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FC PORTO-AROUCA, 1-2
Primeira Liga, 21ª jornada
dom, 7 Fevereiro 2016 • 19:15
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: -
Árbitro: Rui Costa (Porto)
Assistentes: Tiago Leandro e Miguel Aguilar
4.º Árbitro: Hugo Pacheco
FC PORTO: Casillas, Miguel Layún, Maicon (c), Martins Indi, José Ángel, Danilo, Herrera, André André, Brahimi, Aboubakar, Corona.
Suplentes: Helton, Rúben Neves (69' Maicon), Varela (63' André André), Marega (74' Brahimi), Sérgio Oliveira, Suk, Chidozie.
Treinador: José Peseiro.
AROUCA: Bracali, Gegé, Velázquez, Hugo Basto, Lucas Lima, Nuno Coelho (c), Artur, Adilson, Zequinha, Walter, Mateus.
Suplentes: Rui Sacramento, David Simão, Jorginho (78' Mateus), Nuno Valente (73' Artur), Nelsinho, Wallace, Maurides (90+3' Walter).
Treinador: Lito Vidigal.
Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: Walter (1'), Aboubakar (14'), Walter (66').
Disciplina: cartão amarelo a Adilson (45+1'), Lucas Lima (59'), Maicon (65'), Walter (66'), Velázquez (76').
Tinha prometido a mim mesmo não fazer duras críticas até ao fim da época mas isso não vai ser possível. O que se está a passar é mau demais para me manter calado, deixar as coisas rolarem e acontecerem como se nada se passasse.
Não é possível a um verdadeiro portista assistir impávido e sereno ao que se passa à frente dos nossos narizes. O que está acontecer no clube é terrivelmente mau e as coisas têm que ser ditas e faladas. E quanto mais se falar nelas, melhor porque senão ninguém vai arrepiar caminho.
Onde está o FC Porto? Onde está o FC Porto com raça de Dragão? Onde está a cultura FC Porto? Onde está o jogador à Porto? Onde está a mística do Dragão? Onde estão os símbolos que encarnam o espírito de Dragão? Onde estão os verdadeiros capitães do FC Porto?
Tudo isto e muito mais não existe. O FC Porto que dominou o futebol português durante quase 30 anos “morreu”. E já está “morto” há mais tempo mas só agora é se vê a realidade nua e crua.
Moribunda, feita em frangalhos, à deriva, sem norte, a equipa actual do FC Porto não tem referências. Não tem um patrão, não tem um génio, não tem jogadores com a cultura de clube e nem sabem transmitir essa mesma cultura. Não sabem porque não a conhecem. Não sabem o que é o FC Porto. Estão aqui de passagem para rumarem a campeonatos mais apelativos e fazer os contratos com que tanto sonham nas suas carreiras. Legítimo, perfeitamente legítimo. Mas nós precisamos é de jogadores do clube, nados no clube, criados no clube, que vivam o clube, que saibam e conheçam a história do clube e que transmitam a cultura do clube.
Nunca tinha visto um momento tão insólito, tão cobarde e tão triste por parte de um jogador do FC Porto como o que vi esta noite no Dragão. E mais grave foi por ter sido protagonizado pelo jogador que enverga a braçadeira de capitão do clube. Não é digno de envergar a braçadeira, não é o capitão mas sim o homem que leva a braçadeira no braço porque capitão não é de certeza.
A esta hora capitães do FC Porto como João Pinto e Jorge Costa, verdadeiros capitães da história do clube, estão envergonhadíssimos com o que viram no relvado após o 2º golo da equipa visitante. Um desses grandes capitães estava no camarote presidencial e acredito que tenha ficado profundamente triste, desiludido e envergonhado com o que se passou.
