16 março, 2018

FOTO MÍSTICA #10 - Vítor Baía [2004].


O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com .


Época: 2003/2004
Local: Arena Auf Schalke, Gelsenkirschen
Data: 26.05.2004
Resultado:  FC Porto 3 x 0 AS Mónaco
Aparecem na fotografia: Vítor Baía, Ludovic Giuly

Talvez não seja a fotografia mais icónica de Baía nos vários anos que vestiu a camisola azul e branca, mas é talvez a acção mais importante do 99 em toda a sua carreira, a par talvez daquela saída destemida aos pés de Van Nistelrooy, meses antes em Inglaterra. Na Arena Auf Schalke, a primeira parte decorria disputada e tremida, indecifrável, podendo cair para qualquer lado. O ataque monegasco era temível, com Morientes e o supersónico Giuly. O jogo estava perigoso e, aos 23 minutos, o FC Porto não consegue controlar a profundidade do ataque dos homens do principado e Giuly surge isolado na cara de Baía.

O guardião português parece adivinhar o lance e, lesto e felino, corre rápido para a bola e, de forma corajosa, varre o lance em carrinho, apanhando Giuly no seguimento do tackle. A jogada é um verdadeiro 2 em 1: Baía afasta o perigo e Giuly sai mal-tratado da jogada, pedindo a substituição. Para o seu lugar entra o croata Dado Prso, um bom jogador, mas muito semelhante ao estilo de Morientes. O Mónaco ficava assim com dois avançados lentos, demasiado fixos, posicionais, mais estáticos, sem capacidade de atacar e surpreender na profundidade. A partir daí o jogo muda irresistivelmente, o FC Porto consegue subir o bloco sem preocupações nas suas costas e a partir daí é história.

Só percebi o significado de Baía no FC Porto já mais tarde, ao ler a auto-biografia de Morrissey, o grande vocalista dos Smiths. Ao descrever como era viver na Manchester da sua juventude, nos anos 60, o britânico refere – ele que nem é um fã do desporto-rei – a epifania que foi a aparição de George Best naquela cidade.

De repente, a Manchester da chuva, do cimento, a Manchester dos operários fabris, a cidade dos bairros industriais, da poluição, do carvão, do frio, do gelo, do céu de negrume, essa Manchester de cores tristes e depressivas, vê surgir o astro de Best, um super-jogador que namorava as top models mais giras, que surpreendia com cortes de cabelo extravagantes, que usava roupas fashion, que era bonito e que tinha estatuto para quebrar as regras e fazer tudo o que lhe apetecesse. É essa a verdadeira dimensão de Best e é por isso que o seu nome ficará para sempre na memória dos red devils.

Essa é também, de certa forma, a dimensão de Baía na cidade do Porto. Nos finais dos anos 80 e à entrada dos 90’s, o FC Porto era o clube dos andrades, lá do Norte, uma espécie de aldeia gaulesa povoada por feios, porcos e maus. E de repente, no meio de um plantel de homens de barba rija, surge um menino bonito chamado Vítor Baía.

Baía, além disso, tinha um porte de princípe, majestático, intimidante. E, cúmulo dos cúmulos, o rapaz da Afurada falava bem, era descomplexado, enfrentava os jornalistas, gostava de palco, das câmaras. Baía foi uma espécie de George Best para os meninos dos recreios cinzentos nortenhos, cheios de poças de água, de gravilha e terra húmida, que tinham nele o seu ídolo e que, por causa dele, sentiam ainda mais orgulho em dizer-se portistas.

Baía cedo causou ciúmes e invejas na capital. Como era possível que aquele rapaz elegante e ultra-seguro nas balizas tivesse aparecido nas margens do rio Douro? Iniciava-se aí uma relação ambígua entre Baía e a comunicação social. Se por um lado os repórteres o perseguiam, por outro notava-se a forma invejosa e desdenhosa com que se lhe referiam. Quando Baía frangava, era feriado em grande parte do País e as suas falhas eram celebradas e motivo de escárnio. Os Donos da Bola, esse programa odioso, por exemplo, não lhe davam descanso.

Capa de revistas cor-de-rosa, Baía acompanhou sempre na ribalta as várias fases de jogador de futebol em Portugal. Quando apareceu, os jogadores ainda equipavam de calções curtos e roupa justa. Quando terminou a carreira, Baía já usava calções largos e camisolas bem mais confortáveis e era já um senhor respeitado no futebol mundial, a par de muitos outros da sua geração, como Figo, Paulo Sousa, Rui Costa ou Fernando Couto.  O futebol tinha mudado radicalmente e ele soube sempre adaptar-se sem problemas de maior.

Depois de uma passagem azarada por Barcelona – onde Valdano captou a sua áurea dizendo que até a frangar Baía tinha estilo – o menino bonito dos azuis-e-brancos voltou às Antas ainda a tempo de vencer mais títulos nacionais e os troféus europeus de Sevilha e Gelsenkirschen.

Afastado de forma reles e baixa do Euro 2004, quando era inequivocamente o melhor guarda-redes português e um dos melhores da Europa, a par de Casillas, Buffon e Van der Saar, nunca se deixou ir abaixo e apenas pediu a Scolari uma explicação, fosse ela qual fosse. Obviamente que esta nunca chegou, mas de certa forma Baía não se importou. Ganhou a competição mais importante de futebol a nível de clubes e foi eleito o melhor guarda-redes da Europa nesse ano, enquanto que a selecção morria na praia, afogada nos seus fantasmas e na Nossa Senhor do Caravaggio.

O fantasma de Baía acabou por não pairar no Dragão muito por culpa de Helton, que soube agarrar o lugar de forma natural, numa sucessão sem dramas, com aceitação e compreensão da parte de Baía, que até na hora da saída foi um senhor, ao perceber claramente que estava na hora de passar o testemunho. É verdade que depois até houve Iker, mas é hoje indiscutível que a dimensão e o nome de Baía são inigualáveis. Se assim não fosse, em que outro clube do mundo, o maior monstro de sempre das balizas do futebol mundial, Casillas, diria, na sua apresentação, que era grande fã do 99 dos Dragões?

Ainda hoje no futebol amador e nas camadas jovens muita gente adopta o número 99, ainda hoje se diz que uma grande defesa é uma defesa à Baía, ainda hoje se comparam os grandes guarda-redes ao Vítor. A sua áurea é insuperável e por tudo isso, talvez até mais do que pelo que fez dentro dos postes, Baía é o melhor guarda-redes de sempre do FC Porto.

O cântico que os portistas lhe dedicavam, logo depois do famoso “E salta Baía; E Salta Baía olé olé”, é exemplo da dedicação e devoção que lhe concediam:

Seja de Noite ou de dia
No Dragão ou em qualquer estádio
99 é o Baía
Defende o Porto em todo o lado
BAÍA! BAÍA! BAÍA!

Rodrigo de Almada Martins

14 março, 2018

PÉS DE BARRO.


E à 26a jornada a Nação Azul e branca conheceu o amargo sabor da derrota em terras lusas. A muitos dragões emocionalmente instáveis que vejo, oiço e leio por aí, pergunto: Em 1 de setembro de 2017, com Vaná como maior, menor, surpreendente e única contratação, com um contrariado Aboubakar, mais um tosco regressado, e o bolor a pousar no restante elenco, alguém imaginava estar mais de 7 meses sem perder?

Excepto para doutos iluminados, o plantel no início da época, somado à incógnita do treinador, não auguravam nada de transcendente para esta temporada. Se passados 2/3 do campeonato, e meia eliminatória da Taça de Portugal, nos encontramos em vantagem em ambas as situações, é sinal que estes rapazes não merecem a descrença que muitos neles colocaram.

Quanto ao jogo de domingo, é um clássico da Lei de Murphy, que nos parece assombrar desde o 92º minuto daquele célebre FCP - slb. Paços raçudo e de linhas baixas. Eficácia máxima numa bola parada. Anti-jogo cerrado. Porto com muito coração, pouca cabeça e com a fortuna de costas voltadas. Que mais dizer...

Que jogamos mal?
Pessimamente.
Como tantas vezes temos visto nas últimas temporadas, continuamos a pagar caro a nossa sobranceria. Aquela atitude pardacenta de que o jogo se irá resolver a nosso favor. Mais tarde ou mais cedo. Inexplicavelmente, continuamos a dar meio jogo de vantagem ao adversário, quando aquela 2a parte na Amoreira deveria ser a nossa guia mestra.

Que devia ser interdito jogar em lamaçais daqueles?
Devia.
Mas como não é, temos que arregaçar mangas e nos adaptar à situação. Não faz sentido nenhum fazer de conta que as dificuldades não existem, e colocar um desenquadrado e desinspirado Waris em loucas e fúteis correrias, ou um artista de filigrana como Corona mas com cabeça e corpo munidos de cinzel de pedreiro. Ser fiel a uma estratégia por convicção é coragem. Ser inflexível numa estratégia quando lhe faltam os executantes, é demagogia.

