19 novembro, 2009

Do Jesualdo e as comparações ao Porto nas Selecções!

É com um tremendo timing que, pela terceira nesta época, a Calçada volta a entrar em cena em semana de selecção. Dizem que à terceira é de vez, dito popular, que se reveste de uma tremenda e irrepreensível razão, pois esta mera casualidade, ou coincidência se assim preferirem, foi sinónimo de êxito e culminou com o apuramento dos pupilos portugueses, com especial atenção para os draconianos, confirmando a presença da Selecção Nacional no Mundial da África do Sul do próximo ano.

Mas deixando o tema da Selecção para mais adiante, mas continuando como que na senda das coincidências, a primeira pedra da calçada, esta semana, vai para o treinador do FCP, Jesualdo Ferreira. Quem e como é, afinal de contas o treinador do Futebol Clube do Porto?

O professor é, aparentemente, um homem dado a poucas palavras, cauteloso, teimoso e de convicções próprias. Manuel Jesualdo Ferreira chegou ao Dragão corria o ano de 2006, de forma algo repentina, o bom trabalho desenvolvido no S. C. Braga levou-o até ao Boavista, no defeso desse ano, mas a rescisão de Co Adriaanse no Futebol Clube do Porto, fez com que Jesualdo rapidamente trocasse o clube do Bessa pelos Azuis e Brancos, assinando por duas épocas, que com a conquista de títulos já vão em quatro. Com um curso de Desporto no curriculum vitae inicia a sua aventura como treinador em clubes de visibilidade pequena, tendo uma passagem de cinco anos, entre 1996 e 2000, pelas formações das selecções portuguesas mais novas (Sub-21).

Como refere o início deste primeiro tema, "continuando na senda das coincidências", e aproveitando para reformular, "e das comparações", Jesualdo é para mim, aquilo que Fernando Santos já foi no FCP. E as coincidências entres estes são por demais, senão atentemos: Tanto Fernando Santos como Jesualdo nunca foram unânimes, nem partilharam de um só público, fosse nas Antas, seja agora no Dragão, mas sim dos que lhes assobiam e dos que lhes aplaudem; ambos têm uma preferência clubística que não é a azul e branca; ambos conquistaram, no mesmo período de tempo (em três anos), cinco títulos no FCP, sendo que Fernando Santos conquistou um título nacional (1998-99, ficando conhecido como o engenheiro do Penta), duas taças de Portugal e duas Supertaças, enquanto Jesualdo foi Tricampeão nacional (de 2006 a 09), vencedor de uma taça de Portugal (2008-09) e uma Supertaça (2008-09); e ambos possuem uma característica que a torna, a meu ver, na maior coincidência entre os dois, que é a sua fraca leitura de jogo, que quase sempre contava com uma estrelinha da sorte (com especial incidência nas substituições), que permitia que no fim de cada jogo e consequente vitória o discurso fosse virado para o êxito táctico em prol do visível medo e passividade perante uma má exibição, com que por vezes cada jogo era e é encarado. Com uma diferença temporal de cerca de dez anos, o adjectivo que usava naquela altura, em conversas de café, e que uso, agora, e que me melhor se encaixa para descrever os dois técnicos, usando e pedindo desculpa pelo uso do vernáculo, é o de serem "cagões"! Tanto com um como com outro, quase sempre houve uma altura, em que a estrelinha de campeão se sobrepôs ao seu valor profissional enquanto treinadores, talvez mais vezes do que o desejado.

É claro que a sorte também se procura e, esta, cada vez faz mais parte dos campeões, mas prefiro ganhar com trabalho e estrelinha de campeão do que ganhar com estrelinha de campeão e, só depois, com trabalho. Não está em causa, o trabalho, permanente, de reajustamento de plantel, efectuado ao longo destes três anos e meio, nem tão pouco que os títulos conquistados por Jesualdo ao serviço do FCP, foram ganhos por acaso. É claro que todos eles têm o seu cunho pessoal, e o sucesso do FCP também se deve ao professor, mas penso que ao fim deste tempo todo, está patente que o seu percurso enquanto treinador principal do FCP está esgotado, está apático e estático e sem evolução aparente. O seu lote, limitado, de escolhas (por opção própria), pouco pode acrescentar e melhorar significativamente o modo como de abordagem aos jogos. Não chega ter um treinador que escolhe e pede reforços, de modo a colmatar as saídas (anuais) dos nossos melhores jogadores, para depois não aproveitar e explorar ao máximo as características de cada um destes que chega, e encaixá-los na equipa; acabando por escolher os que são melhores individualmente, mas que não resultam colectivamente, ou os seus jogadores fetiches, em detrimento de jogadores importantes de equipa e ainda com oportunidades para se mostrarem, no banco. Isto leva a retirar uma importante conclusão, de que ou foram tremendo erros de casting ou já não é Jesualdo a escolher quem quer para reformular a equipa.