Algum dia, um jogador do FC Porto abandonou autenticamente um jogo de futebol a meio depois de ter cometido um erro colossal que ditou a derrota da sua equipa? Algum dia um jogador do FC Porto simulou uma lesão por estar borrado de medo, por não ter a coragem de encarar as asneiras que cometeu e meter a cabeça na areia como a avestruz? Algum dia um jogador do FC Porto sai do campo pelo seu próprio pé com o jogo a decorrer, deixando a equipa a jogar com 10 depois de ter oferecido um golo à equipa adversária?
A todas essas perguntas, essa resposta é SIM!!! Sim, o INSÓLITO aconteceu. Sim, o impensável aconteceu. Sim, esse jogador existe. Chama-se Maicon, nomeado para ser um dos capitães do FC Porto e fez tudo isso que se escreveu no parágrafo anterior. Um jogador que ainda há bem pouco tempo teceu duras críticas a Ricardo Quaresma acusando-o de não ter cultura de clube. Acusando-o de Quaresma falar de mais e fazer de menos. E o mais insólito ainda é atentar nas suas declarações nessa altura. Disse Maicon: “Infelizmente, não conseguimos os nossos objetivos, mas estávamos todos no mesmo barco. Não é um ou outro que tem que sair ileso. Todos erraram e ninguém tem que culpar ninguém. Agora é trabalhar e dar a volta por cima”.
Wtf?! Estávamos todos no mesmo barco?! Quem abandonou o barco???? Quem é que aos 66 minutos abandonou um jogo? Quem é que fez uma figura tão triste que envergonhou todos os portistas pelo mundo fora? Quem é que simulou uma lesão após ter feito uma asneira de jogador da Distrital?
VERGONHOSO!!! INQUALIFICÁVEL!!!
Ter um golo limpo anulado num momento crucial da partida e ficar calado no fim do jogo é solução? É a decisão certa? Não se compreende como não há uma reacção enérgica da parte dos dirigentes do clube. Comer e calar é o que está a dar. Ver o árbitro apitar tudo o que mexe e toca contra nós e o mesmo árbitro deixar passar em claro faltas, penaltis e foras-de-jogo mal assinalados a nosso favor e não reagir é muito, muito triste. Fala-se na comunicação social apenas quando tudo está bem? Vai-se reclamar o quê? Os louros? Quando ainda nada se ganhou?
Volto a dizer que o FC Porto está “morto”. Podem contratar os melhores jogadores do mundo e os melhores treinadores do mundo que não é por aí que o FC Porto vai ressuscitar, não é por aí que o FC Porto vai renascer e não é por aí que o FC Porto vai voltar a ser o que foi nos últimos 30 anos.
E enquanto os portistas foram deixando passar a caravana e enquanto os portistas não se convencerem de que há que haver mudanças profundas na estrutura do clube, vamos continuar a assistir a esta travessia no deserto. E a cada ano que passa, irá ser cada vez pior. Estou a falar na forma como o clube é tratado pelos árbitros; estou a falar de como o clube não tem uma voz activa e contestária que deveria actuar sempre que é essencial e imprescindível actuar; estou a falar de como o clube não tem uma cultura de vitória e vai-se enterrando semana a semana com Aroucas, Feirenses, Famalicãos e outros.
Em Dezembro quando saltámos para a liderança da liga (coisa rara nas ultimas 3 épocas) vi o presidente Pinto da Costa aparecer na zona mista todo vaidoso a falar para a comunicação social. Hoje depois de mais um roubo de um golo limpo e quando se exige que haja uma voz contestatária, reacções nem vê-las.
Mas também não admira porque para quem se ri depois de ver a equipa a sofrer um golo em Famalicão e perder esse mesmo jogo, nada faz, então nada mais há para dizer. Sou do tempo em que em certas entrevistas o presidente dizia e vincava que era o primeiro a dar cara nas vitórias e nas derrotas e que assumia todas as responsabilidades. Ouvi-o dizer muitas vezes que quem foge são os ratos que abandonam o barco.
