06 junho, 2014

PAULO, O TRISTE

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Foi o sétimo treinador a ser despedido em 32 anos de liderança do presidente mais titulado da história do futebol mundial, o quinto a ser recambiado a meio da época e o primeiro a ser despedido tão tarde numa temporada. Foi com ele que sofremos a primeira derrota em casa, para o campeonato, em mais de cinco anos, ao fim de 81 jogos; com ele quebrámos um ciclo invicto de 55 jogos no campeonato; com ele assinámos o seu segundo pior desempenho de sempre em 18 presenças na fase de grupos da Liga dos Campeões e o pior registo caseiro de sempre na prova, sem qualquer vitória. Paulo Fonseca foi, provavelmente, o treinador que mais recordes negativos bateu em toda a história deste clube, o que não surpreende se tivermos em conta o seu percurso, ainda antes de ser contratado.

É verdade que falhou em toda a linha, é mentira que tenha sido o único culpado pelo pior Porto da década, mas isso são contas de outro rosário. A história começou a escrever-se por linhas tortas logo no início. Primeiro, a hesitação evidente na escolha do sucessor de Vítor Pereira. Manuel Pellegrini era o desejado, foi contactado, houve conversações, mas o City meteu-se no caminho e levou-o para Manchester. Fonseca não terá sido sequer a segunda opção, mas ganhou a corrida a Marco Silva e acabou por ser contratado a um mês do início da época, acabadinho de sair da escola, onde concluiu o nível 5 do curso de treinador.

Apesar de ter levado o Paços de Ferreira à Champions, numa época em que a lagartada andou de rastos e em que os outros adversários nunca foram capazes de apresentar a devida regularidade de resultados, nunca fui um entusiasta da contratação de Fonseca. Primeiro, sempre se afirmou sempre ser um discípulo de Jesus, chegando a dizer que era o melhor do mundo. Segundo, porque nunca soube o que realmente é um clube grande, nem como jogador. Terceiro, porque ao contrário dos últimos treinadores que por cá passaram, como Mourinho, Villas-Boas ou Vítor Pereira, não fazia a mais pálida ideia da realidade deste clube.

Apresentado com toda a pompa em directo no Porto Canal, com aquele corte de cabelo que mais parecia um jogador, o primeiro discurso foi pobre, paupérrimo. O resto, todos nós já sabemos: a insistência num sistema táctico com duplo pivô, que nunca funcionou, a incapacidade para potenciar jogadores, a colocação de Lucho numa posição imprópria para um jogador de 33 anos com aquelas características, acabando por empurrá-lo para o Dubai. Sim, porque o jogador não foi embora só porque lhe acenaram com um ordenado estratosférico, mas também porque não acreditava no treinador nem nas suas ideias peregrinas.

Fonseca não estava mesmo preparado para isto e chegou mesmo a reconhecê-lo, quando um dia se queixou que não tinha tempo para trabalhar, porque tinha dois jogos por semana para preparar. Não disse isto na Mata Real, foi mesmo numa conferência de imprensa no Olival.

Depois, quando os resultados começaram a não aparecer, entrou na sua fase decadente, com alarvidades de deitar as mãos à cabeça, como “a confiança cega” na reconquista do campeonato ou como a confusão com o nome do adversário na Liga Europa, que não aconteceu apenas em público, mas, pasme-se, também no próprio balneário. Aí, Fonseca já estava completamente desorientado, de tal forma que quando foi tratar da sua saída, teve o despudor de sugerir o amigalhaço que treina o Guimarães – curiosamente outro bajulador de Jesus - para lhe suceder no comando técnico. Impensável. Inaudito.

Como impensável seria a sua presença num conhecido programa de televisão da RTP, onde seria previsivelmente ridicularizado e alvo de chacota. Um treinador jovem, que falhou redondamente no primeiro grande desafio da carreira, não se prestaria a um papel daqueles, mas ele aceitou prestar-se e a falar de tudo e sobre tudo. Se o futebol tivesse lógica e se os empresários não mandassem nisto, Fonseca nunca mais na vida seria treinador, mas pelos vistos vai regressar ao Paços, de onde nunca deveria ter saído.

1 comentário:

  1. Esta ida ao programa da RTP foi tão ridícula, tão baixa, desprezível que meteu dó. Muito se tem escrito sobre PF mas subscrevo este post a 200%.

    Z

    blueoverlap.blogspot.com

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