18 outubro, 2006

Barriga cheia...

E à 3ª jornada da 1ª fase de grupos da Liga dos Campeões, conquistamos a nossa primeira vitória ao batermos a equipe alemã do Hamburgo por 4-1.

A expectativa era grande, demasiado grande, atendendo aos dois anteriores resultados obtidos (empate e derrota) que nos colocava à entrada desta jornada apenas com 1 ponto amealhado e no fundo da classificação do grupo… por isso, este era um jogo de “vida ou morte” se queríamos continuar a sonhar com a passagem à 2ª fase desta competição.

O onze base foi o espelho daquilo que eu tinha imaginado (sonhado) no dia anterior, com a entrada de Fucile para o lugar de defesa direito, em detrimento do castigado disciplinarmente Bosingwa… e desta vez com 11 jogadores em campo, incluído que estava o Ricardo Quaresma ;-).
Muito cedo se percebeu que esta equipe alemã era muito macia, demasiado macia, talvez fruto de já não vencer qualquer jogo desde o passado mês de Maio, e por isso, cabia ao FC Porto as despesas do jogo e atacar com toda a força a muralha alemã.

Foi isso que aconteceu… logo aos 53 segundos, primeiro remate com perigo de Hélder Postiga e foi sempre este o sentido de jogo durante toda a 1ª parte, até que aos 14 min, nasce o 1º golo do FC Porto após uma arrancada de Anderson pela esquerda e que oferece o golo em “bandeja d’oiro” a Lisandro López… estavam abertas as portas do nosso sonho debaixo de uma chuva intensa… e estava obtido do 1º golo (!) na corrente edição da Liga dos Campeões.

O Hamburgo tentou reagir, tendo mesmo colocada a bola dentro da nossa baliza, mas o jogo há muito tinha sido interrompido por carga sobre Hélton. Mesmo sem fazer uma exibição fantástica, era o FC Porto que mandava e controlava o jogo a seu belo prazer, altura em que Anderson se lesionava e pedia a substituição (entrou Jorginho)

Mesmo em cima do apito para intervalo, uma estupidez monumental de um defesa alemão, coloca a mão à bola num lance sem qualquer perigo e grande-penalidade!!... Lucho encarregou-se de fuzilar as redes adversárias, colocando a vantagem agora em 2-0.

Na 2ª parte, o controlo do jogo passou a ser um objectivo prioritário do FC Porto, tendo entregue as despesas do jogo à equipe alemã, para assim tentar desferir ataques mortíferos que pudessem «matar» o jogo e foi o que veio a acontecer… primeiro, foi Hélder Postiga a marcar de cabeça após um fantástico slalom de Ricardo Quaresma (3-0)… depois, foi Bruno Moraes que tinha entrado para o lugar de Hélder Postiga a oferecer o bis a Lisandro Lopez (4-0).

Não vi… disseram-me… li que afinal, não ficou 4-0, porque entretanto já tinha saído do estádio aos 87 min… o Hamburgo ainda reduziu mesmo ao cair do pano para 4-1.

As minhas notas de destaque pela positiva vão inteirinhas para Hélder Postiga que continua a sua série fantástica de jogos consecutivos a marcar e para a tranquilidade demonstrada ao longo dos 90 minutos pelo estreante na equipa do lateral direito uruguaio, Fucile.

Ao fim de 3 jornadas, temos 4 pontos … a vitória do CSKA sobre o Arsenal, parece-me, veio baralhar as contas deste Grupo G, ou não, vamos esperar para confirmar… o próximo jogo comporta uma viajem à Alemanha e dado o que pudemos ver ontem desta equipe alemã, uma vitória está perfeitamente ao nosso alcance, o que a acontecer, nos relançará de vez na luta pelo apuramento.

Miguel Sousa Tavares - Nortada

20.45 TMG

1 - Às 20.45 europeias de hoje, 19.45 em Portugal, Benfica e FC Porto começam a poder fazer contas e a antecipar o que poderá vir a ser, em grande parte, a sua época europeia de 2005/06. A derrota nos respectivos jogos desta noite significará para ambos, quase inevitavelmente, a perspectiva de ficarem desde já limitados a lutar apenas pelo terceiro lugar no grupo e o prémio de consolação de acesso à Taça UEFA — no caso do FC Porto, mesmo esse objectivo de difícil realização. Em caso de vitória, ao Benfica abrem-se razoáveis perspectivas de poder chegar a um dos dois primeiros lugares do grupo, que dão continuidade na Champions. Ao FC Porto, a quem só a vitória pode rigorosamente interessar, ela por si só nada mais garante do que continuar na luta pelo segundo lugar, dependendo ainda de uma vitória do Arsenal sobre o CSKA para que as esperanças não sejam apenas aritméticas. Enfim, o empate não seria um mau resultado para o Benfica, que joga em Glasgow, no terreno do adversário directo na luta pelo segundo lugar, mas já para o FC Porto significaria o fim de qualquer ilusão. A experiência mostra que começar a Champions em casa é uma vantagem, desde que não se deixe fugir a vitória; em caso inverso, significa quase sempre deixar fugir a qualificação. O empate inaugural do FC Porto contra o CSKA soou como uma pré-sentença de morte e, a partir daí, a equipa ficou obrigada a correr atrás do prejuízo, não desperdiçando mais pontos em casa e tentando ir resgatar fora os que perdeu na primeira jornada. Por isso, o jogo de hoje é para os portistas de vida ou morte: tudo o que não seja uma vitória sobre o Hamburgo deixá-los-á na unidade de cuidados intensivos. Quanto ao Benfica, na eventualidade de uma derrota contra o Celtic, poderá vir a lamentar, como aqui previ na altura, os dois pontos deixados em Copenhaga, num jogo e frente a um adversário em que a vitória estava perfeitamente ao seu alcance mas em que se limitaram a jogar para o empate. Diferente, para bem melhor, é a situação do Sporting, que passará de confortável a excelente se amanhã tiver engenho e coragem para levar de vencida o Bayern, em Alvalade.

2 - Assinale-se que foi mais uma jornada sem casos de arbitragem nos jogos que envolveram os grandes, o que é sempre de aplaudir. Aliás, já lá vão cinco jornadas e ainda não houve um caso controverso em qualquer dos jogos envolvendo FC Porto e Benfica. Apenas com o Sporting houve dois erros de arbitragem com influência directa no resultado — um beneficiando-o, o outro prejudicando-o. Contas feitas, o saldo destas cinco jornadas é anormalmente positivo. Que assim continue!

Não vi o Jogo do Benfica em Leiria, que me dizem ter sido o melhor dos encarnados, desde há muito tempo. Vi bocados da segunda parte do jogo do Sporting no Estoril, que me pareceu cientificamente jogado para o resultado, face a uma equipa menos do que banal. Já o jogo do FC Porto, obviamente, vi-o todo. Vi um Postiga autor de dois excelentes golos, o que a mim, devo dizê-lo com toda a sinceridade, me surpreende: já estava conformado com um Hélder Postiga capaz de passar jogos inteiros a fugir da zona de responsabilidade do ponta-de-lança e sem nunca correr o risco de rematar à baliza. Será possível que um jogador ressuscite de quatro anos de frustração? Oxalá que sim! Vi também o regresso simbólico do Bruno Moraes, cujos únicos 50 minutos jogados num particular, na Holanda, me deixaram a pensar que ali estava o único ponta-de-lança fiável do plantel azul e branco, no caso de alguém conseguir deslindar o mistério da sua permanente indisponibilidade física. Enfim, vi também mais uma exibição exuberante desse menino Anderson, um prodígio como há muito não via em estádios portugueses, e vi mais uma exibição apagada, quer do Quaresma quer do Lucho, ambos verdadeiramente irreconhecíveis esta época. E, que me desculpe Jesualdo Ferreira, mas continuo a não ver qualquer ideia ou estratégia pensada no jogo do FC Porto, cujos jogadores dão a sensação de não saberem o que hão-de fazer em cada momento do jogo.

3 - Verdadeiramente aterrador o resultado do exercício 2005/06 apresentado pela SAD do FC Porto: 30,4 milhões de euros de prejuízo, ou seis milhões e oitocentos mil contos, na moeda antiga. Mais assustador ainda, foram as razões apresentadas para este défice de exploração: o afastamento na primeira fase da Liga dos Campeões e o facto de se ter optado por não vender nenhum dos grandes jogadores (o que não é bem correcto, visto que sempre se vendeu o McCarthy e o Diego e só se compraram segundos ou terceiros planos). E assustador, porque isto significa que a SAD do FC Porto assume só conseguir equilibrar as contas, ou ao menos menorizar os prejuízos, através de receitas extraordinárias, que espera conseguir realizar todos os anos. Ou seja, tal como o País, o FC Porto vive com o que não tem, acima das suas possibilidades. Mas, enquanto o País já começa a reagir e o objectivo principal da politica financeira é hoje reduzir o défice das contas públicas até chegar ao ponto de equilíbrio, já no FC Porto continua a contar-se com a venda extraordinária do património ou com epopeias desportivas para poder continuar a gastar o que se gasta no resto. Aparentemente, o FC Porto só é viável financeiramente se conseguir vencer a Liga dos Campeões ou se conseguir vender um jogador por milhões. Só que nem de dez em dez anos se ganha uma Liga dos Campeões e nem de cinco em cinco anos aparece um Deco ou um Anderson. E, aliás, uma e outra coisa são incompatíveis: não se pode ganhar uma Liga dos Campeões sem um Deco ou um Anderson. Dir-me-ão que também se pode ganhar primeiro com eles e depois vendê-los. Pois pode: mas para ganhar a taluda duas vezes só mesmo alguém que compra os bilhetes premiados depois do sorteio, para lavar dinheiro.

4 - É sempre assim: primeiro, passa-se o mandato inteiro em campanha eleitoral para o mandato seguinte e a fomentar o culto da personalidade, até um ponto tão extremo e tão ridículo que só o próprio é que não se dá conta disso; depois, ameaça-se constantemente com a demissão, para logo suscitar jantares de apoio e movimentos de desagravo; repete-se até à exaustão que o clube não pode ser entregue a aventureiros nem ambiciosos, e que só por isso é que ele não abandona, conforme é seu veemente desejo; enfim, depois de assim ter secado tudo à roda e atingir a triste condição de candidato único, entra-se em pânico ao aperceber-se subitamente que a resposta dos eleitores a uma pugna tão entusiasmante pode vir a ser uma abstenção inconveniente. Chatices da democracia.

# in Jornal “A Bola”, 2006.10.17

17 outubro, 2006

Manter o sonho... vivo!!