Que as equipas pequenas portuguesas abusam do anti-jogo?
Abusam.
Abusam com a conivência da imprensa, comentadores e sociedade em geral.
Se em vez do D. Afonso Henriques, ou do D. Nuno Álvares Pereira, tivéssemos um Henriques, um Petit, um Simão ou um Pepa a enfrentar os espanhóis ou os mouros, em vez de mostrarmos peito e irmos à batalha contra inimigos superiores, iríamo-nos esconder num monte, ou num buraco qualquer, à espera que uma qualquer intempérie ou pestilência vencesse o inimigo por nós.
Um jogador atirar-se para o chão a fingir-se lesionado não é uma arma. É uma batota mesquinha e desonesta. Se quisessem perder tempo corretamente, porque não vão para a bandeira de canto aguentar a bola? Pode não ser bonito, mas pelo menos é honesto. Requer um mínimo de arte para o fazer. Não se percebe como um avançado é punido com amarelo por simular uma falta, e um defesa que simula uma lesão passa por entre os pingos da chuva.

Se procuramos culpas na arbitragem?
Não faz sentido nenhum. Qual o portista que não conhece Bruno Paixão? Quer treinador, jogadores ou diretores estão fartos de o conhecer. Para quem viu este senhor a arbitrar um Campomaiorense - FCP, com sequela uma década depois, numa deslocação a Barcelos, só podemos dizer que a arbitragem de domingo foi de classe mundial para o personagem em questão. Podia ter dado mais uns minutinhos? certo. Podia ter mostrado um amarelo ou outro? também. Podia ter um critério mais largo? Exigia-se. Contudo, a verdade pura, é que pela primeira vez que me lembre, não foi pelo Paixão que perdemos... até marcou um penalty a nosso favor, imagine-se!

Podemo-nos queixar da fortuna?
Podemos.
Onde às equipas da 2ª circular há sempre uma bola solta, uma falha de marcação, um desvio, ou uma falta mortal nos últimos suspiros, que lhes permitem acumular mãos-cheias de pontos, da nossa parte, mesmo com quase toda a equipa (à exceção de Casillas) nas imediações da área Pacense nos últimos 10 minutos, nem uma mísera meia oportunidade tivemos. Incompreensível.

Podemo-nos suportar nestas, ou milhentas outras razões para explicar a derrota. Contudo, o mais importante e que não nos devemos esquecer, é que ela só agora aconteceu. No último terço do campeonato. Verdade que significa que esgotamos a nossa margem de conforto. Contudo para a esgotar, foi necessário adquiri-la. Com competência, arte e querer.

Sérgio Conceição poderia seguir o caminho fácil da desculpabilização e pieguice do seu congénere de Alvalade. Teria até mais razões do que ele, se comparados os investimentos para esta temporada, e o nome dos lesionados. Contudo, corajosamente tem abdicado desse "direito". Por tudo que tem feito, por todas as duras dificuldades que tem vencido, não merece a nossa descrença. Não merece essa vil traição.

Cumprimentos Portistas.

13 março, 2018

PERDEMOS… GANHOU A MANHA E A ALDRABICE! O PAÍS REJUBILA.


Não, Sérgio Conceição não é o treinador perfeito, comete erros, nem sequer foi uma escolha consensual para o cargo de treinador do FC Porto, disto estaremos todos de acordo.

Mas acho verdadeiramente incrível ler e ouvir algumas das críticas a Sérgio Conceição após a primeira derrota da época numa pocilga pequena e encharcada. Escolheu mal o onze?!?! Errou na abordagem tática?!?! Sinceramente tudo isto me dá enorme vontade de vomitar. O FC Porto sem 5 titularíssimos, dois dos quais fundamentais na manobra ofensiva da equipa (Soares e Marega), sem o seu melhor defesa e sem o seu melhor médio, queriam que Sérgio escolhesse que jogadores? Oliver em vez de André André… O espanhol tem feito uma época muito abaixo do que pode e sabe fazer, num terreno encharcado frente a uma equipa que fez tudo menos querer jogar futebol, não creio que adiantasse muito mais do que André André, apesar deste também não ter jogado bem.

Por mais que me esforce, não consigo apontar nada ao treinador nesse caso concreto, nem em termos táticos, nem na escolha dos jogadores, dados os enormes constrangimentos com que se tem debatido ao longo das ultimas semanas, sem nunca se ter queixado, contrariamente a outros treinadores com folha salarial bem melhor que a de Conceição.

É simplista dizer que foi apenas um dia mau, e que algum dia haveria de aparecer a derrota mas sejamos totalmente sérios e honestos connosco próprios: em 125 anos de história o FC Porto nunca acabou uma época invicto nas provas internas, muito dificilmente seria justamente este ano em que tal aconteceria, com todos os constrangimentos que se conhecem, nomeadamente os financeiros com óbvias implicações na construção do plantel, uma fatura que apenas uma pessoa está a pagar (depois de tanto dinheiro mal gasto nos últimos anos!)!

É verdade que do ponto de vista teórico, tínhamos todas as condições para levar de vencida aquele jogo naquele pantanal, e que podíamos ter jogado bem mais e melhor, mas não é honesto esconder os vários fatores específicos (nomeadamente os climatéricos) em que decorreu o jogo.

Por mais que façamos o pino, que viremos e reviremos o que se passou, Sérgio Conceição teve 1000% de razão em tudo o que disse, quer na flash interview, quer na conferência de imprensa. Já disse isto mais de mil vezes e repito-o sem nenhum problema ou complexo, todas as equipas têm o direito de utilizar as táticas que entenderem, sejam eles autocarros de 9 defesas ou táticas suicidas de 9 avançados. O que as equipas, sejas elas quais forem, não têm é o direito de serem manhosas e aldrabonas, com o único objetivo de simular e enganar do primeiro ao ultimo minuto do jogo.

À parte de todas as nossas óbvias responsabilidades no mau jogo realizado, há jogadores do Paços de Ferreira que deveriam ter vergonha na cara por aquilo que repetidamente fizeram a partir do minuto em que marcaram o golo. Ultrapassaram-se todos os limites da decência, exagerou-se até ao nível máximo do nojo, não é possível pensar-se que vale tudo para sacar um mísero ponto ou uma vitória que tire uma equipa da linha de água. Uma coisa é uma equipa defender em bloco baixo, tentar baixar os ritmos de jogo durante a maior parte de um jogo, e depois nos últimos 5/10 minutos simular uma ou outra lesão. Outra coisa completamente diferente é ver jogadores a simular lesões aos 25 minutos de jogo e isto prolongar-se e acentuar-se durante os 90 minutos de jogo. Claro que se o resultado não lhes é favorável, acabam num ápice as lesões, as manhas, a aldrabice e tudo o que sejam táticas nojentas de enganar tudo e todos. Só vejo duas formas de tentar atenuar essa nojeira: árbitros darem mais minutos de compensação (porque não 10 minutos?!?!) e toda a gente expor ao ridículo jogadas como aquela em que sem ninguém lhe tocar, o GR pacence se atira para o chão, rebolando-se e fazendo parar o jogo mais uns minutos.


O país rejubila com a derrota (finalmente!!!) do FC Porto ao fim de longos e intermináveis 35 jogos mas numa analise séria aquilo que se viu foi tudo menos um jogo de futebol sério, em que duas equipas querem jogar, cada uma com as suas armas e estratégias, mas a quererem jogar futebol.

É dilacerante constatar que perdemos pela primeira vez na época perante uma equipa medíocre e ordinária que sobretudo pretendeu não querer jogar futebol a partir dos 20/25 minutos de jogo. Mas infelizmente é a realidade que temos. Foi-se toda a margem de erro que ainda tínhamos na liderança do campeonato. A partir de agora todos os jogos, com exceção do jogo do galinheiro, apenas têm um resultado possível se o FC Porto quiser ser campeão: a vitória. Ao contrario do que já li por aí não acredito que o nosso rival mais direto perca pontos em 6 dos 8 jogos que faltam, os jogos contra os pequeninos da liga são limpinhos para o nosso rival. Depois eles têm os 2 jogos, 1 contra nós e outro contra o rival da 2ª circular, aí sim jogos com alguma probabilidade de poderem perder pontos. Ainda assim, a partir de agora, é bom que a consciência plena seja a de que qualquer ponto perdido pode ser o fim de um objetivo que já pareceu tao perto e agora parece bem mais longe.

PS: Apesar do tom do post e da muita tristeza e deceção após a derrota na pocilga de paços, continuo a acreditar que é possível sermos felizes em maio. Nos últimos 4 anos, nunca estivemos tâo perto do sucesso, de ganhar algo e de terminar uma época com possibilidade de ter um futuro risonho, com um treinador competente e totalmente enquadrado no clube. No futebol quando as coisas são bem feitas, pode não se ganhar nada uma ou duas épocas, mas mais cedo ou mais cedo o rumo vai dar resultados muito positivos, as vitorias surgirão e as conquistas de troféus serão uma consequência natural do trabalho que se faz. Sérgio Conceição mais do que ninguém merece este ano ser o treinador responsável pela quebra da maior seca de títulos da era Pinto da Costa, ou ganhando a taça ou conquistado o campeonato, ou num cenário épico conquistar a dobradinha. Sim, dado tudo o que tem acontecido, as condições em que se iniciou esta época, os constrangimentos financeiros, etc, etc, conquistar a dobradinha daria direito a entrada no museu, com estátua e tudo!

