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12 dezembro, 2014

NÓS SOMOS O PORTO.

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O Porto somos nós. O bLuE bOy, a Mafaldinha, o Norte, o Dragão Azul Forte, a Enid, o Estilhaço, o Lucho, o Delindro, o João Ribas, o RCBC, o RAM, o Pedro Porto, o Pedro Pereira, o SD Valadares, o Tripeiro... e tantos outros que, como nós, sentem, vivem e respiram Porto todos os dias.

Tornou-se um lugar-comum, mas não me canso de o dizer: o Porto não vive só dos jogadores que envergam a sua camisola, dos treinadores que os orientam, dos dirigentes que o gerem ou dos funcionários que o mantêm. O Porto somos nós, adeptos, em primeiro lugar, porque os clubes podem viver sem dinheiro, sem vitórias, mas nunca viverão sem adeptos.

É verdade que o Porto somos nós, adeptos, mas não são todos aqueles que dizem à boca cheia que o são, sobretudo quando a hora é de ir para a Baixa, de cachecol ao pescoço, festejar o campeonato ou uma competição internacional. O Porto somos nós, os adeptos que praticam o portismo verdadeiro, seja com a sua presença nos jogos, nas assembleias-gerais, seja com a sua massa crítica e denunciadora de tantas coisas graves que se passam no futebol português.

Confesso que tenho alguma dificuldade em discutir, em falar sobre o Porto, com qualquer um, até porque, perdoem-me a falta de humildade, nem todos estão à altura de o fazer comigo. E foi por isso que há quase quatro anos foi com uma imensa honra que aceitei participar neste blogue - com a minha opinião livre, muitas vezes emocionada, nem sempre racional -, porque percebi que aqui falamos todos a mesma língua. Aqui partilhei muitas alegrias e vitórias, felizmente poucas tristezas e desencantos; dei voz à revolta e à crítica, sempre com algumas farpas à mistura - porque a rivalidade, desde que sã, também é boa e faz falta.

Mas estar aqui também me permitiu, com a ajuda de todos vocês, enriquecer como portista, como homem. Ganhei amigos que vejo quase todos os fins-de-semana no Dragão, no pavilhão ou em qualquer outro lado em que o Porto esteja. Uma família que duas vezes por ano se reúne à mesa para um jantar sempre animado e cheio de portismo, sempre superiormente bem organizado pelo incansável bLuE bOy e pela sua adorável Mafaldinha.

Com esta “tanga” toda, devem estar a pensar que me estou a despedir. Não. Sempre que puder, virei cá com o maior prazer, só não poderei é cá vir tantas vezes quanto até agora o tempo me permitia. Portanto, não é um Adeus, porque vamos sempre continuar a ver-nos nos sítios do costume. "BiBó PoRtO, carago!!"

PS - Escrevi, como aqui sempre o fiz, simplesmente "Porto", porque, no fundo, entre nós, portistas, é assim que o tratamos. Para os outros, sobretudo para os Serpas, os Delgados e outros que tais do país, será sempre Futebol Clube do Porto. Porque Porto é a cidade e o FC Porto é muito mais do que isso. É uma nação.

28 novembro, 2014

O ALVO A ABATER.

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Não olho para quem vem atrás, não quero saber deles para nada. Só me interessa quem está à frente, quem (ainda) tem mais campeonatos do que nós, quem (ainda) está primeiro do que nós. E eu não posso morrer, não quero morrer antes de estarmos à frente deles em tudo. São eles que temos de nos preocupar em derrotar, seja como for, dê por onde der. E isso nunca se coadunará com qualquer união; é bom que tenhamos sempre essa noção.

Bem sei que temos que lutar pelos nossos interesses, que a questão dos fundos é fundamental e que só com a preciosa ajuda desse mecanismo financeiro, nós e outros clubes como o nosso, temos capacidade para poder competir - nunca em pé de igualdade, ainda assim - com os clubes ricos ou comprados por gente rica do futebol europeu. São os fundos que nos permitem ir buscar 'Brahimis', 'Aboubakares', 'Quinteros', 'Mangalas' e por aí fora. Bem sei que temos que ajudar quem nos ajuda (neste caso, a Doyen Sports), ainda para mais quando se trata de um conflito com a agremiação que tem a mania que é grande e que se meteu num sarilho que os pode vir a tramar à grande.

Mas isso nunca poderá significar uma aliança com os outros, como andam por aí a dizer. As lutas podem ser as mesmas, os interesses até podem ser comuns - como aconteceu também na resolução do problema da Liga de Clubes -, mas é de todo impensável que algum dia venhamos a andar de mão dada com aquela gentalha. Porque não nos esquecemos de tudo o que eles já fizeram contra nós, que foram eles que estiveram por detrás do Apito Dourado, que foram eles que nos quiseram tirar da Champions. Não nos esquecemos do vergonhoso caso do túnel com que ganharam um campeonato e de tantas outras tramóias com que eles já nos tentaram atingir. Nem nos esquecemos da roubalheira que está a graçar nesta temporada.

E não é um clube que tem tantos campeonatos quanto nós temos temos presenças na Champions, que tem uma taçazita internacional e que agora é dirigido por um palerma com a mania que é gente, que nos vai desviar da nossa mira. O alvo a abater vai continuar a ser o vizinho da segunda circular.

13 novembro, 2014

FESTEJAR EMPATES?!

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Ganhar, ganhar, ganhar, ganhar... Educaram-me assim, o Porto educou-me assim, e não consigo ser de outra forma. Como tal, é fácil perceber que não festejei o golo do Olíver, no domingo, no Estoril. Ao contrário da maioria que assistia ao jogo no topo norte do estádio, não me mexi, nem pestanejei; mantive-me impávido e sereno, tal como o meu irmão, eterno companheiro de missão. Festejar o quê? Um empate num jogo que tínhamos a obrigação de ganhar por 2 ou 3?

É raro, muito raro, celebrar um golo que não significa mais do que um empate. O último foi no jogo na Ucrânia, contra o Shakthar - e mesmo aí, foi mais por raiva do que por alegria, porque devíamos tê-lo ganho. Foi uma exceção à regra, porque nos últimos anos, se não me falha a memória - e ela já é bem capaz de falhar - lembro-me de ter festejado verdadeiramente o golo do Adriano em Paços de Ferreira, decisivo para o título de 2008/2009, ou o do Mariano, no 2-2, em Manchester, em 2010, nos "oitavos" da Champions.

Bem sei que mais vale um ponto do que zero, que um empate pode até ser um mal menor, mas no domingo, no Estoril, aquele resultado foi um mal maior, uma derrota. Como podia eu, portanto, festejar aquele golo no último minuto de um jogo que devia ter sido ganho facilmente, sobretudo depois de mais um roubo que se assistiu na Choupana? Sim, porque este ano já percebemos que as ajudinhas são todas para o mesmo e que nós vamos jogar, quase sempre, contra 11 jogadores e três ladrões. Ganhar vai ser muito mais difícil, não tenham dúvidas.