Estou muito grato ao Sr. Pinto da Costa pelos 30 anos de vitórias, por ter transformado um clube que andava pelas ruas da amargura numa potência mundial e por ter feito uma propaganda forte e feroz contra Américo de Sá entre 1980 e 1982. Sei que não tenho o direito de o criticar e nem o vou fazer em nada, obviamente, mas chegou a hora de sair pelo seu próprio pé.
Obrigado Presidente mas a hora de sair, essa chegou! Só não vê quem não quer ver. Todos somos finitos. Ninguém é eterno, não há ninguém eterno. Eterno só o FC Porto. Esta foi outra das suas célebres frases. Pois, dê o lugar a outro.
Com o Benfica a seis pontos e o Sporting provavelmente, mais logo, a oito pontos e com uma visita à Luz já na próxima sexta-feira, torna-se difícil imaginar um cenário mais desgraçado no Dragão, que faz com que o FC Porto esteja fora do título a longas 13 jornadas do fim da prova.
Precisamos urgentemente de pessoas capazes de defender o FC Porto e de actuar activamente em prol do clube. Precisamos urgentemente de mudar tudo o que está mal no clube. Não podemos manter-nos nesta passividade, não devemos fazer barulho, nem insultar e assobiar quando perdemos mas também não podemos entrar em histerias e euforias quando vencemos em Barcelos para a taça de Portugal ou então quando “roubamos” Maregas, Suks, Danilos e Sás ao rival. É deprimente!
É deprimente termos uma defesa que mete água por todo o lado, assistirmos à passagem do mês de Janeiro com a dispensa de jogadores que nada davam ao clube e ir buscar outros para os seus lugares que nada acrescentam, sendo que nem um veio para reforçar a zona da defesa. É deprimente ver que o nosso melhor defesa é um médio-ala. É deprimente, inacreditável e incrível! O que é que ainda falta acontecer para ver o FC Porto tombar de vez?
Perder pontos com o Aroucazinho? Sofrer um golo aos dez segundos, sem sequer tocar na bola? Isto é normal? Não, não é normal. Isto não pode, nem nunca poderia acontecer. É mau demais. Mas nem vou culpar o treinador porque esse é o que tem menos culpa no cartório. Pode não ter tido as melhores opções mas isso é discutível.
Para mim nunca deveria ter mexido como mexeu na defesa. Já não bastava ter que estar privado de Maxi e Marcano, foi mexer no lado esquerdo da defesa, deslocando Layún para a direita. Numa defesa que mete água regularmente, que não tem defesas de grande categoria, deve-se mexer o menos possível. Manter Layún na esquerda e chamar Victor García para a direita, teria sido a decisão mais acertada. Mas isso é apenas uma opinião. O mal no clube é outro e muito maior.
O jogo começou mesmo pelo lance dos 10 segundos. Ao segundo dez, os Dragões já estavam a perder sem sequer terem tocado na bola. O Arouca deu um pontapé de saída com Adilson a fazer um lançamento em profundidade para as costas de José Angel. Este foi ultrapassado por Zequinha que cruzou para a pequena área onde surgiu Walter González que encostou para a baliza.
Balde de água gelada no Dragão mas o FC Porto tinha 90 minutos para dar a volta ao marcador. Aos 14 minutos, Aboubakar, de cabeça, rematou para defesa apertada de Bracali e na sequência, o mesmo Aboubakar conseguia o empate com novo golpe de cabeça. O empate estava alcançado e pensava-se no Dragão que chegar à vantagem seria uma questão de tempo.
Mas não aconteceu. Apesar do FC Porto dispor de outra oportunidade de golo na primeira parte, numa bonita jogada que culminou com um remate de cabeça de Corona para nova defesa de Bracali, foi o Arouca quem esteve perto do segundo golo. Primeiro por Nuno Coelho e depois o Mateus. Casillas teve que se aplicar.
O FC Porto tremia na defesa e apanhado em contrapé o Dragão viu-se em sérios apuros. O mês de Janeiro esteve aí e, volto a repetir, nem um reforço para a defensiva foi contratado. Não se compreende! O intervalo chegava e era imperioso fazer mudanças.
