17 agosto, 2007

Minho para abrir

Estávamos em Outubro de 2006, ainda nos inícios da passada época futebolística, quando na visita ao Minho para defrontar o Braga na 5ª jornada, averbamos a 1ª derrota por 2-1, num jogo que na altura (podem confirmar aqui), classifiquei de miserável e indigno das nossas cores.

Curiosamente, foi no seguimento de uma outra derrota a meio da semana em Londres, dessa vez para a 2ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, com uma derrota com o Arsenal por 2-0, em que tinha já também classificado a exibição produzida de pobre e de medo.

Por coincidência, voltamos a estar de regresso ao Minho para defrontar o Braga, num jogo a contar para a 1ª jornada da edição deste ano do campeonato nacional que se inicia esta noite, n'um pós-derrota para a Supertaça Cândido de Oliveira que ocorreu no passado sábado em Leiria.

Estou esperançado que desta vez, o nosso Prof. Jesualdo Ferreira tenha já reflectido nos erros de sábado, e os nossos jogadores tenham humildade e capacidade de sofrimento em campo para serem dignos da mágica camisola azul-e-branca que envergam e nos mostrem que o percalço de percurso do passado fim de semana, não tenha passado disso mesmo, um percalço e uma noite menos boa… matéria prima no plantel actual há que chegue e sobre para fazer melhor (muito melhor, digo eu!).

Em tudo na vida, é sempre bom iniciar-se algo com o pé direito e por isso não espero menos que uma vitória, e depois, convém não esquecer, na semana seguinte e já para a 2ª jornada, tentaremos procurar vingar com juros a derrota da Supertaça quando recebermos o Sporting no nosso Palco dos Sonhos, vulgo Estádio do Dragão.

Assim, para o assalto ao Minho, o meu onze era este… concordam ou nem por isso?

ps – na altamente tendenciosa e porque não até encomendada GRANDE REPORTAGEM que passou a noite passada na RTP, os únicos e reais motivos de orgulho que me ocorreram foram ouvir as palavras conspurcadas do Zarolho Ramos, do Malvado Machado, do Pacheco Pedrado e do Mauzinho Neves, porque de facto, a cada dia que passa, cada vez mais me orgulho em ser PORTISTA neste país dos tais 6 milhões de ridículos e invejosos… contra tudo e contra to(l)os, venceremos! Ahhh, e lamento profundamente o papelão de bajulador perante esta atroz manipulação da RTP por parte do candidato a candidato, Dr. Rui Moreira... é que não havia necessidade, carago!

pps – [nova actualização] [CoNtRa dOSsiEr] "o apito Bermelho" com upload de 37 novas imagens (total: 164 slides)… passem por lá para confirmar.

ppps – [nova actualização] são já 17 aliados na divulgação do [CoNtRa dOSsiEr] "o apito Bermelho" com a colocação do banner respectivo nos seus espaços de discussão. São eles o
Portistas de Bancada, Estádio do Dragão, O Gil, Dragalhadas do Dragão, Mundo Azul e Branco, Sangue Azul, Dragão Nortenho, Sou Portista com Orgulho, FC Mangalhões, DragãoPentaCampeão, Blog do Dragão Azul, Bi-Campeões do Mundo, Anti-Lampião, Tribunal do Futebol, BlogHistórias, Alfrodo e Jornal O Portuense…… se estás interessado em aderir a esta causa em prol da 'honra e bom nome do FC Porto', solicita-nos por e-mail o código do banner.

pppps – quanto ao concurso de ideias que está em curso, e aos 5 cérebros do photoshop, agradecia me informassem via email do ponto de situação dos vossos trabalhos, até porque estamos a chegar ao tempo limite… o meu obrigado.

16 agosto, 2007

Demasiada Paixão

Nós somos mesmo um clube poderoso. Grandioso. E podia continuar com mais uma dúzia de adjectivos acabados em “oso”. Dizê-lo, face ao que é visível por todos, tornou-se um lugar-comum. Algo aceite com um encolher de ombros. Pacificamente. Contudo, nestes tempos tenebrosos, nunca é por demais repeti-lo. Vem isto a propósito deste artigo. Quem se der ao trabalho de o ler poderá, no final da leitura, ficar perplexo.

“Então onde estão os elogios ao FCP?”, perguntarão, surpreendidos. Não estão, meus caros. Pelo menos explicitamente. Mas é algo subjacente ao próprio artigo, como uma entidade não visível, mas palpável, em cada palavra carregada de ódio, em cada sílaba martelada com azia, em cada letra escrita com mesquinhez. Este é apenas um exemplo. Existem muitos outros. Quem se dá ao trabalho de, na véspera da Supertaça, pensar num artigo deste calibre, visando, de forma insinuada, subliminar, criar a ideia de que Bruno Paixão até é um dos “nossos”, é porque nos teme. Receia a nossa qualidade, a nossa organização, o nosso carácter, a nossa mística. No seu género, o artigo até constitui uma ode, um hino, um elogio escrito em prosa, ao espírito indomável de um clube VENCEDOR.

No entanto, apesar desta leitura possível, mas a que poucos estarão interessados em chegar, o que ficou patente foi a pretensa, mas propalada, “ajudinha” a Bruno Paixão por parte de Pinto da Costa. Claro que o passado infame do árbitro foi liminarmente esquecido. Fez-me recordar aqueles filmes americanos, onde um qualquer mafioso arrependido, colaborante com a justiça, num ápice passa a ter nova identidade, começando do zero, com os crimes do passado estrategicamente “apagados”. É isto que tentaram fazer com o juiz da partida. Lavar benevolamente a escandalosa actuação dele, numa invernosa noite alentejana, na pitoresca cidade – ou vila – de Campo Maior. Uma exibição com fato de gala vestido, transformando aqueles penosos 90 minutos num dos maiores atentados à verdade desportiva que este País conheceu pós 25 de Abril, transformando esse mero figurante vestido de preto no actor principal de uma tragicomédia.

Jesualdo, cada vez mais confiante em si mesmo, sentindo notoriamente que este é um clube diferente, merecedor de respeito, respondeu de forma refinada, numa conferência de imprensa antecedente ao jogo, colocando de forma subtil a tónica nessa “esquecida” partida. “Bruno Paixão está mais maduro, mais experiente, capaz de superar erros do passado”, frisou o nosso técnico, lembrando cirurgicamente, sem nunca se referir a ele de forma explícita, o passado atreito a erros de Bruno Paixão.

Tem feito bem a Jesualdo a convivência diária com o líder do nosso clube. Bebendo da sabedoria de Pinto da Costa, o técnico tem deixado de lado aquele ar crispado, de semblante carregado, aparecendo mais solto, exalando um optimismo que é benéfico para todos.

Nunca nutri, e tenho que assumi-lo, grande admiração ou sequer simpatia por Jesualdo. Mas essas impressões, geralmente baseadas em estereótipos, podem ser alteradas, com o passar do tempo. Tem-me agradado ver Jesualdo, que poderia muito bem ficar resguardado no seu cantinho, a empunhar o baluarte do Dragão, sempre que vê o clube injustiçado. Foi preciso chegar à Invicta para o sentir, mas nunca é tarde. E como Jesualdo deve achar diferente o futebol português, agora, sem o resguardo de uma imprensa facciosa. Talvez Jesualdo, até ter “emigrado” para o Norte, tenha achado que era uma fantástica coincidência, decerto alheia às preferências clubistas de jornalistas, administradores, cooperantes, secretárias, contabilistas e pessoal da limpeza do jornal "A Bola" só se pronunciar sobre lances controversos quando uma arbitragem lesava o Benfica. Por definição, portanto, só o Benfica era prejudicado. E a nação vivia alegremente, dependendo de "A Bola" para se indignar. Felizmente, Jesualdo apercebeu-se de que esse não era um Mundo real. Era uma ficção engendrada por alguns para satisfação de muitos.

E assim, felizes e contentes, vimos chegada a hora do tão ansiado pontapé na bola. Agora a sério, sem aqueles floreados típicos dos jogos a “feijões”. Agosto é sinónimo de Supertaça. E Supertaça tem sido sistematicamente sinónimo de Porto. Como Porto é sinónimo de vencedor, refastelei-me no sofá – apesar, tenho que dizê-lo, do Big Boss aqui do sítio me ter tentado demover, procurando-me arrastar para Leiria – à espera do apito final, com a garrafinha de “Moet & Chandon” dos pobres à espera, fresquinha. Já todos devem saber o que aconteceu, dentro do campo. A minha mulher, já “vacinada” contra o fundamentalismo que grassa lá em casa, disse-me que eu estava em forma, para um início de época. Compreendo o desabafo. Foram 90 minutos de impropérios – não se ofendam os mais puritanos, pois os miúdos já estavam a dormir – contra as saídas em falso de Helton, contra o meio-campo improdutivo, contra o conservadorismo de Jesualdo mas, fundamentalmente, contra um elemento em particular, vestido de amarelo garrido: Bruno Paixão. Há espinhas que nos ficam atravessadas na garganta, tempos infindos. Esta é uma delas. Por mais anos que viva, nunca esquecerei o “dia da infâmia”. Foi esse o nome dado pelos americanos ao dia do bombardeamento traiçoeiro em Pearl Harbour, perpetrado pelos japoneses. É assim que eu baptizei essa longínqua noite de Fevereiro, em Campo Maior. Há erros e erros. Acidentais e deliberados. Resultado da incompetência ou da má fé. Cada um escolherá a categoria para colocar os que foram cometidos nessa fatídica noite.

A ilação que tiro, feito o rescaldo do jogo da Supertaça, é que nós, adeptos portistas, começamos a encarar os erros arbitrais, como se estes já se tivessem tornado naturais, uma parte integrante do próprio jogo. Ao aceitarmos isso estamos, parece-me, a ser vencidos pelo tenebroso esquema que nos rodeia. Se, numa derrota, apesar da clara influência arbitral para o desfecho, optamos por "zurzir" forte e feio no técnico portista, não estaremos todos nós a ser coniventes com o branqueamento dado pela comunicação social à arbitragem de Bruno Paixão? Ao aceitar, impávidos e serenos, com um mero encolher de ombros, que as diatribes dos juízes - e deste em particular - façam mossa no nosso clube, mas sem mostrarmos o nosso direito à indignação, não estaremos a por-nos a jeito, para uma próxima vez? Eu sei que às vezes se torna fastidioso escrever sempre sobre o mesmo tema, mas convenhamos que a blogosfera se tornou praticamente a última arma que nos resta, para nos rebelarmos, para mostrarmos a nossa indignação, para dizermos que não toleramos esta dualidade gritante de critérios. Se nem essa usarmos...

