12 maio, 2017

NÃO PODEMOS PERDER O NORTE.


O Campeonato está praticamente entregue, é um facto. Se com uma arbitragem um pouco menos tendenciosa, já nem peço imparcial porque isso não é possível, não há dúvidas que o Título seria nosso, também não é mentira que mesmo com todo o condicionamento dos senhores do apito a nossa Equipa poderia ter feito um pouco mais na luta pelo Título.

Mas, independentemente de virmos a perder este Campeonato, não podemos perder o que de bom conseguimos esta Época. Em primeiro lugar, conseguimos ter um Grupo bastante unido comparativamente com os que tivemos nas últimas Épocas de insucesso e mesmo em algumas em que fomos Campeões. É importante, mesmo com as eventuais saídas que inevitavelmente vão ter que acontecer devido aos compromissos financeiros, manter um Grupo com o espírito com que este encarou esta Temporada.

Mas claro, só isso não chega e a prova é que, muito provavelmente, vamos terminar mais uma Época de mãos a abanar. Também é preciso ter bons jogadores e ser muito certeiro nas idas ao Mercado, mas deixarei essa abordagem para outra altura porque, na minha opinião, há algo que deve ser ainda mais destacado.

E falo da gigantesca mudança comunicacional que sofremos, sensivelmente, desde o início do ano. Era praticamente unânime junto da massa adepta que um Porto amordaçado, submisso ao regime e sem qualquer voz não era um Porto à Porto. Pois bem, parece que o Porto que oferecia sempre a outra face aos poucos vai desaparecendo e isso é uma grande mais valia que não podemos desperdiçar.

Temos ainda um longo caminho a percorrer, naturalmente os resultados não vão ajudando, mas é por aqui que temos de continuar a seguir. Agora que fizemos inversão de marcha não podemos, de forma alguma, voltar para trás porque há um um Regime, que também é um Polvo, para derrubar.

Nem tudo é perfeito, por exemplo, não é admissível estarmos uma semana a cascar na péssima arbitragem de Carlos Xistra na Luz quando, mal terminou a partida, o Presidente e o Treinador elogiaram a arbitragem tendo o último até admitido que aquele mergulho de Jonas era Grande Penalidade.

No entanto, só continuando nesta direção podemos voltar a ser respeitados por quem anda a gozar com a nossa cara há uns anos a esta parte e, não tenham dúvidas, que também só assim podemos voltar a meter medo ao inimigo que este ano já andou com ele bem apertadinho durante grande parte da Época.

Claro, nada disto faz sentido se não tivermos uma Equipa, e principalmente um Treinador, que transpirem FC Porto dentro das 4 linhas. Mas, acreditem, quando o exemplo chega de cima é sempre muito mais fácil. É assim no FC Porto, como em qualquer outra organização. Quem dirige, faz isso mesmo, orienta esse conjunto de pessoas numa determinada direção.

Agora que vamos no rumo certo, não podemos mais perder o NORTE!

Um abraço azul e branco,
Pedro Ferreira

11 maio, 2017

OMO LAVA MAIS BRANCO OU A MAGIA DO FUTEBOL DO 1-0.


Já não dá. Ou ainda não dá.

O futuro o dirá sobre qual das frases faz mais sentido, mas o facto é que, seja como for, o FC Porto não apresenta neste momento a consistência que o fazia quase infalível no passado recente.

Temos de ganhar? Ganhamos. Não podemos perder? Não perdemos. Acabamos de perder um campeonato? Mostramos a força no campeonato seguinte. Estas eram as premissas que entretanto abandonamos, por força de diferentes circunstâncias.

O tempo de refletir e pensar o futuro está aí à porta e ainda ontem o Norte aqui publicou um texto cuja mensagem subscrevo quase na totalidade. Se há coisa que nos tem distinguido dos nossos rivais é que na hora da derrota nunca deixamos de olhar para dentro e perceber onde erramos ou onde devemos melhorar. Somos assim porque sabemos que nunca nos deram nada e mesmo assim fomos capazes de ganhar anos a fio contra máquinas de ódio montadas pelos rivais, desde os tempos onde nem um diário desportivo havia e em que a internet era coisa de filmes de ficção cientifica.

Posto isto, e como sei que inúmeras análises ao que foi o percurso do FC Porto em 2016/2017 irão ser feitas nos próximos tempos, queria apenas deixar um alerta: Se gostamos do nosso clube e não nos queremos deixar pisar ou humilhar, não podemos embarcar na procissão do "OMO lava mais branco", nem ceder perante o desígnio nacional de exaltar os méritos do futebolzinho do 1-0!

Sejamos claros: este campeonato foi uma vergonha. Mau futebol quase generalizado, candidatos ao título com percursos intermitentes e um conjunto de arbitragens e decisões disciplinares com critérios absolutamente criminosos. É duro dizer isto, porque parece acima de tudo mau perder? É. Mas não deixa de ser verdade!

Chegou o momento de dourar a pílula e tentar à viva força que os Portistas se curvem perante o campeão, exigindo de nós um comportamento que nunca tiveram para connosco. Cada um sabe de si, mas parece-me um péssimo sinal enquanto Portistas que não tenhamos força para continuar unidos e capazes de prosseguir a luta que visa desmascarar o lodo em que se transformou o nosso futebol.

Se há coisa que não podemos repetir é o pós 2014/15. Destroçados pela derrota e pelo facto de termos entregue o título ao rival rapidamente deixamos que um campeonato ganho com um fortíssimo “manto protector” do Regime fosse quase ignorado, transformado o pós derrota num julgamento a jogadores e treinador (sobretudo), não cuidando sequer de precaver o nosso futuro. Não farei aqui uma longa retrospectiva porque todos estarão lembrados dos meses seguintes a essa derrota e como o ambiente criado foi o rastilho perfeito para a pior temporada de que há memória no FC Porto, deixo apenas esta nota porque não nos podemos dar ao luxo de repetir os tiros nos pés que então demos!

Como já tive oportunidade de escrever, acho sinceramente que finalmente caímos na real, finalmente percebemos que as coisas mudaram mesmo e que o FC Porto terá de lutar muito para ultrapassar este jejum. Mas para que isso aconteça o mais rapidamente possível, não podemos ser anjinhos: o tempo é para verdadeiros Dragões e não para posturas politicamente corretas ou para calculismos de circunstância.

O Futuro é Agora. Resistir é Preciso, Lutar é Obrigatório!

NÃO QUEREMOS POLVO NO BASQUETEBOL.


Aquilo que assistimos no último no Domingo no Dragão Caixa não é novidade, porque quem segue atentamente a Modalidade sabe muito bem quem é o Sr. Carlos Santos e o seu historial a dirigir jogos do FC Porto, mas já lá vamos.

Uma curiosidade no meio disto é o critério da FPB nas nomeações para os 2 primeiros jogos dos Playoffs. Ora então vejamos:
  • FC Porto vs Ovarense Jogo 1- Árbitro Principal: Sérgio Silva (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Paulo Marques (AB Porto); Árbitro Auxiliar 2: Pedro Cunha (AB Setúbal)

  • FC Porto vs Ovarense Jogo 2- Árbitro Principal: Carlos Santos (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Pedro Coelho (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: Pedro Lourenço (AB Porto)

  • SL Benfica vs CAB Madeira Jogo 1- Árbitro Principal: Carlos Santos (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 1: Sérgio Silva (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: José Gouveira (AB Lisboa)

  • SL Benfica vs CAB Madeira Jogo 2- Árbitro Principal: Sérgio Silva (AB Lisboa) (Terá dormido no Pavilhão?); Árbitro Auxiliar 1: Pedro Rodrigues (AB Lisboa); Árbitro Auxiliar 2: Bruno Maciel (AB Setúbal)
Não vou efetuar qualquer comentário às nomeações, apenas deixo aqui e quem quiser que tire as suas próprias conclusões.

Quanto ao Sr. Carlos Santos, é um habitue nos prejuízos descarados ao FC Porto, como ainda bem recentemente havia acontecido no jogo em casa contra a Oliveirense. Curioso que depois disso, já dirigiu o FC Porto mais 2 vezes. Se nesse jogo contra a Oliveirense, para além de ter feito gestos provocatórios para a bancada, não teve a desfaçatez de expulsar Moncho López, consumando a ameaça bem audível que fez ao próprio, desta vez não se conteve e colocou o Treinador Campeão Nacional cá fora.


Pois bem, Moncho López apenas pediu que fosse assinalada uma falta num bloqueio de Caluico a André Bessa, uma falta bem mais descarada do que as que habitualmente são assinaladas a Sasa Borovnjak e Nick Washburn em lances idênticos (mas para esses dois jogadores já todos sabemos que os árbitros Portugueses andam de lupa dentro das 4 linhas), Pedro Coelho não hesitou em assinalar imediatamente a primeira falta técnica e, após o Treinador Portista dizer que já haviam sido 4 faltas iguais assinaladas contra os Dragões, o Sr. Carlos Santos, armado em justiceiro de meia tijela, tratou de assinalar a técnica que colocaria o nosso Treinador fora do jogo.

Curioso, que para o que é costume nestes dois árbitros, até estava a ser um jogo tranquilo e onde até os próprios estavam a conseguir passar despercebidos, no entanto, a expulsão de Moncho Lopéz ocorreu já depois de ter terminado o jogo no Pavilhão da Luz com a vitória do CAB Madeira. É apenas uma curiosidade.

Felizmente a nossa Equipa deu uma excelente resposta e conseguiu arrancar para uma vitória tranquila, no entanto, não nos podemos esquecer que a diferença entre as Equipas ainda é substancial e se este tipo de interferências externas, nesta primeira ronda pouca influência no desfecho final das partidas pode trazer, com certeza já não será assim lá mais para a frente.

