivos óbvios, ser vista apenas como três pontos perdidos. As manifestações de desagrado têm invadido a blogosfera, a paciência começa a esgotar-se na massa adepta azul e branca e resulta claro que a margem de manobra da equipa, tal como está, começa a encurtar. É compreensível. Eu, que gosto de ter opiniões ponderadas e justas, confesso que no final daquele autêntico pesadelo, se pudesse despedir a equipa em massa (treinador, jogadores, dirigentes) tê-lo-ía feito, dado que todos, uns mais que outros, tiveram culpas no cartório.

O momento actual delicado, ao invés de medidas drásticas e sem preparação, que poderiam deixar a equipa à deriva em vésperas da visita a Alvalade, exige, contudo, contenção, serenidade, reflexão. O clube na sua totalidade deve ser capaz de fazer uma introspecção, no sentido de remediar ou minimizar os efeitos de eventuais erros que possam ter sido cometidos. Desde logo, a SAD e o treinador deverão fazer um auto-exame e aferir se a política de contratações foi a correcta. Mantendo uma linha de coerência com o que tenho defendido, julgo que temos um bom plantel, mais que suficiente para conquistarmos o Tetra, mas também com lacunas visíveis a olho nú em determinadas posições.

Era previsível que as saídas de Bosingwa, Paulo Assunção e Quaresma seriam de muito difícil substituição e que aos contratados teria de ser dado tempo e tolerância. Mas com o dinheiro que temos angariado nos últimos anos, bem como analisando as verbas que têm sido dispendidas no reforço da equipa, será que não deveríamos ter um plantel mais forte? Será que não deveriam ter sido recrutados um ou dois jogadores com provas dadas, que chegassem e pegassem de estaca (isto é sempre relativo, quem não se lembra de Diego ou Luís Fabiano)? Não terão sido algumas escolhas completamente ao lado? Não terão sido dispensados jogadores melhores que os que ficaram? É lógico que depois de uma derrota é sempre fácil contestar, mas com o andamento da temporada e o desempenho da equipa, as análises têm de ser feitas e o certo é que tenho vindo a dizer basicamente o mesmo desde o começo.

Algumas ideias que me surgem, sobre as quais SAD e treinador deverão meditar:

- o nível de Bosingwa é altíssimo, pelo que uma solução de valor idêntico seria pouco menos que impossível. Mas não havia no mercado uma opção plausível com mais qualidade que Sapunaru? O romeno é um bom jogador, mas nunca será um grande jogador, pelo que se tem visto.

- quando se contratou Lino, um lateral sem categoria para o clube, porque não se apostou no jovem português Antunes, que esteve tanto tempo mesmo ali à mão? Já esta época, o melhor que a prospecção detectou foi Benítez, suplente numa equipa argentina medíocre. Porquê?

- Paulo Assunção deixou um vazio incalculável naquele meio-campo. Embora Fernando seja um jovem com valor e margem de progressão, não teria sido desejável fazer um investimento sério em alguém experiente para aquele lugar? E Pelé, ainda não foi convocado porquê?

- Porque é que Pinto da Costa iludiu os adeptos com uma grande surpresa e depois defraudou as expectativas contratanto o desconhecido Hulk? Não está em causa o valor do jogador, que existe, mas era esta a surpresa que iria deixar-nos entusiasmados? 5,5 milhões por metade do passe não terá sido demais?

- Bolatti e Farías estão a fazer o quê no FC Porto? Ibson e Cláudio Pitbull não caberiam no nosso elenco?

Num momento de fracasso é tempo de analisar a situação e procurar encontrar as soluções que melhorem o panorama vigente, se possível já em Dezembro. Diversas interrogações merecem resposta por parte da SAD e Jesualdo Ferreira. Como sabem, considero o técnico portista extremamente competente e com largos conhecimentos de futebol. Sou defensor do seu trabalho porque até agora obteve resultados e tem capacidade para assim continuar. No entanto, isso não me impede de discordar de várias das suas opções e criticá-lo sempre que acho justificado. No jogo de Londres ele foi incompetente, cometeu erros em catadupa, quer ao nível da estrutura inicial que montou (4-1-3-2), quer no que respeita às inúmeras modificações que produziu ao longo do jogo, para além de não ter incutido a mentalidade acertada aos jogadores.

