09 agosto, 2018

ADMIRÁVEL MUNDO VELHO.


A última semana foi um regresso nostálgico a um passado bem conhecido de todos nós portistas:
  • A sempre fiel e "isenta" Imprensa nacional, a tentar criar brechas na união portista, regando com gasolina e uns pacotes de acendalhas a situação do Marega;

  • A nomeação para uma final, de dois árbitros que reúniam todos os critérios para uma arbitragem tendenciosa, como o vieram a comprovar Luís Godinho e Bruno Esteves;

  • Mais uma Supertaça para o Museu, resposta que o FC Porto do passado sempre deu a estas situações.

Começando por Marega, a primeira ilação a tirar, é constatar que o que fez é comum a 99% dos jogadores de futebol com mais de 1 temporada no clube, em época de mercado de transferências abertas. Os restantes 1% são para coxos e estropiados sem colocação possível. Se a birra é mais, ou menos barulhenta, depende sempre da idade mental do jogador, e no exibicionismo do seu agente. O que sabemos, é que TODOS, desde o birrento Marega ao Capitão Herrera, têm um olho no Porto, outro noutra liga. A diferença, é que uns foram abençoados com neurónios, outros com centímetros a mais na língua, ou noutro sítio qualquer. Depois de uma época fantástica como a que fez, é compreensível que o Maliano visse uma oportunidade de ouro para dar o pulo para uma liga mais competitiva que a nossa. Aliás, não acredito que a própria SAD não visse (veja) com bons olhos uma mais-valia de 400% ou 500% em relação ao que custou o avançado. A questão aqui prende-se unicamente com Sérgio Conceição. Ou melhor, com a inexistência de alternativas válidas que o treinador continua a ter para a frente de ataque. Entrando no domínio da pura especulação, acredito numa conversa acalorada entre treinador e jogador. O que não acredito, até pela própria personalidade de Conceição, é que ela tenha resvalado para ultimatos ou braços de ferro. Se tal fosse o caso, Marega teria seguido de imediato para Londres ou para um baldio no parque da Cidade. O que conhecemos do nosso treinador, é que prefere jogar com um júnior, do que algum dia ficar preso a vontades de jogadores. Como tal, o futuro é muito simples. Se entrarem os milhões, porreiro. Se Marega ficar, decerto irá dar o máximo pela camisola, tal como outros o fizeram em idênticas situações no passado. Não nos cabe a nós, adeptos, sermos juízes de situações em que o encanto dos cifrões ultrapassa a nossa imaginação.


Quanto a questões de arbitragem, vamos fazer um pequeno histórico das nomeações para as últimas 5 edições da Supertaça:
  • 2013/14 FCP - Vitória Guimarães - Artur Soares Dias
  • 2014/15 slb - Rio Ave - Duarte Gomes
  • 2015/16 slb - Sporting - Jorge Sousa
  • 2016/17 slb - Braga - João Capela
  • 2017/18 slb - Vitória Guimarães - Artur Soares Dias
  • 2018/19 FCP - Aves - Luís Godinho
Olhando para os nomes, e considerando a edição de 16/17 um jogo de confraternização entre amigos (quem não se lembra dos falhanços de Rafa, poucos dias antes de trocar Braga pela Luz...), onde o nome de João Capela assenta como uma luva ao interesse de ambas as equipas, todos os restantes encontros tiveram um denominador comum na arbitragem: Experiência!

Comparando então a experiência do árbitro deste ano, com a dos seus antecessores, porque carga de água a escolha recaiu em Luís Godinho?!

Um árbitro proveta, de ascenção duvidosa, no centro de um dos momentos mais ridículos, e ridicularizados internacionalmente no futebol mundial, como o foi a expulsão de Danilo em Moreira de Cónegos, um árbitro fortemente contestado pelo FC Porto, mas aparentemente nas boas graças benfiquistas. Basta lembrarmo-nos do inenarrável Setúbal - slb da temporada passada numa altura em que os vermelhos ficaram em vantagem no campeonato... todos estes indícios desaconselhavam vivamente a escolha deste senhor.

Não tendo sido minimamente tomados em conta os indícios enunciados, a questão que mereceria uma resposta adequada, seria:

Quais as motivações do Sr. Fontelas Gomes para tão "criativa" escolha?

Ficamos à espera. Sentados.

Quanto ao resto, só quem não esteve atento ao passado deste Luís Godinho, é que poderá ficar surpreendido.

Por fim, de realçar que não há sensação melhor do que voltarmos a entrar em velocidade de cruzeiro nas conquistas. Continuemos nós com a nossa humildade, união e apoio, e o futuro próximo será risonho.

Continuando ainda a ser prematura uma análise final da (real) valia das equipas portuguesas, diria que neste momento temos um ligeiro favoritismo face aos restantes.

Mesmo tendo em conta o inestimável contributo que as vedetas da APAF têm no rendimento da equipa benfiquista, a confirmar-se a saída de Jonas, é inegável que o slb fica mais fraco. Jonas é, porventura, o jogador mais inteligente que passou por Portugal nos últimos anos. Jogador com técnica boa, sem contudo ter qualquer característica que o torne num fora de série, como o provam os fracos desempenhos perante equipas de superior valia, é no entanto, um atleta que sabe aproveitar como ninguém as benesses arbitrais com que o slb sempre foi favorecido, ao ponto de somar com facilidade mais de 30 golos por época. Não me parecem números ao alcance de Ferreyra, muito menos de Castillo ou outra qualquer coqueluche que inventem por aqueles lados. Quanto à restante análise táctica benfiquista, com um Rui Vitória como timoneiro, de esperar o bom e velho biqueiro para a frente e a fortuna, a momentânea inspiração ou o árbitro lá hão-de aparecer em seu favor.

Se atravessarmos a rua, e visitarmos os vizinhos esverdeados, apesar da sangria de BdC ter sido relativamente estancada, com o regresso de jogadores influentes como Bruno Fernandes ou Bas Dost, a verdade é que o treinador continua a ser José Peseiro. Como infelizmente bem conhecemos a sua capacidade, só por aí penso que o destino verde e branco estará traçado. Se somarmos o clima de divisão que por lá existe, a um maníaco disposto a tudo fazer para voltar ao poder, não será necessário comparar-me a Nostradamus para prever que Alvalade é um barril de pólvora prestes a explodir. Dois ou três maus resultados deverão ser combustível suficiente para Rio Ave, Guimarães ou Marítimo terem um adversário de peso nos seus campeonatos

Se internamente podemos estar, neste momento, uns furos ligeiramente acima dos rivais, no plano externo há que ter a noção que descemos vários degraus. Se as insuficiências internacionais eram gritantes na época passada, onde tivemos que jogar nos limites para arrecadar pontos a adversários de média valia europeia, como o eram Besiktas e Leipzig, para esta temporada a única boa notícia é a maior experiência de Sérgio Conceição. Aboubakar, o nosso abono Champions, continua na sua espiral depressiva, Marega de cabeça ausente, Soares lesionado... mesmo levando o optimismo ao extremo, se Brahimi e Corona (em dia sim) são jogadores capazes acrescentar qualidade à frente de ataque, acreditar na incógnita André Pereira, ou pior ainda, em Hêrnani ou Adrian Lopez para serem soluções, é abusar em demasia da sorte.


Mesmo com a boa notícia da chegada de Militão, não chega. Os senhores da SAD têm a última palavra. Se querem um FC Porto agarrado à âncora em queda livre que se está a tornar a Liga Portuguesa, ou ainda querem manter a dignidade que meritoriamente granjeamos no nosso passado europeu. Só com discursos de superação, não vamos lá.

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