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27 dezembro, 2015

CONTO DE NATAL.

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Natal é tempo de amor, família, carinho, demonstrações de afeto, abraços e beijos.

Natal é, ainda, tempo de recolha, introspeção e reflexão.

As famílias reúnem-se, relembram Natais passados e as vezes que repetiram o bacalhau e as rabanadas da Tia Teresa. Como se perspetiva a chegada de novos membros à família, discute-se quem fará de Pai Natal em futuros Natais. O Natal volta a fazer sentido outra vez.

Chega à meia-noite e há sempre alguém encarregado de distribuir os presentes, alguém que adora fazer o suspense, criar aquela tensão de “para quem será?! O que será?!”. E abana o presente. E leva o embrulho às orelhas para tentar ouvir algum som.

A noite passa e para o ano há mais.

Isto nas famílias normais.

Na dele não. A família dele nunca foi, também neste contexto, normal.

A ceia de Natal passa-a com a mãe num hotel, nesses jantares pré-pagos de menus fartos e, por isso, muito pouco católicos. O dia de Natal passa-o, normalmente, na cama. Ou perto dela.

Este ano não foi diferente. Mas houve algo diferente.

Revisitou um hotel que já tinha frequentado, também num jantar de Natal, há cerca de quinze anos.
Quando se sentou na sala de jantar, lembrou-se que, há cerca de quinze anos, também ali tinha estado.

A carpete era a mesma. Os mesmos símbolos marítimos.

Lembrou-se, concretamente, que, naquela mesma sala, há cerca de quinze anos, encontrou Benni McCarthy a passar o Natal com a sua família.

Deixou que o jantar terminasse e, tímido, porque a situação era pessoalíssima e reservada, abordou Benni McCarthy para lhe pedir um autógrafo.

O sul-africano foi de tal forma amigável que ele acabou por comer a sobremesa na sua mesa.

Recebeu o autógrafo, um sorriso e um abraço e foi, de longe, a melhor prenda de Natal que poderia ter tido.

Tempo em que o Natal era especial.

14 dezembro, 2015

INCÊNDIO DE VERÃO EM PLENO INVERNO.

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KENNEDY
    “(...) e também matei o Kennedy” – foi o que Lopetegui afirmou na conferência de imprensa de antevisão do jogo Nacional – FCPorto.
Confesso que, no telemóvel, li o seguinte: “E também matei o Kenny”. E ri-me bastante alto.

Mas afinal era Kennedy. Afinal, Lopetegui não é assim tão engraçado.

O MELHOR PLANTEL DE SEMPRE.

Um dos argumentos mais utilizados para fundamentar a apreciação “a equipa deveria fazer mais e melhor” é o suposto facto de este ser o melhor plantel de sempre do FCPorto.

Não vou maçar com os leitores com o detalhe dos plantéis do FCPorto dos últimos anos.

Penso que são suficientemente impressivos os seguintes dados:

12.12.2004: FCPorto vs Once Caldas
Titulares: Vitor Baia, Ricardo Costa, Jorge Costa, Pedro Emanuel, Seitaridis, Costinha, Maniche, Diego, Derlei, Luis Fabiano, Benni McCarthy
Suplentes: Nuno Espírito Santo, César Peixoto, Carlos Alberto, Ricardo Quaresma, Hélder Postiga.

07.11.2010: FCPorto vs Benfica
Titulares: Helton, Maicon, Álvaro Pereira, Rolando, Sapunaru, Guarin, Belluschi, Moutinho, Falcão, Hulk, Varela.
Suplentes: Beto, Fucile, Otamendi, Souza, Ruben Micael, Walter, James Rodriguez.

11.05.2013: FCPorto vs Benfica
Titulares: Helton, Danilo, Mangala, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Lucho, James, Moutinho, Jackson Martinez, Varela.
Suplentes: Fabiano, Ba, Defour, Castro, Kelvin, Sebá, Liedson.

15.04.2015: FCPorto vs Bayern Munich
Titulares: Fabiano, Danilo, Indi, Maicon, Alex Sandro, Casemiro, Oliver Torres, Herrera, Quaresma, Jackson Martinez, Brahimi.
Suplentes: Helton, Reyes, Ruben Neves, Quintero, Evandro, Hernâni, Aboubakar.

13.12.2015: FCPorto vs Nacional da Madeira
Titulares: Casillas, Maxi, Indi, Marcano, Layun, Ruben Neves, Danilo Pereira, Herrera, Corona, Aboubacar, Brahimi.
Suplentes: Helton, Maicon, Evandro, Imbula, Bueno, Varela, Tello.

É óbvio que a força de um plante se mede com todos os elementos que o compõem, mas este singelo exercício permite concluir que o FCPorto já contou, no passado recente, com plantéis melhores ou, pelo menos, tão bons como o presente.

Aliás, em termos individuais, as estrelas do passado continuariam a ser as estrelas do presente, caso ainda cá estivessem. Não há, hoje, nenhuma estrela tão brilhante como Deco, Lucho, Hulk, Moutinho, James, Falcão ou Jackson Martinez.

Se era possível fazer melhor como que se tem? Completamente. Mas não me apetece atirar mais achas para uma fogueira que já não arde em lume brando. Queima como um incêndio de Verão em pleno Inverno.

Pedro Ferreira de Sousa

15 novembro, 2015

QUESTÃO CENTRAL.

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Quem acompanha o FCPorto desde a década de 90, sempre ouviu dizer que o clube formava grandes defesas centrais. A segurança da equipa começava, invariavelmente, na sua defesa. Jogadores fortes, possantes, não primavam pela qualidade dos futebol que saía dos seus pés, mas compensavam com um carisma, uma entrega e uma personalidade extremas.

Jorge Costa, Fernando Couto e Ricardo Carvalho serão, provavelmente, os expoentes máximos deste protótipo.

Mas muitos outros, como por exemplo, Bruno Alves, João Manuel Pinto e Ricardo Costa, foram produtos das escolas de formação do FCPorto.

Hoje, essa tradição está em crise.

Há vários anos que não vemos nenhum defesa central da formação do clube assumir preponderância na equipa. Passaram pela Invicta brilhantes defesas centrais: Pepe, Otamendi, Mangala, entre outros.

Mas nenhum na senda - com o carisma, a importância e a liderança - de Jorge Costa ou Fernando Couto.

Mas será que, nestes últimos anos, não surgiram jogadores com potencial?

Nuno André Coelho ainda ameaçou poder ser esse jogador com capacidade de liderança e carisma, mas simultaneamente apresentando bom futebol. Infelizmente, nem no Sporting, nem no Braga, Nuno André Coelho conseguiu demonstrar ou materializar o potencial que muitos lhe reconheciam. Neste momento, aos 29 anos, Nuno André Coelho arrasta-se por um penoso Balikersirspor, da Turquia.

