25 julho, 2011

Não nevou, mas foi bonita a festa, pá!

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24/07/2011

FC Porto-Peñarol, 3-0
Apresentação Oficial 2011/12
Estádio do Dragão, no Porto
24 de Julho de 2011
Assistência: 40.359 espectadores


Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
Assistentes: Filipe Ramalho e Bruno Rodrigues
4.º Árbitro: José Rodrigues

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Rolando, Maicon e Fucile; Souza, João Moutinho e Rúben Micael; Hulk, Kleber e Varela
Jogaram ainda: Bracali, Otamendi, Castro, Belluschi, Djalma, Walter, Sereno, Addy, David, Christian e Kelvin
Treinador: Vítor Pereira

PEÑAROL: Sosa; González, Valdez, Rodríguez e Albin; Corujo, Freitas, Torres, López; Zalayeta e Palacios
Jogaram ainda: Perez, McEachen, Pastorini, Amodio, Siles, Guichón
Treinador: Diego Aguirre

Ao intervalo: 1-0

Marcadores: Kleber (10m), Hulk (71m, g.p.) e Walter (87m)

Disciplina: cartão amarelo a Sosa (25m), Rúben Micael (61m) e Freitas (89m)

Três golos como em Tóquio, há 24 anos, mas com a diferença relevante de, no reencontro, todos terem sido apontados por jogadores do FC Porto. Com menor grau de “dor” implícito, o Peñarol voltou a perder (3-0), enquanto os azuis e brancos denunciavam potencial, margem de progressão e a preservação de uma filosofia de jogo que cultiva a posse e brilha especialmente no ataque. Promete.

>Tudo começou com o dragão, ainda antes do jogo, despertado em duas pinceladas por Vítor Pereira, que lhe desenhou os olhos. Daí a quase nada, o animal mitológico dançava. Começava a época, numa festa que contou com a participação especial de cerca de 2.000 detentores de Dragon Seat. No relvado, em torno de uma longa “passerelle”, os mais fiéis adeptos do FC Porto receberam os jogadores e, ainda antes, cada um dos sete troféus internacionais conquistados pelos azuis e brancos.

O êxito dimensionado à escala planetária, que serviu de tema à animação envolvente da apresentação do renovado plantel portista, seria reforçado a seguir: primeiro, em formato vídeo, nos ecrãs do estádio, e, um pouco mais tarde, de novo no relvado, já com a bola a rolar, mas continuando a cruzar emoções e a recuperar memórias da primeira Taça Intercontinental, que opôs o FC Porto ao Peñarol em Dezembro de 1987.

Desde o primeiro pontapé que o campeão português revelou maior competência e velocidade para melhor cumprir a viagem histórica, que fazia a ligação virtual entre Tóquio e o Porto. E nem foi preciso muito para Kleber provar a sugestão inicial. Antes de completado o décimo minuto, a persistência do brasileiro provocou o primeiro balançar das redes, na resposta imediata a uma defesa incompleta de Sosa, a remate de Hulk.

Como na neve do Japão, há quase 24 anos, no relvado o FC Porto apresentava outro andamento, uma rotação superior. E, com ela, uma estrutura que se especializa na posse e no ataque, que, entre outras oportunidades, poderia ter produzido a ampliação da vantagem sobre o intervalo, quando Kleber chegou com uma fracção de segundo de atraso a um cruzamento de Varela.

O recomeço repetiu a configuração de jogo e até de movimentos. Com menos de dois minutos de segunda parte, os mesmos intérpretes (Varela e Kleber), na mesma sequência, ficaram a centímetros do segundo golo. Agora com a diferença de a bola ter batido no poste.

Com um atraso significativo, o 2-0 chegou aos 71 minutos, na transformação de uma grande penalidade. Hulk sofreu, Hulk marcou, com o guarda-redes Sosa praticamente sem reacção, indeciso sobre que lado escolher perante a simulação irrepreensível do brasileiro.

Depois de 11 alterações, apresentando uma equipa completamente diferente, a máquina continuou a carburar, permitindo que Walter fechasse o resultado a três minutos do final, na sequência de um lance fantástico de Kelvin, na esquerda, que, com um repertório de dribles inesperados, bailou diante dos opositores, antes de servir o cruzamento. Walter fez o resto, à meia-volta.

DECLARAÇÕES

Vítor Pereira: "Há muito para evoluir"

Quase satisfeito. Vítor Pereira gostou da exibição frente ao Peñarol, em especial a partir do momento em que a equipa soube gerar espaço, mas não fica absolutamente encantado com o desempenho, seguro de que ainda há uma larga margem para progredir e para tornar a sua equipa mais precisa e letal.

Consistência
"A equipa tem muito para evoluir ainda, mas estou satisfeito. Tivemos períodos muito bons, outros em que circulámos a bola de forma lenta, sem encontrar espaços, frente a um adversário que se fechou muito. A partir do momento em que começámos a encontrar espaços, fomos criando oportunidades. Conseguimos esta vitória graças a comportamentos consistentes."

Objectivo: diversificar
"Na época passada tínhamos boa circulação de bola, com uma boa transição defensiva. Este ano queremos diversificar mais os movimentos ofensivos, sermos mais agressivos no último terço, e queremos uma transição defensiva ainda mais forte, com encurtamento das linhas. Estamos a caminhar nesse sentido."

Responsabilidade boa
"Com o plantel que temos não precisamos de grandes mexidas. A responsabilidade é boa, pois o grupo tem muita qualidade, e também acreditamos no nosso trabalho. Não podemos prometer títulos, mas vamos trabalhar para eles."

fonte: fcporto.pt

Vítor Pereira rivaliza com "estrelas" e premeia "miúdos"

A época oficial dos campeões nacionais principia com a Supertaça frente ao Vitória de Guimarães a 7 de Agosto.

O treinador Vítor Pereira rivalizou hoje nas maiores ovações dos adeptos do FC Porto com as “estrelas” Hulk, João Moutinho e Helton, no jogo de apresentação aos sócios frente aos uruguaios do Peñarol, no Estádio do Dragão.

Hulk mereceu as manifestações mais efusivas, mas o técnico esteve igualmente em destaque, no dia em que fez subir ao palco 26 dos 34 futebolistas com que conta no grupo: antes de saber o seu futuro, os jovens que fizeram o estágio de pré-época na Alemanha já sentiram o “peso” das bancadas.

Ainda sem oito das principais estrelas da equipa, os mais de 40.000 convocados para o Dragão puderam acarinhar o grupo que tem a responsabilidade de manter alta a fasquia da ambição: na época passada foram conquistados o campeonato, Liga Europa, Taça de Portugal e Supertaça.

