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03 dezembro, 2011

Até quando?

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Pela enésima vez, voltam a sair para os jornais notícias que dão conta de atrasos no pagamento dos salários aos jogadores das nossas modalidades de pavilhão…

Desta vez foi o Diário de Notícias a trazer o assunto para a praça pública. Diz a notícia que há "quem não tenha recebido um tostão desde que a época começou". Uma VERGONHA, portanto.

Não vou aqui entrar nas habituais confusões de misturar a SAD com o clube, nem criticar o dinheiro bem ou mal gasto no futebol… Apenas quero fazer a defesa de uns atletas de uma dedicação extrema e que dão tudo o que têm em prol do nosso clube.

Do meu ponto de vista estamos perto do limite. É urgente arranjar uma solução que resolva de vez este tipo de problemas.

Todos sabem que a questão passa por secções auto-suficientes. Mas será isso possível? Qual a base para se conseguir ser auto-suficiente? Sponsorização? À partida o FC Porto tem conseguido bons parceiros nessa área. Vitalis, Ferpinta, Império Bonança e, mais recentemente, a BetClic. Pelos vistos não chega…

Outra das soluções poderia passar pelo aumento do preço dos bilhetes dos jogos realizados no Dragão Caixa. Geralmente o preço para sócios não ultrapassa 1/2 euros, mas penso que numa altura de crise geral, esta não seria a melhor medida a tomar. Até porque se na maior parte das vezes os pavilhões já estão vazios, uma medida que acarretasse o aumento dos preços seria mais uma “desculpa” para tantas cadeiras vazias.

Acredito que as pessoas responsáveis estejam a repensar na estratégia que permita cumprir com as obrigações junto dos nossos atletas, mas convém não demorarem muito porque há quem continue a dignificar a nossa camisola de uma forma brilhante e que mereça um tratamento bem melhor do que aquele que tem recebido até agora.

Salários em atraso? ATÉ QUANDO???

Um abraço,
Sevilha03

19 novembro, 2011

O sonho começa hoje…

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Todos nós temos sonhos em diversos campos da vida. O meu sonho desportivo tem um nome, Liga Europeia de Hóquei em Patins.

Desde miúdo que a conquista desta competição se tornou praticamente uma obsessão. Já estivemos muito perto de nos sagrarmos campeões da Europa pela 3ª vez na nossa história, mas sempre nos tem faltado aquela pontinha de sorte que distingue a glória da desilusão.

Nos últimos 15 anos perdemos um número infindável de finais. O grande carrasco tem-se chamado FC Barcelona, recordista de vitórias na prova, com 19 troféus no seu largo historial.

A derrota que mais me custou foi sem dúvida a da época 1999/2000, onde perdemos com o Barcelona na final realizada no lotado Pavilhão Rosa Mota. Recordar aquele famigerado dia é lembrar uma desilusão que ainda hoje está atravessada e que apenas será ultrapassada no momento em que o meu/nosso clube voltar a levantar a linda taça da Liga Europeia.

Nas 2 últimas épocas voltámos a estar perto de conquistar o troféu, mas, mais uma vez, a sorte não nos sorriu e fomos eliminados sem perder! Saímos de Valdagno com uma vitória e um empate, e fomos eliminados em Andorra no desempate por penaltys frente ao Liceo da Corunha, equipa que viria a conquistar a competição.

E se acabámos a nossa participação em 2010/11 na meia-final com o Liceo, a sorte ditou um reencontro com a mesma equipa para a 1ª jornada da edição deste ano da prova.

O Liceo mantém praticamente a mesma equipa da época passada, por isso espera-se que o jogo desta tarde seja bastante duro. Num grupo com Valdagno e Liceo torna-se importantíssimo não perder pontos em casa. Que esta tarde o Dragão Caixa seja um inferno!

Quanto à nossa equipa, acredito que apesar da saída de um grande jogador como é o caso de Emanuel Garcia, estamos mais fortes e temos um plantel mais equilibrado. As entradas de Caio, Tiago Santos e Nélson Pereira vieram trazer algum sangue novo à equipa. O treinador também mudou, mas penso que a competência se mantém ao mais alto nível. Tanto Franklim Pais como Tó Neves são profissionais de corpo e alma, por isso nesse campo não ficámos a perder. Mas é sempre justo enaltecer o brilhante trabalho de Franklim Pais ao longo desta última década que nos permitiu conquistar um decacampeonato que nos enche a todos de orgulho!

Tó Neves, Filipe Santos, Pedro Moreira, Caio, Pedro Gil, Nélson Filipe, Gonçalo Suissas, Nélson Pereira, Edo Bosch, Reinaldo Ventura e Tiago Santos… São estes os nomes que nos vão conduzir à glória! Nunca acreditei tanto como nesta época… Fézada, “feeling”… chamem-lhe o que quiserem… EU ACREDITO!!! :)

Um abraço,
Sevilha03

PS1: Também hoje se disputa o escaldante FC Porto-slbenfica em andebol, espero que também aqui possamos todos ter uma enorme alegria. E que na próxima semana o meu amigo Lucho possa escrever um post cheio de vitórias das modalidades do nosso clube. Queremos 4 de 4! :)

PS2: Queria dedicar este post aos “maluquinhos” que continuam a apoiar e a defender com unhas e dentes as modalidades do FC Porto, ao meu amigo Lucho por ser o expoente máximo dessa defesa intransigente das modalidades do nosso clube, e aos meus amigos que me acompanharam nas viagens a Valdagno e a Andorra para acompanhar a nossa equipa de hóquei aquando da disputa dos 2 últimas fases finais da Liga Europeia! Vai ser este ano!

17 setembro, 2011

Um Porto de Champions... o Regresso!

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Um ano e alguns meses depois o FC Porto está de regresso à maior competição de clubes do mundo.

Na passada 3ª feira, o estádio do Dragão voltou a receber a magia única de um jogo da Liga dos Campeões. A emoção provocada pelo hino oficial da Champions antes do início dos jogos, os grandes jogadores, as melhores equipas, o respeito por este jogo que todos amamos… tudo isto faz parte do fascínio que esta competição provoca em adeptos, jogadores e treinadores.

Ver o nosso clube de volta à Liga dos Campeões é, no fundo, ver o FC Porto a regressar ao seu habitat natural. Estar entre os melhores é um desígnio deste clube, e não é por acaso que o FC Porto é um dos clubes com mais participações desde que a antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus passou a ser denominada por Liga dos Campeões.

Recorde-se que o nosso clube foi o único pertencente a um país que não um dos “4 grandes” (Espanha, Inglaterra, Itália e Alemanha) a ganhar a maior competição europeia de clubes nas últimas 16 épocas.

Acredito que o desempenho europeu desta época vai ser muito positivo. Sei que repetir Gelsenkirchen é praticamente impossível, mas podemos chegar longe na competição. E com uma pontinha de sorte nunca se sabe se Munique não passará de sonho a realidade…

Para já, 3 pontos no bolso, um golo “Incrível”, uma brilhante exibição desse enorme talento chamado James Rodríguez e uma excelente actuação frente a uma equipa recheada de óptimos jogadores.

O sonho começou na 3ª feira… Acordem-me no dia 19 de Maio!

Um abraço,
Sevilha 03

24 agosto, 2011

Helton, vai-te preparando para levantar mais uma taça!

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Qualquer Portista sabe que o prazo de validade para os festejos de vitórias e títulos do nosso clube dura cerca de 24 horas. Passado esse tempo, a cabeça passa, de forma natural, a apontar para o próximo jogo/competição. É assim a forma de viver de um clube vencedor como o FC Porto.

Começamos a nova temporada com a cabeça colocada na disputada da Supertaça nacional frente ao “Derrota” de Guimarães. Vencido o jogo de Aveiro, todas as atenções viraram-se para a 1ª jornada da Liga 2011/12 frente ao mesmo adversário. Nova vitória e pensamento no recém-promovido Gil Vicente. Superado o clube gilista, toda a concentração vai agora para o encontro da próxima sexta-feira a contar para a Supertaça Europeia.

No próximo dia 26 de Agosto, vamos defrontar uma grande equipa, recheada de grandes jogadores e considerada por muitos a melhor de sempre. Temos por isso uma oportunidade única para fazer história. Vencer o Barcelona não é, de todo, impossível. Muito difícil, mas não impossível. Considero mesmo ser um desafio à altura do FC Porto. Só um clube com o perfil guerreiro do nosso é capaz de um desafio como aquele que nos espera no Mónaco.

Admito, estou ansioso que as 19h45 de sexta-feira cheguem. Repetir o feito do dia 13 de Janeiro de 1988, quando o FC Porto bateu o Ajax no estádio das Antas por 1-0 na 2ª mão (já tínhamos vencido em Amesterdão pelo mesmo resultado), seria fantástico e mais um momento que ficaria gravado a letras de ouro na riquíssima história do FC Porto.

Vamos Porto! Lutem por nós! Vençam por nós!

Um grande abraço,
Sevilha03

PS: Queria aproveitar esta oportunidade para desejar uma óptima viagem a todos os meus amigos que se vão deslocar ao Mónaco. Divirtam-se e… TRAGAM A TAÇA!

13 agosto, 2011

SCUM

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Nos últimos dias todos temos assistido à onda de violência e vandalismo que tem assolado Londres e que se propagou a outras cidades inglesas. No meio de todas estas imagens assustadoras e que nos mostram o barril de pólvora em que vivemos, também nos chegam outras que representam o lado oposto. Pessoas que se organizaram para na manhã seguinte ao caos virem para as ruas e ajudarem na limpeza da sua cidade. Imagens de dezenas de pessoas, homens, mulheres, crianças. Todos de vassoura na mão, alguns com t-shirts onde escreveram a seguinte mensagem: “looters are scum” (saqueadores são escumalha).

Salvo as devidas diferenças na gravidade dos assuntos, não pude deixar de pensar que também a escumalha jornalística, cada vez mais presente no nosso jornalismo desportivo, precisa, urgentemente, de uma limpeza.

Esta semana assistimos ao branqueamento de mais um caso relacionado com o clube do milhafre. O jornal “A Bola”, que se auto-intitula de bíblia do desporto, mas que, de tão baixo e desprezível, não passa da pífia do desporto, decidiu voltar a mostrar toda a sua equidade (ironic mode). Pedro Proença, árbitro que ainda recentemente nos lembrou a sua condição de associado vermelhusco ao nos sonegar 3 ou 4 penaltys no jogo de Aveiro, foi cobardemente agredido dentro de um shopping localizado em frente ao estádio sem Luz, por um adepto confesso dos enc@rnados e já conhecido das autoridades por ter provocado vários desacatos no final de jogos do Sport Capital do Império e Benfica. Pelo menos numa coisa o árbitro que gasta quase tanto gel como todos os jogadores da 1ª Liga teve sorte, desta vez, ao contrário dos polícias que não viram o amigo do Moretto ser agredido em pleno aeroporto de Lisboa (estavam a ver os aviões a passar), os seguranças do Centro Comercial Colombo estavam atentos e conseguiram deter o indivíduo e chamar a polícia para identificação.

