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18 novembro, 2015

RECADO A FERNANDO SANTOS.

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    "Cristiano Ronaldo seleciona-se a si mesmo e escolhe os jogos em que alinha pela selecção nacional e agora Fernando Santos decidiu poupar os jogadores do Sporting e Benfica e gastar os do FC Porto. Para conhecimento do seleccionador nacional deixamos-lhe o calendário do FC Porto só para as próximas semanas: sábado 21, jogo com o Angrense, terça 24, com o Dínamo Kiev, sábado 28 com o Tondela, quarta 2 de Dezembro, com o União da Madeira, sábado 5, com o Paços de Ferreira, quarta 9, com o Chelsea. Ou seja, seis jogos em 19 dias, se o sr. seleccionador conhecer alguma equipa portuguesa com mais jogos e com mais necessidade de poupanças que faça o favor de dizer."
fonte: dragões diário

17 novembro, 2012

A palhaçada

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Então os nossos jogadores andam a ir para os confins de África para que a FPF possa mostrar o sobrolho aberto do Cristiano Ronaldo no Gabão. Que palhaçada é esta afinal? Tudo isto porque a FPF quer ganhar uns trocos à custa de jogadores a quem são os clubes que pagam salários. A lógica é "bora sacar umas massas num jogo que não conta para nada e que se borrifem os clubes" - e, neste caso, o Porto que é o que me interessa! Temos hoje um jogo importante para a Taça de Portugal e ainda ninguém sabe em que condições vão chegar os nossos jogadores, nomeadamente o Moutinho e o Varela.

Depois de acabar a sua Fapping session num quarto de Hotel algures no Gabão, o Risco ao Meio lavou as mãos e lembrou-se de vir mandar umas bocas ao Futebol Clube do Porto. Mas quantos títulos é que este senhor conquistou para além do de penteado mais ridículo do século? Aquilo na FPF anda sem Rei nem Roque. Uma rebaldaria por isso é que nunca conquistaram nada! Zero títulos! Em que cidade portuguesa nasceu o Liedson que o Risco Meio pôs a jogar na Selecção? É assim que se defende o jogador português e o futebol português?

O principal prejudicado é obviamente o FC Porto visto que é o único clube português que ainda está em prova nas competições europeias, atentando a que os outros dois da Segunda Circular já estão mais que arrumados. Temos jogo de Champions para discutir o primeiro lugar e está 1 milhão de euros em jogo! Será que não há respeito nenhum pelos clubes?

E depois virem com reacções cheias de urticária pelas palavras do Presidente. O que o Nosso Presidente disse é a verdade inconstestável. A Selecção Nacional é a melhor indústria do Mundo visto que cobra quantias elevadíssimas para andar a mostrar o sobrolho do CR7. Os outros jogadores são meros acessórios, pois isto está feito em volta de uma pseudo-estrela. Como é que o Moutinho e o Varela vão estar em condições de jogar amanhã com o Marítimo, quando vão chegar a Portugal às 5 da manhã, tendo depois que viajar para o Porto, para de seguida viajarem para a Madeira! Uma autêntica vergonha! Andam a brincar com o Dragão! Andamos nós a fazer empréstimos obrigacionistas para que os nossos melhores activos vão fazer peladinhas para África em campos sem o mínimo de condições?

O rabecão e o sapateiro

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16/11/2012

Quanto mais nos dispersamos menos sucesso conseguimos. É uma lei da vida que todos devemos seguir e que a sabedoria popular sintetiza muito bem: “Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão”.

Vem isto a propósito das infelizes declarações do seleccionador nacional Paulo Bento, que parece preocupar-se mais com o FC Porto do que com os adversários que enfrenta no campo.

Da Federação Portuguesa de Futebol e dos seus funcionários, do mais anónimo ao mais relevante, espera-se a defesa do futebol português e dos seus clubes, em especial daqueles que defendem as cores nacionais nas provas internacionais. Estranhamente, porém, Paulo Bento acha que tem a mesma obrigação em relação ao futebol português e aos clubes portugueses que o seu homólogo da Colômbia, ou de qualquer outra selecção. Um absurdo.

Mais do que pelas palavras, as pessoas devem ser julgadas pelos actos e não pode haver conivência maior do que aceitar uma deslocação ao Gabão para realizar um jogo que não servia, como não serviu, para nada. Para quem se diz tão independente, não casa a cara com a careta.

O FC Porto tudo fará para preparar bem os seus jogadores, para que possam contribuir para uma vitória da selecção nacional em Israel, mas infelizmente constatamos que o seleccionador nacional não fez o mesmo, como é sua obrigação.

Estranha a alusão ao seu empresário Jorge Mendes, que não foi tido nem achado no assunto e pensamos que não precisa de ser promovido à custa de quem agencia.

De resto, estas declarações só podem fazer sentido a quem tem perdido visibilidade pelo desempenho da selecção e tenta pôr-se agora em bicos de pés, atacando o presidente do FC Porto para aparecer na primeira página do jornal “A Bola”.

No FC Porto os treinadores servem para treinar e ganhar jogos e, se nos é permitida a ousadia, aconselhamos a federação a seguir esta regra.

Defender o futebol português e os seus clubes não é certamente a reacção inflamada e chantagista do seleccionador, que se diz à espera de apoio vindo dos oito pisos da sede da Federação. No FC Porto, que até já teve uma sede com 16 pisos, a liderança tem um nome, o seu presidente. É assim agora, como foi no passado. Pelos vistos, na FPF não parece ser bem assim, o que ajuda a perceber a dificuldade que o seleccionador tem tido em concentrar-se no que é a sua obrigação, vencer jogos.

fonte: fcporto.pt

29 junho, 2012

Cabeça erguida, campeão!

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É cliché dizer-se que o futebol é a vida em 90 minutos, e os clichés tornam-se clichés por uma razão: regra geral, não andam longe da verdade. Um jogo de futebol condensa em hora e meia as mais importantes emoções da vida: alegria e tristeza, amor e ódio, esperança e desespero, surpresa e decepção, medo e coragem. Como a vida, é uma busca constante por um objectivo. Como a vida, implica ganhar e perder. E como a vida, às vezes, é muito, muito injusto. Não há razões, não há propósitos, não há planos pré-traçados por deuses, senão na cabeça de quem os criou - aos deuses e aos planos. É uma injustiça e pronto: premeia quem não devia e pune quem não merece. “É a vida” - encolhemos os ombros. E é o futebol.

Não estou a falar da derrota de Portugal, que, apesar de ter jogado bem e limitado em muito a acção de uma equipa muito forte, esteve mais longe da vitória nos 120 minutos de jogo do que o seu adversário. Olhando de forma isenta para a partida, Portugal "bateu-se bem", podia ter ganho, mas não se pode falar em injustiça. No máximo, poderemos dizer que perder nos penalties é sempre injusto - embora quando se pense que tempos houve em que a coisa se decidia por moeda ao ar os penalties já não pareçam assim tão aleatórios. Mas não, ao falar em injustiça não me refiro à eliminação de Portugal. Refiro-me, isso sim, ao melhor jogador português neste Europeu, que termina a prova com o peso de um penalty falhado na hora da verdade.