Aceito que haja quem não goste dele enquanto técnico do FC Porto e o critique pelas decisões que toma, desde que com fundamentos e argumentos sólidos. Aceito que muitos tenham o desejo de ver outro timoneiro à frente da nau portista. Mas estou em crer que este não é o momento para se pensar em 'chicotadas' e que Jesualdo continua a ter crédito. No dia em que achar que a sua saída se justifica e que é o melhor para o clube - não por sua incompetência, mas porque a sua permanência se pode revelar insustentável para todos - serei o primeiro a admití-lo. Tal não significará que eu estava errado ou que serei incoerente, mas apenas que as coisas são dinâmicas e são susceptíveis de mudar com o passar do tempo. Dito de outra forma, o que era ideal ontem, pode não o ser amanhã. Mas esse momento não chegou, acredito que Jesualdo continua a ser o homem que nos levará a mais triunfos e estou mesmo convicto que completará a temporada aos comandos do FC Porto.

A hora é de limpar as feridas, cerrar fileiras, demonstrar o orgulho ferido próprio dos campeões humilhados e procurar emendar a mão no jogo com o Sporting. A ordem é unicamente vencer. Só uma vitória em Alvalade nos compensará - nunca totalmente como é evidente - pela dor que sentimos ao ver o nosso clube ser trucidado aos olhos da Europa, perante os sorrisos amarelos de Wenger (pode ser que no Dragão lhe apeteça chorar). O histórico recente defronte dos 'leões' de Paulo Bento não nos é nada favorável. Mas costuma dizer-se que, nestes clássicos, a equipa que está pior, normalmente tem mais hipóteses de vencer. É isso que esperamos. Todos no clube têm a obrigação de saber reagir a esta adversidade como autênticos campeões. Nova derrota seria verdadeiramente catastrófica.

02 outubro, 2008

Entrevista exclusiva com o Dr. Pôncio Monteiro

Natural da Régua, licenciado em Economia, ex-dirigente do FC Porto e da FPF, o Dr. Pôncio Monteiro é desde há muitos anos uma pessoa com uma empatia especial com os sócios do FC Porto. Essa empatia muito se deve à sua participação nos programas desportivos: «Donos da Bola» da SIC e «Jogo Falado» da RTP2, ficando desde sempre na nossa memória a forma apaixonada, dedicada mas também competente com que defendia o nosso FC Porto.

É, na actualidade, membro do Conselho Superior do FC Porto, um orgão meramente consultivo, tendo, como todos recordam, há uns meses atrás um complicado problema de saúde que superou com a força e a coragem que todos sempre lhe reconheceram.

Por intermédio de um Amigo do blog, consegui o contacto do Dr. Pôncio Monteiro que muito simpaticamente acedeu em encontrar-se comigo e com o bLuE bOy nas imediações da Fundação de Serralves, bem perto do local onde reside.

A entrevista que de seguida publico, foi a primeira em contacto directo com o visado (todas as outras foram efectuadas via email) e só tenho a dizer que apreciei bastante a experiência e uma vez mais agradeço toda a simpatia e disponibilidade desse grande Dragão, Dr. Pôncio Monteiro.

ENTREVISTA EXCLUSIVA
Dr. Pôncio Monteiro, membro do Conselho Superior do FC Porto


1. Essa paixão pelo FC Porto já existe desde que altura?

Eu sempre me conheci Portista, nasci na Régua, já o meu pai também era e por isso desde miúdo que gosto do FC Porto. Depois vim para o Porto estudar, e fiz-me logo sócio nessa altura.

2. Numa das suas participações no programa "Donos da Bola", chegou a afirmar que enquanto estava no estúdio e numa altura em que decorria um jogo do FC Porto, ouviu uma manifestação tremenda (dos jornalistas de serviço na SIC) depois de um golo de um adversário do Porto. Foi assim?