Na 3ª feira quando me dirigi a um quiosque perto de casa para comprar o jornal, deparei-me com as capas de todos os desportivos e, para minha surpresa (ou talvez não), “A Bola” quase que me obrigava a colocar os óculos só para ver a notícia da referida agressão. Como não tenho memória de peixe, recordei-me da capa do mesmo jornal aquando da suposta agressão a um (asqueroso) vice-presidente do clube enc@rnado.

Não me levem a mal, mas pergunto eu, que raio de jornalismo é este? Mas uma (suposta) agressão no Porto vale mais que outra em Lisboa? Porquê?

Se isto ainda fosse o primeiro caso destes… Mas todos nos lembramos da diferença de tratamento que tiveram os casos do túnel na Luz na época 2009/10 e a, no mínimo, tentativa de agressão de Jorge Jesus a um jogador do Nacional em pleno relvado…

Sinceramente, estou farto!

Um abraço,
Sevilha03

30 julho, 2011

O elogio a quem o merece

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No desporto os holofotes estão sempre apontados a jogadores, treinadores e aos mais altos dirigentes dos clubes. No entanto, há muitos outros que trabalham com a mesma dedicação para permitir o bom desenrolar de toda a actividade desportiva. Pessoas que trabalham em prol do clube e que nem sempre são devidamente valorizadas, mas cuja importância é decisiva na vida dos clubes desportivos.


Neste post gostaria de fazer o elogio dessas pessoas que trabalham na sombra, mas que ajudam ao contínuo crescimento do FC Porto.

O nosso clube está, felizmente, recheado de pessoas de uma dedicação e competência extrema. E são elas que fazem do FC Porto o melhor clube português. Em futebol, hóquei em patins, andebol, basquetebol... em tudo!


Poderia destacar tantas e tantas pessoas, mas optei pelo Dr. Nélson Puga, ex-atleta de voleibol do clube e actual médico da equipa profissional de futebol sénior do FC Porto. E faço-o porque é fantástico vê-lo a vibrar com as nossas vitórias, a festejar os nossos golos… É dos nossos! Sente-se a paixão que tem pelo FC Porto, e isso não tem preço. Podermos ter um profissional deste calibre, que ainda por cima ama o nosso clube desta maneira, é um perfeito 2 em 1.

Aqui fica o meu/nosso agradecimento ao Dr. Nélson Puga, bem como a todos os que ajudam o FC Porto a ser cada vez mais o melhor clube português e um dos maiores do Mundo.

Um abraço,
Sevilha03

16 julho, 2011

O perfil genético do Dragão

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Todos os clubes desportivos têm um perfil genético que os identifica. O FC Porto não é, naturalmente, excepção.

As últimas 3 décadas têm sido de um crescimento e sucesso ímpares. A acompanhar esse crescimento, esteve a mudança progressiva no perfil genético do adepto portista. As gerações mais antigas lembram-se perfeitamente dos traumas com a passagem para o lado de lá da ponte D. Luís. Hoje em dia isso não sucede. Há um espírito positivo, de conquista. O nosso clube joga sempre para ganhar! Sem olhar ao nome do adversário. O mais importante é respeitar a mágica camisola azul e branca. E essa obriga-nos a lutar sempre pela vitória! Seja em que campo/pavilhão for. Em Portugal, no estrangeiro, com sol, chuva ou neve. Sem medos.

Obviamente que a base mais importante desse perfil genético mantém-se inalterada e está intimamente ligada à história da “Antiga, mui Nobre, Sempre Leal e Invicta cidade do Porto”. Cidade de gente honesta e trabalhadora, o Porto sempre foi conhecido por ser uma cidade incapaz de virar a cara à luta e que sempre defendeu com unhas e dentes os seus ideais e valores. Com uma base social feita desta estirpe, seria impossível ao FC Porto ter um perfil genético diferente das gentes da cidade que lhe deu o nome.

Falar do FC Porto é falar de garra, espírito de sacrifício, superação, férrea vontade de ganhar e ultrapassar as adversidades.

E vem isto a propósito do quê? Pois é meus amigos, como todos sabemos, André Villas-Boas deixou recentemente o nosso clube e rumou ao luxuoso bairro londrino de Chelsea, onde vai encontrar um clube cheio de dinheiro mas com uma história incomparavelmente menor à do nosso clube. Fruto de uma relação fortíssima construída ao longo da última época entre treinador e adeptos, a separação esteve longe de ser fácil, mas faz parte do passado.

Entretanto, e como diria a música do Rui Veloso, “os lampiões (cada vez mais) tristes e sós” tinham o seu momento mais feliz dos últimos tempos e festejavam efusivamente a partida de AVB para terras de Sua Majestade. Sim, o mesmo que há um ano atrás não passava de uma fotocópia de má qualidade do Special One. O tal miúdo que não conseguiria combater o mestre da chiclete.

O Marquês de Pombal encheu-se, as noivas de Santo António saíram à rua, o champanhe esgotou… Lisboa vive em festa desde que o JN anunciou a saída do cenourinha na capa da sua edição de 20 de Junho.

Aquilo que os adeptos do clube do apagão se esquecem é que no meio disto tudo há um (grande) mas…

É que o nosso FC Porto é feito de uma fibra diferente e não se deixa abater facilmente. É isso que nos distingue dos outros. O tal perfil genético.

Por isso, nada de pessimismos! Até porque se há clube que é capaz de reagir na adversidade e superar uma situação como esta, esse clube foi fundado em 1893 e chama-se Futebol Clube do Porto!

SOMOS PORTO! Estamos vivos! Vamos a eles! Sem medos. Como sempre!

Um abraço,

Sevilha03

06 julho, 2011

Parabéns, Sevilha03!

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O que faz um clube de futebol ser maior do que a vida?
Nós! Porque só nós sabemos o que é amar um clube de uma cidade pequena, de num País pequeno, mas um GRANDE CLUBE MUNDIAL!!!


aMIGO, Muitos Parabéns!!!

São os votos de todos os colaboradores/as deste espaço de tertúlia.



01 maio, 2011

Entrevista EXCLUSIVA com Augusto Silveira

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Esta semana trago-vos mais uma entrevista com um ex-atleta da secção de andebol do nosso FC Porto.

Augusto Silveira, actual guarda-redes da Académica de S. Mamede, iniciou a sua ligação ao FC Porto na época 87/88 (juvenis), tendo finalizado o seu percurso nas camadas jovens do clube na época 91/92, ano em que venceu o campeonato nacional da 2ª divisão de esperanças (juniores).

Ainda de Dragão ao peito, estrear-se-ia como sénior na época seguinte (92/93) com um 7º lugar na classificação final. Após esse ano de azul e branco, seguiu a carreira em outros clubes (Fafe, Boavista Maia, Módicus, Srª. da Hora e Cale), tendo ainda nova passagem pelo FC Porto na época 97/98, onde viria a terminar o campeonato em 2º lugar após uma derrota no campo do ABC na última jornada quando bastava um empate para terminar com o longo jejum de títulos de campeão nacional do andebol do clube (viria a terminar um ano mais tarde).

Actualmente ao serviço da Académica de S. Mamede, Augusto Silveira prepara-se para o adeus à modalidade.

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Augusto Silveira, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Lucho na realização da entrevista (uma vez mais fundamental na realização da entrevista).



    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Augusto Silveira

    Como surgiu a paixão pelo andebol?

    A "paixão" apareceu por acaso. Soube que havia andebol no CIC (Colégio Internato dos Carvalhos) e fui lá treinar. Acho que como todos os miúdos queria jogar à frente e por sorte fui parar à baliza. Essa sim, a minha grande paixão!

    Em que épocas jogou no andebol do FC Porto nas camadas jovens e nos Seniores? Que troféus (Nacionais) venceu no nosso clube ou em outros?

    Juvenis 87/88 88/89 89/90
    Juniores 90/91 91/92
    Seniores 92/93 e 97/98

    Infelizmente o único troféu que venci foi um campeonato nacional da 2.ª divisão de Esperanças (juniores) pelo FC Porto em 91/92.

    Qual o jogo que mais o marcou ao longo da sua carreira e porquê? Chegou a ser 3º classificado no campeonato pelo Boavista. Uma época memorável, com José Magalhães a treinador, certo?

    Houve vários, mas aquele que me deu mais gozo ganhar (devido à minha exibição) foi sem dúvida um Boavista - Belenenses nessa época de 94/95. Tínhamos um espírito de grupo e uma união que nos fez obter a melhor classificação de sempre do Boavista (3º lugar). Ninguém deu por nós e fomos fazendo o nosso trabalho o melhor que podíamos e nos deixavam. Para mim, foi o melhor ano de sempre e o nosso treinador era mesmo o Prof. José Magalhães.

    Ainda joga actualmente na A.A.S.Mamede. Para quando o final de carreira? Coloque o nome de todos os clubes onde jogou desde 1984 até hoje.

    O final de carreira foi anunciado no final da época passada (eheheh). Contudo devido a um pedido de um amigo que joga na S. Mamede (Nuno Caminha), derivado a uma série de azares que impossibilitou dois dos seus guarda-redes de darem o contributo e, verdade seja dita, à minha casmurrice de provar que ainda hoje poderia "dar cartas" na 1.ª divisão. Aproveito para anunciar (mais uma vez dirão) que sem dúvida será a última época como guarda-redes de andebol. A idade não perdoa e tenho outros objectivos para atingir como treinador de guarda-redes.

    FCPorto Juvenis, Juniores e 1.ª época de seniores

    84/85 Infantis CIC
    85/86 Iniciados CIC
    86/87 Iniciados CIC
    87/88 Juvenis FCPorto
    88/89 Juvenis FCPorto
    89/90 juvenis FCPorto
    90/91 juniores FCPorto
    91/92 juniores FCPorto
    92/93 séniores FCPorto
    93/94 Fafe
    94/95, 95/96 e 96/97 Boavista
    97/98 FC Porto
    98/99 AC Maia
    99/00, 00/01 e 01/02 Boavista
    02/03 Módicus
    03/04,04/05,05/06,06/07,07/08 Sr.ª da Hora
    08/09/, 09/10 Cale
    10/11 Académica de S.Mamede

    Ainda continua a acompanhar o andebol do FC Porto?

    Evidentemente acompanho o andebol do FC Porto, o meu clube. Este ano menos devido aos meus jogos na S. Mamede, mas torço sempre por eles. Tenho lá amigos, quer no staff quer nos jogadores.

    Dos treinadores que teve no FC Porto, qual o que mais o marcou? E relativamente a jogadores, qual o melhor de sempre no FC Porto?

    O treinador que mais me marcou foi sem dúvida nenhuma o Prof. José Magalhães.
    Relativamente a jogadores gostaria de fazer uma divisão, entre camadas jovens e seniores. Felizmente posso dizer que tive o prazer de jogar com grandes jogadores. Escolher o melhor penso que é injusto, mas aqui vai: nas camadas jovens Ricardo Chorão. Nos seniores: Miguel Eiras.

