30 junho, 2008
29 junho, 2008
Nobre Mitologia !
Quem não se lembra ?
Quem não se lembra daquela entrada assassina, por trás, de Eusébio contra Rodolfo? Foi na época 1971-72. Eu estava nas bancadas. Um dos últimos jogos que vi nas Antas.
A partida estava equilibrada. Rodolfo, defesa do Porto, estava a marcar, primorosamente, Eusébio não lhe dando qualquer espaço. Foi, então, que surgiu aquele lance. Rodolfo saiu do campo de maca, tendo que ser substituído.Eu tinha uma certa consideração por Eusébio. Mas, desde esse dia, ela baixou muito. E à minha volta ouvia dizer: “Ele já não é o que era ! Agora só consegue assim !“.
Esta lembrança remeteu-me para uma época em que o futebol era diferente. A sua concepção nada tinha haver com a actual. Raras eram as imagens transmitidas ou difundidas.
Era preciso ir ao estádio para ver futebol. E no estádio só podíamos captar fragmentos. O resto era, unicamente, acessível pelos jornais e pelos comentários radiofónicos. Ou, então, em roda de animadas trocas de opiniões. Hoje, para trocarmos opinões, estamos, em grande parte, dependentes dum “bem querer” tecnológico que está sempre a avariar. Era um sistema que obrigava a ler e, igualmente, a ter capacidade de escuta.
Para descobrir os jogadores, era preciso fazer colecção de cromos. Este sistema tinha o mérito de ensinar, nos pátios de recreio, os rudimentos da sociedade de mercado. Podes trocar quantos quiseres, mas quem mete no bolso é sempre o Boss (o fabricante de cromos e da respectiva caderneta)!
Era um sistema muito mais satisfatório no campo artístico. Hoje só nos queda a imagem. O desenho, a pintura..., essas belas disciplinas, praticamente, desapareceram. Quem não se lembra das colecções de carteiras de fósforos com as caricaturas dos jogadores? E que não me digam que as imagens, em grande plano, que mostram saliva, baba, mucosidades e etc e tal são estéticas! Pergunto-me, por vezes, se alguns operadores, câmera em mão, não são pagos pela concorrência.
Nobre Mitologia?
Terei imaginado? Terei mal interpretado? Terá a minha memória falhado?
Quem se lembra do Porto-Benfica da época 1971-72?
E Viva o Porto !
28 junho, 2008
É triste...
Contentamento descontente...
Há quem diga que a verdadeira felicidade só se atinge à custa de alguma ignorância, mas talvez o inverso também seja verdade. Pelo menos a julgar pelas palavras de Michel Platini, em entrevista ao diário espanhol Mundo Deportivo, na qual opresidente da UEFA confessava não estar nada contente com a inclusão do FC Porto na Liga dos Campeões. E afinal porque está tão infeliz o ex-internacional francês? Porque, diz ele, nenhum clube que tenha sido sancionado pela sua Federação ou pela UEFA por corrupção pode participar numa competição europeia. Ora aí está. Michel Platini ignora que o FC Porto não foi sancionado pela Federação Portuguesa de Futebol. E ignorando isso, ignora que esse foi precisamente um dos argumentos para o Comité de Apelo anular a primeira decisão da Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA, permitindo assim a participação do FC Porto na Liga dos Campeões. De resto, também parece ignorar que a Juventus - onde, apenas por coincidência, jogou durante a sua longa carreira de futebolista - foi, ela sim, sancionada pela respectiva Federação, tendo, no entanto, escapado à justiça da UEFA. Aliás, Michel Platini ignora tanta coisa e de forma tão veemente que, se a felicidade dependesse da ignorância, o presidente da UEFA deveria ser tão genuinamente feliz como o proverbial idiota da aldeia em dia de romaria. Mas não é. E isso é triste.
Jorge Maia
# crónica publicada no diário desportivo O JOGO em 27Jun2008.
Vou ser lacónico. Algo está fétido, no organismo que tutela o futebol europeu, quando o seu máximo dirigente resolve ir contra o seu próprio órgão judicial a favor de uma fábula popular encarnada muito mal sustentada. A presunção de inocência é, e deveria ser, sempre assegurada pelo clube contra este tipo de ataque inquisitório selectivo, com uma reacção enérgica e esclarecedora, sobre o processo em curso. É inconcebível que se denigra a imagem de um clube com a leviandade, ignorância e desonra - imposta e patrocinada pela comunicação social - numa clara e inequívoca atitude persecutória do presidente da UEFA, sedento de uma justiça cega e obscura de modo a reforçar a sua autoridade com tiques de medievalismo. Reforçando e corroborando com o artigo publicado: É triste.