Não festejei o empate, nem sequer aplaudi os jogadores, no fim, ao contrário de outros palhaços que estavam na minha bancada, que pertencem à categoria de palhaços que depois abandonaram o estádio a rir-se, em amena cavaqueira, como se o Porto tivesse ganho e feito uma grande exibição. Nós, adeptos, aqueles que saíram de casa à hora de almoço e só chegaram a casa às 3 da manhã de uma segunda-feira de trabalho, depois de fazerem 700 quilómetros de camioneta, poucos dias depois de terem feito quase 1500 quilómetros para estar em Bilbao, esses, sim, é que deviam ter sido aplaudidos por eles, jogadores e treinadores.

30 outubro, 2014

O ASSOBIO DEVIA SER PROIBIDO.

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Acompanho o Porto há quase 20 anos, falhei dois jogos em toda a história do Dragão e continuo a assistir a determinados comportamentos, atitudes e manifestações, que me deixam piurso e que deviam ser proibidas, algumas delas passíveis de serem devida e severamente punidas.

Caso não tenham reparado, encontram-se afixados em alguns locais do estádio placards que enunciam o regulamento de acesso e permanência no recinto. Já me dei ao trabalho de ler do início ao fim: é extenso, mas, a meu ver, insuficiente; a merecer uma adenda urgente. E como associado, sinto-me, portanto, no direito de sugerir meia dúzia de novas regras.

1 – É expressamente proibido o uso do som agudo resultante da passagem do ar pelos lábios quase fechados, vulgarmente designado por assobio, durante o jogo, dirigido a um jogador do FC Porto, que comete um erro, ou à equipa, porque não está a jogar de acordo com as expectativas dos adeptos. Essa manifestação só é permitida apenas no fim do jogo, se por acaso esses adeptos ainda lá se encontrarem, porque o mais provável é terem abandonado o estádio, "porque a equipa não está a jogar nada".

2 – É obrigatório todos cantarem o hino do FC Porto quando ele começar a tocar nas colunas do estádio e acompanhar sempre que possível as claques nos cânticos mais conhecidos.

3 – Se é proibido entrar no estádio com comida, também deve ser proibido o acesso a alguém vestido com uma peça de roupa visível de cor vermelha, sob pena de lhe ser barrada a entrada no recinto. Os adeptos portistas devem vestir-se de azul ou cores neutras e, de preferência e sempre que possível, munidas de um acessório alusivo ao FC Porto.

4 – Salvo alguma incapacidade física, é obrigatório participar sempre nas coreografias que são preparadas pelo clube e pelas suas claques no início dos jogos. Naqueles momentos, não se deve estar a filmar ou a tirar fotografias para ir a correr publicá-las nas redes sociais. Caso alguém seja apanhado de máquina fotográfica, telemóvel ou tablet em punho, fica sujeito a ficar sem o equipamento, que só lhe será devolvido no fim do jogo.

5 – É proibido abandonar o estádio antes do término da partida para fugir ao trânsito ou evitar filas no metro, sobretudo quando o resultado não é favorável ao FC Porto.

6 – Quem for apanhado pelas forças de segurança a danificar cadeiras ou qualquer outro objecto do estádio é punido com um jogo de interdição e obrigado a suportar a despesa do arranjo do objecto danificado.

Perdoem-me o radicalismo, acusem-me de tirania e de autoritarismo, compreendo que possam achar as regras pouco democráticas, outras até exageradas, mas se todos os portistas cumprissem, pelo menos, as duas primeiras desta lista, sem assobios e com um Dragão infernal, podem ter a certeza de que ganharíamos muito mais vezes, de que seriamos felizes muito mais vezes.

03 outubro, 2014

COMPLEXO DE INFERIORIDADE.

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Chegou ao futebol há meia dúzia de meses e já não tenho pachorra para ouvir aquela voz de bagaceira. Quando aparece na televisão, tenho que mudar logo de canal; quando o ouço na radio, avanço depressa para outra estação. Mete-me um asco tão grande que se o vir à minha frente, não garanto que ficar de mãos nos bolsos, apesar das boas maneiras que os meus pais me souberam dar. Mais do que repulsa e náuseas, a figura dá-me, sobretudo, pena.

No início, até lhe achei uma certa piada: um homem das bases, que ganhava umas eleições num clube de cocós, trazia um discurso combativo, ambicioso, que parecia marcar uma rotura com o passado penoso e desastroso dos seus antecessores. Foi sol de pouca dura, porque rapidamente resvalou para a demagogia pura, o populismo primário, o insulto gratuito, a piada seca, o belicismo estúpido; entrou no circo e virou palhaço.

Tenta desempenhar um papel para o qual não tem talento, tenta interpretar uma personagem gasta desfasada dos tempos modernos. Tenta ser alguém que nunca há-de conseguir ser, a quem nunca chegará sequer aos calcanhares, que nem uma sombra conseguirá ser, que nem um décimo há-de ganhar. Tenta ser engraçado, mas caminha para a desgraça, depois de já ter caído completamente no ridículo. Os comunicados por tudo, por nada e por mais alguma coisa; as conferências de imprensa dia sim, dia não; o famoso movimento “Basta” (ainda alguém se lembra dele?); e as aparições em tudo que é canal, mesmo que sejam os inenarráveis programas da manhã da TV portuguesa. Qualquer dia não se admirem se o virmos entrar na “Casa dos Degredos”, porque qualquer palhaço gosta de palco e naquele ele até nem ficava mal.

Passa a vida a falar do Porto, vive obcecado pelo nosso presidente, que o deixa – e muito bem – a falar sozinho, qual tolinho. Porque tem inveja, de nós, das nossas vitórias e das nossas conquistas, de tudo o que nós temos e que eles não têm. Ainda agora chegou e já pensa que é gente grande e não ganhou nada, nadinha. Não passa de um tolinho, de um pobre coitado que manda num clube falido que tem a mania que é grande, mas que tem tantos campeonatos quanto nós temos presenças na Liga dos Campeões. Disse o moço que nós encarámos o jogo contra o clubezeco dele como se fossem favas contadas. Mais do que só obsessão, mais do que inveja, isto tudo não passa de um tremendo e incurável complexo de inferioridade que lhe tolhe o discernimento e a parca inteligência com que Deus o brindou. Festejou um empate como se fosse uma vitória e eu lamentei-o como se tivesse perdido, porque ando desejoso de vê-los levar uma coça, como aquela que demos há três anos aos vizinhos da frente. Pode ser que seja já daqui por duas semanas, na eliminatória da Taça de Portugal. Não sou crente, mas acreditem que até já ando a pedir aos deuses para que a coisa lhes corra muito mal.

19 setembro, 2014

RUFO NA RIFA.

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Estava-se mesmo a ver. Na sexta-feira, a jornada começava com os carneiros a ganhar – com uma ajudinha de um golo limpo anulado ao adversário -, no sábado os lagartos somavam o terceiro empate em quatro jogos para fúria do moço dos comunicados. No domingo, e face ao resultado do Rio Ave, uma vitória no jogo em Guimarães atirava-nos-ia para a liderança isolada do campeonato. Mas aconteceu o que eu pressentia, quando se soube quem é que o dirigia.