PS2: Dois dos principais responsáveis pelo nojento e execrável anti-jogo pacense, o seu GR e o seu treinador tiveram a distinta lata de no final do jogo abrirem a retrete e falar de profissionalismo, seriedade e do incómodo em relação às polémicas do futebol português. Ao treinador uma palavrinha, o desejo do pior possível em termos profissionais e que no último jogo do campeonato percas a possibilidade da manutenção frente a uma equipa cujo GR perca 50 minutos a receber tratamento medico por simulação de lesões. Ao GR, que a nojice dos teus atos um dia se vire contra ti, porco de m****!!!!


11 março, 2018

MAU DEMAIS!


PAÇOS FERREIRA-FC PORTO, 1-0

Aí está a primeira derrota da época do FC Porto nas competições internas. Algum dia teria que acontecer e aconteceu esta noite. Mas não deixa de ser mau demais ter acontecido na fase da época em que nos encontramos presentemente.


Em momentos de grandes decisões, o Dragão sabe que tem pela frente obstáculos complicados. Vencendo esta noite dava um importante passo rumo ao título. Não aconteceu e o Dragão, apesar de se manter na liderança, permitiu que agora o seu rival directo dependa também apenas de si próprio para chegar ao título. A vantagem confortável esfumou-se e a partir daqui os portistas terão que fazer pela vida. Olhar para os 8 jogos que faltam e vencê-los.

A Mata Real começa a ser bastante agreste para o Dragão. Nas últimas épocas, o FC Porto tem encontrado sérias dificuldades para sair de lá com sucesso. Pelo contrário, tem averbado algumas derrotas e pelo terceiro ano consecutivo, o FC Porto não consegue vencer para a Liga NOS.

Não vou falar do jogo em si porque esse, parafraseando o nosso treinador, não existiu. E não existiu mesmo. O jogo propriamente dito resumiu-se a um golo da equipa da casa pouco depois da meia hora da etapa inicial e a uma grande penalidade desperdiçada por Brahimi aos 67 minutos que estava prevista ser convertida por Sérgio Oliveira. Mas este acusou a pressão e passou a responsabilidade ao argelino.


De resto, na primeira parte surgiu um FC Porto muito pobre e na etapa complementar apareceu um Paços de Ferreira a praticar um anti-jogo vergonhoso com a complacência e o contributo do paixão de serviço, o homem que ficará para sempre ligado a um dos maiores escândalos do futebol em jogos realizados em solo nacional. O futebol português saiu lesado. O Dragão, apesar de fazer um jogo sofrível, criou algumas oportunidades.

Mas os dragões têm de fazer mea culpa perante o que lhe aconteceu. Estando avisados e bem conscientes para as situações de anti-jogo e para as arbitragens demasiado habilidosas, os azuis-e-brancos sabem que têm que entrar com grande determinação, muita intensidade e agressividade em níveis elevados para derrubar os adversários. Caso contrário, só por sorte ou por golpe de génio é que os Dragões poderão vencer as suas partidas.

Sérgio Conceição não me parece que tenha feito as melhores opções para este jogo, perante o campo pesado e perante as ausências já conhecidas. Mas isso é apenas a minha opinião e fico-me por aqui neste capítulo.


Quero, no entanto, manifestar aqui o meu repúdio em relação às posturas inconcebíveis de Mário Felgueiras e de Assis (ambos jogadores da equipa da casa) que, sobretudo na etapa complementar, simularam constantemente lesões para quebrar o ritmo de jogo e promover as perdas de tempo. Quero também registar o comportamento por parte do treinador da casa que foi um nojo, dando indicações aos seus jogadores para fazer tudo, menos jogar à bola.

E, para terminar, não quero deixar de me referir ao habitual folclore e espectáculo deprimente do árbitro Bruno Ladrão, perdão, Paixão que jogo após jogo, semana após semana, época após época ainda consegue, ao fim de tantos anos, surpreender-nos com as suas actuações miseráveis e degradantes. Compactuou com o anti-jogo escandaloso do Paços de Ferreira, não compensou devidamente o tempo perdido pela equipa da casa e a cada queda dos jogadores que vestem de amarelo assinalava sempre falta contra o FC Porto.

Marcou uma grande penalidade a favor dos Dragões? Marcou, sim senhor! Ter-lhe-á passado, provavelmente, pela cabeça o jogo de Campomaior há 18 anos atrás quando escamoteou quatro grandes penalidades a favor dos portistas. E com peso na consciência, se é que ainda a tem, lá marcou e bem a respectiva e clara grande penalidade sobre Felipe.


Hoje, repito, foi mau demais! Foi o jogo, foi o péssimo relvado, foi a equipa do Paços de Ferreira, foi o árbitro e foi, inevitavelmente, a equipa do FC Porto. Espero que este jogo sirva para definitivamente abrir os olhos a toda a equipa, de modo a encarar as 8 finais que faltam com espírito de conquista e de vitória.

O FC Porto regressa à competição no próximo Sábado frente ao Boavista no Estádio do Dragão. A partir de agora os Dragões terão mais tempo para preparar melhor os jogos, uma vez que os jogos a meio da semana praticamente terminaram. A excepção será dia 18 de Abril a contar para a 2ª mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Vamos lá vestir o fato-macaco e arrecadar aquilo que tanto queremos: O TÍTULO!




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Vamos continuar a lutar contra tudo e contra todos”

Antijogo do início ao fim
“Jogar aqui, com estas condições, é difícil. Podíamos e devíamos ter feito mais, é verdade, mas depois do golo não houve mais jogo. Estou desiludido. Houve demasiado antijogo e o árbitro permitiu paragens constantes. Não sei se isto era estratégia, ou não, do nosso adversário, mas não me lembro de estar presente num jogo assim. Não gosto de perder, mas foi incrível, com jogadores constantemente no chão. Gostava de saber qual foi o tempo útil de jogo, mas acredito que não tenha sido mais do que 20/25 minutos.”

Tudo pelo pontinho
“O tempo de compensação foi curto, sem dúvida nenhuma. Não se jogou praticamente. Falhámos um penálti e outras ocasiões que normalmente não falhamos, é verdade, mas vale tudo para conseguir um pontinho. Hoje, o Paços de Ferreira até conseguiu três. Foi uma vergonha e nós fizemos parte dessa vergonha. Como treinador, assumo a minha culpa. Agora vamos analisar o que correu mal e trabalhar durante a semana para vencermos o próximo jogo.”


Faltou (a) dinâmica num espetáculo horrível
“O meu desagrado é geral. Toda a dinâmica da equipa não foi a habitual, primeiro pelas condições climatéricas, e depois devido a alguma apatia no início do jogo. Além disso, o tempo útil de jogo foi muito pouco, o que é algo que prejudica uma equipa como a nossa, que joga sempre com muita intensidade e num ritmo alto. Assim fica difícil. Foi um espetáculo horrível.”

Até ao fim na luta pelo título
“A resposta é ganhar o próximo jogo e fazer o resto do Campeonato de acordo com o que fizemos até hoje. Só dependemos de nós. Ainda podemos empatar um jogo e ganhar os outros sete. Vamos continuar a lutar contra tudo e contra todos e no fim fazemos as contas. Vamos chegar ao fim e com certeza vamos conseguir aquilo que toda a gente quer.”

Bruno Paixão
“Há os artistas da arbitragem e sinceramente não entendo a paciência que ele teve em deixar andar um jogo que era constantemente parado. E depois mostrar dois cartões amarelos nos descontos. Para isso, mais vale não mostrar.”



RESUMO DO JOGO

06 março, 2018

MAR AZUL.


LIVERPOOL-FC PORTO, 0-0

Um mar azul alagou a cidade dos Beatles. 3000 portistas promoveram o portismo, o clube e deram mais uma prova cabal de que a equipa jamais estará sozinha. Aquele “chavão” que o Liverpool usa no seu emblema “You Will Never Walk Alone” aplica-se ao FC Porto na perfeição. Os adeptos dos Dragões foram enormes. Calaram Anfield Road quase desde o início ao fim do jogo.


Visto como um dos estádios mais empolgantes da Europa, embora nos últimos anos dizem-me que já não é a mesma coisa, Anfield Road foi para os aficionados azuis-e-brancos um palco fantástico durante todo o encontro. Aqui presto a minha homenagem à moldura humana que esteve ontem no estádio que me contagiou e arrepiou em alguns momentos.

O FC Porto entrou no campo para defrontar uma equipa superior e a jogar com um resultado adverso de 5-0 na 1ª mão, consciente de que a eliminatória estava sentenciada. Apostou num onze com muito poucos titulares: Casillas e Felipe foram as excepções e, presentemente, Aboubakar não se pode considerar um titular absoluto.

Por outro lado, Sérgio Conceição deu oportunidade a jogadores com menos minutos, promovendo uma estreia absoluta: Bruno Costa, o jovem da equipa B, que fez um jogo sensacional como se andasse há algum tempo por estas andanças. Dalot foi outro jovem da cantera que, após o jogo com o Sporting, se manteve na equipa titular.


Casillas manteve a baliza. Na defesa apenas entrou Reyes para o lugar de Marcano em relação ao último jogo. O meio-campo ficou a cargo de A. André, Óliver e o já citado Bruno Costa, no apoio a Corona, Waris e Aboubakar que formaram a frente de ataque.

