17 novembro, 2017

A FORÇA DO QUERER.


FC PORTO-PORTIMONENSE, 3-2

A equipa do FC Porto teve um enorme obstáculo pela frente na 4ª Eliminatória da Taça de Portugal. O Portimonense já se sabia que é uma equipa com bastante qualidade, que joga o jogo pelo jogo e conta nas suas fileiras com algumas individualidades que emprestam à equipa um toque de classe.

É o caso de Nakajima, um japonês com uns pés de veludo. O avançado nipónico desequilibra o jogo dos algarvios na frente de ataque e é um perigo constante para a baliza contrária.


O FC Porto começou muito bem o jogo contra o Portimonense. Aos 4 minutos, o Dragão adiantava-se no marcador na cobrança de um pontapé de canto por Alex Telles a que Danilo deu sequência, empurrando a bola para o fundo da baliza.

Estavam todas as condições para se assistir a um festival de golos, semelhante ao jogo jogado para a Liga NOS há cerca de dois meses. Apesar de se ter assistido a cinco golos, desta vez quem esteve em maus lençois para lá dos 90 minutos foi o FC Porto.

Os azuis-e-brancos não deram boa réplica e depois dos 5 minutos o jogo passou a ser muito lento com os jogadores a acusarem falta de ideias e de iniciativas para ultrapassar a defesa algarvia. A excepção foi Corona que numa bela jogada individual aos 25 minutos falhou o segundo golo que teria dado praticamente a sentença à partida.

Sérgio Conceição apostou num 4x3x3 com a maioria dos habituais titulares, fazendo regressar Casillas à baliza e Óliver no meio-campo. Hernâni foi a terceira novidade no lugar do cansado Brahimi.


Não marcou o FC Porto, empatou o Portimonense aos 30 minutos. Numa jogada de Nakajima, o japonês deu sequência a um canto, a bola sobrou para Wellington, que fez a bola a passar por baixo das pernas de Casillas.

Na segunda parte, os Dragões queriam marcar, mas não conseguiam traduzir o jogo em golos. O Portimonense disso se aproveitou e, num lance fortuito à passagem dos 68 minutos, chegou ao 2-1. Um grandessíssimo golo de Pedro Sá que, do meio da rua, rematou sem hipóteses para I. Casillas.

O FC Porto estava fora da Taça de Portugal. Sérgio Conceição já tinha operado a substituição de Hernâni (completamente a leste do jogo) por Brahimi e sem soluções no banco, lançou André Pereira da equipa B que viria a ser decisivo.

Os portistas não conseguiam reagir, mas aos 78 minutos, Danilo sofreu obstrução de Filipe Macedo. O jogador algarvio foi expulso por acumulação de amarelos. A partir daí viu-se um Portimonense completamente a abdicar do jogo, com perdas de tempo exageradas e simulação de lesões.


Dos 78 aos 90 minutos, não se viu futebol. Via-se, sim, muita gente a abandonar as bancadas do Dragão. Mas a equipa continuava com vontade de dar a volta ao jogo, nunca desistindo de nenhum lance. Havia sete minutos de compensação para cumprir, resultantes do anti-jogo de Vítor Oliveira. Foi nesse período que o Dragão deu a volta ao marcador.

Aos 91 minutos, Aboubakar surgiu isolado na cara de Carlos Henriques e empatou a partida. Era a loucura no Dragão com muitos pipoqueiros a regressarem às bancadas. Além disso, os jornais já se preparavam para lançar as manchetes do dia seguinte e os comentadores das tvs e rádios voltaram a guardar as canas.

Admitindo que o jogo teria prolongamento, o que seria mais penoso para o Portimonense por estar em inferioridade numérica, mas também prejudicial para o FC Porto por ter de jogar mais 30 minutos com um jogo exigente na próxima terça-feira em Istambul, André Pereira sacou um coelho da cartola.


O miúdo da equipa B recuperou a bola junto à linha lateral, desmarcou Aboubakar que falhou a intercepção. A bola sobrou para Brahimi, que vindo de trás, colocou a bola no fundo das redes. Estavam decorridos 95 minutos de jogo.

A reviravolta operada, a força do querer, da crença e a dinâmica da equipa de Sérgio Conceição faz-nos pensar que tudo é possível. Houve festejos exuberantes, alegria, pipocas, pipoqueiros, mas também vozes de enterro nas tvs e nas rádios.

A arbitragem teve erros. Desta vez, ficou por expulsar Alex Telles na primeira parte por entrada perigosa sobre um jogador algarvio. Quanto ao tempo de compensação e à expulsão do jogador do Portimonense, não há nada a dizer. Aqui não se doura a pílula, nem se faz o branqueamento de lances do jogo, com a certeza de que também não há missas nem padres como noutras paragens.

O objectivo no jogo da Taça está cumprido, as baterias voltam-se agora para Istambul onde aos Dragões espera um jogo quase decisivo que pode definir muito do que será a continuidade ou não do FC Porto na prova máxima da UEFA.




DECLARAÇÕES

Vítor Bruno: “O espírito e a alma da equipa fizeram a diferença”

As dificuldades esperadas
“Foi uma vitória difícil, mas já sabíamos que este é um jogo tradicionalmente complicado. Há que dar mérito a quem trabalhou durante os 90 minutos para conseguir uma vitória que acaba por ser justa. Defrontámos uma equipa com qualidade, das melhores do Campeonato, e que nos criou muitas dificuldades. Há que dar mérito ao Portimonense por isso.”

Trabalho coletivo
“Todos os jogadores deram uma resposta positiva e mesmo o André Pereira, que se estreou hoje pela equipa principal, esteve muito bem. O que é de realçar é o trabalho de todos, dos que estão lá dentro e dos que estão cá fora. Além disso, a atmosfera do nosso estádio é inolvidável. A partir do momento em que estivemos a perder, tivemos uma alma muito grande.”


Vitória justa
“Foi um desafio importante que a equipa soube ultrapassar. Defrontámos uma equipa de qualidade e que voltou a pôr-nos à prova. O espírito e a alma da equipa fizeram a diferença, tal como os nossos adeptos. Foi uma vitória sofrida, mas justa.”

A expulsão de Sérgio Conceição
“É sempre difícil não termos o nosso líder no banco e a equipa sente isso. É uma expulsão difícil de contestar, mas o Sérgio Conceição não maltratou nem faltou ao respeito a ninguém. Foi simplesmente uma reação de quem queria muito ganhar. Esta vitória é dedicada ao nosso líder.”



RESUMO DO JOGO

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