Quem eu não conhecia era um tal de Valter Rufo, um dos assistentes, tal como o Baptista natural do Alentejo, terra farta de merda, de benfiquistas e comunistas -, que não viu um penálti claro sobre o Brahimi, na primeira parte, mas viu foras-de-jogo que não existiam para nos roubar dois golos feitos, na segunda. Num dos lances, ainda corria qual cão esbaforido, e já tinha levantado a bandeirola, no outro levantou-a quando a bola já estava dentro da baliza. Estranhei o comportamento do senhor, que ainda nos gamou dois cantos claros a nosso favor, mas não estranhei quando se descobriram as suas cores. Estava-se mesmo a ver. O caldinho foi bem cozinhado, pois claro, porque nós não podíamos, fosse de que forma fosse, ficar sozinhos em primeiro, ainda mais com a possibilidade de, daqui por duas semanas, deixarmos Alvalade com os lagartos a longos nove pontos do poleiro.

Nada a que não estejamos habituados: sejamos ou não os melhores dentro do campo, temos que ser sempre os mais roubados. Por isso, meu caro Julen Lopetegui, é bom que te habitues rápido, é preciso jogar mais, muito mais, e não dar 45 minutos de avanço ao adversário, como tem acontecido em alguns jogos. É que se num campeonato normal, para se ganhar, chegaria ter o melhor presidente, bastaria ter o melhor plantel e os melhores jogadores, aqui é preciso correr muito mais do que eles, ser sempre muito melhor do que eles do primeiro ao último minuto, porque Rufos como este vão certamente sair-nos na rifa muito mais vezes durante a época.

04 setembro, 2014

OS PORTISTAS DE PIPOCA.

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Há quem assista a um jogo de futebol como se tratasse de uma peça de teatro, um concerto de música ou uma sessão de circo. Tudo é arte, de facto. E apesar de os rituais, nos dias que correm, serem mais ou menos semelhantes - compram-se pipocas, gomas ou cachorros, bebidas alcoólicas ou não conforme os gostos e as idades dos públicos - na sua essência e natureza, o futebol, ou outra qualquer modalidade, é diferente de todas as outras formas de expressão artística.

Desde logo o jogo tem a imprevisibilidade, a incerteza, que todas as outras não têm. O que provoca naturalmente emoção junto do público, um sem número de reacções verbais ou não verbais, uma menos irracionais do que outras. A pior de todas elas é o assobio, uma forma de manifestação hostil a que se deveria recorrer apenas e só contra o árbitro ou o adversário, nunca contra uma equipa, um jogador ou um treinador do nosso clube, dentro da nossa própria casa. É feio, muito feio.

Bem sei que a exigência sempre distinguiu a nossa massa adepta, mas isso não pode descambar para o capricho ou para a estupidez. Porque é disso que se trata quando, por exemplo, se assobia um treinador que não faz a substituição que se quer, que deixa o Quaresma no banco durante o jogo todo, como contra o Lille, ou o tira da equipa em vez de outro, como no último jogo.

Os filmes em torno dos assobios já enjoam. Podemos discutir se o método utilizado pelo treinador para o testar – porque foi isso que fez em Lille, quando o fez entrar a cinco minutos do fim – foi ou não o mais adequado, mas a verdade é que Quaresma reprovou no exame em toda a linha, com aquela atitude durante o tempo em que esteve no campo e depois quando recusou ir cumprimentar os adeptos que tantos esforços fizeram para estar lá a apoiar. Meninos mimados aqui não têm lugar, só lá em baixo, na segunda circular.

É, aliás, assim que eles nunca mudarão se persistirem os assobios estúpidos para o treinador e os aplausos excessivos para o jogador. Por culpa destes adeptos que tomam estas atitudes irracionais, os portistas de pipoca, aqueles que são capazes de não pôr os pés no estádio quando as coisas não correm de feição, "porque o treinador é uma merda" ou "porque eles não jogam nada". São os mesmo que assobiam a equipa ou um jogador quando não estão a jogar bem, como se isso não contribuísse apenas para desestabilizá-los ainda mais. E é por isso que digo sempre que prefiro um estádio com 20 mil todos a apoiar do que um estádio com 40 mil e ter uns milhares de estúpidos que preferem assobiar enquanto comem um cachorro ou seguram um balde de pipocas. Esses, mais vale ficarem em casa, no sofá. Ou então, se já lá estão e não estão a gostar do que vêem, façam como se faz no teatro, no cinema ou no circo: levantem-se da cadeira e abandonem o estádio. É um bom serviço que prestam à arte, é um favor que fazem ao futebol.

22 agosto, 2014

PORTISTAS COMO NÓS.

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Chegou cá como uma promessa, saiu como uma estrela, a troco de 45 milhões de euros. Em apenas três anos, ganhou outros tantos campeonatos, uma Liga Europa, uma Taça de Portugal e três Supertaças – bem mais do que Jesus em seis. James Rodriguez esteve cá pouco tempo, mas chegou e sobrou para se tornar portista, para se tornar um dos nossos.

No dia em que assinou pelo Real Madrid, coroado pela classe fenomenal que passeou no Mundial, fez questão de ligar ao Presidente para dizer que o Porto continuará a ser o seu clube do coração, apesar de ter assinado não pelo maior, mas por um dos clubes mais ricos do mundo, porque o maior é mesmo o nosso. Não surpreende. Aliás, só surpreende quem anda distraído ou, pura e simplesmente, quem prefere renegar a realidade. James foi apenas o último a ser conquistado por nós, mais um, no meio de tantos outros num passado recente ou mais distante. Madjer, Yuran, Aloísio, Jardel, Deco, McCarthy, Lucho, Lisandro, Hulk e até o Sapunaru, que nunca foi um titular indiscutível, tornaram-se devotos do azul e branco. E até portugueses que outrora torciam por outros clubes renderam-se a estas cores, como Maniche, Raul Meireles ou João Moutinho. Cito apenas alguns, não os nomeio todos, sob pena de este texto não ter fim.

Os ignorantes dirão: conquistam títulos, são reconhecidos internacionalmente, como não hão-de ficar gratos ao clube? Ganhar ajuda, pois claro, mas não chega. É preciso dar-lhes condições para isso. E aqui não faltam, dão-se todas, mesmo aquelas que, à primeira, vista parecem mais insignificantes. Há uns tempos, confidenciava o Varela a um amigo meu: “Não há clube igual em Portugal. Aqui só precisamos de nos preocupar em jogar, mais nada. Todo o problema, mais ou menos grave, que tenhamos, o clube resolve, não deixa que nos falte nada.”