FC Porto vs Hamburgo

Mais logo, quando o relógio da Igreja das Antas marcar em ponto 19h45, estaremos a escassos 90 minutos de saber o que nos reserva o futuro próximo… o céu ou o purgatório!

Disse ontem o nosso Prof. Jesualdo Ferreira que o “jogo com o Hamburgo não é decisivo, mas importante”… permita-me que discorde meu caro, porquanto depois dos resultados obtidos nas 2 primeiras jornadas (em 6 possíveis, conquistamos apenas 1), uma vitória hoje é vital e crucial para mantermos intactas as esperanças de seguir em frente para a 2ª fase da Liga dos Campeões. Portanto, deixemo-nos de jogos de palavras e em vez de começar a incutir “cautelas e caldos de galinha” na mente dos jogadores, há que não ter medo de assumir que este jogo é para ganhar com as letras todas.

A minha aposta para o onze titular passaria por: Hélton, Fucile (Ricardo Costa), Pepe, Bruno Alves, Marek Cech, Raul Meireles, Lucho, Anderson, Ricardo Quaresma, Hélder Postiga e Lisandro.

Lá estarei… lá estaremos todos para te apoiar Mágico FC Porto… não nos desiludas!!

PS1 – Parece que o Zé afinal andou a esticar-se no intervalo do jogo de sábado passado… disciplina férrea para se ganhar o respeito de todo o plantel e mais nada… quem está bem, está!!... quem não estiver, que se ponha!!

PS2 – Os parabéns, ainda que atrasados para mais um aniversário do nosso carismático Vítor Balizas… felicidades!!

PS3 – CaXaNa… lembras das “axilas”?... o DRIONIC é uma fórmula eficaz e podes depois aproveitar para o usar nas tuas outras zonas axilares… ahhh, e já me esquecia, tem direito a devolução até 45 dias… LOL… clica aqui .

PS4 – dEsViRa… já alterei o vídeo do YouTube que a meio da tarde, foi apanhado na malha pidesca… eu e o Miau arranjamos-te mais uns “biscoitozinhos” para tu saboreares as vistinhas… LOL

16 outubro, 2006

15 outubro, 2006

Madeira… rachada ao meio



Depois de 2 derrotas consecutivas, este jogo ante o Marítimo assumia uma dupla importância na antecâmara de 4 jogos cruciais para o FC Porto, frente ao Hamburgo, Sporting, Benfica e novamente Hamburgo.

Digamos que foi um FC Porto de nível médio (baixo) o que ganhou por 3 golos sem resposta, golos estes facturados por Hélder Postiga por 2 vezes (34 e 84 min) e Lucho (62 min) através de uma grande penalidade a castigar derrube sobre Hélder Postiga.

Da forma como o FC Porto entrou em campo e o Marítimo se estendeu pelo rectângulo verde, cedo deu para perceber que só um cataclismo nos iria impedir de garantir os 3 pontos em jogo e garantir o regresso às vitórias.

A 1ª parte permitiu-nos ver um FC Porto com um maior atrevimento, garra e determinação do que o apresentado nos últimos 2 jogos, e nunca permitindo grandes veleidades ao Marítimo em sair da sua área. Em virtude dessa atitude, foi com alguma naturalidade que o “motivadíssimo” Hélder Postiga inaugurou o marcador através de uma bela assistência do «central» Pepe. Até ao intervalo, apesar de mais algumas jogadas com perigo, o jogo manteve-se com o mesmo resultado de 1-0.

Na 2ª parte, entramos mal em jogo, o que foi dando alguma “liberdade para sonhar” aos maritimistas, apesar de nunca ter incomodado verdadeiramente nossa a baliza. Foi nesta altura que o nosso treinador resolveu mexer pela 2ª vez na equipa, tirando de jogo Lisandro e colocando Paulo Assunto (substituição muito contestada pelos presentes, menos por mim, porque tal como o Prof. Jesualdo, entendia que era precisar colocar gente no meio-campo para «acalmar» o nosso jogo e estancar subidas no campo da equipe adversária). Aos 62 minutos, Lucho, através de uma grande penalidade a castigar derrube de Gregory a Hélder Postiga, elevou a conta para 2-0.

Foi então tempo para o regresso aos relvados de Bruno Moraes, após uma longa ausência devido a lesão. Mesmo a manter um nível médio (baixo) na exibição, Anderson aos 84 min, resolveu tirar mais um daqueles passes de magia e colocar Hélder Postiga em jeito para elevar a conta para 3-0. Estava feito o resultado final.

Em resumo final, resta-me dizer que mais que a exibição de nível médio (baixo), o que importou mesmo foi o recuperar da moral para o próximo jogo que iremos realizar na 3ª feira no Dragão, em que defrontamos a equipa do Hamburgo para a 3ª jornada da Liga dos Campeões… um jogo de “vida ou de morte”.

PS1 - O prémio “banana da Madeira” vai para o treinador visitante, Ulisses Morais, que procurou justificar a pobreza de atitude da sua equipe com aquela frase ao melhor estilo do defunto «Donos da Bola», "O segundo golo do FC Porto é mentira"… pobre coitado!!

PS2 - O momento mágico da noite vai inteirinho para as faixas erguidas pelo Colectivo, segundos antes do início do jogo, em homenagem ao ex-capitão do FC Porto: “Jorge Costa - serás sempre uma bandeira do clube. Pela tua carreira o nosso obrigado.”… sublime, meus caros!!

13 outubro, 2006

Obrigado Sr. FC Porto

Jorge Costa... um Capitão para a vida !!

Obrigado Sr. FC Porto, como lhe chamou Adriaanse, obrigado por tudo. Por todos os roubos de bola, por todas as vezes que saltaste mais alto do que o adversário, por todas as vezes que te sacrificaste em prol do nosso emblema e por todos os golos que marcaste.

Quando faço um pequena analise a estes anos todos que já levo de acompanhar o meu clube, reparo que o “Bicho” esteve presente em quase todas as alegrias que fui orgulhosamente sentindo.

O grande capitão, tão amado por portistas e tão odiado pelos outros, é, juntamente com mais alguns, poucos é verdade, nomes do panorama nacional, um autêntico símbolo da mística do seu clube. Contrariamente a outros como Figo ou Rui Costa, o nosso embaixador fez a sua carreira quase na totalidade a vestir as cores do seu/meu clube. Isto é motivo de orgulho para qualquer adepto azul e branco.

Duro, impulsivo, abnegado e autoritário quando necessário. Estas características tão particulares fizeram dele um dos melhores capitães da história do futebol nacional. Dentro do balneário, segundo diz quem com ele teve o privilégio de treinar, foi sempre um líder disposto aos maiores sacrifícios e um homem invulgar na transposição da mística portista.

Dentro de campo foi sempre um dos maiores símbolos do que um jogador pode ser – o jogador da entrega total. Um autentico armário para os adversários e um autentico dragão para os que sentem as suas cores no coração.

Infelizmente, não acabou a carreira da forma a que tinha direito. Depois das lesões, depois de Octávio e depois de ter sido obrigado a jogar no Charlton regressou em beleza para ser um dos esteios do sucesso do FC Porto de Mourinho. Este percurso obrigava à continuidade no plantel e à consequente festa de homenagem.

O Bicho merece ter o Dragão cheio até às costuras a bater palmas de pé. Espero que esse dia chegue brevemente...

Obrigado, Sr. Bicho!!!


11 outubro, 2006

Uma visão... a duas cores

Contas… negras

A SAD do FC Porto fechou as contas do exercício 2005/06 com um prejuízo de 30,4 milhões de euros. A justificação para tal situação, dizem, deve-se ao facto de o FC Porto ter estrategicamente optado pela manutenção dos principais valores do plantel para venda em segundas núpcias.
Admito que sou um Portista do “pão e circo”… o que me interessa e sempre interessou desde a primeira hora que memorizei no meu chip-mental este mágico FC Porto, são as vitórias, os troféus, as conquistas… de números, pouco percebo, e admito, pouco me interessam. Não obstante, gosto de ouvir e ler muito atentamente os entendidos nestas matérias, por uma questão de curiosidade e obviamente até de aprendizagem.
Sinceramente, já li e ouvi tanta coisa dispare, que não consegui ainda entender se este prejuízo à luz das opções tomadas, será péssimo ou até nem é assim tão mau quanto possa parecer. Bem ou mal, há situações de tal forma anómalas para as quais não consigo encontrar qualquer explicação plausível e justificável… são questões/dúvidas que parecem nunca ter uma resposta. Na minha legitima opinião de simples leigo nesta área, mantenho que há muito que temos uma «$AD» e não uma «SAD»!!!
Tenho a certeza absoluta de um meu sentimento: enquanto os ridículos e os escamas se "espumarem" sempre que ouvem o nome "Pinto da Costa", podem estar certos, essa será sempre a pessoa que tem o meu voto para Presidente do meu FC Porto… no dia em que os ouça a elogiar um tal de "Pinto da Costa", essa pessoa deixará de ter o meu voto para Presidente do meu FC Porto.

Pavilhão… desejado

Foi anunciado pelo FC Porto que no inicio de 2007, se nada de anormal vier a acontecer, se irão iniciar as obras de construção do nosso novo pavilhão multiusos que permitirá novamente voltar a agregar todas as modalidades, porque basta de as nossas ditas «modalidades amadoras» andarem com as casas às costas… basta!!! Estou farto de hóquei em Gondomar, andebol em Santo Tirso, basquetebol em Matosinhos, etc, etc, etc… basta!!! O projecto do mesmo vai manter os traços do Arq. Manuel Salgado, que concebeu o novo estádio, e irá respeitar o mesmo conceito de vanguarda e funcionalidade que esteve na base do Estádio do Dragão. A construção do mesmo está prevista para bem juntinho ao Estádio do Dragão, do lado nascente, com vista para a VCI.
Que comece logo!

Anderson… livre

Quando começava a assustar a ideia de Anderson poder vir a falhar os próximos 4 jogos do FC Porto (Marítimo, Hamburgo, Sporting e Benfica), a CBF, em virtude da pressão exercida por diversos clubes a nível mundial, cancelou o estágio da selecção de Sub-20 que iria decorrer até ao dia 28 de Outubro.
Ufffaaaa… excelentes noticias para todos nós, em virtude dos importantes compromissos que se avizinham, e atendendo ao mau momento, que esperamos tenha sido passageiro, do nosso futebol actual. O próximo compromisso dos Sub-20 da Canarinha só irá ocorrer no início do próximo ano… até lá, estamos «salvos».