Não posso deixar de partilhar uma anedota de café, contada um dia destes por um amigo. Reza assim a história. Aviso já que qualquer semelhança entre ela e a realidade NÃO é pura coincidência. “Uma noite destas, de regresso de uma discoteca lisboeta, Nuno Assis não aguentava a bexiga cheia. Encostou-se recatadamente a um candeeiro e ahhh…respirou aliviado, depois de ter urinado. Horas mais tarde, uma idosa passeava com o seu caniche de estimação. O pobre animal, curioso, resolveu cheirar o mesmo candeeiro utilizado pelo jogador encarnado. Resultado: o animal ganhou as três últimas corridas do campeonato mundial…de galgos”.

Fiquem bem,
Paulo Pereira

ps - deliciem-se com os rascunhos da próxima grande obra literária a sair em breve, numa qualquer livraria perto de si... FAÇAM JÁ O DOWNLOAD da obra "Tu, Luís". É só clicar aqui e deliciem-se com a 'tal verdade' dos invejosos e medíocres!

pps -
a não perder esta noite na RTP1, pelas 21h00, o programa Especial Reportagem "O BOM, O MAU E O VILÃO ", que incidirá sobre a carreira de dirigente desportivo do nosso Mítico Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, que é nem mais nem menos, o presidente de um clube desportivo há mais tempo em funções – não apenas em Portugal, mas em todo o mundo. Ao fim de 25 anos à frente do FC Porto, Pinto da Costa apresenta um palmarés imbatível; milhares de sócios consideram-no o grande obreiro das vitórias do clube e adoram-no como um Deus.

15 agosto, 2007

Ao estado a que isto chegou

É público e de finais de Julho que o Exmo. Sr. Pinto Monteiro, dentro das suas competências de Procurador-Geral da República, decidiu mandar investigar as denúncias de Ana Salgado, as quais colocavam dúvidas na isenção do comportamento da equipa de Maria José Morgado.

A resposta da Procuradoria-Geral da República na altura às perguntas do semanário O Sol, vieram por escrito detalhando que seria levado a cabo um 'pormenorizado inquérito não só ao teor das declarações prestadas' por Ana Salgado, gémea de Carolina, mas, ainda a 'tudo aquilo que as envolve' acrescentando ainda que 'tomar-se-ão depois as medidas que se venham a mostrar necessárias e adequadas'. E quando questionada sobre esta situação, a Exma. Sra. Maria José Morgado respondeu que 'o tempo dirá de que lado está a verdade'.

Mais ainda, segundo a tvi, a procuradora adjunta prometeu avançar com uma queixa-crime contra a irmã gémea de Carolina Salgado afirmando ainda que punha 'as mãos no fogo' pela sua equipa e que não admitia que colocassem em causa o seu trabalho e o bom-nome.

Ora impunha, apenas e tão só o bom senso, que tal 'inquérito pormenorizado' fosse efectuado por alguém totalmente independente das partes envolvidas. Mas segundo notícia do JN e após Maria José Morgado ter dado conta do caso ao vice-procurador-geral da República , Mário Gomes Dias, este deu ordens para o inquérito ser retirado ao Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Ministério Público (MP) do Porto e remetido para Lisboa, à equipa de coordenação do processo Apito dourado, dirigido pela mesma pessoa, Maria José Morgado.

Assim, com esta decisão da Procuradoria-Geral da República, chegamos a uma situação (apelidem-na como entenderem) em que tudo aponta para que seja a Exma. Sra. Morgado a investigar o teor das denúncias feitas pela irmã de Carolina, visando indirectamente a sua própria pessoa e mais em concreto um inspector da PJ da sua equipa incluíndo factos envolvendo, entre outros, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira e a jornalista Leonor Pinhão.

E com tanta isenção não tardará assim que o 'o tempo diga de que lado está a verdade'. E se a possível responsável pela investigação já afirmou que punha 'as mãos no fogo' pela sua equipa e que não admitia que colocassem em causa o seu trabalho' não será tudo isto uma perca de tempo ? Não será melhor fechar já a porta da prisão e deitar fora a chave ?

Das duas três:
- Ou o Senhor Procurador nomeia alguém realmente independente para conduzir o inquérito.
- Ou se envia a pessoa directamente para a prisão, sem passar pela casa da partida e sem receber 2.000 Escudos.
- Ou andamos todos distraídos em férias e a notícia do JN não reflecte a verdade.

Será que não existe alguém que deveria levar a sério a sua função de proteger os direitos das pessoas contra o poder público? Evitava-se assim que D. Afonso Henriques se levanta-se do seu tumulo, em Coimbra. Ou que a saída dos blindados de Santarém para acabarem com o estado a que aquilo tinha chegado não tenha sido em vão.

O número 10

Enquanto que se discutia a ausência do camisola 10 na equipa do FCPorto eis que, surpresa das surpresas ou talvez não, este foi apresentado, em directo, no dia 9 de Agosto pelas 22.30 na Sic Notícias.

E embora alguns, ou algumas, afirmem que não fala sem consultar os seus advogados, teve o bom gosto (ou será coragem ?), de dar a sua entrevista em directo, coisa que escasseia nos líderes da 2ª. circular.

Como de costume não mandou recados por ninguém. Distribuiu jogo sempre para a frente, falou de tudo e de todos e nem se deu ao trabalho de esconder os nomes. E a verdade é que pouco de novo disse. Passe a devassa da vida particular, só quem anda distraído é que ainda não deu conta da sucessão de situações sucedidas que se sucedem sucessivamente sem cessar.

Deram-lhe nota de 7,5 em 10 mas realçaram que as mesmas chamadas, pelo mesmo operador e no mesmo horário, deveriam ser taxadas de maneira diferente. Há coisas fantásticas, não há?

Alaó,
Estilhaço

p.s. 1 - Parabéns ao Sporting pela conquista da Super Taça e pela análise verdadeira do seu treinador. Pese o resultado e a paixão das histórias do costume é de continuar a depositar total confiança na nossa equipa e no Professor. Ou já perdoaram o Adriaanse e querem que ele volte ?

p.s. 2
- E para Agosto até que a coisa está bastante animada. Uma situação que não é daquelas que sucedem sucessivamente sem cessar. Saceiem lá a Vossa curiosidade e digam da Vossa justiça.

Quem tem medo compra 1 cão, não compra 1 equipa

‘Nortada' do Miguel Sousa Tavares

FC Porto vende poucos e bons e contrata muitos e maus.

Optando por não encaixar na equipa nenhum dos reforços que pediu e obteve, optando por dispensar o talento e o imprevisto que deixou sentados no banco, em benefício de um futebol previsível e inócuo, Jesualdo ficou sentado à espera do erro do adversário. E lixou-se. Ele, sozinho, perdeu a Supertaça para Paulo Bento. Haverá, ao longo da época e tal como na anterior, muitas ocasiões para o elogiar, segundo espero. Desta vez não houve.

Caros leitores portistas: este texto, e esta reflexão, é só para vocês. É o primeiro da nova época e deve ficar só entre nós. Quando vos deixei para ir de férias tínhamos acabado de vender o Anderson e o meu último texto foi quase de raiva: entendi, e continuo a entender, que o Anderson foi muito mal vendido. Foi vendido prematuramente, antes de ter ainda dado o suficiente ao clube e antes ainda de se poder valorizar muito mais, porque ele vai ser um caso sério no futebol. Foi vendido à pressa, para tapar o buraco dos 30 milhões de prejuízos de gestão da SAD. Depois disso foi vendido o Pepe — e, esse sim, foi bem vendido, porque, apesar de eu vir escrevendo que ele era o melhor central que eu via a jogar, 30 milhões por um central são irrecusáveis.

Dos três verdadeiramente fora de série que tínhamos para vender resta o Quaresma. Não sei, ninguém sabe, se virá ou não a ser vendido, mas com as vendas do Pepe e do Anderson e depois de termos sido o clube do mundo inteiro que mais facturou no defeso com vendas, não é difícil afirmar, como o fez Pinto da Costa, que este ano o FC Porto vai dar lucro. Era o que faltava que não desse! A questão está em saber se para o ano será preciso vender o Quaresma, mais o Leandro Lima, para tapar mais uns 30 milhões de prejuízos da gestão corrente…

O cerne da questão é sempre o mesmo: ano após ano o FC Porto vende poucos e bons e compra muitos e maus. E o dinheiro da venda de uns esgota-se a sustentar os outros. Um portista mais compreensivo dizia-me há dias que só comprando muitos é que se consegue comprar um Anderson e um Pepe de vez em quando. Como se estivéssemos a falar de melões. Mas não é preciso perceber muito de futebol para ver que um Mareque, um Renteria e outros que tais jamais poderiam transformar-se em Pepes ou Andersons — e por isso mesmo é que já foram emprestados, seis meses depois de terem sido comprados.

Este ano, quando inicialmente parecia que iria haver mais contenção, afinal a história acabou por se repetir: foi comprada uma equipa inteira, uma dúzia de jogadores — dos quais três foram directamente emprestados. Dos que não interessavam (do meu ponto de vista…) só um foi vendido: o Ricardo Costa. Os outros ou foram emprestados, com os encargos a cargo do clube, ou «esperam colocação» ou «treinam -se à parte», ou estão como excedentários no núcleo principal. Porque, nestas coisas, os grandes clubes compradores não se enganam: eles querem é os verdadeiramente bons. Os outros, aqueles que, segundo a imprensa amiga, «têm muito mercado», continuam à espera. Ou seja: vende-se o Anderson mas segura-se o Lucho, vende-se o Pepe mas segura-se o Raul Meireles. Pois…

Enfim, entraram 12 novos. Presumo que todos tenham tido o aval do treinador, como seria de esperar. Presumo igualmente que foi com o seu aval que o Ibson e o Diogo Valente foram dispensados, que flanqueadores como o Alan e o Vierinha (este sem nunca ter tido oportunidades para confirmar as boas indicações iniciais) foram emprestados. Presumo também que foi por sua vontade que o FC Porto foi buscar jogadores como o Nuno, o Luís Aguiar, o Bolatti, o Edgar ou o Lino. Presumo que, como seria de esperar, os que entraram são melhores que os que foram dispensados. E que só os foram buscar porque se considerou que eles constituem uma mais-valia para a equipa. E é presumindo tudo isso que não consigo entender como é que, 12 compras depois, Jesualdo Ferreira não tem para apresentar, no primeiro jogo oficial da época, nenhuma cara nova na final da Supertaça. Se não há nenhum com entrada directa na equipa (o Sporting teve quatro…), para que os quis? Se era para serem suplentes não serviam os outros que deitou fora?