Foi mesmo assim. Eu ia fazer o programa e ouvi um barulho enorme dentro da redacção. Perguntei o que tinha acontecido. Disseram-me que o Estrela da Amadora tinha marcado o golo do empate frente ao FC Porto no último minuto. Disse-lhes na altura que não sabia que o Estrela tinha tantos adeptos na SIC.

3. Sentia que o programa definia conteúdos provocatórios ao FC Porto e que os jornalistas de serviço odiavam o clube da Invicta? Ainda tem o seu «arquivo» actualizado?

Normalmente, o FC Porto desperta essas situações. Há muita gente que procura criticar coisas que acontecem no FC Porto e quando acontece noutros clubes, isso já não acontece. Eu dou até um exemplo recente, o da agressão no último Benfica vs FC Porto em que essa situação foi branqueada. Se fosse o FC Porto, o que teria acontecido?!... sobre o arquivo, sabe, eu andava sempre actualizado, mas como me perguntavam como é que eu sabia essas coisas todas, eu utilizei esse termo de «dossier» para lhes «comprovar» que não falhava nada.

4. O departamento jurídico do FC Porto ganhou esta batalha pela Champions 2008. Classifique o comportamento do Vitória de Guimarães e do SL Benfica nesse processo que aqueceu o Verão 2008?

É tão fraca a posição deles que nem me apetece comentar. Só digo que se isso acontecesse no FC Porto, eu ficaria muito triste.

5. Chegou a ser falado para Presidente da FPF e já desempenhou cargos executivos tanto no FC Porto como na própria FPF. Ainda pensa voltar ao activo?

Não. Isso são experiências que se têm ao longo da vida, tive muito prazer em desempenhar os cargos no FC Porto e na FPF mas essa fase está já ultrapassada. Eu diria que é «um filme que eu já vi».

6. Como são as horas seguintes do Dr. Pôncio Monteiro depois de uma dolorosa derrota?

É uma experiência aborrecida, mas como acontece tão poucas vezes, eu diria que já nem me recordo da última.

7. Conte-nos onde estava e como viveu as emoções de Viena 87, Sevilha 2003 e Gelsenkirchen 2004?

Estive presente nos 3 jogos e recordo com muito alegria como Portista e Português, mas acima de tudo nunca pensei que o FC Porto pudesse alcançar estas vitórias tão saborosas e importantes. A de Viena 87 foi a que mais me tocou por ser a primeira.

8. Confidencie-nos o seu onze ideal da história do FC Porto.

Eu acho que é injusto estar a destacar este ou aquele porque o FC Porto teve sempre grandes jogadores. Sem querer entrar em muitos pormenores, apenas digo que a nível de guarda redes, devo destacar o Barrigana nos tempos mais antigos, mas acima de tudo, o Vítor Baía que marcou uma época sendo o jogador que tem mais títulos no Mundo. Quanto aos defesas e médios, são tantos nomes que não quero ser injusto. Quanto ao lugar de ponta de lança, o Jardel fez muitos golos, mas o Fernando Gomes é o meu preferido por ter jogado muitos anos no FC Porto e ter atingido uma projecção mundial.

9. Quem é para si o melhor treinador que já passou pelo FCPorto?

Aquele que surge logo na minha memória é Pedroto. Todos os sócios do FC Porto sabem que aquilo que o clube é actualmente, tem muito a ver com essa fase em que Pedroto pegou na equipa nos anos 70.

10. O que dizer destas personalidades: Pinto da Costa, Artur Jorge, Pedroto, Mourinho, Vítor Baía, Fernando Gomes, Jorge Costa e João Pinto?

Pinto da Costa - é o dirigente que revolucionou, no bom sentido, o futebol Português;

Artur Jorge - é um amigo, foi também jogador do FC Porto e como treinador foi Campeão da Europa;

Pedroto - foi quem deu o arranque para as glórias que o FC Porto veio a alcançar pelo tempo fora;

José Mourinho - é um treinador inteligente, de craveira internacional que deixou a sua marca no FC Porto pelas vitórias conseguidas;

Vítor Baía, Fernando Gomes, Jorge Costa e João Pinto - são todos símbolos do FCPorto, jogadores de 1ª categoria da nossa equipa.

11. O TETRA será uma realidade? Este FC Porto está mais ou menos forte que o da época anterior? Jesualdo merece-lhe confiança?