Mas a segunda parte começou com Aboubakar a falhar (para não variar) na cara do golo e, como um mal nunca vem só, o FC Porto viu ao minuto 62 um golo limpo anulado a Brahimi pelo árbitro auxiliar. Abertura para A. André sobre a direita que cruzou para o coração da área onde o argelino só teve que encostar.
Após o golo anulado, surge o INSÓLITO já aqui relatado. 66 minutos, Maicon apertado e sob pressão à saída da área, em vez de cortar para a bancada, tenta sair a jogar. Perde a bola e Walter González aproveita para fazer o 2º golo da vitória do Arouca. Imperdoável!
Depois disso, o FC Porto tentou carregar mas as coisas não saíam. José Peseiro foi infeliz nas substituições. Tirar A. André para colocar Varela e tirar Brahimi para entrar Marega não fez sentido nenhum. Sentido fez ao sair Maicon para entrar Rúben Neves. Aos 87 minutos num centro rasteiro da direita, Marega e Aboubakar falharam na bola, perdendo a possibilidade do FC Porto chegar ao empate.
O FC Porto não tem capacidade nem está preparado para enfrentar o ciclo decisivo que começa já na próxima 6ª feira. O que se pede é que os estragos sejam os menores possíveis e que o FC Porto consiga, pelo menos, vencer a taça no Jamor. Ao que chegámos. Tentar salvar a época com uma Taça de Portugal! Triste, deprimente! Em pouco mais de um mês, os dragões passaram de líderes da Liga a uma despedida precoce da luta pelo título.
Notas finais para as prestações positivas de Danilo e Layún. O menos do jogo destaco a complacência do árbitro com as perdas de tempo dos jogadores do Arouca e o rendimento da equipa do FC Porto no seu conjunto. A atitude do Maicon nem é digna deste momento.
O FC Porto desloca-se à Luz na próxima 6ª feira para defrontar o Benfica para depois iniciar (e terminar?) a sua participação na Liga Europa frente ao B. Dortmund. Que calafrio sinto pela espinha abaixo!!!

DECLARAÇÕES
José Peseiro: “O momento-chave é quando fazemos o segundo golo”
José Peseiro destacou o golo mal anulado ao FC Porto como o momento que fez a diferença na partida em que os azuis e brancos foram derrotados pelo Arouca (1-2), no Estádio do Dragão, em jogo da 28.ª jornada da Liga NOS. O treinador portista reconheceu ainda os “momentos menos bons” da equipa, mas reiterou que os Dragões criaram “oportunidades suficientes até para resistir ao erro de arbitragem”.
“O momento-chave é aos 62 minutos, quando fazemos o segundo golo, que não é fora de jogo, e que nos foi invalidado. Foi um golo limpo, mal invalidado, e passado pouco tempo sofremos o 1-2. Independentemente dos momentos menos bons que tivemos, de alguma tensão e da pressão de não poder perder pontos, criámos várias situações de golo, em ambas as partes. Criámos oportunidades suficientes até para resistir ao erro de arbitragem. Não ganhámos porque não fomos eficazes, por erros nossos e de outros”, afirmou José Peseiro após o desafio que opôs o FC Porto ao Arouca e que resultou na primeira derrota caseira da época, no que ao campeonato diz respeito.
Destacando a “forma” como o FC Porto sofreu os dois golos, José Peseiro falou ainda de uma história “diferente” se o 1-2 fosse um 2-1. “Sofremos dois golos da forma que sofremos, ambos da nossa responsabilidade. Não conseguimos ser tão estáveis após o segundo golo como fomos depois do primeiro. Não deixámos de procurar a baliza mas não tivemos tranquilidade na forma como o fizemos. Se estivéssemos a ganhar 2-1 em vez de estarmos a perder 1-2, como deveria ser, a história deste jogo tinha sido outra. Além disso, jogou-se muito pouco, houve demasiadas paragens, mas creio que são estratégias, nada positivas para o espetáculo e para o campeonato”, prosseguiu o técnico.