Defendo a continuidade de Jesualdo no FCP sim, mas no plano da formação das equipas mais jovens, fazendo a transição das camadas jovens para os seniores, à semelhança daquilo que fazia na selecção dos Sub-21, pois aí sim é importante que os mais novos aprendam os processos técnico-tácticos que o professor tanto apregoa.

Passando agora, para aquele que é o segundo tema da calçada desta semana, a Selecção Nacional, e aproveitando que o tempo é de festejos, faço menção para um pequeno exercício de memória, onde comparo e aponto para uma ligação directa entre o sucesso do FCP e os resultados obtidos das nossas selecções ao longo dos últimos quinze a vinte anos. Se é certo, que nas últimas duas décadas, o Porto tem dominado as competições internas, as boas prestações da nossa Selecção, embora sem títulos, nos Euros 96, 2000, 2004, 2008 e nos Mundiais de 2002 e 2006, fazem-me crer que este "sucesso" está como que intimamente ligado.

Quantos de nós já deram por si a pensar que a espinha dorsal da Selecção Nacional é quase sempre composta pelos jogadores que alinharam e alinham no FCP. Mourinho disse-o no primeiro jogo do Euro em Portugal, que só com os seus jogadores, aquela equipa seria capaz de chegar à final, o que se veio a confirmar. E se há quem não o queira admitir, vejamos alguns nomes (mais importantes) que constituíram ao longo destes anos, os onzes da nossa selecção. Nomes como Vítor Baía, Jorge Costa, Fernando Couto, Ricardo Silva, Ricardo Carvalho, Ricardo Costa, Pepe, Bruno Alves, Rolando, Bosingwa, Nuno Valente, Paulinho Santos, Costinha, Maniche, Deco, Pedro Mendes, Raul Meireles, Capucho, Folha, Quaresma, Hugo Almeida, Domingos, Hélder Postiga, entre outros. Nomes para todas as posições, capazes de montar uma ou duas equipas demolidoras. Facilmente tudo isto se constata se tivermos em conta, que nestes dois últimos jogos frente à Bósnia, que entre seis a sete jogadores jogaram/jogam no FCP. E enganem-se aqueles que acham que os já jogaram no FCP, apenas estão na selecção por via dos grandes clubes europeus para os quais foram vendidos pelo Porto, mas sim pelos méritos e títulos que conquistaram de dragão ao peito, altura em que já eram seleccionáveis.

Apetece-me acabar o post dizendo que com um "FC Porto sempre Campeão constrói-se uma Selecção!" E se dúvidas disso ainda houver, digo apenas que moram no Dragão o médio e o central que deram o apuramento para África a Portugal.


Abraço e fiquem por aí, que eu fico...

13 comentários:

  1. eles deviam estar distraidos e na foto da 1º página do rascord aparece PFerreira, BAlves, Pepe, Carvalho e Meireles

    demasiado azul e branco para aquele pasquim

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  2. Quanto ao tema das Selecções imaginem vocês a histeria que tomaria conta de Lisboa se fossem o Coentrão e o Nulo Gomes a fazer os golos do nosso apuramento!!!


    abraço

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  3. offshore:

    não tinham outra opção, a outra foto que dispunham era o nulo gomes cheio de frio encostado no banco...

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  4. Favor ñ chamar nomes ao 'homem'.
    É Nulo. Nulo Golos.

    O Queiroz ainda o mandou aquecer e depois perguntou-lhe: 'Já estás quente?'
    Quando ele respondeu afirmativamente o Queiroz retorqiu: 'Então vai tomar banho' :-)

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  5. Agora é fundamental que as selecções sejam esquecidas e total concentração no F.C.Porto.
    Que o espírito seja o correcto e ninguém pense em poupar-se, não meter o pé e ter a cabeça no mundial...Tem a palavra Jesualdo que tem de alterar o rumo, ganhar e ganhar.