    Como perspectiva esta 2ª volta da fase final do nosso campeonato? Considera que o FC Porto tem condições reais para a renovação do título de campeão Nacional, o tricampeonato?

    Penso que a 2.ª volta do campeonato da maneira como está, desvirtua um bocado o espírito do campeonato. Contudo estou convicto que o FC Porto tem todas as condições para fazer o tri.

    Qual o sete ideal da história do andebol Portista?

    Acho injusto fazer um sete ideal do andebol do FC Porto. Por isso, faço a Equipa Ideal:

    GR: João Santa Bárbara e Sérgio Morgado;
    PE: Rui Rocha e Paulo Carneiro;
    LE: Carlos Resende e Eduardo Filipe;
    CE: José Luzia e Dragan Bogdanovic
    LD: Alexandre Barbosa e Dragoslav Punosevac
    PD: Miguel Eiras e Ricardo Costa
    PV: Pokorkine e Luis Graça

    Ressalvo que apenas falei de jogadores do meu tempo. É difícil fazer a comparação com os actuais jogadores, embora os actuais sejam alguns dos melhores a nível nacional!

    Chegou jogar no antigo pavilhão Américo de Sá? Sente saudades desses tempos?

    Cheguei a jogar no Américo de Sá. As saudades são muitas, o ambiente era muito bom. Era a nossa casa. Aquela atmosfera no dia de jogos, o apoio dos adeptos, era tudo fora de série.

    Onde estavas a 12 Abril de 1999 quando o FC Porto ganhou ao ABC nas antas e foi campeão 31 anos depois? O que sentiste? Tu que tinhas estado no plantel um ano antes...

    No dia seguinte ao meu aniversário estava no pavilhão Américo de Sá (cheio a abarrotar). Sinceramente tive um misto de sensações: Senti uma alegria enorme por ver o meu clube do coração a ser campeão ao fim de 31 anos e muitos dos meus amigos estarem lá a jogar e tristeza por, devido à minha vontade de jogar, ter saído para o Maia e dessa forma não ter sido campeão. No ano anterior tinha falhado por uma unha negra (no verdadeiro sentido do negra = arbitragem) !!!

    O que representa o FC Porto na sua vida?

    Costumo dizer que sou do FC Porto desde pequenino, mas sou desde que me lembro. O FC Porto é tudo!!! Revejo-me plenamente num clube que luta contra tudo e contra todos desde sempre, contra todas as descriminações que é tratado (senti muito isso no andebol e continuo a ver que é verdade). Sou também contra a centralização que é feita em Portugal e por isso mesmo o FC Porto é um grande exemplo na luta contra o "sistema". FC Porto FOREVER!!!

    Uma palavra sobre o nosso blog e o acompanhamento que efectuamos sobre as modalidades do FC Porto.

    Gosto de consultar o V/ blog e acho que fazem um bom acompanhamento sobre as modalidades do FC Porto.
    Prestam um bom serviço a todos os que, como nós, vivem as alegrias do NOSSO CLUBE.

    Grande Abraço,
    Augusto Silveira

03 abril, 2011

Entrevista exclusiva com Pedro Cunha

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Esta semana trago-vos a entrevista com Pedro Cunha, ex-atleta da secção de andebol do nosso FC Porto.

Filho do prof. António Cunha, antiga glória do clube, Pedro Cunha viria a ingressar nas camadas jovens do FC Porto em 1986. Ainda com idade de júnior, iniciou o percurso como sénior na época de 89/90, tendo terminado a ligação ao clube no final da época 91/92. Após a saída do clube, jogou mais 10 épocas ao mais alto nível. Nesse período representou o Francisco de Holanda, Boavista e Águas Santas, onde viria a finalizar a carreira com uma brilhante conquista da Taça de Portugal numa final disputada em Matosinhos frente ao ABC.

Como sénior do FC Porto foi sempre vice-campeão nacional, não tendo atingido o tão ambicionado título que só chegaria alguns anos depois, terminando assim com o mais longo jejum do andebol portista. Apesar da preferência pela posição de lateral direito, Pedro Cunha chegou a actuar em diversas posições fruto da sua polivalência. De destacar ainda o facto de ter sido internacional sénior “A”e também presidente da direcção da Associação de Jogadores de Andebol de Portugal (AJAP).

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Pedro Cunha, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Lucho na realização da entrevista (sem ele, esta entrevista nunca teria sido possível).



    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Pedro Cunha

    Como surgiu a paixão pelo andebol?

    Foi algo natural! Desde muito cedo, em nossa casa era obrigatória ter uma educação incluindo a pratica desportiva. Dos 3 anos aos 12 anos, todos nós (4 irmãos) praticámos desportos individuais (fundamentalmente natação), e só aos 12 anos podíamos escolher um desporto colectivo. Eu escolhi o Andebol, pois desde pequeno o meu espaço para a brincadeira era com frequência o pavilhão Américo Sá, sempre em brincadeiras com os atletas de Andebol mais velhos, na altura treinados pelo meu Pai e pelo José Magalhães.

    Em que épocas jogou no andebol do FC Porto nas camadas jovens e nos seniores?

    Fiz toda a minha formação no FCP (desde 1986-1991), nos últimos 2 anos, ainda com idade de júnior, já fazia parte do plantel sénior. Durante este período, perdemos 2 títulos no último jogo (situação que também sucedeu em 91-92,1ª época de sénior e última época no FCP).

    Qual o jogo que mais o marcou e porquê?

    O meu último jogo foi o mais marcante! Estava estafado de conciliar o ritmo dos treinos e jogos no Andebol com uma vida profissional cada vez mais preenchida de responsabilidades. Para além disso antecipava um período difícil no Andebol português. Depois de ganhar a meia-final da Taça de Portugal, ainda relativamente jovem (28 anos), falei com a Família, e informei os meus colegas, treinadores e direcção que não iria continuar a jogar. Foi o momento certo, com uma Taça de Portugal na mão, depois de um bom jogo contra o ABC (final da taça de Portugal 2001/02, em Matosinhos, Águas Santas-27-ABC Braga-21).

    Ainda continua a acompanhar o andebol e o FC Porto?

    Acompanho diariamente à distância, pelas crónicas jornalísticas e através dos meus colegas do Andebol, pois alguns deles ainda jogam em equipas de referência.

    Dos treinadores que teve no FC Porto, qual o que mais o marcou? E relativamente a jogadores, qual o melhor de sempre no FC Porto?

    Naturalmente, o meu Pai, pelos ensinamentos técnicos e dedicação extrema à modalidade mas também por ter tido a oportunidade de observar a sua forma de liderança. O melhor jogador de sempre no FCP foi Carlos Resende, não só pela sua performance como jogador mas também pelo carácter e personalidade impecável que se lhe reconhece.

    Como encarou a situação de ser treinado pelo seu pai?

    Com naturalidade. Ambos tínhamos a disciplina de fazer uma separação entre Andebol e Família. Raramente conversávamos sobre andebol em casa, em particular nos anos em que ele era o meu treinador.

    Como perspectiva a fase final do nosso campeonato? Considera que o FC Porto tem condições reais para a renovação do título de campeão nacional, o tricampeonato?

    Julgo que o FC Porto tem todas as condições para renovar o título de campeão. Tem uma boa equipa, boas condições trabalho, estabilidade técnica, e sobre estas 3 perspectivas, não me parece que exista uma equipa comparável.

    Qual o sete ideal da história do andebol Portista?

    Dos jogadores que conheci (incluo alguns estrangeiros):

    G.R. Carlos Ferreira;
    P.E. Rui Rocha;
    L.E. Eduardo Filipe; (Usati)
    C. Carlos Resende; (Dragan Bogdanovic)
    L.D. Alexandre Barbosa; (Petric)
    P.D. Ricardo Costa;
    Pivôt Rui Aguiar (Sergei Pokurkine).

    Acrescento o melhor plantel "no balneário" (os mais engraçados fora do campo):

    G.R. Capela e Hugo Mota;
    P.E. Rochinha e Alberto Oliveira;
    L.E. Rui Silva;
    C. José Luzia;
    L.D. Alexandre Barbosa e Fernando Areias;
    P.D. Rui Ferreira e Miguel Eiras;
    Pivôt Eduardo Ferreira e Anacleto Santos.

    Como era jogar no antigo Américo de Sá? Sente saudades desses tempos?

    Era um misto de sensações. Quando cheio, o pavilhão cortava-nos a respiração e motivava-nos de forma indescritível. Não consigo deixar de recordar o "túnel" e alguns episódios lá vividos.

    O que representa o FC Porto na sua vida?

    O FCP sempre foi uma referência para mim, pelos valores e a "mística" que representa. Conheci muita gente boa no ambiente das Antas. Fez-me crescer até adulto (natação e andebol) orientado por valores de referência e ganhei muitos amigos. E inimigos...nenhum!

    Uma palavra sobre o nosso blog e o acompanhamento que efectuamos sobre as modalidades do FC Porto.

    É uma fonte de informação privilegiada para os Portistas, sobre o presente mas fundamentalmente sobre o passado.Em particular, fico sempre surpreendido com as histórias que os diversos participantes contam, na sua maioria desconhecidas até à sua publicação no vosso espaço.

    Um abraço amigo e agradecido,
    Pedro Cunha

07 março, 2011

Jaime Magalhães – O craque discreto

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Nascido a 10 de Julho de 1962, Jaime Fernandes Magalhães, viria a tornar-se o dono da camisola “7” do FC Porto que conseguiu o “TRI” internacional do clube (Taça dos Clubes Campeões Europeus, Taça Intercontinental e Supertaça Europeia).

Ingressou no FC Porto na época 1976/77 (camadas jovens), tendo a sua estreia no plantel sénior ocorrido 4 anos mais tarde no estádio do Bessa.

Depois dessa estreia, representou o FC Porto durante 15 épocas, nas quais “construiu” um palmarés invejável, 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus, 1 Taça Intercontinental, 1 Supertaça Europeia, 7 Campeonatos Nacionais, 4 Taças de Portugal, 8 Supertaças, presença na final da antiga Taça das Taças e também no Mundial realizado no México 86.

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Jaime Magalhães, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Dragão Vila Pouca na elaboração da entrevista.


    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Jaime Magalhães

    Ingressou nas camadas jovens do FC Porto na época 76/77. Quais as memórias que guarda da sua passagem pela formação do nosso clube?

    As melhores possíveis porque desde o 1º treinador que tive que foi o Acácio Carneiro (antigo jogador), que me ensinou bastante, passando depois pelo Festas, Sr. Feliciano, começamos logo a vencer. E acho que todos os jogadores que entram no FC Porto é com o sentido de vencer, e foi isso que me aconteceu desde pequenino.

    Enquanto sénior, estreou-se num jogo disputado no estádio do Bessa. Que recordações guarda desse momento?

    Como já foi há muito tempo, nem me lembro do resultado… Mas fiquei muito contente e acho que a partir daí foi o começo de uma grande época.

    Chegou ao plantel sénior no início da temporada 80/81 em pleno “Verão quente”. Como viveu esses acontecimentos?