Não dou grande importância à Selecção Nacional, já aqui falei disso. Normalmente gosto de a ver ganhar, mas quando estou no sofá a ver um jogo da equipa nacional estou a torcer sobretudo pelos nossos jogadores - os do Porto, claro está. Para que não se lesionem, acima de tudo, mas também para que joguem bem. Para que marquem golos, para que se destaquem na partida, para que demonstrem a sua importância na equipa. Não apenas por questões de valorização dos seus passes, mas porque sei que é importante para eles, que aumenta os seus níveis de confiança e motivação e que os faz felizes - e eu gosto de ver aqueles de quem gosto felizes. E ontem partiu-me o coração ver a expressão do Moutinho no final do jogo. Não só por ser dos nossos, mas porque, se havia jogador que não merecia este desfecho, era ele.

É estranhamente habitual o melhor jogador da partida, da competição ou da equipa falhar o seu penalty e muitas vezes ser responsável (ou co-responsável) pela derrota. Assim de repente, e falando do nosso clube, lembro-me do Maniche em Yokohama, considerado o homem do jogo mas que quase nos custou uma derrota que teria sido muito amarga. Haverá eventualmente uma explicação psicológica, talvez o jogador sinta uma maior expectativa dos colegas e dos adeptos e isso se transmita numa pressão particularmente elevada. Não sei. Sei que é injusto, errado, frustrante, e nem sequer se pode aliviar essa frustração colocando a culpa em quem quer que seja. Paulo Bento podia ter escolhido outro jogador, mas se escolheu Moutinho foi porque acreditou ser a melhor opção. Não vale a pena ir por aí. Não há culpa nem culpados. Simplesmente aconteceu assim, é triste e injusto mas não há nada a fazer.

Serve este texto de desabafo, partilhando convosco a pequenina réstia de tristeza que ainda hoje se aloja num cantinho do meu coração, por saber triste também o nosso João Moutinho. Mas serve, acima de tudo, para deixar daqui uma mensagem muito simples: Moutinho, és o maior. Não há penalty falhado que apague a tua prestação neste Europeu, não há Casillas que negue a evidência do teu talento nem há azar que justifique mais do que um dia de tristeza. Orgulha-te do teu desempenho no Euro 2012 e recorda-te de que és bicampeão! É levantar a cabeça e olhar bem para a frente, gozar as férias junto dos teus e recarregar baterias para a importantíssima época que aí vem. Contamos contigo, enorme João Moutinho!

09 junho, 2012

A minha seleção é o Porto!

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Fico feliz por constatar que os jogadores da minha pátria irão jogar amanhã (hoje) na Polónia, contra a poderosa Alemanha. Estou optimista em relação àquilo que os meus compatriotas poderão fazer. Apesar de serem apenas 3. É pena só estarem lá três jogadores do meu país, mas enfim. Força, Beto, Moutinho e Rolando, eu acredito em vocês.

Provavelmente, a maioria dos meus consócios Portistas não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Porto. Sou português, claro, mas só porque o Porto fica em Portugal. Sou portuense, até porque o Estádio do Dragão fica no Porto. Mas a minha pátria é o Futebol Clube do Porto. Sempre achei que pertencia mais ao país de Madjer, Jardel, Drulovic e Deco, ao passo que o país de Ronaldo, Rui Patrício, Fábio Coentrão e Eusébio sempre me repudiou. Os jogadores do Porto são da minha pátria. O meu seleccionador é o Vítor Pereira. O meu presidente é o Pinto da Costa. A minha bandeira é a do Futebol Clube do Porto. O meu hino é cantado pela Maria Amélia Canossa.

Quando digo a selecção de todos Nós, escrevo com maiúscula por me refiro aos Portistas e não os portugueses. Muito provavelmente, dirão que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Hulk ou Helton do que de Nani ou Eduardo. É bizarro, eu sei, mas é assim.

Já falei com o meu médico e espero em breve estar curado. Enquanto aguardo pelos resultados da biopsia, vou escrevendo, todos os dias, 150 vezes num caderno de duas linhas a frase: «O FC Porto não está obrigado a golear todas as equipas». E depois leio e finjo que acredito. Ando há duas semanas a tentar e ainda não consigo acreditar naquilo que escrevo.

Tudo isto serve para tentar refrear o meu amor doentio pelo Clube. O entusiasmo que, dizem alguns, é injustificado. Os campeonatos têm sido favoráveis ao Porto. Os árbitros levam-vos ao colo. Enfim, benfiquistas e sportinguistas fazem tudo para me ajudar, mas, mesmo assim, não consigo aceitar que: «O FC Porto não está obrigado a golear todas as equipas». Basta-me, portanto, repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e benfiquistas já conseguiram. Por isso, não deve ser muito complicado.

07 junho, 2012

A minha Selecção

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Esta é a minha Selecção! É este o meu País, são estes os valores que amo e defendo, pelos quais sofro e rejubilo. Não adorno palhaçadas…

O Povo da minha terra labuta com coragem, luta arduamente pelo que conquista, exime-se de macular o seu caminho. Sempre rumando a Norte e rumo ao intento, irredutível, trilha o seu destino; a Festa, a festa rija - quando alcança o desígnio. O Povo da minha terra não adorna mascaradas, embandeirar em arco… só na Festa.

Que me perdoem os fãs da selecção nacional de futebol; que me desculpem os que opinam que é um dever patriótico apoiá-la. Àquele grupo que “aterrou” na Polónia, só peço isto: tragam os jogadores do meu Clube, o FC Porto, descontaminados.

06 junho, 2012

Circo, festas e o Palhaço

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"Isto parece um circo à volta da selecção. Fiquei com a ideia no jogo com a Turquia que estavam a transmitr imagens de jogadores a serem massajados. Isto não pode acontecer de forma nenhuma. Parece o 'Big Brother'.

"Depois do jogo com a Macedónia, todos vimos os jogadores a ir de folga em carros de 400 mil euros, num país que está em crise. Isto só aumenta a responsabilidade e, depois, a agressividade do povo. Isto depois vai ser pago."

"... anda um país inteiro atrás de uma Selecção que passa a vida em festas e mais festas e charretes, é um circo autêntico, não revela profissionalismo...",

# manuel josé, vulgo carneiro, anti-portista primário, invejoso, ressabiado e fdp todos os dias, em 06.06.2012

18 novembro, 2011

Santos e pecador

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18/11/2011
"Isso só disse uma pessoa, uma pessoa que não é séria, que não é íntegra, uma pessoa que não tem valores, não tem sentimentos. (...) Não tem de se dar credibilidade a uma pessoa que manipula pela mentira".
Estas palavras foram proferidas pelo seleccionador nacional de futebol, Paulo Bento, e por envolverem o FC Porto merecem o nosso esclarecimento.

O que está em causa é tão simplesmente o facto do presidente Jorge Nuno Pinto da Costa ter estado na Dinamarca, para assistir ao jogo da selecção nacional no início de Outubro, alegadamente para contratar Paulo Bento.

As palavras do seleccionador nacional são suficientemente esclarecedoras do carácter de quem pôs a correr mais uma mentira com o objectivo de prejudicar o FC Porto, mas para que não sofra o justo pelo pecador e porque ainda há muita gente séria na comunicação social, sentimos o dever de denunciar o autor da mentira.

Foi o suposto especialista em futebol Rui Santos quem lançou esta falsidade para o ar, apenas mais uma de tantas e tantas mentiras que semanalmente diz na SIC Notícias, numa patética tentativa de diminuir o FC Porto e que tem tido os resultados conhecidos.