Os uruguaios Álvaro Pereira e Rodriguez disputam a final da Copa América, enquanto os colombianos Falcao e Guarin gozam férias após eliminação da sua seleção.

O também colombiano James Rodriguez, o argentino Iturbe e o brasileiro Alex Sandro disputam o Mundial sub-20, tal como Danilo, que só integra o plantel em Janeiro.

Depois de Vítor Pereira "acordar" o Dragão, centenas de adeptos com o lugar anual foram convidados para o relvado, para saudarem de perto os futebolistas que foram desfilando individualmente.

Antes, o FC Porto exibiu os sete troféus correspondentes a outras tantas conquistas internacionais: duas Taças/Liga dos Campeões, duas Taças UEFA/Liga Europa, duas Taças Intercontinentais e uma Supertaça Europeia.

Entre os reforços presentes, o jovem ponta de lança Kléber, que leva seis golos em cinco jogos particulares, foi o que despertou já maior reconhecimento dos adeptos, que brindaram igualmente Bracali, Djalma e Kelvin.

No primeiro desafio caseiro da época, Vítor Pereira escolheu o seguinte “onze” titular: Helton, Sapunaru, Rolando, Maicon, Fucile, Souza, João Moutinho, Ruben Micael, Varela, Hulk e Kléber.

O Peñarol foi o adversário que o FC Porto venceu na sua primeira final da Taça Intercontinental, em 1987: dois dos resistentes dessa equipa, incluindo o agora treinador Diego Aguirre, receberam uma camisola dos portistas pelas mãos do antigo goleador Fernando Gomes, decisivo na final.

A 31 de Julho o campeão nacional tem o derradeiro teste, frente ao Lyon, em Genebra, Suíça.

A época oficial dos campeões nacionais principia com a Supertaça frente ao Vitória de Guimarães a 7 de Agosto, equipa que volta a defrontar a 14 na Cidade Berço no arranque do campeonato, sendo que a Supertaça Europeia frente ao Barcelona se disputa a 26.

24 julho, 2011

Lar Doce Lar...

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Retorno às fainas… Escrevinhador de paixão conhecida e convicção profunda pelo tom Azul, defraudei-vos enésimas semanas com a minha ausência.

Mansidão familiar, pressão dos Amigos e ainda que careça justificar a súbita preguiça intelectiva e/ou o pifo de paciência para blogar, concretizo hoje o desafio, atendo à pessoa que gere um dos mais viventes e refulgentes blogs, mas também a maturação da ideia de retorno ao melhor do meu passado, injecção de vida nesta mortiça indolência para a escrita.

Não podendo estar nas embriaguezes do ambiente eloquente e passionista à porta do Dragão ou Dragãozinho, este é o domínio que me completa nas modalidades do desporto eclético, mas sobretudo na flama pelo Futebol de meandros técnico/tácticos. Esta chancela que supostamente abandonara, longe de a apelidar de grandiosa, é o meu percurso, provindo linhas que retratam não só as geometrias variáveis adversárias, mas as representações estrategas da bola em correlação com as dinâmicas cinéticas daqueles que nos fazem sonhar com o golo.

Se é verdade que a bola já rola, ainda falta para que as que entram tenham efeito directo nas contas finais. Se a estação é de Verão, a canícula que a ele se devia associar, esta longe de bronzear, e nem esta indomável brisa de norte, acelera o curso cronológico do mercado e/ou silly season.

Com Quim Barreiros, o melhor dia para casar, é 31 de Julho, pois a seguir entra Agosto… já para mim falar de futebol sem muito errar, gosto do 1 de Setembro, que é quando o Pinto da Costa diz, não compraste ao preço da cláusula, falamos lá para Dezembro.

Na cultura Oriental, o Dragão é símbolo de vida longa e prosperidade, ao nível Europeu esse arquétipo constrói-se com base em euros. Aquele que melhor vestiu o Dragão como segunda pele, sucumbiu ao prazer precioso das “esterlinas”, viveu uma equipa e agora tenta com o oxigénio da sua genialidade modal, fazer outros “blues” respirar.

Há um ano planeara-se um Dragão campeão, o êxito de verticalidade exponencial, confere obrigatoriedade a planos similares para com épocas vindouras.

Órfãos da personalidade e da especificidade do seu génio mentor ao nível do relvado e treino, o normal era termos os olheiros a procurarem soluções que cintilem num onze, esperando que o gestor dessas pedras os lapide e nos adjudiquem transferências recorde.

Sem treinador era preciso repensar a anatomia da estrutura, a questão suponha-se hercúlea, detectar ADN compatível com a somatologia cromossomática existente posicionava o cerne e tornava-a o busílis maior da pré-epoca.

O maior preceptor do futebol Luso, olheiro de visão cooptada, sensível ao simbolismo umbilical entre equipas técnicas, formatou a expressão “carreira” em Vítor Pereira, aceitação do cargo foi peremptória, o não domínio da função pode custar-lhe o banco de sonho hipotecando um trajecto de “treinador Porto”, que “tão pouco” lhe custou a alcançar.

Sem um protótipo a que se consiga colar, Vítor Pereira personifica desde o dia da apresentação, ambições renovadas, inerte no discurso como primeira observância ao seu valor, assumo a minha idiossincrasia de o ver como líder capaz de pensar futebol, usando da margem de progressão que o talento de um habitual nº2 não reflecte, escudou-se por trás das virtudes que revelou ,não expondo demasiados defeitos, aqueles que o observavam de forma solvente para uma qualquer inequação de variável repentista.

Nem sempre é fácil coabitar num ego introspectivo, a natureza da ambição com outros papéis secundários, chega o dia em que a realidade dimensiona o Eu inferior e manipula vontades com as coordenadas de um sucesso por demais evidente como propósito final.

Marienfeld, ponto comum numa similaridade onde à primeira vista tudo parece idêntico, até os cépticos parecem entender o padrão da orgânica, renunciando à subjectividade do descaminho que o raide Abramovich incitara.

Recriar, reinventar-se é por certo mais difícil que sujeitar um colectivo a novas fases cognitivas e/ou gestacionar fases embrionárias de noção evolutiva, (pense-se, custa mais fazer obras numa casa velha, que construir uma de novo), onde apenas colheriam influências progressivas os nomes que pudessem advir ou chegar ao Dragão.

Tacticamente, VP e a sua preconização como escolha também refutam outro tipo de mudanças, a equipa baliza e norteia os seus pergaminhos de ambição no 4x3x3, jogar contra as nossas próprias limitações fará parte do novo espaço dimensional de progresso.