André Pinto cedo demonstrou qualidades acima da média. Forte fisicamente, rápido, um jogador muito interessante. Sem espaço no FCPorto, acabou por rumar à Grécia, mais concretamente ao Panathinaikos, assumindo um lugar de destaque. Voltou a Portugal, ao Braga, e, aos 26 anos, tem apresentado, mais recentemente, atuações consistentes, merecendo, regra geral, a confiança dos técnicos.

Tiago Ferreira é, dos três casos que apresentamos, o mais jovem. Fez um percurso imaculado nas camadas jovens do FCPorto. Capitão, duro, com ar ameaçador, nem sempre a jogar bem, mas sempre com entrega e virilidade. Precocemente apelidado de "o Puyol português", não mereceu a confiança do clube, desde logo não tendo convencido na equipa B do FCPorto. Esteve na Bélgica, no modesto Zulte Waregem, e, agora, aos 22 anos, está no União da Madeira, sem, no entanto, se conseguir impor.

Mas.., e neste momento? Existe algum jogador que possa encaixar nesse perfil?

Sim.

O nome é Diogo Verdasca.

Campeão sub-19, é, aos 19 anos, o esteio da equipa B do FCPorto. Rápido, forte, excelente leitura de jogo, carismático, verdadeiro patrão da defesa com apenas 19 anos. Está a fazer uma transição brilhante entre as camadas jovens e o futebol sénior, momento em que vários jogadores promessa se perde na multidão. Não será alheio o facto de, já na época passada, enquanto sub-19, Diogo Verdasca ter sido chamado por algumas vezes à equipa B.

É claro que muito talento em potência, por vezes, não chega a formar talento.

Mas, parece-me, está aqui um caso de sucesso.

Assim o Diogo o saiba aproveitar e assim o clube o saiba potenciar.

Pedro Ferreira de Sousa



01 novembro, 2015

TEMOS DE SER, DE UMA VEZ POR TODAS, PORTO.

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Ao contrário do que vi praticamente um pouco por todo lado, desde comentadores a jornais, passando por blogs e por conversas com amigos, tenho para mim que a exibição do FCPorto na segunda parte do jogo com o Braga foi forte. Bastante forte.

Jogo fluido, trocas posicionais interessantes, movimentações, espaços, trocas de bola rápidas, variações de flanco com grande regularidade.

André André oferecia objetividade. Corona emprestava vigor na ala. Aboubakar criava perigo (aquele perigo atabalhoado que o Camaronês nos vai habituado). Bueno entrou para jogar nos espaços e aproveitou as oportunidades. Imbula rasgava pelo meio. Rúben trouxe clarividência.

Não criamos oportunidades de golo claras, daquelas em que é só empurrar, em abundância - é um facto.

Mas criámos jogadas de perigo e de golo iminente.

Falhámos o objectivo de alargar a distância para o SLB e de não deixar o Sporting descolar.

Mas, neste caso, penso que mais por mérito defensivo do Braga do que propriamente por demérito da turma de Lopetegui.

Isto posto, não obstante me parecer que este empate não é, em si, motivo de especial preocupação, a verdade é que a equipa não costuma render nos momentos em que um adversário direito perde pontos.

Um candidato a campeão tem, necessariamente, de vencer quando os adversários perdem. Tem de aguentar essa pressão. Mais: tem de querer essa pressão. É esse estado de coisas que permite o candidato a campeão sagrar-se, efectivamente, campeão.

Bloqueio mental?

Em caso afirmativo, começa a ficar difícil de acreditar que Lopetegui tem aquilo que é preciso para reverter a situação.

Este ano temos jogadores mais experientes. Casillas, Maxi, Layún.

Mesmo assim seremos confrontados com mais momentos destes?

Penso que não há espaço para mais deslizes como este, por muito que, no jogo jogado, as coisas até não tenham sido assim tão más.

Não aproveitar, nas próxima semanas, um deslize do Sporting, seria, a meu ver, imperdoável.

Temos de ser, de uma vez por todas, Porto.

Pedro Ferreira de Sousa

16 outubro, 2015

JOGAR COM ONZE E PALHAÇADAS.

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1 - JOGAR COM ONZE.

Desde a chegada de Lopetegui, o plantel do FCPorto foi sempre forte. Muitas e boas soluções. Novidades interessantes, jogadores desconhecidos que se revelaram excelentes valores (lembro-me, neste particular, de Rúben Neves). Jogadores com nome feito que vieram acrescentar qualidade (neste particular, Tello será a referência).

Mas a verdade é que, não obstante uma ideia clara de jogo - que se pode apreciar ou não -, pareceu sempre faltar à equipa qualquer coisa. Alguém para desengatar o jogo ou para abanar as coisas. Noutros momentos do jogo, alguém para gerir os tempos de jogo e matar qualquer possibilidade de reação adversária.

Acho que consigo sintetizar este sentimento nos seguintes termos: em largos períodos do jogo, o FCPorto não parecia jogar com onze jogadores.

E isto ficou ainda mais evidente a partir do momento em que, nos últimos jogos, Lopetegui deixou de fora das escolhas Herrera e Varela.

São jogadores respeitáveis, com carreiras igualmente respeitáveis, seguramente sérios e profissionais. Mas, claramente, o onze fica melhor sem ambos. Sobretudo com as alternativas de grande qualidade que, hoje, o plantel apresenta para aquelas posições. André André, Corona, Brahimi, Imbula, Danilo e Tello.

Com estes em campo, jogaremos sempre com onze. E ganharemos mais vezes. Estou plenamente convicto disto.

2 - PALHAÇADAS.

Há muito tempo que não via um programa de entretenimento que me enchesse tanto as medidas. O espetáculo proporcionado por Bruno de Carvalho e Pedro Guerra foi digno de registo.

De um lado chovia, do outro trovejava. Ao insulto seguia-se outro insulto. Geralmente de gosto ainda mais duvidoso. Entre acusações, vouchers, prendas, camisolas, calabotes, árbitros, clubes fantasma, fundos, processos judiciais, ordenados em atraso...

Enfim, um delírio coletivo de apenas duas pessoas - mas duas pessoas que agiam em representação oficial de dois clubes. Um é presidente de um clube o outro é assalariado de outro clube.

E nenhum desses clubes é o FCPorto.

Naturalmente.

É por estas e por outras que devemos andar, todos, de cabeça bem erguida.

Somos, de facto, diferentes.

Pedro Ferreira de Sousa

19 setembro, 2015

MAIS DO QUE UM JOGO.

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Um FCPorto - benfica é mais do que um jogo.

É uma época de felicidade ou é uma semana de pesadelo.

Felizmente, foram muitas as épocas de felicidade do que as semanas de pesadelo.

Um FCPorto - benfica é recordar o Secretário a cruzar para o quintal, o Paulinho Santos a morder o João Vieira Pinto, o Quaresma a rasgar tudo e todos e a meter a trivelada, o Jardel sobre os centrais, o Hulk a promover o transplante de rins ao David Luiz, o Bruno Alves a acariciar a testa do Nuno Gomes, o Falcão e o seus calcanhares, o Anderson a partir a perna, os joelhos no chão, o Maicon em fora-de-jogo, os 5-0, o Liedson a meter no Kelvin e os 92m.