Como diz muito bem o seleccionador nacional, Rui Santos não é sério, não é íntegro, não tem valores. Não é credível. É mentiroso.

fonte: fcporto.pt

14 novembro, 2011

Critérios de selecção

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Uma vez ouvi alguém dizer, salvo erro durante uma viagem de autocarro: "Esta semana não há futebol, joga a selecção." De forma natural ou mesmo ingénua, essa pessoa definiu aquele que é o meu sentimento pela selecção de há uns bons anos para cá. Longe vai o tempo em que torcia pelos seus adversários, por ver na selecção a representação máxima do ódio ao FC Porto que vigora no futebol português, e mais longe ainda o tempo em que torcia realmente pela equipa das quinas. E mesmo nessa altura o meu interesse pela selecção nunca foi sequer comparável ao que tinha e tenho pelo nosso clube. E morreu lá para 2002, depois do Mundial da Coreia/Japão. Agora, posso dizer que sou quase indiferente à selecção. Encaro-a como a uma mera curiosidade. Ganhou? Que bom. Perdeu? Ok. E isso é só por ter lá jogadores do Porto.

Posso dizer que sou patriota, no sentido em que valorizo o meu país e a minha língua, mas as selecções como actualmente existem causam-me alguma confusão. Causa-me confusão sobretudo a forma como as instâncias superiores do futebol as protegem, em detrimento dos clubes. E não entendo por que razão, neste futebol moderno em que tudo vale dinheiro, os clubes continuam a ceder, ainda que de má vontade, os seus jogadores às selecções. Como se não fosse óbvio que, num braço-de-ferro entre os clubes e a UEFA/FIFA, seriam sem dúvida as confederações quem sairia a perder, até porque a maioria dos adeptos realmente interessados em futebol, ainda que acompanhem a selecção, colocam o seu clube num patamar bem acima. A própria FPF deixa isso claro ao apelidar a selecção nacional de "clube Portugal", na esperança de que os adeptos se unam em torno da selecção como se de um clube se tratasse.

Irrita-me profundamente que um jogador do Porto venha da selecção lesionado. Irrita-me que um jogador do Porto tenha que abandonar os trabalhos do clube e faltar a jogos para se juntar à sua selecção. Irrita-me que um jogador do Porto inicie a época atrasado porque passou o mês de Julho inteiro na selecção. E irritam-me estas paragens constantes do campeonato para joguinhos de qualificação. Se calhar quem gosta da selecção acha tudo isto maravilhoso. Mas eu gosto do meu clube e acho tudo isto um despropósito.

Nesta altura da conversa há sempre alguém que se lembra de desencantar o argumento de que "a selecção valoriza os jogadores". O que pode ser verdade para jogadores de clubes secundários sem grande projecção, mas nunca para o Porto, que passa a época a jogar na Liga dos Campeões. Haverá eventualmente algum lucro financeiro indirecto da utilização dos jogadores nas selecções, considerando que jogar na selecção possa ter um efeito positivo no prestígio do jogador que se reflicta, por exemplo, na venda de camisolas, mas duvido que tenha grande peso. De um ponto de vista estritamente financeiro, não tenho dúvidas de que os clubes ficam a perder com a ida dos jogadores às selecções.

A meu ver, a única real vantagem para um clube de ceder um jogador à sua equipa nacional diz respeito à disposição psicológica do próprio jogador, que naturalmente se sentirá mais confiante e motivado. Mas essa estrada tem dois sentidos. Também a selecção beneficia da motivação extra de um atleta que assina por um grande clube, que joga num campeonato competitivo ou que está a fazer uma boa época. Tudo o que a selecção pode dar a um clube, o clube devolve em dobro. E ainda paga por isso. Não é justo.

É por isso que me junto ao coro que defende o estabelecimento de uma compensação financeira das (con)federações a todos os clubes que cedam os seus jogadores para jogos das selecções, sejam em grandes competições internacionais, em jogos de qualificação ou em jogos amigáveis. Bem sei que já se assinou uma carta de intenções a esse respeito – uma estrondosa derrota da FIFA, que tentou disfarçar esse facto referindo-se a "uma vitória do futebol como um todo" – mas esse acordo só cobre a utilização de jogadores em Europeus e Mundiais, o que é duplamente injusto, até por deixar de fora precisamente os clubes mais pequenos e de países mais pobres. E a ver vamos quando é que as coisas passam do papel à prática. Esta semana foi a Comissão de Educação e Cultura do Parlamento Europeu que sublinhou essa evidência, ao mencionar no Projecto de Relatório sobre a Dimensão Europeia do Futebol que os clubes devem ceder os jogadores às selecções "mediante uma compensação justa e um seguro colectivo". Só não vê quem não quer.

Dir-me-ão que as selecções "desempenham um papel essencial" ao futebol, expressão que, de resto, também consta no referido projecto de relatório. Que são imensamente populares, mais populares do que os clubes, que os Europeus e Mundiais são as competições mais importantes e emocionantes do futebol. Se assim é, que transformem então toda essa popularidade em euros e comecem a passar aos clubes a fatia que lhes é mais que devida.

E nem tudo é dinheiro. Parem para pensar, organizem-se, questionem o modelo actual. A CAN em Janeiro é sustentável? A Copa América a impedir os jogadores que actuam na Europa de fazer pré-época, é sustentável? O sistema de qualificação que obriga a constantes paragens dos campeonatos na Europa, é sustentável? Faltará muito para que a maioria dos jogadores comece a colocar os seus próprios interesses desportivos acima do desejo de jogar pela selecção? Quantos não o fazem já?

Algo tem que mudar. E é uma pena que a FIFA e a UEFA só ajam por coacção, quando encostadas à parede por uma posição de força dos clubes. É uma pena que se assumam como defensoras intransigentes dos interesses das federações nacionais, ainda que isso prejudique os clubes, em vez de buscarem proactivamente soluções benéficas para todos, que constituam uma "vitória do futebol como um todo" - mas a sério, e não só da boca para fora. É mesmo uma pena. E enquanto assim for, estarei sempre ao lado dos clubes. Até porque a minha selecção chama-se Futebol Clube do Porto.

Entretanto, e a meio de mais uma dessas pausas despropositadas - mas que, tendo em conta o nosso momento de forma, até pode ser que dê jeito -,  vamos lá ver se Portugal ultrapassa a poderosíssima Bósnia e se qualifica para o Europeu do próximo ano. Tendo em conta que a partida será num local de tão boa memória para nós, pode ser que o Rolando e o Moutinho estejam particularmente inspirados :)

18 agosto, 2010

De volta ao normal!

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Pois é meus amigos acabado de chegar de férias do sul da país, de Aljezur mais propriamente Vale da Telha, local onde já me desloco há mais de 6 anos para recarregar baterias para a época que aí vem, é tipo um pequeno estágio, sem acesso a telemóveis ou outras tecnologias do género mas sempre procurando estar atento ao que se vai passando.

Por incrível que pareça tinha de me levantar bem cedo apenas para comprar o jornal oJogo, descansem que não era porque não vendiam era porque muitas vezes esgotava com facilidade e eu como não compro os outros rolos de papel higiénico a não ser da Renova, lá tinha que pedir a alguma alma caridosa no meio da praia que me deixasse ler o jornal oJogo para ver o que se andava a passar.