Apontando desde já ao clássico com o Benfica da próxima jornada, marcado para sexta-feira (20h30), no Estádio da Luz, José Peseiro apelou à presença e ao apoio dos adeptos. “Pensamos jogo a jogo, treino a treino, e amanhã vamos trabalhar com a certeza de que demos tudo hoje, apesar da insatisfação dos nossos adeptos. As incidências do jogo criaram alguma instabilidade na equipa, e alguns jogadores são novos aqui, mas espero que os nossos adeptos estejam connosco no próximo jogo e nos ajudem a conseguir o que queremos, a vitória”, finalizou.
ARBITRAGEM

RESUMO DO JOGO
Primeira Liga, 21ª jornada
dom, 7 Fevereiro 2016 • 19:15
Estádio: Dragão, Porto
Assistência: -
Árbitro: Rui Costa (Porto)
Assistentes: Tiago Leandro e Miguel Aguilar
4.º Árbitro: Hugo Pacheco
FC PORTO: Casillas, Miguel Layún, Maicon (c), Martins Indi, José Ángel, Danilo, Herrera, André André, Brahimi, Aboubakar, Corona.
Suplentes: Helton, Rúben Neves (69' Maicon), Varela (63' André André), Marega (74' Brahimi), Sérgio Oliveira, Suk, Chidozie.
Treinador: José Peseiro.
AROUCA: Bracali, Gegé, Velázquez, Hugo Basto, Lucas Lima, Nuno Coelho (c), Artur, Adilson, Zequinha, Walter, Mateus.
Suplentes: Rui Sacramento, David Simão, Jorginho (78' Mateus), Nuno Valente (73' Artur), Nelsinho, Wallace, Maurides (90+3' Walter).
Treinador: Lito Vidigal.
Ao intervalo: 1-1.
Marcadores: Walter (1'), Aboubakar (14'), Walter (66').
Disciplina: cartão amarelo a Adilson (45+1'), Lucas Lima (59'), Maicon (65'), Walter (66'), Velázquez (76').
Não é possível a um verdadeiro portista assistir impávido e sereno ao que se passa à frente dos nossos narizes. O que está acontecer no clube é terrivelmente mau e as coisas têm que ser ditas e faladas. E quanto mais se falar nelas, melhor porque senão ninguém vai arrepiar caminho.
Onde está o FC Porto? Onde está o FC Porto com raça de Dragão? Onde está a cultura FC Porto? Onde está o jogador à Porto? Onde está a mística do Dragão? Onde estão os símbolos que encarnam o espírito de Dragão? Onde estão os verdadeiros capitães do FC Porto?
Tudo isto e muito mais não existe. O FC Porto que dominou o futebol português durante quase 30 anos “morreu”. E já está “morto” há mais tempo mas só agora é se vê a realidade nua e crua.
Moribunda, feita em frangalhos, à deriva, sem norte, a equipa actual do FC Porto não tem referências. Não tem um patrão, não tem um génio, não tem jogadores com a cultura de clube e nem sabem transmitir essa mesma cultura. Não sabem porque não a conhecem. Não sabem o que é o FC Porto. Estão aqui de passagem para rumarem a campeonatos mais apelativos e fazer os contratos com que tanto sonham nas suas carreiras. Legítimo, perfeitamente legítimo. Mas nós precisamos é de jogadores do clube, nados no clube, criados no clube, que vivam o clube, que saibam e conheçam a história do clube e que transmitam a cultura do clube.
Nunca tinha visto um momento tão insólito, tão cobarde e tão triste por parte de um jogador do FC Porto como o que vi esta noite no Dragão. E mais grave foi por ter sido protagonizado pelo jogador que enverga a braçadeira de capitão do clube. Não é digno de envergar a braçadeira, não é o capitão mas sim o homem que leva a braçadeira no braço porque capitão não é de certeza.