São tantas as memórias, tantos os momentos, tantos, mas tantos, os momentos de felicidade.

São também algumas tristezas.

Mas é isso que torna este jogo tão especial.

A real possibilidade de perder.

Os Portistas, penso eu, sabem que, mesmo jogando melhor, sendo melhores, podem perder este jogo. Já ganhámos. Já perdemos. Ganhámos muito mais do que aquilo que perdemos.

E não podemos perder.

Não contra o benfica. Não contra aquilo que o benfica representa - a soberba, a dominância, a protecção do poder instituído e do centralismo, o bafio.

Acho que, há uns anos atrás, este sentimento era transposto para o campo - pesava na cabeça dos jogadores do FCPorto.

Hoje já não sei. Os tempos são outros.

Mas era bom que alguém lhes recordasse isto.

Este jogo não se perde. Não se pode perder.

Pedro Ferreira de Sousa


06 setembro, 2015

FACTOS E CONCLUSÕES.

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FACTO NÚMERO 1:
Nunca o FCPorto - ou algum dos seus dirigentes - foi julgado, nos Tribunais comuns, bem entendido, por crimes de corrupção ou outros. O mais parecido com uma condenação judicial - séria, credível e independente - ocorreu quando pessoas mal intencionadas andaram a brincar aos Tribunais e atropelaram, com um camião TIR, as regras e os princípios mais básicos e elementares de Direito. E tudo isto quando o FCPorto ganha a Taça Eufa e a Liga do Campeões. Teriam sido esses jogos igualmente "comprados"? Aquele na Grécia, em que Derlei resolve? Ou talvez o cabeceamento de Benni mesmo na gaveta? Ninguém acredita.

FACTO NÚMERO 2:
O antigo Presidente de um clube da segunda circular está preso. Depois de andar foragido, designadamente por Inglaterra, esse mesmo presidente foi condenado, preso e cumpre pena em estabelecimento criminal. Falamos de crimes de branqueamento de capitais, falsificação de documento e abuso de confiança, todos praticados em pleno exercício de funções naquele clube.

FACTO NÚMERO 3:
Um antigo dirigente de um outro clube da segunda circular foi acusado da prática de crimes decorrentes do controlo de jogadores desse clube, entre outras coisas igualmente bonitas. Mais uma vez, condutas protagonizadas em pleno exercício de funções naquele clube.

FACTO NÚMERO 4:
Um antigo diretor do Departamento de Apoio aos Jogadores do primeiro clube da segunda circular acima mencionado foi apanhado, numa viatura do clube, pela PJ com quase 10 quilos de cocaína. Foram efetuadas buscas no estádio daquele clube na medida em que várias reuniões foram aí mantidas com suspeitos do tráfico de droga. Curiosamente, esse indivíduo é referenciado como sendo antigo motorista do presidente desse clube. Terá porventura ajudado a trocar pneus?

CONCLUSÃO:
Não há factos que suportem a constante - e verdadeiramente idiota - superioridade moral daqueles dois clubes em relação ao FCPorto. Não há inocentes nestas histórias. Todos já pecaram. Em maior ou menor escala, mas todos têm telhados de vidro.

Não há inocentes. Só virgens estupidamente ofendidas.

Pedro Ferreira de Sousa

21 agosto, 2015

PRIMEIRAS NOTAS DE INÍCIO DE ÉPOCA.

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1. A vinda de Iker para o FCPorto é, de facto, um acontecimento fantástico. Um guarda-redes (ainda!) extremamente competente, um dos mais titulados jogadores de sempre, uma pessoa fantástica e um factor adicional de atratividade para o clube.

Ver os direitos de transmissão dos jogos do FCPorto adquiridos por televisões espanholas, o clube ser capa de jornais em Espanha e falado um pouco por toda a parte são tudo motivos de grande orgulho. Caberá, agora, capitalizar a exposição mediática.

Por isso, uma palavra de louvor à estrutura - que soube trazer um jogador desta dimensão para o FCPorto. Um reconhecimento justo e merecido ao treinador - que foi fundamental em todo este processo.

2. A saída de Alex Sandro é uma péssima notícia desportiva. É, para mim, a par de Marcelo, o melhor lateral esquerdo brasileiro e um dos melhores a atuar na Europa.

A saída de Alex Sandro a somar-se às saídas de Danilo, Oliver, Jackson e Casemiro é um pesadelo desportivo.

Resta a ideia de que vender por 26 milhões de euros um jogador no último ano de contrato, o qual, tanto quanto se percebeu, se recusou a renovar, é mais uma prova da excelência da negociação da estrutura do FCPorto.

É claro que li e ouvi os sujeitos do costume criticar a direcção portista, afirmando, em tom trocista, que super estrutura não convenceu o atleta a renovar contrato.

É um facto que Alex  Sandro não renovou. Mas isso não dependia apenas do FCPorto. Não há forma de obrigar um jogador a renovar contrato contra a sua vontade. Mas já dependia do FCPorto tentar encaixar o máximo possível com a saída do jogador. E isso foi plenamente conseguido.

Para se perceber a dimensão do sucesso financeiro associado à venda do passe do defesa esquerdo brasileiro importará relembrar que o Chelsea desembolsou qualquer coisa como 30 milhões de euros por Pedro Rodriguez, herói da última supertaça europeia. Pouco mais, portanto.

3. As comparações são sempre arriscadas numa altura tão embrionária da época.

Mas, ainda que correndo o risco de estar enganado, atrevo-me a dizer que, quando comparado com a época anterior, o FCPorto parece jogar um futebol mais vertical e com maior presença na área.

Tal aparente mudança poderá explicar-se com uma alteração, deliberada e expressamente, promovida pelo treinador. Mas também poderá resultar das características dos próprios jogadores que, neste início de temporada, têm, a meus olhos, assumido particular protagonismo na equipa.

Por um lado, Imbula veio trazer uma capacidade de penetração na zona central que não existia, neste nível e qualidade, no FCPorto 2014/2015. A passada larga do jogador, as mais das vezes direcionada em frente, isto é, no sentido da baliza adversária, confere ao FCPorto a capacidade de queimar etapas de forma mais rápida e acutilante. A entrada no último terço do campo fica mais facilitada e acontece mais naturalmente, sem necessidade de 20 ou 30 passes sempre lateralizados e sem progressão.

Por outro lado, Danilo oferece uma robustez requintada ao meio campo. Defende bem, com elevados níveis de agressividade e de presença física, ocupa bem os espaços, mas, do ponto de vista de construção de jogo, consegue sair bem a jogar, seja em passe curto, médio ou longo. Não garante tantas soluções de passe como Rúben Neves, mas safa-se lindamente na primeira fase de construção de jogo.