Não permite, por exemplo, que os jogadores viajem de táxi do aeroporto para casa quando regressam de um compromisso com a selecção, como já aconteceu com as agremiações da capital. Nem permitiria ataques de jornalistas, em pleno aeroporto, a “reforços”, que nem sequer assinaram contrato, como se passou com o grego que chegou ontem à capital. E muito menos admitiria o circo que se montou na Portela com a chegada do Nani. Se fosse em Pedras Rubras, o moço tinha saído por uma porta secundária, evitando empurrões, abraços e afins de gajos com cheiro a suor ou outros odores desagradáveis. Quer queiramos quer não, os jogadores já não estão para se sujeitar a estas chatices. Há quanto tempo não se vê um reforço chegar ao aeroporto do Porto e fazer o mesmo trajecto de saída que os demais passageiros?

São pormenores - ou “pormaiores” – que fazem toda a diferença e que os profissionais de futebol valorizam cada vez mais, nos dias de hoje. O segredo de tantas vitórias não é só escolher os melhores, é também dar aos melhores o melhor, para que mais tarde possam vir a descobrir que ser portista é condição necessária e suficiente para se ter uma vida feliz.

10 julho, 2014

ANEDOTAS DE VERÃO.

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Com o Mundial a acabar e a pré-época a começar, chega a altura mais divertida do ano, das graças, das graçolas, e das gracinhas que certa comunicação social vai oferecendo aos crentes, aos estúpidos e aos parolos que as comem sem pensar.

E a silly season arrancou da maneira mais hilariante: um central que tinha uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros, cujo presidente do clube a que pertencia já havia garantido por diversas vezes que só aceitaria negociar ofertas daquele valor é vendido por seis milhões, dos quais 2,4 milhões correspondem a lucro: 600 mil euros foram para aquele nebuloso e misterioso fundo e três milhões foram para o outro clube que detinha metade do passe.

E ainda temos a reposição da novela do guarda-redes eslovaco cujo paradeiro, tal como há um ano, não se conhece. Se na primeira vez desapareceu, porque o Jesus não o queria, agora diz-se que se pisgou para Madrid sem dar cavaco a ninguém e que o Atlético vai pagar a cláusula de rescisão, que afinal são 16 milhões de euros e não 20 que os jornais andaram a vender.

Engraçado é também o negócio de dois jogadores do mesmo clube que em Janeiro foram vendidos a uma sociedade que ninguém conhece, que estavam para ir para o Valência, mas que continuam a treinar lá, porque ninguém sabe para onde vão. Um deles, que ainda há dois anos era júnior, que na época passada fez meia dúzia de jogos pela equipa principal e nem sequer internacional A ainda é, foi vendido, pasme-se, por 15 milhões de euros, repito 15 milhões de euros! Mas alguém com dois dedos de testa acredita nesta?!

Nos vizinhos da frente, a coisa também tem piada. A última anedota é a de que o avançado suplente seria vendido por 12,5 milhões a um clube inglês. Ou andamos todos malucos ou então só mostraram aos “bifes” os vídeos dos jogos dele do Mundial e a meia dúzia de golos que marcou na época passada. Mas mais hilariante ainda é a notícia que saiu há uns dias num pasquim da capital segundo a qual a lagartada tinha ganho ao nosso clube a contratação de um japonês - que nem na fortíssima selecção do Japão joga - e que custou pouco mais de 500 mil euros. É inacreditável, mas há quem coma estas bojardas sem pestanejar.

Mas quem não deve ter muitos motivos para rir é o presidente do clube quase falido, e que, pressionado pela banca, não vê maneira de vender o Rui Pateiro e o trinco que não chega aos calcanhares do saudoso Fernando, pelas cláusulas que nem em sonhos algum dia vão ser accionadas, não só porque os potenciais interessados conhecem bem a situação financeira da casa e sobretudo porque foram um fiasco no Mundial, nomeadamente o guarda-redes.


Divertida é o concurso que anda praí “do meu passivo é maior que o teu” que domina a guerrinha que os dois vizinhos andam a fazer e os pasquins da capital se esforçam por alimentar. É mesmo caso para dizer, graças a Deus sou Dragão, não nasci lagarto nem lampião.

20 junho, 2014

MUNDIAL NOBRE E LEAL.

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Já escrevi aqui mais do que uma vez: não sou patriota, daqueles que vibram com a selecção, muito menos patrioteiro, como aqueles parolos que colocam a bandeira vermelha e verde na varanda de casa ou na antena do carro. Por isso, mesmo em campeonatos do mundo ou em europeus, sempre que me perguntam por quem sou, a minha resposta é pronta: pelo PORTO.

Desta vez, portanto, torço pelo Beto, pelo Bruno Alves, pelo Moutinho e pelo Varela, pelo Reyes e pelo Herrera, pelo Jackson e pelo Quintero, pelo Ghilas, e até pelo Defour para ver se o despachamos o mais rápido possível. E só não torço pelo saudoso Incrível, porque joga na mesma equipa do cabrão do Scolari.

Sou capaz de festejar se algum deles marcar um golo, fico feliz se jogam bem ou quando ganham, porque no fundo também são as nossas cores que eles estão a representar. Quero sempre que eles brilhem, desde que as respectivas equipas não sigam muito longe na competição, porque a prioridade a preparação para a nova época – e este ano, por causa do playoff da Champions, isso torna-se ainda mais importante. O PORTO acima de tudo.

Nesse sentido, o baile que a selecção de todos eles levou há dias só me incomodou por ter sido dado pelos alemães, até porque o Varela nem sequer jogou e o Moutinho foi o menos mau de todos. De resto, deu-me um gozo enorme ver as fífias do Rui Patrício, a mostrar ao mundo que com aqueles pés de barro nem em sonhos valerá 15 milhões. Deu-me gozo ver o adeus do Coentrão ao Mundial ou as asneiras do André Almeida e ver que o burro do seleccionador foi o maior responsável pela mais humilhante derrota em fases finais de grandes competições.

Os mais sensíveis, os patriotas e os patrioteiros, perdoem-me estes desabafos, mas não consigo ser de outra forma: por muito que tente, não sou capaz de apoiar uma equipa que tem no banco o Paulo Bento, no campo tipos como o João Pereira, o Rúben Amorim, o Coentrão, o André Almeida, o Patrício ou o Ronaldo e na estrutura directiva gajos como o Humberto Coelho, o João V. Pinto ou o Hermínio Loureiro.

Ainda assim, esta é a única altura do ano em que me delicio a ver futebol, de forma quase totalmente desapaixonada: vibro com os grandes jogos, com as jogadas geniais ou os golos de antologia ou com as defesas espectaculares. Desde, claro, que não haja pelo meio um jogador dos lagartos ou dos lampiões.

Por falar neles, confesso que até agora, em vários dos quase todos os jogos do Mundial que já tive a oportunidade de assistir, já encontrei um cachecol, uma camisola ou qualquer outro adereço do nosso clube nos estádios brasileiros, mas não vi nenhum que fosse daqueles camelos. Só pode ser “facciosismo visual”, mas sempre que vejo o nosso azul e branco no Brasil é inevitável sentir aquele orgulho nobre e leal.

