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14 maio, 2011

Józef MLYNARCZYK

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Em vésperas de mais uma final europeia lembro um jogador que foi responsável pela nossa baliza nas primeiras grandes vitórias internacionais em 1987 e 1988 do Futebol Clube do Porto e que depois seria considerado por muitos como um dos grandes responsáveis pela enorme evolução daquele que é o jogador com mais títulos do planeta: Vítor Baía.

Josef Mlynarczyk nasceu em Nowa Sol, na Polónia, em 20 de Setembro de 1953. Na Polónia, depois do clube da terra, o Dzamet -Nowa Sol, passou pelo modesto BBTS Bielsko-Biala seguindo-se o Odra Opole chegando depois a um dos maiores clubes polacos, o Widzew Lodz, onde foi bi-campeão polaco. Titular indiscutível da selecção polaca nos mundiais de 1982, em Espanha (onde ajudou a conquistar o 3º lugar) e no México, em 1986 (onde derrotou a selecção portuguesa) só em 1984, já com 31 anos, conseguiu obter autorização para emigrar (devido às restritivas políticas do regime comunista) tendo rumado a França para jogar no Bastia. Em Janeiro de 1986 (a meio da época 1985-86) chega ao Porto para fazer concorrência a Zé Beto mas rapidamente é lançado por Artur Jorge num decisivo Benfica - Porto, em 15 Janeiro de 1986, e Mlynarczyk corresponde mantendo o resultado em branco e ajudando a equipa a ganhar confiança depois de 3 derrotas consecutivas fora de casa. Depois desse jogo o Porto volta aos bons resultados e consegue ser campeão ultrapassando os vermelhos na penúltima jornada depois destes perderem em casa com o Sporting e o Porto ter ido ganhar 1-0 a Setúbal com um monumental golo de Paulo Futre que arrancou do meio do campo e fintou todos os adversários.

"Mly" era um guarda-redes tipicamente da escola de leste. Alto, muito calmo e uma personalidade muito forte. Tinha como ponto menos forte a saída aos cruzamentos pois apesar dos 1,87 m de altura calculava bastante mal o tempo de saída da baliza o que também era uma característica dos guarda-redes da esola de leste. Também por isso, era um guarda-redes que normalmente ficava entre os postes. Curiosamente, apesar da sua idade, ainda conseguiu evoluir nesse parâmetro e foi precisamente quando deixou de jogar aos 36 anos fruto de uma grave lesão que estava bem mais forte nas saídas aos cruzamentos.

A sua chegada ao Porto a meio da época foi vista com alguma desconfiança pois já tinha 32 anos mas a verdade é que a sua qualidade permitiu ao Porto readquirir a confiança que faltava e iniciar o arranque rumo ao bi-campeonato que chegou a estar muito complicado. Curiosamente, depois de ser decisivo na conquista do Campeonato Nacional 85/86 foi ainda titular na Selecção polaca no Mundial do México em que defrontou a congénere portuguesa e venceu por 1-0 permitindo que a Polónia passasse à fase seguinte e os portugueses regressassem a casa depois do famoso e muito feio episódio Saltillo. Começou a época seguinte atrás de Zé Beto de tal forma que o seu primeiro jogo na caminhada para Viena foi apenas na 2ª mão dos quartos de final, em Brondby a 18 de Março de 1987, em que ajudou a equipa a conquistar um sofrido empate a um golo (golo de Juary) que servia como uma luva depois da vitória por 1-0 na 1ª mão, nas Antas, golo marcado pela estrela argelina, Rabah Madjer.

A partir desse jogo, conquistou a titularidade e foi fundamental até à conquista da 1ª Taça dos Campeões Europeus em Viena frente ao Bayern de Munique. A época de 1987/88 foi a sua melhor época ao serviço do Porto, já sob o comando de Tomislav Ivic, pois ajudou não só a reconquistar o campeonato e a Taça de Portugal como também a conquistar a Supertaça Europeia contra o Ajax com duas vitórias por 1-0 (golos de Rui Barros em Amesterdão e Sousa no Porto) e a Taça Intercontinental, em Tóquio, no jogo mais incrível e épico da história do Futebol Clube do Porto. Sob uma neve intensa o Porto venceu o Peñarol de Montevideu por 2-1 após prolongamento com golos de Gomes e Madjer e Mlynarczyk foi um dos heróis com várias defesas importantes.

Na brilhante época de 87/88 assumiu um protagonismo muito especial nos quartos de final da Taça de Portugal. O Porto recebeu o Boavista e não foi além de um empate a 2 golos pelo que teve de haver novo jogo agora no Estádio do Bessa. Como o empate sem golos se manteve nos 90 minutos e depois nos 30 minutos de prolongamento, a passagem às meias finais teve de se decidir nas grandes penalidades. Depois de vários acertos chega-se ao quinto pontapé e Mly defende o remate do jogador do Boavista e marca ele mesmo o penálti decisivo carimbando o passaporte para as meias finais onde eliminámos os Vermelhos (Onde é que eu já vi este filme?) e fomos ao Estádio de Oeiras (Jamor) derrotar o Guimarães (onde é que eu vou ver isto?) por 1-0 com golo de Jaime Magalhães muito perto do fim.

Depois de uma grave lesão pendurou as chuteiras no final da época 88/89 passando a integrar a equipa técnica do Porto como treinador de guarda-redes onde teve como principal discípulo Vítor Baía que ajudou a crescer e a tomar bem conta baliza. Regressou depois à Polónia para, também como treinador de guarda-redes, integrar a equipa técnica da selecção polaca primeiro e do depois. Um grande guarda-redes que só não deixou mais saudades porque ele próprio tratou de preparar o seu sucessor.

Obrigado MLY!

17 abril, 2011

DOMINGOS Paciência

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Numa altura em que as decisões finais estão à porta (o campeonato está decidido mas ainda há 2 meias finais para ganhar) presto homenagem a Domingos que foi um jogador fantástico decidindo muitos jogos ao serviço do F.C. Porto e tornando-se num dos melhores avançados que representou o clube. Também como treinador, tem revelado uma grande qualidade ao serviço dos vários clubes onde esteve mas especialmente nas 2 últimas épocas ao serviço do Braga.