Por isso, apela-se à FPB para que este tipo de situações terminem de forma a que possamos ter uma competição mais justa e que o Campeonato de Basquetebol, ao contrário do que acontece noutras Modalidades, não seja decisivamente marcado por decisões da arbitragem.

10 maio, 2017

REFLEXÃO INTERNA.


Desportivamente falando, a época está feita. O campeão do regime está encontrado, o desígnio nacional vai ser alcançado. Ninguém vai colocar em causa os méritos do vencedor, ninguém vai achar que existiu “mão divina” na atribuição do título, tudo será calmo e tranquilo, só faltando saber em quantas detenções e feridos se vai saldar o festejo sempre (pouco) pacífico no Marquês.

No que ao FC Porto diz respeito, a época foi absolutamente atípica... esta sim atípica, muito mais do que qualquer uma das três anteriores, mas que culminaram igualmente sem títulos. E tal assim aconteceu porque, ao contrário das anteriores, na época ainda em curso, tivemos alterações estruturais relevantes, com entradas e saídas no futebol, na formação, no scouting, na assessoria jurídica, etc. A questão é que todas essas alterações ocorreram “on job”, com a época preparada e planeada, pelo que todos aqueles que entraram foram apanhando o “comboio em andamento”.

Ao longo das últimas semanas, fui aqui alertando que, independentemente do desfecho da época, existiram coisas que foram recuperadas e que não mais podem ser perdidas.
A recuperação da relação com os adeptos, a existência de um discurso mais agressivo e mais fiel à nossa história, uma comunicação mais atenta a denunciar e combater os nossos inimigos, são ganhos que não podem ser ignorados. Não podemos seguir a política da “terra queimada” e de que nada há a aproveitar. Face à um ano atrás, estamos diferentes, com muito mais sinais de vida, sem aquele ar moribundo que nos denunciava.

Mas, queremos mais, muito mais!!!
Sabemos que, num campeonato normal, teríamos sido campeões. Os prejuízos foram mais do que muitos, os erros sucederam-se, os roubos de catedral uma constante. Também na área da disciplina, fomos perseguidos e prejudicados, com comportamentos díspares e desproporcionais consoante a cor das camisolas. Mas essa denúncia e esse combate, são parte dos ganhos dessa época e que temos que manter, não recuar um milímetro, não ceder um palmo de terreno, não oscilar em nada.
Mas se esse trabalho “de fora” tem de continuar, este é também o período de olhar para dentro e não “assobiarmos para o lado” fazendo de conta que está tudo bem.

Conforme já referi, existiram muitas mudanças com a época em curso. Essa limpeza interna não pode parar e tem que ganhar nova vida no próximo mês e meio. Há gente que continua a levar salário para casa e que tem que estar a receber do Estado. Não podemos manter aqueles que não são fieis aos nossos ideais, à nossa cultura, e que apenas se servem do clube para se projetarem e fazerem disto um bom emprego. A limpeza exige-se e não pode parar a muitos níveis. Tem a palavra quem lidera e quem tem obrigatoriamente que tomar estas decisões!

Especificamente no futebol, acredito que uma nova era está em crescimento, mas isto não vai lá só de crença... estou como S. Tomé, “é ver para crer”!
O treinador que temos é fraco e muito responsável por esta época, e, das duas uma: ou é substituído por alguém com credenciais, ou tem que definitivamente perceber que é funcionário de uma SAD!
Por um lado, é fundamental que quem lidere a equipa no próxima época, tenha “moral”, estatuto, estaleca e personalidade para corporizar e aguentar a pressão de quem não ganha há quatro anos e tem muita sede de vitórias. Tenho muitas dúvidas que NES tenha este perfil. O seu comportamento manso e bonacheirão, já não me inspiram confiança!
Mas, por outro lado, mudar por mudar, mudar para escolher um outro qualquer para ver no que dá, também não sou a favor. Para isso, prefiro que se mantenha o atual e que realmente seja reestruturada a linha de apoio e acompanhamento ao treinador. O mesmo tem que estar englobado e integrado a 100% no projeto, não podendo assumir comportamentos individuais e desviantes dos instituídos por quem manda. Não sei explicar o que falhou, mas sei que não podemos ter o funcionário do clube que mais vezes fala à comunicação social (pelo menos, três vezes por semana) a ter um discurso diferente da narrativa oficial do clube. Um discurso politicamente correto, sem ofender ou atacar ninguém, em que o momento de maior efetividade é tido na luz a dizer “é penalti” no lance entre Felipe e Jonas. Lamentável!

Também a escolha de jogadores tem definitivamente que obedecer a outros critérios. Partindo do pressuposto que o nome de quem faz o negócio deixou de ser o principal fator de escolha, há matérias que não podem ser ignoradas, em particular a personalidade do atleta. Dando de borla que qualquer jogador contratado tem qualidade, a forma como o mesmo se integra no grupo, a sua resiliência, a sua capacidade de reagir à pressão e de perceber a dinâmica do clube, são dados essenciais nas escolhas. E isto é de tal forma relevante este ponto: os mesmos jogadores que conseguiram uma importante sequência de vitórias no princípio do ano, são os mesmos que na fase decisiva da época empataram 5 jogos em 7, ou seja, não é uma questão de qualidade mas sim claramente de mentalidade!

Outros dois pontos que definitivamente têm que ser reflectidos, trabalhados e alterados são a formação e scouting. É um facto que os seus líderes já foram mudados e portanto, os frutos do seu trabalho terão que começar a surgir, mas é importante refletir internamente sobre isso.
No scouting, a rapidez de procedimento é essencial no negócio e temos que ter máxima confiança em quem analisa jogadores, pois a hesitação ou demora a atuar, pode significar a perda de um jogador. Temos que ter identificados 40/50 jogadores por posição, não podemos estar reféns de um jogador acerca do qual andamos em “novela mexicana” todo o defeso... é possível, muito bem, se não é, o scouting tem que imediatamente fornecer soluções. Mas, sublinho: a competência deste departamento tem que ser extrema, bem como a confiança nas suas indicações... se for caso disso, contratem-se mais elementos novos e dispensem-se aqueles que nada têm acrescentado.
Na formação, e ao contrário da maioria das opiniões que por aí reinam, não estou muito interessado na conquista de títulos. Aliás, sob esse ponto de vista, somos bicampeões de sub19 (o último patamar de formação), pelo que se fossemos a analisar apenas por aí, até podíamos estar satisfeitos ao dizer que a formação está em processo evolutivo e tem terminado com vitórias. Mas, há coisas que têm que mudar!
Não podemos ter escolas dragon force que deveriam preparar melhor os miúdos do que os nossos rivais para o primeiro patamar competitivo (sub15) e depois percebermos que estes estão aquém dos outros... não faz sentido! Nos sub15, com o trabalho que é feito de base no Dragon Force, nós tínhamos que ser muito mais fortes que os outros, e não é isso que temos visto.
Na fase seguinte, conseguiu-se, em parceria com o Padroense, fazer os sub16 para que quem termina os sub15 não passasse um ano sem jogar... ok, acho bem, independentemente de alguma afinação que me parece ser necessária, pois não se pode perder a cultura e a marca FC Porto. Só que, logo depois temos o problema quando sobem a juniores.
Nós não podemos ter os miúdos parados no primeiro ano de júnior. O que definitivamente temos que meter na cabeça é que se queremos que a formação dê cada vez mais jogadores à equipa principal, temos que os fazer crescer melhor... de que forma? Nos sub19 só jogam sub18, ou seja, os do primeiro ano de júnior. No segundo ano de júnior, quem tem valor sobe à equipa B e compete num nível muito mais exigente... quem não tem valor, paciência, perde-se! Na equipa B, não podemos jogar com 3, 4, 5 jogadores formados no clube, não! A base tem que ser sempre os melhores dos sub19, e se já lá jogarem com essa idade, aos 21 anos, os melhores estão mais do que prontos para o salto. Só assim poderemos ter miúdos maduros e preparados a aparecer.

As mudanças já foram muitas e ainda se exigem mais!
A 31-08-2017 cá farei a minha correta avaliação, pois nessa altura, as decisões já terão sido todas tomadas por quem lá está no momento.

Até domingo, no sítio do costume... porque eu AMO O PORTO!

09 maio, 2017

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



JOGO DA SEMANA

A escolha para jogo da semana recai sobre a eliminatória da Taça de Portugal de HÓQUEI EM PATINS e consequente receção à Oliveirense, clube de Oliveira de Azeméis que possui um conjunto recheado de bons valores, a que se somam jogadores que não perdoam ao FC Porto não lhes ter renovado contratos, e por isso, transcendem-se em cada jogo contra nós, jogando como se fosse o último da vida deles... para além de um outro jogador dispensado ainda durante a sua formação, com processo disciplinar, que contra nós, reclama, simula e provoca.

A nossa equipa entrou muito bem no jogo e ainda dentro do 1º minuto chegou à vantagem por Rafa. A Oliveirense não se deixou ir abaixo e chegou ao empate, mas aos 10 minutos voltaria a nossa equipa à vantagem, quando Helder Nunes converteu o livre direto a castigar o cartão azul a Jordi Bargalló. O FC Porto ainda chegou ao 3-1, mas uns minutos finais da 1ª parte menos fortes, levaram ao empate dos Oliveirenses antes do intervalo.

No início da 2ª parte, os artistas pretendiam ser outros e o sr. Rainha e o sr. Peixoto assumiram o protagonismo ao exibirem erradamente cartão azul a Rafa que colocou a Oliveirense na marca de livre direto, mas sem sucesso. A nossa equipa reagiu a esta mudança de protagonistas e elevou o marcador para 7-3, fruto de uma segunda parte de muito bom nível.

Estamos na final 4 e o próximo adversário a 24/6 será a turma de carnide.

O próximo encontro será a receção ao sporting (20/5), quando o campeonato entra no momento de todas as decisões.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de BASQUETEBOL iniciou os play-off de defesa do ceptro de campeão com um confronto duplo perante a Ovarense, que transformou em 2 vitórias, o que nos coloca em muito bom caminho para a passagem à próxima eliminatória.