    Tanto eu como a maioria dos jogadores que ficou no plantel tínhamos subido dos juniores e ficámos um pouco sem saber o que se passava porque não percebíamos o que estava a acontecer. Foi um pouco confuso porque entraram e saíram muitos jogadores e nós acabámos por ficar no plantel do FC Porto, e a partir daí foram quase 20 anos.

    Acredito que o dia mais feliz da sua carreira tenha sido o dia da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus frente ao Bayern de Munique no Prater. Que memórias lhe traz essa inesquecível noite de 27 de Maio de 1987 em Viena?

    Os melhores dias foram sempre as vitórias. Agora claro que a mais saborosa e importante foi a Taça dos Campeões Europeus. E depois a Intercontinental em Tóquio e a Supertaça Europeia, foram as 3 mais importantes da minha carreira.

    Como foi regressar a Viena em Dezembro último juntamente com os seus antigos companheiros e equipa técnica?

    Foi o recordar de muitas peripécias que tivemos entre nós, reviver aquilo tudo passados estes anos todos foi muito bom, estar com companheiros com quem já não estava à muito tempo. Espero que haja mais ocasiões e que o FC Porto esteja na final da Liga Europa para nós voltarmos a estar todos juntos que foi uma promessa do Presidente. Espero que o FC Porto esteja em Dublin para termos a oportunidade de voltarmos a estar todos juntos. Seria óptimo!

    Tendo as conquistas internacionais sido as maiores alegrias, quais os piores momentos que viveu com a camisola do Porto?

    Um dos piores momentos foi em 84 quando perdemos com a Juventus. Na altura o Porto não era muito conhecido internacionalmente e perdemos com a Juventus que tinha uma equipa espectacular, com Platini, Paolo Rossi, etc. Mas quem viu e se lembra desse jogo, começamos o jogo com 11 portugueses, recorda-se que fizemos um jogo espectacular e não merecíamos perder, mas com um “cheirinho” do árbitro acabámos por perder. Acho que foi o mais marcante.

    Ao longo da sua carreira falou-se no interesse do Benfica na sua contratação, bem como o da Fiorentina. Houve algum fundo de verdade nestas notícias?

    Sim. Houve interesse de várias equipas, mas mais a equipa italiana. Acho que era para ser o 1º jogador português a ir para Itália, mas depois não houve acordo e acabei por não sair. Mas o meu objectivo de sempre era ficar no Porto e foi isso que aconteceu, porque sempre sofri pelo Porto, nasci no Porto, acho mesmo que fui o jogador que nasceu mais perto do estádio das Antas e ainda continuo a viver lá, e claro que essas coisas não fogem assim de repente e era impensável ir para outro clube que não fosse o meu Porto.

    Considera que o golo que marcou no estádio da Luz na época 87/88 foi o melhor da sua carreira?

    Foi um dos melhores, sem dúvida. E também teve uma importância acrescida pela massa associativa que o FC Porto levou nessa altura ao estádio da Luz. Acho que metade do estádio era portista! Estavam 120.000 pessoas, era impressionante, e quando marquei olhei à minha volta e vi tanta gente azul e branca que pensei que estava a jogar nas Antas. Foi pena depois no fim, o Benfica ter empatado mais uma vez. Têm uma sorte a acabar os jogos… Acabam sempre por empatar ou ganhar, enfim… Mas foi dos jogos mais marcantes.

    Como era formar dupla com João Pinto na ala direita do FC Porto? O capitão chateava-o muito?

    Todos nos chateávamos uns aos outros que era para não adormecermos. Quando um adormecia, o outro acabava por nos acordar. Há jogos em que as coisas não nos saem bem e havia uma entreajuda muito grande entre todos.

    Qual o melhor jogador com quem teve a oportunidade de jogar?

    É difícil porque houveram tantos… Houve um, que foi o Maradona, contra quem joguei na despedida em Sevilha e que era um espectáculo! Eu nem lhe conseguia tirar a bola, nem chegava à beira dela, era tão lindo vê-lo jogar! Como parceiro de equipa, um dos mais sobredotados foi o Madjer, era igual tanto com o pé esquerdo como com o direito, e nos treinos perguntava-me se queria que marcasse com o esquerdo ou com o direito. Eu pedia-lhe para marcar de trivela e ele de trivela meti-a no ângulo. Era espectacular!

    Qual o treinador que mais o marcou no período em que vestiu de azul e branco?

    Nos seniores foi sem dúvida o Senhor Pedroto. Na altura em que estava para ir para a tropa, ele teve uma conversa comigo e, nunca mais me esqueci, pediu-me para me “safar” da tropa até à 6ª feira seguinte. Andei de um lado para o outro no Porto com um director do clube e safei-me da tropa, o que foi uma sorte porque senão não teria feito a carreira que fiz.

    O que representa o FC Porto na sua vida?

    Tudo! Foi sempre a minha 2ª casa e as pessoas quando passam por mim reconhecem sempre essa ligação ao clube. E irei ser do FC Porto até morrer.

    Que significado teve para si ter vestido as cores da selecção nacional?

    Todos os jogadores estão sempre à espera de uma oportunidade para ir à selecção, e no meu caso ter tido a oportunidade de vestir a camisola da selecção nacional e representar o nosso país foi um grande orgulho.

    Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem aos nossos leitores.

    Tudo o que disse foi do coração, sincero, verdade. Espero que gostem da entrevista e da carreira que fiz no clube. Fui um jogador razoável, que ganhou algumas coisas, ganhei alguns campeonatos, o que não é fácil, algumas taças de Portugal, aqueles títuluzitos que os do sul não dão valor, e espero que o FC Porto continue na senda das vitórias porque é isso que também me faz viver e andar sempre contente no dia-a-dia. Gosto de chegar aos sítios onde estão os jornais e ver a minha equipa num quadradinho pequenino, mas que é importante. Não interessa o outro que está todo a vermelho, porque o que está a pequenino é que ganha sempre, e é isso que me interessa e é muito importante para a minha vida.

07 fevereiro, 2011

Fernandito – Uma referência do hóquei em campo do FC Porto (2ª Parte)

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Tal como prometido, e depois da publicação da 1ª parte, aqui fica a 2ª parte da entrevista com Fernandito.


    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Fernandito

    O que significa para si o FC Porto?

    O FCP é a minha 2ª família. Na situação em que estou, viúvo, adiro a tudo, não digo que vou a todo o lado, mas vou a muitos sítios.

    O hóquei em campo em termos de comunicação social tem pouco acompanhamento? Ainda acompanha a modalidade?

    Não muito. Acompanho o mínimo dos mínimos, mas mesmo naquela altura a imprensa dava um destaque muito maior do que dá hoje ao hóquei em campo, apesar de hoje se jogar em relva sintética, de haver equipas que sei que estão a jogar os Campeões Europeus de hóquei de sala, há muito menos relato escrito e falado da modalidade. Na altura em que eu jogava haviam 3 jornais que davam muito destaque. O órgão do clube, o Jornal “O Porto”, dava um destaque bastante razoável e ainda 2 jornais desta cidade, o Comércio do Porto e o JN que davam um destaque bastante acentuado ao hóquei em campo porque ambos os jornais tinham ex-atletas na sua redacção.

    Qual a relação que existe entre o hóquei em campo e o hóquei de sala?

    O hóquei de sala é o filtro do hóquei de 11, só vai para o hóquei de sala o melhor porque é mais técnico.

    Quando vemos algumas transmissões televisivas dos campeonatos da Europa e do Mundo é hóquei de sala?

    Não. Podemos ver nas Olimpíadas hóquei em campo, nós temos por exemplo na Argentina o atleta do ano que é uma jogadora de hóquei em campo e não o Messi. Eu adoro ver as Olimpíadas. Não tem nada a ver com o hóquei que eu joguei aqui. Vejo coisas extraordinárias, a relva sintética é fabulosa.

    Quais são os países mais poderosos na modalidade?

    Neste momento a Espanha, Alemanha e Holanda num nível abaixo. Na minha altura era a Holanda, a Espanha estava a crescer imenso e parece que continua, a Argentina parece-me que está com uma grande equipa. Na minha altura haviam 2 países fabulosos, o Paquistão e a Índia, que entretanto foram ultrapassados. Eu cheguei a jogar na selecção regional do Porto contra a equipa C ou D indiana no campo do Leixões (estádio do Mar) e mesmo o nível dessa equipa era fabuloso.

    Falando de modalidades e visto que é uma presença assídua no Dragão Caixa, o que tem a dizer sobre a constante fraca adesão que existe aos jogos de basquetebol, hóquei em patins e andebol?

    Acho que é lamentável. Com as instalações que temos, quando andava tanta gente à procura de um pavilhão, tínhamos tido o pavilhão Dr. Américo de Sá com 5000 lugares e agora que temos um com 2000 que toda a gente achava que ia ser pequeno, a conclusão que nós retiramos é que é enormíssimo. Eu pergunto a alguns sócios se conhecem o pavilhão, nem sabem que existe o pavilhão nem a sua localização.

    É da opinião que aqui também há alguma culpa do clube?

    Não sei, é provável que sim. Não vou aqui culpabilizar absolutamente ninguém, mas a mudança da localização dos jogos das camadas jovens para o Olival prejudicou. O pavilhão, campo de treinos e estádio das Antas estavam concentrados num espaço físico curto, enquanto agora isso não acontece com a mudança para o Olival. Por exemplo, entre os meus 15 e 30 anos habituei-me a ver os jogos das camadas jovens e depois o basquetebol, jantava e vinha ver o futebol. Algumas pessoas até me diziam que só me faltava levar a caminha para o estádio.

    Qual a modalidade de pavilhão que mais aprecia?

    O basquetebol. Não fui um exímio basquetebolista nem nada que se pareça, mas é a modalidade que mais me fascina.

    Acha possível esta época repetirmos o tetra das modalidades como em 1999 e 2004?

    Acho, e aquela que nos dava mais garantias é a que está mais periclitante (hóquei em patins), mas espero que se dê a volta porque temos matéria-prima para o conseguir.

    E no basquetebol, vamos conseguir ganhar o campeonato 7 anos depois?

    Com força de vontade acho que sim, embora saibamos que do outro lado está uma equipa fortíssima, que provavelmente é o único opositor, mas temos gente competente para conseguir o ambicionado título.

    Todos temos esperança de ver os 4 treinadores das modalidades campeões no final da época. Só por curiosidade, qual das 4 modalidades é que dava preferência?

    A mola impulsionadora do clube é o futebol, é aquela que tem visibilidade. Podemos ganhar em hóquei em patrins, andebol e basquetebol, mas se não ganharmos em futebol é quase como se nada existisse para a imprensa. O futebol é fundamental, mas eu adorava ser campeão em futebol e nas outras modalidades. Mas sei perfeitamente que se o FC Porto for campeão em futebol alegra mais de 90% da família portista.

    Qual a maior loucura que já fez pelo FC Porto enquanto adepto?