Muito Portista vi eu naquela zona, quase me senti em casa, outros tempos... diria um amigo meu!

Embora não tenha perdido grande coisa enquanto estive fora, visto que ainda fui a tempo de ver o nosso clube dar uma sova valente ao eterno rival tendo muito milhafre abandonado o estádio ainda não tínhamos chegado ao minuto 75 (adeptos anedota), há sempre algo que me desperta atenção.

A primeira coisa que me desperta logo atenção é o caso Queirós onde tudo parece estar ao contrário, somos um país sui generis senão vejamos:

  1. Seleccionador anterior nunca convocou os melhores.

  2. Optou por um comportamento preferencial.

  3. Perdeu em casa por duas vezes com a mesma selecção, uma das derrotas foi redonda sem espinhas e a jogar em casa com todo o país a apoiar.

  4. Fez apenas 2 qualificações e contra equipa tipo Azerbaijão e o Ervilhas.

  5. Foi protagonista de uma cena de pugilato num jogo de qualificação para o campeonato da Europa.

  6. Ganhou balúrdios de dinheiro!

  7. Negligenciou o Futuro da Selecção, ficamos de repente sem elo de ligação com as selecções jovens e a “descendência” normal de valores ficou cortada.

  8. Ganhou uma mão cheia de nada, insultou o nosso Clube e Cidade sempre que pode, menosprezou a mais-valia dos nossos jogadores sempre que possível, no fim teve honras de estado e a simpatia do Portugal Anti-Portista, esquecendo-se que as vitórias dele sem metade da equipa do Campeão Europeu nem sequer tinham acontecido.
Posto isto e porque apenas um seleccionador Português tentou defender o seu grupo de trabalho de uma organização que ainda não se sabe muito bem o que ali andava a fazer leva com um processo, ameaças de despedimento e até um menosprezar de todo o fantástico trabalho que vem a realizar em prol da selecção. (não me lembro do CNAD ter este excesso de zelo no campeonato Português)

Se formos a contas Queirós ganhou tantos títulos como Scolari, exactamente zero.

Por isso um recado ao Sr. Laurentino Dias que deixe de ser abutre e trate dos assuntos que lhe dizem respeito e não ande atirar lenha para a fogueira, com contradições (ora diz que é um caso grave, ora diz que na devida altura dá opinião sobre o caso), este senhor a mim ficou-me marcado num taça de Portugal onde o meu Presidente esteve impedido de entrar na Tribuna do Estádio e as palavras deste verme foram de regozijo perante tal injustiça. Nunca lhe perdoarei tal acto e para mim virou inimigo a partir desse dia.

Já que falamos de Abutres é sempre bom ver quando cheguei a casa as crónicas dos comentadores afectos às nossas cores houve quem de repente tivesse uma mudança súbita de opinião, é o normal a falta de coerência naquilo que se escreve até se chega ao ponto de escrever barbaridades sobre a valia dum jogador por causa do seu nome.

Volto a dizer para quem quiser entender, não somos tão maus como diziam nem somos tão bons como agora querem fazer passar, estamos em construção, estamos em crescimento por isso entendo quando alguns Amigos aqui escrevem sobre o ”jogo jogado”, ainda estamos a tentar engrenar, mas uma coisa vos digo quando esta equipa ligar o Turbo, adeus Portugal, por isso dizer mal por dizer é conversa da treta.

Mas voltando aos Abutres é sempre bom ouvir o presidente do Marítimo, esse lampião ranhoso que caso o FC Porto não consiga salvar o negócio do Kleber a relação com este clube devem acabar de vez, já chega de darmo-nos bem com clubes cujo os jogadores falham penáltis deliberadamente e na semana seguinte estão a vestir de vermelho sem que ninguém se questione se há ou não dinheiro (lembro aos mais esquecidos que o negócio que falo é Makukula, que meses mais tarde foi pago com 3 jogadores Manu, Miguelito e um parolo da Maia que é extremo direito de nome Paulo Jorge).

Deixando a conversa dos Abutres deixar os Parabéns à nossa Sara Oliveira pelos excelentes resultados nos Campeonatos da Europa de Natação, é uma excelente nadadora que merece todos os destaques possíveis já que não é a primeira vez que bate inúmeros recordes e se qualifica para as finais.

Também uma nota para a entrevista do nosso Grande Presidente onde é possível ver outra vez as “campanhas de charme” aos pasquins Lisboetas e deixa-los fazer algum dinheiro, coitaditos!

Em relação ao conteúdo da entrevista não foi dito nada de novo mas era importante mandar algumas bicadas no pavão vermelho lá de baixo, que entretanto já deve ter um fórmula nova de rennie e vaselina para aguentar os últimos desaires, não era esta a super equipa?

Meus amigos deixo-vos com um resumo daquilo que me chamou atenção nestas 2 semanas e agora estou pronto a ir outra vez de férias desta feita para fora, são apenas mais 8 dias mas estarei a tempo e horas de ver o nosso Grande Porto a caminho da Liga Europa.

A todos desejo umas boas férias ou então uma excelente semana.

Um Abraço Tripeiro e muito… muito Portista.

05 julho, 2010

Mas quem será, o pai da criança?

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    Cristiano Ronaldo foi pai de um menino

    "É com muita alegria e emoção que informo ter sido recentemente pai de um rapaz. Por acordo com a mãe, que prefere manter o anonimato, o meu filho ficará confiado à minha guarda exclusiva. Sobre este assunto não prestarei quaisquer outras informações, pedindo a todos que respeitem o meu direito à privacidade (e o da criança...), ao menos numa matéria tão íntima", escreve o capitão da Seleção Nacional.
Já não bastava as habituais e consecutivas paupérrimas exibições ao serviço da selecção de alguns (mas não de todos!), seguida de (mais um) mau comportamento no Mundial, eis senão que, em mais uma operação de charme da gigantesca máquina de marketing que o acompanha para todo o lado, nos dar agora a conhecer o resultado das contas astronómicas de champagne no ano passado, aquando da sua presença nos USA... e voilá, como que por artes mágicas, tudo abafado, não se fala mais no assunto, senão no «dito cujo»!

Quer-se dizer, temos o progenitor A e B, sendo que o lado B, mais endinheirado, lançou uma OPA sobre a parte detida pelo lado A. O lado A analisou a proposta, achou vantajosa e vendeu ao lado B. Simples, é o verdadeiro mercado da «silly-season» a funcionar!

E já que estamos numa de humor(es), o que será que este «aborto» irá agora responder quando o questionarem sobre quem é a mãe do «dito cujo»? será caso para também ir perguntar ao Carlos Queiroz?

Para ajudar a compor o ramalhete de mais uma nUticia côr-de-rosa deste «aborto», só faltaria mesmo o refrão da moda, pa ver se a coisa fica com mais encanto...

21 junho, 2010

Silly season à portuguesa

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Estamos na verdadeira silly season do futebol português. Todos os dias saem dezenas de notícias para preencher as capas dos jornais. Notícias é uma força de expressão… porque em 90% das ocasiões, estas notícias não passam de mentiras descaradas para entreter a generalidade do “zé-povinho”que agora não tem os jogos do seu clube predilecto para se entreter…

Quanto ao futebol português, e particularmente aquilo que mais interessa, o FC Porto, as coisas estão literalmente em banho-maria, isto é, muita especulação, muitas notícias de possíveis entradas e saídas de jogadores, bem como histórias que mais parecem saídas de um filme cómico (como aquela capa d’A Bola no dia da apresentação de AVB).

