07 março, 2017

PADRES & MERETRIZES.


Bafienta, decrépita, em decomposição, dirão alguns desta minha crónica. Contudo, apesar deste meu exercício literário estar mais fora de tempo do que uma entrada do Talocha, não resisti a voltar ao lugar do crime mais comum no nosso futebol. O crime da falta de verticalidade que alguns actores persistem em abusar e tresandar.


Como primeiro personagem desta farsa, elejo um tal de Pedro Carmona, treinador espanhol de méritos ainda por reconhecer, que orienta a formação da Amoreira. Da recente visita portista ao campo do Estoril, se bem se recordam, o tópico principal de conversa dos diversos comentadores, paineleiros e bitaiteiros centrou-se na tracção meio-campista de NES, desabrochada pela abertura das alas a meio da segunda parte, que acabou por resultar na construção da vitória azul e branca. Da habitual hostil e persecutória comunicação social apenas a reprimenda para o apoio mais (demasiado) exaltado das nossas claques. Do nada, e sem razão ou suporte que o justificasse, aparece um tal de Sr. Carmona a apontar baterias para a arbitragem, clamando por penaltys imaginários e negando os verdadeiros, afiançando que "o árbitro e os assistentes não estiveram nos seus dias". Desculpas de mau perdedor, pensei eu na minha ingénua inocência.

Para minha surpresa, no último Estoril - benfica, um jogo de taça onde está em causa o acesso à final, renhido, em que a vitória cai para os encarnados ao cair do pano num lance tão mentiroso e falso, que até foi admitido implicitamente pelo próprio treinador benfiquista, quando se esperava que o Sr. Carmona exigisse a reintrodução da Santa Inquisição em Portugal com o árbitro amarrado à estaca, eis que a abordagem deste senhor às incidências do jogo conseguiu ultrapassar a benevolência das intervenções do Papa Francisco nas suas homilias. Relembrando as palavras do dito senhor "...os jogadores estavam a criticar pelo último golo, mas isso é o futebol. Evito perder tempo com as questões das arbitragens, senão vou estar todas as semanas a falar disso. Não é a minha função estar a comentar isso...".

Então porque raio se atirou à inócua arbitragem do Estoril - FCP?

Antes de prosseguir, e como manifesto de consciência, confesso que sou daqueles que acredita que a preferência clubística de um treinador ou jogador não interfere com o seu profissionalismo. Como exemplo, entre outros, temos o Prof. Jesualdo Ferreira, que apesar de assumido benfiquista, orientou com distinção o FCP, trazendo para o nosso museu 3 títulos de campeão entre outros troféus. Do outro lado da barricada, temos Luís Castro, treinador que iniciou a temporada com o nosso emblema, sendo inclusivamente ele o último treinador a ser campeão por uma equipa sénior do FCP, e no entanto, isso não o impediu de bater-se estoicamente com o seu agora Rio Ave em pleno Dragão, estando muito perto de nos roubar pontos. Isto são homens de carácter.


Em sentido contrário, temos um tal de Pepa, ex-jogador que militou obscuramente no slb, e que num aleivo de nostalgia, procurou como técnico de uma equipa da I Liga, obter o protagonismo que nunca teve no balneário encarnado. Vergonhosamente, em vez de trajar o fato de treinador Tondelense, preferiu o de adepto vermelho, proferindo um chorrilho de alarvidades e de fel surrealista, para gáudio dos seus correlegionários, mas absolutamente desfasadas do que verdadeiramente se passou em campo.

Mais uma vez, estranha-se que um par de semanas antes, em pleno estádio da Luz, o mesmo Pepa não tenha achado nada surreal no mergulho do André Almeida, sentido apenas uma orgulhosa "azia" por ser batido pelo seu poderoso benfica, quando até os próprios assumiram que estiveram numa tarde menos inspirada.