Hóquei… Hexa

Depois de no sábado passado termos conquistado a 14ª Supertaça de Portugal, ao derrotar a Juventude Viana por 4-2, damos hoje inicio à caminhada a caminho do hexacampeonato, facto inédito em Portugal. Desde há muito tempo que o FC Porto assumiu a hegemonia do hóquei em patins em Portugal, e mais uma vez, assume-se como natural favorito à conquista do 6º título consecutivo. Este ano, tal como aconteceu já por uma vez há 20 anos atrás, o campeonato vai disputar-se no novo modelo de play-off… eles bem que tentam quebrar de alguma forma a nossa fome de vitórias, mas não conseguirão!!

PS1 – Eheheh… desculpem a piada mas não consigo resistir: “Ó Xocolâri, chupa essa agora, anda lá!!”… Polónia, 2 - Xocolâri, 1… a teta chamada espinha dorsal do FC Porto que ganhou tudo em 2003 e 2004 acabou-se meu leproso, secou, entendes?... agora meu otário, tens que mostrar na verdade o que vales (?!) ou confirmar o que em meu entender já evidenciaste há muito: em termos futebolísticos, vales muito pouco ou quase nada… desta vez, nem as santinhas te valeram, mas tiro-te o chapéu por teres conseguido e continuar a iludir a «portuguesada parola, bacoca e anti-porto» durante estes anos. Parabéns!!... continua, que vais bem!!

PS2 – Sub-21… grandes putos!!!... em vocês, sim, tenho orgulho!!... Parabéns!!

A voz paternal de Jorge Nuno Pinto da Costa

Um olhar sobre a Grande Entrevista...

Sim, é a voz paternal que se faz ouvir na hora certa. Deixou que as águas acalmassem e aí está ele presente bem ao seu estilo. Gostei principalmente da naturalidade com que comenta o "Processo". Dá-me a esperança de que o seu comportamento não saiu “excessivamente” dos eixos, como querem fazer supor, todos os outros pontos de vista estranhos a nós...Isso é bom, é retemperador e permite encarar os novos desafios com outra predisposição e alento.

Sendo assim o Projecto “Pavilhão Multi-Usos” poderá vir a ser aquele espaço – se bem pensado e articulado – que muitos de nós julgam ser necessário para dinamizar e fazer voltar a existir o "lugar comum", o "Areópago" onde todos os Portistas se podem encontrar, fora dos períodos normais dos jogos e discutir em conjunto e com o calor humano indispensável, todos seus pontos de vista.

A projectada estrutura de ligação – viaduto – unindo o recinto do Estádio do Dragão ao lado de lá da Via de Cintura Interna onde será construído o Pavilhão, seria "Ouro sobre o Azul" seria uma "via superior de circulação e encontro” de todos os Portistas e poderia ser denominada como a “Grande Ponte do Porto”.

Lá ao longe o Rio de Ouro e a Vila Nova de Gaia terra/extensão do Porto e representada no Brasão da cidade como uma das Torres ou Castelos que amparam a Virgem padroeira da Cidade, porque entre os dois locais existe apenas o Rio, que as separa e une simultaneamente, pois lá bem nas profundezas das águas se olharmos atentamente, é tudo uma terra só.

1abraço

Zé... Mineirão

Sábado passado… Restaurante “Mineirão”… Cais de Gaia… rodízio... caipirinhas… ambiente 5 stars… animação qb… música extasiante… vistas adoçicadas e quentes, demasiado quentes (LOL)… nós estávamos lá… o «emplastro» também com a sua bola de futebol… o Zé chegou «muito mal acompanhado», diga-se de passagem… alvoroço na nossa mesa… aquele cumprimento em uníssono “Ó Zééééééé!!”… bate-papo da praxe com o típico “tu prá qui, tu prá lá” … e aqui está a prova desse momento:


PS – Não estávamos todos… faltavam alguns «miguelitos costumeiros»... Bicho e Azul… nem sabem o que perderam ;-)

Miguel Sousa Tavares - Nortada

Assim vai o FC Porto…

Aproveitando esta pausa no futebol nacional, procedo a um primeiro balanço deste início de época do FC Porto - no plano desportivo e não só - seguindo a par e comentando os temas abordados por Pinto da Costa, na longa entrevista ontem concedida ao jornal O Jogo e com a qual quebrou um silêncio de meses.

As duas derrotas seguidas, em Londres e em Braga, também foram vistas com preocupação pelo presidente portista. Em especial a segunda, em relação à qual ele até se permitiu uma rara critica à falta de atitude da equipa, afirmando estar confiante de que a mesma se não repetirá. De facto, houve uma falta de ambição e de atitude, mas que não foram os únicos factores das derrotas. Em ambos os jogos, particularmente contra o Arsenal, a equipa também mostrou que lhe faltam jogadores de qualidade em alguns lugares-chave e o próprio treinador cometeu erros de aprendizagem em ambos os casos: em Londres, mudando o esquema habitual para reforçar a capacidade defensiva, e em Braga, experimentando o Anderson como ala-direito - duas apostas falhadas.

A contratação de Jesualdo Ferreira por um só ano e depois de ter pago um milhão de euros de indemnização ao Boavista, não foi explicada por Pinto da Costa. Assim como não o foi o facto de ter sido preciso um empresário para negociar com o Boavista, em vez da negociação directa.

A surpresa do comportamento de Co Adriaanse, pode ter sido uma surpresa para todos, como diz Pinto da Costa, mas está dentro da lógica do seu comportamento habitual e que teve sempre muito pouco de lógico e bastante de intempestivo e desequilibrado. Coisa que só parece ter escapado ao presidente portista.

As dispensas dos jogadores, impostas por Co Adriaanse e aceites por Pinto da Costa, já se sabia que iam ser um erro quando foram feitas — particularmente as de McCarthy e Hugo Almeida, quando o clube andava à procura de um ponta-de-lança e não encontrou nenhum (já agora, é um mistério como é que o Hesselink custava 8 milhões de euros para o FC Porto e só custou 5 milhões para o Celtic).

As vendas de Anderson e dos outros em relação aos quais o clube recebeu propostas no defeso (Quaresma, Lucho e Helton — vejam lá como os interessados não são parvos e só querem os bons...), ficam suspensas para já, no dizer do presidente portista, que explica e bem que é um erro, para o clube e para os jogadores, vendê-los cedo de mais. Em relação jóia da coroa, o Anderson, Pinto da Costa desmente a informação que eu aqui havia veiculado de que constava que o FC Porto teria vendido recentemente 10 por cento do seu passe. Afinal, comprou mais 15 por cento, estando agora detentor de 85 por cento. Eis uma boa notícia para os portistas. Não que isso impeça a sua venda próxima ou inevitável num futuro breve, mas ao menos será melhor negócio.

Sobre compras de jogadores efectuadas esta época, Pinto da Costa não fala nesta entrevista. Mas o tema é interessante, porque se o grosso dos accionistas está disposto a encaixar mais um exercício com «elevado prejuízo», que em breve será revelado, e em troca de se manterem no clube os activos representados pelos seus principais jogadores com mercado, também é verdade que talvez não houvesse prejuízo com uma melhor gestão das compras. Volto a dizer que não entendo porquê que se compra uma série de jogadores numa época (Paulo Ribeiro, Ezequias, Diogo Valente, Fucile, João Paulo, Tarik) nenhum dos quais tem valor para se impor como efectivo na equipa. E não percebo como é que, com três defesas-esquerdos no plantel, se deixa ir embora o César Peixoto, com provas dadas como defesa e como extremo e depois de um ano a recuperá-lo clinicamente, e se deixa continuar emprestado no Brasil, com parte do ordenado a pagar pelo clube, outro jogador com provas dadas, como o Leandro. E, depois de abrir mão dos dois, se vai comprar... o Ezequias.

As dívidas do Dínamo de Moscovo que julgo ter sido a primeira vez que foram mencionadas por Pinto da Costa, é também um tema preocupante. O FC Porto vendeu ao Dínamo, a dois tempos, o Costinha, o Maniche, o Derlei e o Seitaridis. Pelos vistos, vendeu sem as devidas garantias de pagamento e voltou a vender mesmo depois de o Dínamo não estar a cumprir os primeiros pagamentos. Entretanto, o Dínamo já revendeu o Costinha e o Maniche para o Atlético de Madrid e ocorre perguntar se esses dois já estariam pagos ou se o Dínamo fez dinheiro com jogadores que não pagou e sem que o FC Porto tenha assegurado o seu direito de regresso em relação ao Atlético de Madrid. A queixa à FIFA, por si só, não assegura o pagamento e o fraco rendimento dos atletas portugueses ao serviço do Dínamo não deve motivar muito os russos a pagarem as suas dívidas.

Sobre o «Apito Dourado», Pinto da Costa refere que, das onze certidões extraídas para eventual procedimento disciplinar contra ele, nove foram já arquivadas sem que ele tenha sequer sido ouvido, o que significa que os magistrados do Ministério Público entenderam não haver matéria para a instauração de processo. Restam, portanto, duas. E resta conhecer toda a documentação sobre o Apito Dourado, a transcrição de todas as conversas escutadas a toda a gente e ouvir todas as defesas, para se perceber se há matéria criminal ou simplesmente disciplinar, se houve corrupção ou apenas tráfico de influências, se tudo era uma batota organizada e quase generalizada ou apenas a habitual bandalheira tão portuguesa das cunhas e empenhos, centradas na figura tutelar do major Valentim Loureiro.

Sobre a defunta Direcção da Liga de Clubes, Pinto da Costa é certeiro e incisivo. Foi obra congeminada a duas mãos entre Valentim Loureiro e Luís Filipe Vieira — que depois disse «querer regenerar a Liga que ele próprio havia feito». E, porque nesta direcção perdeu o poder que detinha na anterior, passou logo a inimigo declarado desta, antes mesmo que ela tivesse mexido uma palha.

Eis o universo portista na actualidade, passado em revista pelo seu presidente e acrescentado dos meus comentários. Percebe-se que os tempos dourados de Mourinho, no futebol, não voltarão tão depressa. Percebe-se, e percebe-se mal, que a situação financeira é má e que não se aproveitaram os lucros excepcionais conquistados nos anos de ouro de 2003 e 2004. Os tempos são de transição, tentando consolidar a supremacia interna, sem grandes veleidades europeias. Quando, com apenas dois jogos disputados na Liga dos Campeões, o próprio Pinto da Costa vem dizer que o objectivo mínimo é o apuramento para a Taça UEFA, os sonhos não podem ser o que já foram até há ainda bem pouco tempo.