Não me confesso adepto das pré-épocas, entendo-as de forma teórica como um ciclo de azáfama física indissociável do Macro ciclo que é uma temporada, sendo porém uma montra de assimetrias, entre o que se tem e o que se quer. Concordem ou não, por muito que tragam o treino para patamares próximos da competição, esta é a fase em que a imagem reflectida se torna baça muito por força da rigidez imposta pela aquisição de conceitos e se estrangula a arbitrariedade e liberdade criativa.

Dimensionar o físico por entre gradação táctica, é a fase em que o líder tenta dar o cunho e lança mão na sua capacidade para ser ele a ganhar jogos, quando for a sério, será muito mais dependente dos que escolher para dar corpo a essa ambição.

Com 11 em campo, (há os que jogam com mais, e há aqueles que até nesta fase preliminar, nos queiram já ver jogar com menos), o axioma táctico mãe é 4x3x3, argamassa do sucesso anterior é de há muito génese do nosso melhor futebol. VP em registo escrito na nova Dragões parece querer acrescentar à posse, uma gestão diferente de ritmos no endosso da bola. Mantêm-se o gosto pelo critério, cultiva de igual forma o sentido pela baliza adversária, mas visto daqui do “sofá”, acho-o demasiado tentador querer e procurar bola mais perto do golo.

Esta concepção não lhe terá surgido do nada, crédito ao mentor, desde que capaz de mesclar no seu todo a dimensão física para o pressing alto, a cultura táctica dos desdobramentos de compensação, interpretando com nexo o conforto de jogar perto da área rival com a dificuldade da profundidade entre a linha defensiva e os espaços de ninguém, onde sempre existe um artista capaz de rasgar em gestos cerebrais o passe ou centro que trás amargura.

A posteridade sublinhará o meu regresso com outras linhas e assuntos a esta vossa/minha casa, ajudando os que vivem/sentem o FC Porto, a pontapear épocas passadas afinando-se com as novas realidades tácticas e reflexivas do futebol Azul.

O Peñarol apadrinha o regresso ao nosso ecossistema de vitórias, em ambiente de festividade, o cunho ganhador terá reforço nas gargantas das hostes azuis e brancas. A simbiose tem tudo para ser perfeita, assim esteja o concubinato entre sectores, e ou organização colectiva, passa por defender bem, interligando a vontade de chegar ao ataque sem desprezar o centro nevrálgico como expressão maior dessas ligações unívocas.

A selecção de valores obriga avançar, o tempo é de diminuir incertezas, passes errados e/ou precipitações individuais, aos que regressam, vocês conhecem o perfume da Marca, aos que só agora chegam ao DRAGÃOBEM VINDOS A CASA, sabemos como é difícil disfarçar a emoção.

Capítulo 5: 1941 a 1950 – O centralismo da capital e o jejum (Parte I)

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FCPorto – Dragões de Azul Forte
Retalhos da história, conquistas e vitórias memoráveis, figuras e glórias do
F. C. do Porto


Capítulo 5: 1941 a 1950 – O centralismo da capital e o jejum (Parte I)

Época 1940-1941

O começo da… travessia do deserto
Na época de 1940-41, o FC Porto deu os primeiros passos para uma penosa travessia do deserto.
A equipa portista até fez um Campeonato regular, com apenas duas derrotas, mas com quatro empates dois dos quais comprometedores porque em “casa”.
Nos jogos com os grandes rivais da capital, Benfica e Sporting, o FC Porto obteve apenas uma vitória.

• Logo no primeiro jogo entre “grandes”, uma concludente derrota com o Sporting, no Lumiar, por 1-5. Não bastava o desaire e os portistas ainda ficaram privados do seu guarda-redes. Bela Andrasik foi gravemente lesionado pelo sportinguista João Cruz e conduzido para o Hospital de S. José. O árbitro Henrique Rosa teve uma actuação deplorável. Pintou o apito de “verde e branco”… Validou o terceiro golo dos “leões” na sequência de um claríssimo fora-de-jogo e consentiu a marcação do quarto quando o guardião Andrasik se contorcia com dores no chão, com duas fracturas nos ossos da face, depois da agressão de João Cruz.
• Mar.1941 – A guerra Norte-Sul agudizou-se quando Carlos Pereira, que terminava contrato, optou por não jogar mais pelo FC Porto e se comprometeu com o Unidos FC de Lisboa, que lhe ofereceu 1500 escudos por mês, o dobro do que ganhava no Porto, e ainda 30 contos de luvas.
• Na segunda volta o FC Porto não foi além de um empate (2-2) ante o Sporting, no Lima, perdendo, assim, definitivamente, o sonho que acalentava: conseguir o primeiro “tri” da sua história.
• Com os “leões” no primeiro lugar, o FC Porto fechou o Campeonato com uma vitória sobre o Benfica, por 5-2, permitindo ao Belenenses alcançar o terceiro lugar. Os “dragões” ficaram em segundo (a 3 pontos do novo campeão) e as “águias” em quarto (a 5 pontos).

O FC Porto perseguia a conquista da Taça de Portugal, única competição que não lograra vencer logo na sua primeira edição. Este grande sonho teimava em tornar-se desilusão e na época 1940-41 ficaria, de novo, adiado. Desta feita foi por uma “unha negra” que o clube do Norte não ultrapassou o Benfica nos quartos-de-final da prova.
O FC Porto perdeu no Lima, por 0-2, depois de ter vencido no Lumiar (Lisboa) por 4-3. Uma vez mais, os portistas queixaram-se e com razão do árbitro do encontro da 1.ª mão, Gabriel da Fonseca, que assinalou indevida grande penalidade a favor do Benfica, erro crasso decisivo para o desfecho da eliminatória. Era apenas mais um sinal do que haveria de tornar-se regra anos e anos a fio... Esta época seria mais tarde recordada como aquela em que os árbitros viraram “anjos negros”.

A queda no charco...e os “anjos negros”

Na alvorada dos anos 40, a colectividade portista passava por grandes dificuldades. Sonhos desfeitos, cofres vazios e os árbitros transformados em "anjos negros", pronuncio daquilo com que o FC Porto haveria de confrontar-se durante anos e anos a fio: o centralismo da capital e o despotismo sulista. O FC Porto atraído ao lodaçal…
Mais que os títulos perdidos, as receitas do Campeonato deixavam os dirigentes apreensivos. O FC Porto era, genericamente, o campeão das receitas. Em muitas épocas, bateu de longe os restantes. Pois, já em 1940-41, limitou-se a fazer menos de metade da época anterior!
Muitas dores de cabeça, de facto. O futebol gastara mais de 600 contos, que exacerbou o défice para quase 200! O tempo era de crise. Que se agravaria. Os ordenados começaram a falhar. E foi sem surpresa que, no final da época 1940-41, Petrak e Kordnya, assumidamente profissionais, disseram adeus à Constituição e a equipa ficou carenciada de reforços. Petrak assinou pelo Estoril, então na II Divisão, e Kordnya regressou à Croácia.

