21 julho, 2018

FOTO MÍSTICA #11 - Fernando Couto [1993]


O FOTO-MÍSTICA é um espaço de registo e divulgação da história do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. O objectivo é recordar os seus momentos, os seus valores, os seus princípios, a sua cultura, a sua marca, a sua dimensão, as suas gentes. Numa palavra: a sua MÍSTICA. Todos são convidados a participar nesta viagem. Se pretenderem ver divulgada uma fotografia em especial, podem enviar e-mail para rodalma@hotmail.com .


Época: 1992/1993
Local: Estádio das Antas
Data: 06.05.1993
Resultado:  FC Porto 2 x 0 Marítimo SC
Aparecem na fotografia: Fernando Couto e apoiantes do FC Porto

Os momentos de total comunhão entre adeptos e futebolistas de um clube acontecem menos vezes do que seria desejável. No entanto, quando sucedem, é como se a mística se explodisse em milhares de partículas ao vento, enfeitadas de ouro sobre azul.

Foi o que aconteceu naquela tarde em que o sol se espreguiçava pelo relvado das Antas, ao minuto 30 da jornada 34, quando Fernando Couto inagurou o marcador da derradeira partida do campeonato nacional 92/93, lançando em definitivo o FC Porto para a conquista do ceptro de campeão nacional. Kostadinov, aos 74 minutos, havia de sentenciar a partida e, consequentemente, as contas do campeonato, deixando o rival Benfica a 2 pontos de distância.

Fernando Couto, natural de Espinho, não jogou muitos anos como sénior do FC Porto (apenas 4), mas foi o suficiente para marcar indelevelmente a nação portista. Vários factos se juntam para isso: o facto de ser um menino da casa, pelo porte imperial que apresentava, pela longa cabeleira, pelo temor que inspirava nos avançados contrários, pela brutalidade da sua marcação, pelo facto de ter cimentado a expressão central à Porto e por ter sido um dos primeiros imigrantes da famosa geração de ouro do futebol nacional.

Couto era daqueles que não pedia licença para nada. Saltava como queria, cabeceava como queria, marcava como ninguém. Se por acaso a bola passava por ele, o jogador esse não podia passar.

Protagonizou episódios memoráveis, nomeadamente as batalhas campais que alimentou com Mozer. Jogador à moda antiga, para a história fica uma entrevista sua, à entrada do túnel de acesso aos balneários do antigo estádio das Antas, quando após uma pergunta de um repórter de campo sobre o que se tinha passado com Mozer, respondeu alto e bom som, chutando o assunto para canto: “O que se passou ali dentro foi futebol”.

Foi com Mozer também que viveu um dos piores períodos com a camisola portista, quando cedeu a uma provocação do central brasileiro e respondeu com uma cotovelada. Veiga Trigo não deixou passar o lance em claro e deu ordem de expulsão ao defesa nortenho. No final do jogo, Sir Robson sentenciava o sucedido com um humor tipicamente britânico: Benfica 2 x Fernando Couto zero. Logo de seguida, obrigou Coutro a treinar uma semana afastado do grupo de trabalho, no relvado do antigo campo de treinos das Antas.

Nada que impedisse Robson de, anos mais tarde, ir resgatar Couto àquela mítica equipa de Parma, onde o português havia alinhado com Buffon, Sensini, Cannavaro, Dino Baggio, Brolin, Asprilla e Zola.

Protagonizou ainda uma das melhores duplas de centrais de sempre do futebol mundial, ao lado de Jorge Costa, que veio a ser considerada a melhor dupla do Euro 2000. Foi, aliás, o primeiro internacional português a ultrapassar a barreira das 100 internacionalizações, o que atesta bem a relevância da sua carreira a nível internacional.

Fez também uma excelente parelha com Sinisa Mihajlovic na Lázio, vencendo uma Taça das Taças e o Scudetto em 2000, pondo fim a um jejum de 26 anos do clube laziale.

Deixou o FC Porto e nunca voltou a envergar a nossa camisola, embora o regresso fosse algo que vinha à baila todos verões no imaginário portista. Venceu 3 campeonatos e 3 Taças de Portugal de azul-e-branco.

Rodrigo de Almada Martins

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