O FC Porto fez um jogo em que deu prioridade à boa organização defensiva, com marcações à zona e procurando não cometer erros, nem dar espaços ao seu adversário. O Liverpool, apesar de algumas poupanças, não foi muito intensivo no ataque mas criou uma ou outra oportunidade, com destaque para uma bola no poste de Casillas aos 18 minutos.

Em contrapartida, os Dragões, na etapa inicial, ficaram-se por duas ameaças à baliza inglesa. Primeiro Waris que deixou escapar uma bola em profundidade e depois Aboubakar que não interceptou um lance em que ficava em boa posição para rematar à baliza.


Na etapa complementar, o FC Porto procurou chegar mais à baliza contrária, sem no entanto deixar de ter cuidados defensivos. Numa luta a meio-campo, Waris ganhou a bola, progrediu pelo miolo e já perto da grande área rematou forte e colocado para defesa do guardião contrário para a linha do fundo. O jogo continuou a ser muito disputado no meio-campo e a velocidade moderada.

Sérgio Conceição começou a fazer substituições. Saiu A. André (amarelado) para a entrada de Sérgio Oliveira, Waris, aparentemente fatigado, cedeu o lugar a Ricardo Pereira e Aboubakar foi substituído por Gonçalo Paciência.

Sérgio Oliveira ainda ameaçou num remate que foi desviado por um defesa contrário, mas Corona é que, numa jogada individual, esteve perto do golo com um remate defeituoso. O Liverpool criou muito perigo num remate de Salah para defesa de Casillas e perto do final, Óliver, para o FC Porto, desperdiçou a melhor oportunidade dos Dragões e Ings, para o Liverpool, cabeceou para a defesa da noite de Casillas.


O jogo terminou pouco depois com uma grande ovação e manifestação de apoio da massa adepta azul-e-branca à equipa. O jogo serviu para o FC Porto defender o prestígio granjeado em tantos anos na prova, sabendo também que está preparado para encarar a recta final da época com o único objectivo de vencer as provas em que está inserido. O resultado sem golos serviu, de certa forma, para atenuar o desastre da 1ª mão.

Destaques finais para Casillas, Felipe e para os jovens Dalot e Bruno Costa que assinaram exibições muito interessantes. Mais uma palavra para o imenso Mar Azul que percorreu as ruas de Liverpool e se apresentou no estádio como se estivesse a vencer a eliminatória, o que contagiou tudo e todos à sua volta.

O FC Porto regressa às competições internas já no próximo Domingo com uma deslocação à Capital do Móvel para defrontar um sempre complicado P. Ferreira. O jogo diz respeito à 26ª Jornada da Liga NOS e uma vitória é, seguramente, obrigatória.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Fizemos um jogo muito digno”

Jogo digno e parabéns aos jogadores
“Acho que foi um jogo muito digno da minha equipa. Com algumas alterações, porque a maior parte dos jogadores que jogaram nem têm sido dos mais utilizados. Tenho que lhes dar os parabéns, porque só trabalhando como eles trabalham é que podem chegar a estes jogos e conseguir dar uma resposta tão positiva. E houve muita coisa positiva hoje. Tenho pena do desnível que houve no primeiro jogo. Acho que as duas equipas mereciam um jogo decisivo aqui. Mas tivemos um mau dia e o adversário soube aproveitar bem. Hoje foi um jogo muito equilibrado, dentro da gestão natural do Liverpool e das mudanças que nós fizemos. Há que realçar também o Bruno Costa, o Gonçalo Paciência e o Diogo Dalot: jogadores da formação, que mostra que nós estamos atentos ao trabalho do Folha, na equipa B, e do João Brandão, nos Sub-19.”

Resultado ajusta-se
“Na primeira parte criámos uma ou outra situação que poderíamos ter definido melhor. Na segunda parte o Liverpool também teve uma ou outra oportunidade, mas nós também. Foi um jogo em que se pode aceitar o zero a zero, mas no qual realço a boa resposta dos meus jogadores, que cometeram menos erros do que no primeiro jogo.”


Em campo os 11 que davam mais garantias
“Da mesma forma que depois da derrota com o Liverpool tivemos três resultados positivos, este empate também não vai afetar em nada. Havia jogadores fatigados e que corriam o risco de se magoarem aqui e eu tive que pensar um pouco naquele que é o nosso grande objetivo, que é o campeonato. Sei que não se preparam dois jogos ao mesmo tempo, mas entre um jogador que está diminuído e um jogador que treina e trabalha bem, escolhi o 11 que me dava mais garantias para hoje.”

Sem comentário extrafutebol
“Ainda não vi as notícias hoje. Estava muito difícil no hotel, muito sinceramente, e ainda não vi. Estava muito ocupado a preparar este jogo, mas sobre esse assunto [detenção de Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica] também não tenho comentários a fazer.”



RESUMO DO JOGO

DISCO RISCADO.


Decerto que todos vós já passaram, alguma vez na vida, por aquela situação irritante da nossa mente empancar numa qualquer música ou refrão detestável, e termos que aguentar impotentes à repetição ad-eternum dos mesmos acordes ou cantilena.

Pois bem, para um portista que já ultrapassou a barreira das quatro décadas, o que se passou na passada semana foi o "bom" e velho disco riscado de desvalorizações e calúnias, que os nossos rivais lisboetas, e seus sequazes dos media, sempre colocaram em momentos de superioridade incontestável do FC Porto. Desde a novela de faca e alguidar em torno do Gelson, até ao argumento de ficção científica pseudo-kafkiano de uma imaginária viciação do resultado da 2ª parte do jogo com o Estoril, de tudo valeu um pouco para nos tentar desestabilizar. Aliás, a previsibilidade alfacinha é tanta, que na minha última crónica tinha finalizado desta forma "Por diferentes razões teremos um país a torcer contra nós. Um país que irá criar todo o ruído para nos desconcentrar e desunir. Um país que irá fazer de tudo para falharmos."

Pena o Euromilhões ser bem mais difícil de acertar.

Desconstruindo ambas as situações temos que:
  • Depois de uma absoluta infantilidade do Gelson Martins, ao forçar literalmente a expulsão no jogo contra o Moreirense, tivemos uma semana surreal no enaltecimento da atitude do Gelson, no pobre Gelson, no humano Gelson, no corajoso Gelson, nas leis injustas. Caramba, só faltou o PAN entrar com uma proposta-lei no parlamento para defesa de espécies ameaçadas, nomeadamente a dos neurónios em extinção nos jogadores de futebol. À última, o Sporting ainda tentou testar a comoção dos juízes do conselho de disciplina, que inacreditavelmente ficaram-se pelo "Nim". Aceitaram o protesto sportinguista, contudo mantiveram o castigo. Já para jogadores portistas, bem que podem ser abalroados por árbitros (Danilo), ou ser expulsos por incompatibilidades de idiomas (Brahimi), que não há "nims", nem sequer uma mínima palavra de apreço.

  • Houve uma clara tentativa de mostrar um Sporting fragilizado, passando o ónus da responsabilidade da vitória para o FC Porto. Querem mais desonestidade intelectual do que esta? Para começar, e falando em titulares indiscutíveis, as faltas eram de 5 portistas (Alex Telles, Ricardo, Tiquinho, Danilo e um inferiorizado Aboubakar) contra 3 sportinguistas (Bas Dost, Gelson e Piccini). Entre as 2 duplas de avançados, apenas 1 golo as separa (38 contra 37) com vantagem leonina. Pelo que por aqui, estamos falados quanto ao impacto no ataque que a falta destes jogadores fazem a ambas as equipas. No entanto, foi estranhamente omitida a importância que Telles e Ricardo têm na manobra ofensiva portista. Colocar um veterano, e um Júnior nos lugares do melhor assistente e do melhor lateral direito da liga, por muita qualidade que tenham, nunca é a mesma coisa.

  • Por fim, numa equipa que se reforçou com jogadores do Barcelona, Real Madrid, um clube que adquiriu jovens promessas portuguesas e brasileiras, fora uns quantos mais para encher plantel, não se compreende o "choradinho" do cansaço, ou da falta de opções no plantel. Que diremos nós, cuja única contratação real foi um guarda-redes para reforçar a bancada, mais três jogadores no mercado de inverno, que apanharam uma locomotiva em velocidade desenfreada.
Bem mais rasteira do que as congeminações futebolísticas acima descritas, foi a cobarde insinuação de compra do resultado do jogo com o Estoril. Cobarde, porque ao contrário de Francisco J. Marques, que tem sido o rosto principal na denúncia às práticas corruptas benfiquistas, o indivíduo que avançou com esta queixa preferiu a obscuridade da sombra para o fazer. Cobarde, porque ao contrário das acusações fundamentadas em documentação e factos divulgadas no Porto Canal (entre outros), esta denúncia é um claro tributo a tempos em que à Santa Inquisição ou à PIDE, bastava o sussurro de uma borboleta para condenar um inocente. Cobarde, porque é uma mentira reles! Basta a simples análise das datas dos documentos originais, para remeter para o campo da cartomancia, o conhecimento das incidências que o Estoril - Porto iria ter. Em Novembro de 2017, data da factura, o jogo seria mais um, entre os muitos que as duas equipas já disputaram. Como prova da inocência portista, temos também a página 54 do recente relatório de contas, em que já assinalava o valor em questão... antes sequer da denúncia ser feita.