Tudo isto se passa, enquanto decorre lá longe na África do Sul o Mundial de Futebol. Toda a organização deste campeonato, bem como quem atribuiu a mesma, com todas as trapalhadas que têm acontecido, nomeadamente, problemas de segurança dentro e fora dos estádios, o som insuportável vindo das bancadas e até a permissão (imagine-se!) da entrada de garrafas de cerveja nos estádios, só vêm provar duas coisas: a UEFA é muito mal dirigida… a FIFA muito mal dirigida é…

Tenho seguido com especial interesse e agrado a participação dos jogadores do FC Porto neste Mundial… Álvaro Pereira e Fucile têm dado boa conta de si na selecção uruguaia, que tem grandes hipóteses de seguir para os oitavos. Já R. Meireles e B. Alves mostraram-se a bom nível no primeiro jogo com a Costa do Marfim, com Alves a formar uma excelente dupla com Ricardo Carvalho, um jogador também formado nos escalões de formação do FC Porto, uma autêntica “máquina” de fabricar excelentes centrais! Além dos 6 jogadores presentes neste Mundial, muitos outros poderiam estar presentes, sendo que por uma ou outra razão ficaram afastados desta competição sempre importante para valorizar jogadores. Varela e Ruben Micael poderiam ter sido convocados para a selecção nacional não fossem as graves lesões que sofreram. Rodriguez só não foi devido ao castigo de 2 jogos imposto pela FIFA. Falcão não se apurou com a sua Colômbia (e ainda bem, digo eu!) e a dúvida sobre Hulk persistirá para sempre: se Hulk não tivesse sido punido por aquele "hediondo crime", quem sabe se não estaria na África do Sul?

À parte disto, a selecção nacional continua envolta nas sempre habituais polémicas em grandes competições internacionais. Depois da novela "Nani", agora o mundo “caiu” com as declarações de Deco, que por acaso até veio pedir desculpa. Fosse outro “menino” a ter as declarações do “Mágico” e haveria logo uma desculpabilização por parte de toda a gente. E assim, de novela em novela a comunicação social vai entretendo o povinho, que discute o mais ínfimo pormenor relacionado com a selecção como se fosse algo de extremamente útil para o país (como por exemplo, o facto de um jogador ter jacuzzi no quarto e os outros não!).

Em suma, nos tempos do “sargentão brasileiro” é que a selecção era excelente e tinha toda a organização possível e imaginária. Claro que a guerra do “sargentão” contra o FC Porto ajudou imenso ao consenso à volta da selecção nacional… Agora, o seleccionador nacional comete a loucura de convocar jogadores do FC Porto, não ter uma guerra contra este clube e, barbaridade das barbaridades, não convocar meia equipa de um certo clube… Resumindo, só crimes de lesa-pátria!

11 maio, 2010

10 dezembro, 2009

A Selecção de todos nós e um Defesa de eleição...

Jogar na Champions, mesmo com o apuramento garantido, nunca deve ser encarado como aspecto de rotina. Não existem jogos a feijões, para equipas da elite. O Porto soube transformar a banalidade da partida numa catapulta para outros vôos. Jogou pelo dinheiro. Pelo prestígio. E pelos melões. Vamos por partes:

  • Já os Pink Floyd, banda mítica na minha adolescência, cantavam com a qualidade costumeira uma música emblemática. "Money". As finanças portistas, sempre sôfregas, fazendo fé nos relatórios de contas regulares, anseiam pela entrada de capital. Os 800.000 € provenientes da generosa UEFA são um belo balão de oxigénio, nesta fase;

  • A Champions é uma montra. Um local onde se mostram, qual centro comercial, as últimas novidades. Substituam-se as peças de roupa cara por jogadores e o efeito é o mesmo. Jogando em Espanha, contra uma das mais emblemáticas equipas do País, com audiências televisivas de vários milhões, os nomes dos jogadores do Porto, no caso de um resultado positivo, seriam decorados por muitos. Aquele golo monumental de Hulk apenas veio colocar mais uns zeros na provável transferência futura do brasileiro. O mesmo que, na eliminatória da época passada, foi alvo de um chorrilho de elogios por um dos mais prestigiados jornalistas espanhóis. Julio Maldonado, do diário As [podem lê-lo aqui, no seu blog], enamorou-se pelo super-herói portista. Contem, por isso, com mais 30 ou 40 milhões em caixa, depois do jogo de terça-feira;

  • Jogar pelos melões. Aqueles que ficam sempre a adornar a corn***ra do Simão. E do Paulo Assunção, que já deve andar a ser submetido a tratamento psiquiátrico, pois não é fácil ser sistematicamente sodomizado pelo clube que abandonou. Adoro ver o ar tristonho do duo, no final das contendas com o Porto, desolados por verem a insignificância do próprio futebol, logo eles que possuem egos descomunais. Para o ano, era imperativo calhar no mesmo grupo dos colchoneros. Ah... isso não é possível. O Atlético, provavelmente, ficará a ver as competições europeias pela TV. Grande progresso, ò Paulo. Valeu a pena a troca?


Anote-se o apaziguamento de relações recentes com antigos ídolos portistas. Depois das tréguas decretadas com Fernando Gomes, foi a vez de Aurora Cunha receber a mão estendida, por parte do clube, para um selar de amizade que se espera prolongado. Agrada-me este rumo tomado pela Direcção azul e branca, com Pinto da Costa a assumir o rosto da mudança. E da lembrança. Porque um clube vive não só dos seus feitos actuais, mas igualmente da sua memória. E esta, para ser perpetuada devidamente, tem que contemplar uma relação sadia com os antigos ídolos das massas. Ainda bem que existiu esta inflexão, depois de alguns anos de crispação evidente.



A Federação parece querer transformar o futebol tuga numa espécie de caos circense. Depois da rábula iniciada na Bósnia, com os empertigados e bem pagos dirigentes nacionais a encresparem-se com o relvado da antiga colónia jugoslava, transferida posteriormente para território luso, com o depauperado do estádio da Oliveirense a servir de arma de arremesso, num braço-de-ferro apenas mantido por teimosia federativa, ficamos todos a saber que o conclave, ao bom estilo papal, deitou fumo branco. Não será na terriola do Hermínio que o vigente detentor da Taça se deslocará para disputar e eliminatória. Numa justiça salomónica, chegou-se à conclusão que Águeda será o palco da partida, numa data inovadora. 2 de Janeiro do novel ano. Por momentos, mais do que a parecença com o futebol inglês, que funciona a todo o vapor, nas festividades natalícias e de fim-de-ano, fiquei sem perceber nada. Confuso. Será que, nesse primeiro fim-de-semana de 2010 defrontaremos, numa maratona futebolística, a Oliveirense, para a Taça, e o Leixões, para a Taça da Liga?