Época 1941-1942

Set.1941 – José Sousa Barcellos herdou de Pires de Lima um clube de cofres vazios e com as receitas em queda. Durante a sua presidência, com uma equipa por rejuvenescer, os resultados desportivos no futebol continuaram aquém das expectativas dos associados azuis-e-brancos. E muito longe do que o FC Porto edificara como tradição: vencer com frequência. Sem efeitos práticos, substitui no comando técnico da equipa Miguel Siska pelo austro-húngaro Lippo Hertzka.
Para cúmulo dos seus engulhos, José Barcellos teve de se haver com o continuado regabofe lisboeta que sonegava os direitos aos clubes do Norte e sobretudo ao FC Porto. Sucedeu-lhe Luís Ferreira Alves, em Setembro de 1943.

Sócios – No início da época de 1941-42 o FC Porto tinha 2.889 sócios.





Tempos difíceis…
Com os tempos difíceis que se viviam na Constituição e com uma equipa debilitada pela partida de alguns jogadores importantes, não admira que, para a época de 1941-42, Carlos Nunes, até então castigado, fosse redimido e voltasse ao grupo. Entretanto a nuvens negras continuaram a pairar ameaçadoras.

• Com Coelho da Costa nomeado “capitão-geral” e chefe da secção de futebol, o FC Porto classificou-se em terceiro lugar no Campeonato do Porto. Depois de consultar as Associações de Futebol, a FPF decidiu, com a anuência daquelas, alargar para 12 o número de clubes participantes no Campeonato Nacional da I Divisão.
• Do plantel, pouco rejuvenescido, faziam parte, entre outros, Bela Andrasik, Vítor Guilhar, Manuel dos Anjos “Pocas”, António Baptista, Pratas, Sacadura, Carlos Nunes, Sárria, Pinga, Augusto, Correia Dias, António Santos, Humberto, Alvarenga, António Nunes, Gomes da Costa, Valongo e Povoas.
• No primeiro jogo, com o Sporting, a derrota pesada por 0-5 fez antever escolhos para a equipa portista ao longo da época. Coelho da Costa demitiu-se de “capitão-geral”, sendo substituído por Waldemar Mota. Miguel Siska manteve-se como treinador, embora com o lugar ameaçado.
• Em casa o FC Porto não se deixou derrotar pelos rivais “leões” e “águias”.

• Mas o FC Porto foi goleado em Lisboa pelo Benfica (1-5) e pelo Belenenses (3-7), somando sete derrotas em 22 jogos e quedando-se pelo quarto lugar no Campeonato, com 28 pontos, a 10 do campeão.
• Prémio de consolação e destaque: Correia Dias foi o melhor marcador do Campeonato ao apontar, com brilhantismo, 36 golos.

Correia Dias (FC Porto), melhor marcador com 36 golos!

Correia Dias, ponta-de-lança do FC Porto, alto, forte, corpulento, verdadeiro “predador” das áreas adversárias, foi o melhor marcador do Campeonato Nacional de 1941-42, com 36 golos – um número de golos só superado por dois grandes “artilheiros” da história do FC Porto: Fernando Gomes e Mário Jardel! Mas, ainda assim, com uma média de golos por jogo superior: 1,64 contra 1,30 de Gomes e 1,12 de Jardel. Extraordinário!
No dia 25 Jan.1942, com 22 anos, estreou-se frente ao V. Guimarães, no campo da Constituição, na que era a 2.ª jornada do Campeonato. Logo nesse jogo em que encetou a sua carreira, contribuiu com dois golos para a vitória por 3-2 sobre os vimaranenses. “Sempre à espera de apanhar uma bola a jeito e à medida do seu disparo forte e certeiro” ao longo das outras vinte jornadas consecutivas apôs a sua assinatura em mais trinta e quatro golos. Atrás dele, e a boa distância na lista dos “reis do golo”, ficaram Peyroteo (Sporting) e Armando Correia (Académica) ambos com vinte e oito remates certeiros.

Eis a lista dos “reis dos goleadores” (Melhores Marcadores do Campeonato) da história do FC Porto (dados de Fev.2011):

- Fernando Gomes.... 39 golos Média p/jogo: 1,30 Época 1984/85 (30 jornadas)
- Mário Jardel...... 38 golos Média p/jogo: 1,12 Época 1999/00 (34 jornadas)
- Correia Dias...... 36 golos Média p/jogo: 1,64 Época 1941/42 (22 jornadas)
- Araújo............ 36 golos Média p/jogo: 1,38 Época 1947/48 (26 jornadas)
- Fernando Gomes.... 36 golos Média p/jogo: 1,20 Época 1982/83 (30 jornadas)
- Mário Jardel...... 36 golos Média p/jogo: 1,06 Época 1998/99 (34 jornadas)
- Mário Jardel...... 30 golos Média p/jogo: 0,88 Época 1996/97 (34 jornadas)
- Kordnya........... 29 golos Média p/jogo: 1,61 Época 1939/40 (18 jornadas)
- Fernando Gomes.... 27 golos Média p/jogo: 0,90 Época 1978/79 (30 jornadas)
- Jacques........... 27 golos Média p/jogo: 0,90 Época 1981/82 (30 jornadas)
- Fernando Gomes.... 26 golos Média p/jogo: 0,87 Época 1976/77 (30 jornadas)
- Mário Jardel...... 26 golos Média p/jogo: 0,76 Época 1997/98 (34 jornadas)
- Fernando Gomes.... 25 golos Média p/jogo: 0,83 Época 1977/78 (30 jornadas)
- Domingos.......... 25 golos Média p/jogo: 0,74 Época 1995/96 (34 jornadas)

Para a Taça de Portugal, nova decepção nos oitavos-de-final e o acesso à final mais uma vez adiado: nas Salésias (Lisboa), ante o Belenenses, 1-5.