    Uma das últimas foi ter ido ao Entroncamento no ano passado ver a final da Taça de Portugal de basquetebol com a Ovarense. Encontramos polícias armados até aos dentes, mas tudo bem, era o Porto e tudo o que é do Porto é mau na concepção da polícia… Por motivos profissionais não pude acompanhar o Porto a Sevilha e Gelsenkirchen porque estava numa actividade que me ocupava a semana toda e inclusivamente o domingo de manhã. Nessa altura deixei, inclusivamente, de ver o meu clube ao vivo, o que para mim era qualquer coisa de anormal, mas teve de ser porque a minha actividade era essa (exploração de um bar da faculdade). Senão teria alinhado pelo menos na ida a Sevilha, em que houve uma envolvência muito grande da massa associativa, da região e inclusivamente do país.

    Falando de futebol, qual a sua maior alegria e tristeza enquanto portista?

    O jogo que me marca pela negativa é o da morte do Pavão. A minha falecida mulher estava comigo e foi arrepiante porque acho que toda a gente que acompanhou a jogada teve a percepção que era uma morte anunciada. É uma queda tipo “tábua”, e naquela altura a nossa medicina, infelizmente, não tinha os recursos que existem hoje, e mesmo que os tivesse não sei se teria sido possível fazer alguma coisa.

    As maiores alegrias são sempre os campeonatos. O do Penta é qualquer coisa de fabuloso porque marca. Mas há uma que me deixa fora de mim que é a Taça dos Campeões Europeus de 1987. Foi qualquer coisa de anormal porque nós portistas íamos para aquele jogo a pensar que tudo o que acontecesse era bom porque ir à final já era grandioso. Houve jogadores que se transcenderam, eles acreditaram e tiveram um homem que era fantástico, Artur Jorge, que era um mentalizador, já naquela altura muito acima da média para o futebol.

    Qual, na sua opinião, o melhor treinador de futebol de sempre e o melhor jogador de sempre do clube?

    Aquele que apontam como o melhor de sempre, José Maria Pedroto, eu tenho como minha referência pessoal porque antes de ser o treinador consagrado que foi, quando me transportava até casa, tinha ensinamentos e dava-me conselhos fantásticos.

    Houve um jogador que me maravilhou, só que não era o típico jogador à Porto, mas que era um jogador fabuloso, o Cubillas. Era um jogador de uma técnica, humildade, racionalidade e de uma entrega ao próprio clube extraordinária. E o outro foi o Madjer que era qualquer coisa de fabuloso, dali podia sair sempre algo de extraordinário.

    É sócio do clube?

    Sim, nº 2741, desde 1965.

    O que é que tem a dizer do acompanhamento que o blog faz a antigos jogadores das modalidades amadoras?

    Acho fantástico, era um papel que caberia mais ao próprio clube, mas o clube cresceu de tal maneira que não pode albergar certos e determinados temas e este se calhar é um tema que fica mais para o chamado “portista doente”, as pessoas que gostam do clube como eu e vocês, que são capazes de andar kms e kms sem estarem à espera de compensação financeira ou outra, e acho fantástico reviver o passado.

06 fevereiro, 2011

Fernandito – Uma referência do hóquei em campo do FC Porto (1ª Parte)

http://bibo-porto-carago.blogspot.com/

Joaquim Fernando Ferreira da Silva, mais conhecido por Fernandito, foi um atleta de excepção do FC Porto, tendo representado o nosso clube durante cerca de 20 anos e competido em basquetebol e, principalmente, hóquei em campo.

Ainda nas camadas jovens sagrou-se Campeão Nacional de hóquei em campo (67/68) em juniores e Campeão Nacional de basquetebol (68/69) em juvenil.

Mais tarde, tornar-se-ia Campeão Nacional de hóquei em campo por 3 vezes (73/74, 75/76 e 77/78), tendo conquistado ainda 2 Taças de Portugal (79/80 e 80/81) já como treinador-jogador.

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Fernandito (um “habitué” do Dragão Caixa), agradecendo toda a sua disponibilidade e simpatia, bem como a preciosa ajuda do Lucho (que soube conduzir a entrevista de forma brilhante) e do PedroPorto na realização da entrevista.


    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Fernandito

    Em que ano é que vestiu a camisola do FC Porto pela 1ª vez?

    Oficialmente foi em 65/66 com a equipa de hóquei em campo. Mas comecei no clube de forma não oficial como atleta de futebol. Era defesa central no tempo em que o falecido Pedroto treinava os miúdos do FC Porto, antes de ser treinador documentado. Ainda tive como treinador na captação o falecido Pinga, Artur Baeta e Virgílio. Mas o meu 1º treinador, aquele que me deu umas botas de futebol, na altura não tinha 1,70 cm e era defesa central, foi o Pedroto que achava que tinha um grande futuro no futebol… Enganou-se (sorrisos).

    Oficialmente começou pelo hóquei em campo. Como é que surgiu essa paixão pela modalidade?

    Surgiu através do local onde eu vivia. Eu vivia em São Brás, o campo da Constituição era o meu local preferido de brincadeira…

    Era lá que o Porto jogava?

    Sim, hóquei em campo, andebol de 11, andebol de 7, hóquei em patins, basquetebol. Tudo era feito na Constituição, inclusivamente até havia treinos de futebol no tempo do Miguel Arcanjo que eram feitos na Constituição.

    Qual foi o jogo que mais o marcou na sua carreira de praticante de hóquei em campo?

    Negativamente foi quando falhei o 2º campeonato consecutivo de juniores. Positivamente foi o 1º título de juniores, uma alegria imensa, fora do normal. Depois fui-me habituando porque fomos tirando alguns títulos à equipa que detinha a hegemonia, o Ramaldense. E quando nos intrometíamos era fantástico. Éramos só nós e eles. Também recordo o 1º título de seniores e o momento em que fui convocado para a selecção nacional, no ano em que fui campeão nacional.

    Qual é para si a maior referência do hóquei em campo do FC Porto?

    O Sr. Carlos Pinto como dirigente. Como treinador o Miguel Coelho, que ainda foi meu colega de equipa. Um seccionista que me marcou mesmo muito, um dos primeiros chefes de secção, foi o falecido Fernando Margarido, sendo que na altura o director da secção era o actual presidente Pinto da Costa.

    Pinto da Costa começou pelo hóquei em campo?

    Sim. Era director da secção de hóquei em campo quando eu tinha 14 anos.

    E qual o melhor jogador com quem jogou?

    Carlos Silva do Futebol Benfica e Carlos Amaral, que foi meu treinador do FC Porto e que era um jogador fabuloso.

    Há pouco falou no Dr. Miguel Pereira. Qual a importância que ele teve nas modalidades do clube?

    Acho que foi o pai das modalidades amadoras nos anos 60’s, era uma pessoa fantástica. Inclusivamente foi ele que trouxe o actual presidente Pinto da Costa para o FC Porto. Achou que era um homem muito válido.

    Acha que nessa altura o FC Porto dava mais importância às modalidades amadoras do que dá hoje em dia?

    Era diferente. Hoje os atletas de alta competição que são os atletas das 3 modalidades (basquetebol, andebol e hóquei em patins) são semi-profissionais ou mesmo profissionais. Por exemplo, no meu tempo nunca ganhei um tostão e joguei mais de 20 anos no clube, inclusivamente fui treinador desde os juvenis e nunca ganhei nada. Eu tive um salário estipulado, que abdiquei dele quando fui para treinador com 28 anos para poder ter um preparador físico e dessa forma o clube pode ir buscar um preparador físico doutorado, o professor Manuel Botelho. Como sou portista e gostava da modalidade, pagava a gasolina, não tinha problema nenhum. Nunca usufrui de nada do FC Porto em termos monetários, nem de outro género qualquer.

    Como é que os sócios e adeptos aderiam à modalidade?

    Domingo de manhã o campo da Constituição era o passatempo para muito gente na altura. O campo da Constituição tinha actividade desde as 8h30/9h até às 13h com andebol, basquetebol e o hóquei em campo. Sábado à tarde e domingo o campo da Constituição estava cheio. Pessoas que gostavam imenso de hóquei em campo. Nós tínhamos um grupo de seguidores que nos acompanhavam de autocarro ou automóvel a Paços de Ferreira, Lamas, Santa Maria da Feira.

    Também jogou basquetebol?

    Numa fase mais miúdo e joguei numa equipa recheada de grandes jogadores, sendo a maior referência o Fernando Gomes, que foi administrador do FC Porto e que hoje faz parte da Liga Profissional de Futebol, que era de facto um jogador excepcional! Na altura que jogava não haviam triplos, mas se os houvessem era garantido que o Fernando Gomes seria um triplista fora de série.

    Sei que já não jogou em 1972 quando o FC Porto foi campeão com o Dale Dover. Mas chegou a assistir a algum jogo no pavilhão do Académico?

    Muitos jogos. Vi a estreia contra a Académica de Coimbra. Uma loucura, nunca tinha visto uma coisa ao vivo daquele género. Nós estávamos ali a ver qualquer coisa de fabuloso. Só os Globetrotters eram capazes de fazer qualquer coisa daquele género, mas aquele era em competição e era mesmo fabuloso.

    Qual a posição que ocupava no basquetebol e no hóquei em campo?

    No basquetebol era base, mas a minha função era muito específica. Era mais um jogador para defender. Eu considerava-me um jogador à Porto, normalmente o treinador apostava em mim quando era necessário marcar o jogador mais tecnicista. Eu jogava sempre com muita garra e intensidade, dava tudo o que tinha.

    No hóquei era dos jogadores mais habilidosos e jogava como interior esquerdo. Era um concretizador e tenho quase a certeza que fui o melhor marcador de todos os tempos do FC Porto.

    E, sendo duas modalidades tão distintas como é que foi conciliar o hóquei em campo com o basquetebol?

    São completamente distintas. Se calhar não devia dizer isto, mas na altura era um predestinado para o desporto. O próprio falecido Pedroto, quando eu comecei com 9 anos, dizia que eu ia ser um jogador fantástico e eu não passava de um menino com 1 metro e 50 e tal e tinha uma posição no campo que era defesa central, que era uma posição que precisava de rapidez, elasticidade, impulsão, salto e eu tinha isso tudo, era um indivíduo que jogava com uma paixão fantástica. Ainda hoje, em tudo o que faço na vida coloco paixão e sentimento.

    O FC Porto conquistou o seu último título em 1981 (Taça de Portugal), tendo encerrado a secção em 1989. Como foi para si esse dia?

    Dos dias mais tristes. Ver encerrar a secção de hóquei em campo, que era a minha modalidade, voleibol e outra que agora não me lembro, foi qualquer coisa de anormal. Foi uma tristeza muito grande.

    Nos últimos anos já havia uma certa decadência no clube relativamente a essa modalidade…

    Havia porque a modalidade mudou-se da Constituição para um campo onde hoje está o Dragão. Jogávamos num campo pelado atrás das piscinas e começou a faltar visibilidade, a apagar-se lentamente. Foi uma morte anunciada. Ao contrário do voleibol que acabou um pouco prematuramente.

    O que representou para si ter vestido a camisola da selecção nacional?