Infelizmente, continuamos a ter que aguentar a podridão de um país onde transferências injustificadas entre Benfica e Belenenses, continuam a passar entre os pingos de chuva da lei, e da comunicação social, ao passo que a um movimento contabilístico justificado e legal é colocado artificialmente um manto de suspeição.

No domínio da pura especulação, parece-me uma incrível coincidência as tentativas de César Boaventura em colar o FC Porto a actos ilícitos, com esta denúncia. O objectivo é claro. Puxar o clube azul e branco para o lamaçal onde se encontra a colectividade vermelha, arranjando assim os típicos álibis para a incompetência própria, tão do agrado do rebanho benfiquista.

Mesmo assim, contra tudo e todos, a primeira grande batalha está ganha. Sabendo que até ao final podemos perder uma, ou empatar duas, o melhor mesmo é vencer todas e trazer a festa, em Maio, para os Aliados.

Cumprimentos Portistas

*** Atualização ***

"Paulo Gonçalves detido por suspeita de subornos ligado ao caso dos emails"
Já se começa a perceber o porquê de tanta urgência em criar distrações e atirar areia aos olhos.

05 março, 2018

A 24 PONTOS DO OBJETIVO.


Era bom que não fosse necessário tanto, mas a minha sensação é que para ser campeão nacional, o FC Porto, dos 27 pontos em disputa, terá que conquistar pelo menos 24. Terá por isso a margem de erro de uma derrota, nada mais que isso.

A época do FC Porto até ao momento, repito até ao momento, é sem qualquer tipo de exagero, uma época extraordinária, a roçar a perfeição em termos nacionais e boa em termos europeus, uma vez que se conseguiu o apuramento para os oitavos-final da Champions, o objetivo mínimo para um clube como o FC Porto. Vencer 28 dos 34 jogos realizados em solo nacional corresponde a uma percentagem brutal de 82% de vitórias e apenas 6 empates. E já se jogou 4 vezes com o scp, 1 vez com o slb, 2 vezes com o braga, etc, etc.

Mais do que as vitórias obtidas em campo, tem sido evidente nesta longa série de jogos a superioridade do FC Porto a vários níveis relativamente aos vários adversários que vai encontrando, mas a característica deveras mais impressionante do FC Porto da era Conceição é claramente a intensidade! É uma equipa intensa, pressionante, rápida, enérgica, proativa, uma lufada de ar fresco face ao que tinha sido o FC Porto calculista e cerebral sobretudo dos tempos Lopetegui e Espírito Santo, em que muitas vezes o medo de perder ou levar muitos se sobrepunha à vontade de vencer, sem medos, nem receio de ser feliz. Ainda me lembro bem de no ano passado, quando empatamos o jogo no galinheiro da luz, em vez do FC Porto de NES tentar ganhar o jogo e resgatar uma liderança que podia significar mesmo o título de campeão nacional, ter preferido resguardar o resultado, encolhendo-se e festejando no final um empate que o mantinha no 2º lugar. O FC Porto pode este ano não ganhar rigorosamente nada (porque o futebol é o que é...) mas de uma coisa estou certo: a perder, será sempre a tentar a ganhar e não com medos ou calculismos para não perder.

Já muitos obstáculos foram derrubados até aqui, terá necessariamente de continuar assim nos últimos 9 jogos do campeonato, jogos que se devem sobrepor claramente a tudo o resto, quer o jogo em Anfield, quer a meia-final da taça de Portugal. As baterias têm de estar 1000% focadas no campeonato, os níveis de concentração e intensidade têm de estar no topo. A juntar a todos os obstáculos naturalmente existentes junta-se uma enorme onda de lesões, lesões atrás de lesões, Marega o último dos quais. Até nisto Sérgio tem sido competente na forma como tem conseguido ultrapassar todos os dissabores, veremos se irá continuar assim até final da época. A verdade é que dificilmente o nível de intensidade altíssimo com que este FC Porto joga acabaria naturalmente por ter como consequências várias lesões, infelizmente tal tem ocorido e em vários jogadores nucleares.

Notas Off-Topic:

1) Não é difícil perceber, basta ter um bocadinho só de massa cinzenta a funcionar, o porquê de tanto histerismo e loucura em torno do estoril vs FC Porto, um jogo em que muitos milhões de pessoas depositaram esperanças em ver o FC Porto finalmente ser derrotado. Creio que já estamos na fase da loucura completa, da construção de realidades paralelas numa fase de total autismo em relação à superioridade que o FC Porto demonstrou até agora no campeonato nacional. O FC Porto recebeu uma fatura em novembro datada do dia 26 de outubro-2017. No R&C do 1º semestre 2017/2018, divulgado no dia 28 de fevereiro-2018, constam os principais saldos de fornecedores relativos a dívida corrente e não corrente a 31 de dezembro de 2017, no qual se destacavam dívidas a 3 equipas do campeonato português: 784.000€ de dívida corrente ao Estoril Praia, 3.750.000€ de dívida corrente ao Sporting Braga e 2.000.000€ ao Vitória Sport Clube. No dia 14 de fevereiro 2018 é efetuado o pagamento integral da fatura emitida pela Estoril em novembro-2017. No dia 1 de março, surge então a denúncia anónima relacionada com a compra do jogo Estoril vs FC Porto por um suposto pagamento após o jogo. É oficial, entramos mesmo no reino da loucura, da imaginação, da ficção misturada com a realidade! Aposto com vocês que quer o jogo do Braga, que já ganhamos no Dragão, quer numa eventual vitória nos Barreiros surgirão naturalmente denúncias anónimas relacionadas com transferências de dinheiro do FC Porto para o Braga e para o Marítimo. É que o FC Porto a 31 de dezembro de 2017 tinha dívida corrente com esses mesmos 2 clubes... Sugiro uma coisa à SAD do FC Porto, epa não paguem as dívidas constantes do R&C resultantes de faturas que outros clubes vos enviam.

2) Como é evidente, os histéricos aziados que tanto gritaram incrédulos questionando como seria possível uma equipa marcar 3 golos em apenas 45 minutos no Estoril vs FC Porto, não questionaram quando o Rio Ave sofreu 5 golos em apenas 45 minutos num estádio que às vezes apaga a luz e acende a rega, nem questionaram como seria possível o Braga enfiar 6 golos ao mesmo Estoril na Amoreira? Pois...

3) Nunca é demais relembrar para os mais esquecidos mas aqui vai e em caps lock: EXISTE UM, UM APENAS, CLUBE PORTUGUÊS INVESTIGADO PELO DIAP POR UM PROCESSO DE CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA, E OUTRO PROCESSO DE VICIAÇÃO DE RESULTADOS!!!! Por mais histerismo e nervosismo que haja esta é que é a verdade nua e crua!!

4) Nestes últimos 2 meses e meio vai-se fazer tudo, mas tudo mesmo, para impedir aquilo que parecia impossível no inicio da época, haver um clube que ousasse impedir o desígnio nacional do penta tão ambicionado por tantos milhões. Temos de ser fortes e aguentar tudo nesta reta final. Mais do que nunca, a expressão SER PORTO tem de ser transportada para dentro do campo, por jogadores, treinador e adeptos!!!

02 março, 2018

MAIS DO QUE TRÊS PONTOS.


FC PORTO-SPORTING, 2-1

O campeonato português entrou na recta final. Com muitas tentativas de desestabilização, muitos golpes baixos e muitas estratégias delineadas para desviar as atenções dos casos do maior escândalo do futebol português, assim vai prosseguindo a luta desigual pela conquista do título nacional 2017/18.

Depois das tretas e historietas maquiavelicamente inventadas, resultantes do jogo no Estoril e que lhes saiu pela culatra, depois das esperanças esfumadas decorrentes do jogo em Portimão, o nacional-benfiquistão e todos os “lambe-cus” deste país que o servem tiveram esta noite mais uma derrota em toda a linha.


O FC Porto recebeu o Sporting no seu reduto e grande parte do país virou verde mas acabou podre antes de ter tempo para ficar vermelho-maduro. O Dragão venceu uma importante etapa e deu um passo significativo rumo ao grande objectivo da época. Apesar de tudo, teve que sofrer, passou por grandes dificuldades na parte final do jogo mas provou estar à altura do desafio.

Sem poder contar com jogadores importantes na manobra da equipa, os azuis-e-brancos defrontaram um Sporting também desfalcado de algumas peças importantes no seu onze. Sérgio Conceição manteve a equipa que jogou em Portimão mas surgiu uma alteração importante na frente de ataque: Soares, lesionado, deu o lugar a Gonçalo Paciência que acabou por ter importância no desfecho da partida.

A equipa portista iniciou bem o jogo e na primeira meia hora esteve quase sempre por cima do jogo. Dominou a partida, criou várias oportunidades, mas quando não se aproveita, sofre-se a bom sofrer. O Sporting criou alguns sustos aos portistas.

Aos 12 minutos, os Dragões criaram a primeira grande oportunidade. Num canto batido por Sérgio Oliveira, a bola sobrou para Marega que de cabeça enviou ao poste e, na recarga, o maliano voltou a cabecear para a baliza. Em cima da linha, Bryan Ruiz salvou o golo.