A esta hora capitães do FC Porto como João Pinto e Jorge Costa, verdadeiros capitães da história do clube, estão envergonhadíssimos com o que viram no relvado após o 2º golo da equipa visitante. Um desses grandes capitães estava no camarote presidencial e acredito que tenha ficado profundamente triste, desiludido e envergonhado com o que se passou.
A todas essas perguntas, essa resposta é SIM!!! Sim, o INSÓLITO aconteceu. Sim, o impensável aconteceu. Sim, esse jogador existe. Chama-se Maicon, nomeado para ser um dos capitães do FC Porto e fez tudo isso que se escreveu no parágrafo anterior. Um jogador que ainda há bem pouco tempo teceu duras críticas a Ricardo Quaresma acusando-o de não ter cultura de clube. Acusando-o de Quaresma falar de mais e fazer de menos. E o mais insólito ainda é atentar nas suas declarações nessa altura. Disse Maicon: “Infelizmente, não conseguimos os nossos objetivos, mas estávamos todos no mesmo barco. Não é um ou outro que tem que sair ileso. Todos erraram e ninguém tem que culpar ninguém. Agora é trabalhar e dar a volta por cima”.
Wtf?! Estávamos todos no mesmo barco?! Quem abandonou o barco???? Quem é que aos 66 minutos abandonou um jogo? Quem é que fez uma figura tão triste que envergonhou todos os portistas pelo mundo fora? Quem é que simulou uma lesão após ter feito uma asneira de jogador da Distrital?
VERGONHOSO!!! INQUALIFICÁVEL!!!
Ter um golo limpo anulado num momento crucial da partida e ficar calado no fim do jogo é solução? É a decisão certa? Não se compreende como não há uma reacção enérgica da parte dos dirigentes do clube. Comer e calar é o que está a dar. Ver o árbitro apitar tudo o que mexe e toca contra nós e o mesmo árbitro deixar passar em claro faltas, penaltis e foras-de-jogo mal assinalados a nosso favor e não reagir é muito, muito triste. Fala-se na comunicação social apenas quando tudo está bem? Vai-se reclamar o quê? Os louros? Quando ainda nada se ganhou?
Volto a dizer que o FC Porto está “morto”. Podem contratar os melhores jogadores do mundo e os melhores treinadores do mundo que não é por aí que o FC Porto vai ressuscitar, não é por aí que o FC Porto vai renascer e não é por aí que o FC Porto vai voltar a ser o que foi nos últimos 30 anos.
E enquanto os portistas foram deixando passar a caravana e enquanto os portistas não se convencerem de que há que haver mudanças profundas na estrutura do clube, vamos continuar a assistir a esta travessia no deserto. E a cada ano que passa, irá ser cada vez pior. Estou a falar na forma como o clube é tratado pelos árbitros; estou a falar de como o clube não tem uma voz activa e contestária que deveria actuar sempre que é essencial e imprescindível actuar; estou a falar de como o clube não tem uma cultura de vitória e vai-se enterrando semana a semana com Aroucas, Feirenses, Famalicãos e outros.
Em Dezembro quando saltámos para a liderança da liga (coisa rara nas ultimas 3 épocas) vi o presidente Pinto da Costa aparecer na zona mista todo vaidoso a falar para a comunicação social. Hoje depois de mais um roubo de um golo limpo e quando se exige que haja uma voz contestatária, reacções nem vê-las.
Estou muito grato ao Sr. Pinto da Costa pelos 30 anos de vitórias, por ter transformado um clube que andava pelas ruas da amargura numa potência mundial e por ter feito uma propaganda forte e feroz contra Américo de Sá entre 1980 e 1982. Sei que não tenho o direito de o criticar e nem o vou fazer em nada, obviamente, mas chegou a hora de sair pelo seu próprio pé.
Obrigado Presidente mas a hora de sair, essa chegou! Só não vê quem não quer ver. Todos somos finitos. Ninguém é eterno, não há ninguém eterno. Eterno só o FC Porto. Esta foi outra das suas célebres frases. Pois, dê o lugar a outro.