# in Jornal “A BOLA”, 2006.10.10

Uma grande entrevista ao nosso Presidente

O actual momento dos campeões nacionais foi apenas o ponto de partida para uma entrevista em que o presidente portista fala de tudo. Da saída de Adriaanse, à entrada de Jesualdo passando pelas propostas para a venda de jogadores, pela hipótese de recandidatura e pela inevitável resposta aos ataques de que tem sido alvo.

A poucas semanas de completar 25 anos à frente do clube, Pinto da Costa ainda tem projectos para cumprir. Até ao final do actual mandato, o presidente portista pretende reforçar a marca FC Porto e reestruturar todo o edifício do futebol portista sem descurar por um instante os resultados desportivos até porque, como diz, não vive "da gestão dos êxitos do passado". Numa longa entrevista, fala do futuro, da hipótese de recandidatura a um novo mandato, da construção de um novo pavilhão gimnodesportivo e da consolidação de uma equipa que devolva o clube ao papel principal nos palcos nacionais e europeus. E fala do presente para fazer algumas revelações inéditas, como a de garantir que Jesualdo Ferreira tem futuro no FC Porto muito para além do contrato de um ano que assinou, ou que Anderson não está à venda, muito pelo contrário. Tudo sem deixar de lançar um olhar crítico sobre as mais recentes polémicas do futebol português, nem se esquecer de devolver à procedência os ataques de que tem sido alvo. Um discurso optimista, mas que não esconde o facto de nem tudo serem rosas. Como, por exemplo, as últimas derrotas da equipa principal. O ponto de partida.

Pinto da Costa não gostou da atitude de alguns jogadores, mas está tranquilo... "Braga não se repetirá de certeza absoluta"

Depois de uma excelente arranque, com a conquista da Supertaça e quatro vitórias no campeonato, o FC Porto sofreu duas derrotas consecutivas. São resultados que o trazem preocupado?
Não, de todo, até porque nos temos que enquadrar na realidade. E a realidade é que a equipa jogou no ano passado sob um determinado sistema totalmente diferente do actual, que começou a temporada sob o princípio de que seria esse o sistema e preparando-se para ele e que, de repente, sem que nada o fizesse prever, o técnico desapareceu - nem se pode dizer que se demitiu porque saiu porta fora e não falou com ninguém responsável - portanto tivemos, nessa emergência, que encontrar um técnico dentro do perfil que idealizamos. Como é natural, esse técnico tem as suas opções, tem as suas regras e sua forma de preparar a equipa que é diferente do antecessor. Isso levou-nos a estabelecer um período de transição que terminava agora, com a paragem do campeonato à quinta jornada para os compromissos das selecções. Creio que apesar de termos perdido em Braga o saldo é positivo dentro das nossas expectativas. Tínhamos três saídas em cinco jogos. Vencer duas delas, uma das quais tínhamos perdido no ano passado, é positivo. Agora, como é evidente, tanto eu, como o técnico e certamente os jogadores, queremos mais e exigimos mais.

Mas foram duas derrotas claras e isso certamente não pode ser considerado normal...
A derrota no Arsenal tem que ser considerada, não normal, porque uma derrota nunca é normal, mas compreensível, na medida em que o Arsenal foi finalista vencido da Liga dos Campeões, é uma equipa poderosíssima e fez um grande jogo, o que elimina qualquer hipótese de falar em escândalo. Agora, em Braga, perder até pode não ser muito anormal, mas houve uma forma de encarar a partida por parte de alguns jogadores que levou a que, no final do encontro, tenhamos que reconhecer que o Braga venceu bem, porque todos os que estiveram em campo deram o máximo e quando assim acontece, se não houver o mesmo empenho do outro lado, ganha-se. Já reflectimos todos, técnicos e equipa incluídos, sobre o que se passou e tenho a certeza absoluta que não se vai voltar a repetir.

Essa derrota em Braga aconteceu no início de um ciclo particularmente complicado para o FC Porto, com dois clássicos na agenda. Isso é motivo para preocupações especiais?
Não. O campeonato é uma prova de regularidade na qual temos que jogar contra todos os adversários. Se os clássicos acontecem em Março ou em Janeiro é indiferente, porque no final é que se fazem as contas e não vejo aí nenhum motivos especial de preocupação. A equipa tem que reagir a estas duas derrotas e estou certo que já no próximo jogo, com o Marítimo, a atitude vai ser totalmente diferente daquela que vimos em Braga.

A sucessão de lesões em jogadores importantes também pode ajudar a explicar as dificuldades sentidas?
Temos sido muito infelizes a esse nível. O Pedro Emanuel, que é fundamental para a coesão defensiva da equipa, lesionou-se com gravidade ainda antes da época se iniciar. O Ibson, que estava em excelente forma, também se lesionou e isso para não falar de outros que estão há mais tempo, mas felizmente em vias de recuperação como o Bruno Moraes ou o Sokota. Conseguir resistir a todas essas baixas, a perdas pontuais como as de Raul Meireles, Cech, João Paulo ou Ibson e manter-se, apesar de tudo, a primeira posição do campeonato em parceria com o Sporting, é a prova de que, de facto, temos uma grande plantel.

"Infelizmente, não podemos recuperar Hugo Almeida"

Já disse que não concordou com algumas decisões de Co Adriaanse relativas ao plantel, nomeadamente ao nível das dispensas, em particular nos casos de Hugo Almeida, Hélder Postiga e Diego...
É verdade, não concordei. Não é a primeira vez que não concordo com os técnicos, mas a minha discordância fica comigo. Como presidente, se confio no treinador, tenho que procurar fazer o plantel que ele considera melhor. Não é primeira vez que tomo decisões com as quais não concordo. Por exemplo, o Jardel não veio para o FC Porto quando foi para o Sporting porque os técnicos da altura entenderam que ele não era necessário. Eu discordei e, como sabem, ele chegou ao aeroporto como o cachecol do FC Porto e até comprou casa na Foz para vir morar para aqui, mas quando foi apresentada a questão aos treinadores, eles entenderam que não e eu não contrato jogadores que os técnicos não querem. Isso aconteceu com o Hélder Postiga, mas felizmente ainda fomos a tempo de o recuperar, e aconteceu com o Hugo Almeida, que já estava emprestado ao Werder Bremen e que não pudemos recuperar.

Já sentiu que alguns desses jogadores podia ser úteis no plantel actual?
Não vale a pena estar a especular, na medida em que tudo é subjectivo. Mas de forma muito concreta, na última temporada, como o mesmo treinador que este ano o dispensou, o Hugo Almeida foi muito importante. Houve vários jogos que vencemos com golos dele, como aconteceu por exemplo no Nacional da Madeira. Agora, o treinador decidiu dispensá-lo e eu não podia ir contra ele. Infelizmente o treinador foi embora e talvez o Hugo nos desse jeito, como nos está a dar o Hélder Postiga.

"Nada justifica a saída de Adriaanse"

Já disse que a mudança de treinador influenciou a preparação da temporada. A saída de Adriaanse apanhou de surpresa meio Mundo. E a si?
Acho que a saída dele apanhou toda a gente de surpresa, sem excepções. Tinha ido ao estágio, no dia do seu aniversário, para o poder festejar com ele. Confraternizamos amigavelmente e tudo se estava a processar normalmente, nada fazendo prever que isto pudesse suceder. A verdade é que fomos surpreendidos com esse facto e houve que encará-lo. O treinador abandonou o trabalho, considerou-se afastado e temos o problema para resolução na FIFA, o que me parece ser a única via possível. Se quando um clube não cumpre o contrato com o seu treinador até ao final tem que lhe pagar, é óbvio que, quando um treinador, sem qualquer justificação, sem falar com ninguém, sai porta fora e abandona a equipa no estágio em vésperas de um jogo importante como era o que tínhamos em Inglaterra, é óbvio, dizia, que também temos que ser ressarcidos por isso. Até porque o seu abandono levou a que, para garantirmos a contratação de Jesualdo Ferreira, tivéssemos que pagar uma indemnização ao Boavista.

Mesmo nos momentos de maior contestação da última temporada, manteve sempre o apoio incondicional a Co Adriaanse. Sentiu a sua saída de forma pessoal?
É preciso conhecer o homem por detrás do técnico. Se ele fosse português e tivesse esse comportamento, se fosse o professor Jesualdo Ferreira ou um dos treinadores que aqui passaram como o Fernando Santos e outros, é evidente que ficaria magoado pessoalmente. Agora, sempre tive consciência que Co Adriaanse via o FC Porto estritamente como entidade patronal, embora tivesse comigo um relacionamento que posso classificar de agradável. Aliás, pessoalmente, aquilo que lhe desejo é muitas felicidades. Agora, como presidente do FC Porto não posso permitir que uma pessoa que tinha as obrigações e responsabilidades dele tomasse a atitude que tomou sem nenhuma razão, e não posso deixar de agir no sentido da protecção dos melhores interesses do clube.

O FC Porto está disposto a ir até às últimas consequências para resolver este caso?
Naturalmente. O FC Porto já entregou o caso à FIFA com o respectivo pedido de indemnização e aguarda serenamente a resolução do caso com a consciência da razão que lhe assiste.

"Jesualdo não vai ficar só um ano, nem dois"

Depois da forma como aconteceu a saída de Adriaanse, Jesualdo Ferreira foi a escolha possível?
Não, foi claramente a primeira escolha. Com a condição de se chegar a um entendimento com o Boavista, foi a primeira escolha. O professor sabe-o bem; o Boavista também, mas tínhamos alternativas para o caso de não ser possível esse acordo.

O facto ter assinado apenas um ano de contrato, pelo menos para já, foi uma forma de precaução depois da experiência com Adriaanse?
Não, quem conhece o professor Jesualdo Ferreira - e eu conheço-o há muitos anos - sabe que ele seria incapaz de tomar uma atitude dessas. Para mim, o professor Jesualdo até podia nem ter contrato que eu continuaria descansado. Estou seguro de que vai ficar não só este ano, nem dois; estou convencido de que vai ficar muitos mais.

Vai propor-lhe isso?
Sim, sim. Ele sabe. Temos conversado sobre o que pretendo para o futuro, e também sei o que ele pensa. Estou tranquilo a esse respeito.

Na altura em que se falou de Jesualdo Ferreira para o FC Porto apontou-se como factor determinante o conhecimento que tinha do futebol português. O facto de ele não ter experiência nas competições europeias não jogou contra?
Não, o professor Jesualdo Ferreira já esteve no Benfica, no Braga europeu e, hoje, qualquer treinador sabe perfeitamente o que é estar nas provas europeias. Pergunto que experiência europeia tinha Mourinho, Fernando Santos ou Artur Jorge quando chegaram ao FC Porto? Não tinham nenhuma. Um treinador ou tem plantel e capacidade para o gerir, e tanto faz ser aqui ou lá fora, ou não tem. Isso nunca foi um óbice em relação ao professor Jesualdo Ferreira, nem a ninguém.

