Os mais incautos, provavelmente, julgarão que irei desatar aos socos para defender o
“minino” Ricardo Quaresma. Não. Não o farei, por dois motivos: primeiro, porque tenho a pontaria mais afinada que determinado brasileiro e segundo, julgo que a família do mágico do FC Porto é mais do que suficiente para salvaguardar o bem-estar do mesmo.
Na realidade o que me incomoda é a incomplacência com que os adeptos azuis e brancos –
que rapidamente se propagou para os adeptos do clube de Scolari – presenteiam o número 7 do FC Porto.
É incontornável que o Quaresma está em sub rendimento, que por vezes a sua inconstância exibicional inflama os nervos aos adeptos do Dragão, mas não é menos verosímil que foi o próprio jogador que colocou a fasquia bem alta –
especialmente nas duas últimas épocas – com a magia que perfuma os relvados mais tenebrosos da super liga. O ruído, constante, que se vem verificando no Dragão, jornada após jornada, em consequência de uma jogada individual menos produtiva do mesmo, começa a ser irritante e origina-me inflamações no estômago. Dispenso

tiques de taxistas, característica inata dos adeptos do Recreativo do Centro Comercial Colombo, na massa adepta e associativa do meu clube. E, atenção, comungo da mesma paixão exacerbada pelo Futebol Clube do Porto. Tudo isto no universo azul e branco.
Abordo, agora, o assunto na perspectiva de selecção nacional. Recente e invariavelmente um dos bodes expiatórios das medíocres exibições da selecção nacional tem sido: Ricardo Quaresma.
A sua não inclusão no Mundial de 2006 foi levemente abordada pelos críticos desportivos e comunicação social, e o motivo para essa branda e silenciosa discussão foi motivada pela cor do seu jersey. Actualmente, titular na selecção, é repetidamente rotulado de individualista, praticante de um futebol inconsequente. Discordo. Se existe inconsequência é na montagem e abordagem táctica da equipa nacional, e dos tiques de vedetismo do inimputável Cristiano Ronaldo. Admito que o Quaresma também os tenha, embora não consiga entender a incoerência como se avalia o mesmo defeito em diferentes atletas. No jogo contra a Finlândia, num puro exercício estatístico o Harry Potter foi o jogador nacional mais perigoso. Efectuou 6 remates
(3 enquadrados à baliza e 3 fora), participou directa ou indirectamente nos lances mais perigosos da equipa. Arrancou um amarelo aos Finlandeses e protagonizou, um lance espectacular perto da grande área adversária, parado por um nórdico em falta.
Na minha óptica o menos mau no ataque. Contudo, considerado insuficiente pelos sapientes críticos desportivos. O pânico instalado, derivado da ausência do ex-menino de ouro da Luz na equipa titular, paralisa a massa encefálica a muita gente. Ao que parece o Ricardo Quaresma é o único jogador que já queimou a sua oportunidade na selecção. Incrível, não só pelo número de jogos realizados como titular e, pelo rácio minutos/aproveitamento que apresenta, ao contrário de muitos.
E, por fim, a inevitável comparação com o endeusado de Manchester.
Nunca registei uma crítica destrutiva para com o craque do BES. Fala-se em actividades circenses, de complicação de processos, de inconsequência, etc. Cristiano Ronaldo é incólume a esses adjectivos. Numa atitude sebastiânica é apontado como o melhor do mundo. As suas exibições nunca são negativas, apenas menos conseguidas. Irrita-me. Solenemente. Se ser objectivo é pegar no esférico, tentar serpentear –
ao bom estilo “ obikwelano” – uma floresta de pernas adversárias… prefiro a objectividade do nosso cigano.
Podem me apelidar de faccioso, de burro, de Luís Campos ou de Octávio Machado
(respeitando esta sequência natural)… mas uma coisa é certa: não trocava o pé direito do cigano pelos dois pés do Cristiano Ronaldo.
A avaliação desta afirmação polémica, muito subjectiva, fica ao vosso critério.
Um Abraço do,
CJ