06 junho, 2014

PAULO, O TRISTE

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Foi o sétimo treinador a ser despedido em 32 anos de liderança do presidente mais titulado da história do futebol mundial, o quinto a ser recambiado a meio da época e o primeiro a ser despedido tão tarde numa temporada. Foi com ele que sofremos a primeira derrota em casa, para o campeonato, em mais de cinco anos, ao fim de 81 jogos; com ele quebrámos um ciclo invicto de 55 jogos no campeonato; com ele assinámos o seu segundo pior desempenho de sempre em 18 presenças na fase de grupos da Liga dos Campeões e o pior registo caseiro de sempre na prova, sem qualquer vitória. Paulo Fonseca foi, provavelmente, o treinador que mais recordes negativos bateu em toda a história deste clube, o que não surpreende se tivermos em conta o seu percurso, ainda antes de ser contratado.

É verdade que falhou em toda a linha, é mentira que tenha sido o único culpado pelo pior Porto da década, mas isso são contas de outro rosário. A história começou a escrever-se por linhas tortas logo no início. Primeiro, a hesitação evidente na escolha do sucessor de Vítor Pereira. Manuel Pellegrini era o desejado, foi contactado, houve conversações, mas o City meteu-se no caminho e levou-o para Manchester. Fonseca não terá sido sequer a segunda opção, mas ganhou a corrida a Marco Silva e acabou por ser contratado a um mês do início da época, acabadinho de sair da escola, onde concluiu o nível 5 do curso de treinador.

Apesar de ter levado o Paços de Ferreira à Champions, numa época em que a lagartada andou de rastos e em que os outros adversários nunca foram capazes de apresentar a devida regularidade de resultados, nunca fui um entusiasta da contratação de Fonseca. Primeiro, sempre se afirmou sempre ser um discípulo de Jesus, chegando a dizer que era o melhor do mundo. Segundo, porque nunca soube o que realmente é um clube grande, nem como jogador. Terceiro, porque ao contrário dos últimos treinadores que por cá passaram, como Mourinho, Villas-Boas ou Vítor Pereira, não fazia a mais pálida ideia da realidade deste clube.

Apresentado com toda a pompa em directo no Porto Canal, com aquele corte de cabelo que mais parecia um jogador, o primeiro discurso foi pobre, paupérrimo. O resto, todos nós já sabemos: a insistência num sistema táctico com duplo pivô, que nunca funcionou, a incapacidade para potenciar jogadores, a colocação de Lucho numa posição imprópria para um jogador de 33 anos com aquelas características, acabando por empurrá-lo para o Dubai. Sim, porque o jogador não foi embora só porque lhe acenaram com um ordenado estratosférico, mas também porque não acreditava no treinador nem nas suas ideias peregrinas.

Fonseca não estava mesmo preparado para isto e chegou mesmo a reconhecê-lo, quando um dia se queixou que não tinha tempo para trabalhar, porque tinha dois jogos por semana para preparar. Não disse isto na Mata Real, foi mesmo numa conferência de imprensa no Olival.

Depois, quando os resultados começaram a não aparecer, entrou na sua fase decadente, com alarvidades de deitar as mãos à cabeça, como “a confiança cega” na reconquista do campeonato ou como a confusão com o nome do adversário na Liga Europa, que não aconteceu apenas em público, mas, pasme-se, também no próprio balneário. Aí, Fonseca já estava completamente desorientado, de tal forma que quando foi tratar da sua saída, teve o despudor de sugerir o amigalhaço que treina o Guimarães – curiosamente outro bajulador de Jesus - para lhe suceder no comando técnico. Impensável. Inaudito.

Como impensável seria a sua presença num conhecido programa de televisão da RTP, onde seria previsivelmente ridicularizado e alvo de chacota. Um treinador jovem, que falhou redondamente no primeiro grande desafio da carreira, não se prestaria a um papel daqueles, mas ele aceitou prestar-se e a falar de tudo e sobre tudo. Se o futebol tivesse lógica e se os empresários não mandassem nisto, Fonseca nunca mais na vida seria treinador, mas pelos vistos vai regressar ao Paços, de onde nunca deveria ter saído.

23 maio, 2014

27 ANOS?!

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Há 27 anos, não havia internet, não sabíamos o que era um site, um blogue, o que era o Facebook ou o Twitter. Não havia telemóveis, só havia telefone com fios. Ainda se ia à loja revelar fotografias, o caminho ainda era longo até ao digital. Quase ninguém tinha computador, quando muito uma máquina de escrever, ninguém sabia o que era o microondas, muito menos o que era comer um hambúrguer no Mac Donald’s? Só tínhamos um canal de televisão, que transmitia um jogo de futebol por jornada e que ainda excitava o país com o festival da Eurovisão. O Alf era o herói televisivo dos miúdos e graúdos, que só agora começavam a saber o que era jogar Sega e Nintendo. Não havia CD nem DVD, só havia cassetes, discos, e ninguém sabia o que eram disquetes. A auto-estrada a ligar o Porto à capital ainda era uma miragem, não fazíamos ideia do que eram portagens ou a via-verde. Ainda pagávamos em escudos ou em cheques, porque não havia cartões ou caixas multibanco. Tínhamos acabado de entrar na União Europeia.

Há 27 anos, o Cavaco ainda não estava cheché e era primeiro-ministro, o Muro de Berlim ainda nem sequer tinha caído, o Irão e o Iraque estavam em guerra, a Rússia ainda era URSS, o Líbano vivia em guerra civil e a famosa Praça de Tiananmen ainda esperava o protesto que reivindicava democracia para a China.

Há 27 anos, no futebol, os jogadores ainda usavam bigode e calções curtos e justinhos, eram permitidas duas substituições, era considerado em posição de fora-de-jogo o jogador que estivesse na mesma linha do seu penúltimo adversário, os treinadores ainda não tinham área técnica e o guarda-redes ainda podia agarrar com as mãos uma bola passada com o pé pelo companheiro de equipa. Lei Bosman? O que era isso?

Há 27 anos, sagrávamo-nos campeões europeus pela primeira vez e nesse mesmo ano levantávamos uma Supertaça Europeia e uma Taça Intercontinental. Desde então, ganhámos 18 campeonatos, 11 Taças de Portugal, 16 Supertaças, uma Liga dos Campeões, duas Taças UEFA e fomos outra vez campeões do mundo.

O mundo mudou muito, o futebol também, mas eles estiveram este tempo todo sem ganhar um campeonato e uma Taça de Portugal na mesma época. É apenas uma “dobradinha”, mas eles têm o topete de dizer que fizeram o "triplete", com uma taça a que nem liga. Dizem que fizeram história e têm razão, porque ao ritmo que têm ganho, nos próximos tempos, só poderão voltar a vivê-la no canal memória.