A propósito do plantel ao dispor de Jesualdo Ferreira, este é muito jovem...
Sim, há dois terços do plantel que tem menos de 24 anos, o que traz vantagens em termos de progressão, mas é óbvio que tem como óbice alguma inexperiência. Por isso, confiamos na experiência e na capacidade do professor Jesualdo Ferreira para, o mais rapidamente possível, transmitir maturidade a jogadores que não a podem ter aos 18 anos, como é natural.

Sabendo-se que os adeptos são mais sensíveis a estas coisas do que os dirigentes, sentiu reacções negativas por causa destes dois últimos resultados?
Não senti, mas espero que os adeptos estejam tristes. Mal do clube que não tenha adeptos tristes depois de duas derrotas, ainda que uma delas tenha sido contra o Arsenal. Isso é que seria uma catástrofe. Estar triste é uma coisa, e incluo-me nos adeptos que ficam tristes sempre que o clube perde, mas temos confiança e sabemos o que queremos.

"Não vendi o Anderson, comprei mais 15 por cento"

Os adeptos do FC Porto ficam apreensivos a cada passe certo e a cada golo do Anderson. Temem que esteja mais próxima a separação. Pode sossegá-los?
Acho que os adeptos são levados a pensar isso por alguma comunicação social. Se um jogador faz um golo mais bonito ou um drible mais espectacular, no dia seguinte já se diz que estão os olheiros de todo o Mundo em cima dele. Isso é o que vende. Ainda há dias vi que um jogador do Sporting, que apareceu neste momento e que está muito bem, já tinha o Real Madrid e o Atlético de Madrid doidos por ele. Isso é muito prejudicial para o evoluir da carreira de um jovem, que tem de estar com os pés bem assentes no chão. O mal dos jogadores portugueses, e por isso muitos falham, é saírem prematuramente do país. Foi o caso do Hélder Postiga, por exemplo. Deixem os jogadores amadurecer, não lhes ponham coisas na cabeça. Quando chegar a hora, os clubes mais ricos aparecerão.

E sobre Anderson, os adeptos do FC Porto podem ou não estar tranquilos depois das notícias sobre um eventual negócio com o Barcelona?
Olhe, o doutor Miguel Sousa Tavares, por exemplo, escreveu que constava que Pinto da Costa tinha vendido dez por cento do Anderson. Curiosamente, nesse mesmo dia, não só não vendi como comprei mais 15. O FC Porto tinha só 65 por cento e passou a ter 80. Mas, dito e escrito por ele, as pessoas são levadas a acreditar no contrário. Optámos por comprar, sacrificando os resultados imediatos em termos de exercício financeiro, dando preferência a um património desportivo mais valioso com um activo que nos possa tranquilizar em relação aos resultados negativos que, por opção, apresentaremos nas contas.

Mas perante a qualidade indiscutível do Anderson, será difícil mantê-lo no futebol português, não acha?
Não sei. Por exemplo, o Lucho, que não estará no seu melhor, fruto também de uma lesão na pré-temporada, é um jogador feito e de grande qualidade internacional. Houve propostas para o vender, mas optámos por mantê-lo e o próprio jogador já declarou publicamente que não quis sair. Se um jogador está bem no FC Porto, vai sair para quê? É óbvio que há casos que envolvem loucuras, levando o clube e o jogador a ter de dizer que sim, mas não é do nosso interesse desfazermo-nos desses jogadores. O Lucho é uma prova concreta disso. Não quisemos que ele saísse e ele também não quis. Ainda não vi nenhuma manifestação do Anderson a dizer que queria sair.

"Tive propostas para Lucho, Quaresma e Helton"

Admite que, se surgir uma proposta louca por Anderson, ele possa sair?
Admito que todos podem sair. Não vejo é por que razão há-de surgir para o Anderson e não para outros. Neste defeso, se tivesse optado por vender os quatro jogadores que nos quiseram comprar, não apresentaríamos os prejuízos que vamos apresentar. Teríamos lucro. Fizemos uma opção, à semelhança do que aconteceu com o Deco depois de vencermos a Taça UEFA. Também recusámos vendê-lo. Havendo vários anos de contrato e tendo os jogadores ainda muito para dar ao clube, vamos ter calma. Quando chegar a hora, em que seja bom para todos, encararemos a situação.

E quais foram os jogadores que quiseram comprar?
O Anderson, o Lucho, o Helton e o Quaresma. Se os tivéssemos vendido, em vez do prejuízo que temos apresentaríamos os mesmos números, mas de lucro. Não estou preocupado com esse resultado porque podemos invertê-lo; a tendência é que os jogadores se valorizem. Há o caso concreto do Helton, que se valorizou exponencialmente com a chamada à selecção do Brasil. Esta semana vai-se falar dele em todo o Mundo. Além disso, desportivamente, a saída de qualquer um desses quatro jogadores, nuns casos mais noutros menos, reduziria a possibilidade de vencermos jogos e provas.

Entretanto, parece evidente que há, neste momento, um défice no ataque. Isso é uma preocupação para ser corrigida na reabertura do mercado?
A preocupação do treinador é recuperar os jogadores lesionados. Ainda há dias, ele dizia-me que esperava que os grandes reforços fossem o Bruno Moraes e o Pedro Emanuel. Se calhar, com esses dois, mais o Ibson, em Braga a história teria sido diferente. Já não haveria necessidade, como aconteceu com o próprio Braga, de jogar a mesma equipa da jornada europeia.

"Objectivo mínimo é acesso à Taça UEFA"

O comportamento nas competições europeias é fundamental para o equilíbrio financeiro das equipas portuguesas. Depois de dois resultados comprometedores, os objectivos do FC Porto mantêm-se intactos?
Houve um resultado anormal, em que a sorte foi fundamental, tal como foi reconhecido por toda a gente, que foi o empate em casa com o CSKA. Não é por ter perdido em Londres com o Arsenal que o FC Porto não será apurado para a fase seguinte, mesmo que perder nunca seja normal para o FC Porto. Estamos confiantes que vamos conseguir o apuramento. Já estávamos conscientes que este grupo não seria fácil mas é este que temos que encarar. Não vale a pena estarmos a pensar que dava mais jeito ir a Copenhaga do que ir à Rússia. É este, é com este que temos que nos bater e é ao Hamburgo que vamos ter que bater no próximo jogo.

O acesso aos oitavos-de-final é o objectivo mínimo?
O objectivo mínimo seria o que não conseguimos na última temporada, que foi o apuramento para a UEFA. A UEFA também pode ser muito rentável, como foi há poucos anos para o FC Porto, aliás, mais rentável que muitas participações na Liga dos Campeões. Esse é o objectivo mínimo. O objectivo que traçámos é de facto o acesso aos oitavos-de-final, com a consciência que a partir daí tudo pode acontecer, mas que é uma prova muito difícil.

"Contas são negativas por opção consciente"

O FC Porto vai apresentar contas negativas nos próximos dias. Há razões para preocupações?
As contas são negativas mas por opção consciente. Se quiséssemos apresentar contas positivas, bastava vender talvez um jogador e dois chegava de certeza absoluta. Foi uma opção não o fazer e ter esse resultado negativo e não estar demasiado preocupado com isso, na medida que é um património que se está a valorizar aquele que mantivemos em desfavor dos resultados.

E qual é o valor desse prejuízo?
Não vou revelar o número, porque isso será feito em apresentação de contas, mas é um prejuízo algo elevado, até porque há uma série de factores que o influenciam. O Dínamo de Moscovo, por exemplo, deve alguns milhões de euros que não pagou dos negócios que fizemos e que entraram no resultado do exercício. De qualquer forma acreditamos que esse crédito será recuperável, dado que o Dínamo não se extinguiu e até temos uma queixa na FIFA que, acreditámos, será julgada no final deste mês de forma favorável aos nossos interesses.

"Não me surpreendem as escutas ao presidente do Benfica"

Numa entrevista recente, o presidente do Benfica revelou que o seu nome e o de Valentim Loureiro constavam de um dossier anónimo que lhe deixaram à porta e que entregou à Polícia Judiciária...
É natural. Dossiers anónimos, deixados à porta de pessoas que ninguém sabe onde moram, como ele próprio já garantiu, é natural que falem de mim e para dizer mal. Porque só quem é cobarde é que me ataca anonimamente e só quem é cobarde é que dá cobertura a esses ataques anónimos e lhes dá seguimento. Eu, sempre que recebo qualquer coisa anónima, rasgo e meto no cesto dos papéis porque tive uma educação de princípios. A outros talvez dê jeito invocar coisas anónimas para sujar o nome de terceiros. Mas isso não me preocupa nada. Rigorosamente nada.

Entretanto, têm-se registado algumas evoluções no processo Apito Dourado...
Não posso falar sobre o processo, mas posso dizer que foram emitidas onze certidões em meu nome e nove já foram arquivadas e nem sequer fui ouvido. Há só duas coisas que quero referir a propósito desse assunto. A primeira, para sublinhar a isenção da Justiça, que está a funcionar. Desde a primeira hora, em que vi em alguns jornais as coisas mais absurdas. Segundo um jornal, um dos processo dever-se-ia ao facto de eu ter falsificado a assinatura de um jogador. Nunca apareceu nenhum processo, porque isso simplesmente não era verdade. Foi dito que eu falava com árbitros. Nunca telefonei a nenhum árbitro, nenhum pode dizer que alguma vez lhe liguei, nem que fosse para dar os parabéns no aniversário. O que alguns jornais fizeram, foi uma pressão enorme e miserável sobre a própria justiça, publicando falsidades. Só que, felizmente, a Justiça tem sabido decidir pelos factos e não pelas mentiras publicadas em alguma comunicação social.

A comunicação social também deu conta de novas escutas, envolvendo outros dirigentes. Ficou surpreendido?
Não, não me surpreendo nada que apareçam registos de escutas a telefonemas do presidente do Benfica. Aliás, o que me surpreende é que não apareçam mais coisas, como por exemplo os telefonemas feitos pelo senhor Veiga ao senhor Pinto de Sousa a pedir que determinado árbitro favoreça o Estoril. Não foi a dizer que tudo lhe corra bem, foi a pedir declaradamente que favoreça o Estoril. Curiosamente, sobre isso não foi tirada nenhuma certidão.

