assistência: 24.209 espectadores.árbitros: Elmano Santos (AF Madeira), Sérgio Serrão e Álvaro Mesquita; Cosme Machado.
FC PORTO: Helton; Miguel Lopes, Rolando, Bruno Alves e Alvaro Pereira; Fernando, Raul Meireles e Belluschi; Varela, Falcao e Rodríguez.
Substituições: Miguel Lopes por Farías (59m), Falcao por Mariano (84m) e Belluschi por Tomás Costa (86m).
Não utilizados: Beto, Guarín, Valeri e Maicon.
Treinador: Jesualdo Ferreira.
UNIÃO DE LEIRIA: Djuricic; Vinícius, Bruno Miguel, Diego Gaúcho e Ronny; André Santos, Marco Soares e Silas; Tiago Luís, Carlão e Patrick.
Substituições: Patrick por Moreno (46m), Silas por Hélder Godinho (70m) e Tiago Luís por Cássio (87m).
Não utilizados: Elias, Hugo Gomes, Brígido e Pedro Cervantes.
Treinador: Lito Vidigal.
golos: Falcao (15m), Diego Gaúcho (31m), Bruno Alves (36m), Ronny (52m) e Falcao (64m).
disciplina: cartão amarelo para Bruno Miguel (10m), Vinícius (58m), Ronny (66m), Fernando (90m e 92m) e Raul Meireles (93m); cartão vermelho directo para Djuricic (68m) e, por acumulação de amarelos, para Fernando (92m).
Sensação de déjà vú, mais que um cliché, a expressão gaulesa manifesta a dificuldade que os Dragões têm em delimitar e clivar, com o que ameaça tornar-se imagem de marca dos jogos no Dragão.

Se o Futebol fossem só golos, o anfiteatro portista dir-se-ia palco de um espectáculo sublime, mas tal adjectivo esteve ausente do relvado e muito por culpa dos homens da casa.
Na semana em que Pedroto foi pedra de percussão no toque a reunir dos azuis e brancos, a vitória era o único caminho que importava seguir.
Sabedor dos desempenhos rivais, à pressão de ganhar juntava-se o frio, a chuva e o desconforto de o onze se ver subtraído de uma das habituais peças, Fucile, o Uruguaio que por coincidência procurava a fasquia do centenário de jogos, ficava apeado e concedia os 1ºs minutos na Liga ao debutante Miguel Lopes…não haveria de vir mal ao Mundo por isso!
Os Visitantes não fugiam ao figurino de equipa arrumadinha, duas linhas bem visíveis postadas atrás da linha divisória do campo, quando em momento defensivo, onde se observava a utilização do duplo pivot como sinal maior ao stop das ofensivas contrarias.
Não era o augurado autocarro de 2 andares, mas os do Lis mostravam a formatação costumeira para jogos fora de portas, André Santos era o musculo sobre o meio terreno, Silas os pés de veludo, que tentavam envenenar o ultimo reduto, onde invariavelmente, todo o jogo lhe passava nas chuteiras, derivando todo e qualquer passe para um só receptor, Carlão, que dava no jogo aéreo, agua pela barba a Bruno Alves.
Procurar algo mais no futebol da UD Leiria é puro exercício especulativo, excepção feita às bolas paradas e seu batedor, qual atirador furtivo, Ronny.
Perante um adversário que apresentava um registo de pontos extra muros superior aos conseguidos pelos Dragões, a máquina azul começou desde cedo a entrosar processos e movimentos que prometiam uma noite cheia de labaredas, capaz de suprir e amenizar o ar gélido nortenho, Belluschi dava o mote logo ao minuto dois, disparando de meia distância à baliza Leiriense.

Os minutos passavam e as promessas tardavam em repercutir êxito, minuto dez Belluschi vislumbrava hipóteses de alvejar a baliza com êxito, livre em posição audaz, mas o desfiar da jogada, mais não seria que um registo caricato a que haveria de seguir-se um momento de polémica arbitral, mesmo escorregando na hora de bater o pontapé livre, a bola sujeitou Djuricic a trabalho apertado, na impossibilidade de suster à primeira, largou-a para a frente onde Falcao aproveitaria para atirar a contar, não sem que a bandeirola do liner subisse e invalidasse o tento.
Os Dragões previligiavam a posse, mesmo que sem critério de assinalável registo, Rodriguez e Pereira davam dinâmica a ala esquerda, se o primeiro apesar de abnegado e no seu estilo lutador pouca profundidade dava as ofensivas, refugiando-se em movimentos interiores, já o segundo perdia-se em cavalgadas corredor fora sem grandes frutos. Do lado oposto Varela era a vitamina criativa, bem secundado por Belluschi, que aproveitava bem a verticalização do jogo para desenvencilhar espaços com passes de ruptura.
Ainda que longe de uma imagem de futebol pressionante, feito de recuperações no último terço, o transporte da bola fazia-se com velocidade capaz de irromper na defesa forasteira, os leirienses só defendiam, acutilância pela baliza zero, do lado azul a exibição não era exuberante mas marcava pontos no respeitante a fluidez e dinâmica.
Transições, futebol com largura nas alas, talvez por isso não estranhou que os bons indícios confluíssem para o golo. Varela arranca em direcção a área, perdido nos dribles a jogada parecia condenada ao fracasso, Belluschi imaginou em esforço um destino melhor, o guardião forasteiro opôs-se com mestria e das sobras tratou um faminto Falcao, estava inaugurado o marcador.
Era um belo inicio, o relógio marcava 15 minutos, e o esfregar das mãos para alem de aquecer, perspectivava um serão tranquilo com números gordos, puro engano, como em tantas outras vezes, recuavam-se as linhas, trocava-se a vontade de chegar ao 2 golo pelo controlo de acções adversarias e sabe-se como isso custa concentração e níveis elevados de competência.
A União tentou a reacção cresceu territorialmente, aproximou a bola da área a guarda de Helton e sorrateiramente ameaçou em contra ataque aos 27 minutos, passados escassos minutos concretizou os intentos. O keeper Azul não fica isento de culpas e o arbitro auxiliar defendia na perfeição a máxima de em caso de duvida, o ataque é favorecido.