Abraço.
CJ
27 junho, 2008
Campeões, Campeões, nós somos Campeões...
Foi lindo! Um jogo excelente proporcionado pelos MARAVILHOSOS jogadores do FC Porto! A verdade é que poderíamos ter arrumado o campeonato com três vitórias seguidas, mas parece que eles fizeram de propósito perder o primeiro jogo no galinheiro para depois se sagrarem HEPTA campeões na casa do inimigo!
E o triunfo foi tão bom que mais uma vez, as galinhas mostraram o seu fair-play e arranjaram confusão dentro do pavilhão, tempo ainda para antes incendiaram a camioneta dos adeptos azuis e brancos! Uns têm a fama... outros o proveito!
Adiante... mais uma vez o FC Porto esteve em grande e mostrou que é um clube que nada abala, somente cria fortificações para vencer tudo e todos!
Parabéns à equipa, ao treinador e aos adeptos!
Saudações azuis e brancas,
Sodani
26 junho, 2008
Marcha do Dragão 2008
E bem no seguimento do passado S. João a tradição mantêm-se.
A marquise continua enfeitada e as sardinhas nas Fontainhas estão, outra vez, a 1 Euro cada.
E nem sequer a teimosia da chuva miudinha impediu a saída da Marcha.
Dos vencidos continua a não haver memória
e o FC Porto é tricampeão
Mais uma marcha para a história.
Como sempre, a Marcha do Dragão
Depois de Roterdão, em Agosto,
foi-se a Super-Taça sem queixas da mão do Tonel
2-1 ao Braga e a espera, outra vez ao Sporting,
desta vez no nosso quartel.
Talvez fosse do barulho,
e de muitos que não queriam ir embora,
que o homem não conseguiu ouvir
Ó Stoikovich...põe a bola fora.
Setembro continuou tranquilo,
sempre com muita fé e raça.
Em hóquei ficou mais um troféu,
a 15ª. super taça.
Nada de novo em Outubro
nem em Istambul nem em Marselha.
Nós discutíamos a falta de espectáculo
e os outros a beberem tinto e a bater mal da telha.
Em Novembro as nuances andavam
entre o satisfeito e o contente.
Foi mês de colocar nas bancas,
se não leram leiam agora, 'Ele o Presidente'.
Dezembro mês do Natal.
Visita à cesta do pão.
Sai da frente ó David Luís,
deixa passar o Quaresma, da equipa do tricampeão.
Janeiro tudo tranquilo,
mas ficamos pela metade.
Do 1-0 à Naval em casa
à derrota por 2-0 em Alvalade
Fevereiro com a super taça da liga em basquete,
o Bosko em Paris e 4-0 para a taça na Sertã.
Pena foi dar 20 minutos de avanço em Gelsenlkirchen,
na Champions, à esquadra Alemã
Em Março estivemos mal.
Grande Neuer no seu momento.
Foi o adeus na Champions, em pénaties
e numa longa noite de sofrimento.
Mas nem tudo, neste mês, foi mau
o nosso Lucho que o diga.
Mais uma para a vitrina,
em andebol, a taça da liga.
Em Abril rebentou a bomba,
com 6 ao Estrela no Dragão.
Champanhe, luzes e muita festa.
A bomba: Porto TRI CAMPEÃO.
Ainda neste mês de águas mil,
em casa e com muita perícia.
Mais uma vitória, desta vez por dois secos.
Num misto de olés e do chamem a polícia.
Maio sem grande fulgor
mas a corda sempre tensa.
Perdemos para a Ovarense
e no Jamor, com o Benquerença.
Junho mês de calor,
à sombra para evitar insolações.
De nada valeu as artimanhas.
Somos NÓS na Liga dos Campeões.
E ainda na casa do adversário
em patins e bem rodado.
Valeu apenas e tão só o HEPTA,
pena foi a cebolada com o autocarro queimado.
Dos queixinhas não reza a história.
Deixem lá, não chorem mais.
Fica por aqui a nossa Marcha.
Embrulhem, pró ano há mais.
BiBa o São João.