"Luís Filipe Vieira quis regenerar a Liga que ele próprio fez"

Hermínio Loureiro tomou recentemente posse como presidente da Liga. Como viu críticas que lhe foram dirigidas, ainda antes de tomar posse?
Quando foi da última eleição do Major Valentim Loureiro e do Doutor Cunha Leal para direcção da Liga, eu estive, como é público, na oposição. Tínhamos um candidato, que era o Doutor José Guilherme Aguiar, que não conseguiu sequer ir a votos por não ter as assinaturas necessárias, que eram 20 por cento dos votos. Disse na altura que, a partir desse momento, não teria nenhum relacionamento com a Liga. Limitei-me ao longo dos últimos anos, a pagar as multas com que era periodicamente brindado, e não tive nenhum relacionamento com a Liga. Em contrapartida, ficou célebre a frase do presidente do Benfica na altura quando, a propósito da nossa contratação do Jankauskas, afirmou que não estava preocupado com jogadores mas em ganhar lugares na Liga. Foi ele que impôs, segundo me contou o Major Valentim Loureiro, o nome de Cunha Leal para Director Executivo. Fê-lo como condição para manter o apoio ao Major que tinha já convidado o Eng. Paulo Carvalho, presidente do Rio Ave, para o cargo. O que acho interessante é que, quem escolheu o Director Executivo, quem apoiou o presidente, quem nomeou os detentores dos mais diversos cargos, quem disse que seria a APAF a indicar o presidente do Conselho de Arbitragem - sabendo-se exactamente quem a APAF indicaria - foi precisamente o presidente do Benfica. E também foi ele que, no final de uma mandato particularmente nocivo para o futebol português, veio dizer que era preciso regenerar a Liga que ele próprio tinha feito e patrocinado.

Parece-lhe que esta mudança da Liga era inevitável?
Acho que era necessária uma mudança, até por vontade do próprio Major Valentim Loureiro, e acho que Hermínio Loureiro foi de facto o escolhido para a liderar, mas não pelo FC Porto. Quando fui contactado pessoalmente por Hermínio Loureiro, disse-lhe que o FC Porto não se envolvia em qualquer luta eleitoral, não apoiaria ninguém, nem teria ninguém indicado por si em qualquer órgão da Liga. A nossa posição é não fazer obstrução e apoiar todas as medidas que sejam boas para o futebol. Estivemos foi em oposição clara à Liga que o Benfica patrocinou e que foi agora embora.

E tem expectativas em relação a esta nova Liga?
Tenho. Hermínio Loureiro é uma pessoa com passado que dá garantias e que teve uma acção como Secretário de Estado decisiva na forma como enfrentava os problemas e os resolvia. Espero dele, neste cargo, que cumpra aquilo que constava do seu discurso de tomada de posse.

"Caso Mateus foi a cereja em cima do bolo do Benfica"

Ainda antes da tomada de posse da nova Liga, o início do campeonato chegou a estar em causa em virtude do "Caso Mateus". Como viu todo esse processo?
Caso Mateus que tem foros de rídiculo. É um caso de começa em Janeiro e que vai afectar o início de um campeonato em Agosto precisamente por incapacidade das pessoas da Liga de tomarem decisões. O assunto protelou-se, estava tudo à espera que o Gil Vicente descesse de divisão desportivamente e já não havia problemas, mas já se sabia que quem descesse e não quisesse aceitar os resultados dentro do campo podia agarrar-se a isso. É triste, mas o reflexo do comportamento de algumas pessoas na Liga. Foi uma espécie de cereja, bem encarnada, em cima do bolo cozinhado pelo Benfica na Liga.

"Se vir que posso fazer mais, pode ser que me recandidate"

Apesar de ser alvo de críticas, disse recentemente que sairia apenas quando os sócios do FC Porto quisessem ou quando já não pudesse continuar...
O que disse foi que não serão os jornais ou os comentadores televisivos, que mais não são do que recadeiros, a definir isso. Há um comentador televisivo, que até vai ser mandatário da recandidatura de Luís Felipe Vieira [ n.d.r Fernando Seara], que tem almoços no Hotel Altis e não devem ser para falar de pneus ou negócios em Sintra. Esse senhor, com aparente ar de candura, é um veneno permanente em relação ao FC Porto. Não sei se é um recalcamento por causa do Deco, onde conheceu uma das suas maiores derrotas em termos desportivos. O que disse, e repito, é que não são esses senhores que mandam nos clubes, mas sim os sócios. Só estes é que sabem se os dirigentes estão há muito ou pouco tempo. No meu caso, não tomei o poder de assalto, foi por eleição. Sempre fui a votos e só numa ocasião apareceu um opositor. Não saio por vontade dos cronistas, que podem continuar a insultar-me e a mentir a meu respeito. Saio em duas situações: se não quiser continuar e se os sócios não quiserem que continue.

E quer continuar?
Ainda falta muito. Estamos em Outubro e ainda faltam mais de seis meses para tomar essa decisão. Não posso dizer uma coisa concreta, porque não sou pessoa de gerir êxitos do passado. Quero sempre mais. Se vir que podemos fazer mais e coisas que gostava de deixar no FC Porto, é óbvio que, se tiver saúde, recandidato-me. Vamos ver se é possível levar a cabo o projecto com o qual gostaria de terminar a minha careira de presidente do FC Porto, concretamente o pavilhão gimnodesportivo, em frente ao Dragão. Esse é o meu objectivo prioritário, porque é uma necessidade premente para as modalidades. Se vir que há condições para avançar, é possível que me recandidate; de contrário, pode ser que não me recandidate.

Um pavilhão à escala do Dragão?
Exactamente. Será um pavilhão como o estádio, um orgulho do FC Porto e da cidade. Com o mesmo autor, o arquitecto Manuel Salgado.

Termina o contrato no final da época
"Não será inédito Baía continuar a jogar"

É uma questão inevitável, agora ou no final do ano: o que vai acontecer a Vítor Baía, que termina contrato esta época?
“O Vítor Baía está cá porque o treinador continua a achar que é um grande guarda-redes, talvez ainda o melhor guarda-redes português, mas tem na baliza um jogador de tal valor que foi chamado à selecção do Brasil, que é só o país com mais títulos mundiais conquistados.”
Dito isto, uma abordagem mais concreta ao que pode acontecer.
“Se no final da época vão manter, tanto o Vítor Baía como o treinador, a mesma intenção, isso é outra questão. Baía faz 37 anos este mês. Não será inédito se continuar a jogar, mas também já não é exactamente um jovem. Por outro lado, se não puder contar com Helton, não vejo nenhum outro guarda-redes que me pudesse dar garantias.”
O sentimento especial que une o presidente portista ao guarda-redes continua intocável, mas terá de ser Baía a esclarecer o que pretende fazer.

Fim de carreira foi atitude inteligente
"Jorge Costa não podia arrastar-se nos campos"

Património humano do FC Porto, Jorge Costa anunciou esta semana o fim da carreira. Pinto da Costa continua a achar que o jogador se precipitou na forma como deixou o clube.
"Saiu contra a minha vontade e continuo a dizer que foi uma má opção ter ido para a Bélgica. Desportivamente, não lhe acrescentou nada: não lhe prorrogou a carreira por mais um ano, um dos argumentos que usou para sair".
O presidente portista recordou que o jogador teve "total liberdade" para decidir, com a garantia de que "não seria prejudicado". O fim não o surpreendeu.
"Acabar agora a carreira foi uma atitude inteligente, porque um jogador que conseguiu o que ele conseguiu não podia andar a arrastar-se nos campos ou vestir uma camisola qualquer".
E deu até um exemplo concreto:
"Por muito respeito que tenha pelo Leça, é uma mágoa que tenho a de ter visto o Jaime Magalhães, que teve uma carreira brilhante no FC Porto, sair para acabar no Leça de forma inglória".

# in Jornal “O JOGO”, 2006.10.09

Actualidades...

O Adeus do Grande Capitão… Jorge Costa

O grande Capitão Jorge Costa (Bicho), oficializou a sua despedida dos relvados na passada 5ª feira numa entrevista concedida ao canal RTPN. É o fim de uma carreira recheada de troféus, de alma, raça e mística azul e branca.

Herdaste a camisola nr. 2 do mítico João Pinto e soubeste sempre até à última gota de suor, honrá-la como um Grande Homem e Portista que sempre foste... e sempre serás daqui em diante.

Sei bem o que te fizeram e o que passaste antes de rumares a Liége… nunca entendi muito bem a «passividade» e a «conivência» da nossa $AD perante tamanha falta de respeito perante um símbolo do nosso clube, e sinceramente, nunca entenderei!!!... contudo, tu próprio também deverias ter «evitado» cometer esse erro crasso, por teres querido sair do nosso mágico clube para rumar a terras que em nada te dignificariam… mas pronto, já passou.

Por mim, e acho que por nós todos que somos Portistas e sentimos até à medula uma paixão louca pelas cores «azuis e brancas», sempre serás recordado como o nosso grande Capitão.

A tua lista de troféus é enorme: 1 liga dos campeões, 1 taça UEFA, 1 taça intercontinental, 1 título mundial de sub-20, 8 títulos de campeão nacional, 5 taças de Portugal e 8 supertaças de Portugal.

PS – Para quando a devida homenagem ao nosso Grande Capitão em pleno Estádio do Dragão, perante todos os Portistas?... eu estou à espera!!

A estreia de Hélton… na Canarinha

Hélton estreou-se na selecção principal do Brasil… e passou no «exame».

Foi titular no jogo que a canarinha venceu o Kuwait por 4-0, tendo feito apenas uma defesa digna desse nome, tendo respondido com uma grande tranquilidade a este momento concerteza memorável e inesquecível para este magnifico guarda-redes, que merece o nosso total apoio e respeito.

55€… como?... quanto?

Estive em Sevilha… paguei 30 € !!
Estive em Gelsenkirchen… paguei 60 € !!
Estive no Mónaco… paguei 10 € !!

E os «escamas» querem 55 € !!! para o jogo do próximo dia 22?... Além do jogo, o que será que oferecem mais?... talvez, um requintado jantar, uma estadia no Altis, umas «amigas» para nos esfregar as costas, digo eu… só pode mesmo, com aqueles preços!! Deve ser uma brincadeira, e de muito mau gosto.

Por mim, a esse preço, bem podem ir “chular” outro, que aqui este «zé-povinho» não anda a trabalhar para pagar dívidas a ninguém… não pago vícios a ninguém, ninguém mesmo, quanto mais a «condes e viscondes» falidos!!

10 outubro, 2006

Cansado… mas de regresso à normalidade

Caros Amigos,

Como já devem ter reparado, tenho andado nestes últimos dias, demasiado «calado» para o meu gosto… LOL… Muito recentemente, procedi a uma substituição do meu sistema informático, e até esta madrugada, não se encontravam reunidas as necessárias condições para poder manter este espaço devidamente actualizado.