No ano anterior, Casemiro garantia músculo e agressividade no miolo, mas obrigava um dos dois médios da frente, designadamente Oliver ou Herrera, a baixar no terreno para iniciar o momento ofensivo da equipa. Resultado: médios baixos, sem presença na área. Com Danilo em campo, não se sente, pelo menos para já, a necessidade de baixar tanto os médios, o que permite um posicionamento tendencialmente mais adiantado no terreno e, com isso, maior facilidade em chegar à área contrária. Foi frequentar ver Herrera ou Imbula aparecer na cara do guardião do Vitória com oportunidade para fazer o golo.

E deixem-me dizer-vos que já fazia falta ver alguém daquela seleção de sub-20 que perdeu a final do mundial de 2011 para o Brasil aparecer ao mais alto nível. A turma canarinha deu ao futebol mundial Danilo (Real Madrid), Alex Sandro (Juventos), Óscar (Chelsea), Casemiro (Real Madrid) e Philippe Coutinho (Liverpool). Danilo parece ser o único vice campeão do mundo português que se conseguiu impor. É pena.

4. Quem é o único beneficiado com as novelas Jesus - Rui Vitória, Bruno de Carvalho - João Gabriel, salários em atraso - indemnização por resolução do contrato sem justa causa, Benfica - Sporting? Indiscutivelmente o FCPorto.

Então por que razão o folhetim Dragões Diários insiste em ser notícia metendo colheradas em discussões que não são as nossas? Não se percebe. Não faz sentido. Não defende os interesses do clube.

Dragões Diários, enquanto meio de comunicação oficial do FCPorto, deveria dedicar-se exclusivamente ao clube, com notícias, efemérides, curiosidades, funny facts, cultura, arte e histórias do universo azul e branco.

Artigos de opinião e comentários pessoais - ainda por cima de gosto, por vezes, duvidoso - deveriam ser, na minha modesta opinião e salvo o devido respeito, para blogs e bloggers e não para órgãos oficiais do clube.

Pedro Ferreira de Sousa

07 agosto, 2015

DEFESO AO RUBRO.

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O defeso está ao rubro.

O Sporting apresenta-se em bom plano, com ideias novas e bons jogadores.

O Benfica está em má forma e Rui Vitória tem vindo a sentir dificuldades para cortar com o passado.

Talvez tivesse sido melhor - ainda que muito mais arriscado - cortar totalmente com as ideias de Jesus, com o esquema tático e mesmo com alguns jogadores que representavam o treinador em campo. Optou por uma solução de continuidade e agora corre o risco de ficar a meio caminho, ou seja, o que correr mal de novo é sua responsabilidade, o que correr mal de velho é sua responsabilidade também porque não cortou com o passado. Se ganhar, ainda é Jesus que ganha.

A propósito,a ferida causada pela traição de Jesus não cicatrizou, pelo contrário, está ainda mais sangrenta (cfr. AQUI).

E os rivais de Lisboa vão, assim, entretendo o povo com jogadores roubados à última hora e insultos mais ou menos velados - tudo uma grande novela que terá um capítulo decisivo já na SuperTaça.

Quem ganhar sai reforçado, não tenhamos sobre isso dúvidas.

Quem ganhar estará automaticamente em melhores condições para atacar o início do campeonato.

Não é sinal que o ganhe, mas estará, certamente, animicamente mais preparado para os primeiros embates.

E o FCPorto?

Penso que está a fazer o seu percurso tranquilamente. Como, aliás, se esperava.

A equipa está a crescer de jogo para jogo. As ideias mantêm-se, mas penso que Julen pretende que a equipa mude um pouco a sua forma de jogar. Parece-me, sujeito ainda a confirmação, que o FCPorto de 2015/2016 será mais vertical do que o do ano anterior. Mais objetivo. Mais rematador.

As características dos jogadores que entraram no plantel parecem apontar mais neste sentido - nomeadamente Imbula cuja classe e a passada larga encanta qualquer adepto de futebol.

Não há casos. Não há notícias. Não há indisciplina.

Há tranquilidade e trabalho. O que é de aplaudir e só pode dar bons resultados.

O único ruído que precisa de ser tratado com a maior rapidez possível é a contratação de Lucas Lima e o contrato com o patrocinador.

Lucas Limas vem, já não vem, quer vir, o Santos não deixa, o Porto não paga... É preciso fechar a equipa e o tão desejado número dez ou vem ou não vem. Este ou outro. Não é saudável, a começar para a equipa, para os jogadores, verem constantemente nos jornais que o FCPorto precisa de um jogador e que não tem solução para esse problema no atual plantel.

O patrocinador é algo que verdadeiramente me inquieta. O FCPorto encontra-se em excelente condições de imagem. A contratação de Iker, para além de desportivamente acertada, foi uma verdadeira bomba no que concerne ao marketing e à marca FCPorto. Jornais de todo o mundo falam da equipa. Televisões estrangeiras compram os direitos de transmissão dos jogos. Está na altura de capitalizar este sucesso e fechar um bom contrato com um patrocinador de prestígio indiscutível. É isso que se pede a uma equipa como o FCPorto.

Não consigo deixar de pensar como Iker.

Estou ansioso!

Venha o Guimarães!

Pedro Ferreira de Sousa

10 julho, 2015

ESPEREMOS PARA VER.

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A Grécia sai. A Grécia fica. Referendo. Propostas. Sim. Não. Oxi. Nai.

Os acontecimentos sucedem-se a uma velocidade crescente e extasiante. O que é verdade agora, amanhã é mentira, para depois voltar a ser verdade. A vertigem é inevitável. É difícil não nos deixarmos levar na maré.

O mesmo se tem registado em relação ao FCPorto.

Iker sai. Casillas já não vem. Quaresma quer sair. Quaresma quer ficar. Quaresma empurrado para fora. Drogba contactado. Drogba nunca foi contactado. Maxi vem. Maxi vai para o Galatasary. Lorente. Bojan...

Ora bem.

Venho do evento da mostra dos novos equipamentos New Balance. E consigo sair desiludido por nenhum dos elementos que não me prometeram terem sido apresentados. Fomos ao engano, mas porque quisemos. Ninguém nos prometeu nada a não ser os novos equipamentos (que gosto).

Qualquer coisa que se diga a respeito de todos os nomes, hipóteses e possibilidades corre o risco de desatualização quase instantânea.

Mas aquilo que me preocupa é o facto de a vantagem que poderíamos retirar da instabilidade dos clubes da segunda circular se ter esfumado com a revolução que o plantel e, mais concretamente, o onze vai sofrer.

Partimos, novamente, (quase) do zero.

Preocupa-me também a circunstância de o FC Porto ainda não ter apresentado o patrocinador principal. Espero, apenas, que desta confusão e rebuliço se possa retirar uma vantagem comercial e negocial, qual seja a de o FC Porto utilizar toda a exposição mediática (há três ou quatro dias que fazemos capas sucessivas nos jornais desportivos espanhóis) em seu favor, como exemplo da força e da expressão da marca FC Porto no contexto nacional e internacional.