BiBa o Porto carago.
[nota do administrador: atingimos ontem a «bonita» marca das 300.000 visitas... nada mais que número simpático e engraçado. Em jeito de agradecimento, atentem aqui ao vosso lado direito, quem são afinal os únicos e Berdadeiros «notáBeis» do nosso FC Porto. Deliciem-se nessa viagem entre os heróis de «ontem» e os de «hoje». Mais uma vez, o nosso Obrigado!!]
Álvaro Magalhães na primeira pessoa
Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária.
Muito simpaticamente aceitou esta minha solicitação e por isso podem ler, de seguida, a entrevista com o Escritor Álvaro Magalhães, uma personalidade que muito admiro.
ENTREVISTA EXCLUSIVA
O meu pai era boavisteiro e levava-me pela mão a ver os jogos ao Bessa, mas não conseguiu convencer-me. Pedi-lhe para ser sócio do FC Porto e ele fez-me a vontade. Porquê? Não sei. Nunca se sabe quando, como ou porque nasce uma paixão. No meu caso, só sei que começou muito cedo, ainda antes de aprender a ler ou escrever.
- O que sente a defender o FC Porto na Comunicação Social, nomeadamente, na crónica que assina no JN (que, diga-se, sigo quase religiosamente)?
Não escondo a minha condição de adepto do FC Porto para não enganar ninguém, mas tento fazer mais do que defender o FC Porto e erguer uma interpretação da nossa realidade futebolística geral. Sou um estudioso do jogo e já publiquei um ensaio sobre as origens e motivações internas, algo entre a antropologia e a sociologia (História Natural do Futebol) e gostava de falar mais dessas coisas, mas a actualidade sobrepõe-se sempre e acabo a tratar os assuntos mais correntes, que são também os que mais interessam aos leitores.
- O Álvaro Magalhães vê-se de alguma forma a desempenhar no futuro um cargo no FC Porto?
Não me vejo a exercer outro cargo além deste: adepto comum. Não desejo nem espero mais nada, nem me parece que haja posição mais honrosa do que a de simples adepto. Os adeptos leais, abnegados, fiéis, são, com os jogadores, o melhor do futebol. O resto…
- Qual a sua opinião sobre a frieza e indiferença com que Rui Rio trata o FC Porto? Sendo o FC Porto um dos maiores vectores de afirmação da Cidade Invicta não há aqui uma ingratidão absoluta?
Não se compreende, sendo o clube um símbolo da cidade e uma imagem eloquente da sua afirmação. Talvez seja um caso único, raro é, mas este presidente é um inimigo moral (e mortal) do futebol. E da cultura também. Corridas de automóveis, piruetas de aviões, concertos de música pimba, isso sim, é com ele. Mas os presidentes de câmara passam, e os grandes clubes ficam
Por vezes, se estiver em casa, adormeço no sofá, para desligar da realidade. Outras vezes refugio-me na criação literária, também para afastar a realidade da minha cabeça. Se vier do estádio, desabafo com os amigos.
- Concorda comigo quando digo que alguma Comunicação Social tem encetado nos últimos tempos uma perseguição ao FC Porto e ao seu Presidente como nunca havíamos assistido? Quais os verdadeiros interesses desta gente?
Não é só a Comunicação Social, como se sabe. Os interesses são claros: atingir, através dele, o F.C.Porto e a sua hegemonia insuportável (para eles, é claro) do futebol português.
- Qual a vitória do FC Porto que mais o entusiasmou ?
A de Viena, por ser a primeira Liga dos Campeões, foi a mais marcante, a de Gelsenkirschen, a única a que assisti ao vivo, foi comovente, mas a mais entusiasmante e intensa foi a final de Sevilha.
- Escreva-nos o seu onze ideal da história do Porto.
Siska, Virgilio, Miguel Arcanjo, Ricardo Carvalho e Branco, Pavão, Hernâni, Cubillas, Oliveira, Pinga e Jardel.
- Dê-nos a sua opinião sobre estes 5 nomes da nossa história:
Pinto Costa: O melhor presidente de sempre. Criou uma nova era, a Era do Dragão, com uma sucessão impensável de títulos nacionais e internacionais.
Vítor Baía: um dos melhores guarda-redes de sempre, herdeiro da linhagem de Siska, Acurcio, Barrigana, Américo… Tem o estatuto de símbolo e, no futuro, pode ser o que quiser dentro do clube.