Ultrapassados que foram os últimos problemas de pormenor, estou em condições de vos comunicar que a partir de hoje, voltarei a «botar faladura, carago»… LOL

No próximo post, irei tentar abordar de uma forma, digamos, mais directa e resumida, alguns dos temas centrais do nosso «universo azul e branco» dos últimos dias, tais como:

- anúncio do final da carreira futebolística do nosso grande e eterno capitão, Jorge Costa;
- preços “loucos” para a visita ao “wc xxi”;
- entrevista ao jornal “O JOGO” do Grande Presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa;
- e uma SURPRESA relacionada com um encontro imediato de 3º grau do passado fds.

Depois, voltarei ao ritmo normal… desde o nascimento deste blog.

Pela minha ausência momentânea, e fazendo votos para que continuem a passar por cá com relativa frequência e a «deixar» sinais da vossa presença, as minhas desculpas.

aKeLe aBrAçO,

05 outubro, 2006

Ser PORTO...


Encontrei-me... por isso, volto a sorrir!!

Neste últimos dias, muito se tem dito e escrito numa busca desenfreada para se encontrar uma justificação válida para os porquês de tão fracas e miseráveis prestações dos nossos meninos de azul e branco vestidos, nos 2 últimos jogos realizados – Londres e Braga. Ciclicamente, por estas alturas, lá dão um ar da sua graça os «costumeiros abutres» para tentar ainda mais baralhar ou minar a nossa visão dos factos… a esses, por mim, podem continuar a falar que eu não vos ouço!

Cada cabeça, sua sentença… quero dizer com isto que cada um de nós tem uma opinião formada sobre os reais motivos de tal situação anómala para o lado do Dragão. De todas as opiniões já lidas, encontra-se de tudo um pouco… umas muito próximas, outras completamente díspares das restantes, etc, etc.

Eu próprio, tenho a minha… e apesar de continuar a mantê-la, entendi dar-lhe um ligeiro acréscimo ao «alvo», passados que foram estes dias de reflexão. Quero dizer com isto que mantenha que a culpa desta situação é repartida em partes iguais pelo Treinador Prof. Jesualdo Ferreira, pela sua táctica do «medo», e também pelos jogadores que mostraram com a sua atitude em campo neste 2 jogos, salvo raras excepções, um total desrespeito pelo emblema que carregam ao peito, com a total falta de atitude e garra a todos os níveis desesperante.

É então aqui, que entendo localizar um novo «bode expiatório»… NÓS PRÓPRIOS!!

Nós próprios, sim!!... sócios, adeptos, simpatizantes ou simples anónimos, sim !!... porque não conseguimos ser racionais ou toleráveis ao ponto de perceber que quanto mais «berramos ou reclamamos», mais nos humilhamos a nós próprios e ao mágico clube que tanto amamos!

Admito que embora eu tenha sofrido em silêncio e envergonhado pela forma como tu te comportaste nestes últimos 2 jogos… eu sei… eu sei bem que quando chegar o dia, vai ser mais forte do que eu e lá estarei eu de novo no meu Dragão, na secreta esperança de voltar a ser feliz.

Erros todos cometemos, o problema é não apreender nada com eles. Por isso, temos que pensar o futuro com a certeza que ainda somos o Futebol Clube do Porto, que amanhã teremos de ser muito mais Porto. Que temos de novo de recorrer à nossa mística como povo, de procurar os sentimentos e a identidade que nos fizeram crescer. E que teremos de encontrar Homens que partilhem desses sentimentos e dessa identidade.

Nós que pertencemos a esta mágica Massa Associativa do FC Porto, só podemos ter um único propósito e um único espírito:

Sempre Orgulhosa.
Com cultura de luta e garra.
Com cultura de exigência.
Com cultura de ambição.
Com cultura de vontade.
Com cultura de não aceitar desculpas esfarrapadas.
Com cultura de dar a cara.
Com cultura de lealdade.
Com cultura e paixão pelo jogo.
Com cultura de VITÓRIA.
Menos que isto, podes ser adepto do Nacional, do Braga, dos Ridículos ou dos Escamas …

Meu mágico FC Porto… no próximo dia 14, quando nos voltarmos a encontrar “face-to-face”, prometo que te direi bem alto e em bom som para que todos o ouçam:

Estou aqui para te apoiar, estou aqui porque te amo...
nunca te trairei, porque sem ti, eu não sei viver!!

Há quem seja viciado em álcool, em drogas, em mulheres ou no jogo.
Eu, apenas sou viciado no Futebol Clube do Porto.



PS - Um reparo para os adeptos do “lenço” ou do “assobio” no próximo dia 14… apesar de tudo o que tem acontecido nos últimos dias, apesar do que possa vir a acontecer, ir ao nosso Estádio é um privilégio que deve ser utilizado com honra, com lealdade, e com respeito pela nossa equipa. Apoio incondicional no estádio, sempre!!!. Depois, em família, irritemo-nos à vontade, ok???

04 outubro, 2006

Cuidado com os lobos, Baía!!

Vem o título a propósito de um artigo lançado pelo Jornal Record NUM AR aparentemente tristinho - coitados, que bem intencionados que eles são - com a passagem de Vítor Baía para a posição de suplente de luxo... e sugerem os bonzinhos que estando na idade em que está, Vítor arrisca a acabar a época e terminar a sua carreira sem glória.

Diz o amigo da onça - Eugénio Queirós - que Baía foi o herói da última meia-final da Taça de Portugal com o Sporting. Nós sabemos perfeitamente - meu caro lobo vestido de cordeiro - tudo isso e quem é Vítor Baía. Sabemos bem e sempre o defendemos contra ventos e marés, enquanto muitos dos que pululam por esses lados, tomavam a posição de concordar com o seu afastamento puro e simples, da Selecção de Portugal e aplaudiam freneticamente as atitudes do inenarrável Luís Scolari.

Na altura todos os guarda-redes Portugueses eram considerados melhores que Baía para esse energúmeno: Quim era suplente do Benfica e foi chamado, Moreira guarda-redes dos sub-21 foi de imediato chamado mal terminou o Europeu disputado aqui no nosso País e o cúmulo atingido de seleccionar o guarda-redes da equipa B do FC do Porto foi encarado por vós com a passividade própria dos eunucos.

Se o facto de a situação de suplente de qualquer jogador não ser motivo de exclusão para os critérios da PFP e dos seus empregados, aí esta a mais bela oportunidade que o Parvo do Scolari tem para dar a mão à palmatória e pedir desculpa pelo que fez nestes últimos três anos a Vítor Baía, convocando-o novamente e pondo-o a jogar na Selecção Nacional como afinal vocês agora reconhecem - embora nas entrelinhas - ser seu direito pleno.

Aqui por estes lados nós sabemos que Vítor Baía é o melhor guardião Português sem nunca retirarmos o mérito aos outros escolhidos, mas soubemos sempre distinguir entre o que era justo e aceitável e o que se transformou numa autêntica perseguição surda mas perfeitamente clara, para quem possui um QI minimamente evoluído e honesto. Daí que eu comece por chamar à atenção do próprio Baía para estes lobos com falas de cordeiro, que só têm para mim um objectivo: tentar semear os ventos da discórdia entre nós, que nunca tivemos duas caras como eles neste conflito de apreciações desportivas.

Vítor Baía tem valor e mérito para continuar por muito mais tempo entre nós e tem um valor acrescido por toda a sua experiência conquistada e imposta e pela extrema dignidade patenteada ao longo destes anos e aí eu corroboro o "bem intencionado" cronista, Vítor Baía até nos momentos menos bons tem a elegância dos predestinados.

Por isso sabemos que ele continuará connosco de corpo inteiro para saltar para o relvado arreganhadamente sempre que tal for necessário e será muito mais importante ainda para servir de esteio e conselheiro aos mais novos e recém chegados dentro do grupo de trabalho!...

1abraço...

03 outubro, 2006

Miguel Sousa Tavares - Nortada

O choque da Europa…

O futebol português, a nível de clubes, viveu este ano uma conjuntura altamente favorável na participação europeia, fruto do 6º lugar que ocupamos no ranking da UEFA e que é ainda e em grande parte herança dos dois anos dourados de Mourinho à frente do FC Porto, acrescentados de uma boa prestação do Sporting na Taça UEFA em 2005 e de uma razoável prestação do Benfica na Liga dos Campeões da época passada.

Por esse facto, temos três equipes na Liga dos Campeões da edição corrente e três na Taça UEFA. O risco deste excesso de representação é o inverso da razão de estarmos nesta posição: com mais equipas em competição na Europa, a probabilidade dos maus resultados acentua-se. E, com eles, o ranking recua e vão ser necessários outros anos de ouro de dois ou três emblemas para nos puxar de novo para cima. Porque, anos e anos passados, o essencial da nossa participação europeia mantém-se: um tremendo défice de competitividade e um antiquíssimo e inultrapassável espírito provinciano quando chegamos aos grandes palcos europeus.

Na semana que passou, esta realidade e esta atitude foram particularmente evidentes, a um ponto que só nos pode deixar deprimidos e pensativos. Vejamos, caso a caso:

O Vitória de Setúbal ficou feliz por não repetir a derrota frente ao Hereven e por fechar a eliminatória conseguindo um empate, embora tenha conseguido zero golos em 180 minutos de futebol. Como, mesmo assim, o esforço parece ter sido imenso, o seu treinador logo veio declarar, em vésperas de regresso às competições internas, que a equipa estava cansada. Há 200 equipas profissionais em competição na Europa e ninguém se lembra se tiveram um jogo a meio da semana, quando chega a altura de jogarem internamente. É um choradinho que já não tem lugar em equipas profissionais, até porque não se percebe a razão pela qual uma equipa de clube pequeno há-de acusar mais o cansaço que uma de clube grande. Se não têm capacidade física para aguentar um ou dois jogos extra a meio da semana, mais vale que desistam da Europa e se confinem aos seus horizontes de ambição e preparação.

O Nacional da Madeira entrou bem no seu jogo e conseguiu anular a desvantagem de 1-0 antes do intervalo. Mas, a partir daí, a equipa encostou-se, passou a jogar para a sorte, para o prolongamento e os penalties e foi muito justamente eliminada por um adversário que mostrou ter muito mais ambição e categoria para estar na Europa.