Esperemos para ver.

Pedro Ferreira de Sousa

15 junho, 2015

MILAGRE AO CONTRÁRIO.

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O mundo parou.

O salvador, o mestre da tática, o bicampeão virou traidor, ignorante e perdedor de finais.

Jesus travestido de Judas.

Uma espécie de milagre ao contrário.

Choro, lamento, clamor.

Um senhor que intervém num programa da televisão pública portuguesa chegou mesmo a afirmar que já tinha feito «o luto de Jesus».

Órfãos, viúvos, perdidos e abandonados.

Tudo bem pequenino, tudo bem parolo, à medida dos intervenientes.

Posto isto, importa tecer algumas considerações relativas ao impacto deste “fenómeno” no universo FCPORTO.

A primeira consideração prende-se com o facto de, ao contrário do que sucedeu o ano passado, os holofotes desta pré-época não se encontrarem apontados ao FCPorto. Como se recordam, no ano passado, o FCPorto estava na berlinda. Depois de uma época dececionante com Paulo Fonseca ao comando da máquina, anunciava-se a contratação de um técnico espanhol, acompanhado de um armada igualmente castelhana. Um forte investimento, jogadores novos e de qualidade, a pré-eliminatória da champions, tudo era noticia e tudo foi notícia.

Os detratores diminuíam a escolha com a torre no olival e com a inexperiência do técnico, colocando pressão na equipa através da constante menção aos milhões investidos no plantel.

O FCPorto entrou em brasa.

Este ano é tudo diferente. As capas de jornais, os comentadores, as televisões – não há elemento do mundo futebolístico que preste atenção - mais do que uma mera nota de rodapé - ao FCPorto. E isso não é necessariamente mau. A tranquilidade é, em regra, geradora de bons resultados.

A segunda consideração encontra-se umbilicalmente relacionada com a primeira. A pressão, as luzes, o olhar mediático recai sobre os clubes da segunda circular. Vão ser escrutinados até à exaustão, cada erro, cada falhanço, cada decisão mal tomada vai ser discutida e notada e dedos vão ser apontados.

Tudo isto agravado pelo facto de se encontrar agendada uma supertaça que, antes de qualquer outro derby, colocará em confronto os ditos clubes. Agravado ainda mais pela circunstância de o clube de verde e branco ter compromissos europeus numa fase muitíssimo inicial da época.

É inevitável que alguém comece logo a perder e esse alguém vai iniciar a época muito fragilizado.

Se for Rui Vitória o perdedor, todos recuperarão o pedido de contratação de Marco Silva.

Se for Jesus o perdedor, todos perguntarão a Bruno de Carvalho se os milhões terão sido bem gastos e exigirão explicações.

E nenhum destes cenários é propriamente prejudicial para o FCPorto.

E imaginem por um instante o final da época 2015/2016. Assumindo que o FCPorto será campeão, alguém terá necessariamente de ficar em terceiro. Rui Vitória sobrevive ao terceiro lugar? Nunca. Jorge Jesus aguenta ficar atrás dos encarnados e Bruno Carvalho segura a contestação com o último lugar do pódio depois dos milhões investidos? Nem pensar.

Tem tudo para correr muito mal.

A terceira consideração é que nada disto é garantia de sucesso para o FCPorto. A pressão mediática será menor. A equipa não entrará sobre brasas. Mas a concentração tem de estar lá. A vontade e o trabalho têm de ser máximos. A exigência não pode ceder nem um milímetro.

Partimos para a pré-época em (ligeira) vantagem.

Fica “apenas” a faltar o engenho e a arte para a materializar.

Pedro Ferreira de Sousa

29 maio, 2015

APELO.

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Assistimos a um final de época desapontante.

Não soubemos ganhar na Madeira, não soubemos ganhar na Luz e não soubemos ganhar em Belém.

É curioso como entrámos para as últimas jornadas separados por uma distância mínima – apenas três pontos – mas nunca fomos capazes de transmitir ou transparecer uma efetiva convicção de que aqueles pontos eram recuperáveis.

Nervos, disparos do treinador para tudo e para todos, jogos mal conseguidos.

Não se sentia, pelo menos eu nunca senti, a equipa com capacidade, sobretudo anímica, para dar a volta e roubar o título à turma de encarnado.

E agora?

Agora, Lope ficou.

A escolha, por parte do Presidente, demonstra uma confiança inabalável no treinador, mas é arriscada.

O início da próxima época vai ser fulcral, uma vez que a margem de erro e de tolerância será vizinha do zero.

A união de todos (treinador com a equipa, direcção com a equipa e treinador e adeptos com todos) será, por isso, um peça mais do que fundamental - sem a qual o castelo ruirá ao primeiro empate ou derrota.

Dirão: mas para haver união, necessário se torna que todos remem para o mesmo lado.

Respondo: antes disso, é imprescindível saber para onde e por quem se rema.

Nesse sentido, aqui fica um conjunto de perguntas, cuja resposta se impõe (e isto não é apenas um chavão ou frase feita, entendo mesmo que o Presidente deveria prestar estes esclarecimentos aos adeptos):
  • Por que razão a estrutura não saiu em defensa da equipa e do treinador, deixando o técnico sozinho no terreno de combate comunicacional?
  • Essa postura manter-se-á na próxima época?
  • O treinador continuará a ter a, pelo menos aparente, total liberdade para contratar jogadores?
  • Helton renova ou não e, em caso negativo, por que motivo?
  • Em face da quase inexistente transição de jogadores das equipas secundárias para a equipa principal e a falência da denominada Visão 611, qual o modelo a adotar nos próximos anos em relação à formação e à equipa B?
  • Qual o modelo de gestão a adotar nos próximos anos para equilibrar as contas (aposta na formação, encerramento de mais modalidades ou secções, diminuição do tecto salarial e etc.)?
  • Quais as verdadeiras relações com os clubes da segunda circular?
  • Qual é a visão a médio–longo prazo (5 anos) para o projeto Porto Canal?
  • Qual o papel reservado no futuro para as várias individualidades (agentes, comissionistas, representantes e etc.) que gravitam em torno do FCPorto?
  • Quais serão as medidas a adotar com vista a blindar o balneário e a estrutura (dantes, vendiam-se jornais com as contratações dos clubes de Lisboa que acabavam no FCPorto sem nunca se fazer reportagens ou capas sobre o interesse dos azuis e brancos; hoje em dia, semanas ou mesmo meses antes de assinarem contrato, já tudo de sabe e tudo se comenta)?
Antes do jogo jogado, das equipas entrarem em campo e do apito se ouvir, parece-me que o universo FCPorto tem de se unir em torno de um projeto credível, objetivo e claro.

A sensação com que fico é que, nos últimos tempos, deixámos de perceber para onde querem levar o clube, circunstância que causa uma natural dessintonia entre adeptos, direção e equipa.

Digam-nos, com clareza e retidão, para onde vamos, que nós, pelo FCPorto, caminharemos, todos juntos, sem sequer olhar para trás, até onde for preciso.