Aos 18 minutos, o Sporting reclama uma grande penalidade sobre Doumbia mas depois de vista a repetição e com o árbitro a recorrer ao VAR para decidir, mandou jogar. Não houve qualquer falta. Dalot ganhou posição e Doumbia procurou a falta. Mas na sequência deste lance, Mathieu impediu que Marega se isolasse, cortando a bola com a mão. O árbitro nada assinalou.

Aos 21 minutos, numa bola em profundidade, Marcano não protege bem o esférico e Doumbia quase faz o empate. Casillas defende e evita o primeiro golo. Dois minutos depois, Bruno Fernandes, com um remate traiçoeiro, obriga Casillas a uma defesa apertada.

Aos 27 minutos, Gonçalo Paciência recebeu a bola perto do meio-campo, descaído na direita e, à meia volta, isolou Marega. O maliano cavalgou para a baliza mas, na hora de rematar, disparou ao lado do poste da baliza de Rui Patrício. Mais uma oportunidade desperdiçada.

Até que aos 29 minutos, o FC Porto inaugura o marcador. Jogada de Maxi à entrada da área, desmarca Herrera na direita e este cruza para a área onde Marcano, de cabeça, atira e faz o 1-0.


O Sporting procurou reagir mas sem sucesso. Os Dragões continuaram a criar perigo. Num lançamento em profundidade pela esquerda, Dalot acreditou que chegaria à bola perto da linha final, cruzou atrasado e Gonçalo rematou à malha lateral, de forma precipitada.

A fechar a primeira parte, já em período de descontos, o Sporting empata o jogo. Brahimi perde a bola a meio-campo, a jogada prossegue e Bryan Ruiz desmarca Rafael Leão à entrada da área que, com um remate forte, colocou a bola na baliza com algumas culpas para Casillas mas não só. O guarda-redes deixou passar a bola entre pernas, mas Dalot e Felipe também poderiam ter feito um pouco mais para evitar o remate do avançado leonino.

A etapa complementar iria exigir um FC Porto mais agressivo e mais assertivo. Sérgio Conceição manteve o onze e a segunda parte começa com o FC Porto em vantagem novamente. Otávio recuperou uma bola no meio-campo contrário e serviu Gonçalo Paciência. O avançado portista entrou pela direita e cruzou rasteiro atrasado. Brahimi dominou a bola com a sola da chuteira e com o pé esquerdo atirou ao ângulo superior da baliza de Rui Patrício. Estava reposta a vantagem.

O jogo entra numa fase de indefinição, com alguma disputa a meio-campo. Até que aos 66 minutos o Sporting começa a mostrar superioridade territorial. Num canto, Bryan Ruiz cabeceia a rasar o poste, cinco minutos depois Coates, também de cabeça, atira por cima da baliza e aos 74 minutos, Mathieu bate um livre para defesa de Casillas.


Entretanto, os Dragões já tinham feito duas substituições. Otávio cedeu o lugar a Corona e Gonçalo Paciência saiu para a entrada do regressado Aboubakar. O jogo pedia o reforço do meio-campo para impedir a avalanche ofensiva leonina mas Sérgio Conceição lá terá pensado noutro sentido. O certo é que o FC Porto começou a sentir o aperto à medida que o tempo ia avançando perante um Sporting que arriscava o tudo-por-tudo por não ter nada a perder.

Os leoninos dominavam o jogo por completo mas o FC Porto tem, aos 81 minutos, oportunidade de acabar com o jogo. Numa transição ofensiva, Aboubakar isolou Marega que, à saída de Rui Patrício, efectuou um chapéu. A bola foi novamente cortada em cima da linha de baliza, desta vez, por Battaglia. Na sequência do lance, Marega saiu com uma lesão muscular. Mais um lesionado a juntar ao rol interminável de lesionados que assola a equipa portista.

Reyes entrava para o lugar do maliano para travar o jogo aéreo dos leões mas o meio-campo continuava a ser uma auto-estrada para a equipa verde-e-branca.

Aos 87 minutos, o Sporting tem uma grande oportunidade negada por Casillas. Num canto batido na direita, a bola é cabeceada por Coates e Montero remata para a mancha do guarda-redes portista. Uma enorme defesa! O FC Porto passava por um sufoco nunca visto neste campeonato e, muito menos, nos três outros jogos com os leões.

Dois minutos depois, Rúben Ribeiro escapa-se pela esquerda, cruza para a área e, nas costas da defesa portista surge Rafael Leão a atira por cima da baliza, falhando escandalosamente o empate.


Um minuto depois, numa boa iniciativa de Brahimi, Corona não dá o seguimento conveniente à jogada e perde uma oportunidade soberana de atirar à baliza.

Depois foram cinco minutos de compensação em que o Sporting não conseguiu criar oportunidades de golo e o FC Porto defendeu como pôde para aguentar a vantagem preciosa. Assim se ganham campeonatos e assim se vencem jogos. Quem pensar que, em todos os jogos, haverá goleada e rolo-compressor está completamente enganado. Jogo após jogo o que é importante é vencer com maior ou com menor dificuldade. Ópera? Aproveitem a boleia dos verdes e desloquem-se ao S. Carlos.

Destaques finais para as boas prestações de Dalot e de Paciência, para as intervenções decisivas de Casillas e para a união do grupo em prol de um objectivo. Pela negativa, registo a lesão de Marega e o comportamento habitual de Coentrão, mais uma vez a mostrar toda a sua javardice.

O FC Porto não tem mãos a medir. Na próxima Terça-feira, o Dragão desloca-se a Liverpool para jogar a 2ª mão dos 1/8 de Final da Champions League. Praticamente eliminados da prova, os Dragões têm apenas o prestígio a defender. Uma boa oportunidade para Sérgio Conceição apostar em jogadores menos utilizados e dar algum descanso a outros, para preparar da melhor maneira a recta final das provas nacionais em disputa: o Campeonato e a Taça de Portugal.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: “Objetivo cumprido”

A justiça da vitória
“A chave do jogo foi termos marcado, termos sido eficazes. Começámos o jogo bem, fizemos uns primeiros 15/20 minutos de grande qualidade. O Marega mandou ao poste, esteve isolado e acabámos por fazer golo numa terceira oportunidade. É verdade também que o Sporting nunca abdicou de jogar e de explorar ao máximo o espaço. É uma equipa bem orientada, muito competitiva e com muita qualidade. A primeira parte acabou com um golo deles, não sei se com falta ou não sobre o Brahimi. Aí a mensagem foi simples: entrar da mesma forma, condicionar ao máximo a construção e dinâmica de jogo deles. Fizemos o golo e procurámos depois o 3-1, querendo sempre a baliza adversária. A partir do momento em que metemos o Reyes ficámos um pouco mais baixos, podíamos ter feito o 3-1, mas a verdade é que o Sporting também poderia ter feito o 2-2. Estamos felizes pelos três pontos. Era esse o objetivo.”

Identidade sempre para manter
“Sofremos um bocadinho, mas mantivemos os três jogadores no meio. Podíamos ter feito o 3-1, porque a defesa do Sporting estava muito subida e podíamos ter aproveitado. Talvez tenha faltado um bocadinho de critério a sair com a bola em algumas situações, mas estivemos algo ansiosos nesse momento. Em termos estratégicos o jogo correu bem. Obviamente que o Sporting também tem qualidade e consegue condicionar-nos.”

Caminho ainda não está concluído
“Acreditamos no trabalho que realizamos. Esta era uma oportunidade de treinar jogadores com grande qualidade. Falo por mim e pela equipa técnica. Mas a verdade é que ainda não ganhamos nadam só perdemos um título. Fico contente por tudo que temos feito, mas o caminho ainda não está concluído. Estamos a realizar um trabalho competente e todos estamos determinados em conseguir o campeonato.É importante ter este realismo presente.”


Sporting ainda na luta a três
“Não está fora da luta. É uma equipa que já demonstrou várias vezes que tem alma, estofo e vontade de vencer o campeonato. Sinto a forma como eles estão dentro de campo e por isso acho que ninguém está fora. Continuam três equipas a lutar pelo título e vai ser uma luta até ao fim. Não preciso de mandar mensagens para o exterior. A mensagem que eu passo é para dentro do balneário. Um jogo pode modificar tudo, até o estado de espírito das equipas, porque caminhamos para o fim. Olhamos para o jogo seguinte sabendo que nesta fase são autênticas finais. Hoje demos um passo importante, frente a um rival, mas não mais do que isso.”

Marega é dor de cabeça
“Ainda não sabemos a extensão da lesão. Vamos saber amanhã, mas é mais uma dor de cabeça.”

Elogios a Gonçalo Paciência
“O Gonçalo é um talento. Tem qualidade e, se continuar a evoluir, pode dar grande ajuda à nossa seleção. Hoje jogou, deu um bom contributo à equipa.”



RESUMO DO JOGO

01 março, 2018

PLANTEL - ANÁLISE INTERCALAR.


10 jogos no campeonato. 1 jogo na Champions League. 1 ou 2 jogos na Taça de Portugal. No total são 12 ou 13 jogos até ao final da época. Descontando o jogo em Anfield Road, são estes vários 90 minutos que vão decidir como iremos recordar a época 2017/2018.