O próximo jogo realiza-se agora em Ovar (sexta-feira) e em caso de necessidade, haverá novo jogo em Ovar no domingo.

O 2º jogo deste fim de semana ficou marcado pela expulsão do mister Moncho Lopez no fim do 3º período, deixando a equipa a ser orientada por Rui Gomes que, aparentemente, agarrou bem o leme, já que o último período mostrou um parcial de 32-12. Por muito que nos tirem o timoneiro do banco, haverá sempre alguém capaz de agarrar o leme e levar a equipa a bom PORTO.



Abraco,
Delindro

08 maio, 2017

GASTAR MENOS, INVESTIR MELHOR.


Contrariamente à maior parte das análises que tenho lido, não acho que o FC Porto tenha feito um jogo miserável na Madeira. É muito fácil analisar um jogo com base apenas no resultado final, mas é a via mais fácil e confortável de o fazer. Da mesma maneira que achei incompreensível o FC Porto não ter ganho em casa ao setúbal e feirense, realizando aí exibições muito aquém daquilo que poderia fazer, creio que o FC Porto foi demasiado penalizado no jogo de sábado. O contra factual não existe, mas seria curioso analisar o que seria dito se por exemplo Soares tivesse colocado a bola no fundo da baliza ou Herrera não tivesse a velocidade de um caracol da hora de finalizar. Provavelmente, metade das críticas que foram feitas, nem teriam existido.

Análises apenas com base apenas na bola que vai à barra, para mim são análises que não valem nada. À parte de todas as críticas legítimas que se podem fazer, o FC Porto foi penalizado na única vez que o marítimo rematou enquadrado à baliza de Casillas. Tem sido assim praticamente desde o início da época, em vários jogos, na única vez que o nosso adversário remata ou ataca com perigo faz golo, o FC Porto precisa de dezenas e dezenas de oportunidades para marcar um golo. Mas a verdade é que isso também revela um nível de eficácia que poderia e deveria ser melhor. Pelo contrário, o nosso rival direto fez n jogos miseráveis (em moreira de cónegos, foi uma exibição patética coroada com uma arbitragem amiga!) mas ganhou quase sempre, jogando poucochinho, poucochinho.

A grande questão que neste momento se coloca é saber como reagir a mais um ano sem qualquer título. Existem várias questões que podem ajudar a definir o futuro do clube, e aqui há duas hipóteses, ou se mantém tudo como está e como tem ocorrido nos últimos anos, ou se alteram significativamente as coisas, corrigindo-se o que está mal.

Reflitamos sobre o seguinte: o FC Porto previu no seu orçamento 2016/2017 cerca de 70 milhões de € de custos com pessoal, o que compara com os cerca de 62 milhões de € do slb e os cerca de 49 M€ do scp. Sobre os números do investimento que tem sido feito, lembro-me assim de repente do dinheiro gasto em Adrian Lopez, Imbula e Óliver Torres, não me refiro à qualidade de nenhum desses jogadores, apenas tão só à questão do dinheiro que se desembolsou na contratação de jogadores nos últimos 4 anos. É verdade que também se encaixou dinheiro com vendas de jogadores nesse período, mas não é menos verdade que se gastaram muitos milhões de € na contratação de jogadores, muitos deles de qualidade nula.

Onde quero chegar com esta conversa é que a grande questão para o futuro do FC Porto tem a ver com qualidade na sua gestão desportiva, consubstanciada no dinheiro que se gasta para reforçar o plantel, no dinheiro que se disponibiliza para os salários dos jogadores e na alienação de jogadores que supostamente não servem para o clube. Internamente, é por isto que nos temos afastado do sucesso nos últimos anos. Quando se fala que o FC Porto anda a perder qualidade nos últimos tempos, não se fala de algo esotérico ou extraterrestre, tem de se falar concretamente de gestão desportiva, aquilo que quer se queira quer não influencia decisivamente o sucesso de um clube.

Nesta fase difícil e inédita no consulado de Pinto da Costa (nunca perdeu 4 campeonatos consecutivos, com a agravante do vencedor ter sido o mesmo), não creio que entrar em histeria, nem gritar contra tudo e contra todos vá levar a algum lado. O momento é de reflexão e de ação, de planeamento e de decisão em relação à próxima época.

Existem dezenas e dezenas de dossiers em relação ao plantel que deverão ser decididos com a máxima brevidade possível. Jogadores que estão emprestados e deverão regressar, outros que podem render bom dinheiro, outros que pertencem ao atual plantel e que se fossem vendidos por 5M€ já era um negocio da China. É preciso corrigir os enormes desequilíbrios com que foi construído o plantel desta época, dotando-o de mais equilíbrio e opções válidas.

O problema do FC Porto não tem sido dinheiro! Tem sido gastar muito e mal!

PS - Andamos há alguns anos a brincar aos treinadores. Pior que isso, andamos a adiar escolhas de forma completamente incompreensível, sendo que agora algumas escolhas que até algum tempo podiam ser possíveis, agora podem já não passar de uma miragem. Com toda a sinceridade, há coisas que não entendo mesmo, por mais que me esforce. Mas essa temática dará um post inteiro. Porque eu não tenho medo de emitir as minhas opiniões frontal e despreocupadamente, sempre mas sempre em prol do meu querido clube!

06 maio, 2017

THE END.


MARITIMO-FC PORTO, 1-1

Só me vem à cabeça este título para esta crónica. E com ele vem-me à memória a célebre canção da banda norte-americana da década de 60/70, The Doors. Uma canção onde se fala do fim, do desespero, da destruição, da resignação e de um autocarro azul (the blue bus) que não sabemos para onde nos leva, mas que não nos levará a bom porto.

Aconteceu nos Barreiros o que mais se temia. Os Dragões não poderiam ceder nenhum ponto, mas lá voltaram a escorregar. Em 7 jogos, aí vão 5 empates. 10 pontos perdidos em 21 possíveis é inadmissível para quem pretende ser campeão.

Não nos podemos queixar apenas das arbitragens vergonhosas que se verificaram ao longo de toda a temporada com um objectivo claro: que um certo clube atinja pela primeira vez o tetracampeonato na sua história.


Ninguém duvida que as arbitragens foram determinantes para o desfecho deste campeonato; ninguém coloca em causa a atitude e a postura dos jogadores do FC Porto; ninguém pode apontar seja o que for aos adeptos do clube que acompanharam sempre a equipa ao longo da época; não foi por falta de apoio que a equipa claudicou nos momentos-chave da época.

Os jogadores do FC Porto não revelaram estofo para ultrapassar os jogos decisivos; os jogadores não foram mentalmente fortes para ultrapassar as diversas contrariedades; a equipa não foi capaz de se alhear das miseráveis arbitragens de que foi vítima.

O treinador revelou toda a inexperiência para liderar uma equipa como a do FC Porto; o treinador mostrou, em muitos momentos, a incompetência de que padece para gerir os jogos e garantir vitórias; o treinador mostrou-se medroso em vários jogos, preferindo recuar no campo e jogar pelo seguro ao invés de procurar ampliar as vantagens e definir os resultados dos jogos. Hoje foi mais um claro exemplo.

A estrutura do FC Porto de há uns anos a esta parte, anda adormecida e foi completamente ultrapassada. Não há reacções enérgicas, não funciona, está invisível e perdida algures, tal como diz Jim Morrison na sua canção. Para defender o clube, temos apenas um canal de televisão do clube composto por pessoas competentes e que parecem ter começado a incomodar o polvo que domina actualmente o futebol português.

Mas isto por si só não chega. É preciso uma estrutura directiva forte. Um presidente dinâmico, com liderança forte e uma estrutura que o acompanhe. Infelizmente, não existe. E com isto vamos continuar a ver passar os navios por mais que adeptos, jogadores, treinadores e departamento de comunicação lutem contra todos os tentáculos do polvo.


O facto é que de match-point em match-point, o Dragão foi cedendo e perdendo a corrida do título. Sabendo de antemão que assim era e que assim seria, o FC Porto teria que ser muito competente durante todos os jogos e não cometer deslizes nos mesmos. Aconteceu precisamente o contrário.

A equipa que obteve 9 vitórias em 9 jogos, cometeu outra proeza de empatar 5 jogos em 7, logo de seguida. Sofre de bipolaridade claramente. Com isto, o líder encapotado está a 5 pontos do título, tendo para isso 3 jogos para cumprir esse objectivo.

Nada mais me apraz dizer sobre este assunto. Só me resta aguardar pelo fim da 34ª Jornada. No fim da época, a estrutura que tire todos as conclusões que quiser, que tenha bom senso e que defina o rumo. Só espero que o clube não apanhe o the blue bus de Jim Morrison.

Vamos ao jogo.

Boa entrada do FC Porto na partida. O Dragão apresentou-se na Madeira com Fernando Fonseca da equipa B no lugar de Maxi e um meio-campo de combate (R. Neves-A. André-Herrera) ao invés de construção ofensiva. Otávio foi desviado para ala direita, formando o trio atacante com Brahimi e o invisível Soares. Corona ficou surpreendentemente (ou talvez não) no banco.


O onze escolhido por NES revelou logo a preocupação de se apresentar com cautelas. Com estas posições, o treinador passa logo uma imagem de falta de confiança na equipa. Tendo Otávio em momento de forma apreciável e rendendo mais na posição 10, ao FC Porto, necessitado de vencer, exigia-se que jogasse com Brahimi, Corona e Otávio no apoio a Soares. Mas não! NES preferiu jogar pelo seguro. Pois, o seguro morreu de velho.

Apesar de tudo, os Dragões, ao contrário dos últimos jogos, entraram muito bem na partida e criaram boas impressões na etapa inicial. Esta boa entrada dos azuis-e-brancos, no entanto, teve resposta à altura dos insulares que procuravam chegar à área portista com perigo.