Domingos José Paciência Oliveira nasceu em Leça da Palmeira em 2 de Janeiro de 1969 e chegou ao Porto aos 13 anos de idade na companhia do amigo Vítor Baía. Miúdo franzino mas dotado de uma técnica especial foi intensivamente trabalhado pelo departamento de futebol juvenil do Porto para ganhar "músculo" até ser chamado para os seniores em 1987 quando o treinador era Tomislav Ivic (o tal que considerava que Gomes estava "finito"). O ex-júnior Domingos estreou-se nos seniores num particular em Itália contra o Foggia em 15 de Agosto de 1987 mas só a 13 de Abril de 1988 fez o seu primeiro jogo oficial pelos azuis e brancos. Foi no jogo da 30 jornada contra o Elvas em que entrou aos 64 minutos em substituição do ponta de lança brasileiro Raudnei tendo a cinco minutos do final do encontro apontado o quarto e último golo da equipa numa recarga oportuna a remate de Sousa.

Domingos era um verdadeiro ponta de lança mas ao mesmo tempo um jogador de uma qualidade técnica notável que lhe permitia jogar nas alas quando necessário. Aliás, numa entrevista em 1995, ele próprio definia-se como "um jogador útil que trabalha para a equipa" e acrescentava: "Se vir um colega em melhor posição para marcar, dou-lhe o golo. Não estou para prejudicar a equipa. Não vivo de troféus individuais, mas, sim, de triunfos colectivos." Além de ser um avançado com um bom jogo de cabeça era um jogador que pensava e executava rapidamente.

Nas 12 épocas em que jogou pelo Porto Domingos tornou-se um dos principais goleadores não sendo, apesar disso, um titular indiscutível em algumas das épocas. Depois de em 90/91 ter marcado 24 golos e ter perdido a Bola de Prata para Rui Águas a quem foi contabilizado um golo fantasma, conseguiu na época 95/96 o seu melhor registo na Liga com 25 golos em 29 jogos (sei dos quais incompletos), ganhando finalmente a Bola de Prata e conquistando também o prémio de melhor jogador do Campeonato Nacional. Em 96/97, com a chegada de Mário Jardel e uma série de arreliadoras lesões marca apenas 3 golos e termina uma primeira ligação ao Porto partindo para Tenerife.

Dois anos depois regressa ao Porto (apesar do assédio do Sporting) mas sem voltar a atingir o brilhantismo anterior. Depois de 263 jogos ao serviço do Porto com 106 golos marcados Domingos conquistou 7 campeonatos, 5 Taças de Portugal e 6 Supertaças deixando de jogar no final da época 2000/01. Lembro-me de vários golos marcados ao Sporting em Alvalade (que nos deram o campeonato) e também de alguns aos vermelhos como um em Paris que nos deu mais uma Supertaça. Representou ainda por 35 vezes a Selecção portuguesa apontando 9 golos.

Uma das histórias mais curiosas passadas com o goleador e bem ao gosto de Pinto da Costa aconteceu em 11 de Dezembro de 1995 quando perante muitos jornalistas, e depois de muitas perguntas sobre se Domingos saía para Itália, o Presidente anunciou ao seu estilo: "Meus senhores, vou apresentar-lhes o futuro ponta-de-lança do F.C. Porto. Desculpem se fala português." Às palavras irónicas e enigmáticas de PC seguiu-se a entrada na sala de Domingos reafirmando a condição de "personalidade emblemática" do clube.

Como treinador Domingos começou por orientar as camadas jovens do clube e a equipa B passando depois por Leiria, Académica e Braga tendo conseguido excelentes resultados. Terá sido um dos treinadores que esteve (?)em cima da mesa para poder orientar o Porto no início desta época. Espero que um dia o possa ver à frente do nosso clube e que esteja na final da Liga Europa contra o Porto que seria certamente um momento inesquecível.

Obrigado Domingos!

20 março, 2011

ALOÍSIO

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Numa altura em que o campeonato está praticamente ganho é bom lembrar que muito se deve à extraordinário eficácia da defesa que em 23 jogos apenas sofreu 7 golos e somente 2 fora de casa o que mostra muito da organização da equipa. Desde sempre ouvi dizer aos grandes treinadores que uma equipa se constrói a partir da defesa (o Barcelona de hoje é a excepção que confirma a regra). No Futebol Clube do Porto, e desde que vejo futebol, os grandes títulos foram sempre construídos com base em defesas sólidas que permitem à equipa ganhar confiança para atacar com mais qualidade. Por isso, hoje lembro aquele que foi, para mim, entre os que vi actuar, o melhor central a jogar no Porto (a par de Ricardo Carvalho): Aloísio Alves.

Aloísio Pires Alves nasceu em Pelotas (Estado do Rio grande do Sul - Brasil) em 16 de Agosto de 1963. Começou a sua carreira profissional num dos mais importantes clubes do Brasil, o Internacional de Porto Alegre, transferindo-se em 1988 (depois de ajudar o Brasil a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Seul) para o Barcelona onde jogou durante 2 épocas tendo conquistado "apenas" uma Taça das Taças e uma Taça do Rei sendo treinador o mítico Johan Cruyff. Em virtude de uma menor utilização na época 89/90 Aloísio decidiu aceitar o convite do Porto e, assim, chega ao clube azul e branco por empréstimo na época 90/91 sendo treinador Artur Jorge.

Apesar de nessa época não ser campeão o Porto não deixou de perceber o grande jogador que era Aloísio e adquiriu o seu passe. Foram 11 anos que representou o Futebol Clube do Porto sempre com uma qualidade impressionante. Até aos 37 anos Aloísio teve ao seu lado, entre outros, os brasileiros Geraldão, Zé Carlos, Paulo Pereira e os portugueses Fernando Couto e Jorge Costa com quem formou duplas fantásticas.