Pelo passado do clube, os Portistas podem ter fundadas esperanças em que isso possa vir a acontecer. E eu acredito nisso. Quanto a estar mais ou menos forte, eu diria que as equipas do FC Porto são sempre fortes. Já quanto a Jesualdo, digo apenas que é um homem que também vai deixar o seu nome marcado na história do FC Porto.

12. Acompanha a carreira do andebol, do basquetebol e do hóquei do FC Porto?

Sim, acompanho, vou com muita frequência ao hóquei. Do andebol gosto muito até porque já pratiquei enquanto estudante. Gosto do basket pelas questões tácticas e gosto também do ciclismo que até já nem temos, mas em que ia sempre ver os ciclistas. Diria que gosto do desporto em geral.

13. Uma palavra final para os nossos leitores.

Aquilo que eu desejo é que tenham muita saúde, muitas felicidades e sempre que eu puder, tenham a certeza que estarei ao vosso lado a festejar as grandes vitórias do nosso clube.

Um abraço,
Pôncio Monteiro.

01 outubro, 2008

Em Londres... tudo como dantes!

30 de Setembro de 2008
UEFA Champions League 2008/2009 (Grupo G – 2ª jornada)

Emirates Stadium, em Londres (Inglaterra)
assistência: 59.623 espectadores


árbitros: Herbert Fandel (Alemanha), Carsten Kadach e Mike Pickel; Helmut Fleischer.

Arsenal FC: Almunia; Sagna, Touré, Gallas «cap.» e Clichy; Walcott, Fabregas, Denilson e Nasri; Van Persie e Adebayor.
Substituições: Van Persie por Bendtner (65m), Nasri por Eboué (65m) e Walcott por Vela.
Não utilizados: Fabianski, Ramsey, Silvestre e Djourou.
Treinador: Arsène Wenger.

FC Porto: Helton; Sapunaru, Rolando, Bruno Alves «cap.» e Benitez; Fernando, Tomás Costa, Guarin e Raul Meireles; Lisandro Lopez e Rodriguez.
Substituições: Fernando por Lucho González (46m), Raul Meireles por Hulk (64m) e Rodriguez por Candeias (79m).
Não utilizados: Nuno, Pedro Emanuel, Stepanov e Lino.
Treinador: Jesualdo Ferreira.

Disciplina: Cartão amarelo a Clichy (75m) e Tomás Costa (83m).

Golos: Van Persie (30 e 48m), Adebayor (40 e 71m, de g.p.).


O FC Porto regressou esta noite a Londres ao Emirates Stadium para defrontar o Arsenal, em jogo a contar para a 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de uma primeira visita em 2006, onde nessa altura fora já derrotado por 2-0, procurando aproveitar esta oportunidade para se redimir de tal resultado.

Chegávamos a Londres na posição de líderes do grupo G, fruto da vitória caseira defronte dos turcos do Fenerbahçe há 15 dias atrás e do empate entre moscovitas (Dinamo de Kiev) e londrinos na casa dos primeiros. Sabia-se de antemão que um empate, a acontecer, poderia ser desde logo considerado um bom resultado.

No entanto, acabamos a sofrer uma derrota bem pesada por 4 golos sem resposta, e pior que isso, com uma exibição miserável, descaracterizada (à excepção dos primeiros 15/20 minutos da 1ª parte) e completamente amorfa dos jogadores azuis-e-brancos que estiveram completamente irreconhecíveis… poderemos queixar-nos (mais uma vez) de falta de sorte em lances no inicio do jogo que a serem concretizados, poderiam ter outras consequências para o resto do jogo, mas também não podemos esquecer que esta noite, estivemos a um muitíssimo pequeno passo de sermos goleados, humilhados e trucidados pelos londrinos, que mesmo sem emprestarem ao seu futebol um alto ritmo competitivo, fizeram gato-sapato dos azuis-e-brancos.