Brahimi esteve particularmente inspirado, delineando as melhores jogadas da equipa, criando desequilíbrios e abrindo espaços para Soares que esteve completamente trapalhão e desastrado.

O FC Porto procurava o golo. Foi então que numa investida de Herrera à área, Otávio ficou com a bola ao seu alcance e rematou colocado ao ângulo inferior da baliza contrária. Estavam decorridos 28 minutos de jogo. Muito tempo ainda para jogar e para ampliar obrigatoriamente a vantagem.

O que aconteceu depois do golo? O recuo gradual do FC Porto no campo. O Marítimo ganhou confiança e começou a atacar a baliza dos Dragões, sem, no entanto, conseguir lances de registo. Antes de terminar o primeiro tempo, foi o FC Porto a desperdiçar uma oportunidade soberana de golo. Na cara de Charles, Fernando Fonseca (esteve em bom plano) atirou contra as pernas do guardião maritimista. Com 0-2, o FC Porto praticamente sentenciaria a partida.

No regresso dos balneários, os Dragões entraram novamente muito bem mas depois dos 60 minutos, voltaram a dar metros ao adversário. Eu pergunto: mas porquê?


No entanto, aos 61 minutos, o FC Porto teve outra grande oportunidade por Soares mas o ponta-de-lança, lento e adormecido, picou a bola sobre o guarda-redes mas sem a direcção da baliza.

Não marcou o FC Porto, aproveitou o Marítimo para alcançar o empate. Aos 69 minutos, Djoussé aproveitou uma desconcentração total da defensiva portista e cabeceou tranquilamente para a baliza de Casillas, na sequência de um pontapé de canto concedido infantilmente por Alex Telles. Quem ficou mal no lance foi a defesa portista que não estava concentrada e Herrera que nem sequer saltou para tentar afastar a bola da zona de perigo.

O golo provocou depressão nos portistas e galvanizou os verde-rubros. Brito teve uma oportunidade de operar a reviravolta, mas atirou ao lado da baliza de Casillas e os Dragões passaram a jogar sem tranquilidade.

Foi então que NES decidiu apostar tudo no ataque. Ah, grande homem!!! Já com Corona em campo, André Silva e Rui Pedro entraram para tentar o golpe de sorte. Mas, exceptuando uma ou outra ameaça, os portistas nunca mais tiveram uma soberana oportunidade de golo.

Com este empate, o FC Porto encontra-se, à condição, a dois pontos da liderança, esperando para ver o que mais logo o líder faz em Vila do Conde.

Com dois jogos por cumprir, ao FC Porto restará vencer P. Ferreira e Moreirense para garantir o 2º lugar, visto que o 3º classificado poderá ficar a 3 pontos dos portistas no fim desta manhã. Sabemos bem a diferença entre ficar em 2º ou 3º classificado. Ter ou não ter entrada directa na Champions League da próxima época, eis a questão…




DECLARAÇÕES

Nuno: “Vamos continuar a lutar”

Méritos para um outro resultado
“Acima de tudo é um resultado muito dececionante pelo jogo que fizemos. Controlámos totalmente uma boa equipa, com bons jogadores e bem orientada. Desde o princípio que procurámos outro resultado, tivemos méritos para isso, mas faltou-nos eficácia. Ainda assim, considero que a equipa fez um bom jogo, realizou um bom trabalho.”

Matar o jogo no momento certo
“Fizemos uma boa primeira parte, com oportunidades claras para fazer golo, tal como na segunda, aliás, e bem claras. Foi pena não termos conseguido matar o jogo no momento em que o deveríamos ter resolvido, porque tivemos ocasiões claras para isso no início da segunda parte. E, depois, num momento de desconcentração. fomos penalizados, num jogo em que o Iker não fez uma defesa.“


Penalizados por um erro
“O FC Porto foi mais forte durante o todo o jogo. O Marítimo não criou oportunidades para chegar à nossa baliza, à exceção de lances de bola parada, num dos quais fomos penalizados por um erro nosso, num lance em que deveríamos ter estado mais concentrados e em que deveríamos ter sido mais eficazes na nossa tarefa defensiva.“

Continuar a lutar
“Fomos superiores, deveríamos e podíamos vencer este jogo, que era o nosso objetivo nesta luta. Neste momento as palavras valem muito pouco. Lutámos e vamos continuar a lutar. As oportunidades acabam quando acabar o campeonato. Está mais difícil, porque há menos um jogo, mas a Liga ainda não acabou.”

Dedicação até ao fim
“Da minha parte, e em nome do grupo, peço desculpas aos nossos adeptos, aos que estiveram hoje aqui e a todos os outros. Por eles e por nós continuaremos a trabalhar e a dedicarmo-nos ao máximo até ao fim.“



RESUMO DO JOGO

FOTO MÍSTICA #7 - Tri-Campeão [1997]

O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com.



Época: 1996/1997.
Local: Estádio D. Afonso Henriques.
Data: 17.05.1997.
Resultado: Vitória de Guimarães 0x4 FC Porto.
Aparecem na fotografia: Artur, Drulovic, Rui Barros, Zahovic, Silvino, Domingos, Jardel e Paulinho Santos.
Às portas do Tri-Campeonato era um FC Porto muito diferente do de hoje aquele que se apresentava no antigo D. Afonso Henriques para alcançar um feito inédito: a conquista do ceptro do terceiro campeonato consecutivo.

Dos 16 atletas convocados para o jogo, 11 eram portugueses, a maioria deles prata da casa. Entre os 5 estrangeiros presentes, um era portuense por adopção (Aloísio), enquanto que Zahovic, Drulovic e Artur já contavam com vários anos de futebol português nas pernas. Apenas Jardel se apresentava como novidade, a estrela da companhia, o homem vindo directamente do Brasil com um único propósito: fazer golos.

E fez muitos. Neste jogo logo 2. No final da temporada acabaria com 30 golos em 34 jogos, na sua temporada de estreia em Portugal.

Nos anos do Super Mário o FC Porto aperfeiçoou e consolidou o sistema táctico de 4x3x3, que havia de fazer sucesso interno nos anos seguintes. Sérgio Conceição jogava aberto na direita, Drulovic fazia o mesmo na esquerda e os dois tinham instruções directas para ganhar a linha de fundo e cruzar para o matador brasileiro. Zahovic, mais atrás, pautava o jogo ofensivo da equipa, municiando os companheiros e aparecendo também em zonas de finalização. Mas o plantel oferecia outras soluções: Edmilson e Artur, por exemplo, não eram tanto extremos de ir à linha, mas mais de diagonais para o meio, tendo por isso terminado o campeonato com 16 e 10 golos, respectivamente.

Quando as coisas se complicavam, António Oliveira possuía no banco mais três armas secretas de alto gabarito: Rui Barros, Folha e Domingos Paciência entravam amiúde para resolver missões mais complicadas.

Mas o tri-campeonato assentou muito mais na segurança defensiva do que nos artistas lá da frente. Barroso, além do pé-canhão, destacava-se pela sua capacidade de intercepção e recuperação. Paulinho era pau-para-toda-a-obra no meio-campo e terminou a época como o jogador com mais minutos em campo. João Pinto, Jorge Costa, Aloísio e Fernando Mendes (também Rui Jorge) formavam uma defesa experiente e inexpugnável, capaz de proteger uma baliza nem sempre segura: Hilário, Silvino e Wozniak nunca lograram afastar o fantasma de Vítor Baía.

No lado dos vimaranenses, havia históricos da bola lusitana: Neno, José Carlos, Alexandre, Quim Berto, Paneira, Meira e Riva, só para citar alguns. Dois deles haviam de se mudar para o FC Porto, embora com níveis de sucesso muito diferentes: Nuno Capucho e Fredrik Söderstrom.

Contudo, a noite era claramente azul e branca. De ouro sobre azul, melhor dizendo. O FC Porto não podia falhar e não falhou. Zahovic abriu o activo aos 24 minutos, para gáudio da falange azul e branca que se havia deslocado à Cidade-Berço. Aos 61’ Jardel ampliava a contagem e repetia a dose aos 65’. Zahovic fecharia as contas do jogo.

Os últimos minutos já eram de festa para os Dragões. O título estava assegurado e o FC Porto sagrava-se tri-campeão nacional pela primeira vez na sua história. Um feito impensável 10 anos antes, quanto mais nos 20 ou 30 anteriores. Ora, se este sucesso já não pertence à geração de Viena, pode-se dizer que estes rapazes ainda beberam dessa seiva: João Pinto era por assim dizer o elo de ligação entre os dois balneários e essas duas décadas, a de 80 e a de 90.

O Capitão retirar-se-ia no início da temporada seguinte, no jogo de apresentação do plantel, numa cerimónia carregada de simbolismo que culminou com o depósito da camisola do FC Porto e por assim dizer da mística portista nos braços de Jorge Costa. Esse foi um momento-chave do portismo para as épocas seguintes, um transmissor de legado, sublinhado pelas lágrimas do Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa e do próprio João Pinto. Quem lá esteve certamente se lembra da emoção e solenidade do momento. O tempo havia de dar razão e explicar aquela passagem de testemunho: Jorge Costa, depois de João Pinto, foi o segundo português a erguer a mítica Taça dos Campeões Europeus.

A mística transitava pois de geração em geração, de balneário para balneário, de homem para homem. No campo, muito mais que a qualidade, sobressaía a raça, a alma e a ambição. O FC Porto podia não ter os melhores talentos, mas comia a relva, como se orgulhavam de dizer os portistas de então.