Sendo um defesa central Aloísio era um jogador de enorme qualidade técnica, bastante veloz e com uma notável capacidade de antecipar as jogadas dos adversários. Tinha ainda uma qualidade que eu aprecio muito num defesa central que é o de cometer apenas as faltas estritamente necessárias não pondo, por isso, em perigo a sua baliza com faltas desnecessárias tão características dos defesas centrais. A sua calma e qualidade foram sempre uma mais valia para a equipa do Porto e contrastava normalmente com um colega de sector mais agressivo e duro. Aloísio era "classe pura".

Nas suas 11 épocas de azul e branco ressaltam os 7 títulos de Campeão Nacional sendo um dos seis únicos "pentacampeões" de 94-99 juntamente com Jorge Costa, Rui Jorge, Rui Barros, Folha, Paulinho Santos e Drulovic. Aliás, Aloísio foi o jogador mais utilizado na saga do "pentacampeonato e tornou-se também no jogador estrangeiro com mais jogos realizados no Campeonato Nacional com umas impressionantes 332 partidas sendo o capitão em muitas delas. Conquistou ao serviço do Porto mais 5 Taças de Portugal e 7 Supertaças. Não era um defesa de marcar muitos golos mas lembro-me bem do penálti convertido no prolongamento na finalíssima da Taça de Portugal 93/94, sobre o Sporting, que nos deu a vitória e provocaria uma fúria enorme nos adeptos adversários.

No final da época 2000/01, com quase 38 anos, e apesar de alguns convites para continuar a jogar, Aloísio preferiu ficar no quadro de técnicos do clube. Esteve depois na equipa técnica de José Mourinho e comandou a equipa B até ao seu fim em 2006 saindo do clube ao fim de 16 anos. Foi ainda treinador do Vila Meã e adjunto de Jorge Costa no Braga. Hoje vive no Brasil mas continua ligado ao futebol em Porto Alegre.

Um grande OBRIGADO ao Aloísio por tudo o que deu ao clube e pelo muito que ensinou aos colegas com quem jogou.

P.S. Queria deixar aqui uma homenagem a todos os PAIS pois são eles, em grande parte, os responsáveis por transmitir aos filho(a)s toda a grandeza e história do Futebol Clube do Porto e tenho a certeza que o meu pai (apesar de já não estar entre nós) continua a vibrar com as vitórias do nosso Porto.

20 fevereiro, 2011

AURORA CUNHA

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Num fim-de-semana sem futebol ao mais alto nível por parte da nossa equipa principal, que recupera da brilhante vitória em Sevilha para confirmar na próxima quarta-feira a passagem aos oitavos de final da Liga Europa, resolvi lembrar uma atleta que durante 20 anos elevou bem alto o nome do Futebol Clube do Porto. Não pertence ao futebol mas ao atletismo e, tal como o futebol, ajudou a tornar o clube ainda mais conhecido internacionalmente.

Nascida numa localidade perto de Guimarães, Ronfe, em 31 de Maio de 1959, Aurora Cunha cedo começou a correr aos 15 anos e a dar nas vistas aos 17 quando ganha os seus primeiros títulos nacionais de 1500 e 3000 metros nos Campeonatos Nacionais de Juniores em 1976 (com recordes nacionais) ao serviço da Juventude Ronfe. Nessa altura trabalha numa fábrica têxtil e treina 3 vezes por semana em horário pós-laboral. As suas qualidades chamam a atenção dos grandes senhores do atletismo nacional e Moniz Pereira tenta levá-la para o Sporting mas o coração fala mais alto e opta pelo Porto.

Começa então a sua ascensão no mundo do atletismo do meio-fundo e fundo tendo ganho 22 títulos nacionais individuais: seis vezes nos 1500 metros (1978, 79, 80, 82, 83 e 84), oito vezes nos 3000 metros (1976, 77, 78, 79, 82, 83, 84 e 87), quatro vezes nos 5000 metros (1982, 83, 84 e 85) e outras quatro no corta-mato (1979, 80, 83 e 86) para além de uma série de títulos colectivos. A nível internacional, foi nas provas de estrada que obteve grande notoriedade já que foi Campeã Mundial de estrada 3 vezes seguidas (1984, 85 e 86) para além de 2 vitórias por equipas e outros lugares no pódio. Também foi Campeã Mundial de Pista em 1985. Passa depois para a maratona onde, apesar do abandono nos jogos olímpicos de Seul, vence as famosas maratonas de Paris e Tóquio em 1988, de Chicago em 1990 e Roterdão em 1992. Vence também as corridas S. Silvestre de São Paulo e da Amadora. À sua fantástica carreira apenas ficou a faltar uma medalha olímpica pois nas suas 3 participações nos Jogos Olímpicos (Los Angeles 84, Seul 88 e Barcelona 92) o melhor que conseguiu foi um honroso 6º lugar nos 3000 metros em Los Angeles.

Em 1993, uma gravidez que, segundo a própria Aurora Cunha, não foi planeada, provocou uma paragem e originou um conflito com o clube com acusações de parte a parte e que levou à ruptura do contrato entre as partes fazendo com que assinasse em 1997 pela Terbel mas sem que conseguisse voltar aos grandes resultados abandonando definitivamente a alta competição no ano 2000. Mantém hoje uma ligação ao atletismo divulgando a modalidade sempre que pode sendo também uma defensora da igualdade das mulheres no desporto.

Aurora Cunha foi uma atleta fantástica que serviu durante cerca de 20 anos o Futebol Clube do Porto de uma forma exemplar e que, depois de sanadas desavenças antigas, foi homenageada pelo clube aquando da inauguração do Dragão Caixa e considerada muito justamente uma das 24 lendas do Futebol Clube do Porto. Nunca deixou de manifestar o amor que sente pelo clube e ela própria reconhece que deixou de ganhar alguns milhares de contos por ter recusado uma proposta dos vermelhos para se mudar para Lisboa. Eu, pela minha parte, lembro-me de me levantar ao domingo e ir procurar os resultados desportivos e, na página do atletismo, procurar o seu nome pois já sabia que era sinónimo de mais uma vitória do nosso clube.

PARABÉNS e OBRIGADO AURORA CUNHA!