Jesualdo preparou quase cientificamente a derrota na Supertaça com o Sporting. Sim, eu sei, houve um penalty por marcar, três bolas aos postes, uma jogada de golo interrompida sem explicação razoável pelo nosso conhecido Bruno Paixão e um adversário, chamado Izmailov, que, depois de um jogo inteiro a dormir, arrancou um pontapé do outro mundo. Mas a verdade é que ele perdeu contra uma equipa do Sporting que mostrou defender bem mas nada mais que isso. E é a segunda vez que o consegue e, francamente, começa a irritar.

Percebi que o FC Porto iria perder o jogo quando ouvi as declarações de Jesualdo Ferreira, antevendo a partida. Disse ele que o jogo seria resolvido por um erro de alguma das duas equipas. Enganou-se, mas o importante é que essa declaração mostrou logo que a sua única táctica para a vitória era confiar num erro do adversário. Por si, pelo valor da sua equipa, ele não esperava chegar lá.

E, quando se apresenta um meio-campo formado por Paulo Assunção, Marek Cech e Raul Meireles — três jogadores que só sabem jogar para os lados ou para trás —, é difícil conseguir chegar aos golos que dão as vitórias. Pelo que vi na pré-época, Jesualdo só tem uma estratégia para o golo: bola para o Quaresma e ele que resolva. Mas, ou o Quaresma é vendido, ou é arrumado, como fizeram ao Anderson, ou é judiciosamente castigado, como na época passada, ou rebenta de exaustão. Depois de 12 jogadores comprados, a mim parece-me que não é de mais exigir que o treinador tenha outras alternativas e as ponha em jogo.

Acontece que, pelo que se viu nos jogos de preparação, até parece tê-las. Há dois jogadores que podem ser uma clara mais-valia: Mariano González e Leandro Lima. Mas Jesualdo só os meteu em campo quando o jogo já estava perdido, porque, e seguindo uma sábia escola de alguns treinadores muito científicos, o talento é uma coisa perigosa e que precisa de ser vigiada. Os jogadores medíocres têm sempre utilidade, os bons é que precisam de «ser integrados aos poucos». O Anderson e o Quaresma, por exemplo, estiveram cada um deles um ano a ser integrados aos poucos…

Optando por não encaixar na equipa nenhum dos reforços que pediu e obteve, optando por dispensar o talento e o imprevisto que deixou sentados no banco, em benefício de um futebol previsível e inócuo, Jesualdo ficou sentado à espera do erro do adversário. E lixou-se. Ele, sozinho, perdeu a Supertaça para Paulo Bento. Haverá, ao longo da época e tal como na anterior, muitas ocasiões para o elogiar, segundo espero. Desta vez não houve.

PS - Tenho-me divertido a sério a ler as notícias das filmagens da Corrupção. Tenho-me divertido a sério a ler nas entrelinhas o embaraço da dr.ª Morgado com o depoimento da irmã da D. Carolina. Tenho-me divertido a sério a ler a minha colega Leonor Pinhão a explicar que o FC Porto é que provocou um conflito com a TAP para incendiar a «guerra Norte-Sul». E tenho-me divertido a sério a ler o José Manuel Delgado a fazer apelos ao comendador Berardo para que meta dinheiro no Benfica, antes que acabe a época de compras. Digo-vos sinceramente que, para quem não é benfiquista nem autista, tudo isto só dá vontade de rir.

# jornal “A BOLA” de 2007.08.14
# especial agradecimento ao Lucho que a enviou via e-mail

14 agosto, 2007

Viagens no tempo para desenfastiar

Esta crónica poderia ser sobre a total incompetência demonstrada pelo Sr. Jesualdo Ferreira no 1º teste oficial da temporada/Supertaça (Porto-0-Sporting-1) ou até sobre mais um «roubo» a cargo do Sr. Paixão. Mas não. Vou antes lembrar a hegemonia azul e branca nesta prova (com algumas deliciosas viagens no tempo) porque tenho consciência que não iria ser nada simpático para com aqueles dois senhores, atrás mencionados, e também porque estas recordações de outras supertaças nos ajudarão a esquecer o desaire de Leiria.


Todos sabemos que nos últimos 30 anos o FCPorto tem ganho a maioria dos títulos Nacionais tendo inclusivamente adicionado a esse «score» 6 trofeus Internacionais. Todos sabemos que os campeonatos e taças de Portugal ganhas pelo Porto desde 1977 têm aproximado o FCPorto do Benfica em n.º de títulos (tendo já ultrapassado o Sporting). Mas se há trofeu que deixa bem vincada a superioridade esmagadora do FCPorto nestas 3 últimas décadas, esse caneco chama-se supertaça «Cândido de Oliveira». Sendo um trofeu que teve a sua 1ª edição oficial no ano de 1981 é natural que expresse a hegemonia absoluta do FCPorto: 15 títulos contra 6 do Sporting, 3 do Benfica, 2 do Boavista e 1 do Guimarães. Isto é: 15 títulos azuis e brancos contra 12 de todos os outros concorrentes. Nos campeonatos e taças de Portugal esta diferença de trofeus (nos últimos 30 anos) é quase semelhante mas o efeito esbate-se um pouco devido a serem competições que já se disputam há mais de 60 anos e que por isso ainda deixam na liderança o clube da capital do Império, o tal dos 6 milhões. Nas 15 supertaças ganhas pelo Porto há um adversário que teima em fazer papel de vítima nestas histórias. De facto, o Benfica foi o adversário derrotado pelo Porto em 9 edições. Nas outras 6 os derrotados foram Estrela da Amadora, Boavista, Setúbal, Braga, Beira Mar e o União de Leiria. Não julgava os vermelhos tão masoquistas...

Destas 15 conquistas destaco a 1ª em 1981 em que o FCPorto depois de perder na Luz 2-0 deu a volta nas Antas vencendo por 4-1 com 3 golos de Jacques e 1 de Costa. Destaco também a de 1986 com o Porto a triunfar na Luz por 4-2 com uma grande exibição de Futre (2 golos sendo os outros de Madjer e Gomes) depois do empate (1-1, golo de Gomes) nas Antas. Destaco depois a de 1993, também diante dos vermelhos, com o FCPorto a ganhar a finalíssima em Coimbra nos penaltys (2-2 aos 120m, golos de Domingos e Secretário) depois de estar a perder, nesse desempate por penalidades, por 3-0 e depois de Jorge Nuno Pinto da Costa se ter ajoelhado em pleno relvado pedindo ajuda divina que lhe viria a ser concedida... Recordo ainda que essa supertaça teve uma 2ª mão nas Antas que obrigou a finalíssima, jogo que fui ver e em que o Porto, ainda de Ivic (Robson substituiu-o algum tempo depois), ganhou 1-0 ao Benfica com um golo de Vinha a poucos minutos do fim. Recordo a de 1994 com finalíssima em Paris que o FCPorto venceu por 1-0 frente ao Benfica, com um belo golo de Domingos. Destaco também a de 2001 em que o FCPorto bateu na final o Boavista por 1-0, golo de Jorge Andrade, jogo que se disputou em Vila do Conde e onde o Lucho esteve. Também estive em Braga na 2ª mão de 1998 onde o FCPorto empatou 1-1 (golo de Capucho), suficiente para mais uma conquista, jogo em que Jorge Coroado apitou um penalty fantasma contra o Porto (valeu a vitória nas Antas com um golo de Zahovic). Destaco, mais recentemente, a de 2004 com Quaresma a derrotar o Benfica, por 1-0, estava eu, de férias, em Palma de Maiorca e, era treinador do FCPorto, o Sr.Victor Fernandez. No ano passado ganhamos ao Setúbal (3-0, Adriano, Vieirinha e Anderson) com Rui Barros no comando da equipa.

No ano de 1991 o FCPorto disputou a supertaça com o Benfica. Na Luz o Benfica venceu por 2-1, golo de Jaime Magalhães. Na 2ª mão no Estádio das Antas o FCPorto deu um verdadeiro festival de ataque aos seus rivais mas só conseguiu um golo pelo Romeno Timofte que obrigou a desempate. Na finalíssima, em Coimbra, o FCPorto de Carlos Alberto Silva foi sempre superior mas José Pratas validou, erradamente, um golo de Isaías que tornou os últimos instantes dramáticos. Ainda hoje recordo a marcha atrás efectuada pelo árbitro até ao meio campo «fugindo» de Fernando Couto. No minuto 85 Paulinho César, um Brasileiro que pouco jogou, foi carregado na área e no penalty decisivo o capitão João Pinto não teve receio. Partiu para a bola, cheio de coragem, e fez o golo que levou o jogo ao prolongamento e aos penaltys. E aí o FCPorto venceu, de forma justa, diga-se. Essa equipa de 1991 era formidável. Vejam a foto e revejam grandes jogadores que muito dignificaram a nossa camisola, Baía, Couto, Paulo Pereira, Timofte, Aloisio, João Pinto, Magalhães, Rui Filipe, André, Domingos e Kostadinov. Destes, Fernando Couto ainda joga, penso que é o único, e Rui Filipe veio a falecer, de forma trágica, em 1994. Esta equipa venceu depois os campeonatos de 92 e 93.

Finalmente não podia deixar passar em claro a edição de 1996 quando o FCPorto de Oliveira bateu nas Antas o Benfica por 1-0, golo de Domingos, eliminatória que terminou na Luz com um verdadeiro festival dado pelo FCPorto. Os Dragões ganharam em casa do Benfica por impensáveis 5-0, golos de Artur, Edmilson, Jorge Costa, Wetl e Drulovic. Nunca o nosso rival tinha sido tão humilhado. Tudo aconteceu no dia 18 de Setembro de 1996. O Porto de Oliveira acelerou depois para o tri e para o tetra. Veja aqui os golos dessa partida. E esboce lá aquele sorriso depois de rever esta noite gloriosa. É sempre um prazer recordar este jogo, não é? Confessem lá que ainda se lembravam de todos estes 5 golos!!! E pronto, já passou. Sábado ganhamos ao Braga e o céu fica de novo azul e branco.

Saudações azuis e brancas,
Lucho.