Tempo, pois, para o BiBó PoRtO Carago!! fazer um balanço do que tem sido a prestação do nosso plantel até aqui e perspetivando o que poderá suceder até Maio. A época já vai longa, o cansaço já se faz sentir nas pernas, as lesões têm-se feito sentir e há uma enorme expectativa no ar. Sabemos e temos noção que, a partir de agora, as pernas vão tremer mais, os minutos vão demorar mais a passar e a pressão aumentará. É assim quando não se ganha nada há 4 anos. Mas também é por isso que estes rapazes foram os escolhidos para envergar a camisola do FC Porto: para saber aguentar a pressão, para saber lidar com as ânsias e os desejos de milhares de portistas que querem chegar a Maio e festejar nos Aliados.

Assim sendo, tomemos, pois, liberdade para analisar um a um os nossos atletas:
  1. Iker Casillas: é ele o número 1 e o resto é conversa de café. Apesar da idade, o trajeto de Iker no FC Porto tem sido em crescendo. Não começou bem, fruto da falta de confiança que trazia do Barnabéu, mas aos poucos foi-se aculturando à cidade e ao clube e é hoje um atleta totalmente identificado com a chamada Mística. Iker só não terá um peso maior na história do FC Porto porque neste clube um dia houve Baía. E Baía só há um.
    O Mister Conceição lá teve as suas razões para o relegar para o banco. A decisão agradou a uns e desagradou a outros, como sempre nestas coisas. Mas numa coisa a nação portista esteve sempre de acordo: Iker é o melhor guarda-redes do FC Porto. Em todo o caso, a (longa) passagem pelo banco fez-lhe bem e voltou seguríssimo e ultra-confiante. A sua presença gera confiança na defesa e atemoriza os adversários. A sua voz será fulcral agora que a pressão vai fazer-se sentir a sério.

  2. José Sá: assumir a baliza do FC Porto não é para qualquer um. É mesmo para muito poucos. Que o digam Rui Correia, Hilário, Kralj, Eriksson, Wozniack, Silvino, Nuno Espírito Santo, Fabiano, entre outros. Os últimos 25 anos de baliza do FC Porto fazem-se com 2 nomes: Vítor Baía e Helton. O primeiro era único; o segundo era um enormíssimo guarda-redes.
    Nenhum de nós quereria estar no papel de José Sá: assumir a baliza do FC Porto e olhar para o banco e ver o melhor guarda-redes mundial da última década. Se o primeiro desafio já é difícil, juntar-lhe a segunda contrariedade é tarefa hercúlea. Mas José Sá cumpriu e excedeu-se, inclusive com um punhado de grandes defesas em momentos decisivos. Não resistiu a 2 falhas: um lance mal batido na 1ª parte do Estoril x Porto; a intranquilidade demonstrada frente ao Liverpool.
    Tenho para mim que Sá é tão culpado do desaire liverpooliano como Fabiano foi culpado da tragédia de Munique, isto é, a sua culpa é zero ou próxima disso. No entanto, a baliza é como a política: o que parece é. E pareceu que Sá estava intranquilo e que essa intranquilidade afetou o resto da defesa.
    O maior desafio da carreira de José Sá será a forma como vai encarar este regresso ao banco. Se voltar mais forte e mais sereno, poderemos ter guarda-redes para os próximos anos.

  3. Ricardo Pereira: uma época em crescendo que se iniciou com algumas debilidades defensivas, nomeadamente na forma como protegia o segundo poste e o espaço nas suas costas. Corrigiu essas falhas durante a temporada e pôde finalmente projetar-se como o lateral ofensivo e a todo-o-vapor que demonstrou ser no Nice. O empréstimo de 2 anos deu-lhe mundo, como se costuma dizer, e conferiu-lhe rodagem e à vontade nos dois corredores. É hoje um jogador feito e consumado, mas que nunca pôde dormir na sombra por causa do profissionalismo e da garra de Maxi Pereira. O lugar é dele por direito próprio e tem tudo para atacar este final de época em grande estilo, deambulando pelo corredor e aterrorizando os laterais contrários. A imagem da sua temporada, até esta fase, é aquele momento em que torce os rins e faz estatelar Coentrão.

  4. Maxi Pereira: cedo se viu que não teria vida fácil com Ricardo Pereira. Os prognósticos confirmaram isso mesmo. Naquela que será a sua última temporada no FC Porto (Maxi tem uma situação contratual no Dragão muito satisfatória e, atendendo à sua idade, a renovação não faz qualquer sentido), tem servido para gerir o esforço de Ricardo Pereira e, por vezes, para atuar atrás do português, quando este é chamado a assumir a ala. Nunca regateou esforços e continua a ser o jogador que sempre vimos em Portugal: aguerrido, combativo, a subir pelo seu corredor e a causar problemas aos adversários. A velocidade já não é a de outros tempos, mas a experiência e a ratice estão lá todas. Um suplente de luxo, portanto.

  5. Felipe: vai em 2 anos de FC Porto e está cada vez mais um jogador maduro. Central à moda antiga, que sabe “bater” e que não tem problemas em jogar feio, na senda da boa e velha tradição de centrais portistas. É pena estes tempos serem outros, caso contrário podíamos vê-lo a fazer uma carreira ao estilo da de Aloísio. Mas é impossível que os velhos tubarões europeus não reparem neste centralão que aqui temos. Duro, impetuoso, intransponível no jogo aéreo, está a um passo de se tornar num central de topo europeu. Grande época está a realizar Felipe!.

  6. Marcano: é para mim o melhor central em Portugal. Com calma e serenidade, limpa tudo o que lhe aparece à frente. Mais estável psicologicamente que o seu parceiro de zaga, é o verdadeiro líder da defesa. Na retina fica aquele olhar a Fábio Veríssimo antes do célebre Feirense x FC Porto. Um jogador que, sem ser exuberante, foi conquistando a massa adepta portista. Já nos trintas, procura obviamente o contrato da sua vida e não é certamente no FC Porto que o vai conseguir, o que se lamenta. Grande temporada e merece, tal como Maxi, sair como Campeão do FC Porto.

  7. Reyes: patinho feio durante muitos anos, começa finalmente a justificar a sua contratação. Pena que o faça tão tarde, já em cima do final do contrato. Apesar da sua exígua figura, o seu jogo aéreo tem feito mossa e tem-se assumido como um terceiro central de mão cheia. Uma espécie de José Carlos ou de Lula dos tempos modernos. A sua presença neste plantel tem sido importantíssima. Podemos também catalogá-lo hoje em dia como um suplente de luxo

  8. Ozório: uma incógnita.

  9. Alex Telles: um dos melhores da época, se não o melhor. Lateral eminentemente moderno, ofensivo, com capacidades relevantes no cruzamento, técnica elaborada, aceleração, velocidade, pulmão invejável, disponibilidade para as constantes piscinas que a posição de lateral obriga. Um dos preferidos dos adeptos. A lesão no Estoril fez tremer as hostes azuis-e-brancas, mas felizmente tudo não passou de um susto. O seu pé esquerdo é já lendário: canto de Telles é penalty para o FC Porto! Leva 11 assistências e lidera essa tabela em Portugal, seguido de Brahimi e Esgaio com 8. Estes números dizem bem da importância deste brasileiro na manobra da equipa. A cereja no topo do bolo: não se sabe quem é o seu empresário, porque nunca se lhe ouviu dizer nada. Um craque de todo o tamanho!

  10. Diogo Dalot: lançado às feras na já mítica 2ª parte no Estoril não comprometeu e mostrou que era um menino-homem com quem se podia contar. Dias depois, Conceição percebeu a mensagem e deu-lhe a titularidade. Respondeu com 2 assistências, não denotando problemas de maior no momento defensivo, que ainda é a sua pecha. Depois disto, dizer o quê? Apenas que estamos na presença de um predestinado. Apenas é necessário que se saiba gerir as expectativas em torno de um jovem de 19 anos, que necessariamente ainda vai cometer bastantes erros. Mas este é como o algodão.

  11. Danilo: começou a época pesado e sem fulgor, emperrando o meio-campo portista. Causou muitos calafrios nos primeiros jogos, mas foi subindo de produção a tempo de se assumir como o verdadeiro patrão do meio-campo, um panzer que joga sempre em alta rotação e que vira tudo e todos, um dos melhores do 11 azul-e-branco.
    Paradoxalmente, a melhor fase do FC Porto dá-se aquando da sua lesão no gémeo para a Taça da Liga. Conceição inventa então um meio-campo de 2 homens (Sérgio Oliveira e Herrera) e de repente Danilo parece não tão importante.
    Não obstante, na fase a doer, este homem será absolutamente crucial e terá que reentrar na equipa dê por onde der. Com Brahimis e Coronas marcam-se golos, mas é com Danilos que se ganham campeonatos.

  12. Herrera: o mexicano é o Semedo do século XXI, o eterno mal-amado. De um profissionalismo exemplar, foi recolhendo as pedras que o caminho lhe reservava até que conseguiu finalmente erguer um castelo. O castelo é o atual meio-campo do FC Porto, essa fortaleza erguida pelo mexicano, que já teve como colegas de sector Danilo e Sérgio Oliveira. Um verdadeiro cavalo de corrida, que ora está a pressionar na saída de bola adversária, ora está na área portista a limpar os lances de perigo. Um atleta que, sem ser genial, é de uma importância tremenda no futebol de Sérgio Conceição. Para que uns brilhem, é necessário que haja quem faça o trabalho sujo e, esse, ninguém o faz tão bem como o nosso Hector.