    Um grande orgulho mesmo. Hoje é muito mais fácil ser internacional, porque se eu digo que fui 6 vezes internacional isso representa ser o mais internacional da minha secção e do FC Porto. Portanto 6 vezes internacional foi qualquer coisa de extraordinário para a época.

    Ouvia o hino na altura?

    No campeonato da Europa realizado em 1974 em Madrid, sim.

    Jogou no apuramento para a Taça dos Campeões Europeus pelo FC Porto?

    Sim, um em Itália e outro na Suíça. Não fomos a um outro na Áustria por causa de dificuldades financeiras do clube.

    Vocês pagavam as viagens?

    Não, as viagens eram pagas pelo clube. Os jogadores jogavam graciosamente, mas também não pagavam nada. Só no último ano em que fui campeão é que o clube já não tinha poder económico para custear as viagens e a deslocação à Áustria ficou inviabilizada por ser bastante dispendiosa. Para exemplificar as dificuldades financeiras com que nos deparávamos lembro que ir a Lisboa jogar o campeonato nacional era quase um encargo do outro mundo para o clube. Nós ficávamos na casa do FC Porto em Lisboa na Avenida da República, onde ocupávamos as instalações da casa, onde tomávamos as refeições e, inclusivamente, dormíamos.

    Sendo o Ramaldense o grande rival do FC Porto, os jogos deviam ser bastante quentinhos…

    Bastante quentes! Na altura, a maioria dos árbitros tinham sido atletas do Ramaldense ou estavam ligados ao clube, havia uma cumplicidade muito grande, era uma modalidade muito familiar e que era confinada praticamente à cidade do Porto. No campeonato nacional tínhamos o Atlético, Belenenses, Benfica, Futebol Benfica. O Porto por norma estava sempre na fase final do campeonato nacional, e aí brilhávamos mais que no regional porque as equipas de Lisboa eram mais técnicas e nós éramos a equipa mais técnica do regional. O Ramaldense tinha, indiscutivelmente, grandes jogadores, mas jogava com uma virilidade excessiva. Cheguei a ter um jogo no nosso campo em que o árbitro me disse que se abrisse a boca ia para a rua, havia uma intimidação dos próprios árbitros aos atletas. Eu lembro-me de uma final do regional, no campo pelado de Matosinhos, em que houve tiros! Nós jogadores tivemos que nos atirar para o chão! E tivemos jogos com o União de Lamas e, principalmente, o Ramaldense em que tivemos que ter cães-polícias. Nós entravamos em campo praticamente a perder. Éramos autênticos heróis. Só para dizer que no dia em que nasceu o meu filho, 25 de Abril de 1976, eu estava com umas dores no meu dedo porque no dia anterior tinha marcado um golo, mas em simultâneo levei uma pancada em que fiquei quase sem unha e tive que sair. No dia 24 a minha mulher estava com dores e eu também, mas eram no dedo (sorrisos). Valia tudo, é inimaginável aquilo que se passava.

    Conte-nos uma situação caricata que se lembre?

    Tinha sido convocado para a selecção nacional e estava muito mal preparado. No 1º treino efectuado no estádio do Mar, estava muito calor e eu rebentei. Na altura o massagista era o falecido Lopinhos, meu massagista no clube, caí perto dele, e houve uma cumplicidade entre nós para que eu não fosse retirado, tendo o Lopinhos dito que eu tinha um problema no joelho e escondendo assim a minha deficiência física.

    (continua...)


NOTA: A 2ª parte da entrevista, onde serão discutidos aspectos relacionados com o Fernandito adepto, será publicada amanhã.

10 janeiro, 2011

Eduardo Luís – Um dos heróis “centrais” da mágica noite do Prater

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Nascido a 6 de Dezembro de 1955, Eduardo Luís Marques Kruss Gomes, viria a tornar-se um dos obreiros do FC Porto Campeão Europeu 1986/87.

Tendo chegado ao FC Porto no início da época 1982/83, Eduardo Luís, conhecido pela forma elegante como tratava a bola, pouco habitual para um defesa central, viria a converter-se numa referência do clube ao longo das 7 épocas em que vestiu de azul e branco.

Entre todos os sucessos alcançados, esteve ligado a um muito especial, a 1ª grande conquista europeia do clube. Fazendo dupla no eixo central da defesa portista com o brasileiro Celso, Eduardo Luís foi um dos jogadores que nos levaram à glória na mítica noite de 27 de Maio de 1987.

Com um currículo invejável, 3 Campeonatos, 2 Taças, 1 Supertaça , 1 Taça dos Clubes Campeões Europeus, 1 Taça Intercontinental, 1 Supertaça Europeia e ainda a presença numa final da Taça das Taças (a 1ª final europeia da história do FC Porto), Eduardo Luís deixaria o clube no fim da época 1988/89.

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Eduardo Luís, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Dragão Vila Pouca na elaboração da entrevista.


    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Eduardo Luís

    Lembra-se do dia em que vestiu pela 1ª vez a camisola do FC Porto?

    Foi num jogo particular nas Antas contra o Strasbourg, se não me falha a memória.

    Começou como defesa direito no Olivais e Moscavide, passou a médio direito nos juniores do Benfica, tendo chegado a defesa central aquando da sua passagem para o Marítimo. Esta sempre foi a sua posição de eleição?

    A partir do momento em que Pedro Gomes, meu treinador, me colocou num treino a defesa central, essa posição passou a ser a minha preferida.

    O que muitas pessoas não devem saber é que ainda jovem era atleta de basquetebol, só tendo optado mais tarde pelo futebol…

    É verdade. Na altura só se podia jogar futebol federado a partir dos 15 anos e então com 14 anos joguei basquetebol no Atlético de Moscavide. Quando fiz 15 anos fui logo para o futebol.

    Ingressou no FC Porto no início da época 82/83. Que recordações guarda desse momento?

    Foi uma emoção muito grande. Até vir ao Porto para assinar contrato andei numa enorme ansiedade. Devo dizer que eu estive para vir para o FC Porto dois anos antes. Não vim porque entretanto se gerou uma enorme polémica, o chamado Verão Quente, e acabei por não vir.

    Curiosamente a sua 1ª grande época no clube ocorre em 83/84 como… defesa esquerdo. Como foi jogar numa posição que não era aquela a que estava mais habituado?

    Não foi fácil. Primeiro que me adaptasse ao lugar... Mas com insistência e o apoio de Pedroto consegui ser um bom defesa esquerdo.

    Nessa mesma temporada, o FC Porto atingiu a final da Taça das Taças perdendo injustamente a final de Basileia com a Juventus. Ainda hoje lhe deve custar relembrar esse jogo…

    Lembro-me desses tempos com saudade e emoção. Foram tempos altos da minha carreira. Essa final de bem jogada que foi da nossa parte podia ter tido um final diferente.

    Recorda-se de um golo do britânico Archibald nas Antas que ditou a eliminação do FC Porto perante o Barcelona de Venables?

    Não. Não me recordo. Sei que podíamos ter eliminado o Barcelona nessa altura. O problema foi em Barcelona. Aí sim, fomos prejudicados pelo árbitro. Cá aconteceu futebol.

    Acredito que o dia mais feliz da sua carreira tenha sido o dia da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus frente ao Bayern de Munique no Prater. Que memórias lhe traz essa inesquecível noite de 27 de Maio de 1987 em Viena?

    Foi realmente o melhor momento da minha carreira. Marco importante na carreira dos jogadores e do Clube. Ficámos eternamente ligados a este grande clube.

    O que lhe passou pela cabeça quando viu Madjer a fazer o 1-1 de calcanhar?

    Fiquei com a sensação de que naquela altura do jogo e da maneira como estava a decorrer, que estava ali a grande chance de levarmos a Taça para o Porto.

    Como jogador da selecção, esteve presente no Europeu de 1984 em França não tendo efectuado qualquer jogo. Guarda alguma mágoa dessa altura?

    Alguma, não muita. Houve naquela altura um complô entre jogadores do Benfica e os técnicos da selecção que também estavam ligados ao Benfica para me tirarem da equipa e colocarem, como veio a acontecer, o Álvaro.

    Qual o melhor jogador com quem teve a oportunidade de jogar? E o mais difícil de defrontar?

    O melhor jogador com quem joguei foi Fernando Gomes. E como adversário foi o Rui Jordão, então jogador do Sporting.

    Qual o treinador que mais o marcou no período em que vestiu de azul e branco (Pedroto, Artur Jorge, Ivic)?

    Guardo por todos os treinadores que tive um grande carinho, estima e respeito. Mas há dois que me marcaram: Pedro Gomes porque foi quem me lançou e José Maria Pedroto pela sua inteligência e saber.



    O que representa o FC Porto na sua vida?

    É a minha história. É a minha referência. É a minha vida.

    Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem aos nossos leitores.

    Foi um prazer poder partilhar um pouco da minha vida com pessoas que me assobiaram mas que também me acarinharam e aplaudiram muito. A história deste clube não fica por aqui e ela continuará a ser escrita porque existe muita gente que gosta verdadeiramente deste Grandioso FUTEBOL CLUBE DO PORTO. Bem hajam. Grande abraço.

05 dezembro, 2010

ADEMIR VIEIRA – o homem do decisivo golo do histórico campeonato de 1977/78

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O dia 28 de Maio de 1978 ficará para sempre ligado à história do FC Porto. Nesse dia, e perante uma moldura humana impressionante, o FC Porto recebia o Benfica a 3 jornadas do fim do campeonato num jogo decisivo para a conquista do título nacional que nos fugia há 19 anos.

Inicia-se o jogo e, logo aos 3 minutos, surge o auto-golo do defesa-central Simões que colocava toda a família portista à beira de um ataque de nervos. Os fantasmas voltavam a pairar no ar e o maldito jejum parecia não querer terminar.

Só a 8 minutos do fim acabou o desespero com o golo que restabeleceu a igualdade e colocava o título à mercê do FC Porto.

Esse memorável golo, que ficará para sempre ligado à história do nosso clube, foi marcado pelo brasileiro Ademir, e marca o arranque de um novo FC Porto, o FC Porto ganhador que nunca mais parou de crescer e que é hoje uma referência do futebol mundial.

Conta quem viu, que a alegria vivida nessa tarde foi absolutamente indescritível e irrepetível. Os cerca de 80 mil espectadores presentes, desejosos de poder festejar um título que fugia há 19 longos anos, pressentiam que a hora da glória estava a bater-nos à porta.

Poucos dias depois, o FC Porto recebia a visita do Braga e, após uma categórica vitória por 4-0, sagrava-se, finalmente, Campeão Nacional!

Entretanto, é com enorme prazer que vos deixo a entrevista com Ademir, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Dragão Vila Pouca na elaboração da entrevista.



    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Ademir Vieira

    1 - Representou o FC Porto durante 3 épocas, que memórias guarda desse tempo?

    Representar o F.C. Porto por si só é uma honra e por 3 épocas então foi maravilhoso.

    2 - Quando chegou ao FC Porto no início da época 75/76 tinha outros pretendentes. Porquê o FC Porto?