13 agosto, 2007

Fraco, fraquíssimo…

Muito fraco… essa é a melhor caracterização para o jogo que opôs o FC Porto ao Sporting na final da Supertaça Cândido Oliveira disputada no passado sábado em Leiria! Mesmo tendo em conta a fase inicial em que a época se encontra era previsível e desejável que a qualidade do jogo fosse bem superior, ainda para mais quando estavam em campo duas das equipas mais fortes do campeonato…

Em primeiro lugar, devo dizer sem qualquer tipo de problemas e hipocrisias que não gosto, nunca gostei e é muito provável que nunca goste de Jesualdo Ferreira enquanto treinador. Enquanto homem, parece ser sério, profissional e correcto, características que muito aprecio, todavia, olhando a vertente puramente técnica como por exemplo, a visão de jogo, a audácia táctica e a capacidade de liderar e gerir um conjunto de recursos humanos e a mim parece-me que Jesualdo não é, nem de perto nem de longe, um grande treinador! Para que não restem dúvidas, é isso que realmente penso de Jesualdo! Meus amigos, a vitória no campeonato do ano passado não me fez esquecer os muitos sobressaltos ocorridos durante a época, os muitos pontos esbanjados e a aflição com que enfrentámos os jogos com Benfica e Sporting… só digo uma coisa a todos os portistas: aqueles que tanto criticavam Adrianse por tudo e por nada (eu não me incluo nesse grupo!) têm de colocar a mão na consciência e perguntar “Será Jesualdo um treinador muito melhor que Adrianse?”…

Feita esta introdução, vamos à minha análise do referido jogo. Fiquei realmente muito decepcionado com a prestação da equipa! Que fique bem claro, eu não sou aquele tipo de adeptos que procura arranjar qualquer desculpa para explicar as derrotas! Meus amigos, não foi o árbitro com um eventual penalty não assinalado a favor do FC Porto nem as 3 bolas à trave da baliza de Stoikovic que determinaram a derrota do nosso clube! Esse é um argumento muito utilizado pelos adeptos dos nossos rivais, ou é o estado da relva, ou é o árbitro ou é o estado climatérico que influencia o resultado final, mas nunca a azelhice e incompetência dos seus próprios jogadores e treinador! Dito isto, devo dizer que sou pessoa de abominar qualquer tipo de “desculpa esfarrapada” com o intuito de disfarçar o péssimo jogo realizado pelo nosso clube…

Desse modo e dissecando melhor as possíveis causas desse tal “péssimo jogo”, posso-vos dizer que desde logo a construção do onze inicial me pareceu despropositada e “ultra-defensiva”! Se em termos defensivos, o quarteto formado por Alves, Emanuel, Fucile e Bosingwa não se portou muito mal (o golo é um lance de génio em que nem Helton nem a defesa têm grandes responsabilidades…), o meio-campo idealizado por Jesualdo é algo que se situa entre o inexplicável e o absurdo!! Cech, Paulo Assunção e Meireles são jogadores de teor, essencialmente, defensivo que nunca poderiam dar uma projecção muito ofensiva à equipa! A prova que, de facto, a combinação destes três jogadores nunca poderia dar certo foi o facto de Jesualdo ter “emendado a mão” e substituído os três jogadores! Ofensivamente, a equipa demonstrou, mais uma vez, dependência excessiva do “mágico” Quaresma! Em lances de bola parada, o internacional português até enviou duas bolas aos ferros da baliza contrária, todavia, em bola corrida Quaresma poderia ter imprimido mais dinâmica à equipa… de qualquer modo, deixar todas as responsabilidades de construção ofensiva a um único homem, parece-me injusto e excessivo!!

Concluindo, perdemos a Supertaça num jogo muito fraco em que se poderia ter feito mais e melhor, no entanto, foi apenas e só um jogo perdido, não há razões para desmoralizar e baixar os níveis de confiança quanto à capacidade de resposta da equipa no início da época que se avizinha! No entanto, todos têm de melhorar… e muito!!

11 agosto, 2007

Uma derrota... com mãozinha do Professor


competição: Supertaça Cândido de Oliveira 2007
data: 11.08.2007
local: Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria
FC Porto: Helton; Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Raul Meireles (Mariano 78m), Paulo Assunção (Leandro Lima 83m) e Cech (Kazmierczak 75m); Lisandro, Adriano e Quaresma
golos: ---

A caminho do Lis…

A manhã começou fresquinha aqui pelas mui nobres e invictas terras nortenhas, como há uns dias largos já não me recordava… culpado? os ALLgarves! Eram 9h30 quando bora lá ao encontro do MIAU e do CAXANA… tiro de partida dado e entrada na A1 com paragem obrigatória na 1º estação de serviço (Estarreja) para o café da manhã e fazer uma ronda pelas redondezas… e que belas vistas, ai não que não. Mais uns bons kms à frente, recolha do último passageiro, o sempre bem disposto e animação garantida nas redondezas, BICHO, seu nome.

Paragem obrigatória no ‘Manjar do Marquês’ quando os sinos já badalavam as 12h00, para aconchegar estômagos e molhar o bico com uns bons fresquinhos… troca de impressões com o ‘funcionário do mês’ que sempre que nos encontra por lá, com aquele olhar de quem acordou há 5 minutos atrás e passou uma noite bem molhada, nos questiona o que andamos ali a fazer e com quem o FC Porto vai jogar. É caso para perguntar: a TV ou rádio ainda não chegou a Pombal? rssss

Chegados entretanto a Leiria, a habitual animação pelas ruas, tascas e tasquinhas da zona, desta vez, com exclusivos a cargo do MIAU e do BICHO que sozinhos, fizeram a festa e que festa, carago LOL! Houve tempo (e mais que tempo) ainda para passagem pela Praça Rodrigues Lobo para os cumprimentos ao Paulo ‘boss’ da Pastelaria Arcada e encher a mesa de canecas, canecas e ainda mais canecas de ‘loiras’… eu, comigo, sou mais do ‘Luso’ LOL

E foi sendo assim passada tarde, entre copos, vistas pelas redondezas, alguns percalços pelo caminho (ou melhor ainda, umas quedas pouco ou nada aparatosas), umas discussões para animar a tarde de calor, com uma dúvida muito pertinente e que deu azo a grande fala barato: serão 100 por hora ou hora por 100? LOL… e assim foram sendo passadas as horas, até que se foi aproximando a passos largos o momento da verdade.

O jogo…

Sobre o jogo propriamente dito, ou era do cansaço dos kms galgados no dia anterior, ou então, eu estava mesmo era com a ‘mosca do sono’, tamanhos foram os bocejos ao longo do jogo, por tantos e tantos motivos de interesse lá em baixo no rectângulo, mas adiante.

Após 11 contratações na silly-season (10, para falar mais acertadamente, pois Rabiola não contava para as contas nesta época), o Prof. Jesualdo Ferreira entendeu por bem iniciar a partida sem qualquer reforço no onze inicial, o que olhando para aquele meio-campo, foi o mesmo que dizer: “não viemos para empatar… mas sim para perder”. Lamentavelmente, confirmou-se para nossa desgraça.

Defensivamente, e excluindo Bosingwa que estranhamente esteve irreconhecível, estivemos certinhos e sem grandes calafrios, apesar de mais uma vez ter visto o ‘relógio a parar’ a Hélton ainda na 1ª parte, quando com todo o tempo do mundo para mandar a bola para fora do estádio, resolveu inventar e tentar driblar Liedson junto à linha lateral que só por um capricho não deu fraco resultado.

Do meio-campo para a frente, e daqui retiro Raul Meireles que esteve implacável, foi o descalabro total e só encontro um culpado: o Prof. Jesualdo Ferreira. Mas desde quando o FC Porto entra em campo com um meio-campo daqueles, onde não existia um único jogador que conseguisse pensar a circulação de bola? Mas o que esteve a fazer no banco Leandro Lima, até aos 5 minutos finais do jogo? Desculpem lá, mas ou eu sou muito burro (o que não sou!), ou então, estamos a começar mal, muito mal… e não sou eu que ao fim de 12 meses, ainda estou necessitado de conquistar as bancadas do Dragão.

Na frente, Adriano esteve ausente, Lisandro esforçado mas ineficaz e Quaresma, pois, aqui abro um parêntesis… se é para isto que queres ficar, bem que podes tirar o bilhete de ida e procura a tua felicidade noutro local, porque a forma como encaraste este jogo, além de egoísta e individualista aos montes, foi uma nulidade total, a roçar um ‘vedetismo’ bacoco. Eu gosto é do Quaresma humilde, trabalhador e a jogar para a equipa… este que vi, dispenso e não me deixa saudades nenhumas. Por isso, é bom que repenses o modo como vais encarar esta época, porque ainda vais muito a tempo.

Foi uma primeira parte em que excepção dos 10 minutos finais, o FC Porto assumiu as despesas do jogo, mas sem qualquer esgar de brilhantismo, pois o futebol jogado era lento e lentinho, quando não trapalhão… do outro lado, era pontapé para a frente e o ver se te avias. Nesta fase, Quaresma, no seguimento de pontapés livres, enviou a bola por 2 vezes ao poste da baliza de Stojkovic, ainda que num deles, tenha sido assinalado fora de jogo a Adriano… no meio deste desterro de ideias, o Prof. Jesualdo estava tristonho, afinal, ele tinha escalonado um onze para perder e não para ganhar, lembram-se?

Para os segundos 45 minutos, a toada do jogo manteve-se ao mesmo nível dos primeiros. Devagar, devagarinho, lento e lentinho, altura em que o ‘Bruno de Campomaior’ resolveu fazer vista grossa a uma grande penalidade a favor do FC Porto por mão de Tonel na grande área, estavam decorridos 53 min de jogo. E lá foi o jogo andando neste ritmo frio e sem qualquer brilho, quando sem saber ler nem escrever, num remate de fora de área a 15 minutos do fim do jogo, Izmailov tentou a sorte e Hélton, apesar do voo, nada podia fazer… 0-1 para o Sporting.

Aqui, algum bicho deve ter mordido o nosso Prof. Jesualdo, porque este acordou e voltou a inventar como só ele por vezes parece saber… em vez de atacar com artilharia pesada para dentro de campo, começou ao contrário: primeiro, Kaz, depois Mariano e só quando faltarem 5 minutos, é que vou apostar em Leandro Lima. Muito bem visto, pois se o meio-campo estava a trabalhar tão bem e era um fartote de ideias aos olhos de todos, para quê alterar o que estava… mal?

Nos entretantos, Kaz, e pela 3ª vez no jogo!, coloca a bola nos poste de Stojkovic. O fim do jogo chegou rapidamente sem mais situações de golo, com o FC Porto a usar e abusar do jogo directo e o Sporting a fazer o que manda a lei… pontapé para a frente, que o relógio está a andar a nosso favor.

Perdemos, não digo que bem, mas fica melhor dizer talvez, que venceu aquele que foi mais eficaz, num jogo em que repito, frio e sem brilho… e com uma mãozinha do nosso Professor no resultado final.

Depois desta análise, deixo-vos algumas questões no ar… quem souber, que as responda?

1 – Porquê o meio-campo ultra defensivo escalonado para o onze titular?
2 – O que esteve Leandro Lima a fazer no banco durante 85 minutos?
3 – Porquê Mariano e não Tarik, quando este último tem estado em maior evidência?
4 – Com 5 pontas de lança no plantel, nem um para amostra no banco?
5 – Por fim, porque será que só os ‘burros não mudam nem aprendem’?