24 janeiro, 2011

PAULINHO SANTOS

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João Paulo Maio dos Santos nasceu em Vila do Conde para vida (21-11-1970) e para o futebol mas foi na cidade do Porto que se destacou verdadeiramente no mundo do futebol e se tornou num grande campeão admirado por todos os adeptos portistas. Depois de 3 épocas nos seniores do Rio Ave, transferiu-se para o Porto no início da temporada 1992/93 quando o clube tinha como técnico o brasileiro Carlos Alberto Silva.

Médio defensivo de formação, transformou-se em jogador multifacetado, com uma disponibilidade que tornava indiferente o lugar que ocupava na equipa. Sendo um batalhador, incansável, obstinado, tinha também uma boa qualidade técnica e era, acima de tudo, um jogador apto para fazer tudo e fazer bem em obediência a um superior interesse colectivo.

Depois de uma primeira época em que foi utilizado apenas a espaços pois tinha à sua frente jogadores como André e Rui Filipe começou a ganhar o seu espaço com a chegada de Bobby Robson a meio da sua segunda época tendo-se tornado fundamental na equipa do inglês que, depois, o tentou levar para o Barcelona. Felizmente ficou por cá e construiu uma carreira fantástica tendo-se tornado num dos 5 jogadores a conquistar o Penta com Fernando Santos depois dos 2 títulos de Robson e os 2 de Oliveira. Apesar de pouco utilizado, ainda seria campeão com Mourinho e vencedor da Taça UEFA em 2002/03 ano em que definitivamente pendurou as botas embora mantendo-se ligado à estrutura de futebol do Porto.

Paulinho Santos era impetuoso, às vezes exagerava, e dentro do campo não tinha amigos. Que o diga o Bino (amigo de longa data), que quando jogava no Belenenses teve um frente-a-frente com o Paulinho e os seus queixos saíram muito maltratados. Também Sergey Iuran contava que, aquando da sua passagem pelo Porto, tinha frequentes desentendimentos com Paulinho Santos mas o grupo, com os mais velhos à cabeça, rapidamente sanava tudo indo todos almoçar juntos. Mas, para além da sua qualidade futebolística, ficaram célebres os seus duelos com João Vieira Pinto. Contam ex-colegas que o Paulinho detestava o JVP mas detestava mais ainda o benfica. Ele ia para esses jogos com um único objectivo: ganhar e dar umas pauladas no JVP. E que ninguém lhe dissesse nada porque senão ainda se zangava. Como o JVP era o melhor jogador adversário e também não era de virar a cara, havia sempre grandes confusões entre os dois. Paulinho foi, muitas vezes, injustamente, apontado como o mau da fita o que o tornava ainda mais anti-vermelhos pois JVP era um protegido quer dos árbitros quer da comunicação social de Lisboa. Ficaram também célebres também duas grandes demonstrações da sua qualidade e personalidade na Europa: contra a Sampdória, em Génova, em que, jogando a lateral esquerdo, secou por completo Lombardo que era um extremo perigosíssimo e na Noruega, contra o Rosenborg, em que num jogo disputado sob neve, era o único jogador de manga curta.

Para além da sua enorme carreira no Futebol Clube do Porto onde conquistou 7 campeonatos, 5 taças de Portugal, 5 Supertaças Nacionais e 1 Taça Uefa, representou por 30 vezes a Selecção Nacional tendo apontado 2 golos (1 deles fantástico na Áustria) e participado na fase final do Euro 96, em Inglaterra.

Um grande OBRIGADO ao Paulinho Santos.

12 novembro, 2010

José SEMEDO

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Recordo hoje um jogador muitas vezes injustiçado pela massa associativa do Porto mas que foi sempre um exemplo de profissionalismo e grande entrega ao clube onde conquistou tudo o que havia para conquistar.

José Orlando Vinha da Rocha Semedo nasceu em Ovar em 5 de Março de 1965 e começou a dar os primeiros pontapés na bola a sério no Esmoriz passando depois pelo Feirense e chegando ao Porto aos 15 anos na época 1980/81. Passou pelos juvenis, juniores (onde os seus treinadores lhe foram aprimorando os seus talentos ao mesmo tempo que ia sendo imbuído do estilo e do espírito do grande clube que o recebeu) tendo chegado à primeira equipa do clube na época 1983/84 pela mão do Mestre José Maria Pedroto.

Jogador de uma qualidade técnica acima da média, Semedo era, além disso, um jogador muito rápido movimentando-se de uma forma graciosa parecendo por vezes que pairava acima do terreno de jogo tendo ganho por isso a alcunha de "Gazela de Ovar". Mas Semedo era muito mais do que um jogador rápido e habilidoso. Era um profissional de corpo inteiro, um jogador muito inteligente que podia jogar em qualquer posição do campo pois tinha uma característica que qualquer treinador gostava: era tacticamente fabuloso.

Talvez por isso, Semedo foi sempre um jogador que teve de "lutar" muitas vezes contra a própria massa associativa do Futebol Clube do Porto que o transformou no seu alvo preferido dos assobios. Mas a verdade é que, depois de ganhar experiência, a partir da época 87/88 passa a ser opção regular para todos os técnicos que chegavam ao Porto e que, pese as críticas, maior parte das vezes injustas, dos adeptos, não abdicaram da sua presença fosse como defesa lateral, médio centro ou extremo e até como avançado.

Até à época de 1993/94, apesar de algumas lesões complicadas, Semedo foi sempre um jogador fundamental no plantel azul e branco com um comportamento anti-vedeta sempre pautado pela modéstia e profissionalismo. Em 1994 sofre uma lesão grave que faz com que jogue muito pouco nas 2 épocas seguintes aparecendo envolvido num estranho caso de doping ainda hoje mal explicado. Na época 1996/97, depois de 16 anos ao serviço do Porto, assina pelo vizinho Salgueiros onde permanece durante 3 épocas arrumando as chuteiras no fim da época 1998/99. Durante a sua carreira no Futebol Clube do Porto conquistou 8 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal, 7 Supertaças, 1 Taça dos Campeões, 1 Taça Intercontinental e 1 Supertaça Europeia (tendo alinhado no jogo da 2ª mão, nas Antas). Vestiu por 21 vezes a camisola da Selecção Nacional tendo marcado 2 golos.