Fica o apelo de fim de temporada.

Pedro Ferreira de Sousa

16 maio, 2015

DRAGÕES DIÁRIO - DRAGÕES SEM ROSTO.

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O Dragões Diário é uma excelente ideia. Mas tornou-se numa péssima iniciativa.

A ideia de permitir aos adeptos um contacto diário com o mundo portista é excelente. Funny facts, marcos históricos, estatística, enigmas, referências artísticas de portistas reconhecidos, portistas pelo mundo, enfim, tudo o que é FCPorto.

Eu, muito sinceramente, recebia e lia, diariamente, com grande entusiasmo, a mensagem de correio eletrónico, relembrando, recuperando, aprendendo e vivendo o FCPorto.

Mas a verdade é que, com o passar do tempo, o Diário tornou-se uma espécie de comentário, sem rosto, da realidade. Uma espécie de Marcelo Rebelo de Sousa eletrónico sem piada ou entusiasmo, ou seja, para pior.

O Dragões Diários passou a fazer concorrência direta a espaços como este, de comentário, de opinião.

E o comentário e a opinião não são maus, não se trata disso.

Trata-se de associar o FCPorto a uma opinião, a um comentário sem cara, sem rosto. Se o FCPorto entende que deve comentar algum tema, deve fazê-lo, mas através dos canais apropriados: Presidente, Administração, Direcção, Comunicação, Treinador.

Poderá ser injusto, mas a verdade é que parece que o FCPorto manda dar os recados que não quer dar de voz própria.

Para isso, não precisamos de Dragões Diários.

Precisamos apenas dos Dragões Semanais, aqueles que entram em campo todos os Domingos.

Por outro lado, a Dragões Diários tem vindo a tecer comentários sobre empresas privadas (exemplo da ANA) e sobre outros temas mais ou menos politicamente comprometidos. Algo oficial do FCPorto não deve - não pode! - estar associado a uma corrente ou a um entendimento político, económico ou social.

O FCPorto não é de esquerda, nem de direita. Não é do privado, nem do público. Não é dos liberais, nem dos conservadores. É dos Portistas, todos os Portistas.

Hoje, Lopetegui já não está sozinho na crítica. Já não é o único a dar o peito às balas e a desgastar a sua imagem na praça pública.

Tem a companhia de um correio eletrónico.

O que, a meus olhos, é pouco e é estranho para um clube como o FCPorto.

Pedro Ferreira de Sousa

01 maio, 2015

AINDA DOS BEIJOS E ABRAÇOS.

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Acordou ensonado. Não dormiu bem de noite.

Há alguns dias que não dorme descansado. O trabalho também não lhe tem corrido especialmente bem.

Algo desconcentrado, pouco focado. Ansioso.

Desde o jogo em Munique que as coisas não rolam tranquilamente. Parece que há sempre mais uma confusão, um mal-entendido.

A verdade é que acordou, a viagem ainda é longa e não há grande tempo a perder. Toque no telemóvel – o plano está a correr conforme combinado. Todos acordados e em preparação.

Vestiu-se a rigor – camisola azul e branca e cachecol.

Não é um cachecol qualquer. É azul, de apoio ao FCPorto e, no verso, traz a inscrição “antes morto que vermelho”. Tudo certo, portanto.

Mas, como se dizia, não é um cachecol qualquer. É o cachecol. É o seu cachecol. É o cachecol que o acompanhou para todo o lado, que assistiu e consigo festejou grandes feitos e vitórias.

Fizeram-se à estrada. Os três amigos que, por regra, se juntam para apoiar o seu clube do coração.

Estava inquieto, mas, à medida que os quilómetros se sucediam, o nervosismo ia dando lugar à confiança – é o FCPorto, é para ganhar.

Chegaram. Deixaram o carro nas imediações e integraram o quadrado que rolou (não há quadrado que não role) até ao Estádio da Luz.

Pelo caminho ainda levou com um cassetete policial.

A polícia pedia: “afunila! afunila!”. Mas a multidão não é facilmente domesticável e acabou por afunilar à força.

Chegado ao estádio, dirigiu-se para uma das filas e foi revistado por um segurança privado.

“Abre os braços!” (revista)
“O que é isto?”
“É o meu cachecol.”
“Quero ver.” (abriu o cachecol)
“Vira ao contrário.”

Assim que virou o cachecol, o segurança arrancou-o das suas mãos e, secamente, disse: “este não entra”.

“Porquê?!” – exclamou.

Atirando o cachecol para um outro segurança, sorrindo, replicou - “É ofensivo.”

“Porquê?!” – repetiu.

“Fala com o chefe”.

Dirigindo-se ao dito chefe, acabou por questionar: “Porquê?! Esse cachecol é meu e esteve comigo em todos os estádios!”

O suposto chefe, sem sequer abrir o cachecol e perceber o que nele se encontrava inscrito, deixando-o cair para dentro do saco, limitou-se a responder: “Já vi que este não pode entrar”.

Nunca mais viu o seu cachecol. Tentou procurar por ele no fim do jogo, mas nem sabia de nada. O chefe desaparecera no meio de seguranças, outros chefes e de outros verdadeiros chefes.

É também por isto que a troca de camisolas e os beijos e abraços, em pleno relvado onde nos apagaram a luz e ligaram a relva e no estádio em que inventaram túneis e agressões, não é aceitável.

Pedro Ferreira de Sousa

21 abril, 2015

17 abril, 2015

CARTA A JACKSON MARTINEZ.

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Caro Jackson,

Não me conheces, mas eu conheço-te bem. Acompanho o teu trabalho desde que vieste para o FCPorto e, a partir desse momento, tentei descobrir o máximo sobre ti e sobre o teu percurso.

Sou admirador das tuas qualidades. A começar pelas físicas – não só possuis extraordinárias capacidades físicas, como as sabes utilizar de forma igualmente extraordinária, com pouco, muito pouco paralelo. Tecnicamente, és bastante evoluído para um ponta-de-lança: finalizas com facilidade e classe, partes para cima dos defesas com grande facilidade e colocas ao serviço da técnica a tua velocidade e força física. Tacticamente, desempenhas superiormente aquele papel de pressionar os defesas, arrastar marcações, aparecer em zonas de recepção, carregar o jogo para a frente, aparecer e pedir jogo, não ter medo de ser protagonista (como diz, amiúde, o nosso mister).

Por tudo isto, admiro-te muito, Jackson. Admiro-te como jogador.

Admiro-te e muito te agradeço todos os golos, as jogadas, as vitórias e as alegrias que me dás.

Mas, hoje, não podia deixar de te dizer, desta forma singela, que te admiro muitíssimo pelo profissional extraordinário que és e que te devo um enorme obrigado.

Não nasceste no Porto. No FCPorto.

Mas, Jackson, no passado dia 15 de Abril de 2015, naquele jogo no Dragão, perante aquele Bayern de Munique, tu foste o Porto. O FCPorto.