João Lopes Martins – Considerado um atleta completo, o mais completo, foi campeão em quase todas as modalidades que praticou. Jogou na equipa de futebol e nas de basquetebol, andebol, hóquei em campo e ainda participou em competições de atletismo e natação. Também jogava ténis!
• Era uma referência como desportista e o seu valor granjeou-lhe honras nacionais. De vigor físico e capacidades técnicas invulgares, tornou-se atleta do FC Porto na década de 20 e sobressaiu nas de 30 e 40 do séc. XX.
• No futebol, iniciou-se nos infantis do FC Porto. Subiu à equipa de honra e logo revelou extraordinária aptidão para a posição de médio. Poderia ter consumado uma carreira de sucesso. Porém, Lopes Martins não morria de amores pelo futebol. Decidiu dedicar-se ao basquetebol que já praticava.
• Apaixonado pelo basquetebol, impôs-se na 1.ª categoria do FC Porto. Foi internacional e treinador nesta modalidade. Posteriormente assumiu a direcção da secção no Clube.
• No andebol de 11 afirmou-se como um médio-centro de classe inigualável e contribuiu para os quatro títulos consecutivos (1939 a 1942) dos azuis-e-brancos.
• No atletismo conquistou um título regional no salto à vara. E saltou barreiras! Também competiu na natação e jogou ténis.
• “Lopes Martins, amador puro, trabalhador infatigável, nunca vestiu outra camisola. Trata-se de um excelente exemplo de fé clubista”. Eleito como atleta n.º 1 do Clube, é uma figura ilustre e uma glória do FC Porto. Na inauguração do Estádio das Antas, em 28 Mai.1952, esteve, com o também antigo atleta Mota Freitas, ao lado do porta-bandeira o ex-futebolista e internacional olímpico Waldemar Mota. Velhas e inesquecíveis glórias do FC Porto!
  • No próximo post.: Capítulo 5, 1941 a 1950 – O centralismo da capital e o jejum (Parte II) – Época 1942-43; Lippo Hertzka, novo treinador; Campeonato Nacional; misterioso desaparecimento; Taça de Portugal; Andebol de 11 de vento em popa, triunfante, Campeão; época 1943-44; presidente Luís Ferreira Alves; Estádio do Lima; Campeonato Nacional; a chegada de um brilhante guarda-redes; Taça de Portugal; a crise financeira; biografia de Lippo Hertzka.

Apresentação Oficial 2011/12 começa às 17h30

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22/07/2011

O jogo que opõe o FC Porto ao Peñarol, recriando, no Dragão, a conquista da primeira Taça Intercontinental sobre a neve de Tóquio, em Dezembro de 1987, é apenas o ponto alto da Apresentação Oficial 2011/12, que revelará os rostos da renovada equipa azul e branca aos associados.

O desafio frente à equipa uruguaia está agendado para as 19h00 de domingo, mas a animação começará uma hora e meia antes (17h30), reservando algumas surpresas ao longo de um espectáculo multimédia com especial enfoque nas vitórias internacionais dos Dragões.

fonte: fcporto.pt

23 julho, 2011

A Época 2011/2012 - Parte I

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Até agora, dos jogadores que o ano passado venceram tudo ainda estão cá todos. Os titulares continuam todos com de azul e branco ao peito e isso deixa-me confiante para mais uma época de grandes sucessos. Tínhamos um plantel sólido e competitivo que soubemos manter e reforçar em idas ao mercado para contratações cirúrgicas de grande valor. Kléber, Djalma, Iturbe, Danilo. Todos jogadores que podem ser mais-valias para um plantel já de si extremamente rico. Se me permitem, nesta crónica vou destacar dois nomes: Iturbe e Kléber.

Depois de um imbróglio que o Marítimo arrastou durante meses, Kléber está finalmente no clube que há muito queria representar. Kléber é um excelente reforço para o novo Porto 2011/2012. Um avançado alto e com um futebol espontâneo, de remate fácil, rápido nas desmarcações e com um faro de golo que é raro de ver no futebol português. Quem viu os jogos da pré-época ou acompanhou os jogos do Marítimos a época passada, sabe que Kléber é daqueles que já não engana. Mais do que um promessa, já se pode falar numa certeza. Um excelente aposta, sem dúvida! Ainda assim, apesar do seu imenso potencial, em condições normais, não terá condições de ser titular. Nada de surpreendente se pensarmos que tem a concorrência do melhor marcador de sempre numa competição europeia. Falcao é indiscutível para o lugar e não acho benéfico que o se altere o sistema de jogo que tantas alegrias nos deu e para o qual estes jogadores já estão rotinados. Ainda assim, dada a enorme exigência do calendário, não faltarão oportunidades para Kléber demonstrar (com golos, de preferência) todas as suas qualidades futebolísticas - que são muitas.

Iturbe é um diamante em bruto. Quando se fala de um plantel com tanta qualidade em todas as posições como é o Nosso, é difícil para um jogador que chega do futebol sul-americano agarrar um lugar de imediato. Mas não é por acaso que Iturbe é considerado o "Novo Messi". Não foi nenhum portista que lhe pôs esse epíteto. Foram os próprios argentinos. Quem já teve oportunidade de o ver jogar, sabe que aquilo é um talento em potência com uma vasta margem de progressão. Iturbe é um jogador que progride no terreno sempre de bola colada ao pé (qual galinha ciosa do seu ovo) com uma capacidade de transporte de bola impressionante. É certo que terá a forte concorrência de Varela e James, jogadores mais habituados ao futebol europeu e também de grande talento. Ainda assim, penso que Iturbe, sempre que possível, deverá ser lançado nos jogos para criar rotinas e acelerar o mais possível o seu processo de adaptação ao futebol do Velho Continente. O facto de ter sido convocado para o Mundial Sub-20, onde é a principal estrela da Argentina, também não será nada benéfico para a sua integração imediata no modelo de jogo da equipa. Porém não duvido minimamente do seu talento e sei que Vítor Pereira saberá tirar o melhor proveito deste "pequeno grande jogador".

Desde da primeira hora que tive a certeza que Vítor Pereira foi a melhor a escolha. Obviamente, que se os tubarões do dinheiro baterem as clausulas de rescisão dos nossos melhores jogadores e nos desfalcarem a equipa, Vítor Pereira terá que refazer o plantel e obviamente isso é um processo que leva tempo. No entanto, graças a inteligência e argúcia do Nosso Grande Presidente, isso é um cenário que não se parece colocar. Por isso, não vamos sequer pensar nisso. Vítor Pereira é alguém de quem os jogadores gostam e respeitam, com grande capacidade de orientação de treinos, com um profundo conhecimento do futebol e, para além disso, um homem inteligente sem ser um teórico - como comprova o facto de ter sido o melhor aluno durante o seu curso. É o nosso Treinador e apoiá-lo-emos neste desafio que é fazer melhor do que ano passado. Porque nós somos Porto e queremos sempre mais. Como disse, numa crónica anterior, nós também gostamos dos aperitivos (Liga Europa), mas é o bife do lombo (Champions) que nos mata a fome.