Acção/Reacção e os portistas à procura do prejuízo, não tardou que Meireles aquecesse as mãos ao guardião do Lis, e que volvidos mais um trio de minutos os suspeitos do costume nos lances de bola parada colocassem de novo o Fc Porto na liderança do marcador. Canto batido pelo médio tatuado, bola comprida para a linha de grande área e o Capitão lá bem nas alturas dava seguimento fulgurante ao esférico, travando a inquietude que alarmava nas bancadas.
O regresso aos balneários ficava mais próximo sem que o minuto 41 pusesse a nú algumas das diferenças entre o Fc Porto 09/10 e o da época transacta, bola recuperada a entrada da área em momento defensivo, saída para a famigeradatransição, galgam-se metros mas sente-se Varela desapoiado sem linhas de apoio capazes de nutrir a ofensiva de veleidades e assustar o opositor, Falcao acorreria ao centro mas chegaria atrasado e o apito de Elmano Santos ecoava para intervalo.
Se a igualdade a um, como que tinha chovido do céu, o que dizer do empate a dois, o estéril ataque da União caprichava nos lances de estratégia, Ronny disparava a entrada da área e colhia no pé esquerdo de “cebola” o ressalto que punha o Dragão a chorar sobre o leite derramado, atroz infelicidade, capricho da sorte ou algo vai mesmo mal no reino defensivo do Dragão!?
Farias, salta para o aquecimento, Jesualdo vê-se obrigado a abrir mão do habitual conservadorismo, Miguel Lopes encerra o seu contributo a passagem da hora de jogo. Um avançado centro por um lateral é algo pouco visto, a ideia era não perder o contacto com os líderes do campeonato, um par de minutos volvidos, Belluschi bate o canto, Rolando discute no ar, “el tecla” divide com o guardião e “el tigre” predador nato de área, faminto pelo balançar das redes, conferiam nova vantagem aos Dragões, suspirava-se de alivio!
Até aqui a única nota de realce no futebol de inicio de 2ª parte era troca posicional de Rodriguez e Varela para jogarem em flancos contrários, resultado Varela desligou-se do jogo e Rodriguez ajudou no empate, no míssil de Ronny. Sem lateral o trio de meio campo conheceu uma nova disposição, Meireles passou para interior direito e Belluschi passou para a esquerda.

Os da casa dominavam e pareciam perto de aumentar o score tal a catadupa de lances capazes de mexer com o placard, Meireles denotava pulmão capaz de alimentar o seu futebol de passe curto com as movimentações capazes de o fazer aparecer em zona de finalização, Belluschi ia perdendo fulgor até desencantar um passe magistral que isola Falcao, Djuricic é lesto a sair, divide com o avançado o lance e obsta ao golo fora da sua área de jurisdição, o árbitro madeirense não vai de modas e expulsa mal o Guardião Leiriense, do livre não resulta perigo.
Reduzidos a 10 elementos pensou-se que a contenda estava decidida, Falcao ficava perto do hat-trick, mas desta feita o auxiliar não usava da mesma máxima de favorecer o ataque, o tempo corria para o fim dos 90 minutos, mas o jogo estava longe do fim, os Leirienses num assomo de dignidade e sem nada a perder fizeram entrar Cássio e mesmo com dez faziam perigar a baliza contrária. Fernando tem um minuto negro e põem o Dragão em sobressalto, falta a despropósito, amarelo e livre bem ao jeito do pé canhão de Ronny, Helton rechaça com dificuldade o alivio sai para a lateral, as benesses não ficavam por ai e do arremesso lateral, Rolando falha o tempo de salto e Fernando nas costas não faz melhor contrariando a trajectória da bola com o braço, 2º amarelo, consequente expulsão e grande penalidade…o Dragão gelava, o que se afigurava como vitória sofrida estava agora no limbo e ameaçava tornar-se uma divisão de pontos e o fechar da 1ª volta a seis pontos do topo.
Helton às vezes vilão, hoje herói, o jubilo pela defesa ao remate saído a 124 km/h mais parecia um golo marcado, o apito final soaria quase no imediato, garantindo a vitória e o crucial caminho na luta pelo topo.