A herança Scolariana esbate-se, lenta mas inexoravelmente. Daqui a uns anos acordaremos apenas com uma desagradável sensação na boca. E a figura de um brasileiro abjecto e tacanho fará parte dos sonhos menos bons. A turma das quinas, paulatinamente, vai recuperando a sua identidade, afastando os efeitos perniciosos das purgas contra atletas que não se enquadravam nos critérios do sargentão. E assim, de forma não muito efusiva, a intelligentsia lisboeta viu-se obrigada a recuperar a conformidade nacional, agora que a dicotomia Norte-Sul foi evaporada pelo desempoeirado professor Queiroz. Com o apuramento para o Mundial a servir de bofetada com luva de pelica, a todos aqueles que torciam maldosamente por um tropeção, a Selecção que agora é de todos nós sentiu as agruras de um sorteio desfavorável. Mais do que o Brasil, espécie de papão na mentalidade portuguesa, a africana Costa do Marfim promete fazer deste O grupo. Serão jogos tremendos, de grande desgaste, mas apelativos para o público e, fundamentalmente, para um lote de jogadores que sabe ser aquela a montra ideal para uma imortalização na memória dos amantes do desporto-rei. E será ali, nos palcos sul-africanos, que Meireles e Bruno Alves mostrarão a imensa qualidade que possuem. Porque, já se sabe, só mesmo com uma imprensa idónea é que as qualidades e habilidades dos atletas de dragão ao peito são devidamente valorizadas. E exaltadas…



Nunca mais, depois da inesquecível epopeia que findou em Gelsenkirchen, um atleta português, jogando nas provas nacionais, tinha sido eleito para a votação do melhor 11, pela UEFA. Até agora. O denominador comum? O mesmo de sempre. Um emblema orgulhoso, imperial na defesa dos seus ideais. O lídimo embaixador do futebol português. O FC Porto. Bruno Alves mantém assim a tradição dos jogadores de azul e branco vestido alcançarem o Olimpo, esse recanto onde apenas os jogadores extraordinários conseguem um lugar. A distinção para o defesa-central portista é, igualmente, um prémio pelo seu notável desempenho, nas últimas temporadas. Aliando à sua sobrenatural capacidade física uma impressionante frieza no domínio dos lances aéreos, Bruno Alves evoluiu notoriamente nos outros parâmetros exigíveis a um defesa de eleição. Mais sereno, na abordagem do encontro, tornou-se numa referência para os colegas, voz de comando imperial, sentindo-se nele o pulsar da mesma energia, ânsia, crença e mística que tornaram aquele posto, no clube, num espaço de destaque. E ao vê-lo, na sua entrega denodada, abarcar cada lance como se dele dependesse o futuro imediato da equipa, é impossível não nos lembrarmos de outros vultos carismáticos que permanecem de pedra e cal na afeição do adepto e na sua memória selectiva: Freitas, Simões, Rodolfo, Lima Pereira, Fernando Couto, numa imensa galeria de notáveis que são, inequivocamente, o património mais valioso de um clube.



Finalizo com uma transcrição deliciosa de um pequeno texto. O mesmo pode ser encontrado, integralmente e no contexto em que foi escrito, aqui. No Mar Salgado.

    “Nos últimos anos, a escaramuça é sempre do mesmo tipo: nós vamos invariavelmente à frente desde o início e o único gozo é estar a verificar quantos pontos levamos de avanço e quanto cresce a vantagem ao longo das semanas até ao fim do campeonato. Depois, dissecar animadamente as desculpas dos derrotados no final (ou em Abril) e apreciar os seus sonhos para o ano seguinte. No último quinquénio, esta coisa de andarmos a perseguir a cenoura é nova mas dá luta e também tem a sua piada. Até porque o inimigo se convence muito vaidosa e facilmente da sua imaginária invencibilidade e, quando equipas que julga menores o fazem tropeçar, voltam a angústia, o medo, a ansiedade e o desassossego, enfim: o cagaço habitual”.

15 outubro, 2009

A Selecção das Quinas e o quotidiano portista

Foi um fim-de-semana sensaborão, este que nos trouxe o regresso da Selecção das quinas. Não me interpretem mal. O meu sentido patriótico e de apego às cores lusas continua intacto. Mas fim-de-semana sem a competição máxima nacional, com o Porto envolvido, não tem o mesmo sabor. Com a turma de Carlos Queiroz a braços com dificuldades inesperadas no apuramento desejado para o Mundial africano, os azuis e brancos encararam esta paragem como uma pausa retemperadora, permitindo a recuperação de alguns atletas lesionados.



Na turma das quinas, destacou-se a boa prestação de Raul Meireles, imprescindível para o seleccionador, e mais uma exibição imperial de Bruno Alves, continuando a fazer salivar de vontade os colossos financeiros europeus. Actualmente, o central portista é detentor de uma plêiade de qualidades que o alcandoram a uma elite, onde poucos permanecem. Atleticamente possante, com uma sobrenatural capacidade de salto, permitindo-lhe dominar amplamente o espaço aéreo, o central portista tem vindo a consolidar outras vertentes onde era, manifestamente, deficitário. Mais calmo, controla o jogo de forma omnipresente, quase evitando o recurso fatídico à falta. E, pormenor de somenos importância, aperfeiçoou as aptidões técnicas, evitando que a bola se tornasse num corpo estranho. Ao invés, é cada vez mais evidente a empatia com o couro, como demonstra aquele centro cirúrgico, que permitiu ao “lusitano” Liedson sentenciar a partida com os húngaros.

Propositadamente mantido longe da ribalta mediática nacional [como iria a corja bajuladora elogiar, quando procura denodadamente transformar Bruno Alves numa espécie de “Neandertal” caceteiro?], mas com um enorme cartel, fora de portas, Bruno Alves continua a ser peça imprescindível no esquema táctico portista. Esperemos que por muitos e bons anos.



O final de um ciclo exigente de jogos manteve os portistas na senda das vitórias. O percalço em Braga, aparentemente, não passou disso mesmo. De uma mera partida do Destino. Na mais elitista prova de clubes, a nível europeu, os pupilos de Jesualdo rectificaram o desaire da ronda inicial, vencendo o Atlético de Madrid, numa partida, já aqui dissecada, eminentemente táctica, com poucos momentos de bom futebol, transformada numa espécie de jogo de xadrez calculista, com ambos os contendores a pouco arriscarem. A vitória, sofrida, teve o momento alto na obtenção do golo inaugural. Uma obra-prima, desenhada com o génio de Falcao, num revivalista golo de calcanhar que nos fez a todos relembrar o mágico momento de 1987: aquele exacto instante, gravado de forma indelével na memoria colectiva, quando um argelino calou a arrogância germânica num golpe similar. Madjer e Falcao. Dois estrangeiros, de características técnicas distintas, mas dispostos a reivindicarem o seu espaço na secular história do clube. Um já lá mora, como exemplo maior de um atleta de eleição. O outro, chegado este ano, procura a cada jogo [com]provar as imensas qualidades de que vinha referenciado.