Semedo fez parte de grandes equipas do Porto nas décadas de 80 e 90 que, definitivamente, transformaram o clube naquilo que hoje existe: o clube mais ganhador de Portugal. Hoje faz parte do quadro de técnicos da formação do clube sendo adjunto de outro antigo jogador, Nuno Capucho, nos sub17.

Como curiosidade acrescento que conheci o Semedo pessoalmente há cerca de 20 anos por intermédio de uma amiga comum e, para além de uma pessoa extremamente simpática e afável, não teve problema nenhum em me dizer que o clube da sua preferência (de nascença) era o SL Gayvotas e que não havia problema nenhum pois era profissional e deu-me como exemplo o António Sousa que era "lagarto". Não acredito que hoje ainda seja "encornado" mas, acima de tudo, sempre admirei o Semedo como grande jogador e grande profissional do Porto.

P.S. Muitos adeptos do Porto comparam Semedo com o Mariano Gonzalez mas, em minha opinião, Semedo foi muito melhor jogador do que é Mariano Gonzalez.

10 setembro, 2010

EMERSON

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Quando o Porto anunciou a contratação ao Belenenses de Emerson, não faltou quem ficasse surpreendido e torcesse o nariz mesmo entre os adeptos portistas uma vez que não era um jogador que se tivesse destacado claramente nos 3 anos passados em Belém. Para mim, e apesar de ter estado no Porto apenas durante 2 épocas, Emerson foi um jogador que nunca mais esqueci pela sua raça, atitude e qualidade sendo ao mesmo tempo um jogador correcto e, por isso, trago aqui esta lembrança.

EMERSON Moisés da Costa, nasceu no Rio de Janeiro em 12 de Abril de 1972. Começou a carreira no Flamengo passando depois para o Coritiba chegando a Portugal com apenas 19 anos de idade para jogar no Belenenses. Depois de 3 épocas no Restelo onde ajudou o Belenenses a subir de divisão e a chegar às competições europeias, foi contratado no início da época 1994/95 pelo Porto que estava nessa altura a iniciar, sob o comando do saudoso Bobby Robson, a caminhada memorável que culminaria 5 anos mais tarde com o único pentacampeonato da história do futebol português. Curiosamente, teve a seu lado no meio campo no primeiro jogo do campeonato o malogrado Rui Filipe que acabaria por deixar o lugar vago para Emerson.

Não sendo um jogador tipicamente brasileiro pois assentava grande parte do seu jogo num fulgor físico notável, Emerson tinha, ainda assim, uma técnica superior e uma clarividência táctica notável. Jovem e ambicioso, o jogador que o Porto contratou sem grandes parangonas, antes no exercício de uma discreta política de reforço do plantel (hoje já não é bem assim) tomou conta do lugar logo na pré-temporada no renomado troféu "Teresa Herrera", na Corunha. Iniciadas as competições oficiais, manteve uma altíssima rotação ao longo de toda a época sendo uma das unidades fundamentais não só do campeonato de 94/95 como também no da época seguinte. Ao lado dele, no meio campo, estiveram, entre outros Paulinho Santos, Secretário e 2 jogadores estrangeiros de grande qualidade como Russel Latapy e Vassili Kulkov.

Durante as duas épocas em que vestiu a camisola azul e branca, Emerson foi o "Motor da equipa" desempenhando vários lugares do meio campo mas tentando sempre aparecer a finalizar marcando 10 golos. Venceu 2 Campeonatos e 1 Supertaça e sendo considerado um dos melhores médios do campeonato português. As duas grandes épocas no Porto valeram-lhe uma transferência para Inglaterra, para o Middlesbrough passando depois por Tenerife, Deportivo da Corunha, Atlético de Madrid, Glasgow Rangers, Vasco da Gama, Xanthi, AEK de Atenas, APOEL e terminando a carreira no Madureira do Brasil em 2008 já com 36 anos. Um grande jogador com um pulmão do tamanho do mundo. Quando começava a galgar terreno ninguém o parava. Deixou saudades!

24 junho, 2010

Fernando GOMES

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Numa altura em que continuamos a ouvir falar de possíveis avançados para reforçar o Porto para a próxima época mas que, até agora, não se confirmaram, vamos recordar aquele que foi, para muitos adeptos portistas, o melhor avançado centro da história do Futebol Clube do Porto: Fernando Gomes.

Nascido no Porto a 22 de Novembro de 1956, Fernando Mendes Soares GOMES, chegou ao Futebol Clube do Porto pela mão de seu pai, com apenas 14 anos, que o levou a um treino de captação no "velhinho" Campo da Constituição dirigido por António Feliciano que rapidamente percebeu as qualidades do jovem. No entanto, como não havia escalão de iniciados, só no ano seguinte, já com 15 anos, é que se estreia pelos juvenis do clube começando desde logo a sua saga de marcador de golos.

Com Béla Guttmann começou a treinar com os seniores mas foi com o Brasileiro Aimoré Moreira que fez o seu primeiro jogo com a equipa principal. A 8 de Setembro de 1974 num jogo contra o Desportivo da CUF, o treinador brasileiro lançou Fernando Gomes que lhe agradeceu marcando os 2 golos da vitória do Porto. Foi uma estreia auspiciosa e no fim do jogo, Aimoré Moreira dá o seu veredicto: "O garoto-prodígio deve jogar ali mesmo em frente da baliza do adversário." Começa nesse dia uma carreira fantástica que o tornará num dos melhores marcadores de sempre do futebol português tendo sido mesmo o melhor marcador do Campeonato Nacional com 318 golos dos quais 288 com a camisola do Porto e 20 nas 2 últimas épocas que jogou no Sporting.