No escalonamento do onze inicial, o Prof. Jesualdo Ferreira reservou algumas surpresas (ou as invenções habituais que mais ninguém entende?) com a entrada de Benítez para o lado esquerdo da defensiva, Tomás Costa e Guarin no reforço do meio-campo e com Raul Meireles a tentar fazer de Lucho na posição 8. À excepção de Tomás Costa, que foi um dos que ainda tentou remar contra a maré ao longo dos 90 minutos, e Lisandro que fez uma primeira parte incansável, de muita luta e garra na disputa de cada lance, todos os outros arranjos tácticos resultaram numa completa e total nulidade com as consequências óbvias no resultado final do jogo.

Não se consegue é perceber como é que ao fim de 2 meses de futebol (pré-época, jogos de preparação e jogos oficiais), ainda não se conseguiu afinar uma base de jogadores em que assente todo o futebol azul-e-branco, assistindo-se de jogo para jogo a mudanças de jogadores que passam de titulares a proscritos e vice-versa… mudanças tácticas do 4x3x3 para 4x4x2 e depois para um 4x1x3x2, sem que os jogadores consigam assimilar qualquer um desses sistemas e até em muitos dos casos, deslocados dos seus habitats naturais, com evidente prejuízo para o futebol praticado… e, pior que isso, presente-se, cheira-se uma deficiente condição física dos jogadores, com Lucho a funcionar como maior exemplo do aqui dito, com uma presença em campo que chegou a meter pena, dó, sei lá mais o quê… bem, adiante.

O que é certo, é que logo no inicio do jogo se percebeu que sem Lucho a comandar as tropas no meio-campo, mesmo até com um meio-campo super povoado, o FC Porto nunca conseguiu controlar minimamente o jogo, deixando que os da casa tomassem a iniciativa de jogo a seu belo prazer. Mesmo com evidentes e naturais dificuldades, dado o poderio do oponente contrário, o FC Porto foi conseguindo num ou noutro momento lançar-se na defensiva contrária.

Num deles, pouco depois dos 10 minutos de jogo, Cristian Rodriguez cabeceou à trave da baliza do Arsenal, depois de um rápido contra-ataque iniciado por Raul Meireles e com Tomás Costa a cruzar para o interior da área. Uma excelente oportunidade perdida de forma inglória.

No entando, e se alguém pensava que o Arsenal se iria amedontrar com este lance, enganou-se redondamente, porque a diferença de velocidade na circulação de bola e desmarcações era por demais evidente, adivinhando-se a qualquer momento lances de grande perigo na defensiva à guarda de Hélton.

Mesmo assim, e já perto da meia-hora de jogo, voltou a ser o FC Porto a estar muito perto de inaugurar o marcador em dois lances consecutivos protagonizados por Lisandro, proporcionando num deles uma excelente defesa a Manuel Almunia e logo de seguida, na sequência de um canto, com a bola a ser afastada in-extremis da linha de golo por um defesa contrários. A partir daqui, estranhamente, e até final do jogo, só deu mesmo Arsenal em todos os capítulos.

Logo de seguida, surge o primeiro golo para o Arsenal por Robin van Persie que já dentro da pequena área e antecipando-se a Rolando depois de servido por Adebayor, inaugura o marcador, fazendo o 1-0 para os da casa. O FC Porto não mais consegue reagir, mantendo-se amorfo, apático, confuso e sem ligação nas jogadas, quando já muito perto do intervalo, Adebayor no seguimento de um canto, salta mais alto que Rolando e cabeceia para golo, fazendo o 2-0.

O jogo chegava ao intervalo com o FC Porto a ter um trio de ocasiões de golo que muito poderiam ter ajudado a um outro desfecho no final dos primeiros 45 minutos, mas onde o Arsenal mostrou ser sempre mais rápido, acutilante e perigoso do que o FC Porto.

No regresso dos balneários, Lucho entra para o lugar de Fernando, começando ali, quanto a mim, o descalabro total, como mais tarde se veio a verificar. Perdeu-se a meio-campo um jogador de cariz mais defensivo que funcionaria como tampão aos ataques londrinos e manteria Fabregas limitado nas suas acções, para se dar entrada de um Lucho completamente irreconhecível, lento, pesaroso e sempre com um esgar de esforço que mais parecia ir desfalecer a cada passada. Na verdade, o que se passa de facto com «este» Lucho? Chamar a isto «gestão de esforço», agora que vimos com os nossos próprios olhos, é brincar com coisas sérias e passar um atestado de estupidez a quem quer acreditar nessa desculpa. A partir dali, passamos a jogar literalmente com 10 ou até bem menos que isso, já que os outros, também pouco mais faziam que figura de corpo presente.