Uma expulsão como eu nunca vi

Hulk foi expulso porque num amigável com o B. Moenchengladbach aplaudiu uma decisão do árbitro. Não há dúvidas que é dos actos mais bárbaros que já se vi num campo de futebol. É a primeira vez que um jogador é expulso por concordar com uma decisão de um árbitro. Foi isso que Hulk fez. Aplaudiu uma decisão do árbitro. Nada mais. Confesso que nunca tinha visto semelhante. Os árbitros são seres realmente esquisitos. Ora, passam a vida a queixar-se que os adeptos lhes chamam nomes - o que até é mentira, pois grande parte das vezes os insultos são dirigidos às suas mães. Mas, pelos vistos, o que os árbitros detestam mesmo é que não os elogiem. Infelizmente, Hulk já está habituado a ser injustiçado. A semana passada, foi gentil com um árbitro e isso valeu-lhe a expulsão. Em 2010, não fez nada e foi suspenso por 9 jogos. Alguns patuscos costumam dizer que "ser bom não basta". No caso de Hulk acaba por ser verdade. Especialmente, quando-se é incrível e se tem a Justiça contra nós.

Na sequência desta insólita expulsão, o pasquim de Vítor Serpa não perdeu e aproveitou o engodo para começar um especulação sem sentido. Dizia o libelo oficial dos lampisgas que "dependendo do relatório do árbitro, Hulk podia falhar o jogo da Supertaça". Bom, admitindo que o árbitro tem a obrigação de escreve no relatório exactamente aquilo que se passou no jogo, o que o senhor árbitro escreveu é que Hulk foi expulso por ter aplaudido uma decisão do próprio árbitro. Foi apenas isto que se passou. Como é óbvio, isto não justifica uma expulsão e muitíssimo menos um jogo de castigo. Facilmente se percebe que aquela manchete não era uma notícia. Era um sonho molhado do senhor Vítor Serpa em manchete para todo o país ler. Uma desavergonhice! No fundo, aquele panfleto diário estava apenas a incitar o árbitro a mentir no seu relatório de jogo. O que aquele folhetim quis dizer foi: "Reparem que, caso o árbitro decida aldrabar o relatório de jogo, há a possibilidade de Hulk ficar de fora do jogo da Supertaça. E isso era muito fixe. Não era, caros leitores?". Estava-se apenas a lançar uma desejo onírico para o ar a ver se alguém pega naquilo e tramava o Nosso Hulk. Como já não é o senhor Ricardo Costa que decide, fiquei descansado.

O Nosso Treinador visto por quem sabe

Segundo alguma imprensa da capital, Vítor Pereira é um treinador que grita pouco nos treinos e, por isso, não impressiona nem dava nas vistas. Curiosos argumentos. Se a qualidade de um treinador se medisse pela altura dos seus berros , a Júlia Pinheiro há muito que estaria a treinar o Barcelona. Depois, na FC Porto, os treinadores não são avaliados pelo show-off que dão. Isso é coisa de bailarina de cabaret. Se estivéssemos a procura de alguém para "dar nas vistas", tínhamos contratado a Lady Gaga. Este argumento de que um treinador low profile é necessariamente um mau treinador poderia fazer todo o sentido. É pena existir, por aí, um senhor chamado Pepe Guardiola - que dizem tem ganho umas coisas sem ter necessidade de rebolar no chão em tronco nu.

A Renovação de Falcao

Falcao renovou com o Porto por duas épocas e aumentou a sua clausula de rescisão para 45 milhões. Nada mau para um jogador que A Bola garantia como certo no Chelsea por 30 milhões. Quarta-feira foi, por isso, também um dia aziago para Leonor Pinhão e tantos outros aziados que vinham tendo sonhos húmidos com o nosso goleador. Parece que vão ter de continuar a molhar os lençóis durante mais algum tempo.

Lembro que, em Maio, Leonor Pinhão escreveu uma crónica em que afirmava como grande desígnio do seu clube dar 30 milhões por Falcao. Pelos vistos, agora o grande desígnio do clube desta fanática despenteada está 15 Milhões mais longe... e mais caro. Temos pena, pá! Convém lembrar aos ressabiados amnésicos, que em tempos Falcao já teve de escolher entre o seu clubezinho e o Nosso. Como é óbvio, escolheu o Nosso. Falcao gosta de ganhar. Por isso, não queiram desgraçar a vida ao rapaz só para satisfazer os vossos caprichos.

22 julho, 2011

A guerra já começou

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Os jogos a sério ainda estão longe, exactamente à mesma distância das nossas vitórias – estas, a brincar, só contam para os eternos campeões da pré-época -, mas eles, aqueles que formam a nossa ortodoxia mediática nacional, não desarmam. Ainda a curar a terrível ressaca de um ano humilhante e não menos traumatizante, a comunicação social anti-portista e centralista começa a lançar as primeiras gotas do veneno que ela própria, mais cedo ou mais tarde, terá que beber por força das nossas inevitáveis vitórias. E bastou uma incrivelmente estúpida expulsão num jogo amigável para eles se lançarem na corrida ao armamento. A guerra já começou.

Quais abutres esfomeados pelas nossa queda e pelas nossas adiadas derrotas, os dois jornais desportivos com sede na capital apressaram-se, ao seu melhor estilo, a colocar em risco a presença do Incrível no jogo da Supertaça, ignorando a realidade, manipulando a verdade, como tão bem eles sabem fazer. Uma breve consulta aos regulamentos basta para os desmascarar, mas nem por isso os fazer ganhar a vergonha e o decoro que há tanto tempo perderam.

Curiosamente, no mesmo dia, dois jogadores do clube dos tachos, dos tios e dos betos da Lapa, foram também expulsos. E qual foi a referência ao episódio nas capas dos dois pasquins? Nada. O que interessa é que eles marcam golos que se fartam, mesmo que seja contra uma equipa da segunda divisão holandesa, o que interessa é que eles, este ano, têm equipa para ficar a menos dos 36 pontos de distância do primeiro lugar do que aqueles a que, miseravelmente, ficaram na época passada. Esta inefável comunicação social é assim e vai continuar assim, seja nas nossas vitórias, seja nas nossas derrotas. O que ela gosta é de nos atingir, mesmo com a mais descarada das mentiras, por muito que a realidade, que eles se recusam a aceitar, prove que também é assim que nos ajudam a ganhar e a continuar a humilhá-los cada vez mais.