Jorge Costa: o último grande “jogador à Porto”. Já não há disso. Espera-se que cresça como treinador para poder ser um dia também um “treinador à Porto”, espécie de treinador-residente ou treinador-vitalício (pois, o nosso Ferguson).
Pedroto: um treinador providencial, que mudou mentalidades, sobretudo isso. Corajoso e arrojado, é um “histórico”, que mudou uma página. Serviu o clube como grande jogador e, depois, como grande treinador, o que também é muito raro.
- Um comentário a este tricampeonato ganho esta época.
Os últimos campeonatos, ganhos à sombra do Apito Dourado e do Apito Final têm sido os mais saborosos de todos. Quanto mais apitam, mais nós ganhamos. Este campeonato foi melhor ainda pela diferença de pontos, que foi arrasadora e humilhou a concorrência.
- Acha que toda esta envolvência do apito dourado tem condicionado as arbitragens dos jogos do FC Porto?
Só um cego (ou um benfiquista) é que não vê isso. E prevejo um próximo ano ainda mais complicado.
- Costuma visitar blogs desportivos? Já conhecia o nosso? Uma palavra para os nossos leitores.
Não sou grande frequentador, confesso, embora já tivesse visitado alguns (o vosso também). Leio mais jornais e revistas (todos, se me deixarem).
Um abraço,
Álvaro Magalhães.
25 junho, 2008
Desfiar de recordações...
Aqui ficam algumas:
2. Gelsenkirchen foi uma agradável surpresa, depois da canícula brutal de Sevilha. Temperatura amena, temperada com um ar fresco que aconselhava o uso de um casaco, numa cidade onde a arquitectura teutónica mostrava a imponência e majestade de um País que está habituado a ser vanguarda.
ps - Prometeram, segundo a sempre bem informada imprensa lisboeta, “4 nomes de primeiro plano” a Quique Flores. Sabendo o que a casa gasta, não vou estranhar quando desembarcarem com a devida pompa 4 brasileiros do Icaturimpinupim ou 4 argentinos do Cordoba S.Luis. O circo de sempre, com o mesmo esplendor.
Meu querido Benfica...
Eu não sou ingénuo, e percebo que o Benfica faça o que está ao seu alcance para entrar na Liga dos Campeões. O prestígio é grande e o dinheiro envolvido demasiado importante para que se assobie para o ar. Mas para provar os pecados do FC Porto e da Federação Portuguesa de Futebol não é preciso andar a rasgar as vestes na praça pública. O Benfica que o faça nos bastidores. Nos escritórios de advogados. Nos lugares mal iluminados da SAD. Nunca - mas nunca - em público, com Luís Filipe Vieira novamente armado em paladino da honra e dos bons costumes, arvorando-se em consciência da Pátria, o que provoca azia até em alguém como eu, que torce pelo Benfica desde que é gente. Todo este processo é péssima política. Primeiro, porque fica mal a Vieira fingir que tem um par de asas brancas escondidas debaixo do casaco. Segundo, porque a instituição Benfica, por mais razão que tenha, não deve fazer esta figura ridícula, de mão estendida pelos corredores europeus a choramingar por um lugar entre os grandes. É deselegante. É pobrezinho. É contraditório com o discurso de grandeza do clube.
Eu gosto de acreditar que há momentos em que uma nova geração de adeptos deixa de ter paciência para os conflitos de sempre, para as guerrinhas de sempre, para as queixinhas de sempre. Eu sou do Benfica, eu adoro o Benfica, mas já não tenho mais pachorra para a velha guerra com o Porto, que dura há 20 anos. Já não tenho pachorra para as ironias de Pinto da Costa. Já não tenho pachorra para as indignações de Luís Filipe Vieira. Meus amigos: eu gosto é de bola. Se o Porto roubou, que seja punido. Mas a primeira preocupação do Benfica tem de ser as vitórias que realmente interessam - aquelas que se conseguem em 90 minutos, em cima de um relvado. Portanto, meu querido Benfica, é como se costuma dizer nas peladinhas entre amigos: cala-te e joga.
João Miguel Tavares
Jornalista
jmtavares@dn.pt
DN, 24-06-2008
# crónica originalmente publicada no diário de noticias.
Um banho de humildade
Portugal deveria e poderia ter ido mais longe.