Gomes foi 6 vezes melhor marcador nacional conquistando o seu primeiro título em 76/77 já com Pedroto repetindo em 77/78 e ajudando o Porto a quebrar o jejum de 19 anos. Na época seguinte (78/79) faz o tri com o bi-campeonato. No fim da época 79/80, e depois do Verão quente que leva ao afastamento de Pedroto e Pinto da Costa e de quem Gomes é um dos principais defensores, vai para o Gijon onde começa bem (5 golos no primeiro jogo num torneio de Verão) mas uma lesão no tendão de aquiles afasta-o do resto da época, não mais voltando a conseguir impor-se. Na época 82-83, já com Pinto da Costa como presidente e Pedroto de novo como treinador, regressa ao Porto e nessa época volta a ser o melhor marcador do campeonato e conquista ainda a sua primeira bota de ouro europeia com 36 golos. Repete o título de melhor marcador nacional em 83/84 e na época seguinte, já com Artur Jorge como treinador, faz o tri e repete a conquista da bota de ouro europeia com 39 golos ficando conhecido pelo "bi-bota".

Esteve nas grandes conquistas europeias dos anos 80. Na caminhada até à final da Taça das Taças em 84 lembro-me do golo marcado nas Antas aos 89' (1-0) contra o Dinamo Zagreb (1ª eliminatória) depois da derrota 2-1 na 1ª mão e que provocou uma explosão de alegria enorme. Em 86/87 participou activamente na conquista da Taça dos Campeões com 4 golos (9-0) ao Rabat Ajax de Malta na 1ª mão (jogo no Estádio dos Arcos em Vila do Conde) e mais 1 golo decisivo em Kiev a selar o apuramento para final. No entanto, uma grave lesão (perna partida) num treino a 14 de Maio impede-o de disputar a final de Viena. No meio do infortúnio diz a Juary: "Vou ver se consigo adiar a final da Taça dos Campeões." Regressou na época seguinte e participou na magnífica vitória de Tóquio contra o Peñarol de Montevideu marcando o primeiro golo do jogo (o segundo seria de Madjer) e levantando a Taça Intercontinental. Voltou a estar nos dois jogos da supertaça Europeia onde não marcou mas ajudou o Porto com um passe a isolar Rui Barros para este marcar o único golo da 1ª mão.

Fernando Gomes não era só um marcador de golos. Era um jogador muito inteligente, de grande qualidade técnica e com um forte jogo aéreo e bastante rápido o que lhe permitia surpreender os defesas adversários com desmarcações oportunas e imprevisíveis tornando-o extremamente difícil de marcar. Foram centenas os golos que marcou e ficou célebre a sua frase: "Marcar um golo é como ter um orgasmo." Gomes era um líder dentro do campo (onde capitaneou o Porto muitas vezes) e também fora dele onde sempre que era preciso fazia ouvir a sua voz contra o que não estava bem. Foi o caso do Verão quente de 1980 em que foi um dos líderes da revolta dos jogadores contra a dispensa, por parte do presidente Américo de Sá, de Pedroto e a saída de Pinto da Costa. Em 1987 protagonizou com o treinador Tomislav Ivic mais um conflito levando este a dizer: "Gomes é finito". Ivic substituiu-o no jogo da 2ª mão da Supertaça Europeia nas Antas impedindo Gomes de receber a Taça o que provocou um coro de assobios e apupos dirigidos ao treinador por parte dos adeptos. No ano seguinte, chega Quinito para treinar o Porto e este tem mais uma tirada célebre: "A equipa do Porto é o Gomes mais 10". A meio da época, Quinito é despedido e regressa Artur Jorge. Pouco depois, o Porto vai jogar à Madeira e depois de uma chegada tardia ao hotel e durante o jantar, já perto da meia-noite, dá-se mais uma confusão. A mesa dos dirigentes e técnicos começa a ser servida primeiro e os jogadores começam a protestar pois entendem ter de ir descansar. Por altura da sobremesa a demora é tanta que os jogadores resolvem levantar-se e ir embora para os quartos sem a comer. Nessa altura, Gomes e Octávio (treinador adjunto) envolvem-se uma discussão acalorada com Gomes a insultar Octávio. No dia seguinte é o próprio Presidente Pinto da Costa que o informa de que está suspenso e que deve voltar sozinho para o Porto. Na sequência desse incidente, o Porto não renova com Fernando Gomes pelo que o bi-bota assina pelo Sporting terminando a sua carreira no fim da época 1990/91.

Para além dos clubes, Gomes foi 48 vezes internacional A tendo apontado 13 golos pela selecção portuguesa. Participou nas fases finais do Euro 84, em França e Mundial 86, no México, onde também esteve envolvido no chamado "Caso Saltillo" com os jogadores a quererem receber mais dinheiro e a fazerem greve aos treinos. Depois de um período afastado do clube do coração, Pinto da Costa e Fernando Gomes voltaram a entender-se e, hoje, Gomes, que chegou a ser falado como futuro presidente do Porto, participa activamente no clube designadamente em actividades junto das casas do F.C. Porto.

29 maio, 2010

ANDRÉ

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Utilizando este espaço para lembrar grandes jogadores e outras personalidades que passaram pelo Futebol Clube do porto, não podia faltar aquele que foi, para mim, um dos melhores (senão o melhor) médios defensivos (trinco) que vi jogar no Porto.

António dos Santos Ferreira André nasceu no dia 24 de Dezembro de 1957 em Vila do Conde (Caxinas). Oriundo de uma família de pescadores, André andou entre os 10 e os 16 anos no barco do pai mas, o destino da vida havia de o levar ao futebol. Começou nos escalões de formação do Rio Ave com 14 anos mas só conseguia ir aos treinos quando o tempo não permitia que fosse para o mar. Aos 17 anos assinou pelo Varzim o seu primeiro contrato profissional deixando a pesca definitivamente e ajudando a sua equipa a subir de divisão. Um desacordo de verbas no ano seguinte fizeram-no parar 1 ano e depois de uma passagem pelo Ribeirão regressou ao Varzim onde se manteve até 1984.