E é assim que nós também os ajudamos a vender. Não só com as nossas derrotas que eles se esforçam por profetizar, mas também porque nós, portistas, lhes compramos as mentiras. Não me incluo nesse grupo, porque me recuso a dar-lhes um tostão que seja, mas ele existe, infeliz e lamentavelmente, mesmo quando nosso clube tenta, até ao limite da legalidade, afastá-los, barrando-lhes a entrada nos treinos e o acesso a qualquer informação que eles mais cedo ou mais tarde possam manipular a seu bel-prazer.

O ódio e a inveja que lhes tolhem a razão são tão grandes que acabam por cair, inevitavelmente e com estrondo, no delicioso ridículo. E qualquer coisinha, por mais pequena e insignificante que seja, serve para nos atacar. Até o facto de o Bruno Alves poder agora ler o “Record”, já que antes “era obrigado a seguir a implacável Cartilha do Dragão”, pelas regras impostas “pelo índex de Pinto da Costa.”

Já não sei se hei-de rir ao chorar, mas enquanto eles se vão esforçando por nos atacar, nós lá vamos continuando a ganhar. E como sempre, contra tudo e contra todos. Como nós gostamos.

Três a um em Vila do Conde

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21/07/2011

Rio Ave-FC Porto, 1-3
Jogo de preparação (época 2011/12) .
Estádio dos Arcos, em Vila do Conde (21 de Julho de 2011).


Árbitro: João Lamares (AF Porto).

RIO AVE: Paulo Santos; Zé Gomes, Eder, Gaspar e André Dias; Bruno China, Vítor Gomes e Braga; Pateiro, João Tomás e Saulo.
Substituições: Paulo Santos por Huanderson (46m), André Dias por Tiago Pinto (46m), Eder por Tiago Costa (46m), Zé Gomes por Jeferson (46m), Bruno China por Tarantini (46m), Vítor Gomes por Dinei (46m), Braga por Jorginho (46m), Pateiro por Wires (46m) e João Tomás por Feliz (46m), Saulo por Gilmar (74m) Feliz por Rafinha (85m).
Treinador: Carlos Brito

FC PORTO: Bracali; Sapunaru, Rolando, Otamendi e Fucile; Fernando, João Moutinho e Ruben Micael; Djalma, Kléber e Varela.
Substituições: Bracali por Beto (46m), Fernando por Souza (46m), Rolando por Sereno (60m), Otamendi por Maincon (60m), Fucile por Addy (60m), Moutinho por Bellushi (60m), Ruben Micael por Castro (60m), Varela por Christian (60m) e Kléber por Walter (60m), Djalma por Kelvin (68m), Sapunaru por David (75m).
Treinador: Vítor Pereira

Ao intervalo: 1-2

Golos: Kléber (7m e 59m), João Moutinho (12m), João Tomás (35m) (GP).

Disciplina: Cartão amarelo para Addy (76m).

O FC Porto foi esta quinta-feira vencer o Rio Ave, ao Estádio dos Arcos, por 3-1, em mais um jogo de preparação para a nova época. Os golos dos Dragões nasceram de um bis de Kléber, ambos após centros de Fucile, e de um canto directo de João Moutinho. Para o Rio Ave marcou João Tomás, na transformação de uma grande penalidade.

O jogo foi um bom teste para o FC Porto, que entrou muito forte e ainda no primeiro quarto de hora marcou dois golos. Com uma pressão muito alta sobre a bola e com um jogo de constante circulação, os campeões nacionais chegaram ao golo logo aos sete minutos, quando Kléber cabeceou para a rede um cruzamento de Fucile da esquerda. Na jogada imediatamente anterior, já Kléber podia ter aberto o marcador, após centro de Varela, mas o remate do brasileiro bateu na trave.

Mantendo-se fiel aos princípios de jogo da última temporada, o FC Porto continuou a pressionar e a construir jogadas de perigo e a impedir o Rio Ave de passar da linha média. O segundo golo surgiu aos 12 minutos, quando João Moutinho bateu um canto da esquerda com muito arco, beneficiando também do forte vento, fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior esquerdo da baliza de Paulo Santos.

O FC Porto mostrava que se encontra já num bom momento para a fase da época, com os jogadores a conhecerem o modelo de jogo e a executarem um futebol bonito e envolvente.

Com o passar dos minutos os Dragões baixaram o ritmo e o Rio Ave reduziu aos 35 minutos, quando João Tomás transformou uma grande penalidade a punir derrube de Bracali a Saulo, depois de um erro de Fernando, que perdeu a bola em zona proibida.

Na segunda parte, com muitas substituições de parte a parte o jogo perdeu intensidade, mas o FC Porto foi sempre superior e ampliou o resultado aos 59 minutos, quando Kléber concluiu com uma bela entrada de cabeça uma grande jogada de Fucile, que subiu pela esquerda, ultrapassou dois adversários e centrou para a cabeça do brasileiro.

Até ao final, ainda se viram bons pormenores técnicos de jovens como Christian e Kelvin, jovens de 18 anos e que têm muita qualidade.

O FC Porto volta a jogar domingo, no Estádio do Dragão, onde vai defrontar o Peñarol, depois da apresentação aos associados.

DECLARAÇÕES

Vítor Pereira: "Esta equipa dá garantias"

Vítor Pereira era, no final, um treinador satisfeito com o comportamento da equipa, mas prometeu uma equipa melhor quando se iniciar a competição: "Fizemos um bom treino, com comportamentos de qualidade, apesar do muito vento. Fiquei satisfeito com as duas equipas que jogaram".

O treinador do FC Porto fez ainda questão de salientar a evolução de uma equipa que tem um ano de trabalho: "Esta equipa dá garantias. Vimos a trabalhar com qualidade já há um ano e pelo trabalho que estamos a fazer estamos preparados. Não mexemos muito no plantel, como era o nosso objectivo".

A terminar, Vítor Pereira mostrou-se satisfeito com o trabalho dos jogadores: "Estou muito contente com todos os jogadores, o FC Porto pratica um jogo colectivo e é isso que devemos destacar".

fonte: fcporto.pt

21 julho, 2011

Felizmente há Falcao

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Num Mundo cada vez mais industrializado e global, dominado pelo último grito da moda chamado “Agências de Rating”, onde quem tem mais dinheiro é quem mais ordena, o futebol é apenas mais um segmento de negócio que vive uma crise à escala mundial, mas onde o poder económico de meia dúzia de resistentes continua a ditar lei.