Uma imprensa desportiva eufórica antes de tempo, um país acometido de delírio patriótico e um insuportável blitz de publicidade dos patrocinadores da Selecção, criaram a certeza de que esta equipa de Portugal só poderia chegar ao céu - ao título de Campeão da Europa de 2008. Tal como sempre aconteceu na era Scolari, caímos no mais fácil dos grupos da fase final- onde, como disse Mourinho, era impensável não passarmos aos «quartos».
Veio primeiro uma Turquia borrada de medo, que vencemos com uma exibição segura, mas não sublime, como logo apregoaram; e, depois, uma República Checa, contra quem, mais uma vez, só obtivemos o golo da tranquilidade nos descontos e após enfrentar alguns calafrios finais, imprevistos e desnecessários. Mas passámos, que era o importante.
A seguir, veio o jogo das reservas contra a Suíça, perdido sem nenhum brio nem desculpa (e todos os outros apurados à 2.ª jornada - Espanha, Croácia e Holanda - puseram também as reservas no terceiro jogo e ganharam-no). Aqui, deveríamos ter tido um primeiro sobressalto de humildade, antes de enfrentarmos uma Alemanha que já se sabe que é sempre competitiva e tem espírito de equipa.
Aliás, nessa 1.ª fase, pese às nossas milionárias vedetas e ao delírio da imprensa, eu vi jogar melhor futebol à Croácia, à Holanda, à Espanha e à Rússia - sem esquecer a Itália e a Alemanha, que, mesmo quando não têm grandes equipas, têm uma cultura de vitória entranhada. Esperava-se que fizéssemos a diferença pelas nossas individualidades, mas afinal o que mostrámos de melhor foi a condição física e o jogo colectivo.
Contra a Alemanha, no primeiro verdadeiro jogo a doer, nós partíamos com uma vantagem imensa: oito dias de descanso contra três, numa competição em que, tal como no Mundial, os grandes jogadores já chegam estafados por uma época sem tréguas. Para nos ganhar, a Alemanha sabia que tinha de construir o resultado de início e defendê-lo depois. Foi isso que fizeram e conseguiram-no curiosamente, não como equipa, mas porque, na hora da verdade, os seus valores individuais suplantaram os nossos. E assim saímos deste Europeu, onde, tirando o próprio Scolari, que afirmou sair «de consciência supertranquila», todos nós achamos que poderíamos e deveríamos ter ido mais longe.
A seu tempo, talvez faça aqui o balanço destes seis anos de Scolari à frente da Selecção. Agora, faço apenas uma apreciação individual daqueles que ele lançou na batalha perdida.
RICARDO - De todos os 40 ou 50 jogadores chamados por Scolari nestes seis anos, nenhum lhe deve mais do que Ricardo. Ele começou por ser o instrumento da querela particular de Scolari contra Baía. E, logo aí, como ao longo daquelas patéticas conferências de imprensa dos jogadores da Selecção em que participou, Ricardo mostrou a falta de humildade e de elegância que sempre o caracterizou. Mesmo quando suplente no Sporting ou no Bétis, Ricardo contou sempre com a fidelidade de Scolari. E, entre os postes, que era o que mais interessava, mostrou tudo o que já se sabia: que é óptimo a defender penalties, bom a defender remates frontais e a jogar com os pés, e um zero no jogo aéreo. Contra a Alemanha (e tal como já sucedera no Mundial de 2006, com o mesmíssimo resultado), não teve de fazer uma única defesa e encaixou três golos: no primeiro, não teve culpas; no segundo, teve algumas; e, no terceiro e decisivo, teve bastantes. Lothar Mathaus tinha avisado.
BOSINGWA - Foi dos melhores, ao longo dos três jogos e tudo ponderado. Não deslumbrou, mas cumpriu.
MIGUEL - Segundo parece, acha que o Valência já é pouco para ele. Só teve uma oportunidade- contra a Suíça- para mostrar a razão porque pensa isso, mas não o conseguiu: foi o pior em campo.
PAULO FERREIRA - Temia-se a sua adaptação à esquerda e os temores saíram confirmados. Jogou os quatro jogos e em todos esteve mal.
JORGE RIBEIRO - Contratado pelo Benfica para a próxima época (na véspera do jogo contra o «seu» Boavista), não justificou, contra a Suíça, as razões da contratação.
