19 agosto, 2018

MÃO JUSTICEIRA.


BELENENSES-FC PORTO, 2-3

A mão da justiça quando bem empregue, acaba por resultar num final feliz. Esta tarde, no jogo realizado no Estádio do Jamor, casa emprestada do Belenenses, o FC Porto apresentou o mesmo onze da 1ª Jornada. Os azuis-e-brancos foram conscientes de que só um FC Porto, com muita vontade e garra, poderia trazer os três pontos no bornal.

Primeiro porque o Belenenses é, por tradição, um adversário difícil, depois porque esta equipa orientada por Silas revela ser um conjunto bastante competente em campo e, por último, nos últimos cinco anos, o FC Porto só venceu o Belenenses por uma vez, na condição de visitante.


O jogo no relvado do Estádio de Oeiras mostrou ser um jogo pouco interessante e algo lento. O forte calor que se fez sentir e a relva alta e seca não permitiram jogo rápido e bonito, como se pretende.

O Belenenses adaptou-se melhor às condições do jogo, tanto que as duas primeiras ocasiões de perigo foram desperdiçadas pelos avançados azuis. Mas depois o FC Porto reagiu, pegou no jogo e acercou-se mais da baliza contrária. Apesar disso, o meio-campo portista esteve pouco inspirado e sempre manietado pela equipa de Belém. A equipa azul-e-branca estava, de certa forma, partida e isso fez com que a ligação entre sectores não fosse a melhor.

Aos 26 minutos, no entanto, o FC Porto inaugurou o marcador. Livre batido junto à bandeirola de canto por Alex Telles, apanhou Diogo Leite, no coração da área, que cabeceou para a baliza contrária. O Guarda-redes belenense ainda tocou na bola, mas o remate forte e colocado fez com que a bola batesse nas redes. Até ao intervalo, o FC Porto procurava gerir o ritmo da partida, mas o Belenenses mais adaptado e melhor fisicamente não baixa a velocidade.

O intervalo chegou sob um calor arrasador. Na etapa complementar, os Dragões não poderiam ter pedido melhor. Aos 18 segundos, Otávio interceptou uma autêntica oferta de Délcio, à entrada da área do Belenenses, contornou o Guarda-redes e ampliou o marcador para 2-0.


O jogo parecia estar decidido, mas foi puro engano. O Belenenses acusou o golo, mas recusou atirar a toalha ao chão. Continuou a fazer o seu jogo de pé para pé, sempre com a bola controlada desde a sua área, independentemente da maior ou menor pressão do FC Porto.

Até que aos 54 minutos abriu-se a etapa da mão justiceira. Num remate à queima, Diogo Leite ofereceu o corpo à bola, mas esta bateu-lhe no braço. O jogo prosseguiu e dois minutos depois o VAR de serviço decidiu que o árbitro de campo deveria assinalar pontapé de penalti. Dito e feito. O Belenenses reduziu para 1-2 e relançou o jogo.

O FC Porto acusou a responsabilidade e começou a mostrar falta de criatividade e de poder de decisão na hora de atirar à baliza. Licá desperdiçou o empate, mas logo a seguir Brahimi, numa jogada individual, rematou contra o Guarda-redes Muriel. O jogo manteve-se num impasse.

Ao FC Porto estava a faltar tranquilidade para segurar a vantagem e, também, alguma frescura física e mental. E foi já bem perto dos 90 minutos que os Dragões permitiram o empate à equipa de Belém. Cruzamento na direita de Fredy e Keita cabeceou, completamente à vontade, para a baliza de Casillas. Estava-se a adivinhar o cenário. Era um castigo algo merecido para os portistas.


Só que, tal como escrevi acima, a etapa da mão justiceira ainda estava por encerrar. Aos 92 minutos (que belo minuto!), Felipe cabeceou na grande área, após canto de Alex Telles. A bola foi aliviada e Herrera, à meia volta, rematou fortíssimo contra o corpo de Henrique e bateu no poste. Segundos depois, o VAR deu a sinalética ao árbitro para ver as imagens.

A bola acabou por bater no braço do jogador belenense que, no momento do remate, aumentou a volumetria do seu corpo, impedindo que a bola fosse na direcção da baliza. Com bola na mão se marca um penalti, com outra também se podem marcar dois. E assim, com toda a frieza, Alex Telles acabou por dar alguma justiça ao resultado.

O FC Porto não fez um bom jogo, mas alcançou um importante resultado que mantém a equipa na frente da tabela classificativa.

Destaque final para o primeiro golo da carreira de Diogo Leite, como senior e para a grande demonstração de qualidade da equipa de Belém. Estou curioso para ver como vai actuar este Belenenses ao longo da época. Fico na expectativa para ver se foi apenas um jogo inspirado ou, se frente a outros adversários, vai apresentar uma performance tão ou melhor do que a evidenciada na tarde deste Domingo.




DECLARAÇÕES

Sérgio Conceição: "Foi uma vitória difícil, suada e justa"

Cenário complicado
“Houve calor e uma relva diferente do que estamos habituados, mas isso era para as duas equipas, embora o Belenenses treine aqui diariamente. A relva torna a circulação mais lenta, obriga a mais um toque na circulação, mas não quero entrar por aí. Houve mérito do Belenenses, uma equipa que tem qualidade e uma dinâmica interessante.”

Vitória merecida
“Há dias em que, como dizia um treinador meu, pode-se praticar um futebol champanhe, e em outros dias é mais um vinho tinto da tasca, que não deixa de ser saboroso, por vezes, também. Penso que a vitória é merecida, criámos mais ocasiões, tivemos situações para matar o jogo mas penso que se ajusta esta vantagem mínima.”


Faltou controlo do jogo
“Acho que pecámos exatamente por não saber controlar o jogo no momento de vantagem de dois golos. Devíamos ter mais bola. O 2-1 é uma perda de bola nossa e o golo do empate surge de um lançamento lateral nosso. Faltou-nos um bocado de matreirice. Foi uma vitória difícil, suada, mas sem dúvida justa, por tudo o que se passou no jogo. Conseguimos chegar à vantagem, mas não tivemos a mesma eficácia defensiva do primeiro jogo. No início da segunda parte, quando fizemos o 2-0, sentimos que o jogo estava controlado mas não o conseguimos controlar. Aí, com mérito, o Belenenses chegou ao empate e depois fomos à procura da vitória. É justa a vitória, sem dúvida nenhuma, frente a um adversário que nos dificultou ao máximo a nossa tarefa.”

Duas grandes penalidades
“Independentemente de os penáltis terem sido bem ou mal assinalados, houve o mesmo critério. O Carlos Xistra e o João Capela estão de parabéns por isso.”

Sobre o mercado
“Não faz sentido nenhum o mercado estar aberto quando se inicia o campeonato. É demasiado tempo de instabilidade que se cria nas equipas. Acho que quando se iniciam os campeonatos, o mercado devia fechar. Em janeiro a mesma coisa. Temos de viver com uma situação que não é agradável para ninguém.”



RESUMO DO JOGO

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