17 julho, 2018

A IMPORTÂNCIA DO SCOUTING.


Pelo que se vai lendo e ouvindo, por entre as dezenas de notícias (ou invenções!) que vão saindo nestas semanas de defeso em que a matéria a noticiar é escassa mas as necessidades de dar noticias são as mesmas, dois dos alvos do FC Porto seguiram já para outras paragens pela razão do costume: dinheiro.

Não é de facto fácil concorrer com os milhões quase infinitos dos clubes chineses, nem com as receitas estratosféricas dos clubes ingleses, a única forma de um clube como o FC Porto, quer pela sua dimensão económica, quer pela região/país onde está inserido, sobreviver na Europa do futebol dos milhões de € é sobretudo através de uma enorme competência no scouting, compensando a falta de recursos comparativamente a clubes com outras realidades.

A questão que aqui me preocupa e que assume maior relevância não é o facto de um jogador que nunca tinha ouvido falar, um tal de Róger Guedes ter preferido os milhões de um clube chinês ou o facto de Bissouma ter preferido a endinheirada Premier League, aquilo que preocupa são os sinais pouco animadores que nos últimos anos têm sido dados pelo FC Porto em matéria de mercado de transferências, algo que não tem só a ver com dinheiro ou falta dele, mas sim com uma capacidade de recrutamento que em tempos já foi bem melhor do que aquela que atualmente existe.

Não quero acreditar que por exemplo, a novela Mbemba, que já se arrasta há mais de um mês seguramente, sendo que o congolês até já foi dado como certo no aeroporto Francisco Sá Carneiro, irá ter o mesmo rumo que outros tristes episódios que todos nos relembramos nomeadamente, os meses e meses de namoro a Lucas Lima, o interminável assédio a Bernard ou a obsessão Rafa Silva. Para tudo na vida, tem de haver um plano A, mas depois tem de haver um B, C ou D. Mas claro tudo isto se faz com trabalho e competência.

Não foi assim há tantos anos que o FC Porto, que na altura já tinha forte concorrência dos tubarões ingleses e outros, dava-nos excelentes exemplos de scouting, adquirindo ora jogadores jovens com elevado potencial que depois de bem trabalhados no clube eram transferidos por somas bem superiores ao seu preço de aquisição ou de jogadores com algum cartel nos campeonatos brasileiros e argentino que naturalmente acrescentavam muita qualidade ao plantel azul e branco. Poderia falar aqui de tantos exemplos, James Rodriguez, Falcao, Lisandro López...

É verdade que os constrangimentos financeiros, consubstanciados na intervenção da UEFA, bem como os exemplos de péssimos avultados investimentos no passado recente (Imbula e Adrian Lopez = 30 milhões de €) aconselhem a que no presente haja um redobrado cuidado nos investimentos que se poderão fazer, mas uma boa política de scouting e posterior análise da qualidade potencial e real de cada um dos alvos definidos deverão ser um conforto a que por vezes aquele 1 ou 2M€ que nos separam de determinado alvo seja mais facilmente desembolsável.

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