09 maio, 2014

PORTISTAS SEM MEMÓRIA

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Pior do que os ver a ganhar, pior do que os ver em festa, pior do que pensar na possibilidade de os ver ganhar tudo, pior do que imaginar uma época assim, muito pior do que isso tudo, é ver que há no nosso clube sócios, adeptos ou simpatizantes com falta de memória. Como se nos últimos dez anos, tivéssemos festejado dois campeonatos e umas míseras Taças da Liga, como se não conquistássemos um troféu internacional há mais de meio século, como se no ano passado tivéssemos tão perto de ganhar tudo e não tivéssemos ganho nada.

Um ano mau, péssimo, onde se cometeram erros - pouco habituais, reconheça-se, serve para pôr tudo e todos em causa, para antever derrotas e tragédias futuras e serve até, pasme-se, para prenunciar a queda do homem que nos deu tudo e a quem devemos o que somos hoje. Pedem a cabeça do Antero Henrique, que há dois anos só não foi para o Chelsea porque não quis, atiram-se ao Adelino Caldeira, o maior responsável por termos ganho todos os processos judiciais em que estivemos envolvidos, desde a presença na Liga dos Campeões que o Platini nos quis tirar há uns anos, até às historietas da Taça da Liga. E ainda se atiram comissionistas, que gravitam à volta da SAD, como se eles nunca tivessem existido no passado.

Fico tão espantado com o que tenho visto escrito nas redes sociais, que às vezes até me questiono se alguns são, verdadeiramente, portistas. Dizem que o presidente está velho, doente e ultrapassado, que já não tem mão naquilo, que a o clube está minado e à beira da bancarrota, que o Antero tem que ser despedido, que é necessária uma limpeza na SAD... E até já vi o que nunca imaginei ser alguma vez possível: gente, em quem nunca pus os olhos em cima numa Assembleia-Geral a pedir eleições antecipadas...!

Gente desmemoriada. Mais do que isso, gente ingrata. Gente que já não se lembra de que estivemos 19 anos sem sermos campeões, gente que se esquece o que era este clube nos terríveis anos 50, 60 e 70, que se esquece dos inúmeros títulos que ganhámos no futebol, no hóquei, no andebol e no basquetebol. Gente que se esquece quem foi que construiu o esplendoroso estádio, o magnífico pavilhão ou admirável museu. Gente que se esquece que em duas décadas deixámos de ser um clube regional para sermos um clube de topo na Europa, respeitado e prestigiado a nível mundial. Gente que esquece da “chama acesa em Viena por um calcanhar vagabundo”, da glória em Tóquio, em Sevilha, em Gelsenkirchen e em Dublin. Que se esquece que somos adeptos do único clube português a conquistar um “penta” na história do futebol português, de termos festejado um campeonato nas barbas deles, de lhes ter espetado cinco no Dragão e no salão. Gente que pensa que o campeonato do ano passado resultou, apenas e só, de um golpe de sorte. Gente que já estava pronta a criticar a escolha do treinador sem sequer o conhecer. Gente que parece ainda não ter percebido que clube é este.

A esses só tenho mais uma coisa a dizer: para o ano falamos.

25 abril, 2014

CRÓNICA DE UM ADEPTO TRISTE

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Faltam palavras, parece que falta ar. Dói o coração, dói a alma, como quando dói sempre que sofremos um golo. Já não acordo a pensar quantos dias faltam para ir ver o Porto, mas quanto tempo falta para isto acabar. Já não sou capaz de olhar para a classificação da Liga que vem todos os dias publicada no jornal, deixei de ver os outros jogos do campeonato português, por respeito à minha saúde e à minha sanidade mental. Depressa cheguei à conclusão que ficava ainda pior mais indisposto, irritado, mais fod****, ainda pior com a vida. Há quatro anos que não fazia ideia do que era estar assim, há duas semanas que ando pior do que estragado.

O regresso da capital, na madrugada de quinta-feira, depois daquilo que vi no salão, pareceu demorar uma eternidade, tal e qual aqueles mais de 700km que separam Sevilha do Porto, na semana anterior. Vim a zarpar desde as portagens de Alverca, veio tudo no carro com um cabeça descomunal que cheguei a ter dúvidas que coubéssemos todos no carro. A viagem demorou pouco mais de duas horas, que mais pareciam quatro, tal o silêncio sepulcral que se instalou no carro. No dia seguinte, não saí de casa, não li jornais, não vi notícias, não tive vontade de fazer absolutamente nada. Aquele jogo ainda me continua entalado na garganta. Mais do que ganhar aos porcos e impedir que eles limpem tudo este ano, eu queria mesmo era ir a Oeiras ganhar a Taça, para depois começar a próxima época a ganhar-lhes mais uma Supertaça, como na memorável temporada da suprema humilhação.

Admiro aqueles que a seguir a um resultado mau, conseguem esquecê-lo rapidamente, abrir um sorriso e continuar a vida como se nada tivesse se tivesse passado. Infelizmente, não sou capaz de ser assim, por muito que se fartem de me lembrar que isto é apenas um futebol, que há mais vida para além disto, que o Porto não é tudo na vida. Mas se foi o Porto que me deu as maiores alegrias da minha existência, como é que não posso ficar de mal com a vida quando me dá tristezas?

A ressaca daquele jogo custou tanto a curar que decidi fazer um retiro. E que dia melhor para o fazer se não no domingo passado? Mandei-me sozinho para as montanhas do Gerês e por lá fiquei até ao dia seguinte, até perto da hora da missa no Dragão. Sem internet, sem televisão, sem rádio, desligado do mundo. Longe do pó que se levantou entretanto e que poderia causar-me uma valente crise de bronquite asmática. Longe da poluição atmosférica, visual ou sonora, longe de tudo. E que bem que me soube.

Mas soube a pouco. Por mim ficava lá até Maio, até tudo isto acabar, mas há ainda duas batalhas que quero ganhar: no domingo e depois no dia 11. Nem que seja aos 92. Não acabamos a época campeões, não apaga a dor - atenua-a -, mas pelo menos acabamo-la a matar lampiões.

29 março, 2014

A SORTE FOI-SE AOS 92

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Dragão, minuto 77 do último baile aos mouros: Jackson ganha um ressalto na área, remata à meia-volta e a bola segue caprichosamente em direcção ao poste. Quantas vezes viram esta época um filme parecido? Se não foi em todos os jogos, foi quase, de tal forma que já lhes perdi a conta. Confesso que não tenho memória de um ano como este, com tantos golos negados pelos ferros, com tanta falta de sorte.

Se isto não aconteceu em todos os jogos, não deve andar muito longe disso. Admito até que haja aqui alguma dose de facciosismo, pelo que ficaria muito grato aos amantes das estatísticas e aos analistas da bola que se debruçassem sobre esta questão. Numa breve retrospectiva aos jogos desta temporada, recordo-me de alguns e escapar-me-ão, certamente, outros mais, em que os postes impediram-nos de festejar: em casa com o Belenenses, com o Arouca (em casa), com os lagartos em Alvalade, em Guimarães, em Coimbra, nos dois jogos com o Nápoles e o Atlético de Madrid e com o Zenit no Dragão… Se todas elas tivessem entrado, se o Paulo Fonseca tivesse ficado no Paços, provavelmente estaríamos ainda a lutar o título e não tínhamos sido eliminados da Champions. Essa é que é essa, mas o futebol não vive de “ses”.