Para finalizar, digo só que os próximos 2 jogos que se avizinham (abertura do campeonato fora com o Braga e posterior recepção ao Sporting), muito irão dizer do futuro imediato que espera o Prof. Jesualdo das bancadas do Dragão… eu vou estar atento… todos nós vamos estar atentos!

azul + : toda a linha defensiva (excluindo Bosingwa) e do meio para a frente, apenas e só!, Raul Meireles, o único que tentava remar contra o marasmo de ideias.

azul - : Bosingwa irreconhecível, Quaresma irritante e egoísta qb e o Prof. Jesualdo Ferreira que lamentavelmente e ao fim de 12 meses, ainda não percebeu que tem nas suas mãos um «topo de gama» e não um bidão com 4 rodas.

arbitragem: sem qualquer (com)paixão pelo azul e branco, pois desde o 1º minuto mostrou ao que vinha. O auge da exibição em 2 momentos (quiçá) significativos para o desfecho final: - ainda na 1ª parte, quando Adriano em jogada de ataque num 1 contra 1 e prestes a entrar na grande área, interrompe a partida para socorrer Derlei que tinha tropeçado talvez num ‘grilo’na defensiva azul-e-branca; - já na 2ª parte, não viu Tonel com a ‘mãozinha de deus’ a afastar a bola na grande área. Digamos que uma arbitragem ao melhor estilo do 'Bruno de Campomaior’.

I'm back!

Pois então que lá se acabaram as férias nos ALLgarve's (e nada melhor que passar a última noite restatelado no sofá a assistir ao regresso do Mítico Guerreiro PdC em plena SIC Noticias, não concordam?), este ano obrigatoriamente mais curtas, tudo por «amor» ao meu FC Porto, e com uma (especial) nota de relevo: tive o privilégio e a honra de ter conhecido um habitué deste espaço desde os seus primeiros passos... o Amigo Azul Dragão (mesmo que por pouco tempo, foi 5 estrelas o convivio e o consequente estreitar da relação de amizade... na próxima oportunidade, está prometido: um jantar!). Então, quanto a férias, estamos falados, agora, continuemos por mais 2 semanitas a respirar os ares puros e límpidos de terras mui nobres e invictas.

ps - um obrigado a todos aqueles que desejaram bom descanso ao «Presidente», e que procurei cumprir na íntegra para retemperar forças para a nova época desportiva que se avizinha, até porque a pequenita Leonor, 'Alma de Dragão', mais não permitia do que o puro descanso... o tempo da «copofonia all night long» já era... ou digamos que já foi!

pps - entretanto, reparei que por aqui ninguém deu pela minha falta, o que é de saudar (ou de desconfiar LOL), carago! Fica um especial agradecimento ao «Timoneiro» Estilhaço que tão honradamente tomou conta da tasca, muito bem acompanhado pela sempre leal e invicta guarda pretoriana das muralhas do castelo azul-e-branco: RCBC, Lucho, Paulo Pereira e CJ. Mais uma vez, o meu especial obrigado a todos vós, não esquecendo igualmente todos aqueles que por aqui passam «religiosamente» todos os dias e à mesma hora e fazem deste blog o que hoje ele é na blogosfera azul-e-branca... apenas mais um!

10 agosto, 2007

Sagrada

Na Índia as vacas são sagradas. Parece que nas imediações do Centro Comercial Colombo também. A religião vermelha venera a vaca – num misto de ignorância e esperança sebaniástica – com fé que a sua distinta e sagrada quadrúpede coloque o recreativo do Media Market no trilho dos triunfos.

No país Hindu, as vacas passeiam tranquilamente pelas cidades e vilas sem que sejam minimamente melindradas pelos habitantes, incluindo quando as manadas invadem as praças, onde comem os legumes dos produtores, sem que estes mostrem qualquer hostilidade para com o gado bovino. Em Portugal, continuam os hábitos, mudam-se os lugares. A película, muito ténue, de desenvolvimento que ornamenta a nossa realidade concede o privilégio à vaca de se movimentar em organismos, pagos pelo erário público, com a maior leviandade e naturalidade – perante uma vergonhosa inércia e conivência das autoridades judiciais.

O facto de, por vezes, não haver comida disponível para todas as vacas, leva a que alguns animais incluam na sua dieta papel – acidentalmente assinados – cartões e cocaína que encontram espalhados, acidentalmente pelo chão. O seu estômago, excepcionalmente robusto, permite estes abusos.

Entendo, que à falta de uma figura representativa da fertilidade – o filho de um ex. jogador encarnado consegue ser mais feminino que determinada jornalista sectária – recorram a este símbolo sagrado para apelar à reprodução massiva, visto ser necessário ocupar o terreno subaquático nacional que foi alargado esta semana, para mais um insigne recorde de fiéis.

De todas as classes sociais, particularmente os jornalistas de dois diários desportivos e um matutino da capital do país, abandonam a sua ética deontológica para se dedicarem exclusivamente ao bem estar da vaca fragilizada, criando vacarias – sobretudo cinematográficas – que são sustentadas por eles próprios e agricultores bem trajados.

Tudo normal.

09 agosto, 2007

Lições de matemática & amizades altruístas

Vamos fazer um exercício de estilo. Recuemos no tempo. E não, não é para os tempos da adolescência e dos namoriscos a ele associados. Mais para trás. Até aquela altura em que transpunhamos a cancela de uma anónima escola primária, caiada de branco, prontos para mais umas tropelias, em nome da inocência em que então ainda vivíamos. Imaginemos então...

Sentados naquelas cadeiras de madeira, com as sebentas abertas na carteira toda puída, de frente para o enorme quadro de ardósia, ouvindo as intermináveis lições de uma qualquer professora, de óculos empoleirados na ponta do nariz, de carrapito espetado e um ar severo no rosto. Eram assim, pelo menos, as aulas fatídicas de matemática na minha escola. Olhos em transe, estômago retraído, suor a escorrer pela testa, já de si perlada de gotículas de transpiração. O coração a ribombar no peito não enganava. A boca seca também não. O medo era notório, em especial quando o que estava em causa eram os problemas a ser resolvidos no negro quadro, com a avidez estampada no rosto pueril dos colegas de turma. A chacota, motivada pelo fracasso, seria inultrapassável. Glup..só de imaginar isso até fico doente...

Tentemos então resolver um problema colocado pela 'stora:
O sr. Adriano comprou um T3, bem localizado, por 100.000 €. Viveu lá, com a sua família, feliz e contente, durante seis anos. Depois, apesar das promessas efectuadas à família, vendeu-a por 120.000 €. Ora, o sr. Adriano, depois de efectuada a venda, reunido com os amigos, diria o quê?

hipótese A - tive um lucro na venda de 120.000 €
hipótese B - obtive um lucro de 20.000 €

Sendo este um mero exercício de retórica, a resposta correcta, salvo melhor opinião, é a hipótese B. Assim, alguém explica isto aos gajos do Record, que publicaram na 1ª página, todos orgulhosos:
"Venda de Simão paga todos os reforços"

É um hino à estupidez, é certo, mas está lá a subliminar mensagem de que foi um negócio fantástico, ilibando dessa forma o orelhudo presidente dos encarnados, que sempre proclamou que o amaricado jogador só sairia pelo valor estipulado na cláusula de rescisão. Façamos contas:

1 - Simão custou a módica quantia de 13 milhões;
2 - Simão vegetou no SLB durante 6 fastidiosas épocas, que ele procurou animar com números circenses, quedas acrobáticas e outras palhaçadas mais ou menos divertidas, mas inócuas;
3 - Durante esse tempo, foi quase sempre o jogador mais bem pago do plantel, o que lhe permitia a compra de uns bólides reluzentes, para satisfação da oxigenada esposa, e a realização de depilação a laser, em locais recônditos do corpo;
4 - Simão foi vendido a esse colosso mundial, o Atlético, por 20 milhões, que poderá fazer perigar a harmonia ibérica, caso o tipo seja um flop;
5 - Está época, os encarnados compraram, entre outros, um argentino com nome de gaja, por valores próximos dos 6 milhões de euros, e gastaram 9 "kilos" na aquisição de um avançado que, pelos vistos, "não engana".

O que não engana são as contas feitas pelos dedos. Se aos 20 milhões subtrairmos os 13 do custo de aquisição, vemos que o lucro da SAD vermelha não foi nada por aí além. 7 milhões, que não lhes permite figurar na página 348 do Guiness, entre o indiano com as unhas mais compridas e o tailandês que mais minhocas come numa hora. Ora, 7 "patacos" não chegam para pagar, sequer, o Cardozo, nem muito menos o tempo que o rapaz, pela amostra, vai passar na enfermaria, quanto mais para pagar os reforços todos. É certo que a maioria - para não dizer todos - são de fraca qualidade, mas mesmo assim, é publicidade enganosa. Nada a que não estejamos habituados.

Outro ponto a destacar, na semana passada, é o altruísmo. Aliás, se existisse um prémio oferecido pelo blog, para recompensar a amizade, um potencial candidato seria...

Aliás, vou fazer isto como deve ser. Com a devida pompa e circustância. "Senhoras e senhores, e o prémio da amizade vai para..."(convêm fazer uma pausa, para aumentar o dramatismo da coisa)..."Benfica e Braga". Standing ovation. E depois de escoados os aplausos, vamos lá dissecar sobre a justiça, ou falta dela, dos premiados...

António Salvador leva ao extremo o termo amizade. Embuído de um altruísmo notável, o líder da SAD arsenalista faz uns preços de amigo ao homólogo encarnado. Este, sempre que tem necessidade de colmatar alguma lacuna no plantel benfiquista, faz uns raides até ao Minho, sabendo de antemão que não serão levantados grandes problemas por lá. Preços acessíveis, jogadores com qualidade apreciável e negócios fechados em dois tempos. Nada de novelas a arrastarem-se pelo tempo fora, indefinidamente. Até parece que visualizo a cena...

O Orelhas, todo pomposo, com o seu melhor fato, saindo da limusina em que se faz transportar, com o motorista a abrir-lhe a porta. E lá, à espera, sorrindo com aquele esgar típico dos vendedores subservientes, António Salvador, esfregando as mãos de ansiedade, batendo amigavelmente nas costas do outro, untuoso, decidido a agradar ao amigalhaço citadino.
Com uns violinos, ficaria uma cena que poderia ser utilizada num qualquer anúncio publicitário sobre o valor do amor, amizade ou interesse fraternal. Ficava a matar. Até eu era capaz de soltar uma lágrima fácil, vendo esses dois "exemplares" dirigentes a darem uma lição de civismo e ética cavalheiresca...