Se o treinador de Tondela se sente com ligeireza suficiente para lançar suspeitas ao vento, eu, como simples cronista, sinto a pluma das teclas cavalgar a minha vontade. O meu enfoque de análise é muito simples. A performance do Tondela frente aos ditos grandes desde que atingiu o patamar mais elevado do futebol nacional. Assim, nesta curta aventura tondelense, temos:


Se uns acham surreal penaltys efectivos serem marcados, outros acham incrivelmente surreal que uma equipa capaz de cerrar dentes e vender muito caro as raras derrotas com dois grandes do futebol português, se transfigure numa simpática e inofensiva equipa sempre que defronta o nosso rival encarnado. Em vésperas de subir ao parlamento um projecto-lei sobre a despenalização da prostituição, temos que concordar que nenhuma questão legal se levanta neste comportamento. Contudo a questão ética é deveras reprovável.

Encomendadas, avençadas, negociadas ou seguir o chamamento da cor do coração, a verdade é que são estas e outras situações semelhantes que permitem perpetuar a cortina de fumo mitológica em torno de frutas e apitos, enquanto que na sombra, obstáculos são combinados e atirados para a nossa frente, focados apenas na nossa queda. Seria assim no Bessa. Seria assim no Dragão no último sábado. A diferença destes jogos, para a nossa fase de nulos no campeonato chama-se competência. Competência da SAD que, apesar da parcimónia, finalmente dá mostras de ter despertado para defender os nossos interesses. Competência de NES que, para o bem ou para o mal, tem-se mantido fiel à sua filosofia desde que retornou ao Dragão, conseguindo formar um grupo coeso e unido com sede de conquistas.

Contra tudo e todos...

4 comentários:

  1. Muito bom post.Quando até os adversários são roubados e calam-se que mais se pode dizer? Quando um jogador do Feirense na luz completamente sozinho mete a bola na própria baliza que mais Sr pode dizer? Quando um jogador do Boavista a ganhar por 3-0 está à vontade e mete auto golo que mais se pode dizer? Quando inventam uma taça do tri que mais se pode dizer? Quando no Estoril por duas tochas pedem a interdição do Dragão e agora perante a pouca vergonha de Vila da Feira se calam que mais se pode dizer? É um país desportivo surreal com uma CS vendida em que a verdade desportiva é colocada para segundo plano desde que o vencedor seja o clube batoteiro do regime. Temos de denunciar o colinho e desmascarar esta podridão. Era bom que a UEFA soubesse do que aqui se passa para que esses calabotes não tivessem acesso às suas provas.

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  2. Caro Hugo Mota creio que não nos conhecemos mas sou o José Lima que assina uma crónica semanal no místicaazulebranca.pt e faço parte daquele grupo dos Encontros da Bluegosfera.
    Achei o seu artigo excelente quer pelo recorte literário quer pelo conteúdo do mesmo. Até me fez recordar os artigos da nossa amiga comum Júlia Guimarães (que também não conheço pessoalmente).
    Infelizmente já vivi in loco todos os problemas que o meu caro relata. Veja lá que até estive 19-anos-19 sem ganhar um campeonato. Foi naquele período em que as benesses dos árbitros eram repartidas pelos dois circos da capital.
    Sempre estiveram contra nós os pasquins desportivos, as emissoras de rádio, a caixinha que mudou o mundo e todos os "agentes" que se pavoneiam pelo futebol.
    Ainda hoje fiquei estupefato por ter visto uma reportagem com o senhor presidente da LIGA Portuguesa de Futebol Profissional. O referido senhor é presidente (suponho eu) de 32 clubes e não apenas do clube da treta a quem resolveu atribuir um troféu nunca antes visto no panorama do pontapé-na-bola nacional.
    Não me consta que tenha sido pago do seu bolso nem com o acordo dos clubes profissionais, afinal, os que pagam para sustentar lacaios desta natureza. Como sabe somos tetra e penta campeões nunca ninguém nos deu nada.
    Posto isto mais uma vez agradeço o seu artigo e espero que nos presenteie com muitos mais.
    Saudações portistas

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  3. Obrigado pelas palavras. Como cronista confesso que tenho que me disciplinar para manter os textos dentro dos limites do razoável. Pois se fosse dar largas à escrita para denunciar todo o mau cheiro que grassa na actualidade do futebol nacional, ultrapassaria de longe o volume dos romances do José Rodrigues dos Santos :-)

    Quanto à taça do tri... a sua existência, timming e discriminação para o nosso mais recente passado só merece um "No Comments" para não baixar o nível da escrita.

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