16 julho, 2018

TODOS OS ANOS O MESMO.


Todos os anos o mesmo: um receio, um pânico generalizado de que o mercado nos roube os nossos craques e nos destrua o nosso plantel. Todos os Verões, qualquer portista se habituou a olhar a época como se fosse um começar do zero.

Este ano não vai, pois, ser excepção. Ricardo Pereira já se foi, Reyes, Marcano, Layun e Gonçalo Paciência idem. Sobram ainda uns quantos no Olival, mas os portistas acordam todos os dias com medo que o jornal os informe de que Telles, Herrera, Brahimi ou Marega já moram noutras paragens.
Vestir de azul-e-branco dá uma aura aos jogadores e à medida que eles se vão afirmando como titulares, parecem crescer no relvado e na importância que lhes damos no papel que representam no clube.

Olhemos para a lateral-esquerda, por exemplo. Façamos um exercício de recordações relativamente recente: qual era o portista que não temia a saída de Fernando Mendes e dos seus livres ao ângulo? Quem é que não receou pela saída de Esquerdinha, exímio na marcação? E aquele relógio suiço chamado Nuno Valente? E Cissokho? E Álvaro Pereira? E Alex Sandro? E hoje em dia, quem quer Telles fora do FC Porto?

Habituamo-nos aos jogadores, à sua forma de correr, de ganhar os lances, de evoluir nos relvados. Conhecemos-lhes as manhas, o estilo, sabemos se jogam de cabeça levantada ou olhar na relva, se são lentos ou rápidos, se a aceleração é forte, se ganha os duelos aéreos e se jogam bem de costas para a baliza. Passados os jogos da pré-época, já os distinguimos à distância como se tivéssemos andado com eles na escola. Captamos-lhes o estilo e a essência e gostávamos de contar com eles para sempre.

Prestes a iniciarmos a luta pelo bi-campeonato, as interrogações são mais que muitas e certezas há muito poucas. A saída de Telles implica uma quase total destruição da defesa campeã nacional, ficando apenas Iker e Felipe como patrões, ajudados por Maxi Pereira. No meio-campo, a lesão de Danilo garante a sua continuidade, lado a lado com Sérgio Oliveira. Oliver terá pouco mercado e por isso a sua continuidade deve estar assegurada. Já o capitão Herrera, depois do excelente Mundial, é presa apetecível do mercado. Corona deverá ainda ficar mais uma temporada, enquanto Brahimi parece ter técnica a mais para uma Europa de fantasistas a menos. Na frente, Soares e Aboubakar são duas interrogações, enquanto que a velocidade e o galope de Marega não passaram certamente despercebidos nas ilhas britânicas.

Fazendo as contas, o FC Porto deverá manter meia equipa, mais coisa menos coisa. Não é fácil estar todos os anos a reconstruir equipas e o FC Porto sabe isso melhor do que ninguém. Jesualdo Ferreira foi 3 vezes campeão nacional e teve que o fazer todos os anos, mas com uma grande diferença: o FC Porto viva o tempo das vacas gordas e comportava-se no mercado de forma mandona e imponente. Hoje os tempos mudaram. O mercado não sopra a favor do clube e gera-se a ideia de que chega sempre atrasado, dependente das vendas para fazer as compras. Ora, num mercado rápido e fulminante como este, não ter grande fundo de maneio é bastante prejudicial. Além do mais, este ano não há talento para fazer regressar, se fez com Ricardo Pereira, Reyes, Sérgio Oliveira, Marega e Aboubakar.

Resta pois confiar no trabalho do Mister e ter confiança que o FC Porto fez o seu trabalho de casa, isto é, tem muito bem identificados os alvos que quer atacar em caso de saída das jóias da coroa. Se assim for, o bi-campeonato estará ao nosso alcance.; se estivermos à espera de vender para depois termos que ir procurar quem pode ser a solução, aí as coisas ficarão tremidas. Confio no Treinador, no Director do Departamento de Futebol e no Presidente em como a temporada 2018/2019 foi preparado ao pormenor, com o detalhe e cuidado que se exigem. Que não se pense que o FC Porto parte à frente esta época, pois a situação financeira do clube é complicada e só com muito engenho, vontade e sacrifício poderemos voltar a levar de vencida o Polvo.

Assim sendo, resta-me voltar a cumprimentar todos os portistas e leitores do BibóPorto, que certamente nos irão seguir em mais uma longa e difícil temporada que aí vem. Porque ao FC Porto nada é dado. Tudo é, sim, conseguido com muito sangue, suor e lágrimas.

Força FC Porto!!

Rodrigo de Almada Martins

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