    Um abraço

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  6. Muito bem escrito, João.

    É bem verdade o que diz o Vila Pouca, depois da selecção ter carimbado a presença na África do Sul, agora é tempo de assentar as cabecinhas no clube para regressarmos rapidamente às vitórias e chegar ao topo da tabela. Espero, no máximo 1 mês, para estar lá em cima. :)

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  7. Bom texto, João...

    Efectivamente, existem muitas similaridades entre o engenheiro do Penta e Jesualdo. Ambos são de personalidade introspectiva, pouco dados a grandes manifestações de exuberância, sendo que futebolisticamente o comedimento e o conservadorismo são palavras-chave para ambos.

    Em relação a Jesualdo, respeitando sempre quem defende, de forma honesta, aquele magnífico emblema que amamos, confesso que cheguei ao fim da linha. Ando exasperado, inconformado com o rumo futebolístico que a equipa, anualmente, toma.

    São espectáculos paupérrimos, melancólicos, impróprios para consumo, na maioria das vezes. Que nos deixa pentacampeões e depois siga o seu rumo...para longe.

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  8. Paulo Pereira:

    "Em relação a Jesualdo, respeitando sempre quem defende, de forma honesta, aquele magnífico emblema que amamos, confesso que cheguei ao fim da linha. Ando exasperado, inconformado com o rumo futebolístico que a equipa, anualmente, toma."

    Não acrescento mais nada, tiraste-me as palavras da boca.

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  9. Por acaso - ou talvez não - acho que boa parte do País não está muito contente com a passagem ao Mundial.
    Rui brilhantina ontem teve o desplante de falar de "algum" mérito de scolari... veja-se ao que chegou o topete!!!!!!!!
    Depois, meia equipa made in Porto mais os marcadaores made in Porto, deixam muita azia!!!!!!
    E ficou tudo melancólico, com saudades do pastor de igreja que defendia os mininos à estalada, vetava o melhor guarda redes europeu e tinha uma sorte do cara..vagio...
    Queiroz é Português, não hostilizou o Porto, ficou marcado.
    Ganhou .. Ó desilusão!!!
    Merda de País que temos.
    Até quando???
    Quanto a Jesualdo, bem ou mal é tricampeão, continuo a pensar que quando entrou teria mesmo de ser ele, hoje merece o noso respeito,as nossas críticas porque as merece,o nosso apoio, pois é o nosso treinador rumo ao penta. E só iso interessa Depois logo se vê.
    Ano passado també se pedia a cabeça dele e foi o que se viu. Este ano será mais difícil, a concorrencia está mais forte mas se não estivermos com a equipa resvalamos para uma sportinguisação. E isso não é bom.
    As contas fazem-se no fim apesar de também não gostar dete futebol, mas confio numa melhoria.
    Calma na grande área.

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  10. Como Queiros disse, as contas fezem-se no fim.... e no fim quem ganha é o F. C. Porto.

    O que vai dizer o ca(ra)melo do Platini sobre o golo que qualificou a sua França para o mundial?

    A verdade desportiva?? Tem dias e cores....

    P.S. - Quanto ao novo look do blog... Porreiro, pá!

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  11. http://www.sectorofensivo.blogspot.com/2009/11/raul-meireles-seleccao-e-porto.html


    Visitem e Comentem.

    Abraço

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  12. Comungo com a generalidade das afirmações e na colocação das pedras da calçada que nos levará ao Penta. Daria apenas um pequeno retoque no desenho.
    O professor Jesualdo é neste momento o nosso treinador e tem mais dois anos de contracto, e este facto só por si garante-lhe a continuação da sua actividade a frente da equipe de todos nós, pois atendendo a experiencias anteriores, não acredito numa chicotada psicológica. O FC Porto não tem por hábito rasgar contratos, nem servir-se dessa cortina de fumo.
    Se assim é, o que creio firmemente que sim, só nos resta uma alternativa, que se resume a um apoio incondicional.
    Penso eu de que.

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  13. Depois da nossa qualificação para a África do Sul ter sido garantida com 2 golos de jogadores do FC Porto, só me apetece cantar: "CHEIRA BEM, CHEIRA AO FC PORTO!!!". :)

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