Quando se dá o apito final, os jogadores não resistem e correm para celebrar junto da bancada azul-e-branca. A fotografia simboliza o gesto que muitos portistas haviam de imortalizar nos dias seguintes: três dedos orgulhosamente levantados para o ar. Três dedos que simbolizavam fundamentalmente três coisas: orgulho, paixão e superação. O Tri, com um discípulo de Pedroto ao leme, significava bem mais do que 3 campeonatos consecutivos: era o afirmar pleno e o cimentar da posição do FC Porto no panorama futebolístico nacional, numa altura em que Jorge Schnitzer, David Borges, Nuno Santos e Nuno Luz, a partir dos estúdios da SIC e do programa Donos da Bola, orquestravam uma campanha baixa e reles contra as hostes nortenhas.

O Tri consolidou o domínio interno portista no futebol português, afastou fantasmas das Antas e projectou o clube para novos voos. Na terra que viu nascer Portugal, celebrava o clube da cidade que deu nome a Portugal.

PORTO! PORTO! PORTO!

Rodrigo de Almada Martins

FONTES UTILIZADAS, A QUEM AGRADECEMOS:
  • Zero Zero
  • Fotobiografia do Tri
  • FC Porto Notícias

05 maio, 2017

CONTIGO ATÉ AO FIM!


Faltam três jogos para o final da época, queremos nove pontos nas próximas três jornadas e esperar que o rival perca um jogo. Nada mais há a fazer neste momento, depois de um polvo muito bem confeccionado e mais uma época com bastantes erros próprios, vamos acabar bem o campeonato, vamos conquistar três vitórias para pelo menos minimizar a dor, em caso de não conseguirmos o tão ambicionado título. E só depois pensaremos no futuro, que é já daqui a três meses.

Deslocação a Chaves a fazer recordar velhos tempos. Numa altura em que a equipa transmontana era presença assídua na primeira divisão, os jogos no Municipal de Chaves eram sempre picadinhos, rasgadinhos, intensos, quer no campo quer na bancada. Uma bonita zona do país e uma deslocação convidativa a passar o dia na cidade, até pela altura do ano em que estamos. Não choveu, o tempo ajudou à grande mobilização dos adeptos do FC Porto. O preço dos bilhetes também ajudou, ao contrário do praticado na deslocação anterior e na próxima!

Mais de 2000 Dragões rumaram a Chaves, alguns almoçaram já em Trás-os-Montes e por lá passaram a tarde enquanto outros se deslocaram mais em cima da hora do jogo. Uma província do nosso país que bem merece uma equipa na primeira divisão, ao contrário do que tem acontecido nos últimos anos. Fico satisfeito quando nos deslocamos a sítios onde aparentemente o futebol profissional não existe. Fico satisfeito por saber que o Algarve vai contar novamente com uma equipa na primeira divisão na próxima época, fico contente que a Madeira esteja representada e ficaria contente até se o Alentejo tivesse representação, como já teve. Só faz bem ao futebol essa diversidade e só ajudaria se os adeptos tivessem mais orgulho no clube da sua terra/região, algo que em Portugal é posto para segundo plano.


Gostei de passear em Chaves e ver adeptos do Chaves. Não gostei foi de passear em Chaves e ver várias bandeiras do nosso rival a esvoaçar nas varandas, quem sabe, de propósito para nos provocar. Não gostei de entrar num restaurante para almoçar e numa outra mesa estarem adeptos do Chaves com cachecóis do nosso rival. A situação repetiu-se várias vezes durante a tarde, infelizmente não é novidade de Norte a Sul, em alguns locais acontece mais do que noutros mas não é novidade para quem acompanha a equipa regularmente, simplesmente só demonstra a podridão que paira no futebol português. É mais bonito apoiar-se um clube que tem sede a quase 500 quilómetros das nossas origens do que o clube da nossa terra, que naquele caso, até está na primeira divisão. São os chamados parolos do Norte. O “parolismo” no seu esplendor.

Os Dragões deram festival na bancada e no campo os jogadores ganharam 0-2. Foi a nossa segunda deslocação a Chaves esta época, depois de termos ido lá em Novembro para a taça de Portugal. Desta vez fomos nós a sorrir.

Temos mais três semanas pela frente e vamos com tudo apoiar o nosso FC Porto, até ao apito final.

Mesmo “sem estrada” para andar, a gente não vai parar...

Um abraço ultra.

04 maio, 2017

SALAZARICES E HIPOCRISIA.


Esta semana a Diretora Executiva da Liga, Sónia Carneiro, em entrevista ao Record, levantou a possibilidade de penalizar os clubes com pontos, caso os Jogadores, Treinadores ou Dirigentes de determinado clube ousarem criticar as Equipas de Arbitragem.

Em primeiro lugar, trata-se de uma proposta que, desde logo, restringe a liberdade de expressão e que denota alguns tiques Pidescos e Fascistas de quem propõe tal norma. O cérebro desta ideia absolutamente absurda todos sabemos quem é e já lá vamos.

Em segundo lugar, o timing desta Entrevista e deste anúncio não deixa de ser caricato. Numa altura em que faltam 3 Jornadas para terminar um Campeonato, cuja classificação tem sido completamente manipulada pelos senhores do apito, a senhora Diretora Executiva da Liga vem a publico ameaçar com uma autêntica “Lei da Rolha”, que não passa de uma forma de condicionar as manifestações de indignação, perfeitamente legítimas e justificadas, de quem tem sido espoliado ao longo da Época e, ao mesmo tempo, passar a mensagem aos senhores do Apito que podem continuar a desvirtuar resultados à vontade porque quem não gostar, só tem de comer e calar.

E em terceiro lugar, esta medida faz parte de um conjunto de propostas apresentada pelo atual líder do Campeonato à Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Esse clube, armado em ONU do Futebol, vem agora com este discurso Hipócrita e Salazarento, quando não vai há muito tempo, se essa norma vigorasse, hoje em dia estariam a jogar contra o Damaiense nos Distritais da AF Lisboa tamanho era o berreiro contra as arbitragens.

Todos nos lembramos quando o Presidente desse clube apelava a que o atual Presidente da Liga de Clubes não voltasse mais a apitar o seu clube do coração.


Todos nos lembramos quando o na altura Diretor Comunicação desse clube dizia que os Títulos ganhos com todo o mérito pelo FC Porto era um tributo aos árbitros.


Todos nos lembramos quando o na altura Treinador desse clube, em plena conferência de Imprensa, acusava um árbitro assistente de ter errado de propósito contra a sua Equipa.


E estes são só alguns exemplos, porque poderia escrever quase uma Enciclopédia só a enumerar os casos em que esse clube, através de Dirigentes seus ou funcionários, veio a público atirar-se para cima da arbitragem para justificar sucessivos insucessos Desportivos.

Para não falar que ao primeiro Empate na 2ª Jornada deste Campeonato, o Presidente desse clube já estava a dirigir-se numa total indignação ao Sr. João “Pode Ser” Ferreira a questionar porque é que ele tinha nomeado aquele árbitro, que segundo ele e passo a citar: “Na Época passada tinha roubado três Penalties ao benfica”.

Portanto, no que diz respeito à legitimidade e moral desse clube para vir propor qualquer norma que seja que impeça clubes de criticar arbitragens estamos conversados. O que esse clube pretende, e pelas palavras da Srª Carneiro parece que a Liga está disposta a isso, é que as Equipas de arbitragem continuem a manipular a classificação de forma constante e tendenciosa em seu benefício, sem que ninguém possa sequer abrir a boca.

Mas claro, de um clube que se habituou a viver sob a proteção de um Regime Totalitário e Fascista, não se pode esperar inputs para a suposta melhoria da Competição que fujam da ideologia que guiava esse mesmo Regime.

Um abraço Azul e Branco,
Pedro Ferreira

03 maio, 2017

QUEM ME DERA SER PEDREIRO.


Sou por princípio respeitador de todas as profissões, desde que as mesmas tenham a seriedade e dignidade de quem se aplica e recebe a respetiva remuneração, muitas das vezes, francamente abaixo do esforço despendido.
Em Portugal, uma das profissões que regra geral assumimos como remunerada abaixo da média é a de Pedreiro... mas, felizmente para todos esses homens e mulheres que fazem do trabalho nas obras a sua vida, ficamos esta semana a saber que, afinal, um Pedreiro de Rio de Mouro que se preze, tem argumentos financeiros para pagar um dos melhores advogados de Lisboa. Mas vamos por partes!

O Tanolas dos No Name, assumiu que atropelou mortalmente Marco Ficini na madrugada do Sporting-slb e entregou-se na passada quinta-feira à PJ. Mais um adepto do benfica que assassina um adepto de outro clube. Sobre o crime em si, não faz sentido divagar muito porque as imagens são alegadamente esclarecedoras e chocantes.
Mas o rapaz de 36 anos, pai de 4 filhos, trabalhador nas obras, anteriormente referenciado por crimes de tráfico de droga, roubo e posse de arma proibida, já havia ficado com pena suspensa na sequência de desacatos antes de um outro Sporting-slb em 2011. Não era portanto um “menino virgem” nestas andanças!
No entanto, como o alegado autor dos crimes se entregou, fez-se uma onda de quase “solidariedade comunicacional”, apenas ao alcance da plebe lampiã, só faltando dizer que o pobre rapaz que estava às 3h da manhã no estádio da luz a rezar o terço, havia anteriormente sido vítima de bárbaras agressões, e numa tentativa desesperada de se manter vivo por ser o único sustento da família, viu a sua viatura automóvel ser abruptamente vandalizada pelo corpo de um transeunte. Um escarro o papel a que certos jornalistas se dão apenas pelo fulano ser adepto lampião.
Esqueceram-se foi de dizer que antes disso ele andou a monte quase uma semana, escondeu o carro numa casa desabitada, e só depois do carro ser localizado é que se entregou, num espetáculo televisivo (quantas equipas de reportagem costuma ter a SIC todos os dias à porta da PJ???) onde se pode ver o ar pesaroso do criminoso, bem como a sua postura de comprometimento com toda aquela situação. Haja paciência!