  13. Sérgio Oliveira: a sua vida no FC Porto é uma montanha russa de emoções. Passou de uma cláusula 30 Milhões e de grande esperança da formação portista, para um exílio forçado e uma passagem por Paços de Ferreira. Nunca virou a cara à luta e tentou sempre mostrar que tinha lugar no seu clube de coração. As suas recentes exibições devem ter surpreendido tudo e todos, tamanho é o perfume e a categoria do seu futebol. Apareceu primeiro no Mónaco, repetiu depois a dose em Alvalade, mas é quando a lesão de Danilo chega que Sérgio Oliveira se faz homem e se assume na sua plenitude: um box-to-box que joga e faz jogar, que coloca a bola onde quer e que tem uma senhora meia distância. Neste momento, tem as portas do futebol abertas de par em par: pode ser um novo Moutinho, um novo Pedro Mendes, um novo Meireles, um novo Maniche. Ou pode facilmente ser o grande Sérgio Oliveira. Tem a palavra até ao final da época.

  14. Oliver: a desilusão da época até agora. Todos os jogadores subiram os níveis exibicionais com Sérgio Conceição, exceto o pequeno espanhol. A qualidade está lá, mas é tudo um problema de galáxias: o FC Porto joga no planeta Terra, mas a Oliver joga em Plutão. Este Porto é voraz, de bola para a frente, de atacar o espaço, de ganhar metros nas costas dos adversários. Oliver é a antítese disso, o seu prazer está em pensar o jogo, pedir a bola no pé e não no espaço. Oliver prefere jogar parado e pôr os outros a correr, mas com Sérgio todos têm de receber no espaço vazio e em corrida. São dois mundos distintos, difíceis de compatibilizar. Não obstante um ou outro bom momento, Oliver parece estar a meio caminho de coisa nenhuma.

  15. Paulinho: a sua entrada na equipa pareceu precipitada. Conceição deu-lhe a titularidade em Moreira de Cónegos e esse foi um dos poucos erros do treinador esta temporada. A entrada de um elemento novo no meio-campo baralhou a equipa e o médio perdeu-se em campo, parecendo que a camisola ainda lhe pesava um pouco. A sua qualidade enão está em causa, mas este ano não há grande margem para experimentalismos. Na próxima época terá mais espaço e estes meses podem ter sido essenciais para quebrar barreiras no seu processo de adaptação a um clube desta dimensão.

  16. Corona: outro jogador que ainda não confirmou todo o seu potencial, tardando em explodir de vez. Detentor de uma técnica e de uma aceleração poderosas, é capaz do 8 e do 80. Ora faz um jogo a todo-o-vapor, ora pura e simplesmente desaparece da partida. O problema parece ser mais do foro psicológico. Registe-se, ainda assim, o seu enorme crescimento no processo defensivo. É hoje um jogador mais maduro e com condições para explodir para uma grande carreira, o que esperemos que aconteça nesta reta final da temporada.

  17. Hernâni: tal como Oliver, tarda em demonstrar o seu potencial. Aceleração estonteante, pé esquerdo com qualidade, precisa de definir melhor no momento da verdade. Quando deve passar, chuta; quando deve rematar, passa. Precisa de minutos, tal como Sérgio Oliveira precisou. O problema é que a temporada está quase no fim e agora é a doer.

  18. Brahimi: um génio. Só que os génios, tal como os grandes compositores, não constroem obras-primas todos os dias. Yacine sofre da síndrome de quaresmite aguda: só joga para a genialidade, a vida mudana não lhe interessa. Mas precisa de trabalhar essa parte do jogo, para perceber aquilo que Picasso ensinava: “A inspiração quando vem, encontra-me sempre a trabalhar”.
    Dizendo isto, que fique claro que o argelino é um dos jogadores-chave da época até agora, causando o pânico nas defesas adversárias. A bola colada ao seu pé vai ficar para sempre gravada na memória dos portistas.

  19. Otávio: o génio do brasileiro está finalmente a vir ao de cima. Começou a época de gatas fisicamente, mas assim que se livrou das lesões começou a demonstrar o porquê de ter sido resgatado ao Guimarães. O pequeno criativo é ainda uma incógnita, mas tem tudo para se tornar num jogador marcante no clube, mesmo sabendo que jogadores de perfil 10 são cada vez mais raros no futebol mundial.

  20. Waris: viu-se pouco do ganês, mas o pouco que se viu foi positivo. Vontade de ir a jogo, comprometimento, solidez, capacidade de aparecer na área. O golo ainda não apareceu, mas podia ter surgido perfeitamente. Dos 4 reforços de Inverno, foi o que mostrou mais até agora.

  21. Aboubakar: provou, para quem tinha dúvidas, que a sua dispensa para a Turquia foi um erro colossal, uma decisão de gestão absolutamente danosa para o clube. Vicent é um diamante e tem tudo para se tornar num ponta-de-lança de referência do clube. Ainda não é um matador nato, joga demasiado fora da área e por vezes parece cansado no momento em que deve aplicar o killer instinct. Mas esse é também o registo que um PL de Sérgio Conceição deve apresentar. Começou a temporada em grande estilo, aterrorizando as defesas adversárias, mas foi perdendo a explosão. E o africano, perdendo a dimensão física, apaga-se um pouco. A concorrência não lhe tem dado descanso e Vincent sabe que não pode dormir à sombra da bananeira.

  22. Soares: uma trajetória oposta à de Aboubakar. Começou mal, mas aparece agora em grande nesta reta final. O episódio no banco com o Mister ia-lhe custando caro, mas o brasileiro acabou por ficar no Dragão e em boa hora o fez, pois, os seus golos têm sido preciosos. Soares necessita de realizar uma temporada inteira sem lesões para percebermos se temos aqui um Mielckarski/Jankauskas ou um Derlei/Lisandro. Inclino-me mais para a segunda hipótese.

  23. Gonçalo Paciência: os portistas aguardam com expectativa este regresso. Sendo um filho da casa, as bancadas babam só de ouvir o seu nome. A sua saída de Setúbal pode ter-lhe roubado um lugar no Mundial, pois Aboubakar, Soares e Marega são concorrência duríssima de bater para um jovem que pela primeira vez estava a ter uma sequência de jogos digna desse nome. Couceiro diz que, para ele, há 3 grandes jogadores portugueses: CR, Quaresma e Gonçalo Paciência. Ninguém pode dizer isto da boca para fora. O Gonçalo é um talento, um talento que, tal como Sérgio Oliveira, pode demorar a explodir, mas que está lá à espera de quem o desvende. Poderá ser esta época ou na próxima. Veremos o que o futuro nos reserva.

  24. Marega: o jogador mais decisivo da época, em minha opinião, e por isso fica para o fim. Simboliza, no fundo, o FC Porto de Sérgio Conceição, completamente desacreditado no início da época. Quando se comentava o facto de não se ter feito qualquer contratação, o comum adepto lá referia: “até tivemos que deixar o Marega no plantel!”.
    Ora bem: 20 golos no campeonato e um punhado de arrancadas e de amassos nas defesas são o melhor cartão de visita para aquele a quem chamavam de tosco e de pior-jogador-de-sempre-do-clube. Ora colado à direita, ora em cunha na frente de ataque (com Bouba ou com Soares tanto faz, ele não se importa), o maliano quer fazer sangue desde o primeiro ao último minuto. É de bico, de cabeça, de direita ou de esquerda, Marega tem o condão de ninguém conseguir adivinhar bem o que vai fazer, fruto da sua pouca escola futebolística. É um jogador pouco trabalhado que, na sua simplicidade e até alguma inabilidade, se transforma num grandíssimo jogador, capaz de pôr uma defesa em sobressalto. O Tribunal do Dragão dirá que o Marega não serve para a Champions, mas quem não ganha um título há 4 anos quer mais é que a Champions se #%&$...
    Lembro-me de estar na fila 3 do Dragão esta temporada e ver uma bola metida nas costas de Grimaldo. Ver os dois a correr era como observar um sénior e um juvenil. Marega veio dar esse punch e essa agressividade que faltava há muitos anos ao ataque do FC Porto, desde Hulk. Nem só de Quaresmas e Brahimis vive um clube de topo.
    “Mete o Marega” diziam os viscondes há pouco mais de 1 não. Pode ser que o tiro lhes saia pela culatra mais cedo do que imaginam.
Para terminar e para vos deixar a pensar:
Marega em PT: 111j/48g – marcou em 43% dos jogos
Marega no Porto: 46j/19g – marcou em 41% dos jogos
Marega no Porto este ano: 33j/18g – marcou em 56% dos jogos
Marega Vitória + Marítimo: 65j/29g – marcou em 44% dos jogos
Derlei Porto: 92j/39g = marcou em 42%
Derlei Portugal: 244j/104g = marcou em 42% dos jogos

Venha de lá o resto da época!

Rodrigo de Almada Martins