    Sim, quando cheguei ao F.C. Porto na época 75/76 tive vários pretendentes (Benfica, Sporting, vitória de Guimarães, Boavista, entre outros). Optei pelo F.C. Porto porque as pessoas que trataram do meu contrato foram legais comigo.

    3 - As primeiras 2 épocas foram complicadas a nível pessoal não conseguindo vingar na equipa. Quais as razões para essas dificuldades?

    Nas 2 primeiras épocas tive dois problemas; tinha o Oliveira e o Cubillas que jogavam na mesma posição que eu, aí, como eu tinha vindo do Olhanense, teria que esperar pela minha oportunidade, assim como aconteceu naturalmente na terceira época.

    4 - Na última época conseguiu finalmente impor-se como titular. Considera que a mudança operada por Pedroto ao colocá-lo a médio foi decisiva (jogava a ponta-de-lança no Olhanense)?

    Sim. Considero que sim, porque quando J.M.Pedroto me escalou para jogar no meio campo, tive um rendimento espectacular fazendo muitos golos, no qual ajudou e muito para o tão desejado título.

    5 - Como foi trabalhar com José Maria Pedroto?

    Trabalhar com J.M. Pedroto não foi nada fácil para mim, pois tínhamos maneiras de pensar opostas, porém, de futebol ele entendia tudo, quer a nível técnico, táctico, físico e psicológico.

    6 - Curiosamente a sua estreia a titular na época de 77/78 deu-se no jogo da 1ª volta do campeonato frente ao Benfica realizado no estádio da Luz (0-0)…

    Exactamente, a minha estreia deu-se no Estádio da Luz contra o Benfica, com o empate de 0x0. Fiz uma exibição convincente, levando o nosso técnico J.M. Pedroto a acreditar que eu poderia exercer aquela posição com um bom rendimento para a equipa.

    7 - Recorde-nos o histórico golo frente ao Benfica na tarde de 28 de Maio de 1978.

    Recordar o golo contra o Benfica é, para mim, recordar um marco na minha carreira como profissional de futebol. Foi um momento único que guardarei e recordarei para toda minha vida (sempre que posso, vejo o vídeo do golo). Foi uma falta na entrada da área do Benfica, aí o Simões que tinha feito o auto-golo, pediu-me para centrar na sua direcção, foi exactamente o que fiz, só que, o Aberto (defesa do Benfica) antecipou-se e tirou a bola de cabeça para a entrada central da área, como acompanhei a jogada, consegui chegar primeiro do que dois jogadores do Benfica acertando um bom pontapé sem deixar a bola cair, fazendo ela entrar bem no cantinho do lado esquerdo do goleiro Fidalgo(que até se fez ao lance), que não conseguiu fazer a defesa (aí foi só alegria).



    8 - Poucos dias depois, recebemos o Braga e confirmámos o título de campeão e acabámos com o jejum de 19 anos. O que se sente num momento desses?

    É, num momento desses é difícil descrever o que uma pessoa sente, pois era a primeira vez que era Campeão Nacional, só te sei dizer que levei alguns dias para cair na realidade. Sinto-me mais feliz ainda, em saber que depois deste título, só está dando F.C. Porto, que a partir daí conseguiu conquistar a Europa e o Mundo, e eu fiz parte deste maravilhoso clube, contribuindo para algo que ficou e está na história dele.

    9 - Como se sabe, antes de essa época acabar, já tinha assinado contrato com o Boavista. É verdade que o FC Porto ainda tentou evitar a sua saída?

    Sim, é verdade. Antes de terminar meu contrato com o F.C. Porto, assinei contrato com o Boavista. Quando o F.C. Porto soube que tinha contrato com o Boavista, tentou de tudo para que continuasse no F.C. Porto. Como já tinha contrato assinado com o Boavista, não tive coragem de rescindir meu contrato com eles, mantendo a minha palavra de honra.

    10 - Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem aos nossos leitores.

    Aos leitores do blog "Bibó Porto Carago", aqui vai um grande abraço com muito carinho e desportivismo deste ex-atleta que, quando serviu este GRANDE CLUBE, serviu com muito profissionalismo, dedicação e amor.

06 novembro, 2010

Ion Timofte – o romeno do pé esquerdo prodigioso!

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Quem gosta de “futebol arte”, não poderá esquecer a passagem do romeno que chegou ao FC Porto no Verão de 1991.

Ion Timofte, dono de um pé esquerdo fascinante, encantou plateias e espalhou classe pelos relvados que tiveram a sorte de serem pisados por este predestinado!

Tinha ainda a capacidade de aliar eficácia à magia natural que saía das suas botas. Golos (melhor marcador do FC Porto Campeão Nacional em 92/93), assistências, marcação de livres… Um fora de série!

Nas 3 épocas em que vestiu a camisola azul e branca, sagrou-se Campeão Nacional por 2 vezes, tendo ainda conquistado 1 Taça de Portugal e 2 Supertaças.

Entretanto, deixo-vos a entrevista com Ion Timofte, onde serão recordados alguns momentos inesquecíveis da sua passagem pelo nosso clube, agradecendo toda a sua disponibilidade e simpatia, bem como a preciosa ajuda da Mafaldinha, que me facultou o seu contacto, tornando assim possível a elaboração desta entrevista.

    ENTREVISTA EXCLUSIVA com Ion Timofte

    1 - Ainda se recorda do dia em chegou ao FC Porto vindo do Politehnica Timişoara?

    A minha chegada ao Porto aconteceu num belo dia de Julho de 1991, à minha espera estava um funcionário do Porto chamado Manuel, que trabalhou durante muitos anos no departamento de futebol com Sr. Luís César.

    2 - Que memórias guarda da sua passagem pelo FC Porto?

    Guardo boas memórias dos 3 anos no FC Porto, e gostei tanto de passar estes 3 anos lá, que até as más memórias passam a ser boas! :)

    3 - Concorda que saiu demasiado cedo do clube?

    Do Porto saí por decisão exclusiva do então treinador do Porto, Sir Bobby Robson, já que a minha situação era um pouco estranha, estando eu na condição de emprestado por 3 anos. O Porto na altura achou que não valia a pena comprar o meu passe em definitivo, e eu não fiquei chatedo com ninguém, que fique bem claro. Fico grato por ter tido oportunidade de ficar ligado a algumas conquistas bonitas na história do FC Porto!

    4 - Qual o treinador que mais o marcou no período em que vestiu de azul e branco (Carlos Alberto Silva, Ivic ou Robson)?

    Se tiver que escolher um dos 3, fico com Bobby Robson. Grande homem, grande carácter, grande treinador! Sempre com um sorriso nos lábios. Que saudades do Bobby!

    5 - Quais os melhores e piores momentos que viveu com a camisola do FC Porto?

    São tantos os melhores momentos, que é difícil escolher só alguns! E os piores também foram bons! :)



    6 - Recorda-se do dia 22 de Março de 1992 em que a poucos minutos do final de um jogo no antigo estádio da Luz fez o 2-3 e praticamente sentenciou o campeonato?

    Grande passe do Domingos, eu apareci de trás e na cara do Neno, rematei com o pé direito e fui festejar. :)

    7 - E de um jogo em Bremen em que marcou 1 golo na vitória por 5-0 frente ao Werder e que ainda hoje representa a nossa maior vitória desde que a Taça dos Clubes Campeões Europeus passou a Liga dos Campeões?

    Em Bremen fizemos um grande jogo, mas tivemos muita sorte! Lembro-me do grande golo do Rui Filipe (ai que saudade do Sapo), do grande jogo do Vítor Baía, Fernando Couto e Secretário!

    8 - Também não deve esquecer a finalíssima da Taça de Portugal frente ao Sporting em 1994 nem as pedras arremessadas contra a equipa no momento de receber a taça…

    Na finalíssima do Jamor de '94 falhei uma grande oportunidade, sozinho na cara do golo, guarda-redes sem hipótese alguma, mas tenho uma desculpa: falhei de cabeça, que não era o meu forte! :)

    9 - O dia 30 de Maio de 1993 também deve figurar como um dia inesquecível na sua carreira… Nesse dia ganhámos ao Beira-Mar com um golo seu e… fomos campeões!

    Lembro-me como se fosse hoje, grande passe do Rui Jorge e, na cara do Acácio, remate sem hipótese de defesa! :)

    10 – A rivalidade com o Benfica é por demais conhecida. Imagino que o penalty marcado nas Antas debaixo de um nevoeiro gigantesco lhe tenha dado um gozo especial (vitória 1-0)…

    Qual Dom Sebastião, qual quê: Ion Timofte sai do banco e resolve no Estádio Das Antas aos 89 minutos do jogo frente ao grande rival! :) Era o meu primeiro jogo após 3 meses de paragem!

    11 - Após a saída do clube ainda viveu um momento inesquecível no antigo estádio das Antas, sendo ovacionado por todo o estádio após a marcação de um grande golo com a camisola do Boavista vestida (vitória do Boavista por 2-0). O que se sente num momento desses?

    O golo das Antas tem uma história engraçada: Paulinho Santos andava atrás de mim a ameaçar-me para passar a bola, se não levava uma cacetada (nós brincávamos sempre que nos encontrávamos em campo)! :) Eu, com um pouco de receio, lá chutei e fiz um dos mais belos golos da minha carreira. Obrigado, Paulinho! :)

    12 - Qual a imagem que se tem do FC Porto na Roménia?

    O Porto tem uma boa imagem na Roménia, primeiro pelo Timofte ter jogado aí! :) Segundo, pelo Sapunaru agora, e terceiro, pelas grandes conquistas dos últimos 25 anos!

    13 - Qual a sua opinião sobre a cidade do Porto?

    Adoro a cidade do Porto, e a prova disso é que vou 4-5 vezes por ano visitar os amigos.

    14 - Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem aos nossos leitores.

    Aos adeptos, que continuem a apoiar o clube como o têm feito até agora! Bibó ao Porto, carago!

06 setembro, 2010

Rodolfo Reis – uma carreira de Dragão ao peito...

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Nascido a 29 de Janeiro de 1954, Rodolfo dos Reis Ferreira, viria a tornar-se o único jogador que, até ao momento, envergou a mágica camisola azul e branca em toda a sua carreira.

Conhecido pela sua forma aguerrida de actuar e pela dedicação e entrega com que sempre defendeu o nosso clube, Rodolfo Reis viria a tornar-se um dos capitães da equipa e um dos símbolos da mística do FC Porto.

Esteve ligado a um dos momentos mais marcantes da história do nosso clube, o título conseguido após o jejum de 19 anos. Mais tarde viria ainda a viver de perto o histórico Penta (como adjunto de Fernando Santos). Após 3 épocas como adjunto do seu/nosso clube do coração, resolveu dar por terminada a carreira de treinador, sendo hoje um espectador atento à vida do nosso clube.

Entretanto, deixo-vos a entrevista com Rodolfo Reis, agradecendo toda a sua disponibilidade, bem como a preciosa ajuda do Dragão Vila Pouca na elaboração da entrevista.


    «ENTREVISTA EXCLUSIVA»

    1- Lembra-se do dia em que vestiu pela 1ª vez a camisola do FC Porto?