Com o Benfica a seis pontos e o Sporting provavelmente, mais logo, a oito pontos e com uma visita à Luz já na próxima sexta-feira, torna-se difícil imaginar um cenário mais desgraçado no Dragão, que faz com que o FC Porto esteja fora do título a longas 13 jornadas do fim da prova.
Precisamos urgentemente de pessoas capazes de defender o FC Porto e de actuar activamente em prol do clube. Precisamos urgentemente de mudar tudo o que está mal no clube. Não podemos manter-nos nesta passividade, não devemos fazer barulho, nem insultar e assobiar quando perdemos mas também não podemos entrar em histerias e euforias quando vencemos em Barcelos para a taça de Portugal ou então quando “roubamos” Maregas, Suks, Danilos e Sás ao rival. É deprimente!
É deprimente termos uma defesa que mete água por todo o lado, assistirmos à passagem do mês de Janeiro com a dispensa de jogadores que nada davam ao clube e ir buscar outros para os seus lugares que nada acrescentam, sendo que nem um veio para reforçar a zona da defesa. É deprimente ver que o nosso melhor defesa é um médio-ala. É deprimente, inacreditável e incrível! O que é que ainda falta acontecer para ver o FC Porto tombar de vez?
Perder pontos com o Aroucazinho? Sofrer um golo aos dez segundos, sem sequer tocar na bola? Isto é normal? Não, não é normal. Isto não pode, nem nunca poderia acontecer. É mau demais. Mas nem vou culpar o treinador porque esse é o que tem menos culpa no cartório. Pode não ter tido as melhores opções mas isso é discutível.
Para mim nunca deveria ter mexido como mexeu na defesa. Já não bastava ter que estar privado de Maxi e Marcano, foi mexer no lado esquerdo da defesa, deslocando Layún para a direita. Numa defesa que mete água regularmente, que não tem defesas de grande categoria, deve-se mexer o menos possível. Manter Layún na esquerda e chamar Victor García para a direita, teria sido a decisão mais acertada. Mas isso é apenas uma opinião. O mal no clube é outro e muito maior.
O jogo começou mesmo pelo lance dos 10 segundos. Ao segundo dez, os Dragões já estavam a perder sem sequer terem tocado na bola. O Arouca deu um pontapé de saída com Adilson a fazer um lançamento em profundidade para as costas de José Angel. Este foi ultrapassado por Zequinha que cruzou para a pequena área onde surgiu Walter González que encostou para a baliza.
Mas não aconteceu. Apesar do FC Porto dispor de outra oportunidade de golo na primeira parte, numa bonita jogada que culminou com um remate de cabeça de Corona para nova defesa de Bracali, foi o Arouca quem esteve perto do segundo golo. Primeiro por Nuno Coelho e depois o Mateus. Casillas teve que se aplicar.
O FC Porto tremia na defesa e apanhado em contrapé o Dragão viu-se em sérios apuros. O mês de Janeiro esteve aí e, volto a repetir, nem um reforço para a defensiva foi contratado. Não se compreende! O intervalo chegava e era imperioso fazer mudanças.
Mas a segunda parte começou com Aboubakar a falhar (para não variar) na cara do golo e, como um mal nunca vem só, o FC Porto viu ao minuto 62 um golo limpo anulado a Brahimi pelo árbitro auxiliar. Abertura para A. André sobre a direita que cruzou para o coração da área onde o argelino só teve que encostar.
Após o golo anulado, surge o INSÓLITO já aqui relatado. 66 minutos, Maicon apertado e sob pressão à saída da área, em vez de cortar para a bancada, tenta sair a jogar. Perde a bola e Walter González aproveita para fazer o 2º golo da vitória do Arouca. Imperdoável!