Para piorar toda a situação, ainda os jogadores faziam faziam o aquecimento para os segundos 45 minutos e já o Arsenal aumentava o score para 3-0 por intermédio de Robin Van Pierse que bisava na partida, aproveitando com a maior das facilidades a clara e inequívoca falta de agressividade das zonas defensivas do FC Porto, que mais pareciam um queijo suiço, tamanhos eram os buracos e a passadeira que era estendida a cada ofensiva adversária.

Se já o estava a ser, a partir daqui, foi o descalabro total, pedindo eu, todos nós, e muito principalmente todos os jogadores de azul-e-branco para que o jogo terminasse rapidamente porque o abismo estava a aproximar-se perigosamente e o cheiro a «goleada» começava a pairar na cabeça de todos os que assistiam à partida.

O Arsenal em ritmo de passeio, treino ou lá o que lhe queiram chamar, mas com uma agressividade atacante digna de registo, foi desperdiçando oportunidades consecutivas de elevar a contagem para outros números, algumas delas até de forma escandalosa, com os jogadores do FC Porto completa e totalmente passivos em campo, sem saber muito bem o que fazer.

Para fecho das contas finais, e quando ainda restavam 20 minutos para o final do jogo, Guarin comete infantilmente uma falta clara para grande penalidade (de uma estupidez total a forma de abordagem ao lance que era aparentemente inofensivo, procurando disputar a bola quando entre ele próprio e a mesma, estavam apenas as pernas do jogador adversário), com Adebayor a aproveitar também para bisar na partida, tendo batido Hélton sem qualquer dificuldade e elevando a contagem para uns impensáveis 4-0 no inicio do jogo.

Entraram então na partida Hulk e Candeias que nada trouxeram ao jogo, senão participar nele, suar um pouco para o banho e poderem trocar as camisolas com os adversários no final do jogo.

Até ao apito final, o quinto golo dos londrinos voltou a estar perto, muito perto de acontecer, o que não se veio a confirmar umas vezes por azar… noutras, por pura azelhice dos atacantes londrinos.

Com esta vitória, e após disputadas duas jornadas da fase de grupos, o Arsenal passou para a liderança do Grupo G com 4 pontos, deixando o FC Porto na segunda posição com 3 pontos. Logo atrás seguem Dínamo de Kiev com 2 pontos e em último lugar, os turcos do Fenerbahçe com apenas 1 ponto.

Como mensagem final ao Prof. Jesualdo Ferreira, é bom que arrepie caminho e encontre rapidamente solução para os vários problemas que se arrastam desde a pré-época e que de jogo para jogo se tornam mais evidentes e claros aos olhos de todos nós… não importa de quem é a culpa, mas é bom que a solução para os mesmos surjam rapidamente, até porque o próximo jogo é de grau também elevado, com a visita ao WC XXI para a liga Sagres. O tempo começa a escassear para o treinador, a nossa paciência tb… por isso, toca a arrepiar caminho e rápido, caso contrário, a «malta assobiativa» está prontinha para entrar em acção... a bem, a mal, quer os jogadores gostem ou não gostem, incluindo o próprio treinador Não basta vir pedir via imprensa o apoio dos adeptos (como se houvesse sequer justiça para esse pedido palavras!)... há que fazer por o merecer, e mesmo que caindo, que nunca que não de pé. O visto ontem, foi mau demais para ser verdade e tolerado sem ponta de preocupação... ESTE NÃO É DEFINITIVAMENTE NOSSO FC PORTO, nem de perto, nem de longe.

Melhor do FC Porto: Uma difícil escolha, muito difícil escolha, mas o meu voto vai direitinho para TOMÁS COSTA que foi o único a conseguir ao longo de todo o jogo, mostrar-se sempre um pouco acima do marasmo e nulidade total de jogo dos restantes jogadores azuis-e-brancos. Hélton, quanto a mim, também ajudou e muito a que no final, só se pudessem contabilizar 4 bolas na sua baliza e Lisandro na primeira parte, uma exibição digna de registo pela raça e bravura demonstrada.