É verdade que andámos a dormir durante oito meses, que não jogámos nada, que houve erros na escolha do treinador e na constituição do plantel, mas também é justo dizer que não temos tido sorte absolutamente nenhuma. Sempre ouvi dizer que ela dá muito trabalho, diz o provérbio que protege os audazes, mas isso não passa da teoria. Porque na prática, pelo menos no que a nós nos diz respeito, ela cai redonda por terra, aos trambolhões.

E nem sequer me atrevo a falar dos remates que foram ter miraculosamente com o guarda-redes ou que foram desviados a meio do caminho pelos adversários, nem nos golos esbanjados nos minutos finais dos jogos, nem tão-pouco nos sorteios das competições. Preferiam começar a meia-final da Taça no salão de festas? Peguem lá, é ao contrário. Desejavam os holandeses nos “quartos” da Liga Europa? Tomem lá os espanhóis. Querem um calendário acessível na recta final do campeonato? Queriam, isso é para os “mijões” de lá de baixo - levem agora com um ciclo infernal com uma ida à Madeira, uma recepção ao Sevilha e à Académica, uma visita a Espanha, depois uma viagem a Braga seguida de outra ao salão de festas. De facto, este ano, a sorte, até agora (não vá o diabo tecê-las!), não quer nadinha connosco. Quis tudo no épico minuto Kelvin e depois pisgou-se para outras bandas, com a promessa de demorar a voltar. Até quando...?

15 março, 2014

Se nós fossemos como eles

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Andam por aí a dizer que ressuscitámos, que ainda estamos vivos, como se nós alguma vez tivéssemos morrido. Não nos conhecem, de facto, teimam em viver na triste ignorância a em acreditar que nós somos como eles, por muito que a história (e as vitórias) passada e (tão) recente prove exactamente o contrário. Porque se nós fossemos como eles, isto já estava tudo a arder, o mundo já tinha entrado em avançado estado de desabamento.

É que se nós fossemos como eles já estaríamos, por esta altura, sentados no sofá, a ver as competições europeias pela TV, a penar durante a semana, a contar os dias para domingo chegar. Perguntem aos lagartos, que eles sabem tão bem o que isso é. Mas como nós não somos eles, despachámos os alemães, à rasca, é verdade, mas com um coração tão grande a que nem as fragilidades de um treinador à deriva resistiram. Se fossemos como eles, já estávamos a rezar para a época acabar, porque isto já não dava para aguentar.

Se nós fossemos como eles, certamente que teríamos sido humilhados pelo Nápoles, como uns foram envergonhados pelo Bayern de Munique, e como outros foram esmagados pelo Celta de Vigo ou pelo Olympiacos. Figuras dessas faríamos, mas só se fossemos como eles.

Aliás, se eles por esta altura estivessem em terceiro lugar a nove pontos do primeiro, já não era possível viver neste País tamanha era a choradeira contra tudo e contra todos, a ameaçar os árbitros com tribunais, e contra aquela coisa a quem resolveram chamar sistema, que não é mais do que azia. Já tínhamos vindo chorar para as conferências de imprensa, já tínhamos criado manifestos, já tínhamos ido fazer queixa ao Cavaco, ao Passos Coelho, ao Platini e até ao Papa, se fosse preciso.

Se nós fossemos como eles, por esta hora estávamos mesmo mortos e enterrados, a pensar na próxima época, a rezar para esta acabar. E como nós não somos eles, não estamos a renascer nem a ressuscitar, apenas acordámos, porque, estivemos durante nove meses adormecidos.

02 março, 2014

Carta aberta ao Kelvin

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Continuo sem perceber por que razão não jogas desde o Janeiro, nem sequer na equipa B. Não sei o que fizeste, não sei se foste apanhado na noite, se te portaste mal no treino, se te mandaste para cima do treinador. Se não estás a jogar, porque o treinador não te grama, então fico mais descansado, porque o problema será de muito mais fácil de resolução.

É verdade que foi uma desilusão para um puto com a tua idade não poder jogar a Liga dos Campeões, poucos meses depois de teres vivido o momento mais importante da tua ainda curta carreira. É verdade que é uma frustração ver-se preterido em detrimento de mancos como o Licá ou Ricardo ou de malucos como o Izmaylov. Mas também é verdade que depois do milagre que fizeste naquele minuto épico, e apesar de isso não poder sinónimo de um lugar na equipa, deviam ter muito mais consideração por ti. Não percebi, por exemplo, por que razão não entraste no jogo no salão, não só porque o jogo pedia alguém como tu, mas pelo efeito psicológico que a tua presença significava para ti e para aqueles cabeçudos todos. Vá-se lá entender a cabeça de quem te treina.

Estás convocado para Guimarães, mas também sabes melhor do que eu que o mais certo é ficares a ver o jogo na bancada ou no banco, quanto muito. Se lá estiveres sentado, pode ser que o treinador se lembre de ti e te mande aquecer durante a segunda parte toda para depois se esquecer que existes – já aconteceu a outros, por que não há-de acontecer contigo? Não baixes os braços, porque há-de chegar ao banco um treinador que não tenha, como este, acabado de sair da escola.

Não deve demorar muito a chegar, talvez lá para Maio, quem sabe até antes disso, porque custa-me a crer que seja possível aguentar mais três meses sem se ver uma equipa a jogar futebol. E não te esqueças que esta época vamos ter uns joguinhos com eles, cheira-me que ainda vamos precisar de ti. Não ligues ao que o Iturbe disse, não faças o que ele fez, porque ele não sabe o que é ser um herói maltratado e ainda tens cá muita coisa para conquistar. Depois, daqui a uns anitos, estarás a assinar o contrato da tua vida em Espanha, Itália ou Inglaterra. Sabes que nesta casa é assim, sabemos sempre recompensar quem nos ajuda a ganhar.

14 fevereiro, 2014

Não aconteceu, mas podia

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Pensava que já tinha visto tudo, mas afinal não. No mesmo local onde já vi chover debaixo para cima, onde se assistiu ao fenómeno de ver a luz a arder, vimos há dias a cobertura de um estádio com apenas dez anos ceder e lançar valentes placas de alumínio para o relvado e para as bancadas. Da tragédia resultaram mortos e feridos, entre lagartos e lampiões, entre os quais o presidente do clube da casa, que ficou sem as orelhas; e ainda o homólogo da agremiação vizinha, que ficou sem uma mão e sem o relógio, que o impediu de contar os minutos exactos de atraso com que o jogo começaria. Registaram-se ainda prejuízos materiais vários - a estátua do moçambicano, por exemplo, desfez-se em pedaços.