    Do dia não, mas foi nas Antas contra o Portimonense.

    2- Quais as memórias que guarda da sua passagem pela formação do nosso clube?

    As melhores, visto que alcancei todos os títulos e foi muito bem tratado pelos directores e treinador.

    3- Recorda-se de um avançado promissor chamado Costa Almeida?

    Sim. Jogou comigo nos juvenis e juniores. Era um grande avançado.

    4- Qual o treinador que o lançou na equipa sénior?

    António Feliciano.

    5- A ideia de passar para a posição de trinco (começou como lateral-direito) foi de Pedroto. Como é que foi trabalhar com ele? Era, de facto, muito avançado para a época?

    Sem dúvida, o Pedroto estava á frente de todos. Tanto na metodologia de treino como na vertente psicológica.

    6- Enquanto portista, o que representou para si ter-se sagrado campeão quebrando um jejum de 19 anos?

    Foi uma alegria indescritível só vivida. Foi na realidade algo de sensacional. Foi arrepiante.

    7- O que é que lhe passou pela cabeça quando viu Ademir a colocar a bola no fundo da baliza do Benfica?

    Éramos campeões ao fim de 19 anos.

    8- Concorda que o golo de Ademir foi o clique que faltava para levar o clube a acreditar que podia vir a ser um clube vencedor?

    Sim, concordo visto que o FC Porto actual começa a sua caminhada precisamente a partir desse jogo e desse campeonato.

    9- No famoso “Verão quente” foi um dos jogadores que optaram por manter a fidelidade ao clube. O que o levou, ao contrário de outros, a tomar essa atitude?

    Porque o FC Porto sempre me tratou bem, sempre me respeitou e sempre cumpriu comigo em todos aspectos e situações.

    10- Imagino que tenha muito orgulho em ser o único jogador que envergou a camisola azul e branca ao longo de toda a carreira…

    Sim! Tenho muito orgulho!

    11- Quais os melhores e piores momentos que viveu com a camisola do Porto?

    O pior momento foi a morte do Pavão, sem dúvida. O melhor momento ao fim de 19 anos ser campeões.

    12- Que significado teve para si ter vestido as cores da selecção nacional?

    O que qualquer profissional almeja, visto que qualquer profissional quer atingir o “top”. E a selecção nacional é isso mesmo; o “top”.

    13- Por falar em selecção, lembra-se de um Israel-Portugal em que rompeu o ligamento do joelho?

    Lembro-me. Nunca me tinha lesionado. Foi uma lesão grave e fiquei afastado durante um ano.

    14- Como treinador, esteve ligado ao Penta. Que significado teve esse marco inigualável no futebol português?

    Mais um momento de alegria, vivida no seio da massa adepta do FC Porto. Visto que o Penta só há um. FC Porto e mais nenhum.

    15- Decidiu abandonar a carreira após as 3 épocas em que foi adjunto do Fernando Santos no FC Porto. Quais as razões para esse abandono?

    Não recebi convite para renovar com o FC Porto e achei que tinha chegado a altura de abandonar o futebol e dedicar-me mais a família e ao negócio.

    16- As expectativas que tinha para esses 3 anos foram cumpridas?

    Não. O FC Porto tinha equipa para ser campeão durante estes 3 anos.

    17- Hoje em dia o nosso trinco é o Fernando. Considera que estamos bem servidos?

    Muito bem servidos. Jogador com garra, ambição, humildade - jogador à FC Porto.

    18- O que representa o FC Porto na sua vida?

    É a minha segunda família. Gosto muito do FC Porto e vou gostar toda a vida.

    19- Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem aos nossos leitores.

    Foi um prazer responder a este questionário. Será sempre um prazer estar convosco porque ao estar convosco, estou com os Portistas. Espero, se não for antes, estarmos no final do campeonato a festejarmos todos juntos mais um título.


Um abraço,
Sevilha03

08 junho, 2010

O sonho do triplete está difícil, mas não impossível. Acreditem!

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Enquanto que as nossas equipas de andebol e hóquei em patins já finalizaram as suas épocas, novamente recheadas de sucesso, a equipa de basquetebol continua em competição, tendo neste momento uma situação espinhosa pela frente.

Com a eliminatória desfavorável (1-3), a nossa equipa terá de mostrar raça, garra, no fundo, espírito de dragão, para tentar reverter a posição delicada em que se encontra actualmente. Fundamental é ir pensando jogo a jogo e sonhando. É difícil, mas, com a atitude demonstrada no domingo, não é impossível. Lutem por nós! Vençam por nós!

Uma vez finalizada a época de hóquei em patins e andebol, queria, em nome do blog, agradecer a todos os jogadores, equipas técnicas e dirigentes de ambas as secções, toda a sua dedicação ao nosso clube e os títulos conquistados. Obrigado por tudo!

Em fim de festa, o “rolo compressor” passou por Almada...
( 1º FC PORTO-57pts; 2º Madeira-46 pts; 3º Benfica-45 pts...)


  • Sporting, 29 – FC Porto, 31
Época excepcional, campeonato consumado há algumas semanas, último jogo do campeonato… Sinónimo de relaxamento? Nada disso! Ganhar, ganhar e ganhar!

E mais uma vez, foi o que aconteceu. A sede de vitórias e o espírito guerreiro desta equipa passou por Almada que nem um furacão e consumou mais uma vitória, fechando em beleza uma época extraordinária e marcada por uma superioridade diversas vezes testada pela concorrência, mas que não pode ser minimamente contestada.

Neste jogo destaque para Tiago Rocha (7 golos em 7 remates) e um inspiradíssimo Hugo Laurentino que voltou uma vez mais a fechar a baliza portista.

Massacre depois da desilusão.
(Final do play-off com o FC Porto em desvantagem por 1-3)

  • FC Porto, 97 – SL Benfica, 101 (após 2 prolongamentos)
Quem se deslocou ao Dragão Caixa na passada 6ª feira, assistiu, provavelmente, ao melhor e mais emocionante jogo da época. Num jogo com um ambiente fantástico (grande apoio!), o equilíbrio foi a nota dominante, tendo a balança acabado por pender para o lado dos encarnados, ficando tudo mais complicado no que diz respeito ao nosso sonho do triplete no ano de estreia do Dragãozinho.

Perder custa sempre, mas da forma como tudo aconteceu acaba por doer ainda mais. Tivemos o jogo na mão por 2 ocasiões e deixámos o Benfica recuperar de desvantagens difíceis de anular (10 pontos a 3/4 minutos do fim do tempo regulamentar e 8 pontos a 1 minuto e poucos segundos do fim do 1º prolongamento). Depois de se perder a oportunidade de resolver o jogo no 1º prolongamento, o 2º foi um deserto de ideias, 1 ponto em 5 minutos e sucessivas tentativas falhadas no lançamento exterior.

Se o segredo no basquetebol está na defesa, a verdade é que o nosso desempenho na tabela defensiva foi demasiado mau, permitimos ressaltos inacreditáveis que fizeram toda a diferença em determinados momentos do jogo.

Neste jogo Stempin cotou-se como o melhor marcador do FC Porto com 26 pontos, tendo Marçal anotado 19. Do lado benfiquista destaque para um jogador fenomenal, Heshimu Evans, a idade não lhe pesa e continua a ser fortíssimo no 1x1.

Para finalizar a abordagem a este jogo, gostaria de deixar uma pergunta no ar, o que é que é preciso para ser assinalada uma falta técnica ao senhor H. Vieira? O homem pode dizer e fazer tudo o que quiser que nada lhe acontece. Incrível!

  • FC Porto, 90 – SL Benfica, 58
No domingo assistimos à melhor exibição da época da nossa equipa! A diferença para o jogo anterior esteve, essencialmente, na superioridade evidenciada na luta pelos ressaltos na tabela defensiva e no controlo dos movimentos de H. Evans. A entrada de Hunt como base também “mexeu” com a equipa, tornando-a mais perigosa através das penetrações para o cesto do norte-americano, aspecto em que João Figueiredo e André Bessa não são tão fortes.

Fizemos um grande jogo e esmagámos por completo o adversário (a diferença no marcador reflecte isso mesmo), evitando um 0-4 final que seria muito penalizador para a excelente época que temos realizado até ao momento (já vencemos as Taças da Liga e de Portugal).

Tal como no jogo anterior, voltaram-se a destacar Stempin (24 pontos e 10 ressaltos) e Nuno Marçal (21 pontos).


O Dragão Caixa festejou o ENEA, mas já com o pensamento no DECA!
(1º FC PORTO-68 pts; 2º Viana-54 pts; 3º Oliveirense-51 pts... ) )

  • Gulpilhares, 5 – FCPorto, 5
Depois do afastamento (“oferta” dos senhores Pinto e Lamela) da final da Liga Europeia, o regresso à competição doméstica estava marcado para um campo complicado como o de Gulpilhares.

Num jogo entretido, o empate acabou por se ajustar ao passado dentro do ringue. Entrou melhor o conjunto gaiense chegando ao 3-1, vantagem reduzida ainda antes do intervalo pelo espanhol Pedro Gil. A perder por 3-2 ao intervalo, veio a esperada reacção no 2º tempo com o FC Porto a conseguir virar o resultado (4-5), mas sendo surpreendido com o empate final quando pouco faltava para terminar a partida.

Pelos eneacampeões nacionais bisaram Reinaldo Ventura e Pedro Gil, tendo o capitão Filipe Santos feito o outro golo.

  • FC Porto, 4 – Física, 1
No jogo de consagração dos campeões, destaque para a fraca afluência de público no Dragão Caixa. O aspecto do pavilhão era verdadeiramente desolador, ainda existem portistas que têm de acordar para a realidade e perceber que existem equipas que dignificam brilhantemente o nosso clube e que merecem todo o nosso apoio.

Quanto ao jogo, foi o típico jogo de festa, jogadas bonitas, espectáculo e um golo fenomenal desse fantástico jogador chamado Pedrito Gil (3 golos).

O momento da tarde foi, sem dúvida, a despedida de Jorge Silva, um grande jogador que se despediu em lágrimas e com 1 golo, o mais festejado pelas bancadas do Dragãozinho.

Jorge Silva

Quando vejo Jorge Silva a tirar a sua camisola e a mostrar um t-shirt com a inscrição “FC PORTO SEMPRE”, decidi imediatamente quem escolheria para a figura da semana.

Optei por não seguir critérios de desempenho desportivo, mas apenas seguir a emoção, e essa levou-me a esta escolha. O Jorge é um jogador que sempre apreciei, tenho muita pena que a sua saída se tenha consumado, mas espero um dia poder voltá-lo a ver jogar de dragão ao peito.

Custou-me ver as lágrimas que corriam pelo seu rosto, sei do seu portismo e o quanto gostou de vestir as suas/nossas cores, por isso agradeço toda a sua dedicação ao nosso clube. Jorge, és um dos nossos!

Como dizia a faixa mostrada no início do jogo, “OBRIGADO JORGE, ATÉ BREVE”.

Um abraço,
Sevilha03