Há muito estamos habituados a que os detentores desse poder económico nos criem defesos em permanente sobressalto, com notícias constantes do seu assédio aos nossos melhores jogadores, aliciando-os com contratos milionários, e mostrando a cor do dinheiro à nossa estrutura, algo tão precioso e necessário aos cofres do clube.

Ano após ano, ao novelas vão-se sucedendo, desde as mais recentes como Quaresma ou Bruno Alves, ás já mais antigas como Jardel ou Deco. É o “sai, não sai” que se arrasta por tempo indefinido, é o jogador que umas vezes mantém a postura mais adequada e outras vezes nem tanto, somos nós que vivemos na incerteza de quem serão os nossos artistas na época seguinte.

Este ano, entre outros nomes mais ou menos falados, Radamel Garcia Falcao tem dominado as primeiras páginas dos jornais sedentos de nos verem enfraquecidos. Já foi apontado como potencial reforço de diversos clubes, já foi vendido a outros tantos, já teve contratos rubricados com clubes que não o nosso, e até já conseguiu no mesmo dia dizer que o seu campeonato de sonho era Inglaterra e depois Espanha. Espectaculares estes jornais!

No meio de toda esta especulação, de todo este frenesim, de todo este ruído e de tantos milhões para cima e para baixo, o homem Falcao deu uma grande lição a todos, mas mesmo a todos sem excepção, pois aquilo que ele fez, não me recordo que nenhum, sublinho NENHUM jogador alguma vez o tenha feito: aumentar em 50% o valor da clausula de rescisão, em plena altura de autentica loucura ao seu concurso, é algo que não me recordo.

Afinal parece que o dinheiro não é tudo na vida, parece que nem todos cedem facilmente à tentação dos milhões, parece que há valores que ainda não foram totalmente esquecidos. Sem ilusões desmesuradas, mas com o pragmatismo e reconhecimento devido, diria que Falcao nos surpreendeu positivamente!

Não, não vou dizer que ele é portista desde pequenino, que está no seu clube de sonho, que estará cá para sempre. É óbvio que mais tarde ou mais cedo ele nos vai deixar. Mas esta atitude demonstra reconhecimento por quem o lançou, respeito por quem o apoiou, admiração por quem o estimou. Não vou ao ponto de falar em “amor à camisola” pois nesse eu já não acredito há muito tempo. Mas no contexto do futebol moderno, numa altura em que levianamente alguns fazem juras de amor eterno, o nosso “El Tigre” comportou-se como um verdadeiro Dragão de corpo inteiro.

Quem teria coragem para o criticar por ele sair pelo valor da clausula de rescisão acordada no seu contrato? Ninguém! Quem lhe poderia apontar o dedo se ele decidisse partir para um clube que pagasse os 30 milhões de euros? Ninguém!

Mas não! Falcao, consciente de que se encontra bastante valorizado pela excelente época que realizou, com a noção clara de que a clausula existente era relativamente acessível aos tubarões europeus, acedeu a aumentá-la, colocando-a num patamar mais consentâneo com o seu real valor de mercado, permitindo-nos desta forma um encaixe superior ao previsto.

Muitos referem esta situação como uma grande jogada estratégica da estrutura da SAD. Com toda a honestidade, atribuo todo o crédito ao jogador, pois se ele se recusa-se a renovar, quem o poderia criticar? Fê-lo por vontade própria, certamente com condições melhoradas, mas essencialmente demonstrando uma dimensão humana que já não estamos habituados no futebol moderno.

Independentemente do que venha a acontecer no futuro (é ainda perfeitamente possível que venha a sair ainda neste defeso), teremos que estar sempre reconhecidos a este colombiano porque ele autenticamente deu-nos 15 milhões de euros.

Obrigado Falcao, Serás Dragão Até Ao Fim!

PS – Finalmente começaram as renovações nos jogadores das modalidades. Aleluia, aleluia, aleluia! Parece que com juizinho a coisa vai ao sítio!!

Manto Azul e Branco - Início de 1907 – O FC Porto vestido de vermelho, à Arsenal de Londres

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Como em qualquer outro Clube, os equipamentos portistas evoluíram ao longo da história. Na busca da cor e da forma, o FC Porto adoptou, inicialmente, soluções que hoje se podem designar de transitórias. O intrépido José Monteiro da Costa, que relançou o Football Club do Porto a partir de 1906, em breve encontraria a “fórmula mágica” que concretizava um sonho e identificava um Clube.

Entrementes, no começo de 1907, a fama do Arsenal FC terá contribuído para a adopção de equipamento similar. Camisola integralmente vermelho escuro, com botões, e calção e meias azul-escuro, reflectiam o modelo britânico.

Uma equipa do FC Porto, dos princípios de 1907, ainda com um equipamento transitório (à Arsenal de Londres) onde o azul já se via nos calções de alguns jogadores.

O presidente José Monteiro da Costa, ao centro, envergando uma camiseta vermelha “à Arsenal” e calções brancos.

Rui Saraiva – Design e edição
Fernando Moreira – Pesquisa e textos

Christian: "O FC Porto tem uma equipa forte e um grande treinador"

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20/07/2011

Campeão Nacional de Juniores na temporada passada, Christian iniciou a sua primeira época como sénior no plantel principal dos Dragões, não alimentando, para já, muitas expectativas em relação ao que vai acontecer. Sobre o que tem visto, não lhe restam dúvidas: «o FC Porto tem uma equipa forte e um grande treinador».

O extremo ganês falou à comunicação social esta quarta-feira, na superflash realizada antes do ensaio matinal, no relvado do Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia, no Olival.

A treinar da melhor maneira
«Tenho treinado da melhor maneira, sem nenhuma expectativa em especial. Vim para trabalhar, e é o que estou a fazer, mas não sei o que vai acontecer.»

Época pode ser ainda melhor do que a anterior
«Acho que esta época pode ser ainda melhor do que a anterior. A equipa está a trabalhar muito bem.»

Favoritos no campeonato
«Acredito que o FC Porto é favorito no campeonato, não só porque tem uma equipa muito forte, mas também um grande treinador.»

Admiração pela seriedade do treinador
«O que mais admiro no mister Vítor Pereira é o facto de ser muito sério a treinar e muito flexível com todos os jogadores.»

Velocidade e técnica
«As minhas principais características são a velocidade e a técnica.»

A aprender muito com Hulk
«O meu jogador favorito é o Hulk. Por sermos parecidos? Não… (risos) Ele é muito melhor do que eu. É rápido e forte, e muito bom a driblar. É o meu ídolo; estou a aprender muito com ele.»

fonte: fcporto.pt