Ao contrário da época passada, onde os jogos longe da Invicta eram vencidos, de forma categórica, este ano os azuis e brancos têm experimentado dificuldades inesperadas, como comprovam o empate em Paços e a derrota no Minho. Por isso, a viagem até Olhão representou bem mais do que 3 pontos. Foi o ponto de viragem, na temporada, representando a retoma do equilíbrio que se pretende numa equipa [ainda] em construção. Distante da explosividade atacante da temporada do tetra, Jesualdo tem vindo a tecer, como bom artesão, as linhas que permitirão a construção da roupagem para o Penta. A equipa, longe de carpir mágoas pela orfandade de Lisandro e Lucho, tem manifestado no intenso trabalho a solução ideal para encontrar a resolução da química para o que se pretende de um plantel azul e branco: coesão, disciplina táctica, competitividade elevada e, claro, vitórias. Com Falcao agora eleito uinafigura máxima na adoração dos fiéis adeptos, Belluschi tem crescido, longe de adulações prejudiciais. Paulatinamente, o argentino começa a mostrar os refinados dotes de tecnicista, seja na abundante participação no ataque, através de refinados passes para golo, ou na difícil tarefa de gestão das transições, administrando convenientemente os ritmos de jogo. Com uma defesa impenetrável, um meio-campo que conta com a habitual regularidade de Fernando e com Meireles a aproximar-se dos índices físicos e psicológicos que lhe permitirão a interpretação do seu papel de general, voz de comando das tropas, o tempo promete trazer alegrias incontidas aos adeptos portistas. Estamos na luta e, mais importante, prestes a tornar-nos numa espécie de pior pesadelo da turba encarnada.

12 outubro, 2009

Reflexões de início de época

Decorrido que está o primeiro quarto de campeonato, é altura de balanço daquilo que tem sido o início azul e branco em todas as competições onde está inserido.

Em termos pontuais, é certo que o FC Porto está melhor não só em termos de Liga Portuguesa, como em termos de Liga dos Campeões. É bom que as pessoas não se esqueçam que o FC Porto no ano passado, por esta altura, tinha menos 5 pontos, e que, inclusivamente, já se notava alguma contestação por parte da exigente massa associativa do FC Porto. Lembro-me bem das várias derrotas consecutivas perante o Dinamo Kiev, Naval 1º Maio e Leixões, e lembro-me também da fantástica resposta da equipa num difícil jogo em Kiev que ganhamos à beira do fim com um golo de Lucho Gonzalez, depois de Rolando ter empatado um jogo que esteve deveras complicado para a equipa azul e branca. A partir daí, o caminho para o título e para uma belíssima campanha na Liga dos Campeões, estava iniciado. Resultado: o FC Porto foi campeão e atingiu os quartos-de-final da Liga dos Campeões num 2º jogo em que o Manchester Utd acabou aos “charutos” no estádio do Dragão, com medo de ser eliminado. Tudo isto tem de ser lembrado, aquando das críticas que se fazem ao que quer que seja.

Os jogadores do FC Porto, ao longo dos anos, têm por isso demonstrado de que massa são feitos. É por isto com muito humor que assisto a todas as euforias em volta de qualquer percalço do nosso clube. A prova de que somos de facto um grande clube, é a euforia que sempre se gera aquando de uma derrota do FC Porto. Parece que é quase sempre um acontecimento nacional uma derrota dos azuis e brancos. O mais incrível é ver alguns portistas a irem nesta onda de pessimismo sempre que ocorre algum percalço. Sejamos sérios e realistas, o FC Porto, e porque os grandes clubes europeus não se enganam, perdeu vários jogadores importantes na manobra da sua equipa, tais como, Lisandro, Lucho ou Cissokho, e teve de reestruturar a sua equipa com a entrada de novos jogadores para lugares cruciais. Para mim, Álvaro Pereira, tem substituído bem Cissokho, Beluschi tem dado muito boa conta de si, e até Varela tem surpreendido com excelentes exibições. Quanto ao Falcão, aquilo que já se suponha… golos, golos e mais golos… ah, e uma dor de cotovelo enorme de quem o queria e não o teve. Pelo menos, Falcão deve ser dos poucos que não sonha jogar no “maior clube do mundo”… preferiu um que ganha que se farta, mas não é o “melhor do mundo”.

Para finalizar, gostaria de abordar um assunto que raramente abordo neste blog, mas que acho conveniente agora fazê-lo: a qualificação da selecção nacional para o mundial de futebol. Muitos foram aqueles que criticaram Queiroz desde o início da qualificação. Muitos foram também os que lembraram Scolari, dizendo que nunca mais conseguiríamos ir a um Mundial, que aquilo que Scolari tinha feito nunca mais seria atingido. Pois bem, num grupo de qualificação bem complicado, com apenas uma selecção fraca (Malta), ao contrário dos “grupinhos de meia tigela” na era Scolari, a selecção de Queiroz continua a depender de si para se qualificar para a fase final do Mundial na África do Sul. Agora há que ganhar a Malta e depois esperar qual o adversário que nos calhará no playoff de acesso ao Mundial. Afinal, o trabalho reservado e sem fanfarronices também dá os seus resultados, não é, Srs. apoiantes de Scolari?!?!?

07 setembro, 2009

A Selecção e as teorias…

Cada vez se tornam mais fastidiosas as paragens no campeonato nacional de futebol, quer para dar lugar a Taças Lucílio, quer para dar lugar à participações da selecção nacional.

Devo dizer-vos que não renegando a minha nacionalidade, a selecção nacional cada vez me desperta menos interesse, quer em fases de qualificação, quer em fases finais de grandes competições internacionais. Acho que, como em tudo no futebol em Portugal, se assiste uma “clubização” da selecção nacional há muitos, muitos anos. Todos nos lembramos da alegria e gozo com que os nossos adversários se regozijavam das palermices que o estimado sr. Scolari fazia ao FC Porto. Desde a convocação do Bruno Vale, em detrimento de Vítor Baía, às declarações de Scolari no apoio aos clubes do Sul, tudo serviu para o brasileiro atacar o FC Porto. E não me esqueço disso.

Talvez por isto, e por muitas outras coisas que por razões de espaço não invocarei aqui, o meu entusiasmo pela selecção nacional é cada vez menor. Da não qualificação para o Mundial, a questão financeira é mesmo aquela que mais custará, é que são menos 30 milhões de euros a entrar no país pela não qualificação para o Mundial, ou seja, um projecto bem mais rentável que muitos outros que por aí andam neste país à beira mar-plantado.

A bem da verdade, não posso deixar de manifestar a minha opinião favorável (em contraponto com a maioria) em relação ao jogo deste fim-de-semana na Dinamarca. Parece-me que a selecção jogou bem, criou muitas ocasiões, encostou o adversário à sua área, e foi gravemente prejudicada pelo árbitro. Em Portugal há muito a mania de ter dois pesos e duas medidas. Se um certo e determinado clube cria meia dúzia de ocasiões de golo num jogo que por acaso não vence, então é inegável para todos os inefáveis comentadores que este certo e determinado clube jogou muito bem e deve ser elogiado por isso, sendo um resultado um mero pormenor injusto dos 90 minutos. Quando por exemplo é a selecção nacional a fazer um grande jogo e por azar não ganhar, como aconteceu na Dinamarca, então chovem acusações de azelhice, estatísticas de 1 golo para 36 remates, etc, etc. Não deixa também de ser curioso que nunca como agora a selecção está debaixo das críticas dos puros comentadores portugueses. Fazendo agora uma pequena teoria da conspiração, posso dizer-vos que não deixa de ser curioso que o FC Porto seja o clube português com mais jogadores na selecção, enquanto outras equipas maravilha nem um jogador têm… enfim… teorias…

PS: Esta semana que passou trouxe um momento de humor incrível que há muito não via nos jornais desportivos portugueses. Ao mesmo tempo, um momento de humor, mas de uma tristeza tão grande, tão grande, que revela toda a isenção e sensatez dos jornalistas desportivos em Portugal. Acho que sabem do que eu estou a falar…

08 junho, 2009

FC Porto – Clube eclético e solidário

De ano para ano, o FC Porto consolida a sua posição de clube eclético e vencedor em quase todas as modalidades onde entra.

