21 fevereiro, 2018

SOB A SOMBRA DOS CINCO.


Nesta última semana, quer parecer que o número 5 assentou arraiais no Dragão. Tanto por péssimas como por mais simpáticas razões. Metendo o coração de adepto no congelador, os últimos dois jogos foram em tudo semelhantes. Se os resumíssemos, em cada um deles existiu uma equipa mais forte de um lado, e outra arrojada e voluntariosa no outro. Em ambos, a goleada foi-se avolumando sem que tenhamos visto os favoritos suarem em demasia a camisola. Se continuássemos nestes jogos de espelhos e semelhanças, temos que numa delas, só a mais recente contratação de inverno (Van Dijk) representa quase todo o orçamento para o futebol portista. No outro oposto, só o suplente Óliver representa mais do dobro do orçamento para o futebol do Rio Ave. Cruas analogias racionais que ajudam a explicar em muito os seus resultados gélidos e pouco românticos.

Como parca consolação, mesmo que contra todas as probabilidades, prefiro ver uma equipa que almeja ombrear com os gigantes, apesar de correr o risco de que numa noite má possa por eles ser esmagada, do que jogarmos com os subterfúgios e a mesquinhez defensiva das mentes pequenas, com o ideal do empate ou a derrota mínima, deixando aos deuses (ou ao Nhaga) a possibilidade da vitória. O resultado da passada semana está longe de ser um exclusivo nosso. Todos os grandes colossos europeus algures já saborearam o travo amargo de tão dilatadas derrotas. Contudo, não foram esses desaires que os fizeram deixar de ganhar. Pelo contrário, nas grandes equipas a raridade do desaire é combustível maior e obrigatório para a sede de vitória.

Nesse aspecto, Sérgio Conceição e seus rapazes não nos defraudaram neste domingo. Tão, ou mais, importante do que a queda, é a forma como se levanta dela. O que vimos anteontem, foi um campeão (re)erguer-se no Dragão.

Já que o cinco nos destroçou, e nos devolveu um cândido sorriso, que o algarismo se mantenha depois do jogo de logo com o Estoril. 5 pontos de avanço para os rivais seriam uma importante almofada de conforto para alcançarmos aquilo que queremos, e merecemos. O título de Campeão!


Quem segue os meus escritos sabe que defendo sempre a inclusão dos melhores jogadores na equipa titular. Como tal, para além do resultado, no passado domingo demos um importante passo para fortalecer a equipa. Refiro-me obviamente ao regresso de Iker Casillas à titularidade. Para os detractores do espanhol, concordo que não será decerto com esta idade que Iker vai começar a acertar as saídas em todos os cruzamentos, ou que consiga colocar milimetricamente as bolas nas reposições. O que os "haters" terão também de concordar comigo, é que Iker vai dar aos colegas, algo que o jovem português ainda não é capaz, algo tão simples como dois estados de espírito básicos: Segurança e Confiança!

Apesar da mudança para melhor, longe de mim insinuar que José Sá seja um mau guarda-redes. Ou mesmo um caso perdido no FCP. Se compararmos, por exemplo, com Rui Patrício naquela idade, o jovem portista está num patamar superior. Decerto todos se lembram das "infelicidades" contínuas que o actual guardião do Sporting e da Selecção Nacional tinha no início da carreira. Apenas a insistência no jovem Patrício pelo Paulo Bento, mesmo com nomes mais ou menos cotados no banco, permitiu a sua evolução. Contudo, se o Sporting pôde (ou deu-se ao luxo) de investir cegamente na formação de um activo para agora tirar frutos, é uma opção leonina. No FC Porto queremos títulos. Não podemos andar a brincar com uma posição tão específica e fulcral numa equipa de futebol. Displicências dessas já nos custaram duas taças com NES e uma com o já desgastado Helton na baliza.

Felizmente, ao que tudo indica, ainda fomos a tempo de corrigir uma das (raras) opções erradas de Sérgio nesta temporada. Quanto ao futuro, decerto que José Sá ainda terá uma palavra a dizer.

Cumprimentos Portistas.

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