Arbitragem: nada a assinalar… bem no capitulo disciplinar e técnico.

Muito pouca Europa, por aqui

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

Logo à noite espero um milagre, mas temo o inevitável.

1. O começar mais uma semana europeia, as perspectivas dos clubes portugueses não se me afiguram auspiciosas. Excepção para o Braga, que tem a eliminatória já garantida e a quem tudo o que se pede é que acumule mais uns pontinhos a favor do ranking de Portugal na UEFA. Em contrapartida, Marítimo e Vitória de Guimarães têm uma tarefa quase impossível à partida, enquanto que o Benfica enfrenta um desfecho de tripla contra o Nápoles, que ninguém pode antecipar com segurança: é daqueles jogos em que a sorte e os nervos vão desempenhar um papel porventura decisivo. Na Champions, o Sporting tem o mais fácil dos jogos europeus das seis equipes portuguesas em competição, mas com um factor de perturbação prévio: só a vitória lhe serve, tudo o resto soará a fiasco comprometedor. Quanto ao FC Porto, está na posição inversa: ganhou o primeiro jogo caseiro contra o seu adversário mais directo no grupo e pode perder contra o favorito, em casa deste, sem que essa derrota faça dobrar a finados: é esse o mais provável dos desfechos.

A anteceder esta definidora jornada europeia, tivemos o derby de Lisboa, como sempre incensado, antes e depois, muito para além da qualidade do futebol visto em campo. Foi um jogo pobre, que o Benfica ganhou justamente, por ter sido a única das equipas que se decidiu a correr riscos e a fazer qualquer coisa contra o anunciado empate (no painel de palpites do Expresso, todos os doze participantes apostaram, sem excepção, num empate!). Na verdade, Quique Flores ou arriscava agora e ganhava ou podia muito bem começar a pensar em fazer as malas para passar o Natal em casa. Com apenas duas vitórias em onze jogos (e uma delas a miraculosa vitória da semana anterior em Paços de Ferreira), o espanhol ver-se-ia numa situação bem complicada em caso de empate ou derrota: ficaria a quatro pontos do Sporting e a dois do FC Porto, em caso de empate, ou a sete e quatro, em caso de derrota. E com a agravante de já ter recebido os dois rivais directos em casa, sem ganhar nenhum dos jogos. Era o tudo ou nada e ele percebeu-o a tempo. Quem também deve ter suspirado de alívio foi Rui Costa: ambos os golos da vitória tiveram a assinatura dos seus reforços — assistência de Aimar e golo de Reyes, no primeiro; assistência de Carlos Martins e golo de Sydnei, no segundo.

Quanto ao Sporting, fez o que pôde, embora a liderança do campeonato, com três vitórias nos três primeiros jogos, talvez levasse a esperar mais. A meu ver, erradamente: nenhuma das vitórias foi convincente, em nenhuma se mostrou uma equipa triunfante e segura de si. Pelo contrario, eu acho que o grande mérito de Paulo Bento é conseguir continuar a fazer do Sporting um candidato ao título quando as condições de concorrência com os seus rivais directos estão completamente desequilibradas (esta época, a SAD do Sporting não gastou um tostão em reforços — o Hélder Postiga deve ser para pagar muito, muito, suavemente). Não fosse a estranha teima em prescindir de Stojkovic e Vukcevic, e seria caso para dizer que Paulo Bento tem o osso espremido até ao tutano. Agora, muito mais do que aquilo, não acredito que dê.

Já agora, não resisto a um à parte: aqui, neste jornal, os jornalistas destacados para a função, consideraram o Yebda e o Miguel Veloso dos melhores em campo. Confesso o meu espanto: para além do facto comum de ambos terem evidentes preocupações com o penteado, não vi a qualquer deles futebol algum. O Miguel Veloso teve um passe magistral no primeiro minuto a isolar o Yannick e o resto do tempo passou-o a estragar jogo; o francês muçulmano usou o gigantismo para fazer faltas de toda a ordem, exibindo, no mais, uma elegância e clarividência técnica que fazem lembrar o cristão português Fernando Aguiar, tão apreciado lá para as bandas da Luz. Eis a prova de que o futebol raramente é matéria de consensos alargados.