Mas voltando ao início do texto, felizmente que um sério pedreiro pode pagar a um dos mais afamados advogados da capital... e pelo que que reza a história, esta já não vai ser a primeira vez que Carlos Melo Alves vai defender o Tanolas. Será que o salário anual declarado é suficiente para pagar os honorários que o senhor doutor vai auferir? Bem sei que o senhor referenciou que este não é o seu único caso, e como tal, seguramente que lhe vai fazer um desconto, até por já ser cliente da casa. Abençoado Lué (outra das suas alcunhas) que nasceu com cor negra e longe da Ribeira do Porto... é que se fosse branquinho, loiro, da Ribeira e desse uns pinchos como um Macaco, iam logo querer saber a sua declaração de rendimentos.

Mas quem é o Dr. Carlos Melo Alves?
O reputado advogado alfacinha, acumula um vasto leque de processos cujos seus clientes apresentam um denominador comum, mas obviamente por mera coincidência: ligações ao benfica!
Para além dos já citados casos do elemento dos No Name, foi por exemplo advogado de um colombiano (Luis Macias Nieto conhecido por “El Doctor”) acusado de ser um dos responsáveis pela entrada de 340 kgs de cocaína em Portugal. Colombianos e droga... faz lembrar alguma coisa?
Defendeu também o inspetor da PJ apanhado numa rede internacional de narcotráfico (coincidência??), que por acaso foi um dos que investigou o processo “Apito Dourado” e fez parte da comissão de honra da candidatura de Luís Filipe Vieira... tudo boa gente!
O Sr. Dr., ex cronista do extinto jornal O Crime, tem de facto uma queda para casos difíceis!

Ora, se o pobre Tanolas, que segundo o seu advogado, estava a fugir dos elementos da Juve Leo, com a sua profissão de Pedreiro consegue ter recursos para pagar a este tipo de advogados, meus amigos, então eu quero aqui publicamente dizer QUEM ME DERA SER PEDREIRO!

Um abraço,

02 maio, 2017

AS NOSSAS MODALIDADES – RESUMO DO FIM DE SEMANA.



JOGO DA SEMANA

A escolha para jogo da semana recaiu sobre o primeiro jogo realizado neste fim de semana, o de ANDEBOL. O calendário marcava a receção ao abc, a 1ª equipa a nível nacional a nos ter derrotado esta época e ao fim de 28 jogos realizados. Convém não esquecer que a derrota surgiu num jogo em que, do lado bracarense, tudo valeu para parar os atletas do FC Porto.

Nesta jornada, a palavra de ordem passava exclusivamente pela vitória de modo a continuar-se a trilhar o caminho da reconquista. A equipa entrou focada e determinada em logo desde o inicio da partida passar para a liderança do marcador, e assim foi ainda antes dos 10 minutos que alcançou uma liderança superior a 1 golo. Até aos 25 minutos, foi esta a marcha do marcador, mas aí, voltamos a permitir que os de braga chegassem ao empate.

A partir daí e até ao intervalo voltamos à liderança confortável de 3 golos. Mesmo sobre a buzina e quando o marcador começava a ficar desnivelado, eis que surgiu um daqueles lances caricatos. A bola não se encontrava disponível para marcar o livre de 9m e Daymaro Salina também não estava a 3m da marca, mas sem qualquer aviso para se posicionar na marca devida, o atleta foi excluído por 2 minutos.

O início da 2ª parte não se revelou aquilo que certamente a dupla madeirense esperaria, o abc ser capaz de se aproximar no marcador e, pelo contrário, foi o FC Porto que ainda mais se distanciou no marcador. É certo que a meio da 2ª parte ainda fizeram nova incursão e num lance despropositado, a mesma vítima, Daymaro Salina, só que desta vez desqualificado, mas o FC Porto já liderava por 9 golos e não se deixou afetar. Até ao fim, o marcador ainda dilatou um pouco mais, chegando ao fim com 36-24.

O próximo jogo será agora apenasa 13/5, na deslocação ao pavilhão do casal vistoso para defrontar o sporting que, em caso de vitória, significará a reconquista do nosso título.


AS OUTRAS MODALIDADES

A equipa de HÓQUEI EM PATINS recebeu o último classificado, a Sanjoanense, e foi sem surpresa que a vitória foi alcançada. Ao intervalo, a vantagem era já de 6 golos. Na 2ª parte, foram marcados outros 6 golos.

O próximo jogo é para a Taça de Portugal com a receção à Oliveirense agendado para sábado próximo, pelas 15h00.

A equipa de BASQUETEBOL deslocou-se ao Barreiro para defrontar o Galitos em jogo da última jornada da 2ª fase, e já com o destino traçado para os play-off - vantagem em todas as eliminatórias, face ao 1º lugar no fim da 2ª fase.

A equipa do barreiro até entrou mais forte e chegou ao fim do 1º período com uma vantagem de 3 pontos (15-12). O 2º período foi favorável ao FC Porto, mas ao intervalo o galitos ainda liderava por 33-31. O 3º período voltou a ser-nos favorável e ao fim de 30 minutos a vantagem da nossa equipa era já de 10 pontos (56-46). O último período voltou a ser pintado de azul e branco, o que elevou para uma vantagem final de 22 pontos (83-61).

O basquetebol regressa agora na próxima 6ª feira ao Dragãozinho, para o 1º jogo dos play-off diante da Ovarense. Vamos encher o pavilhão em todos os jogos desta fase decisiva para alcançarmos o ambicionado BICampeonato.



Abraco,
Delindro

01 maio, 2017

UM “SIMULACRO” DE COMPETIÇÃO.


Numa brilhante intervenção no “Trio de Ataque” de ontem, Miguel Guedes, de longe o comentador afeto ao FC Porto mais competente e eficaz, disse logo na sua intervenção inicial tudo aquilo que eu penso em relação a este campeonato, ao FC Porto em particular e aos vários fatores que contribuíram decisivamente para o previsível desfecho do mesmo.

Por mais que nos nossos sonhos imaginemos um cenário perfeito nas últimas 3 jornadas do campeonato (e todos lá no fundo, enquanto for matematicamente possível, esperamos sempre um “milagre”), nesta altura creio que para todos nós, Portistas que sofrem pelo clube, o melhor mesmo é consciencializar-nos de que “isto já está entregue”, como tão bem disse Miguel Guedes na sua brilhante intervenção. A expressão que melhor se adequa a tudo isto, da autoria também de Guedes, é que em muitos momentos este campeonato não foi uma competição séria e verdadeira, mas sim um “simulacro de competição”.

Do que ressaltou deste fim-de-semana, nem vou falar de mais uma grande penalidade por marcar a favor do FC Porto, tal como admitiu o insuspeito Duarte Gomes, acho que já se tornou em algo tão frequente que acaba por fazer parte naturalmente do campeonato. Da mesma forma que não vemos um jardim sem flores, raramente vimos, e provavelmente iremos ver até ao fim do campeonato, um jogo em que não haja uma ou duas grandes penalidades por assinalar a favor do FC Porto- Faz parte, naturalmente. O que verifiquei com curiosidade foi a expulsão de Maxi Pereira, a 2ª em 60 jogos de FC Porto, por contraponto com 1 expulsão em mais de 250 jogos no seu anterior clube. Não vou discutir a justeza da expulsão, um lance em que o uruguaio entra de sola, apesar de tocar na bola, mas o que me chateia muito (e depois leva-me a concluir que isto é um "simulacro de competição") é que o talocha do boavista tenha entrado brutalmente ao calcanhar de aquiles de Corona (que por isso ficou no estaleiro 3/4 semanas) e tenha sido admoestado com amarelo, chateia-me que a entrada duríssima do cartabia do braga sobre Alex Telles apenas tenha valido amarelo e chateia-me ver jogadores que dão murros na barriga de colegas e devem ser julgados lá para o verão. Isto tem um nome: GRAVE DUALIDADE DE CRITÉRIOS!!

Independentemente dos deméritos próprios, dos erros no planeamento da época do FC Porto e dos apagões em momentos fundamentais da época, este campeonato nunca poderá ser considerado uma competição séria. Quem pensa que o FC Porto irá perder este campeonato apenas por incompetência própria, está errado! Quem pensa que o FC Porto irá perder este campeonato apenas por fatores externos nomeadamente erros de arbitragem, está errado! São dois caminhos paralelos que acabam por se cruzar e não podem ser dissociados um do outro.

Faltam 3 jornadas para o fim, a minha previsão é que o FC Porto pode perder este campeonato por uma diferença entre 1 a 5 pontos. Perder por 1 ou 5 pontos não altera substancialmente todas as conclusões que advirão do que se passou no presente campeonato, sejam elas de que natureza for.

A reflexão que os responsáveis do FC Porto terão de fazer daqui para a frente tem de focar vários aspetos, sejam eles internos e externos. Mas a verdade é que os fatores externos não são diretamente controláveis, há trabalho de comunicação que tem de ser feito, há questões pertinentes que se têm de levantar atempadamente, mas tudo isto é relativo. Naquilo que o FC Porto pode e deve melhorar internamente é que se tem de concentrar em exclusivo. Planear melhor, vender o excedentário, comprar o necessário e dotar o plantel das melhores valências para suprir as lacunas que estão bem identificadas há já algum tempo.

Nota final: Para não haver mal-entendidos, a minha opinião de que isto está entregue tem a ver com todos os fatores que se tem passado ao longo deste campeonato, e não apenas com as fraquezas do FC Porto. O FC Porto tem lutado contra as suas fraquezas é verdade, mas também tem lutado e muito contra fatores externos que não controla e que surgiram desde as primeiras jornadas do campeonato. Acreditar por exemplo que é possível o nosso rival, que joga pouquíssimo mas mesmo assim não perde, perca 3 pontos nas últimas 3 jornadas é um ato de fé pura e simples. E tal não tem seguramente a ver com aquilo que o nosso rival joga, que como se viu mais uma vez é pouquíssimo, mas sim com as "forças do além" que seguramente não deixarão cair em 3 jornadas aquilo que demorou tanto tempo a construir. Nem que se matem pessoas, arranquem olhos ou se coloque uma bomba no parlamento, o "treta-campeonato", é um desígnio que se tem de realizar MESMO, custe o que custar. A ala psiquiátrica dos hospitais portugueses não iria aguentar caso o desígnio falhasse na ponta final do campeonato. Para bom entendedor, acho que já disse tudo...