Depois disso, o FC Porto tentou carregar mas as coisas não saíam. José Peseiro foi infeliz nas substituições. Tirar A. André para colocar Varela e tirar Brahimi para entrar Marega não fez sentido nenhum. Sentido fez ao sair Maicon para entrar Rúben Neves. Aos 87 minutos num centro rasteiro da direita, Marega e Aboubakar falharam na bola, perdendo a possibilidade do FC Porto chegar ao empate.
O FC Porto não tem capacidade nem está preparado para enfrentar o ciclo decisivo que começa já na próxima 6ª feira. O que se pede é que os estragos sejam os menores possíveis e que o FC Porto consiga, pelo menos, vencer a taça no Jamor. Ao que chegámos. Tentar salvar a época com uma Taça de Portugal! Triste, deprimente! Em pouco mais de um mês, os dragões passaram de líderes da Liga a uma despedida precoce da luta pelo título.
Notas finais para as prestações positivas de Danilo e Layún. O menos do jogo destaco a complacência do árbitro com as perdas de tempo dos jogadores do Arouca e o rendimento da equipa do FC Porto no seu conjunto. A atitude do Maicon nem é digna deste momento.
O FC Porto desloca-se à Luz na próxima 6ª feira para defrontar o Benfica para depois iniciar (e terminar?) a sua participação na Liga Europa frente ao B. Dortmund. Que calafrio sinto pela espinha abaixo!!!
DECLARAÇÕES
José Peseiro: “O momento-chave é quando fazemos o segundo golo”
José Peseiro destacou o golo mal anulado ao FC Porto como o momento que fez a diferença na partida em que os azuis e brancos foram derrotados pelo Arouca (1-2), no Estádio do Dragão, em jogo da 28.ª jornada da Liga NOS. O treinador portista reconheceu ainda os “momentos menos bons” da equipa, mas reiterou que os Dragões criaram “oportunidades suficientes até para resistir ao erro de arbitragem”.
“O momento-chave é aos 62 minutos, quando fazemos o segundo golo, que não é fora de jogo, e que nos foi invalidado. Foi um golo limpo, mal invalidado, e passado pouco tempo sofremos o 1-2. Independentemente dos momentos menos bons que tivemos, de alguma tensão e da pressão de não poder perder pontos, criámos várias situações de golo, em ambas as partes. Criámos oportunidades suficientes até para resistir ao erro de arbitragem. Não ganhámos porque não fomos eficazes, por erros nossos e de outros”, afirmou José Peseiro após o desafio que opôs o FC Porto ao Arouca e que resultou na primeira derrota caseira da época, no que ao campeonato diz respeito.
Destacando a “forma” como o FC Porto sofreu os dois golos, José Peseiro falou ainda de uma história “diferente” se o 1-2 fosse um 2-1. “Sofremos dois golos da forma que sofremos, ambos da nossa responsabilidade. Não conseguimos ser tão estáveis após o segundo golo como fomos depois do primeiro. Não deixámos de procurar a baliza mas não tivemos tranquilidade na forma como o fizemos. Se estivéssemos a ganhar 2-1 em vez de estarmos a perder 1-2, como deveria ser, a história deste jogo tinha sido outra. Além disso, jogou-se muito pouco, houve demasiadas paragens, mas creio que são estratégias, nada positivas para o espetáculo e para o campeonato”, prosseguiu o técnico.
Apontando desde já ao clássico com o Benfica da próxima jornada, marcado para sexta-feira (20h30), no Estádio da Luz, José Peseiro apelou à presença e ao apoio dos adeptos. “Pensamos jogo a jogo, treino a treino, e amanhã vamos trabalhar com a certeza de que demos tudo hoje, apesar da insatisfação dos nossos adeptos. As incidências do jogo criaram alguma instabilidade na equipa, e alguns jogadores são novos aqui, mas espero que os nossos adeptos estejam connosco no próximo jogo e nos ajudem a conseguir o que queremos, a vitória”, finalizou.
ARBITRAGEM
RESUMO DO JOGO