O Porto, o FCPorto, foi sempre assim.

Sempre fomos olhados de lado, sempre fomos os parolos, os que falam mal e têm pronúncia, os que não têm hipótese, os que vão perder, os que já perderam e só ganham com árbitros.

Mas sempre fomos os que, não obstante essas vozes, acreditam no valor do trabalho, do esforço, da ambição e da competência.

Os que privilegiam o sacrifício em detrimento do auto-elogio. Os que acreditam que podem fazer história em contraponto daqueles que vivem da história de outros tempos. Os que não calam a revolta contra aqueles que se alimentam da ofensa e da injúria.

No tempo em que os generais não tinham medo e as palavras cortavam como facas, em que outro local se poderiam reunir, corajosa e impressionantemente, 200.000 pessoas contra a censura e o pensamento único?

E tudo isto se encontrava em causa naquele jogo. Já tínhamos perdido. Os jornais só nos permitiam dizer uma palavra: “adeus”. Os jornalistas só nos davam 5% de hipóteses. Os nossos detractores anunciavam e ansiavam por uma humilhação.

Mas tu não.

Tu concentraste-te na recuperação de uma lesão muscular. Trabalhaste para estar em condições de jogar. E, atingido esse primeiro objectivo, trataste de entrar em campo e de materializar, de personificar a alma, a raça do Dragão.

Pressionaste até as forças te faltarem. Correste até à última gota de suor. Deste tudo e tudo foi para nós uma enorme alegria.

Assumiste o jogo. Nunca te escondeste. Foste o primeiro a guiar a equipa e a indicar o caminho.

E isto diz muito de ti, desde logo como profissional. É sabido que estás de saída. Mas, ainda assim, debelaste uma lesão, correste o risco físico de voltar (certamente não a 100%) e dar 300%, deste tudo e saíste esgotado.

Terias sempre a segunda mão para brilhar. Mas não. Quiseste dar-nos uma alegria. Mais uma alegria.

E é por isso que te devo um enorme obrigado.

Pedro Ferreira de Sousa

PS - Já muita coisa foi dita e escrita. A equipa esteve soberba. Mas falta ainda falar e escrever sobre Lopetegui. Aquele que não sabia treinar. Aquele que não percebia nada disto. Os guarda-redes não dão bons treinadores, lembram-se? Pois bem. A resposta está dada.

04 abril, 2015

A ILHA MALDITA.

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Lopetegui estava habituado a disputar competições em que os jogos são para ganhar.

As selecções querem apurar-se nas fases de qualificação e querem ir o mais longe possível nas fases finais de Europeus e Mundiais.

Neste contexto, o empate, as mais das vezes, não é um bom resultado. As equipas têm de arriscar, têm de tentar marcar, têm de ir para cima ou de correr atrás do prejuízo.

Um campeonato, muito concretamente o campeonato português, não é assim. Há equipas que lutam para vencer o campeonato, há equipas que querem disputar os acessos à liga dos campeões, outras a liga Europa, outras ainda sonhar em poder disputar esses lugares e, por fim, luta-se para não descer.

Neste cenário, um empate, um jogo defensivo para segurar o resultado com que se inicia a partida acaba por ser a estratégia de grande parte das equipas.

Estatisticamente, os melhores jogos e/ou exibições do FCPorto ocorreram contra equipas que apresentam a defesa subida, que assumem o jogo e disputam a vitória. Lembro-me, por exemplo, dos jogos contra Benfica, Sporting, BATE, Shaktar, Atlético de Bilbau e Basileia.

Nestes encontros, o FCPorto foi capaz de utilizar, na sua plenitude, armas como a velocidade nas costas da defesa, as desmarcações de médios em zonas ofensivas e constantes trocas de bola, inclusivamente de flancos.

Pois, mas isso ocorreu naquele circunstancialismo muito concreto: defesa subida, equipas a jogar para ganhar, a disputar o resultado.

Nos demais jogos, o que se assiste é a equipas muito fechadas, com a defesa junto à área, bem posicionada, meio campo muito povoado e tentativa de saídas rápidas para o ataque.

Aqui, a probabilidade de entrar uma bola nas costas da defesa é muito baixa. Nestes jogos, os lançamentos longos de Marcano, da esquerda para a direita, e de Maicon, em sentido contrário, estão, à partida, condenados ao insucesso. E se Jackson não estiver em campo, então a probabilidade é mesmo vizinha do zero.

Assim sendo, ou o primeiro golo entra com alguma facilidade e, logo a seguir, beneficiando da natural desconcentração da equipa que sofre um golo, entra o segundo, ou, então, o FCPorto vem revelando grandes dificuldades em encontrar soluções para criar situações de perigo, de finalização óbvia.

Acresce dois factores: o cansaço que alguns jogadores evidenciam e a incapacidade para gerir um resultado positivo.

Penso que, por vezes, o FCPorto (e Lopetegui) deveria ser mais pragmático e realista e menos romântico e idealista.

Os jogos são sempre para ganhar. Umas vezes bem, outras vezes menos bem, mas sempre para ganhar.

Maldita ilha.

20 março, 2015

SORTEIO DE SONHO.

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Ao momento em que escrevo este texto ainda não sabemos, nós, os Portistas, o resultado do sorteio para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

A caminhada até este sorteio foi, sem dúvida, extremamente positiva. A equipa ainda não perdeu um jogo e, nos dois confrontos com o Basileia, ficou uma sensação de domínio tão avassaladora que legitima qualquer um a sonhar.

Atrevo-me a dizer que foi a maior derrota da época para o maior clube português – o Anti-Porto.

E é mesmo de sonhar que se trata. A Liga dos Campeões separa o trigo do joio. É uma competição que congrega históricos do futebol europeu, novas potências, clubes movidos a petrodólares ou a petroeuros, enfim, o melhor que a Europa do futebol tem para oferecer nos dias que correm.

É por isso especialmente reconfortante, para um adepto, ver este FCPorto disputar o acesso a uma meia-final da Liga dos Campeões, ou seja, um lugar nas quatro melhores equipas europeias. Este FCPorto que tinha sido abatido na época passada, que vivia o fim de ciclo, que caminhava a passos rápidos para o fim, que soçobraria perante a hegemonia total e absoluta do clube do regime.

Pois é.

Esse FCPorto tem a melhor defesa da Europa, é uma das oito melhores equipas europeias e, penso, lutará até ao fim pelo campeonato nacional (que só não lidera por motivos externos à qualidade das equipas e do futebol praticado).

Tudo isto permite sonhar. Mas não é só uma questão de fé. É uma obrigação. Temos de sonhar. Temos uma equipa e praticamos um futebol que impõe o sonho e obriga a encarar a próxima eliminatória sem receios. Com responsabilidade e consciência das nossas limitações, mas sem medos.

É claro que um sorteio amigo ajudava.