29 abril, 2017

PARA CÁ DO MARÃO, MANDOU O DRAGÃO.


CHAVES-FC PORTO, 0-2

Regresso dos azuis-e-brancos a Chaves, poucos meses depois de ali ter sido atirado para fora da taça de Portugal por uma arbitragem que irá ficar registada para a posteridade.

Mas desta vez, o Dragão, de regresso a Trás-os-Montes, não permitiu que a história se repetisse, apesar do intentos “xistrenses”.


A primeira parte foi mais do mesmo em termos exibicionais da turma de NES. Equipa sem ideias, incapaz de rasgar a defesa contrária, muita circulação de bola mas sem sentido de baliza. A única coisa positiva a retirar desta parte inicial foi que o Chaves não teve qualquer situação ofensiva de registo perante a boa organização defensiva portista.

Mesmo sem Danilo, o FC Porto apresentou-se seguro defensivamente, surgindo R. Neves à frente da habitual defesa no lugar 6 com o apoio de A. André. Otávio fechou o triângulo do meio-campo. Na frente, NES colocou Corona e Diogo J. no apoio ao brasileiro Soares.

Para terminar o registo dos primeiros 45 minutos aborrecidos e enfadonhos, saliento dois livres frontais muito bem batidos por R. Neves a que António Filipe correspondeu com grandes dificuldades e um remate estrondoso de Soares à figura do mesmo guardião que defendeu de uma forma aparatosa.

De resto, acabaram por ser 45 minutos muito pobres, com muitas perdas de bola e com um futebol sem ideias e sem sentido.

Começava a ver o filme dos últimos jogos. Dar meia parte de bandeja ao adversário e depois correr atrás do prejuízo. Mas não!

Ao intervalo, houve um abanão na equipa. Os azuis-e-brancos vieram com outra postura mais aguerrida, encostaram os flavienses atrás e intensificaram o “assalto” à baliza de António Filipe.


Por isso, aos 52 minutos numa iniciativa atacante, A. André rematou forte, António Filipe defendeu para a frente e Soares surgiu oportuno a abrir o marcador no Municipal de Chaves.

Estava feito o mais difícil. O FC Porto alcançava a vantagem. Sabendo do resultado que o líder tinha alcançado alguns minutos antes, os Dragões não poderiam distanciar-se mais do que o que já permitiram nos últimos encontros.

Ora este golo, fez com que o Chaves abrisse mais o jogo e permitisse ao Dragão ter mais espaços para a exploração do seu futebol. Os portistas agradeceram e passaram a jogar de uma forma mais fluída e com o perigo a rondar mais a baliza flaviense. Pelo seu lado, os transmontanos ficaram-se pelas intenções. Casillas nem teve tempo para aquecer numa noite bastante fria e ventosa.

Otávio era empurrado na grande área à passagem dos 70 minutos mas o árbitro, mais uma vez neste campeonato, fez vista grossa e mandou seguir a jogada. Mais um penalty por assinalar para a contabilidade.

No entanto, a justiça acabaria por ser feita aos 72 minutos quando o mesmo Otávio, numa transição ofensiva, viu a desmarcação oportuna de André André e endossou-lhe a bola. O caxineiro, isolado e perante a saída de António Filipe, rematou ao canto inferior da baliza, fazendo resultado final.

Vitória alcançada, sem espinhas e mais uma barreira ultrapassada.


Antes do final, Maxi seria bem expulso por uma entrada desnecessária sobre um jogador contrário. Uma entrada que fez lembrar as entradas de Luisão em Moreira de Cónegos (bem mais grave) e as de Pizzi sobre A. André na Luz e no Algarve sobre um jogador do Moreirense que não foram sancionadas da mesma forma.

É a tal dualidade de critérios. Maxi foi prontamente expulso tal como mandam as leis. Luisão foi admoestado com um cartão amarelo e Pizzi passou incólume nas duas em que interveio, sendo que na situação do jogo do Algarve agrediu autenticamente o adversário. Isto é a verdade desportiva tantas e tantas vezes apregoada pelos candeeiros.

Nota final para o que vi e ouvi hoje na televisão. O presidente do benfica do minho veio a terreiro manifestar-se contra as arbitragens, afirmando que o seu clube tem sido vítima das arbitragens nos últimos 6 jogos.

Continuou dizendo que é fácil marcar penaltis contra a sua equipa. Como?! No jogo que fez contra o FC Porto vi três grandes penalidades cometidas por jogadores da sua equipa. Alguma foi sancionada? Sr. Salvador, sem comentários!

Terminou com esta frase: “Este campeonato é uma mentira.” Ai sim? Olha o iluminado! Chegou tarde a esta conclusão! Até ontem não disse nada. Que interessante!

Próxima paragem: Barreiros, Funchal, Madeira. Tradicionalmente complicado, o Dragão vai ter que entrar com tudo desde o minuto inicial sem ter medo de errar. Porque ao dar meia parte ao adversário, a probabilidade de acabar em asneira é grande.

Há duas opções: ganhar ou ganhar! Escolham.




DECLARAÇÕES

Nuno: “Tivemos o controlo total sobre o jogo”

Domínio absoluto
“Tivemos o controlo total sobre o jogo, ainda que com duas partes distintas, e frente a uma equipa difícil, bem orientada e com uma ideia de jogo clara, mas a realidade é que não concedemos nenhuma possibilidade de chegar à nossa baliza. Na primeira parte fomos menos eficazes e menos precisos, mas na segunda fomos dominadores, controladores e mais eficazes e precisos. Estivemos sempre bem posicionados, mas sem tirar partido disso. Na primeira parte faltou mobilidade para atacar melhor a baliza e definir melhor.”

A ausência de Danilo Pereira
“Todos sabemos que o Danilo é um jogador importante para nós, mas ao longo do ano sempre dissemos que temos um plantel amplo, que dá garantias e respostas. Nenhuma individualidade está acima do coletivo no FC Porto.”


André Silva no banco de suplentes
“Foi uma decisão. Achámos melhor a entrada do Diogo Jota e do Corona numa fase inicial. Já jogámos nesse modelo e noutros. Temos diferentes abordagens aos jogos, mas temos sempre o objetivo de ser dominadores. Temos um plantel versátil e tomámos uma decisão em prol da equipa.”

A luta pelo título
“Temos que lutar até ao fim, dedicarmo-nos até ao fim. Será uma luta até ao último dia e estamos nela. Trabalhando como equipa estaremos mais perto. Todos acreditamos e a equipa deu uma boa resposta. É menos uma jornada que falta, mas vamos competir até ao fim.”

Com e pelos adeptos
“Foi um bom jogo do FC Porto, apoiado por muitos portistas que vieram a Chaves. Os adeptos têm sido muito importantes para nós. Também é por eles que vamos competir no máximo das nossas forças até ao fim.”

Maxi Pereira de fora na Madeira
“É uma ausência importante.”



RESUMO DO JOGO

A MÚSICA OFENDE, O VERY-LIGHT MATA!


Temos assistido nos últimos dias a um ataque feroz da comunicação social portuguesa ao FC Porto e aos Super Dragões. Ao FC Porto já é constante diga-se, é como uma imagem de marca, és bom jornalista se disseres mal de Pinto da Costa e do FC Porto. Se juntares a esses ódios de estimação as gentes do Norte, e alcançares também as claques, principalmente os Super Dragões, pela sua maior dimensão e notoriedade, então és um verdadeiro herói do jornalismo. És um cãozinho bem comportado e tens uma grande carreira pela frente, sempre comandado pelo regime.

Directo ao assunto: cânticos ofensivos sempre houve e sempre haverá. Mas sempre mesmo! O que acontece é que vivemos na era das tecnologias, das selfies, das redes sociais, dos directos, e isso muda tudo no panorama pois sabe-se tudo quase instantaneamente.

Se não vejamos, desde sempre se cantaram músicas ofensivas por parte de todos os grupos ultras, principalmente quando se defrontam os maiores rivais. Mas antigamente só ouvia quem estava presente e mesmo os que estavam presentes só ouviam os interessados, os que prestam atenção, nem todos estão atentos ao que as claques cantam. Desde que me lembro que ouço esse tipo de cânticos, independentemente de serem bons ou maus. Eles existem há anos.


O que é absolutamente inacreditável é a dualidade de critérios da nossa comunicação social, um tentáculo musculado do grande polvo. A comunicação social tem uma força muito grande, manipula descaradamente e os parolos engolem tudo o que lhes dão de comer.

Sempre que há jogos com os rivais, principalmente modalidades ou equipa B (quando vamos ao Seixal!!), ouvem-se coisas inacreditáveis. Na TV do regime, há meia dúzia de anos atrás, mas sempre actual, apelou-se em directo à morte de Pinto da Costa e ao confronto com armas contra o FC Porto!!! Quando nos encontramos em pavilhões por esse Portugal fora, é perfeitamente perceptível cânticos indignos que festejam a morte de alguém (Sardoeira Pinto, Pôncio Monteiro, Pedroto), ou desejam-no, tendo sempre como alvo principal o nosso Presidente, isto sem esquecer ultras portistas que já partiram também.