Na época 1984/85 já com 26 anos, e ainda por indicação de José Maria Pedroto (uma das suas grandes mágoas foi precisamente o nunca ter sido treinado por Mestre Pedroto que já o tinha tentado contratar alguns anos antes aquando da sua ida para Guimarães), o Porto avançou para a sua contratação depois das saídas de Jaime Pacheco e Sousa para o Sporting. Juntamente com Quim, contratado ao Rio Ave na mesma altura, André viria a tornar-se durante as 11 épocas seguintes, uma grande figura do "novo" Futebol Clube do Porto que se afirmaria não só em Portugal como no mundo.

Jogador do meio campo distinguia-se pela sua generosidade na entrega ao jogo, com respeito de companheiros e o temor dos adversários, sempre com um espírito guerreiro que lhe advinha da suas origens como pescador e um estilo impetuoso mas sem maldade. Embora transmitisse a imagem de um "carregador de piano", André impôs-se na equipa como um jogador polivalente interpretando de uma forma fiel e com grande rigor todas as ordens do treinador. Lembro-me de o ver jogar várias vezes como defesa central (apesar de medir pouco mais de 1,70m), em todas as posições do meio campo e até como avançado.

Não sendo um tecnicista, tinha bons pés e, acima de tudo, uma vontade férrea de fazer as coisas bem feitas. Era um jogador "à Porto", um verdadeiro Dragão dentro do campo e que contagiava a equipa com o seu espírito indomável. Fez o seu último jogo contra o Tirsense na derradeira jornada de 94/95 (o primeiro do Penta) com quase 38 anos. Participou activamente nas brilhantes conquistas europeias de Viena, Tóquio e Supertaça Europeia e, além disso, conquistou ainda 7 títulos nacionais, 3 Taças de Portugal e 4 Supertaças. Participou em 253 jogos com a camisola azul e branca tendo apontado 23 golos. Foi ainda internacional "A" em 19 ocasiões tendo participado no Mundial de 1986, no México.

Como treinador adjunto esteve na conquista do "Penta" com Fernando Santos e nas grandes conquistas europeias do Porto de José Mourinho. Ainda hoje permanece ligado ao Porto.

Um grande DRAGÃO!

30 abril, 2010

ARTUR JORGE

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Numa altura em que tanto se especula sobre o próximo treinador do Porto, vou recordar aquele que é, para mim, uma das maiores referências como treinador e que ajudou a transformar de uma forma decisiva o F.C. Porto no grande clube mundial de hoje. Como treinador do Porto, além do título de Campeão Europeu brilhantemente conquistado no Estádio do Prater em Viena contra o Bayern, venceu ainda 3 campeonatos nacionais, 1 Taça de Portugal e 3 Supertaças Nacionais.

Artur Jorge de Braga Melo Teixeira, nasceu na freguesia da Sé, no Porto, a 13 de Fevereiro de 1946 e desde cedo começou a demonstrar um enorme talento para o desporto. Apesar de vários apelos do basquetebol e do voleibol resolveu jogar futebol e, para isso, fundou um clube: o Centro Académico Futebol Clube. Pouco tempo depois vai para o Académico do Porto onde encontra Pedroto que, sendo treinador do Porto, o leva, aos 16 anos para o Futebol Clube do Porto. Com a camisola azul e branca conquista o Campeonato Nacional de Juniores e é chamado para a equipa principal do Porto aos 18 anos mas uma grave lesão leva-o a uma longa paragem.

Artur Jorge entendia que os estudos eram fundamentais e, por isso, vai para Coimbra onde consegue conciliar o futebol e os estudos, tornando-se peça fundamental da Académica. Em 1969, cumpria serviço militar e foi impedido pela PIDE de estar presente na Final da Taça pela Académica (era úm dos jogadores mais importantes e o goleador principal) contra o Benfica (já nessa altura usava "esquemas" para facilitar as suas conquistas). Curiosamente (ou talvez não) transfere-se para os vermelhos onde conquista por 2 vezes o título de melhor marcador. Segue-se o Belenenses onde uma grave lesão o leva terminar a carreira.

Já formado em "Germânicas", entende que Portugal não lhe consegue proporcionar as melhores condições para a sua evolução como treinador e vai para Leipzig, na RDA, frequentar durante vários meses um curso de Futebol que conclui com a nota máxima. Visto com desconfiança pelos seus pares em virtude do seu gosto pelas letras regressa a Portugal e Pedroto convida-o para a integrar a sua equipa técnica no Porto. No entanto, o Porto falha a conquista do tri-campeonato e Pedroto deixa o clube em litígio com o então presidente Américo de Sá assinando pelo Guimarães e mantendo o convite a Artur Jorge. Depois dessa experiência com Pedroto, assume o seu primeiro trabalho como técnico principal do Belenenses donde sai por motivos financeiros a meio da época. A meio da época seguinte, toma conta do Portimonense em último lugar e leva-o até ao 6º lugar final mantendo-se no clube na época seguinte. Depois de um ano e mais uma aposta na sua qualificação profissional, ingressa então no Porto. Terá sido mesmo José Maria Pedroto, já gravemente doente e antes da Final de Basileia, a aconselhar Pinto da Costa a contratar Artur Jorge.

A sua primeira época no Porto (1984/85) é muito boa com o Porto a praticar um futebol excelente e a recuperar o título que fugia desde 1979. Apesar de perder Pacheco e Sousa para o Sporting e ter ido buscar em retaliação ao mesmo Sporting um "desconhecido" Paulo Futre mais André ao Varzim e Quim ao Rio Ave, Artur Jorge forma uma equipa de combate com as mais valias Futre e Gomes. Essa época tem o seu ponto mais negro na eliminação na 1ª eliminatória da Taça das Taças perante um desconhecido Wrexham da IV Divisão inglesa numa noite de temporal (onde estive presente) em pleno estádio das Antas onde o Porto venceu por 4-3 depois de ter perdido 0-1 no País de Gales muito por causa do castigo a Zé Beto em consequência das suas atitudes na final da Taça das Taças perdida para a Juventus. O Porto contratou o sérvio Peter Borota ao Boavista para jogar na Taça das Taças e este tornou-se no carrasco nesse jogo de má memória jogado debaixo de chuva e vento fortes.