Numa realidade alternativa, António Salvador, talvez por possuir uma dupla personalidade, faz papel de negociador implacável. É vê-lo, sentado a uma mesa de mogno trabalhado, fumando um charuto obscenamente caro, sorrindo com frieza, ao analisar uma proposta proveniente da Invicta. Com uma careta desdenhosa, traça uns riscos no contrato, acrecentando mais uns zeros, tornando impraticável a operação. Atentem bem no que eu disse inicialmente. Isto passa-se numa realidade alternativa...

Nem António Salvador tem dupla personalidade, nem ele age de má-fé. O facto de o Benfica levar quem quer, quando quer, pelo preço que quer, do plantel do Braga, enquanto as propostas do Porto, por jogadores do clube da cidade dos arcebispos, são sucessivamente repelidas, por os números solicitados serem astronómicamente criminosos, é apenas e só MERA COINCIDÊNCIA. Isso e o facto de existir um boato, que circula pela blogosfera, que foi a empresa de construção civil de António Salvador a ganhar a empreitada de construção do Centro de Estágios do Seixal. Tá tudo dito! Só lamento que o Jorge Costa, o nosso "Bicho", seja o treinador destes gajos...

ps: "Penso que não assistimos a uma arbitragem isenta". Filipe Soares Franco dixit. E quem disse que os dirigentes não tem pré-temporada também? O presidente leonino já começou os treinos, afinando estratégias que lhe serão úteis lá mais para a frente. Sim, porque a incontinência verbal dá um jeitão para camuflar certas incompetências. E, sabendo nós que o Sporting é um clube que raramente ganha algo e que nunca perde por culpa própria, todos nós sabemos como isto vai acabar, não sabemos? Some-se este pouco ingénuo repúdio leonino à nomeação de Bruno Paixão para apitar a Supertaça e digam-me qual é o resultado da equação...

ps2: Só para agradecer os holofotes mediáticos, com a oferenda da 1ª página da "Bola" ao FCP. Uma honraria justificada pelo vôo rocambolesco que trouxe a comitiva azul e branca de Roterdão até à Invicta. Surpreendentes (ou nem por isso) estes critérios jornalísticos, concedendo essa mediatização a uma confusão no aeroporto, quando a mesma foi negada aquando, p.e, na vitória na Intercontinental. Alguém de bom senso consegue explicar racionalmente isto?


08 agosto, 2007

Raid Relâmpago dos Dragões

Não falha.
Foi entrar pelo soleno e sair à Campeão.
Mais uma operação relâmpago com não mais de 5 dias, ainda no teatro de operações Europeu mas desta vez um pouco mais a Norte.
Dois jogos. Um empate e uma vitória foram suficientes para se trazer mais uma taça, esta tipo caixote, sendo cada vez mais imperativo a criação do Museu no Dragão.

De realçar que esta saborosa vitória do Torneio de Roterdão, que embora não tenha merecido a abertura dos nossos telejornais nem tão pouco grandes destaques nas capas de jornais impressos, albergou mais de 200 jornalistas de 13 países, foi transmitido por 25 estações com uma potencial audiência televisiva estimada em 2,5 biliões (não, não é engano nem mania de grandeza, são mesmo 2,5 biliões) de telespectadores de 24 países em 5 continentes.

E chegamos assim ao epílogo da época de preparação. E, que raios, com um score bastante agradável. Em 10 jogos a feijões perdeu-se um (Genk), empatou-se outro (Feyenoord) e ganharam-se os restantes oito. Os 5 golos sofridos e 30 marcados foram suficientes para trazer não uma, mas duas taças. Deixo as análises para os experts mas os indicadores, quer queiram quer não, são bastante positivos.

Sábado o azimute é tirado a Sul, mais precisamente no Estádio Dr. Magalhães Pessoa em Leiria, já com fogo real e adversário de camuflado verde e branco. E ainda bem que não é necessário ir de avião embora seja de tomar em conta possíveis bloqueios nas portagens.

Que ganhe o melhor e que a FORÇA esteja com os Guerreiros do Reino Mágico do Dragão.

Alaó
Estilhaço

ps - o Comandante vai ser, depois de amanhã (quinta-feira), figura central do programa Dia D, da SIC Notícias, numa entrevista conduzida pela jornalista Ana Lourenço.

Passe totalmente de Lucho

'O Conselho de Administração da F.C. Porto – Futebol, SAD anunciou esta terça-feira a compra dos restantes 50 por cento dos direitos de Lucho González, médio internacional argentino.

COMUNICADO

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem informar que recusou a proposta recebida do Everton FC com vista à transferência a título definitivo do jogador Lucho Gonzalez.

Assim, nos termos do acordo celebrado com a Global Soccer Agencies Lt, a Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD tomou a decisão de adquirir os restantes 50% dos direitos económicos do jogador pelo montante global de 6,650 milhões de euros.'
(fonte: página oficial do FC Porto)

Adicionando os actuais 6,65 milhões aos 3,60 pagos em 2005 Lucho tornou-se o maior investimento da história do clube. Nada mais nada menos que 10,25 milhões de Euros. Com contrato até 2011 aparenta ser cobiçado por várias equipas mas apenas o Everton oficializou uma oferta, recusada, a rondar os 16 milhões. E como já treina no Olival até pode ser que fique, ou talvez não.

07 agosto, 2007

Um clube, uma paixão, uma vida...

Devem ter uma ideia mais ou menos formada sobre o tipo de adepto do FCPorto que eu sou.
Vou procurar, com estas linhas, ajudar a moldar essa vossa opinião. Começo logo por vos surpreender se vos disser que até aos meus 11/12 anos pouco ou nada ligava ao futebol. A primeira recordação que guardo na minha memória recua até 1986 e uma tarde de domingo em que observei o meu pai, com uma concentração quase religiosa, a escutar via rádio um relato de um jogo do Porto com o Covilhã. Lembro que o observei com atenção, que o ouvi a insultar a equipa do Covilhã que só sabia jogar contra o Porto, lembro a euforia depois dos golos do Gomes. Fiquei feliz pelo meu pai, disse-me ele, que o Porto tinha sido bicampeão. Dois ou três meses depois de rádio encostado ao ouvido, o meu pai estava triste, o Porto perdia por 2-0 em Guimarães, pedi-lhe o rádio, queria ouvir um pouco. Dei sorte, Juary, que não conhecia de lado nenhum, fez os 2 golos do Porto nos últimos instantes. Deu empate mas a partir daí, a partir desse instante, o Porto tomou conta do meu coração. A paixão, um ideal, o sentimento foi crescendo de forma quase exponencial e se calhar irracional, mas hoje, como nos últimos 20/21 anos, a minha vida quase se confunde com o pulsar do Dragão.

Hoje, aqui sentado, a escrever para vocês, lembro muita coisa, ora com um sorriso, ora com uma lágrima que me percorre lentamente a face, lembro acima de tudo, mil e um cenários todos com o azul e branco em grande plano:

Recordo as tardes de domingo, de rádio colado ao ouvido, devorando os relatos do Gomes Amaro e o seu Quadrante Norte, os gritos depois dos golos do Gomes, meu ídolo de criança. Lembro as repetições dos golos que até gravava, em cassetes áudio e me punha a relatar durante a semana, recordo algumas lágrimas de emoção, recordo os abraços efusivos ao meu irmão depois de alguns jogos dramáticos, recordo também a desolação depois de alguns domingos mais cinzentos...

Recordo, aquele instante supremo da 1ª vez que entrei nas Antas, os passos acelerados pelas ruas da Invicta, o pulsar agitado do meu coração, aquela moldura humana que encheu o Estádio, aquela visão fantástica do relvado das Antas, lindo, perfeito, verdadeiro palco de magia, os 11 deuses azuis e brancos a entrarem no relvado, inesquecível tarde. Foi no dia 11 de Janeiro de 1987 e o jogo ficou 2-2 ante o V.Guimarães. Recordo os golos de Juary e Casagrande e recordo que um dos senhores que foi comigo disse ao meu pai que não me devia levar mais ao futebol, que tinha ficado branco como a cal quando o Porto perdia.

Recordo a magia da final de Viena, o golo genial de Madjer, o Juary de joelhos a festejar o 2º golo, o João Pinto com a Taça dos Campeões na mão em louca correria pelo Prater e eu ali aos gritos, aos saltos como um louco... Recordo a madrugada de Dezembro de 1987 e a vitória na Intercontinental em Tóquio, o golo do Gomes e o chapéu do Madjer, a neve que não gelou aqueles heróis nem o nosso coração que vibrou com mais aquela glória...

Recordo os golos fantásticos, as tardes memoráveis, os jogos dramáticos nas Antas, a tensão, o nervosismo, a euforia, os abraços que dei a tanta gente que não conhecia de lado nenhum, os meus amigos de bancada...Instantes sublimes, emoção a rodos, sentimento que nos une, paixão comum, tanto Porto...

Recordo as glórias que assisti no pavilhão Américo de Sá, no hóquei, no basquetebol e no andebol com destaque para o findar do jejum de 31 anos que ocorreu em 1999, grande noite essa, que não mais esquecerei, recordo o campo de treinos por trás do Estádio das Antas e tantos jovens com futuro promissor que lá fui vendo...

Recordo os fins de semana com amigos em que gozavam comigo quando chegavam ao café e eu já não queria saber de mais nada a não ser da televisão onde jogava o Porto... Recordo os gritos na sala da minha casa que até assustavam a minha mãe, recordo que quando a coisa corria mal eu e o meu irmão íamos ver o Porto para a televisão a preto e branco que, dizíamos nós, dava mais sorte... E dava mesmo.

Recordo os meus tempos de estudante em Braga e tantas glórias lá vividas com colegas fantásticos, verdadeiros amigos, alguns até, de gostos clubísticos diferentes... Noites de magia, festejadas até tarde e até com alguns excessos próprios da idade...

Mais recentemente, recordo a épica final de Sevilha, o golo do Derlei, instante sublime, mágico, quase missão impossível, a loucura, os saltos até ao céu, as lágrimas de emoção, o abraço sentido à minha mãe que me fez chorar que nem uma criança. A vida é feita destas coisas, de paixão, de amor, de sentimento. Recordo também a inauguração do Dragão, a vitória ao Manchester, o golo de Costinha em Old Trafford e eu correndo no café onde via o jogo acompanhando pela TV a louca correria de Mourinho.... A final de Gelsenkirchen, os golos de Deco, Carlos Alberto e Alenichev, a glória suprema do FCPorto 20 anos depois... A noitada nas ruas da Invicta, o esperar dos heróis no aeroporto...