Vêm agora os moralistas falar, estes anos todos depois, de uma música que os Super Dragões cantaram num jogo de andebol, baseando-se na tragédia que sofreu a Chapecoense há uns meses. Os Super Dragões respeitam a Chapecoense e homenagearam a equipa mais que uma vez!! Para que fique claro, os Super Dragões não deitaram o avião abaixo e não tiveram nada a ver com o acidente. E para que fique mais claro, ao contrário de outros grupos rivais, os Super Dragões respeitaram o minuto de silêncio na luz uma semana após a morte de Eusébio, algo que é facilmente comprovável.


Coisa que não aconteceria se fosse ao contrário, ponho as minhas mãos no fogo!!

Ao contrário de um very-light e de um atropelamento, uma música insulta e ofende, mas não rouba a vida a ninguém. Em mortes já bisaram em pouco mais de 20 anos, estão com uma média de um assassinato por década e continuam a entrar todas as semanas nos estádios os escroques.

Contra essa comandita toda, eles e quem os protege a eles, continuamos nós a apoiar o nosso clube do coração. Aconteça o que acontecer nunca deixaremos o FC Porto sozinho. E é por isso que enchemos o Dragão no passado Domingo e é por isso que vamos marcar presença nos quatro jogos que faltam.

Queremos quatro vitórias. Sintam o Porto, joguem como nós vos apoiamos.

Um abraço ultra.

28 abril, 2017

É PRECISO MARCAR GOLOS.


Antes de começar o meu primeiro artigo aqui no blog, não queria deixar de agradecer o convite que me foi feito e dizer que é um privilégio poder contribuir para um projeto que já sigo há alguns anos e onde se pratica um Portismo no qual me identifico praticamente a 100%.

Chamo-me Pedro Ferreira, tenho 24 anos e sou sócio do FC Porto desde o meu segundo dia de vida porque a burocracia não permitiu que o fosse desde o primeiro. Gosto de acompanhar o FC Porto em todas as Modalidades, tanto em casa como fora, sendo que depois do Futebol a Modalidade que mais gosto é o Basquetebol.

Feita esta pequena apresentação, passo para o tema do meu primeiro texto que se prende com o momento da nossa Equipa de Futebol e aquela que, na minha opinião, tem sido a grande causa própria para termos estagnado no 2º lugar da tabela classificativa.

Sem dúvida alguma que as arbitragens têm tido um papel fundamental no desfecho de alguns jogos, e irei abordar esse tema em futuros textos, mas não é menos verdade que uma Equipa que é candidata ao Título, que anda há várias semanas taco a taco com o seu maior rival e que sabe que não pode perder pontos sob pena de deixar o adversário mais confortável no topo da tabela, não pode ter tanta dificuldade para colocar a bola dentro da baliza do adversário como nós temos.

Dir-me-ão que somos o melhor ataque, é verdade. Mas somos o melhor ataque muito por culpa de goleadas construídas contra adversários bastante frágeis ou que fruto das contingências do próprio jogo ficaram bem à nossa merecê. Ora vejamos: 0-4 na Choupana, 0-4 na Feira com o Feirense reduzido a 10 desde os 3 minutos, 7-0 ao Nacional em casa com os madeirenses com 10 desde os primeiros minutos da 2ª parte, 4-0 ao Tondela com o visitante reduzido a 10 Homens desde o final da 1ª parte e 4-0 em Arouca contra uma Equipa que na altura era Treinada pelo Homem que conseguiu a proeza de ser despedido de 2 clubes na mesma Temporada. E, só nestes 5 jogos, temos mais de 1/3 dos golos que marcámos no presente Campeonato.

O problema da finalização aparece quando, irremediavelmente, precisamos que a bola entre para ganhar os 3 pontos. Prova disso são os imensos jogos onde ficamos em branco: Tondela fora, Belém fora, Setúbal fora, Paços de Ferreira fora e Feirense em casa. Só aqui estão 10 pontos perdidos sem que sequer tenhamos conseguido introduzir a bola na baliza do adversário.

Neste aspeto, claramente, nota-se a falta de experiência da nossa Equipa. Muitos dos jogos não se resolvem cedo, ou por culpa nossa que entramos a deixar passar o tempo e a jogar devagarinho quase parado, ou também por culpa do adversário que por mérito seu consegue contrariar a ideia de jogo que trouxemos para as 4 linhas. E é nesses jogos onde o golo custa a entrar que, quase sempre, se definem os Campeões e onde nós quase nunca conseguimos marcar no último terço da partida porque temos uma Equipa que treme por todos os lados quando chega a hora de bater o Guarda-Redes adversário.

Pode parecer uma forma simplista de olhar para o problema, mas acreditem que num Campeonato onde existe um fosse qualitativo relativamente grande entre os 3 principais candidatos e as restantes Equipas, a eficácia torna-se absolutamente decisiva.

No entanto, e como não faz parte da nossa cultura nem do nosso ADN, é proibido atirar a toalha ao chão. Está muito complicado, é verdade, mas o Futebol sempre nos mostrou que quase nada é impossível. Digo quase nada porque há quem continue a não conseguir ganhar Finais Europeias.

Um abraço Azul e Branco,
Pedro Ferreira

27 abril, 2017

TESTE A UMA GERAÇÃO DE PORTISTAS.


Não há volta a dar - neste momento o objectivo reconquista está mal encaminhado, após uma sequência de empates que pode ter deitado tudo a perder.

No futebol tudo pode acontecer e até se esgotarem todas as opções cabe-nos aguardar e desejar que os nossos jogadores não atirem a toalha ao chão nas 2 difíceis deslocações que se aproximam. Quanto ao resto, está quase tudo dissecado. As forças e fraquezas de treinador e plantel são sobejamente conhecidas por todos nós. A dimensão do polvo é evidente e tem sido finalmente exposta pelo Clube, nomeadamente no excelente Universo Porto – da Bancada. As dificuldades são portanto óbvias e o caminho é tudo menos simples.

Mas mais do que focar nestas questões imediatas gostaria de tentar alargar o foco. É incontornável que não vivemos um momento fácil enquanto Portistas. Após (mais um) tricampeonato em 2013, ninguém imaginaria que a quebra seria tão rápida e acentuada mas foi isto que nos aconteceu.

Parece hoje claro que cometemos erros que facilitaram a vida aos nossos rivais. Dilacera-nos o coração recordar que tivemos a um passo de liquidar a era Vieira (provavelmente bastaria ter ganho em 2013/14) e lançar assim o clube vermelho em mais uma das suas derivas que fizeram escola nos anos 90 mas agora de pouco nos vale pensar no que poderia ter acontecido. Perdemos (para já) 3 campeonatos, e, mais do que isso, perdemos chama, crença, capacidade de luta e qualidade nas diferentes vertentes.

Mas nem tudo é mau, por mais paradoxal que possa parecer. A época 2015/16 fez-nos cair num fundo que parecia inimaginável, sendo que a presente temporada foi lançada em bases semelhantes, com a saída do Administrador para o Futebol, CEO e mais não sei quantos cargos a 1 de Setembro de 2016.

Os dados pareciam (mal) lançados mas o que é um facto é que estamos na luta até ao fim, envolvidos numa aura de apoio e espírito de missão que há muito que não se sentia no Universo FC Porto, com a honrosa excepção de 2010/11 (um ano atípico para fazer comparações, pela perfeição que representou essa temporada).

Durante 30 anos foi relativamente fácil ser Portista. Sendo já um número de anos apreciável, poderemos concluir que boa parte da massa associativa não está habituada a outra coisa que não às alegrias com o desporto. Os anos de derrotas foram poucos, espaçados entre vitórias, e mesmo durante os 3 anos de jejum no virar do século tivemos Taças de Portugal para nos salvar temporadas, aliadas ao gostinho especial de mesmo assim continuarmos a ver o grande rival pelo retrovisor. Infelizmente o tempo agora é outro e penso que estamos perante o primeiro grande teste que muitos de nós temos enquanto Portistas.

Este cenário menos feliz não simboliza contudo que o Clube tenha deixado de ser grande ou que nos devamos envergonhar com a situação actual, baixando a cabeça perante os rivais. O desporto é assim, feito de ciclos, e o que nos está a acontecer neste momento era já altamente provável há muito tempo, por mais que quiséssemos adiar este cenário.

Benfica e Sporting passaram por isto, em muito pior escala. Todos estamos recordados que de 1995 a 2013 o Benfica ganhou 2 campeonatos e que o Sporting ganhou 3 desde 1981 até aos dias de hoje. Deixaram de ter adeptos dedicados? Deixaram de ter dimensão e peso a nível nacional? Não. Diria até melhor – infelizmente não!

Pela Europa fora o mesmo cenário. Real Madrid, Barcelona, Manchester United ou mesmo o hegemónico Bayern Munique têm ou tiveram as suas quebras, sendo que até dominadores de países periféricos como o Anderlecht ou Celtic Glasgow têm os seus momentos de menor fulgor.

O importante é pois olhar para o futuro e não perder o foco e a paixão pelo FC Porto. Com toda a sinceridade sinto que neste momento estamos mais conscientes do que precisamos de fazer e mais capazes de nos reerguer do que me pareceu no final das temporadas transatas. Com uma ressalva: para que isto se confirme teremos de ser capazes de sair de cabeça erguida do campeonato, deixando uma boa imagem final que sirva de rampa de lançamento para 2017/18.

Estamos portanto num momento de teste a todos nós Portistas, quer sejamos mais ou menos velhos. Os mais velhos poderão pensar que relançar um clube com o número de troféus e de adeptos que temos hoje será muito mais fácil do que no início desta caminhada em 1976. Mesmo que tal possa ser verdade é bom que todos estejam cientes que, tal como outrora, ninguém nos dará nada e que o sonho de boa parte do país é que nos tornemos numa espécie de Liverpool: uma casa assombrada, eternamente à espera do dia em que tudo volte a ser como dantes, como que por milagre.

Pede-se ambição, exigência e inconformismo, mas também racionalidade e inteligência. O teste está aí. Vamos agarrá-lo?