Esta época não fugiu à regra, e o FC Porto escreveu a letras de ouro mais uma página de glória na história deste grandioso clube, que se assume cada vez mais como um dos melhores clubes da Europa, tendo em conta o rácio Orçamento vs Sucesso Desportivo. É com base neste rácio que as análises devem ser feitas, isto é, relacionar o dinheiro que se gasta com o sucesso interno e externo.

Neste particular, arrisco-me a dizer que o FC Porto é, em toda a Europa, o clube que com menos recursos, mais sucesso conquista na Liga dos Campeões e mais proporção de títulos internos consegue, mesmo considerando que alguns dos seus adversários, fruto do milagre da multiplicação, gastam rios de dinheiro época após época, mesmo sem ganhar rigorosamente nada. É também contra esses fenómenos que o FC Porto tem continuar a lutar, só que como em tudo, um dia os rios de dinheiro gasto (olhemos a actual crise mundial) irão acabar… e aí, tanto choro vai haver.

Mas voltando ao ecletismo do FC Porto, é mesmo fantástico observar que esta época se conseguiu a “dobradinha” no futebol, o "octocampeonato" no hóquei em patins e um título de “campeão” bastante saboroso no andebol. Apenas no basquetebol as coisas não correram bem, e o FC Porto não fez o normal, isto é, ganhar ao clube da verdade desportiva. No futsal e voleibol, a vitória do FC Porto era um pouco difícil, até porque não temos equipas nessas modalidades…

Por tudo isto, todos os intervenientes em cada uma das modalidades (mesmo no basquetebol em que nada ganhamos!), estão de parabéns pelo magnífico trabalho desenvolvido durante esta época. Honraram e dignificaram o nome do clube! Que continuem o bom trabalho desenvolvido…

Como nota final, gostaria de enaltecer outra faceta do nosso clube: a solidariedade institucional. Senão vejamos: este fim-de-semana, a selecção nacional definhava-se perante uma miserável Albânia, onde nem Cristianinhos, nem Sabrosas, nem nada… foi preciso a dupla Meireles – Bruno Alves para que a vitória surgisse já em período de descontos e a “pele” de Queiroz fosse salva. Enfim, até ajudamos os mais necessitados com a qualidade dos nossos jogadores.

29 março, 2009

Semana de selecções e não só

Numa semana de selecções como esta, pouco se passa. Muito se fala, mas pouco se diz. Esperamos é que ninguém (dos nossos) se volte a lesionar as serviços das suas selecções e pouco mais.

Do nosso clube, ainda se pode falar da Champions League e entrevistar antigas personagens.

Ao ler uma dessas entrevistas, senti algumas “nostalgia” ao ler as palavras de Benny McCarthy. Não é que o Licha ou o Hulk nos deixem mal servidos, mas sim porque era um ponta de lança como há poucos. Forte e rápido, um pé direito temível e cabeceamentos portentosos. Quem não se lembra do golo ao Moreira na Luz? Aquela cabeçada contra o Manchester no Dragão? E aquele pontapé de bicicleta contra o Paços de Ferreira, já na última jornada?

Bons tempos esses, o de um homem que sempre se mostrou grato por tudo o que o clube (FC Porto) lhe proporcionou e um enorme respeito pelos adeptos que na altura o apoiaram. Homens como estes hão poucos.

Falando em selecções, há também o regresso da nossa selecção (isto para quem é Português), porque com a globalização, nem tudo o que é Portista quer dizer que seja português. Hoje em dia, está na moda, o sul e o Algarve em especial. E não há dúvidas quem um estádio portentoso como o nosso, faz tremer qualquer oponente.

Gostava também de comentar o famoso penalty do Pereirinha e do Rui Pedro, até porque este último tem contrato com o FC Porto. Se as coisas corressem bem, eram bestiais, mas como assim não foi, são umas bestas. Coisas do futebol e que são analisadas com demasiada severidade. Não penso ser nenhuma falta de respeito pelo oponente. É uma maneira justa e legal de se marcar um penalty

Esperemos que seja uma semana tranquila e que culmine com um belo resultado contra o Guimarães, se possível, tão bom como o da época passada (vitória fora por 0-5).

Um abraço,
Tiago Teixeira

15 setembro, 2008

Nova etapa

Aproveitado a absurda paragem da Liga Sagres, e tendo em conta que na pretérita semana se disputaram 2 jogos da selecção nacional a contar para o apuramento do Mundial-2010, gostaria de, para variar, falar de um assunto que raramente abordo: a selecção nacional de futebol.

Entre 2002 e 2008, vivemos um período de tempo em que o seleccionador nacional convocava os jogadores, sobretudo, por razões pessoais, um seleccionador que privilegiava a euforia das bandeiras à janela e outros actos de patriotismo em detrimento de um trabalho discreto, mas sério e eficaz. Além disso, o ex-seleccionador nacional cometeu a maior injustiça de que há memória no futebol português: o afastamento de Vítor Baía. Enquanto foi seleccionador, Scolari nunca se dignou a dar qualquer explicação pelo facto de não convocar aquele que, em 2004, foi considerado o melhor GR da Europa. Foi, como Baía afirmou, um autêntico COBARDE!

Agora com Carlos Queiroz, acabam-se os apelos eufóricos de patriotismo bacoco, as euforias injustificadas e as convocatórias “familiares” do Sr. Scolari. Um dos aspectos que mais me satisfez na 1ª convocatória de Queiroz foi a escolha dos jogadores que no momento se encontram na melhor forma, e não jogadores pelo seu passado, como Scolari tanto gostava de fazer!

Dos 2 jogos realizados, Portugal apenas somou 3 pontos, fruto de uma vitória frente à frágil Malta e uma derrota frente à Dinamarca em pleno estádio de Alvalade. A derrota frente à Dinamarca surgiu nos últimos 5 minutos finais com 2 golos sofridos e depois de Portugal ter realizado uma exibição suficiente para resolver o jogo muito antes dos últimos minutos. Independentemente disso, devo dizer-vos que há muito tempo não via Portugal a fazer um jogo de grande qualidade não só em termos técnicos, mas como também em termos tácticos. 85minutos de muita qualidade, ocasiões flagrantes de golo e boas jogadas de envolvimento ofensivo. Nos últimos minutos, a azelhice de Quim e um golo às tabelas dos dinamarqueses fizeram com que o resultado tomasse um rumo de enorme injustiça (se bem que no futebol não a haja!). Além disso, aqueles minutos finais apenas vieram confirmar aquilo que há muito tempo penso (e que infelizmente dói a muita gente):

- Vítor Baía foi o melhor GR português de todos os tempos;
- Nem Ricardo, nem Quim, nem Rui Patrício, nem algum GR português da actualidade chega aos calcanhares de Vítor Baía;
- Desde 2002, a selecção nacional tem tido uma enorme dificuldade em encontrar um GR à altura de Vítor Baía;

No entanto, e apesar das dificuldades na baliza, penso que a selecção nacional tem todas as condições para encetar uma nova era, uma fase em que os melhores sejam escolhidos e em que deixe de haver o “grupinho dos meninos do Scolari”.

PS: A liga Sagres parou, o que não parou foram as idiotices dos “mesmos do costume”… De uma vez por todas, a indiferença é o melhor remédio…