PEPE - O novo «português» aprendeu o hino e mostrou raça e vontade de honrar a chamada. Jogou sempre no risco e acertou umas vezes, falhou outras. Mas foi à luta, sempre.
RICARDO CARVALHO - O oposto de Pepe: atravessou todo o Euro dando sinais de esgotamento e de precisar urgentemente de férias. Defendeu-se, nunca correndo riscos e tudo fazendo para não se dar por ele. O jogo contra a Alemanha é o paradigma disto: não esteve directamente ligado a nenhum dos golos, mas alguém é capaz de dizer onde parava ele nos três golos, todos facturados no centro da pequena área- a zona coutada dos centrais?
BRUNO ALVES - Apenas o jogo contra a Suíça, reeditando a dupla de centrais do FCP de 2007, ao lado de Pepe. Não comprometeu nem deslumbrou. Mas, não fossem os lugares cativos na Selecção de Scolari, e talvez tivesse justificado mais a titularidade do que Ricardo Carvalho.
PETIT - A mais inexplicável escolha de Scolari, depois de toda uma época falhada. Esteve no Euro como esteve no Benfica: só se dava por ele quando cometia aquelas faltas maldosas, com ar de inocente. Não haveria mesmo ninguém mais útil para a posição?
MIGUEL VELOSO - Consta que vale largos milhões e que a Itália inteira suspira por ele. Não vejo porquê, e o jogo contra a Suíça não ajudou em nada a perceber.
JOÃO MOUTINHO - Dizem, também, que vale trinta milhões e que andará meio mundo atrás dele. E também nunca percebi porquê. Vejo-o como um jogador sempre regular e um grande profissional, mas jamais como um n.º 10 com rasgo e clarividência, como um Deco, um Lucho González ou um Rui Costa. Fez um primeiro jogo razoável contra a Turquia, que serviu para o porem nos píncaros, e um segundo jogo absolutamente medíocre contra os checos. Contra a Alemanha, saíu à meia-hora, magoado, e, não fosse ter falhado um golo na cara do guarda-redes, teria passado invisível pelo jogo. Mais Alcochete não lhe fará mal algum.
RAUL MEIRELES - Entrou e marcou um golo, contra a Turquia. Jogou muito pouco contra a Suíça e aproveitou razoavelmente uma hora de jogo contra a Alemanha. Não desiludiu, mas foi igual ao costume: fez três remates à baliza e saíram todos para fora.
DECO - Este, sim, foi o homem da Selecção. Três jogos e em todos foi o melhor da equipa. Foi o Deco dos grandes tempos do FC Porto de 2004 (o tal ano da «tentativa de corrupção» e que deu cinco jogadores a esta Selecção), muito melhor do que o Deco dos últimos tempos no Barcelona.
FERNANDO MEIRA - Foi mais importante como «falador» do que em campo. Sem lugar entre os centrais, fez um jogo e parte de outro no meio-campo, onde não acrescentou nada.
SIMÃO - Três jogos sem história. Deve o lugar cativo ao facto de ainda ser, emocionalmente, jogador do Benfica.
NUNO GOMES - Na véspera do jogo com a Alemanha, declarou ter um «pressentimento» de que iria marcar. E marcou mesmo. Mas um ponta-de-lança que marca golos só quando tem «pressentimentos», parece-me pouco. Tal como outros, deve o lugar à regra da antiguidade - a mais sagrada da era Scolari - e ao facto de, como nenhum outro, ser o jogador com melhor imprensa.
HÉLDER POSTIGA - Facto extraordinário, também marcou um golo. E foi contratado pelo Sporting.
HUGO ALMEIDA - Era o sucessor mais aconselhável para preencher o deserto deixado por Pauleta. Mas estava em 3.º lugar na lista da antiguidade e Scolari só lhe deu um quarto de hora, contra a Suíça.
CRISTIANO RONALDO - Não se pode ser herói todos os dias e toda a época, mas o facto é que, se contava com o Euro para o título de melhor do mundo, Cristiano passou ao lado. Vontade, é indiscutível que tinha, assim como talento e génio. Mas, não chegou: foi dos piores contra a Alemanha e desiludiu em todos os jogos. Não sei se foi o Real Madrid que lhe deu volta à cabeça ou a grande época que fez que o rebentou, mas umas férias nas Caraíbas e uns mergulhos nos vídeos do Arshavin só lhe farão bem.