Na véspera do derby lisboeta, o FC Porto, ferido no orgulho em Vila do Conde, viu-se e desejou-se para levar de vencida o «promovido» Paços de Ferreira, mais uma vez não se livrando de escutar justos assobios vindos da bancada. Mais uma vez, também, Jesualdo Ferreira pôs em campo a equipa errada e demorou uma hora a emendar a mão. É certo que (finalmente!) deixou de fora o Mariano González, fazendo-o descansar — a ele e a nós. Mas resolveu ressuscitar o Farías — esquecendo-se, porém e pelo que se viu, de o avisar — e, na ausência de Lucho, lançou mão daquele jovem Tomás Costa, que até agora só mostrou ser capaz de receber a bola vinda de trás e devolvê-la para trás. Ele, mais o Mariano, mais o Stepanov, mais o Guarín (e para não ir mais longe), fazem parte de um grupo de jogadores que eu, por mais que me esforce, não consigo entender como é que vieram parar ao FC Porto (no seu último texto aqui, o Rui Moreira põe o dedo na ferida, quando fala de diferença entre os reforços do Jorge Mendes e os dos curiosos «empresários» que gravitam à roda da SAD do FC Porto).

Facto é que, de Junho de 2007 a Julho de 2008, o FC Porto viu sair da equipa todos estes jogadores, agenciados por Jorge Mendes: Bosingwa, Pepe, Paulo Assunção, Ibsen, Anderson e Ricardo Quaresma. E nem num só deles encontro um substituto que, de perto ou de longe, se lhe compare. E isto é como o Sporting: não há milagres…

Logo à noite, no Emirates, frente a um Arsenal ferido pelo Hull City, espero o milagre, mas temo o inevitável. É quase certo que Jesualdo não vai fugir à regra dos treinadores portugueses quando se vêem perante jogos de dificuldade máxima: vai «inovar», reforçando o meio-campo ou a capacidade defensiva e desguarnecendo o ataque — dá quase sempre mau resultado, mas eles não resistem a tentar de novo. A imprensa inglesa já deu o mote contrário, revelando quem mais temem: é o Hulk (por acaso, o jogador mais caro de sempre do FC Porto, a par de Lucho). Mas Jesualdo também já mostrou que só confia no Hulk em desespero de ataque — até lá prefere o Mariano ou o Farías ou o Tomás Costa. Queira Deus que me engane, mas temo um FC Porto «de contenção», de «esperar para ver» e depois de «correr atrás do prejuízo».

2. José Mourinho esteve igual a si mesmo no confronto com o Milan. Brilhante na conferência de imprensa em que enfrentou sem medo os tubarões da imprensa desportiva italiana; prejudicado pelo árbitro no decorrer do jogo, numa arbitragem que pareceu ter uma agenda oculta; e previsível e monótono no futebol apresentado pela sua equipa. Tal como no Chelsea, aquilo é sólido e vê-se que tem muitas horas de trabalho, com o objectivo único de obter resultados e, tal como no Chelsea, também agora ele dispõe de jogadores que podem, num instante de génio, disfarçar toda aquela monotonia. Mas a verdade é esta: nunca mais vi uma equipa de Mourinho jogar tão bem como o FC Porto que conquistou a Taça UEFA, em Sevilha — não o FC Porto, campeão europeu em 2004: o do ano anterior. Uma equipa pobre, em termos europeus, mas cheia de ambição e futebol.

Quanto ao saudoso Ricardo Quaresma, lá o vi a fazer o papel menor de quem espera em vão que as outras vedetas da equipa se dignem passar-lhe a bola. E viu-se que tem ali colegas do meio-campo que só o farão sob a ameaça de pistola. Pobre Quaresma, como se deve ter sentido frustrado! É bem feito!


n'A BOLA de 30Setembro2008
fonte: "All Dragons fórum"