O jogo não foi adiado, mas cancelado, porque se considerar não estarem reunidas as condições mínimas de segurança. Assim, o clube visitado foi punido com multa e derrota, à luz do artigo 94.º do Regulamento Disciplinar da Liga; e o palco a final da Liga dos Campeões foi transferido para outro estádio. Eles tentaram, em vão, evitar mais uma valente humilhação, mas a UEFA não foi em cantigas e, pela primeira vez na história, alterou, a meio da época, o local da final da mais importante competição europeia de clubes.

Depois dos casos do Meco e dos famosos quadros de Miró, agora não se fala de outra coisa nas televisões, nas rádios e nos jornais. Pede-se a demissão do Orelhas, mas o Jesus já veio dizer que é um assunto do forno interno do clube. Mas é tudo demasiado grave, porque foi um lamentável, mas também evitável desastre, semelhante ao do final da época passada em que eles perderam tudo aos 92. É que as vítimas mortais não se contaram apenas dentro do estádio, degoladas pelas placas de alumínio, mas também fora dele. Num dia em que a Protecção Civil aconselhou as pessoas a não saírem de casa entre as 18 e as 21h, registaram-se vários acidentes de viação na zona da capital que não resistiu a uns míseros ventos de 70kmh quando a Norte eles batiam os 100. Uma adepta dos lampiões, por exemplo, que à saída do estádio, em directo na televisão, se mostrava muito indignada por não ter havido jogo, depois de se ter deslocado de propósito do… Porto para Lisboa, viria a falecer na viagem de regresso, num terrível acidente de automóvel em que se envolveu com uma camioneta cheia de porcos que, por sinal, também tinham ido assistir ao jogo que não houve. Esses também não resistiram... Uma desgraça! Uma desgraça que não aconteceu, mas que podia muito bem ter acontecido.

31 janeiro, 2014

O nosso melhor jogador

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A nossa maior vitória neste pouco auspicioso início de 2014 não foi conseguida no relvado como é tradição, mas fora dele, nos estúdios de televisão. Há 15 dias, no Porto Canal, ao longo de mais de uma hora de entrevista, houve alguém que mostrou que se mantém em grande forma, bem melhor, aliás, do que aquela que os que vestem a nossa camisola têm apresentado no campo. O Presidente continua a ser, felizmente, o nosso melhor jogador e promete continuar a sê-lo durante mais uns bons tempos, para infelicidade de muita gente reles.

Como lhe é característico, Pinto da Costa não deixou uma pergunta sem resposta e o discurso não teve muito de inovador, por muito que isso tenha custado a fúria a tantos portistas: culpou os árbitros pelo facto de não estarmos na liderança do campeonato, culpou a sorte por não nos termos conseguido o apuramento para os “oitavos” da Champions e reiterou a confiança no treinador. Disse o que devia ter dito e o que se esperava que dissesse em público numa altura como esta: uma parte da verdade. A outra parte, aquela que a equipa e o próprio treinador estão ainda longe de ter um rendimento satisfatório, que se cometeram erros na planificação do plantel, Pinto da Costa também a sabe, mas também sabe que essa é para ser dita dentro das quatro paredes e nunca aos microfones da comunicação social.

Sem nunca precisar - como outros que, por muito que tentem, nunca lhe chegarão aos calcanhares apesar dessa ambição - de um papel para ler o que escreve ou o que escrevem por ele, o Presidente enumerou um por um os lances que nos roubaram dois pontos na visita ao Estoril e os que não deixaram que houvesse outra festa no salão. Cascou nos “paineleiros” que defendem o nosso clube nos debates da TV, sem nunca se enganar nos nomes de cada um, e ainda aproveitou para dar um tiro – não fatal, mas certeiro - a dois potenciais candidatos à sua sucessão na presidência: António Oliveira, antigo treinador e jogador, e Fernando Gomes, o inefável presidente da Federação. Só não percebeu quem não quis.

Com um sentido de humor brilhante, uma sagacidade incrível, uma lucidez espantosa e uma memória que, com o passar dos anos, parece ser cada vez mais prodigiosa, mostrou que o fim, que tantos lhe querem desesperadamente diagnosticar ainda está longe, muito longe. Paulo Pinho, o médico que o Presidente diz que o salvou, já confidenciou aos mais próximos que a saúde, apesar das rasteiras que lhe tem pregado nos últimos tempos, continuará a abençoa-lo por mais uns anos se as asneiras não forem muitas. Assim seja o futuro, sem asneiras, mas com muitas vitórias para festejar.

03 janeiro, 2014

Desilusões de um adepto

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O Porto somos nós, adeptos; os treinadores e os jogadores são, acima de tudo, assalariados do clube, a quem temos o direito de exigir trabalho, dedicação e profissionalismo, mas nunca o amor incondicional que só nós sentimos. Mas quem se envolve emocionalmente com a causa, há treinadores e jogadores que por aqui passaram, que nos marcam, de uma forma ou de outra. Pelos títulos que ganharam, pelos golos que marcaram ou por aquilo que representaram.

Para mim, Fucile foi um deles. Longe de ser um lateral brilhante, era um jogador que disfarçava as debilidades com uma atitude inexcedível, com a entrega, o empenho e a raça que colocava em campo. Comia a relva, como se costuma dizer. Apreendeu depressa a realidade do clube, compreendeu como poucos a cultura de exigência e a mentalidade ganhadora que tanto explica esta mística. E tornou-se, durante uns tempos, o meu jogador fetiche.

Quando há dois anos foi dispensado, atirei as culpas para o treinador, pouco hábil na gestão de recursos humanos, na relação com os jogadores. Custou-me vê-lo partir, injustiçado. Recebi, por isso, com uma alegria enorme, a notícia do seu regresso no início desta época, escolhendo a camisola cinco, em homenagem aos 5-0 que ele também ajudou a espetar aos mouros, naquele 7 de Novembro de 2010. Dizia que estava preparado para mostrar que estava diferente e para dar razão ao treinador que apostou nele, garantia que ia lutar por um lugar no onze e que a concorrência não atemorizava. Palavras vãs.

Fucile voltou a portar-se mal e a mostrar que não mereceu a segunda oportunidade. Insatisfeito por não jogar com regularidade, resolveu pedir explicações ao treinador no meio do balneário, chegando quase a vias de facto. Assinou a sua sentença de morte. Desde meados de Outubro que não treina e anda a ver se consegue arranjar um clube que o queira para ainda poder ir ao Mundial.

Ontem, alguma imprensa adiantava que ele ainda estava no Uruguai, mas a verdade é que ele já está cá. Vi-o na passada terça-feira, último dia do ano, com cara de poucos amigos, no centro comercial ao lado do Dragão. Percebi que tinha ali uma oportunidade para mostrar o meu desagrado, sem qualquer palavra, apenas com silêncio. Olhei-o fixamente de forma a perceber que o estava a reconhecer, abanei ligeiramente a cabeça, o que o fez desviar, de pronto, o olhar para o chão. Ele não sabe quem eu sou, nem como me chamo, nem de onde sou, mas percebeu que estava ali um antigo admirador e um adepto desiludido.