No actual momento de forma das restantes sete melhores equipas da Europa, penso que estamos todos de acordo com a necessidade absolutamente imperiosa de evitar Barcelona e Bayern de Munique. Numa segunda linha, porque, em qualquer caso, jogando bem ou jogando mal, têm jogadores que fazem a diferença, penso que seria de evitar Real Madrid e PSG. No último “pote”, coloco Atlético de Madrid, Juventus e Mónaco, equipas a quem não devemos nada.

Em qualquer cenário, o FCPorto está de volta às enormes noites europeias e, a jogar como tem jogado nos últimos dois meses, penso que, num dia bom, poderá ganhar a qualquer equipa.

É este o nosso sonho.

A nossa obrigação é sonhar.

Venha daí o sorteio!

Pedro Ferreira de Sousa

06 março, 2015

ESTÁ NA ALTURA.

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Num dos últimos programas de Domingo à noite da RTP dedicado ao futebol assisti a uma das cenas mais patéticas, ridículas e lamentáveis de que tenho memória.

O comentador afecto à entidade a quem a Câmara de Lisboa pretende perdoar um número disparatado de milhões de euros teve a seguinte epifania: encontra-se em curso uma cabala contra o referido clube que se traduz na difusão reiterada, via comunicação social e redes sociais, da ideia falsa de que o mesmo vem sendo altamente beneficiado pelas equipas de arbitragem, esquema esse montado para ocultar o facto de ser o FCPorto quem, esse sim, é favorecido pelos árbitros.

Com base nessa premissa, o dito comentador promoveu um apelo - comovido e incendiário - à massa adepta do referido clube no sentido de expor, o mais possível, todos os supostos erros de arbitragem que alegadamente beneficiaram o FCPorto e que a dita cabala pretenderia dissimular.

Meus caros amigos, chega.

Não podemos ficar calados.

Nós, o FCPorto, que tanto deu aos outros clubes portugueses (pontos de acesso às competições europeias) e ao futebol e ao desporto nacional (inúmeros e prestigiados títulos internacionais (não se trata de Taças Teresa Herrera)), merecemos respeito.

Tenho a firme e consolidada ideia de que, em condições normais, no final das contas, isto é, completadas todas as jornadas do campeonato, os erros de arbitragem se anulam e a equipa vencedora acaba por ser um justo campeão.

Mas ainda mal ultrapassamos a metade do campeonato e os erros são tantos e tão ostensivos que começa a ser impossível acreditar que a classificação final mostrará o tal justo campeão.

Tem sido gritante. Tem sido óbvio. Tem sido demasiado. Tem de acabar.

Mas, dir-me-ão, isso são os olhos tendenciosos de um adepto azul e branco.

Certo.

Mas a verdade é que até os canais televisivos de Lisboa e os comentadores afectos às equipas da capital são claros neste ponto: as arbitragens estão a construir um campeão forjado.

Não podemos tolerar isto. Chega.

São vermelhos directos por palavras. São offsides constantemente mal assinalados às equipas adversárias. São reiterados penáltis que não são marcados contra a equipa do regime – mas daqueles lances em que só a cegueira nível Rui Gomes da Silva é que não permite afirmar que os lances são irregulares. São empurrões que depois dão em golo que inacreditavelmente não são assinalados.

Os lances são tantos e tão variados que julgo que, se fossemos a escrever um livro, não teríamos imaginação para tanto.

E no meio disto tudo a postura tinha sido, até há bem pouco tempo, a de um silêncio total. Tirando meia dúzia de mentecaptos estilo Rui Gomes da Silva, os adeptos desse clube, aqueles que conservam alguma vergonha na cara, limitavam-se a um silêncio comprometido, envergonhado.

Percebiam perfeitamente o que se passava, mas faziam de conta que não era com eles. Não queriam ouvir, não queriam ver.

Agora, qual fénix renascida, emergiram das catacumbas, do subsolo mais sombrio, um conjunto de balofas vozes indignadas, invocando a tal cabala contra a equipa do regime, a qual, na sua visão das coisas, visa escamotear as supostamente escandalosas arbitragens que vêm, como está bom de ver, benficiando FCPorto.

Para sustentar essa, perdoe-se-me a adjectivação, idiota tese é invocada a entrada de Jackson Martinez no jogo do Bessa. É de facto uma entrada impetuosa, irreflectida até. Merecedora, sem dúvida, de cartão amarelo.

Mas Jackson Martinez teve intenção de colocar em causa a integridade física do seu colega de profissão? É notório que não. Pretendeu agredir alguém? É óbvio que não. Não se tratou apenas de uma disputa de bola desajustada? Claro que sim. Jackson Martinez não é dos jogadores mais correctos do nosso campeonato? É uma verdade inquestionável.

Se isto é tudo verdade, o que dizer do pontapé de Gaitan a um jogador do Estoril? Só quem nunca jogou futebol é que pode afirmar que aquele pontapé não foi deliberado e intencionalmente desferido para acertar e agredir o adversário. É tão óbvio que não merece qualquer comentário adicional.

E o árbitro? Ai esse viu o lance. E tanto viu que deu amarelo ao jogador da equipa que agora se queixa de manipulação da opinião pública. Mas a pergunta é: como é possível ter visto o lance, ter visto a agressão e não ter exibido cartão vermelho directo?

É caso para concordar com Jesus, não o Cristo, o Jorge, quando o mesmo afirma: «Gaitan? Não gostei do amarelo».

Nós também não.

O silêncio sempre seria um comportamento mais digno.

Merecemos respeito. Está na altura de o exigir.

Pedro Ferreira de Sousa

21 fevereiro, 2015

PAREDE DO BALNEÁRIO

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Alguns sites e jornais portugueses fizeram manchete com o suposto facto: “Danilo salva Porto”.

Reportavam-se, naturalmente, ao jogo do FCPorto em Basileia.

Já tudo foi dito sobre a exibição da equipa azul e branca: personalidade asfixiante, mobilidade e criatividade desestabilizadora, oportunidades de golo em abundância e apenas um remate da equipa adversária.

Foi tudo bem feito? Não. Fabiano não fica totalmente isento de responsabilidade no golo e Tello e Brahimi ficaram aquém das suas potencialidades (como, aliás, se vem registando nos últimos tempos).

Mas, tudo somado, foi uma grande exibição na Liga dos Campeões (e nem preciso de invocar as palavras de Frei, jogador do Basileia.

Dito isto, os mencionados jornaleiros preferiam passar a mensagem de que o FCPorto precisou de ser salvo, como se tivesse sido a turma suíça a vulgarizar os azuis e brancos!

Dir-me-ão: alguma coisa de novo?

A resposta é imediata: não.

É sabido que o FCPorto é um clube invejado – pelos seus feitos, pela sua história, pelos seus valores e pelas suas vitórias

Nós já o sabiamos, mas agora Lopetegui já sabe que apenas em Portugal – certo Portugal – o FCPorto e os seus feitos não são valorizados.

Cole-se mais esta na parede do balneário.

Mais um prego no caixão dos nossos adversários.