São belas recordações, tantas e tantas glórias vividas por este adepto que não é mais que um vosso colega de bancada. Todos juntos, a nossa união, a nossa força é que faz do FCPorto o maior clube do Mundo. Os nossos Deuses estão já prontos para encantarem com muita magia os relvados de todo o Mundo e nós lá estaremos sofrendo, vibrando, cantando, lutando, todos juntos de bandeira na mão. A glória espera por nós, ano após ano. E pronto, o Lucho abriu-vos o coração.

Espero agora que me contem as vossas loucuras pelo nosso Porto, as noites de glória e a forma como as viveram. Sim, porque eu não sou o único... a olhar o céu. E não sou o único... a ver as estrelas todas de azul e branco.

Todos de pé, bandeiras no ar
Todos de azul de pé a gritar
O Porto é o maior e o resto é conversa

E todos juntos, todos mão na mão
Todos gritando viva o Campeão
E todos juntos sempre
É sempre uma festa

E essa festa é festa de tanta gente
Que ser do Porto é nunca estarmos sós
É gritarmos sozinhos e de repente
Ter um milhão de vozes na nossa voz...


(toda a canção aqui, em MP3).

ps1 - Depois do torneio ganho em Itália, o FCPorto deslocou-se à Holanda e, uma vez mais, não deixou os seus créditos por mãos alheias. Segunda taça disputada, segunda taça ganha. O Liverpool bem tentou mas o troféu veio para a Cidade Invicta. Este FCPorto 2007/08 promete... E, já agora, fixem os nomes de Leandro Lima e Mariano Gonzalez.

ps2 - A equipa de andebol do FCPorto iniciou ontem, em Santo Tirso, a preparação para a nova época. Carlos Resende e o seu grupo de jogadores tudo irão fazer para que o título volte à Invicta, 4 anos depois.

Saudações azuis e brancas,
Lucho.

06 agosto, 2007

Taça da Liga

Para ser totalmente sincero não acompanhei (como deveria!) o torneio de Roterdão em que o nosso FC Porto participou (e ganhou, para não variar!) no último fim-de-semana.

Desse modo e para variar um pouco gostaria, se me é permitido, falar de um assunto que apesar de obviamente ter a ver com o FC Porto, não se restringe apenas ao nosso clube… Gostaria de comentar a criação da nova competição do futebol português: a Taça da Liga.

Aquando da discussão acerca da redução ou não do número de clubes no principal campeonato do futebol português os principais argumentos que ouvi foram que esta medida iria melhorar a qualidade do campeonato e o menor número de jogos iria diminuir o cansaço físico dos jogadores.

Olhando para estes dois argumentos e para aquilo que se passou no campeonato do ano passado, duas perguntas tornam-se inevitáveis: a qualidade do último campeonato foi superior à dos campeonatos anteriores?!?! À parte de residuais melhoras num ou noutro clube, penso que a qualidade global do último campeonato foi ainda menor do que na altura em que a competição tinha 18 clubes… Posso mesmo dizer, que me lembro de ouvir alguns ilustres portistas argumentar que a paragem natalícia teria sido um dos principais motivos da GRANDE quebra de forma verificada no FC Porto nos meses de Janeiro e Fevereiro! Não sei se foi a maior ou a menor causa da referida quebra, agora que no mês de Janeiro, depois do longo mês de férias a que os jogadores tiveram direito, tanto o nível exibicional da equipa como os resultados pioraram de forma muito acentuada e preocupante, isso parece-me evidente! Pessoalmente, acho que é vergonhoso pessoas que ganham milhares e milhares de euros mensais terem direito a 1(!!!) mês de férias natalícias… para mim isto é impensável!!!

Por tudo isto dá-me a sensação que a criação da taça da Liga irá ser uma forma de aumentar o número de jogos e preencher os “buracos” que se verificaram no calendário da época passada! Além disso, importa perguntar se esta nova competição será ou não rentável do ponto de vista financeiro! Ou será mais uma competição com médias de assistências a rondar as 200 pessoas?!?!?!? Já que se quer preencher as lacunas do calendário (sim, dá a ideia que este é o principal objectivo da criação desta competição…), não seria mais lógico o campeonato voltar a ter 18 equipas?!?!

ps1 - Escusado será dizer que a criação da Taça da Liga será mais uma forma de aumentar e diversificar a sala de troféus do FC Porto! Ah, pois já me esquecia de que se o FC Porto ganhar esta nova competição, será mais uma vitória aldrabada e com óbvios benefícios de arbitragem decorrentes do “Apito”…

ps2 - Esta foi uma semana muito triste para o futebol português… perdeu-se o maior “especialista na marcação de grandes penalidades” do nosso campeonato…


05 agosto, 2007

Em crescimento personalizado - parte II


FC Porto, 3 - Shanghai Shenhua, 0

Torneio de Roterdão, na Holanda
2ª jornada

data:
05.08.2007
local: Estádio De Kuip, em Roterdão

FC Porto: Hélton; João Paulo, Bruno Alves (Pedro Emanuel, 61m), Stepanov e Lino (Cech, 68m); Bolatti, Raul Meireles (Fucile, 46m) e Leandro Lima (Quaresma, 46m); Tarik, Farias (Lisandro, 30m) e Mariano González.

Shangai Shenhua: Chen; Lijun, Du Wei, Soto, Lopez, Sun Ji, Jiang, Liang, Chiao, Ricard e Seng. Jogaram ainda: Gang, Bo, Alvarez, Wang, Hui e Shengiong.

Golos: Tarik (5m), Leandro Lima (38m e 42m)

04 agosto, 2007

Vou ali e já volto, ok?

Depois de mais um ano de árduo e extenuante trabalho, o «Presidente» também anda de rastos e precisa rapidamente de fazer o que todos fazemos por esta altura de férias... rigorosamente nada, senão descansar!

Por isso, fiz uso do meu direito de licença sem vencimento e ausentar-me-ei entre os dias 04 a 10 de Agosto para um cantinho a que agora chamam numa versão muito POP, de ALLgarve... e sim, dia 10 tenho mesmo que estar de regresso a terras mui nobres e invictas do norte, carago!, bem a tempo e horas de dia 11, estar a caminho de Leiria para assistir in loco à conquista do 1º troféu desta época por parte dos nossos azuis-e-brancos... o meu amor e louca paixão ao FC Porto a isso obriga, doa a quem doer, custe a quem custar!

Contudo, tirem lá o cavalinho da chuva se pensam que vão deixar de nos aturar durante este período, porque estão redondamente enganados... a pasta da «presidência» foi entregue em mãos ao Amigo Estilhaço (que aqui aproveito mais uma vez para agradecer a 'habitual' disponibilidade), que tem a responsabilidade de, nem que seja à chicotada, manter diariamente abertas as portas deste espaço muito portista e faccioso até dizer chega, no período da minha (breve) ausência. Portanto, façam o favor de nos continuar a visitar e comentar, porque um bocadinho deste espaço, também vos pertence por direitos adquiridos e não transmissiveis.

Bem, está na hora de me fazer ao alcatrão, que já se faz tarde. Amigos/as Portistas, vou só ali dar um mergulho e volto logo... prometo ser breve, okapa?

Entretanto, boas férias para todos vocês... para os que estão; e para os que não estão (mas vão estar).

Em crescimento personalizado

Feyenoord, 0 – FC Porto, 0

Torneio de Roterdão, na Holanda
1ª jornada

data: 23.08.2007
local: Estádio De Kuip, em Roterdão

FC Porto: Nuno; Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel «cap.» e Cech; Paulo Assunção, Raul Meireles e Kazmierczak; Lisandro Lopez, Adriano e Quaresma
Substituições: Paulo Assunção por Bolatti (67m), Lisandro Lopez por Mariano Gonzalez (75m), Adriano por Farías (75m), Raul Meireles por Leandro Lima (78m) e Quaresma por Tarik (84m)

ps – a 2ª jornada que opõe o FC Porto ao Shanghai Shenhua FC, uma das formações mais promissoras do campeonato chinês e uma das melhores da Ásia, realiza-se no próximo domingo, pelas 16h45, com transmissão em directo na Sportv2.

03 agosto, 2007

Uma novela de "Lucho"

Pois é, como em cada verão, assistimos ao anúncio de novas novelas (uma nova série dos morangos, uma nova versão da floribella e por aí fora)… e no nosso futebol, também as há – as novelas.

Depois de ter protagonizado as novelas de maior êxito dos anos passados, o Simão sempre mudou de “canal” e lá acabou de vez a novela “É este ano que sai o Simão?”.

Na paragem de inverno, assistimos a uma serie “Sairá ou não sairá o Quaresma?”… claro está que esta novela não deu assim muito que falar, porque o próprio Ricardo Quaresma fez questão de colocar uma pedra em cima do assunto.

E eis que surge agora uma nova série, que não entusiasma muito os portugueses, já que o Lucho não é jogador do clube dos 6 milhões, mas que aos portistas interessa e bastante. O titulo seria “Quando volta o Lucho?”.

Em Espanha, fala-se agora de negociações com o Real Madrid, quando era o Valência que há bem pouco tempo atrás queria contratar o médio argentino.

E claro que para vender esta “novela”, os meios de comunicação insistem no facto de que o jogador vai sair do clube, o que para já, não tem qualquer fundamento, já que o próprio acaba de dizer que não tem conhecimento do interesse do Real Madrid.

Contudo, esta é uma novela que está a dividir os Portistas, porquanto alguns deles acham que o FC Porto não o deveria deixar sair, já que é um jogador de classe e que mesmo não estando ao seu melhor nível, ainda marca uns golitos (quando não são golaços), e dá uma regularidade e classe ao meio-campo.

Outros tripeiros há que são da opinião que se há uma proposta, é melhor mesmo deixar o jogador sair, até porque como já vem sendo habitual desde que cá chegou, começa a época desgastado por participar em competições internacionais ao serviço da selecção argentina, como ainda muito recentemente aconteceu na Copa América na Venezuela.

Eu sou de opinião que é esta época ou nunca, já que temos concorrência para o lugar dele no plantel. Então qual o desenlace desta novela?

Entretanto, o FC Porto inicia hoje a sua participação no Torneio de Roterdão, na Holanda, que irá prolongar-se até ao dia 5 de Agosto, que reúne, além do FC Porto, os holandeses do Feyenoord, clube anfitrião, os chineses do Shanghai Shenhua FC e os ingleses do Liverpool.

O FC Porto abre hoje a sua presença na competição frente à equipa da casa, o Feyenoord, pelas 19h45, jogo que pode ser televisionado em directo na Sportv.