Na época seguinte o Porto volta a ser campeão mas só na penúltima jornada consegue passar para a frente beneficiando da derrota do Benfica com o Sporting em casa e de uma vitória muito feliz por 1-0 no Bonfim contra o Setúbal com um fantástico golo de Futre que pegou na bola ainda no meio campo do Porto e fintou todos os adversários que lhe apareceram no caminho. Foi uma época muito difícil e, por isso, o bi-campeonato foi efusivamente festejado.

Na época 86/87 as competições internas voltam a não correr bem mas o Porto de Artur Jorge consegue tornar-se Campeão Europeu depois de uma caminhada irrepreensível com apenas uma derrota (Vitkovice 1-0, em Ostrava), um empate (Brondby 1-1, na Dinamarca) e 7 vitórias. Entre essas vitórias esteve a da final de Viena com Madjer e Juary a marcarem os golos decisivos e onde Artur Jorge teve um papel decisivo quer com as substituições operadas quer com a palestra ao intervalo para desinibir os jogadores. Foi a consagração definitiva do treinador-poeta.

Depois do título europeu não resistiu aos apelos do futebol francês e assumiu o comando do Matra Racing onde se manteve durante duas épocas. Regressa ao Porto a meio da época 88/89 para voltar a ser campeão na época seguinte. Nessa época de 89/90, Artur Jorge constrói uma nova equipa assente em jogadores como Vitor Baía (bate o recorde de inviolabilidade da baliza), João Pinto e Domingos Paciência entre outros que viriam a ser fundamentais para a reconquista do título e para torna o Porto como o clube dominador em Portugal. No fim dessa época volta a sair para o futebol francês (PSG) onde é campeão e vence uma taça de França passando a ser conhecido em Paris por "Le Roi". Depois passou por outros clubes "menores" e pelas selecções da Suíça, Portugal e Camarões mas sem grande sucesso.

Artur Jorge é um treinador que eu admiro profundamente. Para além de uma pessoa extremamente culta era um treinador que estudava os adversários como ninguém (talvez Mourinho tenha essa capacidade) lia muito bem o jogo e era exigente com os jogadores. Depois das suas saídas do Porto nunca se lhe ouviu uma palavra contra o clube (nem quando treinou os vermelhos) antes pelo contrário. Mostrou sempre um grande respeito para com o Porto e foi sempre muito bem recebido no Dragão. Um grande treinador!

05 março, 2010

JAIME MAGALHÃES

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Quando se fala no Porto nas grandes vitórias do Porto dos anos 80, um dos jogadores que rapidamente me vem à memória é Jaime Magalhães. Pessoa simples e humilde era um jogador que punha o colectivo acima do pessoal e que deixava sempre tudo dentro de campo. Foi um jogador a quem, quanto a mim, não foi dado o devido destaque durante a sua carreira mas que foi peça fundamental nas grandes conquista do Porto dos anos 80 e princípios de 90.

Jaime Fernandes Magalhães nasceu no Porto a 10 de Julho de 1962 e foi um produto genuíno das escolas de formação do Futebol Clube do Porto onde ingressou aos 14 anos na época 1976/77. Disputou o primeiro jogo pela equipa principal do Porto com 18 anos, em 21 de Setembro de 1980, contra o Boavista no Estádio do Bessa vencendo por 1-0. Durante 15 anos consecutivos envergou a mítica camisola azul e branca conquistando todos os títulos nacionais e internacionais de clubes que havia para conquistar.

Jaime Magalhães foi um médio ala direito poderoso dotado de uma técnica invulgar e de uma raça extraordinária e que conseguia cruzamentos fantásticos, quase teleguiados para a cabeça de Gomes, Madjer, Domingos e companhia. Aliava a estas qualidades individuais uma cultura táctica excelente o que o tornava num jogador fundamental para qualquer treinador. Era um verdadeiro jogador à Porto. Com o "Grande Capitão" João Pinto formou uma ala direita temível e responsável por muitos dos grandes êxitos do Porto de então. Curiosamente, Jaime Magalhães foi titular em todas as finais europeias dos anos 80 e só por uma vez foi substituído: precisamente a primeira final europeia do Porto perdida para a Juventus em Basileia em 1984. Em todas as outras finais disputou os jogos do princípio ao fim contribuindo para algumas das mais bonitas páginas da história do Porto.

Durante as 15 épocas consecutivas em que participou pelo Porto (1980/81 a 1994/1995) marcou 38 golos venceu 7 campeonatos, 4 Taças de Portugal, 8 Supertaças Nacionais, 1 Taça dos Campeões Europeus, 1 Supertaça Europeia e 1 Supertaça Intercontinental tornando-se um dos jogadores com mais títulos na história do Futebol Clube do Porto. Na época 87/88 marcou um dos golos mais importantes da sua carreira. Na final da Taça de Portugal, no Jamor, contra o Vitória de Guimarães (onde estive ao vivo) o Porto fez um jogo fraquinho, muito táctico como Tomislav Ivic gostava, sem grandes rasgos, até que aos 83 minutos Magalhães marca um belo golo, sentencia o jogo e proporciona a conquista da "dobradinha" pela 2ª vez no historial do Porto 32 anos depois da 1ª. Os adeptos agradecem a Magalhães mas não perdoam a Ivic o seu futebol calculista e "chato" fazendo com que o croata não se mantenha na época seguinte.

Depois da sua saída do Porto com 33 anos no fim da época 1994/95, Jaime Magalhães joga apenas mais uma época no Leça F.C. onde faz poucos jogos devido a uma grave lesão. Foi internacional nos escalões de formação e internacional "A" por 20 vezes com destaque para a presença no Mundial do México em 1986.

Jogadores como Jaime Magalhães houve poucos e fico sempre com a sensação que não teve o destaque que merecia quer pela sua qualidade futebolística quer pela sua dedicação ao clube. Foi, para mim, o melhor ala direito que eu vi actuar vestido de azul e branco e ainda hoje é possível vê-lo no Dragão. Um grande obrigado ao Jaime Magalhães por tudo o que deu ao clube e por todos os títulos que ajudou a conquistar e que tantas alegrias deram aos adeptos portistas.