RICARDO QUARESMA - Idem, idem, aspas. Se está à espera que alguém banque os 40 milhões por ele, das duas uma: ou fica sentado à espera, ou confia em que Pinto da Costa não cumpra a sua promessa de não fazer desconto. É verdade que Scolari só lhe deu uma oportunidade e nunca soube dar-lhe a confiança de que precisa e aproveitá-lo para a Selecção. Mas, quando se ganha 150.000 euros por mês e se quer ganhar 300.000, não basta fazer um cruzamento «de letra» em 90 minutos de jogo.
NANI - Foi dos menos maus contra a Suíça e contra a Alemanha. Tentou, mas raramente foi consequente até ao fim. Fica de reserva para o futuro e para o próximo selecionador.
24 junho, 2008
A homenagem merecida aos nossos heróis
O Lucho senta-se confortavelmente no sofá e liga a RTP2, ainda está a abrir a Carlsberg nº1 quando Reinaldo Ventura lhe provoca o primeiro sorriso. Nova bomba do mesmo suspeito e o 0-2 a levar à euforia os Super Dragões que corajosamente lá entraram. Mas nem tudo são rosas e Ventura comete um erro que dá o empate a duas bolas já depois dos casa terem reduzido. O intervalo chega mas a confiança do Lucho está intacta. Aguarda-se pelos últimos 25 minutos do histórico hepta.
A segunda parte traz o equilíbrio mas eis que o nosso «playboy» Caio fura entre os defesas lampiões e remata com estrondo à trave para à boca do golo surgir André Azevedo a empurrar para o 2-3 deixando o repórter da RTP desalentado. O coração bate forte, os minutos não passam mas a confiança continuava em alta. A 4 minutos do fim Caio, quem mais poderia ser, após jogada do capitão Filipe, faz o 2-4 e o Lucho explode gritando pelos heptacampeões! Já nada nos tiraria o título, nem o 3-4 me trouxe receio. A Carlsberg (seria a segunda?) é degolada em breves segundos.Este Clube é assim, especial, mágico, fantástico, hepta-campeão. No final ouviram-se as opiniões, viu-se um pouco da festa dos jogadores junto dos nossos adeptos, viu-se Franklim num abraço profundo e sentido a Ilídio Pinto. Mas viu-se pouco, porque a RTP logo fechou a emissão.
A festa continuou com os nossos hepta heróis a celebrarem mais esta histórica conquista em pleno pavilhão do inimigo. Enquanto isso alguns lampiões furiosos com a sucessão de desaires ( Champions, Rodriguez, Futsal e hóquei) eram espancados pela Polícia.
Este foi o 17º título do FC Porto contra os 20 campeonatos já ganhos pelo Benfica em 68 edições da prova. De realçar no entanto que o 1º título ganho pelo Porto foi só em 1983 o que demonstra o claro domínio azul e branco nas últimas duas décadas e meia. Desde 83 o Porto conseguiu um penta, depois um tri, depois um bi e agora um hepta. Quanto ao Benfica já não é campeão desde 98. Nos últimos 10 anos ganhamos 9 títulos contra 1 do Barcelos (2001).
Dos 10 jogadores do nosso plantel apenas 5 são na realidade heptacampeões, Edo Bosch, Ricardo Figueira, Filipe Santos, Reinaldo Ventura e Emanuel Garcia. Já Franklim foi o nosso técnico principal nestes 7 títulos depois de assumir essa posição a meio da época 2001/2002 após a sáída de Aguero. Antes Franklim tinha sido campeão como adjunto de Livramento (99) e de Cristiano (2000), além dos vários campeonatos ganhos como guarda redes do FC Porto.
Este heptacampeonato é o 2º melhor registo do desporto Nacional. Melhor apenas o Salgueiros no polo aquático que chegou a ganhar 12 títulos consecutivos. Uma nota final para referir que na fase final de juvenis (hóquei), em Peniche, o FC Porto ficou-se pelo 4º lugar não repetindo o título do ano transacto. Ainda não se jogaram as fases finais de juniores, iniciados e infantis.
Depois do (TRI) campeonato ganho no futebol, da taça da liga no andebol, da taça da liga no basquetebol e da supertaça no hóquei registe-se então este (HEPTA) campeonato de hóquei 2007/08 faltando ainda saber se esta época ganharemos também a taça de Portugal de hóquei.
Os nossos heróis, um a um:




