O Sporting de Braga - muito saudado pelo marco histórico de, pela primeira vez, ter passado à fase de grupos da Taça UEFA, fez, em minha opinião, um jogo miserável contra o Chievo, em que só depois de estar a perder 0-2 e a jogar contra dez, é que se atreveu a fazer mais qualquer coisa do que ver o tempo a passar e o adversário a ter todas as despesas do jogo. Tiveram sorte e voltaram felizes, mas não sei se mereciam. E, ontem à noite, em Braga, contra o FC Porto, voltaram a ser felizes, mas beneficiando de uma exibição do FC Porto tão miserável quanto a do Braga em Verona.

O mesmo se diga do Sporting, no seu jogo de Moscovo, a seguir ao brilharete contra um Inter em crise. A tão explorada desculpa do relvado sintético (igual para ambos) serviu às mil maravilhas para desculpar uma exibição totalmente falha de coragem e vontade de vencer e serviu também para fazer esquecer que o problema de defrontar as equipas russas na sua terra não é o de jogar em relvados sintéticos em Setembro, mas o de jogar em relvados queimados pela neve e com temperaturas negativas, em Dezembro. Apenas a sorte, também, (e o génio de Nani), permitiu ao Sporting sair de Moscovo com um empate bem melhor que a exibição.

O Benfica fez o que pode e o mais que pode, na primeira parte do jogo contra um Manchester que ainda está longe de voltar a ser a temível equipa que era antes de José Mourinho ter chegado a Inglaterra. A estratégia passava também por desestabilizar o Cristiano Ronaldo a partir das bancadas, mas o tiro saiu pela culatra e ele mostrou porque é um grande jogador: porque aparece nos grandes momentos e tem a faculdade de, por si só, resolver um jogo. O Benfica foi até onde pode e esse ponto mostra bem a diferença que há entre um candidato ao título em Portugal e um em Inglaterra.

A mesmíssima coisa aconteceu FC Porto, no seu embate perante essa multinacional que dá pelo nome de Arsenal. Tal como aqui escrevi, no próprio dia do jogo, a minha crença num bom resultado era diminuta, porque entendo que os portistas não têm equipa para competir ao nível mais allto da Europa. Mas chegou a ser confrangedora â diferença de classe, de atitude e de capacidade técnica entre uma equipa que caça com um Thierry Henry e outra que caça com um Hélder Postiga. Que o FC Porto iria naturalmente perder eu já sabia. Não esperava é que Jesualdo Ferreira, também ele, cometesse o eterno crime dos treinadores portugueses frente aos grandes jogos: entrar em jogo a medo, mudando a estrutura rotinada da equipa para introduzir corpos estranhos e malabarismos tácticos, cujo único sentido é sempre o de reforçar a capacidade defensiva. Como seria de esperar, Ricardo Costa só atrapalhou, Postiga foi totalmente inócuo e Lucho González assinou mais uma exibição de valor zero, mas com direito divino a manter-se sempre em campo. E, como era também de temer, a mensagem assim dada pelo treinador passou à equipa: o FC Porto entrou em campo borrado de medo, aproveitando o pontapé de saída para gastar minuto e meio a passar a bola de uns defesas para os outros, muito contentes porque o Arsenal ainda não tinha criado perigo. Não admira que, ao fim de dois jogos europeus, ainda não tenha conseguido sequer marcar um golo. Ora, quem tem medo compra um cão, não vai à Liga dos Campeões. Diga-se de passagem que ontem, em Braga, o FC Porto confirmou o que já era patente para quem tivesse estado atento, independentemente dos primeiros resultados positivos: que esta equipa do FC Porto, até ver, tem mais estatuto do que qualidade.

PS: O director de informação da RTP, Luís Marinho, entendeu desmentir o que aqui escrevi a semana passada sobre as influências movidas pela FPF para afastar o jornalista Carlos Daniel dos relatos dos jogos da Selecção, por não gostarem do seu espírito crítico nem do programa Trio de Ataque, que ele apresenta. Para além da confirmação da veracidade de parte das minhas afirmações já feita pelo próprio Carlos Daniel, na edição seguinte de A BOLA, quero expressamente dizer aos leitores que tudo o que eu escrevi é rigorosamente verdade, como o Luís Marinho bem sabe. Não retiro nem uma vírgula ao que escrevi, pois, como é óbvio, não o escrevi sem confirmação nem fundamento. Passo por cima das restantes considerações feitas por Luís Marinho que, além de despropositadas e absurdas, nos levariam a uma desagradável lavagem de roupa suja a que não desejo submetê-lo.

# in "A BOLA", 2006.10.03

Cérebro & Atitude… procuram-se!!

Começo a ficar incomodado com tamanha desfaçatez… a sério que começo!!! Um novo Arsenal pelo caminho, neste caso, o da «cidade dos arcebispos», o Sporting de Braga… e primeira derrota para a bwin Liga em jeito de castigo por mais uma pobre exibição do FC Porto ao longo de grande parte dos 90 minutos. Quem não corre e luta em busca da glória, arrisca-se a perder… e bem!!

Olhando para aquele onze inicial, saltou-me logo à vista um reflexo quanto a mim evidente… medo!!... ou seria respeito? duvido!... adiante. Se estamos a jogar no «cesto do pão» ou no «wc xxi», aceito Paulo Assunção e Raul Meireles na equipa em conjunto, mais como contenção e reforço da linha defensiva… se não estamos, para mim é claro… trata-se de medo em querer vencer!!

Em tudo o resto, o já previsível, com a confirmação de Ezequias no lugar de Cech e a novidade da manutenção de Postiga em detrimento de Lisandro, indo contra as indicações dadas durante a semana. O jogo começou com uma grande oportunidade perdida por Lucho logo aos 3 minutos, que desmarcado por Postiga e face-to-face com Paulo Santos, conseguiu apenas acertar no guarda-redes… pior, era impossível.

A partir dos 10 minutos de jogos… assistiram-se a 35 minutos de claro domínio bracarense, onde os nossos jogadores, limitavam-se a defender à distância o transportador da bola e para este não se sentisse muito incomodado, faziam-no unicamente «com os olhos»… uma táctica muito inovadora, diga-se de passagem! Em resultado de tal domínio, aos 25 minutos, o Braga chega à vantagem com um golo marcado por Marcel que isolado na entrada da área e sozinho!, remata cruzado sem hipóteses para Hélton.

Os jogadores azuis e brancos… ou o treinador… ou lá quem quer que seja, que pouco me importa isso, porque o meu «copo» já começa a encher e um dia destes?!… continuavam a seguir à risca a sua táctica inovadora de incomodar apenas e só com os olhos!, já mesmo depois da entrada de Lisandro para o lugar de Paulo Assunção... foram só mais 25 minutos de avanço ao adversário, digo eu!!

A terminar a primeira parte, aos 42 minutos, Quaresma no lado esquerdo faz um excelente cruzamento que Postiga aproveita muito bem de cabeça para igualar o marcador a uma bola… pensei eu para os meus botões “do mal o menos”!

Só um aparte para comentar algo já perto do fim da 1ª parte… Lisandro não é agarrado dentro da área quando se tenta virar em direcção à baliza de Paulo Santos?... não é agarrado?... este Lucilio “Calabote” nunca me enganou!!

Recomeça a segunda parte e logo aos 55 minutos de jogo, Luís Filipe pega na bola a meio campo, corre em direcção à baliza de Hélton, os nossos jogadores a testar novamente a táctica inovadora da pressão com os olhos… e voilá… segundo golo para o Braga… inacreditável!!

O Prof. Jesualdo voltou a acordar da letargia no banco e retira Quaresma e Ezequias para as entradas em momentos diferente do jogo de Vieirinha e Alan… naturalmente, houve um forcing final por parte dos portistas, com o acampar das tropas no meio campo adversário, mas onde sempre imperou o «mais com o coração do que com o cérebro»… e a táctica da pressão com o olhos, sempre que se perdia a bola, lá estávamos a vê-la em acção, essa brilhante táctica.

O fim chegou rapidamente e estava consumada a primeira derrota do FC Porto para a bwin liga… nada a dizer, nada a apontar… apenas e só que ganhou o que conseguiu ser menor pior!... esperamos todos por dias melhores, porque a continuar assim… rsss… para já, perdemos a liderança isolada, que neste momento repartimos com o Sporting com 12 pontos, e a surpreendente Naval a apenas 2 pontos.

Queria salientar só 2 ou 3 pormenores de relevo que me assaltaram a mente no final deste jogo:

1 - Este ciclo de fogo em que entramos até ao dia 1 de Novembro, comportava saídas a Braga e Alvalade e recepções ao Marítimo e Benfica para a bwin Liga… pelo meio, saídas a Londres e Hamburgo e recepção ao Hamburgo para a Liga dos Campeões… ou seja, 7 jogos!!!... neste momento, o saldo é 2 jogos, 2 derrotas!!... elucidativo.

2 - É impressão minha ou quando o Prof. estava em Braga, sempre o via em pé junto ao banco e a dar instruções para dentro do terreno… e agora, porque só encontro uma explicação, é os bancos serem de tal forma confortáveis, cómodos e quentinhos, que para o vermos em pé, é quase necessário pedir por favor?

3 - Antes de o referir, alerto já que não queria chamar à cola o «ex» Co Adriaanse, até porque eu sou insuspeito para tal, porque admito, nunca fui um seu admirador nato, apesar de o apoiar sempre enquanto cá esteve, mas tem mesmo que ser… desculpem alguma coisinha, ok?... sou eu que ando a ver mal, ou começo a ver já muitos jogadores a protestar com o árbitro e a levar amarelo, a pontapear a bola nas barbas do árbitro e a levar amarelo, etc, etc… não vamos voltar ao tempo da indisciplina, pois não?... espero bem que não!!

Portanto, é assim meus caros… eu tenho paciência, acreditem que tenho… admito que não sou, nem nunca fui adepto do «assobio»… mas não estou para aturar certas situações e manter-me calado… se continuarem assim, não falo das derrotas em si, mas sim da FALTA DE ATITUDE EM CAMPO, podem ter a certeza de uma coisa, não me vão ver calado, nem tão pouco a bater palmas e a fazer «flores» em volta de conversa da treta… vai ser cortar a direito, porque esta FALTA DE ATITUDE, esta «miséria franciscana» já me começa a incomodar… e muito!!


Ridículos – Porque será que depois do Esquimó ter dado aquele megalómano-perú, as câmaras da SPORTV foram procurar e fixar a imagem de Moretto que estava no banco de suplentes?… mas porquê?... conhecem algum facto de casualidade para tal situação anómala, que eu desconheça?

Escamas – O Levezinho finalmente acabou com o jejum de 5 meses… eu já começava a ficar preocupado com a sua saúde… um dia destes, com tanto jejum, e de tão levezinho que ia ficar, ainda iamos vê-lo a voar bem perto de si.