Dois dias depois, pelas 16h45 de domingo, irá defrontar o Shanghai Shenhua FC, uma das formações mais promissoras do campeonato chinês e uma das melhores da Ásia, jogo este que também poderá ser televisionado em directo, desta vez na Sportv2.

02 agosto, 2007

O autista

Está quase. Para os mais inconformados com a silly season, o rola-a-bola é que é. Os relvados resplandecentes – bem, nem todos, devo admitir – a bola de couro – pese as paneleirices que o marketing vai fazendo ao sonho da nossa meninice – a rolar, com os jogadores a persegui-la – uns com melhor técnica, há que dizê-lo – e aí temos aquilo porque desesperávamos. Futebol a sério. Daquele que se joga dentro das quatro linhas. Os jogos à séria estão aí, quase a bater à porta. E existe momento mais sublime do que aquele que é retratado por Miguel Sousa Tavares, no seu livro “Não te deixarei morrer, David Crockett?”

Para quem não conhece, existe um capítulo chamado "vou levar o meu filho às Antas". Com o savior faire de sempre, MST brinda-nos com "a introdução do meu filho num dos rituais machistas lusitanos. O futebol. Um dia destes, pego nele e aí vamos nós a caminho do Santuário das Antas, do ronco do Dragão. Partiremos para as Antas, o último quilómetro feito a pé, por entre um delírio de azul-e-branco, verdadeiro deboche para um portista exilado em Lisboa...aí vamos nós, o coração descompassado ao ritmo do ruído surdo dos passos da multidão no cimento do Estádio...lá em baixo, o relvado, lindo, perfeito, parece esperar para ser pisado só por deuses, não por simples mortais. De repente, ele estremecerá, excitado e assustado, os olhos fixos na boca do túnel, pelo qual saem correndo, um a um, os onze deuses de azul e branco, saudados por um grito de cinquenta mil gargantas: Po-oo-orto! Po-oo-orto! Po-oo-orto!...este é o instante mágico, o instante iniciático, que sela para sempre o amor irracional entre um homem e um clube de futebol, um amor para a vida, que ninguém, jamais, poderá alterar. Enfim, uma paixão inexplicável."

Já li muita coisa, já me senti extasiado por palavras mas, confesso, nunca, ao ler MST, fiquei assim: arrepiado. Estão lá as emoções que eu sinto, carago! Aquelas ruas calcorreadas, vibrando antecipadamente com o ambiente, fluindo numa corrente humana, irmanada como num clã. Baixos e altos, gordos e magros, pobres e ricos, todos unos, na mesma paixão. E aquela emoção, ao entrar no Estádio, palco dos nossos sonhos, sentindo uma alegria incontida, quase reverencial, como se estivessemos num palco sagrado. Não é única? O coração que ribomba no peito, acelerando ao ver os nossos guerreiros a entrar em campo, ouvindo o rugido da multidão e, quase como num transe, gritarmos. Saltamos e abraçamos, rindo e chorando, quando a bola se anicha na rede. É mesmo uma paixão inexplicável. E vai começar tudo outra vez. 15 jogos da Superliga. O mesmo palco. A mesma emoção. A mesma crença.

O que se pode esperar nesta época que se avizinha? Mais do mesmo. O futebol português, e por contraponto os seus adeptos, aderiram já há vários anos à reciclagem. Vai daí, o entusiasmo é sempre o mesmo. Quer dizer, existem uns que se distinguem mais. Este ano então, com roupagens mais metrossexuais, ninguém os segura. Já devem ter percebido que estou a falar daquele clube execrável, o Calabote FC. Todos os anos, mas sem nenhuma excepção, é sempre a mesma coisa. O início de época recebido com gáudio, os reforços endeusados face às suas características técnicas, com nomes pronunciados de forma reverente, quase temerária, como se eles fossem lendas que não convêm beliscar. A excitação cresce à medida que ganham os jogos de pré-época. Escrevem-se artigos arrebatados nos jornais, pelos cronistas do costume. Ninguém os pára. Ele vai ser o campeonato, taça e, provavelmente, a Liga dos Campeões. Se a esta onda de enorme entusiasmo se seguirem duas ou três vitórias, o ânimo atinge um pico quase inultrapassável. O estádio enche, os cânticos tecem loas aos atletas. Os adeptos enchem-se de uma fé inabalável. E o Nuno Gomes volta a ser válido. Até à primeira derrota. Aí, quase como um balão furado, o gás esvai-se num instante. E assiste-se ao inverso. Como se uma sombra sinistra se abatesse sobre eles. O estádio fica deserto, abandonado por todos, excepto por meia dúzia de indefectíveis das claques, demasiado pedrados por substâncias snifadas para realmente se aperceberem do que quer que seja. Os restantes adeptos, descrentes, começarão a colocar tudo em causa – o treinador, o departamento médico, o director-desportivo, a mulher da limpeza, o avançado dos 10 milhões, o médio que não marca, o defesa que não corre – com o desespero a aumentar à medida do descalabro da equipa.

E aqui, também como sempre, entrará em cena, numa pose messiânica, o presidente dos ditos cujos, facilmente reconhecível por possuir uns apêndices na cabeça de um tamanho descomunal, rivalizando com o Dumbo. O discurso, já conhecido de outros anos, cheira a mofo. Versará sobre a grandeza da Instituição – assim mesmo, como ele trata o clube a que preside. Não lhe peçam é para escrever a palavra – e sobre a “verdade desportiva” e a “transparência”. Sempre com algum microfone por perto, diligentemente estendido por um jornalista pressuroso, gritará, naquele tom tonitruante, a verborreia do costume. Sempre senti, e tenho que confessar, uma pontinha de piedade por pessoas destas.

Clinicamente, chama-se autismo, em que o doente vive numa realidade só sua, incapaz de reconhecer aquela onde está inserido. Se não acreditam no que eu digo, atentem nas características da doença:

É uma alteração "cerebral" / "comportamental" que afecta a capacidade da pessoa comunicar, de estabelecer relacionamentos e de responder apropriadamente ao ambiente que a rodeia;
Por vezes ataca e fere outras pessoas mesmo que não existam motivos para isso;
Mutismo ou linguagem sem intenção comunicativa efectiva;
Linguagem correcta mas pedante, estereotipada;
Comunicação não verbal;
Voz monótona, pouca expressão facial, gestos inadequados Interacção social não recíproca, com falta de empatia.

Digam lá que, depois de lerem isto, não se fez luz – fónix...passe a expressão – no vosso cérebro. O mau humor, a agressividade, os discursos incompreensíveis, a repetição da mensagem, a incapacidade de lidar com o sucesso dos outros têm agora uma explicação científica. Mais do que qualquer outra coisa, temos que sentir piedade do indivíduo.

Como podem constatar, nada de novo se passará nesta época que se avizinha. No final, até se pode aplicar à realidade portuguesa uma célebre tirada de Gary Lineker, em que o avançado inglês tentava demonstrar a força do futebol teutónico, em tempos ido. “São 11 contra 11, e no fim ganha a Alemanha”. Neste cantinho à beira-mar plantado, acontece com enorme regularidade o mesmo. São, lá dentro, 11 contra 11, e no final ganha sempre o Porto. Por isso, quando notarem um acréscimo de notícias sobre o Apito Dourado, arbitragens, SEF, passaportes e afins, é bom prenúncio. Soltem uns HURRA’s bem audíveis. É sinal de que estamos na frente do Campeonato, a incomodar muita gente. E provavelmente com as faixas já encomendadas…

ps – [actualização] 18 aliados na divulgação do [CoNtRa dOSsiEr] "o apito Bermelho" com a colocação do banner respectivo nos seus espaços de discussão: Portistas de Bancada, Estádio do Dragão, O Gil, Dragalhadas do Dragão, Mundo Azul e Branco, Sangue Azul, Dragão Nortenho, Sou Portista com Orgulho, FC Mangalhões, DragãoPentaCampeão, Blog do Dragão Azul, Bi-Campeões do Mundo, Tapirus, Anti-Lampião, Roubos de FutebolTribunal do Futebol, BlogHistórias e AlfrodoSe estás interessado em aderir a esta causa em prol da 'honra e bom nome do FC Porto', solicita-nos por e-mail o código do banner.

pps – [actualização] 7 cérebros do photoshop a trabalhar no nosso concurso de ideias. Se te sentes também um «tecni-color do photoshop», solicita-nos por e-mail mais informações... e além do mais, o tempo é cada vez mais curto..

01 agosto, 2007

Nutícias da Caserna, edição nr. 3, ago.07

... Porto 30, Sporting 18, Beira-Mar 13, Naval, Leiria e Vitória de Setúbal 12, Benfica 11 ...

Numa comunicação social onde se esgrimem números a toda a hora, estes quase que passaram despercebidos, tal é a disparidade entre eles, mas não se alegrem porque não reflectem número de pontos de cada equipa, golos marcados ou sofridos, nem tão pouco o resultado de qualquer torneio amigável. Estes números são apenas e tão só as visitas efectuadas pelo controlo anti-doping, vulgo CNAD, durante a época de futebol 2006/2007 às respectivas equipas (para mais números consultem este link).

Pese ser um organismo da Tutela, 30 visitas poderão parecer um pouco fora do contexto dos outros números também revelados. Tendo até em conta (como já mencionado noutro blog) que a liga teve 30 jornadas (embora estas 30 não se devam referir apenas ao escalão profissional). Mas o povo é sereno. Não nos alarmemos sequer, pois estas visitas são ditadas por 'um computador, que faz os sorteios e não tem qualquer camisola vestida'.

E claro que não se poderá por em causa o Sr. Gates, o Sr. *nix ou qualquer outro sistema operativo ou programa, a pagantes ou gratuito. Mas se o computador fosse meu tinha já limpo a cache do programa de escolha de visitas, corrido um anti-vírus, colocado mais uma memóriazita ou até mesmo digitado FORMAT C: seguido da tecla Enter. Ou talvez não, porque ao fim e ao cabo, os jogos ganham-se dentro do campo. Mas será, isso sim, de estarmos atentos aos próximos números a serem divulgados.

Outro ponto que penso ter sido benéfico em termos de esclarecimento foi a resposta dada quando inquirido sobre as diferenças do sistema fiscal na Península Ibérica e citando-a 'Há muita falta de informação. O IRS em Portugal é de 42% para os salários mais elevados. Em Espanha é 43%. A diferença é que lá os futebolistas estrangeiros pagam apenas 24%. Ou seja, a Espanha privilegia os estrangeiros. Não contem comigo para propor taxas assim em Portugal, pois isso iria matar a formação no futebol português.'.

Continua um lindo dia lá fora mas nunca mais começa a bola a sério. E como estamos em mês novo, divirtam-se com o Nutícias da Caserna de Agosto.

Saudações,
Estilhaço